USP lança fábrica modular de semicondutores com apoio da Abinee

O presidente executivo da Abinee, Humberto Barbato, participou no dia 23 de janeiro do lançamento da PocketFab, uma fábrica modular de semicondutores, fruto de uma parceria entre a Universidade de São Paulo (USP), Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) e o Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial de São Paulo (Senai-SP). A cerimônia contou com a presença de autoridades, lideranças acadêmicas e representantes de diferentes setores da indústria brasileira.

A Abinee está entre as entidades parceiras do projeto, que prevê uma infraestrutura de manufatura de semicondutores em escala compacta, modular e sustentável, inédita no país para a prototipagem avançada de microprocessadores e dispositivos. A PocketFab representa um avanço estratégico ao propor um novo modelo de fabricação de chips portátil, reconfigurável e orientado a lotes e aplicações específicas, capaz de aproximar, de forma concreta, a pesquisa de ponta da produção industrial. Diferentemente das megafábricas tradicionais, de alto custo e grande escala, a PocketFab foi concebida para acelerar ciclos de inovação, ampliar o acesso à microeletrônica avançada e fortalecer a soberania tecnológica nacional.

Com capacidade produtiva estimada em até 10 milhões de componentes por ano, abrangendo todo o processo do design de chips, conduzido pela USP, à validação, integração e aplicação industrial, lideradas pelo Senai-SP, a PocketFab se posiciona como alternativa estratégica para o suprimento de semicondutores, especialmente em um cenário global marcado por disrupções nas cadeias de fornecimento. Entre as aplicações industriais que poderão ser desenvolvidas a partir da PocketFab, estão: Setor Automotivo (ADAS): desenvolvimento e validação de chips para sistemas avançados de assistência ao motorista, ampliando segurança veicular, conectividade embarcada e eficiência produtiva; Indústria de Máquinas e Equipamentos: sensores inteligentes integrados para manutenção preditiva e automação avançada, aumentando a confiabilidade e a produtividade industrial, e Saúde e Dispositivos Médicos: semicondutores dedicados a equipamentos de diagnóstico e monitoramento, viabilizando soluções mais acessíveis, precisas e adaptadas ao mercado nacional.

Segundo Barbato, o caráter estratégico do segmento de componentes na era digital e aumento de demanda por diversos segmentos econômicos torna a iniciativa não somente necessário como urgente. “A adoção de novas tecnologias e a expansão de data centers e inteligência artificial têm ampliado a necessidade por esses insumos no país”, salientou. O presidente da Abinee lembrou ainda que, desde a pandemia, a indústria tem convivido com oscilações no fornecimento de semicondutores para vários setores, principalmente setor automotivo e armazenamento de dados, seja pela concentração de produção principalmente no leste asiático ou pelo aumento da demanda por setores que passam a incorporar cada vez mais esses insumos em sua produção. “A fábrica modular de semicondutores da USP terá papel decisivo para o setor eletroeletrônico e para a reindustrialização do Brasil”. Segundo ele, o projeto demonstra que a cooperação entre o setor industrial e a academia, somada a adoção de políticas públicas, representa o caminho mais eficaz para que o país alcance maior independência tecnológica, agregação de valor e desenvolvimento econômico.

“A USP tem a obrigação de liderar investimentos em áreas de pesquisa estruturais, que possam garantir o desenvolvimento do Estado de São Paulo e do Brasil nos próximos anos e trazer benefícios à sociedade. Obviamente, continuaremos a fazer pesquisa básica, pesquisa em nossos laboratórios, mas estamos criando uma infraestrutura capaz de nos aproximar mais das demandas atuais da sociedade”, afirmou Carlos Gilberto Carlotti Júnior, Reitor da USP.

O coordenador do Centro de Inovação InovaUSP, Marcelo Zuffo, reforçou o caráter inovador da iniciativa. “Não é uma fábrica convencional, ela é modularizada, compacta e reconfigurável, é uma mudança de paradigma de como fabricar semicondutores. Precisaremos de aproximadamente 200 metros quadrados para a instalação da fábrica, onde serão instalados equipamentos de altíssima precisão”, explicou.

Na ocasião também foram apresentadas outras iniciativas da USP voltadas à inovação. Uma delas foi a inauguração do supercomputador Joint Artificial Intelligence Research Unit (Jairu), dedicado à inteligência artificial, que já está instalado e em operação no prédio do InovaUSP.

Os outros dois lançamentos foram a aquisição de um tomógrafo de ressonância magnética de 7 teslas, que será instalado na Faculdade de Medicina (FM), e a criação de um núcleo de pesquisa dedicado às tecnologias quânticas, que reúne laboratórios e pesquisadores da Universidade ligados ao tema.