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Para setor eletroeletrônico, 2012 será um ano de incertezas

Com um olho voltado para os acontecimentos externos e outro nas condições internas do país, as empresas do setor eletroeletrônico preveem um cenário de incertezas para o próximo ano. Seus representantes defendem a necessidade de ações do governo para solucionar as barreiras à competitividade e impedir a continuidade do processo de desindustrialização. Segundo dados da ABINEE, o setor deverá crescer 13%, atingindo um faturamento de R$ 152 bilhões. A balança comercial deverá apresentar déficit de US$ 37 bilhões, 17% acima de 2011.

Leia a seguir as expectativas e desafios de cada área da ABINEE, segundo seus diretores:

Economia
Avaliação do diretor Antonio Corrêa de Lacerda:
O setor eletroeletrônico, assim como outros setores estratégicos, está muito ligado aos rumos da economia brasileira. Tradicionalmente, para cada ponto percentual de crescimento do PIB, o mercado eletroeletrônico cresce dois. Com o ritmo e profundidade da desaceleração da nossa economia, assim como as mudanças no quadro internacional, o crescimento do PIB deve restringir-se a apenas cerca de 3% em 2011.

Na indústria como um todo, o desaquecimento é ainda maior, e dificilmente vai fechar o ano com indicador positivo. Os investimentos, que vinham crescendo acima da média da economia também estão tendo o seu ritmo diminuído. Aqui, mais do que um problema de curto prazo, estamos adiando as condições para um crescimento futuro livre dos gargalos, especialmente na infraestrutura. Em contrapartida a este quadro de desaceleração, as importações têm crescido favorecidas pela taxa de câmbio ainda valorizada frente a outras moedas. Parte expressiva da produção doméstica está sendo substituída pelas compras no exterior. Isso se dá especialmente nos setores de maior valor agregado.

Combater estes efeitos e garantir que o crescimento do país se mantenha, ou acelere um pouco, em 2012, vai exigir uma mudança do mix da política macroeconômica brasileira. A escolha pela passividade fará com que paguemos uma parcela superior à desejada. Outra decorrência direta do ambiente de crise em vários países é o acirramento da competitividade. Os governos nacionais têm tomado medidas para preservar os mercados domésticos e ganhar competitividade nas exportações. Para isso tem aumentado o protecionismo e se utilizando de desvalorizações do câmbio.

O Brasil precisa ampliar as condições de competitividade da economia visando criar mais espaço para a produção e exportação de produtos de elevado valor agregado. Neste ponto, não se trata de uma questão meramente conjuntural, mas estrutural, que, no entanto, ganha contornos mais expressivos em um mundo em que há uma disputa ferrenha por mercados.

Automação Industrial
Avaliação do diretor Nelson Ninin:
A expectativa para 2012 é de maior volume de negócios, uma vez que esta área está diretamente relacionada com os investimentos em novos projetos, melhorias de processos e de eficiência de operação das indústrias. Como os setores industriais preveem investimentos, principalmente em Energia, Papel e Celulose, Metalurgia e Siderurgia, Cimento, Etanol, Química e Petroquímica e Óleo e Gás, a área de Automação estará presente em todos eles. Além disso, a área de manufatura também fará investimentos.

Teremos desafios, como a tendência de mais importações, devido ao fortalecimento da moeda local e de fontes de financiamentos externos, que exigem participação de fornecimentos de materiais do país de origem dos investimentos. Mão de obra especializada também é um desafio a ser superado, pois o setor requer especializações de profissionais, porém a demanda dos mesmos é limitada. Serão necessários investimentos na preparação de mais profissionais para atender o crescimento do setor.

Componentes
Avaliação do diretor Rogério Nunes:
Com o crescimento da comercialização de produtos pessoais como tablets e smartphones, além dos produtos eletrônicos domésticos, principalmente TVs digitais e paineis LCD aplicados em produtos da linha branca, o ano de 2012 traz enormes oportunidades para a indústria de componentes no Brasil. Temos que considerar, também, o mercado de computadores, que continua forte, e o mercado automotivo, que cada vez mais incorpora produtos eletrônicos.

O mercado interno brasileiro, portanto, será um bom atrativo às empresas em diversos segmentos, como o de alta tecnologia, com a demanda de sofisticados componentes semicondutores, memórias, controladores, storage, smartcards, aplicações em RFID, entre outros produtos.

No entanto, tal cenário, aparentemente favorável, é extremamente difícil de ser desenvolvido com sucesso no Brasil num curto espaço de tempo, devido a fatores que incluem altos investimentos, defasagem tecnológica, baixa competitividade, altos custos de produção (câmbio desfavorável, logística, mão de obra escassa e onerada pelos tributos), e cadeia tributária complexa, o que nos deixa pouco otimistas quanto ao crescimento em 2012.

Equipamentos Industriais
Avaliação do diretor Umberto Gobbato:
O ano de 2012 tem tudo para ser o ano da consolidação dos números pré-crise, voltando aos patamares de 2008. Entretanto, poderá ser um ano de surpresas e exigirá muita atenção para aproveitarmos as oportunidades dos prometidos mega-projetos do setor de óleo e gás (leia-se Pré-Sal) e da esperada retomada dos investimentos na área de etanol e açúcar, bem como das medidas do governo para manter a economia interna longe do contágio externo.

Por outro lado, no cenário internacional, ficaremos a mercê das consequências de um possível agravamento da crise europeia, que, por um lado, nos ajudará a manter o câmbio na casa dos 1,75/1,80, ou mais, mas, por outro lado, retrairá o mercado, nos obrigando a trocar, literalmente, seis por meia dúzia. Mas, apesar de todas essas possíveis incertezas, 2012 está sendo encarado com otimismo pelo setor Equipamentos Industriais.

Segurança Eletrônica
Avaliação do diretor Marcos Menezes:
O mercado de segurança eletrônica experimentará, em 2012, e ainda nos próximos quatro anos, um cenário único, principalmente, movido pelos investimentos necessários para sediar 14 eventos mundiais até 2016, em todo o país.

Em função disso, fabricantes e integradores internacionais, que ainda não estão presentes no Brasil, concretizarão suas aquisições, fusões, parcerias e representações com empresas brasileiras no novo ano. A oferta de equipamentos, soluções e serviços será a maior de todos os tempos. O grande desafio para projetistas e usuários será selecionar qual a melhor opção e qual tipo de legado que esses investimentos deixarão.

GTD
Avaliação do diretor Newton Duarte:
O desenvolvimento do setor elétrico do país passa pela manutenção da participação das energias renováveis, a exemplo da hidroeletricidade, da biomassa, dos sistemas eólicos e das fontes fotovoltaicas, trazendo o conceito de geração distribuída, tão importante para a operação e blindagem do setor frente à sua dependência de grandes blocos de energia provenientes de Itaipu, e futuramente das usinas Santo Antônio, Jirau, Belo Monte, Teles Pires e outras distantes dos centros consumidores. Este incremento da geração distribuída permeará o sistema elétrico brasileiro e trará um novo papel ao consumidor.

A complementação via térmicas a gás, evitando-se outras fontes mais poluidoras, será fundamental para darmos respostas a um quadro de geração cada vez mais dependente das chuvas regulares, sem a necessária acumulação já que não temos construído usinas com grandes reservatórios. Com um forte parque industrial instalado, o fomento de tecnologias existentes no país nos remete ao necessário fortalecimento da indústria de cogeração de biomassa, principalmente na região Centro-Sul.

Finalmente, a definição dos contratos de concessão, por expirar a partir de meados desta década, exigirá ações imediatas dos órgãos reguladores visando a manutenção dos investimentos, essenciais para o desenvolvimento da nossa indústria de GTD e do sistema elétrico brasileiro.

Informática
Avaliação do diretor Hugo Valério:
2012 será um ano difícil, com crescimento pequeno. Alguns fatores podem se tornar grandes inibidores do crescimento. Neste contexto, os principais desafios para a área de informática no novo ano são os efeitos da crise europeia e americana no nosso mercado, que podem trazer retração de consumo e aumento da concorrência dos importados que buscarão o mercado brasileiro de forma muito agressiva.

Outro desafio será em relação à oferta de componentes - como o caso do HDD -, em razão das enchentes ocorridas na Ásia, as quais invadiram muitas fábricas e afetaram a logística dos países fornecedores.

Por fim, preocupa, também, a exigência do governo em aumentar conteúdo local dos produtos, sem se preocupar com a competitividade de custos, afetando os preços dos produtos finais e podendo inviabilizar sua produção no Brasil, em razão do custo de adensamento poder exceder as desonerações fiscais concedidas. Manufatura em Eletrônica Avaliação do diretor Jorge Funaro: A perspectiva da economia brasileira para 2012 é de um crescimento mais moderado quando comparado a 2011. Embora tenhamos um aumento substancial no salario mínimo e um panorama de redução na taxa de juros, ainda não sabemos qual o tamanho do impacto que a crise europeia causará na economia brasileira. Um dos maiores desafios que temos no setor eletroeletrônico é o da desindustrialização.

Temos uma enorme preocupação com o grande aumento de produtos importados, pois o beneficio que a Lei de Informática oferece para as empresas fabricarem no Brasil, dependendo do produto, é insuficiente. Além das taxas de câmbio e da altíssima carga tributária, o Brasil ainda possui uma infraestrutura precária. O governo precisa decidir se quer que o país tenha uma indústria desenvolvida e adotar as medidas necessárias para fortalecê-la.

Material Elétrico
Avaliação do diretor Antonio Eduardo de Souza:
O ano de 2012 iniciará sob a sombra de mais uma nova crise mundial e, que apesar de o Brasil oferecer condições favoráveis, será muito difícil de o país sair ileso desta situação. O grande desafio será reaquecer o mercado interno que já sofreu forte desaceleração no último trimestre de 2011, e buscar ser competitivo no âmbito internacional, mesmo sem o país apresentar uma política cambial bem definida, com o real valorizado e a indústria nacional sendo fortemente atacada pelo aumento das importações.

No entanto, existem alguns sinais favoráveis, como a queda na taxa de juros, que objetiva aumentar o crédito, o índice de inflação que está caminhando para ficar na meta projetada para 2012, além dos incentivos governamentais de motivação à construção civil, fatores que reúnem condições favoráveis para o consumo no próximo ano.

Tecnologia
Avaliação do diretor Nelson Luís Freire:
Ainda que parcialmente blindado, o Brasil sentirá os efeitos da crise econômica europeia. Mesmo que o mercado externo represente apenas de cerca de 16% do PIB, e que há certas condições para manutenção de um mercado interno relativamente dinâmico, os agentes econômicos são influenciados pela “moral” econômica mundial que deverá prevalecer em 2012, e isso deverá impactar diretamente um dos pilares da atividade dos associados da Abinee: o investimento.

Mais afetados, ainda, serão os investimentos em tecnologia, normalmente de maturação mais longa. Projetos de construção e modernização de fábricas em andamento deverão ser mantidos, ainda que pautados pelo escrutínio do menor investimento possível. Já os investimentos em tecnologia poderão, em muitos casos, ser paralisados ou diminuídos drasticamente, sendo mantidos apenas aqueles atrelados a benefícios fiscais importantes, como a Lei de Informática, os muito estratégicos, ou aqueles cuja interrupção é menos benéfica que sua manutenção, ainda que numa dinâmica mais lenta.

Telecomunicações
Avaliação do diretor Paulo Castelo Branco:
O desempenho do setor no próximo ano terá a influência de vetores que podem ser catalogados como oportunidades e outros claramente como obstáculos. Do lado das oportunidades, podemos citar o mercado ainda demandante de serviços e que parece estar longe da saturação. O fato mais relevante é a proximidade de eventos esportivos internacionais que demandarão serviços de TIC em geral. Não fossem essas novas fontes de demanda, apenas o crescimento orgânico das redes já apresenta um mercado interessante: dados da Telebrasil de novembro de 2011 mostram que o setor atingiu 300 milhões de acessos.

Acrescente-se a isso que a rede de telecomunicações encontra-se no limite de sua capacidade e que qualquer pequeno acréscimo de demanda de cada uma das fontes de tráfego gera grande necessidade de ampliação dos meios. Juntando essas circunstâncias temos uma resultante de mercado muito interessante. Também são positivas a sinalização da Anatel de acelerar o processo de estabelecimento das regras para os novos serviços, bem como a estabilização do desenho societário do segmento das operadoras de serviços de Telecom, favorecendo novos investimentos em redes e serviços.

Do lado das dificuldades vemos que 2011 termina com a crise econômica europeia ainda longe de um equacionamento, e com os Estados Unidos patinando para sair da crise de 2008. Qual seria o impacto desta situação sobre as operadoras de telecomunicações sediadas na Europa e que operam no país, bem como sobre seus fornecedores europeus? Haverá disposição de investir, por exemplo, nas redes de 4a geração com leilão previsto para o 1o semestre de 2012? Se houver interesse de investir em redes, haverá disposição de se estabelecer linhas de produção no país para suportar os fornecimentos? Atendidas estas questões, 2012 tem muitas chances de ser um bom ano para a indústria.

Utilidades Domésticas
Avaliação do diretor José Paulo Coli:
2011 foi um ano de muita turbulência. As concentrações do varejo continuaram levando a perdas de margens, os volumes se mantiveram com leve crescimento. Crédito, carga tributária, variação cambial, juros elevados, e incertezas na economia internacional mantiveram o setor em alerta. As regulamentações derivadas de organismos como o INMETRO ajudaram a qualificar os produtos, neutralizando de certa forma a entrada de produtos “duvidosos”.

Para 2012 estão mantidas as incertezas decorrentes da economia mundial. O controle aparente do mercado interno é frágil. O governo dá sinais de interferir nas regras do jogo, seguindo a linha automobilística. Sendo o Brasil a “bola da vez”, poderemos ter vários investimentos estrangeiros aumentando a competitividade interna. Devemos esperar um crescimento moderado e a continuidade na concentração do varejo. De outro lado, fabricantes devem buscar novos canais como o e-commerce e lojas próprias para sair do olho do furacão, buscando recuperar margens. O setor deve manter o “alerta laranja”.

Responsabilidade Socioambiental
Avaliação do diretor André Saraiva:
As expectativas para 2012 começam pela reunião preparatória conduzida pelo Ministério do Meio Ambiente com vistas à Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável, a Rio + 20, onde as nações discutirão o modelo de desenvolvimento que querem para o futuro. Neste sentido, buscamos o crescimento, mostrando ao mundo nossa capacidade de mitigação dos impactos ambientais relacionados à obtenção de energia, sem esquecer a busca pela sustentabilidade. Aliás, esta é a palavra chave para os próximos anos, pois envolve interesses de imagem, políticos, econômicos, competitivos, ambientais e sociais.

No segundo semestre, sob a Coordenação do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio e Relatoria da ABINEE, será apresentada a minuta do Edital de Chamamento da Modelagem de Logística Reversa dos Resíduos de Equipamentos Elétricos e Eletrônicos (REEE's) para cumprimento da Lei 12.305/2010, que instituiu a Política Nacional de Resíduos Sólidos. Temas complexos terão que ser analisados setorialmente e superados, tais como: investimentos necessários para promover a reciclagem dos REEE's no país; onde, como e em que tempo; recuperação energética; desoneração e incentivos; benefícios fiscais, financeiros, tributários, creditícios, administrativos e educacionais.

Teremos que focar também a criação de um Termo de Referencia Nacional para elaboração do Plano de Gerenciamento de Resíduos para atendimento do licenciamento ambiental dos empreendimentos, bem como alinhar nossas ações junto ao comércio no que tange a responsabilidade compartilhada de todos os atores da cadeia. Ademais, fica a pergunta: como os importadores que competem em nosso mercado vão demonstrar o cumprimento das obrigatoriedades da Lei, e a quem caberá a responsabilidade da fiscalização e controle?


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