AbineeTEC 2015 debate o aperfeiçoamento do setor elétrico

24/03/2015

Revisão do atual modelo pós MP 579/2012, maior incentivo à eficiência energética, diversificação da matriz aproveitando o potencial das diferentes fontes, e, principalmente, assumir que o país passa por um momento crítico no abastecimento de energia elétrica. Estes foram os principais pontos em comum abordados pelos especialistas que participaram do workshop sobre o Aperfeiçoamento do Setor Elétrico Brasileiro, realizado na segunda-feira (23), primeiro dia do AbineeTec 2015.

Mediador do evento, o diretor da área de GTD da Abinee, Newton Duarte, afirmou que o modelo do setor elétrico implementado a partir de 2004, que tem como base a modicidade tarifária, segurança do atendimento e universalização, trouxe avanços como a criação do Programa Luz para Todos, o que motivou um grande desenvolvimento no setor. “Entretanto, após a MP 579, o governo, numa tentativa sem sucesso de diminuir o preço da energia, trouxe uma série de dificuldades para todos os atores do setor, o que culminou num grave endividamento das distribuidoras”, disse. Ele acrescentou que, concomitante a isto, a situação climática adicionou um novo componente, ocasionando o aumento das tarifas.

Traçando uma revisão histórica sobre o setor elétrico, o professor José Goldemberg, da USP, destacou o modelo criado a partir de 2004, que trouxe a modicidade tarifária e a compra de energia a partir de leilões. “É um procedimento curioso, que prioriza o menor custo e com todas as fontes concorrendo entre si, o que não estimulou a diversificação da matriz. Não dá para ir à feira e comprar um quilo de frutas”. Segundo ele, após constantes demandas dos atores, o governo começou a fazer leilões dedicados por fonte. Ao mesmo tempo, Goldemberg afirmou que os reservatórios foram mal geridos.

O presidente da Siemens, Paulo Stark, afirmou que é um absurdo que em um momento em que o país passa por uma série de ajustes na economia, ainda tem que enfrentar o fantasma da falta de eletricidade. “Se inaugurarmos um cenário de recuperação a partir de 2016, podemos ter a atividade refreada por conta disso”, observou. Segundo ele, para superar este quadro, há inúmeros caminhos e alternativas de curto, médio e longo prazo. Neste sentido, ele avalia como indispensável a diversificação de fontes, a utilização da eficiência energética como fonte de energia, além do estímulo da gestão seletiva de carga, gestão integrada em condomínios, e geração distribuída.

Segundo Rafael Lazzaretti, gerente de Inovação da CPFL Energia, o setor elétrico hoje possui uma base definida construída nos últimos 10 anos, mas que, olhando para o futuro, carece de melhorias e aperfeiçoamento, tornando-o mais robusto. Ele separou estas ações em medidas de curto prazo e longo prazo. No primeiro caso, destacou os problemas mais emergenciais como a liquidez dos agentes e o descasamento de caixa, que levou as distribuidoras a um patamar de endividamento elevado. Numa ótica mais estrutural e de longa maturação, Lazzaretti apontou a necessidade de aprimoramento da matriz e o incentivo da eficiência energética. Olhando para o futuro, o representante da CPFL ressaltou, ainda, que o surgimento das cidades inteligentes demandará cada vez mais energia. “Assim, precisamos criar os incentivos corretos que garantam os investimentos futuros”,

Em sua participação, presidente da Thymos Energia, João Carlos Mello, salientou que, ao fazer uma reflexão do momento, é preciso admitir que o país passa por um crise no setor elétrico. “Não é negativismo, pois estamos vivendo isso há dois anos. Agora, ou reduzimos a carga ou rezamos para São Pedro”, enfatizou. Segundo ele, os motivos para o setor chegar a esta situação foram falta de gestão e planejamento. Mello destacou que é preciso a revisão da composição da matriz, considerando o equilíbrio entre segurança e modicidade tarifária. Ao mesmo tempo, é preciso incentivar soluções “minimalistas” como a geração distribuída em detrimento a grandes projetos, que têm sofrido atrasos recorrente. O presidente da Thymos também salientou a necessidade de se rever o modelo setorial pós MP579, que representou um desastre para todos os atores do segmento.

Durante o evento, o diretor da Abinee, Newton Duarte, endereçou diversas perguntas para os participantes do workshop. O objetivo da Abinee com o evento foi buscar propostas que permitam o reequilíbrio estrutural e dos atores do segmento, bem como o aperfeiçoamento do arcabouço jurídico, buscando, inclusive, outras formas para a adequada expansão do setor elétrico.

 
 
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