DRI Clipping Semanal nº 25 - 23 a 27/06/14

Acordos


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A Ucrânia e a UE firmam o pacto de livre comércio que iniciou a crise com a Rússia
O acordo, que também foi firmado por Geórgia e Moldávia, contempla uma zona de livre comércio
Lucía Abellán / Pilar Bonet Bruxelas / Moscou
Ucrânia, Moldávia e Geórgia assinaram nesta sexta-feira o Acordo de Associação à União Europeia (UE) durante a reunião do Conselho Europeu em Bruxelas. O novo tratado contempla a criação de uma ampla zona de livre comércio e a adaptação progressiva às normas e à legislação comunitária. “Isso trará graves consequências” para a economia ucraniana e para as relações comerciais entre Kiev e Moscou, advertiu hoje o vice-ministro de Assuntos Exteriores russo, Grigori Karasin. “A sociedade ucraniana está dividida depois de ter sido forçada a escolher entre a UE e a Rússia”, declarou o presidente russo Vladimir Putin, de Moscou.
Haverá graves consequências para a Ucrânia
A assinatura do acordo acontece no mesmo dia em que estava prevista a realização de negociações de paz entre o Governo de Kiev e os separatistas pró-russos da região oriental de Donetsk, que na quinta-feira finalmente aceitaram aderir à iniciativa. O presidente ucraniano, Petro Poroshenko, declarou um cessar fogo “unilateral” que duraria até hoje, sexta-feira, às 22 horas (hora local) ao qual, dias mais tarde, também se uniu seu colega russo, Vladimir Putin. O presidente russo declarou nesta sexta que quer um cessar fogo “de longo prazo”, segundo a Reuters.
Os acordos da Associação com Bruxelas supõem uma aproximação da UE. No caso da Ucrânia, tratam-se apenas dos capítulos econômicos, já que em 21 de março foram assinados os capítulos políticos do texto, rubricado no verão de 2012. O documento pode ser considerado histórico pois, independentemente de seu conteúdo, está na origem dos protestos pró-europeus (o Euromaidan) que, depois de se tornarem uma revolução, derivaram para enfrentamentos violentos nas regiões orientais do país, que são as mais integradas economicamente à Rússia. Nas fábricas e minas da bacia do rio Don, o tratado está associado ao desmonte da indústria local e à perda de postos de trabalho.
O Tratado de Associação com a Ucrânia é o mesmo que o ex-presidente Viktor Yanukovich se negou a assinar em final de novembro em Vilnius, cedendo assim às pressões do Kremlin que, desde o verão, impunha diversas restrições aos exportadores ucranianos, desde os fabricantes de tubos de aço e vagões de trem até os de chocolate. (El Pais – 27/06/2014)

Ucrânia considera "histórico" acordo com a União Europeia
O presidente ucraniano, Petro Porochenko, considerou hoje "dia histórico" para o país a assinatura de um acordo de associação com a União Europeia (UE), que oferece novo início após anos de instabilidade política. "Trata-se de um dia histórico para o meu país, o mais importante desde a independência" em 1991, declarou ao chegar a Bruxelas. O acordo, que inclui a Ucrânia, Geórgia e Moldávia, foi firmado antes do início do segundo dia de trabalho do Conselho Europeu.
A iniciativa, que sela a aproximação política e econômica com a UE, oferece "perspectiva completamente nova para o país", lembrou Porochenko, elogiando a "solidariedade" demonstrada pelo bloco dos 28 no quadro da crise ucraniana. "Trata-se do resultado de sete anos de trabalho", disse ele, acrescentando que pretende "aproveitar a oportunidade para modernizar o país".
A assinatura da parte remanescente do acordo de associação com a Ucrânia e a dos acordos de associação da União Europeia com a Geórgia e a República da Moldávia marcam o início da cúpula europeia.
O acordo firmado com os três países "é positivo e não é contra ninguém", destacou o presidente da Comissão Europeia, José Manuel Durão Barroso, referindo-se à oposição de Moscou a essas parcerias.
O presidente do Conselho Europeu, Herman Van Rompuy, considerou este "um grande dia para a Europa".
A Rússia alertou "para as sérias consequências" dos acordos de associação. (Agência Brasil – 27/06/2014)

Diplomacia da bola
A presidente Dilma Rousseff está tentando aproveitar a oportunidade diplomática criada pela realização da Copa do Mundo no Brasil. Entre um jogo e outro, aos quais compareceram diversos chefes de governo estrangeiros no País, Dilma abriu sua agenda para estabelecer contatos importantes - e sinalizar a disposição de reaquecer relações com os Estados Unidos, de se aproximar da Colômbia e de impulsionar o acordo de livre-comércio entre Mercosul e União Europeia, entre outras iniciativas positivas.
No caso dos Estados Unidos, Dilma recebeu o vice-presidente Joe Biden, no primeiro encontro de alto nível entre representantes dos dois países desde a revelação, no ano passado, de que o serviço de inteligência americano teria espionado empresas e cidadãos brasileiros - entre os quais a própria Dilma. O episódio levou a presidente a cancelar uma visita de Estado a Washington, e, desde então, as relações entre os dois países estão estremecidas.
Dilma ainda espera um pedido de desculpas formal por parte do presidente Barack Obama. Em seu encontro com a presidente, Biden não ofereceu as desculpas, mas se disse "confiante" na rápida normalização das relações, salientando que o convite para que Dilma visite os Estados Unidos continua de pé. A própria presidente, antes do início do Mundial, disse a jornalistas estrangeiros que estava pronta para "seguir adiante" nas relações com os americanos, superando o lamentável episódio da espionagem.
Os gestos são claros na direção de uma distensão - mesmo porque o comércio entre os dois países vai muito bem, independentemente da atmosfera carregada. De janeiro a maio deste ano, em relação a igual período de 2013, as exportações do Brasil para os Estados Unidos cresceram 12,69%, enquanto as vendas para a China tiveram um aumento de 5,69% e as exportações para a Argentina recuaram 19,33%.
No mesmo período, os Estados Unidos ficaram muito próximos de se tornar o maior exportador para o Brasil, com 15,36% do total, ante 16,61% da China. Logo, o desentendimento entre Dilma e Obama soa mais como um ruído passageiro numa relação que apresenta robustez em seus múltiplos pontos de interesse.
Já a aproximação de Dilma com o presidente reeleito da Colômbia, Juan Manuel Santos, ocorre no momento em que a Aliança do Pacífico, bloco econômico integrado pelos colombianos, desponta como a grande novidade econômica da América Latina, um contraponto à apatia do Mercosul.
Amarrado a seus parceiros regionais por compromissos muitas vezes mais ideológicos do que racionais, o Brasil vem perdendo a chance de se associar a países e blocos muito mais dinâmicos, que abririam preciosas oportunidades de negócios justamente no momento em que precisa sacudir sua economia. No encontro de Dilma com Santos, em que o colombiano elogiou a "espetacular" hospitalidade dos brasileiros na Copa, sinalizou-se a intenção de conciliar interesses de ambas as partes.
"A Aliança do Pacífico não é aliança contra ninguém nem concorrência com ninguém", disse Santos. Ele deu a entender, no entanto, que o interesse da Colômbia em "encontrar sinergias" com o Mercosul se limita ao fato de que o bloco inclui o Brasil, maior potência da região.
Do mesmo modo, Dilma aproveitou o encontro com a chanceler da Alemanha, Angela Merkel, para mostrar disposição de fechar o acordo comercial com a União Europeia, cuja conclusão tem sido adiada em razão das exigências argentinas.
Como tem acontecido com frequência nas relações comerciais entre Brasil e Argentina, os "hermanos" vêm ditando o ritmo e os termos das negociações, explorando a hesitação brasileira na hora de fazer prevalecer seu maior peso econômico.
"Há determinação do Brasil e do Mercosul para avançarmos nas negociações com a União Europeia para ampliar e diversificar o intercâmbio comercial", disse Dilma após conversar com Merkel, sinalizando que o Brasil tem todo o interesse de alcançar um acordo com os europeus, a despeito das reservas argentinas. (O Estado de SP – 27/06/2014)

Ucrânia assina acordo comercial com a UE; Rússia alerta para "graves consequências"
BRUXELAS - A Ucrânia assinou nesta sexta-feira um acordo de livre comércio com a União Europeia (UE) que era o centro de meses de violência e revoltas no país, o que provocou a imediata ameaça russa de "consequências graves".
A Geórgia e a Moldávia assinaram acordos semelhantes, o que aponta para a perspectiva de ampla integração econômica e livre acesso ao mercado da UE, de 500 milhões de habitantes. Os pactos alarmaram o governo russo, que teme perder influência sobre as ex-repúblicas soviéticas.
"Ao longo dos últimos meses a Ucrânia pagou o mais alto preço possível para fazer com que seu sonho europeu se tornasse realidade", disse o presidente ucraniano, Petro Poroshenko, aos lideres europeus na cerimônia de assinatura em Bruxelas.
O vice-ministro das Relações Exteriores da Rússia, Grigory Karasin, reagiu imediatamente dizendo que haveria "graves consequências" para a Ucrânia, segundo informou a agência russa Interfax.
A decisão do ex-presidente ucraniano Viktor Yanukovich de desistir de assinar o acordo com a UE em novembro, preferindo estreitar os laços com Moscou, desencadeou meses de protesto de rua que, por fim, levaram à sua destituição do poder e fuga do país.
Logo depois, a Rússia anexou a região ucraniana da Crimeia, o que provocou indignação e sanções dos Estados Unidos e da UE.
(Reportagem de Robin Emmott e Adrian Croft) (Reuters – 27/06/2014)

Ucrânia assina acordo com a UE e Rússia fala em 'consequências'
Em novembro, o mesmo acordo de livre comércio e cooperação política foi estopim de meses de protestos e violências no país
BRUXELAS - A Ucrânia assinou nesta sexta-feira, 27, um acordo de livre comércio e cooperação política com a União Europeia (UE) que tinha sido o estopim de meses de violência e revoltas no país, o que provocou a imediata ameaça russa de "consequências graves".
Em novembro, a decisão do ex-presidente ucraniano Viktor Yanukovich de desistir de assinar esse acordo com a UE, preferindo estreitar os laços com Moscou, desencadeou meses de protesto que levaram à sua destituição do poder e fuga do país. Em seguida, a Rússia anexou a região ucraniana da Crimeia, o que provocou indignação e sanções dos Estados Unidos e da UE.
A Geórgia e a Moldávia assinaram acordos semelhantes, o que aponta para a perspectiva de ampla integração econômica e livre acesso ao mercado da UE, de 500 milhões de habitantes. Os pactos alarmaram o governo russo, que teme perder influência sobre as ex-repúblicas soviéticas.
"Ao longo dos últimos meses a Ucrânia pagou o mais alto preço possível para fazer com que seu sonho europeu se tornasse realidade", disse o presidente ucraniano, Petro Poroshenko, aos lideres europeus na cerimônia de assinatura em Bruxelas.
O vice-primeiro-ministro da Rússia, Grigory Karasin, reagiu imediatamente dizendo que haveria "graves consequências" para a Ucrânia, informou a agência russa Interfax. / Reuters (O Estado de SP – 27/06/2014)

Ucrânia e UE assinam acordo que desencadeou crise com a Rússia
Por Folhapress
SÃO PAULO - A Ucrânia assinou nesta sexta-feira um acordo comercial com União Europeia (UE), dando mais um passo de aproximação do bloco, apesar da pressão russa.
Outras duas ex-repúblicas soviéticas, a Geórgia e a Moldávia, também assinaram acordos semelhantes.
"Que grande dia! Possivelmente o mais importante para meu país desde a independência em 1991", declarou o presidente ucraniano, Petro Poroshenko.
O acordo é o mesmo que o seu antecessor, Viktor Yanukovytch - aliado de Moscou -, se recusou a assinar em novembro do ano passado. A ação causou uma onda de protestos que levou a sua queda, dando início à atual crise com a Rússia.
"Nos últimos meses, a Ucrânia pagou um alto preço para fazer o sonho europeu virar realidade", disse ele, que assinou o documento com a mesma caneta que Yanukovytch usaria.
"É um grande dia para a Europa. A União Europeia está a seu lado, hoje mais do que nunca", declarou Herman Van Rompuy, presidente do Conselho Europeu.
A cerimônia de assinatura aconteceu durante uma reunião da UE em Bruxelas e reuniu os líderes dos 28 países do bloco, além de Poroshenko e dos primeiros-ministros de Geórgia e Moldávia.
"As evoluções históricas são inevitáveis", completou o presidente ucraniano. Ele destacou que o acordo será aplicado em toda Ucrânia, "inclusive na Crimeia". A região está em disputa com a Rússia desde março.
Van Rompuy afirmou que "nada, no acordo, afeta a Rússia". "O acordo é positivo. Não foi feito contra ninguém", disse o presidente da Comissão Europeia, José Manuel Barroso.
Mas o vice-ministro das Relações Exteriores da Rússia, Grigori Karasin, advertiu para as consequências.
"A assinatura por parte de Ucrânia e Moldávia do acordo terá graves consequências", declarou à agência Interfax.
Mas ele acrescentou que "a assinatura de um documento tão importante é, certamente, um direito soberano de cada Estado".
O Kremlin afirmou que adotará medidas para defender sua economia no momento das consequências negativas. (Valor Online – 27/06/2014)

Acordo entre União Europeia e Mercosul não deve sair em 2014
VALDO CRUZ
RENATA AGOSTINI
O governo não espera mais fechar neste ano um acordo entre Mercosul e União Europeia para uma área de livre-comércio entre os blocos –principal aposta de Dilma na área de política comercial.
Segundo assessores presidenciais, a chance de um acordo acabou devido a resistências de países europeus às negociações e da proximidade das eleições no Brasil e da troca de comando na UE.
Para a equipe de Dilma, depois de pressionar o Mercosul a fechar uma proposta, a UE recuou e não mostra mais o mesmo empenho.
Negociadores por parte do Mercosul já vinham alertando que, caso não fosse possível realizar a troca de propostas até a Copa, as tratativas teriam de ficar para 2015.
As negociações para uma área de livre-comércio entre Mercosul e UE se arrastam desde a década de 1990.
Eraldo Peres/AP
A troca de propostas, quando cada lado monta uma oferta sobre quais produtos terão a tarifa zerada, estava prevista para dezembro de 2013, mas foi adiada a pedido dos europeus para o início de 2014.
O governo chegou a apostar numa evolução das negociações entre janeiro e março. Depois, acreditou que seria possível fazer a troca de propostas até junho, mas descobriu que a Europa já não estava tão interessada.
O fracasso frustrou o governo. A presidente Dilma estava empenhada pessoalmente nas negociações. Acreditava que um acordo poderia ser um trunfo em ano eleitoral.
Atravessando um momento de dificuldade em seu comércio exterior, o Brasil contava com o acordo com a UE para melhorar sua posição e agradar a indústria.
O setor, que durante muito tempo resistiu à proposta, passou a defender o acordo diante da deterioração do mercado argentino.
Pesou na indefinição dos dois lados o fato de a direção da UE estar com data marcada para mudar, em outubro. "Fica difícil negociar com quem vai sair daqui a três meses. O mesmo raciocínio pode ser feito por eles", diz um assessor reservadamente.
Divergências no bloco sul-americano também dificultaram. A proposta do Mercosul já estava praticamente pronta, mas ainda faltavam ajustes, como decidir o prazo de carência oferecido aos europeus para que os produtos começassem a ter os impostos reduzidos. Os argentinos pediam um prazo maior do que Brasil, Uruguai e Paraguai –a Venezuela não quis negociar.
Também faltava chegar a um consenso sobre os últimos produtos que entrariam na lista que terão a alíquota de importação zerada.
Nesse cenário de indefinições (que inclui a crise argentina), o governo avaliou que fazer a troca de propostas agora seria "expor a estratégia" brasileira sabendo que não há "nenhuma chance" de fechar um acordo. (Folha de SP – 26/05/2014)

Opinião: Associação com UE ajudará a implantar reformas na Ucrânia
ROSTYSLAV TRONENKO
Nesta sexta-feira 27 de junho no âmbito da reunião do Conselho Europeu em Bruxelas será assinada a parte econômica e comercial do Acordo de Associação entre a Ucrânia e a União Europeia ou, em outras palavras, será criada uma Área de Livre Comércio.
Vale lembrar que em 21 de abril deste ano já foi assinada a parte política do Acordo de Associação entre a Ucrânia e a União Europeia. Pouco antes, houve uma mudança de poder na Ucrânia depois da fuga do presidente Yanukovich pelos protestos populares em massa, conhecidos como a "revolução da dignidade". Estes protestos foram provocados justamente pela rejeição, por parte de Yanukovich, sob pressão do Kremlin da política de integração Europeia e tentativas de reprimir com violência as aspirações democráticas dos ucranianos.
Em seu discurso inaugural no dia 7 de junho, o novo Presidente da Ucrânia Petro Poroshenko ressaltou a importância da integração Europeia para o país, lembrando a necessidade de preservar a soberania e a integridade territorial da Ucrânia, incluindo a Crimeia. No dia 19, o Parlamento da Ucrânia com 335 votos a favor nomeou Pavlo Klimkin, que tomou uma ativa participação na negociação do acordo, como Ministro das Relações Exteriores da Ucrânia.
O Acordo de Associação, resultado de cinco anos de negociações entre a Ucrânia e a União Europeia, é um instrumento único na prática de ambas as partes que abre o caminho para a Ucrânia de desenvolvimento profundo das relações com a UE. A integração Europeia foi determinada como o objetivo principal da política exterior da Ucrânia ainda em 2002.
A Ucrânia considera o Acordo de Associação como uma ferramenta eficaz para fazer reformas políticas e econômicas em larga escala no país. No entanto, o principal objetivo destas transformações não é tanto aderir-se à UE, como elevar o nível de vida e prosperidade do povo ucraniano através de introdução de normas Europeias em todas as esferas da vida pública.
LIVRE COMÉRCIO
A criação da Área de Livre Comércio de caráter abrangente e aprofundado, primeira deste tipo para a União Europeia, é um elemento-chave do Acordo de Associação.
A diferença principal das clássicas áreas de livre comércio é inclusão no livre comércio do setor dos serviços, bem como um amplo programa de adaptação da legislação econômica e setorial da Ucrânia de acordo com os padrões internacionais e europeus, o que ajudará eliminar as barreiras não tarifárias para as exportações ucranianas no mercado da União Europeia. Além disso, o mercado da União Europeia é o maior do mundo, que reúne 28 estados membros com uma população de mais de 500 milhões de pessoas.
A vantagem principal para a Ucrânia de estabelecimento da Área de Livre Comércio com a União Europeia seria melhorar consideravelmente as condições para as exportações ucranianas, devido à eliminação de barreiras ao comércio e maior integração econômica.
Este objetivo será alcançado, principalmente, através da eliminação de tarifas de importação para 97% de produtos. Além disso, a eliminação de barreiras técnicas não-tarifárias no comércio de produtos agrícolas traz benefícios adicionais aos exportadores ucranianos, graças à harmonização da legislação veterinária e fitosanitária da Ucrânia com a legislação da UE, conhecida pelo alto nível de proteção deste setor.
Através de adaptação de modernos padrões europeus em indústria e setor agropecuário se aumentará a competitividade dos produtos ucranianos nos mercados de outros países, não apenas do continente europeu.
Outro efeito positivo da existência da Área de Livre Comércio será aumento de investimentos diretos estrangeiros na indústria e setor de serviços da Ucrânia aproveitando as existentes vantagens competitivas da economia ucraniana e o acesso ao mercado da União Europeia. Trata-se não apenas sobre investimentos europeus, mas também sobre empresas investidoras de outras partes do mundo que procuram melhor acesso ao mercado da UE.
O governo e a sociedade ucraniana acreditam que o Acordo de Associação, bem como sua parte integral sobre Área de Livre Comércio, vai acelerar o crescimento da Ucrânia e facilitar a realização das aspirações do povo ucraniano de ter um país democrático e forte com uma economia desenvolvida e estável.
Nós entendemos perfeitamente que após a assinatura, a Ucrânia ainda terá um caminho pela frente para implementar o acordo, algo que suporá um enorme desafio para a economia do nosso país. Mas esse caminho, como falou o Presidente da Ucrânia, terá o destino final a adesão plena da Ucrânia à União Europeia. ROSTYSLAV TRONENKO é Embaixador da Ucrânia no Brasil (Folha de SP – 26/06/2014)

“Debe ir a Unasur, OEA y Mercosur”
MONTEVIDEO (EFE). El presidente de Uruguay, José Mujica, pidió ayer que el fallo de la Corte Suprema de EE.UU., que obliga a Argentina a pagar a los llamados “fondos buitre”, sea revisado en instancias internacionales americanas, como la Unasur, la OEA o el Mercosur, porque es un problema para esos organismos.
“Hoy o mañana nos pueden hacer lo mismo a cualquiera, y me parece que estas cosas hay que llevarlas a los foros internacionales y empezar a asumir actitudes colectivas”, señaló el Mandatario en declaraciones recogidas por la página web de la Presidencia uruguaya.
Para Mujica, el fallo desfavorable para Argentina “directamente pega a todos, porque si Argentina pasa por una coyuntura muy difícil, va a repercutir en el resto de los países que tienen relaciones económicas con ella”.
El Presidente reflexionó sobre la idoneidad de formular planteamientos colectivos de ese tipo, “aunque las quejas parece que son hojas al viento”, ya que ellas “empiezan a acumular conciencia en la medida que se van transmitiendo y transmitiendo”, una cosa que él aprendió “de los chinos”. Mujica realizó las declaraciones en el marco de un conflicto bilateral con Argentina por la autorización de un aumento de producción a la planta de celulosa finlandesa de UPM, situada sobre el fronterizo río Uruguay, y a la que el país vecino se opone.
El canciller argentino, Héctor Timerman, señaló que a raíz de ese suceso Argentina revisaría “toda relación bilateral ” con Uruguay. La Corte Suprema de Estados Unidos resolvió rechazar la apelación presentada por Argentina contra la resolución del juez Thomas Griesa, que falló a favor de los fondos especulativos en el juicio contra el país suramericano.
Los fondos demandantes, a los que Argentina califica como “buitres”, compraron bonos argentinos a personas o entidades que no aceptaron canjearlos. (ABC Color – 26/06/2014)

Uruguay promulga una ley de adhesión de Bolivia al Mercosur
Por EFE
El Gobierno de Uruguay promulgó una ley de adhesión del Estado Plurinacional de Bolivia al Mercosur, el bloque formado por Argentina, Brasil, Uruguay, Paraguay y Venezuela, informaron fuentes oficiales.
La adhesión de Bolivia tendrá en cuenta promover la “reducción de asimetrías” entre los Estados miembros de Mercosur, con el fin de “favorecer un desarrollo económico relativo equilibrado”, señaló el texto legislativo.
Estableció además que las partes alcanzarán el “libre comercio recíproco” a partir de la fecha de entrada en vigencia de su acuerdo.
Por su parte, Bolivia deberá adoptar el acervo normativo del bloque gradualmente, en un plazo de hasta cuatro años después de formalizar su vínculo con el Mercosur.
Bolivia es un estado asociado del Mercosur desde 1997.
Su proceso de integración plena al bloque comenzó el 7 de diciembre del 2012 con la firma de un protocolo en Brasilia.
En la actualidad, Bolivia participa en el Mercosur como Estado en proceso de adhesión con derecho a voz, pero todavía sin voto.
Para su integración completa en el bloque es necesario que los parlamentos de todos los Estados miembros aprueben su ratificación, algo que solo han hecho Venezuela y Uruguay hasta el momento.
Según las cifras oficiales, Bolivia tiene un 72 % de sus fronteras con el Mercosur, y 1,2 millones de bolivianos viven en las naciones del grupo.
Además, 821.000 personas, un 8,2 % del total de los habitantes, viven en las fronteras con Argentina, Brasil, Paraguay y Uruguay.
El Mercosur es el destino del 55 % de las ventas de Bolivia al exterior, en particular del gas que consumen Brasil y Argentina.
El ingreso de Bolivia al Mercosur también puede significar la consolidación de su salida al océano Atlántico por la hidrovía de los ríos Paraguay-Paraná.
La incorporación prevé además la utilización de los depósitos y zonas portuarias en Uruguay, como el puerto de aguas profundas a ubicarse en Rocha (litoral este uruguayo) , que fue objeto de debate en una de las últimas sesiones del Parlasur, a la que fueron invitados dos representantes del Gobierno boliviano. (ABC Color – 26/06/2014)

Perú y Marruecos iniciarán en 2015 diálogo para TLC
Los empresarios marroquíes ven al Perú como oportunidade
Lima, jun. 25. La firma de un acuerdo comercial entre Marruecos y Perú formará parte de la agenda común que diseñarán ambos países tras elevar la relación bilateral, y que comenzará a discutirse en el primer trimestre del próximo año, informó hoy el ministro de Asuntos Exteriores y de Cooperación de la nación africana, Salaheddine Mezouar.
“En la agenda que hemos fijado en la reunión [del lunes] en la Cancillería peruana está iniciar el diálogo sobre un tratado de libre comercio. El Perú como Marruecos impulsan esta dinámica, tenemos varios acuerdos con zonas y países diferentes, contamos con la experiencia y la madurez para concretar un acuerdo comercial”, añadió.
Al respecto, mencionó que el primer trimestre del próximo año, se realizará la reunión de la comisión mixta entre ambos países, y allí se abordará este tema, así como el diseño del marco jurídico que es fundamental para acompañar este proceso.
“Marruecos está interesado en fortalecer su relación comercial con el Perú en este proceso de desarrollo, diversificación y apertura de nuestros lazos”, subrayó en entrevista al diario El Peruano.
Mezouar destacó que Marruecos observa al Perú como un país donde hay una dinámica interesante, una buena vida democrática, y una nación estable que tiene ambición.
Indicó que la percepción general en el mundo es que el Perú es una nación seria para invertir, con un buen sistema económico.
Los empresarios marroquíes ven al Perú como oportunidad y ahora se nota que hay un interés cada vez más claro por América Latina y, en especial, por el Perú, resaltó.
“Ahora los inversionistas marroquíes quieren incursionar y el próximo año vendrá un primer grupo económico al país. Estoy seguro de que en 2015 pasarán muchas cosas positivas”, anotó el alto funcionario de Marruecos en su visita oficial al Perú.
Entre los sectores que despiertan mayor interés en el Perú, comentó que hay una serie de áreas en las que se pueden intercambiar experiencias y desarrollar sectores y anotó que Marruecos ha diseñado planes estratégicos en turismo para elevar su potencial que pueden compartir.
“En el área agrícola, seguridad alimentaria, salud, transportes y comunicaciones, servicios, tantos temas que podemos aprovechar. Esto es un mundo de aprendizaje mutuo y de sinergias mutuas. Estamos sembrando”, agregó.
Marruecos es uno de los principales socios comerciales del Perú en África.
El intercambio comercial bilateral entre 2003 y 2012 se incrementó de 4 millones de dólares a 48 millones. (Andina – 25/06/2014)

Aliança do Pacífico, bloco econômico controverso
México - Os chefes de Estado da Aliança do Pacífico ratificaram no México seu interesse em aprofundar esse bloco econômico, criticado por analistas e outros governos ante seu caráter neoliberal e o tipo de livre mercado que promove.
O mecanismo celebrou sua IX cúpula, ademais, quando diversos setores o consideram contrário ao processo de integração regional, e veem nele uma tentativa de ressuscitar a Área de Livre Comércio das Américas (ALCA), promovida pelos Estados Unidos e sepultada em 2005 na Argentina.
Reunidos no balneário de Ponta Mita, estado de Nayarit, os presidentes da Colômbia, Juan Manuel Santos; Chile, Michelle Bachelet; Peru, Ollanta Humala; e o país anfitrião, Enrique Peña Nieto, acordaram continuar com a agenda comum em matéria de livre movimento de bens, serviços, capitais e pessoas.
Os mandatários convieram no dia 20 de junho em identificar novas áreas de trabalho como a mineração, a integração turística, o transporte aéreo, o papel da mulher, o impulso às pequenas empresas e a inovação.
Peña Nieto, quem assumiu a presidência pró témpore da organização das mãos de seu par colombiano, agradeceu a visita de seus homólogos e destacou os acordos atingidos no encontro, qualificados como benéficos para as quatro nações.
E ainda, Santos referiu-se aos temas de intercâmbio de estudantes entre esses países, além de facilidades nos controles migratórios para o trânsito de pessoas.
De acordo com o mandatário colombiano, no último ano avançou-se em várias frentes, entre elas a comercial, pois se subscreveu um acordo para deduzir totalmente 92 por cento dos produtos trocados, enquanto o resto ficará livre de impostos nos próximos 10 anos.
Por sua vez, Bachelet enfatizou a importância de sustentar um diálogo com o Mercado Comum do Sul (Mercosul), com vistas a que se fixou uma reunião ministerial exploratória sobre o tema para julho, ainda que os demais dignitários não fizeram alusão ao tema em suas intervenções.
Parece-nos que além das legítimas diferenças, é possível um acordo entre a Aliança do Pacífico e o Mercosul, expressou a presidenta durante sua primeira participação em um encontro deste tipo.
Humala, por sua vez, realçou o compromisso dos dirigentes de trabalhar na educação com maior profundidade, ao assegurar que é a principal ferramenta para sair do subdesenvolvimento, e reconheceu o entusiasmo do setor empresarial.
A grandes rasgos, o encontro esteve centrado em reconhecer a importância econômica da iniciativa e celebrar o livre mercado que esta defende, bem como promover o mecanismo com vistas a que outros países se incorporem.
Mas pesquisadores criticam o bloco por lançar uma integração seletiva e de clara orientação empresarial, dentro da qual os representantes da economia privada têm a faculdade de levar recomendações aos governos a fim de acelerar o processo de cooperação financeira e comercial.
Os Estados membros têm vários elementos em comum: não assinaram a ata de constituição do Banco do Sul, não têm acordos comerciais com o Mercosul, e contam todos com tratados de livre comércio com os Estados Unidos.
Esses elementos, unidos à presença do país setentrional dentro do conjunto de observadores do bloco, levaram vários fóruns regionais a questionar o mecanismo.
Da mesma forma que o Tratado de Livre Comércio da América do Norte, a Aliança do Pacífico não está projetada como um processo genuíno de integração à moda da União Europeia, considerou o político mexicano Porfirio Muñoz em um trabalho difundido pelo jornal El Universal.
Representa, pelo contrário, o primeiro elo de um novo modelo expansionista norte-americano que claramente está focado a diminuir o poder geopolítico de seus adversários atuais e potenciais, apontou.
De acordo com Muñoz, analistas da Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe sustentam que o projeto foi concebido como um contraponto ao Brasil, e serve não tanto para competir ou integrar, mas para bloquear.
Para a pesquisadora social Ana Esther Ceceña, México, Colômbia, Peru e Chile, caracterizados por executar modelos econômicos de acento neoliberal, claramente funcionam como aliados dos Estados Unidos e recebem benefícios sob a forma de ajuda.
Segundo a diretora do Observatório Latino-americano de Geopolítica, esta aliança que se apresenta com fins de livre comércio, é uma figura específica de controle territorial, de certos processos e de certas riquezas.
Muito particularmente é o braço territorial para avançar o que não conseguiram especificar com a ALCA, em um corredor de segurança para os Estados Unidos que constitui uma ameaça para outros processos na região, considerou em entrevista publicada pelo site Rebelion.
Para a especialista, é muito claro que com o bloco se dá uma visão de controle não só para a produção e o comércio, mas para modificar regras do jogo, inclusive sentidos geográfico-políticos que vêm do século XX e que para a concepção dominante não são os mais adequados no século XXI.
Os governos que integram a Aliança Bolivariana para os Povos de Nossa América, durante uma cúpula celebrada na cidade equatoriana de Guayaquil no ano passado, questionaram a liberalização promovida pelo mecanismo, a qual implica que serviços básicos serão um negócio privado e não um direito humano.
Por sua vez, o Foro de São Paulo denunciou em seu documento final a aliança como uma tentativa, inspirada por Washington, de fraturar a integração da área.
Este fato contrasta com esforços como a Comunidade de Estados Latino-americanos e Caribenhos, focada no progresso e na cooperação entre suas nações membros sem a presença de potências estrangeiras.
*Corresponsável da Prensa Latina no México. (Prensa Latina – 25/06/2014)

Presidente uruguaio promulga lei de adesão da Bolívia ao Mercosul
Montevidéu - O presidente uruguaio, José Mujica, promulgou hoje a lei de adesão da Bolívia ao Mercado Comum do Sul (Mercosul).
O texto assinala, também, que as partes acordaram atingir o livre comércio recíproco a partir da data primeiramente em vigência.
O regulamento, aprovado pelo parlamento uruguaio, estabelece que a Bolívia deve ser aderida a todos os tratados e protocolos do bloco integracionista, conformado por Argentina, Brasil, Paraguai, Uruguai e Venezuela.
A Bolívia também deverá adotar gradualmente a legislação da região, em um prazo de até quatro anos após formalizado o vínculo com o Mercosul.
No processo de incorporação da Bolívia será levada em conta a necessidade de estabelecer instrumentos que promovam a redução de assimetrias entre os Estados Membros, de modo a favorecer um desenvolvimento econômico relativamente equilibrado, assinala a lei.
Para desenvolver as tarefas previstas cria-se também um grupo de trabalho integrado por representantes das partes que deverá concluir essas tarefas em um prazo de 180 dias.
O processo de incorporação da Bolívia ao Mercosul iniciou-se no dia 7 de dezembro de 2012 em Brasília. (Prensa Latina – 25/06/2014)

Socios del Atlántico
La crisis, la pérdida de protagonismo frente al surgimiento de China y la parálisis de la vía multilateral apuró las conversaciones entre la UE y Estados Unidos; en qué consiste el megaacuerdo
Por Florencia Carbone
Un acuerdo entre dos partes con implicancias globales: el avance de las negociaciones entre la Unión Europea y Estados Unidos amenaza con marcar la nueva cancha en la que el comercio internacional se moverá en los próximos años. El Acuerdo Transatlántico de Comercio e Inversión (TTIP por sus siglas en inglés), lanzado hace menos de un año, tendrá en julio próximo su sexta ronda de negociación. ¿Los une el amor? No, más bien los empuja la crisis, el avance de China y la quietud de Doha.
Durante un seminario organizado por la Cátedra UE de la Universidad de Ciencias Empresariales y Sociales (UCES), que dirige Patricio Degiorgis, los embajadores en la Argentina de la UE, Alfonso Diez Torres, y de Estados Unidos, Kevin Sullivan, junto con el experto en comercio internacional Félix Peña y el politólogo Rosendo Fraga analizaron la cuestión.
No es exagerado hablar de un acuerdo entre gigantes: la UE y EE.UU. representan el 50% del PBI mundial, el 71% de las inversiones directas, el 30% del comercio mundial y un mercado conjunto de 800 millones de personas. Se trata de una negociación que excede lo comercial. Los aranceles -corazón de una negociación comercial tradicional- casi ni figuran (el promedio no supera el 4%).
"Es un intento ambicioso para obtener una mayor coherencia regulatoria, pero no a costa de disminuir los estándares, diferentes pero altos, a ambos lados del Atlántico para proteger el medio ambiente y la salud, sino para compatibilizar y avanzar en el comercio a través de esta concertación regulatoria. Además, el acuerdo tiene implicancias geoestratégicas porque va más allá de lo que es un acuerdo comercial y es importante porque si llega -como todos confiamos- a un resultado pronto y positivo supondrá una marca importante para conformar las regulaciones futuras a nivel internacional en áreas no tradicionales: desde inversiones hasta empresas estatales", dijo Diez Torres.
Las negociaciones generan el rechazo de activistas de organizaciones sociales, ecologistas y sindicatos de varios países europeos que consideran que un eventual acuerdo afectaría los derechos de los ciudadanos y provocaría privatizaciones, pérdida de empleo y amenaza medioambiental.
En ese sentido, el embajador europeo fue tajante: "No es una agenda para la desregulación de los mercados ni un programa para que las compañías internacionales maximicen sus beneficios en detrimento de las Pymes o de los países emergentes".
Según Diez Torres, existen "mitos" que se refieren a que la armonización de normas implicaría renunciar al nivel de protección medioambiental y social logrados por Europa. "El principal objetivo del acuerdo es identificar áreas de protección de nivel similar con diferentes regulaciones. El reconocimiento mutuo de estándares es el núcleo central de la negociación que también prevé una amplia liberalización en servicios, incluidos sectores como transporte -tanto marítimo como aéreo-. Y el capítulo de compras públicas también será fundamental. En el caso de la UE, hasta 25% del PBI bruto se genera en concesiones para compras públicas. Que las empresas de ambos lados puedan participar generará un importante volumen de negocios y competencia", describió.
A su turno, Sullivan, encargado de negocios de la embajada de EE.UU., contó que las tratativas con la UE y con el Acuerdo Estratégico Transpacífico de Asociación Económica son las principales negociaciones que lleva adelante la administración Obama para "dar un nuevo impulso al proceso de liberalización del comercio en momentos en que los avances en el ámbito multilateral han sido más lentos de lo que nos hubiera gustado y para abrir las conversaciones sobre el comercio del futuro, para garantizar transparencia y las ganancias con la mayor liberalización".
El diplomático admitió que las dificultades económicas que atravesó "el mundo desarrollado" en los últimos años afectaron el nivel de apoyo a las negociaciones de este tipo. "Si miramos estudios de hace cuatro o cinco años -en el momento más difícil de la crisis financiera en EE.UU.-, teníamos un apoyo para la liberalización del comercio del 40%. En esas condiciones es difícil para cualquier líder político avanzar con un proyecto de ese tipo. Desde entonces, la gente se dio cuenta de que un acuerdo de libre comercio puede funcionar como un estímulo importante para la economía y en 2013 el apoyo trepó hasta casi 60%, lo que abre otro escenario político para los negociadores", comentó.
"Hay ganancias a las que podemos aspirar a través de reducción de aranceles y para EE. UU. es un tema no menor de la negociación viendo bienes industriales y agrícolas, pero en un mundo en el que cada vez es más importante la economía de servicios, el eje central pasa por la armonización de la regulación y reconocimiento mutuo de estándares, lo que posibilitaría a las empresas exportar sin tener que pasar por un doble estándar. Eso beneficia especialmente a las Pymes, que son las que no tienen posibilidades de desarrollar distintas líneas de producción. Y lo mismo pasará con otros países. Estas normas no serán vinculantes pero sí relevantes para negociaciones futuras", añadió.
De hecho, según Sullivan, el potencial acuerdo entre su país y Europa "tendrá relevancia para el Mercosur". "La UE tiene una negociación en curso con el Mercosur. Últimamente no hemos tenido una negociación con Mercosur por temas comerciales pero sé que en el sector privado de EE.UU. hay interés de abordar ese tema y me imagino que el avance de estos dos procesos de negociación irá fijando pautas que contribuirán a una eventual consideración de qué tipo de relación podemos tener entre EE.UU. y el Mercosur hacia delante", evaluó.
¿Qué motiva a dos partes a encarar un proceso tan complejo y conflictivo como este? Fraga tiene su teoría. El politólogo cree que Europa enfrenta tres desafíos fundamentales que la empujaron a negociar:
Superar la crisis económica financiera más importante después de la II Guerra.
Reelaborar políticamente el proyecto europeo frente a algunas señales de disconformidad como se vio en las recientes elecciones europeas.
Es cierto que el bloque UE-EE.UU. representa el 50% del PBI mundial, pero hasta no hace tanto era el 75%.
¿Y del lado de EE.UU.? "La idea de Obama en su segundo mandato son los dos tratados: el Transatlántico y el Transpacífico. En un momento en que muchos decían que China haría que EE.UU. perdiera su relación prioritaria con Europa, el impulso que él da a este acuerdo ratifica la prioridad que seguirá teniendo la relación con Europa en el largo plazo."
Según dijo, de concretarse el acuerdo, pasaría a ser "el bloque políticamente más homogéneo del mundo. La totalidad de los países tiene democracia representativa, hay una alianza militar y una historia, cultura y valores religiosos comunes. Hay una consistencia más allá del acuerdo comercial". "Estamos ante el acuerdo más importante del mundo. Lo marca la historia y la magnitud. La velocidad con la que se está llevando adelante marca una reconstitución de occidente como actor global en un mundo que está cambiando", concluyó Fraga.
Peña ve la movida como parte de un tema más complejo: el rediseño de la arquitectura del comercio internacional, que tiene que ver con la gobernanza global. "Si uno trata de encontrar otro momento en el que se intentó rediseñar la arquitectura del comercio internacional con éxito probablemente fue en los años posteriores a la II Guerra, cuando surgió el GATT. Muchas veces la gente dice necesitaríamos otro Bretton Woods para encauzar la situación económica y financiera. Pero muchas veces olvidamos que Bretton Woods fue el resultado de algo muy concreto: hubo una guerra y allí, un ganador. El proceso que se inicia con la creación del GATT es producto de la definición de quién tenía la capacidad de generar reglas. El tema de fondo es que hoy eso no está tan claro". Y entonces plantea dos posibles escenarios:
El diseño de la nueva arquitectura del comercio global resultará -ya que no pudo hacerlo Doha o la OMC-, de estos dos megaacuerdos. El economista americano Richard Baldwin dijo que se necesita una OMC 2.0 y que eso no lo obtendremos a través de la propia OMC sino que necesitamos impulsarlo a través de quienes tienen más participación en el comercio que son los países del Atlántico Norte, que fijarán estándares que los demás no tendrán más remedio que seguir. Si eso resulta así, tendremos un nuevo diseño del comercio mundial y de la competencia económica global que será hija de estos dos grandes acuerdos que se están negociando.
¿Y si por diferentes razones eso no ocurre? Hay que imaginar escenarios alternativos. Podríamos quedarnos con el peor de los mundos: no tendríamos los grandes acuerdos ni la OMC, fragmentando el sistema comercial y eso puede tener consonancias complejas del sistema político internacional, sobre todo teniendo en cuenta que hay protagonistas que señalan que eso no es eso lo que quieren, y que sumado a su capacidad -producto bruto, comercio, etc- no son protagonistas que habría que subestimar.
Por último, Peña aconsejó seguir de cerca lo que ocurre en la región, pero teniendo en cuenta que las cosas no son estáticas. "Muchas veces quienes negocian con nosotros tienen el inconveniente de pensar que las cosas son como eran hace 10/15 años y seguimos negociando en los mismos términos. Hay que prestar atención al planteo que hizo el canciller de Chile, Muñoz, el mismo día que asumió la presidenta Bachelet: la idea de la convergencia en la diversidad, que retoma un concepto de Ricardo Lagos. No veamos la Alianza del Pacífico y al Mercosur como contrapuntos sino como partes de una movida que puede ser ganancia-ganancia sin que ninguna de las dos partes pretenda que la otra sea igual. Probablemente entraremos en una etapa de continua metamorfosis de ambos", cerró.
Herencia
"Uno puede ver en el proceso de avance de Alianza del Pacífico -que comprende a muchos países de América del Sur y México-, que por más que Estados Unidos no tenga ninguna participación formal en ese bloque, hay una herencia que llevan los países participantes de haber negociado previamente con Estados Unidos cada uno un tratado de comercio bilateral. Seguramente eso tuvo algún impacto en los ejes que tiene la Alianza del Pacífico y en el acercamiento que el bloque tiene en su acercamiento global", dijo el encargado de negocios de la embajada norteamericana en la Argentina, Kevin Sullivan.
Ganancia potencial
Según un informe encargado por la UE al Centro de Investigación de Política Económica, la economía de la UE obtendría 119.000 millones de euros anuales en beneficios por el acuerdo, y la de EE.UU., 95.000 millones.
Colateral
En el sitio de la CE se explica que un acuerdo comercial entre la UE y EE.UU. tendrá efectos colaterales en la economía mundial. Por caso, el aumento del intercambio entre ambos aumentará la demanda de materias primas, componentes y otros insumos fabricados por otros países. Se espera que eso añada 100.000 millones de euros adicionales a la economía mundial, además del comercio UE-EE.UU. (La Nacion Argentina – 24/06/2014)

Mercosur cada vez más lejos de potenciar comercio en la región
Pese a la retórica, el Mercosur no ha alcanzado objetivos fundamentales como aumentar la libre circulación de bienes y servicios y además algunos de sus socios traban el comercio intrarregional.
MAXIMILIANO MONTAUTTI
Un informe de la consultora argentina Desarrollo de negocios internacionales arrojó datos sobre el comercio interno y externo del bloque regional y los resultados no son auspiciosos. Una de las conclusiones fue que "el Mercosur ha mostrado en los últimos años cierta fatiga en la generación de negocios".
Para fundamentarlo expresó que los mercados de extrazona absorben alrededor del 85% de las ventas totales del Mercosur. "Esto marca la escasa relevancia del comercio intrazona, que era uno de los propósitos del bloque", sostuvo.
Esa consultora señaló que en los primeros cuatro meses de 2014, las importaciones argentinas han descendido comparándolas con igual período del año pasado en parte por la retracción económica doméstica y otras medidas proteccionistas adoptadas por el gobierno de Cristina Fernández.
Explicó que desde hace un tiempo, Brasil, siendo paradójicamente principal socio comercial argentino (destino de exportaciones y origen de importaciones), socio estratégico en el Mercosur y principal economía regional, ha sido el más afectado por las caídas en las importaciones argentinas.
En el documento "El Mercosur y sus negocios internacionales" se informó que en 2012, año en el que comienzan a aplicarse de modo más intenso los límites a las importaciones de bienes en Argentina, Brasil fue el país más afectado por esas restricciones.
Las importaciones totales argentinas en 2012 se redujeron en US$ 5.422 millones en relación a 2011. Se trató de una caída del 7,91% (la mayor caída en la región). Debe advertirse que las importaciones desde Brasil alcanzaron en 2012 los US$ 17.908 millones, mientras en 2011 habían ascendido a US$ 21.798 millones: se trató de un descenso de US$ 3.890 millones (17,84%, promedio muy superior al general).
Por su parte, en 2013, las importaciones argentinas en general fueron de US$ 73.655 millones (habían sido de US$ 68.513 millones en 2012) y las importaciones desde Brasil en 2013 fueron de US$ 19.161 millones (frente a 17.907 millones del año anterior).
Esto implica que las compras desde Brasil se recuperaron solo parcialmente frente a la gran caída de 2012: crecieron 7%. La consultora concluyó: "Esto significa que las importaciones desde Brasil en 2013 fueron aún más bajas que las de 2011 (menos US$ 1.891 millones, lo que implica aún una cifra 8,6% más baja que la de dos años antes).
Uruguay
Además, la consultora expresó que "hay que decir a priori que, lógicamente por la diferencia de dimensión, hay aspectos de la relación bilateral de nuestro país con Uruguay y con Paraguay que favorecen a Argentina".
En ese sentido, explicó que las exportaciones argentinas a Uruguay crecieron entre 2010 y 2011 un 30% -de US$ 1.601 millones a US$ 2.085 millones-. En 2012, las exportaciones argentinas a Uruguay llegaron a US$ 1.982 millones. En 2013 las exportaciones argentinas a Uruguay repitieron resultados y llegaron a US$ 1.921 millones.
En el primer trimestre de 2014, las exportaciones argentinas a Uruguay llegan a US$ 417 millones (caen 19,7%), al descender 60% en Productos primarios; subiendo 25% en Manufacturas de origen agropecuario (MOA) y cayendo 25% en Manufacturas industriales.
Mientras, las importaciones desde Uruguay que fueron de US$ 500 millones en 2013, caen 15,5% en el primer trimestre de 2014 generando US$ 101 millones: vehículos se desploman 80%, piezas, bajan 20%, bienes de consumo, caen 20% y bienes intermedios descienden 12%. Por el contrario, crece fuertemente la importación de energía (530%) y sube la importación de bienes de capital (35%).
Las exportaciones argentinas a Uruguay están basadas principalmente en productos químicos (US$ 455 millones), automotores (US$ 228 millones), alimentos elaborados (US$ 271 millones), minerales (US$ 248 millones) y plástico y caucho (US$ 149 millones).
Aunque los datos de la consultora son claros, en algunos momentos el gobierno de Fernández flexibilizó en parte las medidas proteccionistas con Brasil, algo que no ocurrió en el caso de Uruguay.
Desde el comienzo de las trabas, sectores como la vestimenta, el plástico, las autopartes y la industria gráfica vieron cómo se desplomaba la venta de sus productos hacia Argentina. Al principio fue por las licencias de importación no automáticas (exigidas en algunos casos para ingresar al país, luego derogadas) y después por la obligatoriedad a los compradores argentinos de tramitar una Declaración Jurada Anticipada de Importación (DJAI) que todavía se mantiene.
Números "rojos" en mayo
Según el Indec de Argentina, en mayo, el intercambio comercial de bienes de ese país con el resto del mundo registró una caída de 16,6% en términos interanuales. Esto se debió al desplome tanto de las exportaciones (-16%) como de las importaciones (-17%). "La caída en el comercio exterior es una tendencia que se va agravando", dijo el director de la consultora Desarrollo de Negocios Internacionales, Marcelo Elizondo, quien resaltó que las exportaciones muestran una caída acumulada cada vez mayor. Según el Indec, en el acumulado de enero a mayo las ventas al exterior registraron una caída interanual de 12%. (El Pais Uruguay – 23/06/2014)

Uruguay apuesta por pacto entre Mercosur y Alianza del Pacífico
Ripe
El canciller Luis Almagro respondió afirmativamente a la propuesta de la presidenta chilena Michelle Bachelet sobre la integración de ambos bloques regionales
En medio de un Mercosur errante y lento para concretar acuerdos con otros mercados, el gobierno uruguayo puso el ojo en la Alianza del Pacífico para intensificar el comercio y abrirse a un conglomerado de países Chile, Colombia, Perú y México que también piensa en acercarse al bloque que nació en el Cono Sur.
El canciller Luis Almagro aseguró que es “muy importante para todos” la reunión por una futura alianza entre el Mercosur y la Alianza del Pacífico que tendrá lugar en julio. “Nos propusieron esta reunión y nosotros confirmamos asistencia”, dijo. Desde Uruguay se ve “muy bien” esa idea, aseveró el ministro de Relaciones Exteriores. “Hay que continuar sumando, no estamos tan lejos” de concretar la convergencia entre los bloques, añadió.
En una entrevista de fines de mayo, el vicepresidente de la República, Danilo Astori, se refirió a la necesidad de apertura del Mercosur con otros bloques, como el acuerdo con la Unión Europea que aún está en tratativas, y en el cual incluyó la gran oportunidad que ofrece la Alianza del Pacífico.
Uruguay no puede olvidarse de la región pero no puede morir ahí (...). La Alianza del Pacífico es una excelente plataforma. El Mercosur no puede ser una estación terminal, tiene que ser una plataforma de lanzamiento”, indicó Astori a fines del mes pasado.
El vínculo comercial de Uruguay con el Mercosur, además de las rispideces que generan las asimetrías con de Argentina y Brasil y sus medidas discrecionales, se ha disminuido y reflejo de ello es la caída de las exportaciones hacia el bloque.
El año pasado, respecto a 2012, ese registro descendió 1,3%, según datos de la agencia de promoción Uruguay XXI. En 2010, las exportaciones al Mercosur, sobre el total de las ventas al exterior de Uruguay, representaban el 32,1%; en 2013, significaron el 26,7%. No ha sido menor el desempeño gracias a que durante el último año han aumentado las relaciones comerciales con Venezuela.
En la misma línea que Almagro y Astori, el ex ministro de Economía y Finanzas, Álvaro García, también alienta una apertura mayor para zafar de un Mercosur que atenaza más que brindar oportunidades. Uno de los principales asesores del candidato presidencial, Tabaré Vázquez, dijo a fines de abril durante un foro en la Academia Nacional de Economía que será relevante afirmarse en acuerdos comerciales con países del bloque Asia-Pacífico.
Con Tratados de Libre Comercio (TLC) entre los cuatro miembros del bloque y rebajas arancelarias en un 92% de sus productos, la Alianza del Pacífico fundada en 2011 representa el 36% del PBI regional. Además, concentra el 50% del comercio total y atrae el 41% de la inversión extranjera directa. Los cuatro países juntos cuentan con una población de 212 millones de personas con un PBI per cápita promedio de u$s 10.000.
Caracterizada por su naturaleza pragmática, la Alianza del Pacífico se convirtió en una plataforma de libre comercio con la vista puesta en Asia, que ha ido fortaleciéndose hasta convertirse en un referente de estabilidad para inversores. “Esta es una plataforma que ofrece oportunidades, que ha probado ser flexible e irse actualizando sesión tras sesión”, dijo el canciller mexicano, José Antonio Meade.
Costa Rica es el país que más avanzado tiene el proceso de adhesión al bloque, seguido de Panamá, que en abril firmó el TLC con México, el único país del bloque con quien le faltaba ese requisito.
Desde la toma de posesión de marzo, la presidenta chilena Michelle Bachelet, ha insistido en que una de sus prioridades en política exterior será acercar la liberal Alianza del Pacífico al Mercosur, el bloque comercial atlántico que nació en 1991 y que actualmente integran los gobiernos ideológicamente afines de Brasil, Argentina, Uruguay y Venezuela junto al ahora conservador Paraguay. “Nosotros no vemos a la Alianza del Pacífico como una entidad que tenga que darle la espalda al Atlántico o que excluya a otros países”, dijo.
De todas formas, hay analistas extranjeros que no creen buena idea la convergencia. Expertos estiman que la naturaleza, objetivos, funcionamiento e incluso corrientes ideológicas distintas de las dos plataformas hacen difícil una integración. (Cronista – 23/06/2014)

La Alianza del Pacífico busca al Mercosur para armar un solo bloque
En la cumbre de la alianza, los presidentes de Chile, Colombia, México y Perú aprobaron la convocatoria; comenzarían a analizar en julio la integración comercial
Por Carlos Vergara
SANTIAGO, Chile.- A instancias de la presidenta de Chile, Michelle Bachelet, la Alianza del Pacífico acordó en su IX Cumbre realizada el fin de semana en Punta Mita, México, acercar posiciones con el Mercosur y buscar la manera de integrar a este pacto a la Argentina, Brasil, Paraguay, Uruguay y los otros asociados.
"Más allá de las legítimas diferencias, es perfectamente posible alcanzar niveles de convergencia entre los países de la Alianza y del Mercosur, entre el Atlántico y el Pacífico. No sólo es posible: es también necesario", propuso Bachelet, cumpliendo con lo prometido en sus reuniones bilaterales con las presidentas de la Argentina, Cristina Kirchner, y de Brasil, Dilma Rousseff.
La propuesta fue aprobada por los restantes mandatarios de la alianza del Pacífico, los presidentes de México, Enrique Peña Nieto; de Colombia, Juan Manuel Santos, y de Perú, Ollanta Humala,"Estamos abiertos. Hay propuestas para que otros países, eventualmente en un futuro cercano, puedan ser miembros de la Alianza del Pacífico", dijo Peña Nieto.
En lo inmediato, se acordó fijar una reunión ministerial de los países integrantes de ambos pactos para la tercera o cuarta semana de julio en Cartagena, Colombia, cita en la cual se explorarán formas de convergencia e integración comerciales. La delegación chilena también propuso organizar un seminario de académicos, empresarios, emprendedores y altos funcionarios de ambas asociaciones en el mes de septiembre.
"Nuestra presencia en el Pacífico nos transforma en el puerto y el puente para que toda América latina se proyecte, con toda su riqueza y diversidad, en los ricos mercados de Asia", agregó Bachelet, ofreciendo los puertos de las costas del océano Pacífico (San Antonio y Valparaíso, entre otros) para la exportación de productos a los países asiáticos.
La tarea, de acuerdo con Bachelet, es mayúscula: unir las dos riberas del Pacífico y profundizar las relaciones comerciales con Asia, por medio de la liberalización de aranceles y la homogeneización de las normas que rigen los servicios, medidas sanitarias, compras públicas, normas de origen y movilidad de personas, entre otras.
"Si logramos que ello sea un empeño compartido por todas las naciones de la región, estaremos abriendo también rutas más expeditas hacia nuestro propio futuro", agregó la presidenta Bachelet.
Apertura no excluyente
En Chile, en tanto, el canciller Heraldo Muñoz explicó anteayer los alcances de la propuesta: "Nuestro propósito no es una fusión de ambos grupos. Eso no sería realista, pues entre ambos esquemas hay diferencias marcadas en aranceles y regulación. Pero sí podemos explorar áreas de acuerdo en temas de interés común. Podemos discutir asuntos de natural convergencia en el corto, mediano y largo plazo", dijo Muñoz.
Fuentes de la Cancillería chilena reconocieron a la nacion que la apuesta de Bachelet por acercar ambos pactos escapa a la sintonía ideológica que ella puede tener con las presidentas Kirchner y Rousseff, y se inclina por una "posición de apertura al mundo no excluyente".
En este escenario, y según los datos de la Dirección General de Relaciones Económicas Internacionales (Direcon), Chile cuenta con inversiones por 19.400 millones de dólares en la Argentina, país con el que mantuvo un intercambio comercial de US$ 4978 millones en 2013. En Brasil, en tanto, la inversión es de US$ 24.600 millones y el comercio superó los US$ 9000 millones. (La Nacion Argentina – 23/06/2014)

Brasil é desafiado a entrar em outro jogo
Por Sergio Leo
Eliminada pelo México na classificação para a Copa do Mundo, a Nova Zelândia joga afinada com os mexicanos em outro campo, de forte interesse no setor privado brasileiro, o das negociações para formação de uma área de livre comércio entre 12 países do Oceano Pacífico, a Parceria Transpacífico - TPP, da sigla em inglês. As negociações entram em fase decisiva no fim deste ano, e negociadores falam em um acordo para breve. Mas nem os mais otimistas arriscam apostar em datas.
"Botar datas em negociações é pior que inútil, é contraproducente", comentou à coluna o ministro de Comércio e Meio Ambiente da Nova Zelândia, Tim Groser, às vésperas de partir do país para a cidade mexicana de Punta Mita, onde foi um dos observadores do encontro da Aliança do Pacífico, grupo formado por México, Colômbia, Peru e Chile. "Temos impulso para um acordo? Sim. Isso nos levará a assiná-lo até o fim do ano? Ninguém sabe".
As conversas empacaram nas negociações em curso entre Estados Unidos e Japão. Elas definirão o limite para as ambições do TPP, reconhece o ministro, uma das maiores autoridades em negociações comerciais internacionais - ex-coordenador das discussões sobre agricultura na chamada rodada Doha, na Organização Mundial do Comércio (OMC), Groser foi um dos candidatos à direção-geral da OMC, contra o brasileiro Roberto Azevedo. Mais que a participação, o empenho do governo americano será decisivo para o sucesso do acordo, diz o neozelandês.
"Todas estradas vão dar em Genebra", diz Tim Groser
"Ninguém na TPP vai comprar inteiramente o modelo [de acordo] de Washington", afirma Groser. "E eles [os americanos] estão ouvindo, não abandonaram a mesa, buscam alternativas para facilitar os ajustes", garante, com elogios à "flexibilidade" demonstrada pelo negociador americano, Michael Froman.
Na Nova Zelândia, os opositores à TPP temem que as regras de propriedade industrial comprometam a capacidade estatal de seguir subsidiando certos medicamentos essenciais. "Podemos assegurar que continuaremos com acesso e medicamentos subsidiados; mas procuramos métodos para dar maior transparência", diz Groser. Também estão na mesa, segundo o ministro, garantias de que os governos não terão barreiras para adotar medidas ambientais contra interesses de grandes investidores, como temem os críticos das negociações, realizadas, até agora, em ambiente de muito sigilo.
Nações pequenas, fortemente dependentes de exportações de produtos básicos, como a Nova Zelândia, não tiveram tanta dificuldade, quanto países de maior industrialização, para abrir mão de seus mecanismos de proteção e embarcar em acordos de livre comércio. Os neozelandeses chegaram a firmar, em 2008, um acordo desse tipo com a China - e comemoram hoje um aumento de 52% em suas exportações de bens (principalmente) e serviços aos chineses, especialmente lácteos e madeira.
Os investimentos chineses na Nova Zelândia passaram de US$ 150 milhões para mais de US$ 850 milhões. "A expansão dos investimentos poderia ocorrer sem acordo de comércio: mas há o efeito demonstração, a expansão dos negócios leva as empresas a pensar em avançar", argumenta o ministro. Para Groser, os acordos bilaterais e plurilaterais de comércio firmados em todo o mundo são consequência da paralisação das negociações mais ambiciosas na OMC, as únicas, lembra ele, capazes de resultar em mudanças significativas nos regimes de subsídios agrícolas americano e europeu que distorcem preços e o comércio internacional.
"Todas estradas vão dar em Genebra", afirma Groser, citando a cidade onde está a sede da OMC. Se negociações como a TPP fracassarem, os países terão de voltar à OMC para buscar uma alternativa ao protecionismo, que é cada vez mais difícil de se sustentar numa economia globalizada. Se houver um sucesso, mesmo parcial, da negociação, os países envolvidos tendem a levar à OMC novas regras e decisões sobre acesso a mercado, como proposta aos demais, avalia, elogiando o esforço de Azevedo em manter acesas as expectativas de resultados, ainda que tímidos, na OMC.
Para Groser, as negociações em curso mostram um movimento em círculos concêntricos, em que os variados acordos bilaterais e plurilaterais de livre comércio existentes tendem a fundir-se e reacomodar suas regras em acordos maiores, como é o caso da Aliança do Pacífico, em que quase todos os países já têm tratados de livre comércio bilaterais, uns com os outros.
Paralelamente, a Nova Zelândia negocia um acordo com países asiáticos, a Parceria Regional Econômica Abrangente (RCEP, da sigla em inglês), incluindo China e Índia, mais voltado à redução de tarifas - em contraste com a TPP, que tem regras para uma miríade de temas, como investimentos e até o papel de empresas estatais. O novo governo indiano fala em mudar a posição defensiva que sempre teve e adotar medidas liberalizantes, o que leva todos os potenciais parceiros a acompanhar atentamente as declarações sobre o tema do recém-eleito presidente Narendra Modi.
A cautela de Groser em fazer previsões reflete as dificuldades enfrentadas em todas essas negociações - como a forte resistência do Japão em fazer concessões para abrir seu cerrado mercado agrícola. Mas, como afirma o neozelandês, o cenário mundial é desfavorável a estratégias baseadas no protecionismo. Não só as propostas e novas regras que povoam essas negociações, mas também a eventual flexibilidade exibida por atores importantes como os EUA merecem acompanhamento cuidadoso por parte do Brasil. (Valor Online – 23/06/2014)

Em nota, Mercosul e Celac apoiam posição da Argentina sobre dívida
SÃO PAULO - Os chefes de Estado do Mercosul e da Comunidade de Estados Latino-americanos e Caribenhos (Celac) divulgaram no fim de semana uma declaração de apoio à Argentina na disputa legal que o país mantém com os fundos de investimentos que não aderiram à reestruturação da dívida argentina após o default de 2001.
No comunicado, disponível na página da Presidência da Argentina, os chefes de Estado do Mercosul “manifestam seu mais absoluto rechaço à atitude de ditos fundos”, cuja iniciativa impõe obstáculos ao “sucesso de acordos definitivos entre devedores e credores e põe em risco a estabilidade financeira dos países”.
Os integrantes do Mercosul reconhecem também, conforme o comunicado, “a vocação da República Argentina de continuar honrando seus compromissos financeiros internacionais, tal como vem fazendo sistematicamente desde a reestruturação de sua dívida nos anos de 2005 e 2010, nas quais se obteve acordo com mais de 92% de seus credores”.
Expressam ainda “solidariedade e apoio à República Argentina na busca de uma solução que não comprometa seu desenvolvimento e o bem-estar de seu povo, em consonância com suas políticas de desenvolvimento nacional”.
A Celac, por sua vez, afirma, em outro comunicado, considerar “indispensável para a estabilidade e previsibilidade da arquitetura financeira internacional garantir que os acordos alcançados entre devedores e credores cooperativos sejam respeitados, permitindo que os fluxos de pagamento sejam distribuídos aos credores cooperativos conforme acordado com os mesmos no processo de readequação consensual da dívida”.
“É necessário contar com instrumentos que possibilitem acordos razoáveis e definitivos entre credores e devedores soberanos, permitindo fazer frente a problemas de sustentabilidade da dívida de forma ordenada”, conclui a nota da Celac. (Valor Online – 23/06/2014)

Mercosur respalda a Argentina en su litigio con fondos por la deuda
El gobierno argentino debe negociar a contrarreloj una salida que le evite caer en default, tal como sucedió en 2001
+ AFP
Los gobiernos de los países socios de Argentina en el Mercosur respaldan al gobierno de Cristina Fernández en su litigio con fondos especulativos por la deuda en default, informó este sábado un comunicado de la Cancillería.
Según el texto, los gobiernos del Mercosur "expresan su solidaridad y apoyo a la República Argentina en la búsqueda de una solución que no comprometa su desarrollo y el bienestar de su pueblo, en consonancia con sus políticas de desarrollo nacional".
Los gobiernos del Mercosur (Argentina, Brasil, Paraguay, Uruguay y Venezuela) también "manifiestan su más absoluto rechazo a la actitud de dichos fondos, cuyo accionar obstaculiza el logro de acuerdos definitivos entre deudores y acreedores y pone en riesgo la estabilidad financiera de los países".
Argentina debe negociar contrarreloj una salida que le evite caer en default luego de que quedara en firme un fallo del juez de Nueva York Thomas Griesa que la obliga a pagar US$ 1.330 millones a fondos especulativos que rechazaron los canjes de 2005 y 2010 aceptados por casi el 93% de los acreedores con quitas de casi 70% sobre los adeudos.
La presidenta Kirchner anunció el viernes que su gobierno buscará negociar con los fondos, pero pidió a Griesa condiciones justas y equitativas.
Argentina está urgida por hallar una salida antes del 30 de junio, fecha en la que debe pagar US$ 900 millones por la deuda reestructurada, pero el fallo establece un pago en simultáneo a los fondos que litigaron, que representan el 1% de los acreedores, mientras el 7% aún sigue pendiente de acuerdo. (El Observador – 22/06/2014)

Brazil disappointed with Argentina's 'lack of ambition' in reaching trade accord with EU
Argentina and Brazil have again clashed not over football but over trade and Mercosur according to the Sao Paulo media. Brazil believes there is “a lack of ambition from Argentina” to finish polishing the proposal to be exchanged with the European Union for a much delayed cooperation and trade agreement.
The administration of Cristina Fernandez wants a seven year grace before reducing some tariffs
Allegedly Brazil given the situation has a B plan, with the support from junior members Paraguay and Uruguay, and this would include a tariffs' reduction chronogram different for each member of Mercosur or even a 'two-speeds' trade block.
The issue came to light again following the visit of EC vice-president Antonio Tajani who recently toured Mercosur countries and said that “the ball was now in the Mercosur pitch” and insisted on the significance that the agreement has for the EU, “despite all, Mercosur is the future”.
“We strongly favor the agreement but now the decision belongs to Mercosur and its own internal debate. Four different positions must be harmonized” said Tajani.
According to the Brazilian B plan “the flexibility would allow the administration of President Cristina Fernández to take more time and continue with its current policies promoting domestic industry and jobs”.
However Argentina objected arguing that the Brazilian proposal of a different 'rhythm' of tariff reductions inside Mercosur is “incompatible with the process of intensifying the block's integration”.
According to the Sao Paulo media the main fear of the Argentine government is to be displaced or left out from the Brazilian market with the arrival of more competitive goods from Europe.
“Argentina insists in a seven-year legal grace period before beginning to reduce tariffs on some imports. Under this option free trade among the two blocks, EU and Mercosur would only be reached in a 15 year-time period”, points out the Brazilian media.
However EU diplomatic sources said that “Argentina is well aware that the EU Mercosur agreement is important for them since they export more than they import and thus won't want to be left out. I'm optimistic that Argentina will ultimately join the wagon”. (MercoPress – 21/06/2014)

Alianza del Pacífico comienza otra etapa
México, Colombia, Chile  y Perú realizaron cumbre en balneario Punta Mita
Los presidentes de la Alianza del Pacífico, conformada por México, Colombia, Chile y Perú, acordaron ayer el inicio de una nueva etapa de relaciones exteriores más global y en la que buscará acercarse a otros bloques y países. En la declaración final de la cumbre celebrada en el balneario mexicano de Punta Mita, los mandatarios expresaron su “beneplácito por el inicio de una nueva etapa” en su “proceso de vinculación global, a través de los trabajos de relacionamiento externo”.
“Destacamos la definición de áreas y modalidades de trabajo con Estados observadores y subrayamos nuestra voluntad por seguir avanzando con éstos en el desarrollo de programas concretos en el marco de los pilares de la Alianza del Pacífico”, señalaron.
El gobernante mexicano, Enrique Peña Nieto, señaló que el bloque está abierto a la entrada de nuevos miembros. La mandataria chilena, Michelle Bachelet, celebró la decisión de acercarse a otros mecanismos como el Mercosur. Precisó que en julio se realizará una reunión ministerial en la ciudad turística de Cartagena (Colombia) entre la Alianza y el Mercosur (formado por Argentina, Brasil, Uruguay, Paraguay y Venezuela).
Sobre las nuevas áreas de trabajo, resaltó la minería, la igualdad de género y el transporte aéreo, mientras que su colega peruano, Ollanta Humala, aludió al tema de la innovación, en el que su país liderará los esfuerzos para tener resultados. (La Razón – 21/06/2014)

Alianza a negociar con el Mercosur
Los líderes de la Alianza del Pacífico cerraron ayer su novena cumbre con el compromiso de ampliar sus áreas de cooperación para dar "pasos rápidos" en la integración profunda del mecanismo y acercarse a otros bloques como el Mercosur, con el que dialogará en julio próximo.
La Alianza sigue "viento en popa" para "asegurar mayor prosperidad para nuestras naciones", afirmó el mandatario de México, Enrique Peña Nieto, quien recibió de su colega colombiano, Juan Manuel Santos, la presidencia temporal del bloque, también integrado por Perú y Chile.
En un mensaje a los medios para dar a conocer los acuerdos del cónclave celebrado en el balneario de Punta Mita, Peña Nieto destacó "la firme y decidida voluntad" de los cuatro gobiernos para seguir cohesionados y recordó que el bloque está abierto a la entrada de nuevos miembros "en un futuro cercano".
Acompañado por sus colegas de Perú, Ollanta Humala; de Chile, Michelle Bachelet, y de Colombia, con quienes firmó la Declaración Punta Mita, indicó que a lo largo del fin de semana funcionarios de la Alianza se reunirán con delegados de los 32 países observadores para explorar temas de cooperación. Bachelet, quien participa por primera vez en una cumbre de la Alianza del Pacífico desde que asumió las riendas de su país en marzo pasado por segunda ocasión, celebró la decisión del bloque de acercarse a otros mecanismos de la región como el Mercosur.
Precisó que en julio próximo se llevará a cabo una reunión ministerial en Cartagena (Colombia) entre la Alianza y el Mercosur (formado por Argentina, Brasil, Uruguay, Paraguay y Venezuela). Humala resaltó el compromiso de los dirigentes de trabajar en la educación "con mayor profundidad".(El Pais Uruguay – 21/06/2014)

Piden acuerdo entre el Mercosur y el Pacífico
Concluyó ayer la IX Cumbre de la Alianza del Pacífico con la presencia de Paraguay, por primera vez, como país observador y la propuesta de Chile de apertura del bloque de países con costas al Pacífico hacia el Mercosur.
La propuesta de abrir el bloque del Pacífico al Mercosur fue planteada por la mandataria de Chile, Michelle Bachelet. “Tenemos que seguir avanzando en lo que es nuestra relación con la región de Asia-Pacífico y en la relación con otras instancias de nuestra región como el Mercosur”, dijo y agregó que más allá de las legítimas diferencias, es perfectamente posible en un futuro alcanzar niveles de acuerdo entre países de la Alianza del Pacífico y el Mercosur. “No solo nos parece posible, creemos que es necesario”, enfatizó. Se fijó una reunión ministerial entre países de la Alianza del Pacífico y Mercosur para fines de julio en Cartagena de Indias, Colombia, dice AFP.
El canciller paraguayo, Eladio Loizaga, asistió a la cumbre. En su intervención manifestó que Paraguay comparte los valores, principios y visiones de la iniciativa que pretende orientar una nueva dimensión en la integración latinoamericana.
Indicó que la presencia de nuestro país como observador en la Cumbre es para reiterar su postura de trabajar coordinadamente hacia una vinculación más intensa con la Alianza del Pacífico, cuyos miembros hoy constituyen importantes socios comerciales en la región.
Presentó la política y visión del presidente Cartes, que consiste en ubicar a Paraguay entre los más eficientes productores de alimentos a nivel mundial con alto valor agregado y elevar sus índices de desarrollo. “Es un país ambientalmente sostenible, garante de la seguridad ciudadana y de la propiedad privada, con fuerte protagonismo de la mujer, de los jóvenes emprendedores y entrenados para liderar el país. Es un Estado solidario, equitativo, transparente, sin tolerancia hacia la corrupción y comprometido con el desarrollo con inclusión social”, expresó Loizaga.
También expuso que Paraguay es el mayor productor mundial per cápita de energía limpia y renovable, con costo competitivo, que lo habilita a ser tenido en cuenta al momento de tomar decisiones para la instalación de empresas que utilicen en sus procesos de producción ese recurso.
Loizaga también mantuvo reuniones bilaterales con el representante de Estados Unidos, Thomas A. Shannon, y con el de Nueva Zelanda, Timothy John Groser. (ABC Color – 21/06/2014)

Mercosur respalda a Argentina
Por AFP
BUENOS AIRES. Los gobiernos de los países socios de Argentina en el Mercosur respaldan al gobierno de Cristina Kirchner en su litigio con fondos especulativos por la deuda en default, informó este sábado un comunicado de la Cancillería argentina.
Según el texto, los gobiernos del Mercosur “expresan su solidaridad y apoyo a la República Argentina en la búsqueda de una solución que no comprometa su desarrollo y el bienestar de su pueblo, en consonancia con sus políticas de desarrollo nacional”.
Los gobiernos del Mercosur (Argentina, Brasil, Paraguay, Uruguay y Venezuela) también “manifiestan su más absoluto rechazo a la actitud de dichos fondos, cuyo accionar obstaculiza el logro de acuerdos definitivos entre deudores y acreedores y pone en riesgo la estabilidad financiera de los países” .
Argentina debe negociar contrarreloj una salida que le evite caer en default luego de que quedara en firme un fallo del juez de Nueva York Thomas Griesa que la obliga a pagar 1.330 millones de dólares a fondos especulativos que rechazaron los canjes de 2005 y 2010 aceptados por casi el 93% de los acreedores con quitas de casi 70% sobre los adeudos.
La presidenta Kirchner anunció el viernes que su gobierno buscará negociar con los fondos, pero pidió a Griesa condiciones justas y equitativas.
Argentina está urgido por hallar una salida antes del 30 de junio, fecha en la que debe pagar 900 millones de dólares por la deuda reestructurada, pero el fallo establece un pago en simultáneo a los fondos que litigaron, que representan el 1% de los acreedores, mientras el 7% aún sigue pendiente de acuerdo. (ABC Color – 21/06/2014)

Cumbre de Alianza Pacífico recibe a Bachelet y propuesta de apertura al Mercosur
Por AFP
PUNTA MITA, México. Los presidentes de la Alianza del Pacífico, el bloque comercial entre Chile, Colombia, México y Perú, encabezan el viernes la IX cumbre del bloque en Nayarit (México, oeste) dando la bienvenida a la socialista Michele Bachelet.
La cumbre en el exclusivo balneario de Punta Mita será la primera para la presidenta chilena, la socialista Michelle Bachelet, que tomó el relevo del conservador Sebastián Piñera en marzo pasado después de su primer mandato de 2006 a 2010.
La impronta que pueda dar el nuevo gobierno chileno al bloque del Pacífico -fundado en 2011 con clara vocación para el libre comercio, pragmatismo y la vista puesta en el mercado asiático- es una de las cuestiones que centrarán la atención del breve encuentro presidencial, que se inaugurará a las 15H00 GMT y se clausurará tres horas después.
Tras su visita a Brasil, el presidente colombiano, Juan Manuel Santos, también será arropado por sus pares después de su reelección el pasado domingo, donde los colombianos le dieron el visto bueno para que siga adelante con los procesos de paz con la guerrilla de las FARC y, más recientemente, con el ELN.
Aperturismo vs. Protecionismo
En las jornadas preparatorias de la cumbre con ministros y cancilleres, los miembros de la Alianza aseguraron que el bloque está abierto a la propuesta chilena de abrir un diálogo hacia el Mercado Común del Sur (Mercosur).
Con una trayectoria que se remonta a 1991, pero con menos frutos por su política proteccionista, el Mercosur es el bloque comercial que integran los gobiernos de izquierda de Brasil -la primera economía regional- Argentina, Uruguay y Venezuela junto con el ahora conservador Paraguay.
El canciller chileno, Heraldo Muñoz, ya anticipó el jueves que la reunión exploratoria con los países de la plataforma suramericana podría darse en las próximas semanas, aunque precisó que la eventual adhesión de sus miembros al bloque estaría aún “a mucha distancia” ya que sólo Uruguay y Paraguay son observadores.
Expertos estiman que la desaceleración brasileña, la complicada solvencia de Argentina o los altos índices de inflación de Venezuela serían contraproducentes para las economías estables de la Alianza del Pacífico.
Bienvenidos los nuevos membros
Después de que los cancilleres del bloque avanzaran el jueves sobre el tea de la movilidad de personas al firmar un acuerdo para que jóvenes de hasta 30 años puedan visitar y trabajar durante un año en los cuatro países socios, el viernes podría conocerse el estatus de las solicitudes de ingreso de los 32 países observadores.
La Alianza saldrá “fortalecida con la (próxima) adhesión de países hermanos como Costa Rica, Guatemala y Panamá”, manifestó el presidente anfitrión, Enrique Peña Nieto, en la cena ofrecida la noche del jueves.
Por el momento, Costa Rica es el país que más avanzado tiene el proceso de adhesión al bloque, seguido de Panamá.
Con Tratados de Libre Comercio entre los cuatro miembros del bloque y rebajas arancelarias en un 92% de sus productos, la Alianza del Pacífico representa 36% del PIB regional. (ABC Color – 20/06/2014)

Alianza del Pacífico debate convergencia con el Mercosur
Internacionales
por AFP-NA Punta Mita, México
La Alianza del Pacífico, el bloque comercial que forman Chile, Colombia, México y Perú, celebrará hoy su IX cumbre en la costa mexicana de Nayarit abierta a discutir la propuesta de la presidenta chilena, Michelle Bachelet, de mayor convergencia con el Mercosur.
Caracterizada por su naturaleza pragmática desde su fundación en abril de 2011, esta plataforma de libre comercio con la vista puesta en Asia, se ha ido fortaleciendo hasta convertirse en un referente latinoamericano de estabilidad para inversores.
La vuelta de Bachelet al palacio de La Moneda, luego de un primer mandato (2006-2010), abre la posibilidad de tender un puente entre las dos regiones.
Nosotros no vemos a la Alianza del Pacífico como una entidad que tenga que darle la espalda al Atlántico, o que excluya a otros países”, dijo Bachelet en mayo pasado. La mandataria cree que el bloque comercial puede favorecer al Mercosur, formado por Brasil, Argentina, Uruguay, Paraguay y Venezuela.
Esta es una plataforma que permite acentos, que ha probado ser flexible e irse actualizando sesión tras sesión”, dijo por su parte a la AFP el canciller mexicano, José Antonio Meade, cuyo país toma el relevo a Colombia en la presidencia del bloque.
A la espera de que los presidentes inauguren formalmente hoy la IX cumbre, los cancilleres tuvieron ayer las primeras discusiones de un encuentro que quiere profundizar los avances de un bloque libre de visas de turismo, con TLC y rebajas arancelarias en un 92% de sus productos y que representa 36% del PIB regional.
La alianza es un movimiento abierto. No hay que verla como un tema político que niegue la entrada”, señaló la canciller peruana, Eda Rivas. Sin embargo, expertos estiman que la naturaleza, objetivos, funcionamiento e, incluso, corrientes ideológicas distintas de estas plataformas hacen difícil una integración entre la Alianza del Pacífico y el Mercosur. “Lo veo algo idílico, ideal”, estima Adolfo Laborde, experto en Relaciones Internacionales del privado Instituto Tecnológico de Monterrey, que cree que la desaceleración brasileña, la complicada solvencia de Argentina o la alta inflación de Venezuela “obstaculizarán” el desempeño del bloque atlántico.
Costa Rica y Panamá son los países que más tienen avanzado el proceso de adhesión plena a la Alianza del Pacífico. (Cronista – 20/06/2014)

Alianza del Pacífico trata su relación con Mercosur
La Alianza del Pacífico, el bloque comercial de Chile, Colombia, México y Perú, prepara su IX cumbre en la costa mexicana de Nayarit, abierta a discutir una posible mayor convergencia con el Mercosur, el otro gran bloque regional pero que se ha ido retrasando en su objetivo integracionista.
PUNTA MITA, México (AFP).Caracterizada por su naturaleza pragmática desde su fundación en abril de 2011, esta plataforma de libre comercio con la vista puesta en Asia ha ido fortaleciéndose hasta convertirse en un referente latinoamericano de estabilidad para inversores.
La mandataria chilena Michelle Bachelet consideró que el bloque comercial puede favorecer al Mercosur.
“Nosotros no vemos a la Alianza del Pacífico como una entidad que tenga que darle la espalda al Atlántico, o que excluya a otros países”, dijo Bachelet en mayo pasado.
Alianza vs. Mercosur
Desde su toma de posesión, la Mandataria chilena ha insistido en que una de sus prioridades en política exterior será acercar la más liberal Alianza del Pacífico al Mercado Común del Sur (Mercosur), que actualmente integran los gobiernos de tendencia socialista de Brasil, Argentina, Uruguay y Venezuela, junto al ahora conservador Paraguay.
El Mercosur, integrado por economías más proteccionistas, impide a sus miembros unirse a otro acuerdo económico sin el consenso de los países del bloque.
A la espera de que los presidentes inauguren formalmente hoy la IX cumbre, los cancilleres iniciaron en la mañana de ayer las primeras discusiones de un encuentro que quiere profundizar los avances de un bloque libre de visas de turismo, con TLC y rebajas arancelarias en un 92% de sus productos y que representa 36% del PIB regional.
“La alianza es un movimiento abierto. No hay que verla como un tema político que niegue la entrada”, señaló el miércoles la canciller peruana, Eda Rivas.
“No es Mercosur versus Alianza”, enfatizó.
Sin embargo, expertos estiman que la naturaleza, objetivos, funcionamiento e, incluso, corrientes ideológicas distintas de estas plataformas hacen difícil una integración entre la Alianza del Pacífico y el Mercosur. (ABC Color – 20/06/2014)

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A França e sua 'malaise'
Basta passar alguns dias na França –e dialogar com algumas mentes brilhantes que esse país ainda produz– para perceber que nações, como indivíduos, também experimentam crises existenciais. À sombra dos monumentos que tanto amamos, a sociedade francesa é assolada pelo título de uma das maiores obras de Gauguin: "De onde viemos? O que somos? Aonde vamos?"
Os franceses ressentem-se da dívida pública e desemprego que só aumentam. Dividem-se quanto à imigração do Magreb ou da Europa do Leste. Muitos não se reconhecem mais no país em que nasceram.
Jovens doutores não encontram emprego na iniciativa privada. Recorrem à mal remunerada colocação no desestimulante serviço público –totalmente ossificado pelos sindicatos.
Ademais de seus problemas internos, a França peleja com sua posição na União Europeia (UE). Desempenha, no mais das vezes, função de "sócio-junior" em dinâmica cujo epicentro está em Berlim.
Para fugir de papel cada vez mais coadjuvante, a França busca liderar o debate sobre o que seria uma "UE 2.0". Na reunião de cúpula que começa nesta sexta (27) na Bélgica, François Hollande proporá nova estrutura de governança na UE com poderes acrescidos aos países-membros da zona do euro.
A ideia de Hollande, que também vai de encontro a articulações do primeiro-ministro italiano, Matteo Renzi, permitiria a implementação de uma política social e industrial com base no conceito de empresas "campeãs europeias" –à semelhança da estratégia de nosso BNDES e seu (agora abandonado) favoritismo às campeãs nacionais.
Tal medida suscita problemas. Ela diminuiria a influência na comunidade de membros como o Reino Unido, que optaram por não integrar a zona do euro. Esse "novo desenvolvimentismo" europeu feriria potencialmente regras da OMC.
Criaria, de certo, novos obstáculos ao mega-acordo UE-EUA. Retardaria a já esgarçada agenda negociadora UE-Mercosul, cujo conclusão, mesmo sem as novas ideias de Hollande, não se cogita para 2014.
Resta ainda observar como a Alemanha, maior economia da região, reagirá à institucionalização de subsídios industriais para fortalecer conglomerados europeus. As competitivas empresas alemãs dispensam tal fortificante. Sua produtividade beneficiou-se nas últimas décadas da existência de moeda comum para o comércio intraeuropeu.
Berlim não deseja, ademais, estranhar-se com países que não aderiram à zona do euro. Quer ainda que os acordos com EUA e Mercosul saiam do papel.
Como parece correta a noção de que hoje nada se faz em Bruxelas sem a liderança alemã, resta saber como Hollande lidaria com mais uma iniciativa frustrada.
Aliás, a frustração com Hollande, detentor de abissais 18% de aprovação popular, muito contribui à atual 'malaise' francesa. Ouvi de um editor do "Figaro", o jornalão francês, que todo presidente de seu país, de De Gaulle a Sarkozy, sempre dispôs de inteligência abundante ou charme gálico. E que Hollande, mais impopular presidente da história da França, carece de ambos.
Marcos Troyjo, 46, é economista e cientista social e mora entre Nova York e o Rio. Fez doutorado em sociologia das relações internacionais na USP e pós-doutorado na Universidade Columbia, em Nova York, onde também é professor-adjunto de relações internacionais e políticas públicas e dirige o BRICLab. É professor-conferencista também no Ibmec. Trabalhou como diplomata de carreira e foi secretário de imprensa da Missão do Brasil junto à ONU em Nova York.Marcos Troyjo (Folha de SP – 27/06/2014)

Cinco países do leste africano traçam plano de se unificar em uma federação
DANIEL MÉDICI
ENVIADO ESPECIAL A ST GALLEN (SUÍÇA)
A voz tranquila do ruandês Richard Sezibera, 50, esconde o tamanho da ambição da organização que ele representa: unificar cinco países sob uma federação.
Sezibera é secretário-geral da Comunidade da África Oriental, bloco formado por Quênia, Tanzânia, Uganda, Ruanda e Burundi. A meta da unificação, apesar de declarada, não tem data estipulada para ocorrer.
"Fizemos pesquisas de opinião nos países do bloco, e a maioria apoia o nosso projeto. Na Tanzânia, por exemplo, há cerca de 80% de aprovação, mas há a intenção clara de que isso seja feito de forma lenta", diz.
Os objetivos de curto e médio prazo, no entanto, são pragmáticos: visam dinamizar a economia da região.
Somado, o PIB do bloco é o 17º maior do mundo, segundo a organização.
Uma das conquistas recentes da Comunidade da África Oriental foi abolir a exigência de vistos diferentes –atualmente, um turista que vai ao Quênia, por exemplo, pode usar o mesmo visto para visitar a Tanzânia.
O projeto vai além: há um cronograma para a implementação de uma moeda única em todos os cinco países em um prazo de dez anos.
Sezibera defende o plano, apesar dos recentes percalços da experiência do euro na União Europeia.
"Na verdade, a própria UE nos enviou uma comissão para ajudar na adoção do projeto", diz.
Para que não se repitam os mesmos erros, "nosso plano é permanecermos pequenos. Somos um bloco de apenas cinco países e não temos a intenção de abrigar muitos outros", afirma o secretário-geral da comunidade.
O projeto atrai o interesse de nações vizinhas, como Somália e Sudão do Sul, que se ofereceram para integrar o bloco, mas foram, até o momento, rejeitadas.
Ambos os países enfrentam uma série de crises políticas e confrontos entre governo central e rebeldes.
Sezibera foi um dos palestrantes no simpósio anual da Universidade de St Gallen, na Suíça, no mês passado.
Lá, detalhou os projetos da comunidade a estudantes e empresários.
Para ajudar a região a se desenvolver, Sezibera considera imprescindível a ajuda de investidores de fora do bloco para modernizar a infra-estrutura da região, um dos grandes gargalos da economia e desafio à integração.
"Hoje, uma mercadoria que sai de Kigali [capital de Ruanda] demora 21 dias para chegar em Mombaça [cidade portuária do Quênia]. Faltam pontes, estradas asfaltadas, ferrovias", explica.
Mais do que isso, o ruandês diz passar boa parte de seu tempo convencendo os não africanos de que o continente é um lugar onde vale a pena investir.
"O continente não é o mesmo que era há 20 anos", afirma, lembrando do genocídio que seu país viveu em 1994, quando a etnia hutu massacrou cerca de 800 mil pessoas, a maioria tutsi.
"Acredito que a África precise de apoio, ninguém cresce sozinho", afirma, ponderando: "Mas acredito que, ao fim do dia, o resultado do trabalho dos africanos deve permanecer entre os africanos. [Além disso,] às vezes, o mundo não permite à África cometer os seus próprios erros e aprender com eles."
DIÁLOGOS
Apesar de ambiciosa, a meta final da unificação da região não é nova.
Surgidos de ex-colônias que flutuaram entre mãos britânicas, alemãs e belgas ao longo do tempo, durante o processo de independência, nos anos 1960, o estabelecimento de uma nação unificada chegou a ser discutido.
A questão foi negociada pelas lideranças políticas da época, como Jomo Kenyatta (1889-1978), primeiro presidente do Quênia, e Julius Nyerere (1922-99), então primeiro-ministro de Tanganica.
A oposição de Idi Amin (c.1925-2003), então ditador de Uganda, e a subsequente formação da Tanzânia, quando Tanganica e Zanzibar se uniram, selaram a criação de Estados separados.
O caminho reverso ainda é apenas um rascunho, diz Sezibera. "Nós já entramos em acordo sobre o nome do país, Federação da África Oriental. Na verdade, é o único acordo ao qual conseguimos chegar", brinca.
Questionado por empresários sobre qual seria a capital, Sezibera esquiva-se, entre risos: "Eu não sei!". (Folha de SP – 27/06/2014)

Chile dá lição de inovação para o mundo
Ao mirar o empreendedor, país mostra que são as pessoas, e não os avanços de infraestrutura, a chave para o avanço das startups
Vivek Wadhwa, The Washington Post
Fórmula motiva o engajamento de empreendedores de todo o planeta para programa chileno de startupsEm 2010 o Chile iniciou um grande experimento inovador: pagou para empreendedores estrangeiros virem ao país e ali permanecerem durante seis meses. Ofereceu a eles US$ 40.000, um espaço de escritório grátis, acesso à internet, conselheiros e uma rede de contatos. O que o Chile pediu em troca era que os estrangeiros interagissem com os empreendedores locais e pensassem em fazer do país sua base permanente.
Parece bom demais para ser verdade, não? De fato, muitas pessoas acharam a ideia maluca. Mas o Chile estava fazendo uma aposta – de que os empreendedores transformariam a cultura neste campo, ensinando aos nativos como assumir riscos, colaborar mutuamente e criar conexões globais.
O experimento, chamado Start-Up Chile, obteve tanto sucesso que, num artigo publicado em outubro de 2012, a revista ‘The Economist’ apelidou-o de “Chilecon Valley”.
Hoje em Santiago há uma atividade empresarial frenética; estudantes universitários procuram trabalho em startups e não nas grandes empresas; o Start-Up Chile conquistou reconhecimento nos círculos de inovação pelo mundo; e os empreendedores locais estão mais ambiciosos, buscando oportunidades no exterior.
O Start-Up Chile recebeu uma infinidade de candidaturas, mais de 12.268, de 112 países. De acordo com o diretor executivo do projeto, Sebastian Vidal, 810 startups de 65 países foram admitidas ao programa até agora. As primeiras 199 companhias que visitaram o Chile e retornaram aos seus países levantaram US$ 72 milhões em financiamento. Um grupo de 192 empresas que decidiu permanecer no país conseguiu levantar US$ 26 milhões.
Tudo isto é muito bom no campo do empreendedorismo, considerando que o Chile investiu apenas US$ 35 milhões no experimento. Outros países aplicaram centenas de milhões, até bilhões de dólares para criar centros de tecnologia.
Legiões de consultores vêm assessorando regiões na construção de parques de ciências próximas a universidades e oferecendo incentivos financeiros a setores selecionados para se estabelecerem ali, seguindo a teoria dos clusters de Michael Porter, professor de Harvard. Porter observou que concentrações geográficas de empresas interconectadas, fornecedores especializados, provedores de serviços beneficiam determinados setores em termos de custo e produtividade.
Os seguidores de Porter postularam que quando reunimos esses ingredientes podemos fomentar artificialmente a inovação. Mas não podemos. A fórmula não funciona. Os clusters ‘top-down’ neste setor (criados não por iniciativa do empreendedor, mas por incentivo de governos) é uma panaceia dos tempos modernos. E o Chile nos prova que são as pessoas, sobretudo elas, que impulsionam a inovação.
Dezenas de bilhões de dólares têm sido investidos coletivamente por centenas de regiões em todo o mundo nessas iniciativas para desenvolver clusters com apoio governamental. Mas não observamos nenhum sucesso comprovado em alguma parte do mundo. Os clusters se formam com base nas vantagens econômicas e geográficas de uma região e no trabalho duro dos empreendedores. A inovação nasce não da indústria, mas daqueles que assumem riscos – pessoas motivadas.
O objetivo do experimento chileno era saber se conseguiria fazer surgir um centro de tecnologia a partir da importação de empreendedores, oferecendo a eles o adequado apoio em termos de networking e orientação.
O problema do Chile, contudo, é que, como muitas regiões fora do Vale do Silício, o país não tinha uma cultura empresarial que tolerasse o fracasso e incentivasse a partilha de informações e a experimentação. A sugestão, portanto, era que o país importasse o que precisava; procurasse se beneficiar da estupidez dos EUA dando as costas para os mais inovadores empreendedores do mundo.
O Start-Up Chile sobreviveu a duas mudanças de governo e será a base de importantes iniciativas no campo da inovação, segundo Eduardo Bitran, que foi designado recentemente para dirigir a agência de desenvolvimento econômico do Chile, CORFO. O sucesso com certeza serve de lição para todas as regiões do mundo. Para fomentar o crescimento econômico e a inovação, o foco deve ser sobre as pessoas. É preciso oferecer a elas possibilidades, oportunidades e conexões. (Tradução de Terezinha Martino) (O Estado de SP – 27/06/2014)

O preço da arrogância argentina
Alex Kicillof, ministro da Economia da Argentina, não deve estar tendo tempo para assistir aos jogos da seleção de seu país na Copa do Mundo. Nesta semana, passou os dias entre Nova York e Buenos Aires, tentando evitar o segundo calote de seu país em 13 anos.
O primeiro "default" em 2001 significou o isolamento de Buenos Aires do mercado internacional com os custos de crescimento e desenvolvimento que isso representa. Agora a Argentina está metida em um embrulho jurídico sem precedentes que pode culminar novamente na mesma situação.
Na reestruturação da dívida argentina, 92% dos credores aceitaram os descontos e as condições propostas pelo governo, mas 8% ficaram de fora. Esses fundos compraram os títulos na bacia das almas e entraram na Justiça para receber o valor total.
Os fundos ganharam a alcunha de "abutres" no governo Cristina Kirchner e realmente estão tirando vantagem da situação. Mas "business is business" e quem deve eventualmente tem que pagar. Eles conseguiram uma decisão judicial que obriga a Argentina a pagá-los antes de quitar a dívida com os demais credores.
Com bravatas de todo tipo, o governo Kirchner ganhou a antipatia do juiz americano, Thomas Griesa, que não acredita na boa fé do país vizinho. Cristina chegou a dizer no ano passado que "não obedeceria a Justiça dos Estados Unidos" e que "não pagaria dólar algum".
Graças a esse histórico, não causa estranheza a decisão do juiz divulgada ontem. Griesa rechaçou o pleito de suspender sua sentença até depois da próxima segunda, quando vence uma parcela de sua dívida reestruturada. A Argentina está pagando o preço de sua arrogância.
Kicillof tem fama de ser um dos mais razoáveis assessores que já passaram pelo governo de Cristina Kirchner. Mas tem protagonizado idas e vindas que não demonstram profissionalismo. Ele inicialmente propôs pagar a dívida reestruturada na Argentina, depois divulgou uma nota dizendo que não iria pagar para evitar o confisco, e ontem depositou o dinheiro.
Até ontem não se sabia para quais credores os bancos americanos repassariam os mais de US$ 800 milhões depositados pela Argentina: para os que esperavam o pagamento (mesmo contrariando a decisão da Justiça americana) ou para os "fundos abutres"? Uma insegurança jurídica enorme.
Martín Redrado, ex-presidente do Banco Central da Argentina, disse à Folha que essas negociações têm que ser feitas em uma sala fechada em Manhattan, longe das câmeras. Nesta semana, Kiciloff fez o oposto: foi até as Nações Unidas pedir o apoio dos países em desenvolvimento, em mais uma tentativa de constranger Griesa.
O atacante Lionel Messi tem salvado a seleção argentina, que sonha em ser campeã da Copa do Mundo, com golaços no final da partida. Kiciloff precisa com urgência mudar de tática e se transformar num Messi se quiser ajudar seu país. O tempo está se esgotando. Raquel Landim (Folha de SP – 27/06/2014)

Argentina desafia Justiça dos EUA e cresce risco de calote
Por Marli Olmos | De Buenos Aires
O governo da Argentina decidiu ontem manter posição de enfrentamento na batalha com os credores que não participaram da restruturação da dívida referente ao calote de 2001. Com isso, cresce o risco de um novo calote do país.
O governo depositou ontem cerca de US$ 1 bilhão para quitar a parcela da dívida reestruturada que vence na segunda-feira. Poucas horas depois, o juiz federal americano Thomas Griesa negou pedido argentino da semana passada para suspender a sentença favorável aos fundos "holdouts", que não entraram na renegociação da dívida do país e ganharam na Justiça americana o direito de receber integralmente.
Esses credores também reagiram. Pediram para o juiz considerar a atitude da Argentina como desacato ao tribunal. Para tentar solucionar o problema, Griesa convocou uma audiência entre as partes hoje, em Nova York.
Advogados do NML, fundo que lidera o grupo que venceu a causa, solicitaram a Griesa que considerasse a atitude de depositar o valor devido aos credores da dívida reestruturada como "violação de uma ordem da Corte". A Justiça havia determinado que a Argentina só poderia continuar a honrar seus compromissos com esses credores se efetuasse também o pagamento de US$ 1,5 bilhão que deve aos fundos "holdouts".
Depositar o dinheiro dos que aceitaram negociar a dívida, em 2005 e 2010, foi, de um lado, uma tentativa de mostrar a "boa fé", expressão usada na quarta-feira pelo ministro da Economia argentino, Axel Kicillof, durante uma apresentação em Nova York. Mas, expôs, por outro lado, uma atitude de enfrentamento não só em relação aos credores que venceram a causa na Justiça como também com o juiz Griesa.
No dia 16, a Corte Suprema dos EUA rejeitou recurso argentino contra a decisão de Griesa, que determinou o pagamento aos "holdouts". Ontem à tarde, o juiz negou o pedido de suspensão da sentença, o que permitiria o pagamento apenas aos credores que aceitaram a reestruturação.
Com essa última decisão de Griesa, os credores da dívida reestruturada correm o risco de não receber o dinheiro depositado ontem. Esses recursos poderão ser embargados pela Justiça para pagar aos fundos "holdouts" que ganharam a causa.
O total depositado ontem, segundo Kicillof, chega a US$ 1 bilhão, dos quais US$ 823 milhões para credores estrangeiros e o restante, pago em pesos, refere-se a títulos emitidos em moeda local.
O ministro convocou ontem a imprensa para falar sobre a decisão de quitar a parcela da dívida reestruturada. Em comunicado, o governo explicou que o pagamento foi feito em virtude da "decisão soberana da Argentina, que ratifica, com esse ato, a sua firme e irrestrita vontade de honrar suas dívidas e descartar interpretação capciosa que implique a introduzir o eufemismo do 'default' técnico". No comunicado, o governo disse, ainda, que "não cabe a menor dúvida da parcialidade do juiz em favor dos fundos 'abutres' nem de sua verdadeira intenção: a de pretender levar a República Argentina ao default".
Para o professor de finanças Aldo Abram, o governo tratou de forma política uma questão que é essencialmente jurídica. "Ameaçar os Estados Unidos e achar que um juiz se importa com isso é uma estupidez", disse. Para Abram, que dirige a Libertad & Progreso, entidade que reúne economistas para debates político-econômicos com a comunidade, o governo poderia ter dado uma garantia aos "holdouts" por meio de um depósito judicial para negociar nos 30 dias que lhe restam. "Fica mais difícil negociar sem oferecer garantias."
A Bolsa de Valores de Buenos Aires refletiu o pessimismo do mercado financeiro diante do quadro. O índice Merval caiu 2,1%. "Serão dias de tensão até que termine o prazo para o 'default' técnico", disse o economista Ramiro Castiñeira, da Econométrica, consultoria que trabalha com estatísticas.
Depois da data de vencimento da próxima parcela da dívida reestruturada, na segunda-feira, o governo tem mais 30 dias para concluir as negociações antes de o país entrar em "default" técnico. Para Castiñeira, a estratégia do governo foi "arriscada". "Entramos agora na contagem regressiva do 'default'", disse.
A presidente Cristina Kirchner preferiu distância no dia tumultuado de ontem. Limitou-se a reproduzir em sua conta de Twitter o documento distribuído ontem com o título "Dívida paga". (Valor Online – 27/06/2014)

Solar inicia novo ciclo no Brasil
Por Rodrigo Polito, Elisa Soares e Claudia Facchini | Do Rio e de São Paulo
Mathias Becker, presidente da Renova, prevê que solar só vai alcançar preço de eólica no horizonte de dez anos.
O governo federal tem planos de organizar de forma contínua leilões para contratação de energia solar, caso haja oferta de empreendimentos, afirma Mauricio Tolmasquim, presidente da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), braço de planejamento do Ministério de Minas e Energia (MME). O Brasil está bem atrás de outros países, como o Chile, na inserção da fonte solar na matriz energética, apesar de ser considerado um local privilegiado no mundo para a instalação desse tipo de usina, e tem pela frente um longo período de aprendizado.
Em suas projeções, a EPE prevê a contratação de 3.500 megawatts (MW) de capacidade instalada de projetos de energia solar entre 2014 e 2018. Esse total representa quase 10% de todas as fontes que devem ser contratadas no período. De acordo com as estimativas da EPE, as novas usinas que serão construídas no próximos quatro anos vão agregar 38.269 MW ao parque gerador brasileiro.
A maior usina foltovoltaica da América Latina, a Amanecer Solar, está sendo construída no deserto do Atacama, no Chile, com uma potência instalada de 100 MW. Outros empreendimentos solares, que totalizam 4 mil MW de capacidade de geração, já foram liberados pelo Chile, que passou a assumir um papel de liderança para essa indústria no mercado sul-americano.
"O ano de 2014 vai entrar para a história como o início da energia solar no Brasil. Vai ser um ano importante no sentido de que o país vai começar a contratar continuamente", disse Tolmasquim, em entrevista ao Valor.
O governo mudou de posição e decidiu promover, no segundo semestre deste ano, o primeiro leilão com contratos específicos para energia solar. Até hoje, os projetos solares não deslancharam no país devido aos seus altos preços, que são bem mais elevados que os de outras fontes alternativas, como as eólicas e pequenas centrais hidrelétricas (PCHs). Apesar da insistência e do apelo dos empreendedores, o governo resistia à ideia de realizar leilões específicos para fonte solar para evitar que os brasileiros tivessem de pagar, depois, um preço muito alto na conta de luz.
Segundo estimativas do setor, os consumidores, por exemplo, pagam caro atualmente, em torno de R$ 340, pelo megawatt-hora procedente dos parques eólicos que venderam contratos no âmbito do Proinfa, programa de incentivo às fontes alternativas que vigorou entre 2004 e 2009. Esse preço é 170% maior que o registrado no último leilão, quando as eólicas venderam energia por R$ 126 por MWh, e certamente garante lucros atraentes aos controladores dos empreendimentos. Alguns dos parques do Proinfa já mudaram de mãos.
Tolmasquim espera que ocorra com a energia solar um "fenômeno" parecido com o que aconteceu com a fonte eólica. Há alguns anos, não havia fabricantes de equipamentos eólicos no Brasil. Com a realização do Proinfa e de leilões exclusivos, o preço da energia eólica caiu gradativamente, viabilizando novos empreendimentos e atraindo a instalação de fabricantes do país.
O presidente da EPE acredita que a quantidade de projetos de energia solar no Brasil vai gerar escala e justificar a instalação de fábricas de componentes no país. "Temos tido muito interesse dos investidores", afirmou Tolmasquim. "Primeiro temos de criar a demanda [por equipamentos]".
Com relação ao leilão de energia de reserva, marcado para 10 de outubro, Tolmasquim não soube estimar ainda a oferta de projetos de energia solar e, consequentemente, o volume de energia que poderá ser contratado desses empreendimentos. A EPE não estipulou ainda o preço-teto que será aplicado para os contratos de energia solar, considerado um aspecto crucial para o sucesso ou não do certame.
Após ter assumido uma posição de liderança no setor eólico, a Renova avalia como "muito positiva" a movimentação do governo para viabilizar o desenvolvimento de usinas solares no Brasil. Na avaliação do presidente da companhia, Mathias Becker, a realização de leilões exclusivos da fonte será importante para organização da demanda e nacionalização de equipamentos. Ele acredita, porém, que as usinas solares só chegarão ao patamar de preço de eólicas no horizonte de dez anos.
A Renova já tem mais de uma dezena de projetos de solar desenvolvidos, todos de geração distribuída. A construção da primeira usina solar da companhia foi anunciada no fim de maio, e será híbrida, com combinação de torres eólicas e placas solares. Becker explicou que a viabilidade econômica do projeto só se deu por conter as duas fontes.
O executivo espera, entretanto, que os projetos de solar se tornem mais viáveis a partir da realização do leilão de reserva, marcado para 10 de outubro. A Renova deve cadastrar para o leilão um volume semelhante ao homologado no A-5 do ano passado, 200 MW. (Valor Online – 27/06/2014)

Economia da França fica estagnada no primeiro trimestre
SÃO PAULO - A economia da França ficou estável no primeiro trimestre, em relação aos três meses anteriores, quando teve crescimento de 0,2%.
Conforme o instituto de estatísticas Insee, os gastos dos consumidores recuaram 0,5% entre janeiro e março, seguindo elevação de 0,2% no trimestre final de 2013. A formação bruta de capital fixo, um indicativo de investimentos, cedeu 0,8%, aprofundando a queda em relação aos três últimos meses do ano passado, quando diminuiu 0,2%.
As importações se aceleraram, registrando avanço de 1% no trimestre inicial de 2014, e as exportações perderam ímpeto, com elevação de 0,6%. No quarto trimestre do ano passado, essas taxas foram positivas em 0,5% e 1,5%, respectivamente.
O Insee também divulgou nesta sexta-feira que as despesas com consumo pelos franceses aumentou 1% em volume em maio, invertendo a direção tomada um mês antes, de baixa de 0,2%. Essa mudança de rumo foi associada às despesas com energia, que foram de queda de 3,3% para elevação de 8%.
Em nota separada, o instituto mostrou que os preços ao produtor da indústria francesa declinaram pelo terceiro mês seguido - em maio, houve queda de 0,5%, após decréscimo de 0,2% em abril e recuo de 0,3% em março. (Valor Online – 27/06/2014)

Para a França, acordo entre GE e Alstom aniquila o sonho de criar titãs europeus
Por STACY MEICHTRY, Inti Landauro e Jan Hromadko, de Paris e Frankfurt
Reuters
Em abril, o diretor-presidente da Alstom SA, Patrick Kron, recebeu uma carta da concorrente alemã Siemens anunciando uma "oportunidade única". A Siemens, segundo o texto da carta, estava pronta para se unir à Alstom e criar "dois campeões europeus" em energia e transporte, realizando um sonho antigo do governo francês.
Mas, no momento em que a Siemens decidiu agir, o sonho francês já tinha desvanecido.
A americana General Electric Co. GE já estava em negociações avançadas que a levaram a conquistar os principais ativos da Alstom, aniquilando as ambições francesas de firmar novas alianças com a maior potência da Europa, a Alemanha, semelhante à que permitiu a criação da titã do setor aeroespacial Airbus Group EADSY -2.56%NV.
Unidas, dizem as autoridades francesas, as empresas industriais da Europa podem dominar o mercado dentro de casa e ganhar escala para competir com gigantes globais como a GE no mercado exportador. A batalha pela Alstom, porém, mostra como essas ambiciosas metas europeias podem ser prejudicadas por rivalidades pessoais e corporativas, pelo emaranhado de regras antitruste da União Europeia e condutas erráticas de governos que defendem seus próprios interesses em detrimento de metas regionais.
No fim, Kron foi bem-sucedido em desafiar a Siemens e o seu próprio governo, prometendo permanecer na Alstom para implementar o acordo de US$ 17 bilhões com a GE. "Esse é um bom projeto. Eu acredito nele e espero me concentrar em concluí-lo", disse o exultante executivo em entrevista ao The Wall Street Journal, enquanto acompanhava o diretor-presidente da GE, Jeffrey Immelt, numa visita a uma fábrica no leste da França.
Agora, o governo francês está numa posição desconfortável. Pelo acordo, ele será o maior acionista da Alstom e se tornará concorrente direto da Siemens.
"A França está conduzindo uma política industrial nacional fria", diz Peter Ramsauer, presidente do comitê econômico do parlamento alemão e aliado-chave da primeira-ministra Angela Merkel. O governo francês, acrescenta, tem "colocado interesses franceses unilaterais à frente dos interesses europeus".
O governo francês afirma que garantiu milhares de empregos e a identidade francesa da Alstom. "É uma grande vitória política, econômica e, acima de tudo, industrial", disse uma porta-voz do ministro da Fazenda, Arnaud Montebourg. "Não desistimos de criar campeões europeus tanto de energia quanto de transporte."
A GE se unirá à Alstom como sócia igualitária em três joint-ventures que produzirão turbinas para projetos politicamente sensíveis, como usinas de energia nuclear, assim como serviços para redes elétricas na França e outros países. A Alstom, fabricante dos icônicos trens franceses de alta velocidade, também está assumindo a divisão de sinalização de trens da GE.
O governo francês planeja se tornar o maior acionista da Alstom, comprando uma fatia de 20% na empresa por ao menos US$ 2,94 bilhões — cerca de US$ 440 milhões a mais do que o valor da fatia na Bolsa de Paris.
O acordo alia a GE ao governo de uma das maiores economias europeias. A última vez que um grupo estrangeiro de engenharia fez uma conquista territorial desse porte, dizem analistas, foi quando a Siemens entrou na América do Norte, em 1997, com a compra do braço de geração de energia da Westinghouse.
"A compra da divisão de energia da Alstom pela GE significa mais concorrência para a Siemens no longo prazo, especialmente na Europa, onde a GE ainda não deixou sua marca de verdade", diz Christoph Niesel, gestor de portfólio do Union Investment, braço das cooperativas de crédito alemãs e dono de cerca de 1% das ações da Siemens.
Não era para ser desse jeito. Em janeiro, o presidente francês, François Hollande, apresentou seu programa para reviver a anêmica economia do país. No centro da agenda, disse ele, estava um plano para recriar o sucesso da Airbus — conglomerado que cresceu a partir de parcerias entre empresas francesas, alemãs e britânicas da área aeroespacial e de defesa — no fragmentado setor de energia europeu.
"Somos muitos orgulhosos do legado da Airbus", disse Hollande. Ele classificou uma grande companhia franco-alemã no setor de energia de "uma linda aliança". A ambição de Hollande, no entanto, não estava em sintonia com a realidade.
A era de cooperação europeia que permitia aos países superar profundas rivalidades nacionalistas e reunir suas indústrias aeroespaciais sob um mesmo guarda-chuva nos anos 70, 80 e 90 acabou com a crise da zona do euro. Tentativas recentes de consolidar outras indústrias europeias, como a de telecomunicações, acabaram frustradas pela mão cada vez mais pesada dos reguladores da UE.
Quando a carta de intenções da Siemens chegou à mesa de Kron, no fim de abril, ele já estava há meses negociando com a GE — pelas costas do governo francês.
Montebourg ficou furioso quando descobriu. Ele conseguiu um decreto do Parlamento dando ao governo poder de veto a qualquer venda da Alstom; persuadiu a Siemens a apresentar uma oferta formal e forçou a GE a estender o prazo final da sua oferta, dando à Alstom mais tempo para considerar uma parceria com a rival alemã.
Mas a Siemens se recusou a compartilhar sua divisão de sinalização ferroviária, segundo uma pessoa envolvida nas negociações entre o ministro e a empresa alemã. O governo francês considerava a tecnologia vital para tornar o negócio de transporte da Alstom um líder global, mas a Siemens queria usar sua tecnologia para desenvolver veículos que dirigem sozinhos, diz a pessoa. A Siemens não quis comentar.
Quando a Siemens apresentou sua oferta, em maio, ela lembrava pouco sua carta de intenções anterior. Ela queria apenas comprar os ativos de turbinas a gás da Alstom. Ela também recrutou a japonesa Mitsubishi Heavy Industries Ltd. para apresentar uma oferta pelos negócios de equipamentos de energia da Alstom.
Os políticos franceses ficaram atônitos e cobraram explicações dos executivos alemães e japoneses. Um executivo sênior da Siemens disse a jornalistas que uma oferta por todo o setor de energia da Alstom poderia não ser aprovada pelos reguladores antitruste. Uma pessoa a par da estratégia da Siemens, porém, disse que o "principal objetivo" da empresa era apenas azedar o negócio entre a Alstom e a GE.
Joe Kaeser, o diretor-presidente da Siemens, disse numa carta aos empregados que o interesse da empresa na Alstom era "genuíno". Mas disse também que a oferta da Siemens fez a GE abandonar sua proposta inicial de comprar todos os ativos da Alstom em favor de alianças desconfortáveis. "A implementação desse negócio vai manter dois dos nossos concorrentes ocupados por anos", disse ele na carta, à qual o WSJ teve acesso. "Isso, por si só, fez a disputa valer a pena para nós."
(Colaboraram Andrea Thomas, em Berlim, e Gráinne McCarthy, em Paris.) (The Wall Street Journal – 26/06/2014)

Triste Venezuela
Volto às experiências nacionais tratadas no livro "Padrões de Desenvolvimento econômico, estudo comparativo de 13 países: América Latina, Ásia e Rússia", editado pelo CGEE (Centro de Gestão e Estudos Estratégicos) e organizado pelo professor da UFRJ Ricardo Bielschowsky. A vez é da Venezuela, cujo autor do capítulo é o economista Carlos Eduardo Carvalho.
O país é um caso extremo dos males potenciais da doença holandesa: que ocorre quando a abundância de recursos naturais atrapalha o desenvolvimento produtivo. Na década de 1920, a Venezuela descobriu grandes reservas de petróleo, tornando-se à época o maior exportador mundial e segundo produtor.
Isso proporcionou um crescimento rápido, embora instável. Em 1950, o país tinha a segunda maior renda per capita entre os países analisados na América Latina e Ásia, quase o triplo da brasileira e próxima a dos países desenvolvidos.
Na Grande Depressão, a depreciação das moedas dos países ricos simultaneamente ao influxo de divisas do óleo foi o início de sua crônica valorização cambial.
No pós-Guerra, o câmbio não impediu que a industrialização avançasse, tendo contribuído para baratear as importações de bens de capital, porém fez com que ela se concentrasse em setores protegidos da competição externa, em especial construção e infraestrutura, que cresceram graças à ampla disponibilidade de recursos fiscais.
O paradoxal é que o país é, nas palavras de Celso Furtado, um caso de subdesenvolvimento com abundância de divisas. O balanço de pagamentos, que foi a grande restrição para a continuidade da industrialização na América Latina, não tinha por que ser problema na Venezuela.
O diabo é que a economia venezuelana se configurou apenas como um capitalismo rentista, propiciado por um petróleo de fácil exploração, cuja produtividade dos poços sempre esteve bem acima da média internacional.
Porém, como as ocupações geradas no setor são reduzidas, isso não elevava os salários reais em geral, que foram arrochados pelo excedente de mão de obra, pelo custo dos alimentos (a agricultura não se mecanizou, mantendo um nível elevado de empregos de baixa produtividade) e pela inflação em geral.
As oportunidades de investimento geradas pelo crescimento do PIB não absorviam os recursos acumulados pelo setor privado, mantendo a estrutura produtiva arcaica.
A despeito da renda per capita relativamente alta, se mantiveram as características típicas do subdesenvolvimento: grandes disparidades de produtividade entre os setores, distribuição de renda muito desigual entre campo e cidade e entre segmentos de uma mesma atividade, baixo padrão de consumo de massa, péssimos indicadores sociais etc.
Para piorar, a abertura financeira nos anos 1970, em que a Venezuela acumulou dívida externa sem necessidade (as reservas externas se elevavam em montante equivalente), levou o país a sofrer com a fuga de capitais advinda da crise da dívida que abalou a América Latina, mesmo isso tendo ocorrido durante o segundo choque do petróleo, que elevou fortemente os preços de suas exportações.
O texto não se deteve no período chavista, iniciado em 1999, em razão do elevado grau de ideologização que o cerca. Ainda assim, é possível notar que Hugo Chávez trouxe mudanças na forma como a renda do petróleo é repartida na sociedade, favorecendo a população mais pobre, o que evidentemente é bom para o país. Também houve nova tentativa de induzir a industrialização.
Entretanto, não houve rompimento com o caráter de longo prazo da política econômica. Foi mantido o regime de câmbio fixo com tendência de apreciação da moeda local, embora menos acentuada do que historicamente tem ocorrido em períodos de elevação do preço do petróleo como o da década passada.
As exportações não conseguem se diversificar, a demanda crescente ocorre sem que os investimentos sejam destravados e os problemas de balanço de pagamentos se avizinham, resultando em taxas de crescimentos voláteis –ainda que muito acima das verificadas nas décadas de 1980 e 1990– e em problemas de desabastecimento.
As dificuldades do desenvolvimento da Venezuela são duradouras. O rentismo não é uma condenação, mas não é fácil se desamarrar dele. Por isso, me compadeço. (Folha de SP – 26/06/2014)

Argentina a Uruguay le resta
Ripe
Se quejan de que el país vecino pagó en los últimos años, de manera adelantada y en cuotas, los efectos de una crisis en Argentina.
por Federico Comesaña / El Observador
No es novedad que Argentina, lejos de sumar, a Uruguay le resta. Pero en las últimas semanas el riesgo asociado al vecino país, siempre latente en los pronósticos de los analistas locales, se hizo más intenso. Argentina no solo enfrenta un escenario recesivo luego de conocidos los datos de crecimiento del primer trimestre del año, con dos reportes consecutivos de caída de su actividad, sino que además debe lidiar con un tema delicado como es el fallo estadounidense sobre la deuda impaga, que puede empujarlo a una nueva cesación de pagos.
Si Argentina falla en las negociaciones con los fondos de inversión y la justicia estadounidense, enfretará una mayor restricción presupuestaria que no hará más que potenciar la caída de la actividad. El escenario de una prolongada recesión de la economía argentina, acompañada por más medidas que tiendan a blindar la economía del país, afectarán a los sectores uruguayos que aún dependen de ese mercado.
Uruguay ha pagado en los últimos años de manera adelantada y en cuotas los efectos de una crisis en Argentina. Con un tercer año consecutivo a la baja de las exportaciones a ese destino, la participación en el total de las ventas de bienes al exterior se encuentra en su menor nivel al menos desde el año 2001. En los primeros cinco meses de este año, las ventas a Argentina acumulan una caída de 16,3% respecto a igual período del año pasado, y representan apenas 4,2% del total vendido al exterior, con lo que ocupa la cuarta posición en el ranking de destinos, por debajo de Brasil, China y Venezuela.
Incluso en el sector turístico, donde los argentinos siguen siendo los consumidores por excelencia de la oferta uruguaya, su participación ha mermado en los últimos años, producto de un fuerte encarecimiento de la plaza local para el bolsillo de los argentinos. Las medidas de restricción cambiaria y los impuestos al consumo fuera de fronteras llevaron a una caída del gasto de ese origen en la economía uruguaya de 8,6% durante el último año, por encima del retroceso de 2,6% del año anterior.
Pero no solo eso. El desdoblamiento cambiario llevó a que el mercado turístico argentino se volviera muy atractivo para los uruguayos, que sustituyeron sus tradicionales destinos locales de vacaciones por una escapada al otro lado del Río de la Plata. De ese modo, el gasto de los uruguayos en Argentina creció 49,5% durante 2013, moderando el crecimiento del consumo doméstico.
Un país en recesión
Con dos trimestres consecutivos de caída de su actividad, la economía argentina se encuentra actualmente en recesión. Durante el primer cuarto del año la actividad económica se contrajo 0,8% respecto al trimestre anterior, con un revés de 0,2% en comparación con igual período de 2013.
Sectores clave, como la industria automotriz, explican el retroceso de la economía del vecino país. Como contracara, el consumo de las familias se debilitó con una caída mayor que la actividad en su conjunto, de 1,2%. Así, se contrae el mercado argentino para los productos uruguayos que aún pueden saltar la barrera de las trabas comerciales.
Como referencia, el antecedente inmediato de esta caída de la actividad es el primer semestre de 2012. La respuesta del gobierno de Cristina Fernández fue inmediata: un incremento a los controles cambiarios. Esa medida llevó a encarecer la plaza uruguaya para los argentinos y a darle mayores incentivos a los uruguayos para el turismo de shopping, lo cual representa un mal antecedente para la economía local.
Al borde del default
Pero Argentina no solo es un país en recesión, sino también un país al borde del default y la crisis de deuda. Esta semana será decisiva para que las autoridades encuentren una salida ordenada al jaque de los “holdouts”, los fondos de inversión que lograron el fallo favorable del Tribunal de Nueva York.
Dependiendo de la manera en la cual se resuelva el asunto –que puede ir desde un acuerdo negociado con los fondos de inversión, hasta un impago inmediato, a estas horas menos probable–, serán las consecuencias. Lo que es seguro es que el incidente con los llamados “fondos buitres” –apodo despectivo que impuso el gobierno de Cristina Fernández de Kirchner– pega en la capacidad del país para acceder al crédito en los mercados mundiales, dejando atrás el esfuerzo tardío de la administración kirchnerista por recuperar la confianza de los inversores, en un escenario en el cual el déficit fiscal y las necesidades de inversiones en materia de infraestructura obligan al país a fondearse con lo que tenga a mano.
Una mayor restricción para el acceso al crédito obligaría al país a recurrir a nuevas medidas para captar divisas, ya sea a través de un recrudecimiento de su política comercial proteccionista o con barreras directas sobre el mercado de cambios. Es de esperarse que una nueva depreciación de la moneda –más fuerte en el mercado paralelo que en el oficial– esté dentro del menú de opciones para amortiguar la caída de la actividad.
Si se considera además la tensión diplomática generada por el diferendo asociado al aumento de la producción de UPM, habrá poco margen para que Uruguay pueda negociar excepciones o medidas compensatorias tanto a nivel bilateral como en el marco del Mercosur.
Si bien no es claro qué tan duro será el golpe sobre la economía doméstica, sí es seguro que Argentina seguirá siendo una fuente de preocupación e incertidumbre para la actividad local. (Cronista – 25/06/2014)

Colômbia, Peru e Chile
Por José Luís Fiori
A projeção de crescimento do PIB da Colômbia, Peru e Chile para 2014 já foi revista para baixo várias vezes neste primeiro semestre do ano. Assim como a previsão de queda - cada vez maior - dos investimentos privados e de subida simultânea da taxa de inflação, nos três países. No caso da Colômbia, depois de quatro anos de crescimento médio de 5%, a tendência atual aponta para uma taxa inferior a 4%. A Associação Nacional de Instituições Financeiras (ANIF) da Colômbia considera que o ciclo recente de crescimento do país acabou e foi um caso típico de "voo da galinha", puxado pelas vendas externas que agora estão em queda (só para os EUA caíram 15% em 2013); pela indústria que está em retração (já caiu para 12% do PIB); e pela agricultura que se sente sem condições de concorrer, depois da abertura comercial do país dos últimos anos.
Um panorama econômico que fica ainda mais complicado quando se tem presente que mais de 40% da população colombiana já se encontrava abaixo da linha da pobreza em pleno período de alto crescimento do país, segundo o Escritório do Alto Comissariado da ONU para os Direitos Humanos. Daí o pessimismo dos investidores privados e a sua resistência frente ao grande plano de obras do governo colombiano - no valor de US$ 25 bilhões - desenhado para desbloquear a infraestrutura de transportes e comunicação da Colômbia, que é péssima.
No caso do Peru, as taxas de crescimento do ciclo recente foram ainda mais elevadas (uma média de cerca de 7%) e por isto a perspectiva de queda em 2014 é relativamente maior. O ex-ministro da Fazenda, Pedro Pablo Kuczynski, prevê uma taxa de 4% ou talvez menos, e antecipa uma grande queda no investimento privado durante este ano provocada pelas expectativas pessimistas do empresariado, e pela consequente perda de posições do país junto aos investidores internacionais. Segundo o Instituto Nacional de Estatística e Informática (Inei) do Peru, a produção industrial vem caindo regularmente, e de forma ainda mais acentuada no caso da produção mineira que é a maior atividade econômica do país. As suas exportações também estão caindo, o déficit comercial está aumentando e neste momento existem nada menos que 30 projetos petroleiros interrompidos por falta de recursos e de investidores interessados.
Com a desaceleração da economia e aumento das insatisfações sociais, países têm poucas opções no curto prazo
Por fim, o Chile também teve um crescimento médio de quase 6% nos últimos quatro anos, mas a previsão de crescimento para 2014 já foi reduzida em 1/3, e pode ficar abaixo dos 3%, depois de um primeiro trimestre em que o seu PIB teve seu menor crescimento e a inflação o seu maior aumento nos últimos 4 anos. Neste mesmo trimestre, os investimentos tiveram uma queda de 5%, depois de já terem caído 12,3% no último trimestre de 2013, enquanto a produção industrial registrava contração em 8 dos últimos 12 meses. Por fim, o preço internacional do cobre alcançou o nível mais baixo dos últimos quatro anos, interrompendo o boom de investimento na indústria mineradora da última década.
Essa desaceleração da economia foi uma das grandes responsáveis pelo pessimismo empresarial e pela insatisfação social que derrotou, no Chile, o governo conservador de Sebastian Piñera, e elegeu em 2103 a presidenta socialista Michele Bachelet; que dificultou imensamente a reeleição do presidente colombiano, Juan M. Santos da Colômbia, que só foi lograda com o apoio das forças de esquerda; e que mantém o presidente peruano, Ollanta Humala, prisioneiro de um baixíssimo nível de aprovação popular - de apenas 22% - e quase sem perspectiva de eleger seu próprio sucessor.
Como consequência, se discute cada vez mais - no meio político e acadêmico dos três países - novos caminhos e alternativas capazes de recolocá-los na rota de crescimento dos últimos anos. O presidente reeleito da Colômbia defende a necessidade de uma política industrial e de defesa da produção agrícola nacional; a presidente do Chile já propôs uma ampla reforma fiscal para refortalecer o Estado chileno e vem defendendo, junto com o presidente colombiano, um estreitamento de laços com os países do Mercosul.
O problema é que a maior dificuldade para mudar está nas próprias limitações objetivas destes três países andinos. Em primeiro lugar, eles possuem territórios de difícil ocupação e exploração econômica, e com terras pouco férteis, com exceção do vale central do Chile. Em segundo lugar, os três países possuem economias nacionais muito pequenas, que são praticamente "mono-exportadoras" de commodities, sem escala nem fôlego para construir um sistema industrial próprio, apoiado na dinâmica do seu mercado interno. No caso da Colômbia, os combustíveis minerais são responsáveis por 66% de sua pauta de exportações; no caso do Peru, os minérios e combustíveis minerais constituem 63%; e no caso do Chile, o cobre e alguns outros minérios representam cerca de 60% de suas exportações. Sendo que o Chile ainda tem o agravante de ser uma economia inteiramente vulnerável do ponto de vista energético, dependendo da importação de energia elétrica e de combustíveis para atender a todas as suas necessidades nacionais.
Em síntese, frente à desaceleração do seu crescimento e ao aumento das insatisfações sociais, a Colômbia, o Peru e o Chile dispõem de muito poucas alternativas econômicas no curto prazo. Se transformaram em economias que só conseguem operar com eficiência, e durante períodos limitados de tempo, como "fusíveis" de algum "aparelho econômico" que seja mais amplo e complexo, mas que escapa inteiramente ao seu controle.
José Luís Fiori, professor titular de economia política internacional da UFRJ, é autor do livro "O Poder Global", da Editora Boitempo, e coordenador do grupo de pesquisa do CNPQ/UFRJ "O Poder Global e a Geopolítica do Capitalismo". (Valor Online – 25/06/2014)

Electrolux confirma investimento de R$ 250 milhões no Paraná
SÃO PAULO - O governo do Paraná informou nesta terça-feira que a Electrolux, fabricante de eletrodomésticos, confirmou investimento de R$ 250 milhões para a construção de uma nova fábrica de refrigeradores no município da Lapa, na região metropolitana de Curitiba.
A informação foi dada ao governador do Paraná, Beto Richa, pelo vice-presidente de operações da Electrolux, Ramez Chamma, em evento realizado no Palácio Iguaçu, em Curitiba.
O empreendimento é apoiado pelo governo estadual, por meio do Paraná Competitivo, programa de estímulo à industrialização do Estado. A fábrica deverá criar 800 empregos diretos e mais de 2 mil indiretos, informou Chamma. “Já temos em Curitiba a maior fábrica do mundo do Grupo Electrolux e agora, com a nova unidade, o Paraná vai se consolidar como o polo de refrigeração do Brasil e um dos maiores do mundo”, disse o executivo. A Electrolux, com sede na Suécia, tem cinco fábricas no Brasil e mais de 13.600 funcionários diretos e indiretos, disse Chamma.
O Valor havia informado o plano de investimento da Electrolux no Paraná, no valor de R$ 250 milhões, em setembro de 2013, quando um protocolo de intenções foi assinado pela empresa com o governo estadual, que se comprometeu a dar incentivos fiscais, como redução do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS). (Valor Online – 24/06/2014)

Mercados asiáticos avançam com sinais de esperança para crescimento global
Por Wayne Cole
SYDNEY - As ações asiáticas subiram nesta terça-feira conforme dados melhores sobre a indústria na China, no Japão e nos Estados Unidos forneceram bons indícios para o crescimento global, apesar de um resultado decepcionante da zona do euro.
Depois de um começo lento, a maioria dos mercados da região avançou com dificuldades pela sessão. Às 7h18 (horário de Brasília), o índice MSCI que reúne ações da região Ásia-Pacífico com exceção do Japão subia 0,27 por cento.
O índice japonês Nikkei recuperou perdas do começo da sessão e ganhou 0,05 por cento, enquanto Xangai teve alta de 0,5 por cento. A bolsa sul-coreana teve um desempenho acima da média, subindo 1 por cento, puxada pela Samsung Electronics e Hyundai.
"Pesos-pesado do mercado seguem de perto a recuperação econômica global, e as pesquisas sobre atividade industrial nos EUA e China forneceram sinais positivos", disse Bae Sung-young, analista de mercado da Hyundai Securities.
O desempenho das pesquisas sobre atividade industrial, os Índices de Gerentes de Compras (PMI, na sigla em inglês), tendem a ser indicadores antecedentes confiáveis e oportunos sobre as tendências de produção, sendo observados atentamente por economistas.
Portanto, houve um alívio de que as leituras para os EUA, para a China e o Japão tenham registrado fortes altas no mês. O PMI para os EUA foi uma surpresa particularmente agradável, uma vez que subiu para um pico de quatro anos de 57,5.
Isso ajudou a compensar uma inesperada desaceleração no PMI do Markit para a zona do euro para 52,8 em junho, ante 53,5 em maio. (Reuters – 24/06/2014)

Com queda de 0,8%, PIB encolhe pelo segundo trimestre seguido
MERCADO
DE BUENOS AIRES
Além da crise da dívida, a economia argentina dá sinais de fraqueza e voltou a encolher no primeiro trimestre.
A queda do PIB, de 0,8% ante os últimos três meses do ano passado, foi a segunda consecutiva e a maior desde o segundo trimestre de 2012.
Alguns economistas consideram que um país entra oficialmente em recessão quando sua economia tem dois trimestres seguidos de retração.
A última vez que a economia argentina teve dois trimestres negativos consecutivos foi no início de 2002, quando enfrentava os efeitos do calote do ano anterior.
Nesse ritmo, a Argentina parece cada vez mais perto de perder para a Colômbia o posto de segunda maior economia da América do Sul, atrás do Brasil --o FMI projeta que isso vai ocorrer em 2015.
O PIB da Colômbia cresceu 2,3% de janeiro a março em relação ao quarto trimestre do ano passado, a maior alta em 14 anos.
OS VILÕES
Na comparação com o primeiro trimestre de 2014, o PIB argentino encolheu 0,2%.
As exportações de bens e serviços foram os maiores responsáveis pela caídado PIB. Elas foram 6,4% menor do que em relação ao primeiro trimestre de 2013.
A demanda também caiu pelo consumo interno, que perdeu 1,2% ante igual período de 2013. O gasto governamental, no entanto, subiu: 3,4%. (FG) (Folha de SP – 24/06/2014)

Indústria chinesa tem 1ª expansão em 6 meses
MERCADO
DA REUTERS
Na zona do euro, setor desacelerou em junho
A atividade do setor industrial da China cresceu em junho pela primeira vez em seis meses com o aumento de novas encomendas.
O Índice de Gerentes de Compras (PMI, na sigla em inglês) preliminar do HSBC, divulgado nesta segunda-feira (23), subiu para 50,8 em junho ante 49,4 em maio, e superou as expectativas.
Foi a primeira vez desde dezembro que o PMI ficou em território de crescimento.O indicador é o mais alto desde novembro, quando também ficou em 50,8.
Leituras acima de 50 indicam expansão.
O dado reforçou as expectativas do mercado de que a segunda maior economia do mundo está superando a sua desaceleração, mesmo que a recuperação seja lenta.
Já na zona do euro, a atividade do setor industrial desacelerou em junho, mesmo com os cortes de gastos feitos pelas empresas para dar fôlego aos negócios.
O índice PMI preliminar de indústria na região caiu para 51,9 em junho em relação aos 52,2 de maio –abaixo da previsão de analistas.
Alemanha e França tiveram novamente comportamentos distintos. As empresas alemãs tiveram expansão robusta, apesar denumritmo menor do que no mêspassado, enquanto o setor privado francês encolheu no ritmo mais forte em quatro meses. (Folha de SP – 24/06/2014)

Indústria reage na China e freia na EU
Por Agências internacionais
Indicadores mostraram que a atividade da indústria voltou a crescer na China, mas continua desacelerando na zona do euro.
A prévia de junho do índice dos gerentes de compras (PMI, na sigla em inglês) industrial da China, medido pelo banco HSBC e pela Markit Economics, avançou para 50,8, bem acima dos 49,4 de maio e acima da expectativa dos economistas. Foi o melhor resultado em sete meses. Qualquer leitura acima de 50 indica crescimento do setor; abaixo disso indica contração.
Já na zona do euro, atividade industrial e de serviços na zona do euro se enfraqueceu em junho, em meio a uma maior desaceleração na economia da França, o que ressalta a fragilidade da recuperação na região de 18 países. O PMI para ambos os setores caiu de 53,5 para 52,8 em junho, disse a Markit, indicando uma freada na recuperação. (Valor Online – 24/06/2014)

Exportações brasileiras para Portugal ultrapassam importações pela primeira vez este ano
Jorge Horta
O Brasil voltou em maio a ter um superávit no seu comércio com Portugal, situação que já não acontecia desde setembro do ano passado. No conjunto dos primeiros cinco meses de 2014 as trocas entre os dois países apresentam um crescimento de 25%.
Brasília - Após oito meses consecutivos com a balança comercial luso-brasileira a pender favoravelmente para Portugal, o Brasil conseguiu em maio voltar a registrar um superávit na sua relação com Portugal. As exportações brasileiras atingiram em maio a marca de US$ 118,2 milhões, contra US$ 92,1 milhões de exportações portuguesas, segundo dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC).
O valor das vendas brasileiras para Portugal em maio foi o mais alto do ano, apresentando um crescimento de 37% na comparação com abril último e um aumento de 151% relativamente a maio de 2013. No acumulado de 2014, o Brasil exportou para Portugal US$ 311 milhões, mais 20% do que em igual período do ano passado.
No sentido inverso, as importações de produtos portugueses feitas pelo Brasil registraram um decréscimo de 27% entre abril e maio. Ainda assim, os US$ 92,1 milhões que Portugal exportou para o Brasil em maio correspondem a um crescimento de 5% face ao mesmo mês do ano passado. No conjunto dos primeiros cinco meses do ano, as exportações portuguesas para o Brasil somam US$ 506 milhões, valor que traduz um crescimento de 28% sobre 2013.
Em 2013 e em 2014 a relação comercial luso-brasileira tem apresentado uma tendência de vantagem de Portugal na balança, com as exportações lusas a crescer mais do que as brasileiras. O ano passado trouxe o primeiro déficit dos últimos 15 anos para o lado brasileiro, no valor de US$ 233 milhões. Nos anos anteriores o Brasil várias vezes chegou a ter um superávit comercial com Portugal superior a US$ 1 bilhão.
A corrente de comércio entre os dois países também voltou a abrandar em 2013, cifrando-se num volume global de trocas de US$ 1,94 bilhões, abaixo dos US$ 2,6 bilhões de 2012 e dos US$ 2,9 bilhões de 2011, que foi o melhor ano de sempre do comércio luso-brasileiro.
Em 2014, porém, o comércio bilateral apresenta uma recuperação. Até maio a corrente de comércio ascendeu a US$ 817 milhões, mais 25% do que no período homólogo de 2013.
Do lado brasileiro, este crescimento tem sido alimentado por produtos como o petróleo e a soja, que representam, até maio, cerca de 28% e 21%, respectivamente, das exportações para Portugal.
Já nas exportações portuguesas para o Brasil, o gás natural liquefeito passou a dominar a pauta, com um peso de 16%, ultrapassando o tradicional azeite, com cerca de 15%. Fornos industriais, componentes para aviões, bacalhau, sulfetos de minério de cobre e pêras são outros produtos com peso relevante nas vendas portuguesas para o mercado brasileiro até maio. (Portugal Digital – 23/06/2014)

Alstom deve ser bom investimento para França, diz CEO
PARIS - A França estará fazendo um investimento sólido ao tomar uma fatia na Alstom, disse o presidente-executivo da companhia nesta segunda-feira, acrescentando, porém, que o governo vai fazer a compra tarde demais para ter voz acerca do uso dos recursos obtidos no acordo com a General Electric.
A França ganhou uma opção para adquirir 20 por cento da Alstom do conglomerado Bouygues no domingo, em um acordo de última hora que abriu o caminho para a venda da maior parte do negócio de energia da Alstom à GE.
O acordo encerrou uma batalha de dois meses pelo futuro da Alstom, uma valiosa companhia industrial que enfrenta dificuldades com a demanda vagarosa por equipamentos de energia em mercados energéticos pós-recessão e que o governo francês disse que não permitiria que fosse "devorada" por uma empresa estrangeira.
"Acredito que eles (o governo) farão um bom investimento na Alstom. Esta é uma companhia que tem um forte potencial de criação de valor e estou esperando que todos os acionistas se beneficiem desta criação de valor", disse Patrick Kron, presidente-executivo da Alstom, em uma teleconferência com analistas nesta segunda-feira.
No entanto, dado que o governo francês não fará parte do capital da Alstom nem estará em seu Conselho antes do encerramento do acordo em cerca de um ano, ele não terá voz sobre o uso dos recursos obtidos com a transação, acrescentou.
A Alstom vai levantar 12,35 bilhões de euros (16,9 bilhões de dólares) com a venda de seus ativos de energia à GE, mas terá que reinvestir cerca de 2,5 bilhões de euros em três joint ventures a pedido do governo -- nos negócios de redes de eletricidade, energia renovável e energia nuclear. (Por Natalie Huet e Benjamin Mallet) (Reuters – 23/06/2014)

Argentina vai tentar estender prazos para cobrir dívida com fundos dos EUA
REUTERS
O governo da Argentina vai procurar fazer um pagamento em dinheiro para demonstrar sua boa vontade e ampliar o prazo para pagar a dívida restante com os fundos de hedge, que ganharam uma longa batalha legal nos Estados Unidos, publicou neste domingo um jornal local com base em fontes oficiais não identificadas.
Para cumprir a sentença de pagar 1,330 bilhão de dólares inadimplentes há cerca de 12 anos, a proposta para avançar as negociações seria adiantar entre 300 milhões e 400 milhões de dólares em dinheiro, e depois de aprovado isso, o restante seria coberto com emissões escalonadas de títulos, disse o jornal La Nación.
A publicação acrescentou que "o valor inicial seria equivalente ao pago com quitação 65 por cento aos portadores de títulos reestruturados que entraram na troca de 2005 e 2010", segundo informou uma autoridade do governo da presidente Cristina Fernández.
Nenhuma pessoa do governo estava imediatamente disponível para comentar o assunto.
A Argentina precisa encontrar uma solução rápida para o calote da dívida depois que a Suprema Corte dos Estados Unidos disse na segunda-feira que rejeitou um recurso do país sobre uma decisão anterior, o que na prática exige que pague os detentores de bônus não participaram de reestruturações anteriores.
Até agora, o país sul-americano tem resistido em cumprir por alegar que salvaguarda os interesses dos 92,4 por cento dos credores que aceitaram milhões em reduções de capital em um calote total de cerca de 100 bilhões em 2001 e 2002. (Por Jorge Otaola) (O Estado de SP – 22/06/2014)

Acordo dá fatia da Alston ao Estado francês e abre vantagem para GE
O presidente da General Electric, Jeffrey Immelt, após encontro com o presidente da França, Francois Hollande, no dia 20 de junho.
SÃO PAULO - A General Electric superou o último obstáculo para aprovar sua proposta de US$ 17 bilhões pela compra de ativos de energia da francesa Alstom. O conglomerado francês Bouygues, que detém 29,3% da Alstom, concordou em vender até 20% da sua participação para o Estado francês, permitindo com isso que a empresa americana formalize a maior aquisição de sua história.
"A Bouygues reconhece a força estratégica e industrial dos planos anunciados por Alstom e GE", disse o grupo francês em um comunicado. A venda da participação para a França obedece a uma condição estabelecida pelo governo para apoiar o negócio. A Alstom já tinha aprovado a oferta feita pela empresa americana.
O presidente da GE, Jeffrey Immelt, sobrepujou uma contraproposta feita pela alemã Siemens e a oposição francesa inicial - que o levou a fazer uma nova oferta, melhorada. A GE vai comprar as operações de turbinas a gás da Alstom e criar joint ventures nos ramos de turbinas a vapor, energias renováveis e transmissão de energia, enquanto a empresa francesa ficará com a unidade de sinalização ferroviária da GE por 602 milhões de euros (US$ 825 milhões).
Sediada no subúrbio parisiense de Levallois-Perret, a Alstom construiu a rede de energia da França e fabrica os trens de alta velocidade TGV, bem como os geradores que produzem a maior parte da eletricidade do país. Essa história ajudou a fazer da empresa um ícone industrial francês, e estimulou o governo a tentar ficar com uma participação acionária.
A Alstom disse ontem que a operação vai ajudar a reforçar suas operações nos ramos ferroviário, metroviário e de sinalização; a pagar sua dívida; a devolver dinheiro aos acionistas; e a investir cerca de 2,5 bilhões de euros nas joint ventures a serem criadas com a GE nos ramos de turbinas a vapor, energia renovável e transmissão.
(Bloomberg) (Valor Online – 22/06/2014)

Brasil está atento a risco de calote argentino
Por Bruno Peres
BRASÍLIA - O ministro do Desenvolvimento, Mauro Borges, afirmou há pouco ao Valor que o governo brasileiro está observando “atentamente” os desdobramentos do risco de um calote na Argentina após a decisão da Corte Suprema dos Estados Unidos de manter o entendimento de instância inferior da justiça americana sobre o pagamento do país aos credores chamados “holdouts”.
Segundo ele, a incerteza não afeta o acordo automotivo firmado recentemente entre os dois países e não houve qualquer comunicado oficial sobre um eventual pedido de socorro financeiro ao governo brasileiro.
“Acredito que o governo argentino vai conseguir equacionar junto à Suprema Corte uma solução, possivelmente de recurso. Alguma solução vai ter que ser dada, não acredito que isso aí vai repercutir nas reservas cambiais do país. Acredito que vai ter uma solução internacional que equacione o problema”, disse o ministro ao chegar para uma entrevista coletiva no Palácio do Planalto. “Estamos observando atentamente os desdobramentos, mas acredito que vai ter uma solução negociada dessa questão”, completou.
Reportagem publicada pelo Valor nesta sexta-feira mostra que o país vizinho faz mistério sobre uma possível negociação com os credores "holdout", que ficaram de fora da reestruturação da dívida do país e que ganharam na justiça americana o direito de receber o valor integral. Se não se acertar com eles, o país pode dar um novo calote, o que teria consequências graves para sua economia, com impacto no Brasil.
Na quarta-feira, advogados da Argentina disseram em Nova York que o país estaria disposto a enviar uma missão à cidade para negociar com esses credores, a quem a presidente Cristina Kirchner chama de "fundos abutres". Ontem, porém, o ministro-chefe de Gabinete, Jorge Capitanich, afirmou que não há previsão de nenhuma missão negociadora. A Justiça americana decidiu que a Argentina não pode continuar pagando os credores que aceitaram a renegociação da dívida sem pagar os "holdouts". (Valor Online – 20/06/2014)

Com desaceleração da demanda chinesa, preços de exportação caem 5,1% no ano
Por Tainara Machado | De São Paulo
Daiane Santos, da Funcex: "Preços de commodities devem seguir em declínio".
A desaceleração da demanda chinesa e o ritmo ainda morno de crescimento das principais economias globais reduziram neste ano os preços internacionais de commodities relevantes para o Brasil, como soja e minério de ferro. Entre janeiro e maio, na comparação com igual período de 2013, o índice de preço das exportações brasileiras recuou 5,1%, queda mais intensa do que a retração de 2,3% nos preços médios de importação. Assim, os termos de troca do comércio exterior brasileiro, que já vinham em tendência de deterioração, chegaram ao menor nível desde 2010 e explicam, em parte, a piora do saldo comercial do país nos últimos anos.
Após acumular queda de 7,8% entre 2011 e 2013, a relação entre preços de exportação e de importação continuou a cair neste ano, quando os termos de troca ficaram 2,9% menores no acumulado até maio, na comparação com iguais meses de 2013. Os dados são da Fundação Centro de Estudos do Comércio Exterior (Funcex).
Daiane Santos, economista da Funcex, afirma que a retração dos preços de exportação, que em maio estavam 14,1% menores do que no pico, em agosto de 2011, está ligada principalmente à queda de cotações internacionais de produtos básicos relevantes para a pauta de comércio exterior do Brasil. Entre as principais quedas, afirma, estiveram óleo bruto de petróleo, soja, minério de ferro, açúcar de cana e carne de frango.
"Diante da conjuntura mundial, essa queda não chega a surpreender muito", diz Daiane, já que a recuperação da demanda global está demorando mais do que se projetava e a economia chinesa dá sinais de desaceleração. Por isso, avalia, é difícil projetar reversão desse cenário, mesmo com o aumento de 1,1% dos preços de exportação entre abril e maio. "Não é uma tendência, os preços de commodities devem seguir em declínio", afirma.
Rodrigo Branco, pesquisador do Centro de Estudos de Estratégias de Desenvolvimento da Uerj (Cedes /Uerj), também avalia que o cenário externo ainda complicado torna a recuperação dos preços de commodities difícil. "O cenário de retomada da economia global não se concretizou na velocidade esperada e a China dá sinais mistos". O economista lembra, por exemplo, que há excesso de capacidade de produção de aço no país, responsável por cerca de 60% da demanda mundial por minério de ferro, o que explica a recente retração dos preços. No início desta semana, a commodity chegou a ser cotado abaixo de US$ 90 no mercado à vista chinês.
Em relatório, o departamento de macroeconomia do Bradesco também avalia que a tendência é de queda para os preços de outro produto relevante para a pauta exportadora do Brasil, a soja, devido à expectativa de safras recordes em produtores importantes.
Embora os termos de troca tenham piorado nos cinco primeiros meses deste ano, o país registrou, neste período, déficit de US$ 4,9 bilhões, resultado um pouco melhor do que em iguais meses do ano passado, quando o saldo era negativo em US$ 5,4 bilhões. Apesar da queda de preços, os volumes desembarcados de algumas commodities, como minério de ferro, soja e petróleo, aumentaram em 2014. Assim, a razão de quantum (relação entre o volume de bens exportados e de produtos importados) subiu 3,9% neste período.
Para Fernando Ribeiro, pesquisador do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), dificilmente o quadro de piora dos termos de troca vai se reverter neste ano e o saldo comercial deve ser menor do que em 2013, quando o superávit foi de apenas US$ 2,6 bilhões. Em sua avaliação, porém, há sinais de estabilização dos preços de exportação, com o aumento recente da cotação do petróleo, o que já seria uma boa notícia, ainda que insuficiente para reverter a piora de termos de troca observada nos primeiros meses deste ano. "Ainda é cedo para afirmar que o pior momento de preços de exportação ficou para trás."
Já Daiane, da Funcex projeta déficit em torno de US$ 3 bilhões para a balança comercial e avalia que se esse resultado for melhor, será influenciado por redução das importações, em função da fraqueza da atividade doméstica.
Ribeiro comenta que, embora seja difícil avaliar precisamente o impacto sobre a atividade econômica, a deterioração dos termos de troca ajuda a explicar o fraco desempenho da atividade nos últimos anos. Quando os preços de bens exportados superam o de importados, há um efeito "riqueza" para o exportador que acaba impulsionando a economia. Sem essa "ajuda", fica mais difícil crescer. (Valor Online – 20/06/2014)

OMC


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O xerife do comércio mundial
Por Assis Moreira | De Genebra
Quando combinei o almoço com o diretor-geral da Organização Mundial do Comércio (OMC), Roberto Azevêdo, ele sugeriu nos encontrarmos no restaurante às 13h10. Meia hora antes, quando me preparava para sair de casa, o celular tocou. Ele avisava que já terminara uma reunião e podia chegar mais cedo.
Acelerei o passo em direção do Tse Yang, o melhor restaurante chinês de Genebra, no Hotel Kempinski, à beira do lago de Genebra, mas fui antecedido em um minuto pelo diretor da OMC. Evitamos a varanda, área nobre nessa época de verão europeu, por causa do barulho dos carros, e escolhemos uma mesa discreta no canto interno.
"Adoro comida chinesa", tinha dito Azevêdo quando propus alguns restaurantes, incluindo o Tse Yang. E percebi que ele é um cliente da casa. Nem abriu direito o menu. "Eu sempre peço o mesmo prato, um picadinho com pimenta, venho muito aqui."
Roberto Azevêdo é hoje o brasileiro com o mais importante cargo na cena internacional, dirigindo uma entidade-chave na governança global. Engenheiro de formação, diplomata reputado e embaixador aos 50 anos, sua vitória para dirigir a OMC foi resultado de uma candidatura que não começou no Brasil e Brasília hesitou em assumir. Foi somente no último dia para propor candidaturas na OMC, em 28 de dezembro de 2012, que a presidente Dilma Rousseff autorizou o Itamaraty a apresentar o nome de Azevêdo na lista que já tinha oito postulantes de todas as regiões do mundo. Foi decisiva uma reunião entre os ministros da Fazenda, Guido Mantega, do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Fernando Pimentel, e do assessor internacional do Planalto, Marco Aurélio Garcia, para convencer a presidente. Isso tudo quando em Genebra vários embaixadores indagavam por que o Brasil demorava tanto, já que as chances de vitória eram reais.
O Itamaraty entrou, então, na campanha com todo peso. Azevêdo foi eleito até mesmo com a sustentação indireta dos que não votaram nele, como os Estados Unidos e a União Europeia. Os dois pesos pesados no comércio deram o voto ao mexicano, mas deixaram claro que podiam trabalhar com o brasileiro, uma posição considerável no sistema de escolha da OMC. O resultado da eleição "foi claro e sem ambiguidade" e Azevêdo esteve sempre à frente das preferências nas três rodadas de seleção, conforme afirmou na ocasião o presidente da comissão de escolha, o paquistanês Shahid Bashir.
Observo que a eleição está completando um ano e indago se na época o grupo dos Brics - Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul - tinha preparado alguma reação em caso de derrota dele, para contestar o resultado.
"Ah, não sei", responde. "A escolha tinha muita visibilidade, o processo não é exatamente transparente, porque não é uma eleição, é um processo seletivo. É um grupo de três membros que consulta os países e decide quem acham que vai ser aceito por consenso. Aí é muito difícil um processo que não tenha suspeita. Mas no meu caso isso não ocorreu. Foi impressionante a rapidez com que o resultado foi aceito, sem nenhum tipo de contestação", diz, enquanto tira o terno.
É dia de jogo da seleção brasileira na Copa do Mundo, e ele usa uma gravata com as cores da bandeira brasileira e a bandeira impressa no canto inferior. "Foi o Nuzman [Carlos Nuzman, presidente do Comitê Olímpico] quem me deu", conta.
Fã incondicional do Fluminense e participante de uma pelada que ocorria todo domingo, quando era embaixador do Brasil na OMC, Azevêdo conta que operou o joelho, em São Paulo, logo depois da eleição. Por causa da carga de trabalho não conseguiu fazer a fisioterapia por muito tempo. "O joelho ainda está me chateando."
Pergunto como ele reage aos comentários, nos jornais, que o Brasil preparou mal a Copa do Mundo e as acusações ao governo de indolência e incapacidade de planejamento. "Boa parte dessa visão negativa vem dos países centrais, que têm infraestrutura desenvolvida e tolerância menor à desorganização e à improvisação, que é característica natural do país e está ainda se desenvolvendo, como é o caso do Brasil. Vamos continuar tendo problemas de transportes, infraestrutura, que não vão ser resolvidos da noite para o dia. O Brasil é um país continental. Boa parte das críticas é injusta, mas não inesperada; é só olhar para o histórico de copas."
O garçom, que visivelmente conhece o diretor da OMC, propõe as entradas. Ele escolhe a sopa "suprême pékinois", eu vou pelo "potage aux petits raviolis". Para beber, escolhemos refrigerantes light, o dele só com gelo, o meu com limão.
A dinâmica de Azevêdo, e da própria OMC, mudou desde que assumiu, em setembro. Imediatamente após ter tomado posse, ele fez o batismo de fogo no encontro dos líderes do G-20, grupo que reúne as maiores economias desenvolvidas e emergentes, realizado em São Petersburgo (Rússia).
"Foi muito importante, porque ali dei um sinal de alerta para os líderes sobre a importância de chegar a um acordo. Algumas pessoas depois me perguntaram o que falei lá dentro. Respondi que falei que eles tinham que se mexer. Meu interlocutor disse que eles ficaram impressionados, porque a mensagem foi aparentemente muito dura. Acho que isso ajudou um pouco a movimentação política para fazer um acordo em Bali", comenta.
Em dezembro, Azevêdo costurou o primeiro acordo realizado nos quase 20 anos da OMC, resultado além da expectativa de boa parte dos países e apesar de obstáculos causados pela Índia, de um lado, e pelos bolivarianos, de outro - Cuba, Venezuela, Bolívia, Equador, Nicarágua. O pacote de Bali, de facilitação de comércio (reduzir barreiras nas alfândegas) era visto como crucial para manter a relevância da entidade e contrabalançar a crescente importância de pactos regionais e bilaterais de liberalização. Os EUA foram os primeiros a considerar que o acordo tem valor econômico de algumas centenas de bilhões de dólares.
Na plenária de encerramento em Bali, houve choro de parte do secretariado da OMC, incluindo do próprio Azevêdo. "Até minha família se surpreendeu, porque não sou uma pessoa que demonstra muito as emoções", revela. Toda vez que seu nome era mencionado nos discursos, vinha uma torrente de aplausos.
A essa altura, faço uma pausa nas questões para Azevêdo poder experimentar sua entrada. Recordamos rapidamente nossas preferências por restaurantes chineses em Brasília na época de estudantes da UnB. Ele conta que costumava ir a um chinês na Asa Sul, onde comia um prato à base de soja com carne moída, um tipo de feijoada chinesa, que não é servida com frequência. Eu relato que preferia ir ao Careca, um pequeno restaurante chinês na quadra 202 ou 203 Norte. "A 202 Norte é onde moram minha mãe e minha babá, que chegou lá em casa quando eu tinha 1 ano e é como uma segunda mãe."
Desde janeiro, Azevêdo viaja muito, sempre acompanhado de um ou dois auxiliares. Conta que acabou de chegar de viagem a China, Japão e Coreia do Sul. Também esteve na Casa Branca conversando com o presidente Barack Obama. Encontrou-se com o presidente francês François Hollande, os chefes de governo da Alemanha, Angela Merkel; do Japão, Shinzo Abe; do Reino Unido, David Cameron... A lista é grande. Curiosamente, em sua visita a Buenos Aires um imprevisto de última hora da presidente Cristina Kirchner atrapalhou o encontro de ambos.
A prioridade em Genebra é clara. Uma é implementar o que foi acertado em Bali, como o acordo de facilitação de comércio. A outra é finalizar até dezembro um programa de trabalho para concluir a Rodada de Doha. Só que todo mundo continua na "tomada de temperatura" sobre o apetite político para liberalização. Azevêdo avisa que há coisas óbvias que não dá para fazer, como concluir um acordo comercial global com o que se tinha negociado em 2008, quando a rodada foi praticamente bloqueada por causa de desentendimentos entre EUA, Índia e outros. Ele deixa a colher suspensa na mão, enquanto explica que é preciso tentar ser inovador com o mandato atual de negociação. Mas admite que durante vários meses foi difícil conseguir uma reação das capitais, porque todos ainda estavam muito apegados aos livros de instruções de 2008. "Falamos em abrir um novo capítulo na negociação, mas as pessoas não têm muita clareza sobre como ir adiante."
A essa altura, o garçom serve o prato principal. O picadinho apimentado para Azevêdo, pato com molho apimentado para mim. Ele separa os pedaços de pimenta vermelha e as coloca num canto do prato, algo atípico para um baiano que diz adorar pimenta. E não toca no arroz cantonês.
Pergunto quais são os líderes mais entusiasmados atualmente para avançar em liberalização comercial, quando a economia mundial ainda patina. O diretor da OMC não hesita. "Na Ásia e na Europa há, sem a menor sombra de dúvida, um apetite grande, um novo ânimo. Eles todos ficaram surpresos com Bali. Bali foi algo que ninguém esperava. E acho que há a esperança de que isso seja realmente a abertura de uma nova época de acordos bem-sucedidos. Eles me cumprimentam pela facilitação de acordos e ao mesmo tempo pedem que continue mantendo atitude de impulso, que não deixe a coisa parar."
O diretor-geral tem de estar atento permanentemente a eventos que mudam um pouco a cara política do mundo e vão aparecer na dinâmica da entidade.
Mas como explicar que são justamente asiáticos e europeus os que estão fazendo os mega-acordos regionais de comércio, o que poderia enfraquecer a OMC? "Olha, as pessoas parecem não acreditar quando falo isso, mas esses mega-acordos têm alcance limitado e os países reconhecem isso. Nunca vão substituir a abrangência de acordos multilaterais. Os europeus dizem algo curioso, de que o multilateralismo está no DNA deles, de decidir de forma colegiada. Os asiáticos tambem veem o multilateral como bem da comunidade internacional, que deve ser preservado e é a melhor maneira de conduzir negociações, não só comerciais."
O picadinho chinês é esquecido por momentos e ele vai adiante, animado pelo tema: "O próprio multilateralismo está em xeque. Há indícios de que não é fácil operar no multilateral. Dependendo do tema e do foro, as razões para isso mudam. Mas um traço comum é que temos uma geografia econômica e política muito mais diversa e multipolar do que no século passado. A configuração decisória da comunidade internacional mudou completamente. Antigamente, o G-7 [grupo dos países desenvolvidos] definia agenda, como ela ia avançar. Depois os países periféricos, que eram na verdade o resto do mundo, atuavam na margem do acordo, ajustando o que tinha sido decidido pelo núcleo central. Hoje, a própria definição do centro das negociações demanda uma quantidade de atores muito maior e mais heterogênea. E há uma mudança de cultura. Os países centrais, que estavam acostumados a tomar decisões com poucos à mesa, veem que hoje esse sistema já não funciona. O esforço para avançar multilateralmente é mais duro, mas é também mais legítimo".
Azevêdo oferece seu prato para o repórter experimentar, mas recusa a reciprocidade. "Evito sempre provar o prato dos outros porque posso gostar e terminar ficando com raiva do meu", diz, rindo.
Indago como ele, brasileiro sentado na cadeira de diretor da OMC e posto privilegiado para sentir o pulso do mundo, vê o Brasil no momento. "O Brasil é uma economia em transição. Está passando por um momento de definir onde é competitivo. Os custos de manutenção de competitividade, de forma não natural, artificial, são caros. Não só como dispêndio do Estado, mas também para o consumidor, para a economia que usa produtos às vezes menos eficientes e mais caros. Estamos passando a transição de modelo relativamente fechado para um mercado mais aberto, que leva a uma eficiência maior no médio e longo prazos, com maior integração nas cadeias de valor."
Na sequência, Azevêdo observa que essa é uma transição difícil do ponto de vista social e político. "Social, porque quando vai se expondo mais a competição externa, e está acontecendo no Brasil, começa a ter desemprego setorial, localizado. E vai haver desestruturação produtiva naquele setor - desemprego, empresas vão fechar ou mudar o tipo de produção e atividade. E há a dificuldade política também, porque o tempo para auferir os ganhos econômicos da reestruturação é mais longo do que o tempo político eleitoral. Se você faz abertura de mercado, que passa por essa transformação setorial forte ao longo de 10 ou 15 anos, significa que a economia vai realocar esses recursos de maneira mais eficiente. Mas muitas vezes do ponto de vista político isso não é viável, porque vai ter eleição. Não se pode esperar dez anos para consequência daquilo. Mas isso não é fenômeno específico do Brasil. Como diretor-geral da OMC, eu vejo isso no mundo inteiro", afirma.
Pergunto se o Brasil estaria atrasado na integração dessas cadeias de valor. "Elas são uma realidade inescapável", responde. "Não senti no Brasil e em nenhum lugar por onde passei uma opção por modelo fechado. O que sinto, sim, é tentativa de subir na cadeia de valor e não ser produtor apenas de produtos primários. Vejo setores muito competitivos no Brasil, como indústria alimentícia e o aeronáutico. Outros estão se adaptando, e outros talvez não tenham nem condições de se adaptar."
Até que ponto a transição vai exigir presença maior do Estado na economia? Noto que alguns governos, para integrar melhor suas economias às cadeias de valor, estão pisando no acelerador de políticas industriais. Ele retruca que "até setores conservadores reconhecem hoje que a força do mercado por si só não é necessariamente a única mola propulsora de uma economia equilibrada". Menciona análise recente de Mark Carney, presidente do Banco da Inglaterra. "Ele mesmo reconhece que o Estado tem um papel na orientação da economia para otimizar o processo de transição de uma maneira que seja socialmente sólida."
Pergunto se tudo isso não é aumento de subsídios na área industrial, que nunca desapareceram. Numa resposta inesperada para um xerife do comércio mundial, Azevêdo diz: "Subsídio que tenha função positiva e temporária na reestruturação produtiva até pode ser justificado. O que não pode ser é permanente. Tem que haver clara estratégia transitória. Um setor que queira ser plenamente integrado nas cadeias de produção precisa ser capaz de caminhar com as próprias pernas. Se ficar dependendo de apoio ou proteção artificial, de longa duração, não vai se sustentar".
O garçom vai e vem, sempre atento, querendo saber se estamos satisfeitos. Preciso anotar algo, mas não encontro minha caneta. Azevêdo puxa a sua e oferece. "Não esquece de mencionar que eu tive de emprestar minha caneta para você", diz, rindo.
Azevêdo, no Tse Yang, sobre as críticas à atual Copa do Mundo: "O Brasil é um país continental. Boa parte das críticas é injusta, mas não inesperada".
No cenário atual, uma questão entre analistas é sobre a importância de negociar disciplinas multilaterais para as cadeias de valor, levando em conta que 60% do comércio mundial de mercadorias é de componentes. Azevêdo retruca que o acordo de facilitação de comércio já é uma consequência direta disso. Nota que a divisão de trabalho se intensificou muito com o acesso às inovações tecnológicas e hoje em dia ninguém mais faz estoque de mercadorias.
Ele conta conversa recente com o embaixador do México, que contou que no modelo do carro Escort, produzido em seu país, havia componentes de 42 países. "Agora digamos que você tem acordo comercial com 7 países; o que acontece com os outros 35, como vai viabilizar regras eficientes, dentro dos cronogramas e custos menores? Um acordo regional pode resolver mais para o produto final, para reconhecimento de padrão ou evitar duplicação de testes para segurança de produtos entre dois países, pode evitar barreiras específicas, mas nunca vai dar a horizontalidade de um acordo global na OMC", diz.
Ou seja, à medida que as cadeias produtivas se diversificam geograficamente, automaticamente se materializa a necessidade de disciplinar a relação entre os países de forma multilateral. "Até para exportar você precisa importar de forma eficiente. Se você tem aduana ineficiente, torna-se um mau exportador, porque não consegue a garantia de fornecimento dentro dos prazos. Descumprir contrato de fornecimento é hoje pecado capital para quem quer se firmar como exportador."
Menciono o fenômeno agora da relocalização, em contraposição à deslocalização de empresas para mercados mais baratos. Vários governos ricos dão ajuda para as companhias permanecerem nos países. Azevêdo concorda que isso está ficando comum em razão de dois fenômenos: "Primeiro, o desemprego alto mesmo com essa recuperação econômica atual. A questão do emprego é cada vez mais importante no contexto eleitoral. Segundo, na era digital a mão de obra qualificada tem mais mercado. Mas a não qualificada, que diminuiu suas chances, tambem vota, tem força política e não pode ser ignorada. Parte dessas políticas [de relocalização] é para acomodar essas camadas importantes".
Inevitavelmente, o papel da China entra na conversa. Afinal, é a maior nação comerciante do planeta. O diretor da OMC esteve recentemente em Pequim. Pergunto até que ponto a China quer realmente assumir mais responsabilidades na cena internacional. Para Azevêdo, Pequim não tem alternativa, a não ser a de um ator importante na governança global. "A própria escala da China implica isso. Não dá para fazer acordos sobre clima, comércio, câmbio, sem falar com a China. Não tem como se esquivar, acho que ela quer, sim, ser ouvida", responde.
Para ele, o compromisso da China com o sistema multilateral é claro. "A China não acredita em ações unilaterais. Procura em geral facilitar as negociações. É claro que não vai comprometer interesses específicos em benefício do multilateralismo. Mas tenta conciliar o interesse nacional com a preservação do foro multilateral."
Sobre uma dependência de países como Brasil, Peru, Chile em relação à demanda chinesa, o diretor da OMC acha que não há razões para alarme. "Na verdade, podemos falar de dependência mútua. O Brasil, em particular, diversifica bem suas exportações, se compararmos com países que têm dependência muito forte de determinados centros consumidores. Nenhum mercado absorve mais de 20% das exportações brasileiras. A China vai ser sempre um mercado consumidor importante e continuará comprando. O que pode vir a ter é maior poder de barganha na formação de preços."
Azevêdo pede como sobremesa um "beignet de fruits", uma fritada de frutas. Já estamos perto das 15 horas. A agenda do diretor da OMC é carregada. Ele conta que para cada convite que aceita tem de declinar de 15 a 20. Há dificuldade até para ir aos Estados Unidos receber um prêmio dado por uma associação industrial. É que o calendário de viagens está definido até janeiro, tudo encaixado e difícil de mudar. Comentamos o ritmo das viagens, no qual os encontros se sucedem desde o café da manhã até tarde da noite. Quando está fora, as atividades em Genebra não param, e ele precisa decidir de onde quer que esteja. Em cada país, normalmente há também o encontro com a imprensa local, com perguntas não exatamente sobre a OMC.
Indago como ele observa e reage a temas como a crise na Crimeia, a boa votação da extrema-direita na França e outros que agitam a atualidade internacional. "Invariavelmente, esses desdobramentos terminam batendo na organização, não tenha a menor dúvida. Seja no endurecimento ou na flexibilização de uma posição negociadora, seja na dinâmica das negociações que às vezes inserem nelas um componente geopolítico que não estava presente antes. Hoje a questão da Ucrânia é claramente um componente de várias discussões que estamos tendo na OMC. Há uma tensão maior no diálogo entre as partes envolvidas. O diretor-geral tem de estar atento permanentemente a eventos que mudam um pouco a cara política do mundo e vão aparecer na dinâmica da entidade. Mas são desdobramentos que tendem a se acalmar. O que temos de evitar é que, no calor dos acontecimentos, sejam feitas erupções que se tornam depois irreversíveis."
E a extrema-direita, que vê a OMC como diabo, tal como a extrema-esquerda? Para Azevêdo, os partidos que apontam a OMC como organização com agenda diabólica só têm essa percepção até assumir o poder: "O novo poder vê logo que a realidade não é aquilo".
No começo deste mês, Azevêdo e sua mulher foram recebidos pelo papa Francisco, no Vaticano. O diretor da OMC fez então o convite tradicional para o papa visitar a entidade, em Genebra. "Puxa, pensei que você ia me convidar para assistir à Copa do Mundo", brincou o papa argentino. Azevêdo riu e disse que ele próprio tambem gostaria de ser convidado para o evento. E, também brincando, propôs ao papa que os dois aproveitassem para rezar ali por uma final entre o Brasil e a Argentina. "Acho que me dei mal, porque se depender de reza ele sai ganhando de muito", ri o diretor da OMC, ao contar a história.
Abordamos a nova normalidade da economia mundial, que os economistas definem como crescimento pequeno por vários anos. Na OMC, não está claro até que ponto essa tendência também será de achatar o comércio. De um lado, a China e outros asiáticos utilizam a demanda doméstica cada vez mais como motor do crescimento, em vez das exportações. E isso tende a desalavancar o comércio internacional. De outro, à medida que os Estados Unidos e a União Europeia voltarem a crescer mais, as trocas podem voltar a aumentar.
Pergunto quanto, afinal, ganha um diretor da OMC. Ele responde que tem o contrato-padrão. São 452 mil francos suíços por ano (US$ 505 mil), livres de impostos, conforme cópia do contrato que ele mandou circular entre os 150 países membros. Em quatro anos no cargo, receberá cerca de R$ 4,480 milhões no total. "Quando fui eleito não negociei nada. Me colocaram o contrato na frente, e assinei. Eu gosto do que faço. Se fosse por dinheiro, certamente não estaria trabalhando na OMC nem no governo", afirma. Ele conta que não recebe auxílio-residência, pois mora na casa funcional de sua mulher, a embaixadora Maria Nazareth Farani Azevêdo, cônsul do Brasil em Genebra.
Observo que de toda maneira ele é proprietário de apartamentos no Rio, em Miami... "Mas tudo declarado no Imposto de Renda, direitinho", replica, enquanto recusa o cafezinho.
Antes de nos despedirmos, comento que algumas pessoas no Brasil especulam se ele aceitaria no futuro ser ministro no país. Azevêdo reage rindo, enquanto veste o terno: "O meu futuro a Deus pertence". (Valor Online – 27/06/2014)

OMC aponta brasileiro para decidir disputa sobre carros
Por Assis Moreira
GENEBRA - A Organização Mundial do Comércio (OMC) apontou o brasileiro Felipe Hees como um dos três juízes de uma importante disputa que pode ter impacto na importação de carros e envolve centenas de milhões de dólares de negócios.
Há um bom tempo, a OMC não nomeava novos brasileiros como membros de painel (comitê de especialistas para decidir disputas). Mas a indicação de Hees não chega a ser uma surpresa, em razão de sua reputação e experiência na área comercial.
Os panelistas escolhidos pela OMC tem que atender a certas exigências em termos de expertise e independência. Suas decisões podem ter impacto sobre um volume considerável do comércio mundial, ainda mais que podem ser seguidas em disputas posteriores.
Diplomata de carreira, Hees trabalhou vários anos em Genebra participando das negociações de serviços, regras de antidumping e outras. Foi diretor do Departamento de Defesa Comercial (Decom) do Ministério do Desenvolvimento brasileiro até o ano passado. Voltou recentemente a Genebra como conselheiro da missão brasileira junto à OMC.
Hees será um dos três panelistas que examinarão a queixa do Japão contra a Ucrânia, depois do fiasco de negociações bilaterais sobre uma salvaguarda imposta pelos ucranianos para frear a entrada de carros de passageiros estrangeiros em seu mercado.
O contencioso envolve tarifa adicional de 6,49% imposta pela Ucrânia, que sobe para 12,95% se a potência do motor é maior.
A importância do caso se reflete no número de países e grupos que entram como terceira parte com interesses econômicos, como Estados Unidos, União Europeia, Austrália, Índia, Coreia, Rússia e Turquia.
Os dois outros juizes serão William Davey e Chang Fa Lo. (Valor Online – 26/06/2014)

Comércio internacional desacelerou, diz China em debate na OMC
Por Assis Moreira
GENEBRA - A China alertou que o comércio internacional está desacelerando e defendeu na Organização Mundial do Comércio (OMC) urgência na implementação do acordo de facilitação de comércio, aprovado em dezembro de 2013 em Bali (Indonésia).
O país foi o único a concentrar atenção no menor ritmo no crescimento das trocas internacionais, em debate hoje na OMC, sobre a atual situação das negociações para liberalizar o comércio internacional de produtos agrícolas, in dustriais e de serviços.
Países africanos ameaçam retardar a implementação do acordo de facilitação de comércio (redução de dificuldades nas aduanas), até que tenham a garantia de ajuda financeira de centenas de milhões de dólares para reformar suas alfândegas.
O volume do comércio internacional aumentou em abril, depois de contração no mês anterior, segundo dados do Centro de Análise Econômica da Holanda (CPB, na sigla em inglês). Mas o mínimo que se pode dizer é que as exportações são anêmicas, mais do que a OMC esperava.
A recente fraqueza do comércio internacional é atribuída, especialmente, à expansão lenta das exportações das economias emergentes. As vendas externas aumentaram, em comparação ao ano passado, mas ainda estão em nível decepcionante, refletindo queda nas exportações de commodities, por exemplo. (Valor Online – 25/06/2014)

Azevêdo no considera prudente revisar las decisiones de Bali
En la reunión del Comité de Negociaciones Comerciales celebrada el 25 de junio de 2014, el Director General Roberto Azevêdo tomó nota de las preocupaciones que suscitan los esfuerzos de algunas delegaciones por revisar el Acuerdo sobre Facilitación del Comercio acordado en Bali. Advirtió de que “podría echarse a perder todo lo que con tanto trabajo conseguimos Bali”. Aseguró a los Miembros que la Secretaría de la OMC está “trabajando intensamente” para que los países en desarrollo reciban asistencia técnica en el ámbito de la facilitación del comercio. Texto na íntegra no website www.wto.org (OMC – 25/06/2014)

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Brasil lidera racha polêmico sobre novos objetivos do milênio da ONU
Mariana Schreiber
Da BBC Brasil em Londres
Brasil defende que foco dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável deve estar no combate a pobreza
A Organização das Nações Unidas (ONU) está realizando um extenso debate para definir quais serão as novas metas que substituirão os Objetivos do Milênio – e o Brasil está no centro de uma das principais controvérsias desse processo.
Os oito Objetivos de Desenvolvimento do Milênio (ODM) foram firmados em 2000 com a finalidade principal de reduzir a pobreza mundial. Eles vão desde a eliminação da fome à universalização da educação primária, e se desdobram em metas concretas, como reduzir em dois terços a mortalidade de crianças menores de cinco anos.
O prazo para o cumprimento das metas é 2015 e, por isso, os países já vêm debatendo quais serão os novos objetivos que irão substituí-los.
Dentro desse processo, o Brasil lidera a oposição a um objetivo relacionado à governança, justiça e paz - e conta com o apoio de boa parte dos países em desenvolvimento. Recentemente, a Rússia também se manifestou duramente contra.
Do outro lado, defendendo a inclusão deste objetivo, há um bloco formado, principalmente, por países ricos como as nações da Europa Ocidental, Estados Unidos, Japão e Austrália.
Um oficial da ONU que acompanha de perto o debate disse à BBC Brasil que essa está sendo a discussão mais difícil dentro das negociações para estabelecer os chamados Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS).
Brasil defende que foco dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável deve estar no combate a pobreza
Argumentos brasileiros
No início deste mês, chegou-se a um esboço inicial em que foram estabelecidos 17 objetivos, mas a intenção é diminuir esse número, para facilitar a divulgação.
Os temas de governança, justiça e paz compõem, por hora, o 16º. Ele inclui metas como a redução dos homicídios e do tráfico de armas; garantia de acesso à justiça e liberdade de expressão; e ampliação da transparência governamental.
Em nota enviada para a reportagem, o Itamaraty explicou que a adoção de "objetivos independentes sobre governança poderia tirar o foco dos esforços centrais que os ODS devem promover - em particular, a erradicação da pobreza".
Outro argumento reiterado pelo país é que houve um acordo dentro da ONU de que a base para a definição dos novos objetivos seria o documento final da Rio+20, conferência realizada em 2012 no Rio de Janeiro.
O texto foi aprovado por consenso pelos 190 países presentes, resultado atribuído à liderança do diplomata brasileiro Luiz Alberto Figueiredo, atual Ministro das Relações Exteriores.
A relevância desse documento acaba valorizando o papel do Brasil nas atuais negociações. A importância da boa governança e da paz para o desenvolvimento sustentável é citada no texto, mas isso não é previsto como um objetivo específico.
"O Brasil e os países em desenvolvimento, em particular, têm defendido que os ODS devem ser voltados aos grandes desafios para o desenvolvimento sustentável, nos campos econômico, social e ambiental. Isso significa que se deveria dar prioridade aos temas já acordados em 2012 na Rio+20", acrescenta a nota do Itamaraty enviada à BBC Brasil.
Reação
Diversas organizações da sociedade civil têm se mobilizado em reação à posição do Brasil. Elas contestam que essa seja uma “agenda” dos países ricos e lembram que mesmo em nações como Estados Unidos e Reino Unido há problemas, como o acesso limitado dos mais pobres à justiça.
Países pobres marcados por intensos conflitos também têm defendido a importância desses temas. Em um documento conjunto, os 54 países africanos defenderam que paz e segurança deve ser um dos seis pilares das negociações, mas não está claro se o continente ficaria contra a posição do Brasil caso ela predomine entre as nações em desenvolvimento.
Altos índices de violência do Brasil tornam o tema da segurança delicado para o país, avalia instituto
A Article 19, organização baseada em Londres que promove a liberdade de expressão e a transparência governamental, está liderando uma campanha internacional para defender que os temas de governança sejam confirmados como ODS.
Já a Open Society Foundations, do filantropo multimilionário George Soros, convidou o ministro do Supremo Tribunal Federal Roberto Barroso para um debate sobre o assunto dentro da ONU. Na ocasião, Barroso afirmou que é "difícil conceber a ideia de desenvolvimento sustentável, em qualquer de suas três dimensões – econômico, social e ambiental –, sem incorporar a justiça como um elemento essencial”.
Para Betsy Apple, da Open Society Foundations, o Brasil está defendendo uma visão limitada do que é desenvolvimento. A avaliação é a mesma do Instituto Igarapé, organização brasileira que trabalha para integrar as agendas de segurança e desenvolvimento.
"Uma coisa não existe sem a outra. É uma visão estreita separá-las", afirma Eduarda Hamann, uma das coordenadoras do instituto.
Objetivos de Desenvolvimento Sustentável 17 propostas que ainda estão em negociação:
1. Acabar com a pobreza em todas as suas formas em todos os lugares.
2. Acabar com a fome, alcançar a segurança alimentar e nutrição adequada para todos, e promover a agricultura sustentável.
3. Alcançar saúde para todos em todas as idades.
4. Fornecer educação equitativa, inclusiva e de qualidade e oportunidades de aprendizagem ao longo da vida para todos.
5. Atingir a igualdade de gênero e a autonomia para mulheres e meninas em todos os lugares.
6. Garantir água limpa e saneamento para todos.
7. Garantir serviços de energia modernos, confiáveis, sustentáveis e a preços acessíveis para todos.
8. Promover o crescimento econômico forte, sustentável e inclusivo e trabalho digno para todos.
9. Promover a industrialização sustentável.
10. Reduzir as desigualdades dentro dos países e entre eles.
11. Construir cidades e assentamentos humanos inclusivos, seguros e sustentáveis.
12. Promover padrões de produção e consumo sustentáveis.
13. Promover ações em todos os níveis para combater as mudanças climáticas.
14. Alcançar a conservação e o uso sustentável dos recursos marinhos.
15. Proteger e restaurar os ecossistemas terrestres e interromper toda a perda de biodiversidade.
16. Alcançar sociedades pacíficas e inclusivas, o Estado de direito, e instituições eficazes e capazes.
17. Fortalecer e melhorar os meios de implementação [desses objetivos] e a parceria global para o desenvolvimento sustentável.
A BBC Brasil apurou, porém que existe dentro da ONU certa compreensão em relação ao posicionamento do Brasil de que assuntos de segurança poderiam ser uma "distração", devido a sua complexidade. O país argumenta que não seria possível falar de paz sem discutir, por exemplo, o conflito Israel-Palestina ou a política externa americana.
Políticas e receio
O Brasil não nega a importância da paz e da governança para o desenvolvimento sustentável e tem proposto que algumas metas relacionadas e essas questões sejam incluídas dentro de outros objetivos, como os que tratam de redução da desigualdade e promoção da educação.
Os críticos dessa proposta dizem que diluir as questões de governança, justiça e paz em outros objetivos não daria a devida visibilidade aos temas.
Historicamente, o Brasil muitas vezes defendeu que as duas coisas – segurança e desenvolvimento - são inseparáveis. Para Hamann, a posição da delegação brasileira na ONU hoje parece reflexo da circunstância política atual.
Por um lado, o país quer fortalecer o documento da Rio + 20, que é considerado "um filho" do Brasil. Por outro lado, quer valorizar mais os tópicos em que tem mais poder de influência – o que aumenta seu papel de liderança nos processos de implementação dos ODS.
"O país é uma referência na questão social e ambiental, mas não na questão de segurança", destaca Hamann.
Haveria ainda um receio do Brasil de que a adoção de um ODS específico para questões relacionadas à paz daria um papel central ao Conselho de Segurança da ONU dentro do processo de implementação dos objetivos – e este órgão, que reúne as grandes potências militares, não é considerado democrático por muitos por não refletir a geopolítica atual em sua representação.
Outro preocupação explicitada pelo país nas negociações é que ações internacionais de redução à pobreza fiquem condicionadas a questões de segurança.
Na avaliação do Instituto Igarapé, a posição do Brasil também pode refletir um temor de intervenções externas em assuntos delicados internamente, como os altos índices de violência.
Em declaração neste mês na ONU, a Rússia disse que se o 16º objetivo proposto for é aprovada "uma porta se abrirá para a interferência nos assuntos internos dos Estados".
'Risco alto'As negociações seguem em andamento em grupos de trabalho formados por alguns países. Em setembro, uma proposta será apresentada na Assembleia Geral da ONU.
As discussões sobre quais serão os ODS e como sua implementação será feita e financiada devem estar concluídas um ano depois, para a assembleia de 2015.
Betsy Apple, da Open Society Foundations, vê um risco alto de que o objetivo de governança, paz e justiça seja eliminado. "O Brasil é muito influente nesse processo e por isso muitos países o acompanham".
"Se o Brasil não apoiar esse objetivo por causa de uma agenda política de curto prazo, pode acabar eliminando-o, pois outros países importantes são de fato contra [esses princípios], como Rússia, China e Índia. Isso coloca Brasil em uma posição muito poderosa", afirma o consultor jurídico da Article 19, Dave Banisar. (BBC – 27/06/2014)

Tiro ao alvo contra os emergentes
Por Jeffrey Frankel
Os bancos centrais querem apenas um punhado de coisas. Para conseguir qualquer uma delas, eles geralmente procuram influenciar as expectativas de inflação, demonstrar a transparência da política monetária e firmar a credibilidade de suas instituições. Para comunicar suas intenções de maneira simples e clara, eles podem definir uma meta explícita em termos de determinada variável econômica ou anunciar uma previsão para a variável ou, ainda, oferecer um balizamento para o futuro, especificando um limiar para o valor dessa variável que precise ser cumprido para que seja feita uma modificação na taxa de juros.
O problema dessas abordagens para estabelecimento de metas para a política monetária é que mesmo que uma determinada meta numérica possa ser razoável no momento em que é definida, evoluções inesperadas subsequentes dificultam conviver com ela. Os principais bancos centrais geralmente têm condições de suportar esses insucessos sem perda fatal de credibilidade. O Bundesbank descumpriu rotineiramente suas metas de oferta monetária e, mesmo assim, manteve-se como instituição admirada e crível. Mais recentemente, as expectativas de inflação nos EUA e no Reino Unido mantiveram-se bem ancoradas, mesmo quando o Fed (Federal Reserve, banco central dos EUA) e o Banco da Inglaterra tiveram de abandonar os limiares de desemprego que haviam anunciado.
A situação é diferente nas economias emergentes e em desenvolvimento. A necessidade de esses países estabelecerem credibilidade para suas políticas tendem a ser mais cruciais, seja devido a históricos de inflação elevada, a ausência de instituições dignas de crédito ou a pressões políticas no sentido de monetizar déficits orçamentários. Eles precisam de metas com as quais possam realmente conviver.
Em comparação com metas de inflação, a grande virtude de ter o PIB nominal como meta é ele ser robusto em relação a choques de oferta e choques de termos de comércio com o exterior. O banco central não fica diante do dilema entre abandonar a meta e prejudicar a economia.
Nada parece funcionar. Quando o Fundo Monetário Internacional aborda um país e indaga qual é sua âncora nominal, muitos declaram praticar um esquema de metas de inflação. Mas eles têm dificuldades para cumprir suas metas. Se no decorrer do tempo, porém, os países são impactados por choques adversos de oferta ou por choques nos termos de comércio exterior, a decisão correta seria afrouxar a política monetária suficientemente para provocar uma desvalorização da moeda. Mas a adoção do índice de preços ao consumidor como meta impede que isso ocorra, porque uma depreciação provoca aumento nos preços do petróleo, de alimentos e de outras commodities comercializáveis importadas.
De fato, se um choque vier na forma de aumento do preço do petróleo em dólares, uma meta de inflação imporia, teoricamente, um aperto de política monetária suficiente para uma valorização da moeda. Mas tal política implicaria que um choque adverso viria a refletir-se em forte queda da produção.
Os países emergentes deveriam considerar a opção de assumir como meta o PIB nominal. Em comparação com as metas de inflação, a grande virtude de assumir o PIB nominal como meta é ele ser robusto em relação a choques de oferta e choques de termos de comércio com o exterior, o que significa que o banco central não fica diante do dilema entre abandonar a meta e prejudicar a economia.
Há boas razões para crer que assumir o PIB nominal como meta é mais adequado para as economias emergentes e em desenvolvimento do que para os países industrializados. Essas economias são mais frequentemente sujeitas a choques adversos via termos de comércio, por exemplo na forma de aumentos nos preços mundiais do petróleo ou de quedas nos preços de suas exportações de commodities. Essas economias tendem também a sofrer choques de oferta maiores resultantes de desastres naturais, de outros eventos climáticos, de turbulência social e de mudanças inesperadas na produtividade.
A vantagem de uma meta de PIB nominal é que choques adversos desses tipos refletem-se também na produção e na inflação, em vez de impor todo o ônus na forma de uma perda de produto. Isso proporciona o tipo de resposta de todo modo desejada, assegurando, ainda, as vantagens de uma regra (comunicar os planos do banco central de tal forma que ele possa conviver com o que prometeu fazer).
Muitos países emergentes e em desenvolvimento precisam reduzir a inflação, numa conjuntura muito semelhante à dos países avançados, 30 anos atrás. Um exemplo é a Índia, que está atualmente considerando adotar metas de inflação visando melhorar a disciplina monetária. Mas o país é regularmente impactado por choques de oferta tanto quanto por boas ou más monções. Estimativas estatísticas sugerem que tentativas de definir a trajetória da inflação em face de tais choques resultariam em oscilações indesejavelmente amplas no PIB real, em comparação com uma política de ancoragem à trajetória do PIB nominal.
A meta de trajetória para o PIB nominal pode ser definida em qualquer nível desejado de disciplina monetária. A robustez do PIB nominal diante de futuros choques desconhecidos é semelhante caso o objetivo seja tanto afrouxar a política monetária, apertá-la ou mantê-la inalterada, como no caso de o banco central desejar anunciar uma previsão, uma banda para a meta ou um limiar para balizamento para o futuro.
Se há mérito em divulgar um plano, é relevante optar por um plano com que se possa conviver. Esse plano significa adotar uma meta de PIB nominal. (Tradução de Sergio Blum) (Valor Online – 26/06/2014)

Sob pressão por mudanças cúpula da UE começa hoje
BRUXELAS - O presidente do Conselho Europeu, Herman van Rompuy, disse que os chefes de governo dos países da União Europeia vão decidir amanhã sobre sua indicação para a presidência da Comissão Europeia. Em carta enviada aos chefes de governo dos países da UE na terça-feira (24), Van Rompuy informa que no encontro de cúpula de quinta e sexta também serão discutidas questões como a mudança climática, a situação na Ucrânia e o abastecimento de energia.
"Vamos então nos voltar para a decisão de propor ao Parlamento Europeu um candidato a presidente da Comissão", diz Rompuy.
O candidato mais forte é o ex-primeiro-ministro de Luxemburgo Jean-Claude Juncker, apesar da oposição liderada pelo primeiro-ministro britânico, David Cameron. Juncker é o candidato do Partido Popular Europeu, uma aliança de partidos de centro-direita da região que formou o maior bloco no Parlamento Europeu após as eleições do mês passado.
Cameron sustenta que o bom desempenho dos partidos "eurocéticos" nas eleições torna necessária a escolha de uma nova liderança na União Europeia; o primeiro-ministro britânico pressionou para que uma votação formal aconteça no encontro de cúpula desta semana e é tido como certo que sua posição será derrotada.
O encontro, que começa hoje, terá com uma cerimônia para marcar o 100º aniversário do início da Primeira Guerra Mundial; a cerimônia será em Ypres, cena de várias batalhas daquele conflito.
Segundo Van Rompuy, amanhã os chefes de governo europeus deverão aprovar acordos de cooperação política e comercial com três ex-repúblicas soviéticas, a Geórgia, a Moldova e a Ucrânia.
Lituânia na eurozona
O Eurogrupo apoiou a adoção do euro pela Lituânia a partir de 1º de janeiro de 2015, e destacou o 'impressionante' processo de convergência e o 'extraordinário' ressurgimento do país após a crise. A decisão agora será referendada pela cúpula dos líderes.
O ministro das Finanças da Lituânia, Rimantas Sadzius, participou da reunião do eurogrupo que apresentou a análise dos relatórios de convergência da Comissão Europeia e do Banco Central Europeu (BCE).
Com base nestes relatórios, os titulares econômicos da zona do euro 'concordaram que o país cumpre plenamente os critérios' para adotar a moeda comum, explicou em entrevista coletiva o presidente do eurogrupo, Jeroen Dijsselbloem.
O ministro de Finanças da Holanda qualificou de 'impressionante' o processo de convergência da Lituânia para poder se transformar no 19º membro da zona do euro e do 'extraordinário o ressurgimento da crise' do país báltico. (DCI – 26/06/2014)

Patriota diz que o Brasil apoia posição da Argentina
Por Marli Olmos
BUENOS AIRES - O representante permanente do Brasil na Organização das Nações Unidas, Antonio Patriota, disse nesta quarta-feira que apoia a posição da Argentina de tentar negociar com a Suprema Corte dos Estados Unidos a suspensão da sentença que obriga o governo argentino a ceder às exigências dos fundos hedge.
Patriota alertou para as implicações que o novo "default" teria no cenário financeiro internacional. Ele disse ainda que é “preciso trabalhar de um modo mais coordenado. As políticas domésticas (de um país) precisam ser respeitadas. Minha sugestão para as próximas discussões é tratar da questão da reestruturação de dívidas com base nesse caso da Argentina".
As declarações de Patriota foram feitas durante apresentação do ministro da economia da Argentina, Axel Kicillof, na sede da ONU a representantes do G-77. A Justiça dos EUA determinou que a Argentina pague aos fundos hedge que não aderiram à reestruturação da dívida da Argentina após o default de 2001. (Valor Online – 25/06/2014)

Itália pede mudança na UE e flexibilidade na austeridade
ROMA - O primeiro-ministro da Itália, Matteo Renzi, pediu ontem uma mudança de curso na Europa, dizendo que apenas políticas de austeridade não garantiriam a estabilidade fiscal frente ao crescente desemprego e à estagnação econômica.
Falando no Parlamento antes da cúpula da União Europeia, que acontece de amanhã até sexta-feira em Bruxelas, Renzi disse que a Itália não está pedindo um afrouxamento das regras orçamentárias da UE, mas sim que as regras existentes sejam aplicadas de maneira flexível em troca de comprometimento com um pacote de reformas estruturais domésticas que a Itália deve alcançar em 2017.
"É óbvio que a troca entre o processo de reforma e o uso de margens para flexibilidade, que já existem e estão disponíveis para Estados-membros, é o que sempre aconteceu", disse ele.
Renzi disse que quando a Itália assumir a presidência rotativa da UE no mês que vem ele delineará um programa de "1.000 dias" para o qual buscará aprovação parlamentar e que seria alcançado em maio de 2017.
Falando como líder de um país que não viu crescimento econômico por mais de uma década e que tem uma taxa de desemprego de jovens de mais de 40 por cento, Renzi afirmou que os "altos clérigos" da austeridade arriscam condenar a Europa à estagnação.
"O tratado nos obriga a olhar para crescimento e estabilidade como elementos que andam juntos. Não pode haver estabilidade possível se não houver crescimento na Europa. As políticas econômicas dos últimos anos fracassaram por causa disso", disse o primeiro-ministro.
Esquerdistas apoiam Juncker
Líderes de esquerda europeus concordaram em apoiar o conservador de Luxemburgo Jean-Claude Juncker para o cargo de presidente da Comissão Europeia, dizendo que iriam procurar outros altos cargos da União Europeia para os seus aliados de partido em troca.
Entre estes postos está a presidência do Parlamento Europeu, cujo titular, Martin Schulz, um social-democrata alemão, ganhou o seu apoio para buscar um novo mandato.
A decisão de apoiar Juncker em reunião em Paris de oito primeiro-ministros, incluindo o da Itália Matteo Renzi e o vice-chanceler alemão, Sigmar Gabriel, faz David Cameron, da Grã-Bretanha, parecer cada vez mais isolado, antes da próxima reunião de cúpula da UE na próxima semana.
Cameron considera o ex-premier de Luxemburgo um defensor da integração europeia ardente demais. Ele estava procurando aliados - principalmente Renzi - para ajudar a bloquear a sua nomeação depois que o grupo político de Juncker, o Partido Popular Europeu, venceu as eleições do Parlamento Europeu do mês passado.
Mas o presidente francês, François Hollande, disse aos presentes na reunião que concordou em respeitar o princípio segundo o qual o principal candidato de qualquer partido que ganhar a eleição deveria ter o direito de apresentar a pessoa para o principal posto da Comissão.
"E acontece de ser Jean-Claude Juncker. Mas queremos uma discussão na reunião sobre todo o conjunto de responsabilidades europeias", disse Hollande a repórteres, acrescentando que alguns desses papéis devem ser dados aos candidatos apoiados por social-democratas.
Ultradireita sofre derrota
A Frente Nacional, partido da extrema-direita francesa liderado por Marine Le Pen, admitiu derrota ontem, depois de não conseguir amplo apoio para formar um grupo político no Parlamento Europeu, pondo por água abaixo sua ambição de liderar uma aliança de nacionalistas contra a União Europeia.
O partido de Le Pen, anti-imigrante e contrário à UE, causou sensação nas eleições para o Parlamento Europeu em maio quando foi o mais votado na França, com 24,95 por cento dos votos, derrotando tanto os socialistas do presidente François Hollande como a oposição de centro direita, o UMP. Antes da votação, Marine disse à Reuters que uma das metas principais da FN era formar um grupo parlamentar, o que lhe garantiria pelo menos 20 milhões de euros em fundos e funcionários, além de mais tempo para falar no Parlamento.
No entanto, horas antes do prazo final para a formação do grupo, na noite de ontem, ainda lhe faltava o apoio de políticos de dois países para conseguir a representação mínima requerida, de sete países - o que demonstra as dificuldades dos populistas da extrema direita em chegarem a acordo entre si.
Zona do euro tem muito a fazer
Países da zona do euro ainda têm muito a fazer para reduzir a dívida e impulsionar o crescimento, além disso as classificações de risco de crédito não devem ser elevadas até as economias se tornarem mais saudáveis, afirmou nesta terça-feira o diretor de rating soberano para Europa, Oriente Médio e África da Standard & Poor's, Moritz Kraemer. Ele disse que vê um "período de calma à frente" para os ratings na Europa. (DCI – 25/06/2014)

Países ricos voltarão a liderar em investimento produtivo global
MARIANA CARNEIRO
Dínamos do crescimento econômico desde a crise de 2008/2009, os países em desenvolvimento, como o Brasil, deverão perder a preferência nos investimentos produtivos globais nos próximos anos.
Depois de se recuperarem mais rapidamente da crise financeira que abateu os EUA e a Europa, os países em desenvolvimento estão vendo suas taxas de crescimento se desacelerarem. Assim, perdem o principal atrativo para esse tipo de investimento, usado para ampliar a capacidade de produção ou para a compra de empresas.
"O que atrai o investimento produtivo é o crescimento. E o Brasil, por exemplo, está crescendo menos do que os EUA", disse Luís Afonso Lima, presidente da Sobeet (sociedade brasileira de estudos das transnacionais).
A expectativa da Unctad (braço das Nações Unidas para o desenvolvimento) é que os países desenvolvidos voltem a receber mais da metade do investimento produtivo global no ano que vem. Isso não ocorria desde 2009.
O fluxo de recursos para os países ricos deve crescer em velocidade equivalente ao triplo da dos países em desenvolvimento neste ano, prevê a Unctad. Isso ocorre em razão da volta do crescimento em países como os EUA.
Parte desses recursos sairá de empresas de países em desenvolvimento, que pouco a pouco aumentam seus investimentos no exterior. Como a Folha noticiou, o Brasil foi o segundo maior investidor na União Europeia em 2013, com um aporte de € 21 bilhões (R$ 65 bilhões), só atrás dos EUA.
Segundo a Unctad, sai dois países em desenvolvimento um terço do fluxo global de investimento produtivo.
Com a perspectiva de um crescimento menor –1,1% neste ano, segundo analistas ouvidos na pesquisa semanal do Banco Central, o Brasil já sente a redução do interesse.
No ano passado, segundo a Unctad, o país caiu de quarto para quinto principal destino dos investimentos produtivos, atrás de EUA, China, Rússia e Hong Kong.
Neste ano, a perspectiva da Sobeet (que analisa os dados brasileiros para a Unctad) é que o país continue perdendo fôlego no ranking. O próprio BC informou nesta terça-feira (24) que a entrada destes recursos deve recuar de US$ 64 bilhões em 2013 para US$ 63 bilhões neste ano.
Ainda assim, o Brasil continua sendo citado como destino relevante para investidores. Pesquisa da Unctad, com executivos de 164 companhias, mostra que o país é o quinto mais atrativo para investimentos de 2014 a 2016.
"O Brasil pode não ser mais a bola da vez, mas ainda é uma bola", disse Reynaldo Passanezi, diretor da Sobeet.
Para Lima, contudo, a alteração dos fluxos globais sugere que o país deva alterar seu modelo de expansão. Em vez da aposta no crescimento do consumo, que parece limitado, o país deveria focar nas exportações e na infraestrutura. (Folha de SP – 25/06/2014)

Superávit comercial chega a US$ 2,1 bi no mês
Por Lucas Marchesini | De Brasília
A balança comercial brasileira teve superávit de US$ 585 milhões na terceira semana de junho, resultado de US$ 4,334 bilhões em exportações e US$ 3,749 bilhões em importações. No acumulado do mês, o saldo é positivo em US$ 2,148 bilhões. No ano, o déficit atinge US$ 2,707 bilhões.
A média diária das exportações caiu 2,9% nas três primeiras semanas de junho na comparação com todo o mês de junho de 2013, passando de US$ 1,057 bilhão para US$ 1,026 bilhão. Esse resultado se deve à queda nas vendas de produtos manufaturados no período (19,5%).
A média diária das vendas externas de manufaturados passou de US$ 417,9 milhões em junho de 2013 para US$ 336,5 milhões nas três primeiras semanas deste mês. As maiores quedas foram em plataforma de produção de petróleo e gás, automóveis de passageiros, autopeças, açúcar refinado, motores/geradores, etanol e motores para veículos.
Por outro lado, as exportações de produtos básicos tiveram crescimento de 9,9% na média diária nas três primeiras semanas do mês em relação a junho de 2013 - US$ 496 milhões, passaram para US$ 545 milhões. Petróleo em bruto, carne suína e bovina, café em grão, farelo de soja e soja em grão registraram as maiores altas.
Os semimanufaturados tiveram alta de 0,2% - US$ 119,2 milhões em junho de 2013 para US$ 119,4 milhões nas três primeiras semanas deste mês. O aumento foi puxado por semimanufaturados de ferro/aço, ferro fundido, couros e peles e ferro-ligas. As importações caíram 7,3% no acumulado de junho até dia 20 (US$ 872,3 milhões), se comparadas com a média de junho de 2013 (US$ 941,3 milhões). (Valor Online – 25/06/2014)

Brasil cai para quinta posição entre destinos de capital externo produtivo
Por Tainara Machado | De São Paulo
O fluxo global de entrada de investimento estrangeiro direto voltou a crescer no ano passado, mas o Brasil não acompanhou este movimento. O ingresso de capital produtivo no país caiu 1,9% em 2013, para US$ 64 bilhões, o que levou o Brasil a cair uma posição, para quinto lugar, no ranking dos principais destinos de investimento no ano passado. A queda, que já havia sido apontada por um relatório preliminar, foi a primeira desde 2006. Os dados são da Conferência das Nações Unidas para Comércio e Desenvolvimento (Unctad) e foram divulgados ontem.
Após o tombo de 22% observado em 2012, o fluxo de IED voltou a crescer no ano passado, ao alcançar US$ 1,45 trilhão, 9% a mais do que em 2012. Ainda que os dados permitam "otimismo cauteloso" em relação aos prognósticos para os próximos anos, há ainda um longo caminho a percorrer para retomar os níveis de investimento entre países no período pré-crise, nota Luis Afonso Lima, presidente da Sociedade Brasileira de Estudos de Empresas Transnacionais e da Globalização Econômica (Sobeet), responsável pela divulgação dos dados no Brasil.
O fluxo de investimentos produtivos ainda está em nível semelhante ao observado em 2006 e bem distante do pico de US$ 2 trilhões registrado no ano seguinte, de acordo com o "Relatório de Investimento Mundial de 2014 " da Unctad. Para Reynaldo Passanezi, diretor da Sobeet, este é um reflexo do ainda incipiente movimento de recuperação da atividade econômica global, que deve beneficiar principalmente os países desenvolvidos, com o processo de normalização da política monetária americana. "Com a alta de juros, os emergentes vão voltar a competir por capital com países avançados", afirma.
Além do fim do afrouxamento quantitativo, a Unctad observa que dificuldades inerentes a esses países, como incertezas em relação às políticas econômicas adotadas e instabilidade regional, devem levar o investimento em economias em estágio mais avançado a voltar a superar os países em desenvolvimento em 2015, padrão observado até 2012.
US$ 1,6 trilhão, subindo para US$ 1,85 trilhão em 2016. A Unctad, porém, ressalta que este novo ciclo de alta do investimento produtivo deve ser liderado pelos países desenvolvidos, e não mais pelos emergentes, como ocorreu nos últimos anos.
A Unctad projeta que o IED vai alcançar US$ 1,6 trilhão em 2014, mas boa parte desse aumento vai acontecer nas economias desenvolvidas (de US$ 566 bilhões em 2013 para US$ 763 bilhões em 2014), enquanto os emergentes vão ter pequena perda, de 1,8%, para US$ 764 bilhões no período.
Dentro desse grupo, o Brasil também não se destacou. Passou para quinta colocação no ranking dos principais destinos de IED, uma a menos do que em 2012. "Claramente houve no ano passado interrupção de um processo de ascensão do Brasil no cenário externo que teve início em 2006, quando o país não estava nem entre os 20 principais destinos de IED", comenta Lima, da Sobeet.
O Brasil perdeu atratividade por questões internas que já tem sido observadas nos últimos anos, como o baixo crescimento e a necessidade de elevar a competitividade em setores chave, como a infraestrutura, comenta Frederico Turolla, sócio da Pezco Microanalysis e diretor da Sobeet. Como o IED responde com alguma defasagem a mudanças de cenários, já que depende de visão de longo prazo de investidores, só agora números um pouco menos desfavoráveis começam a aparecer.
Para Lima, mesmo que o volume de IED se mantenha em patamar elevado, em torno de US$ 60 bilhões neste ano, é provável que o Brasil perca mais posições no ranking, devido ao avanço de Cingapura e Canadá no ano passado.
Ainda assim, se o Brasil não é mais a "bola da vez", não deixou de ter relevância no cenário global, comenta Passanezi. Entre 164 companhias pesquisadas pela Unctad, o Brasil ainda é o quinto país mais atrativo para receber investimentos nos próximos dois anos, mesmo patamar observado em 2013. A China continua a liderar o ranking, seguida pelos EUA. Já a Indonésia subiu para o terceiro lugar, invertendo posições com a Índia.
As empresas brasileiras também reduziram presença no exterior em 2013. Houve repatriação de US$ 3,5 bilhões no ano passado, mas Lima, da Sobeet, lembra que este número está muito influenciado pelo forte aumento de empréstimos intercompanhia, impulsionado no ano passado pela redução do IOF e alta de juros. As compras de participação no capital de empresas estrangeiras aumentaram no ano passado, diz Lima, e o estoque de investimento brasileiro no exterior soma US$ 300 bilhões. (Colaborou Daniela Chiaretti, de Nairóbi) (Valor Online – 25/06/2014)

Saldo negativo no setor é nova 'dor de cabeça' na área externa
Por Denise Neumann | De São Paulo
O déficit crescente nas relações do Brasil com o exterior na área de serviços pode se tornar uma nova dor de cabeça para as contas externas do país. No ano passado, o déficit nesse segmento específico ultrapassou 2% do Produto Interno Bruto (PIB) pela primeira vez e, pelo segundo ano consecutivo, superou o resultado negativo da conta de rendas (as remessas de lucros e dividendos para o exterior). Essa situação se manteve nos primeiros cinco meses deste ano e o déficit em serviços foi 17% maior que o de rendas.
Os dados sugerem uma mudança no padrão do que vinha pressionando a balança de transações correntes do país. Em 2005, o déficit na conta de rendas representou 3,9% do PIB, percentual que foi de 1,8% no ano passado. Na conta de serviços, o saldo a favor do exterior representou, naquele ano, 1,25% do produto brasileiro. A terceira parte da mudança é a perda de dinamismo na balança comercial.
O Brasil encerrou 2013 com um déficit de transações correntes de 3,6% do PIB, bem acima do déficit de 2,4% de um ano antes. No resultado negativo, a principal responsabilidade veio da piora na balança comercial. A deterioração em serviços veio na sequência, com um resultado 15% pior e que somou US$ 47 bilhões.
"O aumento da importação de serviços não é um problema, se ele ajudar a alavancar o crescimento do PIB", pondera o professor Jorge Arbache, da Universidade de Brasília e assessor da diretoria do BNDES, que acabou de escrever um pequeno trabalho sobre o aumento crescente do déficit em serviços, e se ele é um risco ou não para o país. Olhando para os dados tanto da balança de serviços como das próprias exportações de bens do país, o professor da UnB encontrou evidências de que o aumento da importação de serviços está muito mais associada ao consumo final e ao mercado interno.
Entre os setores, as principais pressões sobre o Brasil são as viagens internacionais (onde o déficit é forte por turismo das famílias e não de negócios), com saldo negativo de US$ 18,4 bilhões no ano passado, e o aluguel de equipamentos, com US$ 19 bilhões de déficit. Nesse setor, a exploração crescente de petróleo no pré-sal deve pressionar o segmento devido à política brasileira de produzir plataformas no país e "exportá-las" para subsidiárias da Petrobras.
A preocupação de Arbache é que a conta de serviços tende a ser crescente e o modelo atual de crescimento no Brasil não traz sinais de agregação de valor nem nesse setor, nem na indústria. O diretor-presidente da Sociedade Brasileira de Estudos de Empresas Transnacionais e Globalização Econômica (Sobeet), Luis Afonso Lima, também olha com apreensão para o crescente déficit na balança de serviços e sua composição. "Em áreas onde o Brasil ia bem, como serviços profissionais, ainda temos superávit, mas ele diminuiu", diz.
Lima também observa que o fluxo de investimento direto estrangeiro para o Brasil nos últimos anos tem privilegiado setores de serviços, mas o foco é principalmente o atendimento da demanda doméstica, como projetos imobiliários, atividades do varejo e seguros, entre outros. No ano passado, o setor de serviços absorveu 48% do ingresso de investimento externo para participação no capital, dos quais 35% foram apenas para dois setores totalmente dirigidos para o mercado interno - comércio e imobiliário.
A professora Lia Valls, pesquisadora do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (Ibre-FGV), observa que o déficit em serviços tem caráter "estrutural" em vários segmentos, como informática, pagamento de royalties, serviços audiovisuais, além dos conhecidos gastos de turistas no exterior e o aluguel de equipamentos. Na outra ponta, onde o Brasil tem superávit, como o fornecimento de serviços técnicos e profissionais, o volume é pequeno para fazer contraponto às demais despesas.
Para Lia, a baixa produtividade do Brasil no setor de serviços acaba aumentando a importação em vários segmentos, como área de design, inovação, desenvolvimento de softwares. "O país precisa descobrir onde ele pode ter vantagens nessa área e explorar esses mercados", diz.
Lima, da Sobeet, lembra que a teoria econômica aponta que a "luz amarela" do déficit de transações correntes acende quando ele ultrapassa 3% do PIB, o que voltou a acontecer no Brasil no ano passado. Mas a preocupação com esse "número mágico" depende do que está provocando esse resultado negativo. "É preciso identificar se o que provoca o déficit de hoje pode gerar produção ou a agregar valor em um segundo momento e, assim, contribuir para revertê-lo", acrescenta. No caso do Brasil, diz, essa possibilidade não parece colocada.
Lia pondera que a Copa do Mundo pode ajudar o Brasil na parte de viagens internacionais, pois pode abrir espaço para um maior e mais constante fluxo de turistas internacionais.
Arbache olha para todo quadro com mais preocupação, pois avalia que os serviços ficam cada vez mais sofisticados em todo o mundo e permitem agregar valor em outros setores, como a indústria. "Nesse sentido, o Brasil anda na contramão", afirma. (Valor Online – 25/06/2014)

Unctad: Brasil mantém quinta posição entre destinos de IED até 2016
Por Tainara Machado
SÃO PAULO - Apesar de ter caído uma posição no ranking dos principais receptores de investimento estrangeiro direto no ano passado, as empresas continuam a considerar o país como um dos cinco destinos mais atrativos para o capital produtivo entre 2014 e 2016, de acordo com dados da Conferência das Nações Unidas para o Comércio e Desenvolvimento (Unctad) divulgados hoje.
Pesquisa com 164 companhias realizada pelo organismo para o “Relatório de Investimento Mundial de 2014 – Investindo em ODS: Um Plano de Ação” colocou o Brasil como quinto país mais atrativo para receber investimentos nos próximos dois anos, mesmo patamar observado no ano passado. A China continua a liderar este ranking, seguida por Estados Unidos. Já a Indonésia subiu para o terceiro lugar, invertendo posições com a Índia.
Também melhorou o humor dos empresários em relação ao ambiente de investimentos para os próximos anos. Cerca de 25% dos pesquisados afirmaram estar otimistas para 2014, parcela que aumenta para quase 50% em 2016.
Para Luis Afonso Lima, presidente da Sociedade Brasileira de Estudos de Empresas Transnacionais e da Globalização Econômica (Sobeet), esse desempenho está em linha com a recuperação da atividade econômica global nos últimos trimestres. É um cenário de “otimismo cauteloso”, como descreveu a Unctad no relatório.
Reynaldo Passanezi, diretor da Sobeet, avalia que o cenário é uma pouco mais positivo para a economia global, mas o aumento de juros nos países desenvolvidos pode tornar os fluxos para emergentes um pouco menos positivo.
O Brasil tende a acompanhar esse movimento, diz Lima, da Sobeet. Lima afirma que se o ingresso de IED para o Brasil ficar em US$ 60 bilhões neste ano, como estimam analistas do mercado consultados pelo Banco Central, e o fluxo global de investimento produtivo subir para US$ 1,6 trilhão, a participação da economia brasileira no total de IED cairia a inda mais, de 4,4% em 2013 para 3,8% em 2014, segundo cálculos da Sobeet.(Valor Online – 24/06/2014)

Camex aprova redução de Imposto de Importação para 250 máquinas e equipamentos industriais
Brasília - Foram publicadas hoje, no Diário Oficial da União (DOU) duas Resoluções Camex que reduzem o Imposto e Importação para 250 bens de capital e bens de informática e telecomunicação sem fabricação no Brasil. A Resolução Camex n°44 altera as alíquotas de 14% para 2% nas compras externas de 240 bens de capital (96 novos e 144 renovações). Já a Resolução Camex n°43 diminui de 16% para 2% o Imposto de Importação de 10 bens de informática e telecomunicação (2 novos e 8 renovações). As alterações entram em vigor hoje e são válidas até 31 de dezembro de 2015.
De acordo com as empresas que solicitaram o benefício, os investimentos globais vinculados aos ex-tarifários publicados hoje chegam a US$ 946 milhões e os investimentos em importações serão de US$ 568 milhões. Os setores mais beneficiados, em relação aos investimentos globais, são os de petróleo (31,77%), mineração (15,21%), bens de capital (14,97%), de autopeças (6,27%) e automotivo (4,87%). Em relação às origens das importações, os produtos com redução de alíquotas virão, principalmente, dos Estados Unidos (24,26%), do Japão (10,59%), da Alemanha (7,90%), da China (7,83%) e da Suécia (5,71%).
As máquinas e equipamentos com redução de tarifas serão utilizados em projetos como: exploração de óleo e gás com foco no pré-sal e nos campos de águas profundas; implantação de uma fábrica de telas soldadas e arames; aumento da capacidade de triagem e processamento de resíduos sólidos urbanos e comerciais; implantação de uma nova linha de produção de peças plásticas para máquinas agrícolas; aumento da produção de sacolas de papel ou cartão; coleta automatizada de resíduos sólidos domiciliares, entre outros.
Com as duas novas Resoluções Camex publicadas hoje o número total de ex-tarifários aprovados em 2014 chega a 1.523.
O que são ex-tarifários
O regime de ex-tarifários visa estimular os investimentos para ampliação e reestruturação do setor produtivo nacional de bens e serviços, por meio da redução temporária do Imposto de Importação de bens de capital e bens de informática e telecomunicações sem produção no Brasil. Cabe ao Comitê de Análise de ex-tarifários (Caex) verificar a inexistência de produção nacional dos bens pleiteados, bem como a análise de mérito dos pleitos tendo em vista os objetivos pretendidos, os investimentos envolvidos e as políticas governamentais de desenvolvimento. As fabricantes brasileiras de máquinas e equipamentos industriais também participam do processo de análise de produção nacional. (MDIC – 24/06/2014)

Brasil registra maior déficit em conta corrente para maio na história
Adriana Fernandes e Victor Martins - Agência Estado
Resultado negativo somou US$ 6,635 bilhões em maio; no acumulado em 12 meses, déficit representa 3,61% do PIB
O déficit em transações correntes do País somou US$ 6,635 bilhões em maio, informou nesta terça-feira, 24, o Banco Central. É o pior resultado para o mês de maio da série do BC, que teve início em 1947. O resultado negativo apresentou uma queda de 19,8% em relação ao déficit de abril (US$ 8,282 bilhões) e ficou ligeiramente acima do registrado em maio de 2013 (US$ 6,356 bilhões).
O resultado de maio ficou dentro do intervalo previsto, segundo levantamento da Agência Estdo, que apontava déficit entre US$ 8,200 bilhões e US$ 5,500 bilhões, e um pouco melhor que a mediana, de déficit US$ 6,700 bilhões.
De acordo com o BC, a conta de rendas ficou negativa em US$ 2,91 bilhões. A de serviços ficou negativa em US$ 4,507 bilhões.
No acumulado de janeiro a maio de 2014, o déficit em conta corrente soma US$ 40,074 bilhões, o equivalente a 4,26% do Produto Interno Bruto (PIB). No acumulado dos últimos 12 meses até maio, o saldo negativo subiu para US$ 81,854 bilhões, o que representa 3,61% do PIB. A estimativa do BC para o déficit em maio era de US$ 6 bilhões.
O chefe do Departamento Econômico do Banco Central, Túlio Maciel observou que o déficit em conta corrente em 12 meses em relação ao PIB está estável desde agosto e que a perspectiva é que continue estável até final do ano. "As condições de financiamento do País seguem favorável", disse.
Investimentos. Os Investimentos Estrangeiros Diretos (IED) somaram US$ 5,963 bilhões em maio - recorde para o mês. Antes, o melhor resultado para o período havia sido em maio de 2013 (US$ 3,972 bilhões). O resultado do mês ainda ficou acima dos US$ 3,880 bilhões registrados no mesmo período do ano passado.
O IED do mês ficou dentro do intervalo previsto, segundo levantamento do AE Projeções, que apontava entre US$ 4,0 bilhões e US$ 6,0 bilhões, mas acima da mediana, de US$ 5,050 bilhões.
No acumulado do ano, o IED soma US$ 25,340 bilhões (2,69% do PIB). No mesmo período do ano passado, o IED acumulado era de US$ 22,855 bilhões (2,49% do PIB).
Em 12 meses até maio, o IED está em US$ 66,531 bilhões, o que corresponde a 2,93% do PIB. A estimativa do BC para o IED em maio era de US$ 5,0 bilhões. (O Estado de SP – 24/06/2014)

Terceira semana de junho registra superávit US$ 585 milhões
Brasília – A terceira semana de junho, com quatro dias úteis (16 a 22), teve saldo positivo na balança comercial de US$ 585 milhões, com média diária de US$ 146,3 milhões. A corrente de comércio semanal (soma das exportações e importações) foi de US$ 8,083 bilhões, com média de US$ 2,020 bilhões por dia útil.
As exportações, no período, foram de US$ 4,334 bilhões, com média diária de US$ 1,083 bilhão, que é 8,1% superior à média de US$ 1,003 bilhão, registrada até a semana do mês. Houve aumento nas exportações de produtos básicos (18,7%), com destaques para soja em grão, minério de ferro, petróleo em bruto, carne de frango, café em grão, e fumo em folhas. Entre os produtos semimanufaturados, houve crescimento (17,3%), por conta de semimanufaturados de ferro e aço, celulose, couros e peles, ouro em forma semimanufaturada e alumínio em bruto. Por outro lado, retrocederam as vendas de manufaturados (-7,8%), em razão, principalmente, de automóveis de passageiros, óleos combustíveis, motores para veículos e partes, máquinas e aparelhos para terraplanagem, e polímeros plásticos.
As importações semanais foram de US$ 3,749 bilhões, com um resultado médio diário de US$ 937,3 milhões. Na comparação com a média diária até a segunda semana de junho (US$ 846,3 milhões) houve aumento de 10,8%, que se explica pelas aquisições de combustíveis e lubrificantes, equipamentos mecânicos, aparelhos eletroeletrônicos, veículos automóveis e partes, e plásticos e obras.
Mês
Nos 14 dias úteis de junho, as exportações somaram US$ 14,360 bilhões, com média diária de US$ 1,025 bilhão. Por esse comparativo, a média diária das vendas externas foi 2,9% inferior a de junho de 2013 (US$ 1,056 bilhão). Nesta comparação, houve redução das exportações de produtos manufaturados (-19,5%), por conta de plataforma de produção de petróleo e gás, automóveis de passageiros, autopeças, açúcar refinado, motores e geradores, etanol, e motores para veículos. Por outro lado, cresceram as vendas de básicos (9,9%), com destaques para petróleo em bruto, carne suína e bovina, café em grão, farelo de soja e soja em grão. Também aumentaram os embarques de produtos semimanufaturados (0,2%), em razão de semimanufaturados de ferro e aço, ferro fundido, couros e peles e ferro-ligas.
Em relação à média diária de maio deste ano (US$ 988,2 milhões), as exportações tiveram aumento de 3,8%, com crescimento nas vendas de produtos semimanufaturados (14,4%), manufaturados (5,9%) e básicos (0,5%).
As importações do período chegaram a US$ 12,212 bilhões e registraram média diária de US$ 872,3 milhões. Houve retração de 7,3% na comparação com a média de junho do ano passado (US$ 941,3 milhões). Neste comparativo, verificou-se declínio nos gastos com adubos e fertilizantes (-25,7%), equipamentos mecânicos (-23,5%), aparelhos eletroeletrônicos (-19,4%), siderúrgicos (-18,6%), veículos automóveis e partes (-16,5%) e plásticos e obras (-9,8%).
Na comparação com a média de maio deste ano (US$ 954,3 milhões), houve queda de 8,6%, com retração nas aquisições de adubos e fertilizantes (-36,4%), siderúrgicos (-18,6%), plásticos e obras (-14,1%), aparelhos eletroeletrônicos (-12,7%), e combustíveis e lubrificantes (-9,4%).
O superávit em junho está em US$ 2,148 bilhões (média diária de US$ 153,4 milhões). A corrente de comércio do mês alcançou US$ 26,572 bilhões (resultado diário de US$ 1,898 bilhão). Pela média, houve diminuição de 5% no comparativo com junho do ano passado (US$ 1,998 bilhão) e de 2,3% na relação com maio último (US$ 1,942 bilhão).
Ano
De janeiro à terceira semana de junho deste ano (116 dias úteis), as vendas ao exterior totalizaram US$ 104,424 bilhões (média diária de US$ 900,2 milhões). Na comparação com a média diária do período correspondente de 2013 (US$ 927,3 milhões), as exportações diminuíram 2,9%. As importações foram de US$ 107,131 bilhões, com média diária de US$ 923,5 milhões. O valor está 3,7% abaixo da média registrada no período equivalente de 2013 (US$ 958,9 milhões).
No acumulado do ano, o saldo da balança comercial está negativo em US$ 2,707 bilhões, com o resultado médio diário negativo de US$ 23,3 milhões. No período similar de 2013, o déficit foi de US$ 3,734 bilhões, com média negativa de US$ 31,6 milhões. A corrente de comércio soma, em 2014, US$ 211,555 bilhões, com desempenho por dia útil de US$ 1,823 bilhão. O valor é 3,3% menor que a média aferida no mesmo período no ano passado (US$ 1,886 bilhão). (MDIC – 24/06/2014)

Relatório D.C
Rogerio Studart
Vai ter crescimento
Para crescer mais, precisamos de uma melhoria da confiança? e com isto estamos todos de acordo. Mas há uma tese que anda pegando no debate brasileiro: a de que para dar uma injeção de ânimo no empresariado precisamos de? ajustes radicais de trajetória?
nos primeiros meses de 2015. E um exemplo muito citado é a revisão da política de valorização do salário mínimo. Esta tese não me parece sustentável.
Vejamos.
- Há consenso entre os economistas de que a decisão do empresário em produzir, empregar e investir depende do ambiente de negócios e da estabilidade macroeconômica ? especialmente em um país que ainda tem muito que fazer para reduzir os entraves ao produto e que passou por dolorosa experiência de hiperinflação. Mas a condição essencial é a lucratividade esperada, logo, o crescimento das demandas externa e interna.
Como andam as duas no Brasil?O quadro externo se deteriorou muito após a crise de 2008, o que explica parcialmente a estagnação das exportações brasileiras na sua participação no PIB brasileiro ? como observamos nos gráficos abaixo, cuja fonte é o IBGE (contas nacionais trimestrais). Como nossas importações cresceram mais rapidamente do que o PIB e as exportações ? o que é uma indicação de perda de competividade ? o saldo comercial acaba por ser o principal fator de compressão da demanda agregada. É interessante notar que, mesmo assim, tanto o consumo das famílias quanto os investimentos têm ampliado sua participação no PIB. De fato, pode-se dizer apartir destes dados que caso o primeiro não tivesse se mantido elevado, o nível de investimento ? que depende das expectativas de demanda agregada ? teria despencado. Até recentemente muitos economistas acreditavam que o comércio internacional, anêmico desde 2008, teria uma forte recuperação este ano? e a Organização Mundial do Comércio (OMC ) estimara um crescimento de 4,7% para 2014. Os dados atuais, compilados pela OMC e pelas Nações Unidas (Unctad), apontam para umquadro muito menos otimista: comparando o primeiro trimestre deste ano ao do ano anterior, o volume e o valor em dólar do comércio cresceram, respectivamente, 2,2% e 1,5%.
No mês passado, a OCDE apresentou outros dados preocupantes: o somatório das exportações do G7 e do Brics retroagiu 0,8% na comparação do primeiro trimestre de 2014 com 2013. Some a esses dados os efeitos da crise da Ucrânia, a deflação na União Europeia, os riscos na China e o crescimento da instabilidade no Iraque, e dificilmente pode-se ter uma perspectiva boa sobre a demanda externa.
E o que vem ocorrendo na demanda interna? A política de valorização do salário mínimo permitiu que ele tivesse um aumento real (acima da inflação) de 75% de 2002 a 2014. Isso garantiu não só um crescimento do poder de compra, mas também a capacidade de endividamento das famílias? outro fator que impulsionou o crescimento da demanda. Foi, portanto, a política de valorização do salário mínimo que, juntamente como Bolsa Família, ampliou fortemente e deu resiliência ao mercado doméstico? o que foi fundamental para evitar que fossemos pegos de frente pela crise, e pelo fato de que agora a demanda doméstica ainda se mantenha de pé enquanto se retrai o investimento. Por contraposição, uma mudança da política de valorização do salário mínimo pode gerar uma dinâmica inversa (e perversa): reduziria o poder aquisitivo e a capacidade de endividamento das famílias, e, num contexto de taxas de juros elevadas, poderia provocar um desnecessário aumento da inadimplência, queda da oferta de crédito, mais desemprego, menos consumo e menos produção? e daí para diante.
É sempre bom lembrar que, no início, muitos afirmavam que a política de valorização do salário mínimo era inflacionária e recessiva, e que geraria um aumento do desemprego, da informalidade e falência do sistema previdenciário. Erraram triplamente. Mas agora o argumentoéalgo distinto: uma redução do salário mínimoreal poderia reduzir o custo país das empresas e incentivar o crescimento da produção e do emprego. Não é bem assim: para que isso ocorra, é preciso que a lucratividade das empresas pelo menos se mantenha. Como a queda do salário mínimo tende a deprimir o consumo das famílias, o que parece ser assumido é que o efeito negativo sobre ademandadoméstica seja mais que compensado pelo crescimento total do saldo externo. O problema é que o consumo das famílias tem uma participação de 68% no PIB, cerca de 6 vezes a das exportações e mais de 4 vezes mais que importações. Por outro lado, nada indica que sua redução afetaria profundamente nossa compet itividade. Pelo contrário, nossa perda de competitividade está parcialmente relacionada ao baixo nível de investimento e à não renovação de parte de nosso parque industrial. Uma revisão da PVSM só reduziria ainda mais a expectativa de demandadoméstica, o que deprimiria mais o investimento. É jogada contra a solução para os nossos problemas econômicos atuais.
Em suma, no atual quadro externo, o mais seguro para melhorar o ânimo empresarial é tentar consolidar os ganhos de expansão do mercado doméstico, enquanto promovemos um aumento da competitividade para evitar uma deterioração ainda mais significativa das nossas transações como mundo. A proposta de revisão da política de valorização do salário mínimo não é só injusta para a grande maioria da população; é temerária do ponto de vista econômico.
Suas chances de gerar aumento da confiança do empresariado, e, por conseguinte, mais produção e mais investimento, são tão boas quanto as que tinham a campanha # nao vai ter copa.
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Rogerio Studart, Professor da UFRJ e Diretor Executivo Adjunto pelo Brasil no Banco Mundial. As opiniões aqui expressas são pessoais. (Brasil Econômico – 24/06/2014)

Diálogo Brasil-EUA
Rubens Barbosa
O Centro de Liderança Pública e o Strategy Group do Aspen Institute, duas prestigiosas instituições do Brasil e dos EUA, promoveram amplo diálogo sobre o atual estágio das relações entre os dois países. Com a participação de personalidades da vida pública, privada e do mundo acadêmico, foram passadas em revista as relações políticas, econômicas e comerciais dos dois países.
As duas maiores democracias no hemisfério têm interesses e valores convergentes, além de outros, divergentes, que afastam os dois governos. O respeito mútuo e a defesa dos respectivos interesses devem sempre prevalecer.
As relações políticas e diplomáticas do Brasil com os EUA estão no nível mais baixo das últimas décadas. A negociação de acordos que interessam diretamente ao Brasil, como o acordo de facilitação de vistos e o de salvaguarda tecnológica, está paralisada. Visitas e conversações políticas e econômicas de mais alto nível estão suspensas. Resistências ideológicas de alguns setores de nosso governo impedem assim que matérias de nosso interesse sejam tratadas, com prejuízo direto ao cidadão comum e a projetos de grande alcance.
Dada a grande diversidade das relações bilaterais, em verdadeira ofensiva de charme, multiplicam-se as visitas ministeriais e operacionais — o que tem sido apreciado pelo governo brasileiro. As relações entre instituições técnicas e o gosto da população brasileira pelas atrações oferecidas pela sociedade americana não tomam conhecimento dessas filigranas diplomáticas. Em 2013, mais de dois milhões de turistas visitaram os EUA.
As principais questões de governo, contudo, estão paralisadas à espera de que seja superado o impasse presidencial. A presidente Dilma declarou que as relações com os EUA somente seriam normalizadas depois de o presidente Obama pedir desculpas pelo monitoramento feito pela NSA no celular presidencial e na Petrobras. Como o presidente Obama não pediu desculpas nem para a sociedade americana nem para a primeira ministra Angela Merkel, é difícil acreditar que vá fazê-lo com o Brasil.
Esperava-se que o vice-presidente americano, Joe Biden, em visita a Brasília no último dia 17, pudesse fazer um gesto significativo em relação ao Brasil que contribuísse para superar a crise diplomática. Embora, aparentemente, não tenha havido qualquer sinal nesse sentido, começam a surgir indicações positivas do lado brasileiro de que, depois das eleições, poderá haver um descongelamento das relações com os EUA. Durante a campanha eleitoral prevalecerá a retórica antiamericana, como registrado no programa do PT.
O setor privado — o Forum de Presidentes de Grandes Empresas e o Conselho Empresarial Brasil-Estados Unidos — deveria juntar-se a outras áreas com interesses concretos, tanto de um lado quanto de outro, para estimular os dois governos a superar as dificuldades atuais.
As relações entre os dois países são muito importantes para serem deixadas apenas nas mãos das burocracias do Departamento de Estado e do Itamaraty. Rubens Barbosa é presidente do Conselho de Comércio Exterior da Fiesp. (O Globo – 23/06/2014)

Preços de produtos exportados caem e afetam resultado da balança comercial
Luiz Guilherme Gerbelli - O Estado de S. Paulo
Volume exportado cresceu com antecipação de embarque da safra da soja, mas previsão de saldo caiu de US$ 8 bi para US$ 2 bi
A balança comercial brasileira está enfrentando uma combinação perversa: ao mesmo tempo em que os preços das commodities estão em queda, a indústria brasileira carrega os problemas de baixa competitividade e tem dificuldade para exportar seus produtos.
A decepção com o comércio exterior fica evidente porque havia uma expectativa de que a balança comercial teria um resultado melhor este ano do que o de 2013, quando o superávit foi de US$ 2,5 bilhões, o mais baixo em 13 anos.
Entre os analistas, a previsão para o saldo comercial fica evidente no relatório Focus, do Banco Central. Na última pesquisa do ano passado, eles projetavam um superávit comercial de US$ 8 bilhões. Na pesquisa mais recente, a projeção caiu para um saldo positivo US$ 2 bilhões. Até maio, a balança comercial brasileira acumula um déficit de US$ 4,9 bilhões.
Os dados da Fundação Centros de Estudo de Comércio Exterior (Funcex) mostram que a queda em valor dos produtos exportados pelo Brasil foi de 4,3% no acumulado em 12 meses encerrados em maio. Esse recuo tem sido aliviado, em parte, pelo aumento na quantidade. No período, aumentou 4,9%.
Básicos. A queda de preço dos produtos básicos pode ser atribuída ao menor crescimento da China. A economia chinesa é uma grande importadora mundial de produtos básicos, sobretudo do Brasil. Logo, o crescimento mais lento leva a uma demanda menor por produtos básicos, reduzindo o preço das commodities no mercado internacional e, consequentemente, causando impacto na receita de exportação brasileira.
“Os preços das commodities agrícolas e minério de ferro estão em queda”, afirma Daiane Santos, economista da Funcex. A entidade projeta um déficit de US$ 3 bilhões para a balança em 2014.
Apesar do déficit acumulado neste ano, o resultado da balança comercial brasileira poderia ser pior. O Brasil tem antecipado a exportação de alguns produtos - como a soja - para não coincidir com o início do embarque da safra americana, prevista para agosto e setembro.
“Há uma expectativa de que este ano sejam embarcadas 43 milhões de toneladas. Até agora, foram embarcadas 66% dessa projeção”, afirma José Augusto de Castro, presidente da Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB).
Neste ano, a expectativa é que o preço médio da tonelada de soja fique entre US$ 505 e US$ 507. Em 2013, o preço médio foi de US$ 533 por tonelada. Em dezembro, a AEB projetou um superávit de US$ 7,2 bilhões para a balança comercial este ano, mas esse número será rebaixado em julho. “Hoje diria que estamos num zero a zero”, diz Castro, em relação ao saldo comercial esperado para 2014.
Uma outra parte da queda dos preços dos produtos básicos está relacionada com a menor liquidez no mercado financeiro, o que afeta o preço das commodities. O Federal Reserve (Fed, o banco central dos Estados Unidos) está retirando os estímulos financeiros. Na semana passada, o Fed reduziu em mais US$ 10 bilhões, para US$ 35 bilhões, a compra de títulos mensais.
“À medida que os EUA reduzem a expansão monetária, mais o dólar tende a se valorizar. Como contrapartida, isso acaba reduzindo os preços das commodities”, diz Fabio Silveira, diretor da GO Associados.
Manufaturados. A exportação de manufaturados também deve ser prejudicada este ano. Além da já conhecida baixa competitividade da indústria brasileira para competir internacionalmente, a crise argentina deve tornar ainda mais difícil a vida do setor industrial brasileiro.
A Argentina, um dos principais mercados de exportações brasileiras de manufaturados, voltou ao centro da discussão financeira mundial depois que a Justiça americana determinou o pagamento de US$ 1,33 bilhão para credores que não aceitaram participar das renegociações de dívidas feitas pelo governo em 2005 e 2010.
O problema para o governo argentino é que a conta pode chegar a US$ 15 bilhões se todos os processos forem revistos. Se isso ocorrer, a Argentina fica próxima de um calote, já que as reservas são de US$ 28 bilhões. Com pouco dinheiro em caixa, é provável que os argentinos diminuam ainda mais a importação de produtos manufaturados brasileiros.
“Neste ano, mesmo com o acordo automotivo, a Argentina está numa situação pior do que estava em 2013”, afirma Lia Valls Pereira, pesquisadora do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getúlio Vargas (Ibre/FGV).
O resultado da balança comercial neste ano também não deve ter a ajuda das plataformas de petróleo. Em 2013, a venda das plataformas somou US$ 7,7 bilhões. Neste ano, a expectativa é que esse valor fique em US$ 2,5 bilhões. (O Estado de SP – 23/06/2014)

Momento de ruptura do México?
Por Mohamed A. El-Erian
Menos de dois anos depois de iniciada a presidência de Enrique Peña Nieto, o México está implementando um ambicioso pacote de reformas estruturais que pretende tirar sua economia de uma armadilha que há muitas décadas é responsável por seu baixo crescimento e criar novas oportunidades para seus cidadãos. As reformas envolvem a reestruturação de setores da economia no passado considerados politicamente intocáveis, e estão sendo apoiadas por emendas constitucionais e por uma agenda legislativa ousada.
Na verdade, graças ao "Pacto pelo México", boa parte dessa agenda conta com o apoio não apenas do governo de Peña Nieto como também dos dois principais partidos de oposição. Essa combinação singularíssima será posta à prova em breve, na medida em que as reformas começarem a incomodar, e o resultado pode ter consequências importantes e duradouras para o empenho de outros países do mundo em implementar reformas estruturais.
Reformas como essa nunca são fáceis de iniciar e normalmente são difíceis de concluir. Os políticos as defendem quando estão na oposição, mas raramente as adotam e sustentam quando no governo. O motivo é simples: os custos excessivos de seu início e o adiamento de seus benefícios tornam as reformas estruturais politicamente arriscadas.
País está em busca do investidor estrangeiro para sustentar esforços de reformas ambiciosas e abrangentes, com a participação externa sendo importante para investimentos de infraestrutura em redes de telecomunicações, estradas, gasodutos e o setor petrolífero.
Os governos que efetivamente abraçam reformas estruturais muitas vezes consideram frustrante esperar pela concretização da "massa crítica" muitas vezes fugaz dos setores revitalizados; e os economistas consideram muito difícil prever a escolha do momento e a magnitude da investida de crescimento que deve se seguir. O que complica as coisas ainda mais é a inevitabilidade de desdobramentos imprevistos, sejam eles de origem interna ou externa, o que significa que correções de rumo tornam-se muitas vezes necessárias.
Em decorrência disso, existem apenas uns poucos bons exemplos históricos - como os da China, Polônia e Coreia do Sul - de reformas estruturais bem-sucedidas. E muitos desqualificam os países que têm êxito como "especiais" ou "excepcionais" - e, portanto, de pouco valor como modelos a serem copiados por outros.
Contra esse pano de fundo, é fascinante observar o que está acontecendo no México. O "por quê", o "como" e o "o quê" dos ambiciosos esforços de reforma estrutural do país poderiam - e deveriam - ter importantes efeitos sinalizadores em todo o mundo.
As autoridades mexicanas são as primeiras a destacar o desempenho relativamente precário da economia nos últimos 33 anos. O crescimento anual médio, de apenas 2,4%, está bem abaixo do que é necessário e possível para um país dotado de recursos humanos e naturais tão gigantescos, uma localização privilegiada, à porta de entrada dos Estados Unidos, e considerável potencial de vencer a distância que o separa dos países desenvolvidos. Além disso, o histórico de crescimento do México é muito inferior ao de alguns outros países que começaram com muito menos e, mesmo assim, o ultrapassaram (e a outras economias latino-americanas).
Os formuladores de políticas públicas poderiam facilmente esquivar-se da responsabilidade pelo desempenho medíocre do México escondendo-se atrás das várias crises dos mercados emergentes, da "década perdida" da América Latina e do impacto da crise financeira mundial de 2008 e da Grande Recessão que se seguiu. Mas as autoridades mexicanas não estão procurando desculpas. Apontam, em vez disso, para indicadores internos que mostram produtividade e competitividade precárias, ambas ao longo do tempo e em relação a outros países. Observam também que as impressionantes façanhas do México em termos de estabilização macroeconômica, embora necessárias, não se revelaram suficientes para ativar o potencial de crescimento do país.
Certo, o México construiu sólidas reservas financeiras de segurança internas e externas, pôs ordem em sua casa fiscal, abriu sua economia ao mundo exterior e firmou muitos acordos de livre comércio, encabeçados pelo Acordo de Livre Comércio da América do Norte (Nafta). Mas agora chegou a hora de potencializar esse avanço com a reforma simultânea de cinco setores grandes e influentes: educação, energia, finanças, telecomunicações e o mercado de trabalho. E o governo de Peña Nieto assumiu trabalho árduo - e bem-sucedido - nos últimos meses para adotar as necessárias emendas constitucionais e sancionar a legislação inicial.
Pelo menos três dessas áreas - educação, energia e o mercado de trabalho - eram há muito consideradas intocáveis, ou quase isso. De fato, lembro-me da minha própria experiência no México no fim da década de 1980 e início da de 1990, quando eu fazia parte da equipe do Fundo Monetário Internacional (FMI) que trabalhava com autoridades mexicanas para ajudar o país a se recuperar da crise da dívida latino-americana. Qualquer menção a reformas energéticas esbarrava em resistência imediata, inclusive em referências à soberania nacional e a proteções constitucionais.
Atualmente o México está em busca de investidores estrangeiros para sustentar esforços de reformas ambiciosas e abrangentes, com a participação externa sendo especialmente importante para investimentos de infraestrutura em redes de telecomunicações, estradas pedagiadas, gasodutos e, posteriormente, o setor petrolífero.
Tudo isso está ancorado por uma delegação clara de poder político, bem como pelo compromisso pessoal declarado de Peña Nieto de superar três décadas de crescimento insuficiente e de déficits de produtividade. Em vista da possibilidade de uma reação política adversa no campo interno, as complexidades inerentes de implementar um pacote multidimensional de reformas e os entraves cíclicos inerentes ao crescimento ainda anêmico dos Estados Unidos (que responde por aproximadamente 80% de suas exportações), o México poderá precisar de ambas essas âncoras para sustentar o impulso de reformas. Felizmente, o governo tem espaço para uma política contracíclica, e já respondeu com um maior afrouxamento das políticas fiscal e monetária.
O México tem boa chance de cumprir sua impressionante agenda de reformas estruturais. Realizá-la dará ao restante do mundo um importante exemplo de como programas como esse podem ser concebidos e implementados para o longo prazo, possibilitando assim a obtenção de uma massa crítica de setores fortes - e, com isso, de um crescimento mais acelerado e de uma maior prosperidade - e o atendimento às legítimas aspirações dos cidadãos. (Tradução de Rachel Warszawski)
Mohamed A. El-Erian é assessor econômico-chefe da seguradora Allianz e membro de sua comissão executiva internacional. É presidente do Conselho de Desenvolvimento Mundial do presidente Barack Obama e autor do livro "When Markets Collide". Copyright: Project Syndicate, 2014. (Valor Online – 23/06/2014)

Emergentes têm gargalos superáveis, avalia Nobel
ÁLVARO FAGUNDES
A expressão "cinco frágeis", criada pelo banco Morgan Stanley para classificar o Brasil e outras quatro economias emergentes que estariam vulneráveis a mudanças na política monetária americana, tomou conta do noticiário econômico internacional no início deste ano, mas não tem um Nobel de Economia entre seus fãs nem se reflete nas Bolsas desses países neste momento.
"Todos esses países [o grupo inclui ainda Indonésia, Índia, Turquia e África do Sul] têm problemas que preocupam, têm fraquezas, mas que não são insuperáveis", diz o americano Eric Maskin, que recebeu o prêmio em 2007.
"Se você compara o Brasil de hoje com o de 20 anos atrás, quando tinha inflação descontrolada e um desemprego muito mais alto, muito foi conquistado. O mesmo aconteceu com a Indonésia."
Maskin esteve no Brasil em março e escreveu recentemente um parecer para os bancos sobre a disputa que envolve as perdas que os poupadores podem ter tido com os planos econômicos dos anos 80 e início dos 90.
Os "cinco frágeis" agora também vivem um bom período nas Bolsas, após o período de turbulência no início do ano com a retirada de estímulos iniciada pelo BC dos EUA —questões internas estão pesando mais que as influências do cenário externo.
A Bolsa indiana tem ganho superior a 20% (em dólar) e lidera a alta entre os principais mercados mundiais, sob a esperança de que a chegada ao poder do novo premiê, Narendra Modi, vá produzir reformas que possam estimular o crescimento.
No Brasil, o cenário eleitoral também tem pesado para os ganhos de 12,3% do Ibovespa, com o declínio da presidente Dilma nas pesquisas ajudando a alavancar os preços das ações.
As Bolsas de Turquia e Indonésia já subiram cerca de 15% neste ano, e a da África do Sul, 10%. (Folha de SP – 23/06/2014)

Com desaceleração da demanda chinesa, preços de exportação caem 5,1% no ano
Por Tainara Machado | De São Paulo
A desaceleração da demanda chinesa e o ritmo ainda morno de crescimento das principais economias globais reduziram neste ano os preços internacionais de commodities relevantes para o Brasil, como soja e minério de ferro. Entre janeiro e maio, na comparação com igual período de 2013, o índice de preço das exportações brasileiras recuou 5,1%, queda mais intensa do que a retração de 2,3% nos preços médios de importação. Assim, os termos de troca do comércio exterior brasileiro, que já vinham em tendência de deterioração, chegaram ao menor nível desde 2010 e explicam, em parte, a piora do saldo comercial do país nos últimos anos.
Após acumular queda de 7,8% entre 2011 e 2013, a relação entre preços de exportação e de importação continuou a cair neste ano, quando os termos de troca ficaram 2,9% menores no acumulado até maio, na comparação com iguais meses de 2013. Os dados são da Fundação Centro de Estudos do Comércio Exterior (Funcex).
Daiane Santos, economista da Funcex, afirma que a retração dos preços de exportação, que em maio estavam 14,1% menores do que no pico, em agosto de 2011, está ligada principalmente à queda de cotações internacionais de produtos básicos relevantes para a pauta de comércio exterior do Brasil. Entre as principais quedas, afirma, estiveram óleo bruto de petróleo, soja, minério de ferro, açúcar de cana e carne de frango.
"Diante da conjuntura mundial, essa queda não chega a surpreender muito", diz Daiane, já que a recuperação da demanda global está demorando mais do que se projetava e a economia chinesa dá sinais de desaceleração. Por isso, avalia, é difícil projetar reversão desse cenário, mesmo com o aumento de 1,1% dos preços de exportação entre abril e maio. "Não é uma tendência, os preços de commodities devem seguir em declínio", afirma.
Rodrigo Branco, pesquisador do Centro de Estudos de Estratégias de Desenvolvimento da Uerj (Cedes /Uerj), também avalia que o cenário externo ainda complicado torna a recuperação dos preços de commodities difícil. "O cenário de retomada da economia global não se concretizou na velocidade esperada e a China dá sinais mistos". O economista lembra, por exemplo, que há excesso de capacidade de produção de aço no país, responsável por cerca de 60% da demanda mundial por minério de ferro, o que explica a recente retração dos preços. No início desta semana, a commodity chegou a ser cotado abaixo de US$ 90 no mercado à vista chinês.
Em relatório, o departamento de macroeconomia do Bradesco também avalia que a tendência é de queda para os preços de outro produto relevante para a pauta exportadora do Brasil, a soja, devido à expectativa de safras recordes em produtores importantes.
Embora os termos de troca tenham piorado nos cinco primeiros meses deste ano, o país registrou, neste período, déficit de US$ 4,9 bilhões, resultado um pouco melhor do que em iguais meses do ano passado, quando o saldo era negativo em US$ 5,4 bilhões. Apesar da queda de preços, os volumes desembarcados de algumas commodities, como minério de ferro, soja e petróleo, aumentaram em 2014. Assim, a razão de quantum (relação entre o volume de bens exportados e de produtos importados) subiu 3,9% neste período.
Para Fernando Ribeiro, pesquisador do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), dificilmente o quadro de piora dos termos de troca vai se reverter neste ano e o saldo comercial deve ser menor do que em 2013, quando o superávit foi de apenas US$ 2,6 bilhões. Em sua avaliação, porém, há sinais de estabilização dos preços de exportação, com o aumento recente da cotação do petróleo, o que já seria uma boa notícia, ainda que insuficiente para reverter a piora de termos de troca observada nos primeiros meses deste ano. "Ainda é cedo para afirmar que o pior momento de preços de exportação ficou para trás."
Já Daiane, da Funcex projeta déficit em torno de US$ 3 bilhões para a balança comercial e avalia que se esse resultado for melhor, será influenciado por redução das importações, em função da fraqueza da atividade doméstica.
Ribeiro comenta que, embora seja difícil avaliar precisamente o impacto sobre a atividade econômica, a deterioração dos termos de troca ajuda a explicar o fraco desempenho da atividade nos últimos anos. Quando os preços de bens exportados superam o de importados, há um efeito "riqueza" para o exportador que acaba impulsionando a economia. Sem essa "ajuda", fica mais difícil crescer. (Valor Online – 20/06/2014)

País vai cobrar sobretaxa na importação de tubos de aço da nação europeia
Brasília - A Câmara de Comércio Exterior (Camex), órgão do governo brasileiro responsável por políticas para o setor, decidiu aplicar direito antidumping para importações de tubos de aço sem costura procedentes da Ucrânia. A medida é válida por até seis meses, mas após conclusão definitiva das investigações, a vigência pode ser estendida por até cinco anos. A decisão foi publicada nesta sexta-feira (20) no Diário Oficial da União.
O “dumping” ocorre quando o preço de uma mercadoria no mercado externo é inferior ao cobrado em seu país de origem. Será aplicada sobretaxa de US$ 145,78 por tonelada para os produtos das empresas Interpipe Niko Tube LLC e PJSC Interpipe NTPR. Para as demais empresas, o valor será de US$ 637,74 por tonelada. Os tubos de aço são utilizados em oleodutos e gasodutos. (Agência Brasil – 20/06/2014)

Ministros das finanças da União Europeia apoiam entrada da Lituânia no bloco
Da Agência Lusa
Edição: Denise Griesinger
Os ministros das Finanças da União Europeia (UE) apoiaram hoje (20) a entrada da Lituânia na zona do euro a partir de janeiro de 2015. A decisão, tomada durante a reunião do conselho de titulares das pastas de finanças que ocorre em Luxemburgo, segue a recomendação da Comissão Europeia.
Os ministros analisaram os relatórios de convergência elaborados pela comissão e pelo Banco Central Europeu que recomendam aos chefes de Estado e de Governo da UE a entrada do país báltico. Pelos documentos, a Lituânia cumpre os requisitos para aderir à moeda única.
Com a decisão dos ministros, falta, agora, o aval formal dos líderes europeus. A expectativa é que a autorização seja oficializada na próxima semana, durante a reunião do Conselho Europeu marcada para os dias 26 e 27 de junho. A partir desse aval, a Lituânia poderá participar, a partir de setembro, como observadora nas reuniões do Eurogrupo e se tornará o 19° país da zona do euro no dia 1° de janeiro do próximo ano.
Atualmente, o grupo de países da moeda única é foramado por Áustria, Bélgica, Chipre, Eslováquia, Eslovênia, Espanha, Estônia, Finlândia, França, Grécia, Holanda, Irlanda, Itália, Letônia, Luxemburgo, Malta e Portugal. (Agência Brasil – 20/06/2014)

 
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