Plenária da Abinee apresenta desempenho macroeconômico

11/06/2021

A Abinee realizou, na quinta-feira (10), Reunião Plenária com a participação de representantes de associadas da entidade. Durante o evento virtual, o diretor do Departamento de Economia da Abinee, Celso Martone, apresentou dados macroeconômicos e perspectivas.

Ele voltou a reforçar que uma efetiva retomada da economia depende do ritmo do programa de vacinação do governo. Segundo ele, embora ainda exista a preocupação com novas variantes da Covid-19, a imunização da população adulta total até dezembro no País é factível.

Ao comentar as perspectivas para o PIB neste ano, o economista afirmou que a alta de 1,2% no primeiro trimestre eleva o “carry over” de 2020 para 4,9%. “Se tivermos um crescimento semelhante, uma provável expansão superior a 5% recuperará as perdas decorrentes da pandemia”, disse. Acompanhando esse desempenho, Martone ressaltou que a indústria da transformação deve crescer acima de 5% no ano. Outro destaque positivo foi o aumento de 12% do investimento em capital fixo, que deve prosseguir ao longo deste e do próximo ano, fazendo com que a taxa de investimento possa subir de 16,4% para 18,5% do PIB, porém ainda abaixo da média histórica. Um fator de atenção diz respeito à taxa de desemprego, que permanecerá acima de 13% até 2022; além da limitação da expansão do consumo.

Risco energético

Durante a Plenária da Abinee também foi discutido o risco de desabastecimento de energia, que voltou à pauta nas últimas semanas em função do baixo nível dos reservatórios das hidrelétricas diante da escassez de chuvas. “Segundo a ONS, estamos atravessando a mais grave crise hídrica desde os anos 30, sendo que o quadro é pior no Sul e no Sudeste, onde se concentra a atividade econômica”, observou Martone. Ele acrescentou que o cenário básico da ONS garante o abastecimento até novembro 2021, com o uso total das termoelétricas e a importação de energia (Argentina e Uruguai). “Podemos ter um déficit previsto a partir daí”.

Salientando o aumento do consumo de energia, que cresceu 4,3% nos primeiros cinco meses deste ano, o economista afirmou que a recuperação econômica pode ser interrompida por este problema, de forma semelhante o que aconteceu em 2001. No curto prazo, o custo de energia subiu como forma de racionar. Segundo Martone, esse movimento também contribui para elevar a pressão inflacionária sob os preços administrados, além dos preços de matérias-primas, que cresceram 65% em 12 meses.

O economista observou que a pressão inflacionária traz um dilema ao Banco Central em relação à Taxa Selic. “Tem que subir juro, mesmo com economia fraca, mas não pode subir muito devido à inflação de custos e à fragilidade fiscal (impacto no serviço da dívida). Ao mesmo tempo, juro mais alto induz entrada de capital especulativo e aprecia a taxa de câmbio, que ajuda a atenuar a inflação, mas desfavorece as exportações.”

Clique aqui para ver a apresentação de Celso Martone.

Acesse os cenários econômicos elaborados pelo Departamento de Economia da Abinee

Privatização da Eletrobras

Outro tema tratado na Reunião Plenária foi a Medida Provisória de Capitalização da Eletrobras (MP 1031/21). O diretor da Área de Geração, Transmissão e Distribuição de Energia Elétrica (GTD), Marcelo Machado, destacou a preocupação da Associação sobre os dispositivos que foram inseridos na MP que poderão encarecer a energia elétrica no Brasil, na medida em que impõem ao setor elétrico novos custos em contrapartida à capitalização desejada. “A Medida como está pode ter efeito contrário do inicialmente pretendido”, disse. Dessa forma, a Abinee salienta a necessidade de se reavaliar a atual proposta considerada e pensar em alternativas que preservem o desenho original.

Clique aqui para ver a apresentação de Marcelo Machado

A Reunião Plenária da Abinee foi coordenada pelo presidente do Conselho da Abinee, Irineu Govêa, e pelo presidente executivo, Humberto Barbato. Em suas manifestações, ambos destacaram as atividades desenvolvidas pela entidade nos últimos meses. Entre elas, a abertura comercial, tema sobre o qual Barbato tratou em reunião recente com o ministro da Economia, Paulo Guedes. Na ocasião, ele expôs a preocupação do setor com o ritmo da redução das tarifas dos bens finais sem a contrapartida da redução das tarifas de insumos. Outro assunto relevante é a discussão sobre a Reforma Tributária. Nesse sentido, a Abinee tem defendido o mesmo posicionamento da CNI, que considera inaceitável uma proposta de tributação maior para produtos industriais. Para a CNI e para a Abinee, a reforma deve ser a mais ampla possível.

 
 
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