Precisamos de uma política industrial na fronteira tecnológica, diz Barbato

12/11/2015

Uma política industrial que realmente estimule a inovação, que busque a ponta do conhecimento, é o caminho para o Brasil dar um salto de desenvolvimento. Esta foi uma das principais mensagens do presidente da Abinee, Humberto Barbato, em sua participação, em 11 de novembro, no 10º Encontro Nacional da Indústria - ENAI 2015, organizado pela CNI. "Temos que investir na fronteira tecnológica, pois, do contrário, ficaremos sempre correndo atrás do desenvolvimento que já passou", disse.

Barbato, que compôs a sessão temática 'Juntando as Peças - Agenda para a Indústria Brasileira', afirmou, utilizando o exemplo de outros países, que é fundamental uma nova mentalidade nas políticas públicas. “No exterior, quando um empreendedor chega com um ideia, o governo local pergunta o que é preciso para viabilizar o projeto. Aqui, temos que nos enquadrar em um cardápio pronto. É preciso se compreender que quando gero inovação, estou fazendo um bem para o meu país".

Durante a sessão, foram endereçadas perguntas aos participantes, como sobre os efeitos do impasse político no cenário econômico. O presidente da Abinee salientou que a economia, a indústria e, principalmente, o povo não pode mais esperar o tempo político e judicial. “Nos últimos 12 meses foram perdidos 1 milhão e 200 mil postos de trabalho, o que é um número considerável. Nunca ficou tão claro como agora que a política efetivamente tem atrapalhado nossa economia”, afirmou.

Concertação X Estagnação
Segundo Barbato, o atual modelo político chegou à exaustão e é preciso uma grande concertação como forma de superar este momento de estagnação “que faz com que nada ande

nesse país”. De parte dos empresários, ele ressaltou que o papel é continuar atuando junto ao Congresso, demonstrando os impactos nocivos de medidas que estão sendo tomadas em prejuízo do setor produtivo. Neste cenário, Barbato afirmou que as constantes mudanças nas regras do jogo, que causam insegurança jurídica, afetam os investimentos já realizados no país e, também, aqueles que podem ser realizados. “Além de todo o problema burocrático, precisamos fazer as reformas estruturais necessárias como a tributária, que há tanto tempo é falada, mas nunca é feita. Isso gera um passivo que torna o país cada vez mais inviável e somente atrativo por conta do seu mercado interno”.

Sobre a busca pela inserção do Brasil nas cadeias globais de comércio, tendo em face os diversos acordos internacionais que estão sendo firmados sem a participação do país, ele destacou a importância de se rediscutir o Mercosul, que se transforma uma camisa de força para as negociações bilaterais. “Apesar de ainda ser o maior mercado de destino dos nossos produtos, o bloco tem criado mais problemas do que soluções”. Além disso, o presidente da Abinee ressaltou que o Brasil precisa fazer sua lição de casa criando um ambiente seguro e de previsibilidade que possibilite uma maior abertura de mercado.

Em sua mensagem final, Humberto Barbato salientou que um país das dimensões do Brasil não pode conviver sem sua indústria. “A geração que me antecedeu foi capaz de construir o setor industrial no país, nós teremos que reconstruí-lo da destruição provocada por uma política cambial adotada nos últimos anos”. Ele acrescentou que o setor continuará demonstrando ao governo a urgência das reformas, e que o Estado precisa se modernizar para fazer uma política industrial atualizada que permita ao país dar um salto de desenvolvimento.

ENAI
Além do presidente da Abinee, participaram da Sessão Temática ‘Juntando as peças: agenda para indústria brasileira’, moderada pelo jornalista Cristiano Romero, o vice-presidente da GM do Brasil e da GM América do Sul, Marcos Munhoz; o presidente da CBIC, José Carlos Martins; o presidente e CEO da Siemens, Paulo Stark; e o economista chefe da LCA e Pesquisador do IBRE – FGV, Bráulio Borges. Em sua décima edição, o ENAI reuniu cerca de dois mil participantes, entre líderes empresariais, representantes de setores industriais e do governo, para alinhar e validar posicionamentos com foco nas ações de defesa da indústria nacional e no desenvolvimento da competitividade do setor em diversas sessões que contemplaram as visões política, industrial e sindical.

O evento teve as presenças dos Ministros Joaquim Levy, da Fazenda, e Armando Monteiro Netto, do MDIC, do ex-presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, e do anfitrião do evento, o presidente da CNI, Robson Braga de Andrade. O encerramento do ENAI contou com uma Palestra Magna do ex-presidente dos EUA,Bill Clinton.

 
 
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