Abinee participa de debate com Ministério de Minas e Energia sobre crise hídrica

24/06/2021

Na última sexta-feira (18), a Abinee participou de reunião com o ministro de Minas e Energia, Bento Albuquerque, promovida pela Coalizão Indústria, que reúne diversas entidades empresariais entre elas a Abinee, para conhecer a situação do abastecimento de energia elétrica em 2021 e perspectivas para 2022. O ministro estava acompanhado do secretário de energia elétrica do MME, Christiano Vieira.

Na ocasião, foi apresentada a situação atual do sistema elétrico brasileiro, destacando que, entre setembro de 2020 e março deste ano, o Brasil enfrenta o pior período de chuvas dos últimos 91 anos, o que levou a uma crise hídrica nos reservatórios do Sudeste, responsáveis pelo armazenamento de 70% da água disponível para as hidrelétricas existentes no Brasil. Segundo os dados apresentados pelo Ministério, o nível dos reservatórios no Sudeste estava em 32% no início deste mês, podendo-se chegar ao fim de novembro com apenas 7,5% ao considerar a projeção de consumo de água nos níveis atuais.

O ministro apontou que este número seria o pior nível dos reservatórios da história. Se isso vier a ocorrer, o abastecimento de energia elétrica para 2022 ficará dependente de um bom período de chuvas entre novembro deste ano e março de 2022. Como as análises do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden) não indicam reversão do cenário de baixa precipitação no Sudeste em 2021, para o País não correr tal risco, várias medidas já foram implementadas e outras poderão ser tomadas.

Destacam-se: declaração, pela Agência Nacional de Águas (ANA), de escassez hídrica nas bacias dos rios Paraná, Grande e Paranaíba; redução das restrições de vazão nas usinas de Jupiá e Porto Primavera; flexibilização da operação dos reservatórios de cabeceira da bacia do rio Paraná; redução do calado ou paralisação da hidrovia Tietê-Paraná; flexibilização da operação dos reservatórios do rio São Francisco; acionamento de todas as térmicas disponíveis para maximizar a geração termoelétrica; importação de toda a eletricidade que os países vizinhos com os quais o Brasil tem conexão elétrica puder disponibilizar, em especial Argentina e Uruguai; campanha para uso consciente de água e de energia elétrica; ações para antecipação de usinas e de linhas de transmissão em construção; portaria para mobilizar recursos adicionais de biomassa; gestão para garantir o suprimento de combustível para as usinas térmicas; programa voluntário com a indústria para redução de consumo nos horários de ponta do sistema elétrico nacional; estímulo à autoprodução de eletricidade; e programa de resposta da demanda voluntário, permitindo o deslocamento para o horário de menor consumo do sistema, como forma de promover o uso racional e eficiente dos recursos.

Após a apresentação, houve breve debate, no qual destacou-se a preocupação do setor industrial com os custos que serão acrescidos pelo uso da geração emergencial, a possível falta de energia ou a incapacidade de o Sistema Elétrico atender à demanda de pico, durante o verão - estação do ano em que se verifica a máxima demanda do Sistema.

Pensando na integração energética regional, o presidente da Abinee, Humberto Barbato, manifestou preocupação em relação a interligação Sul-Sudeste em caso de importação de eletricidade da Argentina e do Uruguai. Sobre esse tema, o secretário Christiano Vieira afirmou que o Brasil dispõe de infraestrutura de transmissão para atender eventual importação.

Por fim, o ministro Bento Albuquerque deixou uma mensagem para que o setor industrial, representado pela Coalizão, pense em como o setor industrial pode colaborar para que medidas preventivas sejam tomadas e, neste sentido, uma nova reunião será marcada para a apresentação de propostas e de acompanhamento da situação.

Ao lado de outras entidades, a Abinee está consultando suas associadas para elaborar propostas de ações para contornar o problema, como forma de afastar o risco energético que poderia comprometer a retomada econômica em curso.

Veja a apresentação feita pelo Ministério de Minas e Energia

 
 
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