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Com a presença de cerca de 600 empresários, executivos e autoridades governamentais e do legislativo, a ABINEE realizou no dia 9 de dezembro, o almoço anual do setor eletroeletrônico. O evento contou com a participação dos ministros Aloizio Mercadante, da Ciência, Tecnologia e Inovação, e Aldo Rebelo, do Esporte, além do secretário executivo do Ministério das Comunicações, Cezar Alvarez, representando o ministro Paulo Bernardo, do secretário de Inovação do MDIC, Nelson Fujimoto, representando o ministro Fernando Pimentel, do secretário de Planejamento e Desenvolvimento Regional do Estado de São Paulo, Júlio Semeghini, representando o Governador Geraldo Alckmin.
Na ocasião, o presidente da ABINEE, Humberto Barbato, destacou em seu pronunciamento o desempenho do setor eletroeletrônico em 2011, as perspectivas para 2012 e os principais pleitos da entidade visando à competitividade das indústrias instaladas no país, que sofrem com a enxurrada de importados por conta do câmbio valorizado. Segundo ele, o cenário para 2012 é de incertezas diante da grave retração da economia mundial e da bem provável progressão para uma recessão.
Em função disso, segundo ele, o Brasil tem que se adaptar à nova realidade mundial, diversificando o foco das suas atenções e investimentos. “O crescimento do país, baseado prioritariamente na produção e exportação de commodities, como vem acontecendo nos últimos anos, não será suficiente, por exemplo, para enfrentarmos os problemas que advirão da crise”, disse. Para Barbato, por essa razão, é que deve merecer prioridade a adoção de uma política que garanta efetivamente a competitividade das indústrias instaladas no país.
Durante o evento, a intenção do governo de aumentar o conteúdo nacional e reverter o quadro de importações que invade segmentos como o eletroeletrônico pautou o pronunciamento das autoridades. Segundo o ministro Mercadante, pirncipalmente neste momento de crise internacional quando acirra-se a competição, o Brasil precisa preservar aquilo que lhe é mais importante: o mercado interno. “Temos que restringir a entrada de importações predatórias”, afirmou. O ministro usou o exemplo do setor automobilístico brasileiro, que recentemente ampliou a taxa de nacionalização para 65%, abaixo, por exemplo, da China cuja exigência é de 90%. “Vamos aumentar as exigências de conteúdo local de todas as cadeias estratégicas. Isso vale para TICs, também”, disse.
Neste sentido, Mercadante viu com bons olhos a proposta da ABINEE de que parte dos fundos setoriais seja reservada para aquisição de produtos no mercado interno. Ele destacou, ainda, que o fato do Brasil ser o 3º mercado de PCs e o 5º em celulares, deve se configurar em uma oportunidade para o fortalecimento de uma indústria de componentes no país. “Temos que aproveitar este momento que o Brasil tem força para atrair investimentos”, acrescentou.
Por sua vez, o ministro do Esporte, Aldo Rebelo, afirmou que o índice de nacionalização dos produtos será um dos critérios a ser utilizado na escolha dos fornecedores e o acompanhamento e a fiscalização da implantação da infraestrutura para a Copa do Mundo de 2014 ficarão a cargo de entidades privadas. Ele afirmou que o ministério deve assinar, até o início do ano que vem, um termo de colaboração com a Abinee para acompanhar de perto a instalação da infraestrutura e encaminhar ao ministério relatórios mensais de acompanhamento.
Para o secretário de Inovação do MDIC, Nelson Fujimoto, diante da crise internacional, o cenário é de oportunidades e ameaças. Ele salientou que os eventos esportivos que o país sediará e o volume de investimentos que deles advirá pode representar uma alavanca para o desenvolvimento da indústria instalada no país. O secretário executivo do Ministério das Comunicações, Cezar Alvarez, afirmou que o governo está aberto para receber proposta visando o aumento da competitividade e maior participação de conteúdo local dos produtos. Segundo ele, é necessário que o setor tenha uma visão estratégica.
Já Júlio Semeghini, secretário de Planejamento e Desenvolvimento Regional do Estado de São Paulo, destacou as ações do governo estadual em prol do desenvolvimento tecnológico e afirmou que o setor público deve apoiar o fortalecimento da competitividade da indústria instalada no país para enfrentar a atual situação de crise externa.
Corroborando o pronunciamento do presidente da ABINEE, sobre as dificuldades enfrentadas pelo setor industrial por conta do câmbio valorizado e problemas relacionados ao Custo Brasil, o presidente da CNI, Robson Braga de Andrade, destacou que entidades empresariais e o governo devem trabalhar em conjunto para que seja possível superar os obstáculos e caminhar para o desenvolvimento econômico e social do país.
Também estiveram na mesa principal os deputados federais Andre Vargas, João Carlos Bacelar e Manuela D'Ávila; o secretário-executivo do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, Luiz Antonio Rodrigues Elias; a assessora da Presidência do BNDES, Margarida Afonso Baptista, a Conselheira da ANATEL, Emília Maria Silva Ribeiro; o Diretor da ANP, Alcides Amazonas; o Presidente da Nossa Caixa Desenvolvimento, Milton Luiz De Melo Santos; o Conselheiro da CNI e Presidente Emérito da FIESP, Carlos Eduardo Moreira Ferreira; o Presidente da ABIMAQ, Luiz Aubert Neto; Flavio Castelli Chuery, representando o Prefeito Gilberto Kassab; o residente da AGDI, Marcus Coester; além dos ex-presidentes da ABINEE, Nelson Peixoto Freire e Paulo Vellinho.
Leia o pronunciamento de Humberto Barbato.
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