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DRI Clipping Semanal nº 08 - 01 a 05 de Março - 2010

Acordos Produtos e Mercados OMC Outros

Generosidade brasileira?
Na véspera de sua posse, o novo presidente do Uruguai, José Mujica, afirmou em entrevista coletiva que o Mercosul está falhando porque os latino-americanos não querem entrar de cabeça. Penso que o Brasil está sendo chamado a cumprir um papel absolutamente essencial na melhora da integração. O Brasil é praticamente o líder natural da região e, à medida que assuma isso, seguramente vai contribuir numa proporção muito alta na solução dos problemas que temos agora (Agência Brasil, 28/2).
Não é a primeira vez que o Brasil é chamado a desempenhar o papel de liderança na integração regional. Logo que assumiram seus atuais mandatos, os presidentes Álvaro Uribe e Alan Garcia visitaram o presidente Lula e externaram essa expectativa em relação ao Brasil. A presidente do Chile e mais recentemente o presidente do México também se manifestaram nessa direção.
O que esses países têm em comum? Todos eles, independentemente da coloração política de seus governos, vêm mantendo políticas econômicas voltadas à maior inserção internacional de suas economias e não parecem temer a liderança do Brasil no que se refere à busca de maior integração econômica regional.
O mesmo clamor não é ouvido de outros governantes sul-americanos, como Cristina Kirchner, Hugo Chávez ou Evo Morales, que proclamam forte alinhamento com o governo brasileiro, mas não parecem dispostos a aceitar o maior protagonismo do Brasil. Além disso, esses países, que optaram por políticas econômicas intervencionistas e nacionalistas e estão atualmente às voltas com crescentes dificuldades econômicas, vêm obstruindo as iniciativas de aprofundamento dos acordos comerciais e da integração econômica na região.
Na mesma entrevista coletiva, o novo vice-presidente uruguaio, Danilo Astori, afirma que para ser líder, tem que ser reconhecido como líder. E a verdade é que nós reconhecemos uma liderança praticamente natural do Brasil na região. Mas, para ser líder, tem que exercer a liderança. E, para exercer a liderança, tem que ter generosidade....
Como o Brasil tem respondido a essas demandas? A declaração do presidente Lula após a posse de Mujica é bastante ilustrativa da atitude brasileira: Eu compactuo com o companheiro Mujica. Um país do tamanho do Brasil, do tamanho da Argentina, os países maiores têm de ter mais generosidade com os países menores (Folha de S.Paulo, 2/3).
De fato, o governo brasileiro já vem adotando uma postura de generosidade (também chamada de paciência estratégica) para com os países da região. Essa generosidade se reflete na aceitação de medidas que representam o descumprimento de compromissos assumidos em acordos comerciais ou tratados internacionais e da omissão de temas comerciais na agenda da Unasul, entre outros exemplos.
É essa a melhor contribuição que o Brasil pode dar ao processo de integração regional? É difícil imaginar que processos de integração e cooperação regional possam avançar deixando de lado os objetivos de liberalização comercial e de adensamento dos fluxos de investimentos entre os países da região. A experiência europeia - frequentemente citada pelos que defendem a ampliação da agenda temática para além dos temas econômicos e a generosidade brasileira na região - é ilustrativa: a contrapartida da generosidade refletida nos fundos estruturais é a rigorosa exigência de cumprimento das regras de integração comercial e de investimentos.
O Brasil tem alguns ativos importantes a oferecer à integração regional. O primeiro é o tamanho de seu mercado interno. Os exportadores sul-americanos apontam as barreiras não-tarifárias adotadas pelo País como o principal entrave para ampliar suas exportações ao mercado brasileiro. A generosidade do Brasil deveria estar refletida na adoção de medidas unilaterais de facilitação de comércio, eliminando obstáculos domésticos que de fato impactam negativamente o comércio com vizinhos.
O segundo ativo é a exportação de estabilidade econômica e institucional. Melhor do que ser complacente com medidas que violam os acordos comerciais ou políticas econômicas que ferem a previsibilidade de regras e afetam os interesses de empresas brasileiras que investem na região seria defender o cumprimento dos acordos e contratos. Estabilidade institucional e previsibilidade de regras são fontes importantes de crescimento econômico - basta ver o desempenho relativo das economias da região. (O Estado de S. Paulo – 04/03/10)

Brasil e Bélgica tentam ampliar comércio bilateral
O comércio entre Brasil e Bélgica cresceu de forma contínua entre 2003 e 2008. No ano passado, as transações entre os dois países caíram quase 30% influenciadas pela crise global. Mas existe uma perspectiva otimista uma vez que as trocas comerciais bilaterais têm grande potencial de crescimento. Em 2009, a corrente de comércio Brasil-Bélgica somou US$ 4,29 bilhões, 28,3% abaixo dos US$ 6 bilhões de 2008, segundo o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC).
O Brasil exporta para a Bélgica sobretudo commodities, produtos minerais e metais, entre os quais fumo, café, suco de laranja, caulim e alumínio. A Bélgica exporta para o mercado brasileiro produtos químicos e vegetais, vacinas, plásticos, material de transporte, metais, máquinas e malte, entre outros produtos. Em 2009, o Brasil exportou US$ 3,1 bilhões para a Bélgica, com queda de 29,4% sobre a exportação de 2008, e importou US$ 1,15 bilhão, com redução de 29,79% sobre o ano anterior. O saldo comercial foi de US$ 1,98 bilhão.
O embaixador da Bélgica no Brasil, Caude Misson, tem dados segundo os quais o Brasil é apenas o 27º no ranking dos principais clientes da Bélgica (atrás dos Emirados Árabes Unidos). O Brasil, por sua vez, aparece como 15º colocado na lista dos maiores fornecedores para o mercado belga (após Luxemburgo). Isso não reflete o potencial das trocas entre nossos dois países, diz Misson. Segundo ele, o Brasil representa menos que 1% do total das exportações belgas. É pouco considerando-se que a Bélgica é o 8º exportador e 9º importador do mundo, de acordo com dados da Organização Mundial do Comércio (OMC) de 2008. As exportações brasileiras para a Bélgica representam, por sua vez, apenas 2% das vendas externas totais do país, segundo dados de 2009.
Misson diz que a forma de aumentar o comércio bilateral é multiplicar as oportunidades de encontros entre empresas, promover mais missões econômicas e comerciais e aumentar as participações em feiras. Não há segredos. A Bélgica tem tradicionalmente déficit na relação comercial com o Brasil, mas essa não é uma preocupação para o embaixador desde que os valores das exportações e importações aumentem paralelamente, diz.
Há iniciativas concretas para aumentar o comércio entre os dois países. Entre 6 e 8 de abril, a Bélgica estará presente na Intermodal, maior evento da América Latina no setor de logística e transporte. Flandres, região norte da Bélgica, terá um estande com a presença dos principais portos do país - Antuérpia, Ghent e Zeebruge. Também estarão presentes empresas de logística e dragagem, como Katoen Natie, Euroports Terminals - Westerlund/Manuport, Jan de Nul e Deme, entre outras.
Em maio, uma missão econômica e comercial belga, presidida pelo príncipe herdeiro Philippe, estará no Brasil para tentar ampliar e diversificar os laços comerciais entre os dois países. A missão deverá visitar São Paulo, Rio e Belo Horizonte. O príncipe Philippe terá encontro, em Brasília, com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. É possível que na missão se discuta algum acordo de cooperação no setor portuário. O dinamismo e a diversificação da economia brasileira representa um atrativo para as empresas belgas, diz Misson.
Antes da missão do príncipe ao Brasil, a Agência Brasileira de Promoção de exportações e Investimentos (Apex-Brasil) deve inaugurar, até o fim deste mês, em parceria com a Confederação Nacional da Indústria (CNI), um escritório em Bruxelas, capital da Bélgica e cidade sede da União Europeia (UE). Um dos principais objetivos do escritório, segundo a Apex, será fazer um lobby técnico para evitar que as exportações brasileiras enfrentem problemas no mercado europeu. (Valor Econômico – 04/03/10)

Acordo comercial Peru-China gera atrito com Brasil
O tratado de livre comércio entre Peru e China, que entrou em vigor na segunda-feira, deverá pôr em desvantagem alguns produtos brasileiros exportados para o país andino e levar o Brasil a cobrar compensações tarifárias do governo peruano.
O Peru já tem sido pressionado pelo governo brasileiro a abrir negociações sobre esse tipo de compensação por conta de um TLC com os EUA, que começou a valer no ano passado. O governo do presidente Alan García, no entanto, tem se esquivado das discussões.
No caso do acordo com a China, eletrodomésticos, carros e máquinas feitas no Brasil são alguns dos itens que concorrerão com similares chineses que entrarão no mercado peruano com tarifa zero.
Em 2008, as exportações brasileiras para o Peru foram de US$ 2,29 bilhões. Em 2009, com a crise, ficaram em US$ 1,48 bilhão.
Esse é o segundo TLC da China com um país da América Latina. O primeiro foi com o Chile.
Segundo Antonio Castillo, conselheiro econômico comercial do Peru no Brasil e ex-vice-ministro da Indústria, o acordo com a China não valerá para os setores de confecções, calçados e metal-mecânica, de forma a proteger indústrias locais. A nossa expectativa é de um aumento no intercâmbio comercial com a China para US$ 15 bilhões em cinco ou sete anos, disse ontem Castillo, que participou das negociações com Pequim. Em 2009, esse intercâmbio foi de US$ 7 bilhões. No mesmo ano, o fluxo comercial do Peru com o Brasil foi de US$ 1,97 bilhão. O comércio deve ganhar novo impulso a partir do fim deste ano, com a conclusão prevista da rodovia interoceânica.
O Peru exporta para a China principalmente minérios (cobre, prata, ferro, zinco entre outros) e farinha de peixe, e importa principalmente confecções, calçados, máquinas e auto-peças.
Além de facilitar o comércio bilateral, o novo tratado poderá ajudar García a vender seu país como um base de exportação para indústrias estrangeiras que desejam entrar no mercado chinês com mais facilidade. É essa imagem que até agora vinha tentando projetar, especialmente junto a empresários latino-americanos que querem acessar o mercado americano.
Mas, para o Itamaraty, a abertura tarifária do vizinho Peru a países de fora da região é algo ainda mal resolvido. A razão é que Lima deve se sentar para discutir tarifas com países do Mercosul sempre que fechar um acordo de livre comércio com países que não integrem a Associação Latino-americana de Integração (Aladi).
Era isso que deveria ter ocorrido após o TLC Peru-EUA. Mas, segundo o secretário César Bonamigo, do setor comercial da Embaixada do Brasil em Lima, o Peru tem evita marcar uma reunião para discutir compensações. O texto do acordo de complementação econômico número 58 (ACE 58), que trata da obrigação de negociações desse tipo, não prevê punições caso o país alvo de queixa adie indefinidamente as negociações. Ainda assim, segundo Bonamigo, o novo acordo do Peru com a China dá margem ao Brasil e ao Mercosul para pedir novas compensações.
O mesmo ACE 58 prevê uma redução escalonada das tarifas no Peru e no Mercosul. Mas o TLC com a China deverá derrubar as tarifas entre os dois num ritmo mais veloz. Um funcionário do governo peruano, que pediu à reportagem para não ser identificado, disse que Lima espera que o Brasil pressione o Peru por causa do TLC com a China assim como tem feito em relação ao acordo com os EUA. (Valor Econômico – 03/03/10)

Mercosul precisa de revitalização
Maioria das pessoas tem a impressão de que não está cumprindo seus objetivos.
Montevidéu. O Mercosul é um instrumento importante para a região, mas precisa ser revitalizado. O diagnóstico é do diplomata uruguaio Alberto Guani, que foi cônsul do país no Rio de Janeiro nos últimos cinco anos e agora retornou ao país para assumir novo posto no governo de José Mujica. O novo presidente toma posse nesta segunda-feira em cerimônia marcada para o início da tarde.
"O Mercosul é uma coisa boa para o nosso país, mas a maioria das pessoas tem a impressão de que não está cumprindo seus objetivos. O maior problema é a assimetria, a falta de igualdade entre os países", afirma o diplomata, que antes de trabalhar no Brasil passou pela Alemanha e pela Organização das Nações Unidas (ONU).
Guani avalia que o Uruguai atravessa um momento único em sua história, com a sucessão de um presidente de esquerda, Tabaré Vázquez, por outro de mesma tendência política, o que jamais aconteceu antes. Para ele, o novo governo dará continuidade às políticas sociais do anterior, mas deverá focar mais nos investimentos de ciência, tecnologia e educação, resgatando a economia do campo, que já foi um dos orgulhos nacionais.
"O Uruguai deve ser um país agrointeligente. Temos que investir em nossa fonte primária, da agricultura e pecuária, aplicando conhecimento e melhoramento genético na produção", propõe.
Mas é nas salas de aula que o diplomata vê o futuro do país, por meio do investimento maciço em educação, setor que, segundo ele, recebeu mais de US$ 1 bilhão no último ano do governo de Tabaré. "Todas as escolas públicas entregaram um laptop para cada aluno, para eliminar a divisão digital entre os que tinham dinheiro para comprar um computador e os que não tinham. Agora queremos avançar ainda mais, oferecendo um pacote digital a todas as famílias, que inclui televisão a cabo, internet de banda larga e telefonia fixa", anuncia.
Outra vertente do desenvolvimento uruguaio, segundo Guani, deve ser a logística, transformando o país em um grande entreposto para economias do interior do continente sem saída para o mar, como a Bolívia e o Paraguai. "Somos um país de esquina, com vista para o mar", compara ele, que antecipa um dos projetos do governo Mujica: construir um grande porto de águas profundas no norte do país, que receberia mercadorias procedentes do interior do continente, por meio do Rio da Prata. (América Econômica – 02/03/10)

Lula visita Israel e quer ampliar comércio entre os países
O governo quer aproveitar a visita do presidente Luiz Inácio Lula da Silva a Israel, neste mês, para aumentar os laços de comércio e firmar acordos de cooperação em inovação com aquele país, informou o secretário de Comércio Exterior, Welber Barral, que chega hoje a Tel Aviv para uma rodada de encontros com autoridades israelenses.
Barral acredita que o Brasil poderá beneficiar-se dos fundos destinados por Israel para investimentos em pesquisa e desenvolvimento industrial, que somam US$ 500 milhões anuais. Entre as áreas onde o secretário vê grande potencial de associação entre empresas brasileiras e israelenses estão o setor farmacêutico, equipamentos médicos e de software.
O comércio entre os dois países é ainda pequeno; as exportações brasileiras a Israel caíram de pouco menos de US$ 400 milhões em 2008 para US$ 270,5 milhões no ano passado, na maior parte carne e derivados e commodities, como soja, café e açúcar. O Brasil importa mais: US$ 1,2 bilhão em 2008 e US$ 651 milhões no ano passado, quase metade em fertilizantes, e também produtos médicos, inseticidas e manufaturados.
Segundo o secretário, a grande abertura do mercado de Israel, com quase 70% das importações isentas de tarifas, torna o país um destino atraente para as empresas brasileiras. A maior barreira é a da informação, afirma. Para Barral, uma prioridade nos contatos comerciais com os israelenses é o estímulo às associações de investimentos e à troca de experiências em inovação. Em Israel há cerca de 300 fundos de capital de risco e 27 parques tecnológicos, com empresas de alta tecnologia como a Intel, que desenvolveu lá alguns de seus principais produtos.
O governo brasileiro tem procurado laços comerciais com Israel para reafirmar a neutralidade do país em relação aos conflitos no Oriente Médio, ainda que as declarações das autoridades brasileiras sejam favoráveis às demandas da Autoridade Palestina em relação ao governo israelense e seja unânime no Planalto a condenação à expansão dos assentamentos israelenses nos territórios palestinos.
Para evitar atritos com os países árabes, as iniciativas em direção a Israel tem sido acompanhadas de ações semelhantes em relação aos paises vizinhos, como na reunião que o presidente Lula fará a Tel Aviv na segunda quinzena de março, que será seguida por uma visita aos territórios palestinos e à Jordânia, com quem o Mercosul também negociou acordo de livre comércio. (Valor Econômico – 02/03/10)

Mujica cobra mais equilíbrio do Mercosul
Ao tomar posse ontem como presidente uruguaio, o ex-guerrilheiro José Mujica, 75, convocou a oposição a abraçar temas de interesse nacional, como educação e produção de energia, e, diante do colega brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva, cobrou reciprocidade aos sócios maiores do Mercosul.
Na fala de posse, no Congresso, em Montevidéu, Mujica defendeu o bloco sul-americano, mas fez ressalvas, o que provocou aplausos de parlamentares e de chefes de Estados.
Mercosul, ai Mercosul. Quanto amor e quanto aborrecimento nos envolvem, disse. O Mercosul, para nós, é até que a morte nos separe e esperamos uma atitude recíproca dos nossos grandes parceiros, completou, sem citar nominalmente Brasil e Argentina.
Mais tarde, antes de deixar o país, Lula disse concordar com a cobrança do uruguaio: Eu compactuo com o companheiro Mujica. Um país do tamanho do Brasil, do tamanho da Argentina, os países maiores têm de ter mais generosidade com os países menores, disse.
Além de reivindicar medidas para equilibrar as relações econômicas dentro do bloco, o Uruguai mantém contencioso com a Argentina, que se opõe à instalação de uma fábrica de papel em solo uruguaio, na fronteira entre os países.
Ex-guerrilheiro eleito por uma coalizão de esquerda (Frente Ampla), Mujica fez ontem uma fala pragmática. Apesar de possuir maioria parlamentar, disse que temas de importância nacional devem ser discutidos, definidos e assumidos por governo e oposição.
Durante sua campanha, Mujica citou diversas vezes o presidente Lula como um exemplo. Na ocasião, chegou a falar justamente num pacto multipartidário. Ontem ele apontou educação, produção de energia, ambiente e segurança como temas a serem discutidos em conjunto com os opositores.
Para priorizar a educação, por exemplo, disse que outros investimentos no país terão de ser cancelados ou adiados. Nenhum partido vai querer ser o único responsável por todo o desgaste que isso adiamento de projetos pode trazer.
Preso durante 14 anos, Mujica pediu o comprometimento da oposição também no dilema entre produção e preservação ambiental. O sistema político terá de ser honesto e corajoso, porque, para cuidar do meio ambiente, terão de renunciar a alguma produção. Ou, da mesma forma, para sustentar a produção, irá reduzir o desejo de uma natureza intocada, disse.
Numa referência ao agora ex-presidente Tabaré Vázquez, parceiro de campanha eleitoral e membro da mesma coalizão, disse ter descoberto que governar é muito mais difícil do que pensávamos.
Além de Lula, entre outros, participaram dos eventos de posse Hugo Chávez (Venezuela), Cristina Kirchner (Argentina), Evo Morales (Bolívia) e a secretária de Estado dos Estados Unidos, Hillary Clinton.
Mujica começou a jornada de posse com um desfile em carro aberto e recebeu o juramento da mulher, a senadora Lucía Topolansky, a mais bem votada nas eleições de 2009. (Folha de S. Paulo – 02/03/10)

UE conclui negociação de livre comércio com Colômbia e Peru
A União Europeia (UE) concluiu ontem com o Peru e Colômbia as negociações de um acordo de livre comércio. Para os exportadores brasileiros, isso pode resultar em desvantagem e maior competição nesses mercados.
O acordo prevê o fim das tarifas de importação, com liberalização de 80% do comércio de produtos industriais com o Peru e de 65% com a Colômbia, abrindo oportunidades de centenas de milhões de dólares de novos negócios.
Para a Europa, o interesse é sobretudo exportar carros, máquinas, serviços (bancos, telecomunicações), vinhos e produtos lácteos. Para os dois países andinos, a expectativa é reforçar suas exportações de açúcar, rum, banana e outros produtos agrícolas, como carnes de frango e bovina.
As tarifas de importação nos 27 países do bloco europeu já são baixas. Mas o acordo permitirá a entrada de produtos de Peru e Colômbia com taxa menor ou sem taxa. Já produtos brasileiros similares continuarão sujeitos à taxa normal, se não houver rapidamente um acordo Mercosul-UE.
Segundo negociadores, a Colômbia conseguiu incluir a salvaguarda agrícola da Organização Mundial do Comércio (OMC), para frear alta súbita de importações procedentes da Europa, normalmente beneficiadas por subsídios.
Por sua vez, a imprensa peruana diz que Bruxelas aceitou as 200 milhas marítimas peruanas para estabelecer as regras de origem de produtos pesqueiros. O Peru diz ter conseguido também ampliar cota para exportações de banana a 75 mil toneladas, passando a ter vantagem em relação ao Equador, que abandonou a negociação. Além disso, o Peru teria conseguido cota de 32 mil toneladas de açúcar (e produtos de alto teor em açúcar) e cota de 30 mil toneladas de arroz, também com tarifa zero.
Entusiasmado também com a entrada em vigor de acordo comercial com a China, o presidente peruano, Alan García, falou de dia histórico, com o campo aberto para o Peru fazer gols, que poderão representar criação de centenas de empregos.
A UE é o segundo parceiro comercial da região andina, atrás dos EUA, com comércio total de US$ 24,3 bilhões em 2008. Produtos agrícolas perfazem 47% das compras europeias nos dois países.
Para a UE, o ambicioso acordo inaugura uma nova abordagem nas relações comerciais de investimentos com os dois países andinos. Bruxelas impôs uma cláusula que prevê a suspensão do acordo se não forem cumpridos compromissos de respeito aos direitos humanos e de desenvolvimento sustentável da economia, baseado na proteção e na promoção de direitos ambientais e trabalhistas.
Negociar é uma coisa, aprovar e colocar em vigor é outra. A expectativa das autoridades é de implementar o acordo por volta de 2012. O Parlamento Europeu, agora com mais poderes, pode querer rever aspectos da negociação. Por exemplo, apesar de cláusulas sindical e trabalhista, ainda há oposição à assinatura do acordo, já que a Colômbia é apontada como um dos países com maior número de sindicalistas assassinados no mundo.
Dois outros países andinos abandonaram a negociação. O Equador, por causa da disputa da banana, na qual acusa a UE de não respeitar decisões da OMC para abrir seu mercado. A Bolívia alegou desacordos ideológicos.
Até agora, a UE tinha acordos comerciais na região apenas com México e Chile. Negocia também com países da América Central, na expectativa de concluir o entendimento na cúpula UE-América Latina em maio, em Madri.
Será também onde a UE e o Mercosul esperam relançar a negociação de um entendimento comercial bem mais amplo e de maior interesse para as empresas dos dois lados.(Valor Econômico – 02/03/10)

O Uruguai precisa que o Mercosul funcione bem
O economista Fernando Lorenzo, escolhido como ministro da Economia do Uruguai, diz que não questionará a estratégia de longo prazo e sim a maneira como as coisas estão sendo feitas no Mercosul. Ele explicou os motivos pelos quais nos últimos anos seu país — que terá a partir de hoje um novo presidente, José Mojica — manifestou uma crescente insatisfação em relação ao bloco. Para Lorenzo, a liderança do Brasil deve estar a serviço do Mercosul.
O GLOBO: O que pensa o novo governo sobre o Mercosul? FERNANDO LORENZO: Não imaginamos não ser parte do Mercosul. Nesta região estão nossos principais sócios comerciais.
Nossa indústria turística tem como destino Brasil e Argentina. Em vários negócios industriais, agropecuários, de serviços, ambos países são nossos principais mercados.
Mas cerca de 75% de nossas exportações de bens têm como destino países de fora do Mercosul. Temos como desafio conseguir melhorar nosso acesso a outros mercados regionais. Por isso, precisamos que as negociações na Organização Mundial de Comércio avancem e também com outros blocos.
O acordo com a União Europeia (UE) é muito importante para o Uruguai...
LORENZO: Claro, temos grandes expectativas nesse sentido.
Trabalhamos intensamente nos últimos meses para retomar e encerrar as negociações com a UE. O Uruguai precisa que o Mercosul funcione bem e não está funcionando bem.
Questionamos as assimetrias criadas pelas políticas econômicas que estão sendo adotadas pelos países do bloco, sobretudo os sócios maiores.
O senhor se refere a barreiras protecionistas? LORENZO: São sucessivas barreiras: à bilateralidade (entre Brasil e Argentina) no processo de resolução de problemas, as não tarifárias, a falta de uma solução para o problema da dupla cobrança da Tarifa Externa Comum (TEC), as políticas de incentivos nacionais no Brasil e na Argentina que não favorecem o mercado ampliado do Mercosul. O Uruguai tem uma economia aberta e um terço de nossas exportações são de serviços turísticos, software, serviços profissionais, somos uma plataforma de prestação de serviços para o exterior. Temos uma economia internacionalizada e pequena, por isso precisamos ter em nosso horizonte mercados mais amplos.
Por que Brasil e Argentina não estão atendendo as demandas dos sócios menores? LORENZO: Estamos num momento no qual existem divergências entre os países do bloco em relação às estratégias de desenvolvimento. O Mercosul é um clube e todos temos de estar de acordo para que esse clube funcione e avance. Nós precisamos que o Brasil exerça sua liderança na região. Uma liderança que inclua os interesses das economias pequenas e que ajude a região. A economia brasileira é dinâmica, diversificada e importante para o mundo.
Nós, como país pequeno, valorizamos e reconhecemos esse fato. Mas isso deve estar a serviço do Mercosul. (O Globo – 01/03/10)

'Impostaço' argentino leva fabricantes de celulares para a Terra do Fogo
Três grandes fabricantes: LG, Samsung e Motorola já estão iniciando a produção de celulares na Argentina ou, pelo menos, anunciando a intenção, depois que, em dezembro, o governo local aprovou uma legislação que sobretaxava as exportações brasileiras de equipamentos eletrônicos e eleva os preços comercializados em 35%, no mercado vizinho.
A inércia do governo brasileiro - sequer questionou no âmbito do Mercosul se a medida argentina é ou não uma barreira comercial - pode ter pesado na decisão desses fabricantes.
O "impostaço" criado pelo governo argentino contra os produtos eletrônicos brasileiros (computadores, monitores, celulares, televisores LCD, câmeras e filmadoras, GPS, geladeiras e apararelhos de ar condicionado), visa estimular a atração de fabricantes para o Pólo Industrial da Terra do Fogo, uma espécie de "Zona Franca" criada na Argentina, nos mesmos moldes de Manaus (AM).
O jornal argentino "Clarín" no dia 8 de fevereiro chegou a informar que a LG anunciou o início de sua produção para este mês de março. Segundo aquele veículo, a LG já estimava uma meta anual de produção de até 750 mil unidades. "Representa 50% do volume que a companhia comercializa no país", destacou o jornal Clarín. Já a Samsung teria iniciado, ou pelo menos anunciado o início da produção na Terra do Fogo em janeiro deste ano.
Segundo o executivo da LG Argentina, Diego Pacheco, a imposição do novo imposto acabou por tornar mais "competitiva" a fabricação dos celulares localmente. Também é citada na mesma reportagem a RIM (fabricante de BlackBerry), como empresa que estaria disposta a começar a integrar na Terra do Fogo os seus smartphones.
O jornal argentino também afirma que "fontes informaram" que outras marcas famosas, como a Nokia, estariam negociando sua instalação na Terra do Fogo. O portal Convergência Digital apurou junto à técnicos da Suframa, que a Nokia realmente estaria seguindo essa tendência das demais fabricantes, depois da sobretaxa imposta pelo governo argentino, que elevou em 35% os preços desses produtos comercializados naquele país.
A Suframa teria, como órgão vinculado ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, manifestado sua preocupação em relação ao impacto dessas medidas no Pólo Industrial de Manaus, na época em que o Governo Cristina Kirchner encaminhou ao Congresso da Argentina um projeto de Lei criando as barreiras contras os eletrônicos brasileiros. Nada aconteceu depois disso.
Procurado pelo portal Convergência Digital para avaliar a situação, o presidente da Abinee, Humberto Barbato, se mostrou desanimado com a situação, mas não poupou críticas ao governo. Segundo ele, o governo brasileiro tem atuado no campo comercial fazendo vistas grossas para uma série de barreiras criadas pelos países vizinhos e membros do Mercosul. Na expectativa de que essa omissão resulte em apoios que consolidem o Brasil como liderança regional e obtenha votos para projetos como, ter um assento no Conselho de Segurança da ONU.
"Agora gostaria que o governo me respondesse, sobre o que devo fazer com relação aos trabalhadores brasileiros, contratados por esses fabricantes para produzir celulares visando às exportações para a Argentina. Devo demitir todo mundo?".
Histórico
O Congresso da Argentina aprovou no dia 04 de novembro do ano passado projeto do Executivo que criou um "impostaço" para produtos eletrônicos importados por aquele país. Com isso, os preços de computadores, monitores, celulares, televisores LCD, câmeras e filmadoras, GPS, geladeiras e apararelhos de ar condicionado produzidos no Brasil, ao entrar no mercado argentino sofreram uma elevação de preços de até 35%.
No texto da nova Lei os argentinos duplicaram o Imposto de Valor Agregado que era de 10,5% e passou para 21%. Isso imediatamente elevou em 50% os preços dos eletrônicos importados comercializados naquele país. Ao mesmo tempo, o governo argentino reduziu em 26% as alíquotas do mesmo imposto para os produtos fabricados na Zona Franca da Terra do Fogo.
O governo brasileiro em nenhum momento se manifestou contra a medida, ou adotou algum tipo de retaliação comercial contra o vizinho, no âmbito do Mercosul. (Convergência Digital – 01/03/10)

Brasil discute com Israel cooperação tecnológica
O governo brasileiro vai negociar um acordo de cooperação tecnológica com Israel. O secretário de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Welber Barral, desembarca em Tel-Aviv nesta segunda-feira para tratar do assunto. O objetivo é identificar projetos de inovação que podem ser desenvolvidos em conjunto pelas empresas dos dois países, com financiamento dos governos. Israel dispõe de um fundo de US$ 500 milhões para apoiar os projetos de suas empresas. Do lado do Brasil, os recursos seriam fornecidos pelo BNDES. Os setores que podem ser beneficiados são TI, agricultura e farmacêutico.
Brasil discute 2
Barral também vai aproveitar a viagem para discutir com as autoridades israelenses maneiras de incrementar o intercâmbio comercial. Desde dezembro de 2007, o Mercosul possui um acordo de livre comércio com Israel - o primeiro do bloco fora da América Latina. No entanto, apesar do acordo, os negócios não deslancharam. No ano passado, a corrente de comércio entre brasileiros e israelenses foi de apenas US$ 921 milhões. Até mesmo as cotas estabelecidas para as vendas de produtos agrícolas brasileiros não estão sendo preenchidas. Falta aproximar as empresas dos dois lados, diz Barral. (O Estado de S. Paulo – 01/03/10)


Acordos Produtos e Mercados OMC Outros

CEITEC se propõe a ser fornecedor de chip RFID para Plano Nacional de Identificação
O CEITEC, estatal de semicondutores, se propôs, em reunião governamental, ser o fornecedor de tecnologia oficial do governo para rastrear medicamentos, hemoderivados, mercadorias em geral, encomendas, produtos agrícolas, veículos e até armas produzidas para a polícia.
Ou ainda, utilizar circuitos integrados (chips) em sistema para documentos oficiais, em especial, carteira identidade, cartão do Sistema Único de Saúde (SUS) e passaporte.
Empresa quer ainda montar um plano nacional e integrado, de Identificação por Rádio Freqüência, para facilitar a troca de informações entre órgãos públicos e até dinamizar o trabalho de fiscalização e de combate a crimes; como falsificação de produtos, roubo e clonagem.
As propostas foram apresentadas em reunião, nesta quarta-feira, 03/03, no Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT), com a participação de representantes de ministérios e de instituições governamentais que têm projetos ou tenham interesse em adotar tecnologias na área de atuação.
Foram discutidos os possíveis mecanismos e programas, sob a responsabilidade do governo Federal, que possam utilizar a capacidade de produção no Centro de Excelência em Tecnologia Eletrônica Avançada (Ceitec/MCT), empresa estatal considerada referência em pesquisa e em produção de circuitos integrados.
O encontro foi conduzido pelos secretários Executivo do MCT, Luis Antônio Elias, e de Políticas de Informática (Sepin), Augusto Gadelha. Contou ainda com a presença do ministro das Cidades, Márcio Fortes, e do assessor especial da Casa Civil, André Barbosa Filho, além do presidente da Ceitec, Eduard Weichselbaumer.
Questionado sobre a capacidade da Ceitec de atender a demanda, o executivo afirmou que a empresa tem condições de reduzir custos com a tecnologia nacional e pode, inclusive, estabelecer parcerias.
"Podemos utilizar fábricas de terceiros, capacidade não é problema. É preciso ter projetos bem definidos e específicos para ampliar a participação no mercado", esclareceu destacando ainda o potencial competitivo e a especialização técnica do Centro.
"Contamos com uma equipe de padrão internacional com experiência de mais de 15 anos na área de semicondutores", ressaltou. Propostas acordadas na reunião serão levadas pelo ministro da Ciência e Tecnologia, Sérgio Rezende, ao presidente Lula.
Instalado em Porto Alegre (RS), o CEITEC tem um Design Center que reúne os melhores profissionais de desenvolvimento de chips digitais e analógicos. A fábrica, inaugurada em 2 de fevereiro último, é a única na América Latina, o que faz do Ceitec pioneiro na região.
A empresa está focada em três segmentos de mercado: RFID, Wireless Communication e Digital Multimedia. Já desenvolveu chips para rastreabilidade animal, o chip do boi, para modulação de TV digital e para automação industrial. (Convergência Digital – 04/03/10)

Desbloqueio: Pressão da Abinee provoca 'saia-justa' na Anatel
O adiamento da votação sobre o desbloqueio do celular - que está na pauta desde o início de dezembro - teve o dedo da indústria de celulares. No seu voto, apresentado na reunião do Conselho Diretor, realizada nesta quinta-feira, 04/03, a relatora do tema, Emília Ribeiro, não escondeu o seu desagravo com os posicionamentos do presidente da Agência, Ronaldo Sardenberg, e do conselheiro, Jarbas Valente.
Na visão da conselheira, Sardenberg e Valente acataram o posicionamento da Abinee, entidade, contrária à adoção da medida, encaminhado por meio de carta ao órgão regulador. Emília Ribeiro reclama ainda do fato de, apesar de ser relatora do processo, não ter tido conhecimento prévio do documento da entidade do setor eletroeletrônico.
O descontentamento de Emília Ribeiro é evidente no teor do seu voto. Ela reclama da posição tomada pelo conselheiro Jarbas Valente. Ele teria ficado convencido de que a proposta dela poderia não alcançar o objetivo final da agência. A conselheira reage e se defende:
"O documento ( carta enviada pela Abinee) assevera que, caso aprovada a redação por mim sugerida, a indústria de celulares deverá se adaptar para a produção de novos celulares em conformidade com o entendimento da Súmula em discussão. Mais adiante, ressalta a necessidade de envolvimento de equipes de desenvolvimento de software para promover as alterações no software dos aparelhos celulares que já se encontram em produção atualmente e, da mesma forma, a necessidade de validação das novas versões de software junto às operadoras e de desenvolvimento e adaptação do processo produtivo a fim de eliminar a funcionalidade de bloqueio e respectivos testes [sem grifos no original]."
Emilia Ribeiro prossegue afirmando que propõe apenas corrigir o entendimento errado que o mercado tem sobre a regulamentação do desbloqueio.
"Em momento algum, a proposta que submeti ao Conselho Diretor implica eliminar a funcionalidade do bloqueio ou muito menos a proibição da venda de celulares bloqueados conforme sustenta a já citada entidade. Atenta à controvérsia posta nos autos, ative-me a propor que: a) o bloqueio da estação móvel não fosse imposto como contrapartida à obtenção de benefícios; e b) o desbloqueio, realizado a qualquer momento, não ensejasse a cobrança de qualquer valor, independentemente de sua natureza. Portanto, a proposta resultante da Análise nº 666/2009-GCER, de 11/12/2009, tratou, como se observa, exclusivamente da gratuidade do desbloqueio e de sua desvinculação a benefícios contratuais. Consequentemente, ao conhecer a manifestação da Abinee, fiquei convencida tão somente de que a entidade deixou de esclarecer em que medida a gratuidade do desbloqueio ou sua desvinculação a benefícios contratuais afeta de forma tão profunda os processos produtivos da indústria de celulares".
Emília Ribeiro encerra seu relatório sobre a reunião divergindo da proposta colocada em discussão para o desbloqueio - a considera menos produtiva para os consumidores - e solicita a mudança de posição do presidente da Anatel, Ronaldo Sardenberg, e do conselheiro, Jarbas Valente.(Convergência Digital – 04/03/10)

Fabricantes de chips para iluminação aproveitam boom de TVs LCD
BANGALORE - O crescente mercado de televisores e monitores LCD deve ajudar algumas pequenas e médias empresas que produzem os chips usados na iluminação dos fundos dos aparelhos.
Televisores LCD precisam de "backlight", ou iluminação por trás, que é feita ou através de LEDs, para o qual é necessário o uso de chips, ou pelas tradicionais lâmpadas fluorescentes de catodo frio (CCFL, na sigla em inglês).
Fabricantes de TVs LCD estão, cada vez mais, escolhendo a primeira, uma vez que os aparelhos ficam com tela mais fina, gastam menos energia e produzem imagens melhores que as iluminadas com CCFLs.
Como resultado, fabricantes de produtos semicondutores de nicho que fabricam chips de LED como Supertex, Monolithic Power e Microsemi devem se beneficiar do crescimento no mercado de televisores LCD.
"Acho que, inicialmente, enquanto o mercado for jovem, as empresas menores irão se beneficiar mais", disse o analista Tore Svanberg, da Thomas Weisel.
Iluminação por LEDs já é usada em celulares há tempos, mas, ao passo que cada vez mais fabricantes de TVs e monitores passem a usar a tecnologia, isso dará às fabricantes de chips uma injeção de adrenalina.
"O motor do mercado no momento são os televisores com LED", disse o analista Daniel Amir, da Lazard Capital Markets. "Esse é um negócio grande, muito grande", acrescentou. (Reuters – 04/03/10)

Olympus quer 20% do mercado de câmeras digitais avançadas
TÓQUIO - O presidente-executivo da japonesa Olympus afirmou que a meta da empresa é conquistar, em três anos, uma participação de 20 por cento no mercado de câmeras digitais avançadas, ante atual fatia de 5 por cento.
A meta da fabricante de câmeras e endoscópios para seus equipamentos médicos é alcançar, em cinco anos, vendas anuais de 500 bilhões a 600 bilhões de ienes (de 5,7 bilhões a 6,8 bilhões de dólares), disse Tsuyoshi Kikukawa à Reuters.
Isso representa um crescimento significativo dos 345 bilhões de ienes registrados no atual exercício fiscal, que termina em 31 de março.
A Olympus --quarta maior do mundo em câmeras avançadas atrás de Canon, Nikon e Sony, é a maior fabricante global de endoscópios, equipamentos usados para examinar órgãos internos, com uma participação de mercado de 70 por cento. Concorrentes de porte menor incluem Hoya e Fujifilm Holdings.
No ano passado, a Olympus lançou uma linha de câmeras digitais baseada no sistema Micro Four Thirds, que ajuda a fazer câmeras avançadas com lentes menores que podem ser trocadas, em busca de um público que resistiu em abrir mão de suas câmeras digitais compactas por modelos maiores e mais pesados.
Câmeras digitais reflex, com lentes que podem ser trocadas, são o segmento mais lucrativo e que mais cresce na indústria global de câmeras digitais. O segmento é dominado pelas marcas Canon e Nikon.(Reuters – 04/03/10)

Abinee envia carta à Anatel contra desbloqueio de celulares
Um fato novo tumultuou as discussões sobre as regras aplicáveis ao bloqueio e desbloqueio de celulares no país. Carta da Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica (Abinee, que representa setores da industria eletro eletrônica, incluindo as empresas fabricantes de handsets) encaminhada à presidência da Anatel e tornada pública apenas nesta quinta-feira, 4, critica a possibilidade de a agência reguladora assegurar amplamente o direito ao desbloqueio dos aparelhos pelo consumidor. Desde o ano passado, o Conselho Diretor da Anatel debate a edição de uma súmula para esclarecer as regras de desbloqueio e pacificar disputas entre as operadoras móveis sobre o assunto.
Na carta, a Abinee informa que, se a Anatel assegurar a possibilidade irrestrita de desbloqueio dos aparelhos sem qualquer ônus aos consumidores, "a indústria de celulares deverá se adaptar para a produção de novos celulares em conformidade com o entendimento da Súmula em discussão". Argumenta ainda que a garantia do desbloqueio exigirá "a necessidade de envolvimento de equipes de desenvolvimento de softwares para promover as alterações de software dos aparelhos celulares que já se encontram em produção anualmente". Segundo a Abinee também seria necessária a adaptação dos softwares usados atualmente pelas operadoras celulares para eliminar a função de bloqueio.
A carta da entidade causou surpresa no gabinete da conselheira-relatora do processo sobre desbloqueio, Emília Ribeiro. Parte da carta foi divulgada pela conselheira em uma emenda ao seu voto em favor de uma súmula esclarecendo que os clientes têm direito ao desbloqueio a qualquer tempo sem ônus. O maior incômodo é que o direito ao desbloqueio está assegurado desde 2002 pela regulamentação da Anatel e a indústria jamais protestou sobre o assunto.
Além desse fato, a carta da Abinee surpreende ao questionar a viabilidade do desbloqueio irrestrito uma vez que a própria indústria, em princípio, oferece seus aparelhos ao mercado sem o bloqueio. A funcionalidade do bloqueio dos celulares é usada pelas operadoras para assegurar que seus clientes não trocarão de operadora até que sejam amortizados os subsídios dados para a aquisição dos terminais em muitos planos de serviço, especialmente os pré-pagos. Vale ressaltar que a Anatel não proíbe o bloqueio nem pretende acabar com essa prática com a edição da súmula. O alvo do esclarecimento é apenas garantir que os clientes podem desbloquear os terminais mesmo que ainda estejam em vigência os contratos de fidelização. (Teletime – 04/03/10)

Companhias brasileiras começam a exportar dispositivos para TV digital
A indústria brasileira já começa a exportar componentes e televisores com a tecnologia digital adotada no país. Atualmente, o governo federal promove uma caravana aos países da América Latina para apresentar o modelo Integrated Services Digital Broadcasting Terrestrial (ISDB-T), desenvolvido pelo Brasil a partir da tecnologia japonesa. Para o governo, a expansão do padrão brasileiro serve para formar uma imagem de liderança do país em tecnologia da informação (TI). Para as empresas nacionais ou multinacionais que produzem aqui, abre-se uma possibilidade de novas exportações.
Segundo a Superintendência da Zona Franca de Manaus (Suframa), o Brasil exportou no ano passado 568 mil decodificadores de TV digital, para sistemas de televisão por assinatura via satélite. Em 2009, também foram exportadas 12.840 televisões de LCD com conversor digital embutido. Trata-se de uma parcela pequena da produção total do país, de 3 milhões de aparelhos de LCD, mas significa que algumas das 20 empresas que produzem o aparelho no Brasil já têm contratos com o exterior.
A primeira companhia brasileira a fazer investimento relevante fora do país em TV digital é a Linear, de Santa Rita do Sapucaí (MG), que construirá uma unidade de sistemas de transmissão no Uruguai, com valor mínimo de R$ 4 milhões, diz Carlos Alberto Fructuoso, diretor administrativo da empresa. A fábrica buscará atender principalmente o mercado argentino, que já aderiu ao modelo brasileiro. Peru, Chile e Venezuela também decidiram adotar o ISDB-T. O Uruguai e a Colômbia haviam fechado acordos com os fabricantes do modelo DVB europeu - que também foi avaliado pelo Brasil -, mas podem acabar cancelando o acordo e se convertendo ao modelo brasileiro, que possui tecnologia livre de royalties e com código aberto de software.
Na semana passada, o ministro das Comunicações, Hélio Costa, foi ao Uruguai para tratar do assunto. Em março, outro grupo brasileiro planeja visitar a Costa Rica. O Brasil também mantém conversas com Cuba, Bolívia, Paraguai e Equador.
Segundo André Barbosa Filho, assessor especial da Casa Civil, as negociações do governo brasileiro em torno da TV digital atravessam o Atlântico. Na semana passada, uma comitiva da África do Sul conheceu o projeto brasileiro. E, no próximo mês, uma delegação de Botsuana vem conhecer o Ginga, software desenvolvido no Brasil que permite recursos de interação com o público. Quebramos a hegemonia americana e europeia para levar aos países um sistema livre de royalties, que pode promover maior inclusão social, diz Barbosa Filho.
Como a tecnologia brasileira tem código aberto - ou seja, o padrão tem especificações conhecidas, que podem ser modificadas por outros programadores - não é garantida à indústria brasileira reserva de mercado para fornecimento de equipamentos de transmissão e recepção de TV digital aos países que adotarem o padrão ISDB-T, diz Roberto Pinto Martins, secretário de telecomunicações do Ministério das Comunicações. É uma grande oportunidade comercial para todos, mas, para ser uma realidade, a indústria brasileira tem de ser competitiva, porque a China ou outros países também podem produzir esses equipamentos.
Este ano, mais da metade dos televisores produzidos no Brasil devem ter o conversor digital incluído, prevê Martins. A projeção tem base nas regras brasileiras para que a indústria obtenha incentivos fiscais na Zona Franca de Manaus. A partir deste ano, para ter as isenções, os fabricantes devem instalar o conversor em todas as TVs com mais de 32 polegadas. Em 2011, a regra passará a valer para modelos acima de 26 polegadas e, em 2012, todos os aparelhos produzidos no Brasil terão de incluir conversor para ter isenção.
A expectativa da indústria é de produzir 12 milhões de aparelhos neste ano. Em 2009 foram 9 milhões de aparelhos, que significaram receita de US$ 4,18 bilhões ao setor. Grande parte dos aparelhos de LCD comprados na Argentina atualmente são produzidos na Zona Franca de Manaus. Com as regras nacionais, será obrigatória a exportação das TVs com conversor.
Com a aproximação da Copa do Mundo da África do Sul, em junho, a previsão é de que a indústria de eletroeletrônicos vai reforçar, a partir de abril, a venda do conversor digital para aparelhos de televisão que não têm o dispositivo embutido. O consumo maciço de conversores no Brasil, porém, só é previsto quando os radiodifusores deixarem de transmitir em modo analógico, o que forçaria os usuários a adotar o sistema digital.
Segundo Martins, do Ministério das Comunicações, com a massificação da produção dos conversores - integrados às TVs ou vendidos separadamente - o custo de produção deverá cair dos atuais US$ 30 para cerca de US$ 20 em alguns meses. A indústria brasileira já chegou a oferecer receptores por US$ 55 para países vizinhos. No mercado brasileiro, estima-se que ele possa chegar a R$ 200 no varejo.
Além de exportar equipamentos, o Brasil poderá levar conteúdo e software aos países que adotarem a tecnologia de TV digital, diz Barbosa Filho, da Casa Civil. No caso do Uruguai, a negociação inclui o auxílio das companhias nacionais, detentoras de experiência na área, aos radiodifusores do país vizinho. (Valor Econômico – 04/03/10)

Conselho da Anatel se divide em três posições sobre desbloqueio de celulares
A manifestação da indústria de equipamentos celulares criticando a possibilidade de a Anatel garantir o direito irrestrito ao desbloqueio dos celulares pelos consumidores gerou um impasse no Conselho Diretor da agência reguladora. O assunto foi mote para uma calorosa discussão durante a reunião realizada nesta quinta-feira, 4, e resultou na divulgação de uma emenda à análise apresentada em novembro do ano passado pela conselheira-relatora do processo, Emília Ribeiro. Na emenda, a conselheira revela a polêmica criada após a divulgação da carta da Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica (Abinee) - colocando em dúvida a viabilidade do desbloqueio - e reitera a necessidade de esclarecimento do assunto.
Além da crise interna gerada pela carta da Abinee, a coleta de votos realizada até agora sobre a edição de uma súmula para pacificar as regras sobre desbloqueio mostra que a Anatel não possui um entendimento único sobre o assunto. Até o momento existem três propostas de súmula: uma apresentada pela conselheira-relatora; outra pelo presidente da Anatel, embaixador Ronaldo Sardenberg; e uma terceira apresentada nesta quinta, 4, pelo conselheiro Jarbas Valente. A versão sugerida por Valente abraça os argumentos da Abinee, apesar de manter o direito ao desbloqueio dos celulares.
Na interpretação de Emília Ribeiro, no entanto, a proposta de Valente é menos abrangente com relação aos dispositivos que impedem a penalização dos consumidores que fizerem o desbloqueio. A sugestão apresentada hoje deixaria claro apenas que as empresas não podem cobrar pelo "serviço de desbloqueio" e que esta prática não pode ser considerada quebra contratual por parte do cliente. Para a conselheira relatora da matéria, contudo, é importante deixar claro que as empresas não podem impor nenhum ônus aos consumidores com relação ao desbloqueio. O texto mais restritivo poderia deixar brechas para que as operadoras usem subterfúgios para manter algum tipo de penalidade ao consumidor, segundo a relatora.
Cláusula de vigência
Outro ponto de atrito entre os três conselheiros é que Sardenberg e Valente querem que a súmula tenha um "prazo de validade", sugerindo a inclusão de uma cláusula de vigência do esclarecimento sobre o desbloqueio. Na emenda apresentada hoje, a relatora se posiciona contrariamente a esta proposta já que uma súmula representa uma interpretação da agência reguladora sobre norma já editada. Sendo assim, não caberia impor uma "vigência" a um entendimento pacificado na agência.
"É também necessário apontar efeito particularmente perverso para os usuários que a manutenção da cláusula de vigência pode propiciar. A limitação temporal da eficácia da súmula pode impedir que os usuários que foram indevidamente lesados pela cobrança de valores em função do desbloqueio de suas estações móveis anteriormente à sua 'entrada em vigor' possam ser devidamente reparados", ressalta a relatora em seu complemento de voto.
Bloqueio ainda válido
Ironicamente, o ponto da análise da Anatel que mais tem gerado controvérsia não está presente em nenhuma das propostas de súmula. Trata-se da eventual proibição do bloqueio. Foi com base nessa premissa que a Abinee se manifestou à presidência da Anatel questionando a viabilidade de cumprimento da súmula. Ocorre que todas as manifestações ocorridas até agora, inclusive a da relatora, não impedem a venda dos aparelhos bloqueados, mas apenas esclarecem as condições para que o cliente exerça o direito ao desbloqueio.
Essa sutil diferença é o quê garante à Anatel apenas interpretar o Regulamento do SMP em vigor, já que a norma permite a venda dos celulares bloqueados, mas também renova o direito ao desbloqueio, existente na regulamentação desde 2002. A briga em torno das regras para desbloquear se arrasta desde 2008, quando a Oi recorreu à Anatel para esclarecer o assunto.
Desde essa época a operadora mantém uma campanha em prol do desbloqueio de celulares, criticada pelas empresas concorrentes, que também procuraram a Anatel na tentativa de impedir a continuidade da iniciativa da Oi. Até hoje a Oi mantém a campanha, engrossada pela TIM, que anunciou no fim de 2009 que só venderá aparelhos desbloqueados a partir desse ano. (Teletime – 04/03/10)

Brasil não está preparado para o descarte das TVs antigas
André Luiz Saraiva
é diretor de responsabilidade socioambiental da Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica (Abinee) e relator do grupo de trabalho do Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama) que está produzindo uma resolução para regulamentar o descarte de lixo eletrônico no Brasil. Ele falou à reportagem sobre o problema do descarte de TVs no País e sobre o alerta da ONU, na semana passada, que apontou o lixo eletrônico como um problema grave para países em desenvolvimento no futuro.
- O Brasil consome mais TVs de tubo do que telas finas. Com a substituição pelo sinal digital, é preocupante o lixo que elas gerarão?
André Luiz Saraiva
- Quando o governo escolheu o padrão digital deveria ter pensado antes em capacitar a indústria para encontrar uma solução para o problema das TVs antigas. Foi criado algum centro de reciclagem para os produtos que foram sendo desativados? Não. O Brasil só pensou no incremento de vendas. Agora a sociedade pergunta para a indústria o que fazer com as TVs velhas. Pergunte para o ministro Hélio Costa. O que eu não vejo ser discutido é a cadeia reversa desse assunto.
- Não há reciclagem de TV no País?
André Luiz Saraiva
- Não. No tratamento de tubo você tem de retirar o vidro, moer o material e separar o óxido.
- A ONU calcula que o lixo gerado por TVs velhas no Brasil seja cerca de 0,7 kg por habitante a cada ano, em uma proporção igual à da China. Acha o número exagerado?
André Luiz Saraiva
- Não. Mas falta o contraponto dos produtos que já foram produzidos e reciclados. A ONU trata do assunto de forma marginal, baseada em censos que perguntam a quantidade de eletrônicos que as pessoas têm em casa. Então multiplica esse dado pelo número de habitantes e divide o resultado pelo tempo de vida útil do aparelho, em média oito anos. Aí ela calcula 1,7 kg, por exemplo, por cidadão. A partir da taxa de crescimento do país ela diz: "Em 2020 vamos ter uma montanha de lixo". A conta é burra.
- Mas, se não há uma cadeia de reciclagem nos países pesquisados, é isso que vai acontecer.
André Luiz Saraiva
- É. E se você não capacitar a sociedade não adianta olhar para a indústria para resolver o problema.
- Por que capacitar a sociedade?
André Luiz Saraiva
- Pelo Código do Consumidor, a titularidade dos eletrônicos é de quem os comprou. O consumidor, em vez entregar a TV na assistência técnica para a reciclagem, leva para o sítio ou dá para a empregada. A empregada tinha uma TV velha que ela dá para a vizinha. E a TV da vizinha vai para o lixo. A ponta menos esclarecida está com a maior responsabilidade.
- Qual eletrônico é reciclado no Brasil hoje?
André Luiz Saraiva
- Há uma indústria que recebe o material e reutiliza as partes e peças que ainda funcionam, como na região da rua Santa Ifigênia. Outra forma é a trituração e a exportação do material. Hoje o Brasil não tem tecnologia instalada para a recuperação de placas.
- Nada é processado no Brasil?
André Luiz Saraiva
- Nada. Quem faz isso, faz de forma incipiente. O que nós temos avançado é na recuperação de plástico, de fios, cabos. A parte mais nobre é exportada.
- Como estimular que a reciclagem também seja feita aqui?
André Luiz Saraiva
- Hoje nós não temos escala porque os eletrônicos passam de mão em mão. É a cultura de extrapolar a vida útil do produto. Se a TV tem vida útil de 4 anos, no fim, ela não deve ser reinserida mas sim reciclada. (Estadão Online – 03/03/10)

Nokia confirma su línea económica con el nuevo celular C5
No es un auto de Citröen, sino un móvil de Nokia, que presentó esta mañana en la CeBIT.
El C5 no es nada novedoso en funciones: es un smartphone pero con formato de móvil convencional (tipo barrita, sin tapa ni pantalla táctil). Tiene pantalla de 2,23, GPS, 3G, cámara de 3,23, radio FM, reproductor de música con conector de 3,53, viene con Ovi Maps (el servicio de mapas gratis de Nokia) y los clientes de e-mail y chat de Nokia Messaging, para tener un servicio de push e-mail económico (el paquete de datos específico para este servicio ya lo ofrece Claro por $ 10 y Movistar por $ 25).
El sistema operativo es Symbian S60 3rd Edition Feature Pack 2, el mismo que usa el N96 o el N85 (por nombrar sólo dos móviles que se venden acá), así que tiene un navegador Web avanzado. Obviamente se le pueden cargar aplicaciones de Ovi Store. Es bastante delgado, con un espesor de 12 mm. Y (dice la gacetilla) tiene partes de la carcasa hechas en acero.
Una de las novedades es la barra de Contactos (con foto) accesible desde la pantalla de bienvenida, algo que ya habíamos visto en el 5800 XpressMusic; además, se podrá ver el status de Facebook de nuestros amigos en el listado de contactos.
Nokia no va a pelear con el iPhone o el Nexus One con el C5. Por el contrario, apuesta al mercado de los móviles ecónomicos, con un precio de 182 dólares antes de los subsidios que aplican los operadores (osea, desbloqueado). Su mayor contrincante será, quizás, la línea Bada de Samsung. Sale a la venta en el segundo trimestre del año en Europa y otros mercados. Aunque no menciona específicamente a América latina, es un producto ideal para la región, bastante atenta a los precios de los equipos. (La Nacion – 02/03/10)

Nokia prevê salto nas vendas de celulares com teclado completo
JIDÁ, Arábia Saudita - A Nokia, maior fabricante de celulares do mundo, espera ver neste ano um crescimento bastante acelerado nas vendas de aparelhos para mensagens de texto, que vêm com teclados completos, afirmou um executivo da empresa finlandesa nesta segunda-feira.
"Tivemos grandes sucessos, como o E71 no passado e agora com o E72, e claramente, ao olharmos para este ano, a taxa de crescimento desses aparelhos de mensagens irá continuar extremamente alta", disse o vice-presidente da Nokia Ilari Nurmi à Reuters, durante visita à Arábia Saudita.
O smartphone E71 da Nokia --que conta com um teclado completo, diferentemente dos teclados numéricos normalmente usados em celulares-- está entre os melhores modelos da empresa, que agora visa aumentar a disponibilidade de teclados maiores em seus smartphones.
No último trimestre, as vendas dos modelos da série "E" da Nokia quase dobraram em relação ao mesmo período de 2008, para 6,1 milhões de aparelhos.
As parcerias da Nokia com a Microsoft e a IBM --possibilitando o uso dos programas de e-mail corporativo Outlook e Lotus nos celulares-- devem ajudar a Nokia a expandir sua presença no mercado norte-americano, afirmou Nurmi.
A Nokia tenta há anos tomar o lugar da Research in Motion (RIM) como maior provedora de e-mail móvel para o setor corporativo, mas não conseguiu, até agora, ameaçar a liderança da fabricante do BlackBerry no importante mercado da América do Norte.(Reuters – 01/03/10)


Acordos Produtos e Mercados OMC Outros

Lista de retaliação vai incluir automóveis
Terá pouco mais de cem itens, e incluirá automóveis, a lista de mercadorias importadas dos Estados Unidos que receberá sobretaxas, como retaliação aos subsídios ilegais do governo americano aos produtores locais de algodão. O governo brasileiro divulga nesta segunda-feira a lista de produtos alvo de represálias, autorizadas pela Organização Mundial do Comércio (OMC). Os ministros da Câmara de Comércio Exterior (Camex) também, discutirão, neste mês, medidas contra direitos de propriedade intelectual dos EUA, também autorizadas pela OMC.
A intenção do governo, como enfatizou o ministro de Relações Exteriores, Celso Amorim, é convencer o governo dos Estados Unidos a negociar a remoção dos subsídios ao algodão - algo considerado difícil, mesmo pelo governo brasileiro, por depender de autorização do Congresso americano. Caso não seja possível mexer nos subsídios, o governo brasileiro, com apoio da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), reivindica compensações à indústria brasileira pelos prejuízos sofridos com a competição desleal do algodão americano.
A escolha dos setores para imposição de sobretaxas teve o objetivo de mobilizar a indústria americana para pressionar o governo dos Estados Unidos a negociar. Foram escolhidos produtos que não afetam a cadeia produtiva no Brasil ou não criariam problemas para o abastecimento no país. No caso dos automóveis, a importação de carros com origem nos Estados Unidos é pequena e está em queda: foi de pouco mais de US$ 112 milhões em 2008 e menos de US$ 90 milhões em 2009.
O baixo valor não impediu que as grandes montadoras, General Motors, Ford e Fiat (esta última proprietária da Chrysler americana) procurassem o governo, nos últimos dias, para argumentar que a inclusão do setor comprometeria planos de importação de automóveis de alto luxo para o Brasil. O setor químico é outro que será afetado pelas retaliações, que, segundo a autorização da OMC, poderiam chegar a até US$ 830 milhões, mas a Câmara de Comércio Exterior decidiu limitar a US$ 560 milhões o total a ser imposto em sobretaxas sobre mercadorias. Após a divulgação da lista no Diário Oficial, o governo tem 30 dias para começar a aplicar as sobretaxas.
O restante será aplicado em serviços e na chamada retaliação cruzada, com represálias no campo de direitos de propriedade intelectual. O governo enviou recentemente medida provisória ao Congresso para dar cobertura legal às retaliações em propriedade intelectual, mas os ministros ainda discutem que medidas específicas serão aplicadas no caso do algodão.
O ministro da Saúde, José Gomes Temporão, com apoio do ministro de Relações Exteriores, Celso Amorim, tem defendido a autorização para importação paralela de medicamentos protegidos por patentes de laboratórios americanos. O ministro do Desenvolvimento, Miguel Jorge, vem argumentando que o ideal seria aplicar a retaliação cruzada em produtos de entretenimento, com taxação adicional sobre filmes e séries televisivas vendidas ao Brasil por produtoras americanas, por exemplo. O tema deve ir à Camex e ser submetido, de maneira genérica, à consulta pública. (Valor Econômico – 05/03/10)

Brasil adia retaliação aos EUA para tentar acordo
O ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, anunciou ontem, ao lado da secretária de Estado americana, Hillary Clinton, que a lista de produtos dos Estados Unidos que estarão sujeitos à retaliação pelo Brasil surtirá efeito apenas 30 dias depois de sua divulgação, prevista para o próximo dia 8. A decisão abre espaço para a negociação com os Estados Unidos de um acordo que evite a aplicação destas sanções. Em princípio, no final de março, o governo brasileiro também deve concluir a sua relação de retaliações na área de propriedade intelectual.
O conjunto de sanções foi autorizado pela Organização Mundial do Comércio (OMC) ao final de um processo que condenou a política de subsídios dos Estados Unidos aos produtores de algodão.
Hillary Clinton disse que, nos próximos dias, uma missão americana deverá iniciar as negociações com o governo brasileiro.
"Há tempo para nós resolvermos essa questão de forma pacífica", afirmou, pouco depois de dizer que espera um "final feliz" para o caso.
Questionado sobre a ameaça americana de aplicar contrarretaliações a produtos brasileiros, Amorim afirmou que não pode esperar medidas deste tipo de um país que promoveu a criação da OMC. "Deste susto eu não morro", disse.
O governo adiou para a próxima segunda-feira, dia 8 de março, a divulgação da lista de produtos dos Estados Unidos que vão sofrer retaliação porque o país não retirou os subsídios aos produtores de algodão. A previsão inicial era que a lista fosse divulgada anteontem. Segundo negociadores envolvidos no assunto, o motivo foi a visita de Hillary Clinton. Mais de 20 itens foram retirados da lista. Dos 220 produtos colocados em consulta pública, devem permanecer pouco mais de 100.
Livro Bege A conjuntura econômica voltou a melhorar nos Estados Unidos em janeiro-fevereiro, mas ainda de forma débil, de acordo com o Livro Bege publicado ontem pelo Federal Reserve (Fed, banco central americano).
"Isso aconteceu apesar das fortes tempestades do início de fevereiro que frearam a atividade em várias regiões", indica o informe, publicado a cada um mês e meio. O documento acrescenta que a atividade aumentou em nove das 12 regiões do país, mas que "na maioria dos casos, as melhorias foram fracas". (Jornal do Brasil – 04/03/10)

EUA vão negociar acordo para evitar retaliação
O governo brasileiro decidiu, voluntariamente, abrir um espaço de 30 dias para negociar com os Estados Unidos a suspensão da retaliação contra produtos e direitos de propriedade intelectual americanos. O anúncio partiu ontem do ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim.
A seu lado, a secretária de Estado, Hillary Clinton, antecipou que Washington enviará a Brasília na próxima semana uma missão para tratar de compensações comerciais em troca da suspensão das retaliações ? medida que, por princípio, o Brasil se nega a aceitar.
De acordo com Amorim, a lista de bens sujeitos às sanções será divulgada no próximo dia 8, mas terá efeito apenas 30 dias depois.
Nesse espaço de tempo, alertou ele, haverá condições de se chegar a um acerto com base nas regras da Organização Mundial do Comércio (OMC).
O recado do ministro ao governo americano foi claro: em vez de compensações, o Brasil quer a adequação da política de subsídios dos Estados Unidos ao setor algodoeiro às determinações da OMC. Ou seja, a redução substancial dos desembolsos que beneficiam o setor e distorcem o comércio internacional do produto. Foram esses subsídios que levaram o Brasil a recorrer à OMC e a ganhar da entidade o direito de retaliar os EUA.
Esse filme demorou anos e, agora, espero que tenha um final feliz, afirmou Hillary Clinton, no Itamaraty, ao apostar em uma solução pacífica da controvérsia. Se tivéssemos concluído a Rodada Doha da OMC, não teríamos passado por esse problema, alfinetou Amorim, ciente que a posição americana contribuiu para travar essas negociações, que tinham por objetivo ampliar a liberalização do comércio mundial.
Questionado sobre a possibilidade de Washington contrarretaliar o comércio brasileiro, se o Brasil aplicar de fato as sanções, o chanceler rebateu diplomaticamente, dizendo que não espera tal atitude de um país que promoveu a criação do Acordo Geral sobre Tarifas e Comércio (Gatt) e da OMC. A hipótese da contrarretaliação foi levantada pelo embaixador americano em Brasília, Thomas Shannon, há um mês.
Desse susto eu não morro, disse o chanceler.
A retaliação do Brasil contra os EUA, que pode alcançar um total de US$ 790 milhões, foi autorizada pela OMC depois de sete anos de controvérsia.
O Brasil queixou-se em 2002 dos subsídios americanos à produção e às exportações de algodão. No ano passado, recebeu o direito de aplicar US$ 560 milhões em sanções - aumento de 100% na tarifa de importação - de produtos dos EUA. Até o fim do mês, o governo deverá fechar o pacote de retaliações contra direitos de propriedade intelectual americanos, como patentes, no valor de US$ 230 milhões. (O Estado de S. Paulo – 04/03/10)

Retaliação aos EUA em propriedade intelectual será definida no fim do mês
Só deverão ser divulgadas no fim de março as medidas de retaliação cruzada, pelas quais o governo brasileiro punirá detentores americanos de direitos de propriedade intelectual, em represália aos subsídios ilegais dos EUA. O tema será submetido no fim deste mês aos ministros na Câmara de Comércio Exterior (Camex). Após definir os setores a serem afetados pela retaliação cruzada, a Camex abrirá consulta pública para, só depois, anunciar medidas de represálias aos EUA em direitos de propriedade intelectual.
O governo já havia decidido adiar, desta semana para o dia 8 próximo, a divulgação da lista com as mercadorias que poderão sofrer sobretaxas ou outras restrições de entrada, em represália aos subsídios americanos, considerados ilegais pela Organização Mundial do Comércio (OMC). O adiamento foi decidido para não perturbar a visita da secretária de Estado americana, Hillary Clinton, segundo uma autoridade do governo brasileiro.
Para evitar transtornos aos produtores brasileiros que usam insumos importados dos EUA, a lista de mercadorias americanas afetadas foi reduzida, de 222 produtos para menos de 120, após consultas públicas feitas pela Camex.
O governo enviou, no início do ano, uma medida provisória ao Congresso com um amplo elenco de medidas que poderá tomar contra direitos de propriedade intelectual de firmas e pessoas dos EUA, conforme autorização da OMC. A Camex deverá escolher algumas dessas medidas, como a permissão de importação paralela de medicamentos, para, depois de consulta, anunciar que produtos ou produtores serão afetados pela retaliação.
Embora o tema do algodão seja de responsabilidade do representante comercial dos Estados Unidos, Ron Kirk, o assunto deve ser abordado nos encontros com Hillary, hoje, e com o secretário de Comércio dos EUA, Gary Locke, que visita o país na semana que vem. O Brasil busca um acordo de compensações, como apoio financeiro a pesquisas do setor algodoeiro e remoção de barreiras a produtos como a carne, que evitariam a aplicação da retaliação - que, como autorizou a OMC, poderia chegar a US$ 830 milhões por ano.
A visita de Hillary deve ter como tema mais polêmico a pressão dos Estados Unidos para que o Brasil apoie o pedido americano de sanções contra o Irã, no Conselho de Segurança da ONU, no qual os brasileiros têm assento temporário. Os EUA consideram as sanções a única forma de evitar que o Irã dê seguimento a um programa nuclear de uso militar. Mais que o Brasil, os EUA têm de convencer membros com poder de veto no Conselho de Segurança, como a China e a Rússia, que ontem manifestou-se contra as sanções.
O governo brasileiro quer pressionar Hillary a um compromisso pela reforma da ONU e pelo avanço do acordo contra a mudança do clima. EUA e Brasil, apesar das diferenças, tentarão ressaltar a aproximação entre os dois governos, que deverão assinar um Diálogo de Parceria Global reunindo várias áreas onde há acordos de cooperação. O Diálogo prevê encontros anuais entre a secretária de Estados americana e o ministro brasileiro de Relações Exteriores. Os dois países devem enfatizar também um acordo de trabalho conjunto para projetos de desenvolvimento na África e no Haiti. (Valor Econômico – 03/03/10)

Lista para retaliação aos EUA será divulgada no dia 8
BRASÍLIA - A lista de bens que a Organização Mundial de Comércio (OMC) autorizou o Brasil a usar, em retaliação ao contencioso do algodão com os Estados Unidos, será divulgada no dia 8 de março. A informação é da Câmara de Comércio Exterior (Camex). Segundo nota divulgada hoje pela Camex, os técnicos do grupo interministerial ainda estão fazendo os ajustes finais na lista.
Apesar de o Brasil poder retaliar os EUA, multinacionais do setor farmacêutico propõem soluções à crise do algodão e apostam na vista da secretária de Estado norte-americana, Hillary Clinton, ao País como um início de uma solução pacífica para a disputa envolvendo a eventual retaliação brasileira contra produtos americanos. O setor farmacêutico seria um dos atingidos por uma eventual retaliação.
Hillary chegará ao País na quarta-feira e a questão da sanção brasileira estará na agenda de seus encontros com o chanceler Celso Amorim. Em 2009, o Brasil ganhou o direito de retaliar os EUA em mais de US$ 800 milhões por conta dos subsídios ilegais dados pelos americanos ao setor do algodão.
Segundo o tribunal da Organização Mundial do Comércio (OMC), os EUA violaram a determinação de retirar os subsídios. O Brasil, então, passou a criar uma série de medidas para, na realidade, adiar ao máximo a decisão de aplicar a retaliação, esperando um sinal dos americanos de que poderiam achar uma solução sem que o caso gerasse prejuízos. Amorim já até deixou claro que, se os americanos
oferecerem uma solução ao caso, o Brasil abriria mão de uma retaliação. (O Estado de S. Paulo – 01/03/10)


Acordos Produtos e Mercados OMC Outros

Pacote do governo para exportações terá benefício automático em impostos
O governo vai criar um sistema automático de compensação dos créditos de PIS/Cofins acumulados pelos exportadores na compra de insumos para reduzir custos e aumentar a competitividade brasileira no exterior, informaram ao GLOBO técnicos da área econômica. A medida — que deve valer apenas para créditos futuros — é a principal aposta do tão esperado pacote de ajuda ao setor exportador visando a ajudar a minimizar perdas dos empresários com o câmbio, que será anunciado nas próximas semanas.
O estoque de créditos já existentes nas empresas — que pelas estimativas do governo somam R$ 5 bilhões — ficaria nas regras atuais, ou seja, seria compensado pelos exportadores em até cinco anos. Para ter direito à nova compensação automática, no entanto, as empresas terão que se enquadrar em alguns critérios. Entre eles, serem exportadoras há mais de cinco anos, utilizarem nota fiscal eletrônica e optarem pelo regime tributário do lucro real.
O acúmulo de créditos de PIS/Cofins ocorre com empresas que exportam mais de 35% de sua produção. Isso porque os créditos gerados na compra dos insumos para produtos vendidos no exterior acabam sendo em volume maior do que os empresários conseguem compensar com tributos pagos no mercado interno. A ideia do governo com a compensação automática é permitir que os créditos sejam repassados a fornecedores, que poderiam usá-los para abater outros impostos.
Segundo o vice-presidente da Associação de comércio exterior do Brasil (AEB), José Augusto de Castro, a compensação automática dos créditos é um avanço importante, mas não deveria ter critérios de enquadramento e valer só para o futuro.
Segundo Castro, os créditos acumulados pelo setor na área federal chegam a R$ 10 bilhões, sem contar os de ICMS (estaduais), de R$ 20 bilhões.
Não se pode esquecer o passado. Empresas que apostaram no comércio exterior vão acabar penalizadas com a medida.
Mas qualquer avanço nessa área é positivo — disse Castro.
Já o gerente da Unidade de Pesquisa da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Renato Fonseca, acredita que o ressarcimento imediato dos tributos recolhidos pelos exportadores é o melhor caminho para aumentar a competitividade das empresas.
Com isso, o setor teria rentabilidade maior, para compensar a valorização do real.
É preciso devolver o dinheiro que pertence às empresas — disse Fonseca.
Fundo Garantidor de exportações terá mudança Os técnicos da área econômica alegam que a medida não pode ser mais ampla devido às restrições fiscais em 2010. O ministro da Fazenda, Guido Mantega, promete cumprir a meta de superávit primário, de 3,3% do Produto Interno Bruto (PIB).
No pacote também está uma reforma do atual Fundo Garantidor de exportações (FGE), de modo que mais operações sejam garantidas simultaneamente. Para Castro, esse é outro avanço no setor, pois com o FGE até exportações de grandes empresas para mercados seguros são avaliadas com risco excessivo.
O volume de recursos hoje do FGE poderia garantir muito mais operações — disse.
Uma alternativa seria o ressarcimento em dinheiro dos exportadores pelos créditos, o que ainda está sob avaliação da equipe econômica. (O Globo – 05/03/10)

Oportunidades no setor de informática
A expansão das empresas brasileiras no exterior também virá de firmas de menor porte. Segundo Luís Afonso Lima, presidente da Sociedade Brasileira de Estudos de Empresas Transnacionais e da Globalização Econômica (Sobeet), o setor de informática nacional é um dos que tem maior potencial para viver uma forte internacionalização a partir deste ano, seja via fusões ou com novas instalações. Muitas poderão ir no rastro de empresas maiores, a quem já prestam serviços no Brasil.
O mais interessante é que vamos ver um processo de internacionalização de empresas que historicamente não são tão grandes — afirma.
O setor está vivendo um bom momento no país e passa por uma consolidação no mercado interno. Grandes players começam a se firmar. O BNDES acredita, inclusive, que o Brasil tem potencial para, em 2012, ser o segundo maior exportador de softwares do mundo, atrás apenas da Índia. Vantagens como fusos horários mais compatíveis com a Europa e os Estados Unidos são as armas brasileiras — muitos serviços têm de ser realizados em tempo real e a Índia, em outro hemisfério, perde competitividade.
A internacionalização das empresas brasileiras, em todos os setores, deverá ganhar também nova feição geográfica. Lima, da Sobeet, acredita que a América Latina, por proximidade geográfica e cultural, é a região que, naturalmente, tende a atrair mais os investimentos brasileiros. Entretanto, fontes do governo e do BNDES avaliam que a África pode despontar como um novo forte destino.
Diversos países do continente africano repetem o modelo de industrialização vivido pelo Brasil nas décadas de 60 e 70: exigem parte de conteúdo nacional às empresas que pretendem explorar os mercados locais.
Este novo movimento pode inverter uma tendência: a cautela na escolha dos locais de investimentos. Dados da Fundação Getulio Vargas (FGV) indicam que, entre 45 empresas que buscaram a fundação para se internacionalizar, 38% foram para Europa, 35% para os EUA, 21% para a Ásia e apenas 6% para outros mercados.
Há um movimento de ir para os países ricos, bons pagadores. As empresas brasileiras não buscam risco, e sim elevar seu fluxo de caixa — diz Istvan Kasznar, do Núcleo de Inteligência e Informações das Multinacionais (NIIM) da FGV. (Henrique Gomes Batista e Danielle Nogueira) (O Globo – 05/03/10)

Reconstituição dos estoques industriais
A produção industrial em janeiro, divulgada pelo IBGE, mostrou um quadro favorável, com crescimento de 1,1%. Seria uma boa notícia, se não se seguisse a uma queda acumulada nos dois meses anteriores, de 1%. Por outro lado, no mesmo dia a Confederação Nacional da Indústria (CNI) informava que o faturamento real, em relação a dezembro, com ajuste sazonal, acusou queda de 3,6%.
O aumento da produção física parece sinalizar uma reconstituição dos estoques no início de um ano que, na visão geral, deve ser de forte atividade econômica. No entanto, os dados da CNI parecem levar à conclusão de que o valor acrescido da produção diminuiu, lembrando que houve um reajuste dos preços para cima nos bens de consumo.
Os indicadores industriais por categoria de uso nos mostram uma ligeira redução da produção de bens de capital (mais acentuada para os de fins industriais), que se reflete nos dados da CNI relativos ao Nível de Utilização da Capacidade Instalada (Nuci), com queda insignificante, parecendo indicar que o setor não está propenso a aumentar sua produção ou conta com um aumento da importação de produtos (as importações dos bens de capital nos dois primeiros meses do ano crescerem 21,9% em relação a 2009).
Os bens duráveis apresentam crescimento de 8,6%, apesar da queda da produção de veículos, o que indica uma recomposição de estoques. Um ponto que parece positivo é o crescimento de 2% dos bens intermediários, que indica uma reação da indústria para melhorar a produção nacional de bens intermediários, que havia caído muito em 2009 diante da possibilidade de se utilizar insumos importados, fato que levou a um processo de desindustrialização preocupante. Convém assinalar que não recuperamos ainda o nível de 2008. É importante que a indústria nacional dê uma atenção especial a esse setor e que o governo participe da sua recuperação.
O ano de 2010 apresenta-se favorável para a indústria, que deverá, no entanto, se adaptar à mudança da distribuição de renda com um fortalecimento da classe C e um recuo da classe A, cujas necessidades podem ser atendidas por meio de importação. Trata-se de uma mudança que a indústria não pode ignorar. No ano passado, diante da crise, a indústria ficou muito cautelosa e não acompanhou a demanda doméstica, atendida em parte pela importação. É o momento de reagir, oferecendo preços melhores graças a uma elevação da produtividade. (O estado de S. Paulo – 05/03/10)

Santos e Suape fecham parceria internacional
Os Estados de São Paulo e Pernambuco firmam acordos com países europeus para cooperação técnica nos Portos de Santos (SP), e Suape (PE). Os acordos têm como principal objetivo a definição de programas  para melhores práticas de gestão e tecnologia em troca de experiências portuárias de Portos como Roterdã.
Ao passo que o complexo industrial de Suape receberá mais 17 empresas este ano, já em fase de implantação no empreendimento, que aplicarão na região US$ 17 bilhões para melhorias no porto.
O Estado de Pernambuco assinou no último dia 25 de janeiro o primeiro termo de cooperação técnica com a Holanda, que deve ser firmado em abril, durante a vinda de uma comissão técnica holandesa a Pernambuco. O termo consiste em replicar o centro de referência holandês dentro do Centro de Treinamento Engenheiro Francisco Vasconcelos, escola nacional que o Governo de Pernambuco recebeu do Estaleiro Atlântico Sul.
O modelo utiliza um simulador de última geração para o treinamento de comandantes de navio. "É uma das mais prestigiadas escolas europeias de preparação de mão de obra naval e é responsável pela capacitação dos funcionários do setor, na Holanda", afirmou o vice-presidente do Complexo Industrial de Suape, Sidnei Aires, em entrevista exclusiva ao DCI.
Aires também frisou que o Porto de Roterdã, na Holanda, é um dos principais do mundo, e que este acordo será muito bom para Suape, principalmente por sua semelhança ao porto holandês. Segundo o vice-presidente, os holandeses procuraram essa parceria específica com o porto pernambucano por acreditar na posição estratégica do lugar para o desenvolvimento. "Ambos são portos-indústria, e este acordo servirá para nossa organização em terra. É uma parceria muito atraente para ampliar os negócios entre os dois países", comemorou Aires.
Em 2009, Suape faturou aproximadamente R$ 50 milhões, ante os R$ 45 milhões do ano anterior, com lucro de R$ 5 milhões, superando as estimativas anteriores. "Mesmo com a crise o ano foi muito bom para nós, e este ano pretendemos faturar 10% a mais que no ano passado", informou Aires. Já em relação à movimentação de cargas, que vinha crescendo a taxas de 20% ao ano até a chegada da crise financeira internacional, o porto fechou a movimentação de 2009 com uma queda de 10%. Contabilizando 9 milhões de toneladas movimentadas ano passado, Suape viu maior demanda por granéis líquidos e sólidos, além de um acréscimo significativo de cargas conteineirizadas.
Com mais de 100 empresas instaladas e 20 outras em fase de implantação, o Complexo muda o perfil da economia pernambucana através da formação de novas cadeias produtivas. Refino de petróleo e construção de navios agora fazem parte da matriz industrial pernambucana, superando o cenário anterior, dominado por contêineres e granéis
O total de investimentos privados no porto totalizava US$ 2,18 bilhões até 2006, e em três anos esses números deram um grande salto. Atualmente, o porto recebe investimentos de aproximadamente US$ 17 bilhões vindos das novas empresas. Já os investimentos públicos somaram em 3 anos R$ 700 milhões, e a previsão este ano é de que este valor chegue a R$ 1,4 bilhão. Segundo Aires, novos cais, píeres e estradas estão sendo construídos para dar suporte a esse crescimento.
Outra ação tomada pelo porto foi a visita recente à Holanda para conhecer o interesse da empresa Royal Vopak, que pretende implantar um novo terminal de produtos químicos e lubrificantes em Suape. Segundo Aires, esta visita faz parte do programa Suape Global, que visa a consolidar Pernambuco como distribuidor de bens e serviços da indústria de petróleo, gás, offshore e naval que está em plena ascensão Atualmente, a Royal Vopak, com sede em Roterdã, na Holanda, é a uma das maiores operadoras de terminais de tanque do mundo, especializada em armazenagem e manuseio de líquidos e gases químicos e óleos.
Sidnei Aires também comentou sobre os recursos do segundo Programa de Aceleração do Crescimento (PAC 2), que seriam destinados aos novos projetos do porto. "Estivemos em Brasília recentemente, e conversamos com a Secretaria Especial de Portos, que já nos garantiu uma verba de R$ 800 milhões do PAC 2 para as obras, entretanto, estamos conversando para conseguir R$ 1 bilhão para 2011", contou Aires.
A verba seria destinada a dragagem e construção de novos berços de atracação. Segundo Aires, os recursos serão divididos quase igualmente entre os dois serviços capitaneados por Suape.
"A expectativa é de que todas as obras sejam iniciadas no primeiro semestre de 2012. O estudo de viabilidade de infraestrutura será apresentado até 15 de março. Quanto ao terminal açucareiro, a perspectiva é de que o processo licitatório comece em abril."
Porto de Santos
Para estreitar laços e trocar experiências em torno do desenvolvimento na área portuária, autoridades de Santos e de Valência, Espanha, assinaram acordo de cooperação técnica, comercial e de capacitação nesta quarta-feira (3). Na ocasião o prefeito João Paulo Tavares Papa destacou a semelhança entre os municípios, lembrando que o porto de Santos é líder na América do Sul, assim como o de Valência é no Mediterrâneo.
"Valência encontrou soluções criativas na questão da macrodrenagem na revitalização da área portuária. Queremos trocar estas experiências, aprender com as idéias e com as tecnologias utilizadas, e começar aqui uma relação de prosperidade, com ações concretas, que resultem em mais qualidade de vida para ambas as nações", comentou ele.
"Espero que Santos seja a porta de entrada do País à Europa e que Valência possa representar o mesmo para o comércio de vocês. Aqui começa uma colaboração responsável, que vai gerar riquezas e novos projetos", disse Francisco Campos Ortiz, presidente da Generalitat (província) de Valência, que equivale ao cargo de governador no Brasil, ao lembrar a importância das relações comerciais.
O Porto de Suape (PE) recebe 17 empresas que irão aplicar US$ 17 bilhões em seu complexo portuário e fecha acordo de cooperação com a Holanda, visando a bons negócios. (Net Marinha – 05/03/10)

Para CNI, produção não está sob pressão
Índice que mede a capacidade da indústria ficou estável em fevereiro.
Nível de Utilização da Capacidade Instalada (Nuci), que mede quanto da capacidade de produção das indústrias está em uso, ficou em 81,4% em janeiro, indicando estabilidade em relação aos 81,5% de dezembro. Para a Confederação Nacional da Indústria (CNI), os dados indicam que, do ponto de vista da atividade industrial, não há pressão sobre a produção e, portanto, também não há razão para que o Banco Central aumente os juros, ao contrário das previsões que vêm sendo feitas no mercado financeiro.
"Não teremos problemas para atender à demanda doméstica em 2010 e a pressão da inflação não vem da indústria", disse o gerente executivo da Unidade de Política Econômica da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Flávio Castelo Branco. Em janeiro do ano passado, quando a indústria sentia com mais firmeza os efeitos negativos da crise global, o Nuci estava em 77,8%. Antes da crise, o indicador chegou a 83,7%.
Para Castelo Branco, uma eventual alta da taxa Selic "teria efeito amortecedor no ritmo de crescimento" e na atividade industrial, que vem se recuperando gradualmente. Em janeiro, o faturamento real da indústria cresceu 7,7% ante mesmo mês do ano passado, quando os efeitos negativos da crise global eram maiores. Em relação a dezembro de 2009, porém, a CNI registrou queda de 3,6% no faturamento das empresas, na série com ajuste sazonal.
No documento em que apresenta os indicadores industriais, a CNI ressalta que, apesar da queda nos indicadores de faturamento, outros índices, como as horas trabalhadas e o emprego, continuam crescendo e apontam a continuidade da recuperação da indústria.
As horas trabalhadas cresceram 3,8% em janeiro, em relação ao mesmo mês do ano passado, e 0,6% na série dessazonalizada, na comparação com dezembro de 2009. O emprego subiu 1% em janeiro, ante mesmo mês de 2009, e 2% na comparação com dezembro de 2009, com ajuste sazonal.
Apesar da recuperação de alguns dos principais indicadores da atividade da indústria, Castelo Branco ressaltou que o parque fabril brasileiro ainda não atingiu o mesmo ritmo de antes do estouro da crise econômica, em setembro de 2008. "Mas acreditamos que o faturamento das indústrias passará o nível pré-crise ainda no primeiro semestre de 2010."
Em relação a outros índices, mais ligados ao emprego (horas trabalhadas, emprego e massa salarial), o economista acredita que a recuperação para um nível equivalente ao de antes do pico da crise só será atingida no segundo semestre. (O Estado de S. Paulo – 05/03/10)

Brasil cai 18 posições em ranking global de inovação
O Brasil despencou da 50ª para a 68ª posição no ranking mundial de inovação de 2010, que classifica as economias de Islândia, Suécia e Hong Kong como as três mais inovadoras do mundo.
Dentre os países latino-americanos, o país ficou apenas no 7º posto, perdendo para nações como Costa Rica, Chile e Uruguai. No ano passado, o Brasil era o 3º mais bem classificado na região. No grupo dos quatro Brics, o Brasil foi quem registrou o pior resultado neste ano.
Apesar desse cenário negativo, o Índice de Inovação Global divulgado nesta semana faz uma análise positiva sobre o futuro da inovação no Brasil.
A terceira edição do relatório produzido pela escola mundial de negócios Insead em parceria com a Confederação da Indústria Indiana (CII) destaca como principais forças inovadoras do Brasil "a exploração de petróleo em águas profundas, a agricultura tropical e a fabricação de aeronaves regionais".
A pesquisa classificou 132 países a partir de 60 indicadores diferentes, tais como patentes por milhão de habitantes, investimentos em pesquisa e desenvolvimento, usuários de internet banda larga e celulares por 100 pessoas e prazo médio para se abrir um negócio no país.
O estudo também tentou medir o impacto da inovação para o bem-estar social, incluindo dados de gastos com educação, PIB per capita e o índice Gini de desigualdade social.
O potencial brasileiro
A edição deste ano do Índice de Inovação Global contém um capítulo específico sobre o Brasil, que é tratado como "uma história de sucesso da América Latina", já que "depois de 2014, o Brasil deve se tornar a quinta maior economia do mundo, ultrapassando a Grã-Bretanha e a França".
Segundo o estudo, o país se destaca por seu pioneirismo na exploração de petróleo de águas profundas, "de onde 73% de suas reservas são extraídas", pela produção de etanol, que "muitas nações africanas, como o Sudão, tentam reproduzir", e pela fabricação de aeronaves regionais, setor em que a Embraer é líder mundial e que "exemplifica os benefícios de se adotar estratégias de negócios orientadas para a inovação".
Na visão do Insead e do CII, o Brasil leva vantagem em comparação com os demais Brics, apesar de ter registrado a pior posição no ranking. "Ao contrário da China, (o Brasil) é uma democracia. Ao contrário da Índia, não possui insurgentes, nem conflitos étnicos e religiosos, nem vizinhos hostis. Ao contrário da Rússia, exporta mais do que petróleo e armas e trata os investidores estrangeiros com respeito".
Segundo o relatório, um em cada oito adultos brasileiros já tentou abrir um negócio. Além disso, o país está na 13ª posição mundial em número de artigos científicos publicados em revistas acadêmicas.
No entanto, o texto também registra os obstáculos à inovação no Brasil, em especial a desigualdade social. A infra-estrutura brasileira seria inferior a da China e a da Coreia do Sul. O texto também defende que a inovação brasileira se beneficiaria muito se a proteção da propriedade intelectual fosse mais forte no país.
Com relação ao papel do Estado no estímulo à inovação, as políticas do governo nesse sentido "carecem de coerência e as instituições responsáveis por administrar os processos inovadores, como o Instituto Nacional de Propriedade Industrial (Inpi), mantêm tendências burocráticas e ineficientes".
Panorama mundial
Islândia, Suécia, Hong Kong, Suíça e Dinamarca lideram a edição deste ano do relatório.
O Índice de Inovação Global destaca o fato de os dez primeiros colocados de seu ranking serem nações relativamente pequenas, "cada uma tendo menos de 0,3% da população mundial". Na análise do Insead e do CII, proporções menores podem tornar mais eficazes as políticas públicas.
Os Estados Unidos, que lideraram a pesquisa do ano passado, caíram para a 11ª posição. O estudo responsabiliza a queda do investimento americano em inovação e a recente crise econômica como duas das principais causas da atual classificação do país em seu ranking.
Sétimo colocado, Cingapura também mereceu um capítulo especial no estudo. Nele, o "impressionante sucesso" do país é descrito como consequência da atuação do Estado. O investimento em educação, em pesquisa e na indústria tecnológica fizeram de Cingapura o país inovador que é hoje, segundo o estudo.
O país do sudeste asiático é exemplo do papel central do poder público no estímulo à inovação. "Governos devem intervir para formular regras eficientes com relação a patentes, direitos autorais e o problema da pirataria".
O texto conclui que o relatório 2010 demonstra que "os líderes de hoje não serão necessariamente os líderes de amanhã. Portanto, a inovação pode – e em geral deve – ser desobstrutiva para catalisar o processo". (BBC – 05/03/10)

Fluxo de dólares fica negativo pela 1ª vez em 11 meses
A decisão de alguns exportadores de deixar o dinheiro de suas vendas fora do país por mais tempo, por causa da queda recente do dólar, afetou o fluxo de moeda estrangeira para o Brasil em fevereiro. Por outro lado, a economia brasileira continuou a receber investimentos, principalmente de longo prazo, apesar das turbulências no cenário externo.
Segundo dados do Banco Central, no mês passado, a saída de dólares do país superou a entrada em US$ 399 milhões. Foi o primeiro resultado negativo em 11 meses, quando a crise financeira deixou de afetar o fluxo de moeda para o Brasil.
Esse número é dividido em duas partes. No segmento financeiro, que inclui não só os investimentos estrangeiros em Bolsa e títulos mas também recursos diretos para empresas, o resultado ficou positivo em US$ 1,9 bilhão.
Do outro lado da conta, houve saída de recursos. As operações de importação superaram as de exportação em US$ 2,3 bilhões. O número está pior do que o registrado pela balança comercial, já que os contratos de câmbio para comércio exterior não coincidem com as operações de embarque.
Segundo analistas, a queda recente do dólar pode ter levado alguns exportadores a adiar a transferência de dinheiro para o país. Por outro lado, importadores aproveitam a taxa favorável para antecipar o fechamento de contratos de câmbio.
Para a economista-chefe do banco ING, Zeina Latif, o resultado não representa reversão no fluxo de dinheiro para o país iniciado em abril de 2009. Pelo contrário. O dado positivo na área financeira mostra que o país continua atraindo capitais, principalmente de longo prazo, por conseguir se diferenciar de economias em dificuldade, como a Grécia.
O resultado negativo deve ser transitório, está relacionado à decisão do exportador de manter o dinheiro lá fora e não é nada que mexa com a perspectiva de fluxo de capitais.
Enquanto a Bolsa registrou saída de estrangeiros no primeiro bimestre, o indicador do BC para o fluxo de dólares na área financeira, que é mais abrangente, ficou positivo.
Uma explicação para isso são os dados divulgados na semana passada sobre as contas externas. Houve em fevereiro aumento no fluxo de dólares para empresas, incluindo empréstimos e novos investimentos. Além disso, as remessas de lucros e o envio de dinheiro para pagamento de juros caíram.
O sobe e desce no mercado de câmbio em fevereiro fez o BC praticamente ficar fora das negociações. Foram comprados apenas US$ 350 milhões, a menor intervenção desde que a instituição voltou a atuar para segurar a queda do dólar, em maio do ano passado. (Folha de S. Paulo – 04/03/10)

BNDES quer consolidação de empresas do setor elétrico
Assunto está na pauta do governo e da iniciativa privada, em negociações para a fusão de empresas do setor
Londres. O presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Luciano Coutinho, engrossou na quarta-feira (3) o coro em defesa da consolidação do setor elétrico, com a criação de grupos com disposição e capacidade para investir em grandes projetos do setor elétrico nacional. O assunto está na pauta do governo, que trabalha para fortalecer a Eletrobrás, e da iniciativa privada, em negociações para a fusão de empresas do setor.
"É de interesse do País ter investidores comprometidos, com estratégia mais proativa para a criação de novas unidades geradoras, mais transmissão e distribuição", afirmou Coutinho, em Londres, após participar de evento na Câmara Brasileira de Comércio na Grã-Bretanha. Ele não quis especificar qual seria o papel do BNDES na consolidação do setor elétrico. "Esse é um assunto fundamentalmente do setor privado, que depende de decisões de lideranças do setor privado", comentou.
Além de possível financiador de fusões e aquisições, o BNDES tem participação relevante na Brasiliana, holding de Eletropaulo e AES Tietê, controlada pela americana AES. A empresa é alvo de cobiça de grupos que vêm mostrando disposição em investir na criação de grandes grupos.
Nessa lista, destacam-se a construtora Camargo Corrêa, o fundo de pensão Previ (Banco do Brasil) e a estatal mineira Cemig. A Camargo pressiona pela união entre Brasiliana, CPFL e Neoenergia - as duas últimas com forte participação da Previ, que também já se pronunciou em favor de uma reorganização do setor. Já a Cemig expandiu seus domínios para o Rio com a compra da Light e não esconde o apetite pelo mercado paulista.
"O País está carente de grupos capacitados, fortes e comprometidos em investir firmemente no setor", defendeu Coutinho, sem declarar preferências por qualquer grupo. Ele disse que o mesmo raciocínio vale para o setor de etanol, que vem passando por uma série de fusões e aquisições. Ele frisou, porém, que o fortalecimento de grupos nacionais não é contrário à presença e ao desenvolvimento de companhias estrangeiras no segmento.
"Vários dos projetos recentes de empresas estrangeiras tiveram o apoio do BNDES." Segundo ele, o banco não entrará na estatal de telecomunicações estudada pelo governo, com a reativação da Telebrás. "O BNDES não entraria porque não é necessário", afirmou. Segundo Coutinho, o banco estará preparado para financiar os equipamentos e a expansão da infraestrutura das operadoras privadas e de quem estiver qualificado para atuar. No entanto, a Lei de Responsabilidade Fiscal não permite empréstimos do BNDES para empresas dependentes do Tesouro, lembrou. (América Econômica 04/03/10)

Exportador não quer só ajuda cambial
Os exportadores não estão otimistas com o pacote de apoio ao setor que o governo federal deve anunciar nos próximos dias. As propostas que estão em estudo pelos ministérios da Fazenda e do Desenvolvimento não devem atender às necessidades do setor, segundo a Abracex (Associação Brasileira de Comércio Exterior).
Só uma ajuda ao exportador é pouco. As medidas que virão do governo devem ser na área cambial e em alguma linha de financiamento especial, mas a necessidade é de uma política industrial, afirma Roberto Segatto, presidente da Abracex.
Segatto lembra que, no passado, o país tinha uma política industrial comandada pelo Conselho de Desenvolvimento Industrial, que mantinha o Befiex -programa de incentivo fiscal às exportações-, que foi responsável pelo crescimento da indústria brasileira, mas extinto na década de 90.
A Abracex encaminhou ao governo na segunda-feira o resultado de duas pesquisas realizadas com cerca de 300 empresários do setor.
O levantamento deixa claro que há necessidade do reaparelhamento do parque fabril brasileiro, diz Segatto.
Os principais requisitos apontados pela pesquisa foram: redução da carga tributária sobre a produção e financiamentos especiais para a remodelação do parque industrial.
As altas taxas, como Imposto de importação, IPI, ICMS, e problemas para a obtenção do atestado de similaridade na Abimaq (associação dos fabricantes) foram apontados como os principais entraves para a importação de equipamentos. (Folha de S. Paulo – 04/03/10)

Não é nada dramático
O saldo negativo do fluxo cambial em fevereiro, de US$ 399 milhões, não chegou a ser uma surpresa para os especialistas. Tem a ver, principalmente, com o desempenho da balança comercial e, em parte, com os problemas enfrentados por algumas economias europeias.
Ex-diretor do Banco Central, Carlos Thadeu de Freitas é seguro na avaliação: Não é nada dramático. É uma situação temporária. Tem muito a ver com a sazonalidade da balança comercial. Começamos o ano importando mais, mas isso não vai persistir porque as commodities vão puxar o aumento das exportações.
Além do aumento nas exportações, o Brasil deve contar com outro reforço no fluxo cambial. O País vai continuar a atrair investidores estrangeiros, principalmente para a compra de títulos públicos. Temos um diferencial de taxa de juros muito forte, com previsão de alta. Então, não tenho motivo para mudar minha expectativa para este ano, afirma.
Economista-chefe da Link Investimentos, Marianna de Oliveira Costa também acredita na melhora do fluxo cambial puxada pelas exportações de commodities. Mas trabalhamos com uma previsão perto de zero no saldo comercial, ressalva. Mas ela lembra: O crescimento maior do que se espera para a economia este ano deverá resultar em aumento das importações em áreas em que não somos autossuficientes.
Ela lembra, por exemplo, que as gruas usadas na construção civil são alugadas de estrangeiros, em dólar. Além disso, as exportações de commodities, apesar de ajudarem na balança comercial, resultam em custo de frete para os embarques. Fora o fato de os brasileiros estarem viajando cada vez mais para o exterior. Por isso, a previsão é negativa para o saldo em transações correntes, comenta.
Por outro lado, Marianna também aposta no crescente volume de dólares trazidos por investidores estrangeiros. Um dos chamarizes, diz, será a retomada dos lançamentos iniciais de ações (IPO) de empresas brasileiras. O que vimos em outros anos foi que 60% dessas ações foram compradas por estrangeiros, diz. (O Estado de S. Paulo – 04/03/10)

Distorção na indústria do Brasil
Há algo estranho no comércio exterior brasileiro. Sabemos que estamos nos transformando cada vez mais em exportador de commodities - as exportações representam 36,4% da nossa balança -, mas não sabíamos ainda que a indústria está importando cada vez mais matérias-primas e bens duráveis. Isto é, estamos importando produtos de consumo que também produzimos no País.
Em outras palavras, lembra editorial no caderno de Economia do Estado de ontem, isso parece indicar que nossa indústria está se transformando cada vez numa atividade de montagem, importando mais bens e insumos para vender no País, sem chegar a ter uma produção competitiva nos bens de alta tecnologia.
Estamos em parte abastecendo o mercado interno não mais com produtos fabricados, mas montados com itens importados. Leia-se, produtos da China, entre outros.
Não é uma desindustrialização, como se poderia dizer, mas um empobrecimento relativo da indústria nacional. É o que revelam os números da balança comercial no primeiro bimestre do ano anunciados pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria e comércio exterior.
COMMODITIZAÇÃO
Há explicações para isso, mas não convincentes. Afirma-se que é um processo decorrente do excepcional aumento dos preços das commodities nos anos dourados da economia mundial que antecederam à crise. Houve um crescimento extraordinário nas exportações de produtos agrícolas e minerais, que desde então passaram a dominar a pauta do comércio exterior. As vendas industriais também cresceram, mas em ritmo bem menor. O setor de commodities era mais bem estruturado que o setor industrial.
Outro motivo: a crise atingiu mais duramente a demanda de produtos industriais do que o agrícolas.
São argumentos válidos, mas não explicam totalmente esse aumento das importações (vejam bem, importações e não exportações de bens industriais, neste momento em que a economia mundial começa a se recuperar).
CAMBIO, ETC.
Há ainda o argumento da desvalorização do dólar que favorece as importações, e até ajuda no controle da inflação. Mas esse é um fenômeno que afeta toda a pauta comercial, desde produtos como commodities a produtos industriais. Sei que é mais difícil exportar bens acabados, com alto valor agregado, que produtos primários, principalmente num mercado mundial ainda em recuperação. Isso, porém, não explica nem justifica o aumento das importações de bens intermediários do setor industrial.
No fundo, tudo indica estar havendo uma falta de política industrial integrada, difícil de se obter quando os ministérios não se entendem.
A manter esse clima, a tendência é de que não só a agricultura continuará superando a indústria na área do comércio exterior, como a própria indústria caminha para o que poderíamos chamar de terceirização. É um processo ainda incipiente, mas perigoso por ser indolor.
1 BILHÃO DE FAMINTOS
Jamil Chade, correspondente do Estado em Genebra, está lançando hoje, no Shopping Higienópolis, a partir das 19h30, o seu livro O Mundo não é Plano. A tragédia silenciosa de 1 bilhão da Famintos. Um livro-análise-reportagem bem documentado sobre o drama da fome no mundo. Destaque especial para suas viagens à África e à Itália, onde viu de perto o desespero dos imigrantes ilegais que tentam fugir da fome. (O Estado de S. Paulo – 04/03/10)

Fluxo cambial fica negativo pela 1ª vez após 11 meses
O enfraquecimento do saldo da balança comercial levou o Brasil a registrar, em fevereiro, volume maior de saída do que de entrada de moeda estrangeira no mercado de câmbio, interrompendo 11 meses seguidos de resultados positivos. De acordo com dados divulgados ontem pelo Banco Central, o fluxo cambial no mês passado foi negativo em US$ 399 milhões. A última vez em que isso ocorreu foi em março de 2009, quando a crise internacional ainda estava forte e o saldo cambial foi negativo em US$ 797 milhões.
A aceleração nas importações, combinada com a queda no ritmo das exportações, foi decisiva para o saldo negativo de fevereiro. O chamado fluxo comercial teve déficit de US$ 2,29 bilhões. Isso foi só parcialmente compensado pelo fluxo financeiro (contabiliza os investimentos diretos no setor produtivo, em ações, renda fixa, e as remessas de lucros, entre outros itens), que teve saldo positivo de US$ 1,89 bilhão. Ou seja, a tendência de piora na balança comercial foi marcante para o mercado de câmbio no mês passado.
Para o analista de câmbio da corretora Liquidez, Mário Paiva, o resultado de fevereiro não deve ser visto como uma tendência de saldos negativos no fluxo cambial neste ano. Segundo ele, apesar de a trajetória do câmbio comercial ser de resultados mais fracos, e algumas vezes até negativos como em fevereiro, do lado financeiro a expectativa é bastante favorável, por causa dos fundamentos da economia brasileira.
O Brasil tem uma postura econômica que agrada ao investidor estrangeiro, disse Paiva, mencionando fatores com as elevadas reservas internacionais e a expectativa de queda na dívida em proporção do Produto Interno Bruto (PIB) este ano: A tendência é que o fluxo fique positivo no ano entre US$ 10 bilhões e US$ 20 bilhões. O Brasil é visto como um País confiável.
Apesar do saldo negativo de fevereiro, o fluxo de dólares para o Brasil no acumulado do ano ainda é positivo em US$ 676 milhões, resultado de um déficit comercial de US$ 2,43 bilhões e um superávit financeiro de US$ 3,11 bilhões. No mesmo período, o Banco Central adquiriu no mercado de câmbio à vista US$ 2,06 bilhões para as reservas internacionais. Em fevereiro, mesmo com saída líquida de dólares, o BC comprou US$ 350 milhões.
Essa postura do BC de adquirir moeda estrangeira acima do fluxo é questionada por alguns analistas de mercado. Eles apontam o custo fiscal dessas operações como uma despesa desnecessária, já que o nível das reservas estaria alto o suficiente para funcionar como um seguro contra a crise. Na direção contrária, o BC considera importante manter a estratégia de acumulação de reservas e acredita que a política de adquirir o volume equivalente ao fluxo cambial deve ser olhada em um horizonte de mais longo prazo. (O Estado de S. Paulo – 04/03/10)

Governo fecha pacote de estímulo
O governo deve anunciar até o fim deste mês as medidas de estímulo ao setor exportador, segundo informou o ministro do Desenvolvimento, Indústria e comércio exterior, Miguel Jorge. A preocupação com a competição acirrada no mercado internacional, a valorização do real e o aumento forte das importações foram debatidos ontem durante a reunião do Grupo de Acompanhamento do Crescimento (GAC), no Ministério da Fazenda.
Jorge disse que os trabalhos técnicos estão praticamente concluídos. Ele e o ministro da Fazenda, Guido Mantega, devem se reunir até o fim da próxima semana para fechar o pacote que será apresentado ao presidente Lula. Segundo ele, as propostas visam a desburocratizar, reduzir custos das exportações e melhorar os financiamentos e as garantias de crédito ao exportador. Ele garantiu que não há medidas cambiais.
O ministro confirmou que entre as medidas estará a criação de um braço do BNDES para operar o comércio exterior, nos moldes do Eximbank americano. Estamos usando o BNDES, criando uma diretoria especial só para exportação.
Ele, no entanto, destacou que o Banco do Brasil continuará a ter um papel preponderante na questão das exportações brasileiras. O Banco do Brasil é quem tem a capilaridade para trabalhar o processo de financiamento das exportações. O Banco do Brasil também disputava as funções de Eximbank.
O presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Armando Monteiro Neto, defendeu, na reunião do GAC, a necessidade de resolver o problema de acúmulo de créditos tributários do setor exportador. Neste cenário pós-crise, que tem um acirramento da competição, além da desvantagem de o real estar valorizado, ou o Brasil avança para melhorar na burocracia, nas condições de financiamento e para desonerar as exportações, ou vamos perder espaço no mercado externo.
Paulo Godoy, presidente da Associação Brasileira da Infraestrutura e Indústrias de Base (Abdib), afirmou que o grande desafio para o setor de infraestrutura é garantir a oferta de financiamentos de longo prazo.
O setor espera que os investimentos anuais cheguem a R$ 160 bilhões em 2014, ante os R$ 106 bilhões atuais. A Abdib calcula que será necessário ampliar em mais R$ 40 bilhões a oferta de crédito atual para atender a essa previsão de investimentos. (O estado de S. Paulo – 04/03/10)

Dólar ignora fluxo e sobe a R$ 1,79
O dólar interrompeu ontem sequência de três quedas, durante as quais acumulou perda de 2,7%. Fechou em valorização de 0,44%, cotado a R$ 1,79. Como na queda, também na alta o dólar contrariou a tendência externa. O pacote fiscal grego agradou, abrindo a possibilidade de se encontrar uma solução caseira que evite o default e o esgarçamento da União Europeia. Tanto o euro quanto a libra se valorizaram diante da moeda americana, atraindo investidores globais que estavam buscando refúgio no Brasil. O governo grego parece estar disposto a tudo para colocar em dia as finanças públicas. Anunciou novas medidas de austeridade fiscal, incluindo cortes salariais de servidores públicos e aumento de impostos cobrados na circulação de mercadorias. O pacote deve permitir uma economia de € 4 bilhões no ano.
Nos EUA foram divulgados indicadores positivos. O índice de atividade do setor de serviços calculado pelo Instituto de Gerentes de Compras (ISM, na sigla em inglês) subiu de 50,5 pontos em janeiro para 53 em fevereiro, melhor leitura em dois anos. O mercado de trabalho emite sinais mais consistentes de recuperação. O setor privado americano cortou mais 20 mil postos em fevereiro, segundo pesquisa feita pela empresa privada ADP. Foi o 24º mês consecutivo de variação negativa, porém num ritmo bem menor se comparado com o auge de cortes registrado em março de 2009, com extinção de 736 mil empregos. O dado mostra que o pior da crise financeira já foi absorvido pelo mercado de trabalho, porém novas oportunidades de emprego seguem ainda muito limitadas devido à fragilidade da economia americana, diz Inês Filipa, economista da ICAP Brasil.
Os dados divulgados ontem pelo BC sobre a balança cambial de fevereiro comprovam o argumento de que a cotação do dólar segue, no Brasil, o viés determinado pelos movimentos globais de capital. O preço está desvinculado da lei da oferta e da procura. Em fevereiro, faltou dólar na praça e, mesmo assim, a cotação caiu 4,14%. Na quarta semana de fevereiro, o BC não parou de comprar dólares por meio dos seus leilões diários apesar de o fluxo cambial se mostrar negativo. A entrada de US$ 60 milhões pela conta financeira não cobriu a saída líquida de US$ 190 milhões pela comercial. O déficit foi de US$ 130 milhões, mesmo assim o BC adquiriu US$ 48 milhões, reduzindo as posições compradas à vista registrada pelos bancos. Foi uma continuidade da estratégia de intervenção desenvolvida ao longo do mês passado. No acumulado de fevereiro, para um fluxo líquido negativo de US$ 399 milhões, o BC comprou US$ 350 milhões. Para o mercado, as duas contas deficitárias devem ser somadas resultando numa falta de US$ 749 milhões. Essa falta foi quase inteiramente suprida pelas posições compradas. Estas caíram de US$ 2,663 bilhões para US$ 2,070 bilhões.
O diretor da corretora NGO Câmbio, Sidnei Nehme, destaca que as importações estão se fortalecendo muito este ano. Em fevereiro de 2009 o fluxo de exportações foi de US$ 10,482 bilhões e em 2010 foram registrados US$ 10,085 bilhões, enquanto que em 2009 o Brasil teve em fevereiro fluxo de importações de US$ 7,611 bilhões e em 2010 contabilizou-se US$ 12,371 bilhões.
Na expectativa de divulgação hoje e sexta-feira de importantes indicadores sobre atividade (o IBGE divulga hoje a produção industrial de janeiro) e inflação (sai na sexta o IPCA fechado de fevereiro), o mercado futuro de juros ajustou para cima suas projeções de CDI. A taxa para a virada do ano avançou de 10,44% para 10,47%. O CDI para janeiro de 2012 subiu de 11,57% para 11,63%. A taxa do swap de 360 dias passou de 10,74% para 10,76%.
Para o economista Marco Garcia, da Mag Consultoria, o ponto de equilíbrio do juro é dado pelo contrato mais líquido negociado no pregão de DI futuro da BM&F. Pois é onde a maioria dos agentes vai buscar refúgio. O swap de 360 dias é o favorito de Garcia. E esta taxa já está perto de 10,80%. Se a Selic for fixada acima desse DI, as aplicações do mercado migram para o BC e o Tesouro. Com isso, o governo consegue retirar moeda. No caso inverso, o dinheiro sai do governo e a economia recebe um influxo de capital. Mas a Selic não regula apenas a oferta e a quantidade disponível de moeda. Age sobre as expectativas, a demanda e o ânimo dos empresários. O primeiro efeito de uma taxa básica expansionista é fazer os agentes optarem por consumir. O segundo é o descasamento entre oferta (os investimentos acontecem depois da demanda) e procura (sempre na frente e mais veloz). A inflação é a consequência natural, diz Garcia. Para o economista, o juro real acompanha a inflação: quanto mais alentada a expectativa de inflação, maior o juro real. (Valor Econômico – 04/03/10)

A gangorra dólar versus commodities
O dólar virou a moeda crítica. Ganha valor nos momentos de catástrofe e perde poder de compra sempre que o otimismo volta a reinar. Ontem, bastou o mercado - esse ente abstrato, porém com poder absoluto sobre expectativas e preços - manifestar confiança no plano de recuperação das finanças públicas anunciado pela Grécia para que o dólar perdesse valor face a maior parte das moedas, não apenas diante do euro.
Na direção oposta, como tem sido o costume, os minerais subiram. Cobre, a despeito do terremoto chileno, zinco, níquel e chumbo registram altas de preços no mercado de Londres. O petróleo também subiu. Essa é uma tendência que tem se confirmado nos últimos anos, interrompida apenas por um breve intervalo de tempo entre fins de 2008 e primeiro trimestre de 2009, quando o mundo vivia o auge da recessão deflagrada pela crise financeira internacional.
Naqueles dias de dúvida e de aflição, o dólar confirmou-se como o ativo de preferência, para onde todos correm quando se sentem na iminência de uma catástrofe. Com exceção do período mais nebuloso, o dólar manteve-se nos últimos dez a quinze anos em processo de desvalorização, muito conveniente ao padrão de expansão da economia dos Estados Unidos, movida pela demanda por produtos importados. A queda do dólar também ajudou a encaixar na nova realidade econômica mundial o contínuo crescimento da China.
Sempre que há uma notícia ruim, com potencial para desestabilizar a economia mundial, como foi o caso do déficit grego, o dólar ganha espaço. O contrário, quando os Estados Unidos apresentam sinais de recuperação ou quando as perspectivas de medos maiores se dissipam, o dólar volta a perder terreno. Isso ocorreu nos últimos dias. É claro que boa parte da desvalorização do dólar face ao euro, principalmente, tem a ver com a crença dos mercados, tirada dos chapéus de alguns mágicos de plantão, de que, bem, o problema da Europa não é tão grave quanto se imaginava há bem pouco tempo. Sabe-se que essa é uma falsa verdade. O euro permanecerá sob pressão, como se a espádua de Dâmocles pairasse sobre toda a União Europeia (UE), até que as economias mais fracas da região encontrem formas de vencer suas ineficiências internas.
Mas a questão a destacar aqui é a do comportamento das commodities minerais que retomaram firmemente o processo de valorização a partir de meados do ano passado. A explicação é simples: uma vez recobrada a confiança na retomada do crescimento em geral, com a China reforçando a função de carro-chefe da economia mundial, os preços das commodities só tendem, em média, a subir.
Por exemplo, os preços do níquel no mercado internacional têm sido pressionados em boa parte pela informação de que a produção do metal tende a cair abaixo da demanda em quatro anos. Motivo: o crescente uso de níquel na produção de aço inoxidável por parte da China.
Parece que o dólar se manterá desvalorizado enquanto os preços das commodities se mantiverem em alta. É como se essa fosse a principal relação econômica a reger tudo o mais na economia.
Duas perguntas se impõem, supondo que essa relação seja efetivamente relevante: até quando os minerais vão continuar a sofrer valorização no mercado internacional e em que medida isso vai beneficiar as economias em desenvolvimento, exportadoras de commodities?
A primeira pergunta é difícil de responder. Os preços para frente podem ser indicados pelos movimentos dos mercados futuros que nem sempre, porém, refletem os fundamentos econômicos e suas perspectivas. No entanto, uma boa indicação pode ser encontrada nos prognósticos oficiais do Banco Mundial. A instituição prevê que os preços das commodities minerais tendem a se estabilizar a partir de 2015. A tabela prospectiva do Banco Mundial indica que em 2020 aqueles produtos estarão sendo comercializados no mundo por preços equivalentes aos praticados em 2015. Isso quer dizer, em resumo, que as cotações não continuarão subindo indefinidamente, mas tenderão a se estabilizar em patamar elevado.
A outra questão, relacionada aos benefícios para os países em desenvolvimento, tem a ver muito mais com as políticas a serem adotadas internamente pelos exportadores de commodities. Um bom resumo das alternativas e implicações das políticas pode ser encontrado no texto Natural Resources and Development Strategy after Crisis (Recursos naturais e estratégia de desenvolvimento depois da crise). É de autoria dos economistas Otaviano Canuto e Milan Brahmbhatt, respectivamente, vice-presidente, além de chefe da rede de redução da pobreza e gerenciamento econômico, e assessor econômico do Banco Mundial, recentemente publicado.
Eles observam que nesta década os preços das commodities em geral mantiveram-se acima da média observada entre 2005 e 2007, o período de maior crescimento. Isso a despeito mesmo da recessão ocorrida entre 2008 e 2009. Confirmam que os países em desenvolvimento têm boa parte de sua pauta de exportação composta por commodities em geral e matérias-primas, mas chamam atenção para a forma de medir essa dependência.
Se os países em desenvolvimento forem agrupados sem maiores distinções, conclui-se que apenas 40% das mercadorias agregadas exportadas eram produtos primários em termos de valor no período entre 2005 e 2007, significando uma redução quando comparado aos 50% de participação das commodities nas pautas agregadas no início dos anos 90.
Porém, quando se mede o comportamento considerando uma simples média entre os países (reduzindo, assim, impacto da China que é grande exportador de produtos industrializados), chega-se à conclusão de que as commodities respondiam por 60% das exportações na média dos países em desenvolvimento em meados desta década. Embora elevada, aquela média estava bem abaixo dos 90% registrados no final dos anos 60. Considerando a mediana, os autores observam que metade dos países em desenvolvimento ainda são dependentes da exportação de commodities em mais de 70% da pauta de exportação.
Em resumo: enquanto os preços dos produtos primários estiverem altos, os países em desenvolvimento poderão garantir substanciais receitas cambiais, contribuindo para o enfraquecimento internacional do dólar. (Valor Econômico – 04/03/10)

Eximbank brasileiro será criado como diretoria do BNDES, diz ministro
O pacote de incentivos às exportações deve ser anunciado até o fim de março, disse, ontem, o ministro de Desenvolvimento, Miguel Jorge, conforme adiantou o Valor na edição da última segunda-feira. Ele acredita que pode ser criado ainda este ano um banco específico para o comércio exterior, a exemplo do Eximbank. Ele informou que o esboço das medidas está pronto, faltando apenas uma reunião específica dele com o ministro da Fazenda, Guido Mantega, para fechar o pacote.
Ontem, durante reunião do Grupo de Acompanhamento do Crescimento (GAC), os empresários pediram pressa ao governo no pacote de estímulo à exportação. O presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Armando Monteiro Neto, resumiu a posição geral queixando-se da forte alta das importações no primeiro bimestre do ano. Além, disso, o exportador sofre com o o acúmulo de créditos, disse ele. As companhias que atuam somente no mercado interno conseguem compensar impostos como o PIS/Cofins na compra de insumos ou no pagamento de outros tributos, mas o exportador, não, argumentou ele.
Entre as medidas em estudo, Miguel Jorge destacou que deve ser criado ainda este ano o Eximbank, uma carteira bancária especial voltada para o financiamento ao comércio exterior. Será uma diretoria especial do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social BNDES), explicou. Criar um banco novo seria muito burocrático, demoraria muito, explicou.
O ministro também destacou a desburocratização para reduzir custos das operações de comércio exterior, mais financiamentos e garantias, aumento de missões comerciais e de mercados compradores, além de medidas de ordem tributária como devolução de crédito ao exportador. É um projeto para melhorar a capacidade do Brasil exportar, resumiu o ministro do Desenvolvimento.
Os ministros e técnicos do governo ouviram ainda reivindicações pontuais de vários setores, a maioria no sentido de reforçar a competitividade dos produtos brasileiros no mercado externo. (Valor Econômico – 04/03/10)

Saída de dólares supera entrada pela 1ª vez em 11 meses
A saída de dólares superou a entrada no Brasil pela primeira vez em 11 meses, segundo dados divulgados nesta quarta-feira pelo Banco Central. O fluxo cambial em fevereiro ficou negativo em US$ 399 milhões.
Em janeiro, o saldo foi positivo em US$ 1,07 bilhão. No acumulado do ano, o fluxo cambial é positivo em US$ 676 milhões -- no mesmo período do ano passado era negativo em US$ 2,17 bilhões.
O setor financeiro --que inclui aplicações, investimentos, gastos e remessas de lucros-- registrou fluxo positivo de US$ 1,88 bilhão em fevereiro, ou seja, entraram mais recursos do que saíram no país nessa conta. Já a área comercial --que registra as compras e vendas de produtos entre o Brasil e outros países-- teve resultado negativo de US$ 2,28 bilhões.
No ano passado, o fluxo cambial foi positivo em US$ 28,7 bilhões --a grande entrada de dólares no Brasil contribuiu para derrubar a cotação da moeda norte-americana.
Reservas
O Banco Central divulgou também dados relativos às intervenções da autoridade monetária no mercado de dólar. Em fevereiro, a autoridade monetária comprou US$ 350 milhões no mercado de dólar à vista, valor que afeta os níveis das reservas internacionais, que até ontem estavam em US$ 241,2 bilhões, segundo o BC. (Folha de S. Paulo – 03/03/10)

O Chile se preparou
O Chile sempre foi apontado como modelo na região. Foi o país de crescimento mais rápido na América Latina em duas décadas, foi o que fez reformas mais cedo, tem a maior renda per capita, a melhor situação fiscal, e foi o que primeiro começou a se preparar para dias mais difíceis do ponto de vista fiscal. O dia difícil chegou. E agora se verá a vantagem de estar preparado.
Neste momento, a solidez fiscal ajudará a reconstrução de um país onde a terra tremeu numa dimensão que nenhum brasileiro, que não estava lá na hora, pode imaginar.
Deve ter sido aterrorizante para pessoas de um país que dorme no meio de estáveis placas tectônicas.
Como disse, de lá, a escritora Ana Maria Machado, em entrevista, se a noção de segurança para os seres humanos vem da terra firme, o que se pode dizer quando a terra não fica firme? O custo humano e econômico do terremoto é alto, mas o que o Chile está ensinando é que vale a pena se preparar.
Na economia, o país decidiu assim que o cobre começou a subir — junto com todas as outras commodities metálicas —, a partir de 2003, que era necessário constituir um fundo de reserva.
O nosso fundo foi feito na undécima hora. O deles, na primeira.
Em 2003, o país conseguiu com o cobre, que representa 50% das exportações, US$ 7,8 bilhões. No ano seguinte, o dobro disso, e continuou aumentando, até chegar a 2007, no pico, em que a exportação do produto rendeu US$ 37 bilhões ao Chile. Nos anos seguintes, caiu.
Nesse boom, de 2004 a 2007, o Chile decidiu constituir fora do país um fundo que impedia que a entrada excessiva de dólares da exportação valorizasse exageradamente o peso, e ainda promovia uma reserva para contingências. Isso, além do aumento das reservas cambiais e do ajuste das contas públicas.
Ele não é perfeito. Tem um aleijão fiscal que é a lei que determina que parte das receitas da Codelco, estatal de cobre, seja uma espécie de recurso extra-orçamento que financia as Forças Armadas. Esse atalho fiscal criado pelo governo militar nunca foi corrigido em duas décadas de governo civil de centro-esquerda.
O novo presidente, Sebastián Piñera, do partido de direita, prometeu alterar isso. A conferir.
As contas ajustadas, as reservas cambiais, o fundo de reservas off-shore, a reputação de ser fiscalmente responsável, tudo isso ajudará agora o Chile na hora da reconstrução.
O terremoto é doloroso seja qual for a situação. As primeiras contas mostram a necessidade de reconstruir 1,5 milhão de residências, o setor mais afetado.
Parte da infraestrutura foi atingida, o que complica a vida de um país que tem modelo exportador e é a economia mais aberta da América Latina.
O novo governo, que assumirá em oito dias, herdará o caos provocado pelo terremoto, a desordem civil criada pelo surto de saques, e o descontentamento social.
Assumirá o país que teve, depois de longo crescimento, uma recessão de 1,9% no ano passado e que em 2010 estava começando a retomar o crescimento.
Os analistas das diversas consultorias internacionais, que se debruçam sobre o Chile agora para fazer projeções, coincidem em que o primeiro trimestre foi definitivamente afetado.
Em março, a economia cresceria no ritmo de 4%, e ninguém sabe se vai crescer.
As previsões são otimistas no geral. A ideia é que o país retomará a normalidade na produção de cobre — o Chile é responsável por 35% da exportação mundial do metal e voltará a atrair investimentos.
Tanto que o cobre subiu na segunda-feira, num primeiro momento, mas depois cedeu um pouco com a melhora das expectativas em relação à capacidade do país de voltar à normalidade. O peso se desvalorizou, para se recuperar ontem.
O Chile, no período do seu crescimento sustentado, reduziu drasticamente seus problemas sociais. De 1990 a 2006 diminuiu em 21% a desigualdade entre os 10% mais ricos e os 10% mais pobres. Reduziu o percentual de pobres em 64% e de extremamente pobres em 75%. Tem os melhores indicadores educacionais da região. Além disso, sabedor de que é uma área sujeita a terremotos e tsunamis, investiu no reforço da defesa civil.
Mesmo com todas as prevenções contra crises e desastres, o país está contando seus mortos e se preparando para um longo trabalho de reconstrução. De qualquer maneira, o Chile prova que o responsável é sempre se preparar para dias piores. Ele precisará de ajuda internacional e o custo será alto, mas o país tirou o melhor proveito dos momentos de abundância e terra firme. Já fez um bom trabalho por anos a fio, agora precisa de sorte. E solidariedade.
Que tenha os dois. (O Globo – 03/03/10)

Aumento das importações e indústria
O exame dos dados de fevereiro do comércio exterior causa uma grande perplexidade: a boa notícia de que as exportações cresceram 19,9% em relação ao mês anterior e 24,5% no bimestre, ante o mesmo período do ano passado, choca-se com a má notícia das importações, com crescimentos respectivos de 50,8% e 31,7%. Com isso, o superávit comercial no bimestre caiu 81%, contribuindo para a deterioração das transações correntes do balanço de pagamentos.
O aumento registrado das exportações não deixa esquecer que a base de comparação é muito ruim, pois no início do ano passado estávamos num quadro de crise mundial. No entanto, deve-se notar que o maior aumento foi de produtos básicos (28,6%), cuja participação passou de 36,4%, em 2009, para 37,6% neste ano, enquanto os produtos industrializados registram aumento de 20,9% (20,6% para os manufaturados, cuja participação no total, de 44,8%, acusa redução de 1,4 ponto porcentual - p.p.).
A tendência é dos produtos básicos ganharem terreno na pauta, enquanto a indústria tem dificuldades para exportar, com o maior aumento de vendas sendo dirigido para o Mercosul, o Oriente Médio e a Europa Oriental.
A evolução das importações levanta questões mais preocupantes. No bimestre, o maior crescimento se registrou no caso dos bens de consumo duráveis (65,2%, com 97,1% para automóveis); o menor, nos bens de capital (17,2%). Isso reflete, de um lado, a indecisão da indústria no que se refere à sua modernização - o que levanta dúvidas sobre as declarações do presidente da Fiesp, ao assegurar que a indústria acompanhará a demanda doméstica. Por outro lado, constatam-se os efeitos de uma taxa cambial excessivamente valorizada, que favorece as importações, e da melhoria da renda, que induz à compra de carros estrangeiros, apesar do encolhimento da classe A de renda.
Mas, quando se considera a participação dos diversos itens no total das importações, verifica-se que os bens de consumo duráveis, com 9,7%, subiram 2 p.p., mas as matérias-primas e bens intermediários detêm a maior participação (48,4%), que subiu 0,8 p.p.
Isso parece indicar que nossa indústria se está transformando cada vez mais numa atividade de montagem, importando mais bens e insumos para entregar produtos finais no País, sem chegar a ter uma produção internacionalmente competitiva nos bens de mais alta tecnologia. (O Estado de S. Paulo – 03/03/10)

Peso de bens de capital importados no mercado brasileiro caiu para30,9%
Em 2009, a participação das importações no mercado interno do país teve queda. O coeficiente de importação, que mede a representatividade dos importados no consumo interno, caiu de 20,9% em 2008 para 19,2% no ano passado.
O levantamento, feito pela Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), mostra ainda que a queda de participação ficou mais concentrada em bens de capital e bens intermediários. Os decréscimos foram de 2,9 pontos percentuais e de 1,7 ponto percentual, ficando em 30,9% e 19%, respectivamente. A representatividade das importações dos bens de consumo teve queda pequena, de 0,4 ponto percentual. Isso revela que os fabricantes desses tipos de bens não conseguiram aproveitar o momento de crise para aumentar sua fatia no mercado interno.
Entre os setores em que as importações perderam espaço no consumo interno está o de aeronaves, ferrovias e embarcações. Em 2008, 32,4% do consumo de bens desse setor era comprado do exterior. No ano passado, essa participação caiu para 23,6%. Segundo análise da Fiesp, em 2009, com a crise, o mercado doméstico desempenhou papel importante porque absorveu a produção do setor. No segmento de embarcações, especificamente, houve aquecimento de demanda causado principalmente pela descoberta do pré-sal.
Outro setor em que os importados perderam espaço no consumo interno foi o de equipamentos médicos e hospitalares, com queda de 5,9 pontos percentuais no coeficiente de importação. O segmento, porém, ainda é um dos que possuem maior participação de bens importados no consumo interno.
Em sentido inverso, os fabricantes brasileiros de vestuário perderam espaço para as importações no ano passado. O coeficiente de importação do setor aumentou de 4,9% para 5,5%.
No lado das exportações, as vendas ao exterior perderam representatividade na produção doméstica. O coeficiente de exportação caiu de 22,1% em 2008 para 21,1% no ano passado. Os bens de capital puxaram a queda. A participação das vendas ao exterior na produção nacional desse tipo de bem caiu de 25,5% em 2008 para 17,9% para 2009. Os bens de consumo também tiveram decréscimo, com queda de 1,7 ponto percentual no mesmo período. Os bens intermediários foram em sentido inverso. O coeficiente de exportação dos insumos industriais aumentou de 22,3% em 2008 para 23,3% no ano passado.
Segundo relatório da Fiesp, os setores industriais que mais agregam valor são os que têm sofrido maior queda nas receitas com exportação. O setor de veículos e autopeças, por exemplo, viu seu coeficiente de exportação cair de 15,8% em 2008 para 10% em 2009. O setor de máquinas e equipamentos teve queda de 6,3 pontos percentuais no mesmo período. (Valor Econômico – 03/03/10)

Saldo comercial cai 82% no 1º bimestre, o mais baixo desde 2002 em fevereiro.
Superavit de US$ 394 mi em fevereiro é o mais baixo para o mês desde 2002; importações crescem o dobro das exportações. Governo espera mais vendas nos próximos meses, com embarque de commodities; crescimento do país explica descompasso na balança. A recuperação de mercados internacionaisajudou a elevar as exportações brasileiras  com alta de 27,2% ante fevereiro de 2009.
Apesar do desempenho recorde da média diária das exportações para o segundo mês do ano, o crescimento das importações em fevereiro para um patamar também inédito para o período derrubou o saldo comercial brasileiro. O resultado, US$ 394 milhões, é o mais baixo para o mês desde 2002, quando o comércio do país com o exterior registrou superavit de US$ 265 milhões.
Com o saldo negativo de janeiro em US$ 166 milhões, o primeiro bimestre de 2010 registrou um superavit (US$ 228 milhões) 81,5% inferior ao do início de 2009. Diante desse cenário, o mercado já prevê um resultado em torno de US$ 10 bilhões neste ano, bem inferior aos US$ 25,3 bilhões de 2009.
A recuperação de mercados internacionais, principalmente países emergentes, ajudou a elevar as exportações brasileiras no mês, para US$ 12,197 bilhões -alta de 27,2% ante fevereiro de 2009, quando a crise ainda causava maiores impactos sobre o comércio mundial.
No entanto, o ritmo de crescimento da economia brasileira nos últimos meses, aliado ao câmbio favorável, deu um impulso de 50,8% às importações na mesma comparação, para US$ 11,803 bilhões em fevereiro deste ano. Segundo o secretário de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Welber Barral, o menor saldo comercial já era esperado.
"São dois fenômenos interligados. Na medida em que o país exporta mais, precisa importar mais insumos para a produção industrial. Além disso, com o mercado doméstico aquecido, há aumento nas compras para suprir o que não se fabrica no país", afirma.
Embora a base de comparação seja baixa, ele destacou o crescimento das vendas em relação a 2009, sobretudo para a Argentina, cujo aumento nas compras de produtos brasileiros foi de 66,1%, movimento liderado pela cadeia automotiva.
Além disso, disse Barral, o volume de exportações normalmente decola a partir de abril, quando os embarques de commodities, como a soja, intensificam-se. "O superavit pode ser maior nos próximos meses. Provavelmente não teremos deficit no ano", afirmou.
Para o economista do Itaú-Unibanco Darwin Salles Dib, o descompasso na balança é normal porque as importações tendem a reagir mais rápido ao crescimento doméstico do que as exportações em relação à recuperação externa. "O Brasil se expande mais rápido que o resto do mundo. Mesmo se crescesse na mesma taxa, haveria saldo menor neste ano."
Deficit não preocupa já
Apesar da estimativa do banco para um superavit de apenas US$ 2 bilhões em 2010, Dib afirma que um eventual deficit nas transações correntes de até 3% do PIB (soma de bens e serviços produzidos no país) neste ano ainda não deve causar preocupação. "O importante é que essa necessidade de financiamento externo seja preenchida por investimentos."
Na opinião de Daniela Prates, professora do Instituto de Economia da Unicamp, ainda que a conta de transações do Brasil com o exterior não revele riscos no curto prazo, o acúmulo de deficit ao longo dos anos pode levar o país a uma situação insustentável.
"Muitos fabricantes têm optado por deixar de competir no acirrado mercado estrangeiro para focar as vendas no mercado doméstico. O problema é que esses exportadores podem desaparecer nos próximos anos, por não conseguirem recuperar espaço fora do país, gerando ainda mais desequilíbrios nessa conta."(Net Marinha – 02/03/10)

Pacote deve criar crédito automático a exportador
Os exportadores poderão ganhar um mecanismo de crédito automático para compensar os impostos federais pagos pelos fornecedores, segundo proposta em discussão pelos ministérios da Fazenda e do Desenvolvimento com representantes de grandes exportadores. A discussão faz parte de um pacote de apoio ao setor que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva quer anunciar ainda em março, segundo informou o ministro da Fazenda, Guido Mantega, a auxiliares.
A discussão também envolve medidas para reduzir a burocracia que atrapalha as exportações. Uma das ideias em análise é a isenção de imposto sobre remessas de moeda estrangeira feitas pelas empresas exportadoras ao exterior. Seriam isentas as remessas até um certo limite, algo em torno de 3% a 5% do valor FOB (excluídas as despesas de frete) das exportações da empresa. O grupo que prepara o pacote tem debatido, ainda, medidas de financiamento, a principal delas a criação do Eximbank brasileiro. Alguns temas enfrentam resistências da Secretaria da Receita Federal, o que exigirá negociações nos próximos dias.
Um dos principais alvos do pacote a ser anunciado por Lula é a criação do mecanismo eletrônico para evitar a acumulação de créditos tributários que ocorre quando os exportadores, teoricamente isentos de imposto, incorporam em seu processo de produção matérias-primas ou mercadorias tributadas. Além desse mecanismo, governo e empresários discutem uma possível redução da base de cálculo do imposto dos exportadores, que compensaria, assim, o tributo cobrado nas etapas iniciais do processo produtivo.
As discussões sobre o pacote começaram dias depois de um jantar entre Lula e um grupo de 50 exportadores, no fim de dezembro, quando o presidente comunicou aos empresários a preocupação com a deterioração dos resultados no comércio exterior do país. Na quarta-feira, Mantega reunirá o comitê de acompanhamento do crescimento (antes denominado de "acompanhamento da crise"), quando o tema deverá ser abordado com grandes exportadores que fazem parte do grupo. Ainda neste mês, Lula poderá receber esses empresários para ouvi-los sobre o pacote. (NetMarinha – 02/03/10)

Comércio retoma crescimento
Após ter começado 2010 com declive de 0,6%, o varejo tornou a crescer em fevereiro.
Brasil. A atividade comercial converteu a queda e aumentou 0,2% em fevereiro. O Indicador Serasa Experian de Atividade do Comércio, divulgado nesta terça-feira, mostra que, após ter começado 2010 com declive de 0,6% (janeiro em comparação com dezembro), o varejo tornou a crescer em fevereiro. De acordo com o indicador, a ampliação de 0,2% no mercado varejista do Brasil em fevereiro, ante janeiro, já é livre das interferências sazonais.
O movimento nos estabelecimentos de material de construção sobressaiu-se em fevereiro, com um crescimento de 3%, segundo a Serasa Experian, empresa de informação de crédito. Foi o quarto mês consecutivo de acréscimo deste ramo de atividade, que acumula alta de 16,1% desde novembro, demonstrando o atual curso de reabilitação deste setor, o mais afetado pelos resultados da crise econômica mundial.
Com exceção do movimento das lojas de veículos, motos e peças, que mostraram redução de 0,7% em fevereiro, todas as demais atividades varejistas pesquisadas exibiram ampliação mensal, já deduzidos os fatores sazonais.
Na confrontação anual, fevereiro assinalou acréscimo de 10% no movimento do comércio brasileiro, porcentagem bastante parecida à alta de 10,2%, nesta mesma base de confronto, verificada em janeiro. Fevereiro tornou-se o quarto mês consecutivo em que a taxa anual de crescimento do varejo brasileiro ficou na casa dos 10%, dado que a base de comparação deste período (novembro de 2008 a fevereiro de 2009) encontrava-se bastante enfraquecida, tendo em vista os impactos adversos da crise financeira sobre o consumo das famílias. (América Econômica – 02/03/10)

Brasileiros barrados
A falta de investimento em inovação está levando o Brasil a perder mercado no comércio internacional e pode levar o país, futuramente, a ter seus produtos preteridos até mesmo pelos consumidores brasileiros. Dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex) do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MIDC) indicam queda da participação dos manufaturados no total de produtos vendidos ao exterior. Em 2004, essas mercadorias responderam por 54,9% da pauta de exportações. No ano passado, essa categoria representou 44%. Por outro lado, os produtos básicos, que em 2004 representavam 29,5% das vendas brasileiras, seis anos mais tarde passaram para 40,5%.
"Exportamos cada vez mais commodities(1), que estão com demanda crescente e preços em alta. Por outro lado, o empresariado brasileiro está preferindo importar componentes a criar uma fábrica para produzir localmente, ficando no Brasil apenas o trabalho de montagem do produto. É o que se vê na área de informática. O investimento em desenvolvimento tecnológico e inovação é muito baixo no país", disse Roberto Nicolsky, diretor-geral da Sociedade Brasileira Pró-Inovação Tecnológica (Protec). "Nesse cenário, nosso crescimento está sendo autorizado pela China. Enquanto ela crescer, o Brasil cresce também puxado pela venda de commodities. Enquanto isso, estamos com um deficit brutal em inovação tecnológica."
O risco é o país se transformar em uma grande montadora de produtos industrializados, com baixíssimo nível de desenvolvimento tecnológico e de inovação nos produtos nacionais. "As empresas produzem inovação, principalmente, em processos, para produzir de forma mais eficiente. Mas não investe para descobrir novas tecnologias, novos produtos, pois isso é muito arriscado e todo o dinheiro aplicado pode ser perdido se o negócio não der certo", explicou Nicolsky. Esse é o problema".
Túnel
Para Carlos Arruda, coordenador do Núcleo de Inovação da Fundação Dom Cabral, de fato, o cenário atual é ruim, mas há luz no fim do túnel. "Vivemos um momento interessante. Cresce a consciência geral da importância da inovação, tanto por parte do governo, quanto da iniciativa privada". Ele contou que em 2001 a Fundação Dom Cabral fez uma enquete com 120 executivos de grandes empresas e um dos temas destacados como relevantes para o futuro foi justamente inovação. "Naquele momento, a inovação era apenas uma intenção estratégica", disse ele.
Estrutura
Em 2004, a pesquisa foi repetida, agora entrevistando 15 mil executivos. Resultado: 96% declararam que a inovação era muito importante, mas apenas 10% das empresas tinham um processo estruturado para trabalhar a inovação. Em 2009, nova rodada e outros 15 mil entrevistados. "Ao todo, 100% têm a percepção de que a inovação é algo muito importante, tanto por gestores públicos quanto privados. E 25% das empresas já estão com processos estruturados para trabalhar a inovação", contou Arruda.
A Fundação Dom Cabral quis entender o que os empresários entendiam por inovação e fez nova pesquisa. "O resultado é que os empresários encaram a inovação como um instrumento de sustentação ao atual desempenho da empresa. Mas a inovação também pressupõe lidar com incertezas, tecnologias e mercados que a organização não domina, ingressando em uma zona de risco e de até perdas financeiras", explicou Arruda. Com o crescimento da economia brasileira, e do próprio mercado consumidor com a inclusão de uma massa de pessoas via incremento de renda, as empresas estão apostando em fazer mais do mesmo, buscando melhorar seus processos. "Elas apostam em melhoria de produtividade. Mas não investem para descobrir novos produtos, apostando no futuro. E é aí que está o risco", disse Arruda. A saída, segundo ele, está em as empresas assumirem um pequeno risco para desenvolver novas tecnologias e novos produtos. "Ainda temos tempo, mas podemos ficar estrangulados. O Brasil precisa de mais capital de risco."
Empresas
Algumas lideranças empresariais já estão percebendo o problema. Por isso mesmo, a Confederação Nacional da Indústria (CNI) lançou em 2008 a Mobilização Empresarial pela Inovação, para chamar a atenção para o tema. "Aqui no Brasil, diferentemente da Coreia do Sul e de Taiwan, o nosso modelo de industrialização foi via substituição de importações e não criamos a cultura da inovação", lembrou Rafael Lucchesi, diretor de Operações da CNI. "Além disso, temos um problema sério na estrutura educacional do país, pois apenas 1% dos jovens brasileiros estão aptos a contribuir com esse processo de inovação. Afinal, de cada 100 graduados, pouco mais de 5% são engenheiros e outros 5% são cientistas. Como apenas 10% dos jovens chegam à universidade, há uma deficiência na formação de mão de obra."
Daí a importância da mobilização. "Estamos atuando para mitigar a insegurança jurídica e incentivando o aperfeiçoamento da legislação. Também buscamos junto à sociedade e ao governo melhorar a formação da mão de obra, especialmente de engenheiro. Basta ver que de cada 100 graduados, 5 se formam engenheiros no Brasil, enquanto na China são 40. E incentivamos a aproximação entre universidades e empresas para obtermos resultados com maior eficiência", disse Lucchesi. E conclui: "O desafio da inovação tem que estar no centro das estratégias empresariais".
1 - Escala
Commodities são produtos fabricados em larga escala, comercializados em nível mundial e que têm seus preços referenciados internacionalmente. São mercadorias de origem primária, chamadas também de matérias-primas. Podem ser agrícolas, como soja e açúcar; minerais, como o petróleo; ou ainda metálicas, como ouro. As oscilações de preços de cada commodity podem ser determinantes para um país. O comércio exterior é sensível à valorizações e quedas desses itens. (Correio Braziliense – 02/03/10)

Importações afetam balança
As importações estão crescendo numa velocidade quase duas vezes superior à das exportações, o que vem prejudicando os números do comércio exterior brasileiro. Em fevereiro, os embarques de produtos nacionais para outros países somaram US$ 12,197 bilhões, com crescimento da média diária de 27,2% em relação ao mesmo mês em 2009. Enquanto isso, os desembarques de mercadorias estrangeiras foram de US$ 11,803 bilhões, num aumento de 50,8%. Essa desproporção fez minguar o superavit comercial do mês, que foi de apenas US$ 394 milhões, o pior para meses de fevereiro desde os US$ 265 milhões obtidos em 2002. O governo conta com o início das vendas de itens agrícolas para reverter a situação.
"Tanto as exportações como as importações tiveram médias diárias de vendas recordes para meses de fevereiro, o que mostra uma reação bastante notável no comércio exterior. Isso está ligado à forte recuperação econômica. As empresas voltaram a exportar, diante da retomada gradual dos mercados externos, o que também aumentou as importações de matérias-primas para a produção industrial interna", explicou ontem o secretário de Comércio Exterior, Welber Barral. Ele admitiu que o resultado da balança poderia ter sido deficitário no mês, mas afastou essa possibilidade no fechamento do ano, mesmo que algumas empresas deixem de exportar para apostar no aquecido mercado interno.
A partir de meados de março até o fim de agosto, os produtos agrícolas retornam à pauta de vendas, o que deve melhorar bastante o desempenho das vendas e do próprio resultado comercial anual. O governo não tem meta de superavit, apenas se comprometeu com um objetivo de exportações no valor de US$ 168 bilhões. Barral reconheceu que o crescimento do volume vendido e comprado se deve, em parte, à base deprimida de comparação do ano passado, quando o mundo estava na fase mais aguda da crise internacional. Mas garantiu que a situação das exportações agora é melhor do que a dos anos anteriores: 2006 (12,9%), 2007 (15,5%) e 2008 (19,7%) — em 2009, a queda foi de 20,9%.
A realidade é um pouco diferente nas importações, cuja taxa de crescimento superou a de fevereiro de 2006 (19,9%), de 2007 (21,1%) e de 2009 (-30,9%), mas ainda não voltou ao nível de 2008 (56,6%). No acumulado no bimestre, as vendas somam US$ 23,502 bilhões e as compras, US$ 23,274 bilhões, com o saldo positivo em apenas US$ 228 milhões. O volume exportado de produtos básicos subiu 28,6%, o de semimanufaturados, 21,6%, e o de manufaturados, 20,6%. Nas importações, os bens de capital (equipamentos para investimento) cresceram 17,2%, matérias-primas, 34% e bens de consumo duráveis ,65,2%.
Mercados
No mês, os principais destaques nas vendas foram petróleo (136,1%), influenciado pelo aumento do preço internacional em 126,8%, laminados planos (91,4%), e automóveis (90,1%). "As exportações de veículos estão crescendo, mas ainda ficam longe de recuperar os números que já tiveram", disse Barral. No bimestre, a expansão dos embarques se deu mais para os países emergentes, como Argentina (63,5%), China (43,1%),além do Oriente Médio (56,2%) e da Europa Oriental (50%). Apesar disso, os Estados Unidos, com alta de 20,2%, mantiveram o primeiro lugar no ranking de destinos tomado da China em janeiro. Os norte-americanos responderam por 11,5% da pauta, enquanto os chineses ficaram com 9,9%.
"A tendência é que haja uma nova reversão quando os embarques de produtos agrícolas forem retomados com toda a força para a China", previu o secretário. O destaque nas importações foram os automóveis (116,5%), vindos principalmente da Argentina, da Coreia do Sul e do México, aparelhos para uso doméstico (163,8%) e insumos minerais (114,6%). Embora tenham enfrentado uma queda de 2,9% nas vendas de seus produtos para o Brasil, os EUA continuam como o principal país fornecedor, recebendo US$ 3,6 bilhões no bimestre, seguidos por China (US$ 3,2 bilhões) e Argentina (US$ 1,9 bilhão).(Correio Braziliense – 02/03/10)

Importações crescem em fevereiro e saldo comercial é o menor em 8 anos
A forte demanda doméstica, o real valorizado frente ao dólar e o aquecimento da atividade industrial fizeram com que as importações aumentassem 50,8% em fevereiro, ante o mesmo mês de 2009. A consequência foi um superávit de US$ 394 milhões, o menor para o período desde fevereiro de 2002, quando foi registrado saldo positivo de US$ 265 milhões. Por outro lado, com a recuperação das economias de mercados compradores de produtos brasileiros, as exportações reagiram e cresceram 27,2%. Com isso, em termos de médias diárias, tanto as vendas como as compras externas bateram recordes históricos para meses de fevereiro.
Em fevereiro, as exportações somaram US$ 12,197 bilhões, com média diária de US$ 677,6 milhões. As importações atingiram US$ 11,803 bilhões, e a média diária importada ficou em US$ 655,7 milhões. No ano, há um saldo comercial positivo acumulado de US$ 228 milhões, montante bem inferior ao apurado no primeiro bimestre de 2009, quando havia um superávit de US$ 1,232 bilhão.
O mercado interno muito aquecido gera o aumento das importações — disse o secretário de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Welber Barral. — Mas não acredito em déficits comerciais este ano, tendo em vista que as exportações de produtos básicos, como os do complexo soja, começam em março e continuam fortes até agosto.
Importação de automóveis reflete aumento de renda Nas importações, chamam a atenção elevações de 116,5% nas compras de automóveis e de 163% em aparelhos de uso doméstico, como eletrodomésticos e eletroeletrônicos. Segundo o vice-presidente da Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB), José Augusto de Castro, isso reflete o aumento da renda da população e, portanto, do consumo das famílias. Para Castro, essa expansão é motivada, além do câmbio favorável, pelos reajustes no salário mínimo, no Bolsa Família e no vale-refeição dos funcionários públicos.
Isso gerou uma enxurrada de dinheiro no mercado interno — afirmou Castro.
Como reflexo da retomada da atividade industrial, houve aumentos significativos nos gastos no exterior com matériasprimas e bens de capital de, respectivamente, 50,9% e 50,1%. As importações de combustíveis e lubrificantes cresceram 92,7%, em razão da alta de 126,8% da cotação do petróleo no mercado internacional.
Ao mesmo tempo, as exportações reagiram muito bem, graças à recuperação das encomendas, o que garantiu números robustos para as vendas externas — destacou o vice-presidente da AEB.
O secretário de Comércio Exterior reconheceu que a base de comparação, quando se leva em conta fevereiro do ano passado, é bastante baixa, pois na época se vivia a fase mais aguda da crise mundial. No entanto, ele enfatizou que, em relação a janeiro deste ano, houve recuperação das vendas brasileiras para quase todos os mercados.
Por média diária, as exportações para a Ásia aumentaram 50,7%; para a União Europeia, 40,3%; para a América Latina, 79,6% — sendo 50,5% para a Argentina; para a África, 106%; para o Oriente Médio, 50,8%; e, para a Europa Oriental, 125,7%.
Frente a fevereiro de 2009, só não houve crescimento das exportações para a África, para onde foi registrada uma queda de 3,1%. Desde janeiro deste ano, os EUA voltaram a liderar a pauta tanto de mercados compradores de produtos brasileiros, como de fornecedores para o Brasil, tirando da China o primeiro lugar.
A corrente de comércio (soma de exportações com importações) entre Brasil e EUA foi de US$ 3,008 bilhões no mês passado. (O Globo – 02/03/10)

Saldo comercial cai 82% no 1º bimestre
Governo espera mais vendas nos próximos meses, com embarque de commodities; crescimento do país explica descompasso na balança
Apesar do desempenho recorde da média diária das exportações para o segundo mês do ano, o crescimento das importações em fevereiro para um patamar também inédito para o período derrubou o saldo comercial brasileiro. O resultado, US$ 394 milhões, é o mais baixo para o mês desde 2002, quando o comércio do país com o exterior registrou superavit de US$ 265 milhões.
Com o saldo negativo de janeiro em US$ 166 milhões, o primeiro bimestre de 2010 registrou um superavit (US$ 228 milhões) 81,5% inferior ao do início de 2009. Diante desse cenário, o mercado já prevê um resultado em torno de US$ 10 bilhões neste ano, bem inferior aos US$ 25,3 bilhões de 2009.
A recuperação de mercados internacionais, principalmente países emergentes, ajudou a elevar as exportações brasileiras no mês, para US$ 12,197 bilhões -alta de 27,2% ante fevereiro de 2009, quando a crise ainda causava maiores impactos sobre o comércio mundial.
No entanto, o ritmo de crescimento da economia brasileira nos últimos meses, aliado ao câmbio favorável, deu um impulso de 50,8% às importações na mesma comparação, para US$ 11,803 bilhões em fevereiro deste ano. Segundo o secretário de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Welber Barral, o menor saldo comercial já era esperado.
São dois fenômenos interligados. Na medida em que o país exporta mais, precisa importar mais insumos para a produção industrial. Além disso, com o mercado doméstico aquecido, há aumento nas compras para suprir o que não se fabrica no país, afirma.
Embora a base de comparação seja baixa, ele destacou o crescimento das vendas em relação a 2009, sobretudo para a Argentina, cujo aumento nas compras de produtos brasileiros foi de 66,1%, movimento liderado pela cadeia automotiva.
Além disso, disse Barral, o volume de exportações normalmente decola a partir de abril, quando os embarques de commodities, como a soja, intensificam-se. O superavit pode ser maior nos próximos meses. Provavelmente não teremos deficit no ano, afirmou.
Para o economista do Itaú-Unibanco Darwin Salles Dib, o descompasso na balança é normal porque as importações tendem a reagir mais rápido ao crescimento doméstico do que as exportações em relação à recuperação externa. O Brasil se expande mais rápido que o resto do mundo. Mesmo se crescesse na mesma taxa, haveria saldo menor neste ano.
Deficit não preocupa já
Apesar da estimativa do banco para um superavit de apenas US$ 2 bilhões em 2010, Dib afirma que um eventual deficit nas transações correntes de até 3% do PIB (soma de bens e serviços produzidos no país) neste ano ainda não deve causar preocupação. O importante é que essa necessidade de financiamento externo seja preenchida por investimentos.
Na opinião de Daniela Prates, professora do Instituto de Economia da Unicamp, ainda que a conta de transações do Brasil com o exterior não revele riscos no curto prazo, o acúmulo de deficit ao longo dos anos pode levar o país a uma situação insustentável.
Muitos fabricantes têm optado por deixar de competir no acirrado mercado estrangeiro para focar as vendas no mercado doméstico. O problema é que esses exportadores podem desaparecer nos próximos anos, por não conseguirem recuperar espaço fora do país, gerando ainda mais desequilíbrios nessa conta. (Folha de S. Paulo – 02/03/10)

Consultoria de Roubini faz alerta sobre déficit brasileiro
O déficit em conta corrente do Brasil vai dobrar em 2010, deixando o País muito mais vulnerável às condições de financiamento externo. Essa é a previsão da consultoria Roubini Global Economics (RGE), do economista Nouriel Roubini, um dos poucos que previram a crise financeira mundial.
Bertrand Delgado, economista da RGE responsável pela América Latina, prevê que o déficit vai passar do 1,55% atual para 3,1% do Produto Interno Bruto (PIB) no fim deste ano. Não teremos risco de problema de balanço de pagamentos, mas a economia brasileira vai ficar muito mais sensível às condições de financiamento externo e ao apetite por risco global, disse ele ao Estado, em teleconferência com investidores.
O déficit em conta corrente vai se ampliar porque a demanda doméstica vai se recuperar bem mais rápido do que a externa e, por isso, haverá maior crescimento das importações do que das exportações. Segundo a RGE, o Brasil vai crescer 5,3% em 2010, bem acima de seu potencial, estimado em 3,5% a 4%. O crescimento será estimulado pela política macroeconômica frouxa do ano eleitoral.
Segundo Delgado, o investimento estrangeiro direto (IED) não será suficiente para financiar o déficit em conta corrente e o País dependerá de investimentos externos. Estamos preocupados com essa situação porque ela expõe o País às condições externas de financiamento mais do que o Brasil deveria ser exposto.
A RGE estima que o real esteja sobrevalorizado em 30% e deverá fechar o ano cotado em cerca de R$ 1,75 por dólar. Não mais acreditamos que vá se valorizar e chegar a R$ 1,65 ou US$ 1,60.
As economias da América Latina continuarão crescendo muito mais do que os países avançados, o que deve manter o fluxo de investimentos para essas nações. A América Latina deve crescer4,3%, ainda abaixo de tendências históricas, mas bem melhor do que nos últimos anos (a Ásia, excluído o Japão, vai crescer 7,7%).
Já as economias avançadas vão crescer 1,8%, após encolherem 3,5% em 2009. O crescimento será tímido porque o mercado de trabalho ainda não se recuperou.
Os grandes receptores de fluxos de capital direto e em carteira serão os países com maior diferencial de crescimento e fundamentos macroeconômicos sólidos ? Brasil, México, Colômbia, Peru e Chile. Argentina e Venezuela são as exceções na região, diz a consultoria. (O Estado de S. Paulo – 02/03/10)

EUA cobram abertura no comércio
Em seu relatório de política comercial divulgado ontem, o governo americano deixou claro que a prioridade da Casa Branca é a geração de empregos, a exportação e a recuperação de seu mercado interno. O relatório reafirma o objetivo do presidente Barack Obama de dobrar as exportações americanas nos próximos cinco anos para gerar 2 milhões de empregos e cria uma série de agências de promoção à exportação.
Com a crise econômica, os EUA estão concentrados na recuperação de sua economia, estão muito mais focados para dentro do que em concessões, diz Adriana Dantas, advogada especialista em comércio internacional do King & Spalding.
No relatório, que é entregue todo ano ao Congresso e delineia os objetivos da política comercial, os EUA se dizem comprometidos com o avanço da Rodada Doha, mas afirmam que a negociação depende essencialmente da maior abertura dos mercados dos grandes países emergentes. (O avanço) depende de as economias em desenvolvimento avançadas aceitarem responsabilidade proporcional a sua influência econômica crescente, diz o texto. O contexto da Rodada Doha é claro: os EUA são o país de mercado mais aberto do mundo.
A ambiguidade dos EUA em relação à negociação comercial fica clara ao se considerar que os EUA ainda não têm um embaixador oficial para a OMC (o indicado, Michael Punke, ainda não foi confirmado pelo Congresso) e Obama não obteve e nem pediu o Trade Promotion Authority, mecanismo que permite ao Executivo negociar acordos comerciais.
No relatório, os EUA voltam a dizer que suas concessões na negociação da rodada são claras e quantificáveis, enquanto a abertura nos grandes mercados emergentes, e consequente ganho dos EUA, é difícil de prever, por causa da grande flexibilidade concedida a essas nações. Para progredir, é essencial que tenhamos mais clareza sobre o nível de contribuições dos mercados em desenvolvimento avançados... Em Doha, os EUA serão agressivos na cobrança de novos compromissos de países como China e Brasil, diz Adriana.
Já em relação ao caso do algodão - a OMC determinou que os subsídios americanos à cultura eram ilegais e autorizou o Brasil a retaliar os EUA - o relatório limita-se a narrar a cronologia do ocorrido. O Escritório do Representante do Comércio dos EUA (USTR, na sigla em inglês) não diz se vai adotar alguma modificação, quando, nem julga o mérito do caso.
O USTR cita pela primeira vez o acordo-quadro de investimentos e comércio negociado entre Brasil e Estados Unidos desde dezembro, quando o representante de Comércio Ron Kirk se reuniu com o chanceler Celso Amorim em Brasília.
Após dizer que Brasil, China, Índia e Rússia serão prioridade para a agenda comercial dos EUA, o relatório afirma: Podemos avançar com um mecanismo bilateral mais forte, e em 2010 vamos explorar opções para a criação de uma estrutura de diálogo comercial entre EUA e Brasil. O acordo seria como um foro bilateral para resolver atritos e identificar oportunidades comerciais. Mas seria bem menos ambicioso do que o tratado de investimentos que os EUA mantêm com o Uruguai, por exemplo.
Também fica claro que sindicalistas e ambientalistas, com lobbies influentes no governo democrata, continuam com voz ativa na política comercial. O relatório diz que o governo está comprometido com o avanço dos três acordos de livre comércio pendentes ? com Panamá, Colômbia e Coreia. Mas, sintomaticamente, não estabelece prazo para concluir as negociações. Também volta a ressaltar a importância das cláusulas trabalhistas e ambientais em todos os acordos negociados pelos EUA. (O Estado de S. Paulo – 02/03/10)

Superávit comercial é de US$ 394 milhões
A balança comercial registrou no mês passado superávit comercial de US$ 394 milhões, o menor valor desde 2002 para meses de fevereiro. O saldo é resultado da diferença entre exportações de US$ 12,197 bilhões e importações de US$ 11,803 bilhões. O pequeno superávit comercial é fruto do aquecimento da economia brasileira e do dólar barato, que impulsionam as compras de produtos importados.
O que mudou este mês, em relação às expectativas que tínhamos no início do ano, foi muito mais uma rápida recuperação das exportações porque as importações continuam aumentando num ritmo relativamente previsível, afirmou o secretário de comércio exterior do Ministério do Desenvolvimento, Welber Barral. Segundo ele, a demanda dos mercados compradores por produtos brasileiros, sobretudo dos países emergentes, já mostra sinais de melhora após a crise global. O governo não esperava esta reação rápida.
A média diária das exportações em fevereiro foi de US$ 677,6 milhões e das importações, US$ 655,7 milhões, recordes para meses de fevereiro. No acumulado do primeiro bimestre, as vendas externas somam US$ 23,5 bilhões e as importações, US$ 23,27 bilhões. O superávit no período foi de US$ 228 milhões, 81,5% menor que no primeiro bimestre de 2009 (US$ 1,23 bilhão).
Barral espera que o início do embarque da safra agrícola a partir da segunda quinzena de março ajude a reforçar os números das exportações e, em consequência, aumente o superávit comercial nos próximos meses. Ele não acredita em um déficit em 2010. Os preços estão favoráveis e ainda há muita capacidade de recuperação dos principais mercados consumidores, justificou.
Em fevereiro, as exportações de produtos básicos cresceram 36,3% em relação ao mesmo período de 2009, com destaque para minério de cobre e petróleo. Do lado das importações, os bens de consumo (54,3%) e combustíveis e lubrificantes (92,8%) foram os que registraram as maiores altas em relação a fevereiro do ano passado. (O Estado de S. Paulo – 02/03/10)

Governo debate medidas de estímulo às exportações e espera contribuições
O governo espera receber amanhã novas contribuições do setor privado para as medidas de estímulo aos exportadores que estão em estudo. Segundo o secretário de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Welber Barral, o assunto deve ser discutido na reunião do Grupo de Acompanhamento do Crescimento (GAC), formado por empresários de vários setores, na quarta-feira.
São várias medidas tecnicamente complexas, disse Barral. Segundo ele, entre as propostas em estudo há questões cambiais, em análise pelo Banco Central, além de medidas de simplificação de comércio.
Na semana passada, representantes do setor automotivo (Anfavea) se queixaram ao Ministério da Fazenda da queda de 40% nas suas exportações em 2009 e pedir medidas que ajudem na recuperação. Apesar do bom momento no mercado interno, as exportações de veículos sofrem com a retração do mercado mundial, além do câmbio valorizado, que diminui a rentabilidade das vendas.
Os empresários tentam influenciar as discussões do pacote de estímulo às exportações, previsto para sair em março. Entre as propostas em estudo está a devolução mais rápida de créditos tributários para os exportadores. Conforme antecipou a Agência Estado, para não onerar demais os cofres púbicos, a medida pode ser implementada apenas para alguns segmentos exportadores ou por porte da empresa.
O governo também discute meios de baratear e facilitar o crédito para exportadores. O Ministério da Fazenda e o BNDES tentam concluir a proposta de criação de um banco de fomento às exportações, como o Eximbank americano.
Fazenda e Desenvolvimento ainda divergem sobre algumas medidas, mas uma fonte da Fazenda disse que o debate avançou nos últimos dias. (O Estado de S. Paulo – 02/03/10)

Apesar de recorde de exportação no mês, saldo de fevereiro é o menor desde 2002
O crescimento superior a 50% nas importações brasileiras, especialmente de insumos para a indústria e de bens de consumo duráveis como automóveis, garantiu em fevereiro um recorde em compras no exterior para o mês, e baixou o saldo comercial para o nível mais baixo desde 2002. Resultado do aquecimento no mercado interno, do mau desempenho econômico nos paises desenvolvidos e da valorização do real em relação ao dólar, o aumento nas média diária das importações chegou a quase 164% para utensílios domésticos e 116% para automóveis. Na média, as importações de bens de consumo duráveis cresceram 82%.
O saldo positivo no Comércio Exterior, de US$ 394 milhões (US$ 228 milhões, no bimestre) só foi obtido porque as exportações, em fevereiro, tiveram crescimento também recorde para o mês, surpreendendo analistas. As vendas ao exterior foram puxadas pelas vendas de automóveis, partes e peças, mas também de commodities ou semicomodities, como açúcar em bruto, celulose, ferro-ligas, laminados planos, alumínio e carnes.
O resultado das exportações foi muito bom, a média diária ficou até acima da registrada no segundo semestre de 2009, comentou o vice-presidente da Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB), José Augusto de Castro. Embora o fraco desempenho das exportações em fevereiro de 2009 faça com que os aumentos neste ano pareçam maiores, devido à pequena base de comparação, os indicadores do mês passado mostram que os valores médios diários do Comércio Exterior brasileiro recuperaram os patamares do início de 2008, disse o secretário de Comércio Exterior, Welber Barral.
A entrada da safra agrícola, especialmente a safra de soja, que será colhida em volume recorde e preços favoráveis, deverá ampliar a diferença entre exportações e importações, garantindo saldo positivo nos próximos meses, acredita Barral. A recuperação dos principais mercados do Brasil para automóveis, como a Argentina e México, tiveram parte importante nos resultados notáveis de fevereiro, avaliou o secretário. A retomada do crescimento na América Latina também beneficiou outros industrializados, como aços laminados planos, que cresceram 91% em valor (165% em toneladas).
A competição internacional está mais acirrada, mas o Brasil está conseguindo recuperar mercado, disse Barral, que concorda que o desempenho exportador em fevereiro foi surpreendente. As importações já vinham subindo, estava previsto, o que que mudou foi a rápida recuperação das exportações.
O resultado foi considerado ruim, porém, por economistas do Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (Iedi), que consideraram o aumento de 15% na venda de produtos manufaturados muito inferior ao aumento nas exportações de produtos básicos (como carnes e minério de cobre) e semimanufaturados (principalmente açúcar, óleo de soja e ferro-ligas), que superou 36% . Enquanto, nos dados de janeiro, ainda pairavam dúvidas sobre o dinamismo das exportações de manufaturados, os resultados de fevereiro mostram, sem sombra de dúvida, desempenho desfavorável, conclui nota divulgada pelo Iedi.
O desempenho das importações preocupa empresários de setores mais afetados pela concorrência, como o de têxteis, que reivindica do governo maior agilidade nas investigações sobre concorrência desleal. Estamos plantando um problema sério para o futuro. Com moeda forte, legislação complicada e infraestrutura precária, vamos comprometer o setor exportador, diz o secretário-executivo da Associação Brasileira da Indústria Têxtil, Fernando Pimentel.
Pimentel comenta que está crescendo o déficit do setor têxtil, que, em janeiro do ano passado, importou cerca de US$ 2,2 bilhões a mais do que exportou, e, em janeiro deste ano, elevou o saldo negativo para US$ 3,1 bilhões. Os exportadores estão buscando nichos, mas reduzindo o volume vendido ao exterior, diz. Em 2003, exportamos 22 mil toneladas, ao preço médio de US$ 13,50 o quilo. No ano passado, chegamos a US$ 35 o quilo, mas vendemos menos de 5 mil toneladas.
Algumas empresas passaram a importar produtos que faziam no Brasil, explica o presidente da Associação Brasileira da Indústria Eletroeletrônica (Abinee), Humberto Barbato, que teme também pelo mercado externo. No ano que vem, mercados nossos como Argentina e Venezuela passarão a produzir localmente aparelhos de celular, prevê. Ele teme os feitos da MP 472, em tramitação no Congresso brasileiro, que retira o IPI para eletrônicos importados pelo setor petrolífero. Estão retirando o diferencial que dá vantagem à produção nacional sobre o importado. (Valor Econômico – 02/03/10)

Brasil tem superávit comercial de US$394 mi em fevereiro
SÃO PAULO, 1o de março - A balança comercial brasileira registrou superávit de 394 milhões de dólares em fevereiro, depois de registrar um déficit de 166 milhões de dólares em janeiro, informou o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior nesta segunda-feira.
O dado ficou abaixo do saldo positivo de fevereiro de 2009, de 1,761 bilhão de dólares.
Projeções da Reuters apontavam superávit de 1,01 bilhão de dólares.
Em fevereiro deste ano, as exportações totalizaram 12,197 bilhões de dólares (com média por dia útil de 677,6 milhões de dólares) e as importações somaram 11,803 bilhões de dólares (655,7 milhões de dólares).
No bimestre, a balança acumulou superávit de 228 milhões de dólares, com vendas externas de 23,502 bilhões de dólares e importações de 23,274 bilhões de dólares.(Reuters – 01/03/10)

Produção industrial da Ásia cresce; atividade chinesa desacelera
PEQUIM, 1o de março - A atividade industrial nas principais economias da Ásia cresceu no mês passado, com a Índia e a Coreia do Sul se expandindo no maior ritmo em dois anos, apesar de alguns sinais de enfraquecimento na China.
Duas pesquisas com gerentes de compras mostraram que a velocidade de crescimento do setor manufatureiro da economia chinesa, a terceira maior do mundo, desacelerou ligeiramente em fevereiro, mas economistas dizem que a tendência de recuperação continua intacta.
"Os formuladores de políticas econômicas estão incertos sobre os dados da atividade chinesa no momento", disse Brian Jackson, estrategista do Royal Bank of Canada em Hong Kong, acrescentando que o feriado do Ano Novo chinês complicou a interpretação dos dados.
"Então seria prematuro concluir que a queda de hoje nos números da produção industrial mostra uma redução maior na força da recuperação da China."
O índice manufatureiro chinês, feito pela Federação de Logística para a agência de estatísticas do país, caiu para 52 em fevereiro, abaixo da mediana das previsões de 55,45 de analistas consultados pela Reuters, ante 55,8 em janeiro.
Outra pesquisa, realizada pelo grupo Markit para o HSBC, mostrou o índice caindo para 55,8, do nível recorde de 57,4 em janeiro.
CRESCEM AS PRESSÕES INFLACIONÁRIAS
O índice de atividade industrial da Índia subiu para 58,5 em fevereiro, a leitura mais forte desde junho de 2008, de 57,7 em janeiro, impulsionado pela expansão da produção e das novas encomendas.
"Em 58,5, o índice é consistente com os atuais ganhos de dois dígitos da produção industrial, que, por sua vez, deveM significar que a capacidade ociosa está sendo reduzida rapidamente", disse Robert Prior-Wandesforde, economista sênior para a Ásia do HSBC.
Sinais de restrições do lado da oferta nos mercados de trabalho e de produtos também estão emergindo, o que apoia mais aperto monetário no mês que vem.
"Na nossa opinião, está na hora de começar a retirar os estímulos monetários, e nós ficaríamos muito surpresos se o banco central da Índia não elevar as taxas de juros na reunião de 20 de abril", disse Prior-Wandesforde.
As pressões inflacionárias também estão crescendo na Coreia do Sul, cujo índice manufatureiro subiu para o maior nível desde dezembro de 2007. O componente de preços de matérias-primas subiram pelo terceiro mês seguido e o de preços de produção avançou para 51,8.(Reuters – 01/03/10)

Mercado eleva previsões de inflação em 2010 e 2011
SÃO PAULO - O mercado elevou as projeções para inflação ao consumidor neste ano e no próximo, colocado ambas acima do centro da meta perseguida pelo governo, mostrou o relatório Focus nesta segunda-feira.
O cenário para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor (IPCA) deste ano foi revisto para alta de 4,91 por cento, ante 4,86 por cento na semana anterior. A estimativa para a inflação no ano que vem subiu para 4,53 por cento, contra 4,5 por cento antes.
A meta de inflação perseguida pelo governo para os dois anos é de 4,5 por cento, com tolerância de 2 pontos percentuais para cima ou para baixo.
A projeção do mercado para o Produto Interno Bruto (PIB) deste ano foi mantido em expansão de 5,50 por cento, enquanto para o do ano que vem permaneceu em 4,5 por cento.
Para a Selic no fim de 2010, o prognóstico foi mantido em 11,25 por cento, enquanto para 2011 subiu de 11 para 11,25 por cento.(Reuters – 01/03/10)

Depois da crise, impostos sobre os ricos
NOS PAÍSES ricos -nos EUA, na União Europeia, no Japão-, a recuperação depois da crise financeira global de 2008 é lenta e insuficiente. O desemprego continua crescendo e já está em torno de 10% da população economicamente ativa. Apenas as Bolsas se recuperaram; mas isso não decorreu da melhoria da economia real, e sim do fato que os bancos centrais baixaram os juros e inundaram seus países de liquidez.
Dessa forma, essa recuperação é antes causa de preocupação do que de alegria, porque indica novas bolhas especulativas.
A causa desse mau desempenho está no lado da demanda. As empresas desempregam porque não têm para quem vender. Internamente não há fonte de demanda porque as famílias e as empresas estão pagando suas dívidas para recuperar sua solvência. No plano externo, também não há demanda entre os países ricos, porque aqueles que se endividaram (EUA, Espanha e Irlanda, principalmente) precisam pôr em ordem suas contas.
Diante da crise, a solução adotada por todos os países foi uma política fiscal expansionista que evitou o caos econômico. Mas os gastos fiscais não lograram promover uma recuperação sustentada das economias por duas razões: primeiro porque uma parte desse gasto se traduziu em isenção de impostos para os ricos -um tipo de política com baixo efeito multiplicador; segundo porque mesmo os gastos em investimentos não sinalizaram para os investidores privados perspectiva de crescimento sustentado da demanda, mas apenas aumento once and for all da demanda.
Que fazer alternativamente? Economistas como Martin Wolf pedem que os países de renda média aumentem suas importações, mas isso já está acontecendo. Como esses países foram menos atingidos pela crise exatamente porque estavam menos endividados, eles já voltaram a crescer de maneira satisfatória e, em consequência, voltaram a aumentar suas importações. O desempenho relativamente bom do Japão no último trimestre, por exemplo, deveu-se principalmente às importações da China.
Não resta, portanto, alternativa para os países ricos senão manter provisoriamente a política fiscal expansionista, até porque ela está sob seu controle. Mas essa política que envolveu deficit públicos perto de 10% do PIB não pode ser simplesmente continuada. A dívida pública dos países ricos tornou-se altíssima: a do Japão já alcança 226% do PIB, a dos EUA, 99,8%, a da França, 92,5%.
Que fazer então? Uma alternativa é financiar o aumento dos gastos do Estado que tenham efeitos multiplicadores criando demanda e emprego e financiá-los com impostos adicionais e progressivos sobre os ricos -sobre aqueles cuja propensão marginal a consumir é relativamente baixa. Dessa forma, o aumento da poupança privada não neutralizará a expansão do gasto público.
Quando escrevi a primeira versão deste artigo, na semana passada, pensei que estava propondo algo arrojado. Mas descobri em seguida que estava descobrindo a América pela segunda vez... Não obstante estar em campanha eleitoral, o governo britânico de Gordon Brown já promoveu o aumento do Imposto de Renda progressivo marginal de 40% para 50%. Mais cedo ou mais tarde essa política terá que ser considerada pelos demais países ricos. Nos 30 Anos Gloriosos do Capitalismo (1949-1978), o Imposto de Renda marginal chegou a alcançar 90%. Foi reduzido nos 30 Anos Neoliberais do Capitalismo. Voltará, agora, a ser elevado não apenas por uma questão de justiça mas também de lógica econômica. (Folha de S. Paulo – 01/03/10)

Exportações mais seguras
O Conselho de Ministros da Câmara de Comércio Exterior (Camex) aprovou, em dezembro passado, proposta de adesão pelo Brasil à Convenção de Viena sobre Contratos de Compra e Venda Internacional de Mercadorias. A proposta deve agora ser encaminhada ao Congresso Nacional.
Firmada no âmbito da Organização das Nações Unidas (ONU), em 1980, a Convenção de Viena tem por objetivo promover a segurança jurídica e a previsibilidade das relações comerciais entre as empresas estabelecidas em diferentes países. Trata-se de harmonização de procedimentos que auxilia a remover obstáculos jurídicos, facilita a solução de conflitos na área dos contratos e reduz os custos de transação no comércio internacional, principalmente, para as pequenas e médias empresas.
A padronização dos procedimentos aplicáveis é uma forma de estimular o intercâmbio comercial entre os países e tem despertado grande interesse por parte dos envolvidos na atividade negocial. Para alguns estudiosos do assunto, a existência de diferentes sistemas jurídicos nacionais potencialmente aplicáveis a um determinado contrato internacional pode ser considerada barreira não tarifária e deveria ser eliminada no bojo de um mercado global.
Atualmente, a Convenção conta com a participação de 74 Estados-partes que, além de responderem por mais de 90% do comércio mundial, incluem alguns dos principais parceiros comerciais do Brasil. Em termos de fluxo comercial, segundo os dados estatísticos de 2009, 75% do Comércio Exterior brasileiro foi realizado com países signatários da Convenção.
No ano passado, cerca de 40% das exportações brasileiras foram direcionadas à China, EUA, Argentina, Países Baixos, Alemanha - todos Estados-partes da Convenção. Quase metade das importações brasileiras (49,1%) foram provenientes dos EUA, China, Argentina e Japão, sendo esse último país também signatário da Convenção. Os demais países do Mercosul, inclusive a Venezuela, já são signatários, o que reforça a importância que a Convenção tem para o Brasil.
As normas da Convenção de Viena são aplicadas aos contratos internacionais de compra e venda de mercadorias, entendidos como aqueles em que as partes contratantes estejam estabelecidas em países diferentes, ou cuja obrigação deva ser cumprida em jurisdição diversa daquela na qual o contrato foi firmado. Para os contratos nacionais, não há alteração, o que significa dizer que o direito aplicável continua sendo, no caso brasileiro, a legislação civil interna.
Um dos grandes méritos desse Tratado é a consolidação de todas as regras relativas ao contrato internacional. Disciplina desde a formação contratual entre presentes ou à distância, a exemplo da utilização dos meios de comunicação por via eletrônica, até a definição das obrigações às partes.
O princípio que rege a Convenção é o da preservação dos contratos. Por isso, a sua anulação somente deve ocorrer em situações extremas. A Convenção garante ainda, à parte lesada, e sem prejuízo do que prevê o direito interno de cada um dos Estados signatários, remédios contra o descumprimento do contrato, como a indenização por perdas e danos e a execução específica das prestações ajustadas.
Assim, após a adesão brasileira, a empresa nacional que exportar seus produtos, por exemplo, para a China, não precisará conhecer as obrigações contratuais previstas no sistema jurídico chinês para ter segurança na realização de seus negócios. Bastará conhecer as regras da Convenção, na versão oficial em português.
Para avaliar a conveniência da adesão brasileira, a Camex reuniu especialistas na matéria e organizou palestras visando identificar potenciais riscos e benefícios decorrentes da participação brasileira nesse Tratado. A partir de tais debates e análises, verificou-se que, na doutrina jurídica especializada em contratos internacionais, a opinião corrente é favorável à participação brasileira. Diversas entidades do setor privado também se manifestaram positivamente em relação à proposta de adesão.
O mesmo ocorre nos órgãos do governo que têm trabalhado para a adoção de melhores práticas de gestão no comércio internacional, como a simplificação, modernização e desburocratização de procedimentos. O entendimento geral é de que a aplicação da Convenção possibilita a redução dos custos jurídicos, pela certeza da regra aplicável aos contratos e pela maior facilidade na solução de eventuais conflitos decorrentes das transações comerciais. O aumento da segurança jurídica, por sua vez, conduz a uma maior diversificação de mercados de destino, ao aumento do volume de exportações e ao incremento da pauta brasileira com produtos de maior valor agregado.
A participação do Brasil nas exportações globais ainda está aquém do potencial de nossa economia. Aumentar a fatia de produtos brasileiros no mercado internacional é prioridade de governo e importante meta da Política de Desenvolvimento Produtivo. Por isso, medidas que tenham como objetivo ampliar o leque de mercados importadores, diversificar a pauta de exportações e incrementar a oferta de produtos de maior valor agregado, também serão estimuladas com a adesão do Brasil à referida Convenção.
A decisão do Conselho de Ministros da Camex abre a oportunidade para que a Convenção de Viena venha a ser incorporada ao ordenamento jurídico brasileiro. Os próximos passos dependerão do Poder Legislativo, a quem cabe a aprovação do texto legal da Convenção, permitindo assim a adesão brasileira a esse importante tratado internacional.(Valor Econômico – 01/03/10)

BC prepara limpeza nas regras para câmbio
Como parte do esforço para facilitar as exportações brasileiras e a competitividade do país, o Banco Central prepara uma revisão das regras para operações de câmbio, com base em consultas que o presidente do BC, Henrique Meirelles, vem fazendo entre empresários do setor. Meirelles afirma querer uma limpeza, das normas, ainda neste ano, para eliminar regras anacrônicas e simplificar os procedimentos necessários para ingressos e remessas de moeda estrangeira.
As mudanças planejadas pelo BC não devem constar ainda do pacote a ser anunciado em março, de apoio aos exportadores, com medidas para evitar acumulação de créditos tributários, desburocratização e facilidades ao financiamento. Os empresários sugeriram ao governo a revisão completa da lei que rege as operações cambiais, a 4131, de 1962, mas, no BC, é grande a resistência a mexer em lei tão antiga, pelo risco de mudanças indesejáveis durante a tramitação de eventual projeto no Congresso. O presidente do BC vem recolhendo sugestões de medidas que poderiam ser realizadas para facilitar as operações de câmbio. As consultas, segundo ele mesmo, estão ainda em estágio muito preliminar.
As medidas para redução dos créditos tributários recolhidos indevidamente pelos exportadores são as que podem ter maior efeito em curto prazo, na avaliação de participantes de conversas mantidas no governo e entre autoridades e empresários, nos últimos meses. O objetivo é conter a acumulação de créditos tributários criados com recolhimento de impostos nas etapas de produção de mercadorias para exportação. Os exportadores são isentos de impostos federais e estaduais, e a acumulação indevida de créditos, só de impostos federais, soma cerca de US$ 5 bilhões, segundo estimativas não confirmadas pelo governo.
O mecanismo pelo qual exportadores receberiam um crédito automático, calculado segundo o desempenho passado nas vendas ao exterior, é a proposta vista com mais simpatia no governo e tem concentrado as atenções nas reuniões com representantes dos exportadores. O crédito poderia ser repassado eletronicamente pelos exportadores a seus fornecedores, que poderiam usá-lo para abater imposto devido ou repassar aos próprios fornecedores, um degrau abaixo no processo de produção.
A discussão sobre o Eximbank é outra que entusiasma empresários e o Ministério do Desenvolvimento, mas sofre restrições por parte dos representantes da Fazenda, que discordam da ideia de juntar, em um só organismo, operações de financiamento, seguro de crédito e garantias de crédito. Mantega pediu detalhamento das experiências em outros países, para avaliar as propostas defendidas pelo setor privado, e o tema provavelmente será levado para decisão de Lula.
O pacote poderá, ainda, conter medidas específicas sugeridas por setores empresariais que ganharam simpatia entre autoridades, como a sugestão de exclusão das receitas de exportação para efeito de enquadramento no Simples. Com a exclusão, pequenas e médias empresas poderiam aumentar o faturamento com vendas ao exterior sem temer perder benefícios do Simples. A Receita, porém alega necessitar de tempo e de mudanças complexas nos programas do Serpro para adotar as medidas, o que dificultaria sua aplicação. (Valor Econômico – 01/03/10)

Papo firme com o Tio Sam
Diferenças à parte — e elas serão uma parte extensa e importante da agenda —, Brasil e Estados Unidos devem dar passos concretos em pelo menos duas direções durante a visita da secretária de Estado Hillary Clinton, que chega a Brasília nesta quarta-feira. Ela e o ministro Celso Amorim pretendem estabelecer um mecanismo de consultas regulares em nível de chanceleres, em base anual, com as reuniões se alternando entre os dois países. Trata-se de uma modalidade que traduz um patamar mais elevado de relações diplomáticas. E vai formalizar uma tendência que vem dos últimos anos do governo Bush, quando Amorim e Condoleezza Rice, antecessora de Hillary, passaram a conversar por telefone com maior frequência. Em pouco mais de um ano de governo Obama, o ritmo se intensificou e o cardápio se diversificou. Agora, inclui troca de impressões sobre o conflito do Oriente Médio, o impasse com o Irã, o combate às mudanças climáticas e outros temas de alcance global.
Dentro da "agenda positiva", Hillary e Amorim devem também prosseguir com as conversações sobre um acordo para favorecer investimentos e trocas. A ideia começou a ser trabalhada na visita do representante comercial dos EUA, Ron Kirk, no ano passado. Como sócio do Mercosul, o Brasil está impedido de fechar com os EUA um tratado bilateral de comércio, mas pode negociar facilidades de menor alcance.
Carne de pescoço
Não faltarão à mesa das conversas da secretária, com o ministro e com o presidente Lula, temas sobre os quais Brasília e Washington andam divergindo pública e repetidamente. Começando pelo Irã, até porque Lula retribuirá em maio a visita do colega Mahmud Ahmadinejad. Fontes próximas ao chanceler Amorim garantem que "eles (os americanos) não têm falado nisso", mas ninguém duvida de que Hillary insistirá para que o Brasil apoie uma nova rodada de sanções contra o regime islâmico. Difícil será convencer o Itamaraty e o Planalto de que o melhor caminho é isolar Teerã. Por sinal, durante a viagem com o presidente ao México, o ministro conversou por telefone com o colega iraniano, Manouchehr Mottaki. Naturalmente, o lado brasileiro dará "o troco" cobrando mais ação dos EUA para destravar o processo de paz entre Israel e a Autoridade Palestina, que Lula visitará no mês que vem.
Em cima da hora
A pouco menos de uma semana para a chegada da ex-primeira-dama, que faz sua primeira visita à América Latina como chefe da diplomacia americana, uma numerosa delegação da embaixada esteve no Itamaraty na manhã de quinta-feira. Foram discutidos os últimos detalhes da agenda de Hillary em Brasília, o esquema de segurança e acertos técnicos para a entrevista coletiva que ela deverá conceder ao lado do colega anfitrião. Como a vinda da secretária foi confirmada apenas na semana passada, os preparativos começaram um pouco em cima da hora para o gosto dos diplomatas envolvidos. (Correio Braziliense – 27/02/10)

Lesgislação falha abre brecha para ação fraudulenta de exportador chinês
Uma lacuna na legislação brasileira, que impede medidas mais rigorosas do governo para combater fraudes nas importações de produtos chineses que hoje são alvos de tarifas antidumping, levou um grupo de advogados brasileiros a recorrer à Justiça. Uma denúncia foi apresentada ontem ao Ministério Público de São Paulo, informando sobre a falsificação de documentos de origem por exportadores chineses nas importações de ímãs ferrite em forma de anel — usados principalmente em alto-falantes de carros — daquele país, atualmente taxadas em 43%.
No esquema, exportadores chineses emitem documento de origem falso, colocando a Malásia como país de procedência.
Os malaios não produzem ímãs.
A falha se dá na falta de regulamentação de uma lei de 2008, que permite que medidas antidumping e compensatórias possam ser estendidas, imediatamente, a terceiros países. Como não existe esse dispositivo, o Ministério do Desenvolvimento (MDIC) é obrigado a abrir um processo, que leva de nove meses a um ano e meio. Enquanto isso, além de ímãs, ventiladores, ferros elétricos de passar, cadeados, escovas de cabelo, garrafas térmicas, armações de óculos e lápis entram no Brasil por triangulação de países como Malásia, Taiwan, Hong Kong, Vietnã e Tailândia sem sobretaxas.
Ferro elétrico chinês entra como se fosse de Taiwan Segundo o MDIC, em comparação a 2008, as compras de ferros elétricos da China caíram 38,1% em 2009. No mesmo período, as importações de Taiwan, que não fabrica o produto, subiram 54,8%. As aquisições de cadeados chineses diminuíram 49%. Mas os mesmos produtos trazidos da Malásia subiram 52,3% e, de Hong Kong, 2.192%. Quanto aos ímãs, se em 2008 a Malásia não exportava um único produto, em 2009 o total vendido ao Brasil somou US$ 138,6 milhões.
Pelo menos 20% do mercado de imãs hoje são provenientes dessa triangulação — disse Roberto Barth, diretor comercial da Supergauss, empresa prejudicada pelas fraudes. — Não podemos aguardar mais um ano e meio para que o antidumping seja aplicado às importações da Malásia.
Uma das responsáveis pela ação, a advogada Silvia Pinheiro, sócia-diretora da Guedes & Pinheiro, disse que, com a ação, o Ministério Público aciona a Receita Federal, que adota um rígido monitoramento no ingresso de ímãs no Brasil, exigindo o certificado de origem, que é minuciosamente analisado. (O Globo – 27/02/10)

Confiança da indústria é a maior desde 2007
Empresários da indústria de transformação acreditam que o mercado interno continuará a sustentar as vendas do setor, ao contrário das exportações, cuja recuperação deve demorar mais. Esta é uma das conclusões da Sondagem da Indústria de Transformação, divulgada ontem pela Fundação Getulio Vargas (FGV), que apontou para uma elevação de 1,9% no Índice de Confiança da Indústria (ICI), para 115,8 pontos entre janeiro e fevereiro, o maior nível desde dezembro de 2007 (116 pontos).
O índice (de confiança dos empresários) mostra um quadro virtuoso que vinha sendo desenhado para 2010, mesmo depois dessa desaceleração das vendas de bens de consumo duráveis na virada do ano que parece ser passageira — disse o coordenador de Pesquisas da FGV, Aloisio Campelo.
Segundo ele, além da leve queda da demanda interna em fevereiro (de 121 pontos para 118,5 pontos), a recuperação das exportações, medida pelo nível de demanda externa, caiu de 89,5 pontos em janeiro para os atuais 84,3 pontos em fevereiro.
O cenário internacional está mudando para pior desde dezembro do ano passado — avalia Campelo, lembrando que as previsões de retomada das exportações brasileiras este ano não estão se confirmando. (O Globo – 27/02/10)

Real é a moeda que mais se valoriza no mês
Com a economia se acelerando e as perspectivas de que o Banco Central vai subir a taxa de juros já em março ou abril, o real é a moeda que mais se valorizou em relação ao dólar neste mês, com alta de 4,9% no mercado de Nova York. O aumento, que reverte parte da perda de 7,9% no mês passado, é o maior entre todas as moedas analisadas pela Bloomberg.
O Brasil continua a ser uma história sólida, e o real é uma moeda atraente, afirmou Vitali Meschoulam, estrategista do Morgan Stanley, que prevê que a divisa brasileira, que ontem fechou a R$ 1,807, vai se valorizar em 1,7% neste ano -alta similar à prevista por analistas consultados pela Bloomberg. A economia brasileira é a que cresce mais rápido na América Latina. A dinâmica do forte investimento estrangeiro direto não foi alterada.
O real tem avançado à medida que os investidores aumentam as suas apostas de que o BC, já em março, pode elevar a taxa de juros básica (hoje em 8,75%) para controlar a inflação. Juro alto pode atrair investimento externo para aplicação em títulos públicos, e a entrada de recursos no país valoriza o real. Nesta semana, o BC anunciou que vai elevar o compulsório, ampliando em US$ 71 bilhões o volume de recursos que os bancos têm de recolher obrigatoriamente aos cofres do BC.
A alta do real neste mês reduziu as perdas no ano para 3,4%. A queda de janeiro, a maior desde outubro de 2008, havia sido reflexo da decisão do governo da China (o maior comprador das exportações brasileiras) de controlar empréstimos para tentar desacelerar a economia.
Nas últimas semanas, os bancos americanos Goldman Sachs e Bank of America têm recomendado aos clientes que comprem o real. Afirmam que o crescimento da economia vai atrair investimento externo.
O boletim Focus, feito pelo BC após consulta ao mercado, aponta que o investimento estrangeiro direto vai totalizar US$ 38 bilhões neste ano -ante US$ 26 bilhões em 2009. Para o ano que vem, a previsão é que ele alcance US$ 40 bilhões. (Folha de S. Paulo – 27/02/10)

O FMI se reinventa
O Fundo Monetário Internacional (FMI) recebeu, em dezembro, a importante medalha de ouro do Institute Peter Templeton por suas ações a favor da sustentabilidade do planeta. Foi a primeira organização multilateral a ser distinguida pelo prêmio. Ser mais verde é apenas uma das mudanças promovidas no FMI pelo seu presidente, Dominique Strauss-Kahn, um economista membro do Partido Socialista francês. Em dois anos no cargo, DSK, como é conhecido, está derrubando os maiores tabus da instituição. Nas últimas três décadas, o FMI foi o guardião da ortodoxia econômica. Agora acaba de dar uma guinada em sua história. Dois documentos assinados pelo economista-chefe Olivier Blanchard e cinco colegas de peso fazem uma série de sugestões que ampliam a margem de manobra da política econômica dos países-membros. Além de elevar a meta de inflação de 2% para 4%, o Fundo, numa espécie de contrição, volta a defender o controle de capitais – tal como em sua origem em 1944 –, para evitar fortes oscilações no câmbio. "O fracasso da liberalização do sistema financeiro, que permitiu ao mercado regular a economia, obrigou o FMI a romper os paradigmas neoliberais e a repensar suas teorias econômicas", afirmou o ministro da Fazenda, Guido Mantega.
O Brasil, que tem perseguido metas de inflação de 4,5%, foi o primeiro país a adotar o controle de capitais no pós-crise de 2008. Há quatro meses, Mantega impôs 2% de Imposto sobre Movimentação Financeira (IOF) à entrada de capital estrangeiro. Na década de 1990, até mesmo o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso chegou a defender algum controle sobre o fluxo de capitais para desespero do FMI. Agora – com milhões de desempregados mundo afora –, o Fundo pensa diferente. "Foi uma surpresa, porque eles só falavam em cortar gastos. É claro que achamos importante a questão fiscal, mas na crise a prioridade tem que ser a reativação da economia", comemora Mantega. Mas o ministro lembra que, desde o início da crise financeira, o FMI já se mostrara mais sensível à realidade da economia mundial. "O Fundo foi um dos primeiros a dizer que era necessário estimular a economia e adotar medidas anticíclicas", explica Mantega. Segundo ele, os emergentes ganharam uma voz mais ativa na instituição nos últimos três anos. "A experiência brasileira está sendo acompanhada e pode gerar novas ideias dentro do FMI", diz o ministro. Os relatórios de Blanchard, divulgados na semana passada, questionam as teses do organismo financeiro multilateral, mas não chegam a fazer recomendações específicas para os países-membros. Para o economista Paulo Nogueira Batista Jr., representante do Brasil e mais oito países no FMI, o novo posicionamento é importante, pois representa a reavaliação dos economistas do Fundo sobre certos pensamentos doutrinários.
DE 2% PARA 4% é a alteração do teto de inflação que os economistas do fundo passaram a admitir
"No caso da inflação, 2% é muito baixo. A vantagem da inflação um pouco mais alta são os juros nominais. Eles também seriam maiores e, na crise, os BCs teriam mais espaço para cortar", disse Batista Jr. à ISTOÉ. O professor da Universidade de Harvard Ken Rogoff acredita, porém, que será muito difícil convencer os países desenvolvidos a elevar a taxa de inflação: "Eles passaram duas décadas convencendo a população de que 2% era um percentual mágico para, de repente, anunciar que mudaram de ideia." Blanchard, entretanto, não vê alternativa: "A crise claramente nos obriga a questionar as nossas avaliações." O FMI também resolveu rediscutir o papel dos Bancos Centrais. Os economistas da instituição se perguntam se os BCs devem ter um único instrumento, a taxa de juros, para perseguir um único objetivo, as metas de inflação. Cresce a percepção de que os BCs também precisam se preocupar com a estabilidade da economia. Blanchard e sua equipe passaram a defender uma regulação bancária mais rígida, que forneça ferramentas aos BCs para permitir alterar o nível de endividamento, além de controlar a captação interna nos mercados hipotecários e requerer margens para ampliar o controle sobre ações. Numa preocupação social incomum, o FMI recomenda ainda pagamentos automáticos de benefícios aos mais pobres, quando o desemprego passar de um limite predeterminado. Mas o FMI não deixa de recomendar um empenho maior dos governos na redução da dívida pública. A crise, segundo Blanchard, expôs falhas "na estrutura básica da política econômica existente e exige correções imediatas de rumo." (IstoÉ – 27/02/10)


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