Abinee recebe presidente da IEC

07/04/2015

A Abinee recebeu na segunda-feira (6) a visita do presidente da IEC - International Electrotechnical Commission -, Kenji Nomura. Na ocasião, foram debatidas as ações do órgão internacional na elaboração de normas internacionais e a necessidade de uma participação mais efetiva das empresas instaladas no Brasil neste processo.

Dando as boas-vindas a Nomura, o presidente da Abinee, Humberto Barbato, ressaltou a importância das normas internacionais e em particular das normas da IEC, por sua utilização como fator de competitividade para a indústria. Ele salientou, entretanto, que é preciso levar em consideração a realidade nacional na implementação de normas.

Barbato lembrou que diversos países têm seus organismos nacionais de normalização, no caso do Brasil, a ABNT, onde sociedade, setores industriais, academia e consumidores, representados no Comitê Brasileiro - CB 3 de Eletricidade, Eletrônica e Iluminação, reúnem-se para discutir as normas do setor que melhor atendam aos interesses do País. “Ao longo do tempo, a Abinee tem recomendado para que a ABNT procure utilizar como base as normas da IEC, levando em conta nossa realidade nacional, os costumes e a infraestrutura disponível, de maneira a atender as diferentes classes sociais e em particular as classes com menor poder aquisitivo”, disse.

Segundo o presidente da Abinee, o Brasil por ser um dos maiores mercados mundiais, não pode ser um mero tradutor de normas. “Por este motivo, incentivamos às diferentes indústrias a participarem do processo de elaboração de normas nos diferentes comitês da IEC, sem, entretanto esquecer nossa realidade nacional e da necessidade de fabricar produtos seguros, com qualidade e preços competitivos para atender à nossa população”.

Da mesma forma, Humberto Barbato afirmou que é muito importante que os produtos estejam alinhados com as normas internacionais e, também, dependendo dos casos, que as normas publicadas pela ABNT, sejam utilizadas como base para as normas dos países alvo dos nossos produtos. “Neste sentido, devemos participar mais ativamente dos diferentes fóruns de normalização: internacionais, regionais e sub-regionais”.

O presidente da IEC, Kenji Nomura, afirmou que as normas internacionais servem para uniformizar os padrões e requisitos dos produtos e como balizadoras do comércio internacional. Ele ressaltou que diante do avanço tecnológico e maior convergência de funcionalidades, a IEC tem atuando com uma abordagem voltada a sistemas, encarada como uma ferramenta integrada composta por diferentes dispositivos e aplicações.

Neste contexto, ele citou o exemplo das smart cities com as novas demandas que surgem, além da segurança, que segue como prioridade, mas, também, a eficiência energética e formas como otimizar recursos. “A segurança eletrotécnica não pode ser resumida e localizada, mas, sim, pensada como um todo”, disse.

Nomura também destacou a necessidade de participação das empresas e seus executivos nas discussões sobre a elaboração da norma. “A IEC é a casa das indústrias de todos os países”, completou.

Maior participação
Durante a reunião, o Gerente Regional da IEC para América Latina (IEC-LARC), Amaury Santos, afirmou que os países da região estão aumentando sua consciência em relação a utilização de normas únicas e de padrão internacional. Ele ressaltou que o Brasil tem uma presença importante nos comitês da IEC e tem voz dentro do organismo. Entretanto, Santos afirmou que o país deve aprofundar sua participação, tendo influência mais ativa na elaboração das normas.

A mesma opinião foi partilhada pelo diretor geral do Cobei e conselheiro da ABNT, João Carro, que salientou que participar das normas internacionais é assegurar presença no mercado global. “É preciso que o Brasil tenha maior participação sobre as normas internacionais”.

Sobre a preocupação colocada pelo presidente da Abinee em relação à necessidade das normas internacionais atenderem a realidade nacional, o superintendente do Cobei, José Sebastião Viel, afirmou que as normas IEC permitem que sejam considerados desvios, de acordo com as diferenças nacionais. Neste sentido, Viel reforçou que a participação das empresas brasileiras na IEC é essencial para que o país tenha poder de negociação e influência para que a possibilidade de desvios seja considerada quando necessário.

Enfatizando que o Brasil tem soberania para elaborar a normas adequadas a sua realidade, o diretor do departamento de Tecnologia da Abinee e presidente do Comitê Nacional da IEC, Fabián Yaksic, afirmou que o país deve trabalhar na IEC para que as normas contemplem especificidades brasileiras, tendo como base a norma ABNT, que, em alguns produtos atendem 80% do órgão internacional.

 
 
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