Posse Abinee/Sinaees-SP: Pronunciamento presidente executivo, Humberto Barbato

28/04/2015

Senhoras e senhoras, boa tarde...
Sejam bem-vindos a esta cerimônia de posse dos novos Conselhos e Diretorias da Abinee e do Sinaees-SP, que, a partir de hoje passam a ser presididos pelo amigo Irineu Govêa, uma pessoa bastante conhecedora das questões do setor eletroeletrônico.

Tendo, há muitos anos, ocupado diversas diretorias das nossas entidades, em especial no segmento de TICs, o Irineu é um profissional extremamente experiente, ligado há 35 anos ao Grupo Itaú, e que estará conosco pelo menos pelos próximos quatro anos.

Ele dividirá seus conhecimentos e competências com os demais diretores eleitos em 31 de março último, presidindo o Conselho de Administração da Abinee e o Sinaees, dando prosseguimento ao trabalho de defesa dos pleitos das nossas indústrias, o que é feito de forma indelével nos últimos 52 anos.

O Irineu recebe suas novas funções de dois companheiros aqui presentes - Newton Duarte e Dorival Biasia - que no último ano dirigiram os Conselhos da Abinee e do Sinaees de forma brilhante, nos representando juntos aos poderes constituídos, às entidades irmãs, às representações sindicais e à sociedade em geral.

Os dois foram importantes para pavimentar o novo modelo organizacional das duas entidades, permitindo um período de transição tranquilo, fundamental para o processo de mudança, que objetiva melhor atender às demandas das nossas associadas.

Newton e Dorival: recebam os cumprimentos dos nossos associados pelo excelente trabalho realizado até aqui. Temos certeza que continuaremos contando com a valiosa contribuição de vocês dois.

De minha parte, permaneço nas duas entidades exercendo a função de presidente executivo, buscando colaborar da melhor maneira com os diretores, especialmente, neste momento de grande turbulência política e econômica, que tem afetado sobremaneira nossa indústria.

Aliás, este é mais um momento de instabilidade do nosso país, fenômeno com o qual tenho convivido mais diretamente à frente da Abinee e do Sinaees, desde minha posse em 2007, e que vem se repetindo ano após ano.

Os poucos momentos de estabilidade, onde o país parecia que tinha entrado num ciclo virtuoso de crescimento, logo foram apagados, pois não aproveitamos momentos mágicos de crescimento mundial para implementar medidas estruturais e de longo prazo com vistas ao desenvolvimento sólido e sustentado.

Meus amigos,

Nos últimos anos, convivemos com um processo de desindustrialização, acelerado por uma politica cambial suicida, que ceifou diversas cadeias produtivas no país.

Tomemos como exemplo a desnacionalização e o desaparecimento de diversas empresas fabricantes de produtos elétricos, que, para subsistir, foram vendidas, e passaram a ser importadoras gerando empregos fora do Brasil, como se este país pudesse viver abrindo mão dos empregos industriais e tratando o empreendedor brasileiro como alguém não apto para a competição.

Aliás, denunciei este processo em 2007, em meu discurso de posse, dizendo que o câmbio sobrevalorizado de forma irreal, e a estratosférica taxa de juros, estavam corroendo a capacidade de competir da nossa indústria.

Naquele dia eu alertava: o país não tem oferecido sua contrapartida e não tem dado ao setor produtivo o mesmo tratamento em relação à concorrência internacional, colaborando para que se instale entre nós um perigoso processo de desindustrialização.

A busca para contornar esta situação esteve sempre presente na nossa árdua, por vezes inglória, luta em prol do setor eletroeletrônico.

Estas manifestações ganharam destaque em nossos contatos, praticamente diários, com as mais diferentes esferas governamentais, com representantes dos poderes legislativos, bem como nos contatos com os veículos de imprensa.

Fica, ao final destes oito anos, uma ponta de frustração por saber que a situação não se reverteu. Pelo contrário, em muitos aspectos, se agravou. Entretanto, algumas vitórias nos deram o alento e força para prosseguir.

Este foi o caso da renovação dos incentivos da Lei de Informática, prorrogados até 2029, após um período de efetiva atuação da Abinee e seus diretores. Da mesma forma, o setor conquistou, no início deste ano, um novo prazo para a Lei do Bem, que isenta de PIS e Cofins os produtos de TIC na venda a varejo.

Os efeitos destas políticas públicas para todo o conjunto da economia são bem conhecidos. A Lei de Informática é um instrumento fundamental para atração de investimentos ao Brasil, que nos torna o único país, além da China, com produção local de praticamente todas as marcas globais de TIC.

Por sua vez, a Lei do Bem veio juntar o componente social à politica do setor, sendo essencial para a inclusão digital no Brasil.

Senhoras e senhores,

Nos últimos tempos, com a escassez de recursos naturais que têm comprometido o fornecimento de energia, a busca pela eficiência de produtos e processos se fez cada vez mais necessária.

Neste contexto, a Abinee intensificou suas ações na elaboração de normas que visam otimizar o desempenho e a segurança de equipamentos de forma a contribuir com a redução do consumo de energia e o bem estar dos consumidores.

Mais recentemente, conduzimos a introdução de novos assuntos na pauta de atuação da Abinee. É o caso do tema Sustentabilidade que a entidade abraçou, participando efetivamente das discussões da Política Nacional de Resíduos Sólidos, implementada em 2010.

A partir de então, a entidade tem debatido o acordo setorial de Logística Reversa para os resíduos eletroeletrônicos, defendendo a participação e responsabilidade de todos os atores do processo - consumidor, varejo, indústria e governo -, e apontando a necessidade de superação dos desafios para a efetiva implementação do modelo de Logística.

Os assuntos do dia a dia têm sido variados, mas não deixamos de olhar adiante, para um horizonte de médio e longo prazo.

Neste sentido, a Abinee lançou o seu Instituto para Pesquisa e Desenvolvimento e Inovação - o IPD Eletron -, que visa promover a inovação e o desenvolvimento tecnológico do setor eletroeletrônico e o consequente aumento da competitividade da nossa indústria.

Ou seja, a inovação entrou definitivamente nas prioridades da Abinee. Acreditamos que, com isso, conseguiremos enfrentar a concorrência internacional e o persistente processo de desindustrialização que assombra nossas empresas.

No campo de atuação do Sinaees-SP, é importante destacar que modificamos o modelo de negociação com as Centrais Sindicais, estabelecendo, ao lado do Sindimaq, uma interlocução mais direta com a representação dos trabalhadores, tornando o processo negocial mais eficiente, a despeito das reconhecidas dificuldades.

Senhoras e senhores,

O cenário que se desenha para os próximos anos não é dos mais promissores. Os ajustes que estão sendo implementados pelo atual governo precisam preparar o país para um próximo ciclo de desenvolvimento, porém sem prejuízos para a atividade produtiva, tão castigada por equívocos da política econômica brasileira.

Quero reforçar o que eu disse em 2007. Sem abrir mão da força de sua indústria, o Brasil tem que eliminar os já conhecidos gargalos do crescimento.

Na lista das tarefas está o ajuste fiscal. Para a indústria este é fundamental, porém feito de maneira equilibrada, e que cobre de quem tem para ser cobrado. Que cobre eficiência do governo, que comece por dar exemplo de parcimônia em seus gastos.

Queremos um ajuste fiscal que trate a indústria, recordando que ela sofre a concorrência externa diretamente, e para quem a desoneração da folha de pagamento foi planejada, visando à redução de custos e à geração de empregos.

A modernização cada vez maior das leis trabalhistas, como a aprovação da terceirização, é outro fator que precisa ser tratado com mais realismo e menos demagogia. Do contrário as novas gerações não nos perdoarão!!!

Meus amigos,

Poderia seguir aqui falando de outros tantos deveres de casa que temos, entretanto não quero me tornar enfadonho.

Para encerrar, quero agradecer aos companheiros de Diretoria, a todos os associados, aos líderes empresariais e, especialmente, às autoridades do executivo e legislativo pelo apoio recebido nestes oito anos.

Agradeço, também, aos nossos colaboradores que me deram suporte e aos demais amigos que me acompanharam nesta caminhada. Aos jornalistas, que sempre apoiaram as ações da nossa entidade, a minha gratidão.

Agora, em minha função de Presidente Executivo, prosseguirei determinado em contribuir para que a indústria elétrica e eletrônica possa continuar ocupando a posição de destaque que sempre teve em nosso país.

Muito obrigado.

 
 
Abinee - Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica

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