31 jul Sinaees-SP debate inclusão de PCD no setor eletroeletrônico
Dados do Departamento de Inteligência de Mercado do Senai-SP apontam que o setor eletroeletrônico se destaca positivamente em termos de representatividade de PCDs no cenário industrial, sendo o quinto maior em inclusão, atrás apenas dos segmentos de Saúde, Automotivo, Logística e Combustíveis. No ano de 2025, o setor empregou 3.299 trabalhadores com deficiência em São Paulo, número equivalente a 2,5% do total de funcionários no estado e superior à média geral da indústria paulista, que é de 1,85%.
O perfil desse trabalhador revela que 65,5% possuem ensino médio completo e 34% atuam diretamente na área operacional, com salário médio maior e recorrência de profissionais com deficiências físicas e auditivas. Além disso, a presença feminina (34,25%) supera a média geral do mercado (27,63%).
Entretanto, as empresas enfrentam desafios para cumprir as exigências de políticas públicas de inclusão que se articulam no Brasil, conectando leis de educação, de assistência social e a CLT. Para debater esse tema, o Sinaees-SP realizou, nesta quinta-feira (30), a palestra “Inclusão de PCD nas Empresas”. O evento foi ministrado por Sandra Rodrigues da Silva Chang, doutora em Educação pela USP e supervisora de Organização e Política Educacional no Senai-SP.
Durante a apresentação, a especialista salientou as iniciativas da instituição para dar suporte às indústrias nesse propósito.
A especialista destacou que o conceito de deficiência utilizado pelo Brasil, refletido na Lei de Inclusão (Lei 13.146/2015), está alinhado à Convenção da ONU ratificada pelo país. A legislação define a deficiência como um impedimento de longo prazo (físico, mental, intelectual ou sensorial) que, em interação com barreiras, pode obstruir a participação plena do indivíduo na sociedade. “A deficiência está na relação entre o indivíduo e a sociedade. Precisamos consertar as barreiras por meio da acessibilidade para equiparar as oportunidades”, pontuou. A supervisora enfatizou a importância da equidade sobre a igualdade, defendendo a busca do mesmo resultado prático para todos, mesmo que se utilizem recursos diferentes, ou a adoção do conceito de desenho universal – mais complexo em termos de implementação.
Sandra esclareceu também pontos cruciais da Lei de Cotas, que obriga empresas com 100 ou mais funcionários a preencherem de 2% a 5% dos cargos com PCDs ou reabilitados. Ela alertou que a cota de aprendiz com deficiência não preenche a cota regular de PCD, por se tratarem de exigências distintas.
O Senai mantém o Programa de Ações Inclusivas (PSAI), que já soma mais de 33 mil matrículas no Brasil – sendo 18 mil apenas no estado de São Paulo. Pessoas com Transtorno do Espectro Autista (TEA) representam a maior parte dos atendidos pelo programa.
Como suporte direto às indústrias, o Instituto Senai de Tecnologias Assistivas, localizado na cidade de Itu, presta serviços em todo o território nacional para preparar empresas para a inclusão de PCDs na indústria. Entre as principais soluções oferecidas pela unidade estão a análise técnica de postos de trabalho; a adequação de processos de produção; o desenvolvimento e adaptação de equipamentos; e a identificação e recrutamento de profissionais qualificados. “O Instituto contribui com toda a preparação, desde a adaptação das empresas e o preparo dos trabalhadores até a sensibilização das equipes. É um trabalho que deve ser conhecido de perto pelas indústrias.”
O evento, coordenado pelo vice-presidente do Sinaees-SP, André Saraiva, reafirmou o compromisso do Sinaees-SP em apoiar as empresas associadas na construção de ambientes de trabalho mais acessíveis, produtivos e socialmente responsáveis. Na ocasião, ele ressaltou o atual panorama de inclusão do setor eletroeletrônico acima da média da indústria geral, mas afirmou existir espaço para evoluir ainda mais. “O suporte oferecido pelo Senai é fundamental nesse processo.”