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Pronunciamento Humberto Barbato - Fórum ABINEE TEC 2011

Senhoras e Senhores, mais uma vez, bom dia!!

O ABINEE TEC deste ano traz como tema os problemas e os desafios relacionados à INFRAESTRUTURA...

Ao iniciar minha exposição, é inevitável que me refira ao chamado "Custo Brasil"... Criada nos anos 90, esta expressão simboliza os problemas estruturais que vivemos, cuja compreensão nos faz apontar as deficiências da INFRAESTRUTURA como um de seus vértices...   

Se a estagnação imobilizou a economia brasileira durante as décadas de 80 e 90, não é menos verdadeiro que as fragilidades da INFRAESTRUTURA se revelaram mais agudas quando alcançamos a estabilidade macroeconômica...

Superamos o "fantasma" da inflação, mas não conseguimos uma INFRAESTRUTURA digna de país emergente...

Nas três últimas décadas, o Brasil investiu em infraestrutura cerca de 2% do PIB, ao ano, o que é muito pouco... É provável que o esforço recente eleve os gastos com infraestrutura para algo próximo de 3% do PIB, o que é considerado por especialistas o percentual mínimo para que o País possa cobrir a depreciação do seu capital fixo...

Economias emergentes mais dinâmicas chegam a investir entre 8 e 10% do PIB, anualmente...

Meusamigos,

Os motivos para a realização de investimentos na construção e expansão da infraestrutura são muito bem conhecidos por todos...

Em termos econômicos, garantem o aumento da competitividade sistêmica e a melhoria da produtividade...

Em termos sociais, representam a geração de emprego e renda, a redução das desigualdades, inclusive regionais, e a melhoria dos indicadores sociais...

Em termos tecnológicos, permitem a absorção e a incorporação de conhecimento e inovações para o desenvolvimento de projetos de longo prazo...

E, quanto à imagem do País, beneficiam a atração de investimentos diretos, nacionais e estrangeiros...

Todavia, ficamos indignados com as imagens de aeroportos congestionados, estradas esburacadas, longas filas de caminhões na entrada dos portos, trens urbanos e metrôs lotados, enchentes nas cidades metropolitanas, além dos milhares de brasileiros sem água potável ou rede de esgoto...

Senhoras e senhores,

Em um cenário de globalização, onde os investimentos se deslocam pelo mundo atrás das melhores condições e a concorrência está colada nos nossos calcanhares - que nos diga a China -, torna-se inadmissível que o Brasil ainda apresente precárias condições nas áreas de transportes, logística, infraestrutura de telecomunicações e do arcabouço regulatório...

Quero ressaltar um levantamento feito com base em informações do Fórum Econômico Mundial, que mostrou que a qualidade da nossa infraestrutura é uma das piores... Ocupa a 17ª posição entre 20 países pesquisados... Estamos atrás do México, do Chile, da Turquia e da África do Sul...

Se não agirmos logo, o crescimento da economia nos próximos anos tende a agravar a situação, uma vez que a velocidade com que cresce a demanda por serviços de infraestrutura é superior ao ritmo de expansão da oferta...

Estudos apontam que o país precisaria de R$ 160 bilhões de investimentos em infraestrutura durante 5 anos consecutivos para eliminar gargalos que atrapalham a competitividade, o crescimento econômico e o bem estar social...

Diante da falta de um planejamento amplo e coordenado, a conclusão que se chega é que a nossa infraestrutura hoje é hostil aos investimentos privados...

No entanto, esperançoso e confiante como todo brasileiro, creio que será possível superar as limitações existentes...

Acredito que os grandes eventos esportivos internacionais, que serão sediados pelo Brasil, como a Copa das Confederações, em 2013, a Copa do Mundo, em 2014, e os Jogos Olímpicos em 2016, servirão para impulsionar a infraestrutura e representarão um "divisor de águas" em nosso destino...

Logo, em lugar de ameaças, esses eventos têm que representar oportunidades...

Afinal, não existe país desenvolvido sem uma infraestrutura que o suporte...

Senhoras e senhores,

As mudanças estão acontecendo e o esforço governamental tem sido considerável...

As notícias que recebemos, caso tudo o que está previsto se concretize, são auspiciosas... As previsões de investimentos em infraestrutura para o período de 2011 a 2014, segundo estudo do BNDES, chegam a R$ 380 bilhões, com destaque para as áreas de Logística e Energia Elétrica...   

No setor elétrico, a despeito dos percalços no segmento das hidroelétricas, não podemos perder de vista a importância de se efetivar a construção das usinas de Belo Monte, Girau e Santo Antônio...

No campo das energias alternativas, além do etanol e do biodiesel, contamos com a energia eólica, as PCHs e Biomassa, que encontram espaço crescente nos planos do governo e da nação...

Nesse sentido, não poderíamos deixar de citar também a novidade que está presente nesta FIEE... É a energia fotovoltaica, que os senhores terão a oportunidade conhecer e conferir tudo o que está sendo investido no Brasil para, definitivamente, utilizarmos o sol para a geração de energia...

Com apoio da ABINEE, 18 empresas participam desta feira num pavilhão próprio, que merece a visita dos senhores...

Na matriz de transporte são inúmeros os projetos que devem transformar a realidade social e regional do País... A começar pelo Trem de Alta Velocidade, entre Campinas e Rio de Janeiro...

Podemos citar ainda a construção da Transnordestina e da Ferrovia Leste-Oeste, a expansão da Ferrovia Norte Sul e as reformas e ampliações dos Aeroportos...

Constam, também, da agenda a expansão e recuperação da malha rodoviária e a melhoria dos portos brasileiros... 

Para a área de telecomunicações, a prioridade é o Programa Nacional de Banda Larga... Isto não deve, no entanto, desviar a nossa atenção para ações direcionadas à quarta geração da telefonia móvel, à disseminação da TV digital e a utilização do sistema WiMax de acesso à Internet...

Se ao esforço para "revolucionar" a INFRAESTRUTURA do País, adicionarmos o que será feito na área de petróleo e gás, cujos investimentos do PRÉ-SAL são de tirar o fôlego, observamos um horizonte bastante promissor para a economia brasileira...

Neste contexto, a Petrobras, como empresa estatal que é, deve cumprir seu papel atuando como instrumento de política industrial do país, contribuindo para o crescimento das empresas instaladas no Brasil...

O que eu quero dizer é que a Petrobras precisa cumprir os índices de agregação de conteúdo local, considerando todos os elos da cadeia de fornecedores e não o custo total do projeto...

Meus amigos,

É inegável que os ganhos de competitividade advindos da melhoria da infraestrutura são fundamentais para a redução do chamado "Custo Brasil"...

Isto, todavia, não serve de panacéia para o arranjo da política monetária e cambial que permanecem "fora do lugar"...

Não bastassem as nossas fraquezas estruturais, juros e câmbio representam obstáculos ao crescimento do País e da nossa indústria, uma vez que inibem investimentos, penalizam fortemente as exportações e provocam a perda de competitividade do nosso parque industrial...

Com muito sacrifício, lutamos durante anos para atingir a estabilidade e o equilíbrio macroeconômico...

Hoje somos um país de destaque no concerto das nações, devido ao nosso cenário promissor que revela concretas oportunidades de investimentos...

O Brasil precisa, portanto, de um Projeto de Nação que priorize, claramente, a indústria...

Não é admissível que importantes setores da nossa indústria sejam alijados das promissoras oportunidades que se apresentam, por serem vítimas de uma perversa e desfocada política de câmbio e juros, que está comprometendo fortemente nossa competitividade, em benefício da concorrência externa, muitas vezes desleal...

Senhoras e Senhores,

Antes de finalizar, gostaria de insistir na tese de que a histórica falta de investimentos, que tem gerado ineficiências em nossos sistemas de transportes, saneamento e logística em geral, pode representar uma "avenida" de oportunidades daqui para frente...  

Por isso, espero que, unindo a capacidade de ação dos homens públicos do país ao vigor do nosso empresariado, em especial do setor elétrico e eletrônico, possamos modificar a realidade da infraestrutura no Brasil...

Assim, quem sabe daqui a alguns anos, ao invés de falarmos em "Custo Brasil" estaremos fazendo referência ao chamado "Prêmio Brasil"...

Muito obrigado!


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