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DRI Clipping Semanal nº 40 - 06/10 a 10/10/08

Acordos Produtos e Mercados OMC Outros

Argentina teme efeitos do real desvalorizado
A crise internacional pode abalar mais uma vez a paz nas relações comerciais entre Brasil e Argentina, após os desentendimentos na Rodada Doha da OMC. No país vizinho, acreditam que a desvalorização do real, ocasionada pela crise, provocará duas invasões: de produtos brasileiros na Argentina e de turistas argentinos no Brasil.
Empresários temem que o real desvalorizado e a queda na demanda de produtos brasileiros pelos EUA e pela Europa aumentem ainda mais o superávit comercial do Brasil na relação bilateral.
"É um perigo real e, mesmo que não possamos supor que todas as exportações que iriam para os EUA venham para a Argentina, temos que estar preparados", disse o presidente da União Industrial Argentina, Juan Carlos Lascurain, à imprensa local.
Lascurain afirmou que o governo deve adotar medidas para proteger a indústria local de uma possível invasão brasileira. Apesar de formalmente os dois países afirmarem que sua maior preocupação é uma possível invasão de produtos asiáticos, o governo argentino já estaria estudando aplicar o mecanismo de adaptação competitiva, assinado com o Brasil.
O convênio permite frear importações no âmbito do Mercosul se há ameaça de dano a um setor produtivo.
Invasão argentina
Como resposta à possível invasão de produtos brasileiros, a desvalorização do real também pode provocar uma nova invasão de argentinos nas praias brasileiras.
"O Brasil havia se tornado um destino muito caro e volta a ser uma opção apetecedora para os argentinos", disse o presidente da Associação Argentina de Agências de Viagens e Turismo, Ricardo Roza, ao jornal "La Nación".
Empresários do setor já discutem medidas para evitar um êxodo nas praias argentinas no verão como o que aconteceu em 1999, com a desvalorização do real.
Como medida de proteção, o chanceler argentino, Jorge Taiana, sugeriu reunião do Conselho do Mercado Comum, que reúne ministros de Economia e chanceleres do Mercosul. No entanto, a reunião deve ser convocada pelo Brasil, que têm a presidência pro tempore do bloco.(Folha de S. Paulo – 10/10/08)

Argentina propõe reunião do Mercosul
O governo da Argentina propôs ontem uma reunião urgente do Mercosul para que os países do bloco discutam a adoção de medidas coordenadas para enfrentar a crise internacional. "Impulsionamos um encontro do Conselho do Mercado Comum do Mercosul, que é a reunião dos ministros de Relações Exteriores e dos ministros da economia (do bloco)", afirmou o chanceler argentino, Jorge Taiana, em entrevista ao canal de televisão C5N. "Parece óbvio que estamos vivendo momentos muito difíceis e precisamos trocar opiniões."(O Estado de S. Paulo – 09/10/08)

Perú y Colombia negociarán TLC con la Unión Europea
A fin de mes se retomará conversaciones para llegar a enorme mercado.
La Unión Europea (UE) aceptó la propuesta de Perú y Colombia de negociar un acuerdo comercial solo con ellos y no en conjunto con la Comunidad Andina de Naciones (CAN) como inicialmente planteó.
El anuncio fue hecho desde Colombia por el presidente de ese país Álvaro Uribe durante la instalación de la asamblea general de la Asociación de Instituciones Financieras (Anif) y fue confirmada por la ministra de Comercio Exterior y Turismo Mercedes Aráoz y por el canciller José Antonio García Belaunde.
En una carta firmada por el presidente de la Comisión Europea, José Manuel Durao Barroso, enviada a Uribe y a Alan García, éste le comunicó que aceptó la propuesta de negociar un Acuerdo de Asociación de ese bloque económico con Colombia y Perú y espera que las mismas finalicen en el primer semestre de 2009.
A fines de junio, la Comisión Europea decidió suspender la IV Ronda de Negociaciones del Acuerdo de Asociación entre ambos bloques, prevista del 7 al 11 de julio, debido a la falta de posiciones conjuntas en torno a asuntos como la propiedad intelectual y el desarrollo sostenido en el bloque andino.
Por ello, Perú y Colombia pidieron formalmente el mes pasado negociar el pilar comercial con Europa, dejando a un lado a sus socios de la CAN Bolivia y Ecuador reacios al acuerdo por sus críticas a la liberalización de los mercados.
Perú confirma
La ministra Araóz aclaró que el tema implica sólo "al pilar comercial" de la negociación del acuerdo amplio de asociación que los andinos buscan con la UE. "Esto sería dentro del marco comercial, el resto seguiría dentro del marco comunitario", aseguró a Efe.
La ministra refirió que el tema será debatido en la próxima reunión que tendrán los socios andinos en Ecuador y adelantó que actualmente se está organizando una nueva fecha para retomar el diálogo suspendido con la UE.
El ministro de Relaciones Exteriores, José Antonio García Belaunde, refirió que las reuniones entre Perú y la Unión Europea para negociar bilateralmente y no en bloque el denominado Tratado de Libre Comercio (TLC), del Acuerdo de Asociación con la CAN, se retomarían a más tardar a fines de octubre,
"En eso estábamos trabajando y ahora nos alegra mucho la respuesta europea, porque nos permitirá alcanzar el objetivo de suscribir el acuerdo entre junio y julio del próximo año", indicó.
García Belaunde precisó que la negociación de los otros pilares (político y de cooperación) está muy avanzada, pues se ha logrado un mayor consenso entre los países que integran ambos bloques.
"Además, estos pilares han avanzado porque forman parte de un acuerdo de 2003, entonces solamente se tendrían que hacer algunos ajustes; la negociación más compleja es, sin duda, la comercial", manifestó.
Ventajas del acuerdo
El presidente de la Asociación de Exportadores (Adex), José Luis Silva Martinot, calificó como positiva la decisión de la UE de proceder a una negociación bilateral con el Perú pues, dijo, abre la posibilidad a nuestro país de avanzar más rápido y, si todo marcha bien, tener un TLC con ese bloque comercial hacia el segundo trimestre del próximo año.
Entre enero y agosto de este año los envíos de productos peruanos a la UE sumaron US$ 3,809 millones 691 mil, 20% más que en similar periodo del año pasado. De ese total, el 75% corresponde a exportaciones tradicionales, principalmente del subsector minero. Las exportaciones no tradicionales representaron el 25% restante, con envíos de los subsectores agropecuario-agroindustrial, pesca, confecciones y siderometalúrgico. (Jornal Expreso del Peru - 08/10/08)

Amorim defende ampliação de comércio com AL e Caribe
O ministro das Relações Exteriores Celso Amorim defendeu ontem a ampliação do comércio do Brasil com a América Latina e com o Caribe como forma de diminuir os efeitos da crise financeira mundial. De acordo com Amorim, nenhum país vai conseguir se blindar contra a crise econômica, mas pode diminuir o impacto dos problemas. Para isso, no caso brasileiro, ele sugere a expansão do mercado interno e das relações comerciais, principalmente, com a América Central, por exemplo.
Hoje temos que fazer isso (expandir), não só com o mercado interno, mas também com a América Latina e com o Caribe, a América do Sul em primeiro lugar. Vamos enfrentar a crise, porém vamos sofrer muito menos do que sofreríamos em outras situações, disse.
Amorim lembrou que há cinco anos o Brasil foi criticado ao defender a diversificação da balança de exportações. À época, os Estados Unidos eram o principal comprador do Brasil e atualmente o país recebe menos de 15% das exportações brasileiras. Quando dizemos que tínhamos uma estratégia de diversificar o mercado brasileiro, isso era visto com desprezo, ceticismo. Agora estamos colhendo os benefícios, afirmou.
Segundo Celso Amorim, América Latina e Caribe importam 26% dos produtos exportados pelo país, sendo 90% deles industrializados. O chanceler formalizou ontem a entrada do Brasil como membro observador do Sistema de Integração Centro-América (Sica), equivalente ao Mercosul da América Central. Com o acordo, o Brasil pretende não só fortalecer parcerias econômicas, mas também trocar tecnologia e ações de combate à fome e à pobreza.(Valor Econômico – 08/10/08)

Desvalorização do real preocupa indústria argentina, diz 'La Nación'
A desvalorização do real frente ao dólar poderá ter um impacto negativo na economia argentina ao facilitar a entrada de produtos brasileiros no país vizinho, prejudicando setores da indústria local, segundo uma reportagem do jornal La Nación, publicada nesta quarta-feira.
A reportagem traz declarações de um economista e representantes empresariais dizendo que os setores mais afetados serão o têxtil, o de brinquedos e o de couro.
"A desvalorização (do real) não apenas dificultará a chegada de produtos argentinos ao Brasil, mas também gerará maiores saldos de exportação da indústria brasileira, diante do que os setores mais afetados por aqui são o têxtil, o de brinquedos e o de couro", disse Mauricio Claveri, economista do Abeceb.com ao La Nación.
De acordo com o La Nación, a lista dos setores afetados seria encabeçada pelo têxtil.
"Hoje, é prematuro saber o que pode acontecer e é preciso esperar que a situação se acalme, mas está igualmente claro que se a desvalorização for mantida, o comércio bilateral com o Brasil pode voltar a se complicar", disse Pedro Bergaglio, presidente da Fundación Pro Tejer ao La Nación.
Outro setor que poderia ser afetado, segundo o jornal, é o do couro.
O presidente da Cámara Industrial de las Manufacturas del Cuero (CIMA), Raúl Zylberstein, afirma, na reportagem, que o prejuízo pode ser maior para os fabricantes de artigos como carteiras ou malas.
"Hoje, 50% do gasto dos turistas brasileiros na Argentina correspondem a artigos de couro", afirmou Zylberstein ao jornal.
Por outro lado, a reportagem afirma que os argentinos têm um "motivo de consolo", já que "as praias brasileiras voltarão a ser mais acessíveis aos consumidores (argentinos) que sobreviverem aos efeitos da inflação e da crise financeira."
'Luz amarela'
Em uma outra reportagem, o La Nación afirma que fontes ligadas a Néstor Kirchner disseram que o ex-presidente teria admitido sua preocupação frente à desvalorização do real.
Segundo a reportagem, a situação no Brasil teria enviado uma 'luz amarela' ao país vizinho, já que um Brasil mais competitivo para exportar "representa uma dificuldade dupla para a Argentina: gera pressão por parte da produção brasileira sobre o mercado local e limita as exportações nacionais ao Brasil".
Os efeitos da desvalorização do real também foram analisados por uma comissão formada pelo governo argentino para acompanhar a crise financeira.
Na terça-feira, o presidente do Banco Central argentino, Martín Redrado, que faz parte da comissão, descartou uma possível intervenção no mercado de câmbio para levar o peso a "acompanhar" a desvalorização do real.
Segundo uma reportagem do Página 12 sobre o assunto, a comissão concluiu que uma eventual desvalorização do peso frente ao dólar faria com que o "remédio fosse pior do que a doença".
Um dos integrantes da comissão disse ao jornal que a desvalorização do real no Brasil "passa quase despercebida", enquanto que, na Argentina, uma ação do governo nesse sentido causaria "desespero" e passaria a ser "um tema mais social do que econômico".(BBC – 08/10/08)

Mercosul não atinge metas econômicas fixadas pelos sócios
O Mercosul teve, nos últimos anos, bons resultados nas metas para fortalecimento institucional e social, e um desempenho baixo ou nulo na maioria dos objetivos econômico-comerciais traçados pela diplomacia, segundo avaliação da Federação das Indústrias de São Paulo (Fiesp). 
Apesar do aumento no comércio do Brasil com países do Mercosul (de US$ 3,3 bilhões em 2002 para quase US$ 14 bilhões em 2007), os sócios foram incapazes de concluir tarefas fixadas em 2003 para eliminação das exceções que deixam fora da Tarifa Externa Comum (TEC) quase 67% dos tipos de produtos da lista de mercadorias comercializadas - ou 44% do valor total do comércio dos quatro países. Não conseguiram coordenar políticas agrícolas, ações de defesa comercial, concessão de incentivos ou tratamento para as Zonas Francas. 
Essa falta de avanços cria problemas para o Brasil nas negociações comerciais, que se somam às dificuldades de cada país - como na Argentina, em que as maiores sensibilidades da indústria local tornam o governo menos disposto a conceder reduções de tarifas. 
Esses problemas levam dirigentes da Fiesp, como o diretor de comércio exterior Roberto Giannetti da Fonseca, a defender a transformação do Mercosul em aérea de livre comércio, sem tarifas comuns para terceiros países. A idéia não é consensual e é rechaçada com veemência pelo Itamaraty, para quem o fim da TEC, mesmo imperfeita, poderia reduzir as preferências conferidas pelos sócios ao Brasil em relação a outros países. 
Os diplomatas não gostam de falar em cenários pós-Rodada Doha, por acreditarem que a concentração de esforços exigida pelas negociações da OMC não impediu a exploração das alternativas de acordos para o Mercosul. "Não há um big bang para as negociações bilaterais", diz diretor do Departamento Econômico do Itamaraty, Carlos Márcio Cozendey. 
Para outro diplomata ligado às negociações comerciais, porém, o iminente reconhecimento de que a rodada fracassou, e só deve ser retomada após 2009, deverá obrigar os negociadores da União Européia a decidir se levam adiante ou não conversas discretas que vêm mantendo com a diplomacia brasileira nas últimas semanas. E deve liberar espaço nas agendas do ministro Celso Amorim e do presidente Luiz Inácio Lula da Silva para dar maior destaque a negociações como a do México, vistas como importantes pelo governo e pelos empresários, mas carente de impulso político. (SL) (Valor Econômico – 06/10/08)

EUA renovam programa que reduz tarifas para o Brasil
O Congresso dos Estados Unidos renovou na sexta-feira os benefícios do Sistema Geral de Preferências (SGP), sem restrições, até o dia 31 de dezembro de 2009. Os empresários brasileiros, no entanto, já estão preocupados com a próxima etapa, pois o governo americano prometeu uma ampla reforma de seus sistemas de preferência de comércio para países pobres no próximo ano. 
O programa, que reduz as tarifas de importação para alguns produtos, beneficiou quase 14% das exportações brasileiras para os EUA em 2007, o equivalente a US$ 3,4 bilhões. A importância do SGP para o país já foi maior. Em 1997, 23% dos embarques brasileiros para o maior mercado do mundo usufruíram dos benefícios, conforme dados da United States International Trade Comission (USITC). 
Também foi aprovado pelo Congresso dos Estados Unidos a renovação dos programas de preferências tarifárias para os países andinos. Para Colômbia e Peru, o benefício foi estendido por mais um ano. Para Bolívia e Equador, apenas por seis meses. Os EUA ameaçam retirar os dois países do programa, por conta de atritos políticos. 
A Bolívia, presidida por Evo Morales, expulsou o embaixador americano. Já o Equador teve problemas com petroleiras dos EUA. Apesar da renovação por seis meses, a ameaça não diminuiu. O governo dos EUA abriu uma audiência pública para avaliar a exclusão da Bolívia. O programa de preferências tarifárias para os países andinos é mais abrangente que o SGP, mas também exige contrapartidas mais rígidas, incluindo o controle do tráfico de drogas. 
Uma das exigências do senador republicano de Iowa, Charles Grassley, que é líder da minoria do poderoso Comitê de Finanças do Senado dos EUA, foi um acordo com os democratas, que garante a discussão de uma ampla reforma do SGP em 2009. Para Grassley, o programa perdeu o sentido, porque não beneficia os produtos dos países pobres, mas apenas os grandes emergentes como Brasil e Índia. 
Segundo Diego Bonomo, diretor-executivo do Brazil Information Center (BIEC), em Washington, o Congresso americano já possui uma base técnica consistente para um ampla reforma. "Se fizermos um trabalho de lobby intenso, como aconteceu nos últimos dois anos, podemos manter os benefícios, mas talvez nossa lista seja reduzida." 
A rapidez dessa renovação do SGP surpreendeu positivamente os brasileiros, que acreditavam que só haveria alguma decisão depois das eleições. Para os empresários, a mudança de postura do Brasil na Rodada Doha, da Organização Mundial de Comércio (OMC), deixou os americanos mais simpáticos ao país.  (Valor Econômico – 06/10/08)

Comienza hoy el sistema de pago en moneda local entre la Argentina y Brasil
Los empresarios de ambos países que quieran comercializar sus productos entre sí tendrán la opción de hacerlo en pesos o reales; se ahorrarán recursos al simplificar las conversiones al dólar
A partir de hoy los empresarios argentinos y brasileños que quieran comercializar sus productos entre sí tendrán la opción de hacerlo en pesos o reales sin pasar por el dólar, gracias al nuevo Sistema de Pagos en Moneda Local (SML) que fue oficializado la semana pasada por el Gobierno.
El subsecretario de Integración Económica del Mercosur, Eduardo Sigal, indicó a a la agencia oficial Télam que "el sistema se viene desarrollando desde hace dos años" en el marco de los acuerdos que se realizan dentro del bloque y consiste en la posibilidad de que se ahorre una importante cantidad de recursos al simplificar las conversiones al dólar.
La modalidad fue oficializada por la Presidenta a fines de la semana anterior en un seminario del Banco Central de la República Argentina (BCRA), entidad que junto al Banco Central brasileño realizarán un clearing diario para que las pymes que quieran acogerse a esta modalidad puedan hacerlo.
El SML será iniciado por el importador que deberá registrar su operación y ejecutar el pago en su propia moneda en una entidad financiera autorizada. En la Argentina ya se han inscripto más de una decenas de bancos y financieras.
A partir de quedar registrada esa operación, se realizará la compensación entre los bancos centrales de los valores en moneda local. Luego los bancos centrales transferirán el crédito para los exportadores vía sistema bancario.
Según la lista que difundió el BCRA de bancos que homologaron para poder operar figuran el ABN Amro, Banco Nación, Provincia, Ciudad, Macro, Santander, Hipotecario, Banco de Córdoba, Itaú, Credicoop, Creditanstalt, Buen Ayre, BNP Paribas, Bradesco y Banco Do Brasil. (La Nacion – 06/10/08)


Acordos Produtos e Mercados OMC Outros

Semp Toshiba suspende venda por alta do dólar
A Semp Toshiba suspendeu ontem a venda de seus produtos para os fornecedores no Brasil. A decisão foi tomada pela alta volatilidade do mercado, principalmente da cotação do dólar, disse o vice-presidente de Marketing e Vendas, Caio Ortiz.
"Temos hoje um dólar 40% maior que em menos de 30 dias. Tínhamos a projeção de que o dólar terminaria o ano abaixo de R$ 1,90. Com a cotação a R$ 2,20, temos que refazer nossas contas."
Como mais de 90% dos produtos da Semp Toshiba contam com componentes importados, a empresa terá que avaliar de que forma vai repassar os custos elevados pela alta do dólar. "A minha expectativa é que ainda nesta semana voltaremos a vender os produtos, mas com um reajuste significativo de preços", diz Ortiz.
Para ele, o aumento de preços dos produtos, somado a uma conjuntura de restrição ao crédito e juros elevados, deve obrigar a Semp Toshiba a reduzir sua projeção de crescimento para este ano -de 10%. "O setor de eletroeletrônicos vai sofrer mais com essa crise que outros que operam com produtos mais nacionais". (Folha de S. Paulo – 07/10/08)


Acordos Produtos e Mercados OMC Outros

Brasil pede e OMC convoca negociação de regras de crédito para exportação
A pedido do Brasil, a Organização Mundial do Comércio (OMC) anunciará hoje que vai convocar uma negociação para rever as regras de crédito à exportação, buscar alternativas e evitar a paralisia do comércio internacional. Com a crise financeira, as transações internacionais dos bancos secaram, afetando diretamente o comércio. A entidade já prevê a primeira retração real de exportações e importações em anos.
Os economistas da OMC prevêem que não haverá só estagnação na expansão do comércio, mas a redução real dos volumes exportados nos próximos três meses, mesmo com as vendas de Natal. "Estamos vivendo uma miniparalisia", afirmou Michael Finger, um dos economistas da OMC.
A sugestão do Itamaraty era que as regras do crédito sejam flexibilizadas e OMC consulte bancos para um exame do "impacto do aperto de crédito no financiamento do comércio". O Brasil ainda quer um debate sobre as alternativas.
O diretor da OMC, Pascal Lamy, afirmou ontem que está em discussão com o Fundo Monetário Internacional (FMI) para encontrar uma solução para as exportações. Hoje, ele deve anunciar a convocação de uma reunião de emergência com os chefes de organismos internacionais.
Lamy ainda defendeu a convocação de uma nova reunião, ao estilo de Bretton Woods, em 1944, para reformular o sistema internacional e passar a incluir os países emergentes, como o Brasil.
Na entidade, não é segredo que exportadores de commodities, como o Brasil, deverão ver uma queda na demanda. A União Européia divulgou resultados do segundo trimestre que apontam para a contração das exportações e importações. Os gastos com consumo privado diminuíram 0,2% na zona do euro e 0,1% nos 27 países da UE. Os investimentos caíram 1% e as exportações, 0,3%.
Com a desaceleração nos EUA e o dólar fraco ante o euro, os europeus passaram a ter dificuldades para vender seus produtos. No segundo trimestre, as exportações caíram 0,5%. Mas as importações caíram, demonstrando que a desaceleração na economia é real. O PIB da região do euro caiu 0,2% no segundo trimestre. (O Estado de S. Paulo – 10/10/08)

Amorim tenta, em reunião na Índia, destravar Doha
Nem a crise financeira internacional, nem os sinais de desinteresse por parte da União Européia enterraram definitivamente o esforço do governo brasileiro para tirar do limbo a Rodada Doha, de negociações para abertura de mercados da Organização Mundial do Comércio (OMC). O ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, chega neste domingo na capital indiana e seu primeiro compromisso é uma reunião marcada pelo governo indiano com o ministro do Comércio da Índia, Kamal Nath. O governo indiano, cujas divergências com os EUA levaram ao colapso das discussões em julho, diz ser possível tentar um acordo até o fim do ano.
Amorim viaja a Índia para a reunião de cúpula Índia-Brasil-África do Sul, que discutirá maneiras de incrementar a relação política e econômica entre os três países. Uma das principais decisões esperadas do encontro é um acordo para melhorar a conectividade dos três mercados - o transporte de mercadorias, turistas e negociantes, hoje prejudicado pela falta de linhas aéreas e marítimas, custos portuários e burocracia. Os governos querem que companhias aéreas indianas e brasileiras sigam o exemplo da South África Airlines, que já liga Johannesburgo a Nova Déli e São Paulo.
As autoridades indianas garantem que o debate sobre a OMC não é apenas exercício diplomático. No cenário de transição de governo nos EUA e de incerteza nos mercados mundiais com a crise financeira, seria a única forma de assegurar avanços já obtidos na OMC em matéria de redução de barreiras comerciais, como o fim dos subsídios à exportação de produtos agrícolas, a queda em tarifas de produtos industriais e aumento nas cotas para importação sem tarifa de produtos agrícolas.
Os negociadores na OMC se esforçam para fechar até o fim do ano um acordo sobre as fórmulas de redução de tarifas sobre importados e subsídios a produtos agrícolas que distorcem o comércio. O acordo facilitaria a discussão no próximo ano para concluir a rodada, com novas regras de liberalização do comércio mundial. Temos chance de fechar até dezembro as negociações sobre acesso a mercados para produtos industriais, diz o secretário-adjunto do Ministério do Comércio da Índia, Amarendra Khatua, encarregado das negociações sobre produtos industriais na OMC. Só há duas questões pendentes para um acordo nesse tema, um deles é a Argentina.
A Argentina, sócia do Brasil no Mercosul, resiste às demandas dos países desenvolvidos para que um percentual significativo de produtos seja submetido aos maiores cortes de tarifas (30% das categorias de produtos importados, 40% do volume importado).
O outro único ponto pendente, diz ele, é a exigência dos Estados Unidos e União Européia para acordos setoriais, em que determinados setores teriam todos os produtos com suas tarifas reduzidas a zero. A Índia não admite deixar integralmente sem proteção contra concorrentes importados setores como têxteis, maquinário industrial e eletroeletrônicos, informa Khatua.
Para o negociador indiano, porém, esses pontos não seriam um obstáculo intransponível ao acordo, caso houvessem avançado as negociações sobre redução de tarifas e subsídios agrícolas, que considera mais difíceis.
O principal assessor de Kamal Nath nas negociações da OMC, Rahul Khullar, garante que há interesse do governo indiano e que tem esperança de ser possível um acordo até dezembro, embora um dos principais negociadores, a União Européia, tenha substituído o principal negociador europeu, Peter Mandelson, por motivos de política interna, por uma política alheia às discussões, Catherine Ashton.
A reunião dos ministros do Brasil, Índia e África do Sul deverá tratar também de fontes alternativas de energia, como resposta ao aquecimento global e o aumento do preço de petróleo. Os brasileiros receberão garantia de apoio para a campanha pelo biocombustível, por parte dos indianos - ainda que a Índia aposte com mais força no biodiesel, à base de pinhão manso, e esteja mais interessada em obter apoio do Brasil e África do Sul para projetos de energia eólica, em que o país vem se tornando um grande fornecedor.(Valor Econômico – 10/010/058)

Em telefonema a Lula, Bush diz que efeitos do pacote dos EUA virão em mais de duas semanas
O Palácio do Planalto informou que o presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, retornou hoje, por volta das 14h10, um telefonema que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva fez a ele no último fim de semana. O inteiro teor da conversa não foi divulgado.
Na conversa por telefone de hoje, segundo fontes do Planalto, Lula perguntou a Bush quando seriam sentidos os efeitos do megapacote aprovado pelos Estados Unidos para socorrer o mercado financeiro. Bush respondeu que os efeitos devem surtir efeito "em cerca de duas semanas e meia".
Na ligação, Lula mencionou a necessidade de conclusão da Rodada Doha e falou sobre a "solidez" do Brasil em meio à crise que atinge a economia global.
O presidente defendeu também que o acordo em Doha daria um sinal positivo para a redução dos efeitos da crise financeira na economia mundial. (Agência Brasil – 08/10/08)

Apesar de apoio oficial, Rodada Doha não empolga o país
Acusado de ser um dos responsáveis pelo fiasco das negociações de liberalização comercial na Organização Mundial de Comércio (OMC), a chamada Rodada Doha, o governo indiano se recusa até a admitir que tenham fracassado definitivamente as tentativas de acordo. E garante seu empenho e apoio ao esforço do governo brasileiro para tentar, até 31 de dezembro, um consenso entre os principais negociadores sobre as fórmulas que deverão orientar os cortes nas barreiras ao comércio de mercadorias industriais e agrícolas.
Não podemos nos deixar levar por emoções. Brasil e Índia têm de trabalhar juntos para encontrar uma solução para a rodada Doha, diz um dos principais negociadores indianos, o secretário especial do Ministério do Comércio da Índia, Rahul Khullar.
Ele se preocupa, ainda, em desfazer a impressão - geral em Genebra e veiculada até na imprensa indiana - de que foi sério o desentendimento entre os governos brasileiro e indiano na última tentativa fracassada de um acordo, em Genebra, quando o Brasil chegou a se mostrar disposto a aceitar as propostas endossadas pela União Européia e pelos Estados Unidos. Brasil e Índia estão jogando juntos, seja em Genebra, seja nas negociações bilaterais, garante. O G-20 está vivo e bem, diz, em referência ao grupo formado pelos países em desenvolvimento em contraponto às propostas dos EUA e da Europa para agricultura.
Khullar diz que negociações técnicas em Genebra tiveram grande avanço e que é pequena a diferença a ser resolvida, o que pode ser alcançado caso haja engajamento de todos os parceiros. Ele reconhece que a tarefa é dificultada pela transição de governo nos Estados Unidos, e pela recente substituição do chefe dos negociadores europeus, Peter Mandelson, pela relativamente inexperiente Catherine Ashton.
O negociador indiano argumenta que a proximidade de uma troca de governo nos EUA ainda pode servir de motivação a mais para os negociadores buscarem um compromisso do governo americano, que facilite a continuidade das negociações a partir do próximo ano. Se for fechado um acordo, ficará mais difícil de reabri-lo na próxima administração, diz ele, especulando sobre uma possível vitória do candidato democrata, Barack Obama.
O tom otimista das declarações do secretário especial de Comércio não é compartilhado por observadores independentes. Para o embaixador Santosh Kumar, diretor de projeto do ICRIER, um dos principais think tanks indianos em relações internacionais, os custos da Rodada Doha para a Índia, com o aumento da concorrência sobre os 300 milhões de pobres agricultores indianos, até agora, são maiores que os ganhos dos setores mais competitivos com a liberalização do comércio. A situação do Brasil é diferente da nossa, exemplifica.
Para Ashok Bhattasharya, editor-gerente do Business Standard, segundo maior jornal de negócios da Índia, é real o alívio na sociedade indiana com o fracasso da Rodada Doha. Não há nenhum entusiasmo com as negociações da OMC no país, diz. (Valor Econômico – 08/10/08)

Brasil pede para a OMC examinar falta de crédito para exportadores
O Brasil decidiu acionar a Organização Mundial do Comércio (OMC) para examinar o impacto da crise financeira internacional e buscar alternativas à atual retração de financiamento para os exportadores. A iniciativa brasileira é sem precedentes e ocorre em meio à constatação de que os grandes bancos internacionais enxugaram o crédito de curto prazo para as exportações, apesar de os países em desenvolvimento estarem entre os melhores pagadores.
Em documento submetido aos outros 151 países membros da OMC, o país sugere que a entidade inicie contatos inclusive com os bancos privados, a fim de avaliar o real impacto do aperto de crédito sobre o financiamento ao comércio e ver alternativas para mitigar o problema.
Também pela primeira vez, o Brasil se posiciona publicamente contra a total implementação do Acordo de Basiléia 2, pelo qual os bancos terão de manter mais capital em proporção do risco dos ativos. Para o Brasil, essas regras são positivas. Só que, no atual aperto global de crédito, podem ter efeitos ainda mais negativos no fluxo do comércio global, em vez de aumentar a estabilidade do sistema financeiro.
Essa crise financeira é provocada pelos países industrializados, mas tem impacto nos países em desenvolvimento, em particular no comércio e essa discussão precisa ser feita, afirmou o embaixador brasileiro na OMC, Roberto Azevedo.
No documento enviado ontem aos outros países, o Brasil observa que, com a instabilidade dos mercados financeiros desde agosto de 2007, o sistema multilateral de comércio tem atuado como um absorvedor de choques, com regulamentações vagas ou insuficientes em particular nos sistemas financeiro e monetário afetando inequivocamente o comércio.
O Brasil procura chamar a atenção para uma situação paradoxal, já que um estudo da própria OMC mostra que o financiamento ao comércio é um dos modos mais seguros de crédito devido à sua curta maturidade e existência de garantia física (os produtos), por exemplo.
Só que, com o aperto de crédito global, houve uma retirada do fornecimento de crédito (de curto prazo) pelos grandes bancos internacionais. Segundo fontes, as instituições preferem emprestar, quando o fazem, para o longo prazo, com rendimento aparentemente mais garantido.
O Brasil reclama que exportadores de países em desenvolvimento que buscam financiamento para exportação se encontram na estranha situação de estarem entre os que têm melhor capacidade creditícia, e portanto menos riscos, mas incapazes de ter acesso a crédito num cenário com percepção de alto risco. Isso provoca exigências mais severas por parte dos bancos ou simplesmente a resposta de que os fundos não são mais disponíveis.
O Brasil quer que a OMC examine a crise de aperto de crédito na sua próxima reunião do Grupo de Trabalho sobre comércio, Divida e Finanças, que foi criado há anos para reforçar a coerência entre comércio internacional e finanças e salvaguardar o sistema comercial de efeitos de instabilidade financeira e monetária.
A delegação brasileira pede também para a entidade examinar a dimensão do novo ciclo de endividamento de países em desenvolvimento, especialmente de importadores líquidos de alimentos e de petróleo. Para o Brasil, a OMC precisa estudar como isso terá impacto no comércio regional e global.
Até agora, o diretor-geral da OMC, Pascal Lamy, tem usado a crise financeira para insistir na importância de conclusão da Rodada Doha como uma apólice de segurança da economia global e para continuar a ter o papel de absorvedor de choques. (Valor Econômico – 08/10/08)

Sem Doha e com crise, Brasil busca negociações bilaterais
As negociações regionais e bilaterais de comércio do Brasil devem ganhar novo impulso entre o fim deste ano e o começo de 2009, apesar das incertezas provocadas pela crise financeira mundial. Governo e setor privado discutem estratégias para as negociações de abertura de mercado para os produtos brasileiros, com o impasse a que chegaram as negociações multilaterais de liberalização comercial na Organização Mundial de Comércio (OMC). Os empresários querem ampliar os temas negociados com os parceiros comerciais, e já estabeleceram prioridades. E eles também avaliam que a crise pode trazer oportunidades para o Brasil, pois o mercado interno torna as negociações atrativas para os demais países. Carla Romero/Valor
Mario Marconini, da Fiesp: país fica mais atraente com a crise externa.
O governo relutou em aceitar o fracasso das negociações na OMC, por avaliar que só uma negociação abrangente como a realizada na chamada Rodada Doha pode atender aos interesses do país como a redução e eliminação de subsídios que distorcem o comércio agrícola e a diminuição generalizada nas tarifas impostas sobre alguns dos principais produtos de exportação brasileiros. Mas a negociação ficou comprometida com a troca de comando na Comissão Européia, na sexta-feira, quando o negociador da rodada, Peter Mandelson mudou de posto no governo britânico e foi substituído por lady Ashley, que terá num mandato tampão, até o fim de 2009. 
Amanhã, altos funcionários de diversos ministérios se reúnem para estabelecer um "mapa" dos principais parceiros comerciais do Brasil, e coordenar uma estratégia para ampliação de mercados nesses países. 
"Vamos analisar quais países têm condições de ser alvo de negociações para uma área de livre comércio, com quais devemos nos limitar a negociar preferências comerciais, e em quais a questão é fazer ações de promoção comercial", explicou ao Valor o diretor do departamento econômico do Ministério das Relações Exteriores, Carlos Márcio Cozendey. Alguns países com quem o Brasil já tem acordos comerciais podem merecer discussões mais profundas para evitar que as regras de controle fito-sanitário continuem funcionando como barreiras comerciais não-tarifárias, acrescenta ele. 
A reunião de técnicos do Itamaraty e dos ministérios do Desenvolvimento e da Agricultura, além da Agência de Promoção de Exportações (Apex) tem o objetivo também de coordenar as ações que os órgãos do governo vem fazendo nos mercados do exterior. "As embaixadas terão um mapa de onde estão as prioridades em cada país", informa o diplomata. A coordenação da burocracia encarregada das negociações faz parte da nova política industrial, anunciada neste ano, lembra Cozendey. 
O setor privado já se adiantou e apresentou ao governo um estudo, realizado pela Federação das Indústrias de São Paulo (Fiesp), que estabelece como prioridade dos esforços de negociação comercial do Brasil os Estados Unidos, a União Européia, o México e os demais países da América Latina. Há interesse também na África do Sul e na Índia, embora a competição indiana levante resistências entre alguns setores. "Há um pós-Doha, e não queremos ficar parados", comenta o diretor do departamento de negociações internacionais da Fiesp, Mário Marconini. 
Existe uma diferença de visão entre os diplomatas e os negociadores do setor privado: enquanto os empresários afirmam que muitas das negociações em curso seriam ditadas mais por interesse político que comercial (em países de menor peso comercial na África, por exemplo, como o Marrocos), os negociadores do governo argumentam que estão explorando todas as possibilidades que aparecem no radar comercial, para que, no conjunto, tenham peso no volume de comércio com Brasil. 
O Brasil é o país da América Latina com maior diversificação de destino das exportações, embora, como nota a Fiesp, quase 57% das vendas externas estejam concentradas em quatro parceiros: União Européia, Estados Unidos, Argentina e China. 
Apesar de considerarem os Estados Unidos um alvo essencial nos esforços para acordos de comércio, os especialistas ligados à indústria reconhecem que há pouco espaço de negociação. "Nem os republicanos, nem os democratas estão muito interessados na idéia de negociar com um país grande como o Brasil tão cedo", comenta o diretor executivo da Confederação Nacional da Indústria (CNI), José Augusto Fernandes. A Coalizão Empresarial, que coordena os interesses da indústria brasileira nesse tipo de negociação, deve fazer uma consulta aos empresários todo o país para mapear os interesses dos diversos setores, informa. 
Segundo Fernandes, que participou, em setembro, de uma missão aos EUA para discutir perspectivas de comércio, o novo governo americano, antes de iniciar alguma nova negociação comercial de peso, terá de atender às preocupações dos sindicatos, em questões como seguro-saúde e proteção ao emprego ameaçado com a crise financeira. 
Fernandes também é pouco otimista em relação às conversas com a União Européia. Os europeus devem fazer pressão para abertura do setor industrial sem muitas contrapartidas em redução de barreiras a produtos agrícolas, acredita ele. O governo tem expectativa de retomar contatos com os europeus ainda neste ano. Nos últimos dias, segundo o graduado diplomata que participa das negociações, diplomatas da UE e do Mercosul tem mantido conversas freqüentes, na tentativa de definir um "ponto de partida" para retomar as negociações entre os dois blocos comerciais. 
No caso do México, um dos mercados hoje mais cobiçados pela indústria brasileira, a resistência vem dos mexicanos, incomodados com a falta de melhores resultados dos acordos de livre comércio já firmados pelo país - como o Nafta, com EUA e Canadá. Fernandes acredita, porém, que talvez seja possível atrair os mexicanos reforçando uma negociação que ainda se arrasta nos meios diplomáticos, para uma área de livre comércio na América Latina, entre os membros da Associação Latino-Americana de Integração (Aladi). "O México tem interesse nisso, pelos mercados da região", comenta ele. 
Segundo Marconini, da Fiesp, os industriais temem que o Brasil perca mercados para a concorrência, ao ficar fora de acordos de livre comércio entre parceiros do país. "O Brasil está mais preparado para essas negociações, e é um mercado atraente, com a crise", argumenta ele. "O contexto internacional mudou, sobretudo em nosso favor; o Brasil precisa renovar sua política de negociações comerciais", defende.  (Valor Econômico – 06/10/08)

Mandelson sai e esfria retomada de Rodada Doha
O Comissário de Comércio europeu, Peter Mandelson, deixou ontem o cargo para compor o novo gabinete do premiê britânico Gordon Brown, praticamente acabando com as esperanças de uma retomada da Rodada Doha neste ano.
Entra no lugar a baronesa Ashton, líder trabalhista na Câmara dos Lordes. Aliado de Tony Blair e inimigo político de Brown, Mandelson é uma jogada arriscada do premiê para reunir o Partido Trabalhista e garantir que seu governo chegue ao final do mandato.
Ashton vai chefiar a Comissão de Comércio da UE até meados de 2009, quando acaba o mandato britânico. Líder trabalhista na Câmara dos Lordes, Ashton ocupou cargos de destaque em comissões do Parlamento.
A troca de guarda gerou críticas, sobretudo nos EUA. Um alto funcionário americano, que não quis se identificar, disse que "remover o comissário europeu a esta altura diminui drasticamente qualquer esperança para a retomada da Rodada Doha neste ano".
Por ocupar a comissão transitoriamente, Ashton não deve ter força política para retomar as negociações, que acabaram sem sucesso em julho. Em comunicado, o chanceler Celso Amorim apenas lembrou a luta dos dois pelo sucesso de Doha. O Itamaraty não fez menção a um possível azeitamento da articulação para que as conversas sejam retomadas.
Agora secretário de Negócios do governo britânico, Mandelson foi um dos principais negociadores de Doha. O comissário teve de se desdobrar para unificar a posição européia, dividida entre países mais protecionistas, como França e Itália, e outros mais liberais, caso do norte europeu. Foi criticado por ambos os lados, por ir muito longe e por caminhar pouco.
Também colecionou desafetos, como o ex-representante americano, Robert Zoellick, e a atual, Susan Schwab. Um de seus principais feitos foi a tentativa de reforma dos "instrumentos de defesa comercial".
Governo em frangalhos
Mandelson é peça-chave na frágil arquitetura do novo gabinete de Gordon Brown. Nos anos 90, os dois ajudaram a formular o "Novo Trabalhismo", que garantiu a vitória de Tony Blair em 1997. Depois de 11 anos no comando, o partido vive uma forte cisão interna, que levou à queda de Blair e que pode custar a cabeça de Brown.
O atual premiê está tentando reunir o partido para evitar que eleições antecipadas entreguem o governo aos Conservadores. Brown, que foi ministro da Economia e a sombra do governo Blair, amarga baixos índice de popularidade. (Folha de S. Paulo – 04/10/08)


Acordos Produtos e Mercados OMC Outros

Brasil convoca reunião do G-20, em Washington
BRASÍLIA e RIO. A pedido do secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Henry Paulson, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, convocou ontem uma reunião extraordinária dos ministros da Fazenda e dos presidentes dos bancos centrais do G-20 financeiro grupo formado pelas 20 maiores economias avançadas e emergentes do mundo. A solicitação de Paulson decorre do fato de o Brasil estar ocupando a presidência rotativa do bloco. Os debates ocorrerão em Washington, neste sábado, paralelamente ao encontro anual de primavera do Fundo Monetário Internacional (EUA) e terão como foco a crise financeira mundial.
Segundo técnicos do Ministério da Fazenda, entre os principais objetivos da reunião do G-20 destacam-se a coleta de informações sobre as medidas que têm sido tomadas pelos países que integram o grupo para defender seus sistemas financeiro, produtivo e de comércio exterior; e a realização de um diagnóstico, mesmo que preliminar, sobre o impacto das turbulências na economia global, com projeções de médio e longo prazos.
Essas fontes disseram que existe, ainda, a expectativa de os EUA pedirem mais engajamento de outros governos, sob o argumento de que os problemas não são mais apenas dos americanos, mas de todo o mundo. Todas as medidas tomadas até o momento por diversos países, incluindo o Brasil, não têm surtido os efeitos desejados.
"Durante a presidência do Brasil, objetiva-se consolidar os esforços precedentes e avançar em direção a um ambiente mais equilibrado e estável para a economia global", diz uma nota divulgada ontem pelo Ministério da Fazenda.
De acordo com técnicos da área econômica, o G-20 tem contribuído desde 1999 para fortalecer a arquitetura financeira internacional e para promover desenvolvimento e crescimento econômico sustentável.
Em novembro, os ministros da Fazenda e presidentes dos bancos centrais do G20 se reunirão em São Paulo, em encontro pré-agendado.
Celso Amorim defende ação conjunta de emergentes O ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, defendeu ontem a adoção de medidas coordenadas de países integrantes do Mercosul e do Bric grupo integrado por Brasil, Rússia, Índia e China para o enfrentamento das turbulências provocadas pela crise financeira mundial. O chanceler afirmou que os países emergentes precisam atuar organizados em questões como a escassez do crédito internacional, que tem origem nos países desenvolvidos.
Amorim defendeu ainda uma maior participação dos países emergentes nas decisões econômicas mundiais.
Dizem que os emergentes são mais parte da solução do que do problema, então eles precisam também fazer parte da decisão — afirmou.(O Globo – 09/10/08)

Previsão de PIB do Brasil cai, mas ultrapassa média da AL
Se confirmadas, as previsões do FMI para o crescimento da economia brasileira colocarão o país à frente da média dos países latino-americanos pela primeira vez em vários anos.
O Fundo projeta um crescimento de 5,2% do PIB neste ano e de 3,5% em 2009. Em relação à previsão feita em abril, houve corte de 0,5 ponto para o ano que vem. Para a América Latina, a média prevista de crescimento é de 4,6% em 2008 e 3,2% em 2009. As reduções decorrem da crise financeira.
O FMI afirma que os emergentes devem sofrer com a queda nas exportações (derivada de uma demanda mundial menor por commodities e manufaturados) e, mais importante, com pressões para usar reservas para defender suas moedas.
Ontem, pela primeira vez em mais de cinco anos, o Banco Central brasileiro realizou um leilão de venda de reservas para tentar trazer o dólar para baixo do pico do dia, de R$ 2,48.
Charles Collyns, economista-chefe-adjunto e especialista em Brasil no FMI, afirmou que a pressão sobre o dólar deriva do "aperto do mercado internacional de crédito".
"Eu creio que isso explica o motivo de a taxa de câmbio no Brasil estar tão pressionada. O Brasil também é um grande exportador de commodities, e está sofrendo queda na receita (em dólares) por esse lado."
Pela primeira vez em vários anos, o Brasil passou a ter em 2008 déficit em dólares nas suas transações com o resto do mundo e necessita do equivalente a cerca de 1,5% do seu PIB em recursos de fora para se financiar. Com o aperto internacional, a expectativa de alguns analistas é que o financiamento fique cada vez mais difícil, daí a tendência de alta da cotação da moeda americana.
Collyns afirmou também que a pressão cambial poderá ter impactos iniciais sobre a inflação -já que produtos importados ficarão mais caros.
A contrapartida a esse cenário, disse, é que a atividade econômica tende a se desacelerar. O país precisará importar menos, e o consumo poderá ser atendido por uma folga maior nos limites de produção das empresas locais.
Para Collyns, se esse cenário prevalecer e o dólar refluir, o Brasil terá condições até de baixar os juros para estimular sua economia.
Sem citar especificamente o Brasil, mas falando dos emergentes em geral, o economista do FMI Jörg Decressin disse que em certos momentos os países serão obrigados a usar suas reservas para conter a valorização do dólar.
"Um grande número de emergentes acumulou enormes quantidades de reservas, e fizeram isso com o propósito de afastar choques vindos dos mercados nos tempos difíceis. E é exatamente isso (usar as reservas) que esses países devem fazer quando for necessário", afirmou Decressin.
Entre os grandes emergentes, a China seguirá como o mais ativo, com crescimento previsto de 9,7% neste ano e de 9,3% no próximo -contra 11,9% em 2007. (FCZ). (Folha de S. Paulo – 09/10/08)

Financiamento à exportação cai pela metade
Números do Banco Central indicam que na semana passada a oferta das linhas mais tradicionais de financiamento ao comércio exterior no Brasil caiu quase 50%, mostrando as dificuldades que empresas exportadoras têm tido com o agravamento da crise nos mercados.
Na semana passada, as operações de ACC (Adiantamento de Contrato de Câmbio) fechadas no país ficaram em US$ 584 milhões, média diária de US$ 117 milhões. Comparada a agosto, a queda foi de 43%.
Com o ACC, os exportadores obtêm empréstimos dos bancos dando como garantia receitas que serão recebidas do exterior. A queda no ACC contrasta com o aumento das exportações: segundo o BC, na semana passada as empresas trouxeram US$ 3,977 bilhões ao país, média diária de US$ 795 milhões, 4% superior à de agosto.(Folha de S. Paulo – 09/10/08)

Crédito para exportação desaba
A piora da crise financeira internacional secou ainda mais o crédito para os exportadores no Brasil. Dados do Banco Central (BC) mostram que a média diária na concessão de financiamentos para o setor, na semana passada, caiu 53,9% na comparação com o resultado do restante de setembro. Entre 29 de setembro e 3 de outubro, exportadores conseguiram, na média, crédito diário de US$ 116,8 milhões nos chamados Adiantamentos de Contrato de Câmbio (ACC). O valor é menos da metade da média diária de US$ 253,5 milhões entre 1º e 26 de setembro, período que já havia sofrido com a piora do cenário após a derrocada do Lehman Brothers. Segundo os dados do BC, o dia mais crítico foi 1º de outubro, quando apenas US$ 61 milhões em novos contratos de crédito foram fechados no sistema financeiro brasileiro.(O estado de S. Paulo – 09/10/08)

Risco de quebra de empresas é tema de reunião
O risco de quebradeira entre empresas exportadoras, que fizeram operações semelhantes às da Sadia e da Aracruz e agora amargam pesadas perdas, foi tema da reunião de ontem do grupo de coordenação política, do qual fazem parte o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o vice-presidente, José Alencar, e um grupo de ministros. Estimou-se, no encontro, que meia dúzia de empresas estaria nessa situação. A falta de liquidez no comércio exterior foi considerada o reflexo mais grave da crise internacional na economia brasileira. O sistema bancário continua sólido.
O presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, informou na reunião que retomaria a venda direta de dólares das reservas internacionais, como forma de "irrigar" o mercado. Surgiram, porém, questionamentos sobre se o governo não estaria auxiliando especuladores com essa medida.
"O presidente Lula disse que não tem interesse que nenhuma empresa quebre, por isso mandou liberar recursos", relatou ao Estado o ministro do Planejamento, Paulo Bernardo. "Mas ele frisou que não é para torrar as reservas internacionais para alimentar a especulação." José Alencar defendeu posição mais dura. Para ele, as empresas que apostaram na cotação errada do dólar deveriam arcar com as conseqüências e não caberia ao governo socorrê-las. Meirelles disse então que não se tratava de dar dinheiro a elas, mas garantir liquidez com os meios existentes. Ele ponderou ainda que de nada serve manter um nível elevado de reservas, se não for possível utilizá-las em caso de necessidade.
"No final, concordamos que, se precisar de dinheiro de banco oficial para emprestar, é legítimo fazer isso", disse Bernardo. Na sua avaliação, a margem para especulação não é elevada, pois operar com dólares num quadro tão volátil como o atual é manobra arriscada. Além disso, comprar moeda estrangeira iria requerer grandes volumes em reais. "Não tem tanta gente com bala na agulha", afirmou.
Meirelles afirmou na reunião que o Banco Central não fará a venda de dólares tendo como objetivo manter a cotação em um nível preestabelecido. Ele também não especificou quanto das reservas vai gastar.
A reunião de coordenação tinha como tema principal o resultado das eleições municipais. Mas, a pedido de Lula, Meirelles fez uma exposição de cerca de 30 minutos sobre a crise. O foco de preocupação está na Europa, onde as tentativas de coordenação na ajuda às instituições financeiras falharam. É, portanto, mais difícil avaliar o quadro no velho continente do que nos Estados Unidos.
Meirelles disse ao grupo de coordenação política que a medida provisória anunciada na segunda-feira dando ao Banco Central mais poderes para ajudar bancos em dificuldades é preventiva. "O maior temor é de que haja contaminação no sistema financeiro, o que não houve", disse um ministro.(O Estado de S. Paulo – 09/10/08)

Nova linha a exportador terá juro maior
O aumento do crédito do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) à exportação em R$ 5 bilhões virá acompanhado da alta do custo médio do financiamento ao comércio exterior. O presidente da instituição, Luciano Coutinho, detalhou ontem as condições da nova linha, batizada de pré-embarque especial. Ele lembrou que o BNDES tem como objetivo complementar o esforço feito pelo governo, principalmente pelo Banco Central, de suprir a oferta de crédito à exportação diante da crise.
"As linhas de crédito às exportações evaporaram, ficaram desidratadas, depois da paralisia do sistema de crédito global." A nova linha terá prazo de 18 meses e taxa diferenciada por categoria. Ficou mantida a Taxa de Juros de Longo Prazo (TJLP), hoje em 6,25%, para os setores de equipamentos industriais, de infra-estrutura e material aeronáutico.
No entanto, o custo de financiamento subiu para os segmentos de bens de capital, automotivo (ônibus, caminhões e tratores) e também para bens de consumo. Os dois segmentos poderão escolher entre juros fixos de 15% ao ano, mais spread dos agentes repassadores, ou uma taxa que está atualmente em 7,65%, mais spread dos agentes, que varia de acordo com uma cesta de moedas.
Pela primeira opção, o exportador pagará um pouco mais caro, mas fica protegido de variações cambiais. Nas linhas tradicionais, a taxa fixa antes variava entre 8% e 12% ao ano.
O BNDES decidiu ainda ampliar de US$ 50 milhões para US$ 150 milhões o limite de acesso ao crédito à exportação a companhias do setor de bens de consumo. O objetivo é dar gás às empresas para que não paralisem vendas externas.
De janeiro a agosto, o banco liberou US$ 3,5 bilhões para a exportação e a expectativa era chegar ao fim do ano com o patamar de US$ 6 bilhões. Mas, com os novos recursos, Coutinho espera atingir US$ 8,5 bilhões, dependendo da demanda e do uso dos R$ 5 bilhões extras, que podem ser desembolsados em até 12 meses.
O cálculo do valor de US$ 8,5 bilhões traz implícito o câmbio médio a R$ 2 até o fim do ano. Mas Coutinho disse não poder prever qual será o câmbio. Ainda sem saber que o dólar havia chegado a R$ 2,30 enquanto concedia entrevista, disse acreditar que "o câmbio de hoje (ontem), de R$ 2,20, está refletindo um momento de grande tensão e não vai perdurar".
Ele prevê que o crédito à exportação no Brasil se normalizará em três meses. Ressaltou que, no mundo, porém, esse processo deve demorar mais e depende da posse de um novo governo nos Estados Unidos, entre outros fatores. Coutinho admite que a economia brasileira vai desacelerar no ano que vem, mas pouco. "Não há motivo para jogar a toalha", enfatizou. "Não há nenhuma razão para a economia brasileira se deixar contaminar e desacelerar o seu crescimento significativamente."
Até agora, segundo Coutinho, não foi sentida nenhuma redução na demanda por crédito no BNDES, mas disse também não saber "se a demanda por investimentos se manterá com tanta firmeza". Ele lembrou que a meta de aumentar os investimentos para 21% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2010 está baseada em um aumento anual de 11% e que o ritmo no primeiro semestre foi de cerca de 16% ao ano. Também disse que a demanda por crédito no BNDES cresceu, até agora, num ritmo até superior a isso.
O executivo minimizou os anúncios de cancelamento de projetos de investimentos por empresas, dizendo que não é o cancelamento de um ou outro que permitirá "aquilatar" a demanda por investimentos.
NÚMEROS
18 meses
é o prazo da nova linha criada pelo BNDES
6,25% ao ano
será o juro cobrado para os setores de equipamentos
industriais, de infra-estrutura e material aeronáutico
15% ao ano
será o custo para os segmentos de bens de capital, automotivo (ônibus, caminhões e tratores) e para bens de consumo. Nesse caso, a taxa de juro cobrada é prefixada. Há, também, para esses setores, a opção de uma taxa variável de 7,65% ao ano. (O Estado de S. Paulo – 08/10/08)

Freio na importação para fim de ano
A disparada do dólar, que encerrou ontem cotado a R$ 2,31, com alta de 5% em relação ao dia anterior,provocou a paralisação nas novas compras de alimentos e bebidas vindas do exterior para as festas de fim de ano e também nas importações de matérias-primas básicas como o trigo.
"Novos pedidos estão suspensos. Por enquanto, estamos mantendo as compras só das mercadorias que estão a caminho", afirma Leonardo Chiappetta, sócio-diretor do Empório Chiappetta, empresa tradicional de secos e molhados.
Segundo o empresário, neste momento todo o comércio que trabalha com itens importados está apavorado e esperando para ver o que acontece com a cotação da moeda americana, já que para desembaraçar o produto importado é necessário pagar a fatura seguindo a cotação do dólar do dia.
Nas vendas do atacado, onde são comercializados grandes volumes, Chiappetta elevou entre 5% e 10% os preços dos importados desde o início desta semana. Já nas venda a varejo, os preços não foram corrigidos ainda. A intenção é reajustá-los na medida em que novos lotes vindos do exterior entrem no estoque com preços mais altos. O esforço é para não espantar o consumidor, que já se mostra mais comedido nas compras de itens tidos como supérfluos.
Também com medo melindrar a clientela, a Casa Santa Luzia, outra tradicional revenda de alimentos e bebidas importadas, optou pela cautela. "Estamos aguardando para ver em que nível a cotação do dólar vai se estabilizar", afirma o diretor Comercial da empresa, Jorge Conceição Lopes. Segundo o empresário, os preços serão aumentados se a cotação do dólar atingir a margem de lucro da companhia. Em outras palavras, se a moeda americana alcançar R$ 2,50.
A menos de três meses das festas de fim de ano, Lopes conta que tem nos estoques apenas 40% dos volumes de itens importados que serão vendidos no Natal. O grosso das encomendas deve chegar ao País nos próximos 30 dias e, portanto, estará sujeita às variações do câmbio do dia do desembarque.
"Está tudo parado", afirma um executivo de uma grande trading que importa manufaturados e grãos. Segundo ele, existem comerciantes que cogitam a possibilidade de cancelar parte dos embarques de produtos manufaturados que viriam da China para abastecer o comércio no fim de ano para escapar do risco da oscilação do câmbio. Outra alternativa considerada é pedir prorrogação de prazo de pagamento na expectativa de que o crédito para importação seja restabelecido.
No caso do trigo, alimento básico no qual as importações garantem 55% do abastecimento nacional, o quadro é crítico. "O preço da farinha vai subir entre 10% e 20% este mês", avisa o vice-presidente do Sindicato da Indústria do Trigo no Estado de São Paulo, Christian Saigh. Apesar do preço do grão ter caído 30% em dólar em dois meses, em reais subiu mais de 50% no mesmo período em razão da escalada do câmbio. Sem crédito para importação, o repasse deve ter impacto não só no preço da farinha mas também no do pãozinho .(O Estado de S. Paulo – 08/10/08)

BNDES tem mais R$ 5 bi para crédito à exportação
O presidente do BNDES, Luciano Coutinho, disse ontem que o reforço de R$ 5 bilhões no financiamento do banco para a exportação foi necessário para suprir um mercado carente e dar fôlego para as exportadoras depois que as linhas de crédito para o comércio exterior evaporaram, ou melhor, ficaram comprometidas, desidratadas. Segundo ele, em função da paralisia do crédito global, a exportação é um dos canais que poderiam transmitir a crise no crédito externo ao mercado brasileiro.
O reforço do papel do banco se dará na produção do bem a ser exportado, a chamada linha de pré-embarque. Coutinho disse que o objetivo não é financiar as empresas para que gastem mais, mas sim garantir um suporte até a reabertura das linhas tradicionais dos bancos comerciais, via Adiantamentos de Contratos de Câmbio (ACCs) e os Adiantamentos de Cambiais Entregues (ACEs). Esperamos com isso retomar o crédito e minimizar os efeitos que se começava a sentir, disse Coutinho.
Ele acha difícil prever qual a necessidade de desembolsos da instituição para 2009 já que, segundo ele, se de um lado o crédito vai continuar arisco, não se sabe ainda qual será a evolução da demanda e nem qual a velocidade em que o crédito será necessário. Mas se forem R$ 40 bilhões (a mais) não haverá problema, garantiu.
Quando perguntado sobre suas projeções para o câmbio, Coutinho disse que não é possível prever qual será o valor médio do dólar nos próximos três a quatro meses. Mas acha que a taxa atual, de R$ 2,20 a R$ 2,30, não vai se sustentar por muito tempo. Ele (o câmbio) está refletindo um momento de grande tensão no sistema de crédito mundial. E esse momento não pode perdurar indefinidamente porque senão pode quebrar a economia mundial. Esse é um processo de alta tensão que em algum momento vai se resolver.
Até agosto, o total de desembolsos das linhas de exportação do BNDES nas modalidades pós e pré-embarque somava US$ 3,4 bilhões. A expectativa era fechar o ano com desembolsos entre US$ 6 bilhões e US$ 6,5 bilhões. Com o reforço de R$ 5 bilhões o valor final pode chegar a até US$ 8,5 bilhões. As condições de financiamento mudaram. Para a indústria automotiva (excluídos automóveis), passaram a existir duas opções de correção do financiamento: uma taxa fixa de 15% ao ano em reais mais o spread; ou uma taxa menor, em moeda estrangeira, corrigida de acordo com a variação da taxa libor (hoje em 7,65%) mais o spread.
Já os bens de consumo poderão escolher entre a taxa fixa de 15% ou cesta de moedas. Mas o limite aumentou de US$ 50 milhões para US$ 150 milhões. Para os setores de bens de capital, infra-estrutura e bens aeronáuticos, o custo continua sendo a Taxa de Juros de Longo Prazo (TJLP) acrescida do spread . (Valor Econômico – 08/10/08)

Com preços em queda, impacto na balança pode chegar a 21%
Se a tendência de queda nos preços das commodities for mantida e alcançar os patamares de 2004, o Brasil poderá perder até US$ 8,4 bilhões no superávit de sua balança comercial, segundo um estudo do BNDES. O número representa 21% do superávit registrado em 2007, quando o saldo foi de US$ 40 bilhões.
Depois de alguns anos de forte valorização, itens importantes da pauta de exportação brasileira vêm sofrendo com a queda nos preços, em função da crise nos mercados. Entre esses produtos destacam-se o minério de ferro, a soja, o açúcar e o café.
Gilberto Borça e Marcelo Nascimento, autores do estudo, consideraram como referência o ano de 2007. O objetivo foi evitar duas distorções verificadas em 2008: a forte valorização das commodities e o crescimento expressivo das importações.
Considerando as projeções do saldo comercial para esse ano, de US$ 30 bilhões, o impacto seria ainda maior: o equivalente a 28%.
O caso da soja é o mais significativo, tendo em vista o peso do produto nas exportações. Na segunda-feira, os contratos para dezembro foram negociados a US$ 9,4 a saca (27,2 quilos). No início do ano, esse valor chegou a US$ 17.
O preço não é a única preocupação dos exportadores. "O problema passará a ser grave se a crise prejudicar o volume consumido pela China", diz o presidente da Associação Nacional dos Exportadores de Cereais (Anec), Sérgio Bueno. Os chineses consomem 50% da soja exportada pelo Brasil.
O mercado também avalia qual será o futuro do minério de ferro, outro item de peso na balança comercial brasileira. O preço do produto é definido anualmente, entre grandes produtores de minério e siderúrgicas mundiais.
Os analistas estimam que, para 2009, os fornecedores da matéria-prima entre eles a Vale do Rio Doce consigam um aumento de 10% no preço do produto. Em 2008, o reajuste foi de 65%.
O economista da LCA, Francisco Pessoa, diz que a influência das commodities na balança comercial não depende apenas dos preços internacionais. "O volume também será um fator preponderante", diz.
Apesar da queda acentuada dos preços e de seu impacto nas exportações brasileiras, o estudo do BNDES diz que, para o Brasil, "a perda está longe de ser alarmante".
Uma das razões está no fato de que o país também se beneficia da redução dos preços internacionais, pois é grande comprador de algumas commodities, sobretudo petróleo, gás natural, cobre e trigo. Em 2007, esses quatro produtos responderam por 13,4% das importações brasileiras.
A balança comercial exerce um papel importante nas contas externas do país, por representar uma das principais portas de entrada da moeda americana. Durante os últimos anos, esse superávit contribuiu para alimentar as reservas internacionais brasileiras, que hoje chegam a pouco mais de US$ 200 bilhões.
A tendência, porém, é de redução do saldo da balança, em função principalmente do crescimento das importações que por sua vez é influenciado pela alta do consumo interno e pela valorização do real. Para 2009, o mercado prevê um superávit de US$ 13 bilhões. (BBC – 08/10/08)

Exportações ameaçadas
Como os contratos de exportação são firmados com antecedência, não se espera que a crise financeira mundial afete este ano o resultado das vendas externas do Brasil. Mas para o ano que vem, a situação atual já causa preocupação. A raiz da encrenca está no financiamento às exportações, que minguou. Nas contas da Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB), o crédito disponível aos exportadores despencou para apenas um terço do necessário.
"Dois terços das linhas secaram. Temos uma necessidade de US$ 20 bilhões, mas existem apenas US$ 6 bilhões que estão sendo muito disputados", afirma o vice-presidente da AEB, José Augusto de Castro. Segundo ele, a situação "está atingindo em cheio" os exportadores. "Mas essa crise só vai mostrar sua cara em 2009", emenda. Para Castro, as medidas que vêm sendo anunciadas pelo governo "ajudam, mas não resolvem."
O cálculo da AEB considera o capital de giro para o período médio de 90 dias, ou seja, a necessidade atual de financiamento que, em geral, funciona como uma antecipação da receita do que foi exportado. No caso da crise se estender, a mesma projeção representa a oferta de apenas US$ 24 bilhões a US$ 30 bilhões para uma necessidade anual de US$ 80 bilhões a US$ 100 bilhões, valor próximo da metade de tudo o que o país vende ao exterior.
A oferta reduzida de capital é vista com especial temor por produtores agrícolas do Centro-Oeste, principalmente de soja, que têm nos bancos privados a mais importante fonte de recursos para o financiamento das exportações e da própria produção.
"Nossa grande preocupação é a questão do crédito. Houve praticamente uma interrupção do fluxo e os bancos fecharam a torneira do crédito exatamente no período de início do plantio. Só que a agricultura tem um calendário que não dá para atrasar", diz o diretor-executivo da Associação Brasileira da Indústria de Óleos Vegetais (Abiove), Fábio Trigueirinho. (Correio Braziliense – 07/10/08)

Reforço do BNDES é insuficiente, diz associação
O vice-presidente da AEB (Associação de Comércio Exterior do Brasil), José Augusto de Castro, afirmou que o reforço da linha de financiamento pré-embarque do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) em R$ 5 bilhões (cerca de US$ 2,5 bilhões) é favorável, mas não resolve o problema dos exportadores no curto prazo. A linha do banco de fomento financia a produção do bem que será exportado. Neste ano, as linhas de financiamento pré e pós-embarque já tiveram desembolsos de US$ 3,4 bilhões de janeiro a agosto. O resultado representa um crescimento de 31% em relação a igual período do ano passado. Na prática, a medida anunciada pelo governo representará um aumento de 50% em relação à estimativa de desembolsos para 2008 nessas linhas, de US$ 5 bilhões. "Essa medida não é suficiente porque, na realidade, a falta de liquidez hoje é muito grande. As operações do BNDES nem sempre conseguem alcançar todas as empresas e a agilidade não é igual à do setor privado", disse Castro. O prazo de pagamento é de 18 meses. O ministro do Desenvolvimento, Miguel Jorge, disse ontem que o banco passa agora a ter a "obrigação" de financiar as exportações brasileiras em vista da secura no crédito externo. Segundo ele, metade dos US$ 100 bilhões das vendas externas depende de financiamento. "O BNDES e o governo vão ter que ter crédito para que empresas brasileiras possam se capitalizar para exportar", disse em evento promovido pela Câmara Brasil Israel de Comércio e Indústria. Segundo ele, os recursos podem vir do Tesouro e das reservas internacionais. De acordo com o banco de fomento, operações de até R$ 10 milhões podem ser aprovadas em uma semana. Acima desse valor, elas precisam ser submetidas ao comitê de crédito. Uma parcela expressiva do mercado de exportação é regida por adiantamentos sobre contratos de câmbio, mecanismo em que uma instituição financeira adianta recursos ao exportador antes da exportação e ele se compromete a entregar a essa instituição as divisas após o embarque da mercadoria. "O mercado externo está seco, a alternativa é o mercado interno, com taxas altíssimas, pois na situação atual o céu é o limite. Um adiantamento sobre contrato de câmbio que se conseguia com taxa de 4% já chega a 20%", disse Castro. Para Lia Valls Pereira, da FGV (Fundação Getulio Vargas), a linha do BNDES deve resolver principalmente o problema das grandes empresas. "Tem uma parte da exportação que não vai ao BNDES. A medida significa que o governo está preocupado. Passado o susto, essas linhas de crédito para exportação tendem a se restabelecer rapidamente, a não ser que isso se torne uma crise de grandes proporções", afirmou.(Folha de S. Paulo – 07/10/08)

BC usará reservas para financiar exportadores
Na tentativa de acalmar os mercados num dia de perdas recordes na Bovespa, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, e o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, fizeram um pronunciamento às pressas na tarde de ontem para mostrar aquilo que chamaram de "solidez" da economia brasileira e anunciar medidas de apoio às exportações.
Esse apoio ocorrerá de duas maneiras. Uma delas será feita por meio do BC, que irá repassar parte dos recursos das reservas internacionais do país para bancos que financiem o comércio exterior brasileiro. A outra será determinar ao BNDES que libere mais R$ 5 bilhões para linhas de crédito voltados a empresas exportadoras.
No caso do BC, a novidade será a maneira como a medida será implementada: por meio de leilões, o BC irá conceder empréstimos a bancos que financiam exportações no Brasil. Em troca, esses bancos deverão entregar, como garantia, um valor equivalente ao do empréstimo em títulos negociados no mercado internacional.
Só poderão participar desse leilão bancos que operem com comércio exterior. Nem Mantega nem Meirelles disseram o valor a ser repassado aos bancos ou a data dos leilões. "Vai ser na medida do necessário", disse Meirelles. As reservas internacionais do Brasil estão em cerca de US$ 206 bilhões.
Meirelles também não soube dizer quais títulos serão aceitos como garantia: se limitou a informar que papéis emitidos pelo governo brasileiro no exterior estarão entre os papéis a serem incluídos na transação e prometeu mais detalhes hoje.
Em relação ao BNDES, os R$ 5 bilhões ao financiamento de exportações fazem parte de um pacote de R$ 15 bilhões que o Tesouro Nacional já havia prometido injetar no banco estatal. O dinheiro será aplicado nas linhas do BNDES chamadas de "pré-embarque", que atendem a todas as empresas que operam no país, mas dão preferência às micro e pequenas. Por meio dessas linhas, o banco concede empréstimos aos exportadores do embarque da mercadoria vendida.
Quando a entrevista de ontem foi anunciada, no começo da tarde, a Bovespa registrava queda de 12%, e o "circuit breaker", mecanismo que interrompe o pregão em caso de variação muito brusca, já havia sido acionado duas vezes.
Nem Meirelles nem Mantega responderam a perguntas dos jornalistas, e boa parte do pronunciamento consistiu numa tentativa de transmitir tranqüilidade. "O Brasil não está imune. É uma crise global, que atinge mais os países mais fragilizados e menos os mais sólidos, como o Brasil", disse Mantega. "Sairemos dessa fase aguda, embora a crise vá continuar. Talvez a maior desde 1929. Na fase aguda, fica tudo pior. Com a desconfiança total, o mercado cai na irracionalidade e no comportamento de manada."
O ministro disse ainda que espera que a oferta de financiamentos para o Brasil deva se normalizar, embora com juros mais altos do que os praticados antes da crise.
"Quando os governos todos tomarem as providências necessárias, haverá reconstituição das linhas de crédito que secaram. Isso se dará em um patamar de menos crédito e com taxas mais elevadas."
Meirelles seguiu a mesma linha: "É a grande vantagem de o Brasil ter adotado uma política conservadora, prudente: neste momento, temos recursos suficientes para enfrentar uma crise que afeta a todos. Temos recursos suficientes para enfrentá-la com serenidade".
Ele também citou as medidas tomadas pelo BC nas últimas semanas para combater os efeitos da crise no Brasil como sinal de que o governo está atento ao agravamento da situação. Entre as iniciativas citadas, estavam as mudanças nas regras do recolhimento compulsório dos bancos e os leilões de dólares feitos pelo BC no mercado de câmbio.(Folha de S. Paulo – 07/10/08)

Programas serão ampliados
No esforço para manter o financiamento às exportações brasileiras, diante da escassez de crédito internacional, o governo deverá utilizar medidas de mais longo prazo, além da injeção emergencial de recursos do Tesouro ou do uso de parte das reservas cambiais - como informaram ontem os ministros Guido Mantega (Fazenda) e Miguel Jorge (Desenvolvimento).
Estão em estudos a utilização de instrumentos como o Revitaliza, do BNDES - programa voltado em parte à exportação, que ainda não começou a ser operado - e flexibilização nas regras restritivas do Proex, programa de financiamento operado pelo Banco do Brasil para pequenas empresas, que também é usado para equalização em financiamentos de outros bancos, inclusive o BNDES. Os dois modelos devem sofrer mudanças, para atender a um maior número de exportadores.
"É lógico que há um limite para utilização das reservas cambiais, para atender à demanda por financiamentos por um período mais curto. Mas haverá soluções de mais longo prazo. Não há razão para enxugamento do crédito às exportações", revela o secretário de comércio exterior do Ministério do Desenvolvimento, Welber Barral. Ele inclui o programa Revitaliza também nesse atendimento de longo prazo.
Destinado inicialmente a setores intensivos em mão-de-obra que sofreram com a desvalorização cambial, o Revitaliza prevê a liberação de R$ 9 bilhões de 2008 a 2010. O desenho original incluía no programa apenas empresas com faturamento bruto até R$ 300 milhões por ano, mas o Congresso deu aval para a ampliação desse universo. O programa, incluído na nova política industrial do governo, ainda não está sendo operado pelo BNDES, à espera de aprovação do Conselho Monetário Nacional (CMN).
O Revitaliza não entrou em pauta na última reunião do CMN, em 30 de setembro. A próxima reunião do Conselho - formado pelos ministros da Fazenda e do Planejamento e pelo presidente do Banco Central - está marcada para o dia 23 deste mês, quando a medida poderá ser discutida. De acordo com Barral, o reforço de R$ 5 bilhões que o Tesouro destinará às linhas de pré-embarque do BNDES (de uma captação total de R$ 15 bilhões) não deverá reduzir o orçamento do Revitaliza. A intenção do governo é liberar uma parcela dos recursos do programa ainda este ano.
Barral não acredita em reflexo substancial no saldo das exportações este ano, apesar da crise. "Muitos dos ACCs (Adiantamento de Contrato de Câmbio, uma das principais linhas de financiamento ao comércio exterior) eram firmados por até um ano. Portanto, tínhamos contratos de médio e longo prazos. Para este ano não esperamos um grande efeito, até aumentamos a média de exportação", afirmou o secretário, que atribui a "seca" dos ACCs a "um momento puramente especulativo".
"O que está acontecendo nas últimas semanas é uma grande especulação cambial, um comportamento de manada, e muitos bancos estão restringindo créditos até saber o que vai acontecer." De fato, as linhas de ACCs foram reduzidas. Por isso o governo tenta manter a liquidez no mercado.
"Estamos fazendo tudo para mostrar ao mercado que a situação brasileira é diferente da de outros países." Segundo o secretário, este ano, dos US$ 150 bilhões exportados, US$ 23 bilhões foram por meio de ACCs, ou seja, um sexto do total.
Antes do agravamento da crise internacional, o BNDES projetava a liberação este ano de US$ 5 bilhões para linhas de pré e pós-embarque. Em todo o ano de 2007, o total liberado foi de US$ 4,2 bilhões, com queda de 34% em relação aos US$ 6,4 bilhões liberados em 2006. Com a liquidez de crédito no exterior, no ano passado as empresas optaram por linhas internacionais e reduziram sua exposição no BNDES.
Em princípio, grandes empresas não poderiam ser beneficiadas pelo Revitaliza. Mas o limite de faturamento pode ser flexibilizado, dependendo do aval do Congresso. Também está sendo negociada a inclusão de setores como os de bens de capital e de software.
O setor exportador já sente a falta de crédito para ACC. "O primeiro impacto de uma crise internacional de liquidez é o corte das linhas para ACC, o que já está acontecendo. Há quase um mês os ACCs não vêm sendo renovados", diz o ex-ministro da Agricultura Marcus Pratini de Moraes, hoje consultor da JBS-Friboi.
NÚMEROS
R$ 9 bilhões é o valor previsto para ser liberado no programa Revitaliza, de 2008 a 2010
R$ 5 bilhões é o valor do reforço do Tesouro às linhas de pré-embarque do BNDES
US$ 5 bilhões é o valor total projetado para ser liberado este ano pelo BNDES, para pós e pré-embarque
US$ 4,2 bilhões foi o valor total liberado em 2007(O Estado de S. Paulo – 07/10/08)

Governo anuncia socorro a exportador
No dia mais agudo da crise financeira internacional, quando os mercados foram tomados pelo que o ministro da Fazenda, Guido Mantega, chamou de "momento de irracionalidade, de comportamento de manada", o governo baixou um conjunto de medidas para socorrer os exportadores. Conforme antecipou o Estado no sábado, bancos de fora do País terão acesso a dólares das reservas internacionais para financiar o Comércio Exterior. Eles entregarão títulos da dívida brasileira e outros papéis de primeira linha ao Banco Central (BC)e receberão dólares em troca.
Além disso, o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico em Social (BNDES) recebeu um reforço de R$ 5 bilhões para linhas de financiamento de pré-embarque de mercadorias destinadas à exportação.
Numa terceira frente, o BC aumentou a oferta de proteção cambial ao mercado, por meio da venda de contratos chamados de "swap cambial" - nos quais a autoridade monetária se compromete a pagar aos bancos a variação cambial, por um período determinado. A medida equivale a uma venda de dólares ao mercado. As decisões foram anunciadas conjuntamente por Mantega e pelo presidente do BC, Henrique Meirelles.
Meirelles explicou que o Comércio Exterior vem sendo afetado pela crise porque o Brasil é grande exportador de commodities - o tipo de mercadoria cujo preço tende a cair num cenário de desaceleração econômica como o que se vislumbra para os próximos meses. "Isso leva a uma certa expectativa que países exportadores de commodities possam ter uma moeda menos apreciada", disse. "Isso é uma parte da questão." A outra é que o Comércio Exterior brasileiro é "fundamentalmente" financiado em dólares - moeda que, em razão da crise nos EUA e na Europa, tornou-se rara no mercado.
Segundo Meirelles, isso "impacta não só a exportação, mas também o crédito em reais, na medida em que a contrapartida em reais também diminui". Por isso, todos os esforços do governo ontem foram no sentido de fornecer dólares aos exportadores e acalmar o mercado. Logo pela manhã, a venda dos swaps começou a ser operada. As outras duas medidas foram anunciadas à tarde, antes da reunião do conselho político, em que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva discutiu a crise com os líderes no Congresso Nacional.
'MANADA'
Na avaliação de Mantega, a "irracionalidade" que tomou conta do mercado financeiro ontem se deveu a dois fatores, ambos relacionados à perda de confiança nas instituições financeiras. Em primeiro lugar, o pacote de ajuda de US$ 850 bilhões aprovado na sexta-feira passada pelo Congresso dos Estados Unidos ainda não foi posto em prática e depende de decisões que ainda pendentes.
Em segundo, o quadro da crise se agravou na Europa, onde fracassou a tentativa de aprovar um pacote semelhante ao dos Estados Unidos, no valor de 300 bilhões. Como alternativa, os governos europeus vêm dando garantias de cobertura nos depósitos bancários, para evitar uma corrida bancária.
O Brasil, segundo admitiu Mantega, não está imune aos efeitos da crise - que é talvez a pior desde 1929 e cuja duração não será curta. Porém, as turbulências atingem os países de maneiras diferentes. "Uma diferença fundamental é essa: nos Estados Unidos, na União Européia, há problema de solvência, de ativos podres", comentou. "Aqui não há ativos podres." Ele acrescentou que perdas em bolsa - como as ocorridas ontem - são inevitáveis, mas elas não refletem problemas de qualidade nos ativos, como nas economias centrais.
A crise chegou ao Brasil na forma de "estrangulamento das linhas de crédito", disse Mantega. "Acredito que a situação aguda deverá se dissipar, porque é impossível imaginar que vai continuar tendo um sistema financeiro mundial travado, que é como ele se encontra hoje."
A retomada das linhas de financiamento, porém, não ocorrerá nas mesmas condições de antes da crise. "Certamente, teremos menos crédito, taxas de juros mais elevadas, e a conseqüência será o crescimento menor da economia mundial", avaliou o ministro.
AJUDA EM TRÊS FRENTES
O Banco Central anunciou ontem as seguintes medidas:
Linha de crédito em dólares no exterior - bancos que operam no exterior poderão ter empréstimos em dólares das reservas internacionais para financiar exportações brasileiras. Eles entregarão títulos ao Banco Central e receberão os dólares em troca, para emprestar aos exportadores. No vencimento do contrato, o Banco Central recebe o dólares e devolve os títulos.
Pré-embarque - as linhas de financiamento do pré-embarque de mercadorias ao exterior serão reforçadas em R$ 5 bilhões.
Swap cambial - o Banco Central antecipou o vencimento de R$ 1,5 bilhão em contratos de swap cambial. Na prática, a operação corresponde a vender dólares no mercado futuro, também com o objetivo de irrigar o mercado com dólares.
RECEITAS
Roberto Giannetti da Fonseca
Presidente da Abiec

"A situação é mais séria do que no passado. Nas outras crises, os fornecedores de crédito não emprestavam para nós, pois não havia confiança da parte deles. O problema agora não é mais o risco, mas os provedores de crédito que não têm mais recursos para emprestar. Eu mesmo encaminhei uma carta ao presidente do BC pedindo que ele estudasse a hipótese (de oferecer uma linha de US$ 20 bilhões em Adiantamentos de Contratos de Câmbio)"
Rubens Sardenberg
Economista-chefe da Febraban

"De forma geral, está acontecendo uma crise de liquidez muito forte, e o governo está tentando amenizar isso de alguma maneira. É uma atitude na direção correta. A prioridade era a questão externa, que está sendo endereçada, e acho que na seqüência está a questão da agricultura. A economia brasileira vai conviver mais com empréstimos em reais do que tinha antes"
Roberto Padovani
Estrategista de Investimentos do WestLB

"A gente vive uma situação de crise de liquidez aguda. O Banco Central precisava adotar medidas para combater isso, e as medidas que têm sido tomadas vão na direção correta. A gente está vivendo uma gestão de crise. Existem questões estruturais, mais de médio prazo, que não são gestão de crise e que poderiam ser atacadas, como adotar uma política fiscal um pouco mais cautelosa "
Rubens Barbosa
Presidente do Conselho de Comércio Exterior da Fiesp

"As medidas tomadas foram pontuais e foram corretas, na linha de dar liquidez ao sistema bancário brasileiro. O sistema brasileiro está sólido, mas precisa ser irrigado. Eu acho que o governo tem que tomar medidas mais fortes em relação a outros problemas, como o gasto público. Essa atitude nossa de que vamos pisar no acelerador agora é um equívoco."
Antonio Corrêa de Lacerda
Professor da PUC-SP

"A desvalorização cambial, desde que bem conduzida, é positiva para a economia brasileira. O câmbio a R$ 1,55 não era sustentável. Mas essa desvalorização muito rápida também não é positiva, principalmente pelo medo que se cria em relação à inflação. O segredo vai ser o BC usar os instrumentos que tem para calibrar a taxa de câmbio e não deixá-la superar muito os R$ 2 "(O Estado de S. Paulo – 07/10/08)

Bolsas da Ásia têm resultados mistos; na Europa, ações caem
Os principais mercados da Ásia apresentaram resultados mistos nesta terça-feira após um dia de fortes quedas nas bolsas de todo mundo em meio à extensão da crise financeira internacional e dúvidas sobre a capacidade dos governos em contorná-la.
Após abrir em queda, as bolsas européias apontaram sinais de recuperação para logo em seguida voltar a recuar. Às 5h30 no horário de Brasília, o índice FTSE da bolsa de Londres operava em baixa de 1,31%. Em Frankfurt, o Dax recuava 1,32% e em Paris, o Cac 40 caía 0,22%.
Na segunda-feira, a bolsa de Paris registrou a maior queda de sua história ao despencar 9,04%.
No Japão, o índice Nikkei caiu mais de 5% nos primeiros 30 minutos do pregão desta terça e fechou com perdas de 3,03%.
Na Coréia do Sul, a bolsa abriu em queda de 1,3%, mas se recuperou, fechando os negócios em alta de 0,78%.
A bolsa de Taiwan, que começou a operar com baixa de 2,78%, conseguiu se reerguer e terminou o pregão com ganhos de 0,34%.
Já a bolsa de Hong Kong, que fechou a segunda-feira com queda de 5%, ficou fechada por causa de um feriado.
A grande volatilidade dos mercados nesta terça-feira se segue a um dia de muita turbulência nas bolsas de todo o mundo.
A bolsa de valores de Nova York fechou na segunda-feira com o nível mais baixo em pontos em quatro anos.
O índice Dow Jones terminou o dia com queda de 3,58%, na marca dos 9.955,50 pontos – a mais baixa desde outubro de 2004. O Nasdaq recuou 4,34%.
As baixas, que chegaram a ser mais intensas durante o dia, refletem as incertezas dos investidores em relação ao pacote aprovado nos Estados Unidos para ajudar o mercado financeiro e também novos sinais de que a crise econômica está se agravando na Europa.
Segundo analistas, os investidores temem que o pacote aprovado na sexta-feira não tenha o impacto necessário para reverter a crise e também estão preocupados com a demora na sua implementação.
Em uma tentativa de dar segurança aos investidores, uma força-tarefa ligada à Casa Branca para lidar com o mercado financeiro divulgou um comunicado dizendo que está acelerando os preparativos para intervir no mercado, conforme o previsto no pacote.
Em São Paulo, os negócios na bolsa foram interrompidos duas vezes durante as primeiras horas de pregão, depois de o índice Bovespa registrar queda de mais de 10%. Mas no fim do dia houve uma recuperação, e o índice encerrou o dia com perdas de 5,43%. (BBC – 07/10/08)

Incertezas com resgate de banco europeu derrubam bolsas na Ásia
O tumulto financeiro que atingiu a Europa no final de semana provocou a queda das bolsas asiáticas nesta segunda-feira.
Os principais índices asiáticos recuaram mais de 3 pontos percentuais - e a previsão é de as bolsas na Europa sigam a mesma tendência de queda acentuada.
O índice Nikkei da Bolsa de Tóquio fechou o pregão em queda de 4,2% - o menor índice registrado em quatro anos.
O índice Hang Seng de Hong Kong recuou 3,4% e os os mercados na China, Austrália e Índia também caíram.
Reação
Essa foi a primeira sessão das bolsas asiáticas depois da aprovação, no Congresso americano, do plano de resgate de US$ 700 bilhões apresentado pelo governo.
Mas a preocupação com relação aos efeitos da crise econômica aumentou no final de semana depois que o governo da Alemanha anunciou um plano para resgatar o banco Hypo Real Estate - o segundo maior provedor de hipotecas do país - que estava à beira da falência. A
lém disso, o banco francês BNP Paribas concordou em comprar 75% das operações do grupo Fortis na Bélgica e em Luxemburgo. Em troca, os governos da Bélgica e de Luxemburgo passarão a ter uma participação acionária minoritária no BNP Paribas.
O braço holandês do Fortis foi nacionalizado pelo governo da Holanda. (BBC – 06/10/08)

Prejuízos e nacionalizações marcam crise financeira na Europa
Prejuízos de bilhões de dólares e necessidade de intervenção governamental para evitar quebras em série em instituições financeiras, que poderiam acelerar uma recessão em escala global. Esses são os efeitos da atual crise financeira entre os bancos europeus --crise essa que tem suas raízes no mercado imobiliário dos EUA mas já se espalhou pelo mundo todo.
O mercado imobiliário dos EUA viveu um "boom" logo após a crise das empresas "pontocom", em 2001. A expansão no mercado imobiliário acabou por chegar a um nicho ainda não explorado: o de clientes "subprime", que representava um risco maior de inadimplência e que, por isso mesmo, prometia retornos mais altos.
Esses retornos atraíram instituições americanas e estrangeiras, que compraram esses títulos "subprime" das companhias hipotecárias e permitiram que uma nova quantia em dinheiro fosse emprestada, antes mesmo do primeiro empréstimo ser pago. Esse sistema gerou uma cadeia de venda de títulos.
Em um mercado financeiro cada vez mais integrado --efeito da globalização nos últimos anos--, o efeito do não-pagamento de um empréstimo na ponta (quem toma o empréstimo) gera um ciclo de não-recebimento por parte dos compradores dos títulos. Isso cria uma desconfiança generalizada que se espalha por praticamente todas as categorias de crédito. O resultado é uma relutância cada vez maior por parte das instituições financeiras em oferecer crédito, e o reflexo dessa desconfiança é a paralisia em curso nos mercados financeiros.
Muitas das instituições européias hoje beirando a falência acabaram, assim, com papéis "podres" (de resgate muito improvável, ou seja, sob sério risco de calote) em suas reservas, adquiridos de instituições americanas.
Um dos primeiros passos logo no início da dança da crise foi a decisão do banco francês BNP Paribas, em agosto de 2007, de congelar cerca de 2 bilhões de euros em fundos, citando as preocupações sobre o setor de crédito "subprime" (de maior risco) nos EUA --até então, um termo que não ocupava tanto espaço no vocabulário do mercado financeiro.
A EBF (Federação Européia de Bancos, em inglês) considerou o sistema bancário europeu sólido o bastante para passar pela crise financeira e garantir as economias de seus clientes. O diretor-gerente do FMI (Fundo Monetário Internacional), Dominique Strauss-Kahn, embora não exatamente pessimista, optou pela prudência e recomendou que as instituições bancárias européias se preparassem "para o pior" dentro do contexto de crise financeira.
Ele ainda pediu coordenação para enfrentar a crise --mesmo pedido já feito pelo presidente da Comissão Européia, o órgão executivo da União Européia (UE), José Manuel Durão Barroso. Além deles, França, Alemanha, Reino Unido e Itália já se dispuseram a impedir falências bancárias, além de definirem como será essa coordenação.
Tudo isso, no entanto, ainda é incipiente, preliminar: enquanto toda a ajuda disponível não vem, os bancos continuam a sofrer os efeitos da crise. A vítima mais recente entre as instituições européias atingidas pela crise foi o banco hipotecário alemão Hypo Real Estate (HRE). O governo alemão --um dos mais avessos à idéia de elaborar um pacote, aos moldes do americano, para salvar o sistema bancário europeu--, em parceria com outros bancos privados, fecharam um pacote de 50 bilhões de euros (cerca de US$ 69 bilhões ou R$ 141,3 bilhões) para salvar o Hypo.
Além disso, a chanceler alemã, Angela Merkel, sinalizou com uma garantia do governo a todos os depósitos bancários no país, que chegam a 568 bilhões de euros (cerca de R$ 1,5 trilhão). O governo alemão tenta, assim, se mobiliza para tentar evitar que a crise financeira se transforme em uma crise econômica.
Crise econômica é o que pode já estar às portas da França e da Irlanda. Previsões do Insee (Instituto de Estatística da França) divulgadas na sexta-feira (3) mostraram que o PIB (Produto Interno Bruto) do país terá queda de 0,1% no terceiro e no quarto trimestres, depois de ter retrocedido 0,3% no segundo. Dois trimestres consecutivos de retração do PIB indicam recessão.
A Irlanda, por sua vez, já detém o duvidoso título de primeiro país da zona do euro a entrar em recessão : o PIB do país no segundo trimestre teve uma contração de 0,5%, depois de uma contração de 0,3% no primeiro. O banco central irlandês já previu também que a recessão no país, a primeira que a Irlanda sofre em 25 anos, deve durar dois anos. Mesmo assim, ou talvez por causa disso, o governo irá garantir durante os próximos dois anos todos os depósitos bancários dos seis grandes bancos nacionais para "salvaguardar o sistema financeiro irlandês".
O suíço UBS, um dos primeiros e dos mais atingidos pelos efeitos da crise, teve no segundo trimestre deste ano um prejuízo de US$ 328,45 milhões, ligado ao setor de créditos "subprime" e já cortou 6.000 empregos desde o ano passado.
Raiz
A raiz dos problemas europeus tem em comum com a dos americanos as ligações com o mercado imobiliário: o alemão Hypo é um banco de hipotecas. No Reino Unido, o Northern Rock, uma das principais instituições hipotecárias do país, foi nacionalizado neste ano. Na Irlanda, que está em recessão, analistas vinham alertando para o estouro da bolha imobiliária no país, acarretada pela desaceleração no setor de construção civil.
O governo britânico já anunciou um pacote de investimentos e cortes de impostos para estimular o mercado imobiliário. Os preços dos imóveis no Reino Unido caíram cerca de 10,5%, segundo a Nationwide Building Society.
O governo britânico tenta evitar que a previsão da OCDE (Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico) se concretize: a organização informou que a economia do Reino Unido deve registrar contrações de 0,3% e 0,4% nos dois últimos trimestres do ano, respectivamente --o que significaria mais uma das grandes economias mundiais no território da recessão.
O britânico Bradford & Bingley (B&B), uma das grandes operadoras de hipotecas do país, também foi nacionalizado, com parte de suas operações vendida ao espanhol Santander.
Bélgica, França e Luxemburgo também se uniram para salvar o banco franco-belga Dexia, com uma injeção de US$ 9,2 bilhões. O grupo bancário e de seguros belgo-holandês Fortis também se viu em meio a problemas causados perla crise. As ações do banco já caíram mais de 70% neste ano. Autoridades financeiras da Holanda, Bélgica e Luxemburgo anunciaram a nacionalização de parte do grupo, colocando cerca de US$ 18 bilhões para evitar o colapso da instituição.
No mercado de trabalho europeu no segundo trimestre, o número de postos de trabalho na zona do euro cresceu apenas 0,2% ritmo mais lento desde 2006. Os dados mais recentes sobre a produção industrial na região, referentes a julho, mostram uma queda de 1,7%; além disso, o dado de junho foi revisado para baixo --queda de 0,2% sobre maio e de 0,8% sobre junho do ano passado (as divulgações anteriores eram de estabilidade e queda de 0,5%, respectivamente).
A OCDE espera um crescimento de 1,3% para a zona do euro neste ano, contra 1,7% na projeção anterior. A economia da região se contraiu em 0,2% no segundo trimestre de 2008, em comparação aos primeiros três meses do ano.
Ação
Os governos dos quatro países europeus do G8 (Alemanha, França, Itália e Reino Unido) chegaram a um acordo para processar os responsáveis de bancos que precisem de ajudas públicas. O presidente da França, Nicolas Sarkozy, a chanceler da Alemanha, Angela Merkel, e dos primeiros-ministros do Reino Unido, Gordon Brown, e da Itália, Silvio Berlusconi, apelaram para uma "cúpula internacional o mais breve possível com os Estados mais interessados na reforma do sistema financeiro mundial".
A reforma que pretendem ver efetuada envolve a regulamentação de todas as instituições envolvidas com o sistema financeiro, e não só os bancos; uma modificação das normas contábeis para evitar bolhas especulativas; um controle político mais presente das instituições internacionais encarregadas de regular os mercados para garantir a coerência de suas ações; e a criação, em tempos de crise, de um grupo de trabalho entre supervisores do mercado, bancos centrais e Ministérios de Finanças.
Para Merkel, as propostas são "uma contribuição à confiança no sistema financeiro"; Brown, por sua vez, destacou que "a liquidez será assegurada para preservar a estabilidade e a confiança" do sistema bancário. (Folha de S. Paulo – 06/10/08)

Secretário de Comércio dos EUA diz que empresas serão mais seletivas na América Latina
WASHINGTON, - O secretário de Comércio norte-americano, Carlos Gutiérrez, ressaltou nesta segunda-feira que as empresas serão mais seletivas na hora de escolher os países no quais investir em meio à crise atual, e que buscarão lugares onde haja transparência e normas claras.
A alguns dias de viajar para o Brasil, onde se reunirá com autoridades comerciais brasileiras e participará de um fórum com empresários brasileiros e norte-americanos, Gutiérrez participou de uma teleconferência com jornalistas em Washington durante a qual se referiu a um novo cenário, de maior cautela, para os investimentos das empresas.
As companhias "serão mais seletivas do que nunca ao escolher os países em que investirão" neste contexto de crise financeira global, disse Gutiérrez.
"No caso da América Latina é importante (que os países da região) se dêem conta de que a competição por capital vai se intensificar", acrescentou. Terão vantagem aquelas nações que apresentarem maior transparência e leis claras aos investidores, afirmou Gutiérrez.
O secretário de Comércio chegará quinta-feira pela manhã ao Rio de Janeiro, onde se reunirá com representantes de empresas energéticas, em particular da Petrobras.
À tarde participará de um fórum de dirigentes de grandes empresas dos dois países, criado para promover a participação do setor privado na geração de idéias para fomentar o intercâmbio bilateral.
Nele, Gutiérrez abordará quatro temas principais: "Como podemos seguir adiante com (a rodada de) Doha" de liberalização do comércio mundial; a participação de empresas norte-americanas em projetos de infra-estructura no Brasil; vistos e viagens entre os dois países; e um tratado impositivo bilateral.
A última reunião deste fórum foi realizada em abril na Casa Branca, e contou com a presença do presidente norte-americano George W. Bush.
No Rio de Janeiro, Gutiérrez discursará na Câmara de Comércio Brasil-Estados Unidos, segundo seu gabinete.
Gutiérrez visitará São Paulo na sexta-feira para se reunir com autoridades brasileiras, entre elas o ministro do Desenvolvimento (Comércio), Miguel Jorge, informou o próprio funcionário norte-americano.
Estados Unidos e Brasil tiveram um intercâmbio bilateral total de 50,3 bilhões de dólares em 2007, de acordo com dados do Departamento de Comércio. As exportações norte-americanas totalizaram 24,6 bilhões de dólares, enquanto que as vendas brasileiras alcançaram 25,6 bilhões.(Agência AFP – 06/10/08)

Contra crise, governo vai usar reservas para financiar exportações, diz Mantega
O governo vai usar parte das reservas internacionais do país para financiar exportações, anunciou o ministro da Fazenda, Guido Mantega, nesta segunda-feira, em entrevista coletiva. O objetivo é impedir que o comércio exterior sofra com a brusca redução do crédito internacional.
De acordo com o ministro, manter as reservas em nível elevado é uma orientação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Mantega considera que usar as reservas para financiar produtos voltados para exportação não significa gastá-las.
"Vamos disponibilizar parte das reservas a bancos que vão financiar o comércio exterior". Na prática, segundo ele, a medida consiste em pegar um dinheiro que está aplicado no exterior e trazer para um banco nacional financiar o mercado exportador.
Na semana passada, o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio e Exterior anunciou que, junto com a Fazenda e o Banco Central, estava estudando medidas para ampliar linhas de crédito aos exportadores.
Nesta segunda, Mantega e Henrique Meirelles, presidente do BC, explicaram que o dinheiro virá das reservas internacionais. Bancos privados no exterior venderão títulos ao BC com contrato de recompra, ou seja, a autoridade montaria brasileira "recebe títulos de primeira qualidade e depois, pelo contrato, recebe de volta os dólares", anunciou Meirelles. "É uma operação totalmente garantida", afirmou.
A proposta de aumentar o crédito encaixa-se no contexto da análise que o governo faz sobre o impacto da crise dos Estados Unidos no Brasil. Segundo Mantega, o Brasil não tem problema de solvência, mas de crédito. "Aqui não há ativos podres; estamos com problema é de falta de liquidez", disse o ministro.
"Comportamento de manada"
Ele afirmou que o país "não está imune" à crise, uma vez que ela é global, "não é simples" e é "talvez a mais forte desde 1929. "Nunca vi tanto banco de grande porte sofrendo essa deterioração".
Mas o ministro acrescentou que a crise "atinge menos os países não fragilizados ou mais sólidos, como é o caso do Brasil".
Afirmou, ainda, que estamos atualmente em uma fase aguda da crise, um "momento de irracionalidade", em que os investidores, incertos sobre o que deve acontecer, agem em "comportamento de manada". "Não há com evitar que a Bolsa caia como está caindo, mas os ativos estão sólidos".
Segundo ele, a fase aguda da crise vai passar quando os governos tomarem as medidas necessárias. (Agência de Notícias Uol – 06/10/08)

'O BC já usou e pode voltar a usar as reservas'
O Banco Central (BC) já utiliza e, se necessário, continuará recorrendo ao saldo de reservas cambiais do País para neutralizar a restrição de crédito externo aos exportadores, garante ao Estado o presidente do BC, Henrique Meirelles. Ele chama atenção para os leilões de venda de dólar com compromisso de recompra, adotado há duas semanas, e acena com novas atuações do BC.
"Podemos atuar novamente, dessa ou de outra formas, quando julgarmos necessário", afirma. Meirelles defende a "serenidade" para evitar "decisões precipitadas"e anuncia que o BC "tomará quaisquer medidas que sejam necessárias para evitar que bancos possam criar risco sistêmico ou uma crise de crédito no país".
Ele considera que o pacote anunciado pelo governo Bush ajuda a "superar a fase aguda da crise", mas alerta para outros desafios, como a capitalização adicional dos bancos, caso necessária. Na avaliação dele, o retorno à normalidade dos mercados "pode demorar alguns trimestres". As perguntas foram enviadas por escrito ao presidente do BC. A seguir, a íntegra da entrevista.
Em que medida as linhas eternas de financiamento das exportações foram reduzidas em decorrência da crise financeira internacional?
Há uma escassez global de liquidez em dólares, causada pela severa crise financeira no Atlântico Norte e o mercado brasileiro vem sendo afetado.
O que o Banco Central poderá fazer para enfrentar o problema? O Banco Central poderá criar linhas especiais para os exportadores, com venda de dólares com compromisso de recompra? O Banco Central poderá utilizar, mesmo que temporariamente, parte das reservas cambiais do País para não deixar que faltem financiamentos para os exportadores?
O Banco Central já está usando parte das reservas cambiais e fazendo leilões de dólares com compromisso de recompra. Podemos atuar novamente, desta ou de outras formas, quando julgarmos necessário. Estamos plenamente cientes das dificuldades do segmento exportador, que é muito importante para a nossa economia. Cabe notar também que a razão pela qual podemos enfrentar a crise atual com serenidade, e disponibilidade de recursos para fazer isso, é porque, mesmo diante de muitas críticas, mantivemos a política de ampliação das reservas internacionais. As empresas brasileiras dizem que já estão sofrendo a escassez de dinheiro aqui dentro, as taxas de juros aumentaram e os prazos dos financiamentos foram reduzidos.
Em que medida as restrições do mercado internacional afetaram o crédito no mercado brasileiro?
Na medida em que as fontes de financiamento externo tornam-se mais escassas aumenta a demanda por crédito no mercado doméstico, o que tende a pressionar taxas e os spreads. Estamos monitorando o que ocorre no mercado de crédito, tanto do ponto de vista macroeconômico quanto prudencial. Mas é preciso manter serenidade sempre, ainda mais em momentos de turbulência, para evitar decisões precipitadas e medidas que podem atrapalhar, ao invés de ajudar.
O que o Banco Central está fazendo a respeito?
A liberação de depósitos compulsórios dos bancos no Banco Central e os leilões de dólares foram medidas tomadas para preservar a economia brasileira dos efeitos desta crise externa. Nossa atuação é no sentido de preservar o bom funcionamento do mercado de crédito para que tanto empresas quanto famílias continuem tendo acesso ao crédito. O Banco Central já adotou duas medidas para dar liquidez ao mercado financeiro interno, com o adiamento da entrada em vigor do recolhimento do depósito compulsório sobre as operações de leasing e com a mudança no recolhimento compulsório sobre depósitos a prazo, anunciada na noite de quinta-feira.
Ao injetar mais dinheiro na economia, para resolver o problema de liquidez, o BC não dificulta o combate à inflação que vem sendo feito por meio da elevação da taxa de juros dos últimos meses? Não são medidas em direções opostas?
Não. As medidas adotadas visam a assegurar que não ocorra concentração exagerada da liquidez no Sistema Financeiro Nacional. A calibragem da política monetária visa a promover a convergência da inflação para a trajetória das metas. Gestão de liquidez e gestão macroeconômica não são a mesma coisa. Além disso, não houve mudança no regime geral de compulsórios, e sim um ajuste à luz dos efeitos do aperto de liquidez internacional. Os grandes bancos brasileiros estão aplicando as suas disponibilidades em títulos públicos, oferecidos pelo Tesouro Nacional ou pelo próprio Banco Central, em vez de emprestar para outros bancos que necessitam de liquidez.
Em vez de reduzir o depósito compulsório, não seria mais razoável que o Banco Central, neste momento, reduza os juros dos títulos que oferece e, dessa forma, force as instituições a continuar emprestando os seus recursos no mercado?
Com a última medida do Banco Central tomada na semana passada, os bancos podem liberar depósitos compulsórios somente para comprar créditos de bancos menores. Portanto, se os bancos não fizerem isso, serão obrigados a deixar esses recursos depositados no BC, o que geraria prejuízo para as instituições. Isso porque as taxas que os bancos recebem sobre os depósitos compulsórios são menores do que as taxas de captação pagas por eles na emissão de CDBs. Os tomadores de decisão das instituições financeiras sabem disso. Além do mais, não há problemas sistêmicos de crédito no Brasil. Os problemas de crédito nos Estados Unidos e na Europa foram a razão da preferência de muitas instituições daquelas regiões por aplicações em títulos públicos federais, independentemente da taxa de juros. Mesmo com taxas de juros baixas, os bancos evitam o risco nos Estados Unidos. A situação no Brasil é muito diferente e o Banco Central está vigilante e tomará quaisquer medidas que sejam necessárias para evitar que bancos possam criar risco sistêmico e qualquer possibilidade de crise de crédito.Além do mais, não custa repetir que não se deve confundir política monetária com gestão de liquidez.
As restrições ao crédito decorrentes da crise financeira terão impacto sobre o nível de atividade da economia brasileira este ano ou no próximo ano? Nesse sentido, a atual retração do crédito terá efeito desinflacionário?
A nossa tarefa, do ponto de vista analítico, é avaliar em que medida restrições de condições de crédito importadas poderiam afetar a trajetória já esperada de desaceleração do crédito e qual seria o efeito potencial sobre a atividade econômica e a inflação, que respondem também a diversos outros fatores.
Se o PIB potencial é superior ao crescimento estimado para o próximo ano, de 3,5%, é errado supor que o BC pode, a partir de agora, considerar encerrada a trajetória de alta da Selic?
Por políticas de boa governança de bancos centrais não antecipamos decisões do Copom nem comentamos opiniões a respeito de suas decisões futuras. A decisão sobre a taxa básica de juros depende fundamentalmente das projeções de inflação e do balanço de riscos associados a essas projeções. Mas levamos em conta o que está ocorrendo no mercado de crédito e seus efeitos sobre o nível de atividade, além de outros efeitos da crise, em nossa análise de conjuntura, assim como levamos em conta uma ampla gama de fatores. É importante lembrar que o cumprimento das metas de inflação nos últimos anos colaborou de forma decisiva para o aumento das taxas de crescimento do PIB. A inflação na meta aumenta o grau de previsibilidade da economia, permitindo que as empresas e cidadãos decidam melhor sobre seus planos de investimento e consumo.
Qual a sua avaliação sobre o impacto das medidas aprovadas pelo Congresso norte americano? Se for bem assimilado pelos mercados internacionais, com qual prazo se poderia trabalhar para a normalidade nos mercados internacionais?
As medidas são sem dúvida um passo importante na direção da solução da crise. Mas sua operacionalização (a compra de ativos pelo Tesouro dos Estados Unidos) pode demorar um certo tempo. Em resumo, a aprovação do pacote deve ajudar os Estados Unidos a superar a fase aguda da crise, mas existem outros desafios, como a recapitalização adicional dos bancos, caso ela seja necessária. O retorno à normalidade pode demorar alguns trimestres.(O Estado de S. Paulo – 06/10/08)

'Efeito Jack Daniels' preocupa o governo
Depois de vários meses de menosprezo à crise externa, o governo brasileiro tomou um choque de realidade na semana passada e começou a traçar um plano para blindar a economia do contágio do "efeito Jack Daniels". Esse é o apelido que os técnicos da equipe econômica já deram à crise dos EUA, em alusão à marca de uísque preferida dos americanos - por analogia a termos como "efeito tequila" usado em referência à crise mexicana, em 1995, e "efeito Orloff" adotado na crise russa, em 1998.
Nas duas crises anteriores, o Brasil foi atingido porque tinha contas externas mais frágeis. Hoje o País dispõe de mais de US$ 200 bilhões de reservas cambiais e, por isso, vinha navegando com certa tranqüilidade pela turbulência. Mas os eventos recentes mostram que o País não está definitivamente imune.
"O Brasil não está condenado a acompanhar a recessão, mas precisa olhar com cuidado para sua balança de pagamentos e agir anticiclicamente com uma política econômica adequada", opina o economista Luiz Gonzaga Belluzzo. Apesar de ser um dos principais conselheiros do presidente Lula em assuntos econômicos, Belluzzo diz que ainda não conversou com ele sobre a crise e que a situação dos "policy makers" brasileiros é delicadíssima. "O BC tem de agir com conseqüência, usando um conjunto de instrumentos que não está habituado a usar", afirma.
Nos gabinetes do Ministério da Fazenda, os técnicos ainda estão tentando dimensionar a crise e seus efeitos sobre o Brasil. "A velocidade da crise é muito maior do que a velocidade das informações", diz um economista do governo. Uma das apostas do governo Lula é que a dimensão do mercado interno brasileiro ajude a amenizar os efeitos da crise externa sobre nossa economia. Apesar das exportações estarem crescendo, elas não representam mais do que 13% do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro e, nos últimos meses, vêm sendo anuladas pelo crescimento mais veloz das importações.
Na prática, a maior parte da produção brasileira ainda é canalizada para o mercado interno, seja para investimentos, seja para consumo. E, num momento em que a economia global desacelera, esse relativo fechamento pode ser vantajoso. A economia argentina, por exemplo, está sendo menos atingida pela crise do que a brasileira, já que o país não vinha recebendo capital externo como o Brasil. O mesmo ocorre com a Venezuela, sob comando de Hugo Chávez.
O problema é que, mesmo não dependendo tanto das exportações, o Brasil pode sofrer com sua redução e com o encarecimento das importações, por causa do dólar mais alto. A desvalorização do real também pode ter efeitos inflacionários que ainda são imprevisíveis. Mas o grande fantasma que hoje assombra a economia brasileira, como no resto do mundo, é o tamanho da crise financeira. O Brasil pode ter milhões de consumidores e uma enorme indústria, mas nada disso funciona normalmente se o sistema bancário decide obstruir as vias de crédito por medo da crise.(O Estado de S. Paulo – 06/10/08)

Bolsas da Ásia sofrem fortes quedas puxadas por exportadores
HONG KONG - Os mercados acionários na Ásia fecharam em queda de cerca de cinco por cento nesta segunda-feira, pressionados por companhias exportadoras. O iene disparou para o maior valor contra o euro em dois anos conforme investidores duvidam da eficácia da resposta européia à crise financeira e do pacote dos Estados Unidos de resgate do sistema bancário do país.
A necessidade de estabilidade acabou puxando para cima os preços dos títulos do governo dos EUA e do Japão, especialmente depois do relatório divulgado na sexta-feira que mostrou que a economia norte-americana fechou em setembro o maior número de postos de trabalho em cinco anos e meio.
O índice Nikkei da bolsa de valores de TÓQUIO encerrou os negócios desta segunda-feira com queda de 4,25 por cento, aos 10.473 pontos, o menor fechamento desde fevereiro de 2004. Setores que lucram basicamente com exportações, como de equipamentos eletrônicos, maquinário e montadoras de veículos, puxaram o índice para baixo.
O indicador MSCI que reúne os principais mercados da região Ásia-Pacífico com exceção do Japão despencava 6,6 por cento às 7h41 (horário de Brasília), para o patamar mais baixo desde dezembro de 2005.
O índice Hang Seng, de HONG KONG, teve queda de 4,97 por cento, com as ações da China Mobile, do China Construction Bank e do HSBC apresentando as maiores baixas.
"Não há nada positivo lá fora. Os dados são ruins nos Estados Unidos, a Europa está mal, o Japão também, e a China está provavelmente desacelerando" disse David Spry, gerente de pesquisa da corretora FW Holst em Melbourne, na Austrália.
O índice KOSPI, da bolsa de SEUL, fechou com desvalorização de 4,3 por cento, puxado por ações da Samsung e da Posco, quarta maior siderúrgica do mundo e alvo de desvalorização de 7,7 por cento nesta segunda-feira.
O mercado coreano foi um dos mais fortemente atingidos por uma venda generalizada de investidores estrangeiros que correram para longe de riscos no mercado asiático. O déficit em conta corrente crescente do país desanima participantes do mercado e notícias de que bancos locais estão com problemas para garantir empréstimos em moeda estrangeira acrescentaram desconfianças quanto à quarta maior economia da região.
A Korea regis