Instabilidade na área de Petróleo e Gás gera apreensão na indústria elétrica e eletrônica

17/04/2015

As atuais dificuldades que afetam a área de Petróleo e Gás têm causado apreensão nas indústrias do setor eletroeletrônico, fornecedoras ou subfornecedoras para este segmento. Diante da instabilidade que impacta a saúde financeira das empresas, da incapacidade de vários dos agentes em honrar seus compromissos contratuais e dos recentes anúncios de recuperação judicial de algumas empreiteiras, a Abinee realizou, na quinta-feira (16), reunião com fabricantes para discutir o assunto e avaliar os efeitos no setor eletroeletrônico.

Hoje, cerca de 120 associadas da entidade fornecem às indústrias de P&G e Naval, abrangendo sistemas de automação; sistemas elétricos; instrumentação e controle; medição fiscal e telecomunicações.

Na oportunidade, o gerente da regional da Abinee Rio de Janeiro/Espírito Santo, Paulo Sérgio Galvão, apresentou um histórico do desenvolvimento do setor até o quadro da atual crise, que teve como consequências a redução dos recursos para o desenvolvimento de tecnologia, dúvidas quanto à viabilidade econômica de investimentos e, principalmente, a inadimplência de empresas de EPC (Engenharia, Planejamento e Construção), agravada pelas investigações da Operação Lava-Jato.

Paulo Sérgio abordou as gestões realizadas pela Abinee em conjunto com outras entidades empresariais junto ao Ministério de Minas e Energia (MME), Agência Nacional de Petróleo (ANP) e Petrobras. Ele destacou que a situação tende a se prolongar até a divulgação do balanço da Petrobras, o que tem sido colocado como uma das principais prioridades pela estatal no momento.

Por sua vez, as empresas presentes apresentaram suas situações, que vão desde produtos prontos para entrega ainda em estoque até produtos entregues e com pagamento a receber.

Conteúdo local

Durante a reunião, Paulo Sérgio Galvão salientou o trabalho desenvolvido pela Abinee e outras entidades, ao longo dos últimos anos, no sentido de maximizar o conteúdo local em toda a cadeia produtiva, melhorar as condições de fornecimento de materiais (CFM), agregando competitividade e sustentabilidade (com acesso a novos mercados) e ampliar o fornecimento para implantação de projetos e para manutenção /operação na indústria de Petróleo e Gás.

Segundo ele, a atual crise não pode afetar a questão de conteúdo local, na qual a Abinee tem atuado de forma efetiva buscando melhores condições de fornecimento para todas as concessionárias de Exploração e Produção (E&P) de Petróleo e Gás. Galvão frisou que, a partir do momento em que Petrobras transferiu o poder de compra para os epcistas, que passaram a comprar, em muitos casos, soluções completas do exterior, criando dificuldades aos fornecedores locais.

Neste sentido, ele vê algumas possibilidades de retomada em meio ao cenário de incertezas, como o estímulo à engenharia básica nacional, iniciativa que tem o apoio de outras entidades nacionais, e a contratação de soluções desenvolvidas no país, possibilitando maior nível de fornecimento das empresas instaladas no Brasil.

Outra questão diz respeito ao CILs - Certificados de Investimentos Locais, os quais mostraram que várias concessionárias não cumpriram suas metas de conteúdo local e foram, por isso, multadas pela ANP. As cifras chegam a R$ 600 milhões de multas já aplicadas, R$ 2 bilhões em análise e R$ 10 bilhões para um futuro próximo. ”É importante discutirmos a destinação destes recursos para o desenvolvimento do setor, conforme previsão legal”, afirmou.

Ao final de sua exposição, Galvão lembrou que, apesar do momento atual, segundo o IBP, até 2020, cerca de R$ 950 bilhões de investimentos e gastos diretos serão aportados na cadeia de bens e serviços de P&G. “Ou seja, não podemos ficar fora deste segmento e temos que manter o diálogo construído nos últimos 15 anos para o estímulo ao conteúdo local”, completou.

 
 
Abinee - Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica

Escritório Central: Avenida Paulista, 1313 - 7º andar - 01311-923 - São Paulo - SP
Fone: 11 2175-0000 - Fax: 11 2175-0090