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DRI Clipping Semanal nº 01 - 09 a 13/01/12
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Brasil prepara reação às novas barreiras adotadas pela Argentina
O governo brasileiro prepara uma resposta "dura" à Argentina, caso o governo do país prejudique exportações brasileiras com a recém-divulgada resolução da Administração Federal de Ingressos Públicos, que obriga os importadores naquele país a apresentarem declaração formal antecipada com a programação de compras de bens de consumo no exterior.
A medida, segundo nota do Ministério do Desenvolvimento, foi recebida com "preocupação". Uma autoridade próxima à presidente Dilma Rousseff disse ao Valor que o governo não está disposto a tolerar, como no ano passado, barreiras injustificadas aos produtos brasileiros. Segundo o auxiliar de Dilma, o período eleitoral argentino, durante 2011, fez com que Dilma, para evitar "politização" do tema, determinasse flexibilidade no trato com o governo vizinho.
A Argentina tem atrasado - às vezes por mais de 60 dias - a liberação de licenças de importação para bens de consumo como automóveis, partes e peças, máquinas agrícolas, calçados e alimentos. Com o novo mandato de Cristina Kirchner, havia expectativa (frustrada) em Brasília, de que a Argentina afrouxaria os controles. Os sinais emitidos de Buenos Aires foram, ao contrário, de endurecimento no controle da importação.
No fim de 2011, a retenção de produtos como calçados levou o governo brasileiro a uma queda de braço com o governo argentino: segundo um empresário que acompanhou a disputa, a resposta brasileira, sem alarde, foi reter nos portos as remessas de carros argentinos, que só começaram a ser liberados quando os estoques barrados começaram a lotar os pátios. A tendência de Dilma, segundo uma autoridade, é responder com medidas semelhantes às barreiras argentinas, como fez no ano passado, quando pôs automóveis, partes e peças no regime de licença não automática.
Na reunião do Mercosul, em dezembro, em Montevidéu, Cristina fez duras críticas ao Brasil e às "vantagens" que o país tem desfrutado no comércio bilateral, no qual passa de US$ 8 bilhões o superávit em favor dos brasileiros. A Argentina tem sustentado o superávit comercial brasileiro, disse a presidente recém-reeleita. Dilma, conciliadora, mostrou interesse em criar melhores condições para equilibrar o comércio. Mas, diz uma autoridade brasileira, não haverá mais a "paciência" demonstrada durante a campanha eleitoral no país vizinho.
O Itamaraty deve adotar publicamente uma posição conciliadora. O governo aposta em reuniões previstas entre os dois países, provavelmente em fevereiro, como a oportunidade para eliminar atritos. Uma reunião deve discutir a "complementação das cadeias produtivas", um projeto antigo de associar empresas dos dois países em processos conjuntos de produção. Outra reunião tratará das questões bilaterais, como a retenção de produtos nas alfândegas. A resolução argentina desta semana, aumentando o controle discricionário das importações com a exigência de uma "Declaração Jurada Antecipada de Importação" antecipou as discussões, porém.
Na quarta-feira, à tarde, houve troca de telefonemas entre a secretaria de Comércio Exterior do Brasil e a Secretaria de Comércio argentina, na qual o governo brasileiro disse esperar que as novas ações não afetem ainda mais a entrada de produtos no país vizinho. O resultado da conversa não foi suficiente, porém, para amenizar a "preocupação" no Ministério do Desenvolvimento, que editou nota prevendo "gestões sobre o tema, para evitar eventuais efeitos negativos para o fluxo comercial."
A secretária de Comércio Exterior da Argentina, Beatriz Paglieri, que há dias recebeu produtores de calçados argentinos, a quem prometeu pressionar para reduzir a cota de venda de calçados brasileiros ao país, disse que a medida desta semana se destina apenas a dar "maior transparência" e previsibilidade ao comércio exterior. Ela é vista como subordinada ao secretário de Comércio Interior, Guillermo Moreno, mentor dos artifícios usados pelo país vizinho para barrar importações. Moreno e Paglieri já disseram a empresários locais que querem obter um superávit comercial total de US$ 10 bilhões a US$ 12 bilhões em 2012. (Valor Econômico - 13/01/2012)
Empresários da região reivindicam regra diferenciada
Dirigentes empresariais de todos os parceiros da Argentina no Mercosul, Chile e Bolívia, articulam reunião em Buenos Aires para tentar negociar um regime diferenciado para as importações de seus produtos pelos países do bloco, caso o governo da presidente Cristina Kirchner não reveja a resolução da Afip, a Receita argentina, que exige do importador uma declaração jurada sobre quanto pretende importar.
"Já se publicam notícias de que os importadores começam a ter problemas de crédito em função das barreiras que a medida poderá causar", disse o presidente da Câmara Argentina Brasil (Cambras), Jorge Aparicio. Ao longo da próxima semana, Aparicio deverá ser recebido pela secretária de Comércio Exterior, Beatriz Paglieri.
Na prática, a iniciativa do governo argentino cria a necessidade de se obter uma concordância oficial para cada declaração jurada que se apresente. Como não se estabelece prazo para o trâmite do processo, há o temor de um colapso generalizado nas importações do país quando a resolução entrar em vigor, em 1º de fevereiro. O processo é semelhante ao que afetou pessoas físicas no fim de outubro do ano passado, quando foi criada uma autorização para todas as operações cambiais.
A medida é válida para todas as importações destinadas ao consumo. Especialistas divergem se isso envolve as compras externas de bens de capital ou apenas bens acabados. "Em termos concretos, a medida equivale a estender o regime de licenças não automáticas para todas as compras feitas pela Argentina", opinou o especialista em comércio exterior Mauricio Claveri, da consultoria Abeceb.
Para Claveri, a medida só não irá valer para as importações destinadas à fabricação de produtos que serão reexportados, como é o caso principalmente do setor automotivo, o principal segmento na balança comercial entre Brasil e Argentina. No ano passado, as licenças não automáticas corresponderam a 14% dos US$ 71 bilhões gastos em importações, um terço das quais provenientes do Brasil.
A resolução não partiu de nenhuma demanda da indústria argentina, mas das medidas de ajuste que o governo passou a adotar com a deterioração das contas públicas. "Não se trata propriamente de uma medida protecionista, porque não há setor algum da economia sendo protegido. O enfoque é fiscal", afirmou o assessor jurídico do grupo Brasil, que reúne empresas brasileiras instaladas na Argentina, Hector Rossi Camilión. Em entrevista publicada ontem no jornal "Tiempo Argentino", a secretária de Comércio Exterior confirmou que o objetivo da medida é controlar caso a caso as importações, para atingir a meta de superávit comercial de US$ 10 bilhões em 2012.
No ano passado, o superávit comercial foi de US$ 11 bilhões, graças aos altos preços da principal commodity argentina, a soja, e à economia aquecida do Brasil, o maior parceiro comercial. As importações continuariam fluindo, de acordo com a secretária, para os casos em que se comprove a necessidade de se trazer insumos do exterior ou de bens acabados que não tenham similar argentino. A secretária afirmou ainda que os sindicatos seriam ouvidos sobre a relevância da importação de um insumo para a manutenção do nível de emprego em uma determinada empresa.
A primeira reação internacional foi favorável ao governo argentino. Em um programa de rádio, o presidente do Uruguai, José Mujica, sinalizou que seu governo não irá reagir, em função do superávit que o país consegue com o vizinho na conta de turismo. " Todos sabemos que a Argentina tem um protecionismo que tranca o intercâmbio comercial. Querem que a gente declare guerra por isso, mas não vamos matar a galinha de ovos de ouro que se chama turismo", declarou ao jornal uruguaio "El País". (Valor Econômico - 13/01/2012)
Mais protecionismo argentino
A escalada protecionista prossegue na Argentina, com a decisão do governo de impor mais uma trava às importações, e boa parte da conta será paga, sem dúvida, por empresas brasileiras e seus trabalhadores. Quem quiser importar o que quer que seja será obrigado, a partir de 1.º de fevereiro, a apresentar uma declaração juramentada e antecipada à Secretaria de Comércio Exterior. A Secretaria é comandada formalmente pela economista Beatriz Paglieri, colaboradora e seguidora do secretário de Comércio Interior, Guillermo Moreno, famoso por sua intervenção no sistema oficial de índices de inflação e pelas pressões sobre importadores. A manipulação dos índices tornou-os internacionalmente desacreditados. Moreno enriqueceu sua obra, no ano passado, impondo aos empresários proibições informais de importar, sustentadas, segundo denúncias noticiadas pela imprensa, por ameaças e muita truculência.
Cada avanço do protecionismo argentino torna mais evidente o atraso da integração econômica do Mercosul. Os maiores países do bloco não conseguiram sequer, até agora, criar um espaço de negócios digno de ser classificado como zona de livre comércio. Muito mais distante, portanto, está a consolidação da união aduaneira - status oficial do conjunto formado por Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai.
No ano passado, até novembro, a Argentina acumulou superávit comercial total de US$ 10,5 bilhões. Esse resultado é atribuível aos preços internacionais dos produtos agrícolas e, em boa parte, à política protecionista, reforçada com a exigência de licenças não automáticas de importação. A concessão das licenças demorou, em muitos casos, mais que os 60 dias permitidos pela Organização Mundial do Comércio (OMC). Muitas empresas brasileiras foram prejudicadas e autoridades de Brasília foram obrigadas a intervir. Dificultaram por algum tempo a entrada de produtos argentinos, para mostrar a disposição de retaliar, e forçaram o outro lado a buscar um entendimento. Mas contentaram-se, afinal, com a promessa do governo argentino de respeitar o prazo legal. O compromisso, é claro, não foi cumprido.
Parte do empresariado argentino também protesta contra essa política. Muitas indústrias dependem de componentes importados. Segundo o jornal Clarín, de Buenos Aires, uma fábrica da Fiat em Córdoba ficou 48 horas sem produzir porque peças compradas do Brasil estavam retidas na alfândega. A reportagem menciona fontes da empresa, embora a própria Fiat argentina, para evitar encrencas com o governo, tenha fornecido aos operários uma versão mais branda, atribuindo a falta de componentes a férias da fábrica brasileira.
De acordo com a nova exigência do governo, para cada peça necessária à fabricação de um produto final - um veículo, por exemplo - será necessário apresentar uma Declaração Jurada Antecipada de Importação (Djai). Segundo fontes da indústria automobilística, informa o Clarín, as montadoras dependem, em média, de 70% a 80% de partes importadas.
Apesar do protecionismo argentino e da valorização do real, o Brasil acumulou no ano passado um superávit de US$ 5,8 bilhões no comércio com o maior parceiro do Mercosul. A principal explicação é simples: barreiras podem apenas dificultar o ingresso de produtos estrangeiros, mas não bastam para tornar a indústria de um país mais eficiente e mais competitiva.
Competitividade resulta da combinação de muitos fatores, mas boa parte do empresariado argentino, acostumado à superproteção fornecida pelo governo, pouco tem feito para elevar a produtividade de suas fábricas. Outra parte mostra preocupação com a eficiência, mas seu trabalho é dificultado pelas intervenções desastradas do governo - como, por exemplo, as barreiras à importação de peças.
Segundo o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, o governo brasileiro já entrou em contato com as autoridades argentinas para avaliar as novas medidas e prevenir danos ao comércio bilateral. Essa iniciativa será inútil, se o governo, como no ano passado, se contentar com promessas destinadas a não serem cumpridas. Seria bom, para variar, forçar uma conversa séria sobre o assunto. (O Estado de S.Paulo - 13/01/2012)
Suíça quer acordo para pôr fim à bitributação de múltis brasileiras
De olho no mercado e nas empresas brasileiras, a Suíça pressiona por um acordo tributário entre os dois países. Os suíços querem um entendimento para evitar que empresas que atuam nos dois países tenham de pagar impostos às duas autoridades. Os acordos de bitributação estão sendo negociados pela Suíça com uma série de governos emergentes. Mas Berna recebeu um "não" de Brasília. (O Estado de S.Paulo - 13/01/2012).
Brasil mostra preocupação com medida argentina
A decisão do governo Cristina Kirchner de fazer mais uma exigência aos importadores e ampliar o controle estatal sobre o intercâmbio comercial causou "preocupação" no governo brasileiro. O Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC) afirmou, em nota, que o governo brasileiro "estabeleceu contato com o governo argentino para melhor avaliar os possíveis impactos decorrentes para os exportadores brasileiros" de bens de consumo. (O Estado de S.Paulo - 12/01/2012)
Adhesión de Venezuela a Mercosur: ¿Se logrará finalmente?
Hace un par de semanas, Venezuela no pudo lograr la adhesión plena al Mercosur(Mercado Común del Sur), debido a que su ingreso fue frenado por el SenadoParaguayo, país miembro de esta instancia.
La adhesión de un nuevo miembro debe ser autorizada de forma unánime por los Estados partes, es decir, por el Ejecutivo y el Legislativo de los países, según lo estabelece el Tratado de Asunción, con el que se creó el bloque en 1991, como lo señala EFE.
Según informó El Mercurio Online de Chile, el parlamento de Paraguay dominado por la oposición al gobierno de Fernando Lugo, es el único del bloque económico que aún no ratifica la decisión para que se incorpore Venezuela, luego de que ésta suscribiera em 2006 su intención de ingresar al Mercosur.
Esta solicitud fue aprobada por los Ejecutivos de los cuatro países miembros y, después, por los Legislativos de Argentina, Brasil y Uruguay. Pero desde hace tiempo está trabado en el Parlamento paraguayo, el que alega supuestas actitudes antidemocráticas del presidente Hugo Chávez, de acuerdo a lo publicado por EFE.
Sin embargo, el Presidente Lugo defiende la incorporación del país venezolano, ya que su ingreso, vendría a fortalecer este pacto económico regional. "El presidente Chávez no es Venezuela y Venezuela no se sintetiza en Chávez. La solicitud de incorporación al Mercosur fue presentada por el país que posee nada menos que la tercera reserva mundial de petróleo. Chávez mañana puede dejar de ser presidente y permanece el país", acotó Lugo, según El Universal.
Al conocer esta decisión, el mandatario venezolano Hugo Chávez, cuestionó a quienes se opusieron al ingreso de su país al bloque: “no sé si ellos están conscientes del daño que le están haciendo no a Venezuela, sino a todos y al pueblo paraguayo mismo”, publicó El Mercurio Online.
Ante esto, los Mandatarios miembros del Mercosur anunciaron la creación de un grupo de diálogo de alto nivel para el impulso de la incorporación de nuevos miembros plenos al bloque regional.
La internacionalista de la Universidad Central de Venezuela, María Teresa Romero, señaló a EFE que el ingreso de Venezuela al Mercosur es ya "una cuestión de orgullo" para Chávez, ya que, a su juicio, tiene intereses "más políticos que económicos" con el hecho de entrar plenamente en este bloque.
El analista venezolano Félix Arellano coincide con Romero en que los intereses de Chávez son de índole política. "Chávez tiene gran interés en integrarse al Mercosur porque cada vez está más fuera de los esquemas económicos internacionales, a pesar de su flerte discurso integracionista".
Impacto en el comercio regional
La incorporación de Venezuela al Mercosur causaría un impacto económico, sobre todo em materia energética, como proyectos de envergadura como el gasoducto que uniría las reservas gasíferas de los países suramericanos. A ello se agregan iniciativas como la construcción y repotenciación de refinerías, suministros de crudo en condiciones financieras más favorables, entre otras, según lo señala el estudio “La incorporación de Venezuela al Mercosur: Implicaciones políticas en el plano internacional”, elaborado por Edmundo González Urrutia.
Este autor cita al Presidente la Comisión de Representantes Permanentes del Mercosur para decir que el país caribeño posee las reservas petrolíferas más importantes del continente y las gasíferas más importantes de América del Sur. Esta situación es clave a la hora de diseñar estrategias para una mayor autonomía relativa de la región en el escenario internacional, vertebrarla energéticamente y asegurar una estrategia de desarrollo sustentable en el mediano y largo plazo en cada uno de nuestros países.
Además, el presidente de PDVSA, Alí Rodríguez Araque asegura que “el gobierno venezolano impulsa como idea fuerza la creación de Petroamérica, una empresa integrada de energía de carácter latinoamericano, modalidad de integración regionalsectorial que podría impulsar el proceso de integración latinoamericana. Desde la perspectiva bolivariana, las diversas vertientes energéticas de América Latina - potencial hidroeléctrico, combustibles fósiles, desarrollo tecnológico - aún no han sido suficientemente explotadas”, como se menciona en el mismo estudio.
Por ahora, a Venezuela le queda esperar que se abra esta instancia de diálogo donde se discutirá la incorporación de nuevos miembros al Mercosur. Una tarea que no ha sido nada fácil, ya que las posiciones entre el parlamento paraguayo y Venezuela están enfrentadas. (Alto Nível - México - 12/01/2012)
Argentina dificulta importação de bem acabado com similar nacional
As empresas brasileiras instaladas na Argentina começam a ser informadas pelo governo da presidente Cristina Kirchner que irá aumentar ao longo deste ano a escalada protecionista no país para conter as importações. Na última semana, executivos foram avisados que nenhuma importação de bens acabados será mais autorizada, a não ser que o importador comprove que a mercadoria não conta com produção no país.
Desta vez, o objetivo da medida não é impulsionar a produção local, mas preservar o saldo comercial, que foi de US$ 11 bilhões no ano passado. Desde dezembro, a área de comércio exterior no governo passou do Ministério de Relações Exteriores para o âmbito do Ministério da Economia, em que a figura central é o secretário de Comércio, Guillermo Moreno, e não o ministro Hernán Lorenzino. É o próprio Moreno que tem conversado diretamente com os empresários, segundo afirmou um dos participantes dessas reuniões.
Um dos novos controles tornou-se público anteontem, com uma nova portaria da Afip, o órgão local da receita. A partir de fevereiro, todos os importadores deverão apresentar uma declaração jurada sobre o total que pretendem comprar do exterior ao longo do ano. Foi por meio de um controle aparentemente burocrático introduzido pela Afip, em novembro, que o governo argentino travou o mercado de câmbio de pessoa física no país, contendo uma corrida especulativa contra o peso argentino.
Sem ter como restringir importações em setores como o de energia, em que o déficit do país com o exterior deve atingir US$ 6 bilhões neste ano, segundo cálculo do consultor privado Daniel Montamat, e sem controlar variáveis como o preço da soja no mercado internacional ou o ritmo das compras de seus maiores clientes, o Brasil e a China, o governo argentino procura agir sobre as encomendas de produtos acabados, que somam cerca de US$ 14 bilhões por ano. Mas já há indícios que a transferência da área de comércio exterior para a esfera de Moreno começa a dificultar as importações até mesmo de insumos.
Na terça, a Fiat paralisou atividades em sua unidade em Córdoba, alegando não ter obtido licença para a importação de autopeças. A decisão da Fiat irritou o governo, que respondeu ontem em uma entrevista da ministra da Indústria, Debora Giorgi, à agência oficial Télam. A ministra classificou a atitude da montadora de "mesquinha e alienada", mas afirmou que a liberação das licenças - uma área da qual a ministra não é mais responsável - foi concedida para que a fábrica volte a funcionar "no menor prazo possível".
Em comunicado, a Fiat Argentina confirmou que decidiu retomar a produção ante "a firme determinação da Secretaria de Comercio Exterior de agilizar a tramitação das licenças". A empresa previu, além disso, a normalização das atividades hoje. Segundo a Fiat, as licenças que venceram em dezembro não tiveram renovação automática outorgada pela nova secretaria, comandada pela economista Beatriz Paglieri. A montadora alega que foi a primeira a ter que tramitar licenças na nova secretaria e atribui o atraso a um "ajuste das áreas administrativas do governo ao novo regime". A empresa destacou também que a maior parte da sua produção, de 700 veículos diários, se destina à exportação.
A Fiat Argentina possui a produção integrada com a Fiat brasileira. A unidade se abastece de autopeças no Brasil e transfere para o país cerca de 85% de sua produção. De todas as montadoras, é a que mais depende do país vizinho para a sua operação na Argentina. O setor automotivo é o principal na balança comercial entre os dois países. (Valor Econômico -12/01/2012)
Argentina cria barreira e Brasil pede explicação
Resolução obriga importadoras a anteciparem declaração à Receita. Governo brasileiro fez gestões para evitar perdas
BUENOS AIRES e BRASÍLIA.Como era esperado, uma das primeirasmedidas adotadas este anopelo secretário de Comércio Interior da Argentina, Guillermo Moreno, traz limitações às importações do Brasil para o mercadoargentino.OMinistério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior brasileiro informou em nota ter tomado conhecimento da decisão com preocupação, acrescentando que fez contatocom as autoridades argentinas para avaliar os possíveis impactos para os exportadores brasileiros. Segundo a nota, o objetivo do governo é "realizar gestões sobre o tema para evitar eventuais efeitos negativos para o fluxo comercial entre os dois países".
A Argentina é um dos principais destinos das exportações brasileiras.No ano passado, as vendas para o país vizinho somaram US$22,7 bilhões, sendo que entre os principais produtos estão automóveis, minério de ferro e aviões.
A resolução 3.252, divulgada na última terça-feira pela Afip (a Receita Federal argentina), estabelece, na prática, uma barreira à entrada de produtos estrangeiros ao país: a partir de fevereiro, os importadores deverão apresentar ao órgão tributário uma Declaração Antecipada de Importação. Apesar de a medida ter sido comunicada pela Afip, ontem analistas e empresários locais coincidiram em afirmar que Moreno, ainda mais poderoso no segundo mandado da presidente Cristina Kirchner, é seu verdadeiro idealizador.
Segundo o jornal "Clarín", o controle das importações na Argentina está alcançando níveis inéditos desde a década de 1980. Neste cenário, é central o papel de Moreno, o mesmo funcionário acusado de maquiar as estatísticas do Indec (o IBGE argentino) e traçar a estratégia de perseguição aos meios de comunicação privados.
Desde 10 de dezembro passado, quando Cristina foi empossada, o secretário controla a nova Secretaria de Comércio Exterior. Oficialmente, o órgão é comandado por Beatriz Paglieri, fiel colaboradora de Moreno. Uma das principais metas dos dois este ano é evitar que o saldo comercial argentino fique abaixo dos US$10 bilhões no ano.
- O governo está preocupado com a evolução das exportações porque o mundo está em crise, e também pela terrível seca que afetará a produção de commodities, coluna vertebral de nossas vendas ao exterior - disse o economista Mauricio Claveri, da de consultoria Abeceb.com.
Entre janeiro e novembro do ano passado, a importações aumentaram 33% na Argentina, frente ao mesmo período do ano anterior. Já as exportações cresceram 22%. 12 de janeiro de 2012.
Ainda não foi informado o saldo de dezembro, mas até novembro o superávit comercial somou US$10,5 bilhões, em grande medida graças à aplicação de normas protecionistas, entre elas as licenças não automáticas (LNA), que provocaram vários atritos com o Brasil. Na prática, a implementação das LNA atrasa o processo de importação e, no caso de alguns produtos brasileiros, como máquinas agrícolas, o atraso superou os 60 dias permitidos pela Organização Mundial do Comércio (OMC ).
Apple enfrenta barreiras para vender na Argentina
Para muitos empresários argentinos, as medidas de Moreno acabam prejudicando a produção local. Esta semana, uma fábrica da Fiat na província de Córdoba teve que suspender suas operações por 48 horas pela falta de insumos, retidos na burocracia provocada pelas LNA.
Moreno quer barrar a importação de todos os produtos que o governo considera que podem ser fabricados na Argentina - disse Claveri, lembrando que a Apple, por exemplo, foi impedida de exportar para o mercado argentino.
Adquirir um iPhone na Argentina é missão impossível. As empresas de celulares só vendem aparelhos fabricados no país. Segundo o economista, "essa estratégia acaba prejudicando algumas empresas e também consumidores, que cada vez têm mais dificuldades em encontrar produtos".
Para o presidente da Câmara de Importadores, Diego Pérez Santisteban, "a substituição das importantes não depende apenas de imposições ou da boa vontade (dos empresários). Entramem jogo todas as variáveis econômicas do país".
O frigorífico Swift, propriedade do grupo brasileiro JBS, é outra das empresas que se queixam das políticas de Moreno. Neste caso, das barreiras às exportações de carne, que visam a garantir o abastecimento do mercado interno. (*) Correspondente (O Globo - 12/01/2012)
Brasil questiona Argentina sobre nova medida protecionista
Exigência de declaração de importação dificulta a entrada de produtos estrangeiros no país
BUENOS AIRES e BRASÍLIA - O governo brasileiro decidiu cobrar explicações da Argentina sobre a decisão do país vizinho de exigir a apresentação de uma Declaração Jurada Antecipada de Importação (DJAI) dos importadores de bens de consumo. Os importadores argentinos também questionaram nesta quarta-feira a nova resolução. Na prática, a medida dificulta a entrada de produtos estrangeiros no mercado argentino.
Por meio de nota à imprensa, o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior informou ter tomado conhecimento da decisão com preocupação e já fez contato com as autoridades argentinas para avaliar os possíveis impactos decorrentes dela para os exportadores brasileiros. De acordo com o texto, o objetivo do governo é "realizar gestões sobre o tema para evitar eventuais efeitos negativos para o fluxo comercial entre os dois países".
A Argentina é um dos principais destinos das exportações brasileiras. No ano passado, as vendas para o país vizinho somaram US$ 22,7 bilhões, sendo que entre os principais produtos estão automóveis, minério de ferro e aviões.
A resolução 3252, divulgada na última terça-feira pela Afip (a Receita Federal argentina), estabelece, na prática, uma barreira à entrada de produtos estrangeiros ao país: a partir do próximo dia 1 de fevereiro, os importadores deverão apresentar ao órgão tributário uma Declaração Antecipada de Importação. Apesar de a medida ter sido comunicada pela Afip, ontem analistas e empresários locais coincidiram em afirmar que Moreno, ainda mais poderoso no segundo mandado da presidente Cristina Kirchner, é o verdadeiro mentor da nova ofensiva protecionista da Casa Rosada.
Segundo o jornal “Clarín”, o mais importante do país, o controle das importações na Argentina está alcançando níveis inéditos desde a década de 80. Neste cenário, o papel de Moreno, o mesmo funcionário acusado de maquiar as estatísticas do Indec (o IBGE argentino) e traçar a estratégia de perseguição a meios de comunicação privados, é central. Desde 10 de dezembro passado, dia em que Cristina foi empossada, o secretário controla a nova Secretaria de Comércio Exterior.
Oficialmente, a secretaria é comandada por Beatriz Paglieri, uma das mais fieis colaboradores de Moreno. Um dos principais objetivos de ambos funcionários em 2012 é evitar que o superávit comercial argentino feche o ano abaixo dos US$ 10 bilhões.
- O governo está preocupado com a evolução das exportações porque o mundo está em crise e, também, pela terrível seca que afetará a produção de commodities, coluna vertebral de nossas vendas ao exterior - explicou o economista Mauricio Claveri, da empresa de consultoria Abeceb.com.
'Substituição das importantes não depende apenas de imposições'
Entre janeiro e novembro do ano passado, a importações aumentaram 33% na Argentina, frente ao mesmo período do ano anterior. Já as exportações cresceram 22%. Ainda não foi informado o saldo de dezembro, mas até novembro passado o superávit comercial do país alcançou US$ 10,5 bilhões, em grande medida, graças à aplicação de normas protecionistas, entre elas as licenças não automáticas (LNA), que provocaram vários atritos com o Brasil. Na prática, a implementação das LNA demora o processo de importação e no caso de alguns produtos brasileiros, por exemplo, maquinarias agrícolas, o atraso superou amplamente os 60 dias permitidos pela Organização Mundial de Comércio (OMC).
Para muitos empresários locais, as medidas de Moreno acabam prejudicando a produção local. Esta semana, uma fábrica da Fiat na província de Córdoba teve de suspender suas operações durante 48 horas pela falta de insumos, que não chegaram a tempo pela demora provocada pelas LNA.
Moreno quer barrar a importação de todos os produtos que o governo considera que podem ser fabricados na Argentina - disse Claveri, lembrando que a Apple, entre outras empresas, foi impedida de exportadr seus produtos para o mercado argentino.
Comprar um iPhone, smartphone da americana Apple, na Argentina é uma missão impossível. As companhias de celulares vendem apenas aparelhos fabricados no país. Segundo o economista, “esta estratégia acabar prejudicando algumas empresas e também consumidores, que cada vez têm mais dificuldades em encontrar produtos, sobretudo, do setor de eletrônica e eletrodomésticos”.
Para o presidente da Câmara de Importadores, Diego Pérez Santisteban, “a substituição das importantes não depende apenas de imposições ou da boa vontade (dos empresários), entram em jogo todas as variáveis econômicas do país”.
Duas semanas antes da posse de Cristina começaram a demorar a liberação das LNA - declarou Santiesteban.
O frigorífico Swift, propriedade do grupo brasileiro JBS, é outra das empresas que vem se queixando pelas políticas de Moreno, neste caso, as barreiras às exportações de carne, que visam garantir o abastecimento do mercado interno. (O Globo - 12/01/2012)
Na Argentina, é preciso licença para importar
Na Argentina, quem quiser importar terá de pedir permissão ao governo. Depois das licenças não-automáticas, barreira que dificulta o comércio, novas travas vêm aí: a partir do dia 1º de fevereiro, qualquer empresa interessada em comprar fora produtos destinados ao consumo deverá apresentar uma declaração detalhando o pedido que, se aprovada pelos órgãos oficiais, poderá seguir adiante; caso contrário, deverá regularizar as pendências.
O controle das importações subiu para um nível não visto desde a década de 80, como diz o "Clarín", que ainda explica.
- Nenhuma companhia poderá importar nem um alfinete do estrangeiro sem a autorização prévia de vários organismos estatais - diz matéria do jornal.
Empresas dizem que a medida pode afetar as linhas de produção. Para planejá-la, primeiro precisarão saber quando terão os insumos.
Segundo o "Clarín", trata-se de mais uma medida para controlar o comércio exterior e tentar manter o superávit comercial em meio à crise econômica da Europa, à desaceleração global e à possível queda das receitas de exportação agrícolas por causa da seca.
Em tempos de crise, os países tendem a colocar mais barreiras à importação de produtos e saem em defesa da produção nacional. O comércio internacional sofre com isso. Não tem jeito: ganhará espaço o país que for mais competitivo, não o que proteger mais.
Em artigo publicado no site do "La Nación", com o título "Importar, uma questão de Estado", Emiliano Galli, um dos editores do jornal, diz que a eficácia da medida está no fator tempo:
- A demora na tramitação vai funcionar como um não incentivo à importação. A burocracia se transforma, assim, na ferramenta-chave para se obter mais controle, objetivo que oculta a finalidade principal: evitar a fuga de divisas e um provável déficit comercial. (G1 - 11/01/2012)
Argentina aplica mais controles sobre importações
BUENOS AIRES - O governo da presidente Cristina Kirchner aplicará mais controles sobre os importadores argentinos a partir do dia 1 de fevereiro. Nessa data entra em vigência a resolução 3252 da Administração Federal de Ingressos Públicos ("Afip", a Receita Federal argentina) que determina que todas as empresas que desejem importar produtos do exterior deverão apresentar - de forma prévia - um relatório detalhado ao organismo de arrecadação tributária e outros organismos do governo.
Por trás desta medida estaria o objetivo - a qualquer preço - do governo da presidente Cristina Kirchner de manter um superávit comercial com o mundo de pelo menos US$ 10 bilhões em 2012.
Os analistas em Buenos Aires sustentavam que a medida cria um cenário no qual produto algum poderá ser importado sem a aprovação prévia da Secretaria de Comércio Exterior, Beatriz Paglieri. Ela está na órbita de influência de Guillermo Moreno, Secretário de Comércio Interior, autor de diversas medidas que barraram produtos importados na alfândega argentina nos últimos anos.
A partir do dia 1 de fevereiro, os empresários que desejem importar deverão enviar um mail à secretaria de Moreno para que esta decida se autorizará a compra no exterior ou não. Em 2010 e 2011 Moreno, em diversas ocasiões, emitiu ordens verbais para atrasar a entrada de produtos importados, inclusive do Brasil, no mercado argentino.
Receita
A Afip é comandada por Martín Etchegaray, considerado um dos integrantes da ala "dura" do governo Kirchner. Etchegaray, homem de confiança da presidente Cristina, aplicou nos últimos meses, em sintonia com o secretário Moreno, uma série de medidas para complicar a entrada de produtos importados, entre eles, controles oficiais sobre o mercado de câmbio, que limitaram as operações de compra e venda de dólares. Desde novembro os importadores precisam apresentar, de forma prévia ao pedido de importação, toda a documentação bancária envolvida na transação, para ser analisada pela Afip.
As medidas aplicadas pelo governo Kirchner para restringir as importações, além das modalidades clássicas de licenças não-automáticas, valores-critério, os acordos voluntários de restrição de exportações, incluem a variante de ordens verbais para deter a entrada de produtos na fronteira. Em vários casos, quando os produtos, especialmente alimentícios, já estão dentro do país, ficam bloqueados - sem explicações - por barreiras burocráticas adicionais.
Nem um prego
"Não queremos importar nem um prego! Queremos que tudo seja produto argentino." Esta expressão, pronunciada em tom imperativo por Cristina Kirchner perante centenas de empresários na primeira semana de dezembro, dias antes da posse de seu segundo mandato presidencial deu o tom de como seria a política comercial no novo governo kirchnerista.
"É preciso não depender das importações", sustentou a presidente Cristina na ocasião, além de argumentar a favor da "defesa dos postos de trabalho dos argentinos". Ariel Palacios (Agência Estado - 11/01/2012)
Exigen declarar bienes antes de exportar a Argentina
La AFIP endurece política y lo exigirá a bienes de consumo
Argentina confirma cada vez más su política proteccionista. Ayer se conoció que las autoridades de la vecina orilla aplicarán otra medida de control sobre ingreso de bienes de consumo. Ahora las empresas exportadoras de estas mercaderías deberán presentar una Declaración Jurada Anticipada de Importación (DJAI) ante la Administración Federal de Ingresos Públicos (AFIP) que entrará en rigor a partir del próximo 1º de febrero, según lo establece una resolución general publicada en el Boletín Oficial del Ejecutivo de Cristina Fernández.
La noticia, una vez más, "no sorprendió" a los industriales, que reiteraron su pedido al gobierno para que "cambie el rumbo de la negociación y haga valer su peso en el Mercosur", declaró ayer a El País el vicepresidente de la Cámara de Industrias (CIU), Gabriel Murara.
"Falta que pongan un muro. Entre las medidas oficiales que están en marcha, además de las informales como el "1 a 1" (por cada dólar importado cada empresa deber exportar el equivalente), la intimación a los supermercados a que no compren productos extranjeros de producción nacional y las licencias de importación, ya no queda mucho margen", criticó el empresario.
A juicio del vicepresidente de la CIU, "Uruguay no tiene otra alternativa que hacer valer su voto dentro del Mercosur. La relación con Argentina ya es un tema grave para Uruguay", alertó. Explicó que producto de las sucesivas trabas, varias empresas uruguayas están "pagando altos costos", se pierden fuentes de trabajo y también la especialización de ciertas cadenas que dejan de producir y que luego es "muy difícil volver a recuperar".
Norma. Según el considerando de la resolución 3252 que publicó el Ejecutivo argentino, la instrumentación de las declaraciones juradas ante la AFIP, obedecen a una política de "coordinación transversal de las distintas áreas del Estado, en orden de optimizar la eficiencia y eficacia de la gestión gubernamental".
Los importadores deberán elevar las DJAI antes del pedido de las licencias de importación. Además, esta información será sujeto de análisis de organismos oficiales que se adhieran a este mecanismo que están facultados a realizar objeciones. (El País Digital - 11/01/2012)
La respuesta del bloque ante la crisis
Productos eléctricos, juguetes, químicos, papel y manufacturas de caucho podrían sufrir un aumento del arancel de importación
Durante la última cumbre del Mercosur, los países socios acordaron crear una herramienta que los habilita para incrementar los aranceles -por encima del arancel externo común (AEC)- para un máximo de 100 productos.
"Esta medida es equivalente al listado de excepciones aún vigente, con la diferencia de que en este caso a los países los mueve la necesidad de incrementar los aranceles, no de reducirlos", explica un informe elaborado por la consultora especializada abeceb.com.
En el caso argentino, el interés es, por un lado, proteger los productos sensibles y, por el otro, mantener un superávit comercial que pende del hilo de los precios de las commodities
"No vemos mucha efectividad en el alza del AEC porque son mucho más efectivas las licencias de importación o los valores criterio, donde no importa qué tan competitivos sean los productos chinos o indios porque se limita su entrada", señaló a LA NACION Mauricio Claverí, especialista en comercio exterior de la consultora, tras agregar que "aun cuando se incremente de 18 a 35 el arancel, los productos chinos seguirán siendo competitivos para ingresar".
El grueso de las importaciones argentinas tiene un arancel de entre el 15 y el 17%, y llegan al máximo permitido por la Organización Mundial del Comercio (OMC), de 35%, en textiles, indumentaria y calzado.
"Hay un componente político en la decisión. Se les dan más oportunidades a los productos intrazona, sobre todo a los brasileños que son los que más competencia tienen con los productos chinos", aseguró Claverí, no sin dejar de advertir que el riesgo es "que al pretender ayudar al superávit comercial encareciendo los productos chinos se termina trayendo más productos de Brasil, con arancel cero".
Lo que se acordó es que cada país elija 100 posiciones para someter al aumento, pero que luego deben ser aprobadas por los demás socios. Si ninguno objeta, el AEC sube automáticamente por un año.
"Los rumores indican que la Argentina apuntará a aumentar el AEC para los productos sensibles, que ya tienen además otras medidas, mientras que Brasil irá por el lado de los bienes de capital y maquinaria porque ellos sí tienen posibilidad de sustituir importaciones", destacó Claverí.
Para el especialista en temas legales del Mercosur, Alejandro Perotti, la decisión "no es algo que deba llamar la atención porque se trata de 100 posiciones de un nomenclador con 9600". "La primera vez que el Mercosur subió los aranceles fue en 1997, durante la crisis asiática, cuando se aumentó en 3% el AEC", destacó.
En este caso, según Perotti, la crisis mundial disparó la medida a partir de una "sobreoferta" de productos asiáticos que no se van a poder colocar en Europa o en Estados Unidos "y querrán venir a mercados emergentes a precios más bajos de lo que se ofertaban en los principales mercados", explicó.
"Cada país tiene un número de excepciones, y ahora esas excepciones se aumentan. Si bien se está fomentando el comercio intra-Mercosur, pueden llegar a darse distorsiones", al canjear el origen de los productos, amplió.
Simulación
Para analizar la incidencia que la utilización de esta nueva herramienta podría tener en la Argentina, abeceb.com seleccionó los 200 principales productos no agrícolas importados por el país y los dividió en dos grupos de 100: uno que abarca importaciones por US$ 26.000 millones (según datos de 2010), es decir un 46,4% del total, y otro que engloba importaciones que le siguen en magnitud y que suman US$ 6172 millones (10,9% del total).
"En el primer grupo, los productos más destacados son, o bien productos que provienen en su mayor parte de Brasil [vehículos, minerales, plásticos, caucho, fundición, químicos, papel, calzados, muebles y aceites], o bien se trata de productos esenciales, como insumos productivos [bienes de capital, abonos, químicos y pigmentos], e importaciones que no pueden frenarse [aviones, combustibles y medicamentos]", explica el trabajo, cuya primera conclusión es que "las máquinas y aparatos eléctricos, las manufacturas de fundición, los juguetes y los productos editoriales son los únicos sectores en los que resulta factible subir el arancel para restringir las importaciones".
En su conjunto, estos últimos sectores suman US$ 3270 millones de importaciones, es decir, un 5,8 por ciento del total.
"De las posiciones restantes -agrega-, las manufacturas de fundición, máquinas y aparatos eléctricos ya cuentan con licencias no automáticas y, en algunos casos, con valores criterio. Adicionalmente, los libros y productos de las editoriales, si bien no cuentan con medidas implementadas, ya fueron limitados en su ingreso al mercado interno [las principales editoriales debieron asumir compromisos para sustituir importaciones]", destaca.
Si se descuentan estos productos, quedan importaciones por US$ 1479 millones (2,6% del total).
"Del resto, los juguetes tienen un arancel de 20%, que podría elevarse en apenas 15 puntos porcentuales, lo que eventualmente no resultaría suficiente para frenar a los productos chinos. En el caso de las máquinas y aparatos eléctricos, el arancel actual promedio es de 12% y podría elevarse en 23 puntos porcentuales", concluye el informe de la consultora.
APENAS UN 4% DE LAS IMPORTACIONES
"Como conclusión -finaliza el informe de abeceb.com - considerando las importaciones de los principales 200 productos no agrícolas que ingresan en la Argentina, que son aquellos que guardan cierta relevancia en el total de las importaciones, un análisis parecería indicar que la medida de incremento de aranceles aprobada por el Mercosur podría aplicarse a productos de los rubros de aparatos eléctricos, juguetes, químicos, papel y manufacturas de caucho, y podría afectar a aproximadamente un 4% de las importaciones", dice el trabajo.
Para abeceb.com, aplicar la medida sobre productos de mayor relevancia en cuanto a monto perdería efectividad, ya que muchos de ellos tienen a Brasil por principal origen o bien se trata de productos esenciales para apuntalar la infraestructura de bienes de capital o los procesos productivos internos.
"Un punto crucial es que el aumento arancelario implementado para la canasta de productos que se seleccione no implique una simple sustitución de un origen extrazona por Brasil, porque en tal caso no tendría un impacto real sobre la producción y el empleo local. Es necesario complementar las decisiones de aumento de aranceles con sectores en los cuales exista capacidad productiva excedente, o impulsar las inversiones para expandirla", concluye. (La Nación - 10/01/2012)
Brasil e Argentina se unem contra produto chinês
Conselho empresarial formado por representantes dos dois países terá 1ª reunião
O combate à concorrência chinesa será prioridade do Conselho Empresarial Brasil-Argentina, formado por representantes da indústria brasileira e do país vizinho, que realiza sua primeira reunião em meados de fevereiro.
Especialistas calculam que, entre 2005 e 2009, o Brasil deixou de exportar mais de US$ 2,5 bilhões para os países da América Latina por causa da concorrência dos produtos chineses.
As perdas da Argentina somaram US$ 730 milhões.Segundo a Confederação Nacional da Indústria (CNI ), entre os produtos dos dois parceiros do Mercosul que mais perderam mercado para os similares chineses estão químicos, de informática, de telecomunicações e máquinas e equipamentos.
Além disso, o conselho, criado no ano passado pelas presidentes do Brasil, Dilma Rousseff, e da Argentina, Cristina Kirchner, buscará soluções para os conflitos comerciais entre os dois países e promoverá a integração bilateral.
O conselho terá uma secretaria executiva formada pelaCNIe sua congêneredo país vizinho, aUniãoIndustrial Argentina (UIA). Segundo a gerenteexecutiva de Comércio Exterior, Tatiana Porto, o objetivo do conselho é facilitar a elaboração de propostas para os governos brasileiro e argentino.
"O diálogo é extremamente importante e, em muitos casos, leva asoluçõesrápidas efáceis", disse Tatiana.
Segundo dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, a corrente de comércio entre os dois países superou os US$ 39,5 trilhões no ano passado, com superávit para o Brasil de US$ 5,8 trilhões. Os principais produtos brasileiros exportados para a Argentina foram automóveis, minério de ferro, óleo combustível e partes e acessórios de carrocerias para veículos. Entre os principais artigos argentinos importados do mercado brasileiro estão automóveis, nafta, trigo e farinha de trigo. "Nas próximas semanas, vamos elaborar a pauta de discussões do conselho e, a partir daí, a CNI e UIA, além de organizar as reuniões empresariais, vão acompanhar as ações dos governos na agenda bilateral", explica Tatiana.
A CNI informou ainda que participarão do fórum 20 presidentes de grandes empresas - dez do Brasil e dez da Argentina. Entre os empresários brasileiros, estão representantes da construtora Camargo Correa, da Marfrig, do setor alimentício, da indústria de carrocerias Marcopolo e da mineradora Vale.
Do lado argentino, participam gestores da Impsa, fabricante de equipamentos para geração de energia renovável, da indústria automobilística Fiat e da Bridas, do setor de óleo e gás. Redação
Especialistas calculam que, entre 2005 e 2009, o Brasil deixou de exportar mais de US$ 2,5 bilhões para os países da América Latina por causa da concorrência dos produtos chineses. (Brasil Econômico - 10/01/2012)
Acordo estimula comércio entre Brasil e África
A Companhia Docas do Ceará (CDC), empresa responsável pelo porto de Fortaleza (Mucuripe), assina nesta terça-feira (10) protocolo de cooperação com a Enapor S.A., que administra os portos da República de Cabo Verde. O acordo viabiliza a ligação comercial marítima entre os dois terminais e atende à demanda de comércio bilateral entre Brasil e África.
A ideia é estender as exportações brasileiras aos demais países africanos usando os Portos de Cabo Verde ao invés do Porto das Ilhas Canárias. A meta é escoar não apenas cargas cearenses por Mucuripe, mas também de outros estados. Com a medida, espera-se ganhar mais rapidez e economia.
As negociações para a assinatura do protocolo tiveram a intermediação do Sebrae no Ceará. O governo de Cabo Verde interessou-se em expandir seu mercado para o Brasil principalmente por causa da atual crise econômica mundial, que reduziu o trânsito de mercadorias do país africano para a Europa e os Estados Unidos.
A aproximação entre os portos de Fortaleza e Cabo Verde é resultado do trabalho de cooperação técnica realizado pelo Sebrae no estado e a Associação Brasileira dos Sebrae Estaduais (Abase), em parceria com a Companhia Docas do Ceará (CDC), Câmara Brasil Angola no Ceará, Câmara Brasil Portugal no Ceará, as Câmaras de Comércio de Sotavento e Barlavento, FIC - Zona Franca Comercial de Cabo Verde, Agência de Empreendedorismo, Desenvolvimento e Inovação de Cabo Verde e a Agência Caboverdiana de Investimentos, com apoio da Embaixada Brasileira em Cabo Verde.
O trabalho de cooperação técnica incluiu a realização de um estudo de logística, contratado pela Abase, que avaliou as possibilidades reais de negócios entre o Nordeste brasileiro e os países africanos, principalmente os da Costa Oeste, como Angola, São Tomé e Príncipe, e Cabo Verde, além de Moçambique, na Costa Leste. Existe ainda a expectativa de incluir Senegal e Guiné Bissau, negociação incentivada pela posição geográfica estratégica do Ceará.
O convênio prevê, entre outras coisas, a transferência de tecnologia, de documentação e de estatísticas. A viabilização da nova rota deverá ser um marco nas relações comerciais e de cooperação do Brasil com a África, e posicionará o Ceará como como porta de entrada para o continente, em especial na Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP).(Agência Sebrae - 10/01/2012)
Combate à invasão de produtos chineses será prioridade, diz CNI
1ª reunião do Conselho Empresarial Brasil-Argentina deve ser em fevereiro.
De 2005 a 2009, Brasil deixou de exportar US$ 2,5 bilhões para AL, diz CNI.
Perdas da Argentina somaram US$ 730 milhõesO combate à invasão de produtos chineses no mercado latino-americano é prioridade do Conselho Empresarial Brasil-Argentina, cuja primeira reunião deve ocorrer em meados de fevereiro, informou nesta segunda-feira (9) a Confederação Nacional da Indústria (CNI).
O Conselho foi criado no ano passado pelas presidentes do Brasil, Dilma Rousseff, e da Argentina, Cristina Kirchner, para buscar soluções para os conflitos comerciais entre os dois países e promover a integração bilateral. O Conselho terá uma secretaria executiva formada pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) e sua similar do país vizinho, a União Industrial Argentina (UIA).
Segundo a CNI, especialistas calculam que, entre 2005 e 2009, o Brasil deixou de exportar mais de US$ 2,5 bilhões para os países da América Latina por causa da concorrência com a China. As perdas da Argentina somaram US$ 730 milhões, avaliou.
Entre os produtos dos dois sócios do Mercosul que mais perderam mercado para os similares chineses, segundo a CNI, estão químicos, de informática, de telecomunicações e máquinas e equipamentos.
Comércio com a Argentina
A corrente de comércio entre Brasil e Argentina superou os US$ 39,5 trilhões em 2011, com superávit para o Brasil de US$ 5,8 trilhões, segundo dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior citados pela CNI.
Os principais produtos brasileiros exportados para a Argentina foram automóveis, minério de ferro, óleo combustível e partes e acessórios de carrocerias para veículos. Entre os principais artigos argentinos importados pelo Brasil estão automóveis, nafta, trigo e farinha de trigo. (CNI - 09/01/2012)
Brasil e Argentina combaterão concorrência chinesa
O combate à invasão de produtos chineses no mercado latino-americano é prioridade do Conselho Empresarial Brasil-Argentina, cuja primeira reunião deve ocorrer em meados de fevereiro. Especialistas calculam que, de 2005 a 2009, o Brasil deixou de exportar mais de US$ 2,5 bilhões para os países da América Latina por causa da concorrência com a China. As perdas da Argentina somaram US$ 730 milhões.
Entre os produtos dos dois sócios do Mercosul que mais perderam mercado para os similares chineses estão químicos, de informática, de telecomunicações e máquinas e equipamentos. Além disso, o Conselho, criado no ano passado pelas presidentes do Brasil, Dilma Rousseff, e da Argentina, Cristina Kirchner, buscará soluções para os conflitos comerciais entre os dois países e promoverá a integração bilateral.
O Conselho terá uma secretaria executiva formada pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) e sua congênere do país vizinho, a União Industrial Argentina (UIA). Segundo a gerente-executiva de Comércio Exterior, Tatiana Porto, o intuito do Conselho é facilitar a elaboração de propostas para os governos brasileiro e argentino. "O diálogo é extremamente importante e, em muitos casos, leva a soluções rápidas e fáceis", destaca Tatiana.
Participam do fórum 20 presidentes de grandes empresas - dez do Brasil e dez da Argentina. Entre os empresários brasileiros, estão representantes da construtora Camargo Correa, da Marfrig, do setor alimentício, da indústria de carrocerias Marcopolo e da mineradora Vale. Do lado argentino, participam gestores da Impsa, fabricante de equipamentos para geração de energia renovável, da indústria automobilística Fiat e da Bridas, do setor de óleo e gás.
"Nas próximas semanas, vamos elaborar a pauta de discussões do Conselho e, a partir daí, a CNI e UIA, além de organizar as reuniões empresariais, vamos acompanhar as ações dos governos na agenda bilateral", explica Tatiana.
Comércio Bilateral - A corrente de comércio entre Brasil e Argentina superou os US$ 39,5 trilhões em 2011, com superávit para o Brasil de US$ 5,8 trilhões, segundo dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior. Os principais produtos brasileiros exportados para a Argentina foram automóveis, minério de ferro, óleo combustível e partes e acessórios de carrocerias para veículos. Entre os principais artigos argentinos importados pelo Brasil estão automóveis, nafta, trigo e farinha de trigo.
Além da Argentina, a CNI integra conselhos empresariais de outros países, como Estados Unidos, Alemanha, Japão, Taiwan e África do Sul. Esses conselhos debatem propostas para eliminar barreiras comerciais e estreitar relações bilaterais. (CNI- 09/01/2012)
¿Nos conviene el Mercosur?
Definitivamente no. Nuestros socios comerciales ideales son los países que están muy cerca y los países que están muy lejos. Como los países del Mercosur no son ni lo uno ni lo otro, son poco interesantes como socios comerciales.
Al Ecuador le conviene más comerciar con los países andinos (Colombia, Bolivia, Perú y Venezuela) y con los países industria-lizados del norte (EE.UU., Ca-nadá y Europa) que con los del Mercosur (Argentina, Brasil, Paraguay y Uruguay).
La afirmación inicial requiere de varias aclaraciones. Los mejores socios comerciales para el Ecuador son aquellos países que están muy cerca y en los cuales tenemos algunas ventajas. Por ejemplo, ventajas en transporte, en conocimiento del mercado y de similitud de estructuras productivas. Eso significa que un auto ensamblado en el Ecuador tiene más facilidad para llegar a Bogotá que para llegar a Sao Paulo y que las ensambladoras de autos ecuatorianas se parecen más a las colombianas que a las brasileñas.
Por eso, en el 2010 el Ecuador pudo exportar USD 364 millones en vehículos a los países andinos y 109 millones en electrodomésticos. Al Mercosur se exportaron solo USD 77 000 de estos productos.
En realidad, las exportaciones totales a los países andinos son varias veces mayores que las exportaciones a los países del Mercosur. En el año 2010, a los andinos les vendimos USD 3116 millones, mientras que al Mercosur fueron solo USD 200 millones. Y eso a pesar de que las economías del Mercosur son tres veces más grandes que las andinas.
Los otros socios comerciales verdaderamente interesantes para nuestro país son las grandes economías industrializadas, pues son tan diferentes al Ecuador que les podemos exportar todo aquello en lo que tenemos ventajas comparativas. Por ejemplo, a Colombia o Brasil sería imposible exportarles bananos, café, cacao o flores, mientras que todos esos productos son muy apetecidos en Canadá, EE.UU. y Alemania.
Entonces, los mejores socios comerciales para el Ecuador son los que están muy cerca (los andinos) y los que están muy lejos (EE.UU., Europa). Los países de Mercosur no son lo suficientemente diferentes ni están lo suficientemente cerca como para convertirse en grandes destinos de nuestras exportaciones.
Por eso es una gran cosa que tengamos un Tratado de Libre Comercio (TLC) con los andinos (fue una pena que Venezuela abandone la Comunidad Andina), fue un error no haber firmado el TLC con Estados Unidos, va a ser un error no firmar el TLC con Europa y no fue una buena idea firmar el TLC con el Mercosur en el 2005.
Pero claro, en la primitiva ideologización de la izquierda las cosas son al revés, pues lo latinoamericano siempre es bueno (aunque no compre nada) y lo europeo y norteamericano siempre es malo (aunque compren mucho). (El Observador - Uruguay - 09/01/2012)
Chávez e Ahmadinejad se reúnem em Caracas para ampliar parcerias
Os presidentes da Venezuela, Hugo Chávez, e do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, se reúnem nesta segunda-feira em Caracas, capital venezuelana. De acordo com Chávez, vários acordos de cooperação bilateral serão assinados por eles.
Ahmadinejad está na América Latina para uma visita de cinco dias que inclui, além da Venezuela, a Nicarágua, o Equador e Cuba.
"Vamos trabalhar o dia todo, verificando acordos de cooperação. Nós não somos ameaça para ninguém. Somente temos direitos e somos soberanos", disse Chávez, no programa semanal que conduz na televisão e no rádio.
Durante o programa, Chávez condenou a posição do governo norte-americano que criticou a proximidade de Ahmadinejad com a Venezuela. Segundo ele, a parceria dos venezuelanos com os iranianos gerou a aceleração do processo de construção de casas populares e o incentivo à indústria.
Ahmadinejad visita a América Latina com quatro ministros --Ali Akbar Salehi (Relações Exteriores), Mehdi Gazanfari (Comércio, Indústria e Minas), Majid Namju (Energia), Seyed Shamsedin Hosseini (Economia)-- e um grupo de empresários.
Desde 2010, o Irã é alvo de uma série de sanções econômicas, comerciais e financeiras da comunidade internacional. As medidas foram aprovadas como forma de pressionar o governo iraniano a abandonar o programa nuclear desenvolvido no país. Para a comunidade internacional, o programa mantém a produção de armas nucleares. Os iranianos negam.
Ahmadinejad visitou a Venezuela em novembro de 2009, quando foram firmados 68 projetos de cooperação bilateral nas áreas de agricultura, da indústria, do comércio e de energia.
Durante a visita foi inaugurado o Fundo Único Binacional Irã-Venezuela, com o objetivo de estimular a produção e os investimentos entre as duas nações.
Em outubro de 2010, Chávez foi ao Irã, onde assinou 11 protocolos de intenção relativos à cooperação nos setores de petróleo, energia, da indústria e do comércio. Também houve discussões sobre futuros acordos nas áreas de transporte de hidrocarbonetos e produção de alimentos, além de questões agrícolas.(Agência Brasil - 09/01/2012)
China vai propor acordo comercial a líder sul-coreano
A China irá oferecer ao presidente da Coreia do Sul, Lee Myung-bak, a possibilidade de iniciar a negociação de um acordo comercial nos próximos meses, disse a imprensa estatal chinesa nesta segunda-feira, informando que as duas partes querem negociar um acordo bilateral, e um outro tripartite, incluindo o Japão.
Uma fonte não identificada do Ministério do Comércio chinês disse ao jornal que a negociação do acordo bilateral Pequim-Seul "provavelmente começará no primeiro semestre do ano".
Vizinhos da China veem com preocupação a modernização militar chinesa, e o jornal oficial sugeriu que as negociações comerciais --com a perspectiva de maior acesso a seus mercados e investimentos-- poderiam ser uma forma de combater tais desconfianças.
"Particularmente com o rápido desenvolvimento da China alterando o equilíbrio relativo de poder entre os dois lados, surgiram nas relações sino-sul-coreanas problemas que precisam de atenção urgente", disse a edição internacional do "Diário do Povo", órgão oficial do Partido Comunista chinês.
"Acima de tudo, há o problema da confiança política mútua", disse artigo de capa assinado por Zhang Liangui, importante especialista chinês em assuntos coreanos.
A questão da Coreia do Norte, com cujo regime a China tem uma relativa proximidade, também deve ser discutida na visita de Lee. (Reuters - 09/01/2012)
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Índia abre mercado a estrangeiros
O governo da Índia concordou com a abertura do setor varejista do país de forma a permitir o controle por estrangeiros de até 100% das lojas de marca única no país. A decisão almeja tranquilizar investidores internacionais de que o Partido do Congresso, governista, está comprometido em prosseguir com reformas essenciais.
A abertura permitirá que varejistas estrangeiras como Ikea, Adidas e Marks and Spencer, operem na Índia sem a necessidade de sócios locais.
A novidade chega depois de um sério golpe para os investidores em 2011, quando políticos indianos proibiram a entrada de supermercados estrangeiros, como Tesco e Walmart, considerados na Índia varejistas de marcas múltiplas, no lucrativo mercado varejista do país.
A perspectiva de que grupos estrangeiros pudessem ter até 51% de supermercados no país desencadeou protestos, tanto nas ruas como no fragmentado Parlamento indiano. Os opositores à ideia temiam que a entrada estrangeira pudesse prejudicar pequenos comerciantes e agricultores, destruindo empregos e empresas.
A decisão de acabar com as restrições ao varejo de marca única foi bem recebida pelos varejistas domésticos, já que veem a abertura como um passo importante em direção às reformas no setor de marcas múltiplas.
"É uma decisão bem-vinda, com claro potencial para melhorar o clima geral da economia", disse Rajan Bharti Mittal, vice-presidente e diretor-gerente da Bharti Enterprises, uma das maiores varejistas indianas. "Esperamos que a iniciativa seja precursora de uma maior liberalização no futuro."
"Aumentos nos investimentos das varejistas estrangeiras de marca única não apenas ajudarão a dar mais opções aos consumidores, mas também a melhorar a competitividade das empresas indianas, com o acesso a práticas de administração, tecnologias e projetos globais", afirmou Bharti Mittal.
A Ikea, varejista de móveis sueca, que ainda não tem operações na Índia, informou diversas vezes estar disposta a abrir lojas na terceira maior economia da Ásia. O executivo-chefe da Ikea, Mikael Ohlsson, já disse que sonha em vender seus móveis, que os próprios consumidores montam, à classe média indiana, cada vez maior.
"Queremos abertura na Índia", disse Ohlsson recentemente ao "Financial Times". "Há uma necessidade real de bons móveis residenciais de baixo preço na Índia."
A Marks and Spencer, uma das principais varejistas britânicas na Índia, depois da notícia, informou que continua comprometida em trabalhar com seu sócio indiano. De acordo com a empresa, em um país como a Índia, é útil ter um sócio que compreenda o mercado.
A decisão também deverá beneficiar os produtores indianos porque qualquer varejista estrangeiro terá de obter pelo menos 30% de seus produtos de pequenas empresas locais. (Financial Times/Valor Econômico - 13/01/2012)
Guerra de chips em PCs avança para eletroeletrônicos
Las Vegas - Com poucas novidades expressivas, além dos computadores leves e finos batizados de ultrabooks, a atual edição da Consumer Electronics Show (CES), que termina hoje em Las Vegas, pode não ter sido suficiente para impressionar o mundo da tecnologia.
Se por um lado desapontou os mais ávidos pela última palavra em produtos eletrônicos por um lado, por outro, o evento serviu para marcar um novo capítulo de uma disputa recente, que já ficou conhecida como a "nova guerra dos chips".
Uma referência à batalha entre Intel e AMD pela liderança no fornecimento de processadores para PCs durante a década de 90 e o início dos anos 2000, a disputa atual vai além dos computadores. A batalha é para definir quem será o principal fornecedor de componentes que farão funcionar carros, geladeiras, TVs e quaisquer outros dispositivos.
Depois de dois anos de expectativas, a Intel finalmente mostrou o primeiro smartphone equipado com um de seus componentes, o K800, da Lenovo, que chega ao mercado chinês no segundo semestre. A Qualcomm anunciou novidades nos trabalhos com a Microsoft para adaptar o sistema operacional Windows para o mundo dos dispositivos móveis. A Nvidia mostrou a terceira geração de seu chip Tegra.
Está em jogo a liderança de um mercado que poderá crescer mais de cinco vezes nos próximos oito anos. A estimativa da Ericsson é de que até 2020 o número de dispositivos conectados no mundo passará dos atuais 7 bilhões para 50 bilhões. O número inclui desde telefones e computadores até eletrodomésticos, carros, lâmpadas, sapatos e afins. Ao seu modo, cada um desses itens precisará de componentes que permitam a eles se conectarem a redes, exibir informações e até processar alguns dados.
Nos estandes de muitos dos 3,3 mil expositores da CES, vários desses produtos foram apresentados. A maioria equipada com componentes da Qualcomm, Nvidia, ou da Marvell Technologies, que usam tecnologia da inglesa ARM para fabricar seus chips - a Intel usa outro padrão, conhecido como x86. "[Os componentes baseados na tecnologia ARM] permitiram que os fabricantes desenvolvessem uma nova linha de produtos que não era possível criar no passado", disse Yang Yuanqing, executivo-chefe da Lenovo, durante coletiva de imprensa na CES, segunda-feira.
Entre os tablets, os processadores ARM respondem por 90% do total, segundo estimativas de mercado. Nos smartphones, a disputa concentra-se mais efetivamente entre Nvidia e Qualcomm. Nesse campo, a entrada Intel não parece assustar os concorrentes.
Mas a chegada do gigante Intel - detentora de 80% do mercado de chips para PCs e dona de uma receita líquida de US$ 43 bilhões em 2010, dez vezes superior à da Nvidia e quase três vezes maior que a da Qualcomm - na disputa por mercados como o dos smartphones não parece assustar Jen-Hsun Huang, fundador e executivo-chefe da Nvidia. "Os processadores ARM e os aplicativos que funcionam neles já estão disponíveis. Se você pensar em termos de escala, quem vai querer apostar em um ambiente totalmente novo?", disse ao Valor após encontro realizado com a imprensa ontem.
Na avaliação do executivo, o poderio econômico da Intel sozinho não será suficiente para garantir um espaço para a companhia nesse disputado mercado. "É muito difícil criar incentivos financeiros suficientes para convencer desenvolvedores e consumidores a mudar de algo que já se provou eficiente", disse. As respostas para dúvidas como essa servem de chamariz para a próxima edição da CES, que acontecerá em janeiro de 2013. (Valor Econômico - 13/01/2012)
Intel faz parceria com Motorola Mobility e Lenovo para smartphones
SÃO PAULO - A Intel, fabricante mundial de semicondutores, anunciou parceria com a empresa de celulares americana Motorola Mobility e a chinesa Lenovo para levar os seus processadores ao mercado de smartphones. A estratégia representa a primeira incursão da Intel no mercado de celulares inteligentes. A meta da companhia é fechar outros acordos ao longo do ano. - Embora lidere com folga o mercado de semicondutores para computadores, a Intel ainda não havia anunciado uma ação específica para ganhar mercado rapidamente na área de dispositivos móveis. Existem no mercado mundial em torno de cinco bilhões de celulares em uso, dos quais menos de 800 milhões são smartphones. Esses aparelhos, que permitem a conexão com a Internet e outras funções mais sofisticadas, são a grande aposta de fabricantes e celulares em todo o mundo.
Os aparelhos das duas fabricantes terão chips da Intel de 32 nanômetros, capazes de realizar tarefas mais sofisticadas, como produzir vídeos em alta definição, captar sinal de TV e realizar pagamentos móveis por meio da tecnologia de aproximação (NFC, na sigla em inglês).
A Lenovo será a primeira a colocar os aparelhos no mercado. O celular com processadores da Intel será lançado na China no segundo trimestre deste ano e será vendido pela operadora China Unicom.
A Motorola Mobility também informou que desenvolve aparelhos celulares com os novos chips da Intel, para lançamento mundial no segundo semestre deste ano. De acordo com a companhia, os celulares terão sistema operacional Android, do Google. O acordo entre as duas empresas também prevê o desenvolvimento conjunto de tecnologias na área de tablets.
Aquisição
Também no ambiente dos semicondutores, a Apple anunciou a compra da fabricante israelense Anobit, cujos chips de memória flash já são utilizados em aparelhos como o tablet iPad.
A imprensa israelense já havia noticiado em dezembro de 2011 que a Apple fechara contrato com a Anobit por até US$ 500 milhões, em sua primeira aquisição de uma companhia israelense. Na ocasião, a Apple tinha se negado a comentar o assunto.
A Anobit, fundada no ano de 2006, desenvolveu um chip que melhora o desempenho de dispositivos, e que está presente em diversos aparelhos da Apple como o celular iPhone, iPad e MacBook Air, entre outros produtos. (DCI - 12/01/2012)
LG mantém conversas para parcerias em telefonia móvel—executivo
LAS VEGAS - A LG Electronics está em conversas com diversos participantes do mercado para potenciais parcerias, disse nesta quarta-feira o chefe da divisão de mobilidade da LG, à medida que a terceira maior fabricante de aparelhos celulares do mundo busca uma reviravolta em sua cambaleante operação de telefonia móvel.
A empresa sul-coreana, contudo, permanece comprometida com seu negócio de mobilidade e não possui planos de se desfazer desta operação deficitária, afirmou à Reuters Park Jong-seok, presidente-executivo do negócio de comunicações móveis da LG.
"Estamos sempre conversando com outras companhias (sobre alianças e acordos). Estamos analisando quase toda aliança disponível no setor de mobilidade que consigo pensar", disse Park em entrevista.
"Algumas das conversas estão bem ativas... mas uma coisa que não muda é que a LG está muito comprometida com o negócio móvel", disse.
A LG recentemente obteve quase 1 bilhão de dólares em uma recente emissão de ações a fim de impulsionar seu negócio de aparelhos celulares, após a unidade ter registrado prejuízo próximo a esse valor durante seis trimestres consecutivos.
Seu lento ritmo de recuperação desencadeou rumores de que a LG possa ter que reestruturar seu negócio em meio a uma série de alianças que aconteceram no setor.
O Google, no ano passado, concordou em comprar a Motorola Mobility por 12,5 bilhões de dólares, enquanto a Nokia abriu mão de seu software para utilizar telefones que utilizam o sistema operacional da Microsoft. (Reuters - 12/01/2012)
Dell planeja lançar tablet no final de 2012
LAS VEGAS - A Dell planeja lançar no varejo seu primeiro tablet no final de 2012, marcando a estreia da empresa em um mercado cada vez mais disputado no qual a rival Hewlett-Packard já admitiu derrota.
A companhia fundada por Michael Dell está assistindo ao crescente número de tablets e smartphones chegando ao mercado e roubando clientes que antes compravam computadores.
A Dell, entretanto, aprendeu com a rapidez das rivais e compreendeu melhor porque os consumidores consideram o "ecossistema" de um tablet tão importante quanto o hardware, disse o vice-presidente de comércio da empresa, Steve Felice.
A companhia, que vem registrando queda gradual nas vendas mundiais de computadores, já testou o mercado com o "Streak", um tablet voltado a empresas. Agora, planeja esforço mais amplo no mercado ao consumidor, disse Felice à Reuters durante a feira Consumer Electronics Show (CES), em Las Vegas.
Enquanto rivais como HP e Research in Motion lançavam diversos aparelhos com muito alarde, tentando concorrer diretamente com o iPad, da Apple, que domina o mercado, a Dell optou pela discrição, e com bons motivos, segundo Felice.
"Estamos trabalhando com calma. O fracasso de todos que tentaram lançar tablets, exceto a Apple, sugere que a escolha da Dell foi prudente", disse Felice. "Ingressaremos com mais força nesse mercado no final do ano. Ou seja, não estamos desconsiderando sua importância, mas sim tomando o maior cuidado para preparar nossa entrada".
"Quando o assunto era o computador pessoal, o foco das pessoas estava mais no hardware. Mas, quando se trata de tablets ou celulares inteligentes, as pessoas estão interessadas no ambiente mais amplo no qual os aparelhos operam", acrescentou. "À medida que amadurecemos nosso pensamento quanto a isso, passamos a dedicar mais tempo ao ecossistema".
Felice preferiu não dizer qual sistema operacional a Dell adotaria para enfrentar a Apple -o Windows 8 da Microsoft, que sairá este ano, ou o popular Android do Google-, afirmando que ambos são opções viáveis. (Reuters - 12/01/2012)
Samsung pode considerar aliança com Olympus, diz fonte
SEUL/TÓQUIO - A sul-coreana Samsung Electronics está aberta a uma aliança com a japonesa Olympus, em tese rodeando um dos maiores nomes em equipamentos médicos do mundo, assim como fizeram outras companhias de produtos eletrônicos.
Sony e Panasonic, grandes concorrentes japonesas da Samsung, já mostram interesse na Olympus, que atualmente tem necessidade de capital por causa do escândalo contábil de 1,7 bilhão de dólares que a atinge há três meses, disseram à Reuters fontes em Tóquio.
A Olympus é mais conhecida pelas câmeras, mas a maior parte da receita vem do segmento de cuidados com a saúde, em que domina o mercado de endoscópios gastrointestinais.
A Samsung descartou qualquer interesse no negócio de câmeras da Olympus, mas uma fonte da companhia sul-coreana disse que ela pode considerar uma aliança com a japonesa em outras áreas.
"Estamos abertos à possibilidade de uma aliança com a Olympus", afirmou a fonte com conhecimento no assunto, sob condição de anonimato.
Uma porta-voz da Samsung declarou nesta quinta-feira que a companhia não recebeu nenhuma oferta detalhada da Olympus sobre uma aliança.
A Olympus, ao responder a uma matéria do jornal Asahi, disse que considerava várias opções de reestruturação e que não decidiu nada. (Reuters - 12/01/2012)
Indústria recua na Grã-Bretanha e eleva risco de recessão
LONDRES - A produção industrial da Grã-Bretanha teve uma queda inesperada em novembro, com forte redução na produção de energia e na extração de petróleo e gás natural, segundo dados oficiais divulgados nesta quinta-feira, elevando a perspectiva de que a economia em geral tenha encolhido no último trimestre de 2011.
A agência de estatísticas britânica ONS informou que a produção industrial caiu 0,6 por cento em novembro sobre o mês anterior, contrariando previsões de uma leitura estável.
A medida mais restrita da produção manufatureira, que exclui serviços públicos e a extração de petróleo e gás, recuou 0,2 por cento no mês, contra queda revisada de 0,9 por cento em outubro.
Em termos anuais, a produção manufatureira diminuiu 0,6 por cento. É a primeira queda anual desde janeiro de 2010.
A ONS disse que a retração da produção industrial se deveu ao declínio na extração de petróleo e gás e que também foi influenciada por uma produção menor de energia, causada pelo clima extraordinariamente ameno em novembro.
As manufaturas têm sido um dos poucos pontos de esperança na lenta recuperação econômica britânica, mas o setor foi prejudicado pelos problemas na zona do euro, que é o maior parceiro comercial da Grã-Bretanha. Os prejuízos vêm, ainda, dos cortes de gastos do governo e do pessimismo dos consumidores. (Reuters - 12/01/2012)
Nova geração de TVs tem recursos “importados” dos tablets
LAS VEGAS - Telas sensíveis ao toque, sensores de movimento e reconhecimento de voz. Os recursos que tornaram os smartphones e os tablets sucessos de venda em todo o mundo estão agora chegando às TVs. Durante a Consumer Electronics Show (CES), em Las Vegas, todos os grandes fabricantes de aparelhos demonstraram equipamentos que tentam reavivar o interesse dos consumidores por essa categoria de eletrônicos.
Uma das principais mudanças presente em todas as empresas é no controle remoto e na forma de interagir com as TVs. Ao invés de acessórios complicados, com dezenas de botões - que em sua maioria, raramente são usados - dispositivos com sensor de movimento, comandos por voz e trackpad, como o encontrado nos notebooks. Algumas empresas, como a LG e a Samsung, mostram sensores parecidos com o Kinect, da Microsoft, que permite controlar a TV por meio de gestos. Na Sony e na Panasonic, também é possível aposentar o controle tradicional usando um aplicativo baixado em um smartphone, ou tablet.
A chinesa Haier (que não tem presença no Brasil) demonstrou um dispositivo batizado de Brain Wave TV. O equipamento, uma espécie de tiara colocada na cabeça e ligada no lóbulo da orelha, permite interagir com a TV usando somente as ondas do cérebro. Por enquanto, o uso é limitado a alguns jogos e aplicativos embarcados. As TVs com essa tecnologia já estão à venda na China e devem chegar aos Estados Unidos esse ano.
A Sony, que lançou produtos equipados com a segunda versão do sistema para TVs do Google, a Google TV, aderiu ao trackpad e aos comandos por voz. As funcionalidades estão disponíveis nos set-top-boxes e em aparelhos como tocadores de Blu-ray da companhia. O uso da voz, no entanto, é limitado a buscas no Google. Mudar de canal, ou mexer no volume ainda é uma realidade distante.
As fabricantes também estão começando a mostrar as novas tecnologias de imagem que estarão presentes nas TVs nos próximos anos. Uma das mais badaladas durante a CES é a que usa painéis com compostos orgânicos, a OLED - considerada a nova geração dos LEDs usados atualmente. A Mitsubishi apresentou a terceira geração dos aparelhos feitos com tecnologia de transmissão a laser. A companhia japonesa é a única a apostar no sistema, que é bem mais caro do que as outras tecnologias. Os painéis de Plasma também tiveram espaço, com lançamentos da Panazonic, Samsung e LG.
As novas tecnologias prometem maior qualidade de imagens e menor consumo de energia, na maioria dos casos. Mas esses benefícios têm um preço. Como todo lançamento, as novas TVs chegarão ao mercado com preços mais altos do que os praticados atualmente. Por isso, é melhor esperar um pouco antes de ir às compras.
Tantas mudanças nas TVs têm um claro objetivo: seduzir o consumidor para reavivar as vendas de aparelhos. Segundo a Consumer Electronics Association (CEA), o mercado de TVs em 2012 ficará praticamente estável na comparação com 2011 em termos de unidades vendidas: 262 milhões contra 260 milhões. Trata-se do pior desempenho para o setor nos últimos cinco anos. O ritmo mais lento em vendas será resultado de uma retração de 13% nos mercados emergentes e de quedas de 40% e de 15% nas vendas de aparelhos de tubo e de Plasma, respectivamente. Ao mesmo tempo, os fabricantes terão oportunidades nos países emergentes (com previsão de alta de 11% nas vendas) e em tecnologias como 3D (alta de 133%), LED (mais 33%) e nos aparelhos com conexão à internet (crescimento de 56%). De acordo com a CEA, 64% do mercado mundial de TVs em 2012 será composto por aparelhos com tecnologia LED. Em 2011, o número era de 42%. (Valor Econômico - 12/01/2012)
Semikron foca em eólica e carro elétrico
Fugir da briga de preços com os chineses é a base da estratégia definida pela subsidiária do grupo alemão Semikron no Brasil para continuar crescendo na região. Tradicional fabricante de diodos, componentes para circuitos eletrônicos e chips, a empresa escolheu os setores de energia, mais especificamente a geração eólica, e automotivo, principalmente os carros elétricos, para manter o ritmo de expansão. O pano de fundo é a drástica redução nos preços dos diodos e componentes em todo o mundo, causada pela inundação dos produtos chineses.
Na área de energia, o objetivo é fornecer o sistema de potência dos módulos conversores de frequência que conectam os aerogeradores à rede de transmissão. Já para o setor automotivo, a ideia é produzir os inversores usados nos carros elétricos. A matriz atende boa parte dos fabricantes europeus de aerogeradores, até mesmo os já instalados no Brasil. "Algumas multinacionais que estão produzindo aerogeradores aqui estão trazendo o equipamento de fora. Muitas vezes da nossa matriz. Então, se comprarem de nós (no Brasil), vão aumentar ainda mais o nível de nacionalização de seus produtos", conta Edelweis Ritt, presidente no Brasil e única mulher a comandar uma subsidiária entre as 34 que o grupo possui atualmente.
A Semikron já tem experiência com veículos movidos por motores elétricos ou híbridos, como em máquinas agrícolas e de construção, empilhadeiras, barcos e ônibus. A empresa fornece equipamentos para os ônibus híbridos que circulam em São Paulo. Mas o maior desafio neste momento é participar do desenvolvimento dos carros elétricos, atual aposta das grandes montadoras mundiais. Edelweis diz que a empresa conseguiu uma grande vitória ao reduzir o peso do seu equipamento em 33%. A redução do peso final do carro elétrico é um dos maiores problemas das montadoras nesses projetos.
Motivado pelo potencial do carro elétrico, o grupo criou uma empresa somente para atuar no desenvolvimento desse produto. A Semikron Automotive Systems tem 45 empregados e vai se concentrar no desenvolvimento e produção de inversores, conversores e carregadores para veículos elétricos em geral. "Está sendo uma intensa troca de experiências. Nós estamos aprendendo com as montadoras e elas com a gente", conta a presidente no Brasil.
O segmento de veículos elétricos, que inclui as máquinas, está entre os quatro principais para a empresa e respondeu por 10% da receita total do grupo no ano passado, de € 545 milhões. A companhia fechou 2011 com um faturamento de R$ 120 milhões no Brasil, alta de 30% sobre 2010. A expectativa é crescer 10% este ano. Da receita total, um terço vem da venda de chips, um terço dos diodos e componentes e outro um terço do que chama de soluções - produtos específicos para determinados clientes. Do total de 3,6 mil empregados no mundo, cerca de 500 estão no Brasil.
Da receita total, a Europa responde por 60%. A Ásia aparece em segundo lugar com 30%. As Américas ficam com os 10% restantes. Mas o potencial do mercado interno brasileiro, atrelado ao problema de câmbio e inflação, faz com que a aposta da subsidiária seja mesmo nas vendas internas. (Valor Econômico - 12/01/2012)
Os chineses vão às compras; Brasil é alvo
Os chineses estão comprando já há alguns anos, mas certos fatores devem fazer com que cresça neste ano o apetite chinês por ativos no exterior. O Brasil deve ser um alvo preferencial, e a China pode se tornar em poucos anos o maior investidor externo por aqui.
O investimento chinês em fusões e aquisições (M&A, na sigla em inglês] no exterior cresceu solidamente nos últimos três anos, atingindo US$ 61,2 bilhões em 2011, segundo dados da consultoria Dealogic (veja gráfico). Isso representa a maior parte dos US$ 72,4 bilhões que Pequim estima ter investido no exterior no ano passado. Esses dois valores são recordes.
"As empresas chinesas são cada vez mais importantes em M&A global. Achamos que, entre 2010 e 2020, elas investirão no exterior US$ 1 trilhão. É um processo de crescimento estrutural", afirmou Thilo Hanemann, diretor de pesquisa do Rhodium Group, uma consultoria americana especializada em investimentos.
Três fatores vão estimular neste ano os investimentos chineses.
O primeiro já vem de anos: é a necessidade de garantir o suprimento de energia, recursos naturais e alimentos ao país. "Esse ainda é o motor principal do investimento chinês", disse Oded Shenkar, professor de Administração na Ohio State University e autor dos livros "O Século da China" e "Copicats - Melhor que o Original". Mesmo se a China desacelerar, ele crê que o pouso será suave e a demanda por recursos continuará forte.
O segundo fator ficou mais evidente em 2011, com a crise da dívida europeia e a ameaça de calote americano: a necessidade de Pequim de diversificar seus investimentos, limitando a exposição a títulos soberanos. "Por causa da balança comercial, há muito capital na China. Os chineses costumam comprar títulos soberanos, especialmente americanos. Mas o governo quer reduzir a exposição. Há uma tendência clara de mudança do portfolio, de títulos para ativos reais", disse Joel Moser, sócio da Bingham McCutchen, escritório de advocacia com forte atuação na área de investimentos.
O terceiro fator é o crédito fácil e barato, frequentemente estatal, o que deixa empresas chinesas em vantagem em relação a rivais ocidentais que estão com dificuldade de se financiar nos bancos e mercados de ações locais. "O acesso a financiamento é fácil, e o custo do capital é baixo para as empresas chinesas", afirmou Ricardo Carvalho, sócio da M&A Transactions Services e líder do Chinese Services Group, ambos da Deloitte no Brasil. O custo financeiro menor, diz ele, faz com que os chineses possam aceitar taxas de retorno menores.
Outro fator, conjuntural, deve atrair o capital chinês neste ano: a oferta de ativos seguros e subavaliados na Europa, onde os governos estão iniciando planos agressivos de privatização e onde os bancos terão de vender ativos para levantar capital. Mas esse fator não deve ser determinante. "Não vejo a China agindo como um fundo abutre, indo atrás de repente de explorar o preço reduzido de ativos europeus", disse Moser. "Empresas que pensavam em investir na Europa nos próximos cinco anos podem acelerar isso", afirmou Shenkar.
Para analistas, a China entrou numa nova fase de gasto externo. Após focar em facilitação de comércio (portos, ferrovias etc.) e recursos naturais, o país agora que subir na cadeia de valor, com a compra de tecnologia ou com uma melhor inserção nas redes de distribuição globais. "Acho que eles buscarão nos EUA e na Europa empresas com tecnologia e marcas de bens de consumo valorizadas", disse Hanemann.
"O movimento de expansão chinês é uma estratégia de governo", disse Carvalho. "E o plano quinquenal em vigor [até 2016] visa não só garantir recursos naturais, mas ganhar tecnologia e 'market share'."
Um caso exemplar citado foi a aquisição da Volvo Cars pela Geely, em 2010. "A Geely não tinha tecnologia avançada, não tinha uma marca global, não tinha um histórico de segurança, não tinha experiência em administrar uma empresa global. Ela obteve tudo isso com a compra da Volvo", disse Shenkar.
Hanemann vê obstáculos a um crescimento mais acelerado do investimento chinês. "Ainda há barreiras naturais. Em muitas empresas falta capacidade, falta know-how de fusões e aquisições, falta pessoal qualificado para integrar estruturas e manter operações no exterior." Ele acha que os investimentos vão crescer neste ano, mas não muito em relação à tendência recente.
Hanemann cita ainda a resistência de muitos países ao capital chinês. Outros analistas creem (assim como o governo chinês) acham que a crise fez essa rejeição diminuir. Persiste a preocupação, porém, com áreas sensíveis de segurança nacional.
O Brasil deve se beneficiar dessa expansão. "Em quatro ou cinco anos, o investimento chinês no Brasil chegará a US$ 40 ou US$ 50 bilhões. A China se tornará o maior investidor no país", disse Carvalho. Para ele, a segunda onda (depois da África) de investimento chinês em recursos naturais será na América Latina.
Shenkar alerta que muitos países não têm uma estratégia para receber o capital chinês. "É preciso encorajar o investimento que eleva o emprego. Mas há investimentos que reduzem o emprego, quando o comprador se apropria do que lhe interessa e fecha a produção. Isso não tem valor para a economia local."
"Esse processo [a expansão das empresas chinesas] vai aumentar dramaticamente. Os países devem se preparar, pensar em que tipo de investimento chinês querem. A maioria está fazendo uma avaliação caso a caso, não tem uma política clara", afirmou. Humberto Saccomandi (Valor Econômico - 12/01/2012)
Alemanha registra primeira contração econômica em dois anos
A economia da Alemanha teve uma ligeira contração no quarto trimestre, levantando dúvidas sobre quanto tempo ainda Berlim continuará a arcar com o ônus de resgatar países membros da zona do euro sem disciplina fiscal.
A agência alemã de estatísticas informou que o PIB caiu cerca de 0,25% no quarto trimestre em relação ao terceiro, pondo fim a uma expansão de dois anos.
Embora já se esperasse que a recente desaceleração da economia europeia e mundial atingisse a Alemanha no quarto trimestre, já que o crescimento do país depende muito das exportações, alguns economistas previram que a maior economia da Europa conseguiria escapar por pouco de uma contração.
As fortes exportações da Alemanha, beneficiadas pela demanda dos mercados emergentes por seus carros e equipamentos, permitiram ao país escapar dos piores efeitos da crise europeia. Essa boa resistência também possibilitou à chanceler alemã Angela Merkel convencer seus relutantes cidadãos a aceitar uma série de onerosos pacotes de resgate para a Grécia, Portugal e Irlanda. Mas se a crise econômica persistir, a pressão política contra novos pacotes de socorro vai aumentar, inevitavelmente, ameaçando os esforços mais amplos da Europa para controlar a crise.
Mesmo assim, o desemprego alemão está no nível mais baixo em uma geração, e o consumo aumentou nos últimos meses. A confiança dos empresários, embora inferior aos seus pontos altos de 2011, subiu um pouco no final do ano passado.
"Esta não é uma contração comum", disse Jörg Krämer, economista chefe do Commerzbank, que atribui a fraqueza da economia à incerteza criada pela crise de dívida. Ele prevê ligeira contração do PIB alemão no primeiro trimestre, o que colocaria a economia do país em uma recessão leve.
Em 2011 como um todo a economia cresceu 3% — o segundo ano seguido com crescimento de 3% ou mais. É uma recuperação mais rápida da recessão de 2008-2009 do que tiveram outras economias da Europa e também a dos Estados Unidos.
O Deutsche Bundesbank, o banco central da Alemanha, fez uma previsão de que o crescimento econômico alemão diminuirá para 0,6% este ano, assumindo que não haja uma nova escalada da crise da dívida soberana.
"Nossa previsão é que a fraqueza econômica deve continuar no início de 2012, e haverá uma estabilização no segundo semestre", disse Rainer Sartoris, economista do HSBC. O consumo das famílias "deve ser uma força estabilizadora", disse ele, dado o baixo nível de desemprego.
Os economistas apontam para o baixo desemprego na Alemanha — que está em 6,8%, seu menor nível em duas décadas — e para uma série de pesquisas recentes com empresas, com respostas positivas, como sinais de uma resistência persistente. Por exemplo, a pesquisa Ifo sobre o clima empresarial, um indicador econômico acompanhado de perto, subiu em dezembro.
Ainda assim, se a Alemanha entrar em uma leve recessão, os efeitos se espalhariam por toda a região. A Alemanha representa cerca de um terço da economia total da zona do euro, e tem sido o motor do crescimento da região nos últimos trimestres.
A crise da dívida que levou a Grécia, Portugal e Irlanda a buscar socorro internacional ainda ameaça a contagiar a Itália e a Espanha. Os esforços governamentais para conter os déficits por meio de cortes de gastos reduziram o crescimento em toda a região, prejudicando a demanda e a arrecadação fiscal dos governos. (The Wall Street Journal - 12/01/2012)
Motorola e Lenovo usarão chips da Intel em novos smartphones
A Intel Corp. ganhou um bem-vindo incentivo para aumentar sua credibilidade no mercado de smartphones, com a divulgação de que a Motorola Holdings Inc. e a Lenovo Group Ltd. planejam lançar telefones com os processadores da empresa.
A gigante do Vale do Silício, cujos processadores são o cérebro da maioria dos computadores, luta há anos para transferir sua tecnologia para os smartphones. Esses aparelhos usam principalmente processadores de empresas que licenciam patentes da ARM Holdings PLC — que usam pouca eletricidade e permitem uma duração maior das baterias dos aparelhos portáteis.
A Intel acredita que conseguiu alcançar o consumo de eletricidade dos processadores desenvolvidos pela ARM e tem até algumas vantagens de desempenho com um novo produto — que recebeu o codinome Medfield — baseado em outro microchip chamado Atom, usado em notebooks mais baratos. A empresa combinou esses processadores e outros num "design de referência" para um smartphone — essencialmente um celular totalmente operacional que pode ajudar seus clientes a projetar seus próprios produtos.
Embora a Intel já tivesse demonstrado o novo processador, ainda não tinha conseguido anunciar que alguma empresa parceira planejava usar o microchip até um discurso do diretor-presidente Paul Otellini na abertura da feira de eletrônicos Consumer Electronics Show, em Las Vegas.
Sanjay Jha, diretor-presidente da Motorola, disse que vai iniciar um relacionamento de vários anos e vários aparelhos com a Intel, que envolverá computadores tablet e também smartphones. A empresa, que usa processadores projetados pela ARM em outros eletrônicos, espera começar a testar os novos aparelhos com as operadoras celular no meio do ano, e começar a vender os telefones logo depois. Ele não especificou quais mercados vai buscar inicialmente.
Liu Jun, diretor da Lenovo, exibiu um novo smartphone com processadores da Intel, o K800, que ele disse que estará disponível na China no segundo trimestre de 2012. "Este celular tem um desempenho multitarefa incrível, sem comprometer a duração da bateria", disse ele.
Nenhum dos novos clientes da Intel domina o segmento de smartphones. A Lenovo chegou ao mercado há relativamente pouco tempo. Pesquisadores da Gartner Inc. calculam que ela responde por apenas 1,7% dos aparelhos vendidos para consumidores finais na China, sua terra natal, e tem apenas apenas 0,3% do mercado mundial.
A Motorola, uma das pioneiras da indústria de celulares, tem lutado nos últimos anos para concorrer com empresas que inovaram o segmento de smartphones, como a Apple e a Samsung Electronics Co.
Mas Scott Steinberg, diretor da firma de consultoria estratégica TechSavvy Global, disse que a Lenovo e a Motorola ainda não podem ser descartadas, já que a maioria dos consumidores mundiais ainda não se mudaram para os smartphones.
Tom Kilroy, vice-presidente sênior de vendas e marketing da Intel, enquanto isso, disse que a fabricante de chips não se preocupa com o fato de que seu primeiro smartphone será vendido na China, e não nos Estados Unidos. "Os EUA são um mercado importante, mas nossos esforços são para vender celulares e fechar parcerias no mundo inteiro", disse ele. (The Wall Street Journal - 12/01/2012)
Samsung e LG são multadas na Coreia do Sul por cartel
A Comissão de Justo Comércio (FTC, na sigla em inglês) da Coreia do Sul multou nesta quinta-feira a Samsung Electronics em US$ 22 milhões e a LG Electronics em US$ 15 milhões por combinarem os preços de seus principais produtos, informou a agência local de notícias Yonhap.
O órgão que combate o monopólio penaliza desta forma as duas principais empresas de tecnologia do país, que supostamente pactuaram os preços de máquinas de lavar, televisores de tela plana e notebooks no mercado sul-coreano.
Os dois gigantes tecnológicos mantiveram, segundo a FTC, reuniões secretas entre 2008 e 2009 nas quais entraram em acordo para manter os preços das lavadoras em determinados níveis.
As divisões de eletrônica de Samsung e LG teriam manipulado de forma similar os preços de televisores de tela plana e de computadores portáteis.
Através das reuniões secretas as duas companhias foram capazes de evitar a concorrência excessiva e subir os preços, segundo a Yonhap.
As marcas de Samsung e LG praticamente monopolizam o setor de televisores de tela plana do país, com uma fração de mercado conjunta de 99%, e em menor escala o de lavadoras, com 90%, e o de computadores portáteis, com 58%, segundo dados da FTC. (Folha SP - 12/01/2012)
Crise mundial prejudica vendas da China
A demanda externa mais fraca e o crescimento mais acelerado das importações ante as exportações fizeram com que o superavit comercial chinês encolhesse no ano passado o equivalente a todo o superavit brasileiro de 2011. O descompasso entre vendas e compras estreitou o ainda respeitável saldo comercial do gigante asiático para US$ 155,14 bilhões, o que representa uma diferença de quase US$ 30 bilhões ante o superavit de 2010. É o menor nível em cinco anos. (Folha de S. Paulo. - 11/01/2012)
Philips faz alerta de lucro por fraca demanda na Europa
AMSTERDÃ - A Philips Electronics alertou sobre uma queda no lucro no quarto trimestre à medida em que o fraco mercado consumidor europeu está levando a custos de estoques que não consegue movimentar.
A maior fabricante de bens de consumo eletrônicos disse que registrará uma queda no lucro do quarto trimestre para cerca de 500 milhões de euros, ante 910 milhões de euros um ano antes.
A divulgação de resultados, que deve sair no fim de janeiro, também mostrará um fraco crescimento nas vendas de suas maiores divisões e custos financeiros não especificados para produtos que ainda estão estocados nos galpões da companhia.
"Nossos esperados resultados financeiros do quarto trimestre têm sido afetados pela fraqueza na Europa, que tem impactado nosso negócio de saúde, assim como os preços no nosso negócio de iluminação", afirmou o presidente-executivo, Frans van Houten, nesta terça-feira.
Programas de austeridade de governos na Europa estão apertando os orçamentos de hospitais e alguns até colocaram em espera encomendas já feitas.
As ações da companhia foram afetadas pelo alerta de lucro, e caíam 3,77 por cento às 12h44 (horário de Brasília), enquanto o índice de Amsterdã AEX ganhava 1,27 por cento.
O grupo holandês informou nesta terça-feira que continuará a cortar e reestruturar custos e ainda espera alcançar suas metas financeiras para meados de 2013, que preveem crescimento de 4 a 6 por cento nas vendas, alta de 10 a 12 por cento nos lucros e retorno de capital de 12 a 14 por cento.
A Philips concorrente com a Samsung e LG Electronics, entre outras empresas, no segmento de produtos eletrônicos, e com a General Electric e a Siemens no mercado de iluminação. (Reuters - 11/01/2012)
Microsoft analisa compra de 'smartphone' da Nokia
São Paulo - A Microsoft começa a correr atrás da concorrência depois de perder espaço para o Google e para a Apple, que dispararam no setor de telecomunicações. A empresa criada por Bill Gates deverá, até dezembro, comprar a divisão de smartphones da parceira finlandesa Nokia, fabricante de celulares, por US$ 19 bilhões. Analistas dão como certa esta estratégia depois de a Microsoft ter adquirido, no ano passado, a Skype, por US$ 8,5 bilhões; fora a reunião do presidente-executivo da Microsoft, Steve Ballmer, com o presidente da Nokia, Stephen Elop, durante o Consumer Electronics Show (CES), evento que está até esta sexta-feira em Las Vegas (EUA).
Para a Nokia, o negócio seria acertado já que a empresa tem perdido espaço mês a mês para Samsung e Apple, após liderar o setor por 15 anos. Com o acordo, a Nokia ficaria com a área de telemóveis comuns e equipamentos de infraestrutura de telecomunicações. Stephen Elop, que liderava a divisão de negócios da Microsoft antes de assumir a presidência da Nokia no fim de 2010, ficaria à frente da fabricante finlandesa. (DCI - 11/01/2012)
Economia alemã sente peso da crise no 4o trimestre
WIESBADEN, Alemanha - A Alemanha mostrou os primeiros sinais de impacto da crise de dívida da zona do euro, após sua economia encolher nos últimos três meses de 2011, embora tenha superado outras economias do continente em grande parte do ano graças à forte demanda doméstica e às exportações.
O PIB alemão cresceu 3 por cento em 2011, mostraram dados preliminares da Agência Federal de Estatísticas nesta quarta-feira, abaixo da taxa de crescimento do ano anterior, de 3,7 por cento -a maior desde a reunificação- e em linha com estimativa do mercado segundo pesquisa da Reuters.
Por outro lado, o PIB se contraiu em cerca de 0,25 por cento no quarto trimestre de 2011 sobre os três meses anteriores, acrescentou a Agência de Estatísticas.
"A Alemanha não pode se isolar tão facilmente das tensões dentro da zona do euro. Além disso, o setor de exportação está enfrentando um período de dificuldade, dada a queda na demanda global", disse o economista-chefe do VP Bank, Joerg Zeuner.
"Outro trimestre de contração e, portanto, uma recessão técnica são perfeitamente possíveis. Contudo, se não houver mais escalada na crise de dívida da zona do euro, a economia da Alemanha ainda pode crescer em 2012, ainda que a um moderado 0,5 por cento", acrescentou.
A economia da Alemanha, puxada pelas exportações, recuperou-se rapidamente da crise financeira de 2008/2009, mas começou a sentir o golpe no final do ano passado, na medida em que a crise de dívida se espalhou da Grécia para seus principais parceiros comerciais na zona do euro e pesou sobre a economia real.
A Alemanha extrai 28 por cento do seu PIB da exportação de produtos para os países da União Europeia e para a Suíça, mas apenas 2,5 por cento de exportações para a China, apontou o Berenberg Bank.
Indicadores antecedentes de encomendas divulgados na sexta-feira também sinalizaram uma contração adiante, com as encomendas caindo no ritmo mais acelerado desde o auge da crise financeira há quase três anos, na medida em que a demanda de fora da zona do euro despencou.
Muitos economistas cortaram suas previsões de crescimento para 2012. O Bundesbank espera crescimento de 0,6 por cento neste ano, menos que a previsão do governo, de alta de 1 por cento, enquanto o instituto IMK já prevê uma leve recessão.
O consumo privado na Alemanha cresceu 1,5 por cento no ano passado comparado a 0,6 por cento em 2010. O aumento foi ajudado por uma queda maior no desemprego alemão.
A taxa de desemprego do país caiu para o menor nível desde a reunificação, há duas décadas, enquanto pesquisas mostraram que o crescimento de novas encomendas e do emprego nas empresas de serviços ajudou o setor privado a se expandir. (Reuters - 11/01/2012)
Importação fraca aponta para desaceleração na China
As importações chinesas em dezembro apresentaram o menor aumento em mais de dois anos, o que fez soar o alarme de que o crescimento da segunda maior economia do mundo deve estar em desaceleração.
O desempenho fraco das importações, bem abaixo das expectativas do mercado, por outro lado trouxe otimismo de que as autoridades monetárias chinesas tomarão medidas mais agressivas para incentivar a demanda doméstica. As ações chinesas subiram quase 3% pelo segundo dia consecutivo, a maior alta em dois dias desde 2010.
As importações chinesas em dezembro subiram 11,8%, em comparação ao mesmo mês de 2010, quase a metade dos 22,1% verificados em novembro. O aumento das exportações ficou estável, em 13,4%.
A China registrou, portanto, superávit comercial mensal de US$ 16,5 bilhões, em leve alta. O saldo anual ficou em US$ 155 bilhões, com o que houve declínio pelo terceiro ano consecutivo.
“Acredito que o superávit comercial continuará em queda e que, em algum momento neste ano, talvez em março, poderá até virar déficit", afirmou Ken Peng, economista sênior do BNP Paribas. "Isso continuará em 2012 porque a China reduziu as tarifas de importação de um número razoavelmente grande de categorias de produtos e a demanda pelas exportações [chinesas] continuará bastante suave."
Pequim aproveita o déficit menor para rebater os críticos estrangeiros, para quem o yuan ainda está muito fraco e representa uma vantagem desleal para os exportadores chineses.
A rápida evaporação do superávit deverá ajudar a aliviar a pressão sobre Pequim em um ano em que as eleições nos EUA aqueceram a retórica contra as políticas chinesas de comércio exterior. Os dados foram divulgados quando Tim Geithner, secretário do Tesouro dos EUA, chegava a Pequim para discutir questões econômicas e comerciais. Ele deve pressionar pela valorização do yuan.
Conseguir esse trunfo diplomático poderia ser de pouco conforto para a China, no entanto, se a sua economia se desacelerar de forma muito pronunciada.
Com a alta dos custos da mão de obra e a fraca demanda externa, a China tem poucas opções para incentivar seus exportadores. O governo chinês se empenha em assinar mais acordos comerciais com países emergentes e também prometeu ampliar vantagens tributárias para as empresas exportadoras.
O ponto em que Pequim pode agir de forma mais decisiva é no estímulo à demanda doméstica - e os dados decepcionantes das importações podem aumentar a probabilidade de tais medidas.
Analistas deram várias explicações para o desempenho das importações, desde o declínio no preço das commodities até motivos sazonais. Em 2012, o Ano Novo chinês deverá se celebrado antes do que nos últimos anos, então algumas fábricas já reduziram as operações, diminuindo a demanda por componentes comprados no exterior.
O analista Zhang Zhiwei, da Nomura, entretanto, afirma que o crescimento das importações que são usadas especificamente para consumo doméstico desacelerou-se - de uma alta anual de 39,8%, em outubro, para uma de 27,4%, em novembro, e 13,5% em dezembro. Essa evidência de desaceleração na demanda interna chinesa é preocupante, acrescentou. (Valor Online - 11/01/2012)
Produção industrial da Espanha cai 7% em novembro
MADRI - A produção industrial da Espanha caiu 7% em novembro na comparação com igual mês do ano anterior, o pior resultado em mais de dois anos, informou o Instituto Nacional de Estatísticas do país nesta quarta-feira.
“Essa é mais uma confirmação de que o quarto trimestre foi terrível, de clara recessão”, disse a economista Maria Jesus Fernández, do centro de estudos Funcas. Ela prevê um declínio de 0,3% do PIB do país no período.
Todos os segmentos apresentaram queda, com destaque para a de 10% da produção de bens intermediários. No acumulado os 11 primeiros meses do ano passado, a produção industrial espanhola recuou 1,4% frente a igual intervalo do ano anterior. (Valor Online - 11/01/2012)
Anatel terá de dar aval à importação de telefone celular
Toda importação de celulares terá de passar pelo crivo da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) antes de o produto ser comercializado no País. Essa é uma das frentes de combate que o governo deve adotar para impedir que aparelhos de má qualidade, que colocam em risco o consumidor, cheguem às prateleiras. Em testes realizados pela agência foram detectados problemas graves em alguns modelos chineses, que apresentaram até mesmo risco de explosão. (O Estado de S.Paulo - 10/01/2012)
Samsung diz que vai superar Nokia em 2012
LAS VEGAS, Estados Unidos - A Samsung Electronics tem confiança de que se tornará a maior fabricante de celulares do mundo este ano, encerrando o reinado de 14 anos da finlandesa Nokia, afirmou o presidente-executivo da companhia sul-coreana.
A Samsung, que se tornou a maior fabricante de celulares inteligentes do mundo no terceiro trimestre de 2011, está avançando rapidamente sobre o mercado móvel com uma rica linha de modelos, enquanto aparelhos de rivais como HTC, Nokia e Research in Motion enfrentam dificuldades para captar interesse dos consumidores.
O presidente-executivo da Samsung, Choi Gee-sung, afirmou a jornalistas durante a feira de tecnologia Consumer Electronics Show, em Las Vegas, que a companhia superou a Nokia em termos de receita no último trimestre reportado e que tem confiança de que poderá também superar o grupo finlandês em vendas de aparelhos.
Isso significaria outra derrota para a Nokia, que perdeu a dominância de uma década no segmento de smartphones para a Apple no segundo trimestre do ano passado.
A Nokia assumiu o primeiro lugar do mercado de celulares em 1998, quando superou a Motorola em vendas de aparelhos, e desde então tem sido um ícone da economia nórdica.
A perspectiva da Samsung está em linha com alguns analistas, incluindo o Royal Bank of Scotland, que aposta que a empresa sul-coreana vai superar a Nokia em 2012. Mas, no geral, analistas esperam que a Nokia siga na liderança do mercado.
Segundo mais recente pesquisa da Reuters, a Nokia deve vender 418 milhões de celulares em 2011 ante 320 milhões da Samsung. Neste ano, a diferença deve estreitar para 388 milhões contra 359 milhões, respectivamente.
A Samsung, maior companhia de tecnologia do mundo em receita, informou no início de dezembro que as vendas de celulares em 2011 alcançaram a marca dos 300 milhões de unidades pela primeira vez, lideradas por salto de quatro vezes nas vendas de smartphones. (Reuters - 10/01/2012)
Acer tem queda de 5% nas vendas de dezembro
Taipé - A Acer, quarta maior fabricante de PCs do mundo em vendas, anunciou nesta terça-feira que as vendas de dezembro somaram 33,03 bilhões de dólares de Taiwan (1,09 bilhão de dólares) em números não consolidados, queda de 5 por cento sobre o mesmo mês do ano passado.
As vendas também caíram em relação ao mês anterior, quando tinham somado 35,76 bilhões de dólares de Taiwan. A companhia não deu mais detalhes. (Reuters - 10/01/2012)
Nokia tenta, de novo, ganhar mercado nos Estados Unidos
LAS VEGAS - A Nokia, maior fabricante mundial de celulares, anunciou nesta segunda-feira um novo esforço para ganhar espaço no mercado dos Estados Unidos. A estratégia está baseada no lançamento do Lumia 710 e do Lumia 900, terceiro aparelho da companhia com o sistema operacional Windows Phone, da Microsoft. “Estamos animados com o novo amanhecer da Nokia no mercado americano”, disse Stephen Elop, canadense que assumiu o comando da Nokia em outubro de 2010, egresso da Microsoft. A Nokia fez uma coletiva durante a Consumer Electronics Show (CES), em Las Vegas, para divulgar seus planos.
O aparelho lembra muito o Lumia 900 - que chegará ao Brasil no fim de março. As principais diferenças são a presença de uma câmera frontal, a tela de 4,3 polegadas e a capacidade de acessar redes 4G. A Nokia não divulgou a data de lançamento, nem o preço do Lumia 900. De acordo com Elop, a estratégia de preço será “agressiva”.
O aparelho será vendido com exclusividade pela AT&T, maior operadora dos Estados Unidos. “Estamos felizes com a parceria com a AT&T, a operadora que mais vendeu aparelhos Windows Phone até agora”, disse Steve Ballmer, executivo-chefe da Microsoft, que também participou do evento da Nokia.
Na quarta-feira, a T-Mobile, segunda maior operadora dos Estados Unidos, começará a vender o Lumia 710, aparelho voltado ao mercado de acesso, que será vendido a US$ 49, com contrato de fidelidade. De acordo com Elop, o objetivo é atingir um público de 150 milhões de americanos que não têm smartphones.
Apesar de liderar o mercado mundial de celulares, a Nokia sempre enfrentou problemas para se estabelecer no mercado dos Estados Unidos por adotar uma estratégia de venda direta e dar pouco subsídio aos seus aparelhos. (Valor Online - 10/01/2012)
Philips diz que resultados financeiros foram afetados por Europa
SÃO PAULO - A Royal Philips Eletronics, fabricante holandesa de eletrônicos, anunciou hoje que espera reportar para o quarto trimestre um Ebitda (sigla em inglês para lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) por volta de 500 milhões de euros (US$ 637 milhões). O resultado está bem abaixo dos 913 milhões de euros do mesmo período de 2010.
“Nossa estimativa de resultados financeiros para o quarto trimestre foi afetada pela fraqueza na Europa, que impactou nosso negócio de saúde, assim como o preço no nosso negócio de iluminação para o consumidor”, disse em nota o CEO da Philips, Frans van Houten.
A empresa afirmou ainda que as vendas devem mostrar crescimento de um dígito no trimestre, ante o mesmo período de 2010. Os resultados completos para o trimestre e também para todo o ano fiscal de 2011 serão divulgados no dia 30 de janeiro.
De acordo com o comunicado da Philips, o negócio voltado para o consumidor, que inclui liquidificadores e cafeteiras, já começa a mostrar resultados diante de um programa interno de busca de eficiência.
“Apesar de nós ainda estarmos desapontados com os resultados, estamos confiantes que continuando a executar nossos planos de mudanças, e entregando nossos planos de redução de custos, vamos melhorar as operações da companhia e atingir nossas metas financeiras de médio prazo para 2013”, disse van Houten.
As informações excluem o negócio de televisões, cujo controle foi vendido em abril do ano passado para a TPV Technology, de Hong Kong. (Valor Online - 10/01/2012)
Produção industrial da França surpreende e cresce 1,1% em novembro
PARIS - A produção industrial da França aumentou 1,1% em novembro na comparação com outubro e surpreendeu os economistas, que previam queda de 0,2%.
A estabilidade originalmente anunciada para outubro, por sua vez, foi revisada para uma expansão de 0,1%, de acordo com a Insee, a agência de estatísticas do país. (Valor Online - 10/01/2012)
Superávit comercial da China cai para US$ 155,14 bilhões em 2011
PEQUIM - A China apresentou um superávit em sua balança comercial de US$ 155,14 bilhões em todo o ano passado, informou nesta terça-feira a Administração Geral de Alfândegas do país.
O volume é 15,3% inferior ao dado que havia sido divulgado referente a 2010, mas o órgão disse que a queda foi de 14,5%, num indício de que o número de 2010 pode ter sido revisado sem um anúncio oficial. O recuo, de todo modo, deverá ser citado pelas autoridades chinesas como uma evidência de que o país está progredindo em seu esforço de dar mais ênfase à demanda doméstica.
As exportações cresceram 20,3% em 2011, mas as importações aumentaram mais, 24,9%. Como porcentagem do PIB, o superávit comercial recuou de 3,1% em 2010 para 2,2% em 2011, tomando como base a projeção do Fundo Monetário Internacional (FMI) para o PIB chinês no ano passado.
“O superávit comercial deverá continuar encolhendo nos próximos anos, com a desaceleração geral do crescimento do comércio internacional”, apontaram os economistas da IHS Global Insight Xianfang Ren e Alistair Thornton.
DEZEMBRO
Apenas em dezembro, o país teve um superávit de US$ 16,52 bilhões, 13,7% maior que o de US$ 14,53 bilhões de novembro, superando com folga a previsão de economistas, que era de um saldo positivo de US$ 7,8 bilhões.
O dado foi recebido como um sinal de que a debilidade das principais economias desenvolvidas não está afetando tanto as exportações chinesas como muitos previam.
“O superávit comercial não está encolhendo tão rapidamente, provavelmente por causa da recente estabilidade na União Europeia e nos EUA, e o crescimento das exportações não está desacelerando tão acentuadamente quanto se imaginava”, disse o economista do HSBC Ma Xiaoping.
As exportações chinesas avançaram 13,4% em dezembro na comparação com igual mês do ano anterior, uma alta menor que a de 13,8% apresentada em novembro porém superior à previsão de expansão de 12,5% traçada pelos analistas.
As exportações para a Europa aumentaram 7,2% em dezembro, mais que a alta de 4,9% de novembro, mas ainda aquém do forte aumento de 22,3% de agosto. Para os EUA, o crescimento das exportações desacelerou-se de 16,9% em novembro para 11,9% em dezembro.
O avanço das importações, em contrapartida, arrefeceu drasticamente, passando da alta de 22,1% em novembro para 11,8% em dezembro e ficando muito aquém da expectativa de aumento de 18%.
“Os importadores finalmente perceberam que a desaceleração econômica é mais permanente do que pensavam e começaram a ajustar seu comportamento a essa realidade”, disse o economista do Société Générale Wei Yao. (Valor Online - 10/01/2012)
Lenovo integra ultrabooks ao universo dos tablets
LAS VEGAS - Continuando com a série de lançamentos de computadores finos e leves, os chamados ultrabooks, a Lenovo mostrou nesta segunda-feira um equipamento que integra o conceito ao mundo dos tablets. O IdeaPad Yoga permite que a tela seja girada para a parte de trás do equipamento, fazendo com que ele se torne um tablet.
Em apresentação à imprensa nesta segunda-feira durante a Consumer Electronics Show (CES), em Las Vegas, o presidente do conselho e executivo-chefe da Lenovo, Yang Yuanqing, afirmou que o aparelho começará a ser vendido assim que o sistema operacional Windows 8, da Microsoft, for lançado - provavelmente no segundo semestre. Yuanqing não deu detalhes de preço do Yoga.
De acordo com a Consumer Electronics Association (CEA), organizadora da CES, entre 30 e 50 ultrabooks serão lançados durante a feira, que acontece até sexta-feira.
O Yoga é um dos 20 novos produtos que a chinesa Lenovo está demonstrando na CES. Um das novidades é uma TV de 55 polegadas. Conhecida por seus computadores, a Lenovo vem ao longo dos últimos dois anos, diversificando as áreas em que atua, com o lançamento de smartphones e tablets. A estratégia é batizada de quatro telas e incorpora produtos como PCs, TVs, smartphones e tablets.
“O PC não está mais limitado ao teclado e ao monitor”, disse Yuanqing. A TV da Lenovo é o primeiro aparelho no mundo a ser equipado com o sistema operacional Android, do Google, em sua versão mais recente, a 4.0, também conhecida como Ice Cream Sandwich. Além de recursos como acesso à internet, ela oferece acesso à loja de aplicativos do Android, permitindo o uso de programas como jogos. A TV é equipada com um processador SnapDragon, da fabricante americana Qualcomm. (Valor Online - 10/01/2012)
Siemens alerta para metas de resultados do ano fiscal de 2012
SÃO PAULO - O diretor financeiro da Siemens AG, Joe Kaeser, fez um alerta sobre o otimismo das metas de resultados da companhia alemã para o ano fiscal de 2012 em entrevista ao Wall Street Journal Deutschland, publicada nesta terça-feira. Segundo o executivo, tais projeções são “muito ambiciosas”. “Certamente não se tornou mais fácil atingir os nossos objetivos desde que os anunciamos. Os ventos contrários se tornaram mais fortes”, afirmou.
Há dois meses, segundo a publicação, o principal executivo da companhia, Peter Loescher, afirmou que a expectativa é a de que as vendas mostrem expansão de 5% no ano fiscal de 2012, na esteira de uma carteira de pedidos recorde.
A Siemens também indicou, em novembro, que o lucro de operações continuadas deve ficar estável em 6 bilhões de euros, excluindo um ganho líquido de 1 bilhão de euros ocorrido em 2011. Conforme Kaeser, será necessário “trabalhar duro” para atingir a meta de lucro. (Valor Online - 10/01/2012)
Exportações da China têm crescimento anual de 13,4% em dezembro
As exportações da China aumentaram 13,4% em dezembro em relação ao mesmo período do ano anterior, informou a alfândega do país nesta terça-feira.
O valor veio um pouco menor do que as expectativas de mercado, de um crescimento de 13,5%, bem como do aumento de 13,8% em novembro.
As importações aumentaram 11,8% no mês passado, bem abaixo da mediana das previsões em uma pesquisa da Reuters, de uma expansão de 17%, e ainda menos do que os 22,1% de crescimento anual em novembro.
Isso deixou o país com um superávit comercial de US$ 16,5 bilhões em dezembro, levando o superávit do ano para US$ 155 bilhões em 2011, abaixo dos US$ 183,1 bilhões em 2010.
Economistas esperavam superávit de US$ 8,8 bilhões em dezembro, comparado com os US$ 14,5 bilhões de novembro. (Reuters/Folha SP - 10/01/2012)
Maior feira mundial de tecnologia quer voltar a surpreender
LAS VEGAS - A maior feira mundial de tecnologia exibirá laptops finíssimos, novos e poderosos celulares inteligentes e requintados televisores de telas planas, mas a conversa nos grandes pavilhões da Consumer Electronics Show (CES), que começa nesta segunda-feira, pode girar em torno futuro do evento.
A Apple, que dita a agenda do setor de bens de consumo eletrônicos há uma década, nem mesmo participa da feira. A Microsoft, que tenta desesperadamente alcançar a rival, fará sua última participação. Já há alguns anos a CES, realizada em Las Vegas, perdeu sua capacidade de surpreender.
"Há muito falatório. As promessas são muito mais ambiciosas do que aquilo que as empresas entregam", disse Todd Lowenstein, gerente de carteira da HighMark Capital Management, que tem diversas ações de tecnologia. "Só me interesso pelo evento porque surgem lá informações que podem movimentar o mercado; mas isso acontece raramente".
Os dramáticos e vistosos lançamentos de produtos orquestrados por Steve Jobs vieram a dominar o popular mundo da tecnologia, e os rivais procuram copiá-los longe do alarido da CES.
A Microsoft, que tenta recuperar o controle da tecnologia perdido para a Apple e para o Google, há muito alegava que a CES, realizada no começo de janeiro, não se enquadrava bem ao seu cronograma de lançamentos, o que significa que a companhia sempre tinha pouco a comunicar na palestra principal do evento, feita durante anos pelo presidente-executivo Steve Ballmer, e antes dele pelo co-fundador da companhia, Bill Gates.
QUAIS SÃO AS NOVIDADES?
Este ano, os lemas parecem repetir os do ano passado, entre os quais "conectado", "sempre ligado" e "reconhecimento por voz", quer seja em celulares e tablets novos e mais poderosos, quer em carros ou até mesmo relógios.
A mais recente safra de laptops finos e leves, que a Intel designou como "ultrabook", deve dominar a seção de hardware, com fabricantes como Toshiba, Asustek e Lenovo.
No extremo oposto do pavilhão, os mais recente televisores de alta definição e com acesso à Internet oferecidos pela Sony, Panasonic, Sharp e LG também atrairão as multidões.
A fabricante de celulares Nokia está se preparando para se reapresentar à audiência dos Estados Unidos, com novos celulares acionados pelo mais recente sistema operacional Microsoft Windows.
Os tablets podem perder destaque depois de dominar o evento no ano passado, porque os fabricantes ainda não se recuperaram das derrotas sofridas diante do rival dominante, o iPad, da Apple.
Aparelhos de baixo consumo de energia, dotados de sensores e conexão permanente com a Internet -sejam celulares, sejam aparelhos menores ocultos em seu carro ou em seu pulso- serão o tema da feira, parecem concordar os observadores de tecnologia.
A CES, que começou em 1967 em Nova York, serviu de plataforma de lançamento para o videocassete, a câmera de vídeo com gravador integrado, o DVD, o HDTV e muitos outros desenvolvimentos cruciais no segmento.
Já faz algum tempo que a feira não apresenta invenções capazes de mudar o mercado, mas continua a ser popular junto aos exibidores do setor de tecnologia e aos consumidores, ainda que possa sofrer queda de público neste ano.
A 2012 International CES -seu título completo- se tornará a segunda maior de todos os tempos, com mais de 2,7 mil exibidores espalhados por seu espaço de exibição de 160 mil metros quadrados. A maior CES de todos os tempos foi a de 2008, com 165 mil metros quadrados de espaço pago de exibição.
Empresas que participam do evento tendem a fazer reservas para comprar espaço para o próximo ano durante o evento, ou pouco depois, e a CES vai logo descobrir o que será do ano que vem. (Reuters - 09/01/2012)
Feira de eletrônicos precisa se reinventar
CES, evento que começa hoje em Las Vegas, corre o risco de perder a relevância
A Consumer Electronics Show (CES), feira internacional de eletrônicos que começa nesta terça-feira em Las Vegas, é um evento impossível de ser ignorado. O centro de convenções estará tomado por aparelhos e pessoas que os fabricaram e que os estão promovendo: mais de 140 mil pessoas devem participar de uma rede social frenética com outros membros do setor de tecnologia.
Mas, de novo, esta feira não deverá ser o local em que produtos que terão enorme sucesso em 2012 serão lançados. Muitos dos aparelhos mais vendidos nos últimos anos - incluindo o iPad, da Apple, e o Kinect, da Microsoft - foram anunciados em outro lugar, apesar de a CES continuar a ser a maior convenção de aparelhos eletrônicos no mundo.
Isso reflete as mudanças do setor de tecnologia - como o fato de que os mais importantes avanços em eletrônicos não virem mais dos fabricantes de aparelhos de TV e som, os que mais se identificaram com a feira desde sua criação, em 1967.
Fabricantes mais inovadores - como Apple e Amazon - precisam se destacar da multidão. Por isso, preferem lançar seus produtos em eventos próprios. "Para os grandes, a CES ficou menos importante", disse Phil McKinney, ex-diretor de tecnologia da HP, empresa que não tem um estande na mostra desde 2000.
Outra que baixa é a Microsoft. Este ano será sua última participação no evento. O fato foi lamentado por Gary Shapiro, presidente da Consumer Electronics Association, instituição que promove a feira. Ele diz, no entanto, que a decisão não afeta a popularidade do evento.
A associação indicou que espera mais de 2,7 mil expositores no evento de 2012, contra 2,8 mil do ano passado. Em entrevista, Shapiro disse que os expositores vão e veem o tempo todo. Acrescentou que a CES não tem rival na sua capacidade de atração de executivos do alto escalão do setor de tecnologia, da mídia, lojas e outros do mundo inteiro. "A CES é a feira dominante no setor de tecnologia de consumo sob todos os aspectos", afirmou.
Ele contestou a ideia de que as empresas não anunciam mais grandes novidades na feira, embora tenha afirmado que o setor de tecnologia está muito maior do que antes e que hoje existe "um ciclo contínuo de novidades", o ano inteiro.
Auge
Houve um período, contudo, em que qualquer aparelho de maior importância tinha que ser lançado na CES, como foi o caso do videocassete, em 1970, o camcorder, em 1981, e o Xbox, em 2001.
A simples dimensão da feira - seu espaço supera os 155 mil metros quadrados - a torna um lugar desejável para um inter-relacionamento, embora isso também signifique que as notícias podem facilmente ser abafadas. "Não é o melhor lugar para anunciar produtos", disse Sarah Rotman Epps, analista da Forrester Research. "Você se perde nesse ruído todo."
É por esse motivo que empresas como Appel e Amazon tendem a montar suas próprias apresentações de produto, nos quais conseguem uma "audiência cativa", disse a analista.
Mas a CES ainda é importante para muitas lojas, que fazem encomendas ou simplesmente vão conhecer novas mercadorias, ainda que Apple e Amazon concorram com os varejistas, já que oferecem elas mesmas os produtos por meio do comércio eletrônico. Isso tornou esses fabricantes menos dependentes das cada vez mais escassas lojas independentes de produtos eletrônicos como a Best Buy, que recentemente informou expansão zero das vendas no mês de dezembro. (Estado de São Paulo - 09/01/2012)
Motorola Mobility Brasil anuncia nova liderança na América Latina
SÃO PAULO - Sergio Buniac é o novo líder da área de produtos móveis da Motorola Mobility Brasil para a América Latina. Ele passa a ocupar os cargos de vice-presidente e gerente geral do negócio na região.
Há 15 anos na Motorola Mobility, Buniac passou por diversas funções na empresa. Foi presidente da companhia no Brasil e na Argentina, diretor regional de vendas baseado no México e responsável pelas áreas de planejamento estratégico e de acessórios para as Américas.
Buniac é o primeiro brasileiro a ocupar o cargo. Ele responderá para Mark Shockley, vice-presidente sênior de vendas mundiais da Motorola Mobility (Valor Econômico - 09/01/2012)
Toshiba lança tablet de 7,7 mm de espessura
EX10, que chegará ao mercado em março, tem espessura de 7,7 mm.
SÃO PAULO - A fabricante japonesa Toshiba anunciou nesta manhã o lançamento do seu tablet Excite X10, o mais fino já desenvolvido até o momento. O anúncio foi feito durante a Consumer Electronics Show (CES), feira do setor de tecnologia realizada esta semana em Las Vegas.
O aparelho possui uma tela de 10,1 polegadas, e espessura de 7,7 milímetros. Para se ter uma base de comparação, o iPad 2, da Apple, possui 8,8 milímetros de espessura. Além disso, o equipamento foi feito com liga de magnésio em vez de titânio, o que o torna mais leve.
A tela do tablet possui resolução de 1280×800, câmera traseira de cinco megapixels, câmera frontal de 1,3 megapixels. O equipamento foi desenvolvido com 16 gigabytes (Gb) de espaço interno, processador dual-core de 1,2 GHz e 1GB de memória RAM. O sistema operacional é o Android Ice Cream Sandwich 4.0, do Google.
A Toshiba informou que o aparelho deve ser lançado primeiro nos Estados Unidos, chegando naquele país até março. Os preços sugeridos variam de US$ 529,99 (para o tablet com 16 GB de memória) a US$ 599,99 (32 GB). (Valor Econômico - 09/01/2012)
Uma executiva improvável chega ao comando da GE Brasil
Pela primeira vez, em 92 anos de País, a gigante americana tem uma mulher no mais alto cargo da empresa
SÃO PAULO - Enquanto atendia aos pedidos do fotógrafo para ficar de pé em frente à uma janela, virar o rosto mais à direita ou cruzar os braços, Adriana Machado não se desligou de nenhum detalhe. "Essa sujeirinha no vidro não dá pra ver não, né?", perguntou a executiva, que se dividia entre olhar para a câmera e checar o ambiente.
A observação minuciosa, tipicamente feminina, é um sinal prosaico de que o comando da General Electric no Brasil está diferente. Pela primeira vez, em 92 anos de País, a gigante americana tem uma mulher no mais alto cargo da empresa. Aos 43 anos, Adriana assumiu no mês passado uma subsidiária com 8 mil funcionários e um faturamento de US$ 2,6 bilhões em 2010 - para 2011, a expectativa é de um crescimento de pelo menos 30%.
"Você não imagina a quantidade de funcionárias que nunca haviam falado comigo e me mandaram e-mails contando do orgulho de ter uma mulher nessa posição", diz a executiva. "Isso ainda chama a atenção. Muitas vezes sou a única mulher nas reuniões. Mas, se a cobrança é maior, a torcida também é."
Mundo feminino
A executiva faz parte de um universo que vem aumentando nos últimos anos, mas ainda é tímido no mundo corporativo. Nos Estados Unidos, onde nomes como Indra Nooyi, à frente da Pepsico, Ursula Burns, da Xerox, e Ellen Kullman, da DuPont, servem de referência para o resto do mundo, apenas 18 das 500 maiores empresas da lista da revista Fortune são comandadas por mulheres. O número, que apesar de modesto é recorde, já contempla Virginia "Ginni" Rometty, da IBM, e Heather Bresch, da fabricante de genéricos Mylan, que neste mês assumiram o comando dessas empresas.
No Brasil, ao lado de executivas como Luiza Trajano, do Magazine Luiza, ou Grace Lieblein, presidente da GM Brasil, Adriana passou a integrar um grupo que representa cerca de 11% do total de presidentes de empresa no País, segundo dados do Fórum Econômico Mundial.
Mãe de dois meninos, um de seis e outro de 13 anos, a executiva não vê dilemas entre vida pessoal e profissional. "Sou uma melhor mãe trabalhando do que o tempo todo em casa. Eu sempre trabalhei e acho que ter uma vida profissional deixa mais rica a relação com meus filhos", diz a presidente da GE Brasil, que começou ainda na adolescência a dar aulas de balé e de inglês. "Não sei se é bom ou ruim, mas eles já estão acostumados a uma mãe que viaja ou interrompe a brincadeira para fazer um call", afirma.
Projetos
Diante da missão que Adriana tem pela frente, é provável que as interrupções fiquem cada vez mais constantes. Com US$ 550 milhões em investimentos até 2013, a subsidiária brasileira é uma das maiores apostas para o avanço global da GE. No início do ano passado, a companhia decidiu dar mais autonomia às operações internacionais, que hoje respondem por 60% da receita. Com isso, só a GE Brasil ganhou mais mil funcionários no período.
Entre as prioridades do plano de investimentos está a construção do quinto centro de pesquisa global da empresa, orçado em US$ 120 milhões, que ficará no Parque Tecnológico do Fundão, onde está o campus da Universidade Federal do Rio de Janeiro. O centro, que deve estar pronto no primeiro semestre de 2013, vai abrigar 200 PhDs e desenvolver trabalhos principalmente no setor de óleo e gás, área estratégica para a companhia.
De olho nas oportunidades do pré-sal, a multinacional também montou há cerca de seis meses um time de fusões e aquisições. Entre os objetivos, está a vontade de transformar a GE na maior provedora de equipamentos da Petrobrás. Batizado de Rio4Real, o grupo tem ainda a tarefa de prospectar negócios relacionados aos Jogos Olímpicos e à Copa do Mundo. Nas contas da companhia, o Estado do Rio de Janeiro deverá receber até 2016 investimentos da ordem de US$ 100 bilhões e a empresa pode se beneficiar diretamente de pelo menos 1% desse montante.
Trajetória
Para comandar a gigante no País - que além de energia, atua em iluminação, saúde, transporte e aviação -, a GE escolheu uma executiva que, ao contrário da grande maioria dos presidentes de empresa, não tem experiência na gestão de negócios. Nascida em Niterói, mas criada em Brasília, Adriana se formou na primeira turma de Ciência Política da Universidade de Brasília. Foi consultora do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud), passou pelo Instituto de Pesquisas Aplicadas (Ipea) e trabalhou na Secretaria de Assuntos Estratégicos da Presidência. Foi ainda assessora política na Embaixada Americana no Brasil e Diretora de Assuntos Estratégicos na Câmara de Comércio Americana (Amcham).
A nova presidente chegou à multinacional há menos de três anos, quando a companhia, que tem excelência em relações governamentais nos Estados Unidos, estava criando as primeiras funções voltadas para essa área fora do país de origem. Adriana, até então diretora de relações governamentais da Intel Brasil, tinha ido à GE apenas para "dar um palpite" na criação da nova função. "Fui convidada para falar porque a Intel tem uma tradição forte nessa área", explica a executiva. "Acabei numa conversa com o presidente da GE, que me vendeu tão bem a ideia que me convenceu a ficar."
Apesar do pouco tempo de empresa, a possibilidade de assumir o comando não pegou a executiva de surpresa. "Já estava sendo preparada para isso. Só não achei que seria neste momento, porque a companhia ainda está estruturando a área de relações governamentais", admite. Adriana teve treinamento em liderança na Universidade Crotonville, principal centro de educação executiva da GE, próximo a Nova York, em setembro do ano passado.
A formação pouco comum no mundo dos negócios - dos quatro colegas da turma de faculdade, por exemplo, só Adriana está no setor privado - não intimida a executiva. "Pode ser novo, pode ser diferente da tendência até aqui, mas acho que é uma função que te coloca em contato com o dia a dia dos negócios e com os desafios de execução dos projetos", defende Adriana. "Nessa área, você tem de criar o caminho da conversa, da estratégia, mas tem também o lado tático. Você entra a fundo na operação." Segundo a presidente, foi justamente a diretoria de relações governamentais que a permitiu conhecer em pouco tempo todas as áreas de negócios da empresa.
Para Patricia Epperlein, sócia presidente da Mariaca, consultoria da área de capital humano, a presidência da GE tem peculiaridades que se encaixam à formação de Adriana. "Como é um cargo que tem diversas áreas de negócios debaixo dele, a presidência da GE não exige um perfil operacional tão forte. É muito mais importante um executivo que tenha capacidade de coordenação e articulação e que saiba interagir com os diversos públicos", diz Patricia.
Rede
Há três anos, juntamente com outras poucas mulheres que atuavam na área de relações governamentais, Adriana ajudou a criar uma rede de afinidade batizada informalmente de Midas ( Mulheres Internacionais Dinâmicas e Articuladas Sempre). "Foi um brainstorm de várias mulheres em uma mesa de restaurante. E foi engraçadíssimo chegar nesse S", diverte-se Adriana. Apesar da informalidade, o grupo funciona como um espaço de troca de informações e convida palestrantes para discutir diferentes assuntos. Um dos últimos convidados pelo grupo foi o embaixador Rubens Ricupero, que falou sobre as questões de gênero no trabalho.
A rede de mulheres conta hoje com 50 profissionais que, de alguma forma, exercem funções ligadas às relações governamentais. A única restrição é não estar no governo. "Bem a exemplo da visão de rede comum nos Estados Unidos, na Midas trocamos experiências e acabamos virando mentoras das mais novas", diz Flávia Sekles, ex-diretora de relações institucionais da Embraer e hoje diretora de comunicação da fabricante de aviões, responsável por lançar a ideia da rede para as colegas.
Grazielle Parenti, diretora de comunicação da Diageo, diz que entrar para o grupo deu início a um grande processo de aprendizagem. "Somos mulheres de lugares diferentes, de formações distintas e com idades que vão de 25 a 50 anos. Há um espaço muito grande para a troca", afirma a executiva. "E Adriana certamente é uma mentora".
Fazem parte da turma ainda a ex-embaixadora dos Estados Unidos no Brasil Donna Hrinak , que assumiu em novembro a Boeing Brasil; Renata Bley, diretora de relações governamentais da Braskem; e Regina Nunes, presidente da Standard & Poors no Brasil. "A gente gosta de dizer que os homens têm uma inveja danada de não poder participar", brinca Adriana.
Um amigo - impedido por razões óbvias de participar - chegou a rebatizar a Midas de Mulheres Impossíveis Destinadas ao Sucesso. A trajetória de Adriana até aqui se enquadra bem no significado alternativo dado para a sigla. Mas, na presidência da GE, o desafio da executiva está só começando. (O Estado de São Paulo - 09/01/2012)
A ameaça chinesa
A previsão de entrada de empresas estrangeiras no mercado brasileiro em razão das expectativas favoráveis da economia do Brasil é motivo de preocupação.
As mudanças demográficas que têm ocorrido no País com a inserção de milhões de brasileiros no mercado de consumo e a necessidade de efetuar investimentos em obras de infraestrutura para a Copa do Mundo e os Jogos Olímpicos têm atraído a atenção de investidores de todo o mundo. A crise atual, principalmente na Europa, com consequente ajuste fiscal, pode implicar uma recessão naquele continente ou, na melhor das hipóteses, um baixo crescimento econômico que pode durar alguns anos.
O cenário de recessão no Hemisfério Norte pode ocasionar um aumento da concorrência entre os países emergentes e fazer com que haja maior infiltração de produtos chineses, que têm vantagem competitiva baseada em custos baixos. Poderão as empresas brasileiras sobreviver diante da competição chinesa?
A China é o maior parceiro comercial do Brasil e as empresas chinesas, alavancadas principalmente em vantagem de custos, expandiram a sua participação no País. Os pesquisadores Akhter e Barcelos desenvolveram um estudo com o intuito de analisar a maneira como as empresas brasileiras estão respondendo a esses desafios.
A pesquisa indica que os executivos brasileiros têm respondido por meio de mudança na estratégia de suas organizações, enfocando uma orientação maior voltada para o cliente. De um modo geral, o desempenho da maioria das empresas foi positivo, enquanto a lucratividade foi reduzida. Isso significa riscos para as empresas, pois o lucro pode exprimir, em muitos casos, o custo de estar no negócio e a garantia de emprego no futuro.
Houve mudanças de estratégia em diferentes áreas de marketing, tais como segmentação, posicionamento, construção de marcas e relacionamento com os clientes. Também algumas empresas buscaram consolidar a sua posição no mercado, enquanto outras tentam se expandir internacionalmente. Mas isso seria suficiente para sustentar um aumento da intensidade competitiva resultante de uma provável recessão na Europa, que é o destino principal dos produtos chineses?
Os autores sugerem que os executivos brasileiros terão de investir em inovação de processos e produtos, pois isso lhes permitirá escapar da concorrência de um mercado onde o preço é um fator determinante de sucesso. O foco em inovação permitirá que as empresas possam subir na escala de valor agregado para competir com elementos não baseados em preços.
Quando se trata de competição com a China, a Alemanha pode servir como um exemplo a ser imitado. Com exceção da China, a Alemanha foi o único país que conseguiu aumentar a participação de suas exportações no mercado internacional. Possuidora de indústrias com mais de cem anos de existência, os alemães investiram em inovações contínuas e modernizaram suas indústrias. Com excelentes universidades técnicas, melhoraram processos e voltaram a ocupar o topo do setor industrial. Os alemães reformaram a sua legislação trabalhista de modo que se transformasse na mais flexível do planeta. O trabalhador alemão, por exemplo, pode trabalhar de zero a 60 horas por semana, o que lhes dá uma grande vantagem.
Embora tenha perdido a posição de maior exportador mundial para a China, a Alemanha continua apresentando resultados expressivos nas suas exportações de manufaturados. O pesquisador Hermann Simon relata que, diferentemente do que muitos imaginam, as empresas líderes de mercado mundial na Alemanha são de tamanho médio. Segundo sua estimativa existem 2.500 empresas líderes de mercado em todo o mundo, e 1.200 delas se encontram na Alemanha. Essas empresas participam de 25% do total exportado pelo país. A maioria delas é familiar e localizada em comunidades rurais. Elas competem por meio de valor superior, e não custos, e se colocam próximas do mercado para obter feedback para inovação. Simon constatou que, também na China, 68% do total das exportações é proveniente de empresas com menos de 2 mil empregados, e não de grandes corporações.
O famoso economista Schumpeter foi o primeiro a defender que apenas por meio da inovação e do empreendedorismo pode um negócio, com exceção de um monopólio governamental, sobreviver no longo prazo. Além disso, ele foi bem claro ao enfatizar que a inovação e o empreendedorismo podem ocorrer nas grandes, médias e pequenas empresas, apesar da existência de obstáculos burocráticos.
O seu legado também indica que quase todos os negócios um dia falham e falham por falta de inovação. São muitas as barreiras às inovações, tais como as resistências e incertezas de fazer algo que não estava sendo feito anteriormente. Entretanto, como reportou Schumpeter, inovação requer desequilíbrio contínuo liderado por empresários obcecados com aquilo que estão fazendo. Inovação seria, então, não uma proeza do intelecto, mas do desejo, da vontade, da força de uma liderança.
Surpreendentemente, alguns setores empresariais pressionam o governo brasileiro por proteção para que não haja um aumento de sua capacidade ociosa decorrente, principalmente, da entrada de produtos estrangeiros, vindos principalmente da China. Na realidade, as pressões às quais as empresas brasileiras estão sujeitas requerem muito mais do que o retorno do protecionismo exacerbado contra a concorrência internacional. A imposição de barreiras tarifárias e não tarifárias pode ocultar algumas deficiências de algumas empresas e atrasar os investimentos em inovação necessários para que elas possam competir com igualdade de condições quando a crise atual passar.
Diferentemente de aumentar o protecionismo, recomenda-se reduzir a burocracia brasileira de modo que, como na China e na Alemanha, as pequenas e médias empresas possam ser inseridas no esforço de exportar produtos com maior valor agregado.
Marcílio R. Machado - Membro do Conselho de Administração da Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB), diretor da Famex Importadora e Exportadora, é doutor em Administração de Empresas pela Nova Southeastern University (Estadão -09/01/2012)
Fim da era do Japão?
O provável déficit da balança comercial do Japão em 2011 (os dados finais serão conhecidos na segunda quinzena de janeiro), o primeiro em várias décadas, pode marcar o fim de uma longa era caracterizada pela crescente presença de produtos de consumo japoneses nos grandes mercados mundiais e pelo prestígio desses produtos entre os consumidores. Se houver novos déficits comerciais, em pouco tempo o Japão não apenas terá perdido para a China a condição de segunda maior economia do planeta, como deixará de ser referência mundial na produção e exportação de itens essenciais do mundo contemporâneo, sobretudo os bens de alta tecnologia.
Só dentro de algum tempo se terá ou não a confirmação do declínio da economia japonesa. De imediato, o que os resultados mensais negativos do comércio exterior mostram é um país ainda às voltas com dificuldades provocadas por desastres naturais - inesperadas, de extensão e gravidade poucas vezes vistas na história e, por isso mesmo, de difícil superação -, mas também governado por políticos que, até agora, não demonstraram competência para resolver velhos problemas econômicos, que se agravaram com a crise global. A persistência das dificuldades do Japão torna ainda mais difícil a superação da crise internacional.
As exportações japonesas foram duramente afetadas pelo terremoto de 11 de março do ano passado, seguido de um tsunami de efeito devastador para a região Nordeste do país. Diversos setores da indústria tiveram de interromper suas atividades porque não dispunham de componentes fornecidos por empresas instaladas na região devastada.
A deterioração das condições econômicas da Europa ampliou as dificuldades para as vendas externas do Japão. Depois, as inundações na Tailândia, para onde muitas empresas exportadoras japonesas transferiram diversas unidades de produção - que se tornaram importadoras de componentes produzidos no Japão -, reduziram ainda mais as exportações.
Por fim, a valorização do iene - de 7% desde maio, em média, em relação às principais moedas, como o dólar e o euro - reduziu a competitividade do produto japonês.
A combinação desses problemas tem levado grandes corporações a transferir a produção para outros países da Ásia, o que contribui para deteriorar a base industrial do país, que sustentou o crescimento desde o início da década de 1950, e para reduzir a oferta de emprego para os jovens que chegam ao mercado de trabalho.
Graças aos superávits que acumulou nos últimos anos, o Japão dispõe de muitos ativos no exterior. Suas empresas também investiram em outros países. É provável que o rendimento desses ativos compense o déficit da balança comercial, de modo que o balanço de pagamentos do país se mantenha equilibrado. Mas o acúmulo de problemas internos não resolvidos, e que tendem a se agravar - como o do aumento da idade média da população, que deverá reduzir a capacidade de poupança do país -, tornam cada vez mais incerto o futuro.
Como já dissemos, o sistema político japonês tem sido incapaz de responder aos desafios. O fato de o atual primeiro-ministro, Yoshihiko Noda, ser o sétimo a ocupar o cargo nos últimos cinco anos, mostra a dificuldade dos políticos para apresentar e colocar em prática planos duradouros que mereçam apoio popular. A queda do prestígio de Noda desde sua posse, em setembro, mostra que também sua passagem pelo posto não deverá ser longa.
Sem conseguir dar respostas satisfatórias à população cada vez mais preocupada com as reais condições da usina nuclear de Fukushima, duramente atingida pelo tsunami de março, o governo, independentemente de quem ocupe sua chefia, continua a patinar na questão fiscal.
O que de mais importante o governo japonês pode fazer no momento é restabelecer a confiança na política fiscal, pois, entre os países mais ricos do mundo, o Japão é o que tem as finanças públicas em pior situação. Mas, como seus últimos antecessores, Noda não tem demonstrado capacidade para enfrentar adequadamente esse problema. (Estadão - 09/01/2012)
As duras consequências de não inovar nos negócios
Empresas não são uma espécie resistente.
De fato, apenas uma diminuta fração delas atinge os 40 anos, de acordo com um estudo de mais de 6 milhões de companhias conduzido pelos professores de administração Charles I. Stubbart e Michael B. Knight.
Considerando o acelerado ritmo de inovação tecnológica de hoje em dia, mesmo 40 anos começará a parecer um tempo realmente longo.
A onda de destruição criativa que assola companhias como Eastman Kodak Co., Blockbuster Inc., Barnes & Noble Inc. e as gravadoras vem ocupando as mentes dos executivos americanos com duas perguntas: Será que as companhias grandes têm como inovar rápido o suficiente num mundo cada vez mais conturbado? E se têm, como podem fazer isso?
Empresários, acadêmicos e investidores de capital de risco dizem que as grandes companhias que conseguem sobreviver são implacáveis na mudança. As mais bem-sucedidas são aquelas que não temem canabalizar suas maiores fontes de receita para gerar novos negócios.
Elas geralmente fazem frequentes — mas sobretudo pequenas — aquisições que trazem novas tecnologias e abrem novos mercados. E há sempre o papel imprevisível da sorte nos negócios — para o bem ou para o mal.
A Johnson & Johnson, fundada em 1886, e a International Business Machines Corp., que acabou de celebrar o seu centésimo aniversário, ambas desafiaram o limite dos 40 anos de vida.
Mais recentemente, a Apple Inc., que tem 35 anos de idade, transformou-se de uma pequena fabricante de PCs na senhora absoluta dos aparelhos móveis. A Google Inc., fundada em 1998, está descobrindo novos meios de crescer além do seu negócio principal de anúncios on-line.
As companhias que perdem o bonde, por outro lado, tendem a ser burocráticas, defensivas, e tentam correr atrás do prejuízo fazendo aquisições enormes.
Os altos executivos das companhias de sucesso se parecem bastante com os executivos das pequenas, disse James W. Breyer, um sócio da Accel Partners, investidora da Facebook Inc., e membros dos conselhos da Wal-Mart Stores Inc. e da Dell Inc.
Breyer descreve esses executivos como muito inteligentes e capazes de diversificar em novos negócios, ao mesmo tempo em que mantêm o foco no negócio central da companhia.
Ele disse que as pessoas lhe perguntam qual a diferença entre as reuniões do conselho da Wal Mart e da Facebook.
"Eu vejo muito mais semelhanças do que diferenças entre os executivos mais visionários", disse ele.
A comparação entre a Hewlett-Packard Co. e IBM ilustra bem o desafio. Quando Louis V. Gerstner assumiu o comando da IBM, ele quis saber por que a companhia frequentemente perdia a emergência de novas indústrias. A IBM desenvolveu o primeiro roteador comercial, por exemplo, mas a Cisco Systems Inc. acabou dominando o mercado.
Um estudo interno indicou que o sucesso da IBM em mercados maduros tornava difícil a exploração de mercados novos, e que faltava uma estrutura organizacional adequada para identificar e desenvolver novos empreendimentos.
Assim, em 2000, Gerstner lançou um programa para descobrir e desenvolver oportunidades de crescimento sob a direção de altos executivos. Nos cinco anos seguintes, negócios emergentes como ciências da vida, o software Linux e computação pervasiva adicionaram mais de US$ 15 bilhões às receitas da IBM, de acordo com um estudo de 2010 publicado na revista de gestão "Harvard Business Review".
Sob a direção do diretor-presidente Samuel J. Palmisano, que deixou o cargo no final de 2011, a IBM suplementou seus esforços internos com uma agressiva estratégia de aquisições, amealhando dezenas de pequenas companhias que expandiram as suas altas margens nos negócios de software e consultoria.
Ao mesmo tempo, Palmisano não se esquivou às decisões difíceis, vendendo o renomado negócio de PCs em 2004, antes que os PCs se tornassem commodities.
"Nós duramos cem anos porque nunca nos limitamos à visão de um produto em particular", disse Palmisano ao The Wall Street Journal no ano passado.
Já a HP, ao contrário, decidiu crescer nos PCs, gastando US$ 25 bilhões para comprar a rival Compaq Computer em 2002. Com as ameaças àquele negócio agora mais claras, a empresa informou, no ano passado, que pode separar ou vender a sua divisão de PCs, antes que investidores sejam forçados a debandar.
A HP também demorou a assimilar a crescente importância dos softwares de negócios, e vem gastando pesado para tirar o atraso. Quando a HP gastou US$ 11 bilhões, no terceiro trimestre de 2011, na compra da empresa de software Autonomy Corp., muitos analistas disseram que o alto preço da transação destruiria o valor para o acionista.
"A HP está tentando fazer tudo aquilo que a IBM fez, só que com cinco anos de atraso", disse Rosabeth Kanter, uma professora da faculdade de administração da Universidade Harvard.
Nos últimos anos, a Apple mostrou como evitar ser enganado pelo dilema do inovador. Depois que seu antigo diretor-presidente Steve Jobs retomou o cargo no início dos anos 90, ele renovou a linha de produtos e conquistou uma posição dominante na música digital com o iPod.
Mas ele prontamente colocou ambos os negócios em risco com novos produtos, vários anos depois, como o iPhone e o iPad. (The Wall Street Journal - 08/01/2012)
Smartphones fazem Samsung registrar lucro recorde no 4º trimestre
Companhia teve lucro operacional de US$ 4,5 bilhões de dólares, acima do previsto
A Samsung Electronics, maior fabricante mundial de chips de memória e smartphones, teve lucro recorde no quarto trimestre, favorecida por ganhos extraordinários e pelas vendas sem precedentes de celulares inteligentes. No quarto trimestre, a companhia teve lucro operacional de 5,2 trilhões de wons (US$ 4,5 bilhões de dólares), acima da previsão de 4,7 trilhões de wons dos analistas ouvidos pela Thomson Reuters I/B/E/S.
No terceiro trimestre companhia ultrapassou a Apple e alcançou a liderança no mercado de smartphonesO lucro real pode ter uma variação de 200 bilhões de wons para cima ou para baixo em relação a esse número quando a empresa divulgar os ganhos mais detalhados ainda este mês.
A companhia sul-coreana, que no terceiro trimestre ultrapassou a Apple e alcançou a liderança no mercado de smartphones, está rapidamente construindo uma supremacia com base em designs refinados e uma linha de produtos variada, enquanto os últimos modelos de HTC, Nokia e Research in Motion lutam para atrair a atenção dos consumidores.
A Samsung também vem resistindo a uma queda nos lucros da divisão de chips de memória, com novas fontes de receita como processadores para dispositivos móveis e monitores de última geração OLED, já que grandes concorrentes recorrem aos seus componentes para tablets e smartphones.
O resultado representa um aumento de 22% sobre o trimestre anterior e pode superar o lucro recorde de 5 trilhões de wons apurado no segundo trimestre de 2010.
Os ganhos não-recorrentes previstos para o quarto trimestre incluem cerca de 500 bilhões de wons da venda do negócio de disco rígido à Seagate Technology e menores pagamentos de royalties relativos a celulares, de acordo com analistas.
Os embarques de smartphones da companhia estão estimados em 35 milhões de unidades para o quarto trimestre, volume recorde e 25% acima do registrado nos três meses anteriores. (Reuters - 06/01/2012)
Indústria japonesa enfrenta ameaça de declínio irreversível
Sob pressão das políticas domésticas e dos concorrentes estrangeiros, o setor por trás do milagre japonês do pós-guerra está transferindo suas atividades para outros países, aumentando as preocupações com a capacidade da nação de vencer uma estagnação que já dura duas décadas.
Em junho, Akio Toyoda, presidente da Toyota Motor do Japão, fez uma dura avaliação ao ativo econômico mais estimado de seu país: sua competitividade enquanto potência econômica. "Se olharmos a situação de uma maneira lógica", disse ao anunciar uma reorganização das operações domésticas da Toyota, que estavam no vermelho como resultado da valorização do iene, "veremos que não faz sentido produzir no Japão".
Os sinais de alerta estão soando nos escritórios e fábricas do Japão corporativo. O câmbio, os cortes no fornecimento de energia provocados pelo tsunami de março, políticas fiscais e comerciais desfavoráveis e a ascensão implacável da China e da Coreia do Sul estão pressionando os outrora incontestados fabricantes de automóveis e produtos eletrônicos nipônicos a abandonar o país por paragens onde os custos são menores.
Políticos, líderes empresariais e a imprensa alertam que, se nada for feito, os setores responsáveis por grande parte do crescimento do Japão após a Segunda Guerra Mundial poderão mergulhar num declínio irreversível - e acabar com as chances do país de sair de uma estagnação econômica de 20 anos. "Corremos o perigo sem precedentes de esvaziamento da economia", disse em setembro o primeiro-ministro Yoshihiko Noda.
Lamentar o declínio do setor industrial não é novidade, nem uma característica única do Japão. A parcela da população envolvida na produção de objetos físicos, assim como acontece em outros países ricos, vem encolhendo há anos: de 27% em 1970 para os atuais 17%. Isso deixa o país em algum lugar entre o Reino Unido e os Estados Unidos, onde apenas um em cada dez trabalhadores está no setor industrial; e a Alemanha e a Itália, onde esse número é de aproximadamente 20%, segundo estatísticas da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), sediada em Paris.
Mesmo assim, para o Japão a perspectiva da irrelevância industrial é especialmente preocupante. Desde o estouro da bolha econômica do país na década de 1990, a renda real por trabalhador caiu 10% e a perda de mais empregos bem pagos no setor industrial vai acelerar a tendência de queda. Embora a taxa oficial de desemprego permaneça baixa, em pouco mais de 4%, o governo calcula que ela poderá aumentar mais de três vezes se as empresas reduzirem suas forças de trabalho para se adequar aos atuais níveis da demanda.
Até agora, isso foi adiado por leis trabalhistas favoráveis aos trabalhadores, subsídios empregatícios do governo, às vezes chamados de esmolas para funcionários ociosos, e o legado dos esquemas do pós-guerra de "emprego para a vida toda", mas é improvável que seja evitado para sempre.
De um modo amplo, os problemas industriais coincidem com o papel menor do país no cenário mundial. Duas décadas atrás, sua produção econômica respondia por 14% do PIB mundial; hoje, esse número é inferior a 9%. Até mesmo na Ásia ele vem sendo eclipsado pela China enquanto potência econômica e diplomática.
Talvez ainda mais preocupante seja o fato de que muitos parecem acreditar que o país não tem para onde retroceder se o setor industrial fracassar; que seus trabalhadores são adequados unicamente ao "monozukuri", o conceito quase místico de "fazer coisas". Essas pessoas apontam para uma escassez de campeões nacionais em setores como o de softwares e o de finanças, e no ineficiente setor de serviços, onde a produção por trabalhador é menos da metade do nível dos Estados Unidos. Quando as companhias do setor industrial tropeçam - como aconteceu com a Toyota nos recalls de 2009 ou com o escândalo contábil em andamento na Olympus -, cresce a sensação nacional de embaraço.
"A identidade do Japão está ligada ao setor industrial", diz Yoshikazu Tanaka, fundador da Gree, uma companhia de jogos sociais. "Se você não produz objetos materiais, as pessoas o tratam com se estivesse fazendo algo duvidoso."
De fato há evidências de que a transferência da produção para fora do país sofreu uma aceleração. Desde que o iene começou sua valorização de 40% em relação ao dólar, em meados de 2007, as saídas líquidas de investimentos estrangeiros diretos passaram de uma média de US$ 30 bilhões a US$ 50 bilhões na primeira metade da década de 2000, para US$ 130 bilhões em 2008. Elas continuam acima da tendência de longo prazo. Em termos domésticos, os investimentos pelas empresas vêm caindo.
A diferença de desempenho entre as companhias que transferiram agressivamente operações para fora e as que não fizeram isso é grande. A Toyota produz cerca de 50% de seus carros no Japão, onde vende menos unidades do que exporta, e a expectativa da companhia é que seu lucro líquido cairá pela metade no ano fiscal que se encerra em março. Por outro lado, a Nissan, que produz no Japão apenas um quarto de seus veículos, prevê um queda nos lucros de 9%.
"Se o Japão quiser empregos, terá de fazer alguma coisa para estabelecer uma taxa de câmbio normal", alertou recentemente o presidente-executivo da Nissan, Carlos Ghosn. Ele quer que o governo desista das esporádicas, e na maioria das vezes ineficientes, intervenções no mercado, como vem fazendo desde o fim de 2010, em favor de um teto cambial ao estilo suíço, que defenderia a todo custo.
Os problemas foram agravados pelos desastres naturais do ano passado. O terremoto seguido de tsunami, em março, e as enchentes mais recentes na Tailândia, danificaram fábricas japonesas e provocaram uma confusão nas cadeias de fornecimento. Muitas companhias se recuperaram mais rapidamente que o esperado - a produção industrial nacional retornou para perto dos níveis normais em agosto, após cair 15% em abril -, mas os efeitos sobre os negócios no país serão prolongados.
Um dos problemas é o custo da energia. A destruição da usina nuclear de Fukushima Daiichi pelo tsunami levou a cortes no fornecimento de energia em todas as partes do país, uma vez que outras usinas foram forçadas a se desligar para testes de segurança. Isso levantou a possibilidade de racionamentos por longos períodos e alta dos preços num país onde as empresas já pagam 40% mais pela energia do que as empresas americanas, e 2,5 vezes mais que as companhias sul-coreanas, uma consequência, em parte, da estrutura monopolista do setor energético.
A Tokyo Electric Power, dona da usina de Fukushima, quer aumentar as tarifas em Tóquio e áreas subjacentes em 15%, para cobrir seus custos de compensação e limpeza - uma proposta que vem enfrentando resistência das empresas. "O problema da eletricidade é tão grande quanto o da força do iene", diz Minoru Usui, presidente da Seiko Epson, fabricante de impressoras e projetores de vídeo.
Tsunamis e os mercados de câmbio podem estar fora do controle, mas a indústria e autoridades também vêm provocando seus próprios problemas. Muitas empresas, por exemplo, apoiaram as chamadas tecnologias galápagos - dispositivos eletrônicos japoneses que têm pouco apelo porque são elaborados tendo em vista principalmente as exigências locais.
Um caso clássico é o telefone celular. O Japão já tinha celulares capazes de surfar na internet quase dez anos antes do surgimento do iPhone, mas mesmo assim os produtores locais nunca pensaram nos mercados internacionais e não atualizaram seus projetos. Hoje, eles perdem participação até mesmo em casa, onde o mundialmente popular aparelho da Apple é o modelo mais vendido.
Enquanto isso, empresários afirmam que a política do governo desencoraja os investimentos e as contratações em casa. Eles citam as regras trabalhistas onerosas, os altos impostos corporativos (41%, em comparação à média de 26% dos países da OCDE), e o fato de que os exportadores pagam tributos maiores que os concorrentes de Coreia do Sul e outros países.
O custo enorme dos reparos da costa de Tohoku depois do tsunami contribuirá para o endividamento público já sem paralelos do Japão de 200% do PIB, dificultando ainda mais a redução da carga tributária das empresas.
Mas é claro que nem toda a indústria do país está "condenada". Paradoxalmente, os desastres de 2001 serviram de lembrete que o país mantém vantagens competitivas em áreas importantes, mas frequentemente subestimadas, como a de materiais e componentes de precisão. Muitas pessoas ficaram surpresas ao tomar conhecimento, por exemplo, de que uma única fabricante japonesa de semicondutores, a Renesas, fornece quase metade dos microcontroladores usados em automóveis em todas as partes do mundo.
Quando a fábrica, que produz dispositivos que movem assentos, fecham portas e acionam vidros, foi paralisada pelo terremoto, as linhas de montagem de centros automobilísticos como o de Nagoia no Japão e do Alabama, nos EUA, também foram paralisados.
A força dos fabricantes de componentes japoneses também ficou evidente no voo comercial inaugural do jato 787 Dreamliner da Boeing, em outubro, do qual um terço das peças de alta tecnologia é fabricado no Japão. A Toray, companhia que fornece os elementos leves de fibra de carbono que tornam o modelo mais eficiente do ponto de vista de consumo de combustível, pode não ser um nome tão conhecido como a Sony, mas representa o que indiscutivelmente é a parte mais competitiva do setor industrial japonês.
Até agora, a maioria das empresas vem optando por continuar produzindo seus produtos mais sofisticados e de alto valor agregado no Japão, transferindo a produção de produtos de margens menores para países onde os custos são mais reduzidos. A estratégia vem funcionando em maior ou menor grau para grupos independentes, mas especialistas duvidam que isso vá preservar empregos em grande escala, especialmente na medida em que grandes economias emergentes, como a China, sobem degraus na cadeia industrial de valor, para fabricar produtos cada vez mais sofisticados.
Waichi Sekiguchi, articulista do jornal japonês "Nikkei" e membro do Beyond Galapagos Study Group, uma associação de especialistas do setor industrial, afirma que a competitividade dos custos e o iene são problemas secundários, uma vez que as próprias mudanças tecnológicas tornaram o modelo de negócios dos fabricantes japoneses, focado na engenharia, obsoleto. "Esse modelo funcionou maravilhosamente bem quando a competição global girava em tornos de produtos individuais e os vencedores eram as companhias que fabricavam os melhores produtos aos preços mais baixos", diz ele. "Mas isso não faz tanto sentido no mundo da eletrônica digital, onde quem manda é a rede."
Sekiguchi demonstra seu ponto de vista em "Reimagining Japan" (repensando o Japão), uma coletânea de análises e recomendações de políticas publicada no ano passado pela consultoria McKinsey. Outros colaboradores do livro afirmam que o foco excessivo em salvar o setor industrial pode até ser danoso se atrair recursos de alternativas mais promissoras para fugir do beco sem saída econômico. "A fabricação de porcas a parafusos é o passado do Japão, e não seu futuro", afirma Masayoshi Son, fundador do grupo japonês de telecomunicações Softbank. "Nenhum setor que depende muito de mão de obra pode revitalizar o Japão. Para o país, setores que exigem muito conhecimento são o único caminho à frente. E mesmo assim as políticas de nosso governo não estão dirigidas para esses setores."
A política oficial é voltada principalmente para a preservação do que sobrou do "monozukuri". No fragmentado setor eletrônico, o governo está tentando acelerar a consolidação e criar campeãs nacionais: recentemente apoiou a fusão das pequenas operações de produção de telas de cristal líquido da Sony, Toshiba e Hitachi. Ele espera que a nova empresa possa competir melhor com os grupos da Coreia do Sul e Taiwan.
Mesmo assim, os planejadores econômicos também reconheceram a necessidade de diversificação e estão mirando outras áreas além do setor industrial, como as de turismo, produção de mangás (as histórias em quadrinhos japonesas) e moda. O estilo de vida japonês é popular em todas as partes do mundo, mesmo assim sua indústria cultural exporta apenas cerca de 2% da produção.
Yoshihiko Miyauchi, presidente-executivo da Orix, uma companiha de serviços financeiros e defensor da liberalização do altamente protegido setor de serviços, lista outras áreas em que o país é forte, mas que está pouco representado globalmente - serviços de entrega a lojas de conveniência e o segmento de cuidados médicos. "O Japão poderia ter a Clínica Mayo da Ásia", diz ele, referindo-se ao renomado hospital privado de Minnesota, que atrai pacientes de todas as partes do mundo.
Quanto ao setor industrial, ele prefere ver as companhias transferindo a produção para fora do país e prosperar, do que ficar e enfraquecer. "Quando as companhias japonesas saem para o mundo, elas ficam mais fortes. São as companhias que tentam brigar em casa que estão tendo dificuldades." (Valor Econômico - 06/01/2012)
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Sem matérias nesta semana.
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O que será o Brasil em duas décadas?
O ano de 2012 inicia-se com projeção de crescimento menor e inflação maior vis-à-vis ao início de 2011. No entanto, essa queda parece ser apenas um desvio de curso em uma trajetória de crescimento que é cada vez mais consensual: a possibilidade de o Brasil crescer perto de 4% ao ano, o que significaria duplicar a nossa renda per capita em pouco mais de duas décadas para valor próximo à renda de Portugal hoje (US$ 24 mil), mas ainda muito inferior ao padrão de renda atual dos EUA (US$ 48 mil) e da União Europeia (US$ 35 mil).
Dobrar a renda per capita em pouco mais de duas décadas não é ruim. A Inglaterra levou 150 anos para dobrar a sua renda per capita depois da revolução industrial. Por outro lado, países com renda per capita muito superior à do Brasil, como é o caso da Coreia do Sul (US$ 31 mil), tem hoje a perspectiva de dobrar a sua renda já elevada em menos de uma década e meia (14 anos).
É claro que o crescimento da economia brasileira ao longo das próximas duas décadas não está dado. O crescimento poderá ser maior se o Brasil retomar a agenda de reformas necessária para elevar o crescimento, ou poderá ser menor se utilizarmos a conjuntura externa (ainda) favorável para aumentarmos apenas o consumo. Não se trata de diminuir o consumo presente, mas apenas dosar a sua taxa de crescimento para aumentar o investimento público e privado; uma estratégia que, na prática, está longe de ser consensual.
Tendência é de maior especialização em commodities e petróleo, principalmente, com valorização do real.
Os fatores positivos que nos trazem conforto nas próximas duas décadas são: 1) os efeitos positivos das reformas econômicas de 1986 a 2005; 2) o boom de commodities que diminuiu a restrição externa ao crescimento, e 3) o descobrimento do pré-sal, com impactos positivos na taxa de investimento e na arrecadação de impostos (em relação ao PIB).
No entanto, esse cenário positivo contrasta com uma série de desafios ainda "em aberto". Um desses desafios é a educação. O Brasil, desde meados dos anos 90, vem aumentando o esforço de investimento em educação, mas a qualidade da educação básica ainda é ruim. Sabe-se hoje que a melhora na qualidade da educação depende de uma série de políticas (escola em horário integral, nova política de contratação e treinamento de professores, maior investimento na pré-escola, reforma e aumento da taxa de matrícula do ensino médio, etc.), mas não se sabe "ex ante" o que funcionará nem quais delas têm melhor relação custo-benefício.
O desafio do crescimento dos gastos com saúde não é menos importante. O Brasil não tem hoje recursos para cumprir com a letra da Constituição que estabelece, no seu Art. 196, que o acesso à saúde é universal e dever do Estado, e com cobertura integral (Art. 198). O que equilibra o SUS são as filas e os planos privados de saúde que cobrem 25% da população. Mesmo assim, estima-se que cerca de 30% da população brasileira não tenha acesso a serviços de saúde regularmente. A tendência é que esse quadro se agrave já que, ao longo dos próximos vinte anos, a população brasileira crescerá a uma taxa próxima a 0,9% ao ano, enquanto a população com mais de 60 anos crescerá a uma taxa de mais de 3,5% ao ano, aumentando a participação dos idosos no total da população de 10% (19,2 milhões de pessoas), em 2010, para 18,7% (40,4 milhões de pessoas), em 2030. Esse envelhecimento da população pressionará ainda mais os gastos do SUS, se não aumentarmos os gastos com prevenção nos próximos anos.
A mudança demográfica em curso no Brasil levará também ao crescimento dos gastos com previdência e menor expansão da força de trabalho. O Brasil gasta com previdência de cerca de 12% do PIB para uma razão de dependência (população com 65 anos ou mais dividida pela população em idade ativa de 15 a 64 anos) de 9,1%. Pela média mundial, nosso gasto atual com previdência seria equivalente a um país com taxa de dependência 25% a 30%. Com o envelhecimento da população, o gasto com previdência (em relação ao PIB) crescerá ainda mais e, por enquanto, não temos ideia de como lidar com esse problema.
Em relação à indústria, a tendência natural da economia brasileira é de maior especialização em commodities, principalmente na cadeia de petróleo, com valorização da moeda. Esse cenário levará à redução de participação de setores da indústria no PIB, principalmente os intensivos em mão de obra como calçados, vestuário, brinquedos e outros. Não está claro como o governo reagirá a esses movimentos estruturais, se com mais proteção ou com políticas que facilitem as mudanças estruturais. O desejável seria a redução da carga tributária da indústria, mas hoje falta espaço fiscal, o que tem levado a uma agenda negativa de maior proteção comercial.
O maior risco para o crescimento do Brasil nas próximas duas décadas é acharmos que poderemos nos acomodar com a riqueza do pré-sal e com o boom de commodities. A bonança dos recursos naturais deveria ser utilizada para avançar, ainda que de forma gradual, na agenda de reformas que será importante para definir o que será o Brasil em duas décadas, se um país de renda per capita próximo a US$ 20 mil e com forte especialização em commodities, ou outro de renda per capita mais próximo a US$ 30 mil e com uma indústria dinâmica, mas com menor participação no PIB.
Mansueto Almeida (Valor Econômico - 13/01/2012)
Agravamento da crise europeia atingirá Brasil, alerta Ipea
Instituto destaca que economia ficaria mais fraca, mercado de trabalho seria prejudicado, com menor expansão da renda e piora na atividade industrial
RIO - O agravamento da crise na Europa pode levar a economia brasileira a um "círculo vicioso", onde desaquecimento mais intenso da atividade econômica se propagará com força para o mercado de trabalho, levando à menor expansão da renda; e piora na atividade industrial, já estagnada. O alerta partiu do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) em seu Comunicado nº 130 - "Considerações sobre a desaceleração do PIB em 2011".
Sem mencionar projeções numéricas para a economia do ano passado, o Ipea observou que o Produto Interno Bruto (PIB) de 2011, a ser anunciado pelo IBGE em março, deve mostrar aumento "bastante inferior" ao de 2010 (+7,5%), pressionado por taxa de câmbio apreciada; aperto monetário; política fiscal mais conservadora; estoques elevados e crise econômica na Europa.
Para o instituto, vinculado à Secretaria de Assuntos Estratégicos da Presidência da República, a melhora nas perspectivas para os próximos trimestres estariam condicionadas ao sucesso de medidas do governo brasileiro nos campos monetário e fiscal a fim de reaquecer economia e, principalmente, aos desdobramentos da crise externa.
Segundo o Ipea, caso a atual crise europeia se transforme em nova crise financeira global, acompanhada por congelamento dos canais de financiamento e forte retração da demanda mundial, os efeitos seriam fortemente sentidos no Brasil. Neste cenário, haveria queda no fluxo líquido de entrada de capitais estrangeiros no País, devido ao aumento dos níveis globais de aversão ao risco; redução de linhas de crédito internacionais, o que dificultaria captações de empresas brasileiras no exterior; e recuo nos preços dos papéis das empresas brasileiras nos mercados de ações.
Além disso, o instituto lembrou que, em um ambiente de economia mundial desaquecida, cai a demanda global por produtos importados - o que teria duro impacto na indústria brasileira voltada para exportação.
Na prática, o futuro da economia brasileira torna-se menos preocupante somente em um cenário no qual os problemas relacionados ao descontrole das dívidas soberanas dos países europeus sejam equacionados, evitando-se, assim, maior contágio do sistema financeiro internacional e uma possível recessão mundial.
Cenário otimista
A maioria dos fatores que conduziram ao desaquecimento da economia brasileira em 2011 estará presente em 2012. Mesmo assim, o Ipea considerou que, caso a crise internacional não tenha desdobramentos mais graves, os estímulos do governo para aquecer mais a economia, como reajuste do salário mínimo e programas redistributivos de renda, continuariam a manter o vigor da demanda interna.
Outra vantagem seria a contínua e gradual melhora nos fundamentos macroeconômicos do País - que permitiu rápida recuperação da economia brasileira durante a crise financeira em 2008 e pode continuar a influenciar positivamente o cenário doméstico. (Agência Estado - 13/01/2012)
Anatel vai controlar importação de celular
O governo vai implementar este mês a primeira barreira à importação de celulares de má qualidade. Dentro de duas semanas, a Câmara de Comércio Exterior (Camex) vai aprovar medida que submeterá os aparelhos vindos do exterior à homologação prévia da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel). (O Estado de S.Paulo - 13/01/2012)
Queda em reservas da China pode acelerar nova política monetária
PEQUIM - As reservas oficiais da China caíram para 3,18 trilhões de dólares no último trimestre de 2011, sinalizando que os dias da escalada de acumulação de moeda estrangeira liderada pelas exportações estão contados e que novas medidas de política monetária podem ser necessárias para conter as saídas de capital
O banco central da China publicou dados nesta sexta-feira mostrando uma queda nas reservas de 20,6 bilhões de dólares, ou 0,6 por cento, nos últimos três meses do ano, embora o estoque de reserva cambial de Pequim ainda seja de longe o maior do mundo.
As reservas caíram em novembro e dezembro, a primeira queda mensal consecutiva desde o primeiro trimestre de 2009, um claro sinal do impacto que um superávit comercial declinante e uma saída de fundos especulativos está tendo sobre os fluxos de capital da China.
E embora a queda trimestral não sinalize fuga em massa de capital da China, analistas dizem que isso é um argumento em favor de que Pequim reduza mais o montante de dinheiro que os bancos mantêm como reservas para assegurar suficiente liquidez de mercado.
"O declínio nas reservas cambiais no quarto trimestre é consistente com a forte reversão nos fluxos de capital dos mercados emergentes em geral e da região em particular", disse o economista do Commonwealth Bank of Australia em Cingapura Andy Ji.
"O banco central provavelmente vai realizar mais cortes na taxa de depósito compulsório e injeção de liquidez agressiva através de operações de mercado aberto se a tendência se deteriorar mais", afirmou.
A China cortou a taxa do compulsório em 50 pontos-base, de uma alta recorde de 21,5 por cento no fim de novembro, no primeiro corte em três anos, enquanto buscava proteger sua economia da queda na demanda de exportações por parte da endividada Europa e dos letárgicos consumidores dos EUA.
Economistas consultados pela Reuters esperam que a China corte 200 pontos-base da taxa de depósito compulsório este ano, antecipando mais fraqueza no crescimento das exportações. (Reuters - 13/01/2012)
Exportações crescem e zona do euro tem superávit comercial em novembro
SÃO PAULO - A zona do euro apresentou um surpreendente superávit comercial em novembro do ano passado, sustentado pelo aumento das exportações bem mais veloz que o das importações na comparação com igual mês de 2010.
O bloco formado por 17 países teve, para com o restante do mundo, um saldo comercial positivo de 6,9 bilhões de euros, informou a Eurostat nesta sexta-feira. Analistas previam déficit de 1 bilhão de euros.
As exportações subiram 10% na comparação anual, para 155,6 bilhões de euros, enquanto as importações cresceram muito menos, 4%, para 148,7 bilhões de euros.
Em outubro, a zona do euro havia tido um superávit comercial de 1,0 bilhão de euros; em novembro de 2010, a região apresentou déficit comercial de 2,3 bilhões de euros.
No acumulado de janeiro a novembro do ano passado, tanto as exportações quanto as importações cresceram 13% frente a igual intervalo do ano anterior, e o déficit comercial aumentou de 13 bilhões para 15,1 bilhões de euros. (Valor Econômico - 13/01/2012)
China pode fazer mais para reduzir dependência das exportações
O secretário do Tesouro dos EUA, Timothy Geithner, afirmou que a China pode fazer mais para se afastar da dependência de um modelo econômico dependente das exportações e disse que as moedas de países emergentes precisam se valorizar mais em uma aparente referência ao yuan. Em entrevista durante visita a Tóquio, no Japão, Geithner também afirmou que o crescimento da economia norte-americana está se acelerando e vem mostrando sinais de resistência recentemente, segundo informações da Dow Jones. (Estadão - 13/01/2012)
Oportunidades comerciais e de investimento entre o Brasil e a China podem aumentar este ano, avalia a CCIBC
A interação e as parcerias sino-brasileiras firmadas na última década ampliaram a corrente de comércio entre o Brasil e a China de US$ 2,5 bilhões, em 2000, para cerca de US$ 70 bilhões, no ano passado. "Em 11 anos, deu um salto brutal", disse hoje (12) à Agência Brasil o diretor da Câmara de Comércio e Indústria Brasil-China (CCIBC), Kevin Tang.
"O clima é muito favorável [para as relações comerciais] entre os dois países e, agora, a gente também vê os investimentos chineses aumentando no Brasil", declarou. A entidade acaba de abrir um escritório em Salvador (BA), totalizando dez unidades no país, e considera a capital baiana a porta de entrada no Nordeste para novas possibilidades comerciais bilaterais.
As exportações brasileiras para a China são lideradas pelas commodities agrícolas e minerais, com destaque para soja, minério de ferro e petróleo "e, eventualmente, alimentos". Kevin Tang assegurou que esses são setores estratégicos para a China, que tem interesse em investir também nessas áreas no Brasil.
Ele lembrou que além dessas áreas, empresas chinesas já estão investindo em distribuição de energia no Brasil e nos setores automotivo e de máquinas e equipamentos voltados, em especial, para a construção civil e o eletroeletrônico. "Porque são áreas onde a indústria chinesa já está mais madura e tem uma presença no mercado internacional relativamente forte".
Com isso, observa-se grande volume de vendas de produtos da China no Brasil que justifica, segundo o diretor da CCIBC, a instalação de montadoras e unidades fabricantes de máquinas no país. Tang enfatizou que a cidade de Salvador pode significar uma porta de entrada para investimentos chineses no Nordeste. "É a região que mais cresce no Brasil". Além disso, destacou que o estado é muito rico. Ali estão em funcionamento polos automotivo e petroquímico. A Bahia é forte também nas áreas de logística, mineração e produção agrícola, ressaltou. "Temos aí alguns setores em que a China tem sinergia para investir".
As exportações baianas para a China cresceram 23,23% no ano passado em comparação a 2010, atingindo US$ 1,3 bilhão. As importações feitas da China para a Bahia também mostraram expansão de 27,75% em relação ao ano anterior, somando US$ 553 milhões. A expectativa da Câmara de Comércio e Indústria Brasil-China é que esses números continuem a crescer este ano, apesar das incertezas no mercado internacional.
"Apesar de todas as dificuldades, o que a gente está enxergando é que não só o comércio, como os investimentos de empresas chinesas no estado vão se multiplicar, em 2012". Depois da Bahia, Tang vê oportunidades de negócios entre o Brasil e a China também em Pernambuco, que considera um "mercado estratégico", com investimentos maciços ocorrendo em petróleo, estaleiro e refinaria, entre outras áreas. Ele citou, ainda, Minas Gerais e o Rio de Janeiro entre outros estados que despertam o interesse dos chineses. (Agência Brasil - 13/01/2012)
Celulares importados vendidos no Brasil terão de ser certificados pela Anatel
Os aparelhos de celular importados vendidos no Brasil terão de ser certificados previamente pela Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel). A decisão foi tomada pelos ministros do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Fernando Pimentel, e das Comunicações, Paulo Bernardo, em reunião na tarde de hoje.
A autorização para que a Anatel passe a funcionar como certificadora ainda terá de ser aprovada pela Câmara de Comércio Exterior (Camex). A próxima reunião da Camex está prevista para o dia 25 de janeiro.
Com a mudança das regras, o importador terá de apresentar o atestado da Anatel para o modelo de telefone que que ele pretende trazer para o Brasil junto com a licença de importação. "Com essa medida, o exame para ver se o produto atende as normas de segurança e a operacionalidade será prévio", afirmou Pimentel. Hoje, qualquer avaliação da qualidade do aparelho de telefone importado só é feita depois que o produto já entrou no Brasil. "Queremos impedir a entrada no País de aparelhos de baixa qualidade", disse.
Os ministros também acordaram a realização de uma negociação com as operadoras de telefonia celular para que passem a importar somente modelos de telefone celular certificados pela Anatel. (MDIC - 12/01/2012)
Merkel cede e amplia verba alemã para fundo
São Paulo - Depois de se reunir com o presidente francês, Nicolas Sarkozy, e com o premiê italiano, Mario Monti, durante esta semana, a chanceler alemã, Angela Merkel, disse ontem que o país está disposto a fornecer mais dinheiro para o Mecanismo Europeu de Estabilidade (ESM, na sigla em inglês), o fundo de resgate permanente da zona do euro, que será lançado no meio deste ano. O encontro dos líderes europeus visa reativar a batalha contra a crise da dívida na zona do euro, antes da reunião de cúpula da UE no final do mês. Merkel informou que os líderes da França, Itália e Alemanha se reunirão novamente no dia 20. A meta é definir os itens da proposta do pacto fiscal. (DCI - 12/01/2012)
Clima empresarial volta a dar o tom na América Latina
SÃO PAULO - Qual economia cresceu mais rápido nos últimos sete anos? A) A Venezuela de Hugo Chávez, famosa por suas nacionalizações forçadas e pelo "socialismo do século 21" B) Chile, há muito renomado como paraíso capitalista para investidores
Pode ser uma surpresa para alguns estrangeiros descobrir que a resposta é, na verdade, a alernativa "A". Nos últimos anos, os preços das commodities ditaram mais que qualquer outro fator o crescimento na América Latina, significando que os países podem esmagar as empresas, mas ainda crescer com força contanto que exportem matérias-primas como petróleo e minério de ferro para a China e o resto do mundo.
A Venezuela, maior exportadora de petróleo da região, registra um crescimento econômico médio de 4,6 por cento desde 2005, contra os 4 por cento do Chile, que é líder mundial em cobre. Um exemplo ainda mais claro do reinado poderoso das commodities seria a Argentina, que manteve um crescimento médio de 7 por cento no mesmo período, com exportações recordes de soja e outros produtos agrícolas ajudando a ofuscar a posição hostil do governo em relação a empresas de energia e outros investidores.
Agora, porém, parece que essa tendência está mudando. Na América Latina, 2012 parece ser o ano em que o clima empresarial claramente reestabelece sua supremacia como principal motor de crescimento.
Os países que devem crescer mais rápido em 2012 também são, em geral, aqueles que são vistos pelo Banco Mundial e outros como os que dão o melhor tratamento ao investidor. Isso significa que Chile, Peru e Colômbia devem liderar a região, enquanto a Venezuela e até o Brasil ficarão para trás - assim como aconteceu no ano passado.
O que mudou? A economia global.
A demanda por muitas commodities deve diminuir em 2012 devido a problemas econômicos em mercados compradores como China e Europa. Isso significa que dependerá dos países latino-americanos gerar uma parte maior de seu próprio crescimento - e os que terão o melhor desempenho serão aqueles que flexibilizarem suas leis trabalhistas, cortarem burocracias e tomarem outras medidas para estimular as empresas.
"Não há dúvida de que estamos vendo uma mudança", disse o economista da Capital Economics para a América Latina David Rees. "Os motores externos de crescimento estão secando e esses países terão de buscar outras fontes, como investimento, para manter o ritmo."
A batalha pelo 1o lugar entre os investidores
Uma forma de medir a tendência é olhar no estudo anual "Doing Business", do Banco Mundial, que compara o clima empresarial em 183 países com base em como eles protegem os investidores, na facilidade para abrir um negócio, na simplicidade para pagar impostos, entre outros fatores.
O grupo de países da América Latina que estão claramente um passo à frente de seus rivais regionais na pesquisa são Chile (39), Peru (41) e Colômbia (42).
Essas três economias devem crescer 4,5 por cento ou mais neste ano, de acordo com as últimas previsões do Fundo Monetári Internacional (FMI), feitas em outubro. Países que estão mais abaixo na pesquisa do Banco Mundial, como Guatemala (97), Brasil (126) e Venezuela (177), devem crescer na faixa de 3,5 por cento ou menos.
A tendência divergente é ainda mais evidente em pesquisas feitas recentemente por empresas de Wall Street, como o Morgan Stanley.
As duas outras grandes economias latino-americanas também parecem estar caminhando em direções opostas.
O crescimento da Argentina (113) deve ser de 4,5 por cento neste ano, segundo o FMI - mas isso é apenas metade do ritmo do ano passado. Enquanto isso, a economia relativamente aberta e de baixa carga tributária do México (53) deve mostrar resistência, com crescimento de 3,6 por cento - bem acima da tendência de cerca de 2 por cento registrada desde 2005.
A maioria dos países no topo da classificação econômica implementaram vigorosamente reformas pró-empresas nos últimos anos, frequentemente com o objetivo explícito de melhorar sua posição na lista do "Doing Business".
Peru, Chile e Colômbia têm lutado entre si há anos por uma supremacia na América Latina, disse Luis Plata, ex-ministro de Comércio colombiano. "Nós batalhamos duro para sermos os primeiros", disse ele em entrevista. "Tornou-se uma competição."
"Os rankings melhoram sua posição com os investidores, mas... a razão real para fazer isso é ajudar você a identificar mudanças profundas no sistema, coisas que ajudarão sua economia a crescer melhor", disse Plata.
O Chile, "campeão" deste ano, viu investimentos externos de 13,79 bilhões de dólares em 2011, uma máxima histórica que contribuiu para o crescimento econômico mais rápido em anos. Uma autoridade chilena disse à Reuters no mês passado que o governo espera um novo recorde no investimento estrangeiro neste ano.
Reformas estagnadas no Brasil
Nos países mais perto do fim do ranking, as atitudes são notavelmente diferentes.
A presidente argentina Cristina Kirchner deu poucos sinais de flexibilização na posição em relação a alguns investidores que, nos últimos anos, viram seu governo nacionalizar fundos privados de pensão e enfrentar suspeitas de manipular dados econômicos básicos, como a inflação.
A economia da Venezuela continuou forte por anos graças ao seu status como maior exportadora de petróleo da América do Sul. Os confrontos frequentes de Chávez com as empreas privadas, no entanto, esvaziaram boa parte do setor e deixaram a economia dependente de investimentos estatais.
No Brasil, maior economia da América Latina, o cenário é ligeiramente mais complexo. Embora os últimos governos tenham agradado as empresas privadas muito mais que Argentina e Venezuela, reformas pró-empresas passaram longe de serem aprovadas pelo Congresso Nacional.
Como resultado, os investidores se tornaram frustrados com os altos custos e a burocracia do país. O Brasil caiu seis posições na pesquisa Doing Business - mais que outras grandes economias na América Latina - e está na antepenúltima posição do mundo em categorias como operações entre fronteiras, negócios com alvarás de construção, e flexibilidade no pagamento de impostos.
Com a contribuição do clima empresarial, segundo alguns economistas, o Brasil pode estar entrando em uma nova era de crescimento de 3 por cento a 4 por cento, o que pode ser uma decepção após o ritmo dos últimos anos.
"O Brasil não tem acompanhado o ritmo de alguns outros países (latino-americanos) em algumas questões realmente importantes de longo prazo, e pode pagar o preço disso", disse Gray Newman, economista-chefe para a América Latina do Morgan Stanley.
"As pessoas se concentam em coisas como inflação, e isso é bom, mas e 'quanto tempo demora para abrir um negócio' e 'o quão fácil é contratar e demitir'?", disse Newman. As economias que estão seguindo em frente são aquelas que olharam essas métricas e as colocaram no coração das políticas do governo".Por: Brian Winter Reuters - 12/01/2012)
Ahmadinejad defende nova ordem mundial
BRASÍLIA - Em visita a Havana, capital cubana, o presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, apelou para o estabelecimento de uma “nova ordem mundial” baseada na justiça como reação ao que chamou de “decadência do capitalismo” . Segundo ele, o sistema capitalista vive um impasse. “Assistimos [cenas que mostram que] o sistema capitalista está em decadência. Em diversos locais, há um impasse”, disse Ahmadinejad, em discurso na Universidade de Havana, ao receber o título de doutor honoris causa em ciências políticas da instituição.
O presidente iraniano conclui sexta-feira (13) a visita de cinco dias pela América Latina. Ele foi à Venezuela, à Nicarágua, a Cuba e, por último, seguirá para o Equador. O presidente equatoriano, Rafael Correa, disse que vários acordos bilaterais serão firmados durante a visita de Ahmadinejad ao país.
O presidente iraniano defendeu a necessidade de estabelecer uma nova ordem, que deve respeitar os direitos humanos com base na justiça. “Devemos nos manter acordados e em alerta. Se não prepararmos nós próprios, a nova ordem do mundo será definida pelos herdeiros dos escravocratas e dos capitalistas", acrescentou.
Na quarta-feira (11), Ahmadinejad reiterou as críticas às referências de que há produção de armas nucleares no Irã. Segundo ele, as afirmações são improcedentes e têm conteúdo político. O Irã está sob sanções da comunidade internacional, pois vários países desconfiam de irregularidades envolvendo o programa nuclear. (DCI - 12/01/2012)
A nova vanguarda do atraso
O desempenho da economia brasileira em 2011 foi modesto: o PIB cresceu menos de 3%, a segunda pior performance desde 2004. O freio da economia foi a indústria de transformação, que permaneceu estagnada.
A produção de bens de consumo durável declinou quase 2%. Pior foi o caso dos não duráveis: no ramo têxtil, a produção caiu 15%; em calçados e artigos de couro, -10%; no vestuário, -3,3%. De fato, o setor industrial anda de lado, ou, dependendo de onde, para trás. Até hoje não retomou o nível de produção anterior à crise de 2008-2009.
O leitor pode perguntar-se: como é possível isso, se o consumo nos últimos anos aumentou tão rapidamente? Desde 2007 as vendas a varejo cresceram perto de 40% reais; em 2011, 5%.
A resposta é simples: crescem vertiginosamente as importações de produtos manufaturados. O déficit da balança comercial da indústria de transformação em 2011 (janeiro/novembro) cresceu 37% em relação a 2010, chegando a US$ 44 bilhões! Em 2006 a balança era superavitária em US$ 30 bilhões. Assim, boa parte dos empregos gerados pela febre de consumo dos últimos anos foi para o exterior.
Há uma desindustrialização em marcha no Brasil. Além do encolhimento do setor em relação ao PIB (faz mais de uma década), há uma desintegração crescente de cadeias produtivas, tornando algumas atividades industriais parecidas com as "maquiadoras" mexicanas.
Mas atenção! Os produtos manufaturados que importamos não são mais baratos e os que exportamos, mais caros porque a indústria brasileira seja mais ineficiente que a chinesa ou a coreana, embora, pouco a pouco, num círculo vicioso, isso possa ocorrer. A explicação principal é o elevado custo sistêmico da economia brasileira.
Primeiro, a carga elevada e distorcida de impostos sobre a indústria. Um exemplo simples: de cada R$ 1 do custo do kw de energia elétrica, R$ 0,52 vão para tributos e encargos setoriais!
Segundo, a péssima infraestrutura. O governo federal destina pouco para investir e investe pouco daquilo que destina, em razão de falta de planejamento, prioridades e capacidade executiva. O País realiza um dos menores investimentos públicos do mundo como fração do PIB. Mais ainda, por causa desses fatores, acrescidos de populismo e preconceitos, os governos do PT não conseguiram fazer parcerias amplas com o setor privado na infraestrutura.
Há uma terceira condição decisiva para a desindustrialização: a persistente sobrevalorização da moeda brasileira ante as moedas estrangeiras - cerca de 70% desde 2002, segundo estimativa de Armando Castelar. Isso aumenta fortemente os custos brasileiros de produção em dólares, dos salários à energia elétrica.
Isoladamente, a sobrevalorização é o fator mais importante que barateia nossas importações e encarece as exportações de manufaturados. Levá-la em conta ajuda a compreender por que temos o Big Mac mais caro do mundo e os nossos turistas em Nova York, embora em menor número que os alemães e os ingleses, gastam mais do que estes dois somados.
Economistas e jornalistas de fora do governo falam contra a ideia de existir uma política específica para a indústria. Opõem-se à teoria e à prática de uma política industrial, que, segundo eles, geraria distorções e injustiças. Já o pessoal do governo e seus economistas falam enfaticamente a favor da necessidade e da prática de política industrial. Nessa discussão se gastam papel, tempo de TV a cabo e horas de palestras.
É uma polêmica interessante, mas surrealista, pois não existe de fato uma política econômica abrangente e coerente, de médio e de longo prazos, que enfrente as causas da perda de competitividade da indústria. O programa Brasil Maior? Faltam envergadura e capacidade de implantação, sobram distorções. E a anarquia da política de compras de máquinas e equipamentos para a área do petróleo ou a confusão dos critérios de crédito subsidiado do BNDES, têm alguma racionalidade em termos uma política industrial? Nenhuma!
Alguém poderia questionar: "E daí? Qual é o problema de o Brasil se desindustrializar? Temos agricultura pujante, comércio próspero e outros serviços se expandindo. Tudo isso gera empregos e renda. Devemos seguir comprando mais e mais produtos industriais lá fora, pois dispomos dos dólares para tanto: vendemos minérios e alimentos e recebemos muitos investimentos externos".
Desde logo, nada contra sermos grandes exportadores de produtos agrominerais. Os EUA fizeram isso no século 19 e em boa parte do século 20 e ainda viraram a maior potência industrial do planeta, expandindo ao máximo a exportação de manufaturas. A riqueza em commodities não é a causa necessária de retrocesso industrial. Pode, sim, ser fator de avanço. O retrocesso só existe porque os frutos dessa riqueza não estão sendo utilizados com sensatez e descortino.
Ao se desindustrializar, o País está perdendo a sua maior conquista econômica do século 20. Estamos a regredir bravamente à economia primário-exportadora do século 19; a médio e a longo prazos, esse modelo é vulnerável no seu dinamismo, por ser muito dependente do centro (hoje asiático) da economia mundial. Os países com desenvolvimento brilhante têm sido puxados pela indústria, setor que é o lugar geométrico do progresso tecnológico e da geração dos melhores empregos em relação à média da economia.
O Brasil tem 190 milhões de habitantes, a 77.ª renda per capita e o 84.º IDH do mundo. É preciso ter claro: sua economia continental não proporcionará a renda e os milhões de empregos de qualidade que o progresso social requer tendo como eixo dinâmico o consumo das receitas de exportação de commodities.
A indagação retórica que fiz acima envolve um conceito que tornaria o futuro da economia brasileira vítima de um presente de leniência e indecisão. Conceito que pauta, de fato, o lulopetismo. É que um marketing competente consegue dar uma roupagem moderna a essa nova vanguarda do atraso. (O Estado de São Paulo - 12/01/2012)
Mercados ensaiam otimismo em um cenário ainda ruim
Sinais encorajadores de uma retomada sustentada da economia americana levaram os mercados a momentos de otimismo neste início de ano. O desemprego caiu nos Estados Unidos, a indústria ganhou fôlego, os gastos de consumo deram algum indício de alento, enquanto a crise na zona do euro, por alguns dias, parou de piorar. As ações do Banco Central Europeu, de dar todos os recursos que os bancos precisam para se financiar pelos próximos três anos, propiciou uma trégua em um ambiente demasiadamente carregado de maus presságios. O remendo proposto pelos governos da Alemanha e França para apertar as regras de governança econômica da zona do euro - por fora dos tratados da União Europeia - está agora animando os mercados e pode indicar que os governos em dificuldades, como os da Itália e Espanha, terão algum tempo de paz enquanto aplicam seus drásticos programas de austeridade.
Apesar disso tudo, os indícios de mudança do cenário de desaceleração global ainda são tênues e bastante frágeis. A zona do euro deverá apontar que entrou em uma recessão no último trimestre do ano. Uma pesquisa do "The Wall Street Journal" aponta que 48 dos 50 economistas consultados creem que a Europa entrará em breve recessão. Já as previsões coletadas pela revista britânica "The Economist" não são tão otimistas e indicam que a zona do euro fechará 2012 em recessão. A forte desaceleração da economia alemã, que encerrou 2011 com um crescimento de 3%, e o quarto trimestre com uma retração de 0,25%, mostra que da recessão a união monetária não escapa. No mesmo sentido vai o Fundo Monetário Internacional, que, segundo a diretora-gerente Christine Lagarde, revisará para baixo suas projeções para o desempenho da economia global.
Com todos os países importantes da zona do euro realizando cortes nos orçamentos e tentando diminuir os déficits públicos, não há uma luz no fim do túnel para a retração. Alguns analistas acreditam que a desvalorização do euro, de 14% em relação ao dólar desde maio, e de 8% em relação a uma cesta de moedas, traz a possibilidade de alguma reação. Uma desvalorização de 10% do euro produziria um avanço de quase 1% no PIB anual da região, com os efeitos tornando-se perceptíveis a partir do sexto mês ("Financial Times", 10 de janeiro). Isso seria um belo estímulo para a Alemanha, cujas exportações correspondem a 50% do PIB, mas também para a Itália, onde essa relação é um pouco inferior a 30%.
De qualquer forma, grande parte do comércio externo da UE é feita dentro do bloco, com prevalência da Alemanha. Com a demanda doméstica recuando em todos os países, a válvula de escape da exportação tem seus limites. Um deles está exatamente no recuo do comércio mundial, cuja magnitude dependerá crucialmente do desempenho dos países emergentes. Apesar da profundidade da crise de 2008, China, Índia e Brasil conseguiram reencontrar rapidamente o caminho do crescimento. A nova onda da crise, desta vez vinda da Europa, deve frear a América Latina e a Ásia, mas as apostas são de que essas economias continuarão com dinamismo relativo invejável.
A grande incógnita é o destino da economia chinesa. A estimativa do FMI, feita em setembro, mostra desaceleração de 9,5% em 2011 para 9% em 2012, isto é, quase nada. Os mais recentes indicadores não são bons, mas podem não indicar tendências. As importações em dezembro cresceram 11%, bem menos que os 22% de um ano antes. O saldo comercial subiu para US$ 16,5 bilhões, o menor em dois anos. O ritmo de crescimento das exportações se estabilizou em 13,4%. Vários analistas apontam queda de preço, e não de volumes como responsável pelo recuo das importações. Por esse termômetro, a demanda doméstica, que precisa sustentar o crescimento chinês, estaria intacta. A Nomura Securities, porém, apontou algo preocupante. O ritmo de avanço das importações sensíveis ao consumo interno levou tombo significativo, de 39,8% em outubro para 13,5% em dezembro.
Os mercados preveem medidas de estímulo do governo chinês ao consumo interno, sem que nada dramático ocorra no fôlego da economia chinesa. Se for assim, 2012 mostraria desempenho medíocre da Europa, razoável dos EUA (2%) e avanço ainda significativo das economias emergentes. Mas se a China surpreender negativamente, esse cenário ruim se tornará péssimo. (Valor Econômico - 12/01/2012)
Produção industrial cai na zona do euro e no Reino Unido em novembro
LONDRES - A produção industrial da zona do euro caiu 0,1% em novembro na comparação com outubro, o terceiro mês consecutivo de declínio. Em outubro ante setembro, havia cedido 0,3%. Frente a novembro de 2010, houve queda de 0,3%, o primeiro recuo anual desde dezembro de 2009.
O desempenho mensal ficou em linha com as estimativas, mas a queda na comparação anual veio bem pior do que a previsão de aumento de 0,3%.
De acordo com a Eurostat, responsável pela divulgação dos números, na Irlanda, a produção industrial caiu 9,4% em novembro ante outubro, enquanto que em Portugal cedeu 1,6% e na Alemanha recuou 1,0%; na Grécia, ao contrário, a indústria cresceu 1,1%. Na Itália, o aumento foi de 0,3%.
Fora da zona do euro, foi divulgada também hoje a produção da indústria de transformação do Reino Unido. Houve queda de 0,2% na comparação com outubro e de 0,6% ante novembro de 2010, a maior nessa base de comparação desde dezembro de 2009.
Os números, anunciados pelo Departamento Nacional de Estatísticas, vieram em linha com as previsões e se seguem os dados revisados para baixo referentes a outubro, que passaram a mostrar queda de 0,9% ante setembro e aumento de apenas 0,1% na comparação com outubro de 2010.
A medida mais ampla de atividade industrial, que inclui mineração e fornecimento de eletricidade, água e gás, caiu 0,6% em novembro ante outubro e 3,1% frente a novembro de 2010. (Valor Econômico - 12/01/2012)
Indicador da OCDE sinaliza desaceleração maior em desenvolvidos
O crescimento da maioria das economias avançadas deve desacelerar ainda mais, de acordo com o indicador antecedente divulgado pela Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) nesta quinta-feira.
O indicador mensal apontou uma desaceleração maior na área mais industrializada da OCDE, nas 17 nações da zona do euro e nas cinco maiores economias asiáticas, embora tenha mostrado sinais de melhora no Japão, nos Estados Unidos e na Rússia.
"A avaliação pouco mudou em relação ao mês passado para a maioria dos países, mas os CLIs (indicadores compostos antecedentes) para Japão, Estados Unidos e Rússia estão mostrando sinais mais fortes de uma mudança positiva de velocidade e continuam bem acima da tendência de longo prazo", avaliou a organização com sede em Paris.
"O CLI para a China piorou desde o mês passado e está apontando uma desaceleração na atividade econômica em direção à tendência de longo prazo", afirmou a OCDE. "Para outras grandes economias e a área do euro, os CLIs continuam a apontar desacelerações."
Em números, a leitura do indicador - que busca capturar a tendência futura provável do Produto Interno Bruto (PIB) - caiu ligeiramente em novembro para a maioria dos países e grupos de países que a OCDE analisa.
Para a OCDE como um todo, o índice caiu 0,1 ponto, para 100,1, ficando pouco acima da média de longo prazo, representada pelo número 100 nas estatísticas da OCDE.
Dentro da zona do euro, cujo indicador caiu de 98,7 para 98,3, uma das quedas mais significativas foi a da Alemanha, que recuou 0,8 ponto, para 97,9, afastando-se ainda mais da média de longo prazo.
O indicador da China caiu 0,1 ponto, para 100,0, enquanto o grupo formado pelas economias de China, Índia, Indonésia, Japão e Coreia do Sul viu seu indicador cair 0,2 ponto, para 98,9. (Reuters - 12/01/2012)
Índice da OCDE aponta melhora da atividade nos EUA, Rússia e Japão
SÃO PAULO - As economias dos Estados Unidos, Japão e Rússia estão dando sinais de aumento de impulso e continuam acima de suas tendências de longo prazo, apontou o índice de indicadores antecedentes da Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE), divulgado nesta quinta-feira.
Enquanto isso, o indicador da China, que não integra o bloco, deteriorou-se, sinalizando uma desaceleração da atividade econômica, e a zona do euro segue fraca.
O índice geral recuou de 100,2 em outubro para 100,1 em novembro. Para a China, o índice passou de 100,1 para 100, e agora mostra desaceleração do crescimento diante da tendência de longo prazo. O do Brasil recuou de 94,0 para 93,3, o da zona do euro passou de 98,7 em outubro para 98,3 em novembro e o dos EUA foi de 101,0 para 101,2.
O índice foi elaborado para dar sinais antecipados de pontos de inflexão entre expansão e desaceleração e toma como base dados que historicamente sinalizam mudanças na atividade econômica. O nível 100 representa a tendência de longo prazo para o crescimento. (Valor Econômico - 12/01/2012)
Liberdade econômica no Brasil ainda é restrita, diz entidade
O Brasil melhorou ligeiramente sua performance em um ano no qual a performance mundial caiu. Mas continua sendo considerado uma país "majoritariamente não-livre" e fica aquém da média do planeta no Índice de Liberdade Econômica, calculado anualmente pelo centro de estudos conservador Heritage Foundation.
No ranking divulgado hoje, feito em colaboração com "The Wall Street Journal", o país é o 99º de 179, com 57,9 pontos --1,6 ponto melhor do que em 2011, mas 1,6 ponto a menos que a média global.
O índice, que está em sua 18ª edição, é calculado a partir de dez quesitos avaliados com notas pelos especialistas da entidade pró-liberalismo econômico, divididos em quatro categorias: Estado de direito; limites do governo; eficiência regulatória; e abertura de mercados.
Em 2012, Hong Kong encabeça o ranking como o lugar com maior liberdade econômica do mundo, com 89,9 pontos, seguido por Cingapura (87,5) e Austrália (83,1). Já o pior posto coube à Coreia do Norte, com apenas 1 ponto, precedida pelo Zimbábue (26,3) e Cuba (28,3).
Brasil melhora
Seguindo uma tendência regional, o Brasil melhorou sua pontuação em gastos do governo e liberdade fiscal (incluídos em limites do governo), além de ter avançado em liberdades trabalhistas (dentro de eficiência regulatória) e liberdade financeira (em abertura de mercados).
Manteve-se igual no que toca a liberdade de investimento e ao Estado de direito: liberdade de propriedade e combate à corrupção --este último, o item em que o país se sai pior, com só 37 pontos.
E piorou na liberdade para negócios, liberdade monetária e liberdade comercial, embora esses dois últimos itens sejam aqueles em que o país sobressai, com, respectivamente, 75,8 e 69,7 pontos.
Números acima de 80 indicam países "livres"; de 70 a 80, "majoritariamente livres"; de 60 a 70, "moderadamente livres"; de 50 a 60, "majoritariamente não livres" e, abaixo de 50, "reprimidos". No ranking de 2012, há apenas 5 países na primeira categoria; 23 na segunda; 62 na terceira e 89 abaixo da nota de corte.
Corrupção
"A presença do Estado em muitas áreas ainda é considerável, inibindo o desenvolvimento de um vibrante setor privado", diz o texto do ranking sobre o Brasil.
"A eficiência e qualidade em geral dos serviços do governo continua inadequada, sobretudo por causa da má administração financeira pública. E, comparado a outras economias emergentes, o ritmo geral da reforma regulatória no Brasil desacelerou."
O país ficou, porém, à frente dos demais que compõe os BRIC --Rússia (144), Índia (123) e China (138).
Mas foi classificado abaixo da média regional latino-americana, de 60 pontos.
Embora esteja muito à frente da vizinha Argentina --considerada "reprimida", após perder 3,7 pontos, a maior queda na região e a terceira maior no mundo--, perde feio para o Chile, em sétimo, o Uruguai (29), o Peru (42), a Colômbia (45) e o Paraguai (79).
O texto também menciona como pontos negativos do Brasil as dificuldades para se abrir um negócio, a corrupção, a carga tributária considerada excessiva e a limitação dos investimentos estrangeiros em alguns setores estratégicos, com telecomunicações e mineração.
Crise
De forma geral, a liberdade econômica diminuiu 0,2 ponto no mundo em 2012 --uma tendência desde o estouro da crise econômica global, em 2008. Dos países avaliados, 75 melhoraram seu desempenho, mas 90 pioraram.
A América Latina, porém, destoou e melhorou sua performance de maneira geral, ficando, na média, à frente das demais em termos de gastos de governo e saindo- se muito bem em liberdade fiscal e monetária e em liberdade de investimento.
Como no caso do Brasil, a pior nota regional está no combate à corrupção. A liberdade de propriedade também é considerada insatisfatória entre os país das Américas do Sul e Central. (Folha SP - 12/01/2012)
Novoex
De acordo com a Notícia Siscomex-Exportação 0031, de 09/01/2012, a Secretaria de Comércio Exterior reiterou que, a partir de 01 de fevereiro, todas as inclusões de Registros de Exportação (RE) deverão ser feitas no Novoex e que o Sisbacen será definitivamente desligado para novas operações, permanecendo ativo por tempo indeterminado para consultas e retificações após averbação.
Os REs que vencerem após essa data não serão prorrogados. (Aduaneiras - 12/01/2012)
Guillermo Moreno vuelve a ser noticia de tapa
Son tres los diarios que ponen en primer plano el avance de las restricciones para las compras en el exterior. "Desde febrero no se podrá importar sin contar con un permiso previo del Gobierno", advierte El Cronista. "Suman trabas para importar y afecta a la producción", va un poco más allá Clarín. "El Gobierno avanza hacia el control total de las importaciones", se alarma más aún La Nación. Como de costumbre, BAE tranquiliza ("El Gobierno amplía el control sobre las importaciones para proteger el mercado interno").
Explica Clarín que "habrá que hacer una declaración jurada anticipada para toda compra al exterior. Los empresarios se quejan porque deberán esperar una autorización" del mismísimo secretario de Comercio Interior, Guillermo Moreno, según explica en su portada El Cronista. "Dejó trascender que los operadores deberán enviarle un correo electrónico para decidir qué compras de productos autoriza". En su nota en ese diario especializado, Natalia Donato lo dice con todas las letras: "Moreno decidirá qué artículo podrá entrar al país".
Clarín ya da cuenta de los primeros problemas: "Una planta de Fiat, parada en Córdoba, por falta de insumos" y ya hay suspensiones. La Nación lo dice en su tapa de manera más categórica: "Fiat no produce por las trabas de Moreno".
En el artículo que firman en la portada del suplemento económico de ese matutino Florencia Carbone y Javier Blanco, se afirma que "toda intención de compra al exterior deberá ser presentada mediante una declaración jurada ante la AFIP" y que "la medida tomó por sorpresa a los operadores, que sospechan que se trata de un nuevo paso hacia un esquema de mayor control de las operaciones cambiarias y de comercio exterior con el objetivo de preservar un saldo comercial positivo que, a su vez, asegure dólares al Banco Central y permita al Gobierno insistir en su postura de usar reservas para cancelar deuda (hoy no cuenta con la cantidad suficiente como para hacerlo)".
Ambito Financiero suma en su primera página otra noticia que involucra a Moreno. "Ayer se conoció que a sus múltiples tareas fiscalizadoras, desde febrero sumará una más. Será la persona clave para negociar de parte del Gobierno las paritarias 2012 en todos los sectores en lo que haya subsidios a las tarifas". Sin embargo, el título principal de ese matutino económico es "BCRA se alzó con u$s 180 M; suben bonos y la bolsa". Se refiere así a que "los exportadores se vieron alentados a vender ante la sensación de que no iba a haber variaciones en el tipo de cambio".(La Nación - 11/01/2012)
2012: o que esperar do ano marcado para ser o fim?
Pelo calendário da civilização maia, em 21/12/12 o mundo acaba. Se não for assim (afinal, é a esperança a última que morre) o que aguarda para o Brasil em 2012? Para responder a essa pergunta, vale observar o que está ocorrendo mundo afora.
Hoje, os donos de cerca de 70% do Produto Interno Bruto (PIB) mundial (US$ 70 trilhões) estão doentes. Os EUA, maior economia do mundo (US$ 15 trilhões), estão com pneumonia; a China, a segunda (US$ 7 trilhões), está gripada; o Japão, a terceira (US$ 6 trilhões), segue em choque; e a União Europeia (US$ 18 trilhões), em coma.
Neste cenário, riquezas terão que ser destruídas para ajustar os preços dos ativos; mimos dos governos da socialdemocracia terão que ser extintos, pois não há quem pague a conta; dívidas terão que ser perdoadas e metas de déficit terão que ser revistas. O jogo não é de soma zero, mas um, cujos "pay-offs" são: perder pouco ou muito. E isso diz respeito às economias ricas, não à África, continente que segue chorando por seus problemas históricos.
Se o país continuar tropeçando em antigos erros, poderá cair e voltar a ser o velho Brasil dos anos 1980
Luís Stuhlberger da Hedging-Griffo, em reportagem no "O Estado de S. Paulo" de 27/12, diz que o que ocorre "é de gravidade e incerteza bem maiores do que os mercados apontam. Não se trata de escolher entre o ótimo e o bom, mas entre o ruim e o péssimo. Após a Segunda Guerra Mundial, tivemos crises, mas não de esgotamento de modelo em escala global". E o Brasil não fica incólume.
Concernente à recente trajetória brasileira, a partir de 1994, o Brasil se posicionou tão corretamente que a estabilidade de preços e os indicadores socioeconômicos passaram a ser orgulho nacional e foco de todos os governos eleitos. Hoje, a dívida externa deixou de ser manchete; a dívida pública bruta está estável em 55% do PIB e a líquida, decrescente, em 37% do PIB; o resultado primário do setor público passou a ser positivo e a ter meta; a inflação é de um dígito desde 1996 (exceto 2002); a taxa de juros é decrescente; o coeficiente de Gini (desigualdade) está em seu menor patamar histórico (0,52) e a expectativa de vida ao nascer em seu maior (74 anos). O número de pessoas extremamente pobres e a taxa de desemprego são os menores das suas séries. Enfim, este é o novo Brasil, sexta maior potência.
Com aquele pano de fundo internacional escatológico, a bela história do Brasil, porém, poderá sofrer estragos. Afinal, é possível que ocorra em 2012 uma semiestagflação: combinação de baixo crescimento comparado ao PIB potencial (4,5%) e de inflação acima da meta (4,5%).
Surgiram outros problemas. Um deles é a falta de competitividade da indústria, que resulta da escolha de uma política de curto prazo: a de deixar para o governo seguinte o ônus de fazer as reformas estruturais relevantes.
Analisando a série da Produção da Indústria de transformação (PIMt) e esta mesma série na balança comercial, nota-se que houve troca do produto nacional pelo estrangeiro. Enquanto a PIMt cresceu 2% entre agosto de 2007 e agosto de 2011, o saldo na balança comercial passou de US$ 25 bilhões (exportador) em agosto de 2007 para -US$ 43 bilhões (importador) em agosto de 2011, explicando o aumento de 40% nas vendas no varejo.
Culpa-se a taxa de câmbio, que de fato não tem sido boa aliada da indústria; mas o que dizer da elevada carga tributária de 35% do PIB, do crescente custo unitário do trabalhador (salário vis-à-vis à produtividade), do apagão da mão de obra e da infraestrutura precária? Não será com requerimento mínimo de insumos nacionais nem com medidas protecionistas que se resolverá o problema da competitividade da indústria no longo prazo.
Nenhum remédio está sendo dado para elevar as baixas taxas de poupança/investimento (20% do PIB), para, assim, criar condições para o Brasil crescer sustentavelmente. Nestas condições e com uma redução nas linhas de crédito internacionais e nas demandas e preços externos, é pouco provável que o país cresça em seu potencial em 2012.
O efeito desta salada de políticas paliativas para a indústria, dessincronizadas com relação aos demais temas, ademais, contribui para que a meta de inflação siga inalcançável em 2012. De fato, a inflação de bens duráveis desde 2006 em média tem sido nula, por conta da competição externa.
Se as barreiras forem aumentadas e o câmbio ficar mais desvalorizado, fatores que antes mitigavam o efeito da elevada inflação de serviços (9%) agirão na direção contrária. Adicionando-se a estes fatos o aumento do salário mínimo em 14% - que eleva a massa salarial, pelo lado da demanda, e o custo das empresas, pelo da oferta - e uma política monetária mais frouxa, a pressão na inflação deve se manter, ainda que os preços das commodities diminuam.
A inflação em 2012 deverá ultrapassar 5,5% e o crescimento do PIB não deverá ser maior do que 3,5%. Ainda que não seja o fim do mundo como prevê o calendário maia, se o Brasil, que comparativamente parece saudável, continuar tropeçando em antigos erros, poderá cair e voltar a ser o velho Brasil dos anos 80. Se se almeja ser forte, além de grande, há que exercitar-se. Com 70% do mundo doente ou desacelerando, este é o melhor momento para tal. Depois, "correr atrás" ficará mais complicado.Cristiane Alkmin J. Schmidt (Valor Econômico - 11/01/2012)
Fórum Econômico Mundial alerta para riscos de renda desigual
Relatório lista 50 problemas com os quais o planeta terá de lidar no período de uma década
RIO — Disparidade de renda severa e desequilíbrio fiscal crônico são os dois principais riscos que o mundo vai enfrentar nos próximos dez anos, segundo relatório divulgado nesta quarta-feira pelo Fórum Econômico Mundial. O documento, intitulado “Riscos Globais 2012”, lista 50 problemas com os quais o planeta terá de lidar no período de uma década, de acordo com a probabilidade de eles ocorrerem e com o impacto que terão sobre a sociedade. E faz um alerta: os governos precisam conter a insatisfação social antes que ela se torne “uma força desestabilizadora”.
O relatório, divulgado anualmente, está em sua sétima edição. Ele é elaborado com base na avaliação de 469 especialistas e líderes industriais, que atribuem notas de zero a cinco para cada um dos 50 itens. Quanto mais próximo de zero, menos provável ou menor o impacto do risco; quanto mais próximo de cinco, maior a probabilidade de o problema acontecer e maiores serão seus impactos. Os riscos são divididos em cinco categorias: economia, meio ambiente, geopolítica, sociedade e tecnologia.
No ranking que considera a probabilidade dos riscos, a disparidade de renda severa e o desequilíbrio fiscal crônico aparecem empatados em primeiro lugar, com a nota 4,03. Em seguida, vêm aumento das emissões dos gases do efeito estufa (3,88), ataque cibernético (3,80) e crise no fornecimento de água (3,79). Na edição de 2011, os riscos enquadrados na categoria ambiental ocuparam quatro das cinco primeiras posições, com destaque para catátrofes metereológicas.
A inclusão das preocupações de cunho econômico entre os riscos predominantes na nova edição do relatório deve-se, principalmente, ao agravamento da crise financeira global. Segundo o documento, “nas economias desenvolvidas, os contratos sociais que foram dados como garantidos em décadas recentes correm o risco de serem destruídos” por causa dos desequilíbrios fiscais, que obrigam governos a cortar gastos e benefícios sociais.
Mesmo nas economias emergentes, diz o relatório, a habilidade de nações como o México, o Peru e os Brics (sigla para Brasil, Rússia, Índia e China) aproveitar seu rápido crescimento econômico “está longe de ser garantida, devido ao lento crescimento global e à reduzida demanda das economias desenvolvidas”.
O Fórum alerta que a agitação social que varreu o mundo em 2011, dos EUA ao Oriente Médio, demonstra como os governos precisam conter a insatisfação do povo “antes que esse descontentamento se torne uma força violenta e desestabilizadora”. Ações como o plano “Brasil sem Miséria” — iniciativa do governo federal que pretende elaborar um mapa da pobreza e um mapa das oportunidades no país — são citadas como exemplos de programas que buscam superar a desigualdade de renda. No entanto, o Fórum frisa que eles “são vulneráveis à contração econômica”.
No ranking de riscos de acordo com o grau de impacto sobre a sociedade, as cinco primeiras colocações em 2012 são falhas no sistema financeiro (4,08), crise no fornecimento de água (3,99), crise na oferta de alimentos (3,93), desequilíbrio fiscal crônico (3,87) e extrema volatilidade nos preços de alimentos e energia (3,81). No ano passado, crises fiscais e catástrofes climáticas lideravam a lista. (O Globo - 11/01/2012)
Desaceleração testa 'dama de ferro dos trópicos', diz 'FT'
Jornal questiona capacidade de Dilma Rousseff aprovar reformas necessárias para garantir crescimento
A presidente Dilma Rousseff deve enfrentar neste ano o desafio de superar "sérias dificuldades" para manter a imagem do Brasil como "um país emergente de crescimento acelerado" e não correr o risco de perder a confiança dos investidores, na avaliação de reportagem publicada nesta terça-feira pelo diário econômico britânico Financial Times.
O jornal, que em sua chamada de capa chama Dilma de "Dama de Ferro dos Trópicos", observa que o otimismo demonstrado pela presidente brasileira em seu pronunciamento de fim de ano "mascara sérias dificuldades que Rousseff e seu Partido dos Trabalhadores precisarão superar neste ano".
A reportagem, que ocupa uma página inteira do diário, relata que, após crescer 7,5% em 2010, a economia brasileira encerrou o ano passado com um crescimento estimado de menos da metade disso, acompanhado de um aumento da inflação, chamada de "inimigo histórico do país".
Além disso, comenta o diário, na área política a presidente "enfrentou uma série de escândalos de corrupção que ameaçaram desestabilizar sua incômoda coalizão".
Popularidade com escândalos
O Financial Times relata que a popularidade de Dilma cresceu apesar dos escândalos, por conta da percepção pública sobre sua reação às denúncias, mas afirma que "os céticos advertem que ela terá que colocar um fim nos escândalos de corrupção neste ano, em meio às preocupações de que eles são prejudiciais a um governo cuja agenda legislativa já está repleta de projetos polêmicos e de tramitação lenta".
O jornal afirma, porém, que "talvez o maior desafio seja devolver a economia aos altos níveis de crescimento". "Os economistas argumentam que a rápida desaceleração vem expondo as limitações estruturais da economia brasileira", diz o texto, observando que a maioria dos brasileiros ainda não sente a desaceleração, graças a uma taxa de desemprego de 5,2% em novembro, mantida em seus menores níveis históricos, e um aumento recente de 14% no salário mínimo determinado pelo governo.
"A questão é se o país pode alcançar taxas de crescimento maiores do que a média de 4% que conseguiu na década passada", diz o texto.
"Para fazer isso, os economistas dizem que o Brasil tem que fazer os 'consertos difíceis' necessários para melhorar sua competitividade de longo prazo. Seu sistema tributário é notoriamente pesado, e mais gastos são necessários em educação, treinamento, pesquisa e desenvolvimento e em infraestrutura. Os investimentos, 19% do PIB, estão muito aquém das necessidades do país e dos níveis da China e da Índia", comenta o jornal.
O diário comenta que Dilma já se mostrou pragmática, mas diz que "em um mundo no qual os modelos econômicos tradicionais americano ou europeu estão desacreditados, enquanto o Brasil se mostra resistente, será difícil para seu governo pressionar por reformas dolorosas". "Mais fácil é manter o excesso de confiança", afirma. (BBC - 11/01/2012)
Análise: Perspectivas para as exportações da China não são animadoras
PEQUIM - Os exportadores chineses querem uma fatia maior do mercado global. Mas eles já abocanharam tanto que não restou muito mais à mesa. Os dados da balança comercial de 2011 mostraram que as exportações da China cresceram 20,3% ao ano, de uma expansão de 31,3% em 2010. Levando em consideração a inflação mais alta e a valorização do yuan, a taxa de crescimento real foi significativamente mais baixa. O dado mensal mostra que o crescimento das exportações está em uma trajetória descendente, caindo para 13,4% ao ano em dezembro, de 35,8% em março.
A perspectiva para 2012 depende de dois fatores: o vigor da demanda global e a capacidade da China de conquistar uma participação maior do mercado. A primeira parece ser uma conclusão precipitada. A crise na Europa continua e o desemprego nos Estados Unidos permanece elevado. O Fundo Monetário Internacional está prevendo uma taxa de crescimento global de 3,9% em 2012, inalterada em relação a 2011.
Isso não será um problema se os exportadores da China puderem capturar uma parcela significativamente maior do mercado global. Mas os sinais aqui também não são positivos. A China já é a maior exportadora do mundo, com mais de 10% do mercado global em 2010, e por isso tem um espaço limitado para crescer mais.
Um superávit comercial menor em 2011 - equivalente a 2,2% do Produto Interno Bruto, comparado com 3,1% em 2010 e com o auge de 7,5% em 2007 - enfraquece os argumentos para uma valorização do yuan. Os economistas preveem uma alta de 2% a 3% da moeda chinesa frente ao dólar neste ano, comparado com a valorização de 5,1% em 2011. Mas os ganhos anteriores e o rápido aumento nos salários já estão corroendo a vantagem competitiva da China na manufatura de baixo valor agregado.
Os fabricantes de equipamentos de construção, companhias de energia renovável e outros segmentos de valor agregado mais alto da China ainda podem ganhar participação de mercado. Companhias como a Caterpillar podem esperar perder espaço para concorrentes como a Sany Heavy Industry. Os fabricantes de painéis solares dos Estados Unidos e da Europa já aprenderam que os produtores de baixo custo da China são ferozes concorrentes.
Mas as evidências da última década mostram que é muito difícil manter rápidas taxas de expansão. De 2002 a 2006, o período de cinco anos após a China se juntar à Organização Mundial do Comércio (OMC), os exportadores obtiveram um crescimento médio anual de 29,6%. Nos cinco anos seguintes, essa taxa caiu para a metade, para 15,8%. Como o crescimento do mercado global não será nada animador, 2012 não será o ano para reverter essa tendência. (Valor Online - 11/01/2012)
Em círculos
O ano é novo e a confusão na Europa é a mesma de sempre. Esta semana tudo voltou a se agitar depois de breve pausa. No encontro de Angela Merkel e Nicolas Sarkozy apareceram temas requentados e uma tentativa de agenda positiva para ajudar o francês na sua luta pela reeleição. Da Grécia vieram novas ameaças de calote, o que torna a situação deles mesmos mais grave.
Sarkozy reapresentou a proposta de um imposto sobre transações financeiras, e Angela Merkel disse novamente que aceita, claro, desde que seja para toda a União Europeia, porque sabe que o Reino Unido não aprovará. A posição inglesa é que o imposto só dará certo se for global. Essa é a mesma conversa que circula há anos na região.
Os dois governantes disseram que houve progresso em torno do pacto fiscal da União Europeia. Nesse caso, houve avanço no fim do ano passado, quando Sarkozy e Merkel concordaram sobre os parâmetros do acordo fiscal, mas eles sabem que ainda há muito caminho pela frente. Os outros 15 países da Zona do Euro precisam aprovar as bases desse acordo e depois ele terá que ser estendido para os demais países da Europa, menos o Reino Unido, que já disse que não aceitará. Esse é o ponto sobre o qual há mais esperança. A proposta lembra em parte o que foi feito no Brasil no saneamento dos estados, a partir de 1995. O problema é que lá são países, cujos eleitores podem não querer abrir mão da soberania em favor de uma lei de responsabilidade fiscal. Eles dizem que assinarão esse novo pacto fiscal em março. Se o fizerem, pode ser um passo importante para o começo do fim da crise.
Os dois governantes tentaram mudar o tom das declarações. Em vez de falarem na necessidade de ajuste, incluíram o tema “criação de empregos”, principalmente para jovens, nas propostas que dizem que estão estudando. Isso é claramente um problema na Europa. Na Espanha, é dramática a falta de emprego para jovens. Para Sarkozy, a entrada desse assunto em pauta é mais do que conveniente, é fundamental. Nas pesquisas de opinião, ele está atrás do candidato socialista para as eleições de maio, nas quais tenta um segundo mandato.
Merkel marcou para esta segunda semana do ano outras reuniões para tratar da crise, como a com a diretora-gerente do FMI, Christine Lagarde, em Berlim, nesta terça-feira, e com o presidente do Banco Central Europeu, Mario Monti. O que tanto ela quanto o presidente francês querem é garantir algum resultado positivo na reunião de cúpula em 30 de janeiro.
Para Merkel, não apenas as afinidades ideológicas a fazem torcer por Sarkozy. É que a eleição de um socialista e o começo de um novo governo poderiam fazer as negociações retrocederem várias casas. Sarkozy tenta fazer uso político eleitoral disso também. Disse que sem acordo entre Alemanha e França a Europa unida não tem futuro.
Na Grécia, também a Europa continua andando em círculos. Os países mais fortes dizem que querem que a Grécia permaneça no grupo, mas insistem no acordo entre o governo e seus credores privados. Os bancos, por sua vez, sabem que terão que conceder um desconto maior do que concederam até agora — em outras palavras, a perda que terão com a Grécia vai ser mais pesada. O novo governo de Lucas Papademos está repetindo nos últimos dias a ameaça de calote. Primeiro, o porta-voz do governo disse que o país poderia sair da Zona do Euro se os bancos não reduzirem mais o valor da dívida; depois, o próprio primeiro-ministro afirmou que se o desconto não for maior o país pode simplesmente não pagar. A Grécia deve 150% do PIB e seu acordo com a União Europeia tem exigências difíceis, como a de que haja corte de salários dos trabalhadores. Um quinto da população economicamente ativa trabalha para o governo. Se nada der certo, o calote virá mesmo e já tem data: é março. Isso aumenta o risco de agravamento da crise financeira porque os bancos podem não conseguir assimilar as perdas.
A agência de classificação de risco Moody's disse que o ajuste da Espanha tem que ser 40% maior em 2012 do que foi o esforço fiscal somado de 2010 e 2011. Ou seja, impossível. Todos andam em círculos. As agências ameaçam e rebaixam países, empresas e bancos. Os bancos precisarão ser recapitalizados. Os países terão que ajustar suas contas. O Fundo Europeu de Estabilidade Financeira e o Mecanismo Europeu de Estabilidade precisam ser capitalizados, nos novos valores que França e Alemanha já concordaram em fazê-lo, mas ainda não receberam os recursos.
A Europa entrou em 2012, ano em que os governantes da Alemanha e França disseram que será pior do que o anterior, sem ter um enredo novo. As declarações, ameaças, propostas parecem coisa já vista. O cansaço da crise e o ceticismo são outros dos temores que pesam sobre o continente. Todos sabem que a saída da crise não será fácil. A única esperança que se tem no governo brasileiro é que o segundo semestre na Europa seja melhor do que o primeiro. Até março, haverá o medo do calote da Grécia, a pressão para que os bancos cumpram novos patamares de capital, as dúvidas sobre se haverá o acordo fiscal fechado entre os países; até maio, permanecerá a incerteza política na França. O primeiro semestre será todo de dúvidas sobre a crise europeia. (O Globo - 10/01/2012)
Próxima cúpula da UE discutirá estratégia contra recessão, diz Rompuy
BRUXELAS - No encontro de cúpula do dia 30 de janeiro, os chefes de governo e de Estado dos países-membros da União Europeia vão discutir como evitar uma recessão na região, afirmou nesta terça-feira o presidente do Conselho Europeu, Herman Van Rompuy.
“Devemos evitar uma recessão, temos de mobilizar todos os esforços para isto”, disse Rompuy. “Vamos discutir a estratégia antirrecessão da Europa, que precisa ser ampla, precisa ser eficaz”, acrescentou.
Rompuy, que foi primeiro-ministro da Bélgica, acrescentou que o ambiente nos mercados de câmbio está ajudando o euro. “Os recentes desenvolvimentos nos mercados de câmbio para o euro vão ajudar as nossas exportações”, disse.
O presidente do Conselho Europeu afirmou ainda que embora uma rigorosa administração dos gastos públicos seja essencial para escapar da crise, os governos devem evitar cortar fontes de crescimento. “A crise somente pode ser resolvida com união”, disse. “Contudo, fortes esforços individuais têm de ser assumidos pelos países membros”, acrescentou. (Valor Online - 10/01/2012)
Uma boa notícia, enfim, para a Espanha
Com a crise na Europa, nos acostumamos com as notícias negativas divulgadas sobre a economia espanhola: o desemprego não dá trégua, o custo para rolar a dívida do país aumenta e dá-lhe ajuste fiscal.
Mas hoje os sites dos jornais espanhóis destacam um dado bom. O turismo, por enquanto, parece resistir à crise. No ano passado, o país recebeu 56,9 milhões de turistas, principalmente franceses, italianos, alemães e ingleses, o que representa um aumento de 8,1% em relação a 2010. É o quarto melhor resultado da história, segundo a imprensa local.
- Esse setor foi um dos poucos que terminaram o ano com um balanço positivo e um aumento de 0,9% em termos de filiação à Seguridade Social, apesar da delicada situação da economia espanhola - diz a matéria do site do "El País".
Como não poderia deixar de ser, o governo comemorou o resultado, dizendo que o setor tem capacidade e potencial de crescimento.
Mas outra notícia publicada hoje chama para a realidade, não deixando os espanhóis se esquecerem da crise. A agência de classificação de risco Fitch disse que não pensa em rebaixar a nota da França, mas que a da Espanha continua sob ameaça, assim como a de alguns bancos do país. (O Globo - 10/01/2012)
Comércio internacional: barreiras não resolvem problemas
O governo está pensando em tentar conter a importação de celulares da China, como mostra matéria de hoje do jornal "O Estado de S.Paulo". Segundo a reportagem, em 2009, os celulares importados representavam 9% do total de aparelhos vendidos; em 2011, podem ter chegado a 35%. A participação da China cresceu: no começo do ano passado, 54% dos celulares eram de lá, no fim de 2001, 84%.
Quando o governo nota que aumentou a importação de determinado produto da China, pensa logo em criar uma barreira, mas essa não é a solução para os problemas do comércio internacional. Tenho dito aqui que não é dessa forma que as adversidades são enfrentadas.
Ou seja, cada vez que chega um lobby em Brasília de algum setor, o governo pensa numa barreira, mas isso cria distorções que são pagas pelo consumidor que, no fim das contas, quer um produto bom e barato.
Vamos nos lembrar que a China é o maior parceiro comercial do Brasil, que tem superávit comercial com o país. Quando a gente olha os dados fica claro que a China importa, principalmente, matérias-primas e exporta produtos industrializados para o Brasil.
Nós temos de aumentar a venda de itens com maior valor agregado, mas sem tratar a exportação de commodities, vocação do Brasil, como de segunda classe.
Do que a gente importa é preciso ver se há algum tipo de competição desleal. Se há, a questão deve ser tratada na OMC, que tem mecanismo para reprimir ou criar barreiras a esse tipo de importação.
Agora, se a China é mais eficiente na produção de celulares, o Brasil tem que ver o que fazer para ficar mais ainda. Vale lembrar que o mercado de celulares ainda é dominado por empresas instaladas no Brasil, que também exporta esses produtos. (O Globo - 10/01/2012)
Tiempo de replanteos para América Latina
Para aprovechar al máximo sus posibilidades, la región debe reevaluar sus alianzas globales y regionales, destaca el autor
En 2012 serán nuevamente las economías emergentes -y América latina entre ellas- las que aporten dinamismo a la economía global.
En 2020, las exportaciones sur-sur superarán a las similares norte-norte.
El avance de las economías del Sur se aprecia en el PBI mundial, en el comercio, en las inversiones, en tecnología, en reservas internacionales, en fondos soberanos. El comercio sur-sur se transforma en el segmento más dinámico de la economía mundial.
Cabe pues reevaluar las estrategias de alianzas globales y regionales, aprovechando las oportunidades del comercio sur-sur y emprendiendo una aproximación conjunta a Asia Pacífico, sobre todo, hacia China.
América latina tiene un poder de negociación elevado que no está usando convenientemente.
Puede y debe aprovechar mejor sus activos (recursos naturales, agua, tierra, biodiversidad, demografía, mercados y tamaño de las economías) en sus relaciones con China, la India y Asean; estructurar posturas comunes en los principales debates globales sobre crisis financiera, cambio climático y favorecer aproximaciones en estos temas con las demás zonas emergentes y en desarrollo.
La fortaleza regional mantiene una correspondencia crítica con su capacidad económica.
Buena parte del reciente atractivo de América latina deriva de su buen desempeño en crecimiento y gestión macroeconómica, así como de los acrecentados vínculos con Asia Pacífico. Corresponde perseverar en la adecuada conducción macroeconómica, reforzando las políticas contracíclicas y la macrorregulación prudencial. Resta aprovechar tales vínculos para diversificar exportaciones y no contentarnos con vender más materias primas.
Fortalecer el mercado regional tiene un valor estratégico para defender el empleo y el crecimiento, atraer inversión y mejorar nuestro poder negociador. Este mercado es fundamental para las exportaciones manufactureras y de servicios y, por ende, crucial para construir cadenas de valor con mayor presencia de las pymes.
La región es el principal mercado para las pymes latinoamericanas; es adonde se exporta el mayor número de productos; concentra los mayores indicadores de comercio intraindustrial y absorbe la mayoría de la IED efectuada por empresas latinoamericanas. El fuerte crecimiento de la clase media en la región refuerza este atractivo.
Quedan asignaturas pendientes
El balance de los mecanismos de integración es insatisfactorio. La integración aún no pesa en las principales decisiones empresariales; no está en el centro de las agendas domésticas y cuesta que trascienda el ámbito de los anuncios. A veces, incluso, presiones de grupos de interés consiguen revertir u obviar compromisos comerciales asumidos con sus socios.
Fortalecer el regionalismo abierto ayudaría a mejorar la calidad de la inserción internacional de América latina. Ello demanda más bienes públicos regionales (infraestructura, energía, transporte, comunicaciones, logística, innovación) y más cooperación regional (facilitación de comercio; apoyo financiero al comercio intrarregional; cadenas regionales de valor).
Crecer con igualdad, con empleos de calidad y mejor remunerados, no está disociado de exportaciones con mayor valor y conocimiento, incluidas las de recursos naturales.
Ello no surgirá del accionar espontáneo del mercado, sino de políticas activas de desarrollo productivo, orientadas a:
Promover los eslabonamientos entre exportaciones y el resto de la economía, aprovechando avances en tecnologías y servicios especializados.
Apoyar la inserción de las pymes en las cadenas regionales de valor, con políticas de certificación de calidad, capacitación, reducción de la huella de carbono y acceso a nuevas tecnologías.
En estos desafíos, el accionar coordinado y la cooperación regional son mejores escenarios que políticas nacionales aisladas.
Necesitamos apuestas políticas audaces en torno a modalidades de integración en línea con las principales tendencias tecnoeconómicas: intensidad del cambio tecnológico, estructuración de la producción en torno a cadenas globales de valor, premio a la innovación, internacionalización de empresas.
En el marco de estas orientaciones puede haber cabida para medidas transitorias de protección, pero los déficits de competitividad e innovación sólo se pueden abordar con un programa serio y consistente de mediano y largo plazo, ojalá apoyado en alianzas público-privadas. Osvaldo Rosales (La Nación - 10/01/2012)
A (des)ordem internacional em 2012
O novo ano nasce sob a marca da instabilidade política no cenário internacional e da volatilidade e da incerteza na área econômica. A democracia e o mercado estarão em xeque em 2012.
O mundo vive em sobressalto diante da crise econômica e financeira que se abate sobre os EUA e a União Europeia (UE). Não bastasse, são igualmente inquietantes alguns sinais que, isolados, podem não parecer preocupantes, mas, quando vistos em conjunto, adquirem o caráter de uma possível grave crise nos próximos meses.
O quadro mais complexo está no Oriente Médio. Permanece a possibilidade de um ataque, aberto ou por meio de ações clandestinas, às instalações nucleares no Irã. Notícias de que o Reino Unido e Israel se preparam militarmente para atacar o Irã diminuíram, mas não desapareceram, como evidenciado pela questão da passagem do petróleo pelo Estreito de Ormuz. A concentração de tropas norte-americanas no Kuwait e o lançamento bem-sucedido de mísseis de longo alcance israelense e iraniano indicam que preparativos de lado a lado se intensificam. Isso não quer dizer que o ataque seja iminente nem que será levado a efeito, mas esses fatos ajudam a aumentar a tensão na área, agravada pelos ataques recíprocos Israel-Hamas, apesar da retomada das conversações. O estado de guerra civil na Síria contra o governo de Bashar Assad pode propiciar a repetição da fórmula utilizada pela Otan na Líbia. Para complicar ainda mais a situação, depois da queda dos regimes autoritários da Tunísia, do Egito e da Líbia, no Norte da África a primavera árabe começa a se defrontar com as inevitáveis rivalidades internas, questões tribais e religiosas afloram e ameaçam a transição para a democracia, podendo reacender focos de guerra civil. A retirada do Afeganistão e do Iraque das forcas militares dos EUA não contribuirá para reduzir as tensões e vai concentrar as atenções nas ações do Irã nesses dois países. O Paquistão nuclear continuará a preocupar pela instabilidade política.
As Nações Unidas, locus para a discussão de questões de paz e de segurança, saíram desgastadas depois dos episódios na Líbia. A resolução aprovada permitindo medidas necessárias para proteger vidas humanas foi ampliada, sem autorização da comunidade internacional, pelos membros da Otan, liderados pelo Reino Unido e pela França, com a tácita cumplicidade dos EUA. Não só para interferir numa guerra civil, mas para caçar e matar Muamar Kadafi. A experiência líbia é o primeiro caso de aplicação do novo conceito estratégico de atuação de uma forca da segurança global capaz de intervir em outros países com ou sem autorização do Conselho de Segurança. Estabeleceu-se perigoso precedente que poderá ser invocado a qualquer momento contra a Síria, o Irã ou outros países vistos como ameaça à comunidade internacional. O Brasil, que corretamente se absteve quando da aprovação da resolução sobre a Líbia, está apresentando proposta para limitar esse tipo de excesso, sugerindo que a preocupação da ONU seja não só no sentido de exercer a responsabilidade de proteger, mas também ao proteger.
Por outro lado, o pedido da Autoridade Palestina de ingresso como membro permanente da ONU, feito ao Conselho de Segurança, foi esquecido. Os EUA e Israel retaliaram, com corte de dotações orçamentárias, a decisão de entrada da Palestina na Unesco.
Ao preocupante cenário político internacional devem-se acrescentar a instabilidade e o baixo crescimento, que deverão perdurar entre cinco e dez anos em razão das crises econômicas na Europa e nos EUA.
A crise europeia continuará a manter alta a temperatura política no continente, por causa da negociação de um novo tratado de responsabilidade fiscal e da possibilidade concreta de que outros países tenham de ser socorridos a fim de evitar a ameaça de rompimento do sistema monetário ou mesmo da união política do continente.
O G-20 continuará procurando se consolidar como um fórum para o exame da evolução da crise econômica e o dólar continuará a perder valor. A produção de petróleo não está aumentando, o que manterá os preços altos por muito tempo, acrescentando mais um elemento de pressão contra a volta do crescimento.
As demonstrações anticapitalismo, fruto da frustração da classe média, que surge como grande perdedora, espalhar-se-ão por diversas capitais e continuarão a exercer pressão sobre os principais centros financeiros, embora sem consequências práticas.
Os países emergentes, China à frente, continuarão a liderar o crescimento da economia global e deverão superar em 2012, em termos de produto interno bruto, os países desenvolvidos. O Brasil deverá ter seu crescimento reduzido pela crise. O comércio internacional deverá estagnar ou registrar uma expansão menor, em função da desaceleração econômica nos EUA e na UE e da restrição dos financiamentos a exportação.
Eleições em 24 países, inclusive nos EUA, na França, na China e na Rússia, definirão os novos líderes que terão de enfrentar os desafios impostos pelas incertezas e instabilidades.
Os EUA, no meio de uma continuada crise de confiança, de baixo crescimento e de aumento do desemprego, começam a se preparar para as eleições presidenciais. A campanha para as prévias, do lado republicano, mostra como o sistema político naquele país está disfuncional, com efeito negativo direto sobre o funcionamento do governo. O fator preocupante é que os neoconservadores - fundamentalistas falando inglês - estão de volta, com toda a força, e a reeleição de Barack Obama - que até aqui parece a melhor perspectiva - não está assegurada. A vitória de um candidato republicano certamente teria um impacto expressivo sobre o cenário político e econômico global. Rubens Barbosa (O Estado de São Paulo - 10/01/2012)
Merkel aceita taxa sobre transações só com acordo na EU
A Alemanha está pronta para adotar o imposto sobre transações financeiras, desde que haja acordo na União Europeia (UE). A condição foi informada ontem ao presidente da França, Nicolas Sarkozy, em reunião bilateral de cúpula realizada em Berlim. De sua parte, o francês reafirmou que adotará o tributo, com ou sem consenso internacional. O encontro foi marcado para discutir a taxa que pôs o mundo político e os mercados financeiros em efervescência na Europa, mas que também serviu para uma decisão importante: o novo tratado europeu ficará pronto até 1º de março.(O Estado de S.Paulo - 10/01/2012).
Primeiro trimestre de 2012 será decisivo para a Europa
Desde 1972 ouvimos falar na taxa Tobin, que seria uma espécie de CPMF global. Em tempos de crise na Europa, a ideia foi retomada pela França. Lá, a proposta é defendida pelo partido socialista e, como este ano é de eleições, Sarkozy passou a defendê-la por razões políticas por se tratar de uma ideia popular no país.
Na Alemanha, Merkel disse que talvez possa apoiar a ideia, desde que seja para toda a União Europeia, mas a Inglaterra não aceita.
Há muito tempo, a Europa está rodando em torno desse mesmo círculo: aprovar ou não esse imposto sobre operações financeiras.
A luz no fim do túnel é o acordo fiscal, mas para sair dependerá de muita coisa. Os três primeiros meses deste ano são importantes para saber se haverá uma espécie de Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF) em toda a zona do euro.
França e Alemanha estão de acordo, mas é preciso ser aprovado pelos 17 parlamentos. Até o fim de março, será possível saber se sairá ou não do papel, é uma corrida contra o tempo.
Já se sabe que a Grécia está dando um calote pela metade. O acordo feito prevê que os credores privados recebam só metade do que emprestaram. Mas o novo governo está pedindo 75% para fazer o acordo. Então, se até março não se chegar a um acordo, a Grécia sairia da zona do euro.
A situação está muito complicada. Este primeiro trimestre será particularmente tenso na Europa.Miriam Leitão (O Globo - 10/01/2012)
A força da inovação
Pouco antes do ataque japonês a Pearl Harbor, em 1941, a Du Pont se perguntava o que fazer com os produtos que havia desenvolvido para o esforço de guerra que se aproximava.
A empresa estava empenhada em produzir matéria-prima para roupas e paraquedas, entre outros usos. No final das contas, o nylon e a lycra resultaram em enormes lucros para a multinacional no pós-guerra, pois serviram para produzir inúmeros bens de consumo.
A DuPont é uma entre as centenas de empresas norte-americanas que demonstram imensa capacidade de inovar. Nos dias de hoje, talvez o exemplo mais evidente dessa capacidade seja a Apple, assim como, anos atrás, foram destaque a Microsoft, a IBM e a Xerox.
A Apple não deixa de apregoar que seus produtos, mesmo sendo feitos na China, seguem um design elaborado na Califórnia.
Muitas das inovações norte-americanas terminam com o carimbo "made in China" por conta dos custos, mas são produtos inventados nos Estados Unidos.
Enquanto o mundo apregoa a decadência dos Estados Unidos, milhares de empreendimentos desse país ainda produzem inovação. E vai continuar assim por muitos anos.
No xadrez mundial, os países têm que oferecer algo que seja consumido pelos demais. Sejam produtos industrializados, serviços ou commodities.
O Brasil se destaca no campo das commodities e até mesmo na exportação de alguns manufaturados.
Continuaremos a produzir petróleo e seremos um dos principais exportadores do produto em um planeta que continuará a consumir combustíveis fósseis. No entanto, não podemos prosseguir tão dependentes assim de commodities.
Uma boa notícia é que em 2011 foram solicitadas mais patentes no Brasil do que no ano anterior. Até o dia 20 de dezembro de 2011, havia 30.617 pedidos, contra 28.052 em 2010.
O mesmo sucedeu com o registro de marcas, que ultrapassou a marca de 140 mil solicitações. Apesar de nossos números estarem melhorando significativamente, ainda precisamos avançar mais.
Algumas iniciativas do passado, como a criação da Petrobras, da Embrapa, da Embraer, do CPQD, entre outras empresas no campo público e privado, nos trouxeram inovação e criatividade.
A fórmula deve ser aprofundada, assim como deve ser estimulada uma maior integração entre empresas, universidades e centros de pesquisa.
Os gastos das Forças Armadas deverão estar conectados a P&D no país.
O CNPq tem ampliado o número de bolsistas no Brasil e no exterior, e o programa Ciência sem Fronteiras, lançado no ano passado pela presidente Dilma Rousseff, é um incentivo para que os jovens brasileiros estudem mais e internalizem novas tecnologias.
Atualmente, apenas um brasileiro estuda tecnologia na Ucrânia. A China tem mais de 40 mil estudantes de pós-graduação naquele país.
O novo programa pretende colocar 100 mil brasileiros estudando no exterior até 2014. Uma ação excepcional.
O Brasil deve usar as oportunidades dos bons momentos para investir na produção de inovação e no estímulo à criatividade. É caminho que nos fará crescer com segurança, independência e desenvolvimento.Murillo de Aragão (Brasil Econômico - 10/01/2012)
Aperto fiscal definido por Merkel e Sarkozy
São Paulo - Foram oficialmente acordadas: maior fiscalização do sistema financeiro, a criação de um imposto sobre movimentação financeira, aplicado inicialmente na zona do euro, a aceleração de injeções de capital no Mecanismo Europeu de Estabilização Financeira (EMS na sigla em inglês). A busca por formas para impulsionar crescimento e emprego diante de um cenário desfavorável também esteve na pauta de discussões da chanceler alemã, Angela Merkel, e do presidente francês, Nicolas Sarkozy, que avançaram ontem na definição do pacto fiscal na zona do euro. A reunião foi um passo firme na batalha para conter a crise da dívida soberana na zona do euro. (DCI - 10/01/2012)
Mercosul Line projeta expansão de 20% na área de cabotagem
São Paulo - Armador que faz transporte aquaviário de cabotagem de contêineres, a Mercosul Line - do grupo dinamarquês A. P. Moller Maersk - prevê para 2012 um crescimento de 20% de suas operações. Sem abrir números de negócios, a expectativa otimista deve-se ao seu leque de serviços, que crescerá a partir do próximo dia 22, quando a Mercosul Line começará a fazer escala no Porto de Sepetiba (RJ), ao utilizar o Terminal Tecon Sepetiba. A ideia é atender a zona industrial da região e fortalecer a rota de descida: do norte e nordeste ao sul do País, até a Argentina.
No ano passado, a empresa movimentou aproximadamente 100 mil TEUs (1 TEU é a capacidade de um contêiner de 20 pés), 16% a mais do que em 2010, quando registrou o transporte de 73 mil TEUs de carga. Roberto Rodrigues, presidente da Mercosul Line, explica que esse volume é reflexo do crescente interesse das empresas pelo modal aquaviário, "sobretudo dos setores de eletrônicos, embalagens de PET, duas rodas e refrigerados", disse ele.
Afora a Mercosul Line, outras empresas estão de olho no mercado e anunciaram novos terminais, como os Portos Sudeste, em Itaguaí, e Açu, no norte fluminense - ambos do grupo do empresário Eike Batista -, além de projetos da Petrobras, da Gerdau e da CSN. (DCI - 10/01/2012)
A política industrial do século XXI
Cientistas políticos gostam de debater se o início do século XXI ocorreu, de fato, em setembro de 2001, quando da queda das torres gêmeas (início da "Guerra ao Terror") ou se aconteceu bem antes, em novembro de 1989, quando da queda do muro de Berlim (o fim da "Guerra Fria"). Economistas parecem estar mais próximos de um consenso: o século XXI demorou mas chegou com grande estardalhaço em setembro de 2008, quando da queda da corretora Lehman Brothers, marco simbólico da grande crise internacional que desde então arrasta o planeta. Entre tantas quedas, a virulência da crise inaugural do século derrubou o mito de que a política econômica poderia se resumir à busca de estabilidade monetária e de um bom ambiente de negócios e recolocou a política industrial no centro das iniciativas governamentais em quase todos os países mundo afora.
Porém, da mesma forma que parece inquestionável que a política industrial está reconquistando a proeminência que exerceu na chamada era do ouro do capitalismo - os 25 anos do pós-2ª Guerra - é igualmente fora de dúvida que o seu arcabouço teórico e prático já não é mais o mesmo. Por essa razão, conceitos, objetivos, diretrizes, instrumentos, enfim, todo o aparato definidor da política industrial encontra-se em conformação aos novos parâmetros trazidos pelo século que se inicia, quais sejam, uma nova dinâmica macroeconômica internacional, um novo paradigma tecnológico e um novo perfil da empresa e da estrutura industrial.
Uma nova dinâmica macroeconômica, novo modelo tecnológico e um novo perfil da empresa e da estrutura industrial
No plano macroeconômico, especialmente para países produtores de commodities, como é sabidamente o caso do Brasil, o atual ciclo de preços favoráveis desses bens inverte a lógica tradicional do passado que condenava esses países a uma trajetória de crescimento restringido pelo balanço de pagamentos. Superar, ou adiar, as crises cambiais, que se tornavam inevitáveis após sucessivos anos de exportações de bens baratos e importações de bens caros, pode ser descartada pelos próximos anos como preocupação relevante para a política industrial. Analogamente, o maior ritmo de crescimento dos países emergentes em relação aos países desenvolvidos, consequência direta da crise de longa duração enfrentada pelos segundos, faz do emparelhamento da renda um processo já "encomendado", conferindo um maior peso aos objetivos distributivos e de "catching-up" tecnológico da política industrial, algo também marcadamente distinto do que prevaleceu anteriormente.
Se o quebra-cabeças trazido pela nova dinâmica da economia mundial já parece suficientemente intrincado, mais ainda é decifrar os impactos sobre a atividade manufatureira das profundas mudanças tecnológicas em curso nos produtos e nos processos produtivos. Particularmente, a antevisão sobre quais serão - ou já estão sendo - as implicações da prevalência de uma indústria cada vez mais "jobless" sobre o mercado de trabalho mostra ser esse um tema que deve motivar preocupação crescente da política industrial. Mesmo sabendo-se que, como já se imaginava há alguns anos, a saída se dará por meio do incremento das atividades de serviços de mais alta qualificação, também essas atividades estão tendendo a se tornar cada vez mais tecnificadas e automatizadas e, portanto, mais cedo ou mais tarde deverão exibir as suas limitações na geração de novos postos de trabalho.
Evidentemente, o sistema empresarial não poderia permanecer imune a mudanças econômicas e tecnológicas tão intensas. De fato, estão em curso transformações radicais nos perfis dos grupos empresariais em termos de áreas de atuação, estratégias de P&D, alianças tecnológicas, estratégias financeiras e, ainda, muito importante no terreno da política industrial, na dimensão do público-privado. Há uma nova divisão internacional do trabalho em construção que embute um sem número de riscos e, obviamente, de oportunidades, para os países que forem bem sucedidos na construção de novos padrões de especialização da estrutura produtiva, da pauta de comércio e do perfil do investimento direto externo.
Nesse contexto, a pergunta fundamental da política industrial permanece a de sempre: o que produzir, o que exportar, o que importar. As respostas agora é que são muito diferentes. Em condições ideais, o incremento do conteúdo local da produção nacional deveria ser uma consequência do sucesso da política industrial, um indicador de eficácia das ações e medidas tomadas. Mas nas condições reais do mundo industrial da atualidade, ainda mais diante do quadro de acirramento competitivo e do protecionismo adotado pela maioria dos países concorrentes do Brasil, as exigências de conteúdo local tornaram-se um meio para viabilizar a própria continuidade da atividade industrial.
O problema contemporâneo, diferentemente do passado, não é criar setores visando completar a matriz industrial nacional. No século XXI, o desafio é enraizar atividades produtivas fixando empresas, fornecedores e clientes no território nacional. O caminho para isso, embora trabalhoso e difícil, é conhecido: promover condições atrativas para os investimentos em capacidade produtiva e em inovação tecnológica. David Kupfer (Valor Online - 10/01/2012)
Um momento excepcional
Pela primeira vez em nossa história conjugaram-se na América Latina cinco dimensões estratégicas importantes que permitem definir a situação da região como excepcional.
A primeira é a consolidação da democracia. Nunca o continente teve tantos governos eleitos por meio de sucessões institucionais, no contexto de concorrências eleitorais sem restrições. Ao mesmo tempo, nunca se observou na região um marco de governabilidade tão extenso, apenas perturbado por episódios que acabaram sendo resolvidos dentro da legalidade democrática. Da mesma maneira, também é inédita a existência de uma grande pluralidade. Na América do Sul, governos majoritariamente de esquerda, nacionais, populares e democráticos, convivem com os autodenominados de direita, liberais ou de centro em outras partes do continente.
Lideranças democráticas que possuem grande legitimidade e forte apoio da maioria são outro sinal da realidade singular em nossa região.
Criar a possibilidade de a América Latina ser uma das protagonistas, tanto na nova etapa de desenvolvimento mundial, como na reconfiguração de uma ordem multipolar constituída a partir de novos países emergentes e de blocos regionais de poder.
O segundo ponto, o crescimento sustentável da maioria dos países, por meio de fundamentos sólidos, políticas anticíclicas, contas públicas saudáveis e baixos níveis de endividamento e inflação, além de maior capacidade e recursos para atenuar os impactos da crise no mundo desenvolvido. Economias que deixam para trás antigas antinomias: Estado-mercado; agro ou indústria; mercado interno versus exportações; inflação versus recessão. Nos últimos dez anos, foram sendo abandonadas políticas pendulares e os países buscaram, cada um a sua maneira, projetar novos modelos de desenvolvimento com maior inclusão social.
O terceiro elemento, o combate eficaz à pobreza e à indigência. O atual crescimento sustentável das economias, na maior parte dos países, veio acompanhado de diminuição substancial da quantidade de pessoas abaixo da linha da pobreza ou em condições de indigência.
As questões sociais estão entre os focos de atenção mais importantes e as políticas de distribuição de renda, transferências condicionadas ou de subsídios universais estão presentes de forma ampla em quase todo o continente. Já são poucos os países que avalizam a "teoria do derrame", que havia sido protagonista excludente nos anos 1990. Também não se adere ao dogma de que as políticas sociais podem ser compensatórias dos desajustes e iniquidades geradas pelas decisões macroeconômicas.
A quarta, a vontade política e o compromisso do conjunto dos países de avançar nas estratégias de integração. Apesar das diferenças de projetos, de visões, às vezes até opostas, e de emblemas ideológicos diferenciados, a maioria dos países revalorizou o papel da América Latina, sua importância no mundo e a necessidade de contribuir para as políticas de integração. Isso pode ser visto no funcionamento da Unasul, na criação da Comunidade dos Estados Latino-americanos e Caribenhos (Celac), na vontade de renovar o papel da Associação Latino-Americana de Integração (Aladi) e nas decisões dos presidentes de diferentes tendências de avançar em uma unidade que assuma a diversidade.
E o quinto e último elemento, vinculado ao ponto anterior, é a possibilidade de que a América Latina possa ser uma das regiões protagonistas, tanto na nova etapa de desenvolvimento mundial, como na reconfiguração de uma ordem multipolar que vai sendo constituída a partir de novos países emergentes e de blocos regionais de poder. Isso significa que há a necessidade e o desafio de afirmar uma identidade própria, de apoiar com distintas velocidades o espaço interior e projetar para fora uma imagem de unidade que permita visualizar o continente como um novo ator global.
A Celac pode e deveria converter-se no instrumento capaz de fomentar acordos regionais, como também os debates de fundo que marcam a agenda mundial. Nessa tarefa, a Aladi, da qual participam as maiores economias do continente, também pode transformar-se em um organismo-ponte a serviço da unificação de posições e da harmonização do grande mercado interno latino-americano e em um dos principais cenários para articular os distintos pontos de vista dos países ante os principais fóruns internacionais.
As cinco dimensões descritas, democracia, crescimento, justiça social, integração e protagonismo mundial, tratam-se de uma realidade concreta e também de desafios auspiciosos. É neles que temos de colocar todo nosso esforço nos próximos anos.
Carlos Chacho Alvarez é secretário- geral da Associação Latino-Americana de Integração (Aladi). (Valor Online - 10/01/2012)
Profecias para 2012
As "profecias" para 2012 estão dadas. As medianas das informações do Boletim Focus do Banco Central de 30 de dezembro de 2011, produzidas pelas opiniões de profissionais altamente qualificados, estão na tabela abaixo.
Duas circunstâncias são importantes: 1) há um viés informacional a favor dos "consultores financeiros", que pode ter alguma influência. O "valor" de mercado do consultor depende da qualidade da sua "consulta". Ele tem de se esforçar para ser o mais preciso possível, mas não pode se afastar muito da opinião dos outros. Se todos errarem juntos ninguém de fato errou. Apenas ignoraram alguma condicionalidade; 2) o número de condicionalidades não explicitadas que as previsões do Focus implicam não é enumerável.
Depois de terminar o ano, se as "profecias" diferirem da realidade, os "desvios" serão facilmente explicáveis, porque tudo o que poderia ter acontecido já aconteceu, não restará nenhuma condicionalidade. Como disse J. M. Keynes, em carta ao grande economista e historiador Jacob Viner, "a experiência mostra que o que acontece é sempre algo contra o qual nunca nos prevenimos".
Voltamos a insistir: 2012 não está escrito nas estrelas!
Profecias feitas com modelos aparentemente simples, como é o caso, por exemplo, da "contabilidade do crescimento" (com a qual se calcula o "produto potencial") envolvem ligações internas que as tornam muito vulneráveis e têm consequências sobre toda a economia (por exemplo, a divertida teoria dos ciclos reais) e sobre a política econômica (por exemplo, a teoria das metas inflacionárias).
A "contabilidade do crescimento" é um exercício de cálculo diferencial, onde se supõe que as variáveis "trabalho" e "capital" são bem definidas e independentes, condicionadas por uma função de produção que revela o limite superior do PIB. Com a função de produção, bem educada, podemos calcular a contribuição, na margem, de um aumento do fator "trabalho" e de um aumento do fator "capital". Somados, eles informam o aumento do PIB que deveria resultar desses dois aumentos.
Acontece que esses incrementos, quando calculados empiricamente, são sempre muito menores do que o aumento empírico do PIB. A "solução" foi atribuir a essa diferença o pomposo nome de produtividade total dos fatores (o que falta para completar o aumento não "explicado" do PIB).
Há dois fatos notáveis sobre essa operação. Já nos anos 50 do século passado: 1) Herbert Simon mostrou que o sucesso empírico da função de produção usada (Cobb-Douglas) é o resultado de uma simples manipulação algébrica da identidade renda global = renda do trabalho + renda do capital; e 2) Moses Abramovitz, mostrou que as variáveis "trabalho" e "capital" estão longe de ser independentes e que o "resíduo" (a produtividade total dos fatores, PTF) era um "saco de caranguejos". Ele a chamou, com muita propriedade, de "medida da nossa ignorância", pois "explicava" 80% de variação do PIB, enquanto a soma dos "fatores" chegava a 20%.
Pois bem, nos últimos 60 anos fizemos muito progresso no refinamento das definições do "trabalho", a ponto de chamá-lo de "capital humano", e do "capital", mas avançamos pouco na compreensão da PTF. O recente "survey" sobre o assunto (Hsieh,C.T; Klenow,P.J. "Development Accounting", AEJ Macroeconomics, 2, 2010), que analisa as "causas" das diferenças de crescimento entre as nações, termina melancolicamente: "Aprendemos muita coisa nas últimas décadas sobre os determinantes dessas diferenças. Ainda que importantes questões não estejam resolvidas, particularmente o papel das diferenças do capital humano, existe um grande consenso que estas dão conta entre 10 a 30% delas; o capital físico talvez explique qualquer coisa como 10%. As diferenças entre a produtividade total dos fatores contam a maior parte da história: talvez entre 50 e 70%", praticamente o mesmo de 1950!
A verdade - continuam os autores - é "que entendemos muito mal, porque as PTFs diferem. Sugerimos que um aumento da PTF não tem um efeito apenas no crescimento do PIB, mas pode ter um importante aumento indireto (previsto por Abramovitz em 1955) no capital físico e humano pela redução do preço do capital e da educação com relação ao preço do PIB... Finalmente, sugerimos que a má alocação de fatores entre firmas e setores industriais pode ser um determinante importante das diferenças da PTF, mas resta saber quais as forças que levam a essa má alocação".
Como é possível, no início de 2012, que alguém ainda leve a sério a "previsão científica" apoiada numa função Cobb-Douglas e numa PTF "inventada", que o produto potencial do Brasil em 2012 é de 3,5%? E que qualquer "ameaça" da economia de superá-la deve exigir o aumento da taxa de juros real?
Voltamos a insistir: 2012 não está escrito nas estrelas! Ele será o que nós, governo e a sociedade, soubermos fazer dele, se tivermos a coragem e a inteligência necessárias para enfrentar a "má alocação" de nossos fatores (públicos e privados) e promover políticas que aumentem, simultaneamente, a oferta e a demanda globais, como é o caso, por exemplo, dos investimentos em infraestrutura que eliminem rapidamente gargalos produtivos.Antonio Delfim Netto (Valor Online - 10/01/2012)
As práticas financeiras islâmicas
Enquanto a incerteza continua a incomodar os mercados mundiais, levando muitos investidores a um recuo total, uma parte do setor financeiro está se expandindo exponencialmente: os ativos financeiros que cumprem os preceitos da lei islâmica cresceram de cerca de US$ 5 bilhões no fim dos anos 1980 para cerca de US$ 1,2 trilhão em 2011.
Essa classe de ativos, que se caracteriza por risco compartilhado entre instituições e clientes, evita muitas das consequências mais graves da crise financeira mundial que começou em 2008. Essa capacidade de resistência, juntamente com vários outras características cruciais, está na base do elevado desempenho e crescente popularidade do mundo financeiro islâmico.
A crise financeira mundial afetou negativamente um pequeno número de instituições financeiras islâmicas, quando a economia real encolheu e alguns emissores de títulos islâmicos não honraram suas dívidas. Mas o compartilhamento de riscos inerente ao mercado financeiro islâmico tornou esses instrumentos mais resistentes à primeira rodada de contágio financeiro que surgiu em 2008. Economistas de renome, como Kenneth Rogoff, da Universidade de Harvard, têm sugerido que o sistema financeiro islâmico comprova as vantagens de maior igualdade e compartilhamento de riscos em relação ao viés convencional que privilegia instrumentos de dívida.
Alguns emissores não honraram suas dívidas quando a crise mundial irrompeu, em 2008. Mas a sistemática peculiar de garantias tornou esses instrumentos mais resistentes à primeira rodada de contágio.
Várias características peculiares tornaram as instituições financeiras islâmicas relativamente estáveis durante a crise. Um desses aspectos é que os instrumentos financeiros islâmicos são garantidos por ativos, assegurando, assim, um vínculo direto entre as operações financeiras e atividades econômicas reais. Os retornos obtidos por instituições de poupança e investimento são intimamente interligados, porque são determinados pelo setor real, e não pelo setor financeiro.
Isso cria um mecanismo de ajuste flexível, para o caso de ocorrerem choques imprevistos. Isso também garante que os valores de ativos reais e de passivos sejam sempre iguais, ao mesmo tempo em que proíbem alavancagem excessiva e diversas formas complicadas de securitização. Além disso, o sistema financeiro islâmico é mais justo: credores e tomadores compartilham riscos e recompensas, o que aumenta o foco em metas de longo prazo e desestimula excessiva tomada de riscos em curto prazo.
Em suma, as instituições financeiras islâmicas tratam seus clientes como parceiros de negócios. Portanto, elas têm fortes incentivos para que avaliem cuidadosamente os pedidos de financiamento e para ajudar os tomadores de empréstimos nos maus momentos, reduzindo assim as pressões no sentido de vender ativos a "preços de liquidação" e minimizando a probabilidade de contágio financeiro. Finalmente, as práticas financeiras islâmicas protegem saldos de depósitos e impedem o crescimento excessivo do crédito.
Instrumentos financeiros islâmicos estão atualmente disponíveis em pelo menos 70 países e representam atualmente cerca de 0,5% do ativos financeiros em todo o mundo. Mas as perspectivas de crescimento rápido e contínuo são fortes. Em seu "Relatório sobre o sistema bancário islâmico mundial" (novembro 2011), o Deutsche Bank projeta uma taxa de 24% de crescimento anual composto para os ativos islâmicos durante os próximos três anos. Há cinco razões principais para essa previsão:
1) Os serviços financeiros islâmicos proporcionam a poupadores e investidores alternativas a instrumentos convencionais.
2) A qualidade dos serviços financeiros islâmicos está melhorando e esses não se limitam a determinados clientes.
3) Instituições financeiras multinacionais convencionais estão cada vez mais oferecendo ativos islâmicos e há um crescente interesse por eles em Londres, Luxemburgo e outras capitais do mundo financeiro.
4) O boom de commodities em alguns países muçulmanos gerou excedentes que precisam ser alocados por meio de intermediários financeiros e fundos de riqueza soberana.
5) Instrumentos financeiros islâmicos podem respeitar a sharia - código moral e lei religiosa islâmica -, bem como enviar sinais de mudança compatíveis com os recentes acontecimentos em vários países de maioria muçulmana.
Mas perceber o potencial do sistema financeiro islâmico exige forte acompanhamento supervisor. As instituições financeiras precisam melhorar o cumprimento dos requisitos para empréstimos e o cumprimento do monitoramento pós-empréstimo. Também é problemático o fato de que, em muitos países, dívidas recebem tratamento tributário vantajoso, o que privilegia alavancagem em detrimento de participação de capital e esquemas de compartilhamento de lucro e prejuízos. Isso precisa mudar.
Além disso, hipotecas, seguros, leasing e microfinanças são subdesenvolvidos, no mundo financeiro islâmico; procedimentos de insolvência e falência devem ser melhorados; e mecanismos para lidar com calotes envolvendo "títulos islâmicos" precisam ser estabelecidos. Finalmente, as instituições financeiras islâmicas precisam responder às preocupações quanto à gestão do risco de liquidez, cumprimento as regras da Basileia.
Embora recentes relatórios enfatizem a dimensão e o crescimento de ativos e instrumentos financeiros islâmicos, é a qualidade dos serviços, contínua inovação financeira e práticas sensatas de gestão de riscos que acabam por definir seu sucesso. Corrigindo suas deficiências, o sistema financeiro islâmico poderá incentivar o crescimento inclusivo em muitos países em desenvolvimento.
Se o esquema financeiro islâmico puder solucionar os principais entraves de regulamentação e de governança corporativa, poderá satisfazer mais necessidades bancárias e de investimentos das pessoas, expandir seu alcance e contribuir para maior estabilidade financeira e inclusão no mundo em desenvolvimento. Isso é algo a que todos deveriam dar boas vindas. Mahmoud Mohieldin (Valor Online - 10/01/2012)
A "Grande Recessão"
A crise financeira do subprime e o colapso do sistema financeiro com a quebra do Lehman Brothers desencadeou a chamada "Grande Recessão". Mas ela é um fenômeno distinto da crise financeira em si. Com a crescente incerteza, as economias dos países centrais saem da normalidade e passam a ser regidas por comportamentos induzidos pela incerteza, medo, pânico etc., nos quais prevalecem a lógica da desalavancagem, da "balance sheet recession" e da demanda de ativos com sinais trocados gerando instabilidades nesses mercados. Como entender o que acontecerá como a economia global nesse contexto? A experiência histórica similar, a "Grande Depressão de 1890", a "Grande Depressão de 1930" e a crise japonesa dos anos 90, nos permite fazer analogias e algumas conjecturas sobre o que acontecerá nos próximos anos.
A atual "Grande Recessão" não deverá ser tão profunda quanto a "Grande Depressão de 1929 a 1939", afinal aprendemos alguma coisa com ela, mas será tão abrangente e duradoura quanto e deverá ter significado histórico similar ao da "Grande Depressão do final do século XIX.
Será abrangente no sentido de ser uma crise global, diferentemente da crise japonesa, ou seja, é uma crise do próprio processo de integração e globalização financeira promovido pela plutocracia financeira que vem exercendo poder, tanto nos Estados Unidos como na Europa (talvez nem tanto na Alemanha). A "Grande Recessão" está centrada nos Estados Unidos e Europa, e já vem causando uma crise de governabilidade, mas tem também causas e dimensão internacional de forma que nenhum país ficará inume a seus efeitos de uma forma ou outra.
Com a perda de credibilidade e de legitimidade da classe dirigente, a governança mudará radicalmente.
Será duradoura porque como a crise dos anos 30 e a crise japonesa ela afeta tanto os credores/emprestadores como os devedores/tomadores de empréstimos. O Federal Reserve (Fed, banco central americano) aumentou brutalmente a oferta de moeda e reduziu a taxa de juros para próximo a zero procurando salvar credores/emprestadores, subsidiando-os. Assumindo a função de emprestador em última instância, absorve ativos problemáticos no seu balanço, mas não resolve o problema dos devedores, que tiveram sua riqueza financeira destruída pela crise, e agora têm que pagar as dívidas.
A política monetária pode também resolver o problema de liquidez do credor/emprestador, que detém ativos emitidos pelos devedores, já que o banco central está disposto a prover recursos com juros zero para que continuem carregando os ativos e assim fazendo por longo período poderá mascarar, amenizar e, com o tempo suficientemente prolongado, até resolver o problema de insolvência.
Do outro lado, tanto as famílias como as empresas que se endividaram excessivamente durante o boom de crédito que antecedeu a crise, têm que desalavancar, aumentando a poupança (deixando de consumir e de investir produtivamente) para pagar a dívida acumulada. A "Grande Recessão" é o resultado dessa redução persistente da demanda agregada. Aqui a política monetária não tem efeito, pois somente uma política fiscal ativa pode recolher o aumento de poupança privada e reinjetá-la de volta no sistema econômico como demanda, para reanimar a economia. E essa foi a reação de todos os governos. Mas ao executar essa política, o déficit público aumenta e, com isso, a dívida publica se transforma também em crise da dívida soberana. A reação política da sociedade contra a classe dirigente será quase imediata. Ela está perdendo tanto a credibilidade como legitimidade, abrindo espaço para a ação de grupos radicais, tornando praticamente impossível manter uma política fiscal para tentar sustentar o nível de atividade econômica.
Ao contrário, os investidores perceberam que os governos estão com a dívida crescendo rapidamente e perdendo legitimidade e vão não só deixar de financiar os seus déficit, mas vão tentar desfazer dos títulos públicos com consequente elevação da taxa de juros. Na medida em que a política fiscal fica travada, podemos ter uma nova contração no nível de atividade, agravando o problema de déficit publico. Assim, somente quando a segunda contração for suficientemente profunda e prolongada a trava política da política fiscal será removida.
Qual o significado histórico da "Grande Recessão"? Em primeiro lugar essa é uma crise centrada nos Estados Unidos e Europa, portanto do núcleo do sistema global. Internamente, nesses países, foi a ascensão da plutocracia financeira, com a aliança do setor industrial, no início dos anos 1980 que permitiu a desregulamentação do sistema bancário e consequente introdução de inovações financeiras e explosão de crédito que gerou a crise. O poder do setor industrial já estava em declínio com a desindustrialização. Agora, tanto os Estados Unidos como a Europa, nas próximas décadas, deverão ter como prioridade absoluta a revitalização das suas economias, voltando-se para dentro eventualmente com medidas protecionistas, para enfrentar a ascensão da China.
Somado a isso, a perda de credibilidade e de legitimidade da sua classe dirigente, a governança global mudará radicalmente. Viveremos nas próximas décadas um interregno com a ausência de um centro que ditava as regras do jogo, exercia liderança política e ideológica e impunha um pensamento econômico.
A "Grande Recessão" será um longo processo de declínio da hegemonia americana, de um paradigma histórico e a gradual ascensão da China. Com o colapso de um paradigma, de um modelo econômico (uma variedade de capitalismo) que prevaleceu plenamente nas últimas três décadas, o que virá no seu lugar? Yoshiaki Nakano (Valor Online - 10/01/2012)
Exportações foram de US$ 3,539 bilhões na primeira semana do ano
Brasília - Na primeira semana do ano (1° a 8 de janeiro), com cinco dias úteis, as exportações brasileiras foram de US$ 3,539 bilhões, com média por dia útil de US$ 707,8 milhões. O valor é 2,3% inferior à média de US$ 724,5 milhões registrada em janeiro de 2011.
Neste comparativo, caíram os embarques de semimanufaturados (-17,5%) em razão de decréscimos nas vendas de semimanufaturados de ferro ou aço, óleo de soja em bruto, couros e peles e açúcar de cana em bruto. Em relação aos básicos (-4,9%), a retração foi impulsionada pelas quedas nas vendas de milho em grãos, petróleo em bruto, minério de ferro e café em grão. Houve aumento, porém, nas exportações de produtos manufaturados (1,4%), com destaques para aviões, automóveis de passageiros, óleos combustíveis, veículos de carga, óxidos e hidróxidos de alumínio, máquinas e aparelhos para terraplanagem, e polímeros plásticos.
Em relação à média de dezembro passado (US$ 1,005 bilhão), a média das exportações verificou redução de 29,6%, com diminuição nas três categorias de produtos: básicos (-36,4%), manufaturados (-24,7%) e semimanufaturados (-24,3%).
As importações, na primeira semana de janeiro, somaram US$ 3,644 bilhões, com média diária de US$ 728,8 milhões. O resultado foi 3,3% acima da média de janeiro de 2011 (US$ 705,5 milhões). Aumentaram os gastos, principalmente, com aeronaves e peças (57,8%), adubos e fertilizantes (41%), veículos automóveis e partes (31,8%), farmacêuticos (21,3%), plásticos e obras (12%) e equipamentos elétricos e eletrônicos (11,3%).
Na comparação com o resultado médio de dezembro de 2011 (US$ 832,4 milhões), houve retração de 12,4%. Houve diminuição, principalmente, nas compras dos seguintes produtos: combustíveis e lubrificantes (-40,4%), farmacêuticos (-19,9%), instrumentos de ótica e precisão (-13,6%), equipamentos mecânicos (-13,1%), químicos orgânicos e inorgânicos (-10,3%), e adubos e fertilizantes (-10,1%).
Em relação ao saldo comercial, houve déficit de US$ 105 milhões, com média diária negativa de US$ 21 milhões. A corrente de comércio (soma das exportações e importações) totalizou US$ 7,183 bilhões, com média diária de US$ 1,436 bilhão. Pela média, o resultado representou aumento de 0,5%, na comparação com janeiro do ano passado (US$ 1,430 bilhão), e diminuição de 21,8%, na relação com dezembro de 2011 (US$ 1,838 bilhão). MDIC - 09/01/2012)
Pela 3ª vez seguida, balança comercial inicia ano com déficit
Segundo MDIC, déficit somou US$ 105 milhões no começo deste ano.
Em todo ano passado, saldo positivo somou US$ 29,7 bi, o maior em 4 anos.
Comente agoraPela terceira vez consecutiva, a balança comercial brasileira iniciou o ano no vermelho. Na primeira semana de 2012, entre os dias 1 e 8, as importações superaram as exportações em US$ 105 milhões, segundo números divulgados nesta segunda-feira (9) pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC).
Na última semana, as exportações somaram US$ 3,53 bilhões e as compras do exterior totalizaram US$ 3,64 bilhões. Sobre janeiro do ano passado, as vendas externas recuaram 2,3% e as importações avançaram 3,3%.
O resultado foi semelhante ao que o registrado no começo de 2010 e de 2011, quando a balança comercial brasileira registrou déficits, ou seja, com as importações superando as vendas externas. Na primeira semana de 2010, o resultado negativo foi de US$ 375 milhões e, no começo do ano passado, o déficit totalizou US$ 486 milhões.
Resultado de 2011 fechado
Em todo ano de 2011, o superávit da balança comercial brasileira somou US$ 29,79 bilhões. Com isso, o superávit da balança comercial registrou crescimento de 47,8% em relação ao ano de 2010, quando o saldo positivo totalizou US$ 20,15 bilhões. Trata-se, também, do maior superávit da balança comercial desde 2007 (US$ 40,03 bilhões). Em 2008 e 2009, respectivamente, o saldo comercial somou US$ 24,95 bilhões e US$ 25,27 bilhões.
Perspectivas para 2012
Para 2012, ano que ainda será marcado pelos efeitos da crise financeira internacional, com a previsão de crescimento do PIB em 3,3%, e pela concorrência acirrada pelos mercados que ainda registram crescimento econômico (como é o caso do Brasil), os economistas dos bancos acreditam que o valor do superávit da balança comercial (exportações menos importações) voltará a cair, atingindo um valor próximo a US$ 19,4 bilhões.
O Banco Central, porém, está um pouco mais otimista. A autoridade monetária projeta um superávit da balança comercial de US$ 23 bilhões para este ano, com as exportações em US$ 267 bilhões e as compras do exterior em US$ 244 bilhões. A Confederação Nacional da Indústria (CNI), por sua vez, prevê um saldo comercial positivo de US$ 20,8 bilhões neste ano. (G1 - 09/01/2012)
Balança apresenta déficit na primeira semana de janeiro
BRASÍLIA - A balança comercial brasileira registrou déficit de US$ 105 milhões na primeira semana de janeiro. O saldo negativo é resultado das exportações de US$ 3,539 bilhões e importações de US$ 3,644 bilhões. A média diária de embarques externos ficou em US$ 707,8 milhões. Nas compras internas, a média diária registrada foi US$ 728,8 milhões.
Os dados foram divulgados nesta segunda-feira (9) pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC). Nas exportações, a soma registrada teve redução de 2,3% ante o mesmo período de janeiro de 2011, que ficou em US$ 724,5 milhões.
A queda é atribuída à redução das vendas externas dos semimanufaturados (-17,5%), que caiu de US$ 111,1 milhões para US$ 91,6 milhões; e dos básicos (-4,9%), com redução de US$ 318,4 milhões para US$ 302,7 milhões. Os manufaturados apresentaram leve aumento nas exportações (1,4%), crescimento puxado principalmente, por aviões e automóveis de passageiros.
No caso das importações, a média diária registrada está 3,3% acima da média de janeiro do ano passado (US$ 705,5 milhões). Comparando o mesmo período, o aumento está relacionado a gastos com aeronaves e peças (57,8%), adubos e fertilizantes (41,0%), veículos automóveis e partes (31,8%), farmacêuticos (21,3%), plásticos e obras (12,0%) e equipamentos elétrico/eletrônicos (11,3%). (DCI - 09/01/2012)
Pressionado, presidente do Irã visita 'aliados' na América Latina
O presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad, faz nesta semana um giro por quatro países latino-americanos, em meio a uma crescente pressão externa sobre o Irã e um aumento da tensão doméstica.
Segundo analistas ouvidos pela BBC Brasil, o governo iraniano busca "aliviar" os efeitos das sanções econômicas ocidentais sobre o país e evitar um isolamento internacional ainda maior.
"Ahmadinejad vem sofrendo com imensa pressão dentro da liderança iraniana e é visível o descontentamento de membros do governo com a administração dele."
Além disso, segundo Zweiri, o governo iraniano busca incrementar negócios com países mais "amigos", já que Teerã enfrenta problemas econômicos, agravados pelas sanções impostas pelos Estados Unidos e outros países ocidentais por conta do programa nuclear iraniano.
"As exportações diminuíram, a inflação aumenta e a moeda iraniana vem perdendo valor. Medidas econômicas internas se mostraram impopulares, e Ahmadinejad já é vaiado por alguns setores da população. Os iranianos sentem-se mais isolados no mundo do que nunca."
Ahmadinejad chegou no último domingo à Venezuela, onde faz sua primeira escala do seu giro pela América Latina. Ele visitará também Nicarágua, Cuba e Equador.
O Brasil não está na agenda de visitas do iraniano. A assessoria de imprensa do Itamaraty afirmou que o governo brasileiro não foi procurado por Teerã para agendar a visita, mas que as relações entre os dois países seguem normais.
Segundo a mídia estatal iraniana, o objetivo da viagem é "fortalecer os laços com os países latinos que mantêm um discurso hostil em relação aos Estados Unidos".
Negócios e amigos
De acordo com Amani Maged, analista político e colunista do semanário egípcio Al-Ahram, o Irã precisa incrementar desesperadamente seu fluxo de negócios estrangeiros e mostrar à sua população que as sanções e isolamento internacionais não afetarão a insistência do país em seu programa nuclear.
Em seu giro latino-americano, o presidente do Irã está acompanhado por uma comitiva de cerca de cem empresários, além dos ministros de Relações Exteriores, da Economia, da Indústria, Comércio e Minas e o de Energia.
"Ele (Ahmadinejad) leva seu alto escalão para combater nas duas frentes consideradas as mais cruciais no momento: diplomacia e comércio", diz Maged.
Desafio
Desde que se tornou presidente, em 2005, Ahmadinejad aumentou os laços do Irã com países latino-americanos, incluindo o Brasil.
Seu governo assinou diversos acordos de cooperação civil e militar com Venezuela, Bolívia, Equador e Nicarágua.
Problemas econômicos já causam insatisfação entre iranianos, diz analista
"Sob o ponto de vista diplomático, o Irã busca uma legitimidade internacional nas Nações Unidas e uma frente que se torne um desafio aos Estados Unidos", diz Mahjoub Zweiri.
Para o egípcio Amani Maged, a estratégia diplomática iraniana não pode ser subestimada. "Laços com países latino-americanos também servem para seus interesses diplomáticos."
"Países latino-americanos se tornam ocasionalmente membros não-permanentes do Conselho de Segurança da ONU, onde (são votadas) muitas das sanções impostas ao Irã. Cortejar amigos na América Latina com certeza é bom para os negócios, sejam eles comerciais ou diplomáticos", diz. (BBC - 09/01/2012)
A rota da competição
Os resultados do comércio exterior brasileiro, divulgados no início do ano, mostraram novo recorde nas exportações. Mas, a exemplo do que ocorreu em 2011, as primeiras análises e pronunciamentos sobre o tema se restringem ao crescimento das importações, especialmente de produtos industrializados.
A ênfase tem sido o propalado déficit comercial de manufaturados. De modo geral, essas análises não incluem as informações estatísticas sobre o real desempenho do comércio exterior, mas buscam sempre enfatizar a necessidade de maior protecionismo para determinados setores da indústria, incluindo medidas como elevação da carga tributária, controles administrativos e eliminação de incentivos estaduais.
As estatísticas oficiais divulgadas pelo governo indicam a confortável situação do comércio exterior e um contínuo superávit na balança. No ano passado, as exportações cresceram 26,8%, para US$256 bilhões, bastante superior ao das importações, com alta de 24,5%, totalizando US$226 bilhões. Com isso, o Brasil alcançou no ano passado um superávit comercial recorde, de US$30 bilhões. Mesmo assim, a maioria das análises está voltada para as importações.
Nunca é demais lembrar que a maioria das importações está vinculada ao processo produtivo:83% do total são bens de capital, insumos, matérias- primas e petróleo. Apenas 17% são de bens de consumo. Os setores mais intensivos em mão de obra, que muitas vezes preocupam as autoridades em Brasília, já contam com elevada proteção tarifária.
Na importação brasileira, prevalecem máquinas e equipamentos (21,1%), matérias-primas e bens intermediários (45,3%) e compras destinadas à produção industrial. São os setores produtores de bens finais, de maior valor agregado e conteúdo tecnológico, os que mais necessitam de máquinas e equipamentos importados para ampliar e modernizar seus parques industriais.
Na fabricação de produtos industriais de maior valor agregado, essas fábricas também não podem prescindir da compra de peças e componentes produzidos no exterior e que agregam maior conteúdo tecnológico a seus produtos. A importação é em muitos casos imprescindível na busca de maior competitividade.
É necessário destacar que não ocorreu nenhuma modificação importante no perfil da importação brasileira nos últimos anos. Bens de capital (máquinas e equipamentos), por exemplo, correspondem hoje aos mesmos 21,1% do total das compras externas dos últimos 20 anos.
O quadro atual torna oportuno lembrar que no passado o Brasil monitorava burocraticamente suas importações, obrigando os fabricantes de produtos finais a praticarem altos índices de nacionalização, de até 80%. Caso o Brasil volte a fazer isso, estará na prática obrigando muitos fabricantes a adquirirem insumos e componentes nacionais por valores mais altos do que os pagos por seus concorrentes estrangeiros, ou seja, estará tornando ainda mais grave a falta de competitividade do produto nacional.
O caminho para a busca de maior competitividade na indústria, com a consequente redução do déficit existente em produtos manufaturados, certamente não é o da elevação dos custos tributáriosnem o da aplicação de barreiras burocráticas. O caminho está indicado na nova política industrial do governo brasileiro, o Plano Brasil Maior, já sancionado pela presidente Dilma Rousseff, que estabelece uma série de mecanismos que podem estimular a indústria a programar investimentos que resultem na modernização do parque industrial brasileiro. Ivan Ramalho ( O Globo - 09/01/2012)
Brasil ganha mercados, mas concentra pauta
O País ampliou os destinos de suas exportações na última década, porém, os produtos básicos ganharam importância nos negócios, enquanto os manufaturados perderam participação.
São Paulo - As exportações brasileiras cresceram muito nos últimos anos, passaram de US$ 58 bilhões em 2001 para US$ 256 bilhões em 2011, o Brasil conquistou novos mercados e ampliou sua presença em destinos menos tradicionais, especialmente em países emergentes, mas a pauta de produtos comercializados se concentrou ainda mais nos itens básicos.
Segundo dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC), os produtos básicos responderam por 26,3% das exportações brasileiras em 2001, participação que passou para 47,8% no ano passado. No mesmo período, a fatia dos semimanufaturados permaneceu praticamente estável, por volta dos 14%, e a dos manufaturados caiu de 56,5% para 36,1%.
São vários os fatores que provocaram essa mudança no perfil da pauta. Em primeiro lugar o crescimento da demanda mundial por commodities e o aumento dos preços desses produtos, na última década, fizeram com que os exportadores brasileiros de itens básicos vendessem mais e com maior retorno. Mais do que os volumes, foram as receitas obtidas com os embarques dessas mercadorias que ganharam espaço.
Tatiana Prazeres: preço ampliou peso dos básicos na pauta
“Nos últimos anos houve um peso maior dos produtos básicos na pauta por causa da alta nos preços das commodities”, disse à ANBA a secretária de Comércio Exterior do MDIC, Tatiana Prazeres. “As exportações de manufaturados também cresceram [em termos absolutos], mas as de básicos aumentaram de forma mais acelerada, dando maior peso [para esses produtos]”, acrescentou.
De acordo com o presidente em exercício da Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB), José Augusto de Castro, o País sempre foi exportador de commodities, mas o aumento da demanda das nações emergentes por alimentos intensificou ainda mais a vocação brasileira na área agropecuária. “A diversificação [de mercados] é decorrente do aumento do poder de compra desses países [em desenvolvimento]”, declarou.
O CEO da Câmara de Comércio Árabe Brasileira, Michel Alaby, destacou que o crescimento econômico de países como China, Índia, África do Sul e os árabes, entre outros, criou as condições para uma necessária melhora das condições de vida de suas populações, especialmente por meio da alimentação, o que se reflete, por exemplo, no forte aumento das exportações brasileiras de proteína animal, principalmente de carne de frango e bovina.
Câmbio
Se por um lado os exportadores brasileiros de commodities ganharam, as indústrias nacionais perderam competitividade no mercado externo por causa da desvalorização do dólar. Em boa parte da década passada, os manufaturados foram responsáveis pela maior fatia da pauta de exportações do País, quadro que começou a mudar a partir de 2007.
“Todas as empresas exportadoras foram afetadas pelo câmbio”, observou Tatiana Prazeres. No caso das commodities, porém, o aumento das cotações no mercado internacional compensou as perdas com a valorização do real. Além disso, setores que utilizam muitos insumos importados, como a agricultura, que depende de fertilizantes adquiridos lá fora, tiveram redução de custos em moeda brasileira.
“As indústrias que usam mão de obra de forma mais intensiva foram mais prejudicadas pelo câmbio”, ressaltou a secretária. Isso, segundo Castro, inclui segmentos “tipicamente brasileiros”, como os de móveis, calçados e de confecções, que, além de perderem competitividade no exterior por causa do câmbio, ainda têm que enfrentar a concorrência asiática nos mercados internacional e doméstico. “O Brasil não tem preço para competir na área de manufaturados”, declarou o executivo da AEB.
Para ela, na indústria, só quem conseguiu ter algum benefício com a valorização do dólar frente ao real foram as multinacionais que têm fábricas no Brasil e que utilizam insumos importados de suas matrizes. Ou seja, se por um lado seus produtos fabricados no País ficaram mais caros em dólar, por outro o custo de parte de suas matérias-primas ficou mais baixo em real.
Força doméstica
Alaby acrescentou que, além do câmbio, o crescimento do mercado interno brasileiro também desestimulou as exportações industriais. “Com o crescimento da renda nacional, as empresas deslocaram muito de sua produção para o mercado interno”, afirmou o diretor da Câmara Árabe.
Alaby: empresas direcionaram produção ao mercado interno
No início da década passada, a economia brasileira estava em baixa e cada vez mais as empresas passaram a buscar compradores para seus produtos no exterior, cenário que se inverteu nos últimos anos, com o Brasil dando saltos enquanto a turbulência atingia outras partes do mundo.
Alaby lembrou que as empresas brasileiras sempre consideraram o mercado externo como uma “válvula de escape” a ser usada em épocas de vacas magras na seara interna, e essa cultura ainda existe, apesar do setor exportador estar mais profissionalizado.
Em sua avaliação, para competir, especialmente com os produtos chineses, as companhias precisam investir no aumento da produção, em qualidade, no design, na promoção da marca e explorar nichos de mercado. De acordo com ele, existem exemplos de fábricas de calçados, móveis e confecções que conseguem manter um bom desempenho lá fora mesmo com o câmbio desfavorável, mas não dá para concorrer com os asiáticos oferecendo os mesmos tipos de mercadorias.
No lado do governo, tanto Castro quanto Alaby citam outro fator de redução da competitividade brasileira, o chamado “custo Brasil”, ou seja, a alta carga tributária, a burocracia, a infraestrutura deficiente, entre outros problemas.
Como o mercado interno é muito grande, mesmo com tais dificuldades, vale a pena produzir aqui para abastecê-lo, e como isso implica em uma grande escala de produção, é possível ter o suficiente para também exportar. O Brasil continua a vender principalmente itens industrializados para alguns mercados, especialmente na América Latina.
Na opinião de Alaby, porém, o principal entrave para as exportações de itens com maior valor agregado é a falta de financiamento. O crédito para esse tipo de operação no Brasil é escasso e caro.
E o governo reconhece isso. Tanto que, na semana passada, o secretário-executivo do MDIC, Alessandro Teixeira, informou que em breve serão anunciadas medidas de incentivo aos exportadores, e a facilitação do acesso ao crédito vai estar entre elas. Tatiana Prazeres não quis adiantar quais serão essas medidas, mas informou que, além dos financiamentos, elas envolvem seguros e desburocratização, principalmente para companhias de menor porte.
Promoção
O governo aposta também na promoção comercial, especialmente em mercados emergentes, como os da África, Oriente Médio e Ásia. Ela credita a esse esforço a diversificação de destinos que os exportadores brasileiros tiveram ao longo da última década. Nesse período, dentro de uma política de incentivo à cooperação Sul-Sul, a importância dos países em desenvolvimento para as exportações brasileiras aumentou muito. A China, por exemplo, ultrapassou os Estados Unidos como maior cliente do Brasil.
Para Castro, porém, essa diversificação ocorreu mais por causa da demanda crescente das nações emergentes do que pelos esforços brasileiros de promoção. Ele critica de forma veemente a perda de participação de mercados tradicionais, como os EUA, nas exportações do País. Essa fatia já foi de 25%, mas agora é de apenas 10%.
Segundo Alaby, o Brasil muitas vezes parece mais preocupado em proteger seu mercado interno do que em atacar os concorrentes na seara externa, mas ele reconhece que a abertura de novos destinos não ocorreu somente pelo aumento da demanda dos emergentes, mas também polos esforços de promoção de empresas e governo. Ele acha a diversificação um dado positivo, pois diminui a dependência em poucos mercados.
Futuro
O CEO da Câmara Árabe destaca, porém, que o Brasil vai precisar ser mais agressivo no front externo a partir de agora, pois, com suas economias em baixa, os EUA e a União Europeia vão disputar espaço com os emergentes nas vendas internacionais. “Europa e Estados Unidos vão precisar exportar mais e vão concorrer com o Brasil, China, Turquia, entre outros”, afirmou.
No longo prazo, porém, ele acredita que os endividados países europeus vão ter que reduzir ou acabar com os subsídios dados aos seus produtores rurais, o que é bom para o agronegócio brasileiro.
Com os países desenvolvidos em crise, a AEB prevê redução das exportações e do superávit comercial brasileiro este ano. O governo prefere não fazer projeções no momento. Segundo Tatiana Prazeres, como o cenário externo está instável, o ministério prefere deixar para definir metas de exportação no final do primeiro trimestre. (Anba - 09/01/2012)
EUA ainda não estão numa rota sustentada de crescimento
Bons números foram divulgados na semana passada sobre a economia americana: mais empregos do que se esperava, produção industrial melhor, taxa de desemprego mais baixa. Isso significa que os EUA saíram do ambiente recessivo?
Conversando com economistas sobre esse tema, ele disseram que ainda é cedo para dizer uma coisa assim. Os dados são mais positivos do que o previsto, mas isso não quer dizer que a economia americana está numa rota sustentada de crescimento.
A taxa de desemprego, por exemplo, caiu para 8,5%, a menor em três anos, mas ainda não voltou ao patamar pré-crise, quando oscilava entre 5% e 5,5%. Ainda há muito problema no mercado imobiliário: gente sendo despejada, preços caindo.
Portanto, é cedo para dizer que, desta vez, a economia americana pegará no tranco, mas de qualquer maneira, são bons os sinais.
Vale lembrar que no começo do ano passado a situação também tinha melhorado, mas depois vieram as crises e a volta para o terreno negativo. Agora, começa a se recuperar de novo.
Para Obama é melhor que a situação fique boa logo, porque este é ano eleitoral. A melhor notícia para o presidente dos EUA é dada pela própria oposição, que não consegue achar um candidato. O partido republicano está dando muitas razões de feliz ano novo para Obama. Miriam Leitão (O Globo - 09/01/2012)
Europa volta a discutir possíveis saídas para a crise
O ano é novo, como diz o "Financial Times", mas a zona do euro tem os velhos problemas de sempre.
Depois de muita reunião em dezembro, as coisas ficaram em ponto morto na virada do ano, mas agora começou de fato 2012 para a Europa, com mais reuniões e providências.
Esta será uma semana cheia para Angela Merkel, chanceler da Alemanha. Hoje, teve um encontro com Sarkozy, amanhã, com Christine Lagarde, do FMI. Depois, com Mario Monti, o presidente do Banco Central Europeu (BCE).
Eles estão revendo todas as questões, discutindo como levar adiante a ideia de começar a construir uma zona fiscal comum, ou seja, todos os países terem os mesmos parâmetros fiscais.
Essa briga do imposto sobre transações financeiras, uma espécie de CPMF, é velha. A França quer, mas Alemanha e Inglaterra, não. Quando o país de Sarkozy volta com o assunto, a Alemanha diz que só se for um acordo no mundo inteiro, para não afastar o capital da zona do euro nesse momento de necessidade.
Também estão discutindo como estimular o crescimento e criar empregos, principalmente para os jovens. O "FT" diz que isso está parecendo uma agenda requentada.
Ou seja, já falaram sobre esses assuntos, mas não há medida concreta, a não ser uma agenda mais positiva do que apenas cortar, cortar e cortar gastos. E estão pensando assim porque em maio há eleições na França e Sarkozy está querendo ser reeleito, mas as pesquisas dizem que ele está em segundo lugar. Para o presidente da França, portanto, ter uma agenda positiva é bom.
Mas os assuntos desagradáveis são inevitáveis. Hoje mesmo a Moody´s disse que a Espanha precisa fazer um ajuste adicional de 40 bilhões de euros para ter uma trajetória sustentada de recuperação. Mas isso elevaria o ajuste a ser feito em 2012 a 43% mais do que o total de 2010/2011, é muita coisa.
A Espanha está fazendo o máximo que pode, mas não consegue alcançar as metas. A Grécia, por sua vez, continua sendo um ponto de preocupação grande.
Enfim, a Europa está com seu velho problema ainda não resolvido, e os dois principais líderes retomam as conversas que ficaram em "banho-maria" nas comemorações do reveillón. Miriam Leitão (O Globo - 09/01/2012)
Premiê francês diz que país deve estar preparado para mais austeridade
PARIS - O primeiro-ministro da França, François Fillon, disse nesta segunda-feira que o país deve estar preparado para mais medidas de redução do déficit, ainda que a meta para 2011 provavelmente seja cumprida.
“Devemos continuar cortando o nosso déficit e nos preparando para a possibilidade de qualquer medida nova”, disse Fillon em comunicado a jornalistas. Essas medidas, segundo ele, serão analisadas caso a caso, a depender dos indicadores econômicos. Ele negou que haja planos para um terceiro pacote de austeridade.
Fillon disse que o déficit do governo central deve ficar cerca de 4 bilhões de euros abaixo do previsto. Ele pediu que a Europa use todos os meios disponíveis para estimular a expansão ou evitar uma possível recessão nos próximos meses e disse que a perspectiva para o emprego é “preocupante”.
Na semana passada, o ministro de Finanças do país, François Baroin, disse que este não é o momento certo para falar de um terceiro programa de austeridade e que a ênfase deve ser sobre as reformas para estimular o crescimento. (Valor Econômico - 09/01/2012)
EUA expulsam consulesa da Venezuela em Miami
WASHINGTON - Os Estados Unidos expulsaram a consulesa geral da Venezuela em Miami logo após surgirem denúncias de que ela teria colaborado com possíveis ataques cibernéticos a computadores do governo americano quando era funcionária da embaixada venezuelana no México.
O Departamento de Estado informou neste domingo que declarou a diplomata Livia Acosta Noguera “persona non grata” e deu prazo até terça-feira para que ela deixe o país.
O porta-voz do Departamento, Mark Toner, disse que o governo venezuelano foi notificado da decisão na sexta-feira. Ele não quis comentar os motivos da expulsão, mas disse que o procedimento foi baseado no artigo 23 da Convenção de Viena sobre Relações Diplomáticas. Esse artigo não exige que o país que determina a expulsão dê explicações sobre sua decisão. (Valor Econômico - 09/01/2012)
A política industrial do século XXI
Cientistas políticos gostam de debater se o início do século XXI ocorreu, de fato, em setembro de 2001, quando da queda das torres gêmeas (início da "Guerra ao Terror") ou se aconteceu bem antes, em novembro de 1989, quando da queda do muro de Berlim (o fim da "Guerra Fria"). Economistas parecem estar mais próximos de um consenso: o século XXI demorou mas chegou com grande estardalhaço em setembro de 2008, quando da queda da corretora Lehman Brothers, marco simbólico da grande crise internacional que desde então arrasta o planeta. Entre tantas quedas, a virulência da crise inaugural do século derrubou o mito de que a política econômica poderia se resumir à busca de estabilidade monetária e de um bom ambiente de negócios e recolocou a política industrial no centro das iniciativas governamentais em quase todos os países mundo afora.
Porém, da mesma forma que parece inquestionável que a política industrial está reconquistando a proeminência que exerceu na chamada era do ouro do capitalismo - os 25 anos do pós-2ª Guerra - é igualmente fora de dúvida que o seu arcabouço teórico e prático já não é mais o mesmo. Por essa razão, conceitos, objetivos, diretrizes, instrumentos, enfim, todo o aparato definidor da política industrial encontra-se em conformação aos novos parâmetros trazidos pelo século que se inicia, quais sejam, uma nova dinâmica macroeconômica internacional, um novo paradigma tecnológico e um novo perfil da empresa e da estrutura industrial.
Uma nova dinâmica macroeconômica, novo modelo tecnológico e um novo perfil da empresa e da estrutura industrial
No plano macroeconômico, especialmente para países produtores de commodities, como é sabidamente o caso do Brasil, o atual ciclo de preços favoráveis desses bens inverte a lógica tradicional do passado que condenava esses países a uma trajetória de crescimento restringido pelo balanço de pagamentos. Superar, ou adiar, as crises cambiais, que se tornavam inevitáveis após sucessivos anos de exportações de bens baratos e importações de bens caros, pode ser descartada pelos próximos anos como preocupação relevante para a política industrial. Analogamente, o maior ritmo de crescimento dos países emergentes em relação aos países desenvolvidos, consequência direta da crise de longa duração enfrentada pelos segundos, faz do emparelhamento da renda um processo já "encomendado", conferindo um maior peso aos objetivos distributivos e de "catching-up" tecnológico da política industrial, algo também marcadamente distinto do que prevaleceu anteriormente.
Se o quebra-cabeças trazido pela nova dinâmica da economia mundial já parece suficientemente intrincado, mais ainda é decifrar os impactos sobre a atividade manufatureira das profundas mudanças tecnológicas em curso nos produtos e nos processos produtivos. Particularmente, a antevisão sobre quais serão - ou já estão sendo - as implicações da prevalência de uma indústria cada vez mais "jobless" sobre o mercado de trabalho mostra ser esse um tema que deve motivar preocupação crescente da política industrial. Mesmo sabendo-se que, como já se imaginava há alguns anos, a saída se dará por meio do incremento das atividades de serviços de mais alta qualificação, também essas atividades estão tendendo a se tornar cada vez mais tecnificadas e automatizadas e, portanto, mais cedo ou mais tarde deverão exibir as suas limitações na geração de novos postos de trabalho.
Evidentemente, o sistema empresarial não poderia permanecer imune a mudanças econômicas e tecnológicas tão intensas. De fato, estão em curso transformações radicais nos perfis dos grupos empresariais em termos de áreas de atuação, estratégias de P&D, alianças tecnológicas, estratégias financeiras e, ainda, muito importante no terreno da política industrial, na dimensão do público-privado. Há uma nova divisão internacional do trabalho em construção que embute um sem número de riscos e, obviamente, de oportunidades, para os países que forem bem sucedidos na construção de novos padrões de especialização da estrutura produtiva, da pauta de comércio e do perfil do investimento direto externo.
Nesse contexto, a pergunta fundamental da política industrial permanece a de sempre: o que produzir, o que exportar, o que importar. As respostas agora é que são muito diferentes. Em condições ideais, o incremento do conteúdo local da produção nacional deveria ser uma consequência do sucesso da política industrial, um indicador de eficácia das ações e medidas tomadas. Mas nas condições reais do mundo industrial da atualidade, ainda mais diante do quadro de acirramento competitivo e do protecionismo adotado pela maioria dos países concorrentes do Brasil, as exigências de conteúdo local tornaram-se um meio para viabilizar a própria continuidade da atividade industrial.
O problema contemporâneo, diferentemente do passado, não é criar setores visando completar a matriz industrial nacional. No século XXI, o desafio é enraizar atividades produtivas fixando empresas, fornecedores e clientes no território nacional. O caminho para isso, embora trabalhoso e difícil, é conhecido: promover condições atrativas para os investimentos em capacidade produtiva e em inovação tecnológica.David Kupfer (Valor Econômico - 09/01/2012)
2012 no discurso e nas reservas
Quem duvida que a presidente Dilma quer juro bem menor nos próximos meses ou que o ministro Mantega fala sério quando insiste que a economia brasileira deverá ter expansão mais robusta neste ano deve ficar atento ao discurso e também à evolução das reservas internacionais do país. Mudanças no processo de acumulação de reservas, se ocorrerem, podem mexer com a taxa de juro, a taxa de câmbio e a inflação.
Banco Central e mercado têm projeções modestas para a expansão das reservas internacionais em 2012. E, nesse início de ano, é imprudente descartar alteração na postura da autoridade monetária que, em 2011, disparou uma artilharia pesada no mercado de câmbio.
Além de tomar medidas de caráter administrativo, o BC fez 332 intervenções cambiais ao longo do ano: 265 leilões de dólar no mercado à vista, 22 leilões de dólar a termo, 45 leilões de swap cambial reverso.
Em 2010, o BC promoveu 288 leilões no total: 247 leilões de dólar no mercado à vista e 41 leilões de dólar a termo. Em 2011 foram 265, considerando intervenções no spot e a termo, 45 leilões de swap reverso (que equivale à compra de dólar futuro), outros quatro leilões de swap tradicional (similar à venda de dólar futuro), um leilão de linha externa e mais de 22 operações de compra de dólar para liquidação a termo.
O BC comprou US$ 41,42 bilhões no mercado à vista em 2010. E, em 2011, US$ 47,909 bilhões além de US$ 2,199 bilhões em operações para liquidação a termo.
No Relatório de Inflação divulgado há menos de três semanas, o BC projeta, para 2012, crescimento de US$ 5 bilhões para as reservas cambiais que deverão totalizar US$ 357,5 bilhões ao final do ano. Grandes bancos trabalham com projeções para o saldo das reservas neste ano no patamar de US$ 400 bilhões.
Quanto à taxa de câmbio, ainda que as últimas semanas indiquem que há um novo patamar de negociação em curso, com real mais desvalorizado frente ao dólar se comparado ao praticado há poucos meses, não há garantia de que a moeda brasileira entrará em rota de depreciação.
O real pode manter-se valorizado frente ao dólar, dando corda às importações e à oferta de bens e serviços e alívio às pressões inflacionárias. Assis Moreira, correspondente do Valor em Genebra, relata que o real valorizou cerca de 45% entre 2005 e 2011 em relação às moedas dos principais parceiros comerciais, e foi a segunda maior alta globalmente no período, segundo o Banco Internacional de Compensações (BIS). (Valor Econômico - 09/01/2012)
Os riscos de 2012
Os investidores podem preparar o coração para os solavancos que prometem continuar chacoalhando os mercados neste ano. Na opinião de especialistas, será um período apenas um pouco melhor do que 2011. "O ano vai ser difícil, a menos que os deuses do Olimpo grego intervenham", brinca o diretor de investimentos da Fundação Cesp, Jorge Simino.
A boa notícia é que, embora o mapa dos fatos que poderiam causar verdadeiros tsunamis na economia global esteja coalhado de eventos significativos - como o de uma recessão na economia americana, uma forte desaceleração da economia chinesa ou a saída de um país da zona do euro -, a percepção geral é que a probabilidade de que algo dessa magnitude aconteça é pequena. "Acredito que vai ser um ano de insegurança financeira menor", diz o ex-presidente do BNDES e hoje estrategista da Quest Investimentos, Luiz Carlos Mendonça de Barros.
A rejeição de um cenário de catástrofes, como a quebra de algum grande banco europeu, traz alívio. Ainda assim, gestores e analistas guardam palavras como "ano difícil" ou "ambiente agressivo" para o investidor.
Sem dúvida, o risco mais significativo - e nos últimos meses de 2011 o risco considerado mais provável - à economia global seria a saída de um país da zona do euro. A manobra colocaria em xeque o projeto de união monetária europeia, abalando os mercados. A Grécia pode sair? Pode. "Mas acho que isso tem 50% de chance de acontecer e outros 50% de não acontecer e, se for para escolher entre as duas possibilidades, eu escolho o não", diz Simino, da Fundação Cesp.
Segundo ele, não seria mais possível voltar ao dracma sendo emissor de dívida em euro. Para o gestor, o país pode até ter "devaneios" de deixar a moeda, mas quando senta à mesa para discutir a partida reconhece que ela custará caro e opta por ficar. "Só em um estresse político absoluto a Grécia sairia", diz.
Para Mendonça de Barros, o risco da saída de algum país da eurozona hoje é reduzido, mas isso pode voltar mais à frente, já que, segundo ele, uma questão importante foi levantada: "países tão diferentes podem coexistir economicamente?" O estrategista acredita, contudo, que os últimos posicionamentos do Banco Central Europeu (BCE) reduzem o risco de crédito do sistema bancário europeu, embora criem um sistema que chama de "zumbi". "Como o do Japão 20 anos atrás, meio morto meio vivo."
Há, contudo, um risco que sobrevive às iniciativas do BCE, do FMI e da própria União Europeia que é o relativo ao pesado calendário de rolagem da dívida da Europa, concentrado especialmente no primeiro trimestre deste ano. "Não tem jeito, o mercado vai especular, dizendo que os países não vão conseguir rolar as dívidas e que os juros vão subir", diz Mendonça de Barros. "Mas com volatilidade e momentos de maior segurança, tudo está andando. Vejo recessão nos países periféricos e crescimento baixo nos europeus do norte".
Lá fora, passada a crise de rolagem da dívida soberana, a partir de março, o cenário para a bolsa brasileira torna-se positivo. "Tenho duas apostas: uma mais calma, em bens de consumo e bancos, e outra em empresas voltadas a commodities, que, se eu estiver certo, devem ser favorecidas pela recuperação da economia chinesa", diz Mendonça de Barros, para quem a bolsa pode subir de 20% a 25% este ano.
Um pouco mais cauteloso, Simino afirma que para os interessados em aplicar na bolsa 2012 será quase tão difícil como 2011. Mas, no cenário no qual acredita - sem quebra na Europa -, o Ibovespa tem fôlego para alcançar algo entre 65 mil e 70 mil pontos. "Se for investir em bolsa, é bom ter uma posição conservadora, em empresas sólidas e boas pagadoras de dividendos. Assim, se a bolsa tiver um tremendo rali, em alta de 20%, por exemplo, o investidor ficará com 14% ou 15% disto, o que está bom". Agindo assim, diz Simino, até mesmo em meio a um evento de ruptura, o investidor ganha espaço para se defender.
Em relatório, a equipe do Deutsche Bank descarta a saída da Grécia da zona do euro, mas alerta que "o inconcebível não é mais impensável". Segundo o Deutsche, o retorno dos gregos ao dracma envolveria uma brusca queda de preços de todos os ativos privados, larga reestruturação da dívida, imposição de controle de capitais e um provável colapso do sistema bancário grego - a um custo maior do que 30% do PIB do país. Embora não aposte no cenário, caso o pior aconteça, sugere a fuga para ouro ou títulos americanos, além do iene e da libra esterlina, que se beneficiam de queda no euro.
O mapa dos riscos contempla ainda a possibilidade de um duplo mergulho da economia americana, que passou por um ano difícil que incluiu, dentre outros fatores, o rebaixamento de sua nota de crédito e uma briga política impensável sobre o aumento do teto de sua dívida. O evento também não está mais no radar dos especialistas.
Segundo eles, um duplo mergulho da economia americana seria possível se a Grécia deixasse o euro ou se uma crise de financiamento maior atingisse a Itália e a Espanha. "O 'double dip' ficou para trás", afirma Mendonça de Barros.
Simino ressalta que os americanos estão no meio de uma recuperação, ainda que fraca, e o esforço será mantê-la. "Se o PIB fechar 2012 em 2% ou 2,5% vai ser uma tremenda vitória", diz.
Com relação à China, Mendonça de Barros lembra que a economia é um tanto mais complicada porque ninguém a entende direito. "Mas eu que acompanho China há bastante tempo avalio que eles têm tido todo o sucesso em equacionar problemas", diz ao falar em crescimento entre 7% e 8% este ano, a não ser que um desastre ocorra na Europa.
Simino - que prevê expansão de até 9% para China - lembra que as ferramentas para lidar com problemas são várias no país asiático e vão muito além do capitalismo puro. "A intervenção estatal é via canetada, obrigando agentes econômicos a fazer o que o governo quer. Mas acho que temos que esquecer a China crescendo a 14% como já foi", afirma ele. O fato, ressalta o Deutsche, é que, com reservas de US$ 3,2 trilhões, a China tem o poder de interromper o pouso - seja suave ou não - rapidamente.
Um último fantasma a rondar a economia global em 2012 - na verdade um fantasma bem mais camarada - seria um crescimento mundial surpreendente e muito acima do esperado. O desapontador é que este risco, mais até do que os anteriores, está fora de cogitação. "Não há este risco", diz Mendonça de Barros. "A Europa vai crescer zero, os Estados Unidos, 1,5%, e a China algo entre 7% e 8%", emenda. Simino é ainda mais enfático. "Eu não faria apostas exuberantes nessa direção", finaliza. (Valor Econômico - 09/01/2012)
Adivinhe quem não vem para jantar
Dessa vez não houve carta, telex, e-mail ou telefonema: o presidente Mahmoud Ahmadinejad planejou sua viagem à América Latina, nesta semana, sem sequer consultar o Palácio do Planalto ou o Itamaraty sobre a possibilidade de uma escala em Brasília.
A viagem inclui Venezuela, Equador, Cuba e Nicarágua e se presta a mostrar apoio em tempos de crescente isolamento iraniano. É palpável o alívio no governo brasileiro por escapar do constrangimento de uma eventual sondagem. O Brasil tem uma agenda mais modesta a tratar com Teerã.
Por um breve momento, em setembro do ano passado, o Irã chegou a ultrapassar a Rússia como o maior comprador da carne bovina brasileira. Ao fim do ano, porém, manteve a segunda posição, com compras pouco inferiores a US$ 700 milhões, uma queda de 15% em relação às vendas do ano passado.
Dessa vez não houve carta, telex, e-mail ou telefonema
Curiosamente, porém, quem tem se queixado ao governo brasileiro são os exportadores de frango. Eles terminaram o ano com vendas 9,5% maiores que em 2010, mas afirmam, em conversas reservadas, estarem enfrentando sérias dificuldades para obter licenças de importação no Irã.
O ministro de Relações Exteriores, Antônio Patriota, aproveitou a reunião da Organização Mundial do Comércio, há um mês, em Genebra, para pedir à delegação iraniana explicações sobre o bloqueio ao frango brasileiro, iniciado por volta de setembro. Os iranianos disseram desconhecer o caso e prometeram atender às preocupações brasileiras.
O Irã segue como segundo maior comprador de carne bovina e o maior mercado para o milho do Brasil, produtos teoricamente a salvo das sanções contra o país. No caso do milho, pode se revelar mercado essencial em 2012, com o fim do subsídio nos EUA ao etanol, que traz a ameaça de um derrame do cereal americano no mercado.
A tese de que o veto ao frango seria uma retaliação à atuação menos favorável ao Irã adotada pelo Brasil nas Nações Unidas é levantada no setor privado, mas diplomatas brasileiros dizem ser mais plausível crer que as sanções econômicas contra o Irã têm criado dificuldades cambiais que se refletem nas compras externas do país.
Na importação de produtos iranianos pelo Brasil, esse reflexo é evidente, e é também explicado pela dificuldade em se encontrar bancos dispostos a fazer a operação de crédito, especialmente envolvendo remessas de dinheiro aos iranianos: o Irã caiu vinte posições, para o 85º lugar entre os fornecedores mundiais do Brasil, em 2011.
Em valor, a queda foi de 71%, para apenas US$ 35 milhões, US$ 31,5 milhões dos quais em polímeros para a indústria de plásticos. O segundo item na pauta, que teve queda de 82% nas compras pelo Brasil, são as uvas e passas, das quais o país importou US$ 1,3 milhão no ano passado.
Curiosamente, os iranianos acuados pelas sanções internacionais se revelaram em 2011 um bom mercado para certos produtos industriais brasileiros: as compras de manufaturados do Brasil pelo Irã cresceram quase 150%, puxadas, sem exagero, a trator: foram vendidos US$ 143 milhões em tratores e US$ 31 milhões em chassis para veículos, no ano passado. Milho, açúcar e produtos de soja ainda respondem, porém, pela maior parte das vendas brasileiras ao país.
O Irã passou de 23º a 25º maior mercado para as vendas brasileiras e o detalhamento da pauta de comércio com o país em 2011 mostra que o modesto crescimento de 10% nas exportações esconde oportunidades bem aproveitadas pelas empresas brasileiras.
Como o Irã desperta no mundo emoções bem mais intensas, e problemas bem mais profundos, do que os provocadas por carnes, milho e tratores, o drible de Ahmadinejad no Brasil levanta a curiosidade sobre que fim terá levado a agenda política entre os dois países, que teve seu ponto alto nas negociações promovidas por Brasil e Turquia, de um acordo com Teerã para monitoramento externo de seu programa nuclear.
O acordo, que seguiu fielmente as linhas de um esforço anterior, tentado pelas potências ocidentais e rechaçado em Teerã, hoje é visto por analistas sérios como uma oportunidade perdida para comprometer os iranianos em negociações diplomáticas.
Autoridades em Brasília dizem que essa agenda política poderia ser ressuscitada, ainda que com bem menos entusiasmo do que no governo Lula, caso houvesse algum pedido para participação do Brasil em novas negociações. De Teerã, há dias, saiu um apelo à intermediação da Turquia, mas os tempos de engajamento com o Brasil parecem realmente passados.
Resta a questão dos direitos humanos, que, pelo jeito, também entraram no ritmo dos despachos cotidianos. Recente recusa da presidente Dilma Rousseff de receber oposicionista iraniana para falar de direitos humanos passou sem reação notável. Mesmo as almas aflitas com o destino das vítimas da teocracia iraniana, tão ativas por aqui no ano passado, perderam o ímpeto, agora, tão longe do calor das disputas eleitorais no Brasil. (Valor Econômico - 09/01/2012)
Pacto fiscal europeu será assinado até fevereiro, diz Merkel
Chanceler alemã se reúne com o presidente da França, Nicolas Sarkozy, e marca o início da nova rodada na batalha para conter a crise da dívida na zona do euro
BERLIM - A chanceler da Alemanha, Angela Merkel, disse hoje que está otimista de que a Europa poderá assinar seu pacto fiscal no fim deste mês. "Nós estamos conseguindo bons progressos sobre o pacto fiscal", comentou ela após uma reunião com o presidente da França, Nicolas Sarkozy. "Existe uma boa chance de que nós sejamos capazes de assinar acordos sobre os limites para as dívidas em janeiro, no mais tardar em fevereiro".
A reunião entre os dois líderes marca o início da nova rodada na batalha para conter a crise da dívida soberana na zona do euro. Merkel e Sarkozy esperam concluir as conversas sobre o pacto fiscal na União Europeia até março.
A chanceler alemã deixou claro que além das medidas de austeridade, o pacto precisa incluir ações para impulsionar o crescimento. Merkel afirmou novamente que o caso da Grécia, no qual o setor privado está participando do pacote de resgate, é único. Mas disse que esse envolvimento é necessário para fazer o país entrar no caminho certo.
Merkel comentou ainda que a intenção dos líderes europeus é que nenhum membro precise deixar a zona do euro. "Consolidar o euro é um objetivo ambicioso, mas factível", comentou. "Nós queremos salvar e dar suporte para o euro. Nós precisamos defender os compromissos e reduzir os déficits", complementou Sarkozy. Mas ele voltou a afirmar que a situação na Europa é tensa e que os governos do continente nunca enfrentaram uma situação como esta antes.
Sarkozy reforçou que a situação na Europa é muito tensa e que os problemas relacionados à crise de dívida da zona do euro ainda não estão resolvidos. "Nunca os líderes de governo e chefes de Estado na Europa enfrentaram tal situação", disse Sarkozy. "Eu não diria que resolvemos os problemas."
O presidente frencês acrescentou que ele e Merkel farão tudo para encontrar uma solução para a crise e convencer os mercados financeiros a fazer empréstimos para os países da zona do euro novamente. "Nós conhecemos nossa responsabilidade e estamos tentando encontrar a resposta mais eficiente possível", afirmou Sarkozy. As informações são da Dow Jones. (Agência Estado - 09/01/2012)
Diversificar as exportações
Do resultado da balança comercial brasileira em 2011, quando o superávit alcançou inesperados US$ 29,8 bilhões, a China foi responsável por nada menos do que 39%. O saldo positivo para o Brasil no comércio com os chineses no ano passado foi de US$ 11,5 bilhões, mais do dobro do superávit de 2010, de US$ 5,1 bilhões (aumento de 125%).
Esses resultados são auspiciosos - além de responsável por boa parte do superávit, a China tornou-se o maior comprador de produtos brasileiros -, mas também trazem alguns sinais de alerta para o governo brasileiro. Eles mostram que o Brasil se tornou altamente competitivo nos mercados de produtos primários e semimanufaturados, dos quais a China é grande importador, mas vem perdendo espaço nas exportações de produtos manufaturados.
"O desafio agora é diversificar nossa pauta exportadora", reconheceu a secretária de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC), Tatiana Lacerda Prazeres, ao comentar os números do comércio entre Brasil e China, em entrevista ao canal estatal de televisão NBR.
Os números do comércio bilateral nos últimos anos mostram um crescimento muito rápido e uma tendência à concentração das exportações brasileiras em produtos primários e semimanufaturados e das vendas chinesas em produtos industrializados.
Em 2000, as exportações brasileiras para a China somaram US$ 1,1 bilhão (2% das exportações totais do País) e as importações originárias daquele país somaram US$ 1,2 bilhão (2% do total importado pelo Brasil naquele ano). Em 2011, o Brasil exportou para a China produtos no valor de US$ 44,3 bilhões (17,3% do total) e de lá importou US$ 32,8 bilhões (14,5% do total das importações).
Em 2000, os produtos básicos representavam 68% da pauta de exportações do Brasil para a China; em 2010, passavam de 84%, e minérios, oleaginosas e combustíveis minerais respondiam por cerca de três quartos das nossas vendas para aquele país. Nos primeiros anos da década passada, os produtos manufaturados chegaram a responder por quase 30% das exportações brasileiras para a China. Desde 2007, no entanto, representam menos de 10% do total e sua participação vem declinando.
Do lado das importações brasileiras, os produtos industrializados representavam 91% do total importado em 2000 e, em 2010, alcançavam praticamente a totalidade, com 98%. Os produtos chineses mais importantes na lista das importações brasileiras são máquinas e aparelhos elétricos, caldeiras e máquinas mecânicas e produtos químicos orgânicos. Ao contrário das exportações, porém, as importações de produtos chineses são diversificadas. Incluem, além dos produtos líderes, itens como tecidos de malha, ferro e aço, cerâmicos, veículos e tratores, móveis, plásticos e outros.
A persistência da crise econômica mundial já reduziu a demanda no exterior por produtos brasileiros e derrubou as cotações de importantes produtos da pauta de exportações do País. Em dezembro, o preço do minério de ferro, principal item de nossa pauta, era 1,8% menor do que em dezembro de 2010. Outros importantes produtos de exportação também registravam forte redução de preços, como celulose (queda de 9,5%) e soja em grão (recuo de 5%).
Esses dados estão sendo examinados com apreensão pelos técnicos do MDIC, pois, se mantida a tendência de queda dos preços, as exportações brasileiras serão fortemente atingidas em 2012. Além disso, há o risco de a economia chinesa reduzir de maneira notável seu crescimento, o que, pelo papel que a China passou a ter no comércio exterior brasileiro, igualmente afetaria a balança comercial.
Por causa disso, o governo já anunciou que prepara, para divulgar ainda no primeiro trimestre, um conjunto de medidas de estímulo às exportações de produtos manufaturados para reduzir a dependência da balança comercial dos produtos primários e semimanufaturados. O objetivo é aumentar a competitividade e reduzir custos, especialmente os financeiros. Há tempos os exportadores pedem medidas nessa direção. (Estadão - 09/01/2012)
Conselho Empresarial Brasil-Argentina terá 1º encontro
Nas próximas semanas, membros do Conselho Empresarial Brasil-Argentina terão uma reunião técnica para definir a agenda do primeiro encontro oficial entre os conselheiros, que deve ocorrer até fevereiro. A secretaria-executiva, formada pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), e representantes do Itamaraty viajarão ao país vizinho para tratar de "questões logísticas e da pauta do evento", segundo Tatiana Porto, da CNI. O conselho, criado pelas presidentes Dilma Rousseff e Cristina Kirchner em 2011, já estava atrasado e recebeu cobrança para que comece logo a tratar de temas como o contencioso entre os países e a presença chinesa na região. (Folha de SP - 09/01/2012)
Zona do euro pode evitar recessão neste ano, diz FMI
A zona do euro como um todo pode evitar uma recessão neste ano e há razões para ser mais otimista sobre as perspectivas para a região, disse a diretora-gerente do FMI (Fundo Monetário Internacional), Christine Lagarde, segundo o jornal sul-africano "Business Day".
"O cenário da zona do euro mudou muito nos últimos 18 meses. Há razões para ser um pouco mais otimista sobre as perspectivas", disse Lagarde em entrevista publicada nesta segunda-feira após uma visita à África do Sul na semana passada.
Alguns analistas acreditam que a recessão é inevitável na zona do euro, onde vários Estados lutam com dificuldade contra problemas de dívida.
A crise desencadeou uma aversão global a risco, prejudicando mercados emergentes como o sul-africano.
"Nossa avaliação é que mesmo se alguns países da zona do euro estiverem em recessão tecnicamente em parte ou em todo 2012 , a zona como um todo pode não estar tecnicamente em uma recessão", afirmou Lagarde.
"Temos economias muito diferentes navegando em taxas de crescimento diferentes. Isso terá um impacto sobre a zona do euro inteira e pode evitar a recessão para a zona do euro em geral." (Reuters/Folha SP - 09/01/2012)
Ahmadinejad inicia giro por quatro países da América Latina
O presidente iraniano, Mahmud Ahmadinejad, partiu neste domingo de Teerã para iniciar um giro de cinco dias por Venezuela, Nicarágua, Cuba e Equador com o objetivo de fortalecer os vínculos entre Irã e estas nações, provocando a indignação dos Estados Unidos.
"Nossas relações com os países da América Latina são muito boas e se desenvolvem. A cultura dos povos desta região e suas exigências históricas se assemelham às demandas do povo iraniano. Tratam-se de povos que têm um pensamento anticolonialista, é por isso que eles resistem diante do regime da opressão", declarou Ahmadinejad, referindo-se aos Estados Unidos.
"A América Latina era uma região que o regime da opressão considerava como seu pátio traseiro e onde pensava que podia fazer o que queria, mas atualmente os povos destas regiões despertaram e agem de forma independente", acrescentou.
Segundo ele, nos quatro países que visitará serão discutidas questões regionais e internacionais, sobre a "vontade do regime da dominação" americano de intervir em outros países.
Na sexta-feira (6), Washington pediu aos países da América Latina que "não aprofundem seus vínculos" com o presidente iraniano, enquanto aumenta a pressão para convencer o Irã a renunciar ao seu controverso programa nuclear.
"Conforme o regime (iraniano) se sente mais e mais pressionado, busca desesperadamente amigos e viaja freneticamente a lugares interessantes para encontrar novas amizades", declarou a porta-voz do Departamento de Estado, Victoria Nuland, ao ser perguntada sobre a visita de Ahmadinejad à região.
"Estamos deixando absolutamente claro aos países de todo o mundo que não é o momento de aprofundar os vínculos, nem os de segurança, nem os econômicos, com o Irã", afirmou Nuland.
Estes quatro países, hostis aos Estados Unidos, se aproximaram nos últimos anos do Irã, especialmente a Venezuela, cujo presidente Hugo Chávez visitou Teerã em nove oportunidades nos 13 anos em que dirige o país.
O presidente iraniano anunciou que durante seu giro inaugurará vários projetos e assinará novos contratos com cada um dos países que visitará. O governo americano manifestou em diversas ocasiões sua preocupação diante do fortalecimento dos vínculos entre o Irã e os países latino-americanos. (Folha SP - 08/01/2012)
China reage com cautela à nova estratégia militar dos EUA para a Ásia
PEQUIM - A agência official de notícias da China, Xinhua, disse nesta sexta-feira que saúda uma presença maior dos Estados Unidos na Ásia, mas apenas se isso ajudar a promover a paz na região, referindo-se à nova estratégia militar americana anunciada na quinta-feira pelo presidente Barack Obama.
O plano prevê que os militares americanos vão fortalecer sua presença na Ásia e se preparar para possíveis desafios de países como a China, enquanto minimiza futuras campanhas de contra-insurgência como aquelas no Iraque e Afeganistão.
Pequim não divulgou um comentário oficial sobre a nova estratégia militar americana, mas a Xinhua disse que os Estados Unidos são bem vindos a fazer “mais contribuições à paz e estabilidade na região da Ásia-Pacífico”, embora tenha alertado Washington a evitar uma política “belicista”.
“O papel dos Estados Unidos, se for cumprida com uma atitude positiva e livre da mentalidade estilo soma zero da Guerra Fria, não somente será propício para a estabilidade e prosperidade regional, mas também será positivo para a China”, disse a Xinhua. “Contudo, embora aumentem sua presença militar na Ásia-Pacífico, os Estados Unidos devem se abster de exibir sua força”, acrescentou.
“Se os Estados Unidos aplicarem indiscretamente uma política de militarismo na região, será como um touro em uma loja chinesa, e colocará a paz em risco em vez de fortalecer a estabilidade regional”, segundo a agência oficial de notícias da China.
Os Estados Unidos estão cada vez mais concentrando o seu foco sobre a região da Ásia, onde os estrategistas se preocupam com o crescente poder militar da China.
O Exército de Libertação Popular da China é o maior do mundo e é extremamente reservado sobre seus programas de defesa, que recebem um imenso e crescente orçamento militar.
Em novembro, Obama fez um visita de uma semana na região do Pacífico em uma tentativa de fortalecer o papel dos Estados Unidos na região, posicionando a Marinha americana no norte da Austrália e promovendo um acordo comercial trans-pacífico. Logo após esse tour, a China anunciou que conduziria exercícios militares no oceano Pacífico, o que foi visto por alguns analistas como um movimento simbólico direcionado aos Estados Unidos.
Enquanto isso, o Global Times - um jornal diário oficial, nacionalista - acusou os Estados Unidos de estarem tentando conter a China e exortou Pequim a “fortalecer sua capacidade de ataque de longo alcance e colocar mais dissuasão sobre os Estados Unidos”.
“Os Estados Unidos devem compreender que não podem conter a ascensão da China e que ser amigável à China é do seu maior interesse”, disse o Global Times em editorial.
A nova estratégia militar americana prevê ainda uma força militar mais enxuta e também tem como foco evitar que o Irã consiga desenvolver armas nucleares. (Valor Econômico - 06/01/2012)
Secex altera relação de entidades para emissão de Certificados de Origem Preferenciais
Brasília - No dia 23 de janeiro entra em vigor a nova relação de entidades emissoras de certificados de origem preferenciais. A nova lista foi divulgada pela Secretaria de Comércio Exterior (Secex) do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC) no dia 23 de dezembro de 2011, com a publicação da Portaria Secex n° 45. Quando a portaria entrar em vigor, 50 entidades estarão autorizadas a prestar o serviço de emissão de certificados de origem preferenciais no Brasil.
Por meio da Portaria Secex nº 33, de 27/12/2010, tornou-se público que a condição para emissão do certificado de origem é a adequação ao padrão da Associação Latino Americana de Integração (Aladi) que prevê, dentre outras exigências, a padronização informática de todos os campos do certificado de origem e o processamento online de documentos. A ideia é que, futuramente, o certificado de origem seja emitido de maneira eletrônica com assinatura digital. Para aprovar os sistemas, a equipe do Departamento de Negociações Internacionais (Deint) da Secex realizou vários testes nos sistemas informáticos notificados. O MDIC, por meio da Secex, é responsável por acompanhar e zelar pela qualidade na emissão dos certificados de origem emitidos no âmbito dos acordos preferenciais de comércio subscritos pelo Brasil.
Regras de origem
As regras de origem são critérios eleitos por países ou blocos para caracterizar a origem das mercadorias e podem ser classificadas em dois tipos: preferenciais e não preferenciais. Regras de origem preferenciais são aquelas negociadas entre as partes signatárias de acordos preferenciais de comércio com o objetivo principal de assegurar que o tratamento tarifário preferencial se limite aos produtos extraídos, colhidos, produzidos ou fabricados nos países que assinaram os acordos. Nestes casos, se o produto for objeto de preferências pactuadas, para usufruir deste tratamento é necessário obter o Certificado de Origem. Este Certificado é o documento que permite comprovar se os bens cumprem os requisitos de origem exigidos em cada acordo e as condições estabelecidas.
Regras de origem não preferenciais são as leis, os regulamentos e as determinações administrativas de aplicação geral, utilizados para a determinação do país de origem das mercadorias, desde que não relacionados a regimes comerciais contratuais ou autônomos que prevejam a concessão de preferências tarifárias. Esta categoria abrange todas as regras de origem utilizadas em instrumentos não preferenciais de política comercial (como no caso dos direitos antidumping e compensatórios, salvaguardas, exigências de marcação de origem, restrições quantitativas discriminatórias ou quotas tarifárias, estatísticas e compras do setor público, entre outros). Estas normas são estabelecidas pelo país importador. Por isso, o MDIC não é autoridade responsável nem credencia entidades para emissão de certificados de origem não preferenciais. (MDIC - 06/01/2012)
Na Argentina, Brasil rouba mercado dos EUA e da Europa
Enquanto muitos empresários brasileiros reclamam da “invasão” de produtos chineses, os argentinos se queixam também das mercadorias vindas do Brasil.
O jornal portenho “La Nación” noticia que o déficit comercial da Argentina com o Brasil aumentou 42% em 2011, atingindo US$ 5,8 bilhões.
“O déficit comercial com o Brasil chegou para ficar”, disse o consultor Mariano Lamothe ao diário. O gráfico acima, do “Nación”, mostra que a última vez em que a Argentina teve superávit comercial com o Brasil foi em 2003.
“Agora a Argentina importa do Brasil produtos industriais e bens de capital (mercadorias usadas na produção) que antes comprava de outros mercados, como Estados Unidos ou Europa”, disse ao “Nación” o consultor.
Outro item que prejudicou a balança argentina é a energia. No passado, o país vizinho vendia combustíveis em grande quantidade para o Brasil; hoje, ele está deficitário. As barreiras argentinas à exportação de trigo também prejudicaram o comércio exterior do país, segundo o consultor.
A notícia foi sugerida ao Radar Econômico pelo professor de economia Alcides Leite*, que comenta abaixo.
“A Argentina está comprando mais produtos manufaturados do Brasil, sobretudo automóveis, máquinas e equipamentos agrícolas, eletrodomésticos, bens de capital e inclusive alimentos industrializados. No comércio do Brasil com a Argentina, a relação de troca é inversa daquela que acontece no comércio entre Brasil e outros países, sobretudo China, Estados Unidos, Europa e Japão. Para a Argentina exportamos mais produtos manufaturados e importamos mais commodities. Para outros mercados exportamos mais commodities e importamos mais produtos manufaturados.
Como a Argentina vem passando por um processo de desindustrialização ainda maior do que o Brasil, cresce sua necessidade de importação de produtos industrializados. A proximidade do Brasil e o aumento de qualidade de nossos produtos têm favorecido as exportações brasileiras para o país vizinho.”
* Alcides Leite (Radar Econômico - 04/01/2012)
América Latina pode enfrentar recessão se crise europeia piorar, alerta FMI
Diretor do fundo diz que governos da região devem melhorar finanças e afrouxar política monetária
WASHINGTON - As economias da América Latina enfrentarão uma recessão e um aperto no crédito caso a crise de dívida europeia piore, afirmou Nicolas Eyzaguirre, diretor do Departamento para o Hemisfério Ocidental do Fundo Monetário Internacional (FMI). Segundo ele, melhorar as finanças dos governos e afrouxar a política monetária deve ajudar os países latino-americanos a se prepararem para o pior.
"Nós não vemos uma recessão iminente na América Latina caso a crise europeia permaneça contida, mas um crescimento mais fraco claramente está nas cartas", disse Eyzaguirre em um blog do FMI, acrescentando que a confiança dos investidores e os preços das commodities estão diminuindo. Se a crise da Europa explodir e os bancos da zona do euro sofrerem uma falta de financiamento de curto prazo em dólar, a América Latina pode enfrentar sua própria turbulência financeira.
"Menos linhas de crédito externas disponíveis para os bancos podem gerar uma crise de crédito na América Latina", afirmou Eyzaguirre, que já foi ministro de Finanças do Chile. Eyzaguirre defendeu que nos países em que a inflação está sob controle, o afrouxamento da política monetária é uma medida apropriada e alertou que "os sistemas financeiros deverão ficar sob avaliação extra em busca de sinais de estresse, com um olhar particular sobre os problemas de liquidez".
No geral, Eyzaguirre elogiou as nações da América Latina por administrarem suas economias e seus mercados com habilidade desde a crise financeira de 2008, colocando-as em uma posição de força diante dos problemas europeus que atingem a região. O economista do FMI disse ainda que o fundo espera um crescimento global menor, inclusive na China, que é um grande centro de demanda para muitas economias latino-americanas.
Além da crise europeia, a incapacidade do governo dos EUA de "alcançar o correto equilíbrio político fiscal" tanto no curto quanto no longo prazo também está contribuindo para o nervosismo nos mercados financeiros globais, ressaltou Eyzaguirre. As informações são da Dow Jones. (Agência Estado - 04/01/2012)
Os limites da defesa comercial
Quando já acabava 2011, o governo anunciou a sexta decisão, no ano, contra produtos importados com falsa etiqueta Made in Taiwan, fabricados, possivelmente, na China. Os fabricantes de lápis chineses, desde a década de 90, são acusados de dumping, exportação a preços abaixo do normal, e sujeitos a sobretaxas. Para contornar o sobrepreço desses e de outros produtos com dumping, alguns importadores usam falsas declarações de origem para trazer produtos ao Brasil. A medida anunciada há dias consolida uma estratégia que afetará, em 2012, produtos de maior peso no comércio externo.
A decisão tomada em dezembro contra os lápis chineses falsamente importados de Taiwan tem efeito pequeno sobre o volume do comércio exterior, embora seja de forte significado para a política comercial. O governo, ao investigar a denúncia e comprovar que a exportadora estrangeira não fabricava os lápis que supostamente vendera ao Brasil, barrou a licença de importação, no valor de US$ 87 mil, e proibiu a compra de novos produtos da empresa, a Chang Jia, que já era responsável por sete de cada cem lápis importados com origem declarada em Taiwan. O caso é significativo por mostrar, ao mesmo tempo, a importância e os limites das medidas de defesa comercial.
Brasil intensifica ações contra falsa declaração de origem
"Vamos aperfeiçoar o processo, reduzir prazos e reforçar a equipe de analistas de comércio exterior", anuncia o diretor de Negociações Internacionais do Ministério do Desenvolvimento, Daniel Godinho. Ele coordena seis investigações que deverão dar resultados ainda no primeiro semestre, e analisa três pedidos de providências contra outros produtos ("alguns vão ter impacto forte", afirma). "A tendência é crescerem exponencialmente os casos de dumping, e, com eles, os de declaração falsa de origem", prevê o diretor.
Em 2011, foram seis casos concluídos, e em pelo menos um deles, o que barrou importações de imãs de ferrite, usados principalmente em alto-falantes, a medida contra os importados foi fundamental para a sobrevivência das empresas fabricantes no país. Como no caso dos lápis, os valores envolvidos são irrisórios se comparados com o volume total das importações brasileiras, de quase US$ 225 bilhões, mas significativos para as empresas envolvidas.
Dos seis casos investigados em 2011 por falsa declaração de origem, um deles, envolvendo um fabricante de escovas, não rendeu o resultado esperado pelos concorrentes brasileiros. A empresa de Taiwan conseguiu mostrar ser a real fabricante do produto aos investigadores brasileiros, que se instalaram por três dias nas instalações taiwanesas e vasculharam a contabilidade da companhia. Godinho teve o cuidado de procurar as autoridades de Taiwan, nesse e em outros casos, para informar que não havia uma ofensiva do Brasil contra o país, mas a legítima defesa contra uma prática ilegal. A iniciativa permitiu ao governo brasileiro ter a cooperação das autoridades locais na busca de documentos e informações.
Até o ano passado, a investigação de declarações de origem era feita somente em caso de produtos vindos de países com os quais o Brasil tem acordos de redução tarifária, os chamados acordos preferenciais de comércio. Desde 2011, adotou-se a prática de investigar também as fraudulentas declarações de origem em produtos sujeitos a medidas antidumping. O governo tem, inclusive, tomado a iniciativa de investigar alguns produtos, antes mesmo das reclamações de concorrentes brasileiros afetados.
A experiência na exploração desse novo campo da defesa comercial é complementada pela ação da Receita Federal, que, agindo com o Ministério de Desenvolvimento, abre investigações para avaliar se os importadores brasileiros foram iludidos ou agiram de má fé. Esse caso é um bom exemplo da qualidade adquirida pelo Brasil na ação contra importações desleais ou ilegais: as investigações são feitas em cooperação entre diversos órgãos públicos, seguem critérios técnicos, praticamente invulneráveis à contestação por parte dos países afetados pelas barreiras no Brasil levantadas contra os importados, e atendem às preocupações das empresas brasileiras prejudicadas.
Ao contrário do que algumas autoridades brasileiras parecem acreditar, porém, dificilmente ações como essa vão ter impacto significativo no volume total de importações do Brasil, e pouco ou nada poderão fazer contra produtos baratos que vêm ao país beneficiados pela agressividade exportadora de países de grande competitividade.
O Brasil não pode confundir política industrial com defesa comercial, nem prejudicar a qualidade e honestidade do trabalho que vem sendo feito nesse campo para compensar a falta de condições adequadas para os produtores nacionais conquistarem compradores no exterior e defenderem sua posição no cobiçado mercado brasileiro.
As ações contra declarações falsas de origem mostram que o Brasil deve reforçar, como vem fazendo, seus mecanismos contra a competição desleal e ilegal. Esse reforço tem de ser acompanhado, no entanto, por uma política clara e coerente de remoção dos entraves aos investimentos e à produção. (Valor Econômico - 02/01/2012)
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