Substituição da TJLP pelo BNDES pode inviabilizar investimentos, diz Abinee

01/08/2017

A substituição da Taxa de Juros de Longo Prazo (TJLP) para financiamentos do BNDES inibirá ainda mais os investimentos no setor eletroeletrônico, que já vem recuando nos últimos anos, em função, principalmente, das crises econômica e política que o País atravessa. O alerta foi feito pelo presidente da Abinee, Humberto Barbato, que participou na última semana de audiência pública da Comissão Mista do Congresso sobre a MP 777, que institui a Taxa de Longo Prazo (TLP) a partir de 1º de janeiro de 2018. A mudança acarretaria em elevação do custo do financiamento junto ao banco.

“O aumento na taxa de juros para investimentos produtivos agravará ainda mais o quadro atual, acarretando em aumento do desemprego e atraso maior na retomada da atividade”, disse.

Segundo Barbato, as empresas do setor eletroeletrônico, de todos os portes, utilizam as linhas e programas do BNDES, não somente como tomador de recursos, mas principalmente como fornecedor de máquinas, equipamentos, sistemas e componentes. “A possibilidade de oferecer linhas de financiamento do BNDES para os seus clientes é fator fundamental e decisivo para garantir a concorrência com produtos importados”, disse.

O presidente da Abinee destacou que empresas ligadas à área de infraestrutura centenárias no Brasil, apesar de serem competitivas do portão da fábrica para dentro, sofrem com a concorrência estrangeira em função das condições macroeconômicas do País. “Em muitos casos, os financiamentos do BNDES garantem a permanência das empresas aqui”.

Barbato salientou que, no momento atual, o Brasil precisa discutir profundamente formas de manter a indústria instalada no País e de apoio a investimentos de longo prazo. “Não estamos pedindo nenhum tipo de subsídios”, reforçou.

Para ele, é fundamental observar o que outras nações, inclusive desenvolvidas, estão fazendo para manter suas indústrias em seus países de origem. “Em função das condições brasileiras que provocam perda de competitividade, seria temerário se expuséssemos ainda mais o nosso parque industrial”, completou.

A Audiência foi promovida pelo Senador Lindbergh Farias (PT-RJ) e pelo deputado Betinho Gomes (PSDB-PE), respectivamente presidente da Comissão Mista e relator da MP 777.

Veja a participação do presidente da Abinee na audiência pública:

 
 
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