22 jul Abinee participa de reunião do governo para debater impactos do tarifaço
A Abinee participou, no dia 21 de julho, de reunião proposta pelo governo brasileiro para discutir os impactos e avaliar possíveis medidas a fim de minimizar os prejuízos do tarifaço de 25% imposto pelo governo dos Estados Unidos sobre produtos brasileiros exportados para aquele país.
A tarifa de 25%, imposta em julho pela USTR, atingiu 90,9% do valor exportado para os EUA em 2025, evidenciando os efeitos que as taxas do governo dos EUA terão sobre as exportações da indústria elétrica e eletrônica, sendo que os Estados Unidos responderam por 26% das exportações do setor.
Para Humberto Barbato, presidente executivo da Abinee, que participou da reunião com o ministro do MDIC, Márcio Elias, e representantes dos Ministérios da Fazenda e Relações Exteriores, será preciso que o governo brasileiro adote medidas imediatas e estratégicas a fim de que as empresas do setor consigam manter mercados. Barbato descartou a adoção de qualquer medida de retaliação neste momento.
“São injustificáveis as tarifas de 25% contra nossos produtos, afinal, em 2025, o setor registrou superávit comercial de US$ 2,7 bilhões em favor dos Estados Unidos. Ainda assim, os EUA continuam sendo um mercado muito importante para o nosso setor”, afirmou. Segundo ele, só nos últimos cinco anos houve aumento de 80% nas vendas de bens elétricos e eletrônicos para aquele país. “Por isso, solicitamos que o governo brasileiro continue nas mesas de negociações e que, ao mesmo tempo, sejam tomadas medidas imediatas para assegurar que nossos produtos continuem sendo competitivos frente aos concorrentes globais.”
Barbato informou ainda aos representantes do governo que o redirecionamento dos volumes atualmente destinados aos EUA apresenta elevada complexidade, seja por aspectos técnicos, seja por razões de ausência de demanda específica. “Muitos equipamentos do setor possuem características técnicas fortemente associadas às normas, regulamentações e especificações próprias de cada mercado, o que torna difícil vender estes bens em outros países”, disse.
Entre as medidas sugeridas pela Abinee ao governo brasileiro estão a ampliação dos programas de apoio às exportações, por meio de crédito, garantias e seguro de exportação, além do fortalecimento das ações de promoção comercial e da abertura de mercados alternativos.