DEZEMBRO 2025 | REVISTA ABINEE 37 PLENÁRIAS precisa se adaptar a uma demanda que cresce de forma imprevisível, exigindo mais flexibilidade operativa, reforços na rede de transmissão e revisão na alocação de custos”, explicou. O Brasil tem vantagem competitiva por sua matriz energética majoritariamente renovável, que deve alcançar 321 GW de capacidade instalada até 2034, e por seu sistema de transmissão centralizado. Ainda assim, será necessário acelerar a expansão e os reforços da rede elétrica. O Plano Decenal de Energia prevê R$ 129 bilhões em investimentos, mas ainda não incorpora integralmente o impacto dessas novas cargas. Ao final, ele propôs a criação de um grupo de trabalho para aprofundar o debate e levar propostas concretas ao governo. “Temos uma janela estratégica. Se não nos prepararmos, poderemos perder espaço para países que já estão com infraestrutura pronta”, alertou. O encontro também contou com representantes do Banco Central, que apresentaram a pesquisa Firmus, desenvolvida para captar as expectativas do setor não financeiro sobre inflação, PIB, custos operacionais e percepção de mercado. Inspirada em modelos internacionais, a pesquisa é aplicada trimestralmente e busca subsidiar decisões de política monetária com uma visão mais próxima da realidade empresarial. Cidades inteligentes e setor elétrico Outro eixo das discussões tratou do papel das cidades inteligentes e dos desafios do setor elétrico no contexto de transição energética e sustentabilidade. O diretor de Desenvolvimento Regional e Territorial da Secretaria de Desenvolvimento Econômico do Estado de São Paulo, Caio Olmos Marinelli, apresentou o programa Cidades Inteligentes SP, que apoia municípios — especialmente os de pequeno porte — na implementação de soluções tecnológicas. Marinelli destacou que o governo paulista criou um repositório digital de soluções, em parceria com o IPT, para facilitar a contratação de tecnologias e dar suporte técnico às prefeituras. “As cidades inteligentes não são apenas uma agenda urbana, mas uma oportunidade de aproximar o poder público da indústria eletroeletrônica, que oferece tecnologias capazes de tornar os municípios mais eficientes e competitivos”, afirmou. O objetivo, acrescentou, é conectar a demanda dos municípios à oferta das empresas, promovendo a digitalização de serviços públicos e o desenvolvimento econômico regional. O assessor de coordenação da Abinee, Roberto Barbieri, apresentou as ações da área de Geração, Transmissão e Distribuição (GTD), destacando a atuação da entidade em fóruns estratégicos, como o FASE e o Departamento de Infraestrutura da Fiesp. “Quando falamos de energia, falamos de um insumo essencial para todas as áreas da economia”, afirmou. Segundo ele, a Abinee atua para que o setor elétrico brasileiro esteja preparado para garantir segurança, qualidade e oportunidades para a indústria eletroeletrônica nacional. Entre os temas em debate, Barbieri destacou a renovação das concessões de distribuição, a digitalização das redes com medidores inteligentes e a reforma do setor elétrico, que inclui a abertura do mercado livre de energia e a revisão de subsídios e encargos setoriais. As discussões reforçaram o papel da Abinee como espaço de diálogo e proposição de políticas públicas, comprometida em fortalecer a indústria eletroeletrônica e contribuir para a modernização da infraestrutura energética e digital do país, em linha com uma agenda de sustentabilidade, inovação e competitividade. Caio Olmos Marinelli, diretor de Desenvolvimento Regional e Territorial da Secretaria de Desenvolvimento Econômico do Estado de São Paulo Roberto Barbieri, assessor de coordenação da Abinee
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