REVISTA Ano XXV | Nº 109 | Dezembro/2025 INDÚSTRIA FORTE, FUTURO SUSTENTÁVEL Desempenho do Setor em 2025 Reforma Tributária Avanço da IA Logística Reversa Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica
CRISTAIS SWAROVSKI® CUIDADOSAMENTE COLOCADOS À MÃO MOTOROLA, o logotipo M estilizado, MOTO e a família de marcas MOTO são marcas comerciais da Motorola Trademark Holdings, LLC. Todas as demais marcas comerciais pertencem aos respectivos proprietários. ©2025 Motorola Mobility LLC. O motorola razr 60/motorola razr/motorola razr 60s é desenvolvido e fabricado pela/para a Motorola Mobility LLC, uma subsidiária de propriedade exclusiva da Lenovo. Swarovski® é uma marca comercial registrada da Swarovski AG. Consulte condições de parcelamento e planos em uma loja Vivo. Produto sujeito a disponibilidade de estoque.
Ao editor é reservado o direito de publicação de parte ou íntegra das mensagens. É autorizada a reprodução dos textos publicados nesta edição desde que citada a fonte ou autoria. As opiniões expressas e matérias publicadas na coluna das associadas são de inteira responsabilidade de seus autores. Expediente Edição 109 Dezembro/2025 Publicação do Sindicato da Indústria de Aparelhos Elétricos Eletrônicos e Similares do Estado de São Paulo - Sinaees-SP e da Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica – Abinee Av. Paulista, 1439 - 6º andar - 01311-926 Tel: 55 11 2175.0000 www.abinee.org.br Conselho Editorial Humberto Barbato Anderson Jorge de Souza Filho Editora Carla Franco - MTb 21.797 Redação Jean Carlo Martins - MTb 48.950 Revisão Israel Guratti Produção Gráfica Agência Ecomunica Tiragem 1.000 exemplares Publicidade Cássia Baraldi cassia@abinee.org.br Produção Fotográfica Dagnan Brandão - DRT 0058243/SP
22 52 13 42 CONGRESSO FIEE A revolução da eletromobilidade BALANÇO 2025 Como o setor eletroeletrônico avançou em 2025 e o que vem na agenda de 2026 CAPA O avanço da inteligência artificial no setor de telecomunicações e tecnologia da informação LOGÍSTICA REVERSA Lançamento do Selo Parceiro Green
ÍNDICE EDITORIAL A indústria que sustenta o Brasil 06 MENSAGEM DO CONSELHO Liderança Sustentável 09 FIEE 2025 Maior edição da década 10 REGIONAIS Ações regionais ampliam diálogo e fortalecem o setor em todo o país 31 PLENÁRIAS Em 2025, as reuniões da Diretoria Plenária discutiram temas fundamentais ao fortalecimento da cadeia produtiva e à construção de um futuro sustentável 36 REFORMA TRIBUTÁRIA Abinee acompanha regulamentação para garantir neutralidade competitiva 38 MERCADO IRREGULAR Atuação da Abinee e novas medidas da Anatel ampliam combate ao descaminho de celulares 46 COMÉRCIO EXTERIOR Abinee e ApexBrasil ampliam a presença internacional do setor com o projeto Electro-Electronic Brasil 50 RELAÇÕES TRABALHISTAS A busca da segurança jurídica 57
6 REVISTA ABINEE | DEZEMBRO 2025 EDITORIAL A INDÚSTRIA QUE SUSTENTA O BRASIL Mais uma vez, a indústria elétrica e eletrônica demonstrou resiliência, capacidade de inovação e impacto positivo na economia, mantendo seu desempenho mesmo diante de um cenário marcado por incertezas internas e externas. O ano de 2025 foi influenciado pela continuidade do apertomonetário, somado à expansão fiscal, o que gerou apreensão entre agentes econômicos e afetou a confiança da indústria. No plano internacional, o agravamento das tensões geopolíticas e o tarifaço imposto pelos Estados Unidos ao Brasil trouxeram pressões adicionais sobre custos e cadeias produtivas, com efeitos diretos na atividade industrial e na economia nacional. Ainda assim, o setor conseguiu encerrar o ano com expansão de empregos, estabilidade da produção e crescimento moderado do faturamento. A Abinee buscou sustentar esse desempenho, conciliando a atuação em temas emergenciais com a construção de condições estruturais para preservar competitividade e estimular novos investimentos. Entre as ações prioritárias, destacou-se a defesa do Crédito Outorgado de ICMS, essencial para a manutenção da produção local de dispositivos móveis e bens de informática. Atuamos para assegurar previsibilidade às empresas instaladas nos estados que utilizam esse instrumento e evitar retrocessos que poderiam comprometer empregos e investimentos. Também teve destaque a mobilização em defesa da Lei de TICs (Lei nº 14.968/2024), cuja regulamentação é fundamental para a continuidade dos investimentos em pesquisa e desenvolvimento no país. A Abinee participou ativamente dos debates com o governo federal, garantindo que a implementação da lei preserve a competitividade da indústria e mantenha o Brasil entre os principais polos de desenvolvimento tecnológico fora da Ásia. No combate ao mercado irregular, reforçamos a articulação com órgãos de fiscalização e contribuímos para a atualização da Resolução 715 da Anatel, que estabeleceu a responsabilidade solidária dos marketplaces na comercialização de produtos sem certificação. Somada à atuação da Receita Federal, Seacom e Sefaz-SP, a medida resultou na redução da participação de produtos ilegais no mercado, fortalecendo a concorrência justa e protegendo o consumidor. No plano estruturante, acompanhamos a implementação da Reforma Tributária, atuando para que sua transição preserve o equilíbrio competitivo da produção nacional. É essencial que sua regulamentação respeite o princípio de neutralidade tributária, evitando que se acentue vantagens e o deslocamento artificial de plantas industriais para determinadas regiões. Outro tema de médio e longo prazo que contou com a contribuição da Abinee foi o Programa REDATA, que inaugura um novo marco para a indústria de tecnologia no Brasil. Ao estimular a instalação de data centers e de sua cadeia produtiva associada no território nacional, o programa cria condições para atrair investimentos. A Abinee tem defendido que a iniciativa deve ampliar conteúdo local, fortalecendo fornecedores locais e consolidando a engenharia e manufatura avançada no país, em especial em um contexto de crescente demanda global por capacidade computacional e inteligência artificial. Seguiremos atuando para que sua regulamentação seja clara e previsível. Outro avanço relevante foi a prorrogação dos incentivos para dispositivos IoT até 2030, assegurando continuidade para um setor com impacto crescente na automação, na conectividade residencial e industrial e no avanço das cidades inteligentes. Mesmo diante de incertezas econômicas e geopolíticas, o setor manteve produção, empregos e capacidade de inovar. “
DEZEMBRO 2025 | REVISTA ABINEE 7 EDITORIAL No setor elétrico, acompanhamos a tramitação das MPs 1.300 e 1.304. Por meio do Fórum das Associações do Setor Elétrico (FASE), apresentamos propostas voltadas à modernização do modelo elétrico brasileiro, à abertura gradual do mercado livre de energia e ao estabelecimento de limites mais claros para a Conta de Desenvolvimento Energético (CDE). O objetivo é ampliar eficiência, reduzir custos sistêmicos e fortalecer a competitividade industrial em um contexto de transição energética. Em alinhamento às discussões da COP30, reforçamos nossas ações em sustentabilidade, economia circular e descarbonização. Por meio da Green Eletron, ampliamos a logística reversa de eletroeletrônicos, expandimos pontos de coleta e promovemos conscientização sobre o descarte adequado, reforçando a responsabilidade ambiental compartilhada e contribuindo para uma economia de baixo carbono. Ao lado dos desafios urgentes e iniciativas estratégicas de longo prazo, permanecemos vigilantes na busca de solucionar o insistente custo Brasil, que segue ameaçando a sobrevivência da indústria brasileira, principalmente, de duas formas: limitando a capacidade de competição do empreendedor genuinamente brasileiro e dificultando severamente a decisão do investimento produtivo internacional na hora de se optar pelo Brasil. Em 2026, ano desafiador em função das eleições gerais no país, seguiremos atuando para defender a competitividade, promover a inovação, fortalecer a produção local e construir, ao lado das empresas, do governo e da sociedade, um ambiente de negócios mais dinâmico, integrado e sustentável, reforçando a importância estratégica da indústria elétrica e eletrônica para o desenvolvimento nacional. Humberto Barbato Presidente Executivo da Abinee “A atuação da Abinee em pautas emergenciais e estruturantes garantiu previsibilidade, competitividade e planejamento para o longo prazo.
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DEZEMBRO 2025 | REVISTA ABINEE 9 Vivemos um período de redefinição profunda da geopolítica e das cadeias produtivas que sustentam o desenvolvimento industrial. As transformações globais não são apenas econômicas; envolvem, cada vez mais, dimensões tecnológicas, ambientais e sociais. Nesse contexto, a busca por energia sustentável tornou-se eixo estratégico. O desafio mundial é claro: crescer sem ampliar a pegada de carbono. LIDERANÇA SUSTENTÁVEL Ao mesmo tempo, guerras comerciais e disputas pela liderança tecnológica têm redesenhado rotas de investimento e acelerado a busca por autonomia produtiva. A indústria elétrica e eletrônica está no centro desse movimento, fornecendo a infraestrutura que viabiliza digitalização, eletrificação e a transição energética. É nesse cenário que o Brasil encontra uma oportunidade singular. Contamos com uma das matrizes energéticas mais limpas do mundo e potencial extraordinário em energia solar, eólica, biomassa e hidrogênio verde. Temos ainda um mercado interno robusto, capaz de sustentar escala e inovação. Mas transformar potencial em liderança exige visão de longo prazo, políticas industriais consistentes e um ambiente favorável à inovação. Enquanto outras economias enfrentam escassez de recursos, o Brasil pode oferecer estabilidade, segurança energética e sustentabilidade — atributos cada vez mais valorizados por investidores internacionais. A Abinee tem atuado para fortalecer esta agenda, promovendo o diálogo entre indústria e governo, defendendo incentivos à produção local, modernização da infraestrutura elétrica e integração tecnológica. O rumo que escolhermos agora definirá o papel do país nas próximas décadas: continuar como exportador de recursos naturais ou consolidar-se como exportador de tecnologia, inteligência e soluções limpas. O futuro da indústria brasileira é verde, digital e global. Cabe a nós garantir que seja também competitivo, inovador e inclusivo. Presidente do Conselho da Abinee Claudio Lorenzetti MENSAGEM DO CONSELHO
10 REVISTA ABINEE | DEZEMBRO 2025 A FIEE (Feira Internacional da Indústria Elétrica, Eletrônica, Energia e Automação) registrou a maior edição dos últimos dez anos, com aumento de 20% no público visitante e crescimento tanto na área ocupada quanto no número de expositores. Promovida e realizada pela RX entre 9 e 12 de setembro, no São Paulo Expo, com apoio institucional da Abinee, o evento trouxe soluções aplicadas à indústria 4.0, conectividade e energia limpa, reforçando seu protagonismo no setor. Foram mais de 600 marcas que apresentaram tecnologias, inovações e tendências para diferentes segmentos industriais e uma captação de 80 mil leads. Grandes marcas do setor estiveram presentes com lançamentos para um público qualificado entre profissionais de engenharia, tecnologia, automação, instalações elétricas e diversos setores industriais, como energia, alimentos e bebidas, metalurgia, siderurgia, agronegócio, construção, papel e celulose, automotivo, eletrônico, entre outros. “A FIEE 2025 consolidou resultados concretos. Ampliamos conexões, fechamos negócios e trouxemos conteúdo estratégico que reforça a relevância do setor. A feira se confirma como um ambiente essencial para ampliar relações e acelerar a transformação tecnológica da indústria”, afirmou Rodrigo Bueno, gerente de produto da FIEE. Na abertura do evento, o presidente executivo da Abinee, Humberto Barbato, disse que a iniciativa se consolidou como espaço essencial de troca de experiências entre os diversos players do setor. “Mais do que um evento, a FIEE é um ponto de encontro estratégico da indústria para a indústria, conectando empresas, apresentando as últimas tecnologias e criando oportunidades de negócios”, afirmou. Ele destacou também que o setor eletroeletrônico investe em tecnologia o dobro da média da indústria de transformação, o que reforça seu compromisso com a inovação. A cerimônia de abertura contou com as participações do secretário executivo de Mudanças Climáticas, José Renato Nalini, representando o prefeito Ricardo Nunes, e da secretária executiva de Desenvolvimento Econômico do Estado de São Paulo, Mariana Rodrigues, representando o governador Tarcísio de Freitas. MAIOR EDIÇÃO DA DÉCADA Evento se consolidou mais uma vez como principal ponto de encontro da cadeia eletroeletrônica da América Latina
DEZEMBRO 2025 | REVISTA ABINEE 11 FIEE 2025 Conteúdos e experiências ABINEE VISITA ESCOLA MÓVEL DE CONECTIVIDADE DO SENAI-SP O crescimento de público, ao longo dos quatro dias de feira, também considerou uma importante parceria com a Febrava — Feira Internacional de Refrigeração, Ar-condicionado, Ventilação, Aquecimento e Tratamento do Ar e de Águas, que ocorreu simultaneamente, possibilitando visitação cruzada entre os dois eventos e ampliando ainda mais as oportunidades de networking e geração de negócios para os participantes. A edição também trouxe experiências inéditas, como uma pista de kart indoor 100% elétrica e a ação “Eletricidade na Prática”, em parceria com a Eletricity, que mostrou ao público dispositivos de proteção e simulações de fenômenos elétricos, além de apresentar disjuntores inteligentes e instrumentos de medição avançados. Durante o evento, a Abinee disponibilizou para as empresas associadas um espaço para atendimentos do BNDES e do Banco do Nordeste (BNB) em seu estande. Além das exposições, a feira sediou o Congresso FIEE, com 48 painelistas debatendo temas como o futuro do setor, eletromobilidade, segurança e eficiência energética, ESG, data centers e inteligência artificial. Leia alguns dos destaques do Congresso nas próximas páginas. acompanhados de membros da diretoria, fizeram uma visita ao espaço, que trouxe ao público demonstrações exclusivas que unem múltiplas tecnologias digitais como: realidade aumentada, 5G, internet tátil, internet das coisas (IoT), inteligência artificial, veículos elétricos autônomos e aplicações de baixa latência em automação. Uma das atrações da FIEE 2025 foi a Escola Móvel de Conectividade do Senai-SP, um projeto inovador que leva treinamento especializado para diferentes regiões do país, oferecendo uma imersão no universo da conectividade aplicada. O presidente do Conselho da Abinee, Cláudio Lorenzetti, e o presidente executivo da entidade, Humberto Barbato,
12 REVISTA ABINEE | DEZEMBRO 2025 Apoio Oficial: Promoção e Organização: Saiba como participar em SEJA PARTE DO FUTURO DA INDÚSTRIA! A FIEE é a única feira de negócios no Brasil que apresenta equipamentos, produtos, soluções e tendências em instalações elétricas e eletrônicas conectando todos os tipos de indústrias. CONECTA A INDÚSTRIA CONECTA VOCÊ. Garanta já sua participação! 14 A 17 600 MARCAS 30 MIL VISITANTES 80 MIL LEADS GERADOS R$ 2 BI GERADOS EM NEGÓCIOS TODO O SUCESSO DA ÚLTIMA EDIÇÃO EM NÚMEROS. 80% SATISFAÇÃO DE VISITANTES DA ÚLTIMA EDIÇÃO ESCANEIE OQR CODE PARAPARTICIPAR!
DEZEMBRO 2025 | REVISTA ABINEE 13 O Brasil tem a possibilidade de desempenhar o papel de protagonista na transição energética global. A afirmação é do diretor-geral da Aneel, Sandoval Feitosa, que participou do primeiro dia do Congresso FIEE dedicado a debater o setor elétrico. “Nossa matriz elétrica já é predominantemente renovável e diversificada, e temos uma capacidade instalada de transmissão de energia com dimensões continentais, que permite escoar a energia limpa para todo o país”, afirmou. Ele ponderou, entretanto, que esse processo deve considerar o desafio de equilibrar o trilema de garantir segurança energética para atender à demanda atual e futura; promover a sustentabilidade ambiental para mitigar impactos das mudanças climáticas; e assegurar equidade energética com o acesso universal por um valor justo. Sobre este último aspecto, defendeu a criação de uma “lei de responsabilidade tarifária”, que dificulte a inclusão de novos encargos na conta de luz, fruto de subsídios, mesmo diante do cenário de excesso de oferta de energia. PROTAGONISMO NA TRANSIÇÃO ENERGÉTICA O papel da tecnologia, regulamentação e sustentabilidade foram destacados como essenciais para a modernização do setor elétrico Planejamento e modernização RepresentandooMinistériodeMinas e Energia (MME), a diretora de Programa da Secretaria Executiva, Bianca Maria Matos de Alencar, ressaltou as discussões em torno da Medida Provisória 1304, então em tramitação no Congresso Nacional. A MP atualiza o marco regulatório do setor elétrico, trazendo medidas para ampliar a abertura do mercado de energia, fortalecer a tarifa social de energia elétrica e estabelecer mecanismos de sustentabilidade econômica para a expansão do setor. A medida cria também um teto para os subsídios ao setor elétrico, via a Conta de Desenvolvimento Energético (CDE). Ela ressaltou também a importância do planejamento setorial como instrumento de clareza e previsibilidade para a indústria. “É a partir do planejamento que conseguimos estruturar caminhos que depois se concretizam, seja em planos de curto prazo, seja em iniciativas de longo prazo como o PNE, que projeta os próximos 50 anos do setor.” CONGRESSO FIEE
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DEZEMBRO 2025 | REVISTA ABINEE 15 Humberto Barbato, presidente executivo da Abinee Mercado livre e hidrogênio verde O painel foi moderado por Luiz Vianna, COO da Thymos Energia, que também destacou a importância de temas estratégicos para o futuro do setor. Para ele, a abertura do mercado de energia e o desenvolvimento de novas fontes, como o hidrogênio verde, são debates centrais: “O hidrogênio verde é uma potencialidade enorme do Brasil, justamente por termos uma matriz tão renovável. É um debate que precisa avançar em paralelo à abertura total do mercado de energia, dando mais protagonismo ao consumidor.” Panorama do setor O presidente executivo da Abinee, Humberto Barbato, participou do primeiro dia do Congresso FIEE 2025 com a apresentação do Panorama do Setor Eletroeletrônico no Brasil, trazendo dados atualizados e as prioridades da agenda institucional da entidade. Entre os temas, Barbato destacou a preservação dos incentivos da Lei de TICs e do PADIS, uma conquista articulada pela entidade junto ao Congresso Nacional que garante a competitividade da produção de bens de tecnologia no país. Ressaltou ainda a importância de acompanhar os impactos das novas tecnologias, como inteligência artificial e data centers, fundamentais para a transformação digital e para a preparação da indústria frente aos desafios da Indústria 4.0. Indústria como elo da inovação Israel Guratti, gerente de tecnologia da Abinee, ressaltou a função da indústria eletroeletrônica como elo entre tecnologia, regulação e sustentabilidade. “A inovação é a amálgama entre tecnologia, regulamentação e sustentabilidade econômica e ambiental. É isso que garante ao consumidor produtos seguros, eficientes e cada vez mais confiáveis.” Israel Guratti, gerente de tecnologia da Abinee Sandoval Feitosa, diretor-geral da Aneel CONGRESSO FIEE
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DEZEMBRO 2025 | REVISTA ABINEE 17 “A eletromobilidade é mais do que uma tendência. É uma revolução industrial que integra mobilidade, energia e tecnologia”, afirmou a Country Manager da Latam Mobility no Brasil, Daniela Garcia, responsável pela curadoria das palestras no segundo dia do Congresso FIEE. Segundo ela, a eletromobilidade também abre espaço para a reindustrialização do Brasil. “Vivemos um momento em que a indústria 4.0 se consolida como um caminho para o desenvolvimento. Essa revolução industrial conecta inteligência artificial, automação, conectividade e sustentabilidade, criando uma oportunidade única para o Brasil de gerar empregos qualificados, riqueza econômica e benefícios ambientais”, explicou. Abordando o mercado brasileiro, o presidente da Associação Brasileira do Veículo Elétrico (ABVE), Ricardo Bastos, apresentou dados sobre a expansão da cadeia de valor dos veículos eletrificados no país, com destaque para infraestrutura de recarga, certificação de componentes e produção local. “O Brasil tem características que podem nos tornar uma referência no mundo em eletromobilidade, principalmente quando a gente conecta os veículos elétricos aos híbridos, com uso de biocombustível”. Bastos destacou que a chegada de novas montadoras e o anúncio de projetos de produção nacional reforçam o movimento de integração do Brasil à cadeia global de eletrificação. Segundo ele, a previsão é de que as vendas de veículos eletrificados no Brasil devem crescer mais de 20% em 2025, atingindo ao final do ano cerca de 215 mil unidades emplacadas no país. Ele ressaltou o papel do transporte público eletrificado como fator relevante para levar os benefícios da eletromobilidade a toda a população. Apesar dos avanços e oportunidades, o desafio para a expansão desse mercado está na regulamentação da infraestrutura para pontos de recarga de veículos elétricos a serem instalados em novos edifícios residenciais e comerciais. A REVOLUÇÃO DA ELETROMOBILIDADE Especialistas abordaram o papel estratégico dos componentes eletroeletrônicos, do armazenamento de energia e da digitalização como pilares dessa transformação CONGRESSO FIEE
18 REVISTA ABINEE | DEZEMBRO 2025 A Dell Technologies apoia cientistas na proteção dos recifes de corais, um dos maiores desafios de conservação atuais. Além disso, estamos auxiliando as empresas a enfrentarem seus desafios, sejam eles grandes ou pequenos. Com tecnologia que coleta dados cruciais, simplifica a área de TI e mantém a segurança dos sistemas, estamos ajudando nossos clientes a proteger diversos ambientes. Descubra o que podemos fazer pelo seu. Saiba mais em Dell.com.br/WelcomeToNow Inovando em qualquer ambiente. Incluindo no seu. Bem-vindos ao agora
DEZEMBRO 2025 | REVISTA ABINEE 19 No segundo painel do dia, a sócia-líder de Mercados Industriais da KPMG Brasil, Flavia Spadafora, apresentou um panorama comparativo entre as tendências brasileiras e o que está sendo desenvolvido no mundo. Segundo ela, o mercado brasileiro está alinhado com o comportamento global. “As projeções indicam crescimento bastante forte de elétricos e de híbridos. Os países têm incentivado isso e, globalmente, essa é uma tendência”. Segundo ela, as vendas de veículos elétricos devem alcançar 40% do mercado total até 2035. A especialista avaliou que o Brasil pode desempenhar papel relevante por congregar uma indústria automotiva robusta e matérias-primas, que pode tornar o país exportador de novas tecnologias. O painel “Indústria, Energia e Conectividade no Centro da Mobilidade Elétrica” reuniu executivos de empresas para debater o papel da indústria, as possibilidades de adensamento de cadeia, além das necessidades de padronização e qualidade, como forma de avançar a eletrificação. Durante as apresentações foram discutidos modelos de cooperação capazes de reduzir custos, ampliar a infraestrutura energética e expandir a oferta de soluções de conectividade e interoperabilidade. O encerramento reuniu quatro painéis simultâneos sobre soluções específicas de veículos elétricos: caminhões e vans, veículos levíssimos, ônibus e veículos leves. Os palestrantes destacaram que o desenvolvimento de produtos projetados desde a origem para a eletrificação, junto à infraestrutura de recarga, padronização de componentes e políticas públicas, é essencial para dar escala ao mercado. O painel também evidenciou que a viabilidade da eletromobilidade exige coordenação entre indústria, governo e fornecedores de energia e conectividade, consolidando a transição tecnológica como estratégia para o desenvolvimento sustentável do setor no país. Flavia Spadafora, sócia-líder de Mercados Industriais da KPMG Brasil CONGRESSO FIEE
20 REVISTA ABINEE | DEZEMBRO 2025 CAPA ACQUA CENTURY DIGITAL E ELETRÔNICO Duchas e Chuveiros Aquecedores de Água a Gás Purificadores de Água Metais Sanitários Louças Sanitárias Bombas e Pressurizadores acesse nosso site e redes sociais lorenzettioficial 0800 015 02 11
DEZEMBRO 2025 | REVISTA ABINEE 21 Diante de um cenário de transição energética com expansão de fontes renováveis intermitentes e crescente demanda, a modernização do sistema elétrico é fundamental para garantir confiabilidade, continuidade e disponibilidade no fornecimento. A avaliação foi apresentada pelo diretor da Área de Geração, Transmissão e Distribuição (GTD) da Abinee, Marcelo Machado, em sua palestra “Qualidade de Energia nas Redes de Transmissão e Distribuição”, no último dia do Congresso FIEE. Machado salientou que a capacidade instalada de renováveis, como eólica e solar, vem crescendo, devendo chegar a mais da metade da matriz elétrica em 2045. Além da intermitência dessas fontes, os fenômenos climáticos extremos têm se tornado mais frequentes e intensos, o que demanda uma rede de MODERNIZAÇÃO É ESSENCIAL Palestra do diretor da Abinee abordou os desafios da transição energética para a estabilidade do sistema elétrico transmissão e distribuição ainda mais resiliente e estável. “Temos hoje muitas soluções e tecnologias importantes para o sistema”. Segundo ele, a modernização leva em consideração o armazenamento, a automação, a compensação dinâmica, a digitalização e o gerenciamento inteligente dos dados por meio da inteligência artificial. O diretor da Abinee trouxe exemplos de aplicações já adotadas pelas indústrias que possibilitam o controle de carga e consumo, sincronia do sistema, previsão de instabilidades, entre outros. Em sua visão, a modernização e a qualidade das redes também contribuem para que o país possa atingir os 4Ds da transição energética: democratização, descarbonização, descentralização e digitalização. CONGRESSO FIEE
22 REVISTA ABINEE | DEZEMBRO 2025 BALANÇO 2025 INOVAÇÃO SUSTENTADA Como o setor eletroeletrônico avançou em 2025 — e o que vem na agenda de 2026 O ano de 2025 consolidou o setor eletroeletrônico brasileiro como um dos pilares da economia digital. Mesmo diante de um cenário internacional instável, a indústria manteve crescimento no faturamento, geração de empregos e inovação tecnológica. O fortalecimento das cadeias produtivas locais e o diálogo contínuo com o governo garantiram estabilidade e avanços em políticas públicas voltadas à competitividade, sustentabilidade e inovação. “O setor mostrou resiliência e capacidade de adaptação, mantendo- -se como um dos pilares da transformação digital e da transição energética do país”, afirma Humberto Barbato, presidente executivo da Abinee. BALANÇO 2025
DEZEMBRO 2025 | REVISTA ABINEE 23 BALANÇO 2025 Mantendo o papel estratégico na agenda de inovação e competitividade, a área de Informática cresceu cerca de 12%. A Abinee acompanhou de perto o processo de regulamentação da Lei de TICs (Lei nº 14.968/2024), cuja implementação ocorre de forma gradual. Embora o texto principal da lei já esteja em vigor, a publicação de decretos complementares ainda é aguardada, especialmente aqueles que tratam do uso dos incentivos fiscais — etapa que impacta diretamente o setor de componentes eletrônicos. Além disso, a Abinee esteve ativamente envolvida nas discussões estruturantes do ecossistema de tecnologia. A entidade participou das discussões para a formulação do programa Redata, iniciativa voltada à atração de investimentos em data centers e ao fortalecimento do ecossistema nacional de tecnologia. Maurício Helfer, diretor de área de Informática Jorge Funaro, diretor da área da Manufatura Eletrônica “O Redata é uma oportunidade de fortalecer o Brasil como um dos principais fabricantes de equipamentos eletroeletrônicos do Ocidente”, ressalta Maurício Helfer, diretor da área. Para 2026, o foco estará na implementação equilibrada da Reforma Tributária e na renovação da Lei de Informática, assegurando previsibilidade e competitividade ao setor. O lançamento do Redata também é visto com grande expectativa pela área de Manufatura Eletrônica. O programa estabelece um novo regime de incentivo à produção de equipamentos para data centers no Brasil, com potencial de atrair investimentos e fortalecer a cadeia produtiva local. “O Redata pode transformar a indústria nacional de equipamentos de data centers, desde que as regulamentações complementares tragam clareza e agilidade”, destaca Jorge Funaro, diretor da área da Manufatura Eletrônica. Enquanto aguardam as medidas complementares do governo federal, as empresas mantêm otimismo quanto ao impacto positivo do programa e se preparam para um novo ciclo de crescimento baseado em automação, eficiência produtiva e inovação tecnológica. Destaca-se também para as áreas de TICs a prorrogação do Crédito Outorgado de ICMS no Estado de São Paulo até dezembro de 2026, medida essencial para manter a competitividade das indústrias de TICs. A renovação do benefício fortaleceu a produção local de smartphones, computadores e impressoras, garantindo previsibilidade às empresas e estimulando a continuidade dos investimentos em tecnologia. Na área de Dispositivos Móveis, o combate ao mercado irregular também apresentou resultados expressivos, com uma redução consistente no volume de produtos ilegais. A alteração da Resolução 715 da Anatel, que estabeleceu de forma clara a responsabilidade solidária dos marketplaces na comercialização de produtos irregulares, foi decisiva para essa evolução. A medida, somada às ações de fiscalização conduzidas pela Agência, pela Receita Federal, pela Senacon, pela Sefaz-SP e por outros órgãos governamentais, consolidou um avanço histórico no enfrentamento à ilegalidade.
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DEZEMBRO 2025 | REVISTA ABINEE 25 Apesar dos progressos, os números ainda são desafiadores. “Encerramos 2025 com resultados positivos, mas ainda aquém do que o setor pode alcançar. O objetivo é continuar reduzindo o mercado irregular até níveis próximos aos observados em países de referência”, afirma Luiz Claudio Carneiro, diretor da área de Dispositivos Móveis de Comunicação. Essa preocupação com a competitividade também orienta as prioridades para 2026, entre elas o acompanhamento da implementação da Reforma Tributária, para assegurar que ocorra de forma equilibrada e garanta a competitividade da indústria nacional. “A Reforma precisa ser feita com responsabilidade, de modo a não comprometer a produção local nem os empregos gerados pelo setor”, reforça Carneiro. Nesse mesmo movimento de dinamismo, a área de Componentes Eletrônicos no Brasil teve um bom desempenho em 2025 e deve crescer entre 10% e 15%. Algumas áreas sofreram com o aumento da importação de produtos chineses, mas outras tiveram boa demanda, uma vez que, em geral, o mercado de bens finais teve bom volume de vendas. O segmento específico de semicondutores teve volumes estáveis no Brasil, mas significativo aumento de preços devido à alta demanda mundial na área de Inteligência Artificial. Esse foi o caso das memórias, largamente utilizadas em IA para armazenamento de dados, mas que também perceberam aumento da densidade em praticamente todos os bens finais. Com isso, a área experimentou um ótimo crescimento de faturamento, apesar de ainda não poder utilizar plenamente os incentivos da Lei de TICs, que dependem da publicação dos decretos complementares. Rogério Nunes, diretor da área de Componentes Eletrônicos Wilson Cardoso, diretor da área de Telecomunicações “O setor também planejou exportações para 2025, mas teve diversas dificuldades não somente pela não publicação do decreto, mas também pelo tarifaço americano sobre os produtos brasileiros”, destaca Rogério Nunes, diretor da área de Componentes Eletrônicos. Enquanto isso, o setor de Telecomunicações viveu um ano de expansão e consolidação. O investimento de R$ 16,5 bilhões apenas no primeiro semestre e a adição de 3,5 milhões de novas conexões de fibra óptica elevaram a cobertura do FTTH para 49% dos domicílios brasileiros, colocando o país entre os cinco maiores mercados de crescimento global. A inauguração da Infovia 01, conectando Santarém a Manaus por meio de cabos subfluviais, representou um feito inédito na engenharia e ampliou a conectividade na Amazônia. O 5G chegou a 1.068 municípios, com mais de 47 mil antenas instaladas e 48,9 milhões de acessos ativos. “O avanço da conectividade é fruto de uma política industrial consistente e do esforço conjunto entre governo e setor produtivo”, afirma Wilson Cardoso. Luiz Claudio Carneiro, diretor da área de Dispositivos Móveis de Comunicação BALANÇO 2025
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DEZEMBRO 2025 | REVISTA ABINEE 27 Esse avanço estrutural também foi acompanhado de evolução regulatória. A Abinee colaborou em estudos sobre o uso da faixa de 6 GHz, base para o Wi-Fi 7 e o futuro 6G, e apoiou o Projeto de Lei 4.635/2024, que prorroga as isenções para dispositivos IoT até 2030. Em 2026, a expectativa é de continuidade dos investimentos e integração crescente entre telecomunicações, energia e automação industrial, abrindo novas fronteiras para a digitalização do país. Na área de Geração, Transmissão e Distribuição de energia (GTD), os resultados foram positivos e a expectativa para 2026 segue favorável. Ainda assim, fatores como instabilidade política, mudanças regulatórias e variações no custo das matérias-primas podem afetar o ritmo dos investimentos e das aquisições. Com a transição energética e a ampliação do mercado livre, devem ganhar força os investimentos em modernização e digitalização do sistema elétrico — com destaque para tecnologias de geração e armazenamento de energia, automação de redes, medição inteligente e serviços auxiliares. “A área de GTD tem mostrado grande capacidade de adaptação e inovação, fundamentais para sustentar o crescimento e a segurança energética do Brasil”, avalia o diretor Marcelo Machado. No entanto, essa evolução ocorre de forma desigual entre os segmentos. Na Geração, a combinação entre a capacidade instalada e limitações no aproveitamento da energia gerada, especialmente nas fontes renováveis intermitentes, trouxe incertezas sobre a viabilidade de algumas usinas. “A automação é o elo que une eficiência, sustentabilidade e inovação — e o Brasil tem enorme potencial para liderar essa transformação”, destaca Raphael Haddad, diretor da área. De forma convergente, a área de Equipamentos Industriais viveu um ciclo de recomposição e otimismo. Marcelo Machado, diretor da área de GTD Raphael Haddad, diretor da área de Automação Industrial Na Transmissão, seguem os investimentos na modernização dos ativos e na construção de novas linhas e subestações, enquanto a Distribuição tem sido impulsionada pelo aumento do consumo e pela necessidade de redes mais resilientes diante de eventos climáticos extremos. Assim, o setor se reposiciona para uma matriz energética mais eficiente, flexível e digitalizada. Em 2025, a área de Automação Industrial teve forte atuação em setores estratégicos da economia brasileira, com destaque para a mineração, o óleo e gás e a robótica industrial. O avanço da extração de minerais críticos para a transição energética, especialmente em Minas Gerais, impulsionou a demanda por soluções de automação e digitalização aplicadas ao controle de processos e à eficiência operacional. Paralelamente, o plano de expansão do pré-sal reforçou o papel estratégico da automação na segurança e produtividade das operações offshore. Na robótica, houve avanços importantes em projetos com clientes da indústria automotiva no Brasil e na Argentina, além da adoção crescente em setores como alimentos, bebidas e intralogística — evidenciando a busca por mais eficiência produtiva. Para 2026, a área deve seguir impulsionando a modernização industrial e adoção de tecnologias inteligentes. BALANÇO 2025
28 REVISTA ABINEE | DEZEMBRO 2025 Samsung no Brasil Dispositivos móveis TV e AV Eletrodomésticos Informática e monitores 38 anos de tecnologia e transformação Com duas fábricas próprias, em Campinas e Manaus, reafirmando seu compromisso com a inovação, a sustentabilidade, a qualidade e a presença responsável no país. Imagens meramente ilustrativas.
DEZEMBRO 2025 | REVISTA ABINEE 29 Com o aumento da renda média e a retomada do consumo de bens e serviços, cresceram os investimentos em máquinas e equipamentos, impulsionando segmentos como petróleo e gás, siderurgia, papel e celulose, automotivo, alimentício e embalagens. “Vivemos um ciclo de recomposição industrial, mas é preciso atenção aos efeitos do tarifaço dos EUA, que podem afetar exportações e moderar o ritmo de expansão”, observa Daniel Godinho, diretor da Área. Mesmo com as incertezas, a expectativa é de crescimento moderado em 2026, sustentado pela modernização fabril e pela digitalização dos processos produtivos. A área de segurança eletrônica também teve resultados expressivos. A realização da primeira edição da ExpoIncêndio, que reuniu toda a cadeia de prevenção, detecção e combate a incêndios, simbolizou um avanço na construção de uma cultura nacional de segurança. Também houve ampliação da certificação de produtos de alarme e detecção e o início de debates sobre a proteção contra incêndios em instalações de recarga de veículos elétricos — uma pauta que demonstra maturidade técnica e antecipa desafios futuros. Daniel Godinho, diretor da área de Equipamentos Industriais “A ExpoIncêndio e o avanço da certificação mostram que o país está amadurecendo sua cultura de segurança”, afirma o diretor da área, Danilo Pires. Para 2026, o foco será ampliar a certificação, atualizar normas e consolidar a regulamentação sobre recarga elétrica, reforçando o papel da indústria como agente de inovação e prevenção. Na área de Material Elétrico de Instalação, a Abinee manteve o acompanhamento das principais pautas regulatórias que afetam o mercado, como a regulamentação das instalações elétricas para recarga de veículos elétricos, a consulta pública sobre o Regulamento Geral de Certificação de Produtos do Inmetro (RGCP) e o avanço da normativa RoHS, que restringe o uso de substâncias perigosas em produtos eletroeletrônicos. “É essencial que a modernização regulatória venha acompanhada de fiscalização eficaz, proibindo produtos irregulares que colocam o consumidor em risco”, afirma o diretor da área, Benedito Arruda. Apesar de um cenário global desafiador, o setor encerrou o ano com crescimento acima do esperado, sustentado pelo aumento da demanda em habitação e infraestrutura. Para 2026, as perspectivas são positivas, com o impulso dos programas de moradia e reforma, que devem estimular novos investimentos e ampliar a presença do segmento na economia nacional. O ano de 2025 reafirmou o papel central da indústria eletroeletrônica na transformação tecnológica do Brasil. As conquistas em inovação, sustentabilidade e regulação refletem a força da integração entre governo, empresas e entidades representativas. “O setor eletroeletrônico é o coração da economia digital. Em 2026, seguiremos avançando com inovação e compromisso com o desenvolvimento do país”, conclui Humberto Barbato. Danilo Pires, diretor da área de Segurança Eletrônica Benedito Arruda, diretor da área de Material Elétrico de Instalação BALANÇO 2025
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DEZEMBRO 2025 | REVISTA ABINEE 31 REGIONAIS PRESENÇA ATIVA especial o segmento de semicondutores no Estado. O diretor regional, Régis Haubert, destacou as ações da Regional no fortalecimento do ecossistema local de semicondutores e na articulação entre empresas, universidades e governo. Durante as reuniões, empresas apresentaram seus projetos de investimentos no Estado, que envolvem a criação de um centro de desenvolvimento voltado à formação de profissionais em diferentes níveis de ensino; um centro de design de chips e a atração de novos talentos especializados. Os encontros foram prestigiados pela secretária de Inovação, Ciência e Tecnologia do RS, Simone Stülp, que apresentou os avanços do Programa Semicondutores, destacando a formação de engenheiros, as capacitações técnicas e as parcerias internacionais para desenvolvimento tecnológico. O presidente executivo da Abinee, Humberto Barbato, reforçou a vocação do Rio Grande do Sul para o setor e a importância da articulação entre governo, empresas e instituições. Também alertou para os impactos do tarifaço sobre as exportações e defendeu diálogo direto com autoridades norte-americanas, além de destacar a preservação dos incentivos da Lei de TICs e do Padis, conquistada pela atuação conjunta da Abinee com a Frente Parlamentar Mista do setor. Ações regionais ampliam diálogo e fortalecem o setor em todo o país A presença ativa da Abinee nas diferentes regiões do Brasil reafirma o compromisso da entidade em representar, articular e fortalecer o setor eletroeletrônico nacional, promovendo o diálogo entre indústria, governos e instituições de fomento. Em 2025, as regionais da Abinee tiveram papel fundamental na aproximação com o Poder Público, na discussão de políticas industriais e no estímulo à inovação e à competitividade. Rio Grande do Sul: inovação e integração com universidades No Rio Grande do Sul, a Regional da Abinee realizou três reuniões-almoço em Porto Alegre, ao longo do ano, para discutir os avanços e desafios do setor, em REGIONAIS
32 REVISTA ABINEE | DEZEMBRO 2025 Para mais informações acesse: flex.com Com operações em escala global e fábricas estrategicamente localizadas no Brasil, a Flex entrega soluções completas, orientadas por sistemas de gestão e governança integrados, certificados e alinhados às melhores práticas internacionais de sustentabilidade e inovação. Atuamos como parceiro estratégico em diversos setores de manufatura e serviços — do agro a data center — apoiando na superação de desafios complexos, na adaptação às demandas do mercado e na aceleração do lançamento de produtos. Nosso compromisso com a melhoria contínua abrange do desenvolvimento até a entrega, passando por processos eficientes, domínio técnico em manufatura avançada e cadeia de suprimentos com foco em resultados sustentáveis. Automotivo Data Center Industrial Saúde Comunicação Lifestyle Consumo Ajudamos nossos clientes a enfrentar desafios cada vez mais complexos. Unindo tecnologias de ponta na manufatura com a experiência de mais de 25 anos de nossa equipe garantimos o menor “time to market ”em diferentes indústrias.
DEZEMBRO 2025 | REVISTA ABINEE 33 Paraná e Santa Catarina: articulação institucional e fomento à inovação A Regional da Abinee PR/SC manteve intensa agenda em 2025, reforçando o papel da entidade como articuladora de políticas públicas e porta-voz do setor produtivo. Em 9 de outubro, em parceria com a Secretaria da Indústria, Comércio e Serviços do Paraná (SEIC), a Regional realizou o Acelera Paraná – Evento de Fomento à Indústria Elétrica e Eletrônica, Tecnologia e Inovação, no Campus da Indústria da Fiep, em Curitiba. O encontro reuniu mais de 70 empresários, autoridades e representantes do setor produtivo. O evento contou com a presença do presidente executivo da Abinee, Humberto Barbato, que ressaltou a força do Paraná, com R$ 15 bilhões emmovimentação econômica e 24 mil empregos diretos, consolidando o Estado como um dos polos mais dinâmicos da indústria eletroeletrônica brasileira. Representantes da Fomento Paraná e da Invest Paraná apresentaram as principais linhas de crédito e programas de incentivo, voltados à modernização tecnológica, eficiência energética e atração de investimentos, com destaque para o Programa Paraná Competitivo. Empresas associadas à Abinee — Serdia Eletrônica e Bree Eficiência Energética — compartilharamsuas experiências de sucesso no programa, reforçando o impacto positivo das políticas de fomento e da cooperação entre setor produtivo e governo. “O Acelera Paraná mostrou como o diálogo e a integração entre entidades e governo podem gerar resultados concretos para o fortalecimento da indústria”, afirmou Celso Sertorio, diretor da Regional PR/SC. Também em 2025, a Abinee se reuniu com o secretário da Fazenda do Paraná, Norberto Ortigara, para tratar dos riscos federativos e econômicos relacionados ao Artigo 450 da Lei Complementar nº 214/2025, que trata da manutenção dos incentivos da Zona Franca de Manaus no contexto da reforma tributária. “O tema é estratégico e exige coordenação entre os estados. A Abinee segue atuando junto às secretarias estaduais e ao Comsefaz para proteger a competitividade da indústria”, destacou Barbato. A reunião resultou no comprometimento do governo estadual em levar o tema às discussões nacionais e fortalecer a articulação federativa em defesa do setor produtivo. Nordeste: integração e aproximação institucional Emoutubro, a Diretoria Regional da Abinee no Nordeste realizou seu tradicional evento de confraternização, em Recife (PE), reunindo empresários, autoridades e representantes institucionais para promover integração e diálogo entre o setor produtivo e governo. O encontro foi conduzido por Sérgio Fonseca Filho, diretor da Regional da Abinee no Nordeste, que destacou o momento como celebração das conquistas do ano e fortalecimento das relações entre empresas, instituições e órgãos públicos. REGIONAIS
34 REVISTA ABINEE | DEZEMBRO 2025 Umorgulhoso parceiro tecnológico de todas as corridas e emoções. A Formula 1® e a Lenovo são imbatíveis. A tecnologia da Lenovo está presente a cada segundo nas corridas, ajudando a criar uma experiência única para os fãs. Do processamento de dados em tempo real à transmissão global, a Lenovo desempenha umpapel fundamental na Formula 1®. Juntos, estamos levando esta paixão a um novo nível, com soluções inovadoras que tornam o esporte ainda mais inteligente para todos. Conheça mais sobre a Lenovo emwww.lenovo.com ou fale com um consultor 0800 536 4040. The F1 FORMULA 1 logo, F1 logo, F1, FORMULA1, FIA FORMULA ONE WORLD CHAMPIONSHIP, GRAND PRIX and related marks are trademarks of Formula One Licensing BV, a Formula 1 company. All rights reserved. Imagery is AI Generated.
DEZEMBRO 2025 | REVISTA ABINEE 35 Humberto Barbato participou do evento e apresentou um panorama atualizado da indústria elétrica e eletrônica no Brasil. Entre as prioridades da Abinee, destacou a defesa dos incentivos da Lei de TICs e do PADIS, o acompanhamento das novas tecnologias e o combate ao mercado irregular de equipamentos eletrônicos. Estiveram presentes importantes lideranças, como o ex-presidente da Fiepe e conselheiro emérito da CNI, senador Armando Monteiro Neto; o vice-presidente da CNI, Ricardo Essinger; o presidente em exercício da FIEPE, José Antônio de Lucas Simon; e o superintendente da FIEPE, Israel Erlich. Representando o Governo de Pernambuco, participaram o secretário-executivo da SECTI-PE, Kenny Bonatti, e o superintendente de Gestão e Energia da SDEC-PE, José Carlos Leite, além de representantes da Sudene e da Adepe. Em sua fala, Fonseca Filho reforçou o compromisso da Regional emunir empresas, governo e instituições para impulsionar a indústria elétrica e eletrônica e ampliar oportunidades de desenvolvimento no Nordeste. O evento se consolidou como um dos principais momentos de relacionamento institucional da Abinee na região, encerrando o calendário anual com foco na cooperação e no desenvolvimento industrial. MinasGerais: fortalecimento do ambiente de negócios e integração institucional Em Minas Gerais, a atuação da Regional da Abinee esteve voltada ao fortalecimento do ambiente de negócios e à aproximação constante entre empresas, governo estadual e entidades setoriais. O estado tem se destacado pelo avanço de iniciativas ligadas à produção de energia fotovoltaica, pela demanda crescente por equipamentos para data centers e pelos investimentos em pesquisa, desenvolvimento e inovação — elementos que reforçam o papel de Minas como polo estratégico para a indústria eletroeletrônica nacional. A Regional também segue atuando em parceria com o Sinaees-MG e com apoio da Abinee e da Fiemg, ampliando o diálogo com o setor produtivo e contribuindo para a construção de um ambiente competitivo, inovador e favorável a novos investimentos no estado. “Temos trabalhado para consolidar um ecossistema industrial moderno e conectado às novas demandas tecnológicas. A atuação integrada entre entidades e governo é definitiva para garantir previsibilidade, atrair investimentos e fortalecer a competitividade das empresas mineiras”, destaca Alexandre Magno de Freitas, diretor da Regional da Abinee emMinas Gerais. As ações das regionais da Abinee em 2025 demonstram o papel decisivo da entidade como articuladora entre o setor produtivo e o poder público, promovendo inovação, competitividade e crescimento sustentável em todas as regiões do país. REGIONAIS
36 REVISTA ABINEE | DEZEMBRO 2025 A transformação digital e o avanço de tecnologias disruptivas como inteligência artificial, metaverso, blockchain e computação quântica vêm impulsionando a demanda global por infraestrutura digital. Os data centers, no centro dessa revolução, foram o foco da apresentação do especialista em energia e infraestrutura Antonio Celso de Abreu Junior, que destacou o crescimento acelerado do consumo de energia elétrica associado a essas novas demandas. Segundo Abreu Junior, o consumo global de eletricidade por data centers, IA e criptomoedas já representa cerca de 2% do total mundial, com tendência de dobrar até 2026. Apenas os data centers podem demandar, globalmente, entre 160 e 560 TWh adicionais, o equivalente ao consumo de países como Suécia e Alemanha. “Essa é uma mudança disruptiva, comparável ao surgimento da INFRAESTRUTURA DIGITAL E SETOR ELÉTRICO EM PERSPECTIVA energia solar. Muda toda a forma de pensar infraestrutura”, afirmou. Atualmente, o Brasil conta com 169 data centers em operação, metade deles concentrados no estado de São Paulo. A capacidade instalada dedicada à Tecnologia da Informação (TI) é de 0,74 GW, com expectativa de atingir 1,21 GW até 2029. Entre 2021 e 2024, os pedidos de acesso à rede elétrica para data centers somaram 22, o que representa uma demanda potencial de 9 GW até 2035, com investimentos estimados em até US$ 36 bilhões. Além do elevado consumo, esses empreendimentos demandam suprimento energético confiável e competitivo, com ênfase na autoprodução e no uso de fontes renováveis. “A latência — o tempo de resposta entre envio e recepção de dados — também se tornou um fator competitivo. A localização é essencial. Estar próximo do usuário final e dos cabos de fibra ótica garante performance para streaming, jogos, aplicações críticas e serviços em nuvem”, destacou. Ele também chamou atenção para os desafios regulatórios. O modelo elétrico brasileiro foi projetado para uma expansão de carga previsível, baseada no crescimento do PIB, mas a entrada de grandes consumidores privados — como data centers e projetos de hidrogênio verde — rompe esse padrão. “O sistema Em 2025, as reuniões da Diretoria Plenária discutiram temas fundamentais ao fortalecimento da cadeia produtiva e à construção de um futuro sustentável Antonio Celso de Abreu Junior, especialista em energia e infraestrutura PLENÁRIAS
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