Nova política comercial dos EUA traz desafios para indústria brasileira

13/04/2017

A perspectiva de mudança nos rumos da política comercial norte-americana com a administração Donald Trump traz oportunidades e desafios para as empresas brasileiras que atuam naquele mercado. Hoje, os EUA são o principal destino das exportações do setor eletroeletrônico brasileiro, representando 19,3% do total exportado. Para tratar do tema, a Abinee recebeu na última terça-feira (11), o diretor executivo da Brazil Industries Coalition (BIC), Antonio Josino Meirelles.

Ele explicou a atuação do BIC junto ao Congresso norte-americano, em Washington D.C., acompanhando as mudanças de legislação, bem como junto aos diferentes órgãos do executivo, visando a assegurar os interesses da indústria brasileira naquele país.

Segundo Meirelles, os EUA estão em um momento de ajustes internos e de transição do novo governo. As primeiras ações dão maior protagonismo à Casa Branca nas discussões sobre política e defesa comercial. Internamente, o tema de maior destaque é a reforma tributária, que pode trazer reflexos externos, com a criação de mecanismo (border adjustment tax) estimulando a produção doméstica e as exportações locais.

As discussões efetivas sobre política comercial devem avançar no segundo semestre. Segundo o diretor executivo da BIC, o governo norte-americano vai ampliar a fiscalização e compliance dos acordos bilaterais já em andamento e renegociar termos existentes. Este é o caso do Nafta, que, a despeito da relação estremecida entre EUA e México, passará por uma ampliação incorporando novos temas que envolvem padrões trabalhistas e ambientais, propriedade intelectual, comércio digital entre outros.

Impactos no Brasil
Meirelles afirmou que a renegociação do Nafta traz oportunidades de aproximação entre Brasil e México, mas também desafios para investimentos brasileiros que possuem uma estratégia regional.

Sobre os investimentos privados nos EUA, o executivo destacou que o Brasil está bem posicionado em relação aos seus concorrentes. Os ativos brasileiros cresceram mais de 200% entre 2008 e 2014, além de ter o maior valor agregado industrial entre os países emergentes. “A narrativa de investimento brasileiro soa como música para o governo norte-americano”.

O diretor executivo da BIC destacou que o órgão continuará seu trabalho de apoio aos investimentos e exportações brasileiras aos EUA, buscando ações de facilitação do comércio, defesa comercial e convergência regulatória.

O diretor da área de Relações Internacionais da Abinee, Rubens Barbosa, um dos idealizadores do BIC quando embaixador do Brasil em Washington, destacou que o País deve se preparar para o novo cenário internacional, que passa a priorizar mais as relações bilaterais em detrimento do multilateralismo. “Agora que o Brasil começa a tentar sair do seu isolacionismo e se integrar ao novo fluxo de comércio, é preciso entender e discutir o que está acontecendo no exterior”, afirmou. Barbosa destacou também a necessidade de se buscar uma política industrial alinhada ao contexto internacional.

Para o presidente da Abinee, Humberto Barbato, as empresas precisam estar cientes dos novos rumos da estratégia comercial norte-americana em função da importância daquele mercado na pauta exportadora do setor eletroeletrônico. Segundo ele, o BIC, do qual a Abinee é uma das mantenedoras, é uma importante ferramenta para apoiar as exportações brasileiras e nas discussões para o estabelecimento de uma agenda positiva de comércio com os norte-americanos. “É fundamental a participação das empresas para a criação desta agenda”, disse.

Segundo Mario Roberto Branco, assessor de Comércio Exterior da Abinee, a proposta de reforma tributária em análise no Congresso norte-americano é altamente preocupante para o Brasil, especialmente para o setor eletroeletrônico brasileiro, que contempla muitas empresas de capital originalmente estadunidense. Ele ressaltou que, considerando as observações de Meirelles, a reforma proposta trata de forçar empresas norte-americanas a voltarem a produzir no território dos Estados Unidos e voltarem a exportar a partir dali. “Se bem sucedida, esta medida poderá provocar a saída de boa parte das plantas industriais do Brasil e de outros países latino-americanos, inclusive o México (país membro do Nafta), com fortes reflexos também sobre toda a cadeia de fornecedores desenvolvida no Brasil”.

 
 
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