Artigo: Compromisso com o desenvolvimento do país (*)

26/09/2013

Durante 50 anos, a Abinee construiu um patrimônio baseado em sua reconhecida história de defesa dos interesses do setor eletroeletrônico brasileiro, pautando suas ações em uma postura ética que lhe conferiu e confere respeitabilidade e autoridade para levar ao governo as demandas de seus associados.

Essa credibilidade foi conquistada ao longo dos anos, pois a Abinee sempre elaborou propostas consistentes, sem visar simplesmente o atendimento de interesses paroquiais. Temos em nosso DNA a preocupação de propor parâmetros para uma política industrial, e políticas de desenvolvimento para o país. As teses que defendemos são fruto de um minucioso trabalho e profunda análise, e refletem a busca incessante para alicerçar os posicionamentos que não resvalem em atitudes casuísticas.

Mesmo abrigando uma variada gama de segmentos industriais, muitas vezes concorrentes entre si, um ponto de destaque da entidade é sua atuação pelo consenso, sendo este o cimento que contribui para aglutinar e dar força aos posicionamentos da entidade. Desta forma, a Abinee defende as demandas de todas as empresas, grandes, pequenas, de capital genuinamente brasileiro ou estrangeiro, que tiveram e têm coragem de investir no país, quando ainda existem tantos problemas a serem resolvidos.

É assim que a Abinee trabalha. Por meio de seus grupos setoriais, procura estabelecer o debate considerando as especificidades de cada segmento. Estes grupos, formados por representantes das empresas associadas, desenvolvem intensa atividade, coletando informações e preparando recomendações que visam contribuir para o desempenho das indústrias do setor.

Sempre ligada no futuro, a Abinee, ao longo do tempo, presenciou o desenvolvimento da microeletrônica com a invenção do chip, a automação dos processos e equipamentos industriais, a fibra ótica, as comunicações online, a geração wireless, a nanotecnologia, a convergência digital. Esta evolução, que ocorre quase que diariamente, consolida a presença da indústria eletroeletrônica na economia e na vida das pessoas, seja irradiando seu potencial tecnológico a outros setores ou inserindo a população na era digital.

Ao mesmo tempo, o mar pelo qual as empresas navegaram nem sempre foi de calmaria. O panorama econômico e político do país, nestes cinquenta anos, foi marcado por instabilidades. A atividade das empresas, muitas vezes, foi refém de picos inflacionários, recessão, choques externos, pacotes malfadados, crises cambiais, escassez de financiamento, mudanças políticas, abertura de mercado indiscriminada e juros elevados.

Em todos estes assuntos, relevantes para a vida das indústrias, a Abinee sempre esteve presente, pois o que sempre estava em jogo não era apenas o interesse de um grupo de empresários, mas sim o desenvolvimento de um dos setores mais importantes e estratégicos para o Brasil. Neste aspecto, a Abinee não poupou esforços e sempre exerceu seu papel de sinalizar ao governo o que era necessário para que o setor eletroeletrônico pudesse se desenvolver, ser inovador e competitivo.

Com esta postura, tivemos inúmeras conquistas importantes para nossa indústria. Entre tantas, podemos citar duas que impactaram fortemente os rumos do Brasil. A primeira foi o processo de privatização nas áreas de telecomunicações e energia elétrica, que revolucionou estes segmentos, expandindo sua disponibilidade e capacidade de atendimento para toda a sociedade.

Outro ponto alto a ser celebrado é a Lei de Informática, da qual participamos diretamente da elaboração. Este instrumento contribuiu para o desenvolvimento de uma indústria de tecnologia da informação e comunicação no país, sendo, até hoje, o maior e único exemplo de política industrial para o nosso setor, o que deve ser mantido e aperfeiçoado.

 No entanto, ainda há muito o que se fazer. O dinamismo dos segmentos representados tem exigido uma permanente adequação do nosso atendimento, como forma de acompanhar o ritmo de expansão das indústrias. Neste contexto, o papel da Abinee nos próximos anos será o de continuar oferecendo aos governos propostas de políticas que façam com que a indústria possa ser fortalecida, baseada na expansão e no aperfeiçoamento tecnológico.

Nos últimos anos, temos denunciado o processo de desindustrialização e a primarização da economia brasileira. Há um forte sentimento de que o Brasil está trilhando o mesmo caminho dos 'Países Baixos', que passaram pelo fenômeno conhecido como doença holandesa, na década de 1960. O bom desempenho das exportações das commodities brasileiras, baseado, principalmente, na alta de preços, somado à atratividade para os capitais internacionais, contribuiu para manter o real forte, e assim permanecesse por anos, corroendo a competitividade da nossa indústria de transformação. Este quadro colaborou para que o peso da indústria em nosso PIB recuasse dramaticamente para 13%, voltando aos níveis de 1955, antes da implantação do Plano de Metas de Juscelino Kubitschek.

Mesmo diante deste cenário adverso, a Abinee manterá o seu compromisso com o desenvolvimento do país, assumido naquele dia 26 setembro de 1963, por um grupo de empresários pioneiros e visionários. Os desafios são inúmeros, mas, como nos comprova a história, o setor eletroeletrônico saberá superá-los, aproveitando as oportunidades que se desenham no horizonte, e olhando com otimismo para o futuro.

(*)Humberto Barbato, presidente da Abinee

 
 
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