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Qual o sistema de banho mais econômico que existe? Essa simples pergunta é motivo de muita discussão. Há os apaixonados pelo chuveiro elétrico assim como existem os que defendem com unhas e dentes os coletores solares. Um terceiro grupo diz que não existe banho igual ao de um aquecido a gás. Durante muitos anos, a discussão ficou restrita a essas defesas apaixonadas. Cada qual defendia seu sistema, mas nunca houve um estudo científico que corroborasse qualquer uma das teses.
Essa situação chegou ao fim. Desde o início de 2009, um estudo provou qual o sistema mais econômico, quando se leva em consideração os gastos do consumidor com os insumos do banho (água, energia elétrica e/ou gás). E o mais importante: o estudo não levou em consideração os gastos com aquisição e instalação dos equipamentos. A ideia foi medir o quanto o brasileiro gasta, em reais, com seu banho diário, medindo apenas o consumo dos insumos.
Desenvolvido pelo CIRRA (Centro Internacional de Referência em Reuso de Água), entidade vinculada à Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (USP), o estudo “Avaliação do consumo de insumos (água, energia elétrica e gás) em chuveiro elétrico, aquecedor a gás, chuveiro híbrido, aquecedor solar e aquecedor de acumulação elétrico” teve início em janeiro e se estende até dezembro próximo. A divulgação do relatório parcial do estudo, que engloba os três primeiros meses do ano, permite afirmar que são dois os sistemas mais econômicos: o chuveiro elétrico e o sistema híbrido, aquele que combina aquecedor solar com aquecedor instantâneo de água no ponto de uso (chuveiro elétrico) como os campeões de economia.
Segundo os dados levantados pelo professor Ivanildo Hespanhol, coordenador do projeto e uma das mais importantes autoridades em água das Américas, um banho de oito minutos tanto com chuveiro elétrico quanto com o sistema híbrido custa R$ 0,22 contra R$ 0,35 do chuveiro solar, R$ 0,58 do a gás e R$ 0,78 do boiler elétrico. É interessante ressaltar que esse estudo atesta com perfeição o perfil do banho do brasileiro, afinal os voluntários que participam não têm qualquer orientação sobre seu banho, nenhum tipo de restrição sobre abertura maior ou menor do registro, tempo de banho, posição de chave seletora de temperatura, e nem sabem em que tipo de sistema tomam seus banhos.
A explicação pelo excelente desempenho do chuveiro elétrico é simples: além de ter um consumo menor de água (entre 3 a 4 litros por minuto), ele não desperdiça água, afinal, é só abrir o registro que a água já sai quente (ao contrário dos outros sistemas onde a água quente demora entre um a dois minutos até ficar quente). “Além disso, o chuveiro elétrico permite que o consumidor controle seus gastos com energia elétrica, ficando menos tempo no banho ou ajustando a chave seletora de temperatura”, afirma Carlos Alexandre Cella, diretor do Grupo de Chuveiros Elétricos da ABINEE (GCA), que reúne todos os fabricantes brasileiros de chuveiros elétricos.
Já, o sistema híbrido potencializa as principais características do aquecedor solar e do chuveiro elétrico, proporcionando economia de energia elétrica, pois, na maior parte dos dias, o aquecimento da água é proporcionado pela energia solar e a complementação do aquecimento, quando necessária, é dada pelo chuveiro elétrico, que só consumirá energia enquanto estiver em utilização. Além disso, economiza água, pois, no ponto de uso, a água fria é aquecida instantaneamente, evitando o desperdício da água fria da tubulação. Além disso, o chuveiro elétrico apresenta um consumo de 3 a 4 litros por minuto.
A divulgação do estudo pela mídia já produz resultados surpreendentes. Antigos 'inimigos', fabricantes de chuveiros elétricos, representados pelo GCA e de coletores solares (representados por diretores do Departamento Nacional de Aquecimento Solar da Abrava – Associação Brasileira de Refrigeração, Ar Condicionado, Ventilação e Aquecimento) estão se reunindo, sob a chancela do INMETRO, IPT e Abesco (Associação Brasileira das Empresas de Serviços de Conservação de Energia) e com apoio das principais concessionárias de energia do São Paulo (CPFL, Eletropaulo e Bandeirante Energia), objetivando uma ação conjunta - ABINEE e Abrava - para incentivar a adoção do chuveiro híbrido.
“O sistema híbrido é a soma das qualidades do chuveiro elétrico com as do coletor solar. Depois de inventar o chuveiro elétrico, o brasileiro, mais uma vez, sai na frente com o sistema híbrido, que tem tudo para se perpetuar no mercado”, completa Cella.
Matéria publicada originalmente na Revista ABINEE nº 53, de outubro de 2009.
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