Reunião Plenária debate impactos da inteligência artificial na inovação, no trabalho e na saúde

A Abinee/Sinaees realizou, ontem (1º), Reunião Plenária dedicada aos impactos da inteligência artificial nas áreas de pesquisa e inovação, formação profissional e saúde. O encontro reuniu representantes da Embrapii, do Senai-SP e do Einstein para apresentar experiências, tendências e oportunidades relacionadas à incorporação da tecnologia pelas empresas e pela sociedade.

Pesquisa e inovação

O diretor de Inovação e Relações Institucionais da Embrapii, Igor Nazareth, destacou a parceria de longa data com a Abinee e informou que 10% de todos os projetos apoiados pela Embrapii desde sua criação foram realizados com associados da entidade, fazendo da Abinee a associação setorial com maior participação nos projetos da instituição.

Nazareth ressaltou que esse resultado foi alcançado com a participação de apenas cerca de 20% das empresas associadas à Abinee. “Temos 80% dos associados que ainda não conhecem a Embrapii ou ainda não desenvolveram projetos conosco. Temos uma grande oportunidade pela frente”, afirmou.

No caso da inteligência artificial, a Embrapii já apoiou quase 1 mil projetos, com aplicações em manutenção preditiva, detecção de falhas, cadeias de suprimentos, manufatura, saúde e desenvolvimento de novos produtos. Segundo Nazareth, a demanda por projetos nessa área vem crescendo de forma acelerada.

O gerente de Relações com Mercado da Embrapii, José Menezes, apresentou os Centros de Competência da instituição, voltados ao desenvolvimento de tecnologias de fronteira, capacitação profissional, inovação aberta e aproximação entre empresas e instituições de pesquisa. Ambos também abordaram as possibilidades de investimentos no âmbito da Política de TICs.

Formação profissional

O assessor técnico da Diretoria do Senai-SP, Wilson Cardoso, abordou os impactos da inteligência artificial sobre o mercado de trabalho e a formação profissional. Segundo ele, as diferentes ocupações serão afetadas de formas distintas pela tecnologia, com maior transformação em atividades administrativas e de serviços e maior resiliência em funções que envolvem trabalho técnico e manual. Nesse cenário, a IA tende a ampliar a capacidade dos profissionais e também a criar novas funções relacionadas ao desenvolvimento, uso e controle dessas tecnologias.

Cardoso ressaltou que essa transformação exigirá a combinação de competências tecnológicas — como inteligência artificial, análise de dados, automação, cibersegurança, redes, semicondutores e programação — com habilidades humanas, entre elas pensamento crítico, criatividade, resolução de problemas, adaptabilidade e aprendizado contínuo. Ele também apontou oportunidades para o Brasil em áreas como telecomunicações, infraestrutura digital, eletroeletrônicos, manufatura avançada, saúde digital e energia.

Inteligência artificial na saúde

A diretora de Inovação do Einstein, Gabriela Xavier, apresentou aplicações da inteligência artificial na área da saúde e destacou a atuação da instituição no desenvolvimento de soluções em parceria com empresas. Recentemente, o Einstein foi credenciado como unidade Embrapii em saúde digital, ampliando sua atuação em projetos de pesquisa, desenvolvimento e inovação.

Entre os exemplos apresentados estão soluções de IA aplicadas à análise de exames e imagens, apoio ao diagnóstico, monitoramento de pacientes e identificação de situações de risco. Gabriela citou projetos voltados ao acompanhamento de gestantes de alto risco, identificação de arritmias em atletas e diagnóstico de doenças como malária e leishmaniose, além da validação e incorporação de novas tecnologias em saúde.

Na abertura da reunião, o presidente do Conselho de Administração da Abinee/Sinaees, Claudio Lorenzetti, e o diretor-geral da Abinee, Anderson Jorge Filho, apresentaram os principais temas do setor eletroeletrônico e da agenda institucional da Abinee.

As apresentações mostraram que a inteligência artificial já está produzindo mudanças concretas em diferentes áreas e que sua incorporação exige investimentos simultâneos em pesquisa, formação de profissionais e desenvolvimento de soluções aplicadas. Para a Abinee, acompanhar esse processo é fundamental diante do papel da indústria eletroeletrônica no fornecimento das tecnologias e da infraestrutura que sustentam essa transformação.