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Senhoras e Senhores:
Bom Dia
É uma grande satisfação receber a todos nesta cerimônia de abertura do ABINEE TEC 2009, o mais expressivo evento da indústria elétrica e eletrônica da América Latina, cujos resultados certamente contribuirão para o desenvolvimento do nosso setor e, por consequência, do Brasil.
O Fórum ABINEE TEC que realizamos hoje e os Seminários, Workshops e Palestras Técnicas que se sucederão nesta semana, oferecerão importantes subsídios sobre a atual situação e o futuro do nosso setor...
Este evento marca, também, a abertura das Feiras FIEE Elétrica e electronicAmericas, que, neste ano, apesar da crise financeira mundial, estão recebendo, aqui no Anhembi, mais de mil empresas expositoras, e deverão gerar negócios da ordem de 2 bilhões de dólares.
Senhoras e Senhores:
Minha satisfação é redobrada neste ano, pois estamos lançando hoje o estudo A Indústria Elétrica e Eletrônica em 2020: Uma Estratégia de Desenvolvimento, um minucioso trabalho que projeta para daqui a dez anos a indústria que queremos para o nosso país.
Contamos, para tanto, com a imprescindível contribuição de nossos diretores, conselheiros, associados e colaboradores, que, por meio de entrevistas, depoimentos e workshops, ofereceram seu conhecimento e experiência, fundamentais para a elaboração deste documento. Registramos a todos os nossos maiores agradecimentos pela inestimável colaboração.
A elaboração do estudo foi motivada pela constante perda de competitividade da nossa indústria em relação a outros países, principalmente, do leste asiático, o que poderá levar o Brasil à desindustrialização.
É importante salientar que o estudo que vamos apresentar não é um simples elenco de propostas, mas, sim, uma avaliação completa, que parte da situação atual do setor eletroeletrônico no Brasil, e que propõe ações para a nossa evolução sustentável...
Entretanto, para que isso aconteça, muito terá que ser feito... Precisamos do envolvimento de todos os agentes da sociedade, da iniciativa privada, e dos poderes executivo e do legislativo...
Desde o início dos anos 90, num verdadeiro processo predatório, as indústrias do setor eletrônico do Brasil vêm perdendo competitividade no mercado internacional e, mais recentemente, também no mercado nacional.
Este cenário necessariamente precisa ser modificado, para que o Brasil não fique definitivamente a reboque das nações que priorizam um setor, como o eletroeletrônico, verdadeiramente estratégico para o desenvolvimento de um país, pois irradia o avanço tecnológico e acarreta intenso efeito multiplicador sobre o conjunto da economia. Ou seja, o setor eletroeletrônico é a base para uma verdadeira revolução tecnológica, com mudança radical nos processos de produção e com o desenvolvimento de novos produtos.
Neste contexto, e, com o importante apoio da LCA Consultores, empresa renomada por sua competência na análise da indústria brasileira e mundial, preparamos um amplo diagnóstico do nosso setor, que identifica seus pontos fracos, pontos fortes, as ameaças e oportunidades, apresentando, em seguida, propostas claras e factíveis que visam proporcionar um ambiente de competitividade para nossas empresas em 2020.
O estudo visa a construção de uma nova trajetória para a indústria elétrica e eletrônica, que permita alcançar, em 2020, uma estrutura renovada, capaz de proporcionar, ao setor, ao conjunto da indústria e da economia brasileira uma dinâmica de excelência internacional, fundada na obtenção de resultados com alto valor agregado.
Objetivamos uma indústria elétrica e eletrônica à altura de sua importância no contexto do setor industrial brasileiro.
Uma indústria elétrica e eletrônica maior, mais autônoma do ponto de vista tecnológico, capaz de produzir com elevado valor agregado local e mais competitiva internacionalmente.
No segmento eletroeletrônico, é preciso consolidar o Brasil como um competidor efetivo no mercado internacional, o que passa, em grande parte, pelo desenvolvimento de uma indústria de componentes, em especial de semicondutores.
Em termos quantitativos, a grande meta é alavancar expressivamente o faturamento do nosso setor, para que ele alcance uma representatividade de 7% do PIB em 2020.
Considerando-se que hoje esta representatividade é de 4,3%, a meta é audaciosa, audaciosa sim, mas factível se forem adotadas as medidas aqui propostas e necessárias.
Há muito espaço para o crescimento da produção eletroeletrônica. Para citar apenas um dado que comprova esta afirmação, ressalto que nos países desenvolvidos o complexo eletrônico corresponde, em média, a 12% do PIB.
No mundo, a demanda por produtos eletroeletrônicos cresce exponencialmente e, no Brasil, este crescimento poderá ser ainda mais acentuado.
Não teremos a menor possibilidade, no futuro, de atender esta crescente demanda preponderantemente com importações de bens acabados e/ou de componentes, como ocorre atualmente, em particular, na área eletrônica.
Lembramos que o déficit comercial de produtos do nosso setor evolui de forma preocupante... Enquanto as exportações diminuíram sua participação no faturamento do setor de 22,9% em 2002 para 14,8% em 2008, as importações subiram num ritmo galopante, enquanto em 2002 o déficit foi de US$ 6 bilhões de dólares, em 2008 atingimos a marca de 22 bilhões de dólares, ou seja, em 6 anos, o déficit quase quadriplicou e teria sido ainda maior se o mundo não tivesse mergulhado na atual crise, em setembro do ano passado...
Senhoras e Senhores:
Devemos colocar muito da nossa vocação, da nossa vontade de produzir para que o estudo que será apresentado a seguir pelo Professor Bernardo Gouthier Macedo, da LCA Consultores, tenha sucesso e contribua para fortalecer a indústria eletroeletrônica brasileira.
A nossa confiança neste estudo é motivada pelo reconhecido empenho do atual Governo em implementar programas voltados para o desenvolvimento produtivo, resgatando o conceito de política industrial tão menosprezado em passado não distante.
Somos testemunhas do empenho das nossas autoridades e seria injusto não registrar as ações empreendidas pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, e pelo BNDES, na implementação da PDP, e do Ministério da Ciência e Tecnologia na implementação do CEITEC e na melhoria da aplicação dos fundos setoriais, e no Ministério das Minas e Energia, entre outros programas importantes o Luz para Todos, que permitiu o acesso de brasileiros a dignidade e a cidadania.
Ao apresentar este estudo, a ABINEE acredita estar contribuindo de forma decisiva para o futuro do Brasil, pois se ampliarmos nossa visão, se sairmos do particular e divisarmos o espectro da participação dos componentes eletrônicos nos mais diversos produtos, compreenderemos o quão estratégica é esta indústria para o país.
Hoje, qualquer produto, seja ele da área elétrica ou eletrônica, exige um 'chip' para apoiar a execução de suas tarefas... E esta tendência se alastra cada dia mais em segmentos como o automobilístico, a pecuária, nos bens de capital, e em muitos outros. Creio que somente a demanda por produtos de informática e de telecomunicações, por exemplo, já nos obrigaria a adoção de providencias visando alterar o atual quadro existente.
Como representante da indústria elétrica e eletrônica instalada no Brasil, tenho convicção que, pela importância histórica do nosso setor, não podemos nos transformar em meros montadores, ou pior, importadores de produtos acabados, o que fatalmente ocorrerá se permitirmos que nossa moeda siga em sua atual rota de valorização exacerbada, o que inviabiliza a industria nacional e em definitivo as exportações de manufaturados.
Não podemos permitir que a economia real do Brasil fique a mercê da especulação internacional, que utiliza nosso mercado de capitais na busca do lucro fácil, movendo a taxa de câmbio de maneira insustentável.
Por fim senhoras e senhores o Professor Reis Velloso, nosso maior mestre quando o assunto é desenvolvimento, me ensinou que devemos fazer da crise uma oportunidade, ou como costuma dizer o amigo Deputado Armando Monteiro - Presidente da CNI, não vamos perder a oportunidade que esta crise nos oferece, creio que seja este o papel, a missão da Abinee: mostrar todos os dias o quão estratégica é a indústria elétrica e eletrônica para o país, e levar as nossas autoridades propostas que criem um ambiente positivo, que disponibilize mecanismos para a superação de obstáculos, de forma que possamos voltar a ser um país atraente para o investimento produtivo.
Muito Obrigado.
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