Pacote do governo é insuficiente para resolver nó fiscal, diz Martone

18/09/2015

“O pacote anunciado pelo governo é um pot-pourri de coisas pinçadas aqui e ali. Não há proposta mais estruturada para dar horizonte de que vai melhorar no médio prazo”. A avaliação é do economista Celso Luiz Martone, que fez uma apresentação sobre o atual momento econômico do país, durante a Reunião Plenária da Abinee, realizada na quinta-feira (17). Segundo ele, o país está em um nó fiscal e não há perspectiva que este governo consiga resolver.

Martone afirmou que a impressão é que o objetivo do governo é a CPMF, e o restante foi colocado apenas para poder ser negociado. “Ainda que o pacote seja aprovado, não será suficiente para resolver o problema. Não retoma a confiança, não dá previsibilidade e não estimula investimentos”, ressaltou.

O economista destacou que a atual situação é fruto de uma trajetória insustentável do orçamento federal, que levou a uma situação delicada do ponto de vista fiscal. “Chegaremos a um déficit público de 8,3%, em 2015, e 9% no ano que vem. Este nível é parecido com o de Portugal, Espanha e outros países europeus na época que eclodiu a crise por lá”, observou.

Martone salientou que a consequência disso é uma alavancagem na dívida pública, que deve atingir 70% do PIB no próximo ano. “Nas condições brasileiras, com engessamento fiscal e juro real elevado, escorregamos para o lado da não sustentabilidade, o que é muito perigoso e pode precipitar uma reestruturação da dívida, o que ninguém quer neste momento”.

O economista apresentou perspectivas para o fechamento do ano, com destaque para o desempenho da indústria, que deverá sofrer retração de 6 % em 2015. “Hoje, o setor industrial representa 9,5% do PIB. Dez anos atrás, era 15%. O Brasil se tornou uma economia de serviços, mas de baixa qualidade e sem condições para isso. Este é um problema estrutural grave”, completou.

Veja a apresentação de Celso Luiz Martone na Plenária Abinee

 
 
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