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Pacote do governo para exportações terá benefício automático em impostos O governo vai criar um sistema automático de compensação dos créditos de PIS/Cofins acumulados pelos exportadores na compra de insumos para reduzir custos e aumentar a competitividade brasileira no exterior, informaram ao GLOBO técnicos da área econômica. A medida — que deve valer apenas para créditos futuros — é a principal aposta do tão esperado pacote de ajuda ao setor exportador visando a ajudar a minimizar perdas dos empresários com o câmbio, que será anunciado nas próximas semanas.
O estoque de créditos já existentes nas empresas — que pelas estimativas do governo somam R$ 5 bilhões — ficaria nas regras atuais, ou seja, seria compensado pelos exportadores em até cinco anos. Para ter direito à nova compensação automática, no entanto, as empresas terão que se enquadrar em alguns critérios. Entre eles, serem exportadoras há mais de cinco anos, utilizarem nota fiscal eletrônica e optarem pelo regime tributário do lucro real.
O acúmulo de créditos de PIS/Cofins ocorre com empresas que exportam mais de 35% de sua produção. Isso porque os créditos gerados na compra dos insumos para produtos vendidos no exterior acabam sendo em volume maior do que os empresários conseguem compensar com tributos pagos no mercado interno. A ideia do governo com a compensação automática é permitir que os créditos sejam repassados a fornecedores, que poderiam usá-los para abater outros impostos.
Segundo o vice-presidente da Associação de comércio exterior do Brasil (AEB), José Augusto de Castro, a compensação automática dos créditos é um avanço importante, mas não deveria ter critérios de enquadramento e valer só para o futuro.
Segundo Castro, os créditos acumulados pelo setor na área federal chegam a R$ 10 bilhões, sem contar os de ICMS (estaduais), de R$ 20 bilhões.
Não se pode esquecer o passado. Empresas que apostaram no comércio exterior vão acabar penalizadas com a medida.
Mas qualquer avanço nessa área é positivo — disse Castro.
Já o gerente da Unidade de Pesquisa da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Renato Fonseca, acredita que o ressarcimento imediato dos tributos recolhidos pelos exportadores é o melhor caminho para aumentar a competitividade das empresas.
Com isso, o setor teria rentabilidade maior, para compensar a valorização do real.
É preciso devolver o dinheiro que pertence às empresas — disse Fonseca.
Fundo Garantidor de exportações terá mudança Os técnicos da área econômica alegam que a medida não pode ser mais ampla devido às restrições fiscais em 2010. O ministro da Fazenda, Guido Mantega, promete cumprir a meta de superávit primário, de 3,3% do Produto Interno Bruto (PIB).
No pacote também está uma reforma do atual Fundo Garantidor de exportações (FGE), de modo que mais operações sejam garantidas simultaneamente. Para Castro, esse é outro avanço no setor, pois com o FGE até exportações de grandes empresas para mercados seguros são avaliadas com risco excessivo.
O volume de recursos hoje do FGE poderia garantir muito mais operações — disse.
Uma alternativa seria o ressarcimento em dinheiro dos exportadores pelos créditos, o que ainda está sob avaliação da equipe econômica. (O Globo – 05/03/10) Oportunidades no setor de informática A expansão das empresas brasileiras no exterior também virá de firmas de menor porte. Segundo Luís Afonso Lima, presidente da Sociedade Brasileira de Estudos de Empresas Transnacionais e da Globalização Econômica (Sobeet), o setor de informática nacional é um dos que tem maior potencial para viver uma forte internacionalização a partir deste ano, seja via fusões ou com novas instalações. Muitas poderão ir no rastro de empresas maiores, a quem já prestam serviços no Brasil.
O mais interessante é que vamos ver um processo de internacionalização de empresas que historicamente não são tão grandes — afirma.
O setor está vivendo um bom momento no país e passa por uma consolidação no mercado interno. Grandes players começam a se firmar. O BNDES acredita, inclusive, que o Brasil tem potencial para, em 2012, ser o segundo maior exportador de softwares do mundo, atrás apenas da Índia. Vantagens como fusos horários mais compatíveis com a Europa e os Estados Unidos são as armas brasileiras — muitos serviços têm de ser realizados em tempo real e a Índia, em outro hemisfério, perde competitividade.
A internacionalização das empresas brasileiras, em todos os setores, deverá ganhar também nova feição geográfica. Lima, da Sobeet, acredita que a América Latina, por proximidade geográfica e cultural, é a região que, naturalmente, tende a atrair mais os investimentos brasileiros. Entretanto, fontes do governo e do BNDES avaliam que a África pode despontar como um novo forte destino.
Diversos países do continente africano repetem o modelo de industrialização vivido pelo Brasil nas décadas de 60 e 70: exigem parte de conteúdo nacional às empresas que pretendem explorar os mercados locais.
Este novo movimento pode inverter uma tendência: a cautela na escolha dos locais de investimentos. Dados da Fundação Getulio Vargas (FGV) indicam que, entre 45 empresas que buscaram a fundação para se internacionalizar, 38% foram para Europa, 35% para os EUA, 21% para a Ásia e apenas 6% para outros mercados.
Há um movimento de ir para os países ricos, bons pagadores. As empresas brasileiras não buscam risco, e sim elevar seu fluxo de caixa — diz Istvan Kasznar, do Núcleo de Inteligência e Informações das Multinacionais (NIIM) da FGV. (Henrique Gomes Batista e Danielle Nogueira) (O Globo – 05/03/10) Reconstituição dos estoques industriais A produção industrial em janeiro, divulgada pelo IBGE, mostrou um quadro favorável, com crescimento de 1,1%. Seria uma boa notícia, se não se seguisse a uma queda acumulada nos dois meses anteriores, de 1%. Por outro lado, no mesmo dia a Confederação Nacional da Indústria (CNI) informava que o faturamento real, em relação a dezembro, com ajuste sazonal, acusou queda de 3,6%.
O aumento da produção física parece sinalizar uma reconstituição dos estoques no início de um ano que, na visão geral, deve ser de forte atividade econômica. No entanto, os dados da CNI parecem levar à conclusão de que o valor acrescido da produção diminuiu, lembrando que houve um reajuste dos preços para cima nos bens de consumo.
Os indicadores industriais por categoria de uso nos mostram uma ligeira redução da produção de bens de capital (mais acentuada para os de fins industriais), que se reflete nos dados da CNI relativos ao Nível de Utilização da Capacidade Instalada (Nuci), com queda insignificante, parecendo indicar que o setor não está propenso a aumentar sua produção ou conta com um aumento da importação de produtos (as importações dos bens de capital nos dois primeiros meses do ano crescerem 21,9% em relação a 2009).
Os bens duráveis apresentam crescimento de 8,6%, apesar da queda da produção de veículos, o que indica uma recomposição de estoques. Um ponto que parece positivo é o crescimento de 2% dos bens intermediários, que indica uma reação da indústria para melhorar a produção nacional de bens intermediários, que havia caído muito em 2009 diante da possibilidade de se utilizar insumos importados, fato que levou a um processo de desindustrialização preocupante. Convém assinalar que não recuperamos ainda o nível de 2008. É importante que a indústria nacional dê uma atenção especial a esse setor e que o governo participe da sua recuperação.
O ano de 2010 apresenta-se favorável para a indústria, que deverá, no entanto, se adaptar à mudança da distribuição de renda com um fortalecimento da classe C e um recuo da classe A, cujas necessidades podem ser atendidas por meio de importação. Trata-se de uma mudança que a indústria não pode ignorar. No ano passado, diante da crise, a indústria ficou muito cautelosa e não acompanhou a demanda doméstica, atendida em parte pela importação. É o momento de reagir, oferecendo preços melhores graças a uma elevação da produtividade. (O estado de S. Paulo – 05/03/10) Santos e Suape fecham parceria internacional Os Estados de São Paulo e Pernambuco firmam acordos com países europeus para cooperação técnica nos Portos de Santos (SP), e Suape (PE). Os acordos têm como principal objetivo a definição de programas para melhores práticas de gestão e tecnologia em troca de experiências portuárias de Portos como Roterdã.
Ao passo que o complexo industrial de Suape receberá mais 17 empresas este ano, já em fase de implantação no empreendimento, que aplicarão na região US$ 17 bilhões para melhorias no porto.
O Estado de Pernambuco assinou no último dia 25 de janeiro o primeiro termo de cooperação técnica com a Holanda, que deve ser firmado em abril, durante a vinda de uma comissão técnica holandesa a Pernambuco. O termo consiste em replicar o centro de referência holandês dentro do Centro de Treinamento Engenheiro Francisco Vasconcelos, escola nacional que o Governo de Pernambuco recebeu do Estaleiro Atlântico Sul.
O modelo utiliza um simulador de última geração para o treinamento de comandantes de navio. "É uma das mais prestigiadas escolas europeias de preparação de mão de obra naval e é responsável pela capacitação dos funcionários do setor, na Holanda", afirmou o vice-presidente do Complexo Industrial de Suape, Sidnei Aires, em entrevista exclusiva ao DCI.
Aires também frisou que o Porto de Roterdã, na Holanda, é um dos principais do mundo, e que este acordo será muito bom para Suape, principalmente por sua semelhança ao porto holandês. Segundo o vice-presidente, os holandeses procuraram essa parceria específica com o porto pernambucano por acreditar na posição estratégica do lugar para o desenvolvimento. "Ambos são portos-indústria, e este acordo servirá para nossa organização em terra. É uma parceria muito atraente para ampliar os negócios entre os dois países", comemorou Aires.
Em 2009, Suape faturou aproximadamente R$ 50 milhões, ante os R$ 45 milhões do ano anterior, com lucro de R$ 5 milhões, superando as estimativas anteriores. "Mesmo com a crise o ano foi muito bom para nós, e este ano pretendemos faturar 10% a mais que no ano passado", informou Aires. Já em relação à movimentação de cargas, que vinha crescendo a taxas de 20% ao ano até a chegada da crise financeira internacional, o porto fechou a movimentação de 2009 com uma queda de 10%. Contabilizando 9 milhões de toneladas movimentadas ano passado, Suape viu maior demanda por granéis líquidos e sólidos, além de um acréscimo significativo de cargas conteineirizadas.
Com mais de 100 empresas instaladas e 20 outras em fase de implantação, o Complexo muda o perfil da economia pernambucana através da formação de novas cadeias produtivas. Refino de petróleo e construção de navios agora fazem parte da matriz industrial pernambucana, superando o cenário anterior, dominado por contêineres e granéis
O total de investimentos privados no porto totalizava US$ 2,18 bilhões até 2006, e em três anos esses números deram um grande salto. Atualmente, o porto recebe investimentos de aproximadamente US$ 17 bilhões vindos das novas empresas. Já os investimentos públicos somaram em 3 anos R$ 700 milhões, e a previsão este ano é de que este valor chegue a R$ 1,4 bilhão. Segundo Aires, novos cais, píeres e estradas estão sendo construídos para dar suporte a esse crescimento.
Outra ação tomada pelo porto foi a visita recente à Holanda para conhecer o interesse da empresa Royal Vopak, que pretende implantar um novo terminal de produtos químicos e lubrificantes em Suape. Segundo Aires, esta visita faz parte do programa Suape Global, que visa a consolidar Pernambuco como distribuidor de bens e serviços da indústria de petróleo, gás, offshore e naval que está em plena ascensão Atualmente, a Royal Vopak, com sede em Roterdã, na Holanda, é a uma das maiores operadoras de terminais de tanque do mundo, especializada em armazenagem e manuseio de líquidos e gases químicos e óleos.
Sidnei Aires também comentou sobre os recursos do segundo Programa de Aceleração do Crescimento (PAC 2), que seriam destinados aos novos projetos do porto. "Estivemos em Brasília recentemente, e conversamos com a Secretaria Especial de Portos, que já nos garantiu uma verba de R$ 800 milhões do PAC 2 para as obras, entretanto, estamos conversando para conseguir R$ 1 bilhão para 2011", contou Aires.
A verba seria destinada a dragagem e construção de novos berços de atracação. Segundo Aires, os recursos serão divididos quase igualmente entre os dois serviços capitaneados por Suape.
"A expectativa é de que todas as obras sejam iniciadas no primeiro semestre de 2012. O estudo de viabilidade de infraestrutura será apresentado até 15 de março. Quanto ao terminal açucareiro, a perspectiva é de que o processo licitatório comece em abril."
Porto de Santos
Para estreitar laços e trocar experiências em torno do desenvolvimento na área portuária, autoridades de Santos e de Valência, Espanha, assinaram acordo de cooperação técnica, comercial e de capacitação nesta quarta-feira (3). Na ocasião o prefeito João Paulo Tavares Papa destacou a semelhança entre os municípios, lembrando que o porto de Santos é líder na América do Sul, assim como o de Valência é no Mediterrâneo.
"Valência encontrou soluções criativas na questão da macrodrenagem na revitalização da área portuária. Queremos trocar estas experiências, aprender com as idéias e com as tecnologias utilizadas, e começar aqui uma relação de prosperidade, com ações concretas, que resultem em mais qualidade de vida para ambas as nações", comentou ele.
"Espero que Santos seja a porta de entrada do País à Europa e que Valência possa representar o mesmo para o comércio de vocês. Aqui começa uma colaboração responsável, que vai gerar riquezas e novos projetos", disse Francisco Campos Ortiz, presidente da Generalitat (província) de Valência, que equivale ao cargo de governador no Brasil, ao lembrar a importância das relações comerciais.
O Porto de Suape (PE) recebe 17 empresas que irão aplicar US$ 17 bilhões em seu complexo portuário e fecha acordo de cooperação com a Holanda, visando a bons negócios. (Net Marinha – 05/03/10)
Para CNI, produção não está sob pressão Índice que mede a capacidade da indústria ficou estável em fevereiro.
Nível de Utilização da Capacidade Instalada (Nuci), que mede quanto da capacidade de produção das indústrias está em uso, ficou em 81,4% em janeiro, indicando estabilidade em relação aos 81,5% de dezembro. Para a Confederação Nacional da Indústria (CNI), os dados indicam que, do ponto de vista da atividade industrial, não há pressão sobre a produção e, portanto, também não há razão para que o Banco Central aumente os juros, ao contrário das previsões que vêm sendo feitas no mercado financeiro.
"Não teremos problemas para atender à demanda doméstica em 2010 e a pressão da inflação não vem da indústria", disse o gerente executivo da Unidade de Política Econômica da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Flávio Castelo Branco. Em janeiro do ano passado, quando a indústria sentia com mais firmeza os efeitos negativos da crise global, o Nuci estava em 77,8%. Antes da crise, o indicador chegou a 83,7%.
Para Castelo Branco, uma eventual alta da taxa Selic "teria efeito amortecedor no ritmo de crescimento" e na atividade industrial, que vem se recuperando gradualmente. Em janeiro, o faturamento real da indústria cresceu 7,7% ante mesmo mês do ano passado, quando os efeitos negativos da crise global eram maiores. Em relação a dezembro de 2009, porém, a CNI registrou queda de 3,6% no faturamento das empresas, na série com ajuste sazonal.
No documento em que apresenta os indicadores industriais, a CNI ressalta que, apesar da queda nos indicadores de faturamento, outros índices, como as horas trabalhadas e o emprego, continuam crescendo e apontam a continuidade da recuperação da indústria.
As horas trabalhadas cresceram 3,8% em janeiro, em relação ao mesmo mês do ano passado, e 0,6% na série dessazonalizada, na comparação com dezembro de 2009. O emprego subiu 1% em janeiro, ante mesmo mês de 2009, e 2% na comparação com dezembro de 2009, com ajuste sazonal.
Apesar da recuperação de alguns dos principais indicadores da atividade da indústria, Castelo Branco ressaltou que o parque fabril brasileiro ainda não atingiu o mesmo ritmo de antes do estouro da crise econômica, em setembro de 2008. "Mas acreditamos que o faturamento das indústrias passará o nível pré-crise ainda no primeiro semestre de 2010."
Em relação a outros índices, mais ligados ao emprego (horas trabalhadas, emprego e massa salarial), o economista acredita que a recuperação para um nível equivalente ao de antes do pico da crise só será atingida no segundo semestre. (O Estado de S. Paulo – 05/03/10) Brasil cai 18 posições em ranking global de inovação O Brasil despencou da 50ª para a 68ª posição no ranking mundial de inovação de 2010, que classifica as economias de Islândia, Suécia e Hong Kong como as três mais inovadoras do mundo.
Dentre os países latino-americanos, o país ficou apenas no 7º posto, perdendo para nações como Costa Rica, Chile e Uruguai. No ano passado, o Brasil era o 3º mais bem classificado na região. No grupo dos quatro Brics, o Brasil foi quem registrou o pior resultado neste ano.
Apesar desse cenário negativo, o Índice de Inovação Global divulgado nesta semana faz uma análise positiva sobre o futuro da inovação no Brasil.
A terceira edição do relatório produzido pela escola mundial de negócios Insead em parceria com a Confederação da Indústria Indiana (CII) destaca como principais forças inovadoras do Brasil "a exploração de petróleo em águas profundas, a agricultura tropical e a fabricação de aeronaves regionais".
A pesquisa classificou 132 países a partir de 60 indicadores diferentes, tais como patentes por milhão de habitantes, investimentos em pesquisa e desenvolvimento, usuários de internet banda larga e celulares por 100 pessoas e prazo médio para se abrir um negócio no país.
O estudo também tentou medir o impacto da inovação para o bem-estar social, incluindo dados de gastos com educação, PIB per capita e o índice Gini de desigualdade social.
O potencial brasileiro A edição deste ano do Índice de Inovação Global contém um capítulo específico sobre o Brasil, que é tratado como "uma história de sucesso da América Latina", já que "depois de 2014, o Brasil deve se tornar a quinta maior economia do mundo, ultrapassando a Grã-Bretanha e a França".
Segundo o estudo, o país se destaca por seu pioneirismo na exploração de petróleo de águas profundas, "de onde 73% de suas reservas são extraídas", pela produção de etanol, que "muitas nações africanas, como o Sudão, tentam reproduzir", e pela fabricação de aeronaves regionais, setor em que a Embraer é líder mundial e que "exemplifica os benefícios de se adotar estratégias de negócios orientadas para a inovação".
Na visão do Insead e do CII, o Brasil leva vantagem em comparação com os demais Brics, apesar de ter registrado a pior posição no ranking. "Ao contrário da China, (o Brasil) é uma democracia. Ao contrário da Índia, não possui insurgentes, nem conflitos étnicos e religiosos, nem vizinhos hostis. Ao contrário da Rússia, exporta mais do que petróleo e armas e trata os investidores estrangeiros com respeito".
Segundo o relatório, um em cada oito adultos brasileiros já tentou abrir um negócio. Além disso, o país está na 13ª posição mundial em número de artigos científicos publicados em revistas acadêmicas.
No entanto, o texto também registra os obstáculos à inovação no Brasil, em especial a desigualdade social. A infra-estrutura brasileira seria inferior a da China e a da Coreia do Sul. O texto também defende que a inovação brasileira se beneficiaria muito se a proteção da propriedade intelectual fosse mais forte no país.
Com relação ao papel do Estado no estímulo à inovação, as políticas do governo nesse sentido "carecem de coerência e as instituições responsáveis por administrar os processos inovadores, como o Instituto Nacional de Propriedade Industrial (Inpi), mantêm tendências burocráticas e ineficientes".
Panorama mundial Islândia, Suécia, Hong Kong, Suíça e Dinamarca lideram a edição deste ano do relatório.
O Índice de Inovação Global destaca o fato de os dez primeiros colocados de seu ranking serem nações relativamente pequenas, "cada uma tendo menos de 0,3% da população mundial". Na análise do Insead e do CII, proporções menores podem tornar mais eficazes as políticas públicas.
Os Estados Unidos, que lideraram a pesquisa do ano passado, caíram para a 11ª posição. O estudo responsabiliza a queda do investimento americano em inovação e a recente crise econômica como duas das principais causas da atual classificação do país em seu ranking.
Sétimo colocado, Cingapura também mereceu um capítulo especial no estudo. Nele, o "impressionante sucesso" do país é descrito como consequência da atuação do Estado. O investimento em educação, em pesquisa e na indústria tecnológica fizeram de Cingapura o país inovador que é hoje, segundo o estudo.
O país do sudeste asiático é exemplo do papel central do poder público no estímulo à inovação. "Governos devem intervir para formular regras eficientes com relação a patentes, direitos autorais e o problema da pirataria".
O texto conclui que o relatório 2010 demonstra que "os líderes de hoje não serão necessariamente os líderes de amanhã. Portanto, a inovação pode – e em geral deve – ser desobstrutiva para catalisar o processo". (BBC – 05/03/10) Fluxo de dólares fica negativo pela 1ª vez em 11 meses A decisão de alguns exportadores de deixar o dinheiro de suas vendas fora do país por mais tempo, por causa da queda recente do dólar, afetou o fluxo de moeda estrangeira para o Brasil em fevereiro. Por outro lado, a economia brasileira continuou a receber investimentos, principalmente de longo prazo, apesar das turbulências no cenário externo.
Segundo dados do Banco Central, no mês passado, a saída de dólares do país superou a entrada em US$ 399 milhões. Foi o primeiro resultado negativo em 11 meses, quando a crise financeira deixou de afetar o fluxo de moeda para o Brasil.
Esse número é dividido em duas partes. No segmento financeiro, que inclui não só os investimentos estrangeiros em Bolsa e títulos mas também recursos diretos para empresas, o resultado ficou positivo em US$ 1,9 bilhão.
Do outro lado da conta, houve saída de recursos. As operações de importação superaram as de exportação em US$ 2,3 bilhões. O número está pior do que o registrado pela balança comercial, já que os contratos de câmbio para comércio exterior não coincidem com as operações de embarque.
Segundo analistas, a queda recente do dólar pode ter levado alguns exportadores a adiar a transferência de dinheiro para o país. Por outro lado, importadores aproveitam a taxa favorável para antecipar o fechamento de contratos de câmbio.
Para a economista-chefe do banco ING, Zeina Latif, o resultado não representa reversão no fluxo de dinheiro para o país iniciado em abril de 2009. Pelo contrário. O dado positivo na área financeira mostra que o país continua atraindo capitais, principalmente de longo prazo, por conseguir se diferenciar de economias em dificuldade, como a Grécia.
O resultado negativo deve ser transitório, está relacionado à decisão do exportador de manter o dinheiro lá fora e não é nada que mexa com a perspectiva de fluxo de capitais.
Enquanto a Bolsa registrou saída de estrangeiros no primeiro bimestre, o indicador do BC para o fluxo de dólares na área financeira, que é mais abrangente, ficou positivo.
Uma explicação para isso são os dados divulgados na semana passada sobre as contas externas. Houve em fevereiro aumento no fluxo de dólares para empresas, incluindo empréstimos e novos investimentos. Além disso, as remessas de lucros e o envio de dinheiro para pagamento de juros caíram.
O sobe e desce no mercado de câmbio em fevereiro fez o BC praticamente ficar fora das negociações. Foram comprados apenas US$ 350 milhões, a menor intervenção desde que a instituição voltou a atuar para segurar a queda do dólar, em maio do ano passado. (Folha de S. Paulo – 04/03/10) BNDES quer consolidação de empresas do setor elétrico Assunto está na pauta do governo e da iniciativa privada, em negociações para a fusão de empresas do setor
Londres. O presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Luciano Coutinho, engrossou na quarta-feira (3) o coro em defesa da consolidação do setor elétrico, com a criação de grupos com disposição e capacidade para investir em grandes projetos do setor elétrico nacional. O assunto está na pauta do governo, que trabalha para fortalecer a Eletrobrás, e da iniciativa privada, em negociações para a fusão de empresas do setor.
"É de interesse do País ter investidores comprometidos, com estratégia mais proativa para a criação de novas unidades geradoras, mais transmissão e distribuição", afirmou Coutinho, em Londres, após participar de evento na Câmara Brasileira de Comércio na Grã-Bretanha. Ele não quis especificar qual seria o papel do BNDES na consolidação do setor elétrico. "Esse é um assunto fundamentalmente do setor privado, que depende de decisões de lideranças do setor privado", comentou.
Além de possível financiador de fusões e aquisições, o BNDES tem participação relevante na Brasiliana, holding de Eletropaulo e AES Tietê, controlada pela americana AES. A empresa é alvo de cobiça de grupos que vêm mostrando disposição em investir na criação de grandes grupos.
Nessa lista, destacam-se a construtora Camargo Corrêa, o fundo de pensão Previ (Banco do Brasil) e a estatal mineira Cemig. A Camargo pressiona pela união entre Brasiliana, CPFL e Neoenergia - as duas últimas com forte participação da Previ, que também já se pronunciou em favor de uma reorganização do setor. Já a Cemig expandiu seus domínios para o Rio com a compra da Light e não esconde o apetite pelo mercado paulista.
"O País está carente de grupos capacitados, fortes e comprometidos em investir firmemente no setor", defendeu Coutinho, sem declarar preferências por qualquer grupo. Ele disse que o mesmo raciocínio vale para o setor de etanol, que vem passando por uma série de fusões e aquisições. Ele frisou, porém, que o fortalecimento de grupos nacionais não é contrário à presença e ao desenvolvimento de companhias estrangeiras no segmento.
"Vários dos projetos recentes de empresas estrangeiras tiveram o apoio do BNDES." Segundo ele, o banco não entrará na estatal de telecomunicações estudada pelo governo, com a reativação da Telebrás. "O BNDES não entraria porque não é necessário", afirmou. Segundo Coutinho, o banco estará preparado para financiar os equipamentos e a expansão da infraestrutura das operadoras privadas e de quem estiver qualificado para atuar. No entanto, a Lei de Responsabilidade Fiscal não permite empréstimos do BNDES para empresas dependentes do Tesouro, lembrou. (América Econômica 04/03/10) Exportador não quer só ajuda cambial Os exportadores não estão otimistas com o pacote de apoio ao setor que o governo federal deve anunciar nos próximos dias. As propostas que estão em estudo pelos ministérios da Fazenda e do Desenvolvimento não devem atender às necessidades do setor, segundo a Abracex (Associação Brasileira de Comércio Exterior).
Só uma ajuda ao exportador é pouco. As medidas que virão do governo devem ser na área cambial e em alguma linha de financiamento especial, mas a necessidade é de uma política industrial, afirma Roberto Segatto, presidente da Abracex.
Segatto lembra que, no passado, o país tinha uma política industrial comandada pelo Conselho de Desenvolvimento Industrial, que mantinha o Befiex -programa de incentivo fiscal às exportações-, que foi responsável pelo crescimento da indústria brasileira, mas extinto na década de 90.
A Abracex encaminhou ao governo na segunda-feira o resultado de duas pesquisas realizadas com cerca de 300 empresários do setor.
O levantamento deixa claro que há necessidade do reaparelhamento do parque fabril brasileiro, diz Segatto.
Os principais requisitos apontados pela pesquisa foram: redução da carga tributária sobre a produção e financiamentos especiais para a remodelação do parque industrial.
As altas taxas, como Imposto de importação, IPI, ICMS, e problemas para a obtenção do atestado de similaridade na Abimaq (associação dos fabricantes) foram apontados como os principais entraves para a importação de equipamentos. (Folha de S. Paulo – 04/03/10) Não é nada dramático O saldo negativo do fluxo cambial em fevereiro, de US$ 399 milhões, não chegou a ser uma surpresa para os especialistas. Tem a ver, principalmente, com o desempenho da balança comercial e, em parte, com os problemas enfrentados por algumas economias europeias.
Ex-diretor do Banco Central, Carlos Thadeu de Freitas é seguro na avaliação: Não é nada dramático. É uma situação temporária. Tem muito a ver com a sazonalidade da balança comercial. Começamos o ano importando mais, mas isso não vai persistir porque as commodities vão puxar o aumento das exportações.
Além do aumento nas exportações, o Brasil deve contar com outro reforço no fluxo cambial. O País vai continuar a atrair investidores estrangeiros, principalmente para a compra de títulos públicos. Temos um diferencial de taxa de juros muito forte, com previsão de alta. Então, não tenho motivo para mudar minha expectativa para este ano, afirma.
Economista-chefe da Link Investimentos, Marianna de Oliveira Costa também acredita na melhora do fluxo cambial puxada pelas exportações de commodities. Mas trabalhamos com uma previsão perto de zero no saldo comercial, ressalva. Mas ela lembra: O crescimento maior do que se espera para a economia este ano deverá resultar em aumento das importações em áreas em que não somos autossuficientes.
Ela lembra, por exemplo, que as gruas usadas na construção civil são alugadas de estrangeiros, em dólar. Além disso, as exportações de commodities, apesar de ajudarem na balança comercial, resultam em custo de frete para os embarques. Fora o fato de os brasileiros estarem viajando cada vez mais para o exterior. Por isso, a previsão é negativa para o saldo em transações correntes, comenta.
Por outro lado, Marianna também aposta no crescente volume de dólares trazidos por investidores estrangeiros. Um dos chamarizes, diz, será a retomada dos lançamentos iniciais de ações (IPO) de empresas brasileiras. O que vimos em outros anos foi que 60% dessas ações foram compradas por estrangeiros, diz. (O Estado de S. Paulo – 04/03/10) Distorção na indústria do Brasil Há algo estranho no comércio exterior brasileiro. Sabemos que estamos nos transformando cada vez mais em exportador de commodities - as exportações representam 36,4% da nossa balança -, mas não sabíamos ainda que a indústria está importando cada vez mais matérias-primas e bens duráveis. Isto é, estamos importando produtos de consumo que também produzimos no País.
Em outras palavras, lembra editorial no caderno de Economia do Estado de ontem, isso parece indicar que nossa indústria está se transformando cada vez numa atividade de montagem, importando mais bens e insumos para vender no País, sem chegar a ter uma produção competitiva nos bens de alta tecnologia.
Estamos em parte abastecendo o mercado interno não mais com produtos fabricados, mas montados com itens importados. Leia-se, produtos da China, entre outros.
Não é uma desindustrialização, como se poderia dizer, mas um empobrecimento relativo da indústria nacional. É o que revelam os números da balança comercial no primeiro bimestre do ano anunciados pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria e comércio exterior.
COMMODITIZAÇÃO
Há explicações para isso, mas não convincentes. Afirma-se que é um processo decorrente do excepcional aumento dos preços das commodities nos anos dourados da economia mundial que antecederam à crise. Houve um crescimento extraordinário nas exportações de produtos agrícolas e minerais, que desde então passaram a dominar a pauta do comércio exterior. As vendas industriais também cresceram, mas em ritmo bem menor. O setor de commodities era mais bem estruturado que o setor industrial.
Outro motivo: a crise atingiu mais duramente a demanda de produtos industriais do que o agrícolas.
São argumentos válidos, mas não explicam totalmente esse aumento das importações (vejam bem, importações e não exportações de bens industriais, neste momento em que a economia mundial começa a se recuperar).
CAMBIO, ETC.
Há ainda o argumento da desvalorização do dólar que favorece as importações, e até ajuda no controle da inflação. Mas esse é um fenômeno que afeta toda a pauta comercial, desde produtos como commodities a produtos industriais. Sei que é mais difícil exportar bens acabados, com alto valor agregado, que produtos primários, principalmente num mercado mundial ainda em recuperação. Isso, porém, não explica nem justifica o aumento das importações de bens intermediários do setor industrial.
No fundo, tudo indica estar havendo uma falta de política industrial integrada, difícil de se obter quando os ministérios não se entendem.
A manter esse clima, a tendência é de que não só a agricultura continuará superando a indústria na área do comércio exterior, como a própria indústria caminha para o que poderíamos chamar de terceirização. É um processo ainda incipiente, mas perigoso por ser indolor.
1 BILHÃO DE FAMINTOS
Jamil Chade, correspondente do Estado em Genebra, está lançando hoje, no Shopping Higienópolis, a partir das 19h30, o seu livro O Mundo não é Plano. A tragédia silenciosa de 1 bilhão da Famintos. Um livro-análise-reportagem bem documentado sobre o drama da fome no mundo. Destaque especial para suas viagens à África e à Itália, onde viu de perto o desespero dos imigrantes ilegais que tentam fugir da fome. (O Estado de S. Paulo – 04/03/10) Fluxo cambial fica negativo pela 1ª vez após 11 meses O enfraquecimento do saldo da balança comercial levou o Brasil a registrar, em fevereiro, volume maior de saída do que de entrada de moeda estrangeira no mercado de câmbio, interrompendo 11 meses seguidos de resultados positivos. De acordo com dados divulgados ontem pelo Banco Central, o fluxo cambial no mês passado foi negativo em US$ 399 milhões. A última vez em que isso ocorreu foi em março de 2009, quando a crise internacional ainda estava forte e o saldo cambial foi negativo em US$ 797 milhões.
A aceleração nas importações, combinada com a queda no ritmo das exportações, foi decisiva para o saldo negativo de fevereiro. O chamado fluxo comercial teve déficit de US$ 2,29 bilhões. Isso foi só parcialmente compensado pelo fluxo financeiro (contabiliza os investimentos diretos no setor produtivo, em ações, renda fixa, e as remessas de lucros, entre outros itens), que teve saldo positivo de US$ 1,89 bilhão. Ou seja, a tendência de piora na balança comercial foi marcante para o mercado de câmbio no mês passado.
Para o analista de câmbio da corretora Liquidez, Mário Paiva, o resultado de fevereiro não deve ser visto como uma tendência de saldos negativos no fluxo cambial neste ano. Segundo ele, apesar de a trajetória do câmbio comercial ser de resultados mais fracos, e algumas vezes até negativos como em fevereiro, do lado financeiro a expectativa é bastante favorável, por causa dos fundamentos da economia brasileira.
O Brasil tem uma postura econômica que agrada ao investidor estrangeiro, disse Paiva, mencionando fatores com as elevadas reservas internacionais e a expectativa de queda na dívida em proporção do Produto Interno Bruto (PIB) este ano: A tendência é que o fluxo fique positivo no ano entre US$ 10 bilhões e US$ 20 bilhões. O Brasil é visto como um País confiável.
Apesar do saldo negativo de fevereiro, o fluxo de dólares para o Brasil no acumulado do ano ainda é positivo em US$ 676 milhões, resultado de um déficit comercial de US$ 2,43 bilhões e um superávit financeiro de US$ 3,11 bilhões. No mesmo período, o Banco Central adquiriu no mercado de câmbio à vista US$ 2,06 bilhões para as reservas internacionais. Em fevereiro, mesmo com saída líquida de dólares, o BC comprou US$ 350 milhões.
Essa postura do BC de adquirir moeda estrangeira acima do fluxo é questionada por alguns analistas de mercado. Eles apontam o custo fiscal dessas operações como uma despesa desnecessária, já que o nível das reservas estaria alto o suficiente para funcionar como um seguro contra a crise. Na direção contrária, o BC considera importante manter a estratégia de acumulação de reservas e acredita que a política de adquirir o volume equivalente ao fluxo cambial deve ser olhada em um horizonte de mais longo prazo. (O Estado de S. Paulo – 04/03/10) Governo fecha pacote de estímulo O governo deve anunciar até o fim deste mês as medidas de estímulo ao setor exportador, segundo informou o ministro do Desenvolvimento, Indústria e comércio exterior, Miguel Jorge. A preocupação com a competição acirrada no mercado internacional, a valorização do real e o aumento forte das importações foram debatidos ontem durante a reunião do Grupo de Acompanhamento do Crescimento (GAC), no Ministério da Fazenda.
Jorge disse que os trabalhos técnicos estão praticamente concluídos. Ele e o ministro da Fazenda, Guido Mantega, devem se reunir até o fim da próxima semana para fechar o pacote que será apresentado ao presidente Lula. Segundo ele, as propostas visam a desburocratizar, reduzir custos das exportações e melhorar os financiamentos e as garantias de crédito ao exportador. Ele garantiu que não há medidas cambiais.
O ministro confirmou que entre as medidas estará a criação de um braço do BNDES para operar o comércio exterior, nos moldes do Eximbank americano. Estamos usando o BNDES, criando uma diretoria especial só para exportação.
Ele, no entanto, destacou que o Banco do Brasil continuará a ter um papel preponderante na questão das exportações brasileiras. O Banco do Brasil é quem tem a capilaridade para trabalhar o processo de financiamento das exportações. O Banco do Brasil também disputava as funções de Eximbank.
O presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Armando Monteiro Neto, defendeu, na reunião do GAC, a necessidade de resolver o problema de acúmulo de créditos tributários do setor exportador. Neste cenário pós-crise, que tem um acirramento da competição, além da desvantagem de o real estar valorizado, ou o Brasil avança para melhorar na burocracia, nas condições de financiamento e para desonerar as exportações, ou vamos perder espaço no mercado externo.
Paulo Godoy, presidente da Associação Brasileira da Infraestrutura e Indústrias de Base (Abdib), afirmou que o grande desafio para o setor de infraestrutura é garantir a oferta de financiamentos de longo prazo.
O setor espera que os investimentos anuais cheguem a R$ 160 bilhões em 2014, ante os R$ 106 bilhões atuais. A Abdib calcula que será necessário ampliar em mais R$ 40 bilhões a oferta de crédito atual para atender a essa previsão de investimentos. (O estado de S. Paulo – 04/03/10) Dólar ignora fluxo e sobe a R$ 1,79 O dólar interrompeu ontem sequência de três quedas, durante as quais acumulou perda de 2,7%. Fechou em valorização de 0,44%, cotado a R$ 1,79. Como na queda, também na alta o dólar contrariou a tendência externa. O pacote fiscal grego agradou, abrindo a possibilidade de se encontrar uma solução caseira que evite o default e o esgarçamento da União Europeia. Tanto o euro quanto a libra se valorizaram diante da moeda americana, atraindo investidores globais que estavam buscando refúgio no Brasil. O governo grego parece estar disposto a tudo para colocar em dia as finanças públicas. Anunciou novas medidas de austeridade fiscal, incluindo cortes salariais de servidores públicos e aumento de impostos cobrados na circulação de mercadorias. O pacote deve permitir uma economia de € 4 bilhões no ano.
Nos EUA foram divulgados indicadores positivos. O índice de atividade do setor de serviços calculado pelo Instituto de Gerentes de Compras (ISM, na sigla em inglês) subiu de 50,5 pontos em janeiro para 53 em fevereiro, melhor leitura em dois anos. O mercado de trabalho emite sinais mais consistentes de recuperação. O setor privado americano cortou mais 20 mil postos em fevereiro, segundo pesquisa feita pela empresa privada ADP. Foi o 24º mês consecutivo de variação negativa, porém num ritmo bem menor se comparado com o auge de cortes registrado em março de 2009, com extinção de 736 mil empregos. O dado mostra que o pior da crise financeira já foi absorvido pelo mercado de trabalho, porém novas oportunidades de emprego seguem ainda muito limitadas devido à fragilidade da economia americana, diz Inês Filipa, economista da ICAP Brasil.
Os dados divulgados ontem pelo BC sobre a balança cambial de fevereiro comprovam o argumento de que a cotação do dólar segue, no Brasil, o viés determinado pelos movimentos globais de capital. O preço está desvinculado da lei da oferta e da procura. Em fevereiro, faltou dólar na praça e, mesmo assim, a cotação caiu 4,14%. Na quarta semana de fevereiro, o BC não parou de comprar dólares por meio dos seus leilões diários apesar de o fluxo cambial se mostrar negativo. A entrada de US$ 60 milhões pela conta financeira não cobriu a saída líquida de US$ 190 milhões pela comercial. O déficit foi de US$ 130 milhões, mesmo assim o BC adquiriu US$ 48 milhões, reduzindo as posições compradas à vista registrada pelos bancos. Foi uma continuidade da estratégia de intervenção desenvolvida ao longo do mês passado. No acumulado de fevereiro, para um fluxo líquido negativo de US$ 399 milhões, o BC comprou US$ 350 milhões. Para o mercado, as duas contas deficitárias devem ser somadas resultando numa falta de US$ 749 milhões. Essa falta foi quase inteiramente suprida pelas posições compradas. Estas caíram de US$ 2,663 bilhões para US$ 2,070 bilhões.
O diretor da corretora NGO Câmbio, Sidnei Nehme, destaca que as importações estão se fortalecendo muito este ano. Em fevereiro de 2009 o fluxo de exportações foi de US$ 10,482 bilhões e em 2010 foram registrados US$ 10,085 bilhões, enquanto que em 2009 o Brasil teve em fevereiro fluxo de importações de US$ 7,611 bilhões e em 2010 contabilizou-se US$ 12,371 bilhões.
Na expectativa de divulgação hoje e sexta-feira de importantes indicadores sobre atividade (o IBGE divulga hoje a produção industrial de janeiro) e inflação (sai na sexta o IPCA fechado de fevereiro), o mercado futuro de juros ajustou para cima suas projeções de CDI. A taxa para a virada do ano avançou de 10,44% para 10,47%. O CDI para janeiro de 2012 subiu de 11,57% para 11,63%. A taxa do swap de 360 dias passou de 10,74% para 10,76%.
Para o economista Marco Garcia, da Mag Consultoria, o ponto de equilíbrio do juro é dado pelo contrato mais líquido negociado no pregão de DI futuro da BM&F. Pois é onde a maioria dos agentes vai buscar refúgio. O swap de 360 dias é o favorito de Garcia. E esta taxa já está perto de 10,80%. Se a Selic for fixada acima desse DI, as aplicações do mercado migram para o BC e o Tesouro. Com isso, o governo consegue retirar moeda. No caso inverso, o dinheiro sai do governo e a economia recebe um influxo de capital. Mas a Selic não regula apenas a oferta e a quantidade disponível de moeda. Age sobre as expectativas, a demanda e o ânimo dos empresários. O primeiro efeito de uma taxa básica expansionista é fazer os agentes optarem por consumir. O segundo é o descasamento entre oferta (os investimentos acontecem depois da demanda) e procura (sempre na frente e mais veloz). A inflação é a consequência natural, diz Garcia. Para o economista, o juro real acompanha a inflação: quanto mais alentada a expectativa de inflação, maior o juro real. (Valor Econômico – 04/03/10) A gangorra dólar versus commodities O dólar virou a moeda crítica. Ganha valor nos momentos de catástrofe e perde poder de compra sempre que o otimismo volta a reinar. Ontem, bastou o mercado - esse ente abstrato, porém com poder absoluto sobre expectativas e preços - manifestar confiança no plano de recuperação das finanças públicas anunciado pela Grécia para que o dólar perdesse valor face a maior parte das moedas, não apenas diante do euro.
Na direção oposta, como tem sido o costume, os minerais subiram. Cobre, a despeito do terremoto chileno, zinco, níquel e chumbo registram altas de preços no mercado de Londres. O petróleo também subiu. Essa é uma tendência que tem se confirmado nos últimos anos, interrompida apenas por um breve intervalo de tempo entre fins de 2008 e primeiro trimestre de 2009, quando o mundo vivia o auge da recessão deflagrada pela crise financeira internacional.
Naqueles dias de dúvida e de aflição, o dólar confirmou-se como o ativo de preferência, para onde todos correm quando se sentem na iminência de uma catástrofe. Com exceção do período mais nebuloso, o dólar manteve-se nos últimos dez a quinze anos em processo de desvalorização, muito conveniente ao padrão de expansão da economia dos Estados Unidos, movida pela demanda por produtos importados. A queda do dólar também ajudou a encaixar na nova realidade econômica mundial o contínuo crescimento da China.
Sempre que há uma notícia ruim, com potencial para desestabilizar a economia mundial, como foi o caso do déficit grego, o dólar ganha espaço. O contrário, quando os Estados Unidos apresentam sinais de recuperação ou quando as perspectivas de medos maiores se dissipam, o dólar volta a perder terreno. Isso ocorreu nos últimos dias. É claro que boa parte da desvalorização do dólar face ao euro, principalmente, tem a ver com a crença dos mercados, tirada dos chapéus de alguns mágicos de plantão, de que, bem, o problema da Europa não é tão grave quanto se imaginava há bem pouco tempo. Sabe-se que essa é uma falsa verdade. O euro permanecerá sob pressão, como se a espádua de Dâmocles pairasse sobre toda a União Europeia (UE), até que as economias mais fracas da região encontrem formas de vencer suas ineficiências internas.
Mas a questão a destacar aqui é a do comportamento das commodities minerais que retomaram firmemente o processo de valorização a partir de meados do ano passado. A explicação é simples: uma vez recobrada a confiança na retomada do crescimento em geral, com a China reforçando a função de carro-chefe da economia mundial, os preços das commodities só tendem, em média, a subir.
Por exemplo, os preços do níquel no mercado internacional têm sido pressionados em boa parte pela informação de que a produção do metal tende a cair abaixo da demanda em quatro anos. Motivo: o crescente uso de níquel na produção de aço inoxidável por parte da China.
Parece que o dólar se manterá desvalorizado enquanto os preços das commodities se mantiverem em alta. É como se essa fosse a principal relação econômica a reger tudo o mais na economia.
Duas perguntas se impõem, supondo que essa relação seja efetivamente relevante: até quando os minerais vão continuar a sofrer valorização no mercado internacional e em que medida isso vai beneficiar as economias em desenvolvimento, exportadoras de commodities?
A primeira pergunta é difícil de responder. Os preços para frente podem ser indicados pelos movimentos dos mercados futuros que nem sempre, porém, refletem os fundamentos econômicos e suas perspectivas. No entanto, uma boa indicação pode ser encontrada nos prognósticos oficiais do Banco Mundial. A instituição prevê que os preços das commodities minerais tendem a se estabilizar a partir de 2015. A tabela prospectiva do Banco Mundial indica que em 2020 aqueles produtos estarão sendo comercializados no mundo por preços equivalentes aos praticados em 2015. Isso quer dizer, em resumo, que as cotações não continuarão subindo indefinidamente, mas tenderão a se estabilizar em patamar elevado.
A outra questão, relacionada aos benefícios para os países em desenvolvimento, tem a ver muito mais com as políticas a serem adotadas internamente pelos exportadores de commodities. Um bom resumo das alternativas e implicações das políticas pode ser encontrado no texto Natural Resources and Development Strategy after Crisis (Recursos naturais e estratégia de desenvolvimento depois da crise). É de autoria dos economistas Otaviano Canuto e Milan Brahmbhatt, respectivamente, vice-presidente, além de chefe da rede de redução da pobreza e gerenciamento econômico, e assessor econômico do Banco Mundial, recentemente publicado.
Eles observam que nesta década os preços das commodities em geral mantiveram-se acima da média observada entre 2005 e 2007, o período de maior crescimento. Isso a despeito mesmo da recessão ocorrida entre 2008 e 2009. Confirmam que os países em desenvolvimento têm boa parte de sua pauta de exportação composta por commodities em geral e matérias-primas, mas chamam atenção para a forma de medir essa dependência.
Se os países em desenvolvimento forem agrupados sem maiores distinções, conclui-se que apenas 40% das mercadorias agregadas exportadas eram produtos primários em termos de valor no período entre 2005 e 2007, significando uma redução quando comparado aos 50% de participação das commodities nas pautas agregadas no início dos anos 90.
Porém, quando se mede o comportamento considerando uma simples média entre os países (reduzindo, assim, impacto da China que é grande exportador de produtos industrializados), chega-se à conclusão de que as commodities respondiam por 60% das exportações na média dos países em desenvolvimento em meados desta década. Embora elevada, aquela média estava bem abaixo dos 90% registrados no final dos anos 60. Considerando a mediana, os autores observam que metade dos países em desenvolvimento ainda são dependentes da exportação de commodities em mais de 70% da pauta de exportação.
Em resumo: enquanto os preços dos produtos primários estiverem altos, os países em desenvolvimento poderão garantir substanciais receitas cambiais, contribuindo para o enfraquecimento internacional do dólar. (Valor Econômico – 04/03/10) Eximbank brasileiro será criado como diretoria do BNDES, diz ministro O pacote de incentivos às exportações deve ser anunciado até o fim de março, disse, ontem, o ministro de Desenvolvimento, Miguel Jorge, conforme adiantou o Valor na edição da última segunda-feira. Ele acredita que pode ser criado ainda este ano um banco específico para o comércio exterior, a exemplo do Eximbank. Ele informou que o esboço das medidas está pronto, faltando apenas uma reunião específica dele com o ministro da Fazenda, Guido Mantega, para fechar o pacote.
Ontem, durante reunião do Grupo de Acompanhamento do Crescimento (GAC), os empresários pediram pressa ao governo no pacote de estímulo à exportação. O presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Armando Monteiro Neto, resumiu a posição geral queixando-se da forte alta das importações no primeiro bimestre do ano. Além, disso, o exportador sofre com o o acúmulo de créditos, disse ele. As companhias que atuam somente no mercado interno conseguem compensar impostos como o PIS/Cofins na compra de insumos ou no pagamento de outros tributos, mas o exportador, não, argumentou ele.
Entre as medidas em estudo, Miguel Jorge destacou que deve ser criado ainda este ano o Eximbank, uma carteira bancária especial voltada para o financiamento ao comércio exterior. Será uma diretoria especial do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social BNDES), explicou. Criar um banco novo seria muito burocrático, demoraria muito, explicou.
O ministro também destacou a desburocratização para reduzir custos das operações de comércio exterior, mais financiamentos e garantias, aumento de missões comerciais e de mercados compradores, além de medidas de ordem tributária como devolução de crédito ao exportador. É um projeto para melhorar a capacidade do Brasil exportar, resumiu o ministro do Desenvolvimento.
Os ministros e técnicos do governo ouviram ainda reivindicações pontuais de vários setores, a maioria no sentido de reforçar a competitividade dos produtos brasileiros no mercado externo. (Valor Econômico – 04/03/10) Saída de dólares supera entrada pela 1ª vez em 11 meses A saída de dólares superou a entrada no Brasil pela primeira vez em 11 meses, segundo dados divulgados nesta quarta-feira pelo Banco Central. O fluxo cambial em fevereiro ficou negativo em US$ 399 milhões.
Em janeiro, o saldo foi positivo em US$ 1,07 bilhão. No acumulado do ano, o fluxo cambial é positivo em US$ 676 milhões -- no mesmo período do ano passado era negativo em US$ 2,17 bilhões.
O setor financeiro --que inclui aplicações, investimentos, gastos e remessas de lucros-- registrou fluxo positivo de US$ 1,88 bilhão em fevereiro, ou seja, entraram mais recursos do que saíram no país nessa conta. Já a área comercial --que registra as compras e vendas de produtos entre o Brasil e outros países-- teve resultado negativo de US$ 2,28 bilhões.
No ano passado, o fluxo cambial foi positivo em US$ 28,7 bilhões --a grande entrada de dólares no Brasil contribuiu para derrubar a cotação da moeda norte-americana.
Reservas
O Banco Central divulgou também dados relativos às intervenções da autoridade monetária no mercado de dólar. Em fevereiro, a autoridade monetária comprou US$ 350 milhões no mercado de dólar à vista, valor que afeta os níveis das reservas internacionais, que até ontem estavam em US$ 241,2 bilhões, segundo o BC. (Folha de S. Paulo – 03/03/10) O Chile se preparou O Chile sempre foi apontado como modelo na região. Foi o país de crescimento mais rápido na América Latina em duas décadas, foi o que fez reformas mais cedo, tem a maior renda per capita, a melhor situação fiscal, e foi o que primeiro começou a se preparar para dias mais difíceis do ponto de vista fiscal. O dia difícil chegou. E agora se verá a vantagem de estar preparado.
Neste momento, a solidez fiscal ajudará a reconstrução de um país onde a terra tremeu numa dimensão que nenhum brasileiro, que não estava lá na hora, pode imaginar.
Deve ter sido aterrorizante para pessoas de um país que dorme no meio de estáveis placas tectônicas.
Como disse, de lá, a escritora Ana Maria Machado, em entrevista, se a noção de segurança para os seres humanos vem da terra firme, o que se pode dizer quando a terra não fica firme? O custo humano e econômico do terremoto é alto, mas o que o Chile está ensinando é que vale a pena se preparar.
Na economia, o país decidiu assim que o cobre começou a subir — junto com todas as outras commodities metálicas —, a partir de 2003, que era necessário constituir um fundo de reserva.
O nosso fundo foi feito na undécima hora. O deles, na primeira.
Em 2003, o país conseguiu com o cobre, que representa 50% das exportações, US$ 7,8 bilhões. No ano seguinte, o dobro disso, e continuou aumentando, até chegar a 2007, no pico, em que a exportação do produto rendeu US$ 37 bilhões ao Chile. Nos anos seguintes, caiu.
Nesse boom, de 2004 a 2007, o Chile decidiu constituir fora do país um fundo que impedia que a entrada excessiva de dólares da exportação valorizasse exageradamente o peso, e ainda promovia uma reserva para contingências. Isso, além do aumento das reservas cambiais e do ajuste das contas públicas.
Ele não é perfeito. Tem um aleijão fiscal que é a lei que determina que parte das receitas da Codelco, estatal de cobre, seja uma espécie de recurso extra-orçamento que financia as Forças Armadas. Esse atalho fiscal criado pelo governo militar nunca foi corrigido em duas décadas de governo civil de centro-esquerda.
O novo presidente, Sebastián Piñera, do partido de direita, prometeu alterar isso. A conferir.
As contas ajustadas, as reservas cambiais, o fundo de reservas off-shore, a reputação de ser fiscalmente responsável, tudo isso ajudará agora o Chile na hora da reconstrução.
O terremoto é doloroso seja qual for a situação. As primeiras contas mostram a necessidade de reconstruir 1,5 milhão de residências, o setor mais afetado.
Parte da infraestrutura foi atingida, o que complica a vida de um país que tem modelo exportador e é a economia mais aberta da América Latina.
O novo governo, que assumirá em oito dias, herdará o caos provocado pelo terremoto, a desordem civil criada pelo surto de saques, e o descontentamento social.
Assumirá o país que teve, depois de longo crescimento, uma recessão de 1,9% no ano passado e que em 2010 estava começando a retomar o crescimento.
Os analistas das diversas consultorias internacionais, que se debruçam sobre o Chile agora para fazer projeções, coincidem em que o primeiro trimestre foi definitivamente afetado.
Em março, a economia cresceria no ritmo de 4%, e ninguém sabe se vai crescer.
As previsões são otimistas no geral. A ideia é que o país retomará a normalidade na produção de cobre — o Chile é responsável por 35% da exportação mundial do metal e voltará a atrair investimentos.
Tanto que o cobre subiu na segunda-feira, num primeiro momento, mas depois cedeu um pouco com a melhora das expectativas em relação à capacidade do país de voltar à normalidade. O peso se desvalorizou, para se recuperar ontem.
O Chile, no período do seu crescimento sustentado, reduziu drasticamente seus problemas sociais. De 1990 a 2006 diminuiu em 21% a desigualdade entre os 10% mais ricos e os 10% mais pobres. Reduziu o percentual de pobres em 64% e de extremamente pobres em 75%. Tem os melhores indicadores educacionais da região. Além disso, sabedor de que é uma área sujeita a terremotos e tsunamis, investiu no reforço da defesa civil.
Mesmo com todas as prevenções contra crises e desastres, o país está contando seus mortos e se preparando para um longo trabalho de reconstrução. De qualquer maneira, o Chile prova que o responsável é sempre se preparar para dias piores. Ele precisará de ajuda internacional e o custo será alto, mas o país tirou o melhor proveito dos momentos de abundância e terra firme. Já fez um bom trabalho por anos a fio, agora precisa de sorte. E solidariedade.
Que tenha os dois. (O Globo – 03/03/10) Aumento das importações e indústria O exame dos dados de fevereiro do comércio exterior causa uma grande perplexidade: a boa notícia de que as exportações cresceram 19,9% em relação ao mês anterior e 24,5% no bimestre, ante o mesmo período do ano passado, choca-se com a má notícia das importações, com crescimentos respectivos de 50,8% e 31,7%. Com isso, o superávit comercial no bimestre caiu 81%, contribuindo para a deterioração das transações correntes do balanço de pagamentos.
O aumento registrado das exportações não deixa esquecer que a base de comparação é muito ruim, pois no início do ano passado estávamos num quadro de crise mundial. No entanto, deve-se notar que o maior aumento foi de produtos básicos (28,6%), cuja participação passou de 36,4%, em 2009, para 37,6% neste ano, enquanto os produtos industrializados registram aumento de 20,9% (20,6% para os manufaturados, cuja participação no total, de 44,8%, acusa redução de 1,4 ponto porcentual - p.p.).
A tendência é dos produtos básicos ganharem terreno na pauta, enquanto a indústria tem dificuldades para exportar, com o maior aumento de vendas sendo dirigido para o Mercosul, o Oriente Médio e a Europa Oriental.
A evolução das importações levanta questões mais preocupantes. No bimestre, o maior crescimento se registrou no caso dos bens de consumo duráveis (65,2%, com 97,1% para automóveis); o menor, nos bens de capital (17,2%). Isso reflete, de um lado, a indecisão da indústria no que se refere à sua modernização - o que levanta dúvidas sobre as declarações do presidente da Fiesp, ao assegurar que a indústria acompanhará a demanda doméstica. Por outro lado, constatam-se os efeitos de uma taxa cambial excessivamente valorizada, que favorece as importações, e da melhoria da renda, que induz à compra de carros estrangeiros, apesar do encolhimento da classe A de renda.
Mas, quando se considera a participação dos diversos itens no total das importações, verifica-se que os bens de consumo duráveis, com 9,7%, subiram 2 p.p., mas as matérias-primas e bens intermediários detêm a maior participação (48,4%), que subiu 0,8 p.p.
Isso parece indicar que nossa indústria se está transformando cada vez mais numa atividade de montagem, importando mais bens e insumos para entregar produtos finais no País, sem chegar a ter uma produção internacionalmente competitiva nos bens de mais alta tecnologia. (O Estado de S. Paulo – 03/03/10) Peso de bens de capital importados no mercado brasileiro caiu para30,9% Em 2009, a participação das importações no mercado interno do país teve queda. O coeficiente de importação, que mede a representatividade dos importados no consumo interno, caiu de 20,9% em 2008 para 19,2% no ano passado.
O levantamento, feito pela Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), mostra ainda que a queda de participação ficou mais concentrada em bens de capital e bens intermediários. Os decréscimos foram de 2,9 pontos percentuais e de 1,7 ponto percentual, ficando em 30,9% e 19%, respectivamente. A representatividade das importações dos bens de consumo teve queda pequena, de 0,4 ponto percentual. Isso revela que os fabricantes desses tipos de bens não conseguiram aproveitar o momento de crise para aumentar sua fatia no mercado interno.
Entre os setores em que as importações perderam espaço no consumo interno está o de aeronaves, ferrovias e embarcações. Em 2008, 32,4% do consumo de bens desse setor era comprado do exterior. No ano passado, essa participação caiu para 23,6%. Segundo análise da Fiesp, em 2009, com a crise, o mercado doméstico desempenhou papel importante porque absorveu a produção do setor. No segmento de embarcações, especificamente, houve aquecimento de demanda causado principalmente pela descoberta do pré-sal.
Outro setor em que os importados perderam espaço no consumo interno foi o de equipamentos médicos e hospitalares, com queda de 5,9 pontos percentuais no coeficiente de importação. O segmento, porém, ainda é um dos que possuem maior participação de bens importados no consumo interno.
Em sentido inverso, os fabricantes brasileiros de vestuário perderam espaço para as importações no ano passado. O coeficiente de importação do setor aumentou de 4,9% para 5,5%.
No lado das exportações, as vendas ao exterior perderam representatividade na produção doméstica. O coeficiente de exportação caiu de 22,1% em 2008 para 21,1% no ano passado. Os bens de capital puxaram a queda. A participação das vendas ao exterior na produção nacional desse tipo de bem caiu de 25,5% em 2008 para 17,9% para 2009. Os bens de consumo também tiveram decréscimo, com queda de 1,7 ponto percentual no mesmo período. Os bens intermediários foram em sentido inverso. O coeficiente de exportação dos insumos industriais aumentou de 22,3% em 2008 para 23,3% no ano passado.
Segundo relatório da Fiesp, os setores industriais que mais agregam valor são os que têm sofrido maior queda nas receitas com exportação. O setor de veículos e autopeças, por exemplo, viu seu coeficiente de exportação cair de 15,8% em 2008 para 10% em 2009. O setor de máquinas e equipamentos teve queda de 6,3 pontos percentuais no mesmo período. (Valor Econômico – 03/03/10) Saldo comercial cai 82% no 1º bimestre, o mais baixo desde 2002 em fevereiro. Superavit de US$ 394 mi em fevereiro é o mais baixo para o mês desde 2002; importações crescem o dobro das exportações. Governo espera mais vendas nos próximos meses, com embarque de commodities; crescimento do país explica descompasso na balança. A recuperação de mercados internacionaisajudou a elevar as exportações brasileiras com alta de 27,2% ante fevereiro de 2009.
Apesar do desempenho recorde da média diária das exportações para o segundo mês do ano, o crescimento das importações em fevereiro para um patamar também inédito para o período derrubou o saldo comercial brasileiro. O resultado, US$ 394 milhões, é o mais baixo para o mês desde 2002, quando o comércio do país com o exterior registrou superavit de US$ 265 milhões.
Com o saldo negativo de janeiro em US$ 166 milhões, o primeiro bimestre de 2010 registrou um superavit (US$ 228 milhões) 81,5% inferior ao do início de 2009. Diante desse cenário, o mercado já prevê um resultado em torno de US$ 10 bilhões neste ano, bem inferior aos US$ 25,3 bilhões de 2009.
A recuperação de mercados internacionais, principalmente países emergentes, ajudou a elevar as exportações brasileiras no mês, para US$ 12,197 bilhões -alta de 27,2% ante fevereiro de 2009, quando a crise ainda causava maiores impactos sobre o comércio mundial.
No entanto, o ritmo de crescimento da economia brasileira nos últimos meses, aliado ao câmbio favorável, deu um impulso de 50,8% às importações na mesma comparação, para US$ 11,803 bilhões em fevereiro deste ano. Segundo o secretário de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Welber Barral, o menor saldo comercial já era esperado.
"São dois fenômenos interligados. Na medida em que o país exporta mais, precisa importar mais insumos para a produção industrial. Além disso, com o mercado doméstico aquecido, há aumento nas compras para suprir o que não se fabrica no país", afirma.
Embora a base de comparação seja baixa, ele destacou o crescimento das vendas em relação a 2009, sobretudo para a Argentina, cujo aumento nas compras de produtos brasileiros foi de 66,1%, movimento liderado pela cadeia automotiva.
Além disso, disse Barral, o volume de exportações normalmente decola a partir de abril, quando os embarques de commodities, como a soja, intensificam-se. "O superavit pode ser maior nos próximos meses. Provavelmente não teremos deficit no ano", afirmou.
Para o economista do Itaú-Unibanco Darwin Salles Dib, o descompasso na balança é normal porque as importações tendem a reagir mais rápido ao crescimento doméstico do que as exportações em relação à recuperação externa. "O Brasil se expande mais rápido que o resto do mundo. Mesmo se crescesse na mesma taxa, haveria saldo menor neste ano."
Deficit não preocupa já
Apesar da estimativa do banco para um superavit de apenas US$ 2 bilhões em 2010, Dib afirma que um eventual deficit nas transações correntes de até 3% do PIB (soma de bens e serviços produzidos no país) neste ano ainda não deve causar preocupação. "O importante é que essa necessidade de financiamento externo seja preenchida por investimentos."
Na opinião de Daniela Prates, professora do Instituto de Economia da Unicamp, ainda que a conta de transações do Brasil com o exterior não revele riscos no curto prazo, o acúmulo de deficit ao longo dos anos pode levar o país a uma situação insustentável.
"Muitos fabricantes têm optado por deixar de competir no acirrado mercado estrangeiro para focar as vendas no mercado doméstico. O problema é que esses exportadores podem desaparecer nos próximos anos, por não conseguirem recuperar espaço fora do país, gerando ainda mais desequilíbrios nessa conta."(Net Marinha – 02/03/10) Pacote deve criar crédito automático a exportador Os exportadores poderão ganhar um mecanismo de crédito automático para compensar os impostos federais pagos pelos fornecedores, segundo proposta em discussão pelos ministérios da Fazenda e do Desenvolvimento com representantes de grandes exportadores. A discussão faz parte de um pacote de apoio ao setor que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva quer anunciar ainda em março, segundo informou o ministro da Fazenda, Guido Mantega, a auxiliares.
A discussão também envolve medidas para reduzir a burocracia que atrapalha as exportações. Uma das ideias em análise é a isenção de imposto sobre remessas de moeda estrangeira feitas pelas empresas exportadoras ao exterior. Seriam isentas as remessas até um certo limite, algo em torno de 3% a 5% do valor FOB (excluídas as despesas de frete) das exportações da empresa. O grupo que prepara o pacote tem debatido, ainda, medidas de financiamento, a principal delas a criação do Eximbank brasileiro. Alguns temas enfrentam resistências da Secretaria da Receita Federal, o que exigirá negociações nos próximos dias.
Um dos principais alvos do pacote a ser anunciado por Lula é a criação do mecanismo eletrônico para evitar a acumulação de créditos tributários que ocorre quando os exportadores, teoricamente isentos de imposto, incorporam em seu processo de produção matérias-primas ou mercadorias tributadas. Além desse mecanismo, governo e empresários discutem uma possível redução da base de cálculo do imposto dos exportadores, que compensaria, assim, o tributo cobrado nas etapas iniciais do processo produtivo.
As discussões sobre o pacote começaram dias depois de um jantar entre Lula e um grupo de 50 exportadores, no fim de dezembro, quando o presidente comunicou aos empresários a preocupação com a deterioração dos resultados no comércio exterior do país. Na quarta-feira, Mantega reunirá o comitê de acompanhamento do crescimento (antes denominado de "acompanhamento da crise"), quando o tema deverá ser abordado com grandes exportadores que fazem parte do grupo. Ainda neste mês, Lula poderá receber esses empresários para ouvi-los sobre o pacote. (NetMarinha – 02/03/10) Comércio retoma crescimento Após ter começado 2010 com declive de 0,6%, o varejo tornou a crescer em fevereiro.
Brasil. A atividade comercial converteu a queda e aumentou 0,2% em fevereiro. O Indicador Serasa Experian de Atividade do Comércio, divulgado nesta terça-feira, mostra que, após ter começado 2010 com declive de 0,6% (janeiro em comparação com dezembro), o varejo tornou a crescer em fevereiro. De acordo com o indicador, a ampliação de 0,2% no mercado varejista do Brasil em fevereiro, ante janeiro, já é livre das interferências sazonais.
O movimento nos estabelecimentos de material de construção sobressaiu-se em fevereiro, com um crescimento de 3%, segundo a Serasa Experian, empresa de informação de crédito. Foi o quarto mês consecutivo de acréscimo deste ramo de atividade, que acumula alta de 16,1% desde novembro, demonstrando o atual curso de reabilitação deste setor, o mais afetado pelos resultados da crise econômica mundial.
Com exceção do movimento das lojas de veículos, motos e peças, que mostraram redução de 0,7% em fevereiro, todas as demais atividades varejistas pesquisadas exibiram ampliação mensal, já deduzidos os fatores sazonais.
Na confrontação anual, fevereiro assinalou acréscimo de 10% no movimento do comércio brasileiro, porcentagem bastante parecida à alta de 10,2%, nesta mesma base de confronto, verificada em janeiro. Fevereiro tornou-se o quarto mês consecutivo em que a taxa anual de crescimento do varejo brasileiro ficou na casa dos 10%, dado que a base de comparação deste período (novembro de 2008 a fevereiro de 2009) encontrava-se bastante enfraquecida, tendo em vista os impactos adversos da crise financeira sobre o consumo das famílias. (América Econômica – 02/03/10) Brasileiros barrados A falta de investimento em inovação está levando o Brasil a perder mercado no comércio internacional e pode levar o país, futuramente, a ter seus produtos preteridos até mesmo pelos consumidores brasileiros. Dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex) do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MIDC) indicam queda da participação dos manufaturados no total de produtos vendidos ao exterior. Em 2004, essas mercadorias responderam por 54,9% da pauta de exportações. No ano passado, essa categoria representou 44%. Por outro lado, os produtos básicos, que em 2004 representavam 29,5% das vendas brasileiras, seis anos mais tarde passaram para 40,5%.
"Exportamos cada vez mais commodities(1), que estão com demanda crescente e preços em alta. Por outro lado, o empresariado brasileiro está preferindo importar componentes a criar uma fábrica para produzir localmente, ficando no Brasil apenas o trabalho de montagem do produto. É o que se vê na área de informática. O investimento em desenvolvimento tecnológico e inovação é muito baixo no país", disse Roberto Nicolsky, diretor-geral da Sociedade Brasileira Pró-Inovação Tecnológica (Protec). "Nesse cenário, nosso crescimento está sendo autorizado pela China. Enquanto ela crescer, o Brasil cresce também puxado pela venda de commodities. Enquanto isso, estamos com um deficit brutal em inovação tecnológica."
O risco é o país se transformar em uma grande montadora de produtos industrializados, com baixíssimo nível de desenvolvimento tecnológico e de inovação nos produtos nacionais. "As empresas produzem inovação, principalmente, em processos, para produzir de forma mais eficiente. Mas não investe para descobrir novas tecnologias, novos produtos, pois isso é muito arriscado e todo o dinheiro aplicado pode ser perdido se o negócio não der certo", explicou Nicolsky. Esse é o problema".
Túnel
Para Carlos Arruda, coordenador do Núcleo de Inovação da Fundação Dom Cabral, de fato, o cenário atual é ruim, mas há luz no fim do túnel. "Vivemos um momento interessante. Cresce a consciência geral da importância da inovação, tanto por parte do governo, quanto da iniciativa privada". Ele contou que em 2001 a Fundação Dom Cabral fez uma enquete com 120 executivos de grandes empresas e um dos temas destacados como relevantes para o futuro foi justamente inovação. "Naquele momento, a inovação era apenas uma intenção estratégica", disse ele.
Estrutura Em 2004, a pesquisa foi repetida, agora entrevistando 15 mil executivos. Resultado: 96% declararam que a inovação era muito importante, mas apenas 10% das empresas tinham um processo estruturado para trabalhar a inovação. Em 2009, nova rodada e outros 15 mil entrevistados. "Ao todo, 100% têm a percepção de que a inovação é algo muito importante, tanto por gestores públicos quanto privados. E 25% das empresas já estão com processos estruturados para trabalhar a inovação", contou Arruda.
A Fundação Dom Cabral quis entender o que os empresários entendiam por inovação e fez nova pesquisa. "O resultado é que os empresários encaram a inovação como um instrumento de sustentação ao atual desempenho da empresa. Mas a inovação também pressupõe lidar com incertezas, tecnologias e mercados que a organização não domina, ingressando em uma zona de risco e de até perdas financeiras", explicou Arruda. Com o crescimento da economia brasileira, e do próprio mercado consumidor com a inclusão de uma massa de pessoas via incremento de renda, as empresas estão apostando em fazer mais do mesmo, buscando melhorar seus processos. "Elas apostam em melhoria de produtividade. Mas não investem para descobrir novos produtos, apostando no futuro. E é aí que está o risco", disse Arruda. A saída, segundo ele, está em as empresas assumirem um pequeno risco para desenvolver novas tecnologias e novos produtos. "Ainda temos tempo, mas podemos ficar estrangulados. O Brasil precisa de mais capital de risco."
Empresas Algumas lideranças empresariais já estão percebendo o problema. Por isso mesmo, a Confederação Nacional da Indústria (CNI) lançou em 2008 a Mobilização Empresarial pela Inovação, para chamar a atenção para o tema. "Aqui no Brasil, diferentemente da Coreia do Sul e de Taiwan, o nosso modelo de industrialização foi via substituição de importações e não criamos a cultura da inovação", lembrou Rafael Lucchesi, diretor de Operações da CNI. "Além disso, temos um problema sério na estrutura educacional do país, pois apenas 1% dos jovens brasileiros estão aptos a contribuir com esse processo de inovação. Afinal, de cada 100 graduados, pouco mais de 5% são engenheiros e outros 5% são cientistas. Como apenas 10% dos jovens chegam à universidade, há uma deficiência na formação de mão de obra."
Daí a importância da mobilização. "Estamos atuando para mitigar a insegurança jurídica e incentivando o aperfeiçoamento da legislação. Também buscamos junto à sociedade e ao governo melhorar a formação da mão de obra, especialmente de engenheiro. Basta ver que de cada 100 graduados, 5 se formam engenheiros no Brasil, enquanto na China são 40. E incentivamos a aproximação entre universidades e empresas para obtermos resultados com maior eficiência", disse Lucchesi. E conclui: "O desafio da inovação tem que estar no centro das estratégias empresariais".
1 - Escala
Commodities são produtos fabricados em larga escala, comercializados em nível mundial e que têm seus preços referenciados internacionalmente. São mercadorias de origem primária, chamadas também de matérias-primas. Podem ser agrícolas, como soja e açúcar; minerais, como o petróleo; ou ainda metálicas, como ouro. As oscilações de preços de cada commodity podem ser determinantes para um país. O comércio exterior é sensível à valorizações e quedas desses itens. (Correio Braziliense – 02/03/10) Importações afetam balança As importações estão crescendo numa velocidade quase duas vezes superior à das exportações, o que vem prejudicando os números do comércio exterior brasileiro. Em fevereiro, os embarques de produtos nacionais para outros países somaram US$ 12,197 bilhões, com crescimento da média diária de 27,2% em relação ao mesmo mês em 2009. Enquanto isso, os desembarques de mercadorias estrangeiras foram de US$ 11,803 bilhões, num aumento de 50,8%. Essa desproporção fez minguar o superavit comercial do mês, que foi de apenas US$ 394 milhões, o pior para meses de fevereiro desde os US$ 265 milhões obtidos em 2002. O governo conta com o início das vendas de itens agrícolas para reverter a situação.
"Tanto as exportações como as importações tiveram médias diárias de vendas recordes para meses de fevereiro, o que mostra uma reação bastante notável no comércio exterior. Isso está ligado à forte recuperação econômica. As empresas voltaram a exportar, diante da retomada gradual dos mercados externos, o que também aumentou as importações de matérias-primas para a produção industrial interna", explicou ontem o secretário de Comércio Exterior, Welber Barral. Ele admitiu que o resultado da balança poderia ter sido deficitário no mês, mas afastou essa possibilidade no fechamento do ano, mesmo que algumas empresas deixem de exportar para apostar no aquecido mercado interno.
A partir de meados de março até o fim de agosto, os produtos agrícolas retornam à pauta de vendas, o que deve melhorar bastante o desempenho das vendas e do próprio resultado comercial anual. O governo não tem meta de superavit, apenas se comprometeu com um objetivo de exportações no valor de US$ 168 bilhões. Barral reconheceu que o crescimento do volume vendido e comprado se deve, em parte, à base deprimida de comparação do ano passado, quando o mundo estava na fase mais aguda da crise internacional. Mas garantiu que a situação das exportações agora é melhor do que a dos anos anteriores: 2006 (12,9%), 2007 (15,5%) e 2008 (19,7%) — em 2009, a queda foi de 20,9%.
A realidade é um pouco diferente nas importações, cuja taxa de crescimento superou a de fevereiro de 2006 (19,9%), de 2007 (21,1%) e de 2009 (-30,9%), mas ainda não voltou ao nível de 2008 (56,6%). No acumulado no bimestre, as vendas somam US$ 23,502 bilhões e as compras, US$ 23,274 bilhões, com o saldo positivo em apenas US$ 228 milhões. O volume exportado de produtos básicos subiu 28,6%, o de semimanufaturados, 21,6%, e o de manufaturados, 20,6%. Nas importações, os bens de capital (equipamentos para investimento) cresceram 17,2%, matérias-primas, 34% e bens de consumo duráveis ,65,2%.
Mercados No mês, os principais destaques nas vendas foram petróleo (136,1%), influenciado pelo aumento do preço internacional em 126,8%, laminados planos (91,4%), e automóveis (90,1%). "As exportações de veículos estão crescendo, mas ainda ficam longe de recuperar os números que já tiveram", disse Barral. No bimestre, a expansão dos embarques se deu mais para os países emergentes, como Argentina (63,5%), China (43,1%),além do Oriente Médio (56,2%) e da Europa Oriental (50%). Apesar disso, os Estados Unidos, com alta de 20,2%, mantiveram o primeiro lugar no ranking de destinos tomado da China em janeiro. Os norte-americanos responderam por 11,5% da pauta, enquanto os chineses ficaram com 9,9%.
"A tendência é que haja uma nova reversão quando os embarques de produtos agrícolas forem retomados com toda a força para a China", previu o secretário. O destaque nas importações foram os automóveis (116,5%), vindos principalmente da Argentina, da Coreia do Sul e do México, aparelhos para uso doméstico (163,8%) e insumos minerais (114,6%). Embora tenham enfrentado uma queda de 2,9% nas vendas de seus produtos para o Brasil, os EUA continuam como o principal país fornecedor, recebendo US$ 3,6 bilhões no bimestre, seguidos por China (US$ 3,2 bilhões) e Argentina (US$ 1,9 bilhão).(Correio Braziliense – 02/03/10) Importações crescem em fevereiro e saldo comercial é o menor em 8 anos A forte demanda doméstica, o real valorizado frente ao dólar e o aquecimento da atividade industrial fizeram com que as importações aumentassem 50,8% em fevereiro, ante o mesmo mês de 2009. A consequência foi um superávit de US$ 394 milhões, o menor para o período desde fevereiro de 2002, quando foi registrado saldo positivo de US$ 265 milhões. Por outro lado, com a recuperação das economias de mercados compradores de produtos brasileiros, as exportações reagiram e cresceram 27,2%. Com isso, em termos de médias diárias, tanto as vendas como as compras externas bateram recordes históricos para meses de fevereiro.
Em fevereiro, as exportações somaram US$ 12,197 bilhões, com média diária de US$ 677,6 milhões. As importações atingiram US$ 11,803 bilhões, e a média diária importada ficou em US$ 655,7 milhões. No ano, há um saldo comercial positivo acumulado de US$ 228 milhões, montante bem inferior ao apurado no primeiro bimestre de 2009, quando havia um superávit de US$ 1,232 bilhão.
O mercado interno muito aquecido gera o aumento das importações — disse o secretário de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Welber Barral. — Mas não acredito em déficits comerciais este ano, tendo em vista que as exportações de produtos básicos, como os do complexo soja, começam em março e continuam fortes até agosto.
Importação de automóveis reflete aumento de renda Nas importações, chamam a atenção elevações de 116,5% nas compras de automóveis e de 163% em aparelhos de uso doméstico, como eletrodomésticos e eletroeletrônicos. Segundo o vice-presidente da Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB), José Augusto de Castro, isso reflete o aumento da renda da população e, portanto, do consumo das famílias. Para Castro, essa expansão é motivada, além do câmbio favorável, pelos reajustes no salário mínimo, no Bolsa Família e no vale-refeição dos funcionários públicos.
Isso gerou uma enxurrada de dinheiro no mercado interno — afirmou Castro.
Como reflexo da retomada da atividade industrial, houve aumentos significativos nos gastos no exterior com matériasprimas e bens de capital de, respectivamente, 50,9% e 50,1%. As importações de combustíveis e lubrificantes cresceram 92,7%, em razão da alta de 126,8% da cotação do petróleo no mercado internacional.
Ao mesmo tempo, as exportações reagiram muito bem, graças à recuperação das encomendas, o que garantiu números robustos para as vendas externas — destacou o vice-presidente da AEB.
O secretário de Comércio Exterior reconheceu que a base de comparação, quando se leva em conta fevereiro do ano passado, é bastante baixa, pois na época se vivia a fase mais aguda da crise mundial. No entanto, ele enfatizou que, em relação a janeiro deste ano, houve recuperação das vendas brasileiras para quase todos os mercados.
Por média diária, as exportações para a Ásia aumentaram 50,7%; para a União Europeia, 40,3%; para a América Latina, 79,6% — sendo 50,5% para a Argentina; para a África, 106%; para o Oriente Médio, 50,8%; e, para a Europa Oriental, 125,7%.
Frente a fevereiro de 2009, só não houve crescimento das exportações para a África, para onde foi registrada uma queda de 3,1%. Desde janeiro deste ano, os EUA voltaram a liderar a pauta tanto de mercados compradores de produtos brasileiros, como de fornecedores para o Brasil, tirando da China o primeiro lugar.
A corrente de comércio (soma de exportações com importações) entre Brasil e EUA foi de US$ 3,008 bilhões no mês passado. (O Globo – 02/03/10) Saldo comercial cai 82% no 1º bimestre Governo espera mais vendas nos próximos meses, com embarque de commodities; crescimento do país explica descompasso na balança
Apesar do desempenho recorde da média diária das exportações para o segundo mês do ano, o crescimento das importações em fevereiro para um patamar também inédito para o período derrubou o saldo comercial brasileiro. O resultado, US$ 394 milhões, é o mais baixo para o mês desde 2002, quando o comércio do país com o exterior registrou superavit de US$ 265 milhões.
Com o saldo negativo de janeiro em US$ 166 milhões, o primeiro bimestre de 2010 registrou um superavit (US$ 228 milhões) 81,5% inferior ao do início de 2009. Diante desse cenário, o mercado já prevê um resultado em torno de US$ 10 bilhões neste ano, bem inferior aos US$ 25,3 bilhões de 2009.
A recuperação de mercados internacionais, principalmente países emergentes, ajudou a elevar as exportações brasileiras no mês, para US$ 12,197 bilhões -alta de 27,2% ante fevereiro de 2009, quando a crise ainda causava maiores impactos sobre o comércio mundial.
No entanto, o ritmo de crescimento da economia brasileira nos últimos meses, aliado ao câmbio favorável, deu um impulso de 50,8% às importações na mesma comparação, para US$ 11,803 bilhões em fevereiro deste ano. Segundo o secretário de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Welber Barral, o menor saldo comercial já era esperado.
São dois fenômenos interligados. Na medida em que o país exporta mais, precisa importar mais insumos para a produção industrial. Além disso, com o mercado doméstico aquecido, há aumento nas compras para suprir o que não se fabrica no país, afirma.
Embora a base de comparação seja baixa, ele destacou o crescimento das vendas em relação a 2009, sobretudo para a Argentina, cujo aumento nas compras de produtos brasileiros foi de 66,1%, movimento liderado pela cadeia automotiva.
Além disso, disse Barral, o volume de exportações normalmente decola a partir de abril, quando os embarques de commodities, como a soja, intensificam-se. O superavit pode ser maior nos próximos meses. Provavelmente não teremos deficit no ano, afirmou.
Para o economista do Itaú-Unibanco Darwin Salles Dib, o descompasso na balança é normal porque as importações tendem a reagir mais rápido ao crescimento doméstico do que as exportações em relação à recuperação externa. O Brasil se expande mais rápido que o resto do mundo. Mesmo se crescesse na mesma taxa, haveria saldo menor neste ano.
Deficit não preocupa já
Apesar da estimativa do banco para um superavit de apenas US$ 2 bilhões em 2010, Dib afirma que um eventual deficit nas transações correntes de até 3% do PIB (soma de bens e serviços produzidos no país) neste ano ainda não deve causar preocupação. O importante é que essa necessidade de financiamento externo seja preenchida por investimentos.
Na opinião de Daniela Prates, professora do Instituto de Economia da Unicamp, ainda que a conta de transações do Brasil com o exterior não revele riscos no curto prazo, o acúmulo de deficit ao longo dos anos pode levar o país a uma situação insustentável.
Muitos fabricantes têm optado por deixar de competir no acirrado mercado estrangeiro para focar as vendas no mercado doméstico. O problema é que esses exportadores podem desaparecer nos próximos anos, por não conseguirem recuperar espaço fora do país, gerando ainda mais desequilíbrios nessa conta. (Folha de S. Paulo – 02/03/10) Consultoria de Roubini faz alerta sobre déficit brasileiro O déficit em conta corrente do Brasil vai dobrar em 2010, deixando o País muito mais vulnerável às condições de financiamento externo. Essa é a previsão da consultoria Roubini Global Economics (RGE), do economista Nouriel Roubini, um dos poucos que previram a crise financeira mundial.
Bertrand Delgado, economista da RGE responsável pela América Latina, prevê que o déficit vai passar do 1,55% atual para 3,1% do Produto Interno Bruto (PIB) no fim deste ano. Não teremos risco de problema de balanço de pagamentos, mas a economia brasileira vai ficar muito mais sensível às condições de financiamento externo e ao apetite por risco global, disse ele ao Estado, em teleconferência com investidores.
O déficit em conta corrente vai se ampliar porque a demanda doméstica vai se recuperar bem mais rápido do que a externa e, por isso, haverá maior crescimento das importações do que das exportações. Segundo a RGE, o Brasil vai crescer 5,3% em 2010, bem acima de seu potencial, estimado em 3,5% a 4%. O crescimento será estimulado pela política macroeconômica frouxa do ano eleitoral.
Segundo Delgado, o investimento estrangeiro direto (IED) não será suficiente para financiar o déficit em conta corrente e o País dependerá de investimentos externos. Estamos preocupados com essa situação porque ela expõe o País às condições externas de financiamento mais do que o Brasil deveria ser exposto.
A RGE estima que o real esteja sobrevalorizado em 30% e deverá fechar o ano cotado em cerca de R$ 1,75 por dólar. Não mais acreditamos que vá se valorizar e chegar a R$ 1,65 ou US$ 1,60.
As economias da América Latina continuarão crescendo muito mais do que os países avançados, o que deve manter o fluxo de investimentos para essas nações. A América Latina deve crescer4,3%, ainda abaixo de tendências históricas, mas bem melhor do que nos últimos anos (a Ásia, excluído o Japão, vai crescer 7,7%).
Já as economias avançadas vão crescer 1,8%, após encolherem 3,5% em 2009. O crescimento será tímido porque o mercado de trabalho ainda não se recuperou.
Os grandes receptores de fluxos de capital direto e em carteira serão os países com maior diferencial de crescimento e fundamentos macroeconômicos sólidos ? Brasil, México, Colômbia, Peru e Chile. Argentina e Venezuela são as exceções na região, diz a consultoria. (O Estado de S. Paulo – 02/03/10) EUA cobram abertura no comércio Em seu relatório de política comercial divulgado ontem, o governo americano deixou claro que a prioridade da Casa Branca é a geração de empregos, a exportação e a recuperação de seu mercado interno. O relatório reafirma o objetivo do presidente Barack Obama de dobrar as exportações americanas nos próximos cinco anos para gerar 2 milhões de empregos e cria uma série de agências de promoção à exportação.
Com a crise econômica, os EUA estão concentrados na recuperação de sua economia, estão muito mais focados para dentro do que em concessões, diz Adriana Dantas, advogada especialista em comércio internacional do King & Spalding.
No relatório, que é entregue todo ano ao Congresso e delineia os objetivos da política comercial, os EUA se dizem comprometidos com o avanço da Rodada Doha, mas afirmam que a negociação depende essencialmente da maior abertura dos mercados dos grandes países emergentes. (O avanço) depende de as economias em desenvolvimento avançadas aceitarem responsabilidade proporcional a sua influência econômica crescente, diz o texto. O contexto da Rodada Doha é claro: os EUA são o país de mercado mais aberto do mundo.
A ambiguidade dos EUA em relação à negociação comercial fica clara ao se considerar que os EUA ainda não têm um embaixador oficial para a OMC (o indicado, Michael Punke, ainda não foi confirmado pelo Congresso) e Obama não obteve e nem pediu o Trade Promotion Authority, mecanismo que permite ao Executivo negociar acordos comerciais.
No relatório, os EUA voltam a dizer que suas concessões na negociação da rodada são claras e quantificáveis, enquanto a abertura nos grandes mercados emergentes, e consequente ganho dos EUA, é difícil de prever, por causa da grande flexibilidade concedida a essas nações. Para progredir, é essencial que tenhamos mais clareza sobre o nível de contribuições dos mercados em desenvolvimento avançados... Em Doha, os EUA serão agressivos na cobrança de novos compromissos de países como China e Brasil, diz Adriana.
Já em relação ao caso do algodão - a OMC determinou que os subsídios americanos à cultura eram ilegais e autorizou o Brasil a retaliar os EUA - o relatório limita-se a narrar a cronologia do ocorrido. O Escritório do Representante do Comércio dos EUA (USTR, na sigla em inglês) não diz se vai adotar alguma modificação, quando, nem julga o mérito do caso.
O USTR cita pela primeira vez o acordo-quadro de investimentos e comércio negociado entre Brasil e Estados Unidos desde dezembro, quando o representante de Comércio Ron Kirk se reuniu com o chanceler Celso Amorim em Brasília.
Após dizer que Brasil, China, Índia e Rússia serão prioridade para a agenda comercial dos EUA, o relatório afirma: Podemos avançar com um mecanismo bilateral mais forte, e em 2010 vamos explorar opções para a criação de uma estrutura de diálogo comercial entre EUA e Brasil. O acordo seria como um foro bilateral para resolver atritos e identificar oportunidades comerciais. Mas seria bem menos ambicioso do que o tratado de investimentos que os EUA mantêm com o Uruguai, por exemplo.
Também fica claro que sindicalistas e ambientalistas, com lobbies influentes no governo democrata, continuam com voz ativa na política comercial. O relatório diz que o governo está comprometido com o avanço dos três acordos de livre comércio pendentes ? com Panamá, Colômbia e Coreia. Mas, sintomaticamente, não estabelece prazo para concluir as negociações. Também volta a ressaltar a importância das cláusulas trabalhistas e ambientais em todos os acordos negociados pelos EUA. (O Estado de S. Paulo – 02/03/10) Superávit comercial é de US$ 394 milhões A balança comercial registrou no mês passado superávit comercial de US$ 394 milhões, o menor valor desde 2002 para meses de fevereiro. O saldo é resultado da diferença entre exportações de US$ 12,197 bilhões e importações de US$ 11,803 bilhões. O pequeno superávit comercial é fruto do aquecimento da economia brasileira e do dólar barato, que impulsionam as compras de produtos importados.
O que mudou este mês, em relação às expectativas que tínhamos no início do ano, foi muito mais uma rápida recuperação das exportações porque as importações continuam aumentando num ritmo relativamente previsível, afirmou o secretário de comércio exterior do Ministério do Desenvolvimento, Welber Barral. Segundo ele, a demanda dos mercados compradores por produtos brasileiros, sobretudo dos países emergentes, já mostra sinais de melhora após a crise global. O governo não esperava esta reação rápida.
A média diária das exportações em fevereiro foi de US$ 677,6 milhões e das importações, US$ 655,7 milhões, recordes para meses de fevereiro. No acumulado do primeiro bimestre, as vendas externas somam US$ 23,5 bilhões e as importações, US$ 23,27 bilhões. O superávit no período foi de US$ 228 milhões, 81,5% menor que no primeiro bimestre de 2009 (US$ 1,23 bilhão).
Barral espera que o início do embarque da safra agrícola a partir da segunda quinzena de março ajude a reforçar os números das exportações e, em consequência, aumente o superávit comercial nos próximos meses. Ele não acredita em um déficit em 2010. Os preços estão favoráveis e ainda há muita capacidade de recuperação dos principais mercados consumidores, justificou.
Em fevereiro, as exportações de produtos básicos cresceram 36,3% em relação ao mesmo período de 2009, com destaque para minério de cobre e petróleo. Do lado das importações, os bens de consumo (54,3%) e combustíveis e lubrificantes (92,8%) foram os que registraram as maiores altas em relação a fevereiro do ano passado. (O Estado de S. Paulo – 02/03/10) Governo debate medidas de estímulo às exportações e espera contribuições O governo espera receber amanhã novas contribuições do setor privado para as medidas de estímulo aos exportadores que estão em estudo. Segundo o secretário de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Welber Barral, o assunto deve ser discutido na reunião do Grupo de Acompanhamento do Crescimento (GAC), formado por empresários de vários setores, na quarta-feira.
São várias medidas tecnicamente complexas, disse Barral. Segundo ele, entre as propostas em estudo há questões cambiais, em análise pelo Banco Central, além de medidas de simplificação de comércio.
Na semana passada, representantes do setor automotivo (Anfavea) se queixaram ao Ministério da Fazenda da queda de 40% nas suas exportações em 2009 e pedir medidas que ajudem na recuperação. Apesar do bom momento no mercado interno, as exportações de veículos sofrem com a retração do mercado mundial, além do câmbio valorizado, que diminui a rentabilidade das vendas.
Os empresários tentam influenciar as discussões do pacote de estímulo às exportações, previsto para sair em março. Entre as propostas em estudo está a devolução mais rápida de créditos tributários para os exportadores. Conforme antecipou a Agência Estado, para não onerar demais os cofres púbicos, a medida pode ser implementada apenas para alguns segmentos exportadores ou por porte da empresa.
O governo também discute meios de baratear e facilitar o crédito para exportadores. O Ministério da Fazenda e o BNDES tentam concluir a proposta de criação de um banco de fomento às exportações, como o Eximbank americano.
Fazenda e Desenvolvimento ainda divergem sobre algumas medidas, mas uma fonte da Fazenda disse que o debate avançou nos últimos dias. (O Estado de S. Paulo – 02/03/10) Apesar de recorde de exportação no mês, saldo de fevereiro é o menor desde 2002 O crescimento superior a 50% nas importações brasileiras, especialmente de insumos para a indústria e de bens de consumo duráveis como automóveis, garantiu em fevereiro um recorde em compras no exterior para o mês, e baixou o saldo comercial para o nível mais baixo desde 2002. Resultado do aquecimento no mercado interno, do mau desempenho econômico nos paises desenvolvidos e da valorização do real em relação ao dólar, o aumento nas média diária das importações chegou a quase 164% para utensílios domésticos e 116% para automóveis. Na média, as importações de bens de consumo duráveis cresceram 82%.
O saldo positivo no Comércio Exterior, de US$ 394 milhões (US$ 228 milhões, no bimestre) só foi obtido porque as exportações, em fevereiro, tiveram crescimento também recorde para o mês, surpreendendo analistas. As vendas ao exterior foram puxadas pelas vendas de automóveis, partes e peças, mas também de commodities ou semicomodities, como açúcar em bruto, celulose, ferro-ligas, laminados planos, alumínio e carnes.
O resultado das exportações foi muito bom, a média diária ficou até acima da registrada no segundo semestre de 2009, comentou o vice-presidente da Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB), José Augusto de Castro. Embora o fraco desempenho das exportações em fevereiro de 2009 faça com que os aumentos neste ano pareçam maiores, devido à pequena base de comparação, os indicadores do mês passado mostram que os valores médios diários do Comércio Exterior brasileiro recuperaram os patamares do início de 2008, disse o secretário de Comércio Exterior, Welber Barral.
A entrada da safra agrícola, especialmente a safra de soja, que será colhida em volume recorde e preços favoráveis, deverá ampliar a diferença entre exportações e importações, garantindo saldo positivo nos próximos meses, acredita Barral. A recuperação dos principais mercados do Brasil para automóveis, como a Argentina e México, tiveram parte importante nos resultados notáveis de fevereiro, avaliou o secretário. A retomada do crescimento na América Latina também beneficiou outros industrializados, como aços laminados planos, que cresceram 91% em valor (165% em toneladas).
A competição internacional está mais acirrada, mas o Brasil está conseguindo recuperar mercado, disse Barral, que concorda que o desempenho exportador em fevereiro foi surpreendente. As importações já vinham subindo, estava previsto, o que que mudou foi a rápida recuperação das exportações.
O resultado foi considerado ruim, porém, por economistas do Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (Iedi), que consideraram o aumento de 15% na venda de produtos manufaturados muito inferior ao aumento nas exportações de produtos básicos (como carnes e minério de cobre) e semimanufaturados (principalmente açúcar, óleo de soja e ferro-ligas), que superou 36% . Enquanto, nos dados de janeiro, ainda pairavam dúvidas sobre o dinamismo das exportações de manufaturados, os resultados de fevereiro mostram, sem sombra de dúvida, desempenho desfavorável, conclui nota divulgada pelo Iedi.
O desempenho das importações preocupa empresários de setores mais afetados pela concorrência, como o de têxteis, que reivindica do governo maior agilidade nas investigações sobre concorrência desleal. Estamos plantando um problema sério para o futuro. Com moeda forte, legislação complicada e infraestrutura precária, vamos comprometer o setor exportador, diz o secretário-executivo da Associação Brasileira da Indústria Têxtil, Fernando Pimentel.
Pimentel comenta que está crescendo o déficit do setor têxtil, que, em janeiro do ano passado, importou cerca de US$ 2,2 bilhões a mais do que exportou, e, em janeiro deste ano, elevou o saldo negativo para US$ 3,1 bilhões. Os exportadores estão buscando nichos, mas reduzindo o volume vendido ao exterior, diz. Em 2003, exportamos 22 mil toneladas, ao preço médio de US$ 13,50 o quilo. No ano passado, chegamos a US$ 35 o quilo, mas vendemos menos de 5 mil toneladas.
Algumas empresas passaram a importar produtos que faziam no Brasil, explica o presidente da Associação Brasileira da Indústria Eletroeletrônica (Abinee), Humberto Barbato, que teme também pelo mercado externo. No ano que vem, mercados nossos como Argentina e Venezuela passarão a produzir localmente aparelhos de celular, prevê. Ele teme os feitos da MP 472, em tramitação no Congresso brasileiro, que retira o IPI para eletrônicos importados pelo setor petrolífero. Estão retirando o diferencial que dá vantagem à produção nacional sobre o importado. (Valor Econômico – 02/03/10) Brasil tem superávit comercial de US$394 mi em fevereiro SÃO PAULO, 1o de março - A balança comercial brasileira registrou superávit de 394 milhões de dólares em fevereiro, depois de registrar um déficit de 166 milhões de dólares em janeiro, informou o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior nesta segunda-feira.
O dado ficou abaixo do saldo positivo de fevereiro de 2009, de 1,761 bilhão de dólares.
Projeções da Reuters apontavam superávit de 1,01 bilhão de dólares.
Em fevereiro deste ano, as exportações totalizaram 12,197 bilhões de dólares (com média por dia útil de 677,6 milhões de dólares) e as importações somaram 11,803 bilhões de dólares (655,7 milhões de dólares).
No bimestre, a balança acumulou superávit de 228 milhões de dólares, com vendas externas de 23,502 bilhões de dólares e importações de 23,274 bilhões de dólares.(Reuters – 01/03/10) Produção industrial da Ásia cresce; atividade chinesa desacelera PEQUIM, 1o de março - A atividade industrial nas principais economias da Ásia cresceu no mês passado, com a Índia e a Coreia do Sul se expandindo no maior ritmo em dois anos, apesar de alguns sinais de enfraquecimento na China.
Duas pesquisas com gerentes de compras mostraram que a velocidade de crescimento do setor manufatureiro da economia chinesa, a terceira maior do mundo, desacelerou ligeiramente em fevereiro, mas economistas dizem que a tendência de recuperação continua intacta.
"Os formuladores de políticas econômicas estão incertos sobre os dados da atividade chinesa no momento", disse Brian Jackson, estrategista do Royal Bank of Canada em Hong Kong, acrescentando que o feriado do Ano Novo chinês complicou a interpretação dos dados.
"Então seria prematuro concluir que a queda de hoje nos números da produção industrial mostra uma redução maior na força da recuperação da China."
O índice manufatureiro chinês, feito pela Federação de Logística para a agência de estatísticas do país, caiu para 52 em fevereiro, abaixo da mediana das previsões de 55,45 de analistas consultados pela Reuters, ante 55,8 em janeiro.
Outra pesquisa, realizada pelo grupo Markit para o HSBC, mostrou o índice caindo para 55,8, do nível recorde de 57,4 em janeiro.
CRESCEM AS PRESSÕES INFLACIONÁRIAS
O índice de atividade industrial da Índia subiu para 58,5 em fevereiro, a leitura mais forte desde junho de 2008, de 57,7 em janeiro, impulsionado pela expansão da produção e das novas encomendas.
"Em 58,5, o índice é consistente com os atuais ganhos de dois dígitos da produção industrial, que, por sua vez, deveM significar que a capacidade ociosa está sendo reduzida rapidamente", disse Robert Prior-Wandesforde, economista sênior para a Ásia do HSBC.
Sinais de restrições do lado da oferta nos mercados de trabalho e de produtos também estão emergindo, o que apoia mais aperto monetário no mês que vem.
"Na nossa opinião, está na hora de começar a retirar os estímulos monetários, e nós ficaríamos muito surpresos se o banco central da Índia não elevar as taxas de juros na reunião de 20 de abril", disse Prior-Wandesforde.
As pressões inflacionárias também estão crescendo na Coreia do Sul, cujo índice manufatureiro subiu para o maior nível desde dezembro de 2007. O componente de preços de matérias-primas subiram pelo terceiro mês seguido e o de preços de produção avançou para 51,8.(Reuters – 01/03/10) Mercado eleva previsões de inflação em 2010 e 2011 SÃO PAULO - O mercado elevou as projeções para inflação ao consumidor neste ano e no próximo, colocado ambas acima do centro da meta perseguida pelo governo, mostrou o relatório Focus nesta segunda-feira.
O cenário para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor (IPCA) deste ano foi revisto para alta de 4,91 por cento, ante 4,86 por cento na semana anterior. A estimativa para a inflação no ano que vem subiu para 4,53 por cento, contra 4,5 por cento antes.
A meta de inflação perseguida pelo governo para os dois anos é de 4,5 por cento, com tolerância de 2 pontos percentuais para cima ou para baixo.
A projeção do mercado para o Produto Interno Bruto (PIB) deste ano foi mantido em expansão de 5,50 por cento, enquanto para o do ano que vem permaneceu em 4,5 por cento.
Para a Selic no fim de 2010, o prognóstico foi mantido em 11,25 por cento, enquanto para 2011 subiu de 11 para 11,25 por cento.(Reuters – 01/03/10) Depois da crise, impostos sobre os ricos NOS PAÍSES ricos -nos EUA, na União Europeia, no Japão-, a recuperação depois da crise financeira global de 2008 é lenta e insuficiente. O desemprego continua crescendo e já está em torno de 10% da população economicamente ativa. Apenas as Bolsas se recuperaram; mas isso não decorreu da melhoria da economia real, e sim do fato que os bancos centrais baixaram os juros e inundaram seus países de liquidez.
Dessa forma, essa recuperação é antes causa de preocupação do que de alegria, porque indica novas bolhas especulativas.
A causa desse mau desempenho está no lado da demanda. As empresas desempregam porque não têm para quem vender. Internamente não há fonte de demanda porque as famílias e as empresas estão pagando suas dívidas para recuperar sua solvência. No plano externo, também não há demanda entre os países ricos, porque aqueles que se endividaram (EUA, Espanha e Irlanda, principalmente) precisam pôr em ordem suas contas.
Diante da crise, a solução adotada por todos os países foi uma política fiscal expansionista que evitou o caos econômico. Mas os gastos fiscais não lograram promover uma recuperação sustentada das economias por duas razões: primeiro porque uma parte desse gasto se traduziu em isenção de impostos para os ricos -um tipo de política com baixo efeito multiplicador; segundo porque mesmo os gastos em investimentos não sinalizaram para os investidores privados perspectiva de crescimento sustentado da demanda, mas apenas aumento once and for all da demanda.
Que fazer alternativamente? Economistas como Martin Wolf pedem que os países de renda média aumentem suas importações, mas isso já está acontecendo. Como esses países foram menos atingidos pela crise exatamente porque estavam menos endividados, eles já voltaram a crescer de maneira satisfatória e, em consequência, voltaram a aumentar suas importações. O desempenho relativamente bom do Japão no último trimestre, por exemplo, deveu-se principalmente às importações da China.
Não resta, portanto, alternativa para os países ricos senão manter provisoriamente a política fiscal expansionista, até porque ela está sob seu controle. Mas essa política que envolveu deficit públicos perto de 10% do PIB não pode ser simplesmente continuada. A dívida pública dos países ricos tornou-se altíssima: a do Japão já alcança 226% do PIB, a dos EUA, 99,8%, a da França, 92,5%.
Que fazer então? Uma alternativa é financiar o aumento dos gastos do Estado que tenham efeitos multiplicadores criando demanda e emprego e financiá-los com impostos adicionais e progressivos sobre os ricos -sobre aqueles cuja propensão marginal a consumir é relativamente baixa. Dessa forma, o aumento da poupança privada não neutralizará a expansão do gasto público.
Quando escrevi a primeira versão deste artigo, na semana passada, pensei que estava propondo algo arrojado. Mas descobri em seguida que estava descobrindo a América pela segunda vez... Não obstante estar em campanha eleitoral, o governo britânico de Gordon Brown já promoveu o aumento do Imposto de Renda progressivo marginal de 40% para 50%. Mais cedo ou mais tarde essa política terá que ser considerada pelos demais países ricos. Nos 30 Anos Gloriosos do Capitalismo (1949-1978), o Imposto de Renda marginal chegou a alcançar 90%. Foi reduzido nos 30 Anos Neoliberais do Capitalismo. Voltará, agora, a ser elevado não apenas por uma questão de justiça mas também de lógica econômica. (Folha de S. Paulo – 01/03/10) Exportações mais seguras O Conselho de Ministros da Câmara de Comércio Exterior (Camex) aprovou, em dezembro passado, proposta de adesão pelo Brasil à Convenção de Viena sobre Contratos de Compra e Venda Internacional de Mercadorias. A proposta deve agora ser encaminhada ao Congresso Nacional.
Firmada no âmbito da Organização das Nações Unidas (ONU), em 1980, a Convenção de Viena tem por objetivo promover a segurança jurídica e a previsibilidade das relações comerciais entre as empresas estabelecidas em diferentes países. Trata-se de harmonização de procedimentos que auxilia a remover obstáculos jurídicos, facilita a solução de conflitos na área dos contratos e reduz os custos de transação no comércio internacional, principalmente, para as pequenas e médias empresas.
A padronização dos procedimentos aplicáveis é uma forma de estimular o intercâmbio comercial entre os países e tem despertado grande interesse por parte dos envolvidos na atividade negocial. Para alguns estudiosos do assunto, a existência de diferentes sistemas jurídicos nacionais potencialmente aplicáveis a um determinado contrato internacional pode ser considerada barreira não tarifária e deveria ser eliminada no bojo de um mercado global.
Atualmente, a Convenção conta com a participação de 74 Estados-partes que, além de responderem por mais de 90% do comércio mundial, incluem alguns dos principais parceiros comerciais do Brasil. Em termos de fluxo comercial, segundo os dados estatísticos de 2009, 75% do Comércio Exterior brasileiro foi realizado com países signatários da Convenção.
No ano passado, cerca de 40% das exportações brasileiras foram direcionadas à China, EUA, Argentina, Países Baixos, Alemanha - todos Estados-partes da Convenção. Quase metade das importações brasileiras (49,1%) foram provenientes dos EUA, China, Argentina e Japão, sendo esse último país também signatário da Convenção. Os demais países do Mercosul, inclusive a Venezuela, já são signatários, o que reforça a importância que a Convenção tem para o Brasil.
As normas da Convenção de Viena são aplicadas aos contratos internacionais de compra e venda de mercadorias, entendidos como aqueles em que as partes contratantes estejam estabelecidas em países diferentes, ou cuja obrigação deva ser cumprida em jurisdição diversa daquela na qual o contrato foi firmado. Para os contratos nacionais, não há alteração, o que significa dizer que o direito aplicável continua sendo, no caso brasileiro, a legislação civil interna.
Um dos grandes méritos desse Tratado é a consolidação de todas as regras relativas ao contrato internacional. Disciplina desde a formação contratual entre presentes ou à distância, a exemplo da utilização dos meios de comunicação por via eletrônica, até a definição das obrigações às partes.
O princípio que rege a Convenção é o da preservação dos contratos. Por isso, a sua anulação somente deve ocorrer em situações extremas. A Convenção garante ainda, à parte lesada, e sem prejuízo do que prevê o direito interno de cada um dos Estados signatários, remédios contra o descumprimento do contrato, como a indenização por perdas e danos e a execução específica das prestações ajustadas.
Assim, após a adesão brasileira, a empresa nacional que exportar seus produtos, por exemplo, para a China, não precisará conhecer as obrigações contratuais previstas no sistema jurídico chinês para ter segurança na realização de seus negócios. Bastará conhecer as regras da Convenção, na versão oficial em português.
Para avaliar a conveniência da adesão brasileira, a Camex reuniu especialistas na matéria e organizou palestras visando identificar potenciais riscos e benefícios decorrentes da participação brasileira nesse Tratado. A partir de tais debates e análises, verificou-se que, na doutrina jurídica especializada em contratos internacionais, a opinião corrente é favorável à participação brasileira. Diversas entidades do setor privado também se manifestaram positivamente em relação à proposta de adesão.
O mesmo ocorre nos órgãos do governo que têm trabalhado para a adoção de melhores práticas de gestão no comércio internacional, como a simplificação, modernização e desburocratização de procedimentos. O entendimento geral é de que a aplicação da Convenção possibilita a redução dos custos jurídicos, pela certeza da regra aplicável aos contratos e pela maior facilidade na solução de eventuais conflitos decorrentes das transações comerciais. O aumento da segurança jurídica, por sua vez, conduz a uma maior diversificação de mercados de destino, ao aumento do volume de exportações e ao incremento da pauta brasileira com produtos de maior valor agregado.
A participação do Brasil nas exportações globais ainda está aquém do potencial de nossa economia. Aumentar a fatia de produtos brasileiros no mercado internacional é prioridade de governo e importante meta da Política de Desenvolvimento Produtivo. Por isso, medidas que tenham como objetivo ampliar o leque de mercados importadores, diversificar a pauta de exportações e incrementar a oferta de produtos de maior valor agregado, também serão estimuladas com a adesão do Brasil à referida Convenção.
A decisão do Conselho de Ministros da Camex abre a oportunidade para que a Convenção de Viena venha a ser incorporada ao ordenamento jurídico brasileiro. Os próximos passos dependerão do Poder Legislativo, a quem cabe a aprovação do texto legal da Convenção, permitindo assim a adesão brasileira a esse importante tratado internacional.(Valor Econômico – 01/03/10) BC prepara limpeza nas regras para câmbio Como parte do esforço para facilitar as exportações brasileiras e a competitividade do país, o Banco Central prepara uma revisão das regras para operações de câmbio, com base em consultas que o presidente do BC, Henrique Meirelles, vem fazendo entre empresários do setor. Meirelles afirma querer uma limpeza, das normas, ainda neste ano, para eliminar regras anacrônicas e simplificar os procedimentos necessários para ingressos e remessas de moeda estrangeira.
As mudanças planejadas pelo BC não devem constar ainda do pacote a ser anunciado em março, de apoio aos exportadores, com medidas para evitar acumulação de créditos tributários, desburocratização e facilidades ao financiamento. Os empresários sugeriram ao governo a revisão completa da lei que rege as operações cambiais, a 4131, de 1962, mas, no BC, é grande a resistência a mexer em lei tão antiga, pelo risco de mudanças indesejáveis durante a tramitação de eventual projeto no Congresso. O presidente do BC vem recolhendo sugestões de medidas que poderiam ser realizadas para facilitar as operações de câmbio. As consultas, segundo ele mesmo, estão ainda em estágio muito preliminar.
As medidas para redução dos créditos tributários recolhidos indevidamente pelos exportadores são as que podem ter maior efeito em curto prazo, na avaliação de participantes de conversas mantidas no governo e entre autoridades e empresários, nos últimos meses. O objetivo é conter a acumulação de créditos tributários criados com recolhimento de impostos nas etapas de produção de mercadorias para exportação. Os exportadores são isentos de impostos federais e estaduais, e a acumulação indevida de créditos, só de impostos federais, soma cerca de US$ 5 bilhões, segundo estimativas não confirmadas pelo governo.
O mecanismo pelo qual exportadores receberiam um crédito automático, calculado segundo o desempenho passado nas vendas ao exterior, é a proposta vista com mais simpatia no governo e tem concentrado as atenções nas reuniões com representantes dos exportadores. O crédito poderia ser repassado eletronicamente pelos exportadores a seus fornecedores, que poderiam usá-lo para abater imposto devido ou repassar aos próprios fornecedores, um degrau abaixo no processo de produção.
A discussão sobre o Eximbank é outra que entusiasma empresários e o Ministério do Desenvolvimento, mas sofre restrições por parte dos representantes da Fazenda, que discordam da ideia de juntar, em um só organismo, operações de financiamento, seguro de crédito e garantias de crédito. Mantega pediu detalhamento das experiências em outros países, para avaliar as propostas defendidas pelo setor privado, e o tema provavelmente será levado para decisão de Lula.
O pacote poderá, ainda, conter medidas específicas sugeridas por setores empresariais que ganharam simpatia entre autoridades, como a sugestão de exclusão das receitas de exportação para efeito de enquadramento no Simples. Com a exclusão, pequenas e médias empresas poderiam aumentar o faturamento com vendas ao exterior sem temer perder benefícios do Simples. A Receita, porém alega necessitar de tempo e de mudanças complexas nos programas do Serpro para adotar as medidas, o que dificultaria sua aplicação. (Valor Econômico – 01/03/10) Papo firme com o Tio Sam Diferenças à parte — e elas serão uma parte extensa e importante da agenda —, Brasil e Estados Unidos devem dar passos concretos em pelo menos duas direções durante a visita da secretária de Estado Hillary Clinton, que chega a Brasília nesta quarta-feira. Ela e o ministro Celso Amorim pretendem estabelecer um mecanismo de consultas regulares em nível de chanceleres, em base anual, com as reuniões se alternando entre os dois países. Trata-se de uma modalidade que traduz um patamar mais elevado de relações diplomáticas. E vai formalizar uma tendência que vem dos últimos anos do governo Bush, quando Amorim e Condoleezza Rice, antecessora de Hillary, passaram a conversar por telefone com maior frequência. Em pouco mais de um ano de governo Obama, o ritmo se intensificou e o cardápio se diversificou. Agora, inclui troca de impressões sobre o conflito do Oriente Médio, o impasse com o Irã, o combate às mudanças climáticas e outros temas de alcance global.
Dentro da "agenda positiva", Hillary e Amorim devem também prosseguir com as conversações sobre um acordo para favorecer investimentos e trocas. A ideia começou a ser trabalhada na visita do representante comercial dos EUA, Ron Kirk, no ano passado. Como sócio do Mercosul, o Brasil está impedido de fechar com os EUA um tratado bilateral de comércio, mas pode negociar facilidades de menor alcance.
Carne de pescoço Não faltarão à mesa das conversas da secretária, com o ministro e com o presidente Lula, temas sobre os quais Brasília e Washington andam divergindo pública e repetidamente. Começando pelo Irã, até porque Lula retribuirá em maio a visita do colega Mahmud Ahmadinejad. Fontes próximas ao chanceler Amorim garantem que "eles (os americanos) não têm falado nisso", mas ninguém duvida de que Hillary insistirá para que o Brasil apoie uma nova rodada de sanções contra o regime islâmico. Difícil será convencer o Itamaraty e o Planalto de que o melhor caminho é isolar Teerã. Por sinal, durante a viagem com o presidente ao México, o ministro conversou por telefone com o colega iraniano, Manouchehr Mottaki. Naturalmente, o lado brasileiro dará "o troco" cobrando mais ação dos EUA para destravar o processo de paz entre Israel e a Autoridade Palestina, que Lula visitará no mês que vem.
Em cima da hora A pouco menos de uma semana para a chegada da ex-primeira-dama, que faz sua primeira visita à América Latina como chefe da diplomacia americana, uma numerosa delegação da embaixada esteve no Itamaraty na manhã de quinta-feira. Foram discutidos os últimos detalhes da agenda de Hillary em Brasília, o esquema de segurança e acertos técnicos para a entrevista coletiva que ela deverá conceder ao lado do colega anfitrião. Como a vinda da secretária foi confirmada apenas na semana passada, os preparativos começaram um pouco em cima da hora para o gosto dos diplomatas envolvidos. (Correio Braziliense – 27/02/10) Lesgislação falha abre brecha para ação fraudulenta de exportador chinês Uma lacuna na legislação brasileira, que impede medidas mais rigorosas do governo para combater fraudes nas importações de produtos chineses que hoje são alvos de tarifas antidumping, levou um grupo de advogados brasileiros a recorrer à Justiça. Uma denúncia foi apresentada ontem ao Ministério Público de São Paulo, informando sobre a falsificação de documentos de origem por exportadores chineses nas importações de ímãs ferrite em forma de anel — usados principalmente em alto-falantes de carros — daquele país, atualmente taxadas em 43%.
No esquema, exportadores chineses emitem documento de origem falso, colocando a Malásia como país de procedência.
Os malaios não produzem ímãs.
A falha se dá na falta de regulamentação de uma lei de 2008, que permite que medidas antidumping e compensatórias possam ser estendidas, imediatamente, a terceiros países. Como não existe esse dispositivo, o Ministério do Desenvolvimento (MDIC) é obrigado a abrir um processo, que leva de nove meses a um ano e meio. Enquanto isso, além de ímãs, ventiladores, ferros elétricos de passar, cadeados, escovas de cabelo, garrafas térmicas, armações de óculos e lápis entram no Brasil por triangulação de países como Malásia, Taiwan, Hong Kong, Vietnã e Tailândia sem sobretaxas.
Ferro elétrico chinês entra como se fosse de Taiwan Segundo o MDIC, em comparação a 2008, as compras de ferros elétricos da China caíram 38,1% em 2009. No mesmo período, as importações de Taiwan, que não fabrica o produto, subiram 54,8%. As aquisições de cadeados chineses diminuíram 49%. Mas os mesmos produtos trazidos da Malásia subiram 52,3% e, de Hong Kong, 2.192%. Quanto aos ímãs, se em 2008 a Malásia não exportava um único produto, em 2009 o total vendido ao Brasil somou US$ 138,6 milhões.
Pelo menos 20% do mercado de imãs hoje são provenientes dessa triangulação — disse Roberto Barth, diretor comercial da Supergauss, empresa prejudicada pelas fraudes. — Não podemos aguardar mais um ano e meio para que o antidumping seja aplicado às importações da Malásia.
Uma das responsáveis pela ação, a advogada Silvia Pinheiro, sócia-diretora da Guedes & Pinheiro, disse que, com a ação, o Ministério Público aciona a Receita Federal, que adota um rígido monitoramento no ingresso de ímãs no Brasil, exigindo o certificado de origem, que é minuciosamente analisado. (O Globo – 27/02/10) Confiança da indústria é a maior desde 2007 Empresários da indústria de transformação acreditam que o mercado interno continuará a sustentar as vendas do setor, ao contrário das exportações, cuja recuperação deve demorar mais. Esta é uma das conclusões da Sondagem da Indústria de Transformação, divulgada ontem pela Fundação Getulio Vargas (FGV), que apontou para uma elevação de 1,9% no Índice de Confiança da Indústria (ICI), para 115,8 pontos entre janeiro e fevereiro, o maior nível desde dezembro de 2007 (116 pontos).
O índice (de confiança dos empresários) mostra um quadro virtuoso que vinha sendo desenhado para 2010, mesmo depois dessa desaceleração das vendas de bens de consumo duráveis na virada do ano que parece ser passageira — disse o coordenador de Pesquisas da FGV, Aloisio Campelo.
Segundo ele, além da leve queda da demanda interna em fevereiro (de 121 pontos para 118,5 pontos), a recuperação das exportações, medida pelo nível de demanda externa, caiu de 89,5 pontos em janeiro para os atuais 84,3 pontos em fevereiro.
O cenário internacional está mudando para pior desde dezembro do ano passado — avalia Campelo, lembrando que as previsões de retomada das exportações brasileiras este ano não estão se confirmando. (O Globo – 27/02/10) Real é a moeda que mais se valoriza no mês Com a economia se acelerando e as perspectivas de que o Banco Central vai subir a taxa de juros já em março ou abril, o real é a moeda que mais se valorizou em relação ao dólar neste mês, com alta de 4,9% no mercado de Nova York. O aumento, que reverte parte da perda de 7,9% no mês passado, é o maior entre todas as moedas analisadas pela Bloomberg.
O Brasil continua a ser uma história sólida, e o real é uma moeda atraente, afirmou Vitali Meschoulam, estrategista do Morgan Stanley, que prevê que a divisa brasileira, que ontem fechou a R$ 1,807, vai se valorizar em 1,7% neste ano -alta similar à prevista por analistas consultados pela Bloomberg. A economia brasileira é a que cresce mais rápido na América Latina. A dinâmica do forte investimento estrangeiro direto não foi alterada.
O real tem avançado à medida que os investidores aumentam as suas apostas de que o BC, já em março, pode elevar a taxa de juros básica (hoje em 8,75%) para controlar a inflação. Juro alto pode atrair investimento externo para aplicação em títulos públicos, e a entrada de recursos no país valoriza o real. Nesta semana, o BC anunciou que vai elevar o compulsório, ampliando em US$ 71 bilhões o volume de recursos que os bancos têm de recolher obrigatoriamente aos cofres do BC.
A alta do real neste mês reduziu as perdas no ano para 3,4%. A queda de janeiro, a maior desde outubro de 2008, havia sido reflexo da decisão do governo da China (o maior comprador das exportações brasileiras) de controlar empréstimos para tentar desacelerar a economia.
Nas últimas semanas, os bancos americanos Goldman Sachs e Bank of America têm recomendado aos clientes que comprem o real. Afirmam que o crescimento da economia vai atrair investimento externo.
O boletim Focus, feito pelo BC após consulta ao mercado, aponta que o investimento estrangeiro direto vai totalizar US$ 38 bilhões neste ano -ante US$ 26 bilhões em 2009. Para o ano que vem, a previsão é que ele alcance US$ 40 bilhões. (Folha de S. Paulo – 27/02/10) O FMI se reinventa O Fundo Monetário Internacional (FMI) recebeu, em dezembro, a importante medalha de ouro do Institute Peter Templeton por suas ações a favor da sustentabilidade do planeta. Foi a primeira organização multilateral a ser distinguida pelo prêmio. Ser mais verde é apenas uma das mudanças promovidas no FMI pelo seu presidente, Dominique Strauss-Kahn, um economista membro do Partido Socialista francês. Em dois anos no cargo, DSK, como é conhecido, está derrubando os maiores tabus da instituição. Nas últimas três décadas, o FMI foi o guardião da ortodoxia econômica. Agora acaba de dar uma guinada em sua história. Dois documentos assinados pelo economista-chefe Olivier Blanchard e cinco colegas de peso fazem uma série de sugestões que ampliam a margem de manobra da política econômica dos países-membros. Além de elevar a meta de inflação de 2% para 4%, o Fundo, numa espécie de contrição, volta a defender o controle de capitais – tal como em sua origem em 1944 –, para evitar fortes oscilações no câmbio. "O fracasso da liberalização do sistema financeiro, que permitiu ao mercado regular a economia, obrigou o FMI a romper os paradigmas neoliberais e a repensar suas teorias econômicas", afirmou o ministro da Fazenda, Guido Mantega.
O Brasil, que tem perseguido metas de inflação de 4,5%, foi o primeiro país a adotar o controle de capitais no pós-crise de 2008. Há quatro meses, Mantega impôs 2% de Imposto sobre Movimentação Financeira (IOF) à entrada de capital estrangeiro. Na década de 1990, até mesmo o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso chegou a defender algum controle sobre o fluxo de capitais para desespero do FMI. Agora – com milhões de desempregados mundo afora –, o Fundo pensa diferente. "Foi uma surpresa, porque eles só falavam em cortar gastos. É claro que achamos importante a questão fiscal, mas na crise a prioridade tem que ser a reativação da economia", comemora Mantega. Mas o ministro lembra que, desde o início da crise financeira, o FMI já se mostrara mais sensível à realidade da economia mundial. "O Fundo foi um dos primeiros a dizer que era necessário estimular a economia e adotar medidas anticíclicas", explica Mantega. Segundo ele, os emergentes ganharam uma voz mais ativa na instituição nos últimos três anos. "A experiência brasileira está sendo acompanhada e pode gerar novas ideias dentro do FMI", diz o ministro. Os relatórios de Blanchard, divulgados na semana passada, questionam as teses do organismo financeiro multilateral, mas não chegam a fazer recomendações específicas para os países-membros. Para o economista Paulo Nogueira Batista Jr., representante do Brasil e mais oito países no FMI, o novo posicionamento é importante, pois representa a reavaliação dos economistas do Fundo sobre certos pensamentos doutrinários.
DE 2% PARA 4% é a alteração do teto de inflação que os economistas do fundo passaram a admitir "No caso da inflação, 2% é muito baixo. A vantagem da inflação um pouco mais alta são os juros nominais. Eles também seriam maiores e, na crise, os BCs teriam mais espaço para cortar", disse Batista Jr. à ISTOÉ. O professor da Universidade de Harvard Ken Rogoff acredita, porém, que será muito difícil convencer os países desenvolvidos a elevar a taxa de inflação: "Eles passaram duas décadas convencendo a população de que 2% era um percentual mágico para, de repente, anunciar que mudaram de ideia." Blanchard, entretanto, não vê alternativa: "A crise claramente nos obriga a questionar as nossas avaliações." O FMI também resolveu rediscutir o papel dos Bancos Centrais. Os economistas da instituição se perguntam se os BCs devem ter um único instrumento, a taxa de juros, para perseguir um único objetivo, as metas de inflação. Cresce a percepção de que os BCs também precisam se preocupar com a estabilidade da economia. Blanchard e sua equipe passaram a defender uma regulação bancária mais rígida, que forneça ferramentas aos BCs para permitir alterar o nível de endividamento, além de controlar a captação interna nos mercados hipotecários e requerer margens para ampliar o controle sobre ações. Numa preocupação social incomum, o FMI recomenda ainda pagamentos automáticos de benefícios aos mais pobres, quando o desemprego passar de um limite predeterminado. Mas o FMI não deixa de recomendar um empenho maior dos governos na redução da dívida pública. A crise, segundo Blanchard, expôs falhas "na estrutura básica da política econômica existente e exige correções imediatas de rumo." (IstoÉ – 27/02/10)
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