Artigo: Por uma nova postura na política externa (*)

07/08/2015

Na última década, o Brasil deixou para segundo plano sua política de comércio exterior, reduzindo a quase zero os acordos internacionais com outras nações.

Um primeiro passo para um novo cenário parece ter sido dado com a recente viagem da presidente Dilma Rousseff aos EUA, da qual, em função da importância do setor eletroeletrônico e da representatividade da Abinee, tive a oportunidade de acompanhar.

A viagem representou uma sinalização positiva para as relações comerciais entre os dois países, que parecem estar entrando em um novo momento.

Tendo em vista o novo patamar do câmbio e com adição do Plano de Nacional de Exportações, que vem no sentido de estimular a competitividade do produto brasileiro no exterior e tem importância fundamental principalmente em um momento de restrição do mercado interno, acreditamos que seja indispensável uma postura mais pró ativa na política comercial.

A visita aos EUA mostra que o governo finalmente começou a perceber que é preciso trabalhar além da política sul-sul. Nos últimos anos, nossas apostas na política externa se mostraram infrutíferas em termos de negócios.

A participação do Brasil em acordos regionais se restringe ao Mercosul, que tem se mostrado uma verdadeira camisa de força e tem uma dimensão de mercado modesta para a expansão das nossas exportações, ainda mais com a degradada situação econômica de países como Argentina e Venezuela, que geram o aumento de medidas protecionistas.

O fato é que necessitamos de uma rápida integração à corrente de comércio mundial. A nossa reindustrialização só ocorrerá se houver a retomada das exportações dos manufaturados, que hoje representam menos de 40% do total das exportações, com forte tendência de queda.

Ao mesmo tempo, o Brasil precisa fazer sua lição de casa com celeridade, por um lado, diminuindo a desconfiança dos investidores em relação às instabilidades políticas e regulatórias, agravadas pelas denúncias de corrupção generalizada, e, por outro, apresentando medidas econômicas que favoreçam o ambiente produtivo, e que possibilitem condições para que nossas indústrias possam competir de igual para igual no âmbito interno e externo.

Dessa forma, apesar de não ter nenhum acordo ou documento assinado, esperamos que a visita brasileira aos EUA seja o início de uma postura mais positiva e pragmática do comércio exterior brasileiro, no sentido de buscar parcerias com mercados que possam absorver nossos produtos, e que, também, propiciem um intercâmbio comercial e tecnológico de alto nível, reintegrando o país nas cadeias globais.

(*) Humberto Barbato, presidente da Abinee

 
 
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