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Empresários cobram redução da dívida no próximo governo É consenso no Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social (Conselhão) que o governo federal deve estimular o patamar de investimentos para 25% do PIB e reduzir a dívida líquida do setor público para 28,7% até 2014.
Essa premissa está prevista na Agenda para o Novo Ciclo de Desenvolvimento discutida ontem entre os conselheiros e representantes de empresários na sede da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (FIESP).
"Os consensos sistematizados na Agenda podem servir como uma semente de orientação para o próximo governo", declarou o Ministro das Relações Institucionais, Alexandre Padilha.
O Conselhão está discutindo os itens acordados numa série de encontros regionais para detalhar os nove desafios eleitos para dar continuidade ao ciclo de crescimento do País.
"Há coisas óbvias, mas é consenso que temos que criar condições para a elevação da taxa de investimento em direção à meta de 25% do PIB", afirmou o presidente da Associação Brasileira da Infraestrutura e Indústrias de Base (Abdib), Paulo Godoy.
Para a elaboração do documento, o Conselhão considerou estimativas do Ministério da Fazenda, que prevê que a dívida líquida do setor público deve se reduzir gradualmente de 40,7% em 2010 para 38,1% em 2011, 35,1% em 2012, 31,9% em 2013 e 28,7% em 2014.
Segundo informações do documento, durante o processo de construção da Agenda, o Conselhão consultou o presidente do BNDES, Luciano Coutinho, para debater o papel do Estado na economia, e o Secretário de Política Econômica, Nélson Barbosa, para discutir a questão fiscal.
Ficou acordado que ampliar e manter o superávit fiscal primário em 3,3% do PIB ajudaria a criar condições para a redução progressiva da taxa Selic.
Entre os itens macroeconômicos para o desenvolvimento e a consolidação do modelo fiscal, o Conselhão estabeleceu que o governo deve estruturar linhas de financiamento de longo prazo e ampliar as linhas existentes.
No tocante ao comércio exterior, o Conselhão preocupado com estimativas do Ministério da Fazenda de déficit em transações correntes da ordem de 2,2% do PIB em 2010 e de 2,5% do PIB em 2011, propõe mudanças significativas. "É preciso equilíbrio cambial", determinou Godoy.
O presidente da Adbid se referia ao item do documento que prevê que o governo deve: "atuar para alcançar resultados positivos na balança de transações correntes, com medidas de realinhamento do câmbio e de outros meios que busquem o equilíbrio entre as importações e as exportações de bens, serviços e rendas", transcreve a Agenda.
"Não queremos protecionismo burro, mas precisamos exercer os mecanismos existentes na OMC [Organização Mundial do Comércio], ressaltou Godoy.
Já o ministro Padilha preferiu destacar o aumento das exportações como forma de solucionar o déficit de transações correntes. "O caminho é diversificar os mercados. Exportar mais para os países emergentes na América Latina, na África e na Ásia", respondeu Padilha.
A Agenda sugere ao governo federal que use os bancos oficiais para ampliar a concorrência com o mercado, permitindo acelerar a redução dos juros cobrados ao consumidor e os spreads bancários. Ainda sobre os bancos, a cartilha incentiva a inclusão bancária e busca de instrumentos para ampliar os canais de poupança, crédito e serviços financeiros.
Quanto ao BNDES, o Conselhão pede ampliação do financiamento da produção para exportação e a criação de novos agentes de fomento.
Segundo o ministro das Relações Institucionais, Alexandre Padilha, a Agenda já foi apresentada ao presidente da República, Luiz Ignácio Lula da Silva, que determinou os encontros regionais para discussão das propostas.
O presidente da Fiesp e da CSN, Benjamin Steinbruch, ressaltou a experiência do Conselhão. "Minha participação no Conselho foi importante para mim como um ato de brasilidade", declarou Steinbruch. Ele acenou à sugestão do vice-presidente da CUT, José Lopez Feijóo, de criar um conselho estadual em São Paulo.
Empresários e outros representantes da sociedade já começam a cobrar do próximo governo que reduza seus gastos e, conseqüentemente, a dívida pública federal. O Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social (Conselhão), que se reuniu ontem na Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) quer compromisso do governo federal de dar estímulos para elevar o patamar de investimentos para 25% do PIB e reduzir a dívida líquida do setor público para 28,7% até 2014.
"Os consensos sistematizados na Agenda podem servir como uma semente de orientação para o próximo governo", declarou o ministro das Relações Institucionais, Alexandre Padilha.
A projeção do Ministério da Fazenda é que a relação entre dívida e PIB este ano fique em 40,7%, e diminua gradualmente nos próximos anos. A meta é reduzir esta relação para 38,1% em 2011, 35,1% em 2012, 31,9% em 2013 e 28,7% em 2014.
Apesar de concordar com a meta, o governo por enquanto não conseguiu diminuir significativamente a dívida pública federal. Ontem, o Ministério da Fazenda anunciou que o estoque da dívida estava em R$ 1,601 trilhão ao fim de julho, um recuo de R$ 11 bilhões em relação ao número de junho. De acordo com economistas, a queda foi pontual, provocada por vencimento de um volume maior de títulos, e a dívida deve voltar a crescer nos próximos meses.
Outro fator que preocupa os economistas é o perfil da dívida pública. A participação dos papéis pós-fixados atrelados à variação da taxa básica de juros (Selic) no total de dívida passou de 31,57% em junho para 32,27% em julho. No estoque da dívida interna, a parcela dos títulos indexados à taxa Selic passou de 33,57% para 34,24%. (DCI – 20/08/10) América Latina exibe sua força A despeito de instabilidades políticas localizadas, a América Latina continua firme no caminho da recuperação econômica. Atrás apenas da Ásia, puxada pelo vertiginoso crescimento da China, a região é a que mais cresce no mundo. Os países latino-americanos dão sinais concretos de que as décadas de atrofia ficaram no passado. Uma pesquisa realizada pela Fundação Getulio Vargas (FGV), em parceria com o instituto alemão Ifo, mostra que a percepção sobre as melhoras é cada vez maior. O Índice de Clima Econômico (ICE), uma espécie de termômetro do ritmo da atividade, aumentou de 5,6 para 6,0 pontos entre abril e julho, o que sugere uma fase de bonança nessa parte do mundo ocidental.
A FGV considera o resultado "muito favorável", já que é o mais alto desde julho de 2007. De acordo com Lia Valls, pesquisadora do Instituto Brasileiro de Economia (Ibre), da FGV, o desempenho positivo está calcado na avaliação do momento atual, considerado promissor pelos especialistas consultados. O indicador de situação atual avançou de 4,7 para 5,8 pontos. "A mesma expectativa que temos aqui de crescimento, bem acima dos últimos anos, também está presente em outros países, como Peru e Uruguai", observou. A melhora global do indicador na região também foi influenciada, segundo Lia, pelo peso do Brasil e do México na pesquisa.
Confiáveis
No levantamento, o Brasil manteve-se no segundo lugar do ranking, ao passar de 7,0 para 7,4 pontos, superado apenas pelo Peru, onde o índice avançou de 7,1 para 7,5 pontos. O México avançou da nona para a oitava posição na lista e registrou 4,9 pontos. Na avaliação do economista-chefe do Banco Schahin, Silvio Campos Neto, os investidores dos países emergentes mudaram nos últimos anos a percepção em relação aos países latino-americanos. "Não é mais uma visão homogênea. Agora, há um bloco confiável mais claro, formado por Brasil, Chile, Colômbia, Peru e México, e outro mais problemático, que inclui Venezuela e Equador", considerou.
O mercado interno forte e dinâmico, em crescimento nos países "confiáveis", diz Campos Neto, é um dos fatores que chamam a atenção dos investidores estrangeiros. Entretanto, ele ressalta que cada economia mantém suas particularidades. "Talvez o Chile, por exemplo, seja identificado como uma base de exportações, mas em se tratando de mercado interno, o Brasil é destaque absoluto." O Chile, após recuperar-se de um terremoto que destruiu parte do país no início do ano, registrou crescimento de 6,5% no segundo trimestre, ante 1,5% de avanço no período imediatamente anterior. No ranking da FGV/Ifo, o país manteve a quarta colocação, com 6,8 pontos.
O número
6,0 pontos
Índice do Clima Econômico (ICE) da América Latina, em alta, ao voltar ao patamar de julho de 2007
Presença chinesa
O despontar da América Latina, sonho há muito acalantado entre os países que a integram, traz também seus efeitos colaterais, como a invasão dos investimentos chineses. Mais do que nunca, a região virou um porto seguro para capital e produtos exportados pelo gigante asiático. Mas o fato, que aparentemente deveria ser objeto de preocupação para os Estados Unidos, não é um problema para a maior economia mundial. Segundo o secretário de Estado adjunto que cuida dos assuntos latino-americanos, Arturo Valenzuela, o governo dos EUA não vê a presença da China uma ameaça.
"De nenhuma maneira, é uma preocupação; de nenhuma maneira, é uma ameaça", declarou Valenzuela, sobre o tema, durante uma visita a Pequim. "O compromisso da China, o investimento e o comércio com os países do hemisfério ocidental ajudam a fortalecer as economias e a criar empregos nestes países", acrescentou. Segundo a autoridade americana, Estados Unidos e China têm uma "coincidência de objetivos" na América Latina. Segundo ele, os dois países desejam aumentar o nível de vida, melhorar a estabilidade política e fortalecer a segurança na região.
Parceria
A América Latina representa 40% do comércio global dos Estados Unidos e apenas 5% do comércio exterior da China, destacou Valenzuela. No entanto, o comércio da China com a América Latina aumentou quase 10 vezes na última década, em conseqüência das compras chinesas de matérias-primas e das importações latino-americanas de produtos manufaturados. A despeito disso, o representante dos EUA disse em Pequim que seu país espera que a China tenha um papel ainda maior no desenvolvimento e na geração de empregos na região.
Além de expressiva relação comercial com o Brasil, a China mantém laços fortes com Cuba e Venezuela, países que enfrentam fortes dificuldades econômicas e, diferentemente dos chineses, sofrem sanções comerciais dos EUA, em razão do regime político que adotam. Segundo a autoridade de Estado americana, o desafio das nações da América Latina é crescer para conseguir superar as desigualdades internas, como os bolsões de pobreza. "Nosso objetivo fundamental é garantir economias prósperas e em crescimento no Hemisfério Ocidental, e que isso beneficie todos nós", disse Valenzuela. (Correio Braziliense – 19/08/10) Indústria quer punição a importado da China Indústrias do setor de calçados e do segmento elétrico e eletrônico devem apresentar seus pleitos para aplicação da nova resolução da Câmara de Comércio Exterior (Camex), que estabelece punições para os casos em que a importação de produtos burla a aplicação do direito antidumping. Os pedidos de investigação serão apresentados assim que houver uma regulamentação da resolução pela Secretaria de Comércio Exterior (Secex).
Heitor Klein, diretor-executivo da Associação Brasileira da Indústria de Calçados (Abicalçados), acredita que o setor passou a ser alvo de triangulação de produtos acabados e de partes de calçados quando a sobretaxa antidumping começou a ser imposta sobre a importação de calçados chineses.
Desde setembro, alguns calçados chineses passaram a sofrer uma sobretaxa provisória de US$ 12,47 o par na importação. Em março, o direito antidumping tornou-se definitivo, com cobrança de US$ 13,85 por par vindo da China.
Klein conta que no início da aplicação da medida de proteção os efeitos foram favoráveis para os fabricantes nacionais, com significativa redução dos desembarques originados da China. "Houve grande crescimento do mercado doméstico, principalmente até março. Os exportadores chineses, porém, foram muito ágeis e rapidamente o país passou a receber importações dos calçados por outros países."
Segundo levantamento da Abicalçados, de janeiro a julho deste ano houve uma redução de 60% nos volumes de pares importadores da China na comparação com os primeiros sete meses de 2009. No mesmo período, porém, houve elevação de 127% no número de pares originados do Vietnã e de 77% nos calçados comprados da Indonésia.
Da Malásia, houve importação de 12 mil pares de janeiro a julho do ano passado. Nos primeiros sete meses deste ano, essas compras saltaram para 3 milhões de pares. Para Klein, esses números indicam que houve triangulação na comercialização de calçados chineses. "A Malásia, por exemplo, não tem tradição e não é conhecida por ser grande produtora de calçados", argumenta.
Além da importação de calçados acabados por terceiros países, o setor também acredita que vem sendo alvo da importação de partes de calçados da China, que são apenas montados no Brasil. "O cabedal chega pronto e costurado, e o solado também. O que se faz no Brasil é somente colar uma parte na outra", diz Klein.
A Resolução nº 63 da Camex também prevê a aplicação da punição antidumping nesses casos. Pela medida, é necessário que a agregação no país seja superior a 25% do custo da manufatura. Caso contrário, a montagem de partes e peças importadas pode ser considerada como uma forma de burlar o direito antidumping. Para Klein, o percentual de 25% é suficiente para enquadrar, nas medidas de proteção, os casos que o setor tem detectado.
A indústria de calçados não é a única que está na expectativa de uma rápida regulamentação da nova medida da Camex. "Os fabricantes devem fazer uso da resolução o mais rápido possível", prevê Mário Roberto Branco, gerente de relações internacionais da Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica(Abinee). Dentro do segmento estão em vigor medidas de direito antidumping para ventiladores de mesa, ferros de passar e alto-falantes. Nos três casos, a proteção é aplicada para produtos originados da China.
Segundo ele, a entidade já recebeu queixas da importação de partes e peças de ferros de passar roupa chinesas unicamente para montagem no Brasil. Outra reclamação que chegou à associação, conta Branco, foi de fabricantes que detectaram um grande crescimento da compra de alto-falantes de Hong Kong e de Taiwan. Segundo ele, foi verificado que em Taiwan não há produção de alto-falantes. "A resolução vem a calhar e deve ampliar a proteção para a indústria brasileira."
Vera Kanas, advogada do escritório TozziniFreire, lembra que a medida antidumping, porém, não deverá ser estendida em toda e qualquer situação. Ela acredita que a futura regulamentação da nova resolução deverá estabelecer os procedimentos necessários, dando também aos importadores oportunidade de defesa.
"Esperamos que a regulamentação garanta uma aplicação equilibrada dos direitos", diz. Para ela, o limite de 25% estabelecido para agregação nacional, nos casos de partes, peças e componentes importados, pode ser muito ou pouco, dependendo do produto ou do setor. "É necessário que haja bom senso na aplicação da medida."( Valor Econômico - 19/8/2010)< Bem cotado em Wall Street O presidente da Bolsa de Valores de Nova York, Duncan Niederauer, afirmou ontem que as condições da economia do Brasil deixam as empresas brasileiras em vantagem no mercado global. Segundo Duncan, a estabilidade do sistema financeiro do país e o grande mercado consumidor facilitam a expansão dos negócios das companhias nacionais.
O Brasil tem bancos sadios, uma grande demanda de consumidores e exportações crescentes – comentou Duncan durante palestra para empresários paulistas, na sede da Fiesp. – Isso é uma vantagem que as empresas devem aproveitar.
Duncan destacou também que as grandes competições esportivas que o Brasil vai sediar nos próximos anos devem impulsionar ainda mais o crescimento das companhias nacionais. "Oportunidades serão aceleradas pela Copa do Mundo de 2014 e pelas Olimpíadas de 2016", afirmou.
Segundo Duncan, que visita o país pela segunda vez, algumas empresas brasileiras já ocupam papel de destaque no mercado mundial. O Brasil é o terceiro país com o maior número de companhias com ações listadas em Wall Street, atrás do Canadá e da China. Ao todo, são 28 empresas brasileiras. (Jornal do Brasil – 19/08/10) Entraram US$ 2,36 bi no país em agosto Entre os dias 9 e 13 de agosto, o fluxo cambial — entrada e saída de moeda estrangeira no país — ficou positivo em apenas US$ 571 milhões, acumulando no mês entrada líquida de US$ 2,362 bilhões. A conta financeira, por onde passam os investimentos estrangeiros diretos, em ações e títulos, registrou superávit de US$ 267 milhões, sendo que na semana anterior o saldo fora de US$ 2,382 bilhões. No mês, as compras ficaram em US$ 13,818 bilhões e as vendas, em US$ 11,169 bilhões.
Apesar da desaceleração na entrada de investimentos estrangeiros na semana passada, o Banco Central (BC) continuou atuando com força no mercado de câmbio, chegando a comprar um volume de dólares 115% superior ao montante que ingressou no país. Isso mostra que a instituição não pretende permitir volatilidade no mercado com as expectativas sobre o comportamento futuro do dólar, diante da bilionária capitalização da Petrobras.
O BC comprou no mercado à vista US$ 1,223 bilhão entre os dias 9 e 13.
Neste mês, as reservas internacionais já foram elevadas em US$ 2,374 bilhões pelas ações da autoridade monetária.
O BC tem atuado mais com o crescimento do movimento no mercado futuro de dólar, por causa da expectativa com a capitalização da Petrobras (prevista para setembro) afirmou o gerente de câmbio da corretora Liquidez, Francisco Carvalho.
O mercado calcula que, com essa operação, entre US$ 15 bilhões e US$ 20 bilhões entrarão no mercado brasileiro de uma vez, o que explica as baixas cotações da moeda americana.
O fluxo de recursos pela conta comercial na última semana reduziu o déficit nesta rubrica para US$ 286 milhões entre os dias 1° e 13 de agosto, com exportações de US$ 6,167 bilhões e importações de US$ 6,453 bilhões. Na primeira semana do mês, o saldo estava negativo em US$ 591 milhões.(O Globo – 19/08/10) Fluxo cambial fica positivo em US$ 2,36 bi até dia 13 deste mês O fluxo cambial continuou positivo na segunda semana de agosto. Dados divulgados pelo Banco Central mostram que o País recebeu US$ 571 milhões entre os dias 9 e 13 de agosto. No acumulado do mês até o dia 13, o saldo é positivo em US$ 2,362 bilhões.
O movimento de ingresso de dólares continua sendo liderado pelo movimento financeiro, onde são registradas operações para compra e venda de ações, títulos de renda fixa, empréstimos internacionais, investimento produtivo e remessa de lucros. Por essa via, o Brasil recebeu US$ 267 milhões na semana passada, fruto de entradas de US$ 4,770 bilhões e saídas de US$ 4,504 bilhões. No acumulado dos 13 primeiros dias corridos de agosto, o saldo dessa conta está positivo em US$ 2,649 bilhões.
Comércio
Pela conta comercial, o saldo das exportações e importações trouxe US$ 305 milhões para o País na semana passada, gerado por vendas ao exterior de US$ 3,438 bilhões e compras de US$ 3,134 bilhões. Apesar do saldo positivo, o resultado acumulado do mês segue no vermelho, com déficit de US$ 286 milhões.
O fluxo cambial na primeira semana de agosto foi positivo em US$ 1,791 bilhão. O fluxo comercial foi negativo em US$ 591 milhões, resultado de exportações de US$ 2,729 bilhões e importações de US$ 3,319 bilhões.
O fluxo financeiro, por outro lado, foi positivo em US$ 2,382 bilhões, resultado de entradas de US$ 9,048 bilhões e saídas de US$ 6,666 bilhões. Além disso, o BC informou também que havia adquirido na primeira semana do mês, US$ 1,151 bilhão, com média diária de US$ 230,2 milhões.
No acumulado do ano até 13 de agosto, o fluxo cambial é positivo para o Brasil em US$ 6,438 bilhões, sendo que a conta financeira contribuiu com a entrada de US$ 6,289 bilhões e o segmento comercial registrou ingresso de US$ 149 milhões.
O BC, na semana passada, manteve seu ritmo de compra de dólares no mercado à vista, chegando a US$ 1,223 bilhão. No mês, as reservas já foram elevadas em US$ 2,374 bilhões pelas ações da autoridade monetária. (DCI – 19/08/10) Clima econômico na América Latina já é o melhor em 12 anos O clima econômico da América Latina atingiu em julho o melhor patamar dos últimos 12 anos. A informação é da coordenadora do Centro de Comércio Exterior do Instituto Brasileiro de Economia (Ibre) da Fundação Getulio Vargas (IFGV), Lia Valls. Segundo ela, o Índice de Clima Econômico (ICE) da América Latina foi de 6 pontos, o segundo melhor da série histórica do indicador, iniciada em 1989. O resultado perde apenas para o desempenho de outubro de 1997, quando o índice atingiu 6,3 pontos. O ICE é calculado dentro de uma escala de pontuação que vai de zero a 9 pontos - sendo que, quanto mais próximo de 9, melhor o resultado.
O indicador já havia registrado 6 pontos anteriormente, em quatro momentos: nos meses de janeiro, abril e julho de 1997 e em abril de 2000. "Houve uma melhora, na percepção dos analistas sobre o andamento da economia latino-americana, de abril para julho", disse Lia Valls, uma das coordenadoras.
Em pesquisas anteriores, os especialistas projetavam piora no cenário econômico do continente. "Mesmo com o resultado positivo, os analistas ainda têm alguma incerteza sobre o futuro, a sustentabilidade da recuperação da economia mundial e da economia latino-americana", acrescentou ela.
O Brasil foi um dos países que mais impulsionaram o cenário observado pelos especialistas em julho na economia da América Latina. "Nos primeiros meses deste ano, continuamos a ter crescimento na economia. O emprego continuou a mostrar bons resultados", lembrou a técnica da fundação.
Ela considerou que, atualmente, os temas no Brasil que estão sendo vistos com alguma preocupação por analistas são o avanço da inflação e um déficit mais forte nas transações em contas correntes. "Mas mesmo estes temas não são considerados muito arriscados. São debates para se pensar mais para o futuro", assinalou. "A avaliação é de que, no Brasil, há uma estabilidade na economia."
Além do Brasil, outros três países contribuíram fortemente para o bom humor dos analistas em julho, em suas avaliações sobre a economia latino-americana: Chile, Peru e Uruguai. "Todos estes países estão experimentando um movimento de boom econômico."
"Chile sempre teve uma constante no desempenho de sua economia e há uma percepção de que é uma economia estável." Já Peru e Uruguai experimentaram crescimentos importantes na economia no primeiro trimestre. No caso destes dois últimos países, Lia lembrou que eles são fortes exportadores de commodities. (DCI – 19/08/10) Camex aprova medida para ampliar proteção comercial O Brasil poderá estender a aplicação de instrumentos de proteção comercial (como medidas antidumping ou compensatórias) a países que revendem mercadorias ou componentes de origem suspeita ao Brasil. A medida, chamada de anticircunvenção, foi aprovada na reunião da Câmara de Comércio Exterior (Camex), ligada ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (Mdic).
De acordo com o secretário executivo da Camex, Helder Chaves, a medida tem como objetivo coibir a importação de produtos que são alvo de ações antidumping realizadas pelo Brasil, mas que são comercializados como se tivessem origem em um terceiro país. "Um exemplo básico deste processo ocorre com a China. O país asiático produz uma determinada mercadoria que é alvo de processo antidumping, vende para um país vizinho e este por sua vez revende ao Brasil. Dessa forma, conseguem burlar as barreiras de proteção comercial", explica o presidente da Associação brasileira de Comércio Exterior (Abracex), Roberto Segatto.
"Em vários casos, o país continua a receber esses produtos, mas fica impedido de aplicar a defesa comercial", pontuou durante coletiva à imprensa o secretário da Camex.
"Até então, o Brasil não possuía uma regulamentação específica contra estas práticas elisivas, também denominadas de circumvention ou triangulação", aponta a nota do Mdic.
"Além disto, no caso de dumping, o preço do produto exportado ou comercializado para o Brasil deve ser inferior ao valor normal apurado na investigação que embasou a medida antidumping", ressalta Chaves.
A medida foi tomada pois empresários brasileiros de manufaturados reclamaram que havia algo estranho no Comércio Exterior brasileiro. Países com os quais o Brasil pouco importava passaram, de repente, a figurar entre nossos maiores fornecedores.
Segundo Milton Cardoso, presidente da Abicalçados, os exportadores da China encontraram três formas de fraudar o sistema antidumping. A primeira delas é a falsificação de documentos de origem, o que fica evidente nas "importações" da Malásia.
A segunda maneira é a montagem de calçados em terceiros países a partir de componentes produzidos na China, sem a observação dos mínimos de conteúdo nacional para a caracterização de produção deste terceiro país, o que pode explicar a origem dos calçados procedentes do Vietnã e da Indonésia. Outra alternativa encontrada para fraudar a medida antidumping é a importação direta de "calçados desmontados" para serem finalizados no Brasil.
Este é o caso de Taiwan, de onde o Brasil importou US$ 1,41 bilhão no primeiro semestre deste ano, volume 43,54% superior ao registrado no mesmo período de 2009.
Causam espanto também os aumentos das importações da Tailândia US$ 828,71 milhões, valor 69,31% superior na mesma análise entre este ano e o ano passado, da Malásia (US$ 828,54 milhões, aumento de 74,83%) e da Indonésia (US$ 657,06 milhões, alta de 52,22%).
"Como tais países não são grandes exportadores de manufaturados, o crescimento súbito das importações deles procedentes pode ser resultado da triangulação, ou seja, eles podem estar sendo usados para exportar produtos que, na verdade, são originários de um terceiro país, como forma de burlar as leis e sobretaxas antidumping", frisam analistas de Comércio Exterior.
De acordo com dados do Mdic, após a determinação da Camex de sobretaxar em US$ 13,85 por par de calçados importado da China, para restabelecer uma concorrência em condições normais com o similar nacional, as compras de sapatos da Malásia aumentaram de 11 mil pares no primeiro semestre de 2009 para 2,5 milhões nos primeiros seis meses de 2010. As compras do produto procedente do Vietnã aumentaram 109% e da Indonésia cresceram 55%.
"A triangulação não se restringe a bens de consumo, mas também a bens duráveis, eletroeletrônicos e equipamentos diversos", aponta Segatto.
No sentido inverso
Apesar do chanceler Celso Amorim ter destacado que o Brasil não tem obrigação de obedecer as sanções unilaterais adotadas pelos Estados Unidos e pela União Européia, a próxima regra que diz respeito a propriedade intelectual deverá afetar o País no seu comércio triangular mundial.
"A maior parte das nossas operações tem uma triangulação, o Brasil não possui frotas marítimas para adentrar em todos os portos e não possui logística para vender para alguns mercados", relata o secretário de Comércio Exterior do Mdic, Welber Barral. (DCI – 19/08/10) Campinas analisa falhas no comércio exterior A burocracia nos portos e aeroportos foi apontada como o principal entrave pelas empresas associadas ao Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp) regional Campinas que atuam em comércio exterior.
No caso das importações o desembaraço das mercadorias é lento e mercadoria parada representa custo, o que prejudica a competitividade.
Com relação às exportações, a burocracia está associada às barreiras técnicas e sanitárias. Ainda referente às exportações, as empresas apontaram também dificuldades com relação aos altos custos do transporte e a taxa de câmbio.
A falta de demanda internacional em decorrência da estagnação dos mercados americano e europeu como reflexo da crise econômica global também representa uma dificuldade de exportação, o que levou estas empresas a buscarem o mercado interno como solução da distribuir seus produtos.
As informações constam da primeira pesquisa de sondagem de comércio exterior feita pelo Ciesp Campinas na primeira quinzena deste mês junto às suas associadas com dados referentes ao mês de julho com análise dos resultados dos pesquisadores do Centro de Pesquisas Econômicas da Faculdades de Campinas (Facamp). O levantamento mostrou também que as exportações das empresas associadas ao Ciesp Campinas atingiram US$ 164 milhões em julho de 2010 e as importações atingiram cerca de US$ 178 milhões registrando um déficit na balança comercial da ordem de US$ 14 milhões.
Em comparação com o mês de junho de 2010 a corrente comercial caiu 33%. Em comparação do mês de julho de 2010 com o mesmo período de 2009 a corrente de comércio exterior caiu 13%. Essa queda é atribuída à pequena desaceleração da economia brasileira nos últimos meses e à manutenção do baixo crescimento da economia internacional. No acumulado de janeiro a julho a corrente de comércio exterior da Região Metropolitana de Campinas supera a marca de US$ 3,1 bilhões, ou seja, 24% superior ao mesmo período do ano passado. Este desempenho maior foi registrado para o crescimento das importações (23,6%) e das exportações (24,4%) comparando janeiro a julho de 2010 com igual período de 2009.
Um dado que chama a atenção na pesquisa é que o índice de 24% de aumento nas exportações da RMC é superior ao desempenho registrado no Estado de São Paulo que foi de 21%.
Quando comparada a 2008, a recuperação das exportações e das importações ainda está bem abaixo do que foi registrado naquele ano. No acumulado de janeiro a julho as exportações de 2010 estão inferiores em 39% na comparação com igual período de 2008. Já as importações estão 38,6% menores na comparação dos períodos.
Sondagem
A sondagem interceptou também que mais da metade das empresas associadas ao Ciesp Campinas (59%) importaram entre 6% e 25% do valor de seu faturamento e 50% delas exportaram este mesmo percentual. O coordenador do centro de pesquisas econômicas da Facamp, professor Rodrigo Sabbatini, analisou que isso mostra a importante atuação dessas empresas no comércio exterior.
"Cerca de 18% das empresas exportadoras vendem ao exterior mais de 50% de seu faturamento, ou seja, elas tem um coeficiente de exportação muito elevado. Isso é um fato muito interessante porque mostra que são empresas que são muito competitivas no mercado internacional."
Em julho de 2010, a Argentina foi o principal mercado das exportações das empresas associadas ao Ciesp Campinas. Na sondagem 23% delas apontaram que a Argentina foi o principal comprador de seus produtos. Ainda referente à exportação 32% das empresas da RMC tem como alvo de seus produtos a Arábia Saudita, Chile, Colômbia, Caribe e Síria, Paraguai e Venezuela.
Os Estados Unidos aparecem para 18% das empresas como destino para seus produtos. No caso das importações a China é o principal parceiro comercial para 41% das empresas seguido pelos Estados Unidos com 27% e União Européia com 23%.
A sondagem de comércio exterior do Ciesp Campinas mostrou também que pelo porto de Santos passam quase 60% dos produtos importados e exportados pelas empresas da RMC associadas ao Ciesp. Na segunda posição vem o aeroporto internacional de Viracopos com 27% de produtos importados e 23% de produtos exportados.
"O perfil de produção da região pressupõe produtos cujo transporte por avião é mais complexo, custa muito caro e não vale a pena. A importância de Viracopos é maior do que a gente imaginava", analisa Sabbatini.
O setor metalúrgico liderou as exportações e as importações no mês de julho com total exportado de US$ 61,77 milhões com 37,7%.(DCI – 19/08/10) Brasil terá procedimento próprio de medidas antidumping O conselho de ministros da Câmara de Comércio Exterior (Camex) aprovou hoje dispositivo que amplia o alcance de medidas de antidumping para evitar que produtos sobretaxados por prática desleal de comércio entrem no Brasil desmontados em partes ou via países não atingidos pela punição.
Atualmente, para que a medida de defesa comercial tivesse eficácia nesses casos, era necessária a abertura de um novo processo antidumping, que obedece prazos longos de verificação, consulta e defesa determinados pela Organização Mundial do Comércio (OMC). A partir de agora, as medidas de sobretaxação poderão ser aplicadas segundo procedimento próprio do governo brasileiro, de maneira mais rápida.
Entre as artimanhas mais utilizadas para burlar o antidumping, chamadas de "cincunvenção", estão a importação de produtos via terceiros países que nem sequer produzem a mercadoria e a compra de peças desses bens para montagem em solo brasileiro, sem o pagamento da sobretaxa. (Net Marinha – 18/08/10) Camex aprova resolução para combater casos de triangulação Legislação inédita no Brasil irá permitir que medidas antidumping ou compensatórias já em vigor aplicadas pelo Brasil sejam estendidas a exportações de terceiros países
A Câmara de Comércio Exterior (Camex), em reunião realizada nesta terça-feira (17/8) no Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC), aprovou a resolução anticircumvention que disciplina a Lei nº 9.019, de 13 de junho de 1995. A regulamentação irá permitir que medidas antidumping ou compensatórias já em vigor aplicadas pelo Brasil sejam estendidas a exportações de produtos, partes, peças e componentes de terceiros países, quando a comercialização destes bens esteja frustrando a defesa comercial.
Conforme explicou o secretário-executivo da Camex, Helder Chaves, durante entrevista coletiva realizada ao final da reunião, as medidas de defesa comercial não eram aplicadas nestas operações, o que acabava por neutralizar os seus efeitos de eliminar o dumping e de permitir a recuperação da indústria doméstica em relação ao dano sofrido.
Triangulação
Até então, o Brasil não possuía uma regulamentação específica contra estas práticas elisivas, também denominadas de circumvention ou triangulação. Trata-se de casos em que, após aplicação de medida corretiva contra um determinado país, verifica-se a revenda do produto objeto, com pequenas alterações, procedentes de outros países. Estas práticas também dizem respeito a situações em que ocorre a mera montagem, em terceiro país, com partes, peças ou componentes do país sujeito à medida de defesa comercial ou ainda quando esta mera montagem seja realizada no Brasil.
É importante ressaltar que, para comprovar estas práticas elisivas, é necessário que haja alteração nos fluxos comerciais após o início do procedimento que resultou na aplicação de medida de defesa comercial. Também terá que ser demonstrado que o preço de importação do produto associado ao volume importado torna a medida comercial sem efeito. Além disto, no caso de dumping, o preço do produto exportado ou comercializado para o Brasil deve ser inferior ao valor normal apurado na investigação que embasou a medida antidumping.
Publicação
A resolução da Camex, que deve ser publicada no Diário Oficial da União (DOU) nos próximos dias, irá definir ainda que não será configurada como prática elisiva os casos em que haja agregação de valor superior a 25% do custo de manufatura. A Secretária de Comércio Exterior (Secex) deverá publicar portaria ou circular sobre a matéria com normas complementares sobre procedimentos, prazos, conteúdo da petição inicial, etc.
Outros países membros da Organização Mundial do Comércio (OMC) já utilizam mecanismos anticircumvention, são eles: África do Sul, Albânia, Argentina, Armênia, Bulgária, China, Colômbia, Comunidade Européia, Egito, Equador, Estados Unidos, Estônia, Japão, Lituânia, Malásia, México, Moldávia, Panamá, Paquistão e Turquia.(Net Marinha – 18/08/10) Exportações batem recorde no ano no DF O Distrito Federal bateu, no mês passado, o recorde de exportação do ano. Em julho, as vendas externas atingiram US$ 19,6 milhões (equivalente a R$ 34,3 milhões), o melhor desempenho nos primeiros sete meses do ano. Na comparação com igual período de 2009, quando o volume de vendas totalizou US$ 14,7 milhões, houve um crescimento de 32,69%. Em relação ao mês anterior, o salto foi ainda maior: de 64,7%. Os números foram divulgados pela Federação das Indústrias do DF (Fibra), com base em dados fornecidos pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (Mdic).
O recorde do ano elevou a média mensal das vendas externas de US$ 11,2 milhões, no mês anterior, para US$ 12,4 milhões. Em julho de 2009, a média estava em US$ 9,3 milhões. No acumulado do ano, o cenário também é positivo. O saldo exportado pelo DF nos primeiros sete meses do ano chegou a US$ 87 milhões, um acréscimo de 32,58% frente a igual período do ano passado. Os dados da capital do país seguem a mesma tendência do contexto nacional. As exportações brasileiras avançaram 27% no acumulado até julho: o saldo pulou de US$ 84 bilhões, em 2009, para US$ 106 bilhões, em 2010.
As vendas de bens de consumo continuam puxando a alta das exportações, com destaque para carnes de frango e miudezas, responsáveis por 77,72% das negociações deste ano. As operações envolvendo esse segmento totalizaram US$ 67 milhões no acumulado do ano. "Entre julho e outubro ocorre, tradicionalmente, um aquecimento nas vendas externas. O crescimento nas exportações também indica que estamos retornando aos patamares anteriores à crise econômica internacional, quando o saldo era semelhante a esse", afirmou o presidente da Fibra, Antônio Rocha.
Quanto aos países de destino, não houve surpresas em julho. A Venezuela continua na liderança do ranking dos principais compradores de produtos brasilienses. O país sul-americano responde por pouco mais de um terço (34,6%) do volume exportado desde janeiro. A Arábia Saudita sustentou a segunda posição (11,99%), seguida por Portugal (9,04%), Hong Kong (6,70%) e Emirados Árabes (6,47%).
Importações
As importações do DF alcançaram, em julho, US$ 122,6 milhões — o equivalente a R$ 214,55 milhões. O volume representa um aumento de 15,95% em relação ao mesmo período de 2009 (US$ 105,8 milhões) e um recuo de 0,16% na comparação com o mês anterior. O saldo acumulado do ano avançou 66,38%. As origens das importações candangas se concentram no Canadá (26,02%), nos Estados Unidos (19,93%), na Alemanha (9,58%), no Reino Unido (7,75%) e na Suíça (6,80%).
O número
crescimento
US$ 19,6 milhões
Total exportado pelas indústrias do DF em julho (Correio Braziliense – 18/08/10) Camex aprova dispositivo antidumping mais ágil O conselho de ministros da Câmara de Comércio Exterior (Camex) aprovou dispositivo que amplia o alcance de medidas de antidumping para evitar que produtos sobretaxados por prática desleal de comércio entrem no Brasil desmontados em partes ou via países não atingidos pela punição. Antes, era necessária a abertura de um novo processo antidumping, que obedece prazos longos de verificação. A partir de agora, as medidas de sobretaxação poderão ser aplicadas segundo procedimento próprio do governo. (DCI – 18/08/10) Déficit comercial da Espanha sobe 45,6% em junho O déficit comercial espanhol aumentou 45,6% em junho na comparação com o mesmo mês de 2009, a 4,711 bilhões de euros (US$ 6,038 bilhões), após um aumento das exportações e das importações.
Em junho, as exportações subiram 16,6% em ritmo anual, a 16,20 bilhões de euros (US$ 20,75 bilhões), enquanto as importações crescera 22,1% na comparação com junho de 2009, a 20,91 bilhões de euros (US$ 26,79 bilhões), informou o Ministério da Indústria, Turismo e Comércio. No primeiro semestre de 2010, o déficit comercial subiu 8,6% em relação ao mesmo período do ano passado, a 26,24 bilhões de euros (US$ 33,62 bilhões).
A Espanha é uma das economias mais afetadas pela crise na zona do euro. A dívida pública do país supera 65% do Produto Interno Bruto (PIB) do país, devido especialmente a uma bolha imobiliária, iniciada em 2008, e crise de crédito. O sistema bancário do país é um dos mais questionados pelo Eurogrupo e pelos mercados que fazem pressão que a Espanha reduza o elevado déficit público de 11,2% do PIB e a dívida de entidades privadas. Zona do euro
Zona do euro
O déficit em conta corrente da zona do euro diminuiu levemente em junho, em meio ao aumento das exportações, disse o Banco Central Europeu (BCE). O déficit em conta corrente recuou para 4,6 bilhões de euros, de 7,4 bilhões de euros em maio, como resultado do déficit nos rendimentos e nas transferências correntes, que foi parcialmente compensado pelo superávit em bens e serviços, de acordo com a entidade européia. (DCI – 18/08/10) Aprovada resolução que estende medida antidumping A Camex (Câmara de Comércio Exterior) estendeu a terceiros países ou a partes, peças e componentes regras antidumping aplicadas a algumas nações. A medida, por exemplo, impediria a manobra de exportadores de bicicletas informada pela Folha em junho, que vendiam peças separadamente ou emitiam notas frias de países não inseridos nas proibições. O órgão também inseriu produtos no rol de exceções à Tarifa Externa Comum (TEC) do Mercosul. (Folha de S. Paulo – 18/08/10) Importação já faz grandes empresas cortarem produção O avanço das importações é descontrolado, forçando fábricas a exportar mesmo com câmbio desfavorável para evitar a formação de estoques. Apenas em Santa Catarina, cerca de 350 mil toneladas de aço estão paradas, e, para evitar uma extensão do que ocorreu entre os fabricantes de óculos, escovas e pentes, cuja venda no Brasil é suprida quase integralmente por importados, o empresário Benjamin Steinbruch, presidente da Companhia Siderúrgica Nacional (CSN) e presidente em exercício da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) vai convocar os três principais candidatos à Presidência da República para apresentar idéias e propostas.
Em entrevista concedida ao Valor na sexta-feira, da sede da CSN em São Paulo, Steinbruch apresenta essas idéias. Para combater o avanço das importações é preciso "fechar o país por um tempo, a fim de fomentar a indústria nacional". Além disso, a taxa básica de juros precisaria ser cortada para valer, no máximo, dois pontos percentuais além da inflação - o que hoje representaria uma taxa de 7,25% ao ano, e não os atuais 10,75% ao ano. "Estamos pagando o preço do sucesso, nunca estivemos tão bem", diz Steinbruch, para quem as críticas recentes ao Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) estão fora de lugar. "Não precisamos de um, mas de três BNDES", diz.
A seguir, os principais trechos da entrevista ao Valor:
Valor: Você já viu uma eleição tão tranqüila quanto essa?
Benjamin Steinbruch: É normal que assim seja, mas o debate está só começando. O Brasil antes vivia muito em função das oscilações internas e externas. Tínhamos uma dependência maior da boa vontade do capital externo, algo que hoje, pela primeira vez, mudou. Temos uma situação de equilíbrio econômico e financeiro. O Brasil é que tem que ter boa vontade com outros países, porque, depois da China, temos o melhor mercado interno do mundo. Trata-se de uma situação completamente atípica se comparada com eleições anteriores, sustentada por um mercado interno forte, um fluxo de comércio internacional muito seguro, que é a exportação de matérias-primas e grãos para a China. A combinação disso permite que nos apresentemos ao mundo de forma diferente.
Valor: O mercado interno forte amplia a chegada das importações. Isso incomoda a indústria?
Steinbruch: A importação é uma coisa nova no Brasil. Nós ainda não tivemos tempo de considerar nossa posição. Temos uma ótima situação interna, gente comprando seu primeiro bem - casa, geladeira, fogão, carro - ao mesmo tempo que lá fora os países estão em dificuldade, com enorme capacidade ociosa. Então, nosso mercado interno, que é uma referência mundial, vira alvo. O Brasil nunca viveu isso, não temos a experiência de ficar tão bem, então pagamos um preço pelo sucesso. O mercado interno vai continuar bom, mas não necessariamente a produção local vai estar trabalhando a plena capacidade. Num curto espaço de tempo as empresas vão fazer um esforço muito grande para exportar, por falta de possibilidade de vender o produto internamente.
Valor: Como assim?
Steinbruch: Há um descontrole de importações em todos os setores. No ano passado, no primeiro semestre, importamos o equivalente a US$ 5,9 bilhões em manufaturas da China. Agora, em 2010, importamos US$ 9,9 bilhões entre janeiro e junho, praticamente dobrou em um ano. E estou falando da China, apenas.
Valor: Isso é discutido na Fiesp?
Steinbruch: Muito. Ninguém pensava que as empresas brasileiras iriam ter de parar a produção por excesso de estoques enquanto o mercado está com demanda forte, mas isso ocorre porque as importações estão ocupando espaço.
Valor: O sr. tem algum caso concreto de empresa que vai fazer isso?
Steinbruch: Até duas semanas atrás ninguém falava nisso. Se pegar os dados de 31 de julho, vocês não verão. É algo que está acontecendo agora. Há 350 mil toneladas de aço estocadas em Santa Catarina. As empresas vão ser obrigadas à exportar, o que é um esforço muito grande com uma moeda tão valorizada. Vai ter de baixar o preço no mercado interno para competir com o importado, o que é uma competição desleal, mas só vai ter o efeito disso no ano que vem. Qualquer medida que o governo tomasse agora só serviria para 2011, então o governo está atrasado. A economia vai bem, a demanda está forte, mas as empresas brasileiras estão com dificuldade de aproveitar essa bonança.
Valor: Mas como convencer as pessoas de que é preciso fazer algo num período de crescimento forte, redução do desemprego e aumento de salários?
Steinbruch: Só perceberemos depois que as empresas começarem a parar mesmo. Aí veremos que alguma coisa furou no modelo, e furou por um descuido nosso, porque ninguém pensou nisso e muita gente não percebeu ainda. Vamos bater num muro a 200 km por hora. Cerca de 95% dos óculos vendidos no país são importados, sabia? Escovas e pentes têm a mesma situação. Não se fabrica mais aqui. Ou incentivamos mais ainda o mercado interno, com financiamento, isenção de imposto, para ter efeito rápido, ou restringimos ao máximo as importações.
Valor: O novo governo, seja qual for, vai fazer algo próximo disso?
Steinbruch: Isso certamente vai ter de ser feito a partir de 2011. Porque enquanto o Brasil estiver bem e os outros países estiverem mal, isso vai se perpetuar. A empresa estrangeira não tem para quem vender, então manda para cá. O que desorganiza a cadeia é que quem está importando não são os clientes finais da indústria brasileira, mas o intermediário. Se você conversa com os industriais, eles vão te dizer que estão com produção toda vendida até o fim do ano. Só que os clientes não estão retirando a mercadoria. Porque entrou uma opção alternativa, o importado, que não estava previsto. Nem por quem produz, nem por quem compra.
Valor: E isso ocorre porque o importado chega mais barato?
Steinbruch: Sim, mas não só por isso. Temos também o absurdo em alguns Estados de fazer o deferimento do imposto, ou seja, dar vantagem maior ao produto importado que ao produto nacional, o que é um absurdo. Para criar alguns empregos na área administrativa de regiões portuárias, nós importamos milhares de empregos de fora.
Valor: Mas a maior parte do que importamos é maquinário e bem intermediário, que complementa a produção. Essa importação não é benéfica ao país?
Steinbruch: A importação benéfica para o país é difícil de se diferenciar. É aquela que complementa além do limite de produzir. Se há demanda para 105 e produzimos 100, assim os cinco vêm de fora, para equilibrar a inflação. Hoje, com a oferta que temos no mundo, o risco grande que temos não é de inflação, mas de deflação. O Banco Central está errado quando diz que há risco de inflação. O que veremos agora é deflação. Porque a ociosidade do mundo, em termos produtivos, dificulta e muito qualquer processo inflacionário de demanda, que seria nosso caso, então não existe risco de inflação no Brasil. O nível de esforço que os países maduros estão fazendo para conseguir gerar demanda, com bilhões e bilhões de gastos para incentivar a economia é justificável para reanimar a atividade. Aqui fazemos o contrário, estamos castigando o sucesso do ciclo positivo que nós desenvolvemos - mercado interno, emprego, renda familiar -, que é quebrado pela importação, favorecida pela moeda valorizada. Estamos surpresos.
Valor: Com o quê?
Steinbruch: Uma situação previsível de tranqüilidade no segundo semestre mudou para uma surpresa de empresas grandes estarem parando por férias ou reduzindo pessoas por um desequilíbrio entre oferta e demanda por conta do importado. Para um país como o Brasil, que tem matéria-prima, capacidade produtiva, capacidade de ter duas safras agrícolas e petróleo, não vejo onde está o benefício da importação, a não ser que seja para equilibrar preços, para evitar inflação. O Brasil teria que, de alguma forma, se fechar.
Valor: Como assim?
Steinbruch: Fazer um pouco o que a China fez. Vocês falaram de máquinas, por exemplo. O certo é que o Brasil pudesse desenvolver, por conta do crescimento contínuo da economia, tecnologia própria, inclusive para máquinas e equipamentos, para avançarmos tecnologicamente. Hoje, importamos equipamento chinês. Por quê? Porque cresceram por 15, 20 anos e tiveram condição de testar equipamento e tecnologia, corrigir, melhorar. Começaram copiando, depois melhorando e hoje eles têm tecnologia própria. O Brasil tem de fazer a mesma coisa.
Valor: Fechar a economia, então?
Steinbruch: A economia tem que se fechar um pouco para poder propiciar esse salto.
Valor: Mas durante esse processo, não experimentaremos um período de inflação mais alta?
Steinbruch: Você tem que incentivar o bem mais barato fabricado aqui. Nós não temos porque fazer mais caro que lá fora.
Valor: E o caso da Petrobras na exploração do pré-sal que dá prioridade ao fornecedor nacional, mas há máquinas e peças que só existem no exterior?
Steinbruch: E por que não têm máquina aqui? Não é por falta de capacidade nossa, seja tecnológica, gerencial ou financeira, então não é por isso. Temos que nos educar no sentido de colocar desafios maiores para o Brasil. Nós podemos tudo. Temos que dar um trato diferente ao capital que vai para investimento e ao que vai para custeio. O investimento no Brasil é muito caro, temos um custo que não é comparável com o exterior. Essa discussão do BNDES é totalmente secundária e inoportuna.
Valor: Por quê?
Steinbruch: Porque temos que fazer todo o esforço possível e imaginável para favorecer o investimento. Então, o banco de desenvolvimento tem de dar condições para as empresas. Para micro, pequena, média empresa e também para as grandes e gigantes. Temos que ir para fora. Um país que quer liderar tem que ter empresas fortes e isso só ocorre se o governo apostar junto. Foi o que aconteceu em todos os países do mundo. Se for copiar o que aconteceu com Inglaterra, Estados Unidos, é o mesmo modelo. Temos que copiar e depois melhorar. Nós temos que privilegiar o BNDES e outros, como Banco do Brasil e Caixa Econômica Federal. O presidente Lula estava certo quando estimulou o BB e a CEF à fazerem mais, à estarem presentes num momento de crise, à não cortarem o crédito. Foi um momento muito importante.
Valor: Como o sr. vê as críticas ao BNDES?
Steinbruch: Não precisamos de um BNDES, mas de três bancos como o BNDES para atender a demanda por investimentos e a formação de empresas globais.
Valor: Além de fortalecer o BNDES, que medidas podem fomentar os investimentos?
Steinbruch: A mais imediata seria diminuir a taxa de juros, para desvalorizar a moeda.
Valor: Mas já passamos por processo de redução de juros e mesmo assim a moeda continuou se valorizando...
Steinbruch: Se derreteu a moeda cortando juros, imagina elevando, como fazemos agora. Nossa taxa precisa ser um ou dois pontos percentuais acima da inflação.
Valor: Então não passa só pelos juros, certo?
Steinbruch: Não, podemos também controlar importação. Tanto do ponto de vista quantitativo quanto qualitativo. Há muitos bens, como lâmpadas, que chegam custando um centavo de dólar. Precisamos ter gente treinada, investimento em pessoal para que possam controlar e desenvolver sistemas. Os países maduros têm isso, porque eles também foram alvos. Os Estados Unidos têm uma bíblia para você poder entrar lá e um pessoal profissional para controlar o que entra. Agora, o alvo somos nós e nós não temos essa experiência, então vem tudo para cá.
Valor: A Usiminas entrou com um pedido de antidumping contra a importação de chapa grossa de aço. Acha que a abertura de processos antidumping pode ser uma saída?
Steinbruch: Tem que fazer. A gente vai deixar de ser um país produtor industrial para ser um importador? É um castigo que não podemos pagar.
Valor: Então devem partir das empresas as medidas de controle?
Steinbruch: Tem que ser algo coordenado com o governo.
Valor: Mas o governo atual ou o futuro vai fazer isso?
Steinbruch: Tem que fazer. O Brasil vai ter que adotar uma política dura porque hoje em dia é muito mais importante para nós a produção e o emprego [indústria] que a fazenda [campo]. O problema para nós é muito mais dar garantia à produção e ao emprego que a questão econômica e financeira, que já está equacionada. A prioridade agora é o Ministério do Desenvolvimento, tanto com incentivo para exportar quanto para evitar importação desordenada. Cada porto tem que ter um controle e isso precisa ser integrado.
Valor: Quando o governo instituiu o IOF sobre capital estrangeiro sofreu uma série de pressões porque os críticos diziam que o capital deixaria de vir. O sr. não acha que instituir um controle sobre importações seria igual?
Steinbruch: Capital é uma coisa e produto é outra. Seja nacional, seja estrangeiro, capital para investimento é sempre bom. O que for para especulação ou aplicação financeira tem de ser tratado de forma diferente. A produção nacional, como o capital para investimento, precisa ser cultivada, precisa de atenção e dedicação. Precisamos limitar e penalizar os importados. O Brasil está hoje numa situação que precisa olhar para o umbigo.
Valor: Os dois principais candidatos, Dilma Rousseff (PT) e José Serra (PSDB), são percebidos entre os economistas como mais intervencionistas. O novo governo será mais intervencionista em câmbio, juros e comércio exterior?
Steinbruch: O governo não precisa ser tão intervencionista num país como o Brasil. Temos uma classe empresarial bastante ativa, seja no agronegócio, nos serviços, na indústria ou na parte financeira. O país está estruturado e não foi fácil chegar onde chegamos. Se forem dadas condições apropriadas, a parte provada faz o seu papel. O governo, então, pode priorizar aquilo que é fundamental, ou seja, a regulamentação e o controle. Para países que não tem a estrutura que nós construímos, aí sim, vale um governo intervencionista. Não precisamos ter juros subsidiados, mas compatíveis com o mundo. Se lá fora o juro é zero, aqui não pode ser 10% ao ano.
Valor: Então passa por intervenção para mudar isso, não?
Steinbruch: O Brasil pode escolher o país que quer ser, mas é um debate que obrigatoriamente passa pela classe empresarial, pelo governo e pela academia. Estamos numa direção em que nunca estivemos, podemos andar com nossas próprias pernas.
Valor: Caso a Dilma vença, o que ela faria diferente do Lula?
Steinbruch: Não sei se ela precisa fazer coisa diferente do Lula. Se ela seguir a linha do presidente Lula seria bastante bom. Estar atenta para essas questões, ou seja, dar mais chance para o setor privado evoluir. A gente pode jogar melhor, mas quem pode reclamar? Se o Serra ganhar a eleição é a mesma coisa. Precisamos de uma visão desenvolvimentista para o Brasil.
Valor: O que mais preocupa o empresariado?
Steinbruch: Preocupa tudo. Está faltando mão de obra, estamos colocando escola dentro do canteiro de obra, fazendo o que podemos para formar gente, algo que é um limitador do crescimento brasileiro.
Valor: O que acaba por aumentar os salários. Isso é um empecilho?
Steinbruch: Aumentar salário para o consumo de produção nacional é razoável. Duro é aumentar salário para o cara consumir bem importado, isso é uma distorção. Estamos em condições de avançar e agregar outros 50 milhões de consumidores na economia. É um país fantástico, mas ainda temos muito o que fazer. Enquanto lá fora estão fazendo de tudo, o possível e o impossível para ressuscitar a economia, aqui não precisamos disso.
Valor: O jovem percebe esse momento que passamos?
Steinbruch: O jovem brasileiro quer isso, existe esse anseio de se firmar como país. Sempre ouvi que o Brasil era o país do futuro. Hoje somos o país do presente e o desafio é ser uma potência do futuro. O Brasil hoje é um caso a ser estudado e replicado em outros países. (Valor Econômico – 17/08/10) Exportação de máquinas brasileiras ainda deixa a desejar neste ano A recuperação da economia mundial após a crise financeira do fim do ano de 2008 já provoca uma reação positiva para a indústria de máquinas agrícolas instalada no Brasil. Além do aumento das vendas internas de equipamentos, o que acaba influenciado os planos de incentivo do governo federal e de alguns Estados, as vendas externas de equipamentos como tratores e colheitadeiras também começam a dar sinais de retomada.
De janeiro a julho de 2010 foram exportadas 9.672 unidades, desempenho 17,6% superior ao registrado no mesmo período do ano passado. Apenas no mês passado foram embarcadas 1.626 unidades, volume 50,5% superior a julho de 2009.
A recuperação das vendas externas, no entanto, não é encarada pelas montadoras instaladas no país como um fato a ser comemorado. As empresas alegam que o atual desempenho ocorre sobre uma base muito pequena, uma vez que no acumulado de 2009 as vendas externas registraram uma retração de 51% em comparação a 2008, ano visto como um dos melhores pelas montadoras de máquinas agrícolas.
Em 2008, o mercado interno representou 65% das vendas da indústria nacional, ficando as exportações com 35%. Com a crise, a demanda externa recuou. O governo socorreu o setor e concedeu estímulos, o que elevou a procura doméstica. Nesse cenário, o mercado interno representou no ano passado 85% das vendas da indústria, deixando apenas 15% para as exportações.
"Os países da América do Sul estão em recuperação. As vendas para a região estão crescendo, mas ainda longe das exportações feitas pelo setor em 2008", afirma Fabio Piltcher, diretor de marketing para América do Sul da americana AGCO, dona das marcas Massey Ferguson e Valtra e líder de exportações no Brasil.
A recuperação, contudo, esconde uma fraqueza brasileira: a indústria nacional de máquinas já não é mais tão competitiva como antes. A mão-de-obra já não é mais tão barata e o câmbio já não oferece uma vantagem competitiva. Mesmo para a América Latina, o Brasil não tem mais a exclusividade no abastecimento dos países da região e é possível identificar a presença de máquinas agrícolas vindas de países como Índia, México e Turquia.
"Nos últimos dois anos, apareceram no mercado internacional fontes mais competitivas que o Brasil e já percebemos uma migração dos importadores para essas fontes. Na América do Sul o volume ainda não é representativo, mas podemos dizer que isso é uma tendência no médio e longo prazo que precisa ser melhor estudada", afirma Piltcher. Em recente entrevista ao Valor, André Carioba, vice-presidente sênior da AGCO para a América do Sul reconheceu que a empresa já havia importado tratores da Índia e que adotaria a mesma estratégia para outros países.
Mesmo preocupadas com o futuro das exportações, a italiana CNH - dona das marcas Case e New Holland - sentiu perdas de competitividade nas exportações para outros continentes. Mesmo assim, o grupo se mostra otimista com a velocidade da recuperação econômica de países da África e Ásia e espera que o ritmo de crescimento ocorra de forma superior ao observado na Europa e EUA.
"A América Latina é o nosso mercado e vamos continuar atendendo mesmo com um câmbio pouco favorável. Acredito que o Brasil tenha condições de voltar a ser um importante exportador de máquinas e em 2012 esperamos que o patamar de exportação volte para aquele registrado em 2008", diz Francesco Pallaro, vice-presidente comercial para América Latina da CNH.
Encarada pelo mercado como uma das empresas que menos tiveram perdas nas exportações nos últimos anos, a americana John Deere considera que as vendas externas deste ano estão em um ritmo favorável. "Estamos registrando vendas para toda América Latina e também países da África e do Oriente Médio. Essas duas últimas regiões têm grande potencial agrícola e estão aumentando a estabilidade política e econômica", afirma Alfredo Miguel Neto, diretor de assuntos corporativos da John Deere. (Net Marinha – 17/08/10) Em cinco anos, volume exportado caiu 30% O Brasil festejou quando a Argentina foi eliminada da Copa do Mundo, um dia depois da derrota brasileira, e tem se vangloriado agora, depois que a equipe, renovada, voltou a brilhar nos campos enquanto o time argentino continua em crise. Fora dos estádios, porém, os brasileiros devem um agradecimento ao país vizinho: não fossem os consumidores argentinos, as exportações de veículos brasileiros seriam quase nulas.
É verdade que os argentinos também devem aos brasileiros. Afinal, mais da metade da produção de veículos daquele país segue para o mercado brasileiro. A diferença é que o Brasil sempre foi o destino de praticamente 80% da exportação dos carros argentinos. Já o Brasil nunca dependeu tanto da demanda do país vizinho para poder vender além das fronteiras.
Já faz algum tempo que as vendas para o mercado argentino absorvem em torno de 70% das exportações de veículos feitos no Brasil. É por isso que um súbito aumento de demanda no país vizinho rapidamente se refletiu no crescimento das exportações, como aconteceu no último balanço do setor. Os dados mostraram um aumento de 78,4% nos volumes de veículos exportados na comparação com igual período de 2009.
Mas o resultado não mostra, porém, que o setor depende dos mercados vizinhos mais do que nunca e cada vez mais perde a competitividade fora do Cone Sul. As vendas para mercados vizinhos, aliás, fazem parte da estratégia das próprias montadoras de abastecer a América do Sul a partir do Brasil. Quando a concorrência sai do bloco dominado por essas multinacionais, o quadro muda.
As fábricas de veículos instaladas no Brasil começaram a perder clientes no exterior em 2005. Naquele ano, saíram do Brasil 897 mil veículos. Os volumes foram caindo gradativamente, até que a crise levou a uma redução para 475 mil em 2009. Além da valorização do real, a indústria instalada no Brasil passou a se dedicar com mais força aos carros populares. Esses modelos não atendem aos mercados mais exigentes. E no caso dos países emergentes, o produto brasileiro sofre cada vez mais a concorrência de antigos produtores, como a Coréia, e de novos, como a China.
Os representantes da indústria erguem a velha bandeira em favor de incentivos. "O Brasil é um dos únicos países do mundo a exportar impostos; isso acaba com a gente", diz o vice-presidente da General Motors, José Carlos Pinheiro Neto. Ele aponta o modelo coreano, que privilegia as exportações.
Nenhum dos quatro maiores exportadoras de veículos do país - Volkswagen, General Motors, Ford e Fiat - demonstra empolgação com o recente crescimento das exportações. E todos reconhecem que a recuperação é conseqüência da retomada do fôlego dos países vizinhos - com ênfase para a Argentina.
O gerente de exportações da Fiat, Euler Ervilha, diz que não é muito animador crescer 78% quando a base de comparação é "um dos piores anos da história da exportação de veículos no Brasil". A Fiat, que chegou a ser o maior exportador privado na última década, viu a quantidade de veículos embarcados para outros países cair de 103 mil em 2007 para 79 mil, em 2008. Em 2009 foram 46 mil. Vender 80 mil unidades este ano, como programa a montadora, significa voltar ao nível de 2008. A Fiat e todo o setor vivem a retomada a um nível que já estava baixo antes do tombo na crise.
"Se pegarmos a série histórica e eliminarmos 2009, que reflete a crise, perceberemos que a projeção da indústria para 2010, de chegar a 620 mil unidades, mantém a tendência de queda", afirma o diretor de assuntos institucionais da Ford, Rogelio Golfarb. O executivo lembra, ainda, que a participação da exportação na produção de veículos no Brasil caiu de 35% em 2005 para 18,3%, este ano. Claro que o aumento de demanda no mercado interno é, em parte, responsável por essa retração.
"É preciso olhar para a exportação com mais atenção; porque não adianta só vender no mercado interno", afirma o presidente da Volkswagen, Thomas Schmall. A Volks vem tentando preservar mercados fora da América do Sul. Vende o modelo Fox na Europa e está prestes a aproveitar o acordo de intercâmbio com o Egito para vender naquele país.
A Ford viu a receita com exportações cair de US$ 1, 2 bilhão, em 2005, para US$ 463 milhões no ano passado. Por isso, na comparação com 2009, a previsão de obter US$ 804 milhões este ano representa um salto.
A filial brasileira da GM , que chegou a vender veículos para 40 países, hoje conta com meia dúzia: Argentina, Uruguai, Chile, México, África do Sul e Paraguai. Das 44 mil unidades embarcadas no acumulado do ano, 30 mil seguiram para o mercado argentino. "No acordo aduaneiro só poderíamos exportar para a Argentina se também tivéssemos fábricas no país", diz Pinheiro Neto. Golfarb diz que a relação com a Argentina é diferente de outros destinos, pois trata-se de "uma complementariedade".
A história recente também revela, ainda, que os acordos livres de impostos, como o que o Brasil tem com o México, ajudaram o país a elevar as exportações por um lado, mas, por outro, também abriram espaço para que as montadoras incrementem a importação desses países.
Euler Ervilha, da Fiat, acredita que a força do mercado latino-americano pode ser suficiente para acelerar o ritmo das exportações. "O consumo anual de veículos na América Latina tende a crescer de 5,5 milhões para 7 milhões em 2014", afirma. (Net Marinha – 17/08/10) Importação garante retomada do frete Logística: Recuperação das exportações é mais lenta e segura reajustes dos valores cobrados na rota Brasil/EUA. Justo, gerente da armadora NYK, diz que os fretes ainda estão aproximadamente 20% inferiores em relação a 2008
Depois de ir à lona durante a crise mundial e amargar em 2009 o pior ano da história - com perdas mundiais estimadas em US$ 20 bilhões -, o transporte marítimo de contêineres retomou os volumes pré-colapso de 2008 chegando, em algumas rotas, a superar os números de dois anos atrás. Os valores dos fretes, porém, não acompanharam o ritmo e, em maior ou menor grau, ainda estão defasados, retardando a recomposição dos lucros dos armadores.
De acordo com dados da consultoria marítima Datamar, o tráfego Brasil-Estados Unidos, mais afetado na crise, teve em junho último o ponto de inflexão em volumes na comparação entre a primeira metade deste ano e a de 2008. A rota registrou em junho crescimento de 4,7% sobre o mesmo mês de 2008, saindo de 50.156 Teus (contêiner de 20 pés) para 52.543 Teus.
O frete, porém, permanece depreciado. O valor para enviar um contêiner de 40 pés do Brasil para a Costa Leste dos Estados Unidos hoje custa US$ 1.400, defasagem de 45% sobre os US$ 2.550 de agosto de 2008. Situação diferente é na importação, cujo preço vem ascendendo paulatinamente, num claro reflexo da escalada das compras brasileiras no exterior. Hoje, trazer o mesmo equipamento de 40 pés dos Estados Unidos sai US$ 2.450 ante US$ 1.850 em agosto de 2008.
"No nosso negócio a queda de frete é muito rápida e vertiginosa, mas a subida é como escalar uma montanha", diz o diretor-superintendente no Brasil do armador Hamburg Süd, Julian Thomas, para quem a recomposição dos volumes de cargas não deve ser encarada como definitiva - o que explicaria o fato de os valores não estarem se recuperando na mesma proporção. "Pode ser reposicionamento de estoques, além disso existem muitos contratos com período de um ano, com valores fixos", avalia.
O gerente-comercial do armador NYK Line do Brasil, Elmer Alves Justo, destaca que, de um modo geral, os fretes estão cerca de 20% inferiores. E pondera que, levados em conta os custos do desequilíbrio entre os fluxos de importação e exportação, operação portuária e despesas operacionais, "seria necessário um aumento geral de aproximadamente 30% para que pudéssemos recuperar a mesma situação de dois anos atrás".
Mesmo a rota do Brasil com a Ásia, a menos combalida pela derrocada do comércio exterior, ainda não recuperou o desempenho. O frete de importação de um contêiner de 20 pés entre os portos de Xangai (China) e Santos custa atualmente cerca de US$ 2.200. Em agosto de 2008, o valor estava em aproximadamente US$ 2.450.
"O trade com a Ásia foi o que menos caiu e o que vem se restabelecendo mais rapidamente", diz o diretor da Iro-Log, agente de carga que usa os serviços do armador China Shipping, André Seixas. Chamam atenção, no entanto, os valores depreciados na exportação. "Na rota Santos-Xangai o frete está cotado em cerca de US$ 800 o Teu, valor 63,6% menor que na importação, em razão do dólar extremamente baixo."
Segundo a Datamar, o acumulado de importações e exportações em todas as rotas marítimas brasileiras nos 12 meses de julho de 2009 a junho de 2010 cresceu 5,6%, totalizando 3.606.353 Teus, contra 3.415.127 Teus no mesmo intervalo de 2008-2009. O incremento foi puxado pelo robusto aumento dos desembarques, que saíram de 1.430.815 Teus para 1.691.947 Teus, um salto de 18,3%. Já os embarques foram 3,5% menores nos 12 meses terminados em junho na comparação com julho de 2008 a junho de 2009: 1.914.407 Teus ante 1.984.312 Teus. Como o Brasil tradicionalmente vendia muito mais do que comprava, os fretes de exportação costumavam subsidiar os de importação. Ocorre que a recuperação das exportações está mais lenta, com o câmbio desfavorável e as cargas manufaturadas perdendo espaço para as commodities - estas, nem sempre embarcadas em contêineres.
De maneira geral, os armadores não enxergam um efeito perverso nessa inversão de movimento e até vêem conseqüências benéficas, como o equilíbrio da frota de equipamentos nos tráfegos. Isso porque quando as exportações estão muito mais altas do que as importações, as empresas de navegação são obrigadas a trazer para o Brasil mais contêineres vazios para atender o mercado. No momento em que as importações estão mais consistentes, diminui essa operação. Para se ter uma idéia, o custo de reposicionamento de um contêiner da Europa para o Brasil é de US$ 500 por unidade.
"Há uma tendência errônea de encarar como virtude o fato de o país vender mais do que comprar. O importante é que haja livre comércio, porque assim todos ganham", argumenta o diretor do Centro Nacional de Navegação (Centronave), Elias Gedeon.
"O ideal seria ter o navio cheio nas duas direções, o que acontece é que o tráfego nunca vai ser assim. Os navios podem estar cheios nas duas viagens, mas com equipamentos diferentes", diz Thomas. (Net Marinha – 17/08/10) Mercado global está focado nas rotas transpacíficas Trade entre Ásia e Estados Unidos tem alta de quase 26% em volumes
O mercado marítimo global está atualmente focado no comércio entre Ásia e Estados Unidos. Conforme estatísticas do Zepol - consultoria que computa dados da alfândega americana -, durante a temporada de novos contratos (de maio a julho deste ano), o volume total na rota cresceu em 25,7%. Com isso, a capacidade semanal empregada nos serviços do trade está 12% acima do total computado em 2009 e já retornou aos mesmo níveis de 2008, de acordo com dados da Alphaliner.
A consultoria estima que a utilização da capacidade nesta rota de comércio atingiu 100% desde abril desde ano e apresentou picos em junho, antes de apresentar queda moderada em julho. As linhas que retiraram embarcações no ano passado, estão hoje incluindo maior tonelagem.
Os exportadores podem prever maior concorrência e poder de escolha no trade entre Extremo Oriente e EUA, à medida que armadores mudam seu foco para o mercado transpacífico. Neste ano, mais três companhias entraram ou estão para entrar no mercado: a TCC (The Containership Company) iniciou operações na rota em abril; a Hainan Pan Ocean Shipping, neste mês; assim como a Horizon Lines, que irá lançar um serviço em dezembro.
Os fretes spot da China para costa oeste dos EUA dobraram, situando-se em US$ 2.765 por Feu (unidade equivalente a um contêiner de 40 pés), comparado aos US$ 1.360 por Feu de dezembro do ano passado. Com sobretaxas de alta temporada incluídas na maioria dos contratos transpacíficos assinados este ano, os armadores empregaram capacidade extra para tirar proveito da robusta movimentação de volumes. (Net Marinha – 17/08/10) BNDES, transparência e pseudossubsídios Raciocínio tem que ser dinâmico e não estático; mais econômico do que contábi
A atuação do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) tem sido alvo de uma série de questionamentos, especialmente no que se refere a um alegado subsídio embutido nos empréstimos ao setor privado.
O foco tem sido nos aportes realizados pelo Tesouro Nacional ao banco, envolvendo nos últimos dois anos um montante de R$ 180 bilhões. Como os empréstimos do BNDES são corrigidos pela Taxa de Juros de Longo Prazo (TJLP), atualmente em 6% ao ano, e a dívida pública é regida principalmente pela Selic, a taxa básica de juros, definida pelo Comitê de Política Monetária (Copom), hoje em 10,75%, a diferença se configuraria em um subsídio ao setor privado.
No entanto, a questão não é assim tão simples. Aparentemente haveria na operação uma diferença de 4,75 pontos percentuais que se configuraria em um subsídio da ordem de R$ 8 bilhões ao ano, a ser coberto pelas contas públicas. Mas, o raciocínio aqui tem que ser dinâmico e não estático. Mais econômico do que contábil.
O primeiro ponto a ser destacado é que trata-se de empréstimos de longo prazo, de 30 ou mais anos. É muito pouco provável que a diferença atual, entre Selic e TJLP prevaleça nesse longo período. A tendência é que elas se aproximem, pois as taxas de juros básicos devem ser reduzidas.
Segundo, vale analisar o papel dos bancos públicos. Eles existem como atividade de fomento, financiando investimentos em infraestrutura, indústria e agropecuária, algo que os bancos privados nem sempre estão dispostos a fazer. Outro aspecto importante é que, no mundo cada vez mais globalizado, nossas empresas concorrem com outras, que têm condições de financiamento incomparavelmente mais favoráveis.
Empresas sul-coreanas e chinesas, por exemplo, contam com financiamentos públicos a custo praticamente zero e tem as suas atividades apoiadas com subsídios e incentivos porque são vistas como estratégicas para o desenvolvimento e inserção internacional desses países.
A questão é que as altas taxas de juros praticadas no mercado doméstico brasileiro inibem os investimentos produtivos. Elas são um verdadeiro convite ao ócio. Porque alguém investiria na produção para ganhar menos do que receberia adquirindo títulos da dívida pública, sem muito esforço e quase sem risco. Os próprios bancos privados tendem a não se interessar por operações de crédito, porque é muito mais cômodo e seguro financiar o Estado. No Brasil, os bancos públicos também têm a função de corrigir parcialmente essa anomalia.
Mas, as contas públicas também são favorecidas com o resultado das operações realizadas pelos bancos públicos. Primeiro porque há um efeito multiplicador dos investimentos, que vamos considerar, de forma conservadora, da ordem de duas vezes. Os R$ 180 bilhões adicionais de capacidade de empréstimos do BNDES geram potencialmente R$ 360 bilhões de atividade econômica, que propiciam uma receita tributária da ordem de R$ 72 bilhões, considerando, também de forma bastante conservadora, um carga tributária média de 20%.
O segundo aspecto é que a atividade do BNDES é lucrativa. Somente em 2009 gerou o lucro líquido de R$ 6,7 bilhões, depois do pagamento de Imposto de Renda. O Tesouro Nacional é beneficiário de grande parte desse lucro, na forma de dividendos.
Um terceiro ponto, de difícil mensuração, é o custo da não realização de investimentos. O BNDES praticamente dobrou a sua participação no financiamento de investimentos na infraestrutura e indústria nos últimos quatro anos, de 21%, em 2005, para quase 40% do total, em 2009. Se não houvesse o apoio dos bancos públicos muitos projetos não seriam realizados, especialmente na infraestrutura, representando uma restrição ao crescimento da atividade, do emprego, da renda e da receita tributária. Algo danoso para o país.
Ou seja, não há subsídio nas operações do BNDES, nem no conceito clássico da Organização Mundial do Comércio (OMC), porque os juros praticados, embora mais baixos do que a média do mercado brasileiro ainda estão muito acima dos concorrentes internacionais, nem representam ônus para as contas públicas, uma vez que a receita gerada para o governo, supera em muito o custo implícito na operação.
A crise internacional deveria ter ressaltado o papel crucial desempenhado pelos bancos públicos no Brasil, que representaram um importante instrumento de política macroeconômica anticíclica. Foi um determinante contraponto à escassez de crédito de financiamento e, portanto, um dos principais fatores que diferenciaram a economia brasileira de outros países em desenvolvimento que não puderam contar com instrumentos equivalentes.
Não deixa de ser curioso observar que os defensores do erário público e da transparência, no que se refere ao suposto subsídio dos empréstimos públicos ao setor privado, jamais tenham proposto o mesmo procedimento para o custo de financiamento da dívida pública. Os juros reais mais elevados do mundo geram uma despesa pública anual de 5,5% do Produto Interno Bruto (PIB), algo próximo de R$ 160 bilhões ao ano. Uma transferência enorme de renda de toda a sociedade para o setor financeiro e os rentistas, extremamente vulnerável às "expectativas" de inflação e de juros, que acabam influenciando fortemente as decisões do Copom! (Valor Econômico – 17/08/10) Superávit da balança comercial foi de US$ 427 milhões na segunda semana de agosto Exportações registraram US$ 4,099 bilhões nos cinco dias úteis do mês, enquanto importações chegaram a US$ 3,672 bilhões
A balança comercial brasileira registrou exportações de US$ 4,099 bilhões nos cinco dias úteis da segunda semana de agosto de 2010 (9 a 15), com média diária de US$ 819,8 milhões. A média é 7,2% inferior a da primeira semana do mês (US$ 883,6 milhões).
Na comparação pela média diária, entre esses dois períodos, houve retração de 15,6% nas vendas de produtos básicos, por conta, principalmente, de minério de ferro, farelo de soja, carne bovina, suína e de frango. Os manufaturados registraram queda de 4,9%, com destaque para autopeças, óleos combustíveis, óxidos e hidróxidos de alumínio, aviões e bombas e compressores. Já as vendas ao exterior de semimanufaturados cresceram 17,7%, por conta das vendas de açúcar em bruto, ouro em forma semimanufaturada, óleo de soja em bruto, ferro-ligas e ferro fundido.
As importações, na segunda semana de agosto, somaram US$ 3,672 bilhões, com média diária de US$ 734,4 milhões. Em relação a média diária da primeira semana do mês, houve acréscimo de 5,7%, motivado pelo aumento dos gastos com combustíveis e lubrificantes, veículos automóveis e partes, químicos orgânicos e inorgânicos, siderúrgicos, farmacêuticos, e adubos e fertilizantes.
A corrente de comércio (soma das exportações e importações) chegou a US$ 7,771 bilhões (média diária de US$ 1,554 bilhão) e o saldo comercial (diferença entre as duas operações) ficou positivo em US$ 427 milhões (média diária de US$ 85,4 milhões), na segunda semana deste mês.
Mês Nas duas primeiras semanas de agosto (dez dias úteis), as exportações foram de US$ 8,517 bilhões (média diária de US$ 851,7 milhões). A média é 29,2% superior a registrada em agosto do ano passado (US$ 659,1 milhões). Em relação a esses dois períodos, houve crescimento nas vendas de básicos (37,4%), por conta de minério de ferro, carne de frango, suína e bovina, café em grão e fumo em folhas. Também houve aumento nos manufaturados (25,6%), devido à maior venda de óleos combustíveis, açúcar refinado, veículos de carga, óxidos e hidróxidos de alumínio e autopeças. Nos semimanufaturados, o acréscimo foi de 17,4%, com destaque para couros e peles, celulose, açúcar em bruto e ferro fundido.
Na comparação com a média de julho de 2010 (US$ 803,3 milhões), houve aumento de 6% nas exportações, com alta nos produtos básicos (10,2%) e nos manufaturados (7,6%), enquanto decresceram as vendas de semimanufaturados (-10,8%).
As importações, no acumulado mensal, foram de US$ 7,147 bilhões (média diária de US$ 714,7 milhões). Na comparação pela média diária, o número é 39,1% superior ao de agosto de 2009 (US$ 513,7 milhões), com crescimento dos gastos de siderúrgicos (111,4%), borracha e obras (76,8%), equipamentos eletroeletrônicos (54,4%), plásticos e obras (50,6%), veículos automóveis e partes (49,3%), farmacêuticos (44,3%) e combustíveis e lubrificantes (40,2%).
A média da segunda semana de agosto, porém, ficou 3,6% abaixo da registrada em julho passado (US$ 741,6 milhões) e houve queda nas compras de combustíveis e lubrificantes (-20,6%), instrumentos de ótica e precisão (-11,8%), adubos e fertilizantes (-11,5%), borracha e obras (-5,6%) e equipamentos mecânicos (-4,9%).
No período, a corrente de comércio alcançou US$ 15,664 bilhões (média diária de US$ 1,566 bilhão) e houve superávit de US$ 1,370 bilhão (média diária de US$ 137 milhões) no saldo comercial. A média diária do saldo da balança comercial de agosto cresceu 122,1% na comparação com julho passado (US$ 61,7 milhões) e caiu 5,8% em relação a agosto de 2009 (US$ 145,4 milhões).
Ano
No acumulado de janeiro a segunda semana de agosto deste ano (155 dias úteis), as vendas ao exterior somaram US$ 115,377 bilhões (média diária de US$ 744,4 milhões), nas importações, US$ 104,774 bilhões (média diária de US$ 676 milhões), e o superávit chegou a US$ 10,603 bilhões (média diária de US$ 68,4 milhões). Na comparação com a média diária do mesmo período de 2009, as exportações brasileiras cresceram 27,4% e as importações, 45,3%, mas o saldo teve queda de 42,5%.
A corrente de comércio acumulada no período em questão totalizou US$ 220,151 bilhões (média diária de US$ 1,420 bilhão). Pela média diária, o valor foi 35,3% maior que o aferido no mesmo período de 2009.(Net Marinha – 17/08/10) China passa Japão e se torna 2ª maior economia, com PIB de US$ 1,33 tri O Japão informou que sua economia teve crescimento anualizado de 0,4% no segundo trimestre, muito abaixo dos 4,4% registrados nos três primeiros meses do ano.
Com isso, a China ultrapassou o Japão e tornou-se a segunda maior economia do mundo.
No segundo trimestre, o Produto Interno Bruto (PIB, soma de bens e serviços produzidos) japonês foi de US$ 1,28 trilhão, enquanto o chinês ficou em US$ 1,33 trilhão no mesmo período.
No primeiro semestre, no entanto, o Japão ainda ficou à frente, com US$ 5,07 trilhões, contra US$ 4,9 trilhões da China. Há duas semanas, o governo chinês já anunciara que o país era a segunda potência mundial.
Não foi surpresa. A economia chinesa foi impulsionada pelo crescimento das exportações, principalmente de bens de consumo e de capital. A distância em relação ao Japão daqui para a frente, no entanto, vai depender do crescimento do mercado interno — disse Luís Afonso Lima, presidente da Sociedade Brasileira de Estudos de Empresas Transnacionais e da Globalização (Sobeet).
Tang Wei, diretor-geral da Câmara Brasil China de Desenvolvimento Econômico, lembrou que ainda é preciso distribuir melhor a renda: — Figurar como a segunda maior economia não significa estar no clube dos mais ricos.
O banco Goldman Sachs já previu que a China deve passar os EUA (PIB de US$ 14 trilhões) em 2027. (O Globo – 17/08/10) 2,92% x 2,9% do PIB mundial O Fundo Monetário Internacional prevê que, em 2010, o Brasil terá 2,9% de participação na produção de riqueza mundial, vale dizer, 2,9% do PIB (Produto Interno Bruto) do globo, mesmo considerando crescimento previsto, neste ano, de 7,1%, contra 4,6% do planeta.
Todos os economistas mais conscientes do país sabem que este crescimento de 7,1% não é sustentável por falta de infraestrutura e que será menor em 2011.
O governo tem aplicado pouco mais de 1% do PIB em investimentos e o PAC (Programa de Aceleração do Crescimento), apesar das disponibilidades financeiras, ficou muito aquém do planejado e previsto, amarrando o desenvolvimento nacional.
O próprio aquecimento do mercado preocupa, pois a inflação pode retornar, sendo o aumento de juros a única arma de que dispõe o governo federal, visto que o peso da máquina estatal cresceu assustadoramente na era Lula. Foram contratados, entre administração direta e indireta, mais de 350 mil servidores públicos, concursados ou não.
Só para se ter idéia do peso burocrático, pouco mais dos 900 mil servidores aposentados da União geram um déficit na Previdência de R$ 47 bilhões, enquanto 27 milhões de aposentados do setor privado geram apenas R$ 3 bilhões!
Por outro lado, no ano de 2010, nas transações correntes, o déficit será de quase US$ 50 bilhões, o que vale dizer: com a queda do saldo previsto da balança comercial, o saldo negativo do balanço de pagamentos será, talvez, o maior da história brasileira.
Acrescente-se que, nas exportações, voltamos aos mesmos índices de produtos de valor agregado da década de 80, ou seja, exportamos em torno de 45% de produtos industrializados contra mais de 50% na década de 90. E começamos a importar de tudo por conta do real supervalorizado.
Estou convencido de que o governo federal nunca desejou uma reforma tributária, pois, detendo 70% do bolo tributário, e quase 60%, após as transferências para Estados e municípios, não pretende correr o risco de perder tal participação na arrecadação global.
O certo é que o quadro para o futuro não é brilhante, havendo pontos de estrangulamento notórios, não passíveis de análise neste curto artigo, o que levará, qualquer que seja o futuro presidente, a ter que colocar a casa em ordem.
O mais curioso, todavia, é que, em 2002, último ano do governo Fernando Henrique, a participação do Brasil no PIB global era de 2,92%, vale dizer, 0,2% a mais do que no último ano do governo Lula.
Isso significa que, apesar de o Brasil ter crescido, o mundo cresceu mais. De rigor, Fernando Henrique entregou o governo ao presidente Lula com uma participação no PIB global maior do que a que Lula entregará a seu sucessor.
É de se lembrar que, em 2000, a China tinha uma participação no PIB global de 7%, e a Índia, de 4%.
Os indianos pularão, em 2010, para 5% e a China para 13%, enquanto o Brasil regredirá para 2,9%.
Em outras palavras, nada obstante o aumento do PIB per capita, o Brasil cresceu apenas pelo "efeito maré" da economia mundial, que, apesar da monumental crise de 2008 e 2009 e da crise européia de 2010, se comportou melhor que a economia brasileira.
Roberto Campos, ao prefaciar meu livro "Desenvolvimento Econômico e Segurança Nacional -Teoria do Limite Crítico", disse que a melhor forma de "evitar-se a fatalidade é conhecer os fatos". Infelizmente, o mundo da fantasia raramente se coaduna com a realidade do mundo. (Folha de S. Paulo – 17/08/10) Norte-americanos financiarão importações de máquinas Bens de capital produzidos nos Estados Unidos poderão ser importados por empresários do ABC Paulista com financiamento de longo prazo, a taxa de juro de 3,5% ano. O benefício, estendido a todos empresários brasileiros, foi anunciado durante apresentação do Ciclo de Palestras - Ações Internacionais, em Santo André. O evento, promovido pelo Departamento de Relações Internacionais da Secretaria de Desenvolvimento Econômico e Trabalho de Santo André, mostrou ainda que haverá período de seis meses de carência nesse tipo de negócio, sem a necessidade de oferecer bens como garantia.
As condições foram apresentadas por Fabio Yukio Yamada, representante do PNC Bank, o quinto maior banco dos Estados Unidos, durante o Ciclo de Palestras - Ações Internacionais, que reuniu representantes comerciais daquele país e empresários locais, além dos membros da Secretaria, como o secretário Edson Salvo Melo; o adjunto Charles Couto de Camargo; o presidente da Câmara Municipal, Sargento Juliano e outros integrantes da Administração. Diante da platéia de cerca de 350 empreendedores no Teatro Municipal, o executivo do banco se referiu especificamente ao sistema do Export-Import Bank of the United States, agência criada em 1934 cuja missão é facilitar o financiamento de exportações de bens, produtos e serviços norte-americanos.
Yamada explicou ainda que o Ex-Im Bank é financiado com recursos do governo norte-americano e funciona como espécie de seguro aos fabricantes norte-americanos. "Eles sabem que receberão pela venda mesmo na hipótese de o importador deixar de pagar. Esta previsibilidade proporciona segurança e fomenta a economia norte-americana."
Apesar disso, a inadimplência praticamente inexiste, segundo Yamada, porque a concessão do crédito está atrelada a um estudo da saúde financeira e da capacidade de pagamento das tomadoras de crédito. "Entre as prerrogativas para liberação dos recursos, é preciso apresentar o balanço contábil dos últimos três anos a fim de se constatar a lucratividade e a capacidade para contrair o financiamento. Além disto, o valor financiado é limitado a 40% do patrimônio líquido da empresa", afirma ele. O sistema Ex-Im Bank é válido para financiamentos de no mínimo US$ 500 mil.
Fundo perdido
Em outra palestra, o representante brasileiro da Agência Norte-Americana para Comércio e Desenvolvimento, Rodrigo Mota, apresentou o crédito que proporciona benefícios indiretos à economia dos EUA: o financiamento a fundo perdido de estudos de viabilidade econômica para projetos em transporte; energia; tecnologia da informação e comunicações (TIC); meio ambiente. "Financiamento a fundo perdido é o feito sem que haja necessidade de pagar em troca. Mas é necessário que haja potencial de utilização de produtos, serviços e tecnologias americanas", explicou Mota.
A USTDA, na sigla em inglês, é custeada pelo congresso norte-americano e financiou mais de 240 projetos em 51 países somente no ano fiscal de 2009. Especificamente no Brasil, a USTDA já financiou projetos de central de armazenamento de dados no Ceará, de sistema de saneamento básico em Minas Gerais e de implantação de banda larga no Acre. O Ciclo de Palestras contou ainda com apresentações do ministro conselheiro do governo Barack Obama para Assuntos Comerciais, Daniel DeVito, e outros. (DCI – 17/08/10) Balança comercial acumula superávit de US$ 10,6 bilhões A balança comercial brasileira acumula superávit de US$ 10,603 bilhões em 2010, até a segunda semana de agosto.
De acordo com dados divulgados pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria e comércio exterior (Mdic) ontem, o saldo é 42,5% inferior aos US$ 18,433 bilhões registrados no mesmo período do ano passado.
Essa queda expressiva é apontada por economistas e analistas de comércio exterior como um indicador preocupante para o futuro das contas externas do País. No entanto, a corrente de comércio (soma das exportações e importações) chegou a US$ 220,151 bilhões na semana passada, superando em 35,3% os US$ 162,685 bilhões apurados em igual período de 2009.
De acordo com o Mdic, no período, as exportações totalizaram US$ 115,37 bilhões, com média diária de US$ 744,4 milhões, equivalente a um crescimento de 27,4% ante a média de US$ 584,3 milhões registrada até a segunda semana de agosto de 2009.
Neste ano, as importações já chegaram a US$ 104,774 bilhões, com média diária de US$ 676 milhões, valor 45,3% superior à média de US$ 465,3 milhões registrada em igual período do ano passado, segundo o Mdic.
A balança comercial brasileira registrou superávit de US$ 427 milhões na segunda semana de agosto, de acordo com o Mdic. Entre os dias 9 e 15 deste mês, as exportações somaram US$ 4,099 bilhões , com média diária de US$ 819,8 milhões.
Já as importações somaram US$ 3,672 bilhões na segunda semana do mês, correspondentes a uma média diária de US$ 734,4 milhões.
No mês de agosto, o superávit comercial brasileiro acumula US$ 1,370 bilhão. Nos dez primeiros dias úteis de agosto as exportações totalizaram US$ 8,517 bilhões e as importações chegaram a US$ 7,147 bilhões.
Em relação à média diária de embarques de agosto do ano passado, houve crescimento de 29,2% no período de 12 meses, enquanto ante julho deste ano o aumento foi de 6%. Nas importações, o valor foi 39,1% superior à média registrada no mesmo mês de 2009 e 3,6% inferior ao apurado em julho de 2010. (DCI – 17/08/10) Amorim defende continuidade da política externa Para o chanceler, a linha adotada pelo Brasil deve ser mantida independentemente de quem ganhar a eleição de outubro. 'Os benefícios são tão óbvios', disse. 'Seria pouco sensato abandoná-la.'
São Paulo – O ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, defendeu a continuidade da política externa do governo brasileiro, independentemente de quem seja o vencedor da eleição para presidente em outubro. "Minha convicção é que a política externa não vai se alterar", afirmou o chanceler, na noite desta sexta-feira (13), antes de jantar em sua homenagem oferecido pela Câmara de Comércio Árabe Brasileira, em São Paulo.
"Mesmo aquelas pessoas com menor sensibilidade do ponto de vista político e cultural, ou que não têm interesse na paz mundial, que acham que a gente não deveria se envolver, não vão poder abandonar [a política externa]", declarou Amorim.
Para ele, os benefícios da aproximação promovida pelo governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva com outros países em desenvolvimento, especialmente do Oriente Médio e África, "são tão óbvios". Como exemplo, ele citou o aumento do comércio do Brasil com o mundo árabe, que saiu de pouco menos de US$ 5 bilhões em 2003, primeiro ano do primeiro mandato de Lula, para mais de US$ 20 bilhões em 2008.
"Os aspectos materiais são muito fortes", disse. Ele ressaltou que, além da exportação de alimentos, empresas brasileiras vendem produtos de alto valor agregado, como aviões e veículos terrestres, além de realizarem investimentos industriais na região. O Brasil tem também atraído investimentos árabes. "Acho que a política será mantida, seria muito pouco sensato abandoná-la", acrescentou.
A política externa do governo tem sido criticada pelo principal candidato da oposição à Presidência, José Serra (PSDB), ex-governador de São Paulo. Ele e a candidata da situação, Dilma Roussef (PT), ex-ministra da Casa Civil de Lula, são os dois candidatos mais bem avaliados nas pesquisas de opinião.
Questionado se permanecerá no ministério caso Dilma vença, Amorim afirmou que "isso não é importante", mas sim que o governo tenha a cara do governante e que a área internacional "é a cara do governo fora do país". "Acho que ela (Dilma) tem que ter total liberdade para escolher seus assessores", afirmou. "O que é importante é que a linha [política] permaneça, e acho que ela vai permanecer", destacou.
Mais acordos
Enquanto o governo Lula não acaba, Amorim disse que é possível fazer ainda mais na seara das relações com os países árabes. Atualmente o Brasil está na presidência rotativa do Mercosul e Amorim acredita, por exemplo, que a negociação de livre comércio com a Jordânia "pode avançar e até ser concluída". Na semana passada, o bloco sul-americano firmou um tratado do gênero com o Egito, o primeiro com um país árabe.
O chanceler acredita também que um acordo quadro para iniciar uma negociação semelhante com a Síria pode ser assinado até o final do ano.
Sobre outras tratativas do gênero já iniciadas, como com o Marrocos e o Conselho de Cooperação do Golfo (GCC), Amorim não fez previsões, mas disse que espera que o Brasil possa contribuir para que eles avancem. O GCC é composto por Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos, Bahrein, Catar, Kuwait e Omã.
No caso dos países do Golfo, o acordo emperrou por causa da resistência da indústria petroquímica do próprio Brasil em aceitar a redução de tarifas para importação de petroquímicos da região. Amorim afirmou que há também resistência no lado árabe no ramo de alimentos, especialmente dos produtores de carne de aves.
Ele ressaltou, porém, que em um caso como este "é preciso um pouco de audácia", e citou o exemplo da negociação com o Egito, que foi facilitada pelo empenho pessoal do ministro da Indústria e Comércio do país árabe, Rachid Mohamed Rachid.
O chanceler destacou, por exemplo, que, se o acordo com o GCC não caminha na área de bens, pode-se avançar nas áreas de serviços e investimentos. Para ele, negociações assim são como uma "pescaria", algumas vezes o retorno é fácil, mas em outras é preciso jogar a rede novamente. "É algo que exige tempo", concluiu. (ANBA – 16/08/10) Entrevista - Gabriel Rico A recuperação lenta e ainda incerta da economia americana não desanima as empresas brasileiras que mantêm negócios com a maior potência mundial. Gabriel Rico, presidente da Câmara Americana de Comércio (Amcham), acredita que há janelas de oportunidades abertas em quase todos os segmentos e avalia que, com a sucessão presidencial a partir do próximo ano, será inevitável que os dois países intensifiquem relações, o que impulsionará o comércio.
Apesar disso, Rico adverte que o Brasil precisa atacar com urgência velhos gargalos estruturais que emperram a competitividade. Gastar menos com o custeio do Estado e baixar a guarda para que acordos bilaterais possam ser fechados também são algumas das recomendações. Segundo ele, as contrapartidas virão. "O Brasil terá mais oportunidades de entrar no mercado americano não só com carne e etanol", diz.
O avanço da China sobre a pauta de exportações e importações brasileiras preocupa a Amcham, assim como as investidas diplomáticas dos que, eventualmente, emitem sinais contraditórios para quem quer comprar e vender. "O Brasil tem importância mundial em determinados casos, sendo considerado uma grande potência. Agora, não somos potências em todos os campos. Quando nos lançamos sobre áreas em que não temos vivência histórica, acho que vivemos uma fase de quem está crescendo, talvez uma adolescência. O Brasil não é potência nuclear", reforça. A seguir, os principais trechos da entrevista ao Correio.
Hora de discutir a relação com os EUA Temos de ser pragmáticos. Se a opção por negociar em bloco tivesse trazido resultado, a gente diria: ótimo. Mas não trouxe."
A importância relativa do país aumenta. É muito mais fácil fazer negócios com o Brasil do que com a Rússia, com a China e com a Índia."
Qual é a importância do Brasil no contexto mundial?
Houve duas grandes viradas, duas mudanças de impacto. A primeira diz respeito ao aspecto macroeconômico. Hoje, temos solidez e isso nos deu um diferencial em relação aos demais países da América Latina. A segunda mudança é o fortalecimento do mercado interno, com a redução da classe D e E, e o crescimento das classes A, B e C. Esses componentes não vão mudar no próximo ano.
Independentemente do governo que for eleito? Quem quer que seja o governo, até porque aventuras no campo econômico não compensam mais no campo político. Quem faz aventuras na economia, em geral, paga nas eleições. E hoje, nenhum governante toma esse risco.
E quanto aos obstáculos que emperram um avanço mais acelerado do país?
O Brasil tem claríssimos gargalos na sua competitividade internacional. Embora sejamos uma das 10 maiores economias do mundo, quando nos deparamos com relatórios que tratam desse tema, o país é o 54º em um grupo de 133 nações. Existe um disparate, é preciso fazer algo. São quatro gargalos: a deficiência de mão de obra qualificada; a falta de infraestrutura, incluindo as dificuldades de planejamento; a complexidade jurídica, um emaranhado de normas sem fim; e a ineficiência do Estado brasileiro, que arrecada muito e não consegue investir.
O gasto corrente preocupa?
A velocidade do aumento do custeio público é maior do que o crescimento da economia. Essa alta está comprometendo estruturalmente a modernização do país. E para complicar, se o governo não tem todo o dinheiro para investir, ele precisa agregar a iniciativa privada. Só que para isso acontecer é necessária a segurança jurídica que incentive as empresas. Esses são os nossos nós que podem reduzir o ritmo de crescimento do país nos próximos anos.
Esse debate ainda não foi colocado de forma clara nessas eleições. Ele não atrai?
Não atrai porque, infelizmente, falta qualificação da própria audiência. Temos a carência da educação. O país precisa de um salto qualitativo de gestão muito grande. Isso tem de acontecer. O próximo governo tem de atacar essas áreas. Defendemos que isso não seja um projeto de governo, tem de ser um projeto de Estado. A linha mestra deve seguir para que o Brasil se torne potência.
O próximo governo vai se aproximar mais dos Estados Unidos?
Vejo com muita esperança, qualquer que seja o governo. Não simplesmente pela troca, mas porque está se tornando evidente a enorme oportunidade de fortalecimento das relações. Os Estados Unidos têm sua culpa nisso também, porque, ao longo de anos, o Brasil sempre foi um país importante, mas não estratégico. Hoje, os Estados Unidos olham para o Brasil como estratégico, porque em todas as grandes questões o país é importante.
O Brasil tem se posicionado muito politicamente, expressando posições a favor do Irã, não reconhecendo o governo de Honduras. Há críticas dos Estados Unidos, parece até que as relações se desgastaram um pouco. Isso atrapalha?
O Brasil tem importância mundial em determinados casos, sendo considerado uma grande potência. Se falamos em produção de alimentos, por exemplo, o potencial de crescimento é enorme. Em questões de meio ambiente, também. O mesmo vale para as relacionadas à água e à geração de energia. Agora, não somos potências em todos os campos. Quando nos lançamos sobre áreas em que não temos vivência histórica e até diplomática, acho que vivemos uma fase de quem está crescendo, talvez uma adolescência. O Brasil não é potência nuclear. Questões dessa natureza são discutidas por grandes potências nucleares. A presença do país soa como um corpo estranho nesse clube fechado. Está procurando seu espaço, mas temos de caminhar com prudência, porque as relações têm vasos comunicantes.
E em relação especificamente ao Irã?
Não vimos até agora repercussão nas relações comerciais. Mas vimos, sim, que existe uma evolução muito lenta no ritmo das negociações de acordos bilaterais de acordos com os Estados Unidos. E isso é preocupante, é estratégico e não temos cuidado como deveríamos.
O senhor pode ser um pouco mais específico?
Na América Latina, há exemplos de países com níveis de crescimento e modernização muito interessantes. O Chile fechou um acordo de livre comércio com os Estados Unidos no início dos anos 1990 e teve um crescimento ímpar e um nível de qualidade de vida incomparável. Outros países, como a Costa Rica e o Peru, também. O Uruguai, com muita habilidade, assinou um acordo de comércio e de investimentos com os americanos sem macular as relações com o Mercosul, mostrando que existem brechas a ganhar na relação com os Estados Unidos. O Brasil avançou muito pouco nessa direção. Então a política com o Irã, concretamente, não afetou, mas as relações comerciais e o encaminhamento de acordos estão muito aquém do dinamismo da iniciativa privada dos dois lados.
Por opção, o Brasil prefere fechar acordos em bloco e não bilaterais. Quer dizer que isso atrapalha?
Temos de ser pragmáticos. Se a opção por negociar em bloco tivesse trazido resultado, a gente diria: ótimo. Mas não trouxe. E vemos aí outros países que, por meio de acordos bilaterais, têm conseguido grandes avanços. O Brasil deve trabalhar agressivamente nas relações bilaterais.
Talvez por esse motivo os Estados Unidos tenham perdido parte considerável da importância comercial com o Brasil, cedendo espaço para a China? A queda tem dois motivos fundamentais. O primeiro é que os Estados passaram por uma crise muito forte, reduzindo as importações. O outro aspecto é que, com a enorme demanda chinesa, o Brasil passou a exportar muito mais commodities para a China. Mas temos de tomar cuidado para não nos transformamos em um grande fornecedor de produtos básicos para lá e daqui a pouco sermos grandes compradores de produtos acabados chineses, que são produzidos a custos muito inferiores se comparamos ao que se produz aqui. O Brasil de curto prazo está em uma situação interessante, mas temos de olhar isso. Há 20 anos, a indústria brasileira representava cerca de 36% do PIB. Hoje, responde por apenas 22%. Essa queda é muito séria.
Seria o caso de incrementar ainda mais a pauta de exportações brasileiras para os Estados Unidos, tentando vender carne in natura e etanol, por exemplo? O Brasil será o maior produtor e o maior exportador de alimentos do mundo. Temos terra, clima favorável, tecnologia. As condições são gigantescas. Sem dúvida, o país deverá entrar no mercado americano com etanol. A tarifa que incide sobre o produto nacional tende a cair. No caso do etanol, porém, o grande gol não é a eliminação da taxa adicional que existe nos Estados Unidos (o combustível paga um imposto de 2,5%, além de US$ 0,54 por galão). O Brasil deve se unir aos americanos para regulamentar os padrões internacionais e fazer do etanol uma commodity. Quando isso acontecer, vai poder exportar muito mais etanol, não necessariamente para os Estados Unidos, mas para o mundo todo. O importante é usar com inteligência a relação e não bater de frente com lobbies estruturados.
E os subsídios americanos?
O governo Obama definiu uma meta na qual eles precisam dobrar as exportações em cinco anos. A economia americana é muito forte em produtos acabados, em tecnologia de ponta e serviços. Para eles dobrarem as exportações não poderá haver mácula, não pode haver subsídio agrícola do passado. Vai ser preciso limpar tudo. O Executivo tem dificuldade porque há resistências no Congresso americano, que está lá para defender algumas culturas. Existe uma discussão, mas a pressão do governo é que na Farm Bill (lei que consolida os programas da política agrícola americana até 2012) se limpe muito os subsídios. O Brasil terá mais oportunidades de entrar no mercado americano não só com carne e etanol.
O fato de a crise internacional ter fragilizado tanto a economia americana e, no momento, o governo Obama estar tão voltado para questões internas não dificultam a aproximação com o Brasil? De um lado atrapalha, porque na hora da crise é natural se olhar para as necessidades internas. Mas, por outro lado, a importância relativa do Brasil aumenta. É muito mais fácil fazer negócios com o Brasil do que com a Rússia, com a China e com a Índia. O que eu acho muito interessante nos Estados Unidos é que eles separam política externa de comércio. Hugo Chavez está aí, com conflitos evidentes, e os Estados Unidos seguem importando muito e muito bem petróleo de lá. O mesmo vale para a China. A vida continua. Os americanos são muito pragmáticos. E o Brasil, em seu modelo, junta política externa com negociação. Às vezes, isso pode trazer dificuldades. Na medida em que o mundo se torna mais complexo e o Brasil, mais importante, há de se pensar nesse aspecto. (Correio Braziliense – 16/08/10) PIB da China supera o do Japão no 2º tri Economia japonesa se desacelera e deve perder para a chinesa em 2010 posto de 2ª maior do mundo, atrás da dos EUA
No fim dos ano 1980, PIB chinês era 7% do japonês, que, na época, parecia se encaminhar para o topo do ranking
A economia japonesa se desacelerou no segundo trimestre e perdeu para a China o posto de segunda maior do mundo -ao menos no período de abril a junho.
O PIB japonês cresceu 0,1% em relação aos três primeiros meses do ano, quando se expandiu em 1,1%, com a valorização do iene em relação ao dólar prejudicando o setor exportador e o consumo interno perdendo força.
O resultado é que o PIB japonês no segundo trimestre ficou em US$ 1,29 trilhão, ante US$ 1,34 trilhão dos rivais chineses, segundo cálculos do Wall Street Journal.
Os dados de abril a junho (que ainda estão sujeitos a revisão) indicam que irá se confirmar a previsão do banco central chinês de que o país passará já neste ano o Japão como a segunda maior economia global.
Não que o dado possa ser considerado realmente surpreendente. O Japão passou todos os anos 1990 e a atual década com baixo crescimento (nesse período, só teve uma expansão anual maior que 3%), enquanto a China acumulou taxas de avanço de mais de um dígito -até se tornar o principal motor da retomada global.
O próprio FMI prevê que a China irá passar neste ano o Japão como a segunda maior economia mundial, atrás apenas da dos EUA.
No ano passado, a distância entre os dois países era de US$ 150 bilhões (algo como o PIB anual do Chile). E a vantagem chinesa neste ano será de US$ 92 bilhões, prevê o Fundo, que calcula que o país terá um PIB de US$ 5,4 trilhões -o dos EUA chegará a US$ 14,8 trilhões.
Ainda que a distância do PIB per capita dos dois países seja enorme (o japonês, de US$ 40 mil, é quase dez vezes maior que o chinês), a vantagem de Pequim é um marco -ainda mais levando em conta a rivalidade histórica entre as duas nações- e algo impensável há 20 anos.
No fim da década de 1980, quando parecia que o Japão iria se tornar a maior economia do mundo, o PIB chinês representava menos de 7% do tamanho do japonês. Desde então, os chineses passaram Reino Unido, França e, em 2007, Alemanha. (Folha de S. Paulo – 16/08/10) G7 deveria ser extinto, afirma pai do Bric Jim ONeill é economista-chefe do Goldman Sachs, um dos mais importantes bancos de investimento do mundo. Mas talvez seja mais conhecido como o pai do termo Bric (acrônimo para Brasil, Rússia, Índia e China).
Em entrevista à Folha, ele disse que, com a emergência dos Brics -que se tornarão as maiores economias do mundo em pouco mais de 20 anos-, o G7 (grupo de países avançados) talvez devesse deixar de existir.
Ele também afirmou que, para atingir taxas mais altas de crescimento de suas rendas per capita, países como Brasil e Índia terão de atingir aumentos espetaculares de produtividade.Em troca de e-mail posterior à entrevista com a Folha, ONeill ressaltou que as perspectivas de progresso do Brasil não são ruins. O economista mencionou que o país está relativamente bem posicionado em um ranking feito pelo banco que leva em conta fatores como estabilidade macroeconômica, tecnologia, condições políticas e capital humano. Em 2009, o Brasil ocupou a 69ª entre 179 países nesse ranking, na frente dos demais Brics.
Folha - As economias dos Brics passarão as do G7 em 2032. Mas, em termos de renda per capita, o hiato entre Brics e G7 seguirá grande. Qual será o impacto disso na agenda de discussões global?
Jim ONeill - É um desenvolvimento interessante. Isso faz o arcabouço institucional global muito mais complexo. O G7, por exemplo, deveria talvez deixar de existir, já que não refletirá as maiores economias. Nesse sentido, o G20 é uma opção melhor. Há assuntos muito importantes em jogo e é muito provável que os países dos Brics terão muito a dizer.
Suas projeções mostram que o Brasil, entre 73 países, permanecerá na 47ª posição em termos de PIB per capita entre 2009 e 2032. A Índia é um caso parecido com o brasileiro. O que explica isso? A lógica por trás dessas projeções é que as populações do Brasil e da Índia vão crescer significativamente. Eles têm uma demografia mais jovem que a de outros países, e, para que a renda deles se acelere ainda mais em termos relativos, terão de atingir taxas de crescimento de seus PIBs (Produto Interno Bruto) ainda maiores. Isso vai requerer aumentos espetaculares de produtividade.
Por que alguns países do Leste Europeu e da Ásia, ao contrário da maioria das nações da América Latina, atingirão progresso significativo no aumento de suas rendas per capita em termos relativos? Eu acho que no cerne dessa diferença está a produtividade, e na raiz disso está provavelmente a educação. ( Folha de S. Paulo – 16/08/10)País ficará estagnado em ranking de renda Peso do país no PIB mundial não mudará em 20 anos, diz EIU; economistas culpam baixa produtividade
Entre 2009 e 2032, o Brasil terá saltado da oitava para a quinta posição no ranking de maiores economias do mundo. Mas, em termos de renda per capita, o país permanecerá estagnado na 47ª posição em uma lista de 73 nações.
As projeções são do banco Goldman Sachs, que inventou o acrônimo Bric (Brasil, Rússia, Índia e China). 2032 é o ano em que a instituição prevê que, somadas, as economias dos Brics (no cálculo em dólares) alcançarão as do G7 (EUA, Reino Unido, Japão, Itália, Alemanha, França e Canadá).
A renda per capita é uma medida da riqueza e nível de desenvolvimento de uma nação, resultado da divisão do PIB (Produto Interno Bruto) pelo total de habitantes.
Em termos absolutos, o Goldman Sachs prevê um forte aumento no PIB per capita brasileiro (em dólares), que quase triplicará, alcançando US$ 21 mil em 2032.
Mas outros emergentes darão saltos maiores. Os destaques são algumas nações do Leste Europeu -principalmente devido à tendência de encolhimento de suas populações- e da Ásia.
CHINA
No caso da China, por exemplo, o PIB per capita crescerá cerca de seis vezes e encostará no brasileiro, levando o país a saltar da 56ª para a 48ª posição. Entre os demais Brics, a Rússia avançará cinco posições, e a Índia, apenas uma no ranking de renda per capita.
Saltos de produtividade são a chave para que países como Brasil e Índia, cujas populações continuarão a crescer a taxas elevadas, atinjam ritmo de crescimento suficiente para levar a expansão mais significativa de suas rendas per capita.
Mas, segundo o economista Eduardo Giannetti da Fonseca, professor do Insper (Instituto de Ensino e Pesquisa), o Brasil está longe de trilhar esse caminho.
Produtividade é uma medida de eficiência da economia. Fatores como a quantidade e a qualidade do capital físico (como máquinas e equipamentos) e humano e a eficiência como eles são utilizados ajudam a explicar o ritmo de avanço da produtividade.
BAIXO INVESTIMENTO
No Brasil, os investimentos na formação de capital físico seguem muito baixos, equivalentes a cerca de 18% do PIB, ante mais de 45% na China, 28,7% em Cingapura e pouco mais de 20% na média da América Latina.
Além disso, a qualidade da educação ainda é baixa.
Há uma medida da qualidade do capital humano que são os testes de aprendizado internacional. Assim como o Brasil fica mal na foto em termos de capital físico, fica muito mal também quando participa de testes de aprendizado em todos os níveis escolares, diz Giannetti.
Robert Wood, analista sênior da EIU (Economist Intelligence Unit), prevê que o Brasil crescerá a uma taxa média de 4,2% entre 2011 e 2030, quase o dobro dos 2,4% registrados entre 1981 e 2009. Ainda assim, diz ele, a economia brasileira manterá seu peso no PIB mundial estagnado em cerca de 3,3%.
A EIU tem projeções similares às do Goldman Sachs para a evolução da renda brasileira. Entre 2009 e 2030, o Brasil terá avanço modesto tanto no ranking de PIB per capita em dólares como em paridade do poder de compra (PPC, que ajusta os valores absolutos do PIB de acordo com o custo de vida em cada país) da consultoria, saltando da 47ª para a 46ª no primeiro caso e da 57ª para a 55ª no segundo. (Folha de S. Paulo – 16/08/10) Brics serão gigantes de renda média Mudança no ranking de maiores economias terá importantes impactos geopolíticos, de acordo com especialistas
Somadas, as economias dos Brics alcançarão as do G7 em 2032, e a distância entre os dois grupos crescerá em anos subsequentes. Mas a renda per capita média de Brasil, Rússia, Índia e China ainda será o equivalente a quase um terço da dos sete países industrializados em 22 anos.
Segundo projeções do Goldman Sachs, a renda per capita média dos Brics será US$ 21,57 mil em 2032, ante US$ 58,24 mil do G7 (EUA, Reino Unido, Japão, Itália, Alemanha, França e Canadá). Historicamente, essa será uma situação inédita.
A Rússia será o único Bric de renda alta, US$ 39,23 mil, ainda assim inferior à média do G7. China e Brasil (com cerca de US$ 20 mil de renda per capita) serão nações de renda média. E a Índia, com PIB (produto interno bruto) per capita de US$ 5.500, permanecerá pobre.
De acordo com economistas ouvidos pela Folha, essa nova configuração da ordem mundial terá impactos geopolíticos importantes que afetarão cada vez mais a agenda política e econômica global.
Os tópicos de discussão, resumidos abaixo, vão do futuro do G7 e do papel dos Brics nas instituições multilaterais à atratividade do modelo econômico chinês.
G7 versus G20
O chamado G20 (grupo que reúne países desenvolvidos e emergentes de grande peso econômico) provavelmente substituirá o G7 como principal fórum de debate e decisões políticas e econômicas.
Acho que a vantagem do G20 é que é um grupo global que inclui mercados emergentes que crescem a ritmo rápido, diz Anoop Singh, diretor do departamento da Ásia do FMI.
Instituições multilaterais Para Singh, os emergentes terão peso crescente nas instituições multilaterais.
Mas, de acordo com Jim ONeill, economista-chefe do Goldman Sachs, isso levará a um debate complexo: Quem vai pagar pelo FMI? Serão as economias maiores, aquelas com mais reservas internacionais ou os mais ricos?.
Modelo chinês Segundo Arthur Carvalho, economista-chefe da Ativa Corretora, um tema que será muito debatido é a atratividade do modelo econômico chinês, de economia capitalista, aberta, mas com forte planejamento do governo.
Esse foi o tópico do debate da semana passada promovido pela Economist em seu site. A pergunta proposta pela revista britânica era se a China oferecia um modelo de desenvolvimento melhor que o do Ocidente. Até a sexta-feira passada, a maioria dos leitores respondeu que não (58% ante 42%).
Risco de conflito O economista Eduardo Giannetti da Fonseca, professor do Insper, diz não acreditar que se formará uma nova hegemonia política e econômica em torno da China, que, segundo projeções do Goldman Sachs, ultrapassará os EUA como maior economia do mundo em 2027.
Mas vê o risco de conflitos econômicos entre a China e outras grandes potências, à medida que o país asiático expandirá a ritmo cada vez mais rápido sua presença e sua influência em outras partes do mundo, principalmente nos países pobres e em desenvolvimento. (Folha de S. Paulo – 16/08/10) Tráfego cresce 93,27% em Viracopos O Aeroporto Internacional de Viracopos, em Campinas, registrou um volume de 2,4 milhões de embarques e desembarques de passageiros no primeiro semestre deste ano. O volume é 93,27% superior ao do mesmo período do ano passado. Levantamento feito pela Empresa Brasileira de Infraestrutura Aeroportuária (Infraero) aponta a que em 2009, o total de passageiros registrado no aeroporto de Campinas foi de 3.364.300 passageiros.
Em 2008, foi de 1.084.059 embarques e desembarques. Dessa forma, o crescimento de um ano foi de 210%. A perspectiva da Infraero é de até o fim de 2010 chegar a pouco mais de cinco milhões de passageiros. Dados da Infraero mostram que o movimento de passageiros em Cumbica aumentou 25% no primeiro semestre, em comparação com o mesmo período do ano passado: cerca de 12,4 milhões de pessoas passaram pelo local. Em Congonhas, o fluxo foi de 7,2 milhões.
O aumento do volume de passageiros deve-se à atuação da Azul Linhas Aéreas, que tem apresentado forte crescimento e passou a operar vários destinos brasileiros a partir do terminal aeroportuário, oferecendo valor promocional - mais baixo- de passagens; o volume pode aumentar ainda mais por ocasião das festas de fim de ano, além da retomada no último dia 3 de julho dos vôos internacionais. A empresa aérea Transportes Aéreos Portugueses (TAP) está com vôos entre Campinas e Lisboa.
O retorno dos vôos internacionais a Viracopos é uma marca para o crescimento do aeroporto no transporte de passageiros.
Volume
O aumento do número de passageiros fez com que o terminal aeroportuário avançasse 198 posições no ranking mundial de número de passageiros divulgado anualmente pelo Conselho Internacional de Aeroportos (ACI): Viracopos passou do 483º lugar para a 285ª posição dentre os 1.354 aeroportos de todo o mundo. Enquanto a crise mundial fez o tráfego internacional de passageiros cair 2% em 2009, a entidade suíça constatou que aeroportos de países emergentes, como o Brasil, continuam em plena expansão.
Viracopos foi, ainda, o que registrou o maior aumento do fluxo de passageiros dentre os 50 principais aeroportos da América Latina.
O segundo aeroporto com maior crescimento foi o Santos Dumont, no Rio de Janeiro, que registrou aumento de 40,6% no período.
Entre os 25 que mais cresceram estão o de Brasília (Juscelino Kubitschek), Belo Horizonte (Tancredo Neves-Confins) e Salvador (Deputado Luís Eduardo Magalhães).
Quando atingir o fluxo de 5 milhões de passageiros, Viracopos passará a integrar o grupo de aeroportos considerados os mais importantes do planeta. O último a integrar este contingente é o aeroporto de Heraklion, na Grécia, na 225ª posição. Estudo encomendado pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) estima que Viracopos precisa de investimentos de R$ 4 bilhões a R$ 6 bilhões para aumentar em 15 vezes sua capacidade de passageiros até 2030.
Cargas
O mês de julho do Terminal de Cargas (TeCa) do Aeroporto Internacional de Viracopos foi muito importante para o setor de exportação, pois o número foi o maior dos últimos três anos. Na Importação, o volume foi mantido na casa das nove toneladas. O volume de carga exportada em julho foi muito superior ao registrado no mesmo período do ano passado: 9.643 toneladas contra 5.361, ou um aumento de 79,88%.
Em relação aos primeiros sete meses do ano, o número é ainda maior: 33.931 toneladas foram exportadas pelo TeCa Viracopos em 2009, enquanto em 2010 foram 55.512 toneladas.
Importação
O sétimo mês do ano foi o terceiro melhor do ano no setor de Importação: 14.519 toneladas. Em comparação com o mesmo período do ano passado, quando foram importadas 9.874 toneladas, o número atual é superior em 47%. No ano de 2010, 94.302 toneladas de carga passaram pelo Terminal de Importação, enquanto em 2009 foram movimentadas 56.955 toneladas. (DCI – 16/08/10) Especialista diz que operação de câmbio demora 6 meses Especialistas que atuaram como diretores no Banco Central (BC) afirmam que a política cambial deveria ser menos intervencionista. Arnim Lore, ex-diretor da área internacional do BC, atual vice-presidente do Conselho de Comércio Exterior da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) e conselheiro da Associação de Comércio Exterior do Brasil, afirma que o exportador brasileiro é o que mais sofre com a política cambial brasileira.
Enquanto para transações financeiras a operação é feita no mesmo dia, com relação ao comércio pode demorar seis meses para ser finalizada, argumentou Lore, ao participar de seminário sobre o câmbio promovido pela Brazilian Business School (BBS). Segundo ele, o Brasil progrediu muito com relação à menor intervenção do governo. Porém é necessário que o comerciante escolha correr riscos. O que o comércio precisa é de um choque de liberdade. Ele não pode fazer uma transação com o Uruguai sem passar pelo aval do governo, constata.
Lore comenta que as mudanças precisam passar, primeiramente, pelas reformas tributária e previdenciária, de modo a tornar a taxa de juros semelhante ao nível internacional.
De acordo com dados do Banco Central, a cotação de fechamento do dólar entre abril e junho oscilou de R$ 1,70 a R$ 1,825. Na última sexta-feira, o dólar fechou a R$ 1,77, e este tem sido o patamar da moeda americana.
O Brasil caminha bem, mas ainda tem uma série de condições atrasadas. Entre os BRIC Brasil, Rússia, Índia e China, o País é um dos de câmbio mais controlado. Desejo que com a reforma tributária e com o ajustamento das finanças do governo, o câmbio brasileiro seja mais livre, comparado a outros países.
Gilberto Nobre, ex-chefe dos Departamentos de Câmbio e de Capitais Estrangeiros do Banco Central, endossa a opinião de Lore. A operação comercial em dólar é mais burocrática do que a financeira. Acredito que isto seja mais um aspecto cultural, que com o tempo pode ser resolvido. O contrato de câmbio, por exemplo, é um documento enorme que pode ser utilizado ou não nas transações comerciais, analisa.
Maria Celina Arrraes, coordenadora de Planejamento Estratégico do PNUD Brasil e que também foi diretora de Assuntos Internacionais do BC, é da opinião de que o controle cambial no País é profundo. Ela contesta as afirmações de alguns especialistas de que um câmbio livre facilitaria operações ilegais como o tráfico de drogas.
As operações ilegais têm sido muito controladas pelo nosso Judiciário e pelo Ministério Público. Qualquer redução de informação chama a atenção dos órgãos competentes. A evolução da questão cambial vai depender de um processo de retirada dos custos das transações, incorporada às legislações, aponta.
SML
Outro ponto bastante discutido pelos palestrantes durante o evento refere-se aos benefícios da implantação do Sistema de Moedas Locais (SML) do Brasil com outros países, que elimina o dólar das negociações comerciais.
Maria Celina, que implantou o sistema com a Argentina, acredita ser possível que o SML seja expandido para outros países, até mesmo com os distantes, como o caso da China, importante parceiro comercial brasileiro.
Segundo ela, de janeiro a junho de 2010, foram realizadas 1.596 operações totalizando R$ 396,7 milhões, enquanto em todo o ano de 2009 foram feitas 1.193 operações, a R$ 453, 5 milhões.
Ainda durante o evento, ao ser questionado se há possibilidade de sobrevalorização do real frente ao dólar, Arnim Lore afirma que se houver uma redução do custo Brasil pode ser que o custo da cotação atual seja o correto, avalia ele, de modo a não desmerecer as reclamações feitas para que ocorra um controle maior da valorização da moeda nacional.
O ex-diretor do Banco Central não sabe se haverá alguma mudança com o novo presidente da República, independentemente da eleição da candidata pelo PT, Dilma Rousseff, ou do candidato pelo PSDB, José Serra, favoritos na campanha presidencial. Temos de esperar que os candidatos digam o que vão fazer. Contudo, o Congresso e o Executivo têm um grande papel na política cambial ao implantarem as reformas fiscal e tributária no Brasil, disse. Sobre a afirmação de alguns especialistas de que o Serra seria mais intervencionista do que Dilma, Lore comenta que o candidato do PSDB tem demonstrado ser um executivo de grande participação, mas seu posicionamento é outra história. (DCI – 15/08/10) Europa cresce mais que EUA O crescimento econômico europeu acelerou no segundo trimestre de 2010, com o desempenho da Alemanha ofuscando as dificuldades de Espanha, Irlanda e Grécia. O desempenho alemão acima do previsto, combinado com a expansão sólida, mas menos impressionante da França, impulsionou a taxa de crescimento agregado dos 16 países da Zona do Euro para 1% em relação ao trimestre anterior.
O maior ritmo de expansão do bloco monetário em mais de três anos, que se compara ao avanço econômico de apenas 0,2% no primeiro trimestre, ficou acima das previsões do mercado e também acima do crescimento de 0,6% registrado nos Estados Unidos no período.
Muitos economistas se surpreenderam com o tamanho do crescimento, mas eles esperam uma nova desaceleração a partir do segundo semestre, quando as medidas de austeridade na Alemanha e em outras nações mais fracas podem afetar a economia, especialmente se a desaceleração da China diminuir a demanda asiática por bens europeus.
O Produto Interno Bruto (PIB) alemão subiu 2,2% na comparação trimestral, a maior expansão desde que o país se reunificou no início dos anos 1990, após a queda do Muro de Berlim. Alguns economistas esperam, agora, que a economia da Alemanha cresça pelo menos 3% no ano como um todo, algo que só uma expansão moderada no terceiro e quarto trimestre possibilitaria.
Desaceleração
"Dados os sinais de que a demanda global já está enfraquecendo, o crescimento alemão provavelmente irá desacelerar. Uma recuperação sustentável exigiria uma retomada significativa no gasto do consumidor, o que parece improvável, já que a consolidação fiscal da Alemanha começa no ano que vem", disse Jennifer McKeown, da consultoria Capital Economics em Londres.
O elemento mais impressionante é a distância que a economia exportadora da Alemanha abriu em relação ao resto do bloco, não apenas em comparação à Grécia e a outras economias frágeis, como as de Portugal, Irlanda e Espanha. A França, que depende mais da demanda doméstica que sua vizinha, registrou crescimento de 0,6% no segundo trimestre, com boa parte do ganho vinda da demanda interna e da reconstrução de estoques.
Superavit comercial
Os 16 países que integram a Zona do Euro registraram em junho um superávit comercial de 2,4 bilhões de euros, após um forte déficit de 3,3 bilhões de euros em maio, segundo uma primeira estimativa da agência de estatísticas Eurostat. Em junho de 2009, a região registrou um excedente do comércio exterior de 5,2 bilhões de euros. O volume de negócios da União Européia (UE) com os principais sócios aumentou entre janeiro e maio de 2010, com exceção dos Estados Unidos, que retrocedeu 0,8%. Para as exportações, as maiores altas foram para Brasil (51%), China (42%) e Turquia (37%), enquanto as importações procedentes da Rússia e da Índia foram as que mais progrediram, 45% e 22%, respectivamente. Alemanha, Holanda e Irlanda foram os países da UE que registraram maiores excedentes comerciais nos primeiros cinco meses do ano, enquanto Grã-Bretanha, França e Espanha registraram os maiores déficits.
Medidas adicionais
Para dar suporte à fraquejante economia dos Estados Unidos, o Federal Reserve (Fed, o Banco Central norte-americano) provavelmente vai dar mais passos no sentido de afrouxar a política monetária, além dos já anunciados nesta semana, incluindo a compra de volumes maiores de ativos do governo norte-americano, disse Henry Kaufman, veterano economista de Wall Street, ex-economista-chefe da Salomon Brothers.
Na terça-feira, o Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc, na sigla em inglês) afirmou que vai reinvestir o principal dos pagamentos de dívidas de agência e de ativos atrelados a hipotecas em Treasuries (títulos do governo federal norte-americano) de vencimento mais longo. Questionado se isso é suficiente para impulsionar a economia, Kaufman respondeu à Reuters que essa é uma discreta medida de expansão monetária. "Não acho que esse é o último (passo). Acho que haverá outras medidas do Fed", disse ele.
Kaufman acredita que, dentro de algum tempo, o Fed vai comprar mais títulos governamentais de vencimento longo. "Outra medida de expansão monetária que o Fed pode tomar seria reduzir o juro que o BC dos EUA paga sobre o excesso de reservas bancárias", afirmou.
Aposta perigosa
Para o presidente do Fed de Kansas City, Thomas Hoenig, o Federal Reserve está com uma "aposta perigosa" ao manter o juro perto de zero por tanto tempo e defende a necessidade de começar a elevar a taxa caso não queira ameaçar a recuperação da economia. "Para ser claro, eu não defendo uma política de aperto monetário", disse. "Eu defendo uma política que continue expansionista, mas que lentamente se acomode conforme a economia cresça e caminhe para um equilíbrio". Hoenig tem sido o único dissidente do comitê do Fed, que define o juro dos EUA. (Correio Braziliense – 14/08/10) Pausa na agonia Se a economia dos países fosse uma representação do corpo humano, os médicos já teriam enlouquecido. Um dia depois de ser divulgado que a produção industrial na União Européia havia recuado 0,1% em junho, contra expansão de 1,1% em maio, os europeus saíram da cama sexta-feira surpreendidos com a notícia de que a economia da Zona do Euro avançara mais que o previsto no segundo trimestre.
Como estamos? , devem perguntar-se os europeus, e economistas-doutores responderiam como médico confuso sobre o diagnóstico de um paciente: O colesterol está ok, mas é bom fazer dieta e algum esporte. E volte daqui a alguns dias para examinarmos melhor.
O Produto Interno Bruto (PIB) da Zona do Euro, integrado por 16 países, cresceu 1% do primeiro para o segundo trimestre, ou 1,7% em relação a igual período de 2009, superando as expectativas de alta em torno de 0,7%. Para uma região ainda traumatizada com as agruras da Grécia, Irlanda, Espanha e Portugal, que só não foram à moratória graças ao socorro dos vizinhos ricos e do Banco Central Europeu (BCE), a notícia do PIB mais forte foi um alívio.
O da Alemanha cresceu milagrosos 2,2% no segundo trimestre ou 4,1% em relação a 2009 , quebrando todos os recordes dos últimos 20 anos. A média das expectativas não dava mais que 1,4% de alta intertrimestres. O que foi repercutido como milagre numa análise do Deutsche Bank se repetiu em outros países que adotam o euro.
Na França, segunda maior economia do euro, o PIB trimestral deu um salto de 0,6%, 2 pontos de percentagem acima das projeções. Os números para o PIB do primeiro trimestre também foram revisados para melhor. O da Alemanha, de 0,2% para crescimento de 0,5%, e o da França, de 0,1% para 0,2%. Se as locomotivas européias se põem em movimento, os vagões mais próximos também avançam. A economia da Espanha cresceu 0,2% no trimestre, e a de Portugal, 0,2%.
Já a Grécia continua descarrilada. O PIB desabou 1,5% no segundo trimestre em relação ao primeiro, ficando 3,5% abaixo sobre igual período do ano passado. A economia húngara ficou estagnada, vindo de expansão de 0,6% no primeiro trimestre. A Irlanda voltou a ser acudida pelo BCE, segundo rumores, para rolar dívidas esta semana.
À base de anabolizante
As economias fracas da Europa continuam agarradas à vizinhança mais forte, que, por sua vez, segue anabolizada pelas injeções de estímulo fiscal com déficits explosivos, dívidas avantajadas e bancos abarrotados de papéis soberanos de países problemáticos do euro , ou pelo aditivo das exportações. É o caso da Alemanha.
O milagre alemão é vulnerável, pois dependente de EUA, China e dos grandes países emergentes como Brasil, seus maiores mercados depois que a Europa deu entrada no hospital. A força de seu PIB no segundo trimestre deve transbordar para o terceiro, na projeção de Stefan Schneider, do Deutsche Bank, graças às vendas ao exterior, que crescem a 3% ao mês desde janeiro. No ano, o PIB pode avançar 3,5%, mas em 2011 só se Deus for alemão, além de brasileiro.
Os vírus da China e dos EUA
A doença da economia européia não é de tratamento fácil. Mesmo o crescimento recente da região, puxado pelo dinamismo da Alemanha, segundo analistas pés no chão, não deve ser visto pelo seu valor de face. Boa parte se deveu a estímulos monetários e fiscais dos governos. Ao serem esgotados, como nos EUA, e reduzidos, na China, a primeira e a segunda maiores economias do mundo ratearam.
O risco de duplo mergulho dos EUA na recessão é admitido até pelo presidente do Federal Reserve, Ben Bernanke. E a China ainda tem de provar que quer ou terá condições de ativar o mercado interno, o que implica quebrar um tabu: o renminbi valorizado, energético de suas exportações, extraído por sua vez do salário miúdo que mantém o consumo interno anêmico. Esse nó será difícil de desatar.
Suspiros de moribundo
A China mantém a receita exportadora de sempre, como a Alemanha. E todos chumbados aos EUA, um cliente claudicante , como diz o economista Sidnei Nehme, mas único a acumular déficits à larga com Brasil, do jeito que vem, ameaçando subir nesse palco.
Um crescimento assim seria sustentável? Para Nehme, a economia global é um grande corpo moribundo , que desencadeia esperanças ao menor suspiro. Schneider, do Deutsche, ratifica. Segundo ele, a desaceleração cíclica dos mercados-chaves derrubará à metade, em 2011, o crescimento projetado em 12% das exportações globais este ano. A expansão do PIB alemão viria para 1,1%. Haja coração.
Tumores mal tratados
A origem dos males que abatem a economia global a esta altura não mais importa, a não ser aos historiadores econômicos. Certo é que restaram sequelas como tumores mal tratados. Essa é a urgência. O endividamento público e os déficits fiscais inéditos em tempos de paz no mundo são algumas delas. Tais males são visíveis. Menos reconhecida é a ociosidade brutal nas empresas, legada pela farra do dinheiro fácil e juros baixos em todo o mundo até 2008.
Com a receita do keynesianismo engripada no mundo rico e empresas com capacidade produtiva invendável, ninguém investe ainda que o caixa corporativo nos EUA, por exemplo, seja gordo. Para que volte à normalidade, a economia vai ter de queimar a ociosidade e também se reinventar. Não é algo trivial. E não está previsto no Brasil. (Correio Braziliense – 14/07/10) Projeto nos EUA prevê agentes para exportadoras Empresas estrangeiras deverão ter no país pessoa sujeita à sua jurisdição
Medida, que ainda vai à votação, tem o objetivo de facilitar processos legais; protecionismo preocupa empresários
O Congresso dos EUA se prepara para votar uma lei que exigirá que todas as empresas estrangeiras que exportam manufaturas ao país, inclusive brasileiras, tenham um agente próprio registrado em território americano e sujeito a sua jurisdição.
A intenção do projeto de lei HR 4678, intitulado Lei de Prestação de Contas de Produtores Estrangeiros, é facilitar processos legais em caso de produtos importados mal fabricados ou que oferecem riscos à saúde dos consumidores.
A lei já foi aprovada pela comissão responsável e pode ser votada a qualquer momento. Em audiências, o país mais citado como fonte de problemas é a China, mas a medida teria alcance global.
Para o Brasil, que tem manufaturados como foco de suas exportações aos EUA, o impacto seria alto. Apesar de responsáveis por apenas um quarto do total de exportações ao país, quase 75% dos exportadores brasileiros são pequenos e médios, menos propensos a ter agentes próprios ou braços no território.
No mínimo, haverá um custo de transação maior, afirmou à Folha Diego Bonomo, diretor da Brazil Industries Coalition (BIC).
Segundo ele, há uma preocupação em diminuir a competição com produtos locais, pois o projeto está incluído no mesmo pacote de votação de medidas de estímulo a manufaturas americanas.
Para Edmundo Oliveira, diretor de relações institucionais da Brasscom (associação de empresas de tecnologia da informação e comunicação), a preocupação é legítima, mas é preciso avaliar se a lei respeita regras do comércio internacional.(Folha de S. Paulo – 14/08/10) PIB da Europa cresce puxado por retomada alemã Países da zona do euro crescem 1% no 2º trimestre em relação ao primeiro, maior crescimento em 4 anos
Grande exportadora para emergentes como a China, Alemanha cresce 2,2%; países do sul continuam estagnados
O conjunto dos 16 países que usam o euro como moeda cresceu 1% no segundo trimestre deste ano na comparação com o primeiro.
Foi o maior crescimento em quatro anos e superou a expectativa dos analistas.
A principal responsável é a Alemanha, maior economia do continente, que cresceu 2,2% (mais alto percentual desde a unificação do país, há quase 20 anos).
Já as nações do sul, aquelas que apresentam mais problemas com dívidas, outra vez decepcionaram.
A Espanha cresceu só 0,2% na comparação entre o segundo trimestre e o primeiro. Se for confrontado o PIB (conjunto de riqueza de um país) de agora com o de um ano atrás, houve queda de 0,2%.
Portugal cresceu também apenas 0,2%, mas houve uma forte desaceleração, uma vez que o país havia crescido 1,4% no primeiro trimestre. Na Itália, houve estabilidade -0,4% de crescimento neste trimestre-, mesma porcentagem do anterior.
Em pior situação está a Grécia, um dos únicos países da zona do euro que continuam em recessão. Sua economia encolheu 1,5% no trimestre ou 3,5% se a comparação for anual.
Essa disparidade entre os países acabou derrubando as Bolsas pelo continente. Persiste o medo de que as chamadas nações periféricas (Grécia, Portugal, Irlanda e, em menor grau, a Espanha) não consigam se recuperar e honrar suas dívidas.
Há também a preocupação de que esse crescimento tenha como combustível fatores sazonais, como por exemplo a recuperação de estoques e a retomada da construção civil após o inverno, o que não deve se repetir daqui para a frente.
Existe ainda outro temor: que a boa fase atual esteja lastreada demais nas exportações, que se beneficiaram da queda do euro frente ao dólar desde o início do ano.
De janeiro a maio, as exportações européias para a China cresceram 42%, o que fez daquele país o segundo mercado para a Europa, só atrás do EUA.
EUA e China deram sinais de que podem reduzir seu crescimento no segundo semestre, e isso assombra as economias européias.
Outro fantasma sobre o continente é o corte de gastos anunciado por quase todos os governos para reduzir seus déficit. Com menos gastos governamentais, há expectativa de menos emprego e consumo.
EXCEÇÃO ALEMÃ
Os números divulgados ontem explicitaram mais uma vez a diferença entre a Alemanha e os demais países do bloco.
Ao contrário do que acontece nos vizinhos, lá o desemprego cai e a balança comercial apresenta superávit, graças, mais uma vez, às exportações para China, EUA e países emergentes.
A Alemanha é um dos maiores fornecedores de máquinas para a China.
Isso faz aumentar a sensação entre os alemães de que eles sustentam o continente.
Muitos acreditam que a economia da Grécia está em frangalhos porque os gregos não gostam de trabalhar, sonegam impostos e preferem viver às custas do Estado. (Folha de S. Paulo – 14/08/10) Região exporta 26,8% a mais em julho Embarque de produtos ao exterior das dez maiores cidades soma R$ 316,7 milhões, melhor resultado deste ano
Matão e Araraquara lideram ranking, mas Batatais registra maior aumento em relação a julho do ano passado.
As vendas ao exterior das dez maiores cidades da região de Ribeirão atingiram, no mês passado, o melhor resultado do ano. Os produtos exportados somaram US$ 316,7 milhões.
A cifra representa um aumento de 26,8% sobre o que foi vendido em junho deste ano (U$ 249,6 milhões) e 27,2% sobre julho do ano passado (U$ 248,7 milhões).
A última vez em que as exportações das dez cidades tinham ultrapassado o patamar de U$ 300 milhões foi em novembro de 2009, quando chegaram a US$ 316,8 milhões. Matão e Araraquara lideram o ranking.
Na comparação com o mesmo período do ano passado, a alta mais consistente nos embarques para o mercado internacional foi apresentada por Batatais (433%).
Os setores responsáveis por essa liderança foram o da cafeicultura e o de máquinas e implementos agrícolas.
Apenas um tipo de máquina para preparar o solo, por exemplo, teve alta de 457% em valores exportados.
Esses índices são resultado de uma política de médio e longo prazo, afirmou Rubens Dias de Morais, presidente da Jumil, principal fabricante de implementos agrícolas de Batatais.
Atualmente, o mercado externo representa 20% do faturamento da empresa, que planeja elevar esse patamar para 30%.
Para alcançar o objetivo, a Jumil tem dado atenção especial a países africanos como a África do Sul, Moçambique, Angola e Senegal.
É um continente em que falta segurança alimentar, que precisa produzir esses alimentos e tem características de solo e clima parecidos com o Brasil, diz Morais.
Essa busca por compradores da África, assim como por clientes fora do eixo Europa-EUA, foi uma das principais estratégias dos exportadores para driblar os efeitos da crise econômica, segundo o coordenador do Núcleo de Comércio Exterior do Ciesp (Centro das Indústrias do Estado de São Paulo) de Ribeirão, Rodrigo Faleiros.
A crise também veio para forçar o empresário a buscar outros horizontes.
Além da diversificação, Faleiros atribuiu a alta das exportações à retomada da demanda no mundo por produtos com forte presença na balança comercial da região, como o açúcar de Sertãozinho e a carne de Barretos.
A valorização do dólar diante do real nos últimos meses, ainda que tímida, também está contribuindo para a alta, disse Faleiros. (Folha de S. Paulo – 14/08/10)
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