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Acabou-se a credibilidade Bloomberg Willem Buiter: mais inflação nos Estados Unidos e dificuldades no mundo ainda por vários anos, cenário em que o Brasil terá que cuidar de suas vulnerabilidades
A situação das contas públicas nos Estados Unidos é extremamente delicada, devendo obrigar o governo a optar entre a inflação mais alta e o calote da dívida para resolver o problema da trajetória fiscal insustentável, alerta o economista Willem Buiter, professor da London School of Economics and Political Science. Os Estados Unidos não têm mais credibilidade fiscal, disse Buiter, em entrevista ao Valor. Para ele, a escolha deverá recair sobre o aumento da inflação, que corrói o valor real da dívida.
Em seu blog Maverecon, abrigado no site do Financial Times, Buiter escreve que os mercados estão lentamente acordando para a ameaça da inflação como uma solução para a insustentabilidade fiscal nos Estados Unidos, o que ajuda a explicar o aumento recente das taxas dos títulos de longo prazo do Tesouro americano. Nos próximos três anos, o risco de deflação é maior do que o de inflação. No entanto, depois desse prazo, e certamente daqui a mais de cinco anos, o risco de inflação alta [entre 5% e 15%, por exemplo] é real.
Com a explosão do déficit público, que deve superar 12% do PIB neste ano e pode ficar entre 13% e 14% no ano que vem, os gastos para recapitalizar os bancos e as despesas para salvar empresas como GM e Chrysler, a dívida dos Estados Unidos, hoje equivalente a 70% do PIB, pode ultrapassar os 100%, avalia Buiter, nascido na Holanda e hoje cidadão americano e britânico. Além disso, há também os compromissos do presidente Barack Obama com saúde, infraestrutura, ambiente e educação. Como acredita que os democratas tendem a vetar qualquer corte futuro de gastos e os republicanos estarão contra qualquer aumento de impostos, Buiter vê a trajetória das contas públicas como insustentável. A solução pode vir pelo aumento da inflação ou por um calote da dívida. Como no passado, os Estados Unidos tendem a escolher a inflação.
Ruy Baron / Valor No Brasil, Buiter viu equívocos em avaliações da crise, inclusive a de Lula
Buiter não gosta da opção trilhada pelo governo Obama para tentar resolver os problemas do sistema financeiro. Desde janeiro, ele defende a adoção do modelo do banco bom. Por essa proposta, o dinheiro público seria usado para capitalizar bancos novos que não tenham excesso de maus investimentos e maus empréstimos. Os novos financiamentos seriam feitos apenas por esses bancos, que ficariam com os depósitos dos bancos ruins e comprariam os bons ativos dessas instituições. Os bancos ruins seriam proibidos de fazer novos empréstimos e investimentos, simplesmente administrando os estoques de ativos que sobraram.
Segundo Buiter, sua proposta é melhor por que faz os credores sem garantias pagarem pelas perdas dos bancos. Quem fez maus investimentos paga, em vez dos contribuintes. E por que não se fez assim? Parte dos membros do governo é muito próxima dos mercados financeiros e dos credores sem garantias. É um exemplo de captura do Estado por interesses do setor financeiro, responde Buiter, que foi membro do Comitê de Política Monetária do Banco da Inglaterra (o banco central inglês) entre 1997 e 2000.
Para Buiter, os governos e os bancos centrais conseguiram evitar que a economia global viva uma nova Grande Depressão, como a ocorrida nos anos 1930. O mais provável, avalia, é que o mundo atravesse um longo período de baixo crescimento, de cerca de cinco anos. Ele se mostra cético quanto à capacidade da China de se transformar na locomotiva da economia global. Quanto ao Brasil, disse que o país está de fato mais preparado para enfrentar a crise, pela situação das contas externas e fiscais e do nível de reservas, mas nota que não há como um grande exportador de commodities não ser afetado pela crise. Conta que veio ao Brasil em março de 2008, para dar uma palestra na reunião do Instituto de Finanças Internacionais (IIF, na sigla em inglês), e se surpreendeu com o pouco caso com que autoridades e empresários brasileiros tratavam da crise, como se fosse um problema ianque. Vocês precisam da recuperação da economia global para prosperar. A seguir, os principais trechos da entrevista.
AP A resposta do governo Obama à crise foi um grande erro de julgamento
Valor: Desde março, os preços de commodities e de ações dispararam, apesar de algumas notícias muito ruins na economia real. Isso significa que o pior da crise já passou ou estamos vivendo uma outra bolha de preços de ativos?
Willem Buiter: Acho que as pessoas não temem mais que o mundo esteja chegando ao fim, não acreditam que haverá uma queda de dez anos como na Grande Depressão. Em termos de crescimento, desemprego, nível de atividade, o pior ainda está por vir. Como disse Jean Claude Trichet [presidente do Banco Central Europeu], a economia passou provavelmente pelo ponto de inflexão, o que significa que as coisas estão ficando piores mais lentamente. No entanto, ainda não atingiram o ponto de virada, em que as coisas começam a melhorar. A questão é que os mercados financeiros frequentemente respondem mais cedo a perspectivas de melhoras futuras do que o resto da economia. Realmente, não estou surpreso pela recuperação dos preços de ações. A queda dos preços tinha sido provavelmente exagerada, não considerando as cotações de ações do setor financeiro. O setor financeiro ainda é uma área desastrosa e estou muito surpreso de que tenha havido uma recuperação aí. Mas, no caso dos outros setores da economia, não acho que os mercados de ações estavam particularmente supervalorizados em grande parte do mundo, até mesmo em meados de 2007. O colapso dos preços das ações tinha sido um pouco exagerado. Alguns mercados de ações estavam supervalorizados, especialmente em alguns países emergentes, como na Rússia, na China e, até certo ponto, no Brasil, mas mesmo nesses países a reação foi exagerada. Alguma recuperação é inteiramente normal. Não é realmente uma bolha de ativos, exceto pelas ações do setor financeiro, que continua numa situação muito ruim e é improvável que melhore em breve.
Valor: Quais são as principais causas da desvalorização do dólar? É algo preocupante?
Buiter: Depende para quem (risos). Claramente, quem detém ativos em dólar não vai ficar muito feliz. É o caso do banco central chinês, dos países do Golfo Pérsico, do banco central russo e de todo investidor em títulos denominados em dólar. Acho que a desvalorização é uma resposta perfeitamente normal para o fato de que, no geral, o Fed foi o mais expansionista dos principais bancos centrais nesta crise. Os investidores respondem à possibilidade de que os Estados Unidos podem estar numa trajetória fiscal insustentável, que será corrigida no futuro através de inflação mais alta, reduzindo o valor da dívida elevadíssima contraída pelo governo, como já foi feito no passado. Mas não acho que veremos em breve uma parada súbita de capitais para os Estados Unidos, no estilo do que ocorria com os mercados emergentes, em que os investidores se recusavam a ficar com a moeda e os títulos soberanos americanos, levando a um colapso financeiro da moeda e a um default. É mais provável que os Estados Unidos resolvam o seu problema de insustentabilidade fiscal por meio de inflação mais alta, mas moderada, do que por meio de um calote na dívida ou um colapso da moeda.
Valor: Há um debate sobre a alta dos juros de longo prazo nos Estados Unidos. O historiador Niall Ferguson diz que os elevados déficits fiscais estão empurrando as taxas para cima. O sr. acha que os Estados Unidos e o Reino Unido devem apertar um pouco a política fiscal para evitar dúvidas sobre a solvência fiscal dos governos?
Buiter: Há dúvidas reais, especialmente nos Estados Unidos, mas até certo ponto também no Reino Unido, sobre a solvência de longo prazo do governo. Acho que um default é muito improvável. Pode haver aumento nos prêmios de risco de calote, mas se você olhar para o mercado de credit default swaps (CDS) para os governos dos Estados Unidos e do Reino Unido, eles sugerem que não há muita atividade. Os governos têm uma opção menos perigosa, que é inflacionar a dívida, o que leva a um aumento dos juros nominais de longo prazo. Se há um risco de aumento do risco de inflação, isso leva um aumento dos juros reais. Acho que é isso que estamos vendo. Para corrigir isso, é necessário um compromisso crível com um aperto fiscal futuro, que os Estados Unidos não têm condições de fazer.
Valor: OS Estados Unidos devem apertar a política fiscal agora?
Buiter: Não agora, mas eles têm que ser capazes de se comprometer com um programa de aperto muito significativo, digamos, dentro de cinco anos, e eles não podem. Os mercados sabem disso, acredito. Se os mercados ficarem realmente assustados, talvez o único modo de ganhar credibilidade seja fazer um aperto fiscal antes do que seria necessário se eles a tivessem. Mas os Estados Unidos não têm mais credibilidade fiscal. Não acreditam em dor, exceto em Guantánamo. Basicamente, os democratas tendem a vetar qualquer corte de gastos futuros e os republicanos tendem a vetar aumentos de impostos. Isso significa que os dois partidos excluem, por causa da disfuncionalidade do sistema político americano, qualquer solução de longo prazo para a situação fiscal insustentável que não envolva calote ou inflação mais alta. O Reino Unido está numa versão mais branda dessa situação, porque o Executivo aqui é muito mais forte que o americano. Não há freios e contrapesos. São más notícias para a democracia e para os direitos civis, mas pode ser uma boa notícia para a credibilidade fiscal. O único risco no Reino Unido é, se houver um parlamento dividido na próxima eleição, em que nenhum partido tenha maioria ampla. O Reino Unido não tem nenhuma experiência com um governo de coalizão. Isso pode fazer com que não haja força política suficiente para impor a dor fiscal, que é considerável, e terá que ser imposta para o país continuar solvente.
Valor: Os bancos centrais e os governos conseguiram evitar uma nova Grande Depressão
Buiter: Provavelmente, sim. Se você comparar o que os governos e os bancos centrais em todo o mundo fizeram nesta crise com o que fizeram nos anos 1920, a política monetária agora é muito mais expansionista, os juros são mais baixos, há a política de alívio quantitativo [a compra de títulos públicos e privados pelos bancos centrais] e a base monetária aumentou muito mais. Além disso, não houve a adoção de políticas pró-cíclicas, a não ser em alguns países que estavam fiscalmente mortos, como Islândia, Letônia e Hungria. Muitos dos maiores países puderam deixar os estabilizadores fiscais operarem normalmente e adotaram algumas medidas discricionárias de política fiscal. Então, é uma situação bem diferente. Também se evitaram grandes guerras internacionais de comércio. Espero que as coisas continuem feias, mas não uma repetição da Grande Depressão.
Valor: Então é mais provável que o mundo experimente um período longo de baixo crescimento do que uma nova depressão?
Buiter: Exatamente. Pode ser um período de cerca de cinco anos, com a economia crescendo abaixo do potencial.
Valor: Como o sr. analisa a resposta do governo Obama à crise, especialmente em relação ao sistema financeiro? Ela resolveu os problemas bancários ou a solução ainda está distante?
Buiter: Foi pobre. Foi melhor que no Reino Unido e nos outros países da Europa, mas ainda assim foi patético. Um fator que contribui para instabilidade financeira futura é que, depois do caso do Lehman Brothers e do Washington Mutual, eles declararam todos os credores sem garantias dos grandes bancos como credores com garantias. Com isso, colocaram o dinheiro dos contribuintes, em vez de exigir que os credores sem garantias se convertessem em acionistas. É um grande erro de julgamento e de coragem política, e eles vão pagar um preço caro por causa disso. No curto prazo, isso não importa muito, por que, enquanto os bancos tiverem capital, não importa de onde ele vem. Mas de um ponto de vista de longo prazo, com a questão do risco moral, basicamente o que se disse aos bancos nos Estados Unidos é que eles realmente eram muito grandes ou politicamente bem relacionados para falir. Tudo foi muito mal desenhado do ponto de vista dos incentivos.
Valor: O sr. tem uma proposta para resolver a crise no sistema financeiro baseada no modelo do banco bom. Por que ela é melhor do que a adotada pelo governo?
Buiter: Porque faz os credores sem garantias pagarem pelas perdas dos bancos. Quem fez maus investimentos paga, em vez dos contribuintes. Do ponto de vista dos incentivos, esse é o modelo correto a ser seguido.
Valor: Por que eles não adotaram uma solução na linha da sua proposta?
Buiter: Parte dos membros do governo muito próxima dos mercados financeiros e dos credores sem garantias. É um exemplo de captura do Estado por interesses do setor financeiro. Os credores sem garantias são outros bancos, fundos de pensão, companhias de seguros, e são muito mais vocais, têm lobbies mais eficientes do que os contribuintes.
Valor: Quais as principais lições da crise para os reguladores? [a entrevista foi feita antes do anúncio do plano de Obama para a regulação.]
Buiter: A primeira é que é necessário regular o risco onde ele estiver localizado, e não regular instituições ou instrumentos do mercado. É necessário ter uma visão global do risco, que está sempre associado à alavancagem e descasamento, especialmente descasamento de duração e liquidez. Em qualquer tipo de instituições que ele estiver. O segundo ponto é que a regulação tem que ser feita no nível dos mercados. Se as instituições são globais, a regulação tem que ser global. Se não houver padrões globais de regulação e uma aplicação global da regulação, haverá uma competição entre reguladores, por que todo mundo quer atrair atividade financeira para os seus próprios centros financeiros. Isso é uma lembrança de que não se pode deixar nenhuma instituição se tornar muito grande para falir. Se ela é grande demais para falir, ela é grande demais. É necessário dividir os bancos e separá-los. É importante elevar as exigências de capital, assim como evitar que as instituições entrem em atividades que envolvam conflitos de interesses.
Valor: O sr. acredita que a China pode ser uma locomotiva para a economia global?
Buiter: Acho que pode ajudar, mas a China não é os Estados Unidos. O país não é grande o suficiente para agir como uma locomotiva. É mais um pequeno motor que pode ajudar. O problema para a China, mesmo para ser um pequeno motor, é que tem que redirecionar a demanda do setor exportador para a demanda doméstica, especialmente o consumo. Temo que eles não estejam prontos para isso. A China é um grande petroleiro. É muito difícil fazê-la mudar de direção. Tenho certeza de que eles entenderam que têm que dar mais importância para a demanda doméstica, mas a questão é como fazer isso. A China sabe o que tem que fazer, mas a questão é quão rapidamente pode fazer isso. Duvido que consigam ainda em tempo para esta recessão. Mas eles podem nos surpreender. Essa é a minha esperança.
Valor: Como analisa a situação do Brasil nesta crise?
Buiter: O Brasil está obviamente em melhor forma para lidar com esta crise do que nos últimos 30 ou 40 anos. No entanto, estive no Brasil em março de 2008, e fui surpreendido com o pouco caso com que empresários e autoridades tratavam da crise, como se fosse um problema ianque, que possivelmente não afetaria o Brasil, por que o país tinha uma situação externa mais sólida, mais reservas internacionais e disciplina fiscal. Isso tudo é verdade e isso tudo ajuda, mas, se o comércio global entra em colapso e os preços de commodities despencam, países voltados para o comércio exterior ou grandes exportadores de commodities, como o Brasil, sofrem, e era claro que o país sofreria. As pessoas também não entenderam que a posição externa financeira líquida era forte e positiva, mas ainda havia muita dívida bruta. As empresas brasileiras tinham se endividado bastante em moeda estrangeira no curto prazo. Havia muita complacência e satisfação com o fato de os ianques terem sido atingidos, para variar. Consigo entender a reação, por que, depois de receber sermões por 30 anos do Grande Irmão em Washington, é de algum modo interessante assistir a ele cometer todos os erros de que você era acusado. Ainda assim, isso não é um bom guia para as políticas, e o país ainda está vulnerável. Vocês precisam da recuperação da economia global para prosperar. Até que isso ocorra, terão que depender da demanda doméstica. Se não fizerem isso de modo inteligente, podem afetar as fontes da robustez fiscal e externa que permitiram que vocês resistissem ao pior da crise, em primeiro lugar. Será um desafio. Vocês terão um outro ano difícil até que a economia global se recupere.}
Valor: O sr. escreveu um post criticando o presidente Luiz Inácio Lula da Silva pela declaração de que a crise foi causada pelo comportamento irracional de brancos de olhos azuis. O que o desagradou na frase?
Buiter: É uma pena, por que o presidente Lula é, de muitas maneiras, um grande homem, e esta frase está abaixo dele. É uma tirada política barata. Não é algo desastroso, mas ele deveria focar no que é de fato importante, e não transformar um assunto de má administração, incompetência, ganância e problema de regulação num assunto racial. Isso não ajuda. (Valor Econômico – 19/06/09) Proposta defende banco de fomento às exportações A criação de um banco de fomento às exportações, a redução da carga tributária e dos recolhimentos compulsórios, a imposição de uma regulação mais rigorosa para as empresas de cartões de crédito e a obrigatoriedade do ensino da educação financeira são os principais pontos entre as várias sugestões aprovadas pelos deputados para que a economia brasileira saia mais rápido da crise.
A lista foi preparada pelo deputado Neudo Campos (PP-RR), relator da Comissão da Crise Econômica que analisou as repercussões no comércio. O extenso trabalho foi enviado ao presidente da Câmara Michel Temer (PMDB-SP) e também será levado ao governo.
O relatório aprovado pelos deputados defende a criação de uma espécie de Eximbank brasileiro. Segundo a avaliação de Campos, é preciso aproveitar as oportunidades que a crise também está criando e, dessa maneira, o governo tem de apoiar a ampliação do espaço que os produtos brasileiros têm no comércio mundial. O ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Miguel Jorge, já revelou que está nos planos do governo a criação de um Eximbank brasileiro.
A primeira sugestão do relatório, portanto, é o encaminhamento de um projeto de lei complementar que amplie as ações do BNDES para as contratações de seguro e garantia de crédito à exportação, além do resseguro nessa atividade.
Como os deputados avaliaram os impactos da crise no comércio, a polêmica dos cartões de crédito foi muito presente. Os parlamentares defendem um regulação muito mais rigorosa para as empresas do setor. Os lojistas são explorados vergonhosamente. Recebem em 30 dias, as máquinas não são compartilhadas e falta competição. Os juros são extorsivos porque o risco é baixo, comentou o relator.
Preocupados com a restauração do crédito, ponto central da crise que teve sua fase mais aguda iniciada em setembro do ano passado, os deputados também defendem redução no Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) e no recolhimento compulsório exigido dos bancos. Para Campos, alguns projetos de lei a serem votados pelo Congresso já tratam desse assunto.
A obrigatoriedade de as escolas de ensino médio oferecerem aos alunos educação financeira é outra importante sugestão, de acordo com o relator da comissão. O objetivo, segundo as explicações de Campos, é criar a cultura do consumidor consciente, principalmente para que as pessoas saibam o que pagam de juros nos financiamentos. Os brasileiros querem saber apenas se a prestação cabe no salário, lamenta.
Campos também fez a auto crítica e admitiu que a aprovação da reforma tributária foi, durante os dois últimos anos, mais uma oportunidade desperdiçada pelo Congresso. O parlamentar acredita que esse aperfeiçoamento do sistema de impostos e contribuições depende de um longo período de crescimento e bonança na economia, o que ainda está fora das perspectivas.
De 15 de abril a 3 de junho, a comissão realizou seis audiências públicas para ouvir 17 autoridades da equipe econômica do governo, economistas e líderes empresariais e sindicais.(Valor Econômico – 19/06/09)
Lula volta a defender reforma global O presidente disse ainda que, antes da crise global, havia países que pensavam saber mais do que os outros e que o Estado não tinha papel relevante.
Mas agora todos ficaram iguais e já não há no mundo quem tenha certeza absoluta do que faz disse Lula.
Visivelmente cansado, o presidente afirmou que o resultado da reunião dos Brics (que reúne Brasil, Rússia, Índia e China), um dia antes em Ekaterinburgo, na Rússia, foi extraordinário e que o país vai analisar o uso de moedas locais no comércio bilateral com esses países. Há propostas de criação de uma nova moeda, uso de uma cesta de moedas e a experiência brasileira no comércio exterior com a Argentina.
O Guido (Mantega, ministro da Fazenda) e o Meirelles (Henrique Meirelles, presidente do Banco Central) estão autorizados a conversar com os colegas para ver se há entendimento para fazer comércio entre os países sem precisar comprar Vivian Oswald o dólar — disse Lula, lembrando ainda que FMI e Bird precisam ser democratizados.
Lula foi recebido pelo presidente do Cazaquistão Nursultan Nazarbayev, com quem discutiu as possibilidades de incrementar o comércio bilateral, estimado em US$ 274 milhões. É a primeira visita oficial de um líder latino-americano a esta exrepública soviética. Lula ganhou um cazaque, traje típico, de seu colega, e deu a ele uma camisa de número dez da seleção assinada por todos os jogadores.
Foram discutidos interesses nos setores de biocombustíveis, petróleo, mineração e engenharia.
Lula informou que a Embraer assinou carta de intenção para leasing de dois aviões, sua primeira operação na Ásia Central.
E destacou o interesse da Vale.
Com pouco mais de dez anos, Astana, a capital do Cazaquistão, transformou-se em uma Dubai pós-soviética. Os bilhões de dólares jorrados na economia pela produção de petróleo na última década fizeram com que a cidade crescesse mais de 10% ao ano. Do Palácio Presidencial, avistam-se arranha-céus de todos tamanhos, estilos e cores. (O Globo – 18/06/09) China é criticada por protecionismo As câmaras de comércio dos EUA e da União Europeia (UE) criticaram ontem a decisão do governo chinês de dar preferência aos fornecedores locais nos projetos que integram seu programa de estímulo, de US$ 586 bilhões. A medida, apelidada de "Compre chinês" — em referência ao "Compre América" aprovado pelo Congresso dos EUA no início de 2009 e que tinha o mesmo objetivo — está em vigor desde 1ode janeiro, mas só foi divulgada esta semana.
A Câmara Americana de Comércio disse que "empresas e trabalhadores chineses e americanos têm muito a perder com o protecionismo". A Câmara de Comércio da UE afirmou que a medida "dará um sinal errado" em um momento em que a cooperação é necessária para tirar o mundo da crise.
Kirchner defende barreiras; Mantega cancela visita Na Argentina, o ex-presidente da Argentina Néstor Kirchner (2003-2007), candidato a deputado nas eleições do próximo dia 28 de junho — quando parte do Senado e da Câmara será renovada —, defendeu a ofensiva protecionista de seu país, que está prejudicando exportações brasileiras.
São exemplos calçados, eletrodomésticos e brinquedos.
Em ato na província de Buenos Aires, Kirchner disse que o governo de sua esposa Cristina não quer "que nos invadam de bugingangas": — Temos de consolidar uma indústria forte.
A despeito do discurso do ex-presidente, Cristina Kirchner recebeu ontem uma má notícia de Brasília. A visita que o ministro da Fazenda, Guido Mantega, faria a Buenos Aires amanhã, para anunciar uma injeção equivalente a US$ 1,5 bilhão no Banco Central argentino, foi cancelada. A explicação oficial é que ainda faltam ser fechados detalhes técnicos e jurídicos para a operação. (O Globo – 18/06/09) Balança comercial: A hipótese de um déficit da balança comercial brasileira em 2009 está descartada, na avaliação de José Augusto de Castro, vice-presidente da AEB (Associação de Comércio Exterior do Brasil).
A queda das exportações devido à crise econômica internacional deve ser, neste ano, superior à que se esperava, mas a redução das importações também se mostra surpreendentemente maior.
Em janeiro, a AEB estimava que as vendas externas do Brasil cairiam 12,3%, para US$ 163 bilhões. Agora, projeta que estarão entre US$ 150 bilhões e US$ 153 bilhões. O país conta com as commodities. A recuperação do seu preço compensa um pouco a diminuição dos volumes exportados, disse Castro em palestra na Amcham (Câmara Americana de Comércio) ontem.
A projeção para as importações passou de US$ 146 bilhões -o que significaria uma baixa de 15,6%- para entre US$ 130 bilhões e US$ 133 bilhões. A partir de julho e agosto, se a retomada da atividade do país se confirmar, as compras de insumos e bens intermediários tendem a aumentar.
Mesmo assim, pelos cálculos da AEB, o saldo positivo da balança deve ficar entre US$ 17 bilhões e US$ 20 bilhões. (Folha de S. Paulo – 18/06/09) Usar moeda local entre Brics levaria anos, diz Lula Rússia e China anunciam acordo para usar menos dólares em transações; Lula pede que países tomem medidas contra novas crises
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva negou que a China tenha vetado a proposta de introduzir moedas locais no comércio entre os membros do Bric no documento final da primeira cúpula do bloco, que inclui ainda Brasil, Rússia e Índia.
O presidente confirmou que a ideia foi discutida na inédita reunião realizada na terça-feira na cidade russa de Ecaterimburgo, mas disse que não houve veto chinês, conforme noticiaram algumas agências de notícias internacionais.
Não houve veto. Essa discussão não estava assegurada e não é uma discussão que você propõe e acontece no dia seguinte. É uma discussão que leva anos, disse Lula ontem, ao concluir sua visita a Astana, capital do Cazaquistão.
O presidente explicou que ainda é preciso afinar a sintonia entre os membros do bloco, já que há países que propõem a criação de uma moeda nova, enquanto outros querem uma cesta de moedas.
No caso do Brasil, temos uma experiência prática, pois estabelecemos com a Argentina a nossa troca comercial nas nossas moedas, afirmou o presidente, em referência ao SML (Sistema de Pagamentos em Moeda Local), que entrou em vigor em outubro.
Embora o mecanismo seja utilizado em menos de 1% do comércio bilateral entre os dois parceiros do Mercosul, Lula disse que é um bom começo. O primeiro passo para implantar o sistema no Bric será uma reunião entre os presidentes dos Bancos Centrais e ministros da Fazenda, ainda sem data. É um passo extremamente importante, elogiou Lula.
Um dia depois do encontro, os governos de China e Rússia concordaram em ampliar o uso do rublo e do yuan nas relações comerciais entre os dois países para diminuir a dependência do dólar. Nós concordamos em tomar mais medidas nessa direção, inclusive ajustando contratos e leis, disse o presidente russo, Dmitri Medvedev.
Para Lula, a primeira cúpula do Bric foi extraordinária por permitir também uma coordenação para aplicar as medidas mais urgentes decididas pelo G20 financeiro.
Lula reiterou o perigo de haver um recuo nos compromissos assumidos no último encontro do grupo, em abril.
O que pode acontecer de pior no mundo é esta crise terminar sem que a gente faça as mudanças que temos de fazer, disse. Não dá para ficar tudo como está. O sistema financeiro não pode mais viver por conta da especulação.
O primeiro teste para a coesão do Bric será a reunião do G8, o grupos das economias mais industrializadas e a Rússia, no começo de julho. (Folha de S. Paulo – 18/06/09) Comércio exterior A CNI (Confederação Nacional da Indústria) lançou ontem em São Paulo o programa AL-Invest IV 2009-2012, que prevê investimentos de 18,7 milhões -cerca de R$ 51,6 milhões- em quatro anos para estimular a internacionalização de pequenas e médias empresas latino-americanas.
O programa será desenvolvido com a Comissão Europeia (braço executivo da União Europeia), que desembolsará 15 milhões. A CNI é responsável pelo restante do investimento. A parceria entre as entidades existe desde 1994 e, a partir de agora, será estimulada com base em consórcios regionais.
A CNI coordena o bloco que reúne Mercosul, Chile e Venezuela. Empresas brasileiras interessadas devem procurar as federações da indústria dos Estados. Pequenas e médias companhias de qualquer setor podem participar. (Folha de S. Paulo – 16/06/09) A primeira reunião dos Brics Faltou assunto para dar substância à primeira conferência de cúpula dos Brics, por enquanto apenas uma sigla, não um grupo e muito menos um bloco. É, no mínimo, um exagero já chamar, neste momento, de histórica a reunião dos chefes de governo dos quatro maiores países emergentes - Brasil, Rússia, Índia e China - realizada em Ecaterimburgo, nos Urais. A principal declaração distribuída depois do encontro enumera alguns objetivos amplos, como a construção de um sistema financeiro mais seguro, a reforma de instituições multilaterais, a conclusão da Rodada Doha de negociações comerciais e a renúncia ao protecionismo.
Essas bandeiras foram agitadas também na última reunião do Grupo dos 20 (G-20), realizada em Londres em 2 de abril. São importantes para todo o mundo, já foram discutidas em vários foros, incluído o Fundo Monetário Internacional (FMI) e já estão incluídas na agenda global. Não bastam para diferenciar os países classificados como Bric e conferir-lhes uma identidade coletiva. Outros itens do comunicado, como as promessas de cooperação científica e tecnológica, a defesa do desenvolvimento sustentável e o apoio a um sistema internacional baseado na lei e na solução pacífica de controvérsias, poderiam constar de outras declarações conjuntas.
Segundo informou uma fonte, na véspera do evento, o encontro deveria servir como contrapeso à reunião de cúpula do Grupo dos 8 (G-8) programada para os dias 8 a 10 de julho na cidade italiana de Aquila. Tolice monumental. A Rússia é o oitavo membro do G-8. Os outros são as sete principais economias capitalistas - Estados Unidos, Japão, Alemanha, Reino Unido, França, Itália e Canadá. Americanos e europeus têm as maiores cotas de acesso ao mercado russo de carnes. O Brasil não tem nem cota, e o presidente russo, consultado sobre o assunto num encontro paralelo à cúpula dos Brics, desconversou. Na semana passada, o ministro brasileiro das Relações Exteriores, Celso Amorim, havia anunciado, em Paris, a morte do G-8. Em Ecaterimburgo, seu colega russo, Sergey Lavrov, desmentiu o necrológio.
Antes da cúpula, o ministro das Finanças da Rússia, Alexei Kudrin, havia defendido a adoção de outras moedas, além do dólar, como reservas internacionais. O assunto tem aparecido com frequência em pronunciamentos do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Além de apoiar a substituição pelo menos parcial da moeda americana como ativo de reserva, o presidente brasileiro tem proposto a vários parceiros o comércio baseado em moedas nacionais. Era um dos assuntos em sua agenda, antes da cúpula. O comunicado final passou longe do tema. Conteve apenas uma vaga defesa de um sistema monetário internacional estável, previsível e mais diversificado.
Seria surpreendente se a declaração conjunta fosse muito além desse ponto, considerando-se a condição da China como principal detentora de papéis do Tesouro americano - US$ 767,9 bilhões, segundo informação recente do Tesouro dos Estados Unidos. Depois de um comentário do presidente russo, Dmitri Medvedev, sobre a questão das moedas de reserva, o dólar havia caído 0,9%. Mais prudente seria mudar de assunto, para não impor uma desvalorização aos títulos americanos guardados pela China.
O principal comunicado conteve ainda referências a alguns temas de interesse especial de membros do Bric. Houve uma declaração de apoio às pretensões brasileira e indiana de assumir um papel mais importante na Organização das Nações Unidas - uma referência indireta à ampliação do Conselho de Segurança, do qual Rússia e China já são membros permanentes.
Além disso, houve menções à diversificação das fontes energéticas (incluídos os biocombustíveis, presumivelmente) e à segurança de rotas de trânsito de energia. Problemas de trânsito ocorreram, não há muito tempo, quando o governo da Ucrânia interrompeu o fluxo de gás da Rússia para o mercado europeu.
O segundo comunicado, sobre a segurança alimentar, é até mais chocho. Além de se pronunciar a favor dos países pobres, os Brics insistem na conclusão da Rodada Doha e isentam os emergentes (principalmente a China) de responsabilidade pela alta de preços dos alimentos nos últimos anos. A próxima cúpula foi marcada para 2010, no Brasil. (O Estado de S. Paulo – 18/06/09) BCs do Bric discute moeda na semana que vem na Suíça Os bancos centrais do Brasil, Índia, China e Rússia vão se reunir na semana que vem na Basileia para tentar operacionalizar o projeto de abandonar parcialmente o dólar nas transações comerciais entre os Bric. O Brasil ainda tentará fechar um acordo semelhante para substituir o dólar no comércio com o Uruguai, mais uma passo para deixar de usar a moeda americana no Mercosul.
A informação é do presidente do BC brasileiro, Henrique Meirelles, que ontem esteve na Suíça para dar garantias aos membros do Comitê Olímpico Internacional (COI) de que o Brasil tem estabilidade suficiente para sediar os Jogos de 2016.
No início da semana, a troca de moedas entre os quatro países emergentes esteve na agenda da cúpula dos Bric, em Ecaterimburgo. Politicamente, não há mais nenhum entrave, disse Meirelles ao Estado.
O projeto é de permitir que os países possam usar moedas locais para fechar seus contratos de exportação e importação. Dessa forma, evitariam ser prejudicados pela variação do dólar ou pela falta da moeda americana em algum momento. O movimento ainda significaria um fortalecimento do bloco de países emergentes.
Joseph Stiglitz, prêmio Nobel de Economia, é um dos que sugere essa opção em seu projeto de reforma do sistema financeiro internacional, processo solicitado a ele pela ONU.
Mas o projeto enfrenta problemas importantes. O primeiro deles é o de competitividade. Setores industriais no Brasil temem que os chineses possam se aproveitar do acordo para incrementar ainda mais suas vendas no Brasil. Nos últimos anos, o Brasil vem adotando uma série de medidas de restrição às importações chinesas.
Outro problema é o impacto que acordos de substituição do dólar teriam para o próprio valor da moeda americana. Os quatro países do Bric contam com reservas internacionais no valor de US$ 2,7 trilhões e uma perda de credibilidade do dólar afetaria essas reservas.
Vamos conversar com os demais BCs para ver como isso pode ser levado adiante, disse Meirelles, que estará na Basileia para a reunião anual dos presidentes de BCs de todo o mundo. Ele admite que o processo pode ser demorado. (O Estado de S. Paulo – 18/06/09) Brasil, o bonzinho dos Bric O Brasil ama os Bric, os outros Bric preferem amar os parceiros do mundo rico. Essa é a maior diferença entre a concepção estratégica do governo brasileiro e as políticas seguidas pelas autoridades da Rússia, da Índia e da China. O governo russo espera entrar na Organização Mundial do Comércio (OMC) até o fim do ano, disse há duas semanas o vice-ministro russo de Relações Exteriores, Alexander Yakovenko. Isso dependerá do apoio das autoridades americanas e da União Europeia, mas o problema parece quase resolvido. O representante dos Estados Unidos para o comércio exterior, Ron Kirk, já mostrou otimismo quanto à conclusão do processo. Autoridades europeias também dão como praticamente certo o final feliz. As negociações haviam sido interrompidas em agosto de 2008, por causa da invasão da Geórgia. Mas era preciso, além disso, completar o lado econômico das negociações.
Estados Unidos e União Europeia demoraram muito mais que o Brasil para concluir as conversações com a Rússia. A pauta de cobranças de americanos e europeus era muito mais ampla. Também por isso eles têm as maiores cotas de exportação de carnes para o mercado russo. O Brasil, bonzinho, não tem cotas e negociou apenas acordos sem grande significado comercial e de valor prático muito duvidoso - nos setores militar e de energia, por exemplo.
Mas o capítulo das carnes é uma pequena parte da história: os mercados da Europa e dos Estados Unidos são muito mais importantes e o governo russo não parece tão fascinado quanto o brasileiro pelo desenvolvimento das trocas Sul-Sul. Até porque a Rússia não é considerada por seus governantes um país geopoliticamente do Sul. Afinal, o país é o oitavo membro do G-8 e seus governantes partilham a mesa com os colegas dos Estados Unidos, Japão, Alemanha, Reino Unido, França, Itália e Canadá. O chanceler brasileiro, Celso Amorim, parece haver esquecido esse detalhe, na semana passada, quando anunciou a morte do G-8, poucos dias antes da reunião de cúpula dos Bric, na cidade russa de Ecaterimburgo.
Índia e China são membros da OMC e também do G-20 comercial, organizado por iniciativa do Brasil, em 2003, para as negociações sobre agricultura na Rodada Doha. A aliança funcionou razoavelmente enquanto se tratou de cobrar do mundo rico a eliminação ou redução de barreiras ou de subsídios. Deixou de funcionar quando chegou a hora de oferecer contrapartidas. Indianos e chineses não têm interesse em participar de um mercado agrícola concorrencial, com facilidades de acesso para todos. O governo indiano empenhou-se com muito vigor na proposta de salvaguardas especiais para seus agricultores e assim contribuiu para dificultar a conclusão da Rodada. Outros aliados estratégicos também se afastaram do Brasil quando o fim das negociações parecia próximo. A Argentina, por exemplo, insistiu em manter barreiras de proteção à indústria bem maiores que aquelas consideradas aceitáveis pelos brasileiros.
O governo brasileiro define como prioridades o fortalecimento do Mercosul e o comércio Sul-Sul. Os parceiros eleitos como estratégicos pela diplomacia brasileira operam com agendas diferentes. No caso do Mercosul, o maior sócio do Brasil tem como prioridade a proteção da própria indústria, seja qual for o custo para os vizinhos e para a integração comercial do bloco. No caso de outros emergentes, como a China, a Índia e a Rússia, o comércio com os principais mercados do mundo rico é muito mais importante que o intercâmbio com os parceiros do Sul. Nenhum deles tem no topo uma reforma da geografia econômica.
Todos pretendem maior influência nas decisões de alcance mundial, mas em nome de interesses nacionais, e não de uma ideologia terceiro-mundista. Se o mercado latino-americano é hoje especialmente importante para a China, é apenas porque a demanda encolheu no mundo rico e é preciso buscar novos compradores. Nesse esforço, a indústria chinesa tem tomado espaço da indústria brasileira no mercado argentino, enquanto os argentinos impõem barreiras a produtos do Brasil.
A reunião de cúpula dos Bric terminou com declarações vagas e genéricas sobre a reforma financeira internacional e sobre a liberalização do comércio. Não podia ser muito diferente, por falta de uma convergência maior de interesses. O Brasil continuará apostando na formação de um grupo. Rússia, China e Índia usarão o Bric segundo seus interesses, guiadas por uma visão adulta da estratégia internacional. (O Estado de S. Paulo – 18/06/09) O Bric e a tijolada no dólar O BRIC parece um pouco com as bruxas do batido provérbio: não se deve acreditar nele, mas que ele existe, existe. O Bric (Brasil, Rússia, Índia e China) encerrou ontem sua primeira reunião de cúpula, na qual se professou a redução do peso dos EUA e de sua moeda nos negócios do mundo. O domínio do dólar confere aos americanos um "privilégio exorbitante", como os franceses diziam nos anos 1960. Isto é, permite que os EUA consumam mais do que produzem e sustentem desequilíbrios econômicos que acabariam em quebra no resto do globo.
No seu último grande ciclo de desequilíbrio, iniciado no final dos anos 90, os EUA voltaram a acumular déficits externos gigantes (importam mais que exportam) devidos tanto ao excesso de consumo privado como do governo (déficit público). Os EUA quebrariam caso não houvesse um fluxo de capital enorme, vindo de países que produzem muito e consomem menos. Os excedentes de Ásia, países petrolíferos e até do Brasil financiam o gasto (tais países investem em títulos americanos: mantém a maior parte de suas reservas em dólar). Esse é o beabá do chamado "desequilíbrio global".
Como os EUA têm déficit público cada vez mais gigante (13% do PIB) e dívida enorme, há o risco teórico de fuga de ativos americanos e de desvalorização maciça do dólar. Mas: 1) Onde mais colocar o dinheiro?; 2) Em caso de desvalorização catastrófica, quem investe nos EUA teria prejuízo. Os EUA ainda recebem tanto dinheiro porque sua economia é a maior e tem enormes e sofisticados mercados financeiros. Para que os EUA percam essa posição, seria preciso encontrar substituto(s) de igual tamanho e capacidade.
Bem, não é o caso da China. Sua economia nem é bem de mercado.
Seus mercados financeiros são primitivos, opacos e ilíquidos. A moeda de uma ditadura arbitrária e potência econômica ainda nova e menor não é confiável, conversível.
Para piorar, a China vive em simbiose com os EUA: com o grande e gastador mercado americano e com seus mercados financeiros. Não pode se divorciar dos EUA sem mais.
Teria de mudar seu padrão de crescimento (consumir mais, investir menos). Teria de diversificar lentamente suas reservas (a fim de evitar um "crash" do dólar). Teria de deixar sua moeda flutuar e reduzir controles de capitais, o que é anátema.
Mas China e Rússia têm interesse político no enfraquecimento dos EUA. A China até passa sabão nos EUA: diz que o déficit americano provocará inflação (o que o FMI nos dizia). Os chineses começam a auxiliar as finanças de vizinhos e até da Argentina (mas em dólares). O Brasil, em escala micro, começa a fazer o mesmo na América do Sul. Brasil, Rússia e China dizem que vão diversificar suas reservas -vão, por exemplo, investir mais em papéis do FMI (é troco: só 2%, 3% das reservas). Querem comerciar em moedas nacionais, mas isso não tem muito futuro enquanto o financiamento das transações for quase todo em dólar. Querem criar moedas fortes "regionais". E há o rumor de que comprariam títulos uns dos outros, em vez de financiar os EUA (ver para crer).
É um começo. Porém, como se viu no pior da crise, os EUA ainda são considerados o banco do planeta.
Mesmo teoricamente quebrados. (Folha de S. Paulo – 17/06/09) China silencia. E alternativa ao dólar fica de fora A China travou as discussões sobre a criação de uma nova moeda internacional para substituir o dólar no comércio exterior. O assunto, centro das atenções do mercado ontem, foi debatido pelos chefes de Estado e de governo de Brasil, Rússia, Índia e China. O presidente chinês, Hu Jintao, ficou em silêncio sobre as ideias do Kremlin a respeito da alternativa de moeda, o que poderia ser um sinal de divisão no grupo.
Na preparação para a primeira cúpula dos Brics, o Kremlin afirmou que a agenda incluiria a necessidade de mais moedas de reserva de valor e a expansão dos Direitos Especiais de Saque do Fundo Monetário Internacional (FMI). Sem o aval da China - que possui quase US$ 2 trilhões de reservas em moeda estrangeira -, o tema não foi incluído na declaração oficial do evento. Com as gigantescas aplicações em títulos do Tesouro americano, Pequim não quer derrubar o valor de seus investimentos.
A discussão sobre a eventual substituição do dólar como referência no comércio internacional não evoluiu, mas tudo indica que não foi abandonada. Nenhum avanço foi feito por ora, mas ninguém descartou a possibilidade. Pela manhã, antes mesmo do início oficial da Cúpula dos Brics, o chanceler brasileiro Celso Amorim evocava a proposta de uso das divisas nacionais em lugar do dólar. Quem sabe?, afirmou à BBC.
Arkady Dvorkovich, principal assessor econômico do presidente da Rússia, pediu que o FMI amplie a cesta dos Direitos Especiais de saque para incluir o yuan e moedas ligadas a commodities, como o rublo russo e os dólares australiano e canadense, além do ouro.
O Direito Especial de Saque é um ativo internacional de reserva para os países-membros do FMI, e tem uma taxa de câmbio determinada por uma cesta de moedas que atualmente inclui dólar, euro, iene e libra. Está prevista uma revisão da cesta em novembro de 2010.
Os líderes dos Brics debateriam sobre o investimento de suas reservas em moedas de outros países do grupo, abertura do comércio em moeda doméstica e acordos de swap cambial, acrescentou Dvorkovich.
Manifestações semelhantes de autoridades chinesas e indianas deixaram o mercado tenso em grandes praças financeiras do mundo. Na Europa, o euro reverteu a tendência recente e voltou a ganhar terreno do dólar, fechando em 1,3843, ante 1,3793 na véspera. O alívio da pressão sobre a moeda americana só veio com a publicação da declaração final dos Brics.
A ausência da menção, contudo, não significa que o assunto esteja encerrado no grupo dos emergentes. Em entrevista coletiva, o presidente da Rússia, Dmitri Medvedev, foi ambíguo. Primeiro, afirmou que não via possibilidades de alterações da moeda de reservas internacional em um futuro previsível. Em seguida, admitiu que a hipótese pode vir a ser estudada pelo país. (O Estado de S. Paulo – 17/06/09) Poder competitivo da China tira mercado do Brasil na Argentina Com preços imbatíveis, os produtos chineses continuam tomando espaço do Brasil no mercado argentino, apesar da forte queda das importações do país, tanto do Brasil quanto da China. Dados compilados pela consultoria Abeceb.com, que acompanha de perto a evolução do comércio exterior argentino, mostram que as barreiras levantadas contra os produtos importados não foram suficientes para conter a entrada de produtos chineses nem o desvio de comércio com o Brasil, principal sócio do Mercosul. Para uma queda de 35,3% das importações em geral no primeiro trimestre de 2009, as compras no Brasil retrocederam 45,4%, enquanto as da China caíram 25%.
Sem dúvida há uma vantagem de preço importante, explica o economista Mauricio Claveri, responsável pelas análises de comércio exterior da Abeceb.com. Os setores produtivos argentinos que usam insumos importados preferem trazer da China, porque é mais barato, afirma Claveri, lembrando que essa tendência é mais acentuada na fabricação de bens de consumo como calçados e têxteis, mas que também está aumentando em químicos, ferramentas, bens de informática e tecnologia (como notebooks, laptops, jogos e câmeras).
A partir de novembro, o governo argentino reformulou sua política de defesa comercial, renovando toda a lista de produtos sujeitos a supervisão nas aduanas, ampliando a relação de itens submetidos a licenciamento não automático (que atrasa a liberação das mercadorias), medidas antidumping (processos por concorrência desleal), compromissos de preços e acordos de restrição voluntária de exportações. O resultado é que, atualmente, estas barreiras alcançam 609 posições tarifárias, equivalentes a importações de US$ 6,632 bilhões, ou 11,6% do total importado.
A relação é mais desfavorável para a China, que teve 20,1% das exportações para a Argentina afetadas por aquelas barreiras, enquanto o Brasil teve 14,8%. Os produtos mais atingidos pelas novas restrições são calçados (96%), material de transporte (especialmente motos e bicicletas, 82%), brinquedos (48%), têxtil e confecções (42,3%). No entanto, sobre esses mesmo setores se produz o desvio de comércio do Brasil em favor da China, destaca Claveri.
As restrições às importações levaram o país a um saldo positivo de US$ 2,3 bilhões na balança comercial em abril, um recorde histórico. No acumulado do primeiro quadrimestre, a Argentina registra superávit de US$ 5,855 bilhões, 43% maior que o registrado no mesmo período de 2008. Do lado das exportações, embora continuem caindo na comparação com o ano anterior, agora caem menos: em abril houve declínio de 13%, contra 16% em março e 25% em fevereiro.
A distorção que favorece a China em detrimento do Brasil vem de muito tempo, na verdade desde que a economia argentina retomou o crescimento no período pós-crise, de 2003 em diante. Mas ficou mais evidente a partir do fim do ano passado, e início deste, com a atividade econômica no país entrando em declínio por conta do recrudescimento da inflação e pela crise mundial. No período 2007-2008, enquanto as importações junto ao Brasil aumentaram 23%, as da China cresceram 38%, levando os asiáticos a galgarem espaços deixados pelo Brasil em diversos setores.
Há um rumor de que novas medidas de restrições estão a caminho. Em reunião com empresários, na semana passada, o secretário de Comércio Interior, Guillermo Moreno, teria pedido que os importadores passassem a exportar para que tivessem liberados seus produtos parados nas aduanas. Claveri acha que uma medida como essa não teria amparo legal, porque fere não apenas regras internas, mas também acordos internacionais. (Valor Econômico – 17/06/09) Morgan Stanley faz mea-culpa e revisa PIB para cima Em tom de mea-culpa, a instituição diz, em relatório, que foi pessimista demais em relação às perspectivas para a economia e para a taxa de câmbio. Nós subestimamos a resistência do país a choques e não antevimos a rápida melhora nos fluxos de capitais e nos preços de commodities.
Assinado por Marcelo Carvalho, o texto informa que a projeção para o crescimento do PIB em 2010 subiu de 0,5% para 2,5%. A estimativa para o dólar no fim de 2009 caiu de R$ 2,50 para R$ 2,10, enquanto a projeção para o fim do ano que vem recuou de R$ 2,60 para R$ 1,90.
Carvalho diz que o progresso genuíno dos fundamentos macroeconômicos levou empresas, consumidores e investidores globais a ter confiança de que o país poderia resistir à turbulência internacional. Como resultado, as empresas não cortaram o emprego tanto como esperávamos. A renda e os gastos dos consumidores foram mais fortes do que imaginávamos. Os investidores globais voltaram rapidamente, ajudando o país a navegar na crise.
Com os investidores internacionais expressando confiança nas perspectivas para o Brasil, as autoridades viram um círculo virtuoso: o câmbio se valorizou, ajudando a manter a inflação baixa, o que permitiu um afrouxamento adicional da política monetária para estimular a demanda, afirma o relatório, que destaca o impacto positivo da recuperação das commodities e do aumento da demanda da China pelas exportações do Brasil.
Carvalho diz que a queda do PIB no primeiro trimestre, de 0,8% em relação ao anterior, feito o ajuste sazonal, foi mais suave do que o esperado. O mercado de trabalho, a confiança do consumidor e a disponibilidade de crédito deram apoio ao consumo privado. Outro ponto positivo é que, nesta crise, o Brasil conseguiu promover políticas anticíclicas, o oposto do que costumava ocorrer nas anteriores, segundo ele. O país pôde reduzir os juros e diminuir o esforço fiscal.
Carvalho diz, porém, que o cenário externo ainda limita as perspectivas de crescimento do Brasil. Embora o panorama para 2010 tenha melhorado, o mundo deve avançar mais lentamente que entre 2003 e 2007. Por fim, ele afirma que o aumento do crescimento potencial de longo prazo depende do avanço de reformas estruturais. (Valor Econômico – 17/06/09) A compensação de tributos federais e o Projeto de Lei 699 Encontra-se pendente de apreciação no Senado Federal o Projeto de Lei (PLS) nº 699, de autoria do senador Renato Casagrande, que pretende introduzir uma importante alteração na legislação que, se aprovada, influenciará de maneira bastante positiva o dia a dia das empresas. Trata-se de uma proposta de revogação do parágrafo único do artigo 26 da Lei nº 11.457, de 2007. É importante lembrar que essa foi a lei que unificou a Secretaria da Receita Federal e a Secretaria da Receita Previdenciária, criando a Receita Federal do Brasil.
O parágrafo único do artigo 26 da Lei nº 11.457 vetou a compensação de débitos relativos a contribuições previdenciárias com créditos de outros tributos, muito embora estejam todos eles, a partir de então, sob a mesma administração. A ideia proposta no Projeto de Lei nº 699 é justamente a de permitir às empresas tal compensação, viabilizando um mecanismo que permitirá a utilização de créditos acumulados com maior rapidez, diferentemente do ocorre hoje.
Com efeito, muitas empresas, em especial as exportadoras, acumulam créditos tributários, ao mesmo tempo em que não têm débitos suficientes, na sua operação regular, a compensar. Em consequência, o saldo de créditos vai crescendo e a perspectiva de que sejam consumidos se alonga cada vez mais. Considerando os valores que as empresas pagam, a título de contribuição previdenciária sobre a folha de salários, é fácil verificar que, se esses débitos puderem ser compensados com créditos acumulados de outros tributos, a tendência é a de que as empresas tenham seus saldos consumidos em uma velocidade muito maior. Em algumas situações e decorrido certo tempo, é possível, inclusive, que as empresas sequer acumulem créditos, vindo a utilizá-los, mês a mês, com valores devidos sobre a folha de salários, entre outras contribuições previdenciárias.
É importante lembrar que, se têm créditos, é porque as empresas recolheram indevidamente tributos. Elas consumiram caixa para pagar indevidamente valores aos cofres públicos, os quais deveriam ser imediatamente restituídos. Infelizmente, não é isso o que ocorre. Se antes da unificação do sistema justificava-se o impedimento à compensação, não há dúvida que, após a criação da Receita Federal do Brasil, não há mais sentido que créditos e débitos, sujeitos à fiscalização e à exigência pelo mesmo agente público, não possam ser compensados. Trata-se de uma medida absolutamente lógica, justa e consoante com a boa política fiscal.
Por essas razões, o Projeto de Lei nº 699 é de vital importância às empresas, em especial àquelas que reiteradamente acumulam créditos de tributos federais. Tanto é assim que a proposta recebeu parecer favorável na comissão de assuntos sociais do Senado e, atualmente, aguarda a apreciação da comissão de assuntos econômicos daquela casa legislativa.
Por outro lado, em que pese sua importância e os interesses que estão em jogo, é inegável que a burocracia a ser enfrentada é danosa aos contribuintes e, por conseguinte, ao próprio país, já que, após percorrer todas as instâncias cabíveis no Senado Federal, esse projeto deverá ser encaminhado à Câmara dos Deputados, onde, seguindo a rotina ordinária da casa, terá que ser analisado e aprovado por várias comissões.
Diante dessa realidade, a grande indagação é se tudo isso faz sentido, ainda mais se considerarmos os efeitos da crise econômica mundial e as dificuldades na obtenção de crédito enfrentadas pelas empresas. Não seria muito melhor aos contribuintes - e ao próprio país - se os créditos acumulados pudessem ser compensados com tributos regularmente pagos, mantendo-se, portanto, recursos nos caixas das empresas?
Não se trata de dinheiro novo injetado na economia ou ofertado graciosamente às instituições privadas. Trata-se, sim, de um acerto de contas por parte do governo federal, que ao mesmo tempo desonera as exportações, mas impede que as empresas (inclusive) exportadoras deságuem os créditos acumulados, impondo vários impedimentos à compensação de tributos. Esse assunto chama ainda mais nossa atenção se considerarmos todos os esforços do governo federal no sentido de oferecer novas linhas de crédito, via Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), às empresas nacionais. Não seria muito mais simples ampliar a possibilidade de compensação de tributos pagos indevidamente? Não faria muito mais sentido suprimir as restrições a essa prática? Procura-se dar liquidez às empresas, mas ao mesmo tempo cria-se - e mantém-se - normas tributárias que retiram da economia real a liquidez de que tanto precisa.
Como dito acima, essa situação atinge com maior violência as empresas exportadoras, naturalmente acumuladoras de créditos, considerando que as saídas à exportação se encontram, em geral, desoneradas de tributos. Insista-se: a não aprovação do referido projeto de lei posterga o ressarcimento de tributos indevidamente recolhidos - ao restringir a compensação de créditos - tomando emprestada a liquidez das empresas.
São situações como essa que tornam sem sentido o emaranhado de normas tributárias com as quais temos que conviver diariamente e que, aos operadores do direito, impingem uma responsabilidade ainda maior de divulgar, questionar e combater. Independentemente da ideologia dos legisladores, a coerência deve permear todos os atos da vida pública. É o que esperam os cidadãos pagadores de impostos do país. (Valor Econômico – 17/06/09) Apesar do barulho, cúpula do Bric termina sem nada de impacto ECATERIMBURGO, Rússia - Apesar de ter feito muito barulho quanto a desafiar o status quo das finanças internacionais, a primeira cúpula das potências emergentes do Bric foi uma performance pouco expressiva, demonstrando as dificuldades que seus membros enfrentam para formar um bloco coeso.
A reunião de líderes do Brasil, Rússia, Índia e China por poucas horas na cidade russa de Ecaterimburgo na terça-feira nunca poderia produzir um projeto de reforma internacional.
Mas o comunicado final do encontro trouxe poucos dados específicos. Não mencionou a criação de uma moeda de reserva supranacional para diluir o domínio do dólar, uma ideia que a Rússia tem promovido fortemente.
"Presidentes não assimilaram a moeda de reserva" foi a manchete do diário russo Kommersant na reportagem sobre o encontro.
Em vez disso, as quatro potências econômicas emergentes díspares se apresentaram como uma ampla frente comum para tentar serem mais ouvidas em negociações com as potências ricas, disse Gregory Chin, da Universidade de York, em Toronto.
"Isto (a cúpula) era para se certificarem de que os interesses das nações em desenvolvimento continuem a receber atenção nos encontros do G8 e do G20," disse Chin, que está estudando o papel internacional dos Brics e outras economias emergentes.
A próxima cúpula do Grupo dos Oito, que reunirá as potências mundiais, será realizada em julho, na Itália, e a do Grupo dos 20 terá lugar nos Estados Unidos no fim do ano.
Para terem influência de fato, os governos do Bric precisam concordar com metas comuns que vão além de simplesmente pedir mais lugares nas principais mesas de negociação do mundo.
Profundas diferenças entre eles tornam isso difícil.
A China, de longe a nação mais poderosa do Bric, ficou em grande parte silenciosa em Ecaterimburgo. Não fez eco aos pedidos do Brasil e da Rússia para que as potências do Bric tentem afrouxar o controle do dólar sobre o sistema financeiro mundial.
O fato de a China possuir enorme quantidade de títulos dos EUA faz com que o país se inquiete sobre qualquer conversação dura que possa levar à redução do valor desses papéis.
A China é o maior detentor mundial de Treasuries dos EUA, num total de 767,9 bilhões, segundo informações recentes do Departamento do Tesouro dos EUA. O Japão tem 686,7 bilhões.
"Há muito mais motivo para a China ser cautelosa, até mesmo hesitante, em pressionar por reformas internacionais," afirmou Chin. "Acho que é seguro dizer que seria do interesse de
odo mundo que a China opere como um reformista cauteloso."
As potências do Bric concordaram em prosseguir com seu namoro no ano que vem no Brasil. Mas a coesão que o bloco terá nessa altura vai depender de quanto conseguirão entrar em acordo para chegar a uma agenda comum.
Como disse o analista político russo Mikhail Vinagradov em um comentário para o diário Nezavisimaya Gazeta: "Se com a Índia temos pelo menos alguma cooperação na esfera técnico-militar, é difícil imaginar o que podemos querer do Brasil". (Reuters – 17/06/09) Brasil será sede de próxima cúpula dos BRICs, em 2010 Os líderes dos quatro países emergentes reunidos na sigla BRIC (Brasil, Rússia, Índia e China) concluíram sua primeira cúpula, em Ecaterimburgo, na Rússia, prometendo uma maior cooperação em diferentes áreas e com o anúncio de que o Brasil sediará o próximo encontro do grupo, em 2010.
A segunda cúpula, ainda sem data, é reflexo de um avanço na formalização do grupo. Estão previstos ainda encontros entre ministros de áreas como Fazenda e também de integrantes dos bancos centrais.
O documento final deixa claro também que os BRICs, como grupo, apóiam as aspirações da Índia e do Brasil de desempenhar um papel maior na Organização das Nações Unidas (ONU).
"Quanto maior for nossa cooperação, mais fortes seremos", disse o presidente russo Dmitri Medvedev. "Queremos uma ordem mundial justa", acrescentou, durante a declaração final à imprensa.
Apesar dessa maior cooperação entre os quatro, os líderes deixam claro, na declaração conjunta, o papel principal que deve ser desempenhado pelo G20 em meio à atual crise e não deixam dúvidas sobre a ambição de que sejam feitas reformas nas instituições financeiras que deem mais voz aos países emergentes e em desenvolvimento.
"As economias emergentes e em desenvolvimento têm de ter mais voz e representação nas instituições financeiras internacionais e sua direção deve ser indicada através de um processo aberto, transparente e baseado no mérito."
Moeda O tema que gerou mais polêmica às vésperas da reunião, a possível busca de uma alternativa ao dólar como moeda de reserva, ganhou uma menção vaga, sem referência específica ao dólar, no documento.
"Nós acreditamos que existe uma forte necessidade de um sistema monetário internacional estável, previsível e mais diversificado", diz o documento.
"Não foi mencionada um moeda comum ou uma nova moeda neste momento. Houve menções como 'não podemos ficar sujeitos a flutuações de uma moeda de um único país', mas também compreensão de que essas coisas ocorrem muito gradualmente e que mudanças no sistema monetário, de maneira brusca, criariam outra crise. Mas isso foi parte indireta da discussão", disse o ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, durante uma coletiva.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva, por outro lado, mencionou, segundo Amorim, o comércio bilateral entre Brasil e Argentina, feito nas moedas locais.
A iniciativa representa apenas 5% do comércio entre os parceiros de Mercosul, mas o Brasil tem interesse em adotar iniciativas semelhantes no comércio com os outros parceiros do grupo.
"Isso poderá ser discutido em uma reunião como esta de ministros de Economia e Comércio", disse Amorim.
O presidente brasileiro sugeriu ainda a criação de um conselho empresarial dos BRICs.
Em uma declaração separada, o grupo destacou que as flutuações no preço global dos alimentos, aliadas à crise financeira, estão ameaçando a segurança alimentar.
No documento, eles destacam que é importante analisar os desafios e oportunidades apresentadas pela produção de biocombustíveis e seu uso não apenas sob o ponto vista da segurança alimentar, como também da segurança energética e desenvolvimento sustentável. (BBC – 16/06/09) Superávit de US$ 737 mi na balança Na segunda semana de junho, a balança comercial teve superávit de US$ 737 milhões. No período, as exportações totalizaram US$ 2,508 bilhões e as importações, US$ 1,771 bilhão. No mês, o superávit comercial acumula US$ 1,945 bilhão. Nas duas semanas de junho, as vendas ao exterior somaram US$ 6,042 bilhões e as importações US$ 4,097 bilhões. O superávit comercial
de janeiro até a segunda semana de junho é de US$ 11,317 bilhões, valor 16,3% maior do que o registrado de janeiro à segunda semana de junho de 2008, de US$ 9,728 bilhões. (Jornal do Brasil – 16/06/09) Lula quer nova ordem econômica Presidente pediu para que especialistas não culpem imigrantes e pobres pela crise mundial
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva pediu ontem, na Suíça, que sindicatos e trabalhadores tirem vantagem da crise financeira mundial para ajudar a formar uma nova ordem econômica.
Segundo Lula, há uma oportunidade excepcional para que os trabalhadores, sindicalistas e líderes comerciais pensem e apresentem propostas que mudem as relações entre os Estados e a sociedade civil.
Temos que aproveitar o momento. Não é esquecer a crise, mas, a partir dela, descobrir o que podemos fazer de novo. A presença de vocês dá força para produzir temas disse Lula em um encontro sobre empregos na Organização Internacional do Trabalho (OIT), uma agência da Organização das Nações Unidas (ONU) que reúne representantes de governos, empresários e trabalhadores para promover melhores condições laborais.
Especulação Para Lula, as variações do ano passado nos preços do petróleo e das commodities ocorreram devido à especulação. Ele voltou a criticar setores do mercado financeiro, que especulam sem produzir.
Alguns tentam transferir o ônus da crise para os mais fracos e é aí que aparece a face oculta e cruel da globalização. Os trabalhadores imigrantes se tornam os bodes expiatórios e a comunidade internacional não pode permitir que isso ocorra discursou o presidente.
O G-20, grupo de países ricos e emergentes, do qual o Brasil faz parte, pediu à OIT que desenhe políticas para levar o mundo a uma recuperação da crise.
Geração de empregos A OIT diz que é importante evitar um atraso na criação de postos de trabalho enquanto a economia se recupera, pois o emprego e a renda vão sustentar o consumo que servirá como alicerce para o crescimento sustentável.
Lula afirmou que, de 2003 a 2008, o Brasil criou 10 milhões de empregos formais e aumentou o salário mínimo em 65%.
O presidente destacou que o país conseguiu combinar a expansão das exportações com o aumento do consumo interno.
O Brasil demonstrou solidariedade aos outros países, legalizando imigrantes ilegais, afirmou Lula.
Lembrando que trabalhou em uma fábrica enquanto era adolescente, Lula ressaltou que o Brasil foi o primeiro país das Américas a ratificar uma convenção da ONU contra o trabalho infantil.
O presidente também disse que é inaceitável ver mais de 1 bilhão de pessoas no mundo passando por dificuldades para comer, e afirmou que a crise expõe a falsidade das doutrinas neoliberais.
O mundo não pode deixar a criação de empregos para depois da recuperação econômica declarou o diretor do secretariado da OIT, Juan Somavia.
Duração maior De acordo com a organização, a crise do desemprego pode durar de quatro a cinco anos a mais que a crise econômica. Segundo as previsões, haverá 59 milhões de desempregados a mais no fim deste ano em relação à 2007.
O secretariado de Somavia, o Birô Internacional do Trabalho (BIT), preconiza a instauração de um pacto mundial para o emprego, destinado a colocar as questões do emprego e da proteção social no centro dos gigantescos planos de recuperação previstos pelas maiores economias mundiais.
A mini-cúpula sobre emprego, que reúne ministros e sindicalistas, acontece até o dia 19 de junho. (Jornal do Brasil – 16/06/09) Exportação em queda puxa recuo da indústria A queda nas exportações de bens industrializados, de 22% desde o agravamento da crise, respondeu por mais da metade da retração de 16% da produção industrial brasileira no período. A conclusão consta de estudo do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social).
Segundo André Albuquerque SantAnna, que coordenou o trabalho com Marcelo Machado Nascimento e Fernando Pimentel Puga, o resultado surpreende porque, do total da produção industrial, apenas cerca de 20% têm como destino o mercado externo. Ele explica, porém, que o desempenho das vendas internacionais afeta diretamente os fornecedores de bens de capital e bens intermediários à indústria exportadora, aumentando o impacto sobre a economia local.
Para avaliar esses efeitos, os pesquisadores usaram a matriz de insumo-produto de 2005, a última divulgada pelo IBGE, que apresenta a quantidade de insumos que cada setor usa na produção de seus bens.
O resultado mostrou que 30,4% da retração verificada na indústria entre setembro de 2008 e março de 2009 decorre do recuo das vendas externas, enquanto 19,9% podem ser atribuídos à redução das vendas de insumos a exportadores.
Somados, esses efeitos diretos e indiretos do encolhimento do comércio externo respondem por 50,3% do desempenho da indústria. O restante é consequência da retração do mercado interno, que, apesar de manter um nível de consumo elevado, viu os investimentos e a formação de estoques despencarem durante a crise.
Para Nascimento, o efeito indireto da queda das exportações foi mais sentido pelos produtores de insumos básicos, como celulose e papel, metalurgia, química e borracha e plástico -itens presentes em muitos produtos exportados pelo país.
O vice-presidente da AEB (Associação de comércio exterior do Brasil), José Augusto de Castro, afirma que isso decorre do fato de que as exportações mais atingidas são a de produtos manufaturados, com maior impacto na cadeia. Quando a indústria deixa de exportar um automóvel, deixa de consumir vários outros itens, explica.
Essa integração faz com que os pesquisadores do BNDES apostem na recuperação rápida da produção industrial quando as exportações começarem a ser retomadas. A indústria brasileira tem uma ligação com o comércio exterior maior do que se supunha. Qualquer retomada das exportações colabora para puxar toda a indústria, diz Nascimento.
Castro vê a queda do dólar como um risco nesse cenário. Se a taxa de câmbio estiver muito barata, a indústria pode optar por importar insumos, fazendo com que a recuperação da cadeia seja mais lenta. (Folha de S. Paulo – 16/06/09) Países emergentes discutem alternativa ao uso do dólar Embora os governos sejam cautelosos ao falar do tema, a reunião dos países do Bric (Brasil, Rússia, Índia e China), hoje, em Ecaterimbugo, na Rússia, deve discutir uma alternativa ao dólar como moeda de referência na economia internacional.
Uma das opções é reduzir o uso do dólar no comércio entre os quatro maiores emergentes. Em entrevista à BBC, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, disse que a discussão sobre o uso das moedas nacionais nas trocas bilaterais entre os países dos BRICs estará na pauta do encontro em Ecaterimburgo.
A corrida para reduzir a dependência do dólar, porém, será longa. Mantega reconheceu que o dólar continuará sendo a principal moeda nos próximos anos, mesmo que a economia americana esteja mais fraca.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva trata dos resultados do encontro com cautela. É uma primeira reunião, disse ele ontem, na sede da ONU em Genebra. Lula disse que já levantou o debate sobre a questão da moeda com o presidente chinês, Hu Jintao. A ideia seria permitir que exportadores e importadores pudessem substituir o dólar por moedas locais para as transações.
A partir da nossa experiência com a Argentina, há algum tempo venho tentando estabelecer relações comerciais com alguns parceiros nas nossas moedas, disse o presidente. Com a China, temos uma balança comercial de quase US$ 40 bilhões. É um montante bastante razoável, e temos a possibilidade de crescer mais. Segundo Lula, como o câmbio é flutuante, o empresário pode encontrar problemas para expandir o comércio em casos de falta de dólar no mercado. O Brasil também quer debater o mesmo esquema com Rússia e Índia.
Na reunião de hoje, os quatro países também vão discutir dois imbróglios políticos que podem causar desdobramentos negativos para a economia internacional: a Coreia do Norte e o Irã. Esses tópicos mobilizam a atenção dos quatro países - entre os quais dois, China e Rússia, são membros do Conselho de Segurança das Nações Unidas.
No último domingo, a Coreia do Norte ameaçou iniciar uma guerra nuclear na região e prometeu acelerar seu programa de armas atômicas. No mesmo dia, o processo de reeleição do atual presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, foi posto em dúvidas pelo governo americano. Ahmadinejad desafia a ONU ao manter um programa nuclear supostamente orientado para fabricar armas e alimentar um discurso agressivo a Israel. (O Estado de S. Paulo – 16/06/09) Balança comercial A balança comercial acumula superávit de US$ 1,945 bilhão no mês de junho, até dia 14, com exportações de US$ 6,042 bilhões (média diária de US$ 671,3 milhões) e importações de US$ 4,097 bilhões (média diária de US$ 455,2 milhões). De acordo com os dados divulgados ontem pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, na segunda semana do mês (de 8 a 14), o saldo comercial foi positivo em US$ 737 milhões, resultado de exportações de US$ 2,508 bilhões menos importações de US$ 1,771 bilhão. Na primeira semana, a balança havia registrado superávit de US$ 1,208 bilhão. (O Estado de S. Paulo – 16/06/09) Índia e China vão a cúpula dos Bric em meio a tensão comercial Pequenas e médias empresas indianas advertiram estar sofrendo devido a importações baratas vindas da China. As companhias estão exortando o governo de Nova Déli a acelerar investigações antidumping e a impor controles de segurança e qualidade mais rigorosos em relação aos produtos chineses. Líderes dos dois países se reúnem hoje na cúpula do Bric, que inclui ainda Brasil e Rússia.
Os pedidos de maior proteção governamental surgiram em meio a crescentes tensões comerciais entre Nova Déli e Pequim, depois de uma importante disputa envolvendo uma interdição indiana à importação de brinquedos produzidos na China.
A Federação das Câmaras de Comércio e Indústria da Índia divulgou uma pesquisa com 110 fabricantes de pequeno e médio porte que diz que cerca de dois terços deles tinham sofrido grave erosão na participação no mercado indiano nos últimos 12 meses devido ao aumento de importação de produtos chineses mais baratos.
Em sua declaração, a federação disse que os produtos importados da China são entre 10% e 70% mais baratos do que produtos similares indianos, um diferencial de preços que, ainda segundo a entidade, é enorme e difícil de explicar.
Amit Mitra, secretário-geral da federação, disse que as indústrias indianas estão sendo prejudicadas por políticas de preços predatórias típicas dos chineses visando provocar o colapso de concorrentes para que as companhias chinesas possam capturar o mercado - e então elevar os preços para níveis mais normais.
O impacto foi sentido por companhias em diversos setores, como alimentos processados, engenharia leve, materiais de construção e engenharia pesada, produtos químicos e têxteis, disse a federação.
A indústria de transformação indiana defronta-se com graves desvantagens competitivas, em comparação com a China, entre elas infraestrutura deficiente e leis trabalhistas rígidas, que, perversamente, desestimulam o crescimento das empresas e, em vez disso, promovem fragmentação que as torna ineficientes.
Entretanto, Mitra afirmou que, mesmo se esses problemas fossem solucionados, as companhias indianas ainda não conseguiriam competir com os produtos chineses em seus niveis atuais de preço.
Mesmo se realizarmos essas reformas, seríamos capazes de enfrentar os mecanismos de formação de preços dos chineses - de natureza artificial -, que têm por alvo setores específicos e os arrasam? Muito difícil, disse ele. A Federação cobrou que Nova Déli intensifique o ritmo de suas investigações antidumping e imponha testes mais exigentes de segurança e qualidade para proteger as companhias indianas de mercadorias chinesas baratas.
A Índia leva de 10 a 12 meses para investigar e publicar conclusões envolvendo queixas contra práticas de dumping. O tempo é fundamental, disse Mitra. Atualmente, o tempo consumido nas investigações antidumping é mais do que suficiente para eles liquidarem a indústria.
As importações indianas da China cresceram 55%, para aproximadamente US$ 27 bilhões, no ano financeiro encerrado em abril de 2008, e cresceram novamente no ano fiscal recém-encerrado, segundo dados do Ministério do Comércio indiano.
Em janeiro, Nova Déli anunciou uma interdição de seis meses contra importações de brinquedos chineses, citando preocupações sobre sua segurança, depois que fabricante de brinquedos indianos queixaram-se de que os produtos abocanharam a parte do leão desse mercado, que movimenta US$ 2,5 bilhões. Entretanto, a proibição foi suspensa depois de apenas dois meses, após Pequim ter ameaçado recorrer à Organização Mundial do Comércio (OMC). (Valor Econômico – 16/06/09) Diferenças dificultam um acordo entre os Bric A primeira cúpula do Bric será realizada hoje em Ecaterimburgo, na Rússia. O quarteto é quase certamente o primeiro bloco multilateral de países criado pelos analistas de pesquisa de um banco de investimentos e por sua equipe de vendas.
Jim O Neill, economista-chefe do Goldman Sachs, cunhou o acrônimo em 2001 para designar as maiores economias em desenvolvimento do mundo - Brasil, Rússia, Índia e China - e explicar como elas iriam influenciar a globalização nos 50 anos seguintes, quando previu que esses países viriam a dominar a economia mundial.
A principal, entre suas conclusões, foi de que no início deste século já não é possível referir-se à economia mundial citando apenas as grandes economias avançadas. Igualmente, ainda segundo O Neill, questões de política mundial, como moedas, desequilíbrios comerciais ou mudanças climáticas, não podem continuar a ser costuradas em negociações com a participação restringida ao Grupo dos Oito (G-8), que inclui Estados Unidos, Japão, Alemanha, Reino Unido, França, Itália, Canadá e Rússia.
A ascensão das economias do Bric é evidenciada pelo fato de terem dobrado sua participação na produção mundial: superior a 15% em 2008, em comparação com 7,5% uma década antes (a taxas de câmbio de mercado). Suas participações em termos de população e superfície terrestre são ainda maiores, levando O Neill a ter dito, mais recentemente, que cunhou o acrônimo Bric porque os países hoje fazem parte do tijolo (bric, em inglês) da moderna economia mundial.
Mas é discutível se os países do Bric têm algo mais em comum do que sua dimensão e potencial econômico. As estruturas das quatro economias são muito distintas: o Brasil é especializado em agricultura, a Rússia em commodities, a Índia em serviços e a China em manufatura. A experiência dos países com a recessão mundial foi igualmente diversificada.
A despeito das diferenças, o Ministério de Relações Exteriores russo esperava que, de todo modo, a cúpula produzisse um impacto substancial na discussão internacional sobre maneiras de controlar as consequências da crise econômica mundial.
Todos os quatro concordam em que os EUA não deveriam ser tão dominantes na economia mundial. O fator coesivo é um interesse comum de promover mudanças no cenário mundial, afirmou Roberto Jaguaribe, negociador-chefe brasileiro para o encontro. O grupo do Bric cria um espaço que fomenta a importância de cada um de seus membros.
David Zweig, diretor do Centro sobre Relações Transnacionais da China, na Universidade de Ciência e Tecnologia de Hong Kong, diz: A China quer minar a hegemonia americana no mundo mediante a criação de algum tipo de poder multilateral sério, capaz de contestar o predomínio americano... A China também quer remover a Índia da esfera de influência dos EUA.
Nesse aspecto, o Bric exigirá cobrará maior influência no Fundo Monetário Internacional (FMI), especialmente nas negociações que se aproximam sobre a distribuição do poder de voto.
Estamos reivindicando um aumento na voz e representação das economias emergentes em instituições financeiras internacionais, como o FMI, disse He Yafei, um dos vice-ministros de Relações Exteriores chineses, em entrevista na semana passada.
Mas as tensões entre os países do Bric, que quase certamente serão varridas para baixo do tapete nessa cúpula, provavelmente vão impedir que a reunião produza acordos substantivos.
Disputas comerciais têm sido comuns entre os quatro. O Brasil teve disputas sobre acesso a mercado tanto com a Rússia como com a China, e sua estratégia de buscar liberalização total do comércio agrícola nas negociações comerciais de Doha bateu de frente contra a insistência indiana em proteção para seus produtores agrícolas, como os de arroz.
Índia e China cobiçam os recursos naturais russos, particularmente seu petróleo e gás. Como velha amiga de Moscou, Nova Déli teve algum sucesso limitado no acesso às reservas energéticas russas, mas a China tem maior poder de compra.
Também a política separa os membros do Bric, quase tanto quanto os une. Índia, China e Rússia estão na mesma vizinhança, a Ásia, e são potências nucleares. Já o Brasil, que não é uma potência nuclear, fica em outro continente e tem pouco comércio seja com a Rússia que com a Índia.
Por outro lado, grande parte da fronteira extremamente militarizada entre a China e a Índia continua sendo disputada, e os dois países partes travaram diversas guerras por esse território. A China e a Rússia travaram diversas guerras por fronteiras - até mesmo na recente década de 60 - e há décadas têm um convívio conflituoso.
Acadêmicos e autoridades governamentais chinesas, bem como o público em geral, acreditam que a China está muito à frente de outros membros desse bloco artificial de países.
O Bric não tem futuro... acredito que continuará sendo um clube informal em sua forma e essência, diz Ievgeni Iasin, diretor de pesquisas na Escola Superior Russa de Economia. (Valor Econômico – 16/06/09) Indicadores apontam alta de produção em maio e de exportações em junho Dois indicadores divulgados ontem mostraram a manutenção da tendência de leve recuperação da produção industrial e das exportações, inclusive as de manufaturados. A produção da indústria paulista deve apresentar expansão de 3,8% em maio, na comparação com o mês anterior, com ajuste sazonal, conforme o Sinalizador da Produção Industrial (SPI) calculado pela Fundação Getulio Vargas (FGV) em parceria com a AES Eletropaulo. Já os dados do comércio exterior brasileiro mostram, nas duas primeiras semanas de junho, uma média diária de exportação 12% superior a de maio. Dentro deste percentual, os embarques de manufaturados aumentaram 11,9%, os de semimanufaturados, 13,6%, e os de básicos, 12,9%.
Em relação a maio de 2008, o indicador de produção industrial da FGV sinaliza um recuo de 9,9%. Em abril, no confronto com mesmo período do exercício anterior, a queda foi mais acentuada, de 16,2%. No acumulado em 12 meses, a atividade fabril de São Paulo deve registrar diminuição de 4,3%, que significaria o menor nível desde novembro de 1999 (-5,4%).
O indicador tem como principal base a carga total de energia elétrica distribuída pela Eletropaulo no período em questão. A ideia é que o SPI possa mostrar as tendências da produção industrial do Estado cerca de um mês antes do resultado oficial, que é divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Além da carga total de energia, o indicador é composto por outras variáveis, como o índice da Pesquisa Industrial Mensal (PIM) do IBGE, dados de temperatura, taxa de juros e produção de automóveis.
Na segunda semana de junho, com quatro dias úteis, a balança comercial teve saldo positivo de US$ 737 milhões. No período, as exportações totalizaram US$ 2,508 bilhões e as importações, US$ 1,771 bilhão. As informações foram dadas ontem pelo Ministério do Desenvolvimento. No mês, o superávit comercial acumula US$ 1,945 bilhão. Nas duas semanas de junho, as vendas ao exterior somaram US$ 6,042 bilhões e as importações, US$ 4,097 bilhões.
De janeiro até a segunda semana de junho deste ano, as exportações chegaram a US$ 61,5 bilhões e as importações alcançaram US$ 50,2 bilhões. O superávit comercial no período é de US$ 11,3 bilhões, valor 16,3% maior do que o registrado no mesmo período de 2008 (US$ 9,7 bilhões).
As exportações na segunda semana de maio registraram média diária 11,3% inferior à verificada na primeira semana do mês (US$ 706,8 milhões), por conta de retração nos embarques de produtos das três categorias: semimanufaturados (-21,3%), principalmente, açúcar em bruto, celulose e couros e peles, de básicos (-14%), em função de soja em grão, minério de ferro, carne bovina e petróleo em bruto, e de manufaturados (-4,7%), com destaque para etanol, laminados planos, óleos combustíveis, óxidos e hidróxidos de alumínio, motores e geradores.
As importações, também pela média diária, caíram 4,8% em relação à primeira de junho (US$ 465,2 milhões), em função de equipamentos mecânicos, combustíveis e lubrificantes, produtos químicos orgânicos e inorgânicos, instrumentos de ótica e precisão, produtos plásticos, siderúrgicos e farmacêuticos. (Valor Econômico – 16/06/09) Pela integração, Brasil deve ser tolerante com vizinhos, avalia economista Ex-vice-presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) no primeiro governo Lula e hoje na presidência da Câmara de Comércio e Indústria Brasil-Venezuela, o economista Darc Costa tomou posse ontem na recém-criada Federação das Câmaras de Comércio e Indústria da América do Sul. Apesar de todas as divergências recentes entre os governos dos países da região, Costa disse ser preciso exercer a tolerância entre os países em prol de uma estratégia comum de desenvolvimento e integração.
A região passou recentemente por diversos problemas comerciais e políticos, como a nacionalização de refinarias da Petrobras na Bolívia, a reivindicação do Paraguai em rever os termos do tratado fechado com o Brasil na hidrelétrica de Itaipu e a saída da Odebrecht do Equador.
Costa, que também é consultor para negócios de empresas na Venezuela, acredita que a federação pode diminuir os atritos entre os países do continente, ao fazer a interlocução do empresariado com os governos. Entusiasta da política do governo federal de incentivar a integração econômica entre os países da região, Costa admite que o trabalho não é fácil e avalia que o Brasil deve arcar com alguns custos devido ao papel de liderança que o país exerce em meio a vizinhos com estruturas econômicas diversas. Se tem um garoto pedindo esmola, não pode dar um tapa no garoto, disse. O Brasil tem liderança nesse processo e temos que exercê-la, o que muitas vezes pressupõe pagar um preço, não podemos ganhar sempre, afirmou Costa, também coordenador de estudos estratégicos da Escola Superior de Guerra (ESG).
Durante a cerimônia de posse de Costa na federação, o secretário-geral do Ministério das Relações Exteriores, Samuel Pinheiro Guimarães, disse que a federação pode ajudar na tarefa de construir uma infraestrutura de transporte e de energia dentro e entre os países do continente. O comércio abre as possibilidades de troca, de cooperação, disse. Na sua avaliação, a federação vai permitir a coordenação de esforços do setor privado e terá todo o apoio do Itamaraty.
A América do Sul responde por 19% da corrente de comércio exterior do Brasil. O continente representa 19,4% das exportações brasileiras e 14% das importações. O saldo comercial do Brasil com a região subiu 460% entre 2003 e 2008 devido especialmente às importações da Venezuela. (Valor Econômico – 16/06/09) Em Ecaterimburgo, os Bric atingem sua maioridade Nós nos destacamos nos últimos anos porque nossas quatro economias têm mostrado crescimento. robusto
A cidade de Ecaterimburgo, na Rússia, recebe hoje os líderes de Brasil, Rússia, Índia e China - os chamados Bric -, que realizam seu primeiro encontro.
Essa reunião celebra mais que apenas a primeira cúpula dos Bric. Ela marca uma profunda mudança na maneira pela qual nossos países se engajam em um mundo que experimenta profundas mudanças.
Em Ecaterimburgo, selaremos um compromisso que objetiva trazer novas respostas a velhos problemas e oferecer uma liderança corajosa para enfrentarmos a inércia e a indecisão.
Afinal, o mundo enfrenta hoje desafios de grande complexidade, mas que exigem respostas urgentes. Estamos diante de ameaças que nos afetam a todos - para as quais alguns muito contribuíram, enquanto outros se veem na posição de vítimas inocentes de suas consequências.
Mas vivemos entre paradigmas superados e instituições multilaterais desacreditadas. A atual crise econômica apenas aumenta um sentimento crescente de perplexidade e impotência diante da mudança do clima e do risco de escassez mundial de alimentos e energia. Claramente, a sociedade moderna precisa repensar um sistema que, de forma acintosa, fomenta o desperdício dos recursos naturais e finitos da Terra, ao mesmo tempo que condena bilhões de pessoas à pobreza e ao desespero.
Essa é a razão pela qual, na Assembleia Geral das Nações Unidas, em 2008, eu afirmei que é a hora da política. Chegou a hora de fazermos escolhas difíceis e de enfrentarmos responsabilidades coletivas.
Estarão os países ricos dispostos a aceitar supervisão supranacional e o controle do sistema financeiro internacional, de maneira a evitar o risco de outra crise econômica?
Estarão dispostos a ceder seu controle sobre as tomadas de decisão no Banco Mundial e no Fundo Monetário Internacional (FMI)?
Concordarão em cobrir os custos da adaptação tecnológica para que as pessoas nos países em desenvolvimento possam se beneficiar dos progressos científicos sem ameaçar o meio ambiente global?
Eliminarão os subsídios protecionistas que tornam inviável a agricultura moderna em muitos países em desenvolvimento, ao deixar agricultores pobres à mercê de especuladores e doadores generosos?
Essas são as questões que os Bric querem ver respondidas.
É por isso que cobramos, durante a recente reunião do G-20, em Londres, que os países desenvolvidos comprometam-se com a reforma do sistema de votação e de cotas das instituições do sistema de Bretton Woods. Apenas assim a voz dos países em desenvolvimento será ouvida. Obtivemos também um compromisso de que será estabelecido um fundo que proverá apoio financeiro eficiente e rápido - livre de dogmas neoliberais - a países afetados por uma repentina queda em suas exportações ou pelo encolhimento do crédito.
Esse é apenas o primeiro passo de uma revisão nos fundamentos das políticas que gostaríamos de ver avançar na próxima reunião do G-20. Faremos todos os esforços para levar a Rodada de Desenvolvimento de Doha a uma conclusão rápida e equilibrada.
É igualmente urgente renovar as Nações Unidas, se queremos que as instituições multilaterais recuperem relevância. Postergar reformas, especialmente a do Conselho de Segurança, apenas servirá para erodir ainda mais a autoridade das instituições internacionais.
Em 2004, patrocinei o Plano de Ação contra a Fome da ONU. Fiquei contente ao saber que a segurança alimentar estará na agenda de Ecaterimburgo.
Essas iniciativas demonstram que os Bric são mais que um grupo de países grandes, unidos apenas pelo tamanho de suas economias, vastidão de seus recursos naturais e vontade de projetar seus valores e interesses.
Nós nos destacamos nos últimos anos porque nossas quatro economias têm mostrado crescimento robusto. O comércio entre nós cresceu 500% desde 2003. Isso ajuda a explicar porque hoje geramos 65% do crescimento global, o que faz dos Bric a principal esperança para uma rápida recuperação da recessão global.
Isso gera redobradas expectativas sobre os nossos quatro países, para que exerçam liderança responsável com o objetivo de reconstruir a governança global e o crescimento sustentado para todos. Trata-se de um desafio que, tenho certeza, todos aceitaremos. Digo isso porque, ao longo de minha carreira política, e em função de minha experiência como sindicalista, aprendi uma lição básica: para ser efetivo, não é suficiente estar certo ou ter a justiça a seu lado. Ninguém falará pelos fracos e vulneráveis a não ser que eles próprios se unam. Para ter sua voz realmente ouvida, mas de uma posição de imperturbável convicção respaldada por nosso peso político. Essa é uma tarefa e um compromisso que espero sejam assumidos pelos Bric em Ecaterimburgo. (Valor Econômico – 16/06/09) Mercado melhora previsão do PIB em 2009 pela 2ª vez BRASÍLIA - Na primeira pesquisa Focus realizada após a divulgação dos números do Produto Interno Bruto (PIB) do primeiro trimestre de 2009, na terça-feira passada, o mercado financeiro melhorou as estimativas para a atividade econômica do País este ano. Segundo o levantamento divulgado hoje pelo Banco Central, a mediana das previsões para o PIB em 2009 melhorou, pela segunda vez seguida, passando de -0,71% para -0,55%.
Para 2010, foi mantida a estimativa de que a economia brasileira deve se recuperar e o PIB apresentará crescimento de 3,5%, expectativa repetida há 15 semanas.
Ainda segundo a pesquisa Focus, analistas também melhoraram o cenário para a produção industrial em 2009. A mediana das estimativas passou de uma retração de 4,78% para uma queda de 4,7% em 2009. Para 2010, a expectativa de reação do setor industrial também melhorou e a previsão de crescimento passou de 4% para 4,03%.
Selic
A pesquisa Focus divulgada hoje, a primeira após a decisão de quarta-feira passada do Comitê de Política Monetária (Copom) de cortar a taxa básica de juros, a Selic, em um ponto porcentual, para 9,25% ao ano, ainda não trouxe alteração nos prognósticos para o comportamento do juro básico brasileiro nos próximos meses. De acordo com o levantamento, divulgado hoje pelo Banco Central, a mediana das previsões para o nível da Selic no fim de 2009 continua em 9% ao ano, o que indica a previsão de corte de 0,25 ponto porcentual na próxima reunião, em julho.
Na visão dos analistas consultados pelo BC, o Copom deve continuar o processo de desaperto monetário com a redução da Selic para 9% ao ano na reunião prevista para o mês que vem. Essa previsão já é repetida há três semanas e prevalecia antes mesmo do encontro da semana passada, que pegou boa parte dos analistas de surpresa, já que o mercado apostava na queda de 0,75 ponto porcentual na Selic. Pelo cenário desenhado pela pesquisa do BC, o juro deve permanecer em 9% após o encontro de julho até o fim deste ano.
Para 2010, a mediana das previsões para o nível da Selic caiu ligeiramente, de 9,15% para 9,14% anuais. Essa foi a segunda redução seguida da estimativa, que estava em 9,50% há quatro semanas.
IPCA
O mercado financeiro elevou a estimativa para a inflação oficial do País em 2009. Segundo a pesquisa Focus, a projeção para o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) passou de 4,33% para 4,39%. O índice é usado no regime de metas de inflação, cujo centro é de 4,5% para este ano.
Para 2010, a mediana das previsões para o IPCA foi mantida em 4,3% pela terceira semana seguida. O centro da meta da inflação para o ano que vem também é de 4,5%.
Câmbio
O mercado financeiro manteve a previsão para o nível da taxa de câmbio em 2009 em R$ 2,00, segundo a pesquisa Focus. Para o fim de 2010, a previsão do dólar em relação ao real permaneceu em R$ 2,10.
Conta corrente
O mercado financeiro manteve a previsão de déficit em conta corrente (saldo de todas as transações do País com o exterior) em 2009 em US$ 17 bilhões, segundo a pesquisa Focus divulgada hoje. Para 2010, a previsão de déficit caiu de US$ 22,1 bilhões para US$ 22 bilhões.
A previsão de superávit comercial em 2009 manteve-se em US$ 20 bilhões e, para 2010, a estimativa de saldo comercial caiu de US$ 15,7 bilhões para US$ 15 bilhões.
O mercado elevou a previsão de ingresso de Investimento Estrangeiro Direto (IED). Na pesquisa, a mediana das expectativas para a entrada desses recursos em 2009 subiu de US$ 23 bilhões para US$ 24,5 bilhões. Para 2010, a estimativa manteve-se em US$ 25 bilhões. (O Estado de S. Paulo – 15/06/09) Variação cambial tumultua vida das empresas No meio do ano passado, com o dólar cotado na casa do R$ 1,80, os exportadores não paravam de reclamar das dificuldades de vender seus produtos no exterior. Aí veio a crise global, e em três meses o dólar chegou a R$ 2,50. Era a vez dos importadores reclamarem. Mais alguns meses e o dólar volta para a casa dos R$ 1,90. Agora, todos reclamam: com tamanha volatilidade, não há planejamento financeiro que se sustente.
A oscilação é pior que o dólar alto, porque prejudica qualquer plano a longo prazo, diz Marcel Malczewski, presidente da Bematech, fabricante de máquinas e equipamentos para automação comercial. A empresa, que utiliza boa parte de componentes importados, viu seus custos baixarem nos últimos meses por causa da desvalorização do dólar. Mesmo assim, Malczewski diz preferir a estabilidade.
No ano passado, quando estava preparando o orçamento para 2009, a Bematech traçou três cenários para seus contratos. Um deles contava com o dólar a R$ 2,30, outro cenário previa a moeda americana a R$ 2,10, e o terceiro, a R$ 1,85. Mas era necessário fixar um valor para os contratos antes de encaminhar o orçamento para aprovação do conselho de administração. Os três cenários e as oscilações do dólar tornaram a escolha muito complexa. Para simplificar, escolhemos um dos cenários e rasgamos os outros dois, diz Malczewski.
O cenário escolhido previa o dólar a R$ 2,30. Em dezembro, o câmbio estava acima desses patamares - chegou a R$ 2,50. Apostamos que haveria queda e depois, estabilização, diz Malczewski. O dólar faz diferença porque a maior parte dos insumos para fabricação dos equipamentos, como componentes de micromecânica, vêm de fora.
Hoje, a venda de equipamentos para automação comercial responde por dois terços da receita da Bematech, que foi de R$ 318 milhões em 2008, 30% mais que em 2007. O restante do faturamento vem das vendas de softwares e de prestação de serviços, como manutenção.
TUMULTO
Marcos Barros, diretor financeiro e de relações com investidores da Dixie Toga, gigante do mercado de embalagens, diz que o vai e vem do dólar contribui para deixar sua agenda mais tumultuada. As reuniões com clientes e viagens de negócios se tornaram mais frequentes. Como o câmbio inverteu, agora os clientes pedem desconto. Temos de estar constantemente precificando os produtos. E dá-lhe negociação, diz. A Dixie Toga é controlada pelo grupo americano Bemis Company e fabrica vários tipos de embalagens, de tubos de creme dental a potes de margarina. Quase 90% das matérias-primas que utiliza, como as resinas plásticas, são importadas. O dólar instável gera incerteza, ficamos ao sabor do vento. Não tenho mais uma rotina.
A Vitopel, que também atua no segmento de embalagens, precisou rever sua estratégia para este ano por causa da grande variação apresentada pelo câmbio. Entre janeiro e abril, a empresa havia triplicado suas vendas ao exterior, quando chegou a vender 2 mil toneladas por mês de filmes flexíveis, o carro-chefe da empresa. Assistindo à queda do dólar, José Ricardo Roriz Coelho, presidente da empresa, reuniu seus principais executivos para traçar um plano B. Reduzimos em 20% as exportações por causa do câmbio, conta Coelho, que redirecionou parte da produção para atender ao mercado doméstico. A oscilação da moeda, segundo ele, faz que com que os planejamentos precisem ser refeitos mês a mês. Outra decisão foi selecionar a clientela. Hoje, estamos vendendo só para clientes tradicionais, que compram regularmente. As negociações ficam mais fáceis, diz.
BARBEIRAGEM
O dia todo conectado, pelo computador ou celular. João Lian, presidente da Sumatra Comércio Exterior, não perde de vista a cotação do dólar. Fico olhando a taxa de câmbio toda hora, assim como o preço do café no mercado internacional. É a primeira coisa que eu faço quando acordo, diz ele, que possui uma trading de café que fatura R$ 200 milhões por ano, cinco fazendas produtoras em Minas Gerais e também administra um fundo de investimentos, o Nuevo Sumatra.
Eu preciso traçar uma estratégia na trading, outra como produtor e outra no mercado de capitais. Não dá mais para desgrudar do câmbio, diz ele, que também acompanha com afinco o noticiário econômico. Ouço "milhares" de opiniões de economistas, todos os dias.
Para evitar perdas com o dólar depreciado, Lian também optou por reduzir o volume da produção de café que embarca para o exterior. Até recentemente, exportava 80% da produção. Hoje, reduziu o volume para 65%. Para o produtor, a crise e seus efeitos poderiam ter sido evitados. Deixar o Lehman Brothers quebrar em setembro foi uma baita barbeiragem. (O Estado de S. Paulo – 15/06/09) Bresser defende controle de capital Com a persistente tendência de valorização do câmbio, num cenário de queda global das exportações, volta à tona a discussão sobre controles de fluxos de capital. O Ministério da Fazenda descartou a adoção de qualquer medida neste momento (ver entrevista na próxima página), como o Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) nas aplicações de estrangeiros, mas alguns analistas acham que o controle dos fluxos externos mais especulativos, que visam a ganhos de curto prazo, seria o último recurso para contrapor à valorização do real.
Os controles mais comuns da entrada de capitais podem ser na base de impostos ou de depósitos compulsórios temporários e não remunerados dos fluxos que ingressam. O economista e ex-ministro da Fazenda Luiz Carlos Bresser-Pereira diz que, além das compras de dólares, não há outra alternativa a não ser começar a administrar a entrada de capitais, mas nunca a saída.
Bresser acredita que há uma tendência de sobrevalorização do câmbio em países em desenvolvimento. Ela vem tanto da chamada doença holandesa, a entrada maciça de receitas de exportação em países com grandes recursos naturais, como do fato de os países emergentes terem taxas de juros e de lucros superiores às dos ricos.
Para Bresser, aquela tendência leva a uma taxa de câmbio mais valorizada do que a do equilíbrio industrial, na qual o país tem condição de produzir bens no estado da arte da tecnologia que sejam competitivos internacionalmente.
Além de perder competitividade, os países em desenvolvimento com moeda valorizada acabam sofrendo crises periódicas, segundo o ex-ministro.
Na verdade, além dos controles, há duas outras armas no combate à valorização cambial: a redução dos juros e as compras de dólares pelo Banco Central (BC). O problema, porém, é que os juros vêm caindo e o BC está comprando divisas, sem que haja um efeito mais decisivo no câmbio.
Os defensores do câmbio desvalorizado cobram uma queda mais rápida da Selic, a taxa básica, ou compras de dólares pelo BC ainda mais agressivas. Porém, para alguns analistas, está ficando claro que os controles podem ser indispensáveis para controlar a valorização numa conjuntura em que o Brasil se tornou muito atraente para o capital externo.
ORTODOXIA
Mesmo alguns economistas menos identificados do que Bresser - um antigo crítico da sobrevalorização cambial - com a corrente heterodoxa apoiam ou pelo menos admitem a ideia dos controles. A economista Eliana Cardoso, professora da Fundação Getúlio Vargas (FGV) em São Paulo, diz que virou anátema falar no Brasil que alguma forma de taxação da entrada de fluxos de capital pode ter resultado. Mas ela, nadando contra a corrente, acha que os controles na entrada fazem sentido na situação atual do Brasil.
Eliana menciona um recente artigo, de base econométrica, dos economistas Sebastian Edwards, da Universidade da Califórnia, e Roberto Rigobon, do Massachusetts Institute of Technology (MIT), que mostra que a experiência de controle na entrada do Chile nos anos 90 de fato contribuiu para manter a taxa de câmbio do país mais desvalorizada e protegeu o país de choques externos.
A economista observa que é verdade que o mercado contorna as medidas de controle de capital, o que é um dos argumentos mais frequentes dos críticos. No caso do Chile, porém, prossegue Eliana, o Banco Central apertava um pouco mais os controles quando se criavam formas de evadi-los, o que permitiu que a política efetivamente tivesse efeito na taxa de câmbio.
Márcio Garcia, professor de Economia da PUC-Rio, está entre os céticos em relação aos controles de capital, mesmo na entrada. Ele menciona um estudo feito por ele e por Bernardo Carvalho, seu aluno, em 2007, sobre os controles no Brasil na década de 90, que mostra como um mercado financeiro sofisticado como o brasileiro consegue contornar as medidas do governo para conter os fluxos de capital especulativos.
Para Samuel Pessôa, economista do Instituto Brasileiro de Economia (Ibre), da FGV no Rio, a questão do controle de capitais não deve ser discutida em termos ideológicos, mas pragmáticos: é preciso analisar as experiências concretas e ver o que se ganha ou se perde.
Pessôa, porém, como vários outros economistas de formação mais ortodoxa, acha que o câmbio valorizado no Brasil deriva da baixa taxa de poupança e da necessidade de atrair capital externo para complementar o financiamento dos investimentos.
Para um país com baixa poupança, eu tendo a achar menos interessante o controle no ingresso, porque aumenta o custo do capital estrangeiro.
Frases
Luiz Carlos Bresser-Pereira
Ex-ministro da Fazenda
Além das compras de dólares, não há outra alternativa a
não ser começar a administrar a entrada de capitais,
mas nunca a saída
Eliana Cardoso
Professora da FGV-SP
Virou anátema no Brasil falar que alguma forma de taxação da entrada de fluxos de capital pode ter resultado, mas acho
que eles fazem sentido na situação atual do País
Samuel Pessôa
Economista do Ibre-FGV
A questão do controle de capitais não deve ser discutida
em termos ideológicos, mas pragmáticos: é preciso analisar
as experiências concretas e ver o que se ganha ou se perde. (O Estado de S. Paulo – 15/06/09) G8 morreu, não tenho dúvida, diz Amorim O ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, afirmou ontem em Paris que o G8 (grupo dos sete países mais industrializados do mundo, além da Rússia) morreu. As declarações do chanceler brasileiro foram feitas após palestra em comemoração dos dez anos de criação da cátedra do Mercosul do Instituto de Estudos Políticos de Paris.
O G8 morreu, não tenho a menor dúvida sobre isso, porque ele não representa mais nada, afirmou o chanceler, que voltou a defender uma nova governança mundial e o papel decisivo dos países emergentes nas decisões internacionais.
Inicialmente, quando criado, o G7 representava as maiores economias mundiais. Hoje, China, Brasil, Índia são economias importantes, que têm efeito na economia mundial muito maior do que muitas outras [economias] que integram o G8.
No Brasil o presidente Lula se mostrou, ontem, contrário à posição de Amorim sobre a importância do G8 nas discussões mundiais. Para Lula, o G8 tem importância política, apesar de ter demonstrado no auge da crise financeira que não tem envergadura para atuar nesse tipo de assunto.
O G8 vai continuar existindo. Temos França, Japão, Inglaterra defendendo que haja abertura. De qualquer forma, hoje já é G14, comentou, a respeito da entrada de novos países nas discussões, como o Egito. (Folha de S. Paulo – 13/06/09) O Brasil deve parar de culpar a China O Brasil deve elevar a sua competitividade e deixar de culpar as importações pelos problemas de sua indústria, diz Jiang Shixue, que há 29 anos estuda a América Latina na Academia Chinesa de Ciências Sociais (ACCS), cujos trabalhos orientam as decisões de Pequim. A moeda brasileira não favorece as exportações, diz Jiang, ao Estado.
Jiang, que em julho estará em São Paulo para a 3ª Conferência Internacional do Conselho Empresarial Brasil-China, diz também que Estados Unidos, Europa e Japão são mais importantes para a China que o Brasil. Além disso, os chineses estão insatisfeitos com as medidas antidumping contra seus produtos. Outro ponto de atrito está no fato de Brasília não ter formalizado o reconhecimento da China como economia de mercado e ter buscado o apoio do Japão na sua aspiração a uma vaga no Conselho de Segurança das Nações Unidas. A seguir, a entrevista.
Apesar de a China ter se tornado o principal destino das exportações brasileiras, ainda há um grande temor no Brasil com a invasão de produtos chineses, especialmente industriais. Ele se justifica?
Na era da globalização, a competição é a norma. O Japão compete com sua alta qualidade, a China, com o baixo custo da mão de obra, e o Brasil, com as ricas reservas de recursos naturais. O Brasil deveria trabalhar para melhorar sua competitividade e não pôr a culpa nos produtos estrangeiros. A moeda brasileira não favorece as exportações.
A taxa de câmbio é fundamental, não? Além da mão de obra barata, a China também tem a vantagem do valor de sua moeda.
A China aumentou a cotação da moeda local, mas ainda temos uma vantagem competitiva, quando comparamos ao mercado internacional.
E o Brasil não tem uma política que beneficie o setor exportador?
Não. Por isso, não pode atribuir a culpa de tudo à China.
Qual o risco do aumento do protecionismo e como ele poderia afetar a relação bilateral?
Não vejo protecionismo real do lado chinês. A China baixou as tarifas que incidem sobre produtos do Brasil e abriu suas portas para produtos brasileiros. É claro que o Brasil gostaria que a China abrisse a porta ainda mais, mas isso depende de vários fatores. O governo também tem de reconhecer o interesse dos camponeses chineses. E muitas empresas chinesas reclamam que o Brasil usa com muita frequência tarifas antidumping contra produtos chineses.
O Brasil anunciou em 2004 que reconheceria a China como economia de mercado, o que complicaria o processo de imposição de direitos antidumping, mas até hoje a decisão não foi implementada. Como a China vê isso?
A impressão que fica é que o Brasil não cumpre suas promessas.
Mas o Brasil também pode acusar a China de não cumprir a promessa de apoiar a sua pretensão a um assento permanente no Conselho de Segurança (CS) da Organização das Nações Unidas (ONU). Mas por que vocês se uniram ao Japão?
A China pode apoiar o Brasil, mas o Japão cometeu crimes de guerra. Muitos chineses estão bastante insatisfeitos com a negativa do Japão de reconhecer seus crimes de guerra. Então, por que o Brasil quer ficar ao lado do Japão? Este é o maior problema. Nós entendemos a aspiração do Brasil a uma vaga permanente do CS, mas vocês têm que encontrar um caminho melhor. Devemos separar as questões da economia de mercado e do assento permanente no CS. Um de meus colegas do Ministério do Comércio observou que a participação dos produtos chineses que enfrentam medidas antidumping no Brasil no total das exportações não chega a 3%.
Então por que o governo chinês está insatisfeito com as medidas antidumping?
A resposta dele foi que, apesar de representarem pouco no total, para algumas empresas é uma grande perda.
Esse é o mesmo argumento do Brasil para justificar medidas antidumping. Alguns analistas sustentam que os produtos protegidos são irrelevantes no comércio e o governo deveria deixar que eles enfrentassem a concorrência dos importados. Mas as medidas são aplicadas com a justificativa de que são muito importantes para alguns setores e algumas empresas.
Quando dois países desenvolvem relações comerciais, é inevitável que haja disputas. Não pense que é tão sério. Mesmo sem o reconhecimento da economia de mercado, o comércio e as relações entre nossos países estão crescendo.
Qual é a importância do Brasil para a China?
É importante, mas menos importante que Estados Unidos, Europa e o Japão, que têm mercado, tecnologia, fundos, capital. São atores globais mais importantes. Depois, veem Brasil, Índia, Rússia. O Brasil é importante por ser o maior país na América Latina.
Por que o Brasil é importante para a China?
Matérias primas, apoio político em várias questões, cooperação na mudança climática, na reforma do sistema financeiro internacional, na Organização Mundial do Comércio. Há muitas maneiras de cooperar.
O Brasil dá à China a importância que deveria?
Acredito que, para o Brasil, os Estados Unidos e a Europa são mais importantes que a China. É compreensível. Mas, no geral, os dois lados reconhecem a importância um do outro. O Brasil acredita que a China está cada vez mais importante e a China sente o mesmo sobre o Brasil. A diferença é que a China é o maior parceiro comercial do Brasil e o Brasil é o 11º parceiro comercial da China. (O Estado de S. Paulo – 13/06/09) Economist`: Brasil pode sair primeiro da recessão A edição desta semana da revista britânica "The Economis", que começou a circular ontem, traz uma reportagem otimista sobre o Brasil, após o corte de um ponto percentual da taxa de juros básicos do país, a Selic, na última quarta-feira. A publicação brinca com a frase usada pelo presidente Lula para exaltar conquistas de seu governo — "nunca antes na história deste país" — e diz que, desta vez, Lula tem razão: a taxa caiu a 9,25%, recuando a um dígito, um feito histórico. Para a "Economist", o país foi um dos últimos a entrar em recessão e pode estar entre os primeiros a sair dela.
A revista lembra que uma série de marcos — como o valor de mercado da Bolsa — voltaram aos níveis anteriores à quebra do Lehman Brothers, em setembro.
E que, apesar do recuo de 0,8% da economia no primeiro trimestre de 2009, muitos analistas apostam que o país voltará a crescer este ano e terá expansão de 3,5% a 4% em 2010. "Se isso acontecer, significará que o país terá escapado com uma breve recessão", diz a "Economist".
Citando economistas brasileiros, como o ex-presidente do Banco Central Arminio Fraga, a revista atribui a recuperação a políticas monetária e fiscal mais flexíveis adotadas este ano.
Apesar do otimismo, a publicação ressalta que antigos problemas estão voltando. Entre eles, a apreciação do real, que prejudica os exportadores. Neste ponto, enfatiza o dilema do Banco Central, que tem de considerar o câmbio valorizado e a perda da competitividade dos fundos de investimentos na hora de decidir sobre os juros. (O Globo – 12/06/09) Fôlego após o baque Estimativas de dois organismos internacionais mostram que o ano de 2009 está perdido, mas que o mundo voltará a suspirar em 2010. O Banco Mundial divulgou ontem uma projeção mais pessimista para a economia internacional este ano: contração de 3%, ante previsão anterior de 1,75% anunciada em março. Já o Fundo Monetário Internacional (FMI) revisou para cima sua estimativa de crescimento para o próximo ano, de 1,9% para 2,4%. A maior rapidez na recuperação, segundo o Fundo, deve-se às medidas de estímulo fiscal adotadas por diversos países desde o agravamento da crise financeira, em setembro passado.
Os novos prognósticos vêm à tona um dia antes da cúpula dos ministros de Finanças do G-8 (que reúne os sete países mais ricos do mundo mais a Rússia), que acontece até domingo em Lecce, na Itália, e que vai discutir os rumos da economia mundial.
No comunicado divulgado ontem pelo presidente do Banco Mundial (Bird), Robert Zoellick, não há detalhes das razões que levaram a instituição a rever estimativas. É ressaltado apenas que os países pobres e emergentes vêm sendo os mais atingidos pela crise global. "Embora a previsão seja de retomada do crescimento ao longo de 2010, o ritmo é incerto, e os pobres em muitos países em desenvolvimento vão continuar a ser castigados?, disse Zoellick na nota. Ele disse ainda que esses países enfrentarão perspectivas cada vez mais sombrias, a não ser que a queda em exportações, remessas e investimentos estrangeiros diretos seja invertida até o fim de 2010.
Menos 1 milhão de empregos na AL
Um dos sinais do forte impacto da crise sobre os países menos desenvolvidos tem sido a retração do mercado de trabalho. Ontem, a Comissão Econômica para América Latina e Caribe (Cepal) e a Organização Internacional do Trabalho (OIT) apresentaram relatório em que mostram o crescimento da taxa de desemprego urbano em nove países da região para 8,5% no primeiro trimestre de 2009. O índice estava em 7,9% um ano antes. Isso significa que mais de um milhão de vagas foi fechado em apenas três meses. De acordo com o boletim, a taxa média anual de desemprego na região subirá para uma faixa de 8,7% a 9,1%.
No mundo desenvolvido, o panorama não é menos desanimador.
Ontem, o Japão confirmou que enfrenta sua pior recessão desde a Segunda Guerra Mundial. O Produto Interno Bruto (PIB, soma dos bens e serviços produzidos) japonês recuou 3,8% no primeiro trimestre, ligeiramente inferior à leitura preliminar de 4%. Anualizada, a queda foi de 14,2%, ante o percentual de 15,2% anunciado mês passado.
Apesar do cenário sombrio para 2009, o FMI já está apostando em uma recuperação mais forte em 2010, segundo uma fonte da agência de notícias Reuters que teve acesso a um relatório com números atualizados. O documento — no qual o crescimento da economia mundial foi revisado de 1,9% para 2,4% — foi elaborado para a cúpula do G-8. "Para 2010, os dados do FMI sugerem uma melhora dos EUA, ao lado de um pequeno aumento da estimativa para a Europa?, disse a fonte. Em abril, o FMI previa que o PIB dos EUA teria crescimento nulo ano que vem e o da Europa, contração de 0,4%. Para 2009, o FMI manteve sua previsão de queda de 1,3% da economia mundial.
Um dos indícios de que o rumo da economia começa a mudar de direção é que a Agência Internacional de Energia revisou para cima, pela primeira vez em dez meses, sua projeção de demanda global de petróleo para este ano, embora tenha mantido perspectiva de queda em relação a 2008: o recuo de 2,47 milhões de barris por dia ante a anterior de 2,56 milhões. A notícia fez o barril de petróleo leve americano subir 1,89% na Bolsa de Nova York, para US$ 72,68. (O Globo – 12/06/09) Vamos ousar e surpreender os mercados BEN BERNANKE , o presidente do Fed, já fala em novos brotos de recuperação, estimulando o debate sobre o início da estabilização da economia mundial. Se comparado ao início do ano, quando o mundo parecia rumar para o precipício, o momento atual aponta para melhores perspectivas.
Números divulgados recentemente pelo governo Obama mostram que nenhum dos 19 maiores bancos americanos está insolvente. E embora quase todas as principais economias ainda estejam encolhendo -em 2009, o FMI prevê que os EUA sofram uma redução do PIB da ordem de 2,8%, a Alemanha, de 5,6%, o Japão, de 6,2%, e o México, de 3,7%-, há quem vislumbre o fim da crise.
Mas o fato é que perdura a incerteza entre os agentes econômicos. Perdemos a confiança na forma como os mercados vinham sendo conduzidos e em suas lideranças, desconfiamos de muitos produtos e dos processos produtivos. Ousamos duvidar de marcas consideradas intocáveis.
Nesse cenário de receios e redobrada competitividade, trabalhamos com previsão de queda de 20% nas nossas Exportações neste ano, com recuperação só a partir de meados de 2010, segundo estudos do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior e do Banco Central.
Uma dura realidade quando registramos que, em 2008, as empresas participantes dos projetos da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex-Brasil) exportaram US$ 26 bilhões, superando em 41,6% a meta para o período.
Os valores de Exportação das empresas apoiadas pela Apex são predominantemente de bens manufaturados e semimanufaturados.
O momento exige mudanças estruturais na dinâmica interna do país.
Não só para a finalização de reformas há muito discutidas -como a tributária, considerando que o Brasil é um dos poucos países que não desoneraram efetivamente as Exportações- mas também para a desobstrução de gargalos ao escoamento da produção, como, aliás, contempla o PAC.
Precisamos investir em estratégias para o incremento da inovação e da competitividade das pequenas e médias empresas. É hora, sobretudo, de ousar no acesso a novos mercados.
A diplomacia brasileira tem atuado para fortalecer a cooperação Sul-Sul.
Mercosul, Ibas, diversos fóruns multilaterais (no G-20 o país atua como porta-voz dos emergentes) são algumas dessas iniciativas. Mais que mero esforço diplomático, o governo desenhou uma estratégia de promoção comercial que contempla o aprofundamento das relações com os demais Brics (especialmente China e Índia) e a África, além da atuação em mercados com pouca ou nenhuma tradição nas relações comerciais com o Brasil.
Nessa linha, a Apex-Brasil decidiu focar as ações para 2009 em 23 mercados, a partir dos complexos econômicos apoiados: agronegócios -Angola, Argentina, China, Emirados árabes, EUA, Índia, Rússia, Venezuela; máquinas e equipamentos -Angola, Argentina, China, Colômbia, EUA, Panamá, Peru, Venezuela; moda -Angola, Argentina, China, Colômbia, Emirados Árabes, EUA, Rússia; casa e construção -Angola, Argentina, China, Emirados Árabes, Panamá e Rússia.
Diante do acirramento da competição internacional e de uma conjuntura econômica de desafios, a agência apostou em estratégias competitivas e de inserção em mercados. Hoje, apoia 64 setores em projetos setoriais integrados, cobrindo quase a totalidade das atividades econômicas do país.
Tal iniciativa agregou valor e conhecimento à política de promoção comercial brasileira.
No exterior, a Apex modificou seu modelo de apoio à internacionalização, saindo do mero suporte logístico para o apoio aos negócios. Os centros de distribuição se tornaram centros de negócios, além de trabalhar para atrair investimentos estrangeiros.
No plano doméstico, estabeleceu parceria com a Confederação Nacional da Indústria para estimular as empresas a exportar mais. Entre abril e maio, foram criadas unidades de atendimento nas federações da indústria do Ceará, de Minas Gerais, do Paraná, do Rio Grande do Sul e de Santa Catarina. A expectativa é, até o final do ano, fortalecer ainda mais a presença regional.
Precisamos rever ações e focar nos aspectos estratégicos. Não é a mera reprodução do mesmo que irá garantir o sucesso comercial. Devemos abrir novas frentes e surpreender os mercados positivamente. A recuperação só ocorrerá quando investidores, empresas e consumidores, antes preocupados com a crise, passarem a acreditar que é possível voltar a comprar, contratar e gastar. Com confiança. Bernanke pode ter razão.
ALESSANDRO TEIXEIRA é presidente da Apex-Brasil (Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos) e da Associação Mundial de Agências de Promoção de Investimentos (Waipa). (Folha de S. Paulo – 12/06/09) Comércio exterior 2: exportações chinesas sofrem queda recorde em maio As vendas de produtos chineses para o exterior tiveram queda recorde no mês passado, indicando que a demanda global continua em baixa.
As exportações da terceira maior economia global caíram 26,4% em maio na comparação com o mesmo mês do ano passado. Outros países, como Alemanha e Taiwan (tradicionais exportadores), também mostram dados bastante negativos de comércio exterior, sinalizando que a crise continua forte.
Foi a sétima queda consecutiva nas exportações chinesas -setor que alimentou boa parte do crescimento de cerca de 10% do PIB nos últimos anos. Em abril, o recuo foi de 22,6%.
As importações caíram 25,2%, mas um dos fatores que explica esse recuo foi a queda no preço de matérias-primas como o petróleo. (Folha de S. Paulo – 12/06/09) Real tem espaço para se valorizar até 2010, afirma Tendências A moeda brasileira ainda tem espaço para se valorizar mais neste ano e no próximo. A tendência de desvalorização do dólar em relação a diferentes moedas e a manutenção das exportações brasileiras de commodities em ritmo forte dão mais fôlego ao movimento de alta do real.
Essa é a análise dos economistas André Sacconato e Bruno Rezende, da consultoria Tendências, que revisou para baixo suas projeções para o dólar. Agora, sua perspectiva é que a moeda norte-americana feche este ano cotada a R$ 1,85. Para o final de 2010, a projeção é de R$ 1,70.
Com base em uma avaliação de cada conta do balanço de pagamentos (transações econômicas e financeiras feitas por um país com os demais), a Tendências projetou um saldo de US$ 19,3 bilhões para o Brasil neste ano e de US$ 18,4 bilhões em 2010. Em 2008, essa sobra foi de US$ 3 bilhões.
Esses valores são suficientes para aumentar a oferta de câmbio no país, afirmam os economistas.
Do ponto de vista externo, os economistas veem a continuidade do movimento de desvalorização do dólar frente a outras moedas, como o real. O motivo é que, mesmo que a economia americana apresente sinais de recuperação, o Fed (Federal Reserve, o BC dos EUA) elevará os juros em ritmo lento e será mais tolerante com a inflação, segundo perspectivas da Tendências.
Para não correr o risco de gerar uma nova recessão na economia por causa de um aperto monetário prematuro, o Fed pode aceitar um pouco mais inflação neste processo de reversão do exagero da política monetária, afirma a consultoria.
Assim, a tendência do dólar deve continuar sendo de desvalorização perante uma cesta de moedas. (Folha de S. Paulo – 12/06/09) Nível de crédito é o menor em 8 anos Além da retração da demanda mundial e da sobrevalorização do real frente ao dólar, o exportador brasileiro ainda enfrenta problemas de falta de financiamento.
Levantamento da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) mostra que só 49,6% das exportações do País contaram com crédito pré-embarque no primeiro trimestre de 2009. É o nível mais baixo nos últimos oito anos (período analisado pela entidade), o que reflete os efeitos da crise global.
Entre 2002 e 2008, a participação média do crédito sobre o valor exportado no primeiro trimestre foi de 64,9%. No ano passado, essa fatia representou 58,8%.
O estudo constatou que foi a retração nos pagamentos antecipados que derrubou a oferta de crédito este ano. As linhas de Adiantamento de Contrato de Câmbio (ACC) mantiveram praticamente a mesma proporção do montante contratado sobre exportações (26,5%). Já a participação das linhas internas e públicas recuaram de 4%, em 2008, para 3%, agora.
Restrito a empresas de um mesmo grupo, o montante de pagamento antecipado sobre o total das exportações brasileiras desabou de 28,3%, no primeiro trimestre de 2008, para 20,1%, neste ano. Por essa modalidade, o importador envia o pagamento da operação ao exportador antes do embarque da mercadoria para o exterior.
O diretor do Departamento de Relações Internacionais e Comércio Exterior da Fiesp, Roberto Giannetti da Fonseca, defende a criação de linhas de crédito pré-embarque à exportação com funding em reais. Atualmente, os ACCs usam recursos captados de bancos estrangeiros e repassados por bancos nacionais. Giannetti propõe que sejam criados ACCs em reais, que usariam recursos do depósito compulsório dos bancos. Segundo ele, isso evitaria a antecipação do fluxo de entrada de câmbio e seus efeitos de valorização cambial. (O Esatdo de S. Paulo – 12/06/09) Fluxo cambial é positivo As entradas de dólares no país continuam maiores do que as saídas, segundo dados divulgados na quarta-feira pelo Banco Central. O fluxo cambial (saldo da entrada e saída de dólares do país) na primeira semana do mês ficou positivo em US$ 550 milhões. Em maio, o saldo positivo foi de US$ 3,134 bilhões. No acumulado de janeiro até 5 de junho, o resultado positivo é de US$ 2,140 bilhões, contra US$ 15,760 bilhões no mesmo período de 2008. Na primeira semana do mês, as operações comerciais (exportações, importações e financiamento ao comércio exterior) tiveram saldo de US$ 670 milhões e o fluxo financeiro teve resultado negativo de US$ 120 milhões. (Valor Econômico – 12/06/09) Brasil se torna credor do FMI, com a compra de US$ 10 bilhões em bônus BRASÍLIA e WASHINGTON. O ministro da Fazenda, Guido Mantega, anunciou ontem que o Brasil vai utilizar US$ 10 bilhões de suas reservas internacionais para aumentar o poder de fogo do Fundo Monetário Internacional (FMI), conforme antecipou O GLOBO em abril passado. Os recursos cerca de 5% dos US$ 205 bilhões em reservas são uma forma de o governo brasileiro contribuir para o montante de US$ 500 bilhões que o Fundo pretende usar em empréstimos que incentivem, principalmente, a retomada do comércio mundial, prejudicado pela atual crise financeira.
No passado, era o contrário: o FMI socorria o Brasil, que era um país menos sólido. Agora, o Brasil acumulou reservas para ajudar a comunidade internacional disse Mantega, destacando que, pela primeira vez, o país será credor do FMI.
Os US$ 10 bilhões serão usados na compra de bônus do Fundo, expressos em Direito Especial de Saque (DES) espécie de moeda do FMI. Nos últimos dias, a Rússia anunciou que vai adquirir US$ 10 bilhões desses títulos e a China, US$ 50 bilhões. Espera-se que a Índia faça anúncio semelhante.
Lula: ação dá 'autoridade' para reivindicar mudanças Para Lula, a iniciativa dá ao Brasil "autoridade moral para continuar" reivindicando mudanças no FMI.
Esse dinheiro entra como empréstimo, e o fato de entrar como empréstimo não diminui nossas reservas. O Brasil não poderia ficar de fora (da contribuição ao FMI) — disse Lula à agência de notícias Reuters.
Mantega explicou que, na prática, o que vai ocorrer é uma diversificação das reservas internacionais.
Elas hoje são compostas principalmente de títulos do governo americano, mas também de outros ativos, como dólares e até mesmo DES. Com a nova operação, a participação dos DES vai aumentar nas reservas.
A Rússia fará o mesmo.
O ministro não informou qual será o rendimento dos bônus do FMI (que ainda estão sendo preparados), mas ressaltou que não será elevado: — É claro que não vamos esperar um grande rendimento, pois o FMI teria que repassar os custos para os países em desenvolvimento que vão tomar os empréstimos.
Em comunicado, o diretor-gerente do FMI, Dominique Strauss-Kahn, disse que "o Brasil, mais uma vez, reafirma seu forte papel como uma economia de mercado líder?.
Mantega nega estratégia de enfraquecer o dólar Os anúncios de ajuda ao Fundo acontecem uma semana antes do encontro que vai reunir, na cidade russa de Ecaterimburgo, os Brics (sigla para Brasil, Rússia, China e Índia). Um dos temas deverá ser as alternativas para o dólar como moeda de reserva internacional.
Mantega afirmou, porém, que a compra dos bônus não é uma estratégia para enfraquecer o dólar, mas um reconhecimento da importância de outros ativos nas transações internacionais: Não nos interessa enfraquecer o dólar, porque isso significa valorização do real, o que prejudica as exportações. Não queremos enfraquecer o dólar, mas, sim, fortalecer os Direitos Especiais de Saque. O ministro lembrou que a operação não vai mudar a participação do Brasil no FMI. O país hoje detém cotas — expressas em DES — que equivalem a US$ 4,7 bilhões. Ou seja, o Brasil poderá colocar um total de até US$ 14,7 bilhões no Fundo. (O Globo – 11/06/09) Brasil usará reservas para emprestar US$ 10 bi ao FMI Mantega afirma que empréstimo não reduzirá reservas, pois operação será feita com a compra de títulos emitidos pelo Fundo
O Brasil usará dinheiro das reservas internacionais para emprestar US$ 10 bilhões ao FMI (Fundo Monetário Internacional). É a primeira vez que o país ajuda o Fundo a socorrer economias em dificuldade.
Em abril, o Brasil voltou à lista de credores do FMI, ao adquirir cotas equivalentes a US$ 4,7 bilhões. Mas as cotas funcionam como um cheque especial: o país entra na instituição na condição de credor e só empresta o dinheiro se for solicitado. Já o empréstimo anunciado ontem ficará disponível no caixa do FMI.
[O empréstimo] ajuda a encurtar a crise internacional, para que os países em dificuldades possam voltar ao comércio mundial, possam voltar a importar e a investir. Isso acaba ajudando os países mais sólidos, como o Brasil, a exportar mais, disse o ministro da Fazenda, Guido Mantega.
Em nota, Dominique Strauss-Kahn, diretor-gerente do FMI, elogiou a iniciativa do país de investir no Fundo (leia texto abaixo).
O Brasil já havia participado do clube dos países credores do Fundo, mas deixou a posição há 27 anos. A história recente do país era de devedor do FMI. Em 1998, durante a crise da Rússia, o governo brasileiro recorreu ao empréstimo do Fundo. Para isso, teve que se submeter a uma série de metas econômicas. Foi assim que começou a fazer economia para pagar os juros da dívida, o chamado superávit primário. Em 2005, o país quitou a dívida.
Reservas intactas
Mantega disse que o empréstimo não reduzirá as reservas internacionais, porque a operação será feita com a compra de títulos emitidos pelo Fundo. Na prática, o Banco Central- que administra as reservas- vai tirar o dinheiro de alguma aplicação, como dos títulos do Tesouro americano, e aplicar nos títulos do FMI. As reservas internacionais estão hoje em US$ 205,3 bilhões.
O ministro disse que a decisão sobre de quais títulos o governo vai se desfazer é do BC, mas afirmou que provavelmente o governo vai vender os que estão rendendo menos. Em seguida, Mantega admitiu que os títulos do FMI não deverão ter rentabilidade alta, porque isso tornaria o empréstimo aos países socorridos muito caro.
Ele não deu detalhes sobre as características dos títulos emitidos pelo FMI. Segundo o ministro, a diretoria do Fundo ainda trabalha na emissão, que não tem data para ser feita.
Na última reunião do G20, em abril, em Londres, os países-membros concordaram em colocar US$ 250 bilhões à disposição do Fundo. Com isso, subiria para US$ 500 bilhões a disponibilidade de empréstimo do FMI para socorrer os países que enfrentam dificuldades.
Mantega ressaltou que a China já anunciou empréstimo de US$ 50 bilhões ao Fundo, e a Rússia, de US$ 10 bilhões.
Com a ajuda do Brasil, só falta a Índia anunciar sua parte para que todos os Brics emprestem dinheiro ao Fundo, como foi combinado. (Folha de S. Paulo – 11/06/09)
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