29 maio Reunião no Rio Grande do Sul destaca indicadores da indústria gaúcha
A regional Rio Grande do Sul da Abinee promoveu sua primeira reunião-almoço do ano nesta quinta-feira (28) no Ritter Hotel, em Porto Alegre. No encontro, foram apresentados os dados da pesquisa de desempenho setorial da indústria gaúcha, além de contar com a participação da secretária de Inovação, Ciência e Tecnologia do RS, Lisiane Lemos; o chairman do SemiCon-Lac 2026, Adão Villaverde; e o presidente executivo da Abinee, Humberto Barbato.
Lisiane Lemos apresentou ações e estratégias do Estado voltadas ao setor produtivo, com ênfase em iniciativas voltadas ao fortalecimento do setor eletroeletrônico gaúcho, como o programa Semicondutores RS, a atração de empresas e a formação de talentos.
Lisiane destacou o papel do governo gaúcho na estruturação de um ambiente favorável à inovação, com investimentos, políticas públicas e parcerias para estimular a cadeia produtiva tecnológica. “Somente por meio do programa Semicondutores RS, o Estado investirá cerca de R$ 70 milhões em diferentes iniciativas até o final de 2026”, iniciou a secretária. “A estratégia envolve ações integradas de atração de investimentos, formação de capital humano e inserção do Rio Grande do Sul na cadeia global do setor”, complementou.
O presidente executivo da Abinee, Humberto Barbato, tratou dos desafios atuais enfrentados pela indústria eletroeletrônica em meio ao cenário econômico adverso, marcado por juros elevados, inflação e insegurança. Ele destacou preocupações com reforma tributária, competitividade industrial, incentivo à produção local, revisão contratual diante do aumento de custos e dificuldades relacionadas à logística reversa e mão de obra.
Barbato também considerou surpreendente o desempenho da indústria eletroeletrônica diante de um cenário econômico instável. “Estamos tentando de todas as maneiras vencer o gravíssimo problema do Custo Brasil. Isso atrapalha as empresas e faz com que a gente perca muita competitividade”, ressaltou.
Desempenho setorial da indústria gaúcha
A pesquisa foi apresentada pelo gestor de projetos da Abinee-RS, Antônio Costa Sobrinho, e pelo diretor regional da Abinee-RS, Régis Haubert.
O levantamento apontou crescimento de 12% no faturamento do setor eletroeletrônico no Rio Grande do Sul em 2025, alcançando R$ 18,2 bilhões, frente aos R$ 16,1 bilhões registrados em 2024.
A pesquisa avaliou 256 empresas distribuídas em 32 municípios gaúchos e contemplou 11 áreas do setor eletroeletrônico. Entre os segmentos com maior expansão no Estado estão Geração, Transmissão e Distribuição, com avanço de 40%, Serviço de Manufatura Eletrônica, com crescimento de 27%, e Utilidades Domésticas Eletroeletrônicas, com alta de 18%.
O estudo também mostrou crescimento de 5% no número de empregos do setor em 2025. O total de trabalhadores atingiu 25.824 funcionários no Rio Grande do Sul. A área de Automação Industrial liderou em número de empregados, com 6.258 postos de trabalho.
Nas exportações, o desempenho foi ainda mais expressivo. O valor exportado pelo setor chegou a US$ 665,1 milhões em 2025, crescimento de 32% em relação ao ano anterior. O segmento de Geração, Transmissão e Distribuição concentrou o maior volume exportado, com US$ 261 milhões.
De acordo com a Abinee-RS, o setor eletroeletrônico representa atualmente 2,4% do PIB do Rio Grande do Sul e responde por 3% das exportações industriais do segmento no Estado.
Simpósio de Semicondutores da América Latina e Caribe
Outro assunto destacado na reunião foi o Simpósio de Semicondutores da América Latina e Caribe (Semicon-LAC 2026). O evento ocorrerá de 17 a 19 de junho no Tecnopuc, em Porto Alegre, com apoio da Abinee e outros atores do sistema de inovação e tecnologia gaúcho. As inscrições já podem ser realizadas pelo site https://semiconlac2026.com.
O chairman do evento, Adão Villaverde, falou do encontro como uma oportunidade estratégica para posicionar o Rio Grande do Sul no centro da cadeia global de semicondutores. Destacou o cenário internacional de reorganização produtiva, a capacidade instalada já existente no estado e a importância da articulação entre academia, indústria, governo e sociedade para transformar potencial em negócios e investimentos.
“Nós vamos realizar este evento com objetivo de networking e foco em negócios, apesar de estar ancorado em toda a nossa capacidade científico-técnica que temos localmente e nacionalmente no país”, afirmou.