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Em reunião plenária realizada nesta quinta-feira (3), a ABINEE recebeu o cientista político Amaury de Souza e o economista Celso Martone, ambos consultores da MCM Consultoria. Diante de uma plateia composta por presidentes, diretores e executivos de empresas associadas, os convidados apresentaram os temas “avaliação do atual governo e o cenário político brasileiro” e “a crise mundial e seus reflexos no Brasil”, respectivamente.
Para Martone, o atual quadro internacional, com a crise grega, está gerando preocupação geral, pois pode afetar toda a Europa e muitos outros países. “A Grécia é um país que nada produz, tem um nível de poupança muito baixo e um consumo elevado”, afirmou. Segundo ele, Portugal e Irlanda também estão na berlinda e as medidas que estão sendo tomadas agora têm o objetivo de evitar que o contágio se espalhe. “Neste momento, é prioritário cuidar do problema da Grécia para que não contamine as demais nações, inclusive Itália e Espanha”, disse.
Sobre os reflexos na economia brasileira, Martone diz que só seremos afetados se vier uma recessão mundial. “Daí, não teremos mais como exportar as nossas commodities, responsáveis pelo nosso superávit”. Ele lembrou que o Brasil possui reservas da ordem de R$ 350 bilhões que podem ajudar o país a enfrentar a crise. Segundo ele, “a situação para a indústria será mais difícil ainda por falta de competitividade, já demonstrada hoje”.
Sobre o cenário 2011-2013, o economista Celso Martone lembrou o baixo nível de confiança dos empresários brasileiros, revelado nas últimas pesquisas da CNI, o que deve determinar uma redução nos investimentos. “Com isso, a taxa de desemprego pode subir”, afirmou.
Analisando a atividade econômica brasileira, Martone disse que o PIB deverá fechar 2011 com crescimento de 3,1%, melhorando um pouco (3,5%) em 2012 e devendo ficar em torno de 2,6% em 2013. “A inflação, por sua vez, prosseguirá em nível elevado, encerrando 2011 em 6,6%, 2012, em 6,4% e 2013, em 5,5%, o que poderá exigir medidas ortodoxas por parte do governo”, previu.
Em sua apresentação o cientista político Amaury de Souza as tendências para o futuro da política brasileira, com destaque para as eleições de 2012 e 2014. Para ele, a presidente Dilma é peça fundamental neste processo, apesar das dificuldades que vem enfrentando desde o início do seu governo. “Nestes dez meses ela teve que trocar vários dos seus ministros, a maioria deles por corrupção, o que é um grande desgaste e denota discussões políticas na base de sustentação de seu governo”, disse.
Segundo ele, Dilma enfrenta pressões do próprio PT, que não quer debater o projeto de lei sobre as aposentadorias dos funcionários públicos, que geram um enorme déficit nas contas do governo. “A própria presença do ex-presidente Lula, que seria preocupante, em função de possíveis ingerências em seu governo, Dilma tem sido inteligente na forma de tratar”, afirmou.
Para ele, apesar de todos esses problemas, Dilma tem se saído muito bem diante da opinião pública, o que mostrou a última pesquisa, dando-lhe 51% de aprovação.
Sobre as próximas eleições, Amaury de Souza diz que dependerão muito da capacidade do governo de manter o crescimento econômico do país, de forma a manter a renda e a possibilidade de consumo das pessoas, especialmente da nova classe média que terá muita força nos dois pleitos. “A questão econômica será muito importante e a presidente Dilma tem que conseguir manter o crescimento do país”, concluiu.
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