Pronunciamento Humberto Barbato no Almoço Anual da Abinee 2017

08/12/2017

Senhoras e senhores, boa tarde...

Depois três anos consecutivos de queda, a indústria elétrica e eletrônica reencontrou o caminho do crescimento em 2017. O bom desempenho fica evidente nos principais indicadores do setor. Estamos encerrando este ano com crescimento de 5% no faturamento e na produção, resultado este bem acima dos verificados pela indústria de transformação e pela indústria geral.

Durante 2017, recuperamos 4,4 mil postos de trabalho, alcançando a marca de 237 mil empregos diretos, longe ainda de nossos recordes, porém desde junho passado iniciamos uma escalada ascendente.

Senhor Presidente,

A agenda de reformas de seu governo, que traz antigas demandas da classe empresarial, tem contribuído de forma decisiva para a melhora do ambiente macroeconômico, devolvendo ânimo aos empresários.

As sondagens realizadas pela Abinee atestam o maior otimismo das empresas. Em nosso ultimo levantamento 59% delas indicaram incremento nas vendas e encomendas na comparação com igual mês do ano anterior.

Para 2018, as expectativas são bastante favoráveis, com 76% prevendo crescimento. Também foi identificado nesta pesquisa que 47% deverão ampliar os investimentos em 2018.

Como se nota Senhor Presidente, estamos otimistas. Sabemos todavia que há um longo e árduo caminho a ser percorrido, para voltarmos aos níveis de negócios, produção e faturamento apresentados em tempos mais prósperos.

Meus amigos,

Não poderia neste instante deixar de citar que certamente um enorme desafio reside na resposta à condenação da Lei de Informática no Painel da OMC, que tem mobilizado o setor, especialmente as indústrias ligadas à área de Tecnologia da Informação e Comunicação.

Nesse sentido, temos trabalhado de forma estreita com o Ministro Kassab, com o Ministro Marcos Pereira e com o Itamaraty, objetivando atualizar a lei de forma a atender aos compromissos firmados junto a OMC.

Destacamos, entretanto, que o redesenho dessa política é fundamental para preservar o parque industrial e tecnológico consolidado no Brasil.

Não é por acaso que nosso país é aquele que detém o maior numero de fabricantes de bens de informática e telecomunicações no mundo, sendo superado apenas pela China.

Para a Abinee é inconcebível que, no momento em vivemos a Internet das Coisas, a indústria 4.0 e o Smart City, se coloque em risco a produção industrial de base tecnológica.

Cumpre-me lembrar que o nosso setor é aquele que mais investe em P&D, e que gera arrecadação duas vezes maior que eventuais desonerações, dando sua importante parcela de contribuição para o equilíbrio fiscal.

Esta é a agenda prioritária da Abinee. Ou seja, uma agenda de desenvolvimento de longo prazo, construída com a fundamental colaboração do Congresso Nacional. Para tal apoiamos de forma determinada a criação da Frente Parlamentar para o desenvolvimento da Indústria Eletroeletrônica, esta presidida pelo brilhante Deputado Bilac Pinto, parlamentar profundamente identificado com as causas de nosso setor industrial.

Senhoras e Senhores,

Quero nesta oportunidade destacar que para chegarmos até aqui, quando estamos prestes à edição desta MP, inúmeros foram os encontros com representantes do Ministério da Ciência e Tecnologia, do Ministério da Indústria e também da Casa Civil, e nos parece justo registrar nossos agradecimentos ao empenho do Ministro Kassab, e do então Secretario de Politica de Informática, Maximiliano Martinhão, hoje na Telebras, que desde a primeira semana do governo Michel Temer, estabeleceram como prioridade o diálogo com a indústria eletroeletrônica, que se reflete na assinatura desta MP.

Creio que embora convivendo com sérios atrasos, na análise das prestações de contas dos investimentos realizados em P&D, conseguimos demonstrar que qualquer avaliação não pode ser feita com a visão dos dias atuais, mas sim levando em conta a época em que os investimentos ocorreram.

A Medida Provisória certamente contribuirá para o aperfeiçoamento da Lei de Informática e para evitar que tenhamos novos passivos.

Destaco pois, Senhor Presidente, que sua sensibilidade em relação a este tema, em muito contribuirá para diminuirmos a tão falada insegurança jurídica que vivemos em nosso país.

Senhoras e Senhores,

O prestígio deste evento é um reflexo do nosso intenso trabalho no sentido de sensibilizar os poderes constituídos para o papel fundamental da indústria elétrica e eletrônica instalada no País. Até aqui, o setor já demonstrou sua capacidade de irradiar externalidades positivas para todo o conjunto da economia, mas nada se compara ao que está por vir.

O Brasil completou um importante ciclo na construção de uma malha industrial produtiva e robusta, que agora dá sinais de esgarçamento e perde espaço no PIB.

O passo decisivo para um novo cenário de produtividade na indústria demandará politicas publicas que facilitem a absorção de novas tecnologias e apresentem flexibilidade e dinamismo face à velocidade assombrosa das mudanças que ocorrem mundo afora.

Por estas razões, cada vez mais a agenda da nossa indústria estará intrinsicamente ligada à visão estratégica de País na era do conhecimento, e a Abinee e a indústria elétrica e eletrônica terão papel fundamental neste processo.

Antes de finalizar, quero fazer uma menção ao ex-presidente da Abinee, o saudoso empresário Nelson Freire, que nos deixou no final de novembro. Em sua posse em 1992, ele disse: “O empresário brasileiro é, antes de tudo, um forte”. Passados 25 anos, eu acrescento que é essa força o que nos faz não esmorecer.

Finalizando quero agradecer as autoridades que nos prestigiam com a sua presença, ao amigo Ministro Mendonça Filho, que conhece as demandas de nosso setor, e que neste instante faz importantíssimo trabalho na pasta da Educação. Agradeço ainda às empresas associadas que tanto colaboram com a Abinee. Também aos nossos funcionários e aos jornalistas que cobrem nosso setor, e a todos que aqui estão e que trabalham pelo engrandecimento do Brasil.

Muito obrigado e que tenhamos um 2018 ainda melhor para todos nós!

 
 
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