Próxima eleição será a mais imprevisível que País já teve, diz analista

09/10/2017

A um ano das eleições presidenciais, o Brasil vive um quadro nebuloso em relação aos potenciais candidatos, com alto grau de rejeição por parte dos eleitores. "Essa campanha será um divisor de águas. As pessoas estão esperando candidatos diferentes do que estão aí". A afirmação é do analista Rui da Silva Nogueira, sócio-diretor sênior da consultoria de relações públicas Patri Políticas Públicas, que participou da Reunião Plenária da Abinee, na quinta-feira (6).

Segundo ele, o eleitorado está dividido em quatro blocos: dos desiludidos e anti-políticos; pró-Lula; anti-Lula e anti-PT; e bloco da surpresa. Nesse cenário, Nogueira lembrou o grande número de votos brancos e nulos nas últimas eleições, tendência esta que deve crescer no próximo ano. Para o analista, um elemento decisivo na escolha do candidato será a expectativa de recomposição da renda perdida nos últimos anos.

Sobre a situação de Michel Temer, Nogueira descartou qualquer possibilidade de afastamento. "Não há alternativas e não existe tempo hábil para mudança". Ele afirmou que, embora amargue uma avaliação positiva de 3,5%, o atual presidente detém apoio do Congresso. "Temer já mostrou que conta com 284 votos na Câmara dos Deputados. Ou seja, está a apenas 24 votos para chegar aos três quintos necessários para a aprovação de uma  Proposta de Emenda Constitucional (PEC)", explicou.

Mesmo dispondo deste apoio, o analista considerou como improvável que o governo consiga  implementar a Reforma da Previdência. "Os capítulos complexos ficarão para o próximo governo.  Pode ser que tenha algum desenlace de pontos para atender à atual tragédia fiscal".

Segundo ele, há três bombas-relógios na busca por se equacionar as contas públicas: os dispêndios do Fundo de Financiamento Estudantil (Fies), que cresceram 1300% de 2010 a 2014, saindo de R$1,1, bilhão para R$ 13 bilhões; o Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT) que saiu de R$ 6,6 bilhões para R$ 35 bilhões; e o Programa de Sustentação do Investimento (PSI) do BNDES, cujos recursos saltaram de R$ 44 bilhões para R$ 452 bilhões.

Para Nogueira, este cenário possibilita uma ameaça constante de elevação de impostos. "A Reforma Tributária, por exemplo, não deve ir para frente. Mas se houver mudança, nesse momento, será de aumento da carga", alertou.

Segundo ele, soma-se a isso uma agenda perigosa no Congresso com matérias e propostas que afetam diretamente a atividade empresarial. "É preciso uma interlocução muito forte dos setores produtivos junto aos parlamentares", disse.

Veja a apresentação de Rui da Silva Nogueira

 
 
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