Secretário de Inovação participa de lançamento de GT Indústria 4.0 da Abinee

13/11/2017

“Para vencer o desafio de aumentar a produtividade, não há outra saída senão o desenvolvimento da indústria 4.0”. A afirmação é do secretário de Inovação e Novos negócios do Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços (MDIC), Marcos Vinicius de Souza, que participou na quinta-feira (9) do lançamento do Grupo de Trabalho Automação Indústria 4.0 da Abinee.

Segundo ele, o governo tem dado atenção para o estímulo à introdução de novas tecnologias, com a criação da estratégia de transformação digital, o Plano de IoT e a política para indústria 4.0, que está sendo elaborada.

O representante do MDIC destacou que as condições fiscais do País exigem seletividade para apostar naquilo que melhor pode contribuir para o desenvolvimento socioeconômico e tecnológico no médio e longo prazo. “Temos que apoiar de forma mais agressiva e robusta segmentos como o de automação e TICs, que possuem potencial tecnológico e de futuro”, disse. Ele acrescentou que incentivos a estes segmentos são utilizados no mundo inteiro.

Política em cinco eixos
Após pesquisar a experiência de outros países na formulação de políticas públicas para a manufatura avançada, o Brasil estuda um modelo de política que prioriza cinco eixos específicos: tecnologia, cadeias produtivas, recursos humanos, infraestrutura e marco regulatório.

O primeiro aspecto é a definição das tecnologias prioritárias, que se concentrarão em impressão 3D, robótica, big data, sensores e IoT. A iniciativa do governo se direcionará aos setores de agronegócio, saúde, fábrica e cidades.

O terceiro eixo é a formação de recursos humanos, que buscará a qualificação de profissionais desde o chão de fábrica. Segundo Souza, um estudo do Fórum Mundial identificou que o desenvolvimento das habilidades socioemocionais, como comunicação, criatividade, trabalho em equipe e empreendedorismo, está à frente das habilidades técnicas. “Este contexto traz uma desafio para treinar profissionais em larga escala”, disse.

O quarto ponto é a infraestrutura para absorver a demanda de tráfego de dados. “Temos que aumentar a disponibilidade e qualidade de banda larga”, apontou.

Por último, o governo deve atuar no que diz respeito ao marco legal, seja no caso da proteção e tratamento de dados, como na questão trabalhista.

Modernização do parque industrial
O secretário de Inovação do MDIC afirmou que a adoção de tecnologias, principalmente, em um país em desenvolvimento, é demorada. “Temos máquinas com idade média entre 15 e 20 anos. Ou seja, um longo caminho para modernizar nosso parque industrial”.

Ele observou que a pesquisa e desenvolvimento não deve servir apenas às tecnologias disruptivas. “Há uma diferença entre adoção e geração de tecnologias. Entendemos que o primeiro caso é condição sine qua non para elevar a capacidade tecnológica da indústria”.

Souza acrescentou que a concepção de indústria 4.0 não se limita apenas ao processo produtivo. “Vai desde o design até o serviço, integrando todo o processo e criando novos modelos de negócios”.

Segundo ele, o crédito para inovação ainda é caro no Brasil, entretanto, existem medidas como a possibilidade de produtos inseridos na Portaria 950 acessar linhas de inovação da Finep para aquisição de máquinas e equipamentos.

GT Indústria 4.0
Na abertura da reunião, o presidente da Abinee, Humberto Barbato, destacou a criação do Grupo de Trabalho Automação Indústria 4.0 da Associação. Ele afirmou que a indústria 4.0 é uma realidade que vem gradativamente se impondo, modificando a forma de planejamento, gerenciamento e operação da indústria. “Essa novo contexto ampliará o papel da indústria eletroeletrônica em todos os setores industriais, uma vez que a base de fornecimento de soluções da indústria 4.0 passa necessariamente pelos associados da Abinee”.

A Associação tem participado das discussões junto ao MDIC para a formulação de políticas para o desenvolvimento da manufatura avançada. Segundo Barbato, a criação do Grupo de Trabalho no âmbito da Abinee consolida seu envolvimento sobre o tema e tornará mais produtivas as discussões a respeito do assunto, beneficiando a todos os envolvidos.

O papel do setor eletroeletrônico na nova indústria também foi destacado pelo diretor de Automação da Abinee, Raul Victor Groszmann. Segundo ele, o GT da Abinee poderá contribuir para a construção de políticas de desenvolvimento.

 
 
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