Brasil deve fazer sacrifício necessário para corrigir economia, diz Martone

06/03/2015

No ano de 2015, o Brasil conviverá com o custo de uma gestão desastrosa da economia. A afirmação é do economista Celso Luiz Martone, que participou no dia 5 de março, da Reunião Plenária da Abinee. “Precisamos pisar no freio mesmo. A alternativa seria muito pior”.

Segundo o economista, neste segundo mandato de Dilma Rousseff, o único pilar que pode sustentar o governo é a política racional que está sendo implementada, principalmente na área fiscal. “A solidez do ajuste precisa ser sustentada pelo governo, tem que haver suporte político para poder obter resultados nos próximos anos”.

Ele destacou que o país encerrou o último ano com uma situação crítica, resultado de políticas que geraram efeitos terríveis. Dentre estes efeitos, Martone elencou a inflação perto dos 7% e reprimida pelo controle de preços, taxa de câmbio apreciada, desequilíbrio fiscal grave, déficit primário [o primeiro desde 1999], além de déficit total da ordem de 6,1% do PIB. “Este é um quadro fiscal dramático. O déficit em conta corrente de 4,2% seria até fácil de administrar se as condições fossem favoráveis, mas se torna complicado em um quadro de falta de credibilidade interna e externa”, afirmou.

Considerando um cenário sem turbulências políticas e de condução firme das medidas que estão sendo tomadas, Martone reforçou as expectativas de recessão para 2015, com consumo retraído, desemprego em alta, investimentos reprimidos, juros reais elevados e demanda fraca. O economista acrescentou que a situação do Brasil é perfeitamente administrável desde que as ações corretas sejam feitas. “Em 2016, poderemos começar a colher frutos com um pequeno crescimento”, ressaltou.

Neste contexto, Martone apresentou um cenário tentativo com o PIB caindo 1%, em 2015, e crescimento de 1% no próximo ano. A inflação deve atingir 7,5% neste ano e 5,5% em 2016. A Taxa Selic deve atingir 13,5%, em 2015, mas deve reduzir no ano que vem, uma vez que a política fiscal contribuirá para amenizar a pressão inflacionária. Em relação ao superávit primário, a meta do governo é atingir 1,5%, porém, o economista projeta um superávit de 0,5%, o que, em sua avaliação, já pode ser considerado satisfatório. “Não é uma boa trajetória, mas é um sacrifício necessário para consertar a má gestão da economia dos últimos anos”, completou.

Coordenando a Reunião Plenária, o presidente da Abinee, Humberto Barbato, alertou que as medidas que estão atingindo a indústria, como a desoneração da folha e o Reintegra, podem adiar ainda mais a retomada do crescimento. Ele afirmou que o setor industrial tem a expectativa de que a situação seja ajustada, mas espera um comprometimento efetivo do governo em promover corte dos gastos públicos. “Estamos dispostos a colaborar, mas tem que haver a mesma disposição do outro lado e, hoje, não estamos tendo sinais claros de modificação”, completou.

Veja a apresentação do professor Celso Luiz Martone.

 
 
Abinee - Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica

Escritório Central: Avenida Paulista, 1313 - 7º andar - 01311-923 - São Paulo - SP
Fone: 11 2175-0000 - Fax: 11 2175-0090