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DRI Clipping Semanal nº 38 - 22/09 a 26/09/08

Acordos Produtos e Mercados OMC Outros

Unasul renova apoio a Morales
O presidente da Bolívia, Evo Morales, volta da Assembléia-Geral das Nações Unidas, em Nova York, com o apoio reiterado dos países vizinhos à legitimidade de seu governo — um reforço político na retomada das negociações com os governadores que encabeçam a oposição regionalista. No fim de um encontro paralelo entre chefes de Estado da União de Nações Sul-Americanas (Unasul), a presidenta chilena, Michelle Bachelet, que exerce a presidência rotativa do bloco, anunciou a decisão de "continuar acompanhando o cumprimento dos acordos adotados em Santiago". Na cúpula extraordinária da semana passada, a Unasul designou uma missão para mediar os entendimentos na Bolívia.
"A Unasul já não é apenas uma sigla, mas uma realidade que foi gestada para que a América do Sul não seja mais o quintal do império (os Estados Unidos)", disse Morales no fim da reunião. No auge da crise com a oposição, o governo boliviano expulsou o embaixador norte-americano, Philip Goldberg, a quem acusa de "dar assessoria" à oposição. Menos hostil aos EUA, porém igualmente autoconfiante, a presidenta da Argentina, Cristina Fernández, citou a América do Sul como "exemplo de como se constrói o multilateralismo, apesar das diferenças entre os países".
No segundo encontro em menos de um mês, os presidentes acataram sugestão de Bachelet e cancelaram o encontro ordinário da Unasul, marcado para o mês que vem em Viña del Mar, no Chile. A próxima cúpula deverá ser convocada para o fim do ano, mais provavelmente em dezembro, quando o Mercosul promoverá em Salvador (BA) um encontro entre chefes de Estado e governo de toda a América Latina, por iniciativa do governo brasileiro.(Correio Braziliense – 25/09/08)


Acordos Produtos e Mercados OMC Outros

América Latina: frete é mais caro
Uma pesquisa do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) aponta que países da América Latina têm custo maior com frete do que o de países de primeiro mundo. O estudo foi divulgado ontem e constatou que o alto gasto com transportes é consequência das taxas de fretes. A pequena participação do Brasil no mercado internacional, de 1%, a falta de infra-estrutura e de não estar na rota dos maiores mercados exteriores fazem com que o país perda competitividade. A análise é de especialistas do setor.
Na comparação de custos com os Estados Unidos, países da América Latina desembolsam quase o dobro para importar produtos. De acordo com Cristiano Prado, gerente de infra-estrutura e desenvolvimento de novos investimentos da Federação das Indústrias do Rio de Janeiro (Firjan) o encarecimento da logística na região está além da distância física com os mercados exteriores.
Se tratando do Brasil, é preciso criar linhas regulares de navegação internacional para aumentar a movimentação de carga e reduzir o custo alerta.
Distribuição equilibrada
A falta de um porto concentrador é um implicador para a elevação da tributação com o transporte no país, segundo Renaud Barbosa Silva, professor de Transporte e Logística da Fundação Getúlio Vargas (FGV). Ele ressalta ainda que, embora o transporte rodoviário seja o mais oneroso, é o mais usado no Brasil, com 58%, contra 25% ferroviário, 13% aquaviário e 0,4% aéreo.
O país precisa de um porto concentrador, distribuição de módulos de transportes equilibrada, como nos Estados Unidos, onde o transporte ferroviário é responde por 50% da carga afirma.
Um dos maiores vilões para o encarecimento das taxas de importação e exportação é o peso das mercadorias.
Os portos não estão preparados para receber grandes porta-containers, o que inviabiliza o transporte mais carga – destaca Renaud, que também ressalta a importância da aprovação do Plano Nacional de Logística de Transporte (PLNT) que prevê a redução de gastos com fretes de até 40%, até 2023, com a reformulação do sistema logístico.(Jornal do Brasil – 23/09/08)

China tem fôlego para enfrentar a crise, diz analista
Ninguém vai escapar dos impactos do furacão financeiro provocado pela crise das hipotecas nos Estados Unidos, mas alguns conseguirão sair da tempestade com menos danos. A China está entre os países com mais fôlego para enfrentar a turbulência, mas não tem tamanho suficiente para substituir os Estados Unidos como motor da economia mundial, diz Stephen Green, economista-sênior do Standard Chartered para a China, considerado um dos mais lúcidos analistas do país. A seguir, os principais trechos da entrevista concedida ao Estado na sede do Standard Chartered em Pudong, centro financeiro de Xangai.
A China continuará a crescer, apesar da crise financeira mundial?
Independentemente do que aconteça nos Estados Unidos ou no mundo, a China ainda tem razões estruturais para crescer. Existe o processo de urbanização, com as pessoas se mudando para as cidades, um elevado nível de poupança que financia os investimentos, um alto nível de educação entre a força de trabalho e ganhos em produtividade, com novos investimentos em tecnologia e pesquisa e desenvolvimento. Ao mesmo tempo, há choque cíclico de curto prazo que afeta a economia chinesa atualmente, que é visível principalmente no setor exportador. Se olhamos os números do ano passado, cerca de 2,5 a 3 pontos porcentuais do crescimento do PIB vieram das exportações. Portanto, na medida em que as exportações caiam, veremos um impacto, que será maior nos próximos seis meses do que nos primeiros seis meses do próximo ano. O que veremos é: a China cresceu 12% no ano passado e, neste ano, vai crescer de 9% a 9,5% e, em 2009, em torno de 8% a 8,5%. Um pacote de estímulo fiscal deverá ser lançado nos próximos dois meses e o governo pode levar os bancos a aumentarem seus empréstimos. Há medidas que o governo pode utilizar. O país não vai entrar em colapso se crescer 7% ou 8% ao ano, mas não será como nos últimos anos.
Para um país que exporta commodities para a China, como o Brasil, o que essa desaceleração pode significar em termos de demanda e de preços?
Há dois tipos de commodities. Uma é relacionada aos investimentos, como aço, minério de ferro, alumínio, cobre. E há outras, como a soja. No caso de investimentos em infra-estrutura, houve desaceleração acentuada em construção, o que tem impacto sobre a demanda. Acredito que isso deverá se estabilizar no próximo ano. No médio prazo, há uma desaceleração, mas continua a existir uma demanda fundamental, que se estabilizará. A soja é relacionada a porcos, e porcos são relacionados a pessoas comendo carne, o que tem a ver com aumento de renda. É muito mais difícil ver a demanda desacelerando nesse caso, já que as pessoas atingem um certo nível de renda e ficam acostumadas a um nível de consumo.
Com a desaceleração econômica nos Estados Unidos, em que medida a China poderá ser o motor do crescimento mundial?
Não acredito que a China seja muito um motor, para ser honesto. A economia americana representa cerca de 35% da economia mundial e a China ainda tem um terço do tamanho dos Estados Unidos, o que dá de 8% a 10% da economia mundial. Além disso, se olhamos a estrutura econômica dos Estados Unidos, vemos de 70% a 80% de serviços e o resto formado por importações para consumo. Eles importam quase tudo o que consomem, o que cria demanda na China. A demanda da China tem mais a ver com investimento. Se a China continuar a crescer, isso vai originar crescimento em lugares que exportam commodities, mas em relação aos outros setores, é difícil ver a China provocando um impacto significativo.
A desaceleração nos Estados Unidos tem um impacto muito maior sobre o mundo do que o crescimento na China?
Sim. Se você olhar para a Ásia em geral, na China, 70% da demanda é interna e 30% externa. Na Malásia, 50% é interna e 50%, externa. Cingapura e Hong Kong são muito mais dependentes do mundo externo. Comparada a outros países, a China é relativamente protegida, porque 70% de sua demanda é doméstica. A China vai desacelerar, mas não tanto quanto Malásia ou Tailândia no cenário atual. A China vai se sair relativamente bem, comparada a outros países.
Alguns economistas afirmam que essa crise é muito mais dos países ricos do que dos emergentes. Países emergentes poderão crescer, mesmo com a crise financeira?
É uma crise do setor financeiro americano e claramente o problema estava no setor imobiliário dos Estados Unidos. Houve uma terrível falta de gerenciamento de risco, tanto por parte dos bancos quanto das autoridades reguladoras. A crise está claramente lá. Quando olhamos para os mercados emergentes, vemos que estão relativamente protegidos da crise financeira. Claro que, quando o custo do dinheiro sobe nos Estados Unidos, sobe em todo o lugar. Mas a chave, especialmente para a China, é o impacto da crise financeira sobre as empresas americanas e o mercado imobiliário residencial. Como há falta de liquidez nos Estados Unidos, os bancos não estão emprestando para ninguém. Nesse ambiente, o consumo será afetado. Na medida em que o consumo cai, qualquer país exportando para esses mercados enfrentará um período difícil. A principal chave de transmissão da crise é pela economia real, pela demanda de exportações. Países que são muito dependentes de exportações ou têm economias muito abertas, como Malásia e Cingapura, vão sofrer mais. China, Índia e, talvez, Brasil são países com grandes mercados domésticos, que serão menos afetados e poderão crescer.
Esta é a pior crise desde a Grande Depressão de 1929?
Se a AIG (American International Group, maior seguradora dos EUA) não tivesse caído, poderíamos dizer: não, os anos 30 foram piores, os 70, com o choque do petróleo, foram terríveis. Mas, agora que a AIG se foi, estamos nos perguntando quem será o próximo. Provavelmente podemos dizer que as pessoas estão mais preocupadas agora do que em qualquer outro momento, incluindo os anos 30, em relação ao sistema financeiro. Ninguém sabe como vai terminar. A AIG era uma das maiores seguradoras do mundo. E elas supostamente são seguras, certo? Se olharmos para a economia real nos Estados Unidos, tivemos 3% de crescimento no segundo trimestre. Há uma perda de empregos, mas não é um desemprego massivo, os salários ainda estão subindo. Não parece como uma crise econômica - ainda. Em seis meses, em razão do impacto do setor financeiro, é possível que as coisas fiquem muito piores antes de melhorarem.
Há alguma chance de as coisas não piorarem?
Não. A questão é o quanto vão piorar. Nossos economistas nos Estados Unidos têm sido bastante pessimistas. Há seis meses, começamos a dizer que o Federal Reserve (BC dos EUA) teria de cortar juros no fim deste ano ou no começo do próximo. Continuamos com a mesma visão e acreditamos que o Fed terá de cortar o juro dos atuais 2% para 1%. Vamos ver aumento no desemprego e dezenas ou centenas de pequenos bancos nos Estados Unidos quebrando. A economia americana vai piorar e vai demorar de 18 meses a 24 meses para se recuperar. É claro que o mundo vai sofrer o impacto disso.(O Estado de S. Paulo – 22/09/08)


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Amorim diz que governo não tem nada a flexibilizar
O ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, rechaçou a avaliação de que o Brasil estaria "vendendo" sua posição nas negociações agrícolas da Rodada Doha em troca de acesso aos mercados americano e europeu para o etanol. Ele disse que a questão do etanol ainda não foi discutida no âmbito da Rodada Doha e acrescentou que o governo brasileiro não tem mais nada a flexibilizar.
"Não há o que o Brasil possa flexibilizar, isso é uma visão incorreta. O que o Brasil pode fazer neste momento é ajudar a encontrar uma solução", disse o ministro, em Nova York. "O problema que ocorreu (nas negociações da Rodada) foi entre certos países. De um lado, entre eles a Índia, que talvez seja o mais militante deles, e também a China, e os Estados Unidos do outro." A discórdia que travou as negociações, explicou o chanceler, refere-se à demanda da Índia e de outros países em desenvolvimento por uma maior amplitude das salvaguardas especiais para seus produtos cultivados por pequenos agricultores. Esse foi um ponto sobre o qual o G-20, que reúne as economias em desenvolvimento exportadoras e importadoras de alimentos, nunca chegou a um entendimento.
Em julho passado, durante a reunião dos ministros de Comércio dos países mais influentes da Organização Mundial do Comércio (OMC), a Índia e a China insistiram nessa exigência. Os Estados Unidos mostraram-se irredutíveis. O resultado foi o fracasso da tentativa de se chegar a um acordo básico.
Apesar da nova rusga com a Índia, país com o qual o Brasil divide a liderança do G-20, Amorim mostrou-se otimista ontem em relação à conclusão da Rodada. "Não é o Brasil que tem de flexibilizar (para que a Rodada possa ser concluída)", observou Amorim. "O que o Brasil tinha de flexibilizar já flexibilizou. Havia uma demanda em relação a produtos industriais, e o Brasil negociou, dentro do que era possível e aceitável para a indústria brasileira."
COTAS
Antes de almoçar ontem com representantes do Bric - foro que reúne o Brasil, a Rússia, a Índia e a China -, Amorim assegurou que não iria tratar desse assunto com o interlocutor indiano. Fontes do Itamaraty informaram que, até ontem, a missão do Brasil em Genebra não havia obtido uma cópia da carta enviada por Kamal Nath à OMC, mas conhecia alguns de seus trechos. Entre eles, o que fazia a menção indireta ao etanol.
Esse parágrafo referia-se a um ponto que ainda não foi objeto da negociação da Rodada e que poderá tornar-se um tema tão polêmico quanto as salvaguardas especiais para os produtos agrícolas dos países em desenvolvimento. Trata-se da demanda dos países desenvolvidos - sobretudo, da União Européia, da Suíça, da Noruega e do Japão - de inclusão de novos itens na lista de produtos agrícolas sensíveis. Esses itens seriam protegidos por tarifas elevadas, mas haveria uma brecha de acesso a mercado dada por uma cota. Entre esses novos produtos está o etanol, que a União Européia pretende manter sob proteção.
Um negociador brasileiro estranhou que Nath pudesse acusar o Brasil de flexibilizar sua posição geral na Rodada em troca da não inclusão do etanol nessa lista ou de uma cota mais ampla para o combustível. Ele assegurou que o G20 mantém-se coeso na sua posição contrária a essa demanda. Não há, portanto, divergência entre a Índia e o Brasil sobre esse ponto. Entretanto, o Itamaraty está ciente que, uma vez ultrapassado o atual impasse sobre as salvaguardas, as novas cotas poderão travar a negociação e impedir a conclusão da Rodada - hipótese que o governo brasileiro espera ver afastada.
FRASES
Celso Amorim

Ministro das Relações
Exteriores do Brasil
"O que o Brasil tinha de flexibilizar já flexibilizou. Havia demanda em relação a produtos industriais, e o Brasil negociou, dentro do que era possível e aceitável"
"Não há o que o Brasil possa flexibilizar, isso é uma visão incorreta. O que o Brasil pode fazer neste momento é ajudar a encontrar uma solução"(O Estado de S. Paulo – 26/09/08)

Índia acusa o Brasil de 'vender posição' em Doha
Uma carta do governo da Índia ao diretor-geral da Organização Mundial do Comércio (OMC), Pascal Lamy, insinua que o Brasil estaria vendendo sua posição nas negociações da Rodada Doha em troca de acesso aos mercados americanos e europeus para o etanol, carro-chefe da política comercial do País. A carta, enviada nesta semana e assinada pelo ministro do Comércio indiano, Kamal Nath, caiu como uma bomba no Itamaraty e promete azedar a relação entre Nova Délhi e Brasília.
A relação entre os países já vinha se deteriorando. Em julho, o chanceler Celso Amorim aceitou o pacote de liberalização da OMC. Americanos e europeus também deram sinal verde ao acordo. Mas a rodada fracassou diante da rejeição da Índia.
Kamal Nath voltou a Nova Délhi como herói, por ter supostamente defendido os pequenos agricultores indianos. Nos bastidores, acusou o Brasil de ter traído alianças entre países emergentes e de ter tomado posição próxima à dos Estados Unidos e da Europa. Na época, Amorim negou qualquer traição e afirmou que estava defendendo interesses nacionais.
Na semana passada, a nova tentativa de salvar a rodada fracassou. Mais uma vez o obstáculo foi a Índia, que alega precisar de um mecanismo para impor barreiras a produtos agrícolas, caso haja um surto de importação.
Na quarta-feira, Lamy foi surpreendido em seu escritório por uma carta assinada por Nath. O texto reafirmava que a Índia estava comprometida em fechar um acordo até o fim do ano, sob certas condições, incluindo o mecanismo de salvaguarda. "Sem isso, não podemos aceitar uma solução", escreveu, segundo publicou o Washington Trade Daily.
O que surpreendeu o Brasil foi a insinuação de Nath de que o Itamaraty estaria negociando uma saída para o etanol com EUA e Europa, deixando de fora interesses dos demais emergentes.
Nath afirma que as reuniões sobre a expansão de cotas para produtos agrícolas exportados por emergentes a países ricos não chegaram a um acordo e que a abertura proposta era insuficiente. E acusou o Itamaraty de estar pronto a aceitar o que os países ricos oferecem se, em troca, uma cota for dada ao etanol. "O tema continua sem conclusão, com o Brasil dando sinais de que poderia analisar a proposta se lhe fossem dadas cotas substanciais para o etanol nos EUA e Europa", afirmou Nath.
Em julho, o embaixador Roberto Azevedo se reuniu com as delegações americana e européia para falar sobre o etanol. Peter Mandelson, comissário de Comércio da União Européia, ofereceu ao Brasil cota de 1,4 milhão de toneladas em dez anos, que o governo considerou insuficiente. Em uma nova proposta, a cota estaria indexada pelo consumo futuro europeu, o que permitiria um aumento nas exportações nos próximos anos.
Mas o fracasso das negociações impediu um acordo. Mandelson deixou claro que o caso do etanol estaria ligado ao sucesso da rodada.(O Estado de S. Paulo – 26/09/08)

Rodada Doha pode levar até 3 anos a mais, diz Amorim
"
Enquanto isso, as pessoas vão morrer de fome na África", disse o chanceler
NOVA YORK - O chanceler Celso Amorim alertou na quinta-feira que a chamada Rodada Doha do comércio global pode levar dois ou três anos adicionais caso os líderes globais não definam um acordo ainda neste ano.
"Se conseguirmos um acordo sobre as modalidades neste ano, o próximo governo dos EUA, seja qual for, vai encontrar algo já feito com apoio de vários países e isso seria mais difícil de mudar", disse Amorim a jornalistas em Nova York, onde assiste à Assembléia Geral da ONU.
"Se demorarmos mais, a rodada vai levar dois ou três anos adicionais e, enquanto isso, as pessoas vão morrer de fome na África, os produtores africanos de algodão vão continuar enfrentando grandes subsídios dos EUA, e a Índia não terá o mecanismo que deseja criar."
Em julho, uma reunião ministerial esteve perto de concluir as negociações, mas fracassou devido a discordâncias entre EUA e Índia a respeito do chamado "mecanismo especial de salvaguardas", destinado a proteger pequenos agricultores em épocas de surtos de importação.
Amorim disse que o Brasil está preparado para mediar uma solução nesse impasse "desde que as partes mostrem disposição em negociar".
Ele contou que vai se reunir na quinta-feira com representantes de Rússia, Índia e China, que junto com o Brasil formam o grupo de países emergentes conhecidos pela sigla Bric.
Diplomatas de diferentes países dizem que a discordância sobre o mecanismo de salvaguarda agrícola continua sendo o principal empecilho a um acordo. (O Estado de S. Paulo – 25/09/08)

Crise financeira não justifica protecionismo, diz OMC
GENEBRA - A crise financeira global não deve provocar um recuo na abertura econômica global, disse na quarta-feira o diretor-geral da Organização Mundial do Comércio (OMC), Pascal Lamy.
Segundo ele, as lições deixadas pela quebra da Bolsa de Nova York, em 1929, e pela Grande Depressão subseqüente mostram que o protecionismo só piora as coisas.
"O atual furacão que atingiu os mercados financeiros não deve distrair a comunidade internacional da busca por mais integração e abertura econômicas", disse Lamy num fórum da OMC.
"Numa crise financeira e numa época de perturbação econômica, em particular numa época de aumento dos preços alimentícios, o que os consumidores empobrecidos precisam desesperadamente é ver o seu poder de compra ampliado, em vez de reduzido."
O chefe da OMC defende a conclusão da chamada Rodada Doha da abertura comercial global, lançada em 2001, mas praticamente abandonada neste ano devido à discordâncias entre países ricos e pobres a respeito de tarifas e subsídios agrícolas e da abertura de mercados industriais.
Lamy disse que diplomatas buscam novamente, há duas semanas, um consenso nessas questões, depois do colapso das negociações ministeriais na OMC, em julho. A nova meta agora é obter um acordo agrícola e industrial até o final do ano, segundo ele.
Mas, ao contrário do que declarou na semana passada, Lamy desta vez não fez menção a uma nova reunião ministerial em Genebra nas próximas semanas, que necessariamente seria antecedida por algum tipo de avanço nas atuais discussões técnicas.
O principal entrave em julho e agora é a criação de um mecanismo de proteção a pequenos agricultores de países pobres, para funcionar em épocas de importações excessivas ou quebra de preços. Países ricos, especialmente os EUA, temem que isso gere distorções; nações em desenvolvimento, como a Índia, dizem que o mecanismo de salvaguardas é importante para garantir a subsistência de milhões de famílias rurais.
"Infelizmente não pudemos chegar a uma solução", disse um diplomata de um dos sete países que participam das reuniões preliminares.
O foco da Rodada Doha agora passa para uma série de consultas realizadas pelo embaixador da Nova Zelândia na OMC, Crawford Falconer, que tenta reduzir as diferenças em conversas com pequenos grupos de países envolvidos.(Reuters – 24/09/08)

'Pigs' e Brics: confronto de siglas no debate da crise
LONDRES - Um novo confronto de siglas caracteriza o atual ambiente global, transformado pela crise que atingiu as maiores economias do mundo. Enquanto os Brics (Brasil, Rússia, Índia e China) continuam a ser apontados como os condutores do crescimento mundial, agora na Europa a expressão Pigs (porcos, em inglês) vem cunhar a posição menos favorecida de Portugal, Itália, Grécia e Espanha. "Brics soa bem, mas Pigs, não", disse o vice-presidente sênior do The Economist Group, Daniel Thorniley, durante o evento "Emerging Markets Summit 2008", realizado ontem em Londres.
A referência aos principais emergentes do mundo, criada pelo executivo do Goldman Sachs Jim O?Neill em 2001, faz alusão a "brick" - tijolo em inglês. Já a sigla Pigs começou a ser usada pela mídia internacional para caracterizar os países europeus próximos da recessão. Ao aparecer na coluna "Lex" do jornal britânico Financial Times no início do mês, o termo chegou a irritar o ministro de Economia português, Manuel Pinho.
Polêmica à parte, a percepção de executivos e especialistas é de que agora a busca por oportunidades mais lucrativas de crescimento a longo prazo ganhará mais intensidade. Nesse contexto, a adoção de estratégias adequadas aos mercados emergentes recebe importância renovada. "As empresas alemãs não estão investindo na Alemanha porque não há confiança", disse Thorniley, ressaltando que a inflação afetou o poder de compra da população. Por isso, ele acredita que os emergentes, onde há mercado consumidor, são mais atraentes. "Os executivos estrangeiros reconhecem que, se quiserem elevar seus lucros, não será em seus mercados domésticos", disse o diretor Danny Lopez, da UK Trade & Investment (UKTI), órgão do governo britânico.
Para Jim O'Neill - que como "pai" dos Brics continua entusiasta -, o crescimento econômico global virá cada vez mais desses países. "Entre eles, acho que o Brasil é hoje o mais interessante, pois está conseguindo passar por anos de estabilidade depois de anos de caos.(O Estado de São Paulo – 24/09/08)

Amorim ainda acha possível reativar Doha
O ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, disse ontem que tem esperança de que as negociações da Rodada Doha sejam retomadas em breve. "O tempo está curto, mas se houver determinação, se as pessoas estiverem dispostas a encontrar soluções e não buscar pretextos para não encontrar soluções, eu acho que é possível", avaliou Amorim.
"Há uma perspectiva, mas as coisas não estão fáceis ainda, pois sempre surgem dificuldades. O Pascal Lamy (diretor-geral da Organização Mundial de Comércio) me ligou, eu falei com o ministro da Índia para encontrarmos uma solução, pois nós todos queremos encontrar uma solução para o problema da Índia, mas uma solução que permita resolver a Rodada", disse. Segundo o ministro, a delegação da Índia vai se reunir para analisar as propostas feitas na última semana.
O chanceler considerou positivo o fato de o presidente dos Estados Unidos, George Bush, ter feito referência ao assunto durante discurso na abertura dos debates na Organização das Nações Unidas (ONU). "Ele não está dando a Rodada Doha como morta, ao contrário de muita gente", disse Amorim.
O ministro afirmou também que a discussão sobre a entrada do Brasil no Conselho de Segurança das Nações Unidas poderá ter avanços ainda este ano. Segundo ele, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva tratou do assunto hoje com o presidente da 63ª Sessão da Assembléia-Geral da Organização das Nações Unidas, Miguel D'Escorto. O ministro disse que a decisão da Assembléia-Geral de negociar a reforma do conselho representa um avanço.
"Às vezes é preciso que haja um fato que catalise e que leve a todos a percepção da urgência. Mas houve uma evolução muito importante. Em 15 anos, foi a primeira vez em que há essa decisão de negociar", disse Amorim.
O chanceler informou que Lula falou hoje com o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, sobre a necessidade de o órgão estar mais presente na discussão sobre a crise financeira mundial.
O ministro criticou a reativação da Quarta Frota da Marinha Americana. Ele disse que o assunto não foi abordado na segunda-feira na reunião que teve com a secretária-geral de Estado norte-americana, Condoleezza Rice, mas que considera a atitude um erro sob o ponto de vista político. "A percepção não é positiva, pois trata a América Latina e a América do Sul como áreas de crise, coisa que não são", disse. (Valor Econômico – 24/09/08)

G-7 fracassa na tentativa de reativar Rodada Doha
O G-7, grupo formado pelo Brasil, Estados Unidos, União Européia, China, Índia, Japão e Austrália, abandonou no sábado uma tentativa de reanimar a Rodada Doha, partindo sem perspectiva de retomar a iniciativa em futuro próximo.
O novo fiasco foi causado pelo persistente confronto entre os Estados Unidos e a Índia sobre um mecanismo de proteção especial pelo qual a China, a Índia e outros países em desenvolvimento com agriculturas ditas frágeis poderiam frear um súbito aumento de importações agrícolas.
O embaixador brasileiro na OMC, Roberto Azevedo, qualificou de "lamentável que se perca essa oportunidade, porque não estávamos distante". Segundo ele, "não foi por dificuldade técnica, mas por uma questão de disposição política". O mesmo tema já tinha causado o dramático fracasso da reunião ministerial de julho que deveria concluir sete anos de negociação para liberalizar o comércio internacional.
Diante do que aconteceu em Genebra, uma proposta do ministro de Comércio da Austrália, Simon Crean, de fazer uma reunião de ministros do G-7 em Londres, nos dias 2 e 3 de outubro, pode naufragar de vez.
Enquanto a crise financeira internacional era o alvo de todas as atenções, representantes do G-7 retomaram negociação na quarta-feira sem prazo determinado, até que pudessem superar divergências e chegar a pelo menos um esboço de acordo agrícola.
A tentativa começou e terminar em torno de salvaguarda problemática prevendo que o importador pode impor tarifa adicional acima do que foi estabelecido na Rodada Uruguai - ou seja, um novo acordo agrícola internacional, para liberalizar o comércio, permitiria barreira tarifária ainda maior do que na negociação anterior.
A verdade, segundo um negociador, é que o G-7 veio a Genebra com estrutura bem diferente do que a que tinha sido rejeitada em julho pelo ministros. Foram novas discussões e os negociadores tiveram que arriscar. Uma primeira proposta levada aos ministros, nas capitais, recebeu resposta negativa. Os negociadores tomaram outro caminho, mas quando chegou no sábado pela manhã concluíram que não havia realmente como fazer acordo, ainda diante da divergência entre Washington e Nova Déli.
O diretor-geral da OMC, Pascal Lamy, voltará a telefonar a ministros para ver o que é ainda possível salvar este ano e evitar que a entidade mergulhe num forte marasmo no médio prazo. Os indianos dizem que ainda vão fazer simulações sobre o que foi discutido em Genebra.
Mas o ministro de Comércio da Índia, Kamal Nath, avisou: "Os EUA não serão proativos nos próximos meses, em período eleitoral. Podemos até negociar, mas se chegar a entendimento é outra coisa."
Já o Brasil avisou que insistirá: "Os resultado da rodada podem não vir agora, mas o Brasil não vai desistir de alcançar acordo no prazo mais próximo possível que amplie os mercados e melhore as condições de competição de nossos produtos", afirmou o embaixador Azevedo.Quanto à principal negociadora comercial americana, Susan Schwab, que logo começará a arrumar a mala para partir do posto, continua a acusar emergentes por dificuldades na rodada.(Valor Econômico – 22/09/08)


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Efeitos no Brasil
As incertezas relacionadas à crise financeira mundial devem levar à suspensão de decisões de novos investimentos no Brasil por um período, mas com manutenção dos que já estão em execução, prevê o coordenador do Grupo de Análise e Previsões do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) Marcelo Nonnenberg. "Esperamos que as decisões de novos investimentos sejam suspensas até o cenário ficar mais claro", afirmou. "Ainda não se descortina o fim da crise", disse o economista, na divulgação da Carta de Conjuntura Ipea de setembro.
Segundo Nonnenberg, o primeiro efeito da crise está sendo no câmbio. "Vamos ter efeito de desaceleração da economia", disse. Ele argumentou que tanto a desaceleração da economia mundial quanto a redução dos preços das commodities devem ter impacto negativo sobre as exportações brasileiras. No entanto, não houve até agora efeito sobre as exportações e Nonnenberg avalia que só a partir do ano que vem esses efeitos serão sentidos, inclusive em função de contratos já firmados com preços fixados para a exportação de commodities.
"Outro efeito que está aparecendo é a interrupção dos fluxos internacionais de crédito", comentou. Ele lembrou que as empresas estrangeiras remeteram mais lucros e dividendos para o exterior e saíram investimentos da Bolsa de Valores de São Paulo.(Correio Braziliense – 26/09/08)

Mantega: PIB do Brasil pode crescer 4,5% em 2009
RIO - A economia do Brasil deverá crescer 4,5% em 2009, superando o crescimento mundial médio estimado em 2,5% a 3%, com base nos fundamentos macroeconômicos saudáveis e na continuidade do consumo e dos investimentos do País, disse o ministro da Fazenda, Guido Mantega, em entrevista a jornalistas estrangeiros no Rio de Janeiro.
"Em 2009, o mundo estará dividido em dois grupos; um, dos países que deram uma forte resposta à crise no crédito e outro, com uma resposta fraca", afirmou Mantega. "O Brasil será um dos mais fortes países." O ministro afirmou que a crise de crédito global não terminará com a adoção do pacote de ajuda ao mercado financeiro pelo Congresso dos EUA. "A crise vai durar enquanto existirem ativos ruins."
No entanto, o ministro opinou que o aperto no crédito deve ser "menos agudo" em 2009. Ele destacou que muitos bancos europeus ainda não revelaram toda a extensão de seus ativos ruins. "No Brasil, podemos retomar o forte crescimento novamente em 2010, embora isso ainda dependa em parte da velocidade com que os ativos ruins serão identificados no sistema mundial de crédito".
Mantega disse que o governo brasileiro está mantendo sua projeção de crescimento econômico de 5% a 5,5% para 2008. As informações são da agência Dow Jones. (O Estado de S. Paulo – 25/09/08)

BB admite dificuldade para crédito externo
O presidente do Banco do Brasil, Antônio Lima Neto, admitiu que os bancos enfrentam maior dificuldade obter crédito externo com a crise internacional, mas assegurou que o BB vai continuar renovando as linhas de financiamento de comércio exterior. Segundo ele, não há "luz vermelha" para as linhas do BB e a situação está sobre controle.
"No que diz respeito às linhas externas para financiamento de comércio exterior, existe estreitamento de prazo e cotação de lotes menores do que vínhamos cotando, mas está sob controle. Não temos nada de luz amarela, de luz vermelha." Lima Neto comentou ainda as medidas adotadas ontem pelo Banco Central para prover liquidez ao mercado, observando que, no caso do BB, elas terão efeito "residual".
O presidente do BB disse que a instituição continua atendendo à necessidade das empresas. Ele evitou, porém, fazer previsões sobre quando as linhas externas se normalizarão. "Estamos dependendo da captação lá fora. O momento - vocês hão de convir - é de uma situação bastante difícil, mas o BB continua atendendo. Nós somos líderes no financiamento do comércio exterior e, a princípio, neste momento, dá para atender, mas vamos continuar observando e renovando as linhas", disse ele, que se reuniu ontem com o ministro da Fazenda, Guido Mantega.
Segundo Lima Neto, não está difícil administrar a situação de maior restrição de crédito, porque o banco tem boa base de captação no País, e é a maior instituição financeira do País em crédito e depósitos. "A liquidez interna para o BB está extremamente tranqüila. O comércio exterior tem esse fato, que independe de nós, mas o Banco do Brasil administra muito bem a situação, e temos conseguido atender", acrescentou.
Segundo o presidente do BB, as linhas domésticas estão "perfeitas". Na avaliação de Lima Neto, a elevação das taxas de financiamento é "natural". Ele disse, no entanto, que essa alta "não pode ser caracterizada como forte, dado o estreitamento de prazo e o esgotamento das linhas".
Lima Neto comentou também a agressividade dos grandes bancos, que estão oferecendo rentabilidade mais alta para aplicações em CDB e disse que o importante, nesse mercado, é uma boa rede de captação. "A captação de varejo tem-nos ajudado, é do negócio tradicional do Banco do Brasil. Nós temos conseguido transitar muito também nesse aspecto."
O executivo também informou que as negociações para a aquisição da Nossa Caixa ainda não estão fechadas. " Permanecemos em conversas e negociações."(O Estado de S. Paulo – 25/09/08)

União Européia define acordo para imigração seletiva
Pacto proposto regulamenta a escolha de imigrantes de acordo com necessidade trabalhista dos países
BRUXELAS - O Conselho de Ministros da União Européia (UE) fechou nesta quinta-feira, 25, um acordo no pacto sobre a imigração e asilo, que busca limitar a chegada de imigrantes ao estritamente necessário para o mercado de trabalho. O acordo, que será aprovado formalmente pela cúpula de líderes da UE em 15 e 16 de outubro, opta por uma imigração seletiva, controlada de acordo com as necessidades trabalhistas e a capacidade de integração do país de amparada, e com firmeza total contra os imigrantes ilegais e sem regularizações maciças.
O texto, apoiado de forma unânime pelos 27 países da UE, busca dar um novo impulso para uma política comum de imigração e asilo que leve em conta o interesse coletivo da UE, ao considerar "imprescindível" que cada Estado-membro leve em conta o resto do bloco ao aprovar suas políticas no assunto. O pacto, um dos principais objetivos da Presidência francesa da UE deste semestre, tem cinco pontos básicos: organizar a imigração legal de acordo com as necessidades e a capacidade de amparada, combater a imigração ilegal e expulsar os irregulares, fortalecer os controles fronteiriços, aumentar a cooperação com os países de origem e melhorar o sistema de asilo.
"A União Européia não dispõe de meios para receber dignamente todos os emigrantes que esperam encontrar uma vida melhor", indica o pacto. Por isso, indica que a gestão da imigração na UE deve levar em conta a situação do mercado de trabalho, assim como os recursos disponíveis em matéria de alojamento, saúde e educação.
Cada país do bloco determinará as condições de admissão a seu território e fixará o número de imigrantes que pode receber, em função das necessidades do mercado de trabalho. O pacto afirma que os países da UE promoverão a integração dos imigrantes, buscando o equilíbrio entre seus direitos (acesso à educação, ao trabalho e aos serviços públicos e sociais) e deveres (respeito às leis do país de amparada), com medidas específicas para facilitar a aprendizagem da língua e o acesso ao emprego.
Além disso, defenderá o respeito da identidade dos países do bloco e da própria UE, assim como de seus valores fundamentais (como direitos humanos, liberdade de opinião, tolerância, igualdade entre homens e mulheres e escolarização obrigatória das crianças). Também impulsionará a admissão de trabalhadores qualificados e favorecerá a imigração temporária, para evitar a fuga de cérebros.
No entanto, os mecanismos de reagrupamento familiar levarão em conta os recursos e condições de residência, assim como o conhecimento do idioma do país de amparada. Os imigrantes em situação irregular terão que deixar o território da União Européia e as regularizações serão feitas caso a caso. Para conseguir as repatriações, haverá a tentativa de estabelecer acordos de readmissão com os países de origem, com os quais também será reforçada a cooperação para combater o tráfico de pessoas.
Além disso, no início de 2012, no máximo, serão implantados os vistos com informação biométrica, e até esta data também terá que estar funcionando um registro eletrônico de saídas e entradas na UE. O pacto estabelece também que sejam reforçados o papel e os recursos da Frontex, a agência européia de controle de fronteiras.(O Estado de S. Paulo – 25/09/08)

Exportadores não conseguem renovar ACCs
grande maioria das empresas exportadoras brasileiras não tem conseguido renovar as operações de Antecipação de Contrato de Câmbio (ACC) feitas nos últimos 180 dias e agora vencendo. Alegando falta de liquidez, provocada pela crise financeira internacional, os bancos estrangeiros têm deixado de emprestar dólares ou euros para os bancos brasileiros repassarem o equivalente em reais às exportadoras. Sem esse crédito que é usado para o capital de giro, as empresas não têm como financiar a produção das exportações futuras.
"Isso é que nem um conta-gotas: a cada dia afeta mais empresas, agravando a situação", diz Roberto Giannetti da Fonseca, diretor do Departamento de Relações Internacionais e Comércio Exterior da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp).
Os ACCs são a modalidades de financiamento a exportações mais difundidas no mercado. Eles respondem historicamente por mais da metade do volume de câmbio contratado. O exportador recebe antecipação, parcial ou total, em moeda nacional do valor equivalente à quantia em moeda estrangeira comprada a termo pelo banco, descontada a uma taxa de juros internacional à qual é somado o spread que embute o risco da operação. Essa antecipação de recursos representa importante incentivo à exportação, na medida em que dá meios ao exportador para custear o processo de industrialização e de comercialização a taxas inferiores às do mercado doméstico.
"Se ficarmos três meses sem ACCs, a conseqüência será gravíssima nas exportações brasileiras", ressalta Giannetti da Fonseca. Segundo ele, a taxa dessas operações, que antes era de 3% a 4% ao ano, hoje está em 9% a 11%, e só para empresas que oferecem baixíssimo risco de crédito.
Para resolver o problema, a Fiesp propôs na terça-feira ao Banco Central (BC) usar US$ 20 bilhões das reservas internacionais do País (hoje em mais de US$ 200 bilhões), para que os bancos brasileiros com agências no exterior tenham capacidade de reemprestar aos exportadores. "Isso não representa nenhum risco, pois o BC vai estar correndo o risco dos bancos, risco que hoje ele já tem de forma sistêmica."(O estado de S. Paulo – 25/09/08)

Remessa e importação elevam projeção para o déficit externo
Graças ao aumento nas remessas de lucros ao exterior e ao crescimento das importações, o Banco Central elevou de US$ 25 bilhões para US$ 28,8 bilhões sua projeção para o déficit em transações correntes deste ano. O indicador contabiliza todas as negociações de bens e serviços do Brasil com outros países.
Até agosto, o saldo acumulado estava negativo em US$ 20,6 bilhões. Confirmada a estimativa do BC, será o primeiro déficit externo do país desde 2002. Para 2009, espera-se déficit maior -de US$ 33,1 bilhões.
O BC foi surpreendido tanto pela balança comercial quanto pelo volume de dinheiro enviado para fora do país por multinacionais instaladas no Brasil. Em 2007, quando fez pela primeira vez as projeções para as contas externas em 2008, a instituição estimava que as remessas de lucros fossem ficar em US$ 16,8 bilhões. Ontem, essa previsão foi revista pela quarta vez, para US$ 33 bilhões.
"Vários setores estão remetendo para cobrir resultados negativos de suas matrizes", diz o chefe do Departamento Econômico do BC, Altamir Lopes, ao se referir às remessas feitas neste ano por bancos e montadoras de veículos. Juntos, esses setores enviaram US$ 6,5 bilhões ao exterior entre janeiro e agosto (mais 45% em relação a igual período de 2007).
Já o superávit da balança comercial, que no ano passado era estimado em US$ 34 bilhões, deve ficar agora em US$ 25 bilhões, de acordo com nova previsão. Isso porque as importações, em vez de crescerem 16% como previsto no final de 2007, devem crescer 43% neste ano.
Em 2009, a situação deve se agravar devido à queda ainda maior no superávit comercial, que, segundo o BC, deve ficar em US$ 17 bilhões, o que explica boa parte do aumento do déficit em transações correntes para US$ 33,1 bilhões.
Além disso, em 2009 é esperado volume maior de vencimentos da dívida externa, cujas parcelas a serem pagas somam US$ 28 bilhões (US$ 25,7 bilhões neste ano), já considerados os compromissos tanto do governo como do setor privado.
Por outro lado, o economista Antônio Corrêa de Lacerda, professor da PUC-SP, ressalta que também há fatores positivos a serem considerados nessa análise. Um deles é a própria desaceleração da economia brasileira esperada para o ano que vem, reflexo tanto do desaquecimento da economia mundial como dos recentes aumentos da taxa Selic.
Essa desaceleração, diz Lacerda, ajuda a conter as importações e impede um aumento maior do déficit em transações correntes. "O risco é o BC errar a mão nos juros, o que poderia levar a uma queda muito mais forte no nível de atividade."(Folha de S. Paulo – 24/09/08)

Governo prevê desaceleração das exportações globais em 2009
Enquanto a maior parte do governo espera reflexos quase imperceptíveis da crise norte-americana no Brasil, o secretário de Comércio Exterior, Welber Barral, avaliou ontem que "ninguém sairá incólume" da turbulência e que as exportações de todo o mundo tendem a arrefecer em 2009.
"Ninguém sairá incólume de uma crise como essa, de outro lado haverá uma desaceleração das exportações mundiais", assinalou Barral.
Na terceira revisão da meta de exportações deste ano, o governo elevou ontem a estimativa de US$ 190 bilhões para US$ 202 bilhões. Em novembro passado, a primeira meta divulgada foi de US$ 172 bilhões.
A nova meta, que o mercado espera ver superada com folga, representa alta de 25,7% nas exportações em relação ao ano passado, quando o Brasil vendeu US$ 160,65 bilhões em produtos ao exterior.
Segundo a OMC (Organização Mundial do Comércio), as exportações mundiais cresceram 5,5% no ano passado em relação a 2006. Se confirmada a previsão do governo, as exportações brasileiras terão crescido mais do que as vendas de todos os países desenvolvidos e chegam a superar até mesmo as da China.
O governo espera que as exportações reduzam, até o fim do ano, o ritmo de alta de 27,7% -registrado de janeiro a agosto- para 22,2%. Nesse cenário, as exportações de 2008 serão US$ 41,35 bilhões superiores ao ano passado, alta de 25,7%.
Segundo Barral, o ajuste no câmbio leva "de 90 dias a 120 dias" para afetar as exportações e espera que o dólar mais caro ajude a competitividade da indústria brasileira no ano que vem. Já o analista Francisco Pessoa, da LCA Consultores, estima exportações de US$ 208 bilhões neste ano.
Commodities
Ao traçar a nova meta de exportações, a equipe do Ministério do Desenvolvimento partiu da premissa de que as commodities vão continuar em alta neste ano.
Barral refutou a tese de que os preços vêm caindo e disse que, na verdade, as cotações estacionaram em patamares superiores aos do ano passado. Analisando os preços de exportação de 25 produtos, é possível verificar que todos apresentaram aumento, exceto o suco de laranja congelado.
Para Mateus Zanela, da CNA (Confederação Nacional da Agricultura e Pecuária), "os preços das commodities agrícolas vão continuar elevados" no ano que vem.
Em relação à meta de exportações para 2009, Barral disse que é cedo para previsões.(Folha de S. Paulo – 24/09/08)

Na ONU, Lula critica mercados e Bush
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva pediu ontem, na abertura da 63ª Assembléia Geral da ONU, maior participação de órgãos multilaterais na regulação dos mercados financeiros. Ele fez críticas ao que chamou de "anarquia especulativa" e ao breve comentário sobre a crise feita pelo presidente dos EUA, George W. Bush, o segundo líder a discursar.
"Eu lamentei, porque eu imaginei que o presidente Bush, na última aparição dele nas Nações Unidas, (...) falaria um pouco da crise econômica, ou seja, o que o governo americano pretende fazer", disse.
"Mas ele fez a opção por voltar a falar de terrorismo e eu, obviamente, como sou defensor da liberdade dos povos e da soberania dos discursos dos presidentes, eu fui obrigado, então, a ficar quieto. Eu esperava que ele fosse falar da crise econômica, que eu acho que era a coisa mais importante neste momento, que ele pudesse citar a dificuldade que está encontrando na Rodada Doha, mas de qualquer forma, gente, cada um faz o seu pronunciamento."
Discursando logo após a fala de abertura do secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, Lula criticou a desregulamentação do mercado financeiro e pediu mais autoridade para organismos econômicos supranacionais (como o Banco Mundial) "para coibir a anarquia especulativa", já que, para ele, "a ausência de regras favorece aventureiros e oportunistas, em prejuízo das verdadeiras empresas e dos trabalhadores".
"A euforia dos especuladores transformou-se em angústia dos povos após a sucessão de naufrágios financeiros que ameaçam a economia mundial.
As indispensáveis intervenções do Estado, contrariando os fundamentalistas do mercado, mostram que é chegada a hora da política. Somente a ação determinada dos governantes, em especial naqueles países que estão no centro da crise, será capaz de combater a desordem nas finanças internacionais", afirmou o presidente.
Lula usou o pedido de esforços conjuntos no combate à especulação desenfreada para defender maior cooperação entre os países, para que se encontrem soluções para outras crises mundiais, como a energética e a ambiental. Ele também voltou a defender a ampliação do Conselho de Segurança da ONU, o álcool de cana-de-açúcar, a Rodada Doha e o estreitamento entre nações do hemisfério Sul em parcerias e acordos que não necessariamente envolvam os países desenvolvidos do Norte.
Imigração
Suas críticas mais contundentes, entretanto, foram sobre a política mundial de imigração. O presidente não citou nominalmente a Diretiva de Retorno, lei aprovada pela União Européia em junho que estabelece punições mais rígidas a imigrantes ilegais, mas se referia a ela.
"O Muro de Berlim caiu. Sua queda foi entendida como a possibilidade de construir um mundo de paz, livre dos estigmas da Guerra Fria. Mas é triste constatar que outros muros foram se construindo. E com enorme velocidade. Muitos dos que pregam a livre circulação de mercadorias e capitais são os mesmos que impedem a livre circulação de homens e mulheres, com argumentos nacionalistas -e até racistas- que nos fazem evocar -temerosos- tempos que pensávamos superados."(Folha de S. Paulo – 24/09/08)

Importar é o que importa?
Há 30 anos o slogan "exportar é o que importa" sintetizava o objetivo de nosso comércio exterior e a própria política industrial brasileira, ao estabelecer como prioridade a inserção do País no comércio mundial via exportação de bens e serviços brasileiros.
A importação era, então, apenas um instrumento necessário para complementar a produção nacional, deixando para a exportação o papel de fomentar o crescimento da competitividade por meio de ganhos de escala e do aumento da qualidade e do conteúdo tecnológico dos produtos brasileiros, condições necessárias para atender a mercados mais exigentes e sofisticados.
Trinta anos depois, parece que o slogan foi invertido não só porque a inserção foi principalmente financeira, mas também porque o avanço tecnológico aparentemente passou a ser responsabilidade da importação. É o que se deduz ao ouvirmos de autoridades do governo e de boa parte dos comentaristas econômicos frases do tipo: a redução do saldo da balança comercial é, em boa parte, "culpa" do aumento da importação de máquinas - seguida do corolário. No fundo, isso é bom porque significa que o País está investindo muito e modernizando seu parque industrial.
A repetição dessas "pérolas", desde o governo FHC, sem contestação, transforma em verdades convenientes afirmações que não resistem a uma análise da balança comercial brasileira.
Comparando o primeiro semestre de 2008 ante 2007, os números mostram que a importação de bens de capital (US$ 16,3 bilhões) cresceu abaixo da média dos demais setores (46,4% e a média foi de 51,8%).
Se excluirmos da conta de bens de capital aqueles destinados ao consumo e nos concentrarmos nas máquinas e equipamentos de produção, o quadro muda bastante. A participação de máquinas na importação total cai de 20% para 12,5%. O volume importado se reduz a US$ 10 bilhões, o mesmo patamar das importações de bens de consumo e bem abaixo da conta petróleo e combustíveis (US$ 14,6 bilhões) - aliás, que fim levou nossa auto-suficiência? -, itens que certamente não ajudam a modernizar o País.
Vale ressaltar que as importações de máquinas não dimensionam, quando tomadas isoladamente, o investimento produtivo. Para tanto, o que interessa é o "consumo aparente" de bens de capital, ou seja, o volume de máquinas novas, importadas ou nacionais que vem ampliar o parque produtivo brasileiro.
Os números do consumo aparente dos últimos dez anos mostram uma saudável tendência de crescimento que esperamos não seja abortada pela política de aumento de juros do Banco Central (BC). Mas ainda não são satisfatórios, pois representam apenas 3,3% do PIB e 20% da Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF).
Seria desejável que sua fatia fosse cerca de 30% da FBCF, que por sua vez deveria responder por mais de 25% do PIB para permitir ao País um crescimento sustentado superior a 5% ao ano. Isso significa que a participação dos bens de capital no PIB deveria ser da ordem de 7% a 8%, muito longe dos atuais 3,3% já atingidos em 2001 e 2002. Logo, não são certamente as importações de máquinas as responsáveis pela forte redução do saldo da balança comercial.
Vamos deixar claro que essas importações são bem-vindas sempre que complementarem a produção nacional, e não vierem substituir a produção local apenas por questões de preços distorcidos por um câmbio irreal, como ocorre hoje com a maioria dos bens de capital importados, pois, neste caso, elas não aumentam os investimentos, mas apenas substituem a produção nacional. Na hipótese desejável de chegarmos mais perto da situação de nossos concorrentes internacionais e virmos a dobrar o consumo aparente de máquinas e equipamentos - e se este aumento for feito principalmente por meio das importações diante da falta de isonomia competitiva com os produtos importados -, aí, sim, teremos bons motivos para nos preocuparmos com a balança comercial.
Segundo dados do próprio governo, a deterioração do saldo da balança comercial é generalizada na indústria de transformação, principalmente nos setores de alta e média intensidades tecnológicas.
A responsabilização da importação de máquinas por esta situação é uma tentativa inconsistente de encobrir as conseqüências da política de juros altos e da exagerada valorização do real. Se o jogo é achar culpados, os gastos do governo e principalmente o BC são candidatos muito mais fortes que a indústria nacional.(O Estado de S. Paulo – 24/09/08)

MDIC eleva projeção de exportação para US$ 202 bi
Mesmo com um cenário de retração da economia mundial, o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior aumentou ontem de US$ 190 bilhões para US$ 202 bilhões a previsão de exportações para 2008. Foi a terceira revisão desde o anúncio da meta inicial, de US$ 172 bilhões. Se alcançada a meta, as vendas externas irão crescer 25,7% este ano. O Ministério do Desenvolvimento projetou uma média mensal de US$ 17,79 bilhões de exportações entre setembro e dezembro.
O secretário de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Welber Barral, disse que a valorização do dólar frente ao real nas últimas semanas não foi considerada no novo cálculo. A meta leva em conta o comportamento dos preços das commodities e os contratos de exportação já assinados. "O dólar dará mais competitividade aos produtos brasileiros, mas o seu efeito não deve ser sentido no curto prazo", previu Barral. Para ele, o efeito deve ser mais rápido nas importações, que são desestimuladas, principalmente, na compra de serviços no exterior, como o turismo.
Barral avaliou que os preços das commodities continuarão acima dos praticados em 2007 e se manterão estáveis nos próximos meses. Para o secretário, há muito exagero nas avaliações de que os preços estão despencando. Ele atribui a queda nos preços nas últimas semanas à saída de capital especulativo de fundos de commodities.
"Mesmo depois de desinflada a bolha, os preços ainda estão muito mais elevados do que em 2007. Isso ocorre por causa do aumento da demanda", avaliou o secretário, lembrando que alguns alimentos como carne bovina e óleo de soja continuam com tendência de alta. Barral disse que não espera nova queda substancial nos preços das commodities. O Ministério espera ainda aumento das exportações de aeronaves, de telefones celulares, tratores e caminhões e dos embarques de petróleo.
O vice-presidente da Associação de Comércio Exterior (AEB), José Augusto de Castro, afirmou que a nova previsão é bastante viável. Segundo ele, para atingi-la, as vendas externas devem ter uma média diária de US$ 780 milhões até o fim do ano, abaixo da média atual de US$ 930 milhões. A projeção de exportações da AEB para 2008 é de US$ 197 bilhões. O economista chefe da MB Associados, Sérgio Vale, disse que o governo foi conservador. A consultoria também revisou ontem a sua projeção e a elevou para US$ 207,3 bilhões.
Barral disse que 2008 foi um ano "surpreendente" para as vendas externas. Segundo ele, o Ministério projetava, no fim de 2007, uma queda nas exportações para os Estados Unidos, o que não ocorreu. Ao contrário, em 2008, subiram 14%, de janeiro a agosto, em relação a igual período de 2007. O secretário comentou que não houve queda nas vendas brasileiras para nenhum mercado este ano. As exportações cresceram 68% para a China, 35% para a Argentina e 25,8% para a União Européia.(O Estado de S. Paulo – 24/09/08)

Meta de exportação vai a US$ 202 bi
Surpreendido pela resistência dos altos preços de commodities como carne, ferro-gusa e óleo de soja, o governo, pela quarta vez neste ano, alterou ontem a meta de exportações de 2008, de US$ 190 bilhões para US$ 202 bilhões, quase 26% acima do resultado de 2007. "Há muito exagero quando se fala que estão despencando os preços das commodities", comentou o secretário de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Welber Barral, ao anunciar oficialmente a nova meta. A maioria dos produtos básicos com importância no comércio externo está com preços acima dos níveis de 2007. Ruy Baron/Valor
A nova meta reflete, principalmente, os altos preços dos produtos básicos e, em menor medida, o aumento no volume das exportações de produtos como o minério de ferro. Barral disse que as estimativas do ministério ainda não levam em conta a recente valorização do dólar em relação ao real, que torna os custos dos exportadores menores, em moeda estrangeira, e aumenta a competitividade das exportações. Ele comentou ser cedo para fazer previsões em relação a 2009, ou sobre o comportamento futuro do dólar que, segundo admitiu, pode voltar a patamares inferiores a R$ 1,70, como em meados do ano.
Segundo Barral, o bom desempenho das exportações de aeronaves, telefones celulares e tratores e caminhões também pesou na decisão de ampliar a meta de exportações. As vendas de aeronaves da Embraer passaram de 166 para 200 unidades neste ano, as exportações de tratores e caminhões aumentaram 15% em volume, até agosto, e, após cair 32% de 2006 para 2007, o volume de celulares exportados cresceu 7%, principalmente para os países da América Latina, para onde vão os aparelhos com tecnologia 3G.
"É uma meta totalmente factível", comentou o secretário-executivo da Associação Brasileira de Exportadores (AEB), José Augusto de Castro. As exportações já somam US$ 130,8 bilhões até agosto, e, para chegar à nova meta, será necessário manter uma média diária de exportações de US$ 780 milhões, calcula o economista. "Em setembro, a média já está acima de US$ 900 milhões, o que garante a realização da meta com alguma folga."
Para o governo a queda nos preços das commodities desde o início do ano é reflexo principalmente do "estouro da bolha" especulativa nos mercados de commodities. "Mesmo depois de desinflados, os preços estão bem maiores do que estavam no ano passado", notou Barral. A maior variação foi registrada nos preços da carne bovina, 101% acima, em setembro, do que no mesmo mês de 2007. O ferro-gusa está com preço 91% maior, o óleo de soja em bruto, 73,3%. O único produto a ter queda de preço, entre 25 principais commodities exportadas, foi o suco de laranja, que caiu 13,6%.
"É a demanda de 700 milhões de pessoas passando ao mercado consumidor", comentou Barral. O otimismo em relação às exportações reflete o êxito da estratégia de diversificação de mercados consumidores dos produtos brasileiros, comemorou o secretário, ao divulgar os dados deste ano sobre crescimento de vendas para a China (68%), Europa Oriental (48%) e África (35%). As vendas para a União Européia vêm crescendo 25,5%. "A demanda, principalmente de alimentos, deve manter o patamar", prevê o secretário.
"Isoladamente, o número é muito bom, mas o Brasil, pelo tamanho da sua economia, tem potencial para exportar bem mais", comenta José Augusto de Castro. Entre as dez maiores economias do mundo, o Brasil é a única que não está também entre os dez maiores exportadores.(Valor Econômico – 24/09/08)

O Brasil e a turbulência global
O agravamento da crise oriunda do mercado subprime norte-americano traz à tona o debate sobre os possíveis impactos na economia brasileira. Não sem razão. Primeiro, porque, com a economia cada vez mais globalizada, o efeito contágio entre os mercados se amplia; segundo, porque, em nossa experiência histórica, sempre que havia uma turbulência internacional isso diretamente implicava instabilidade e um freio no crescimento do Brasil, com a chamada restrição externa ao crescimento.
Vale uma primeira consideração a respeito da profundidade e extensão dessa crise. Ninguém sabe ao certo até que ponto a turbulência pode chegar, porque isso depende de vários fatores: qual o sucesso das medidas adotadas pelos governos e bancos centrais, como reagem empresários, consumidores e investidores, entre outras variáveis. A economia não vive só de fatores concretos e objetivos, mas também de aspectos subjetivos e comportamentais - as expectativas.
A economia norte-americana goza do privilégio de ser emissora exclusiva do dólar, ainda a moeda de referência internacional, que concentra cerca de 75% de todas as transações mundiais e em torno de 65% das reservas cambiais dos bancos centrais dos demais países, estimadas em US$ 7 trilhões. A despeito da crise, o dólar e os títulos emitidos pelo Tesouro norte-americano seguem exercendo o papel de refúgio para as aplicações. Isso significa um importante trunfo para a recuperação da crise norte-americana. Outro fator importante é a extraordinária capacidade de inovação das empresas e do mercado financeiro daquele país, o que também poderá amenizar e encurtar a instabilidade, dependendo ainda dos fatores já apontados.
No entanto, até lá, devem mesmo prevalecer a volatilidade dos mercados, o encurtamento e encarecimento do crédito e suas conseqüências sobre bancos e empresas, afetando a economia real. O crescimento dos países emergentes, embora em ritmo menor do que nos anos recentes, deve também contribuir para amenizar os impactos negativos advindos das economias centrais.
Para o Brasil, a grande mudança estrutural veio da substancial diminuição da dependência do petróleo. Isso se deveu a um bem-sucedido programa de ampliação da produção de petróleo, assim como a mudança na matriz energética, com a incorporação do etanol e de outras energias renováveis. Nossa dependência de importação de petróleo, que era de 90% do consumo interno nos dois choques da década de 70, foi reduzida a apenas 5% nos tempos atuais.
Outra mudança veio da diversificação dos destinos de exportações. O Brasil ainda exporta pouco pelo seu porte e depende excessivamente de commodities. No entanto, um fator positivo é que houve uma significativa diversificação de destinos das exportações. Apenas 15% se destinam aos EUA, enquanto 25% vão para a Europa, 20% para a América Latina e 15% para a Ásia, destacando os principais. Bem ao contrário do México, que dirige 90% das vendas externas para o mercado norte-americano.
Nas contas externas brasileiras houve uma melhora expressiva, o que diminuiu nossa vulnerabilidade. Nesse ponto, os anos de superávit em conta corrente - aliás, em má hora revertido, o conforto de US$ 207 bilhões de reservas e a relativamente pequena dívida externa pública representam defesas importantes. No lado fiscal, a dívida interna, além de ter sido reduzida dos 57% para 41% do PIB, nos últimos sete anos, também teve zerada a sua parcela de títulos cambiais, que sempre implicaram ônus em períodos passados de instabilidade cambial.
Feitas essas ressalvas, o efeito da crise se dará, como já ocorre, no mercado de capitais, com a reprecificação de ativos e nos fluxos de capitais. O crédito ficará mais escasso, assim como as exportações serão afetadas pela queda da demanda e dos preços internacionais das commodities. Os 6% de crescimento do PIB no primeiro semestre inevitavelmente serão reduzidos, embora não se espere uma parada brusca, mas uma diminuição de ritmo. Sem esquecer que a qualidade da gestão e a calibragem da política macroeconômica também serão determinantes, ainda mais em mares turbulentos...(O Estado de São Paulo – 23/09/08)

Superávit de US$ 839 milhões
A balança comercial da terceira semana de setembro (dias 15 a 19) registrou um superávit de US$ 839 milhões. No período, as exportações somaram US$ 4,355 bilhões (média diária de US$ 871 milhões) e as importações totalizaram US$ 3,516 bilhões (média diária de US$ 703,2 milhões). Com o resultado, até a sexta-feira da semana passada (dia 19), o superávit acumulado no mês atingiu US$ 2,391 bilhões e, no ano, US$ 19,298 bilhões. O superávit da terceira semana de setembro é 102,6% maior que o apurado no mesmo período de 2007, quando atingiu US$ 414 milhões. Mas na comparação com a semana anterior (de 8 a 12 de setembro), quando o saldo foi de US$ 1,257 bilhão o superávit da terceira semana é 33,25% menor. (Correio Braziliense – 23/09/08)

Superávit de setembro já supera US$ 2 bi
A balança comercial brasileira registrou exportações de US$ 4,355 bilhões e importações de US$ 3,516 bilhões na terceira semana de setembro. A diferença entre os valores resultou em um superávit de US$ 839 milhões. Segundo o Ministério do Desenvolvimento, com esse resultado, o superávit acumulado no mês chegou a US$ 2,391 bilhões. O saldo é 12,9% menor que o superávit registrado em todo o mês de setembro do ano passado na comparação da média diária. Em relação à média de agosto, houve um aumento de 47,5%. No mês, a média diária das exportações caiu 0,9% em relação a agosto e subiu 25% em relação ao mesmo período de 2007.(Jornal do Brasil – 23/09/08)

Balança: terceira semana tem superávit de us$ 839 mi
A balança comercial registrou exportações de US$ 4,355 bilhões e importações de US$ 3,516 bilhões na terceira semana de setembro, com um superávit de US$ 839 milhões.
Segundo o Ministério do Desenvolvimento, o superávit acumulado no mês é de US$ 2,391 bilhões, 12,9% menor que o de setembro de 2007. No ano, o saldo é de US$ 19,298 bilhões, 34,3% menor que o saldo médio diário do mesmo período em 2007.(Folha de S. Paulo – 23/09/08)

Balanço
US$ 839 milhões foi o superávit comercial na terceira semana de setembro. As exportações de matéria-prima subiram 50,5%, semifaturados, 37,8% e manufaturados, 5,6%.
US$ 2,39 bilhões é o saldo da balança acumulado no mês, até agora. No acumulado do ano, o superávit está em US$ 19,3 bilhões com média diária de
US$ 689,7 bilhões
SETOR ELÉTRICO
Crise deve atrasar abertura de capital
O presidente da Associação Brasileira de Concessionárias de Energia Elétrica, Evandro Coura, disse ontem que a turbulência no setor financeiro deverá adiar em dois ou três anos os planos de novas aberturas de capital no setor elétrico. "A liquidez internacional deverá ser menor, mas deverá voltar em pouco tempo." Ele disse que eventual escalada do dólar pode afetar investimentos na construção de usinas termoelétricas, que usam mais componentes importados. No entanto, segundo Coura, tudo leva a crer que a forte intervenção do governo americano conseguirá estancar a crise, antes que ela chegue com força ao Brasil.(O Estado de S. Paulo – 23/09/08)

Bolsas na Ásia e na Europa caem com indefinição nos EUA
As principais bolsas da Ásia fecharam em queda nesta terça-feira em meio a incertezas sobre a aprovação do plano do governo americano para socorrer o mercado financeiro.
As bolsas européias seguiram a tendência de queda, abrindo em baixa nesta terça-feira. O índice FTSE, da bolsa de Londres, recuava 1,59 % às 9h30 (5h30, hora de Brasília).
Em Paris, o Cac 40 acumulava perdas de 1,37% e em Frankfurt, o índice DAX caía 0,57%.
A tendência negativa na Ásia foi sentida da Austrália à Índia e afetou centros financeiros importantes como Hong Kong e Cingapura.
Em Sydney, o índice de todas as ações ordinárias (AORD) encerrou o pregão em menos 1,83%, enquanto que o Hang Seng de Hong Kong concluiu o dia em menos 3,87%. O SSE Composite de Xangai registrou perdas de 1,56%.
Próximo do fechamento, o Straits Times de Cingapura operava em queda de 2,3%.
Por volta do meio-dia do horário local (3h30 de Brasília), o Sensex de Mumbai marcava 1,39% no negativo.
As bolsas do Japão estão fechadas por causa de um feriado nacional.
Tendência
A tendência negativa na Ásia acompanha o mau desempenho do mercado americano na segunda-feira, quando o índice Dow Jones fechou em baixa de 3,3%, revertendo a alta observada na sexta-feira.
Nos últimos dias o setor financeiro dos Estados Unidos testemunhou grande tumulto e oscilações vertiginosas com a quebra de grandes bancos e reações contraditórias de cautela e euforia entre os investidores.
Na véspera do fim de semana os índices de Nova York subiram em forte escalada, porém, voltaram a tombar na segunda-feira, quando os investidores fugiram das ações e foram se refugiar em commodities, consideradas mais "sólidas" em tempos de incerteza.
Petróleo, ouro e outros metais tiveram grande procura na segunda-feira, que registrou a maior alta no preço do petróleo em um único dia.
O barril com entrega para outubro encerrou o pregão em US$ 120,92, um salto de US$ 16,37 em relação ao valor registrado no fechamento na sexta.
Ansiedade
Agora os mercados aguardam com ansiedade pelos desdobramentos políticos do plano de socorro ao sistema financeiro anunciado pelo secretário do Tesouro, Henry Paulson, e os líderes do Congresso americano na semana passada.
O pacote de auxílio prevê mais de US$ 700 bilhões ao mercado financeiro.
Entretanto, há muita expectativa sobre se os democratas e republicanos conseguirão entrar em harmonia para aprovar o plano em meio a fortes criticas de que as medidas seriam um "desperdício" do dinheiro dos contribuintes americanos.
A Casa Branca pediu aos congressistas que prontamente aprovem a legislação necessária à efetivação do plano.
O presidente George W. Bush disse que não agir logo teria "largas conseqüências", mas ainda não está claro quanto tempo será necessário para realizar o plano.
Vozes mais alarmistas sugerem que um fracasso em auxiliar o mercado americano resultará no colapso de todo o sistema financeiro mundial.
Líderes de todo mundo aguardam com ansiedade o discurso que o presidente Bush fará nesta terça-feira durante a abertura do encontro da Assembléia Geral da ONU.
Segundo o analista de economia da BBC Andrew Walker, Bush deve abordar a atual turbulência dos mercados diante de "uma audiência internacional muito preocupada com a crise financeira americana".
Ainda nesta terça-feira, o Secretário do Tesouro, Henry Paulson, e o presidente do Banco Central Americano, o FED, Ben Bernanke, se apresentarão perante o comitê do Senado que lida com a situação dos bancos para explicar as implicações do plano e discutir soluções para a crise. (BBC – 23/09/08)

Brasil espera a normalização do crédito
A equipe econômica do presidente Lula espera que o pacote de US$ 700 bilhões do governo dos Estados de Unidos normalize a concessão de linhas de créditos externas a empresas brasileiras, que ficou paralisada na semana passada.
Esse bloqueio de crédito externo foi, até agora, o principal efeito sobre a economia brasileira da crise que atinge o sistema financeiro norte-americano, com quebra de instituições e seguradoras.
A normalização vai depender, na avaliação da equipe econômica, de uma rápida aprovação do pacote de socorro de US$ 700 bilhões do Tesouro americano para salvar as instituições financeiras atingidas pela crise do crédito.
A expectativa é que o Congresso dos Estados Unidos aprove as medidas nessa semana, apesar das críticas de membros do Partido Democrata, maioria no parlamento.
Até a normalização, o Banco Central deve manter leilões de dólares, como o realizado na última sexta-feira, de US$ 500 milhões, sempre que o mercado cambial se mostrar pressionado diante da falta de moeda para atender exportadores e importadores.
Além disso, os ministérios da Fazenda e do Planejamento querem fechar o mais rápido possível um plano de aumento de capital do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social), que passaria a suprir as necessidades de financiamento das empresas brasileiras durante a crise financeira mundial.
No Planejamento, técnicos estão estudando cortes em despesas de custeio para direcionar essa economia extra ao BNDES. Na Fazenda, eles estão mapeando a situação das linhas de crédito externas e checando de quanto as empresas brasileiras necessitariam nesse momento até a normalização do mercado.
Esse plano seria colocado em prática caso o mercado de crédito externo se mantenha bloqueado nas próximas semanas. Isso, porém, é visto como improvável, depois do pacote anunciado pelo presidente dos EUA, George Bush.
A situação das linhas de crédito externas preocupa o presidente Lula, que na semana passada discutiu o tema com seus principais assessores em reunião no Palácio do Planalto. Ele determinou a sua equipe a montagem de um plano de emergência para solucionar o problema, que pode afetar o comércio externo brasileiro.
Em conversas com seus conselheiros econômicos, Lula foi alertado de que a tendência da crise era se agravar e que o governo deveria tomar medidas, entre elas cortes de gastos de custeio para liberar recursos para investimentos.
A principal preocupação do presidente, hoje, é que a crise venha a abortar o ciclo de crescimento econômico do país. Daí sua orientação para a elaboração de medidas destinadas a fortalecer o caixa do BNDES nessa crise.
Além disso, Lula tem pressionado o Banco Central a reduzir o ritmo do processo de alta das taxas de juros. Em sua avaliação, diante da desaceleração econômica mundial e da queda da inflação, não faz sentido manter elevações de 0,75 ponto percentual.(Folha de S. Paulo – 22/09/08)

Bolsas de Ásia fecham em alta; na Europa, ações caem
Os mercados financeiros da Ásia fecharam em forte alta nesta segunda-feira, repercutindo os anúncios feitos pelo governo americano no final de semana de auxílio às instituições financeiras com problema.
Já na Europa, os mercados abriram em queda nesta segunda-feira, chegaram a operar em alta, mas voltaram a ter leve queda no fim da manhã. Segundo alguns analistas, o mercado ainda espera mais detalhes sobre o pacote americano.
Às 12h36 (8h36 no horário de Brasília), o índice FTSE, da bolsa de Londres, operava em queda de 0,24%, a 5.298,55 pontos. O DAX, de Frankfurt, caía 0,28% (6.171,99) e o CAC, de Paris, caía 0,17% (4.317,49).
Na Ásia, os mercados financeiros tiveram alta nesta segunda-feira, ainda repercutindo em parte as notícias de sexta-feira nos Estados Unidos, já que devido ao fuso horário os mercados eles estavam fechados quando parte do pacote de resgate foi anunciado.
O índice Nikkei, do Japão, subiu 1,4%, fechando a 12.090,59 pontos. O índice Hang Seng subiu 1,6%, fechando a 19.632,20 pontos.
Na China, o índice da bolsa de Xangai disparou 7,8%, após notícias de que o governo chinês também vai agir diante da crise.
Status de bancos
Os mercados de todo o mundo tiveram fortes perdas no começo da semana passada, depois que um grande banco americano faliu e outras instituições revelaram que estavam em condições difíceis.
Para conter a crise, o governo americano comprou parte de uma grande seguradora e anunciou um pacote de auxílio a instituições financeiras com problemas e os mercados começaram a se recuperar no final da semana.
Nesta segunda-feira, dois grandes bancos de investimento que também estão com problemas – o Morgan Stanley e o Goldman Sachs – anunciaram que estão mudando de status legal para poderem receber depósitos de seus investidores.
A medida ajudaria os dois bancos a levantarem fundos e facilitaria o seu acesso a recursos do Federal Reserve, o banco central americano.
O Congresso americano agora discute um plano elaborado pelo Tesouro dos Estados Unidos para criar um fundo especial, que comprará "dívidas podres" de instituições financeiras. (BBC – 22/09/08)

Efeito em dezembro
A redução do crédito para os exportadores, em conseqüência do agravamento da crise internacional, só terá efeito sobre as vendas externas do país a partir de dezembro, segundo avalia o vice-presidente da Associação de comércio exterior do Brasil (AEB), José Augusto de Castro. Segundo ele, caso as restrições ao crédito já previstas por instituições como Bradesco e Banco do Brasil sejam confirmadas, poderá ocorrer um "forte impacto? no comércio exterior brasileiro.
De acordo com Castro, o setor mais afetado deverá ser o de bens de capital, que está liderando, junto com automóveis, a produção industrial no país. "As linhas são indispensáveis, sem crédito não há operações exportadoras, fica muito difícil para a maior parte das empresas trabalhar com capital próprio", afirmou Castro. Ele acredita que as dificuldades geradas às exportações com a crise, como restrição a crédito e queda na demanda internacional, poderão levar a um déficit na balança comercial brasileira no ano que vem.
Quinta-feira, o diretor responsável pela área de comércio exterior do Banco do Brasil, Nilo José Panazzolo, disse que a redução de liquidez no mercado externo deverá fazer com que a instituição não atinja a meta de US$ 14 bilhões em operações de crédito ao comércio exterior em 2008. Segundo ele, já houve aumento no custo de captação, que está sendo repassado às empresas. Ainda ontem, o vice-presidente do Bradesco, Norberto Barbeado disse acreditar que o aumento de taxas de financiamento vai atingir todas as operações de crédito e exemplificou que o Adiantamento de Contrato de Câmbio (ACC, usado pelos exportadores), cujo prazo vai de dois a três anos, deve ter o prazo reduzido para 180 dias.
Outra medida do governo, a entrada em vigor do drawback verde-amarelo (isenção de tributos federais para compra de insumos e produtos intermediários nacionais usados na fabricação de produtos para exportação), prevista para o início de outubro, deverá contribuir para que a Embraer eleve o número de fornecedores locais nos próximos anos. Atualmente, fabricantes locais respondem por menos de 5% das compras da empresa.(Correio Brasziliense – 20/09/08)


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