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Comportamento da Indústria Eletroeletrônica em 2009 e previsões para 2010

O faturamento da indústria elétrica e eletrônica no ano de 2009 atingiu R$ 112,2 bilhões, o que representa queda de 9% na comparação com 2008.


Faturamento Total por Área
(R$ milhões a preços correntes)
2007 2008 2009 **  2009 **X
 2008
  
Automação Industrial 3.097 3.446 2.861 -17%
Componentes Elétricos e Eletrônicos 10.150 9.500 8.645 -9%
Equipamentos Industriais 15.541 18.369 16.165 -12%
GTD * 10.599 11.919 10.489 -12%
Informática 31.441 35.278 35.278 0%
Material Elétrico de Instalação 7.646 8.323 8.406 1%
Telecomunicações 17.465 21.546 17.452 -19%
Utilidades Domésticas Eletroeletrônicas 15.773 14.710 12.945 -12%
Total 111.711 123.092 112.240 -9%

* GTD - Geração, Transmissão e Distribuição de Energia Elétrica

** Projeção

Esta retração ocorreu devido aos reflexos da crise econômica internacional sobre a economia brasileira e, consequentemente, sobre o setor eletroeletrônico em todos os seus segmentos.

Somente as áreas de Informática e de Material Elétrico de Instalação ficaram no mesmo nível de 2008. As demais mostraram quedas expressivas, com percentuais que variaram de -9% (Componentes Elétricos e Eletrônicos) a -19% (Telecomunicações).

O mercado internacional não foi alternativa para compensar a queda do mercado interno devido, tanto à valorização do Real, que tirou a competitividade dos produtos, quanto à retração do mercado mundial, além das medidas de contenção de importações adotadas por importantes países compradores de produtos eletroeletrônicos do Brasil, como Argentina, Venezuela e Equador.

Nesse ambiente desfavorável, no ano de 2009, as exportações deverão atingir US$ 7,2 bilhões, com queda de 27% na comparação com as realizadas em 2008 (US$ 9,9 bilhões). Como consequência, a participação das exportações no faturamento da indústria deverá cair de 14,8%, em 2008, para 12,8%, no ano de 2009.

Exportações de Produtos do Setor
(US$ milhões)
2007 2008 2009 *  2009 *X
 2008
  
Automação Industrial 280 314 258 -18%
Componentes Elétricos e Eletrônicos 3.151 3.304 2.463 -25%
Equipamentos Industriais 1.013 1.141 849 -26%
GTD 657 865 781 -10%
Informática 338 313 277 -11%
Material Elétrico de Instalação 289 325 247 -24%
Telecomunicações 2.491 2.540 1.651 -35%
Utilidades Domésticas Eletroeletrônicas 1.081 1.088 675 -38%
Total 9.300 9.891 7.200 -27%

* Projeção

O montante de importações de produtos elétricos e eletrônicos ratificou a queda do mercado interno no ano de 2009, devendo apresentar retração de 25% na comparação com 2008, passando de US$ 32 bilhões para US$ 24 bilhões.

A queda das importações ocorreu nos diversos segmentos do setor, e das diversas origens, especialmente do Sudeste da Ásia, de onde vem grande parte dos componentes elétricos e eletrônicos consumidos no país.


Importações de Produtos do Setor
(US$ milhões)
2007 2008 2009 *  2009 *X
 2008
  
Automação Industrial 1.757 2.276 1.998 -12%
Componentes Elétricos e Eletrônicos 13.648 17.824 12.494 -30%
Equipamentos Industriais 1.892 2.806 2.621 -7%
GTD 388 498 452 -9%
Informática 1.883 2.242 1.602 -29%
Material Elétrico de Instalação 756 1.044 820 -21%
Telecomunicações 2.021 3.203 2.290 -29%
Utilidades Domésticas Eletroeletrônicas 1.708 2.140 1.724 -19%
Total 24.053 32.033 24.000 -25%

* Projeção

No início do ano, na fase mais aguda da retração do setor eletroeletrônico, as empresas mais afetadas foram as das áreas de bens de consumo, como celulares, notebooks, utilidades domésticas e material elétrico de instalação. A situação desses segmentos foi agravada em função da sazonalidade do mercado, caracterizado por baixo volume de negócios.

Por outro lado, as empresas fabricantes de bens de capital (Automação Industrial e Equipamentos Industriais) e infraestrutura (de Telecomunicações e de Energia Elétrica) ainda mantinham em carteira encomendas obtidas no período pré-crise, apesar das reprogramações e cancelamentos de pedidos ocorridos, e contaram, ainda, com os investimentos dos setores de petróleo e gás que garantiram níveis razoáveis de faturamento nos primeiros meses do ano.

A agilidade do governo na adoção de medidas anti-crise, como as indicadas a seguir, foi fator importante para a recuperação da atividade do setor:

  • Ações para estimular a volta ao crédito, com a agressiva atuação dos Bancos Federais;
  • Adequação e criação de programas pelo BNDES, inclusive financiamento para capital de giro e redução de taxas de juros de suas linhas;
  • Redução de impostos sobre veículos, produtos da linha branca e materiais para construção civil;
  • Ampliação de estímulos pelo PAC à Construção Civil, com o objetivo de construir 1 milhão de residências pelo Programa Minha Casa Minha Vida;
  • Investimentos em Petróleo e Gás.

A partir do 2º trimestre de 2009, a indústria eletroeletrônica começou a se recuperar, embora os negócios, de forma geral, permanecessem abaixo dos registrados em 2008. Os setores ligados ao consumo lideraram esta recuperação enquanto que os segmentos de bens de capital passaram a registrar retração, com a falta de novas encomendas.

Na área de Componentes Elétricos e Eletrônicos, a queda de 9% no faturamento, em 2009, foi resultado da retração de 7% do faturamento dos componentes elétricos e de 22% no de componentes eletrônicos.

No caso de componentes elétricos, o fator negativo foi a retração das exportações, notadamente de motocompressores herméticos para refrigeração, devido à sua relevância para o faturamento desses produtos.

Por outro lado, os estímulos dados pelo governo para o mercado da linha branca, usuário destes motocompressores, refletiram positivamente para as suas vendas, porém não foram suficientes para evitar a queda do faturamento desta área.

As áreas de Automação Industrial e Equipamentos Industriais sofreram as consequências da queda dos investimentos produtivos, principalmente de importantes setores como Siderurgia, Açúcar e Álcool, Papel e Celulose, entre outros. Durante todo o 1º trimestre deste ano, o faturamento dessas áreas foi sustentado pela carteira de pedidos formada antes da crise econômica. No entanto, a partir do 2º trimestre, as empresas se ressentiram da falta de novas encomendas.

No caso de GTD - Geração, Transmissão e Distribuição de Energia Elétrica -, a queda do faturamento decorreu da redução dos investimentos das concessionárias, na Co-geração e na Distribuição de Energia Elétrica, devido à retração do consumo.

Os leilões de Geração das usinas de grande porte, como Jirau e Santo Antônio, ainda não repercutiram em faturamento para as empresas, pois os equipamentos ainda estão em fabricação.

Para Transmissão, o fluxo de faturamento tem sido regular, em função da rotina com que os leilões de novas linhas têm ocorrido.

O segmento de Distribuição sofreu em função da queda do consumo de energia elétrica pelo segmento industrial, que demanda mais investimento na rede de distribuição do que nos segmentos residencial e comercial. Portanto, com a retomada dos investimentos produtivos, deverão voltar, também, os investimentos em distribuição de energia elétrica.

A área de Informática indica que o mercado de PCs deverá se aproximar dos 12 milhões de unidades neste ano, mesmo volume comercializado do ano passado.

Enquanto as vendas de desktops deverão cair 11% em 2009 na comparação com 2008 (de 7,70 milhões para 6,85 milhões de unidades), as vendas de notebooks, incluindo os netbooks, deverão crescer 20% (de 4,30 milhões para 5,15 milhões).

Dados de PCs (em mil unidades)

Ano PCs - Total Desktops Notebooks ** Part % no Total de PCs
Vendas Var % Vendas Var% Vendas Var % Oficial Não Oficial
2005 5.635 38% 5.322 37% 313 61% 38% 62%
2006 8.225 46% 7.550 42% 675 116% 53% 47%
2007 9.983 21% 8.071 7% 1.912 183% 65% 35%
2008 12.000 20% 7.700 -5% 4.300 125% 66% 34%
2009* 12.000 0% 6.850 -11% 5.150 20% 70% 30%

* Projeção

* Inclui Netbooks

Observou-se, assim, a rápida recuperação da área de Informática durante o ano, cujos volumes trimestrais de vendas, em 2009, ficaram muito próximos dos observados em 2008.

Quanto à área de Telecomunicações, especificamente no segmento de infraestrutura, o faturamento foi sustentado, nos primeiros meses do ano, pelos pedidos em carteira contratados antes da crise internacional. A partir de então, as carteiras não foram repostas, refletindo em queda de 22% no faturamento desta indústria.

Por sua vez, o segmento de telefones celulares, que teve suas vendas fortemente afetadas no início do ano, passou a reagir a partir do mês de abril, devendo terminar o ano com queda de 15% frente a 2008.

A produção estimada de celulares para 2009 é de 62 milhões de aparelhos, sendo que 17 milhões deverão ser destinados às exportações e 45 milhões para o mercado interno. Destes 45 milhões, 24,4 milhões serão destinados a novas linhas.

Destaca-se a retração de 32% das exportações, em unidades, de telefones celulares, em 2009, na comparação com 2008. Esta queda foi decorrente de políticas administrativas da Argentina, Venezuela e Equador, para redução das importações.

Dados de Telefones Celulares (em mil unidades)

Ano Produção Var % Mercado Int. Var % Export. Var % Base Instalada Var% Novas Linhas de Celulares
2004 42 56% 32 113% 10 -17% 65,6 41% 19,2
2005 65 55% 32 0% 33 230% 86,2 31% 20,6
2006 66 2% 34 6% 32 -3% 100,0 16% 13,8
2007 68 3% 45 32% 23 -28% 121,0 21% 21,0
2008 73 7% 48 7% 25 9% 150,6 24% 29,6
2009* 62 -15% 45 -6% 17 -32% 175,0 16% 24,4

* Projeção

O setor de Material Elétrico de Instalação também foi fortemente afetado no inicio da crise internacional e, com as medidas do governo para estimular o setor imobiliário, registrou recuperação no transcorrer do ano. Tanto a redução do IPI para materiais de construção, como os investimentos do Programa Minha Casa Minha Vida favoreceram esta recuperação.

Estas variações no mercado dos produtos eletroeletrônicos refletiram diretamente no nível de emprego do setor, que iniciou o ano com 161 mil funcionários, passou para 155 mil no mês de maio, e deverá fechar o ano com 160 mil empregados diretos.

Os investimentos das indústrias do setor eletroeletrônico, também, deverão cair neste ano, passando de R$ 4,9 bilhões, em 2008, para R$ 3,8 bilhões, e voltando ao patamar médio de 3% do faturamento.

Perspectivas para 2010

Para 2010, a expectativa das empresas pesquisadas é de que o faturamento do setor atinja R$ 124,9 bilhões, registrando crescimento de 11% na comparação com 2009, índice coerente com a previsão do crescimento do PIB, da ordem de 5%.

Todas as áreas do setor prevêem crescimento em percentuais que variarão de 1%, para Componentes Elétricos e Eletrônicos, a 21%, para Telecomunicações.


Projeções para Faturamento Total por àrea
(R$ milhões a preços correntes)
2009 2010  2010X
 2009
  
Automação Industrial 2.861 3.175 11%
Componentes Elétricos e Eletrônicos 8.645 8.732 1%
Equipamentos Industriais 16.165 17.620 9%
GTD 10.489 11.747 12%
Informática 35.278 39.511 12%
Material Elétrico de Instalação 8.406 9.414 12%
Telecomunicações 17.452 21.118 21%
Utilidades Domésticas Eletroeletrônicas 12.945 13.592 5%
Total 112.240 124.910 11%

O desempenho dos Componentes Eletroeletrônicos terá influência das dificuldades, que deverão permanecer, com as exportações no próximo ano em função da taxa de câmbio desfavorável à competitividade da indústria.

Para Telecomunicações, espera-se a continuidade do crescimento das vendas de telefones celulares e da reativação dos projetos de investimentos na infraestrutura de telecomunicações.

Tanto as indústrias fabricantes de bens de consumo eletroeletrônico, como de bens de capital, estarão na dependência do crescimento econômico do País, o que as remete a prever crescimento em torno dos 10%.

O crescimento de 12% previsto para a área de GTD - Geração, Transmissão e Distribuição de Energia Elétrica -, deverá ocorrer devido aos investimentos em Distribuição, especialmente pelo Programa Luz para Todos, além dos faturamentos previstos para o 2º semestre de 2010, decorrentes das contratações de equipamentos para as usinas de Geração de energia, que estão se realizando neste 2º semestre de 2009.

As exportações de produtos do setor deverão continuar limitadas pela taxa cambial e pelas políticas de controle de importações de países da América Latina, motivo pelo qual deverão permanecer no mesmo patamar deste ano (US$ 7,2 bilhões).

Por sua vez, os produtos eletroeletrônicos importados continuarão ganhando competitividade no mercado interno, também, em função da taxa cambial, devendo acompanhar o crescimento do mercado interno.


Projeções dos Principais Indicadores do Setor 2009 2010 2010 X
2009
Faturamento (R$ milhões) 112.240 124.910 11%
Faturamento (US$ milhões) 56.459 73.477 30%
Exportações (US$ milhões) 7.200 7.200 0%
Importações (US$ milhões) 24.000 26.800 12%
Saldo (US$ milhões) -16.800 -19.600 17%
Nº de Empregados (mil) 160 163 2%

Os investimentos das indústrias do setor deverão ser retomados, podendo atingir US$ 5,3 bilhões, cerca de 4% do faturamento previsto pelo setor em 2010.

Como resultado destes indicadores, ocorrerá a retomada de contratação de pessoal, que deverá elevar o número de empregados do setor para 163 mil funcionários.


INFORMAÇÕES ADICIONAIS
Luiz Cezar Elias Rochel
Gerente de Economia
11 2175-0030

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