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DRI Clipping Semanal nº 03 - 23 a 27/01/12

Acordos Produtos e Mercados OMC Outros

Planalto estuda represálias contra barreiras argentinas
Tatiana Prazeres: "A visita à Argentina é uma mensagem de preocupação".Nos primeiros 24 dias do ano, o Brasil vendeu em média 10% a menos à Argentina do que exportou no ano passado, o que indica uma queda próxima a US$ 150 milhões até o fim do mês, apesar de um grande crescimento nas exportações de automóveis.
O governo brasileiro já estuda possíveis ações de represália, caso comprove que a queda nas exportações resultou de barreiras ilegais impostas pelos argentinos, segundo informou um ministro ao Valor. Informalmente, já se cogita uma queixa contra a Argentina no órgão de solução de controvérsias do Mercosul.
A medida poderia ser seguida por outros sócios do bloco, escancarando a insatisfação regional com os controles de importação do país vizinho. A intenção é impor limites aos danos provocados pelas medidas protecionistas adotadas pela Argentina para equilibrar as contas externas, salvaguardando setores que nem sequer têm impacto expressivo nas contas totais de comércio, como calçados.
Em 1º de fevereiro, entra em vigor a mais recente medida de controle criada pelo governo argentino, a exigência de uma Declaração Jurada Antecipada de Importação (DJAI) aos interessados em trazer mercadorias do exterior ao país. O temor que a medida provoque interrupção no comércio entre os dois países levou o governo brasileiro a programar uma visita da secretária de Comércio Exterior, Tatiana Prazeres, a Buenos Aires, na primeira quinzena de fevereiro. "Com o início da vigência do mecanismo poderemos avaliar melhor o impacto", disse a secretaria.
"A visita à Argentina é uma mensagem de preocupação de nosso lado, agora transmitida pessoalmente", explicou, lembrando que o governo editou nota manifestando inquietação depois do anúncio da criação da DJAI argentina. "O recurso ao órgão de solução de controvérsias é apenas uma entre várias possibilidades", disse Tatiana, confirmando que a ação é cogitada no governo. "Mas nossa ênfase, no momento, é a negociação."
Nos últimos dias, como parte da regulamentação da medida que criou a DJAI, agregou-se a exigência de um formulário especial dos importadores, pela Secretaria de Comércio Interior argentina, chefiada por Guillermo Moreno. O Itamaraty tem acompanhado as notícias sobre as medidas, mas delegou ao Ministério do Desenvolvimento as conversas com os argentinos.
Há informações desencontradas em Buenos sobre o prazo que o governo local levará para processar as informações e liberar a importação dos produtos listados na declaração antecipada - as previsões variam entre 72 horas e dez dias. Incomoda à cúpula do governo brasileiro a continuidade no atraso das licenças de importação já existentes, que supera o máximo de 60 dias previsto pela Organização Mundial do Comércio (OMC) em alguns itens dos setores de têxteis, calçados e máquinas agrícolas.
O tema deve ser abordado também por Tatiana, que se reunirá com a secretária de Comércio Exterior da Argentina, Beatriz Pagliari. Não está previsto nenhum encontro com Moreno, considerado na Argentina o verdadeiro controlador das decisões relativas a comércio e investimentos no país.
O resultado negativo do começo do ano pode ser atribuído, apenas em parte, à queda de quase 60% nas vendas de minério de ferro (US$ 34 milhões a menos, em 17 dias úteis), causada pela interrupção de fornecimento com as enchentes verificadas em Minas Gerais.
Mas a disparidade dos números mostra que, embora haja fortes quedas em exportações de bens manufaturados, nem todos os setores são afetados da mesma maneira. Há casos de forte alta nas vendas, como nos automóveis (56% na média diária de exportações), veículos de carga (146%) e tratores (127%), fio-máquina (119%) e máquinas e equipamentos para terraplenagem (77%).
A lista dos 25 principais produtos de exportação do Brasil à Argentina revela queda de 40% na entrada de máquinas e equipamentos de uso agrícola (exceto tratores) e redução de 15% na venda de partes e peças automotivas. Excluídos os 25 principais produtos vendidos pelo Brasil, a lista restante de exportações brasileiras à Argentina (que inclui itens como têxteis e calçados) mostra queda de 33%, ou US$ 10 milhões diários a menos.
No setor privado brasileiro, setores como o de eletroeletrônicos, mais afetados pelas barreiras comerciais no vizinho, são favoráveis a medidas duras de retaliação à Argentina, até com criação de restrições a investimentos da Argentina no Brasil.
Mas, em reunião há uma semana na Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), os dirigentes empresariais aprovaram uma "agenda positiva" de negociações, com medidas para equilibrar, sem protecionismo, a balança comercial bilateral. Entre essas medidas, estão a maior inclusão dos argentinos nas compras governamentais brasileiras, estímulos à associação de empresas e ações conjuntas de defesa do mercado regional. (Valor Online – 27/01/2012)

Camex delibera sobre lista de produtos que terão elevação temporária do Imposto de Importação
Brasília - Foram publicadas hoje, no Diário Oficial da União, as Resoluções Camex aprovadas nesta quarta-feira, em reunião do Conselho de Ministros
A Resolução Camex n° 5  constituiu o Grupo Técnico sobre Alterações Temporárias da Tarifa Externa Comum do Mercosul (GTAT-TEC) presidido pela Secretaria Executiva da Camex e formado por representantes dos ministérios que compõe a Câmara de Comércio Exterior. A função do novo grupo será definir a lista de até cem itens que poderão ter a alíquota do Imposto de Importação elevada, de acordo com a proposta  aprovada na última reunião de cúpula do Mercosul.
O novo mecanismo permitirá o aumento temporário do Imposto de Importação por razões de desequilíbrios comerciais causados pela conjuntura econômica internacional. De acordo com a decisão do Mercosul, a elevação de tarifa poderá ocorrer por até 12 meses, prorrogáveis, respeitando-se os níveis tarifários consolidados na Organização Mundial do Comércio (OMC), e terá validade até dezembro de 2014. O governo brasileiro trabalha para que a nova lista entre em vigor no menor tempo possível.
Em entrevista coletiva, realizada após a reunião, o secretário-executivo da Camex, Emilio Garofalo Filho informou que, em breve, a Secretaria Executiva da Camex abrirá prazo para que o setor privado possa enviar seus pleitos, de acordo com o formulário que está anexado à Resolução Camex n°5. "O grupo técnico começa a se reunir na semana que vem para definir os critérios que serão adotados para a elaboração da lista", disse Garofalo. "Nossa melhor expectativa é que, em março ou abril, possamos começar a escolher os produtos. Queremos dar muita transparência para que os setores que se sintam desprotegidos tenham liberdade para fazer sua solicitação à Camex, respeitando sempre as regras da Organização Mundial do Comércio" acrescentou.
A secretária de Comércio Exterior do MDIC, Tatiana Lacerda Prazeres, que participou da coletiva, esclareceu que o aumento do Imposto de Importação é a utilização da margem de manobra que os países do Mercosul têm no âmbito da OMC. "É algo pontual, destinado a permitir que os países membros do Mercosul tenham instrumentos para lidar com o cenário internacional".
A Decisão nº 39/11, do Conselho Mercado Comum do Mercosul (CMC), não se confunde com a Lista de Exceções à Tarifa Externa Comum (Letec), ainda em vigor, e que possibilita flexibilizar a alíquota de outros cem produtos. A Decisão, que vale para todos os países do Mercosul, não tem vigência automática, por ser um Protocolo Adicional ao Acordo de Complementação Econômica nº 18. Para entrar em vigor, a medida necessitará ser protocolizada junto à Associação Latino Americana de Integração (Aladi). Além disso, o governo brasileiro só poderá divulgar a lista para sua plena utilização depois de decorridos 30 dias após a incorporação da referida Decisão CMC pelos ordenamentos jurídicos de todos os Estados Partes do bloco.
Pelo mecanismo aprovado pelo Mercosul, cada país deverá encaminhar aos demais formulário específico sobre a elevação tarifária e estes terão 15 dias úteis para eventual negativa acompanhada de fundamentação objetiva. Só depois desse prazo, se não houver oposição, o país estará autorizado a adotar a medida. (Agências/NetMarinha – 27/01/2012)

Em Davos, lideranças islâmicas tentam seduzir os empresários
Essa sensação invadiu Davos desde o início do encontro 2012 do Fórum Econômico Mundial, a partir do fato de que partidos islamitas venceram as eleições no Egito e na Tunísia, os dois únicos países a realizarem pleitos democráticos pós-revolução, e até no Marrocos, em que o rei antecipou-se à revolta, adotando reformas que dão um passo rumo à democracia.
Era natural, portanto, que os islamistas tanto do Egito como da Tunísia despachassem quadros relevantes para tentar dissolver os temores do empresariado, cujos investimentos são essenciais para enfrentar os sérios problemas econômicos e sociais que as ditaduras legaram e que a instabilidade política agrava.
A mensagem central foi transmitida em voz baixa à Folha pelo médico egípcio Abdel Aboul Fotouh, preso várias vezes pelo regime de Hosni Mubarak por pertencer à Irmandade Muçulmana, organização-mãe dos partidos islamitas do mundo árabe:
"Precisamos muito de investimentos estrangeiros, e eles serão mais bem tratados no Egito democrático do que o eram na ditadura", diz esse membro do Conselho Diretivo da Irmandade e candidato presidencial.
Outro líder islamita, o tunisiano Rachid Ghannouchi, cofundador do partido Nahda (Renascimento), que hoje governa a Tunísia, ainda se sente um peixe fora d'água no ambiente de Davos, vestido com modéstia, jeito de professor de escola do interior, mas firme na sua garantia de que "o islã não é contra a modernização ou a democracia".
ORGANIZAÇÃO
Ghannouchi, exilado em Londres de 1989 até 2011, proibido de viajar aos países árabes e à maioria dos países europeus, solta também o que seria uma obviedade em qualquer democracia, mas que os temores do Ocidente obrigam os islamitas a usá-la: "Não é possível governar sem a legitimidade que vem do povo".
Se é assim, a pergunta seguinte inevitável é a que a Folha fez: "Os islamitas ganharam porque os eleitores acham que o islã é a solução para todos os problemas?"
Não, responde o egípcio Fotouh: "Ganharam não porque são islamitas, mas porque são um movimento social, que também presta serviços morais à população"
É uma alusão ao fato de a Irmandade Muçulmana, nas várias versões que tem no mundo árabe, suprir as carências do poder público com o atendimento a necessidades básicas da população.
Concorda, do outro lado do espectro político, Amira Yahyaoui, ativista de direitos humanos tunisiana e, como tal, uma das jovens que mergulharam na revolta que derrubou o governo Ben Ali: "A revolução árabe é uma questão de problemas sociais". Não é, portanto, uma questão religiosa.
"Os islamitas ganharam porque são os mais organizados, estão presentes em todo o país e porque os modernizadores fizeram a pior campanha possível", completa Amira.
DEMOCRACIA
Logo, a julgar pelos emissários das revoltas árabes, não se trata de oferecer às sociedades egípcia e tunisiana o que Ghannouchi chamou de "hegemonia dos clérigos", para que resolvam os problemas com a sua própria interpretação do Corão.
Trata-se de "reconstruir nossas sociedades", completa Amre Moussa, também candidato presidencial no Egito, ex-secretário-geral da Liga Árabe e laico, que diz não acreditar que os islamitas sejam contra a democracia. Seu argumento: "Foi a democracia que trouxe os islamitas ao poder".
A reconstrução, lembra Fotouh, passa por enfrentar um quadro social em que 40% da população está abaixo da linha da pobreza.
"Qualquer governo, seja qual for a sua ideologia, tem que encarar esse desafio, para o que é preciso encorajar o livre mercado e não colocar obstáculos".
É música aos ouvidos do público de Davos. (Folha SP – 27/01/2012)

UE quer retomar ideia de acordo comercial com EUA
O primeiro-ministro do Reino Unido, David Cameron, juntou coro em Davos com a premiê alemã, Angela Merkel, numa proposta de acordo bilateral de comércio entre os Estados Unidos e a Europa, mas discordou frontalmente da líder alemã sobre como resolver a crise na zona do euro.
Cameron refletiu a crescente decepção de boa parte dos líderes com a Alemanha, conclamando Berlim a contribuir com um pacote significativo e garantias para países em dificuldade na zona do euro. O Reino Unido não faz parte da zona do euro, mas insiste que as consequências da crise na união monetária afetam seriamente sua própria economia e que, afinal, a União Europeia como um todo precisa tomar decisões conjuntas.
"A Europa tem escolhas dolorosas para fazer no curto e longo prazos para melhorar sua competitividade", afirmou Cameron.
Merkel está cada vez mais isolada, na resistência a aumentar os recursos para o Fundo Europeu de Socorro. A Itália, sabendo que vai precisar de recursos bilionários, também acha que o fundo deve ser duplicado, para € 1 trilhão.
Sobre comércio internacional, as coisas parecem menos difíceis. Merkel já tinha lançado a proposta na quarta-feira, sem atrair muita atenção, já que todo mundo queria saber sobre a crise da zona do euro. A Alemanha, e agora também o Reino Unido, acha que está na hora de lançar uma negociação para liberalização comercial entre os EUA e a UE, que fazem juntos 40% do comércio mundial. Com isso, driblariam o entrave da paralisada Rodada Doha e trocariam vantagens para suas empresas.
"No ano passado, neste mesmo fórum, os líderes mundiais pediram um grande esforço para concluir a Rodada Doha em 2011. Dissemos que era o ano do ou vai ou racha. Foi. E temos que ser francos a respeito. Não deu certo", afirmou Cameron. "Em vez de tentar envolver todo mundo, vamos tentar acordos bilaterais que possam ser concretizados."
Os exportadores europeus foram favorecidos por uma queda de até 30% do euro e da libra em relação ao dólar nos últimos três anos, o que ajudou a aumentar a sua competitividade.
A ideia de acordo EUA-UE flutua há algum tempo. Em 1998 houve uma tentativa, mas as negociações não avançaram por oposição da França, que não queria fazer concessões no setor agrícola.
Pascal Lamy, diretor-geral da Organização Mundial do Comércio (OMC), considerou que se trataria de algo "marginal", nada fácil de negociar. Primeiro, os EUA são ambiciosos na área agrícola, e a UE é altamente protecionista.
O ex-comissário de Comércio da UE Peter Mandelson mostrou-se cético quanto à chance de acordo. "A proposta gastaria anos e muito energia no que temo que será uma tentativa fútil de fazer com que Europa e EUA adotem as práticas regulatórias e padrões técnicos um do outro. Não vai acontecer."
Atualmente, as tarifas entre os EUA e a UE já são baixas. Lamy exemplifica que o Camboja paga mais por causa de tarifas nos EUA do que a Europa. (Agências Internacionais/Valor Online – 27/01/2012)

Irã nega atrito com diplomacia do Brasil na gestão de Dilma
Porta-voz de Ahmadinejad diz que suas declarações à Folha foram 'distorcidas'; jornal mantém informações
Ali Akbar Javanfekr acusara a presidente de 'golpear' tudo que Lula havia feito; agora, alega ter elogiado governo
O governo do Irã negou ontem ter criticado a presidente Dilma Rousseff pela opção de dar menos ênfase à relação com Teerã.
As críticas haviam sido feitas pelo porta-voz do presidente Mahmoud Ahmadinejad, Ali Akbar Javanfekr, em entrevista publicada na segunda-feira pela Folha. O jornal mantém as informações.
Citado pela agência estatal de notícias Irna, chefiada por ele, Javanfekr alega que suas declarações foram "distorcidas". Ele afirma ter dito à Folha que Dilma "precisava de tempo para consolidar as relações entre Teerã e Brasília". Diz ainda que elogiou "o governo e o povo do Brasil pelo apoio à República Islâmica".
A nota da Irna diz ainda que o Brasil "insiste em manter um diálogo diplomático com Teerã sobre o programa nuclear da República Islâmica, política que começou com o antigo presidente Luiz Ignacio Lula da Silva (sic)".
O texto lembra que o "New York Times" repercutiu a fala de Javanfekr à Folha.
Ramin Mehmanparast, porta-voz da Chancelaria iraniana, também se pronunciou sobre a reportagem da Folha. Citado pela agência Fars, ligada ao governo, ele atribuiu o mal-estar causado pelas declarações a "propaganda de mídia para manchar as relações [bilaterais]".
Mehmanparast insistiu em que não há nenhuma mudança na maneira de o Irã enxergar o Brasil e afirmou que Teerã atribui "grande importância" à relação com Brasília.
A reportagem trazia trechos de uma entrevista feita ao celular com Javanfekr, em espanhol, na qual ele disse que "a presidente brasileira golpeou tudo o que Lula havia feito" e "destruiu anos de bom relacionamento".
"Lula está fazendo muita falta", disse então o porta-voz, em referência às gestões para aliviar a pressão sobre Teerã em matéria de direitos humanos e diálogo nuclear.
A conversa durou cerca de dez minutos e abordou também as complicações jurídicas de Javanfekr, que acaba de recorrer de uma pena de um ano de cadeia por suposta ofensa ao líder supremo do Irã, aiatolá Ali Khamenei.
Além das declarações do porta-voz, a reportagem da Folha informava que carregamentos de carne brasileira exportada ao Irã estavam sendo retidos em porto iraniano sem justificativa aparente.
O bloqueio foi atribuído por importadores iranianos e empresários brasileiros a uma retaliação comercial do Irã contra a diplomacia de Dilma Rousseff. (Folha SP – 27/01/2012)

EUA se opõem a acordo amplo na Rio+20
Os Estados Unidos parecem querer um resultado aguado da Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável, a Rio+20. Esta foi a sinalização da primeira intervenção dos negociadores americanos na reunião informal que acontece esta semana em Nova York e discute a versão zero de "O Futuro que Queremos", o documento mais importante que deve sair da Rio+20, em junho.
O texto atual tem 19 páginas e 128 artigos. Seu tamanho tem sido considerado bom, mas o conteúdo foi avaliado como vago e fraco por ambientalistas, empresários e governos. A maioria das intervenções dos delegados reunidos em NY pediu mais força e ambição no que o texto propõe e que aponta para a economia verde e o desenvolvimento econômico sustentável.
Os EUA foram a nota destoante. "Precisamos de um documento curto, conciso e escrito em linguagem que seja compreensível para o público em geral" disse em plenária Lawrence J. Gumbiner, do Departamento de Estado dos EUA. Ele não mencionou meta alguma, disse que o debate sobre transferência de tecnologia tem que ser revisto na Rio+20 e incluir "forte proteção aos direitos de propriedade intelectual". Concluiu dizendo que o "Cadastro de Compromissos" que a Rio+20 irá produzir é um dos "componentes essenciais para o sucesso" da conferência.
"O tom preponderante aqui é de que o documento precisa ser mais ambicioso e propositivo", conta Aron Belinky, integrante do comitê facilitador da sociedade civil para a Rio+20, que está em NY. "Mas os EUA destoaram ao pedir um documento final extremamente sintético e acompanhado apenas por compromissos voluntários dos países."
Os países em desenvolvimento reunidos no G-77 mais a China falaram que falta ao texto "visão, ambição, equilíbrio e ação". O embaixador brasileiro André Corrêa do Lago mencionou a necessidade de a Rio+20 ter metas de desenvolvimento sustentável (SDGs, na sigla em inglês), maneiras de medir este desempenho e um Conselho de Desenvolvimento Sustentável forte dentro da ONU. (Valor Online – 27/01/2012)

Camex delibera sobre lista de produtos que terão elevação temporária do imposto de importação
Foram publicadas hoje, no Diário Oficial da União, as Resoluções Camex aprovadas nesta quarta-feira, em reunião do Conselho de Ministros. A Resolução Camex nº 5 constituiu o Grupo Técnico sobre Alterações Temporárias da Tarifa Externa Comum do Mercosul (GTAT-TEC) presidido pela Secretaria Executiva da Camex e formado por representantes dos ministérios que compõe a Câmara de Comércio Exterior. A função do novo grupo será definir a lista de até cem itens que poderão ter a alíquota do Imposto de Importação elevada, de acordo com a proposta aprovada na última reunião de cúpula do Mercosul.
O novo mecanismo permitirá o aumento temporário do Imposto de Importação por razões de desequilíbrios comerciais causados pela conjuntura econômica internacional. De acordo com a decisão do Mercosul, a elevação de tarifa poderá ocorrer por até 12 meses, prorrogáveis, respeitando-se os níveis tarifários consolidados na Organização Mundial do Comércio (OMC), e terá validade até dezembro de 2014. O governo brasileiro trabalha para que a nova lista entre em vigor no menor tempo possível.
Em entrevista coletiva, realizada após a reunião, o secretário-executivo da Camex, Emilio Garofalo Filho informou que, em breve, a Secretaria Executiva da Camex abrirá prazo para que o setor privado possa enviar seus pleitos, de acordo com o formulário que está anexado à Resolução Camex nº5. "O grupo técnico começa a se reunir na semana que vem para definir os critérios que serão adotados para a elaboração da lista", disse Garofalo. "Nossa melhor expectativa é que, em março ou abril, possamos começar a escolher os produtos. Queremos dar muita transparência para que os setores que se sintam desprotegidos tenham liberdade para fazer sua solicitação à Camex, respeitando sempre as regras da Organização Mundial do Comércio" acrescentou.
A secretária de Comércio Exterior do MDIC, Tatiana Lacerda Prazeres, que participou da coletiva, esclareceu que o aumento do Imposto de Importação é a utilização da margem de manobra que os países do Mercosul têm no âmbito da OMC. "É algo pontual, destinado a permitir que os países membros do Mercosul tenham instrumentos para lidar com o cenário internacional".
A Decisão nº 39/11, do Conselho Mercado Comum do Mercosul (CMC), não se confunde com a Lista de Exceções à Tarifa Externa Comum (Letec), ainda em vigor, e que possibilita flexibilizar a alíquota de outros cem produtos. A Decisão, que vale para todos os países do Mercosul, não tem vigência automática, por ser um Protocolo Adicional ao Acordo de Complementação Econômica nº 18. Para entrar em vigor, a medida necessitará ser protocolizada junto à Associação Latino Americana de Integração (Aladi). Além disso, o governo brasileiro só poderá divulgar a lista para sua plena utilização depois de decorridos 30 dias após a incorporação da referida Decisão CMC pelos ordenamentos jurídicos de todos os Estados Partes do bloco.
Pelo mecanismo aprovado pelo Mercosul, cada país deverá encaminhar aos demais formulário específico sobre a elevação tarifária e estes terão 15 dias úteis para eventual negativa acompanhada de fundamentação objetiva. Só depois desse prazo, se não houver oposição, o país estará autorizado a adotar a medida.  (MDIC – 26/01/2012)

Brasil pode elevar imposto de 100 produtos importados
A Câmara de Comércio Exterior (Camex) do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior aprovou ontem a criação de uma nova lista de exceção à Tarifa Externa Comum (TEC) do Mercosul com 100 novos produtos. Segundo a Camex, o objetivo é tentar reduzir os desequilíbrios comerciais provocados pelo momento econômico de incertezas em relação à crise econômica. - O novo mecanismo vai permitir o aumento temporário do imposto de importação "por razões de desequilíbrios comerciais causados pela conjuntura econômica internacional". Atualmente, existe uma lista de exceção à TEC composta também por 100 produtos, que podem ter a alíquota do imposto elevada ou reduzida de acordo com a necessidade de cada país.
A decisão, no entanto, não tem vigência automática. Para entrar em vigor, a medida precisa ser incorporada a legislação dos demais países do Mercosul. A lista precisa ser submetida aos parceiros que têm 15 dias para contestar.
Segundo o secretário executivo da Camex, Emilio Garófalo Filho, diante da crise internacional, os países têm buscado alternativas para combater a "concorrência danosa" dos produtos. "Há uma mudança na conjuntura internacional. A Europa, em crise, tende a importar menos e a exportar mais. Você tem países mudando seu comportamento. Recentemente, ouvimos o Obama [presidente dos Estados Unidos] dizer que quer levar de volta para os Estados Unidos os empregos que exportou. Todo esse tipo de conjuntura pode exigir de nós essa margem de manobra". (DCI – 26/01/2012)

El Mercosur establece sus propias reglas al país
Ecuador tendrá que acogerse a cuatro parámetros básicos si decide ingresar al Mercosur: a libre circulación en la zona para bienes y servicios, la coordinación de políticas macroeconómicas, adoptar un arancel externo común y dotarse de una política comercial común.
El pasado 20 de diciembre, durante la cumbre del Mercosur, en Montevideo, el presidente Rafael Correa solicitó verbalmente el ingreso al bloque, para lo cual se estableció la creación de una comisión técnica, que en 180 días, analice la incorporación.
Así lo ratificó el vicecanciller, Kintto Lucas. Él señaló que previo a la conformación del grupo de trabajo habrá una reunión de países del Mercosur para determinar los delegados a este.
"Para fines de febrero se espera que ya esté formado el equipo de trabajo", indicó el funcionario el pasado jueves, durante un foro realizado parte de la Cancillería y la Facultad Latinoamericana de Ciencias Sociales (Flacso).
Representantes de los países miembros, que acudieron a la ponencia, indicaron que el bloque tomará en cuenta, tal y como lo plantea Ecuador, las asimetrías que existen entre el país y grandes socios como Argentina y Brasil.
Estas diferencias se evidencian en la balanza comercial negativa con el bloque. El déficit, con datos a noviembre del 2011, alcanza los USD 1 178, 2 millones. Emilio Giménez, miembro de la Cancillería de Paraguay, señaló que el comercio entre los países del bloque puede mejorar y, como ejemplo, habló del crecimiento del comercio en 800% entre su nación y el Mercosur.
Alexis Valencia, ex funcionario de la Comunidad Andina, aseguró que si bien hay mayor dinamismo entre los países grandes y pequeños del bloque, también hay una política proteccionista y con limitaciones en cuanto a las relaciones con terceros países.
Uruguay, por ejemplo, en el 2007 tuvo que decidir entre negociar por si solo con EE.UU. un Tratado de Libre Comercio (TLC) y permanecer en el Mercosur.
Lo mismo se aplicaría para Ecuador, que tenía acercamientos con la Unión Europea con el objetivo de reanudar las negociaciones de un Acuerdo.
Precisamente, el vicecanciller de Uruguay, Roberto Condé, se refirió a la situación del país en el caso de que este ingresara al bloque. "El Mercosur no le prohibiría nada a Ecuador, es el Ecuador el que tiene que optar entre un proceso y otro. Así como Uruguay tuvo que elegir entre un TLC con EE.UU. o seguir en el Mercosur, también los demás países tienen que elegir entre firmar tratados bilaterales y seguir en Mercosur".(El Comercio  - Equador – 26/01/2012)

Skaf: "Comienza a haber falta de confianza con la Argentina"
El presidente de la principal cámara industrial de Brasil habló del "desgaste" em la relación bilateral
"Tenemos que recordar que somos socios del Mercosur, que somos países vecinos y que nuestra relación será eterna; debemos entendernos", resaltó Paulo Skaf, presidente de la Federación de Industrias del Estado de San Pablo (Fiesp), la más poderosa de Brasil, mientras espera que la presidenta Cristina Kirchner responda a su pedido de audiência para hallar una solución a las trabas comerciales que los exportadores brasileños creen que entrarán en vigencia el 1º de febrero, cuando la Argentina establezca un nuevo régimen para importar.
Tanto el gobierno de la presidenta Dilma Rousseff como la Confederación Nacional de Industria (CNI) y la prensa brasileña vienen advirtiendo que el nuevo requisito de realizar una declaración jurada anticipada para toda compra al exterior se sale de las reglas del Mercosur y resultará en un grave perjuicio para el comercio entre los dos países, que el año pasado alcanzó la cifra récord de casi US$ 40.000 millones, con un déficit para la Argentina de unos US$ 5000 millones. Ante la escalada retórica, y mientras desde Brasilia se agitan los tambores que llaman a represalias, la Fiesp se mantuvo al margen, expresó su voluntad de buscar salidas "creativas" y, con el ofrecimiento de encabezar una misión empresarial a Buenos Aires, Skaf quiere servir de puente entre ambos países.
"La Argentina tiene una preocupación en estos momentos con la falta de dólares; el Gobierno está preocupado por las importaciones de este año, porque deberá importar más energía, y por una caída esperada en las exportaciones por la sequía y el menor precio de las commodities . Como el año pasado tuvo un superávit general de casi 11.000 millones de dólares, el Gobierno quiere garantizarse maneras de que haya um superávit similar. Lo que nosotros tenemos que hacer es esforzarnos para ayudar a que eso suceda, buscar otros caminos para que la Argentina no deje de tener superávit.
Como vecinos tenemos que extender la mano, pero eso no significa dar el brazo", aclaró Skaf a La Nacion en su visita a Río.
"Yo recuerdo siempre que tenemos un acuerdo del Mercosur, y que Brasil tiene uma participación en las exportaciones argentinas del 30%. Es decir, hay un 70% del comercio argentino que no tiene nada que ver con Brasil, y yo defiendo que si tiene que tomar algunas medidas restrictivas, la Argentina las tome contra terceros países y no contra Brasil, que es socio del Mercosur. Paralelamente a esos principios, creo que podemos hallar formas que puedan ayudar a la Argentina a superar este momento", indicó el líder empresarial, de 56 años.
En su maletín, Skaf pretende llevar a la Casa Rosada varias propuestas relacionadas com la apertura de la industria naval brasileña a los astilleros argentinos, así como opciones para que nuestro país aumente la venta de nafta y de productos y servicios relacionados con las industrias petrolera y gasífera. Son cuestiones que ha discutido con el presidente de la Unión Industrial Argentina (UIA), José Ignacio de Mendiguren.
"La industria naval brasileña está totalmente ocupada con pedidos por varios años. Petrobras tiene un programa de compras muy agresivo, va a necesitar más barcos, y la Argentina tiene astilleros ociosos, que podría reactivar, generar empleos y riqueza.
Pragmáticamente, es algo que les interesa tanto a los argentinos como a los brasileños. Los barcos son bienes caros y eso daría más volumen a las exportaciones argentinas a Brasil -explicó el jefe de la Fiesp-. Brasil podría también comprar más nafta argentina, 1000 millones de dólares más, si se redujera el impuesto a la exportación argentino. Y en las áreas de petróleo y gas estamos estudiando cuáles son los productos y servicios que eventualmente la Argentina está preparada para ofrecer a Brasil."
"HUBO UN DESGASTE"

-El ministro de Desarrollo, brasileño, Fernando Pimentel, dijo la semana passada que las relaciones económicas con la Argentina eran siempre problemáticas.
¿Concuerda con él? ¿Cree que la situación ha empeorado?
-No es la primera vez que hay un problema con la Argentina; todos los años tenemos alguna dificultad. Pero siento que ahora esas dificultades se vienen acumulando y há habido un desgaste. Y con ese desgaste comienza a haber falta de confianza. Primero hubo restricciones de cantidades, luego demoras en la liberación de las licencias no automáticas de importación, ahora una declaración jurada anticipada. Todo eso se va sumando y se va perdiendo la seguridad en las relaciones comerciales. El provedoor brasileño ya no sabe qué esperar. Eso es muy malo y puede perjudicar las relaciones futuras. El tema es que en los negocios no puede haber inseguridad. El mayor problema ahora es la indefinición y la inseguridad.
-¿La paciencia brasileña se está acabando?
-En el comercio, como en la política, no podemos hablar de que se acabó la paciência porque significaría una ruptura. Eso no funciona ni para la política ni para los negocios.
Pero la verdad es que existe una necesidad de que haya un mayor respeto a las reglas del Mercosur.
-El gobierno argentino esgrime que el déficit comercial con Brasil es una realidad que va aumentando?
-Sí, pero en las relaciones comerciales, cuando usted tiene un déficit no significa que tiene que cambiar las relaciones comerciales. Durante muchos años, hasta 2005, Brasil fue deficitario en el comercio con la Argentina y no por eso nos cerramos. Ahora es superavitario porque Brasil está atendiendo al mercado argentino con buena calidad de productos y precios competitivos. Y también la Argentina está vendiendo más a Brasil año tras año.
-En el gobierno brasileño ya hay voces que piden una retaliación; ¿cree que podría funcionar para hacer cambiar de opinión a las autoridades argentinas?
-En este momento, recurrir a cualquier recurso como buscar un arbitraje o entrar en uma zona de conflicto no es el mejor camino. En mi opinión, ahora que vemos que la Argentina está con un dolor, si extendemos nuestra mano y buscamos ayudarlos, será mejor para todos. Y podemos analizar también cómo entre los dos podríamos aumentar las ventas a terceros países, y ver cómo defendernos conjuntamente de importaciones predatorias de terceros países, principalmente asiáticos, como China. Vamos a rendir mucho más si actuamos como países compañeros, vecinos, hermanos. (La Nación - 26/01/2012)

Quiere conocer a Moreno
RIO DE JANEIRO (De nuestro corresponsal).- En su pedido de audiencia con la presidenta Cristina Kirchner, el presidente de la Fiesp, Paulo Skaf, también incluyó una entrevista con el ministro de Economía argentino, Hernán Lorenzino, y espera en esa reunión conocer al secretario de Comercio Interior, Guillermo Moreno, a quien los medios brasileños califican de "truculento". "Espero que el ministro lo convoque también. He oído muchas historias sobre él, pero no lo conozco personalmente, no sé si esas historias tienen fundamento. Una cosa es lo que se escucha y otra es la que se descubre mirando a los ojos
Paglieri anunció más licencias no automáticas
La secretaria de Comercio Exterior, Beatriz Paglieri, anticipó que el Gobierno prepara uma ampliación de la lista de productos que requieren licencias no automáticas (LNA) para su importación.Así se lo hizo saber ayer al presidente de la Cámara Argentina de Comercio (CAC), Carlos de la Vega, durante una reunión que mantuvieron en su despacho. "Están previendo que en el segundo semestre de 2012, como consecuencia de la baja de actividad en mercados globales, haya sobrestocks de mercadería y que eso traiga consecuencias en nuestros mercados", contó De la Vega. "Por eso, evalúan la posibilidad de incorporar nuevas posiciones a las licencias no automáticas, con la intención de promover el desarrollo de la industria local en maquinaria, textiles, muebles, calzados y otros."
La Argentina aplica LNA para unas 600 posiciones arancelarias. Hasta diciembre, era responsabilidad de la Secretaría de Industria su aprobación, pero desde el recambio presidencial esas funciones pasaron a la órbita de Paglieri. Aunque en teoría el Gobierno está obligado a resolver los trámites de licencias en no más de 60 días, importadores y funcionarios de otros países se quejan de que hay demoras de hasta 6 meses en algunos casos, lo que convierte a este mecanismo en una virtual barrera.
Paglieri dijo que su secretaría no se va a adherir al régimen de declaración jurada anticipada de información (DJAI) que promueve la AFIP y que desató una pelea interna con el secretario de Comercio Interior, Guillermo Moreno. "(La Nación – 26/01/2012)

: ampliará lista de productos a trabar
El Gobierno ampliará la lista de productos importados sujetos al régimen de licencias no automáticas. La decisión oficial fue adelantada por la secretaria de Comercio Exterior, Beatriz Paglieri, a un grupo de dirigentes de laCámara Argentina de Comercio (CAC) encabezado por su titular,Carlos de la Vega.
La medida, que se anunciará de manera oficial en los próximos días, viene a complementar el régimen deDeclaraciones Juradas Anticipadas de Importación (DJAI) que entrará en vigencia el 1 de febrero. Si a esto se le suma que la Argentina -lo mismo que Brasil, Uruguay y Paraguay, sus socios en el Mercosuracordaron que cada país tiene derecho a elegir 100 líneas de productos (posiciones arancelarias) para elevarhasta el 35% el derecho a importarlos, se habrá completado una barrera deformidables dimensiones contra el ingreso de mercadería desde el exterior.
Este conjunto de medidas constituirá un blindaje contra lo que -se supone- podría ser una invasión desde Oriente, atento a los sobrantes de stocks que casi con certeza acumulará China por causa de la crisis internacional. Esto es así pese a que Paglieri les dijo a los empresarios que «a algunos países un arancel del 35% no les hace ni cosquillas», en obvia alusión a China.
En su larga reunión con la dirigencia de la CAC, la funcionaria no reveló cuáles serán los sectores que ingresarán al régimen de licencias no automáticas; sin embargo, dejó caer una pista: dijo que el Gobierno «alentará el desarrollo local de la fabricación de maquinaria». Se sabe que las importaciones de bienes de capital constituyen una de las mayores obsesiones del secretario de Comercio Interior,Guillermo Moreno, en su declarada cruzada por garantizar un superávit comercial cercano a los u$s 12.000 millones este año.
Pedidos
Admitió también que había un largo listado de empresarios que le pedían a su secretaría que incluyera a su sector entre los que se incorporen a las licencias no automáticas.
Paglieri -que estuvo acompañada de su subsecretaria, Paula Español- tampoco adelantó cuáles serán las posiciones arancelarias que atacarán con un gravamen del35%, listado que está elaborando en conjunto con la ministra de Industria, Débora Giorgi. La posibilidad de aumentar el arancel a determinados productos (a elección de cada país) por encima del arancel común del 20% había sido acordada en la última reunión del Mercosur celebrada en Montevideo.
La secretaria anticipó que su organismo no adherirá al listado de reparticiones públicas con derecho a intervenir en el régimen de DJAI; está claro que con la supervisión directa de Moreno es suficiente para ese sector del kirchnerismo, pero dijo que el Gobierno «echará mano a todos los regímenes que haga falta para cuidar el empleo argentino y la balanza de divisas». Su par de Comercio Interior no lo habría dicho de manera muy diferente.
En tono casi de confidencia, Paglieri les dijo a los representantes empresariales que el Gobierno prevé «un segundo semestre muy complicado, con sobrantes de stocks; por eso es fundamental impedir invasiones desde el exterior que podrían volver a poner en peligro el modelo industrialista».
La reunión de ayer no aportó a los empresarios demasiados datos técnicos, pero al menos se fueron del despacho de la funcionaria con más información sobre el cierre de fronteras que se cierne para el comercio exterior, al menos durante este año.
Aclaraciones
En lo que hace al memorando enviado por Moreno el martes, la CAC preparó un documento de catorce puntos en el que se le piden aclaraciones al supersecretario respecto del formulario que deberán llenar y someter a consideración de Comercio Interior quienes quieran importar.
Tal como publicó ayer este diario, la Nota de Pedido prevé nueve datos que se proporcionarán allí. Básicamente, en su respuesta de ayer la CAC pide formalidades: cómo calcular el monto en dólares de una importación que se hace en otra moneda, si la descripción de la mercadería a ingresar puede hacerse a través de un anexo (el formulario original sólo tiene un renglón para ello, medida obviamente insuficiente), qué pasa si una mercadería importada a granel y en barco sufre la pérdida del 1% o el 2% en viaje, que es habitual, etc. Quedaron esperando respuesta.
En tanto, hoy por la tarde se reunirán Ricardo Echegaray, titular de la AFIP, y José Ignacio de Mendiguren, presidente de la Unión Industrial Argentina (UIA). Tratarán de limar las asperezas que se produjeron a partir de que este diario reveló la existência de un pedido de prórroga presentado por la central fabril para la entrada en vigência de las DJAI. No se esperan chisporroteos ni que el enojo se prolongue: el dirigente de la UIA viene trabajando prolijamente para optimizar el vínculo de su entidad con el Gobierno.(Ámbito Financiero – Argentina 26/01/2012)

Denuncian nueva barrera proteccionista de Argentina
El Parlamentario Alfonso González Núñez, Presidente de la Delegación Paraguaya ante el Parlamento del Mercosur, criticó la nueva medida proteccionista que pretende imponer el Gobierno argentino a partir del próximo 1 de febrero, y que consiste exigir -a los importadores argentinos que deseen adquirir mercancías como por ejemplo de Paraguay- la suscripción de declaraciones juradas como requisito previo a cualquier transacción, situación ésta que desalentaría la venta de nuestros productos al vecino país.
Mediante un Pronunciamiento, Alfonso González Núñez aclara que la imposición argentina tiene carácter universal, pues no excluye a ningún país, pero que sin embargo afectará especialmente a los países miembros del Mercosur, que de por sí deben pasar engorrosos trámites, como ser las licencias del intercambio comercial previo y obligatorio, para poder vender sus productos en suelo argentino.
El representante paraguayo ante el Parlasur insta al Gobierno de Fernando Lugo a coordinar esfuerzos con sus homólogos de Brasil y Uruguay, a fin de que persuadan a la presidenta de Argentina, Cristina Fernández de Kirchner a que excluya a los países del Mercosur de la medida comercial a ser adoptada en los próximos días.
A continuación, se reproduce el Pronunciamiento en toda su extensión:
Pronunciamiento
"En estos días el Mercosur, como espacio regional para mejorar la calidad de vida de sus pueblos, sufre una nueva afrenta del gobierno argentino que agrede innecesariamente los pilares básicos de la integración. En efecto, desde la capital argentina se anuncia que desde el próximo 1º de Febrero entrará en vigencia una nueva medida proteccionista que consiste en exigir a los importadores argentinos que desean adquirir mercancías, como por ejemplo de Paraguay, deberán suscribir declaraciones juradas como requisito prévio a cualquier transacción, pero, como se trata de una resolución de carácter universal que no excluye a ningún país, resulta que los integrantes del Mercosur, a más de las licencias, del intercambio comercial previo y obligatorio, tenemos otra barrera para desalentar la venta de nuestros productos al vecino país La Presidencia de la Delegación Paraguaya del Parlamento del Mercosur eleva una vez más su voz de protesta y repudia el nuevo desplante, impensable en un proyecto integrador, pero, lamentablemente, coherente con una administración que se há distinguido por su excesivo apego a la protección desorbitada de sus intereses en detrimento de sus pares vecinos que, por otra parte, también reclaman en todos los niveles las dificultades y los repetidos problemas que generan cualquier negociación con la Argentina.
El gobierno presidido por Cristina Kirchner desprecia e incumple el Tratado de Asunción, lo ignora imponiendo cada tanto medidas unilaterales que replican con versiones distintas las mismas trabas de siempre a la libre circulación de bienes y servicios en el Mercosur, reduciendo éste espacio a las "buenas intenciones" de una retórica política vaciada de contenido, y que parte con falsedad de pensamientos políticos compartidos que a la hora de ponerlos a la práctica se diluyen porque, está demostrado hasta el hartazgo, los negocios particulares están por encima de los principios, las convicciones y lo que es más grave, de las normas comunes vigentes.
Si bien esta resolución posee alcance universal, lo irrebatible es que perjudicará ostensiblemente y en mayor proporción a nuestro país, atendiendo que un consolidado mercado argentino, a raíz de las restricciones a aplicarse, y como es obvio suponer, limitará sensiblemente la adquisición de rubros de consumo provenientes del Paraguay, con las obvias consecuencias de pérdidas multimillonarias para el empresariado nacional.
La referida declaración jurada, o manifestación de compras, denominación oficial del desatino criticado, de implementarse en la fecha mencionada oscurecerá aún más la ya enrarecida atmósfera del Mercosur que, sometido a las presiones de las afinidades políticas de los Poderes Ejecutivos, cada vez se parece más a un "club ideologizado" que a un proyecto de integración regional política y económica, por otra parte, vulnerado por los continuos impactos de una protección que nos recuerda el pasado colonialista que no se quiere ir, por el contrario, se instala con fuerza mediante éstas medidas absurdas, que nos deben replantear la búsqueda de otras opciones más favorables para el desarrollo de nuestra economía.
No olvidemos que el Ejecutivo argentino en el marco de su agresiva campaña de obstrucción al comercio paraguayo, había notificado en diciembre pasado que sus servicios aduaneros procederían a la ilícita exploración del interior de los contenedores en tránsito desde y hacia terceros países a través de lentes ópticos (escáners), con vistas a conocer su contenido para posteriormente aprobar su liberación u ordenar su retención.
Los objetivos de esta incongruencia constituían incrementar inmoralmente los costos operativos, demorar caprichosamente las cargas en los Puertos, destruir la competitividad de las compañías navieras compatriotas, e incluso confiscar las mercancías sospechadas de "peligrosas" por los inefables funcionarios argentinos.
Afortunadamente, tal vez por algún atisbo de cordura, suspendieron temporalmente su aplicación, para alivio (momentáneo) del desprotegido productor nacional.En consecuencia, la Delegación Paraguaya ante el Parlamento del Mercosur exige al Gobierno nacional a que de inmediato contacte con sus homólogos de Brasil y Uruguay, cuyas fuerzas productivas coincidieron en expresar públicamente sus airadas protestas, a los efectos de persuadir a la presidenta Cristina Fernández de Kirchner de que excluya a los socios del Mercosur de la órbita de esa reprensible determinación, que sencilla y llanamente apunta a desmotivar y entorpecer la competencia lícita en su suelo, transgrediendo con cinismo y por enésima ocasión el Art. 1 de la legislación matriz del bloque.
Finalmente, esta Delegación alerta que este modelo de integración fundado en parentescos ideológicos nos aleja más de la idea fundacional de generar un mercado común, que paulatinamente equilibre infraestructuras y fuerzas productivas para competir y pelear los mercados internacionales como un Bloque de Estados, que comparten esfuerzos y beneficios y no lo que nos propone esta absurda realidad, donde acompañamos cuanto disparatado Protocolo o Convenio se nos proponga sin condicionar nada que favorezca los soberanos intereses del Paraguay y el destino de nuestro sufrido pueblo agobiado por tanta incapacidad e ineficiencia" (La Nación Paraguay – 26/01/2012)

Sólo ocho técnicos que dependen de Moreno deciden qué se importa
Por sus manos pasarán los pedidos. Temen que no los puedan procesar.
La totalidad de las solicitudes dirigidas a la Secretaría de Comercio para que el organismo que encabeza Guillermo Moreno autorice, o no, los pe didos anticipados de importación serán analizados por un equipo de ocho personas.
El propio Moreno se lo dijo este fin de semana a empresarios con los que mantuvo contacto, sin necesidad de que se lo preguntaran. Lejos de plantearlo como un equipo reducido para analizar el movimiento de 74.000 millones de dólares (las importaciones de 2011), Moreno lo comunicó como una noticia alentadora.
"Ahora tengo otras dos pibas que me están ayudando, así que ya son seis personas en ésto. No te preocupes, que las importaciones van a ir saliendo", confió Moreno al presidente a una cámara a comienzos de año. El empresario le había manifestado su preocupación por la potencial lentitud en los despachos de importación a partir del 1 de febrero.
Este fin de semana, en otra reunión, el secretario de Comercio dio a entender que su búsqueda de personal estaba resultando fructífera: "Me dijo que tiene ocho colaboradores trabajando en el tema. Por lo menos ya son dos más", comentó, mitad en broma y mitad asustado, un empresario que estuvo reunido en las últimas horas con quien hoy es el hombre fuerte en el manejo de la economía.
Durante 2011, el comercio exterior fue récord. Las exportaciones crecieron 25% y llegaron a los 84.269 millones de dólares, mientras que las importaciones totalizaron 73.922 millones de dólares, 31% superiores a las del año anterior. Pero la estadística muestra los resultados de Moreno para "pisar" el ritmo de las importaciones, que durante el primer semestre habían crecido 38%, mientras que en la última parte de 2011 subieron 24%, según un estudio de la consultora DNI. "En la segunda parte de 2011, los controles a las importaciones se incrementaron y renovaron a través de instrumentos, regulaciones y solicitudes del Gobierno a las empresas y eso comenzó a producir efectos: un dinamismo de crecimiento de importaciones menor", destacó el trabajo de DNI, que orienta el ex titular de la fundación Exportar, Marcelo Elizondo.
Con esos resultados, Moreno no resignó la posibilidad de ceder el control de las importaciones a Ricardo Echegaray, quien a través de la AFIP (Resolución 3255) había establecido un sistema de "ventanilla única" para centralizar a partir del 1° de febrero todos los pedidos de importaciones. Además, el organismo que conduce Echegaray estableció un mecanismo de resolución más ágil del que había establecido Moreno (ver...).
Cuando en las cámaras empresarias todavía seguían estudiando las resoluciones de la AFIP que entrarán en vigencia la semana próxima, de manera sorpresiva el martes Moreno comunicó a las cámaras empresarias que la Secretaría de Comercio hará su propia evaluación de los pedidos de importación.
A partir de la semana próxima, un mismo pedido de importación deberá ser tramitado ante la AFIP (mediante un formulario electrónico inserto en el sistema informático María), y ante Comercio, mediante el envío de un email a la casilla notadepedido@mecon.gob.ar.

La casilla fue instalada en la página del ministerio de Economía que encabeza Herán Lorenzino pero donde Moreno concentra cada día más poder.(El Clarín – 26/01/2012)

Argentina reduz prazo para aprovar importação
Previsão era de 15 dias, segundo a nova lei; agora, fica entre 72 horas e dez dias A Administração Federal dos Ingressos Públicos (a Receita Federal argentina) diminuiu praticamente pela metade o prazo para a aprovação das importações segundo a nova lei que regulará esses negócios na Argentina, a partir do mês que vem.
O governo havia anunciado que cada importação deveria ser feita por meio de um pedido de licença antecipada, que deve ser aprovada pela Secretaria de Comércio Interior, comandada por Guillermo Moreno.
Num primeiro momento, o governo havia dito que o prazo para a aprovação das compras seria de 15 dias. Agora, a Afip anunciaqueo trâmite deve demorar entre 72 horas e não mais do que dez dias.
O recuo do governo, que configura uma mudança nas ordens do superpoderoso Moreno, chega depois da forte reação negativa causada pela divulgação da medida.O Brasil, principal sócio da Argentina, e o Uruguai foram os países do bloco que mais preocupação demonstraram

com as novas medidas.
No caso brasileiro, o ministro do Desenvolvimento, Fernando Pimentel, havia dado, na semana passada, fortes declarações afirmando que a Argentina vinha sendo um "problema permanente" para o Brasil.
Ontem, procurado, o ministério brasileiro informou, por meio da assessoria de comunicação, que não iria comentar a resolução do governo argentino. A data para a entrada em vigor da nova lei não foi alterada:
1º de fevereiro. (Folha SP – 25/01/2012)

O Parlamento do Paraguai está certo
Desde 2006, a Venezuela vem negociando sua entrada no Mercado Comum do Sul, o Mercosul, como membro pleno do bloco regional.
O passo final para a adesão foi dado com a celebração do acordo entre as chancelarias dos cinco países, encaminhando-o para a aprovação dos parlamentos nacionais dos quatro países do bloco, para que entrasse em vigor.
Os parlamentos brasileiro, argentino e uruguaio votaram favoravelmente ao acordo, defendendo uma visão pragmática, afinal, o mercado venezuelano seria uma ótima oportunidade econômica.
No entanto, o Parlamento do Paraguai, considerando que a Venezuela é um país com liberdades democráticas limitadas, provocou um impasse barrando o projeto.
Baseando-se no tratado constitutivo do bloco, que estipula como requisito de entrada a vigência de um regime democrático, o parlamento mostrou a fragilidade e o imediatismo do modo com que a integração vinha sendo efetuada.
Por que o veto veio logo do Paraguai? É simples. Apesar dos quatro países do Mercosul serem governados por coligações de esquerda e, por isso, simpáticas a Chávez, em apenas um - o Paraguai - há uma oposição política de fato. Os governos Dilma, Cristina e Mujica têm a maioria no parlamento e enfrentam opositores desunidos e fragmentados.
Já o governo de Fernando Lugo, mesmo eleito alijando o Partido Colorado do poder depois de 61 anos, possui uma diminuta bancada parlamentar - com seu Partido Popular Tekojoja , para enfrentar uma coligação de oposicionistas de pelo menos três legendas: o já citado Partido Colorado, o Partido Unace e o Partido Pátria Querida.
Lugo não vem conseguindo emplacar projetos de política externa alinhados aos desejos bolivarianos de integração, apesar dos gestos entusiásticos de Chávez com sua eleição em 2008.
O Paraguai agora se encontra sob forte pressão para buscar soluções alternativas, que não seriam outra coisa senão desrespeitar o Tratado de Assunção ou passar por cima da vontade dos parlamentos nacionais.
Mesmo com a pressão, o Parlamento paraguaio não dá sinais de recuo. Ao não aprovar a entrada da Venezuela no bloco, a democracia paraguaia dá uma lição aos seus vizinhos mais ricos.
O capitalismo sem democracia, sem liberdade de opinião, sem respeito ao estado de direito, sem alternância de poder, sem concorrência não é capitalismo, mas apenas uma sombra materialista perversa, um espantalho, daqueles que líderes autoritários como Hugo Chávez adoram colocar a culpa de todas as mazelas do mundo.
Tais líderes atuam com o intuito de minar os fundamentos morais do capitalismo e, quando o que resta é apenas o sistema produtivo impessoal e materialista, passam a acusá-lo de excludente, consumista e moralmente decadente.
Um verdadeiro pragmatismo deveria defender as bases do capitalismo, evitando que a legitimidade do Mercosul se abalasse com o ingresso de um governo truculento e autoritário.
A Venezuela, sob o regime bolivariano, não possui as condições mínimas para fazer parte do bloco. O Parlamento do Paraguai está certo. (Brasil Econômico – 25/01/2012)

No a Mercosur
En declaraciones para este Diario Francisco Rivadeneira, viceministro de Comercio Exterior, manifestó que "a Ecuador no le interesa adherirse a Mercosur".
Respuesta categórica y correcta. Como explica el Viceministro, la normativa del Mercosur no está hecha a la medida del Ecuador. En particular, el arancel externo común (AEC).
Ante la invitación a que el Ecuador se integre, Quito preguntará si el Mercosur está dispuesto a rediseñar el AEC para adaptarlo a nuestras necesidades. Como la respuesta va a ser negativa, el Ecuador no se integrará.
Hay la mala experiencia con el AEC andino. La CAN entró en su apogeo con la negociación entre Caracas y Bogotá para integrar sus economías. Diseñaron un AEC em que se otorgaron preferencias mutuas a los insumos que producían. Los otros socios o nos sumábamos o quedábamos fuera. Ecuador se sumó, no así Perú que se distanció del proteccionismo. El resultado fue que los proveedores colombianos y venezolanos vendieron al Ecuador a precios más altos que al resto del mundo. Si hubo algún caso de una empresa ecuatoriana que se benefició de ese AEC, habrá sido una excepción.
En aquel entonces, algunos voceros de la industria nacional se pronunciaron por la salida del Ecuador de la CAN. Otros, cuyos afiliados exportaban a Colombia, defendieron la permanencia en la comunidad.
Hoy, ya no hay AEC andino. Si bien seguimos teniendo déficit comercial con Colombia, no se debe a ninguna distorsión del comercio, sino a la competitividad de la producción colombiana. Estar en la CAN nos beneficia.
Sumarnos a Mercosur significaría que nuestra industria tendría que desviar sus importaciones de insumos de dónde vienen ahora, y en su lugar comprar en Argentina y Brasil. Y si ya importamos de estos países, sus empresas nos subirán los precios, para aprovechar el arancel.
De Colombia importamos USD1.589 millones en enero-setiembre, el doble de lo que le exportamos. Del Mercosur importamos USDS1.086 millones, cinco veces lo que exportamos.
Beneficiarnos de las negociaciones de Mercosur con la Unión Europea no es justificativo.
Para eso, sumémonos al acuerdo CAN-UE. Los países sudamericanos debemos buscar una mayor integración, pero no en términos que solo favorezcan a los más desarrollados. En particular, Brasil debería abrirse más a la región. A Brasil le vendemos solo la décima parte de lo que le compramos.
Para incrementar el comercio será necesario acercar a los países. El trueque petróleo por combustibles con Uruguay fracasó por el costo del transporte.
Hoy, en relación a hace 10 años, hay una mucha mejor conexión aérea con Colombia.
Avanzan las obras de la interconexión vial entre Ecuador y Perú. Hay vuelos a Buenos Aires. Pero de Brasil seguimos distantes. Viajar a Bolivia es digno de Ulises.(El Comercio Equador – 24/01/2012)

La presidenta de Brasil aplaude medidas del Mercosur contra la crisis global
Dilma Rousseff, la presidenta de Brasil, la primera potencia de Latinoamérica, aseguró estar "muy complacida" de que hace unos días el Mercosur haya adoptado importantes medidas arancelarias para proteger a sus miembros de los efectos de la crisis económica global en el mercado internacional.
Durante su intervención en el plenario de presidentes latinoamericanos que se celebró em Uruguay la mandataria brasileña aseguró que estas medidas que se decidieron, y por las cuales se podrán subir los aranceles de importación de algunos productos externos al bloque, van a permitir una gestión flexible y estratégica del comercio entre las naciones que forman el principal grupo económico latinoamericano.
Rousseff recordó que la situación a nivel global y principalmente en laregión europea por la tan difundida y difícil de manejar crisis de deudaes "preocupante" y además de los problemas que acarrea se ve todavía agravada por la que calificó como exasperante lentitud de las respuestas políticas que deberían modificar y mejorar el panorama. A su criterio los gobiernos europeos están dando respuestas "demasiado conservadoras como para encontrar una rápida salida a la crisis".
Frente a este escenario mundial, el Mercosur, que está integrado por Argentina, Brasil, Paraguay y Uruguay y con Venezuela en proceso activo de adhesión, debe tomar las precauciones del caso.
La mandataria brasileña sostuvo que, si bien las medidas que adoptaron hasta ahora los países de la región para minimizar y hasta evitar los efectos de la crisis económica y financiera fueron "más que efectivas", advirtió que no deben subestimarse los efectos a futuro de esta grave problemática mundial, la que entre otras cosas traerá aparejada uma reducción del crédito internacional y una merma importante del comercio a todo nivel.
"La crisis está mermando sustancialmente la demanda de los sectores industriales de los países más desarrollados y esto le genera al Mercosur una avalancha de importaciones predatorias que ponen en riesgo sus mercados", afirmó Rousseff.
En su alocución la presidenta del Brasil les pidió a sus colegas del bloque que éste avance rápidamente en la integración de las cadenas productivas y al mismo tiempo tome recaudos para adoptar mecanismos comunes de defensa frente a prácticas comerciales fraudulentas provenientes de otras regiones del planeta.
Y destacó la necesidad de que el mayor grupo comercial latinoamericano sume nuevos socios de la importancia de Venezuela, la que todavía no se sumó plenamente al grupo por la falta de aval del Senado de Paraguay.(Mercado Continuo – Argentina – 24/01/2012)

Industriales brasileños acusan a la Argentina de "aislarse del mundo"
La poderosa Federación de Industrias del Estado de San Pablo (FIESP) también alzó hoy su voz de protesta contra las trabas a las importaciones en la Argentina y dijo que espera acordar una reunión con la presidenta Cristina Kirchner para discutir el problema.
El director de Relaciones Internacionales y Comercio Exterior de la FIESP, Antonio Fernando Guimarães Bessa, cuestionó el nuevo régimen de declaraciones juradas dispuesto por el Gobierno para abrir sus fronteras a las importaciones y sostuvo que Argentina "ya no puede aislarse más del mundo".
También dijo que resolver "problemas" es parte de los desafíos que implica para Brasil formar parte del Mercosur y tener como socio comercial a la Argentina.
"Nosotros no podemos dar la espalda al Mercosur y encontrar que esta todo terminado y bien, siempre seguiremos con problemas. Siempre hay hechos para resolver y para conciliar y para beneficiar los dos países", sostuvo. De todos modos, Bessa remarcó que "Argentina ya no puede más aislarse del mundo porque no es una isla" y planteó que la única forma de competir en el planeta es mediante importaciones que permitan fabricar productos industrializados.
"Cerrar las importaciones no va a solucionar el problema de la balanza comercial", indicó, y destacó que la FIESP espera poder reunirse con Cristina para discutir sobre el nuevo proceso que dispuso el Gobierno para recibir productos desde el exterior del país, incluyendo a Brasil.
"Nuestro presidente de la FIESP tuvo una idea, tener una reunión con la Presidenta argentina, en donde se pueda conciliar y llegar a un acuerdo para seguir beneficiando a Brasil, o seguir haciendo que permanezca Brasil con lo que está haciendo.
Siempre es positivo encontrarse y charlar", dijo Bessa, en declaraciones a radio El Mundo.
De todas maneras, aclaró: "Que del encuentro se llegue a algún punto, eso es otro tema, ya que nadie quiere comprometer su imagen política".
Para el industrial, "ésta es una semana clave en las relaciones que mantienen Brasil y Argentina" y advirtió que si se aplica la nueva medida del Gobierno, ambos países van a "perder".
Bessa y la FIESP también se manifestaron en desacuerdo con el régimen de declaraciones juradas, después de que el ministro de Desarrollo, Industria y Comercio Exterior de Brasil, Fernando Pimentel, dijera la semana pasada que "Argentina ha sido um problema permanente" en las relaciones comerciales entre los dos países.(El Diario Argentino 24/01/2012)

Patriota nega estremecimento em relação com república islâmica
Brasil não deve procurar diplomacia de Teerã para pedir explicações sobre dura crítica feita por assessor de Ahmadinejad
O ministro das Relações Exteriores, Antonio Patriota, negou ontem que haja estremecimento nas relações entre Brasil e Irã, apesar das duras declarações de Ali Akbar Javanfekr, porta-voz do presidente Mahmoud Ahmadinejad, ao jornal Folha de São Paulo. O chanceler garantiu que tem mantido contatos normais com os iranianos.
"Na reunião ministerial da OMC, recebi autoridades iranianas e identifiquei interesse numa boa relação comercial e política", afirmou. "Em Nova York, durante a Assembleia-Geral da ONU, mantive conversas com o chanceler (Ali Akbar Salehi), ele me telefonou depois para me cumprimentar pelo 7 de Setembro."
Javanfekr, que além de porta-voz pessoal de Ahmadinejad é diretor da agência estatal de notícias Irna, disse que a presidente Dilma Rousseff "destruiu toda a relação construída pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva".
Internamente, no Itamaraty, a política é a do silêncio. Como em outros ataques, a diplomacia brasileira prefere não alimentar controvérsias. O Brasil também não vai procurar Teerã para saber o porquê dos ataques.
As queixas iranianas sobre a posição do País no governo Dilma não são novas, mas nunca foram tão duras nem tão evidentes. Desde que Dilma, ainda recém-eleita, criticou a condenação à morte por apedrejamento da iraniana Sakineh Ashtiani - acusada de adultério e assassinato - abriu-se uma fissura no relacionamento. Depois disso, o País votou pelo envio de um relator da ONU para investigar a situação de direitos humanos no Irã. Além disso, Dilma não demonstrou até agora um interesse especial pelo Oriente Médio como seu antecessor. (O Estado de São Paulo – 24/01/2012)

Brasil quer manter boas relações com o Irã, diz Patriota
BRASÍLIA - O Brasil tem interesse em manter boa relação comercial e política com o Irã, e tem mantido contatos amistosos com autoridades do país, declarou o ministro de Relações Exteriores, Antônio Patriota.
Ele não quis comentar, porém, as duras críticas feitas ao governo Dilma em entrevista ao jornal "Folha de S. Paulo", por Ali Akbar Javanfekr, porta-voz pessoal do presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad. Contrariando o que afirmam os responsáveis pela embaixada do Irã no Brasil, o iraniano acusou Dilma de "destruir anos de bom relacionamento".
"Temos interesse na boa relação comercial e política com o Irã", disse Patriota. "Tenho tido contatos formais com os iranianos", atestou, lembrando ter recebido pedido de audiência, durante a Assembleia-Geral da ONU do chanceler do Irã, Ali Akbar Salehi.
"Ele me telefonou no dia 7 de setembro para desejar felicidades ao Brasil", lembrou o ministro. "Mais recentemente, na ministerial da Organização Mundial do Comércio recebi autoridades iranianas", acrescentou.
Patriota evitou comentar também as dificuldades que exportações de frango brasileiras têm sofrido para entrar no Irã. Como noticiou o Valor, o assunto foi tratado por Patriota e Salehi. Os exportadores tem sido obrigados a fazer um depósito enquanto se verifica a autenticidade da origem da mercadoria.
Mas os empresários brasileiros preferem atribuir as dificuldades a razões "técnicas", enquanto o setor privado e governo brasileiro negociam com os iranianos maior agilidade na liberação das vendas brasileiras.Sergio Leo (Valor Online – 24/01/2012)

Argentina regulamenta norma que dificulta importações
Segundo noticiado pela Agência Estado, o governo argentino publicou hoje (23) no Diário Oficial a regulamentação da norma que aumenta a burocracia de todas as importações do país a partir de 1º de fevereiro. A União Industrial Argentina (UIA) havia solicitado à Casa Rosada o adiamento da entrada em vigor da exigência de declaração prévia informando à Receita Federal sobre qualquer compra. Na prática, a norma equivale à aplicação de licenças não automáticas para todas as compras externas do país. A Resolução 3.252, denominada "janela única eletrônica", fixa um prazo de dez dias para aprovar as solicitações das importações. De acordo com o texto, a medida pretende unificar as operações de comércio exterior e estabelecer "um regime comercial mais seguro, propenso a um novo enfoque de trabalho e associação entre as aduanas, organismos governamentais e empresas, orientado à facilitação do comércio internacional".(Estadão – 23/01/2012)

Fiesp que ir à Argentina negociar entraves a produtos brasileiros
São Paulo - O presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Paulo Skaf, anunciou na sexta-feira (20/1) que a entidade pedirá uma audiência com a presidente da Argentina, Cristina Kirchner, para a última semana de janeiro.
O objetivo é falar sobre as barreiras às importações impostas pelo país vizinho e que restringem a entrada de produtos brasileiros.
A medida anunciada no dia 11 deste mês, que irá exigir informações prévias sobre todas as importações de bens de consumo, passa a valer a partir de 1º de fevereiro.
"A avaliação dos membros da Fiesp que têm negócios com a Argentina é a de que esses problemas não são novos, mas, como o Brasil não é o único exportador para o vizinho do Mercosul, a mudança deveria ser voltada a outros mercados e não para um país do mesmo bloco. O que acaba por ferir o Mercosul", disse Skaf.
As medidas anunciadas pela Argentina visam manter um superávit em torno de US$ 10 bilhões, saldo que corre o risco de ficar em US$ 5 bilhões. Esse resultado inferior pode ser contabilizado por conta da grande estiagem que atinge o país, que leva assim ao aumento de importações referentes ao setor de energia. As barreiras seriam uma forma de manter esse patamar, de acordo com Skaf.
Apesar dos detalhes da medida ainda não estarem claros, a entidade estima que aproximadamente 80% das exportações brasileiras poderão ser afetadas, envolvendo um universo de mais de 5.500 importadores argentinos, além de colocar em dúvida acordos anteriormente realizados.
Skaf ressaltou que a entidade tem conversado também com o governo brasileiro sobre a questão, e a ideia é procurar evitar que haja um prejuízo para as exportações brasileiras.
"Independentemente de pressão em cima deles, o ideal é encontrarmos alguns caminhos criativos, como, por exemplo, em setores como nafta, petróleo e gás, além da indústria naval, onde os argentinos têm potencial ocioso. Na indústria naval, o Brasil está com todos os estaleiros tomados nos próximos dez anos. Então, não seria um sacrifício dar alguma abertura para que os argentinos pudessem fazer navios", disse o presidente da Fiesp.
Para o presidente do Conselho Superior do Comércio Exterior da Fiesp, Rubens Barbosa, esse desiquilíbrio é estrutural e dificilmente vai desaparecer pelo fato de a indústria brasileira ser maior em relação à Argentina.
O comércio entre os dois países em 2011 registrou recorde de US$ 39,6 bilhões, com um aumento de 17% com relação ao ano anterior. Para o Brasil, houve superávit de US$ 5,8 bilhões, 41% a mais do que em 2010, segundo dados da Fiesp.(Brasil Econômico/NetMarinha – 23/01/2012)

Brasil analiza aplicar represalias por nuevas trabas a las importaciones
El Ministerio de Industria analiza medidas pero no llegarán antes de marzo, porque quieren agotar la vía de la negociación. Empresarios del país vecino quieren que Brasil denuncia a Argentina ante la OMC.
El gobierno de la presidenta Dilma Rousseff planea aplicar represalias contra Argentina, debido a las restricciones en el comercio bilateral, pero todavía apuesta a una negociación que impida la "guerra comercial", según fuentes consultadas por la prensa.
Las autoridades brasileñas "no descartan" adoptar medidas contra su principal sócio comercial en América Latina, y tercero detrás de China y Estados Unidos, debido a que sus exportaciones podrán ser objeto de maniobras burocráticas que retardarán el ingresso al mercado.
La respuesta comercial está siendo analizada en el Ministerio de Desarrollo, Industria y Comercio Exterior, pero antes de dar inicio a un eventual fuego cruzado, el gobierno aguardará por lo menos hasta marzo, para evaluar el impacto de la nueva política del gobierno de Cristina Fernández, consignó Folha de Sao Paulo.
Por lo pronto en Brasilia aún hay "expectativas" de que Buenos Aires "revise" su posición.

Los importadores argentinos deberán realizar una declaración jurada antes de adquirir bienes en el exterior y el gobierno contará con 15 días para librar la autorización, según una norma publicada hace una semana en el Boletín Oficial, la cual entrará en vigor em febrero.
Algunos grupos privados ya recomiendan llevar el caso ante la Organización Mundial del Comercio (OMC). "En lugar de aplicar medidas contra la (importación de la) producción argentina, el gobierno brasileño debería entrar con un pedido ante la OMC", declaró la abogada Cynthia Kramer, experta en comercio exterior.
"Pero no creo que Brasil siga ese camino (apelar a la OMC) por cuestiones políticas" acotó Kramer, que pertenece al buffet L. O. Baptista Abogados Asociados, de Sao Paulo.
Los asuntos relativos a comercio exterior están dentro de las esfera del Ministerio de Desarrollo, Industria y Comercio Exterior, pero también es considerada la opinión de Hacienda y la Cancillería. Esas tres carteras no coinciden en la conveniencia de llevar los contenciosos con otros países al seno de la OMC. Una de las razones es que algunos funcionarios temen que esa fórmula se torne un bumerang para Brasil, que ha sido considerado como uno de los países que adoptaron más medidas proteccionistas dentro del Grupo de los Veinte Esto debido a una serie de iniciativas implementadas en 2011 como el aumento de los impuestos a los automóviles importados, la reducción de tributos a los exportadores de bienes industriales y la creación de líneas de crédito estatales para alentar las ventas al exterior.
El ministro de Desarrollo, Industria y Comercio Exterior brasileño, Fernando Pimentel, expresó ayer su desaprobación sobre la decisión argentina al decir que es "difícil" negociar con sus vecinos. Sus declaraciones fueron rebatidas por la ministra de Industria argentina, Débora Giorgi, quien recordó que su país importó 22.700 millones de dólares de Brasil en 2011, un aumento del 23% y que el déficit alcanzó los 5.800 millones. "Se calienta la guerra comercial con Argentina" (y) Brasil monta estrategia para el contraataque" escribió hoy Folha. "Discutir caso a caso con cada empresa (importadora) si puede o no comprar a otros países es limitar las importaciones (si la medida del gobierno argentino) entra en vigor podemos afectar al Mercosur", opinó Roberto Giannetti da Fonseca, director de la Federación de Industrias del Estado de Sao Paulo.
En tanto Estado de Sao Paulo, considerado un órgano con posiciones afines al empresariado paulista, señala, en su edición de hoy, que el gobierno argentino no menciona "la demora de más de 60 días para autorizar la importación de millares de productos brasileños como electrodomésticos, línea blanca, máquinas y equipos agrícolas".
Para analistas los roces entre Brasil y Argentina son también la consecuencia de los problemas que afectan a la economía global, especialmente en Europa, lo cual amenaza la expansión de las exportaciones sudamericanas. (El Clarín – 23/01/2012)

Fiesp acredita em acordo com argentina para evitar barreiras comerciais
A partir de 1º de fevereiro, a Receita Federal argentina passará a exigir informações prévias sobre todas as importações de bens de consumo. A medida atingirá todos os produtos brasileiros destinados ao mercado interno argentino. A Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) estima que 79% das exportações brasileiras devem ser afetadas, mas acredita em um acordo amigável entre os países vizinhos.
Segundo o presidente da Fiesp, Paulo Skaf, um conflito direto seria ainda mais prejudicial à indústria brasileira. "Estamos preocupados com a realidade. Se temos uma indústria com contêineres parados, precisando embarcar, não podemos entrar em uma briga que trará solução somente um ano depois, o que não resolve o problema da indústria, nem do Brasil".
Já o ex-secretário de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC), Welber Barral, é de opinião que as autoridades brasileiras precisam ser firmes para conseguir reverter essas medidas protecionistas adotadas pela Argentina. "O governo brasileiro tem que ser duro nas negociações", disse.
No entanto, Barral observou que retaliar os produtos argentinos não é uma solução definitiva. "A retaliação é um instrumento de negociação. Não é uma resposta definitiva. Criação de barreira é ruim para os dois lados, gera custos de transação, burocracia desnecessária e corrupção deslavada".
O ex-secretário de Comércio Exterior destaca a integração entre os países como uma alternativa de acordo. "Uma solução seria maior integração produtiva de mercados, assim como a que existe entre o setor automotivo", disse.
O governo brasileiro vai esperar a medida entrar em vigor para avaliar o impacto das novas normas comerciais na economia antes de iniciar as negociações com o governo argentino. Na última terça-feira (10), o ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Fernando Pimentel, demonstrou o descontentamento com as reações do país vizinho. "A Argentina tem sido um problema permanente. Temos boas relações políticas, mas economicamente é difícil lidar com eles", disse.
No dia 11 de janeiro, a Argentina decidiu exigir apresentação de Declaração Jurada Antecipada de Importação (DJAI) dos importadores de bens de consumo. Essa exigência dificulta a entrada de produtos estrangeiros no país vizinho.
Para o Brasil, essas medidas protecionistas podem provocar uma queda considerável nas exportações. A Argentina é um dos principais parceiros comerciais do Brasil. Em 2011, as vendas externas brasileiras ao país vizinho somaram US$ 22,7 bilhões. De janeiro a dezembro do ano passado, a balança comercial entre os dois países registrou superávit para o Brasil de US$ 5,8 bilhões. (Agência Brasil – 21/01/2012)

Mercosul quer expandir-se na região
Quito - O Mercado Comum do Sul (Mercosul) converteu-se no esquema econômico mais dinâmico da região, com um crescimento média anual de 33,7 por cento que o impulsiona a estender-se em seu meio.
João Carlos Parkinson, Assessor do Alto Representante Geral do Mercosul, assegurou à Prensa Latina em Quito que este fórum aspira a expandir-se em seu espaço natural mas não com todos os países ao mesmo tempo.
"Porque nem todos estão preparados nem interessados a fazê-lo", adicionou.
O servidor público do organismo regional assinalou o interesse em aprofundar as experiências dentro do Mercosul e com outros Estados de seu meio, pelo que nestes momentos realiza uma aproximação a Equador, Bolívia, Guiana e Surinam,e candidatos potenciais para integrar o quórum deste bloco negociador.
Parkinson expôs que esta associação comercial poderia converter-se em um bloco comum em na América do Sul, ainda que seja difícil dizer quando.
Falou que a aspiração não deve ser a de pertencer a associações isoladas onde os Estados membros olhem só para seus interesses, segundo sua localização geográfica, seja para o oceano Pacífico ou ao Atlântico.
Para o experiente, é necessária a união para enfrentar os processos econômicos no mundo, e o Mercosul dá uma margem de desenvolvimento a seus membros porque propicia os investimentos entre eles, e lhes dá garantias de um mercado seguro e de complementariedade.
Em particular, apontou, espera-se que o Brasil continue experimentando um crescimento econômico como o fez no último ano e que o converte no mais forte do subcontinente, mas há uma grande incerteza sobre que passará neste ano 2012.
Calcula-se que a economia da América do Sul continue crescendo e também o Brasil como pólo, ao mesmo tempo em que se estima um período prolongado da crise na Europa e nos Estados Unidos, que redundará na decisão dos países de se aproximar ou não.
Esta projeção não é segura pelos riscos que existem no intercâmbio comercial mundial, agregou.
Significou a tendência de uma deslocação dos grandes eixos de dinamismo para as chamadas economias emergentes, e, por exemplo, enquanto Europa e Estados Unidos retrocedem, a China e o Brasil experimentam um crescimento de dois dígitos.
Considerou que um Mercosul sul-americano é possível, mas, entre outros acápites, está sujeito aos interesses políticos daqueles países que optaram por mecanismos diferentes ao deste organismo e dos próprios mecanismos de vantagens do Mercosul.
Parkinson assegura que os dividendos estão sendo proveitosos para os participantes no Mercosul, pelo que o resto poderia se ver influenciado e motivado a se aproximar mais, já que a opção é somar àqueles blocos dinâmicos e não se isolar.
Em um fórum sobre as perspectivas do Mercosul, realizado na capital equatoriana, Parkinson expôs a urgência da integração, do reforço do mercado doméstico e da redução da dependência de mercados externos à região. No contexto mundial, concluiu, as relações entre a China e Estados Unidos vão determinar as relações econômicas internacionais. (Prensa Latina – 21/01/2012)

Indústria argentina pede adiamento de novas regras para importação
BUENOS AIRES - O presidente da União Industrial Argentina (UIA), Ignacio de Mendiguren, pediu ao governo de Cristina Kirchner que adie a adoção das novas regras para importação, previstas para o dia 1º de fevereiro. Em entrevista a uma rádio de Buenos Aires, Mendiguren informou que enviou, na semana passada, carta ao titular da Administração Federal de Rendas Públicas (Afip, na sigla em espanhol), Ricardo Echegaray, "pedindo para analisar alguns pontos e a possibilidade de postergar a entrada em vigor dos novos controles".
"Na verdade, estamos preocupados, especialmente para saber como será este regime, porque há importações que estão relacionadas diretamente com a produção doméstica, que não são insumos produzidos no país", disse Mendiguren. Na carta, o empresário argumentou sobre a complexidade do assunto e da necessidade de que a norma seja previsível e bem esclarecida. "Temos que dar prioridade à previsibilidade da norma; ter claros os critérios pelos quais as declarações (as autorizações para importar) serão aprovadas ou não", afirmou.
Mendiguren, empresário que possui boas relações com o governo de Cristina Kirchner, disse que teve uma reunião com o secretário de Comércio Interior, Guillermo Moreno, o homem responsável de controlar o comércio exterior do país. O empresário garantiu que Moreno o "tranquilizou" porque, segundo ele, o sistema será aplicado de maneira "muito automática".
Em reunião realizada ontem com representantes do setor importador da Argentina, os titulares da Receita Federal, Ricardo Echegaray, e da Aduana, Siomara Ayerán, explicaram que vão analisar cada declaração no prazo máximo de 10 a 13 dias. Antes da reunião, o presidente da UIA havia criticado o Brasil por reclamar das novas barreiras ao comércio.
Há quase duas semanas, o governo de Cristina Kirchner decidiu impor aos importadores a necessidade de apresentação de uma declaração prévia à ordem de compra de produtos do exterior, sujeita à análise da Afip, Secretaria de Comércio Interior e demais órgãos para aprovar ou não a importação. (Agência Estado – 20/01/2012)

Travas no Mercosul
O governo da Argentina não mostra nenhum escrúpulo de atropelar sistematicamente tratados internacionais quando se trata de proteger sua balança comercial.
A partir de 1.º de fevereiro, passará a exigir pedido de licenças não automáticas de importação para todos os produtos, independentemente da procedência. Seus fiscais aduaneiros dirão o que pode ser importado e quanto. É um instrumento burocrático que leva tempo para ser examinado (oficialmente, no máximo 15 dias), com o qual se busca declaradamente emperrar o comércio.
Essa exigência aprofunda o jogo protecionista que até agora se limitava a conter a entrada de produtos da linha branca (geladeiras, máquinas de lavar roupa, fogões, etc.), artigos têxteis, calçados, baterias e tratores.
O objetivo final do país é obter neste ano um superávit comercial superior a US$ 10 bilhões (o do ano passado foi de US$ 10,9 bilhões), conforme a Agência Estado apurou a partir de documento interno vazado para a imprensa.
Essa decisão tem a ver com as dificuldades que a Argentina enfrentando desde o calote de 2001 à sua dívida, agravadas no início deste ano com a perspectiva de quebra de pelo menos 23% na safra de milho e de outros 5% na de soja, por ação de uma séria estiagem. As receitas com o Imposto de Exportação (que agora devem reduzir-se) cobrem 20% da arrecadação. A ideia é cortar despesas com importação, de maneira a enfrentar a redução de caixa com que contava para cobrir o rombo externo.
Não dá para negar que o saldo do comércio bilateral é favorável ao Brasil e que isso tende a se ampliar (veja o gráfico). É o resultado da política econômica predadora colocada em prática pelas duas administrações Kirchner, que desestimula o investimento e o avanço tecnológico e, nessas condições, derruba a competitividade do produto industrial argentino.
De maneira informal, o governo brasileiro já passou o recado de que não gosta do jeito folgado e irresponsável com que o governo argentino lida com compromissos internacionais, sobretudo com os do Mercosul. O ministro do Desenvolvimento, Fernando Pimentel, por exemplo, já declarou o que até agora nenhum ministro de Estado do Brasil ousou dizer em público: a Argentina se tornou "um problema permanente".
O presidente da Associação Brasileira de Empresas de Comércio Exterior (Abece), Ivan Ramalho, enfrentou a catimba comercial da Argentina durante os 16 anos em que ocupou a Secretaria Executiva do Ministério do Desenvolvimento, 8 deles durante o período Fernando Henrique e a outra metade do tempo no período Lula. Para ele, se engolir mais esse sapo, o governo brasileiro estará contribuindo decisivamente para a escalada protecionista do governo argentino e para as distorções que virão em seguida.
E Ramalho não esconde por qual setor o governo deve começar o revide. "A área comercial mais sensível para eles é o setor automotivo." Ele sugere que, pelo menos por simetria, o Brasil também imponha à Argentina licenças prévias para importações de veículos.
Curiosamente, há alguns anos, o Brasil foi condenado em tribunal de arbitragem do Mercosul, convocado pela Argentina por também impor travas burocráticas em seu comércio bilateral.
Essas coisas não têm cabimento entre países-membros de uma área que se supõe estar em estágio mais avançado de integração (união aduaneira) e que, no entanto, não consegue ser nem zona de livre comércio, o que prevê livre circulação de mercadorias. Mostram que os tratados do Mercosul deixaram de ser apenas queijos esburacados. Estão cada vez mais desmoralizados.
Já não eram instrumentos de integração econômica e comercial. Agora correm o risco de deixar de ser também de integração política – condição que o Itamaraty ainda pretendia preservar. Celso Ming (Estadão – 20/01/2012)

Na Argentina, declarações para importação poderão demorar até 13 dias
Artigos de exposição e de franquias serão exceção e poderão ser liberados mais rápido
BUENOS AIRES - Funcionários do governo argentino tentam suavizar o peso da nova exigência para os importadores que passa a vigorar a partir de 1.º de fevereiro. Os titulares da Receita Federal, Ricardo Echegaray, e da Aduana, Siomara Ayerán, em reunião realizada ontem (19), explicaram a representantes do setor importador da Argentina que o governo vai ter um prazo de 10 a 13 dias para analisar os pedidos. Será criada uma comissão para acompanhar os casos de exceção, como os artigos de exposição e de franquias, que terão rápida liberação.
Fontes que participaram da reunião disseram à AE que as discussões foram técnicas e giraram em torno dos detalhes sobre o funcionamento do novo mecanismo e como a declaração deverá ser preenchida. A principal mensagem dos funcionários aos importadores foi a de que o objetivo é criar um canal único para autorizar ou não as importações no país. "O que estamos fazendo é implementar um só canal 100% eletrônico para articular os organismos do Estado, como nos pediram os importadores dezenas de vezes", disse o diretor da Administração Federal de Renda Pública (Afip), a Receita Federal local, Ricardo Echegaray, aos interlocutores.
A diretora da Aduana, Siomara Ayerán, esclareceu que a nova medida pretende reduzir os custos da importação, e não complicar a tramitação. No entanto, a grande dúvida do setor é sobre se os prazos mencionados poderão ser cumpridos, já que as declarações detalhadas sobre o que se pretende importar serão submetidas à revisão de cada organismo relacionado ao produto. Todos os organismos terão um máximo de dez dias para devolver a declaração, segundo a Afip, que terá três dias mais. Passados esses 13 dias, se os importadores não tiverem recebido a via livre das suas declarações, as compras ao exterior serão aprovadas de forma automática.
Prazos
Nesse período, se houver alguma objeção por parte de algum dos organismos envolvidos ao pedido de importação, o importador poderá contestar e dar continuidade à operação. Os prazos mencionados ontem divergem do que foi publicado pela medida na semana passada, que determina um tempo de 15 dias. A discrepância só será dissolvida com a publicação da regulamentação da norma, prevista para a próxima semana.
Fonte ouvida pela AE, que representa uma das câmaras que participaram do encontro, disse que o setor esperava uma burocracia mais complicada. Mesmo assim, o setor está preocupado. "A questão é que até o momento só havia necessidade de pedir licenças (as licenças não automáticas - LNAs) para 14% da nossa pauta importadora. E, a partir de agora, é preciso pedir autorização prévia para importar praticamente qualquer item", reclamou a fonte.
Mesmo os produtos que já fazem parte da lista de 600 posições tarifárias sujeitas às LNAs também terão de apresentar a declaração prévia à ordem de compra e ao pedido de licença. De acordo com o diretor de Assuntos Institucionais da Câmara de Importadores da República Argentina (Cira), Miguel Ponce, os pedidos de compras realizados antes da entrada em vigor do novo mecanismo serão respeitados.
Documento interno do governo de Cristina Kirchner que vazou para a imprensa afirma que o objetivo da medida é garantir um superávit comercial mínimo de US$ 10 bilhões. Assinado pelo vice-ministro de Economia, Axel Kicilloff, o documento especifica que US$ 5 bilhões já estarão garantidos pelas exportações do setor de agrobusiness. Somente após conseguir o restante o governo começaria a afrouxar as barreiras contra as importações. (Agência Estado – 20/01/2012)

Empresários brasileiros negociarão barreira comercial com Argentina
Exportações brasileiras para aquele país podem cair 79% com as medidas adotadas pelo governo argentino
SÃO PAULO - Empresários brasileiros preocupados com a adoção de novas medidas protecionistas pela Argentina pedirão uma audiência com a presidente do país vizinho, Cristina Kirchner, na última semana de janeiro, assim que ela se recuperar de uma cirurgia para a retirada da glândula tireoide. Segundo o presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Paulo Skaf, o grupo tentará uma solução amigável para a retirada da Resolução nº 3252 da Administração Federal de Ingressos Públicos (AFIP, a Receita Federal da Argentina), em troca de alternativas que mantenham o superávit comercial do país vizinho em torno de US$ 11 bilhões. As novas medidas decretadas pelo governo argentino podem, segundo estimativas da consultoria Abeceb.com, afetar 79% das exportações brasileiras para aquele país.
Em entrevista coletiva hoje, após reunião com representante de setores da indústria paulista e sindicatos, Skaf afirmou que o objetivo dos empresários é buscar uma solução que seja benéfica para os dois países, sem precisar recorrer a órgãos de comércio internacional. De acordo com ele, recorrer à Organização Mundial de Comércio (OMC), por exemplo, significaria um tempo muito longo para conseguir a liberação de mercadorias paradas na fronteira. "Uma briga assim não seria bom nem para as empresas brasileiras nem para os consumidores argentinos, que necessitam das mercadorias", afirmou.
O presidente da Fiesp informou que já fez contatos com o ministro interino do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Alessandro Teixeira, com o ministro das Relações Exteriores, Antonio Patriota, e com o embaixador do Brasil na Argentina. "Está tudo sendo feito em comunicação com o governo brasileiro", disse. Skaf afirmou também que as negociações não podem esperar, já que as empresas exportadoras têm compromissos. "O tempo corre contra todo mundo, nós precisamos de uma solução e só manifestar preocupação é muito pouco", ressaltou.
Skaf sugeriu, por exemplo, que o país vizinho utilizasse seus estaleiros para a construção de navios que empresas brasileiras necessitam, sobretudo a Petrobras. Em troca, seriam retiradas as exigências de declarações obrigatórias para a importação de produtos brasileiros. "A Argentina poderia exportar produtos de alto valor, como navios que tanto a Petrobras precisa, e, com os estaleiros deles, que estão quase parados. Ficaria bom tanto para a Argentina, que manteria seu superávit comercial, quanto para o Brasil", afirmou.
O objetivo da Argentina ao editar a resolução é manter o superávit do país no comércio internacional, que, no ano passado, foi de quase US$ 11 bilhões. O comércio bilateral entre Brasil e Argentina somou no ano passado US$ 39,6 bilhões, com um superávit para o Brasil de US$ 5,8 bilhões - US$ 22,7 bilhões em exportações e US$ 16,9 bilhões em importações.
O presidente da Fiesp disse que as medidas adotadas pela Argentina, que entrarão em vigor em 1º de fevereiro, representam mais um golpe dentro do Mercosul. De acordo com ele, os países do bloco comercial deveriam unir forças para enfrentar a entrada de produtos asiáticos. "Em vez de bater cabeça com um ou com outro, deveríamos sentar à mesa de negociações, como Mercosul, e discutir dumping e pirataria de terceiros países." Skaf não deixou de manifestar indignação com a atitude da Argentina. "Todos os anos tem um problema com a Argentina, esse é mais um", completou. (Agência Estado – 20/01/2012)


Acordos Produtos e Mercados OMC Outros

Smartphones ajudam Samsung a ter lucro recorde
SEUL - A Samsung Electronics teve lucro operacional recorde de 4,7 bilhões de dólares no quarto trimestre, o que se deve principalmente às vendas crescentes de smartphones, e gastará 22 bilhões de dólares neste ano para aumentar a produção de chips e telas planas a fim de se distanciar de concorrentes.
A maior companhia de tecnologia do mundo em termos de receita compete acirradamente com a Apple no mercado de smartphones. A fabricante norte-americana, que ficou atrás da sul-coreana no terceiro trimestre, voltou a ser a maior produtora de smartphones do mundo no quarto trimestre, com 37,04 milhões de unidades vendidas.
A Samsung não liberou os números de vendas, mas a consultoria Strategy Analytics estima venda de 36,5 milhões de smartphones no período de outubro a dezembro, com a Nokia em terceiro com 19,6 milhões. Os telefones inteligentes respondem por cerca de 40 por cento de todas as vendas de aparelhos móveis da Samsung.
O segmento de telecomunicação da Samsung registrou um lucro recorde de 2,64 trilhões de wons (2,35 bilhões de dólares) em outubro a dezembro, o que se deve às maiores vendas dos smartphones Galaxy.
O lucro operacional da empresa, de 5,3 trilhões de wons (4,72 bilhões de dólares), ficou em linha com as estimativas da companhia e superou o recorde anterior de 5 trilhões de wons no segundo trimestre de 2010. O lucro subiu 76 por cento em relação a um ano e 25 por cento ante o trimestre anterior.
A Samsung aumentará os gastos neste ano em 9 por cento, para 25 trilhões de wons. Desse total, 15 trilhões de wons irão para a divisão de chips e 6,6 trilhões de wons se destinarão às telas planas. O restante aumentará a capacidade de produção fora da Coreia do Sul e financiará novos centros de pesquisa. (Reuters – 27/01/2012)

Samsung bate recorde de vendas e fecha 2011 com lucro de US$ 12,2 bi
A Samsung, maior empresa de tecnologia da Coreia do Sul, encerrou 2011 com lucro líquido de 13,73 trilhões de wons (US$ 12,198 bilhões), número 15% menor que o de 2010 apesar do recorde de vendas alcançado.
O lucro operacional foi de 16,25 trilhões de wons (US$ 14,434 bilhões), 6% menos que no ano anterior, segundo os resultados apresentados pela companhia nesta sexta-feira.
A gigante sul-coreana obteve em 2011 o recorde de vendas de 165 trilhões de wons (US$ 146,579 bilhões), 7% mais que no ano anterior, sobretudo pelo sucesso da comercialização de seus smartphones.
A redução do lucro da Samsung respondeu, em parte, à conjuntura de intensa competitividade no mercado mundial da tecnologia em um ano marcado pela crise econômica global, explicou a companhia.
O grupo, grande rival da americana Apple no rentável mercado dos smartphones, atribuiu seus ótimos dados de vendas em 2011 ao crescimento de sua divisão de telecomunicações e, especificamente, ao êxito de seus telefones inteligentes de última geração, como o Galaxy S II, e de seu tablet Galaxy Note.
O aumento da distribuição de televisores LED em economias ricas e emergentes também contribuiu para os bons resultados alcançados no último trimestre do ano passado.
Seu lucro líquido entre outubro e dezembro chegou a 4 trilhões de wons (US$ 3,5 bilhões), enquanto seu lucro operacional foi de 5,3 trilhões de wons (US$ 4,7 bilhões), 79% mais que em 2010.
A receita por vendas da Samsung no último trimestre de 2011 registrou o recorde histórico de 47,3 trilhões de wons (US$ 42 bilhões), 13% mais que no mesmo período do ano anterior. (Folha SP – 27/01/2021)

Motorola, à espera da fusão com Google, tem prejuízo no 4o tri
A Motorola Mobility teve prejuízo e fraca receita no quarto trimestre, resultado esse que pode ser o último antes da planejada fusão da empresa com o Google.
Alguns acionistas do Google se mostraram preocupados sobre a decisão da empresa de comprar a Motorola Mobility, que alertou em 6 de janeiro que a receita poderia cair e ficar abaixo da previsão de Wall Street por causa de questões legais e concorrência mais acirrada com empresas como a Apple.
As companhias ainda tentam a aprovação para o negócio que está sendo analisado por órgãos reguladores ao redor do mundo.
A Motorola Mobility teve um prejuízo líquido de 80 milhões de dólares, ou 0,27 dólar por ação, contra um lucro de 80 milhões de dólares, ou 0,27 dólar por ação, no mesmo trimestre do ano anterior.
A receita teve leve alta, para 3,436 bilhões de dólares ante 3,425 bilhões no quarto trimestre de 2010.
A receita com decodificadores de TV caiu 11 por cento na mesma base de comparação, para 879 milhões de dólares, e a de aparelhos móveis subiu 5 por cento, para 2,5 bilhões de dólares.
O Google chegou a um acordo em agosto para comprar a Motorola por 12,5 bilhões de dólares, ou 40 dólares por ação. A companhia de Internet está de olho no portfólio da Motorola para defender a si própria e outras fabricantes de celulares que usam Android na briga de patentes com concorrentes como Apple e Microsoft.
A Motorola Mobility espera que a fusão com Google saia no começo deste ano. As companhias estão à espera da aprovação em várias regiões, como Estados Unidos, China, Europa e Canadá.
Depois de perder terreno no mercado de celulares inteligentes por vários anos, a Motorola Mobility foi separada da Motorola Inc no ano passado, quando a companhia que inventou o celular, se dividiu em duas. (Reuters – 27/01/2012)

Motorola Mobility registra prejuízo de US$ 80 milhões no 4º trimestre
SÃO PAULO - A Motorola Mobility registrou prejuízo no quarto trimestre, por conta de uma queda nas vendas de decodificadores de sinal digital de TV. No período, a companhia registrou prejuízo líquido de US$ 80 milhões, ante um lucro líquido de US$ 80 milhões no mesmo período do ano anterior. O prejuízo por ação foi de US$ 0,27, contra lucro de US$ 0,27 por ação um ano antes.
A receita da companhia teve incremento de 0,3% no período, para US$ 3,436 bilhões. As vendas de decodificadores de TV recuaram 11%, para US$ 879 milhões. As vendas de aparelhos móveis, por sua vez, apresentaram aumento de 5%, chegando a US$ 2,5 bilhões. A margem bruta diminuiu para 24,9%, ante 26,7% um ano antes.
A Motorola Mobility aguarda a aprovação do governo americano para a venda para o Google. Em agosto do ano passado, o Google anunciou um acordo para adquirir a companhia por US$ 12,5 bilhões, ou US$ 40 por ação.
Acionistas do Google demonstraram preocupação sobre a compra após a Motorola Mobility informar, no início do mês, que sua receita poderia ficar abaixo da previsão devido a questões legais e à concorrência mais acirrada no setor.
A expectativa é que a decisão sobre operação entre as empresa saia neste trimestre. A compra terá de ser aprovada nos Estados Unidos, na China, na Europa e no Canadá. (Valor Online – 27/01/2012)

Vendas de smartphones impulsionam lucro da Samsung
SÃO PAULO - A Samsung, fabricante sul-coreana de eletroeletrônicos, encerrou o quarto trimestre com lucro líquido de 4 trilhões de won (US$ 3,6 bilhões), o que representou um incremento de 17% em relação ao último trimestre de 2010. A receita líquida de vendas aumentou 13% no trimestre, para 47,3 trilhões de won (US$ 41,9 bilhões).
O resultado foi favorecido pela forte expansão nas vendas de aparelhos celulares no mundo. A consultoria Strategy Analytics estima que as vendas de smartphones da empresa chegaram a 36,5 milhões de unidades no quarto trimestre, ficando atrás apenas da Apple, dona do iPhone. A receita da Samsung com celulares aumentou 52% no período, para 17,82 trilhões de won (US$ 15,9 bilhões).
Outro fator que favoreceu a companhia foram as vendas de semicondutores, que apresentaram melhora na rentabilidade em função da alta nos preços mundiais. O mercado sofre uma queda na oferta por conta das inundações na Tailândia, maior polo de produção de chip no mundo. A receita da Samsung com semicondutores teve queda de 1%, para 9,17 trilhões de won (US$ 8,2 bilhões). O lucro operacional total da companhia aumentou 76%, para 5,3 trilhões de won (US$ 4,7 bilhões).
A Samsung informou também que terá um gasto de 25 trilhões de won (US$ 22,3 bilhões) em 2012 com despesas de capital. Do total, 15 trilhões de won (US$ 13,4 bilhões) serão investidos em novas linhas de produção de chip. (Valor Online – 27/01/2012)

Governo amplia benefícios para produtos de informática e automação fabricados no RS
O Governo do Estado ampliou a lista de produtos de informática e automação beneficiados com a redução de carga tributária. A inclusão de novos produtos desenvolvidos pelos fabricantes do Estado visa estimular ainda mais o setor, considerado estratégico para o desenvolvimento do Rio Grande do Sul. O decreto assinado pelo governador Tarso Genro foi publicado na edição do dia 20 do Diário Oficial do Estado (DOE).
Segundo o subsecretário da Receita Estadual, Ricardo Neves Pereira, o Estado concede benefícios para empresas que produzam, pelo menos, um produto eletroeletrônico de acordo com o processo produtivo básico, previsto em legislação federal. Em razão da ampliação da produção de novos equipamentos existe a necessidade de ampliação e atualização da lista, prevista no Regulamento do ICMS.Os produtos elencados são beneficiados com a redução da carga tributária, em geral, para 4%, dependendo do destino dos produtos.
Dentre os beneficiados estão balanças eletrônicas de mesa com capacidade inferior a 30kg, impressoras térmicas, aparelhos telefônicos e medidores/controladores (digitais) da pressão. "A medida busca manter o Estado competitivo na produção de eletroeletrônicos", ressalta Neves, lembrando que o setor ganha cada vez mais importância econômica mundial e tem atraído diversos novos fabricantes para o país. O Rio Grande do Sul tem participação importante no cenário nacional, especialmente no que se refere ao setor de automação industrial.(Secretaria da Fazenda do Estado do Rio Grande do Sul – 26/01/2012)

Camex adia exigência de homologação prévia para importação de celular
BRASÍLIA – O governo adiou, por "questões técnicas", a exigência de homologação prévia da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) para importação de telefones celulares no país – medida defendida pelo ministro das Comunicações, Paulo Bernardo, a pedido de fabricantes do equipamento no país. Atualmente os celulares comercializados no Brasil precisam ter homologação da Anatel, mas a agência não tem poderes para impedir a entrada de aparelhos não homologados.
Autoridades do governo alimentaram a expectativa de que a Câmara de Comércio Exterior (Camex), presidida pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (Mdic), decidiria nesta quarta-feira como adotar a medida, que tem a simpatia dos ministros que compõem o órgão. No entanto, segundo revelou o secretário-executivo da Camex, Emilio Garofalo Filho, o conselho de ministros da câmara somente tomará uma decisão na próxima reunião, que deverá acontecer no fim de fevereiro. Faltaram, segundo os representantes da Camex, "parâmetros técnicos" para que uma decisão fosse tomada.
A secretária de Comércio Exterior do Mdic, Tatiana Prazeres, disse que se estuda agora como mudar a regra de homologação desses aparelhos.  "O que se discute é a reforma dessa regra, de forma a garantir que os importados sejam homologados antes de entrar em território nacional", afirmou.
"De acordo com a Anatel, a cada 10 celulares vendidos no Brasil dois ou três têm apresentado problemas técnicos graves, como emitir radiação mais alta que o permitido, bateria que não funciona, sinal fraco", disse o secretário-executivo da Camex.
Garofalo afirmou que os representantes dos sete ministérios que compõem a Camex demonstraram preocupação em relação ao assunto. "Vamos procurar a própria Anatel, o Inmetro (Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia) e tentar ver o que deve ser feito", disse.
Segundo uma autoridade que acompanha a discussão, a decisão não foi tomada por temor de que possa contrariar os compromissos do país no Mercosul e na Organização Mundial do Comércio. E o que se procura agora, de acordo com essa avaliação, é uma regulamentação que não possa ser questionada pelos parceiros do país nas instituições multilaterais. (Valor Online – 26/01/2012)

NEC vai demitir 10 mil funcionários
SÃO PAULO — A fabricante japonesa de equipamentos de telecomunicações NEC informou hoje que vai demitir 10 mil empregados, como estratégia para reduzir os custos de sua operação. Do total, 7 mil postos serão fechados no Japão.
A decisão foi apresentada após a companhia anunciar um prejuízo de 86,5 bilhões de ienes (US$ 1,1 bilhão) no terceiro trimestre fiscal, encerrado em dezembro. A companhia mantém no mundo 115,8 mil funcionários e o corte representa em torno de 10% de sua equipe. A companhia informou que assumirá um encargo de 40 bilhões de ienes (US$ 513,2 milhões) com a reestruturação.
A companhia encerrou o terceiro trimestre fiscal com queda de 7,2% na receita, para 669 bilhões de ienes (US$ 8,5 bilhões) e um prejuízo operacional de 8,2 bilhões de ienes (US$ 105,2 milhões), ante um prejuízo operacional de 13,5 bilhões (US$ 173,2 milhões) um ano antes.
A companhia associou o resultado a uma demanda fraca e ao aumento da concorrência no mercado do Japão. O resultado deveu-se ainda a uma demanda fraca por seus smartphones. A companhia reduziu a sua projeção de receita no ano para 3,2 trilhões de ienes (US$ 41,1 bilhões), 150 bilhões de ienes (US$ 1,9 bilhão) menos do que no ano anterior, em função da queda nas vendas de celulares de 6,5 milhões para cinco milhões de unidades. (Valor Online – 26/01/2012)

Foxconn recebe isenção para produzir tablets no Brasil
A taiwanesa Foxconn, que fabrica os iPads da Apple, recebeu do governo federal os benefícios fiscais para produzir tablets no Brasil.
Segundo a portaria interministerial 34 publicada nesta quarta-feira no "Diário Oficial da União", a empresa terá direito aos benefícios previstos no decreto 5.906 de setembro de 2006.
A determinação prevê isenção ou redução do IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados), PIS e Cofins para empresas que invistam em atividades de pesquisa e desenvolvimento de produtos de tecnologia.
Segundo a portaria de hoje, a regra valerá para tablets com telas sensíveis ao toque, sem teclado e com peso inferior a 750 gramas.
Também estão incluídos na medida os acessórios, cabos, fontes de alimentação e manuais de operação que são relativos aos tablets.
A expectativa é que a Foxconn comece a produzir os aparelhos --principalmente os iPads, da Apple-- na fábrica em Jundiaí, interior paulista.
Entre 2010 e 2011, a Foxconn investiu R$ 300 milhões para a construção de sua terceira fábrica no município, destinada aos aparelhos da Apple, em uma planta prevista para 1.400 funcionários.
Apesar dos constantes comentários do ex-ministro da Ciência e Tecnologia, Aloízio Mercadante, sobre o início da fabricação para o fim de 2011, a empresa ainda não produziu nenhum iPad.(Folha SP – 25/01/2012)

Governo estuda elevar imposto de importação de até 100 produtos
A Câmara de Comércio Exterior (Camex) criou hoje um grupo de trabalho para, até abril, definir uma lista temporária de 100 produtos da Tarifa Externa Comum (TEC) que poderão ter sua alíquota de imposto de importação aumentada.
Já existe atualmente uma lista definitiva de exceção à TEC, com 100 produtos que são renovados a cada seis meses e cujas alíquotas podem ser elevadas ou reduzidas.
Essa nova lista, em que só será permitido subir as alíquotas, só será válida até dezembro de 2014 e é consequência de um acordo feito na última reunião de cúpula de países do Mercosul, em dezembro do ano passado.
De acordo com Emílio Garófalo, secretário-executivo da Camex, o objetivo é que os países do bloco tenham margem de manobra se precisarem se proteger de eventuais impactos da crise internacional sobre o comércio.
"Houve uma mudança na conjuntura internacional. A Europa em crise tende a importar menos e tentar exportar mais", afirmou Garófalo. "Ouvimos também do presidente dos EUA, Barack Obama, que ele quer levar de volta os empregos que exportou".
O aumento das tarifas desses produtos poderá ocorrer por até 12 meses, prorrogáveis. Quando a lista estiver pronta, será protocolada na Associação Latino Americana de Integração (Aladi) e os demais países do Mercosul terão 15 dias para aprovar ou não o documento. "Isso acontecerá até abril", disse Garófalo.
Na mesma reunião, a Camex também decidiu sobretaxar o ácido cítrico importado da China, produto usado na produção de alimentos e bebidas onde se constatou dumping (importação a preço inferior ao adotado no país de origem).
Celulares
A comissão não decidiu como irá monitorar a importação de celulares de baixa qualidade, como era esperado. A expectativa era de que fosse determinado que os aparelhos só poderiam entrar no país depois de certificados pela Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), mas isso não foi definido na reunião de hoje.
"Não se definiu ainda que órgão fará isso, e nem de que forma será feito. Procuraremos a Anatel ou o Inmetro [Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia]", disse a secretária de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, Tatiana Prazeres. (Folha SP – 25/01/2012)

Governo habilita empresa a produzir tablets com incentivo fiscal
Brasília – A empresa Foxconn CMMSG Indústria de Eletrônicos LTDA. está habilitada a produzir tablets no Brasil com os incentivos fiscais da Lei de Informática. A Portaria Interministerial n°34 que concede o benefício foi publicada hoje no Diário Oficial da União e assinada pelos ministros do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Fernando Pimentel, da Fazenda, Guido Mantega, e da Educação, Aloizio Mercadante, que até ontem ocupava o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação. "Além de gerar empregos e investimento, a fabricação dos tablets no Brasil vai baratear o preço do produto", afirma o ministro Pimentel.
A empresa terá redução de 95% do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) na fabricação do produto até 2014 e terá que cumprir as especificações do Processo Produtivo Básico (PPB) estabelecido pela Portaria Interministerial nº 126, de 31 de maio de 2011. Em contrapartida, terá de investir 4% do faturamento líquido (faturamento bruto menos os impostos) em pesquisa e desenvolvimento (P&D).
O PPB representa o conjunto mínimo de etapas que caracterizam a industrialização local de determinado produto, que deve ser atendido para a empresa ter direito aos benefícios tributários concedidos às empresas da Zona Franca de Manaus e às que produzem bens de informática e automação com os incentivos fiscais da Lei de Informática (Lei nº 8.248/91), instaladas em qualquer parte do país. Também é contrapartida a ser cumprida para a isenção do PIS/Cofins, conforme a Medida Provisória nº 534/2011, que incluiu os tablets na Lei do Bem (Lei nº 11.196/05). (MDIC – 25/01/2012)

Sony e Panasonic se preparam para resultados negativos
A Sony e a rival Panasonic devem reportar queda de lucro trimestral e podem reduzir suas projeções anuais, como efeito da força do iene, das inundações da Tailândia e do desânimo dos consumidores europeus nas semanas que precederam o Natal.
As duas companhias tiveram suas classificações de dívida rebaixadas pela Moody's Investors Services na semana passada, porque suas divisões de televisores continuam no vermelho apesar dos esforços de reestruturação.
A Sony, que anunciará resultados em 2 de fevereiro, deve apresentar lucro mínimo para o período outubro-dezembro, que normalmente é fortemente lucrativo. A previsão é de uma queda de 94 por cento no lucro operacional, para 8,8 bilhões de ienes (114,3 milhões de dólares), de acordo com a estimativa média de seis analistas pesquisados pela Thomson Reuters I/B/E/S.
Isso representaria a pior performance da empresa em seu terceiro trimestre fiscal desde a crise financeira de 2008. Em contraste, a Samsung Electronics anunciou lucro trimestral recorde, este mês, com base na venda crescente de celulares inteligentes.
Para o ano fiscal que se encerra em março, o consenso de mercado entre os 19 analistas consultados é que o lucro operacional da Sony ficará pouco abaixo de 8 bilhões de ienes, bem menos que os 20 bilhões de ienes projetados pela companhia.
A Panasonic, que anuncia resultados em 3 de fevereiro, teve projetada uma redução de 41 por cento em seu lucro operacional no trimestre, para 56,2 bilhões de ienes, devido a problemas na divisão de televisores, lucratividade mais baixa nos chips e desempenho fraco da divisão Sanyo.
Os analistas antecipam que seu lucro operacional anual seja de 124 bilhões de ienes, ou seja, menos que a estimativa de 130 bilhões de ienes oferecida pela companhia, que pode reduzir sua projeção pela segunda vez.
A Panasonic está prevendo prejuízo líquido anual de 420 bilhões de ienes, o pior em uma década, enquanto reduz a sobreposição em algumas de suas áreas de negócios, com a compra das participações minoritárias em subsidiárias como a Sanyo, e acelera a reestruturação de sua divisão de televisores. (Reuters – 24/01/2012)

TI vê melhora em demanda por chips, mas fechará duas fábricas
A Texas Instruments vendeu mais chips no quarto trimestre do que o esperado depois que uma série de indústrias repôs estoques esvaziados de semicondutores, informou a empresa no final da segunda-feira.
Os clientes da companhia, que vinham cortando os estoques de chips desde mais ou menos o meio do ano passado, aumentaram as encomendas no mês passado diante de uma demanda não tão baixa quanto temia.
"Acreditamos que nossos clientes chegaram a um ponto em que os números (dos estoques) estavam extremamente baixos", disse à Reuters o vice-presidente financeiro, Kevin March.
A Texas Instruments vai contratar mais funcionários em algumas fábricas neste trimestre para atender à crescente demanda, mas também planeja fechar uma unidade produtiva no Texas e outra no Japão nos próximos 18 meses, para cortar custos.
O lucro do quarto trimestre somou 298 milhões de dólares, ou 0,25 dólar por ação, menos que os 942 milhões de dólares, ou 0,78 dólar por ação, de um ano antes.
A receita caiu para 3,42 bilhões ante 3,53 bilhões de dólares, mas ficou acima das expectativas de Wall Street de 3,25 bilhões de dólares, de acordo com a Thomson Reuters I/B/E/S.
A companhia havia alertado em 8 de dezembro que a demanda estava fraca e havia previsto lucro por ação de 0,21 a 0,25 dólar e receita de 3,19 bilhões a 3,33 bilhões de dólares. No entanto, as encomendas começaram a melhorar após o alerta, segundo o vice-presidente financeiro.
A companhia previu receita para o primeiro trimestre de 3,02 bilhões a 3,28 bilhões de dólares, muito menos que os 3,47 bilhões estimados por Wall Street, segundo a Thomson Reuters I/B/E/S. (Reuters – 24/01/2012)

Apple tem novo revés contra tablet da Samsung na Holanda
A Apple teve nesta terça-feira outro revés na tentativa de barrar as vendas dos computadores tablet da Samsung na Holanda.
A Apple, que trava uma disputa judicial com a Samsung em cerca de dez países, tinha apelado contra uma decisão da justiça holandesa, que no ano passado concluiu que o Galaxy Tab 10 não é uma cópia do iPad.
Mas uma corte de apelação da Holanda indeferiu o pedido da Apple, confirmando a decisão da primeira instância.
Ambas as companhias têm aberto processos uma contra a outra em meio à crescente briga pela liderança nos mercados de celulares inteligentes e tablets. (Reuters/Folha SP – 24/01/2012)

Lucro da Siemens recua 17% no 1º trimestre fiscal com crise na Europa
SÃO PAULO - O lucro líquido do grupo industrial alemão Siemens recuou 17% no primeiro trimestre fiscal de 2012, para 1,46 bilhão de euros, na esteira do impacto negativo da crise de dívida na Europa sobre a economia. Um ano antes, o resultado final havia ficado em 1,75 bilhão de euros.
Já o lucro de operações continuadas entre outubro e dezembro recuou 27% na comparação anual, para 1,36 bilhão de euros.
Em relatório que acompanha o balanço financeiro, a Siemens ressalta que "a crise de dívida em andamento já deixou suas marcas na economia real".
"Nossa receita cresceu novamente, enquanto alguns atrasos em projetos afetaram os lucros. Embora exista expectativa de recuperação na segunda metade do ano, teremos de trabalhar duro para alcançar nossos desafios", afirma o presidente da companhia, Peter Löscher.
Ao fim do trimestre encerrado em dezembro, acrescenta o executivo no documento, a carteira de pedidos da Siemens somava mais de 100 bilhões de euros.
No intervalo, as receitas da Siemens somaram 17,9 bilhões de euros, uma alta de 2% na comparação anual. Conforme a companhia, houve crescimento em todas as regiões do globo, com destaque para o grupo de países emergentes. Nesse mercado, a taxa de expansão das receitas ficou em 8%. As receitas orgânicas, excluindo o impacto do câmbio e de mudanças no portfólio, avançaram 3%.
A Siemens informa ainda que as encomendas recebidas no trimestre fiscal alcançaram 19,8 bilhões de euros, uma queda de 5% na comparação anual. (Valor Online – 24/01/2012)

Computador 'casca-grossa' atrai atenção de fabricantes
Hide Harada, da Panasonic: expectativa é que as vendas cresçam entre 20% e 25% ao ano nos próximos cinco anos.Computadores finos e leves, como os ultrabooks e os tablets, têm sido a principal aposta dos fabricantes nos últimos anos. Esses equipamentos seduzem o consumidor com seu peso reduzido - um atrativo e tanto para quem precisa carregá-los de um lado para outro - e o design sofisticado. Mas há mercado para um tipo de dispositivo muito diferente: em vez de delgado, o aparelho exibe um corpo parrudo, e se a aparência não é seu forte, ele resiste à chuva, a quedas, à poeira e ao calor. Sim, o computador 'casca-grossa' também tem seu charme.
Não há dúvida que o mercado para esses equipamentos resistentes é bem menor que o de produtos ultrafinos. Mas a limitação do público-alvo - os compradores tradicionais são empresas, ou profissionais que precisam usar o equipamento em ambientes hostis, como chão de fábrica, instalações militares, plataformas de petróleo, siderúrgicas etc - acaba funcionando como um fator de atração para fabricantes como a japonesa Panasonic, a inglesa Getac, a americana Dell e a brasileira Semp Toshiba. As compras, nesses casos, são uma necessidade - e não resultado de uma compra por impulso.
O preço é outro atrativo: um 'casca-grossa' custa a partir de R$ 4,3 mil no Brasil, e pode chegar a R$ 25 mil. Nos Estados Unidos, o custo passa dos US$ 2 mil. Com isso, companhias como a Panasonic conseguem fazer bons negócios: só nos EUA, a empresa japonesa soma vendas de US$ 800 milhões com esses equipamentos por ano. A maioria das compras é feita por forças policiais e pelo Exército. Para o comprador, a vantagem, segundo fabricantes, é a redução nos custos de manutenção.
"Se o seu computador quebra dentro do escritório, é fácil ligar para o suporte e solucionar o problema. Mas se um policial está na rua, fazer essa manutenção é mais difícil. Você precisa de um equipamento com maior resistência", diz ao Valor Hide Harada, da unidade de negócios de produtos de tecnologia da informação (TI) da Panasonic. Harada supervisiona a fabricação da linha Toughbook, o computador resistente da companhia.
Apesar da aparência de um notebook dos anos 80, os "casca-grossas" têm toda a tecnologia de produtos de última geração, aliada a baterias que podem durar até 16 horas e estruturas que "aguentam o tranco". Harada diz que no Japão uma versão mais simples do equipamento, batizada de Let´snote, é muito usado por jornalistas. "Os profissionais japoneses usam muito o transporte público, por isso precisam de um equipamento resistente, com boa duração de bateria, para não precisar carregar muitos acessórios", diz.
No Brasil, além da Panasonic, as máquinas são vendidas pela Dell e Semp Toshiba. Procuradas, as duas empresas não encontraram porta-vozes para comentar o assunto.
Segundo Harada, apesar de incipiente, o mercado local tem um grande potencial nos próximos anos. Entre os principais alvos, o executivo cita concessionárias de serviços públicos, empresas do segmento de petróleo e gás e o setor público. No fim do ano passado, a companhia vendeu 60 máquinas à Polícia Militar Rodoviária do Paraná.
O negócio fez parte de um projeto que também incluiu a compra de impressoras resistentes e um software específico para uso pela corporação. De acordo com João Alberto Simões, gerente da linha Toughbook no país, a companhia também fechou contrato com uma grande empresa privada, cujo nome será revelado em breve.
Quando foi lançada oficialmente no Brasil, no fim de 2010 e depois de mais de uma década de existência no exterior, a linha Toughbook tinha uma base instalada de cinco mil unidades no país, que eram importadas indiretamente. Desde então, com investimento em pessoal e estrutura de suporte local, o número cresceu entre 10% e 20%. Para os próximos cinco anos, o objetivo é manter taxas de crescimento entre 20% e 25%, diz Harada.
Os equipamentos serão importados. Segundo o executivo, ainda é cedo para pensar na produção local dos Toughbooks. É que à exceção de alguns componentes, como processador e disco rígido, os demais componentes são fabricados pela própria Panasonic no Japão. Criar linhas de produção no Brasil exigiria investimentos complementares para a fabricação de placas e no controle de qualidade dos computadores. "E com a demanda atual, isso não se justifica", diz Harada. (Valor Online – 24/01/2012)

Retaliação iraniana desacelera comércio
Se persistirem os obstáculos impostos aos exportadores brasileiros, o intercâmbio Brasil-Irã cairá em 2012, revertendo uma alta constante observada nos últimos anos. Uma eventual queda afetaria principalmente o Brasil, já que as importações de produtos iranianos são irrisórias na corrente comercial. De US$ 1,1 bilhão em 2008, as trocas saltaram para cerca de US$ 2,3 bilhões em 2011, segundo o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior. (Folha de S. Paulo – 23/01/2012)

Brasil cai uma posição em ranking de globalização
O Brasil caiu uma posição, para 47º, no ranking de globalização feito pela empresa de consultoria Ernst & Young com as 60 maiores economias do mundo. Apesar da queda verificada no Índice de Globalização, divulgado hoje, o Brasil aumentou sua pontuação em 0,02 em relação ao estudo de 2010, atingindo 3,24 pontos. Segundo a consultoria, desde 1995 o Brasil caiu três posições no ranking, cuja liderança é ocupada por Hong Kong com 7,42 pontos. A pontuação média global ficou em 4,17 pontos. (Agência Estado – 23/01/2012).

Empresas planejam expansão no exterior
A maior parte das empresas brasileiras que atuam no exterior pretende realizar novas ações de expansão no mercado internacional. É o que mostra uma pesquisa divulgada nesta segunda-feira (23) pela Regus, companhia belga que atua no ramo de soluções para espaços de trabalhos flexíveis. No Brasil, 96% das empresas com presença internacional planejam crescer no exterior, contra 61% de intenção de atuação internacional das empresas que só têm presença no mercado interno.
A pesquisa foi realizada em 85 países, com um total de 12 mil participantes (altos executivos) de companhias de pequeno, médio e grande porte. No Brasil, foram 523 entrevistados. A média mundial mostra que 80% das empresas planejam ações de expansão internacional. O relatório indica ainda que as empresas nacionais que atuam no exterior possuem melhores resultados, em lucros ou receitas, do que as focadas no mercado doméstico.
"Isso se deve a um conjunto de diversos fatores. Quando você vai para outros mercados, você mitiga os riscos no seu país. A empresa vai ter o lucro que vem de fora, com uma produção maior ou um leque de clientes maiores", explica Guilherme Ribeiro, diretor-geral da Regus no Brasil. A pesquisa abrangeu empresas de diversos setores, entre eles têxtil, mineração, eletrônicos, automóveis, consultorias e telecomunicações.
O estudo mostra ainda os principais entraves destacados pelas empresas no que se refere à atuação no exterior. No Brasil, 45% dos participantes apontaram o estabelecimento de um escritório em país estrangeiro como o maior problema para se colocarem no exterior. Para 67%, é preciso ter um gerente regional do país de origem da organização, enquanto 33% prefere um gerente local (do país estrangeiro).
"As empresas pequenas, com menos de 50 funcionários, consideram uma dificuldade significativa montar escritórios em outro país. As empresas grandes não acham que isso tenha muita importância", destaca Ribeiro. Nas empresas de grande porte, aponta o executivo, a língua é considerada uma barreira maior. "A empresa grande pensa que, além do inglês, é preciso falar o idioma local", diz.
Em relação aos custos para iniciar uma presença física no exterior, Ribeiro explica que eles não são tão altos. "Por menos de R$ 500 por mês você consegue um endereço em outro país e um telefone. Muita gente acha que é complicado, mas é fácil crescer em outros países", afirma.
Fora as barreiras de instalação física e idiomas, fatores como conhecimento da cultura local e prospecção de clientes também são outros obstáculos enfrentados pelas empresas com interesse em se internacionalizar.
Entre os países pesquisados, a China é o único no qual as empresas que têm foco no mercado doméstico declararam ter melhores resultados que as que atuam no exterior. A lista de países com altos índices de interesse das empresas em expandir sua internacionalização, como o Brasil, inclui México (92%), Índia, (89%), Canadá (82%), Japão e Estados Unidos (81%). "Existe um número muito grande de empresas vindo para o Brasil", lembra Ribeiro. "É um número significante de multinacionais vindo para o País", completa. (Agência Anba – 23/01/2012)

Presidente Dilma rousseff confirma presença na Cebit 2012
A presidente Dilma Rousseff confirmou presença na solenidade de abertura oficial da CeBIT 2012, a maior feira e congresso internacional de negócios digitais do mundo programada para o dia 5 de março. Além de participar da cerimônia, em Hanover, na Alemanha, a presidente deverá receber no pavilhão central do Brasil, no dia 6, a chanceler Angela Merkel. Juntas elas percorrerão o espaço, oportunidade em que conhecerão as soluções das empresas e instituições nacionais presentes.
Com o status de país parceiro e buscando projetar internacionalmente a imagem de produtor de tecnologias avançadas, o Brasil comparecerá à CeBIT ocupando seis estandes distribuídos entre os diversos pavilhões temáticos que compõem o evento e nos quais as empresas privadas, públicas e instituições governamentais demonstrarão as suas soluções, serviços e apresentarão diversos casos de sucesso tecnológicos consagrados. Pelo 13º ano consecutivo, a SOFTEX será responsável pela organização da participação nacional no evento.
A delegação brasileira terá à disposição uma área total superior a 1.000 m². Mais de 30 companhias e cerca de 10 instituições públicas já confirmaram presença, entre as quais Apex-Brasil, CPqD, Ministério das Comunicações, Universidade de São Paulo-São Carlos, Stefanini, Módulus, BR Token, AsGa Sistemas, Datacom, Comprova, Kali Software, SystemHaus e GAS Tecnologia.O projeto de participação do Brasil inclui ainda uma ampla programação paralela, integrada por eventos sociais para ampliação da rede de relacionamentos comerciais, encontros com a mídia internacional e um seminário técnico-comercial entre a SOFTEX, a Brasscom e a Bitkom, associação alemã de empresas de TI.
As companhias contarão com o apoio de consultores especializados para geração de oportunidades de negócios de acordo com seu foco de interesse e com o perfil de suas organizações. No ano passado, a CeBIT recebeu 4.200 empresas, de 70 países, e foi visitada por mais de 330 mil profissionais. A SOFTEX disponibiliza informações detalhadas, valores de investimento e sugestões de pacotes aéreos e terrestres especialmente estruturados pelo e-mail cebit2012@nac.softex.br. (Apex-Brasil -23/01/2012)

Novas tecnologias e concorrência maior reduzem os preços de celulares
Segundo levantamento da FGV, preços no atacado caíram 12,33% no ano passado, enquanto no varejo a queda foi de 8,51%
RIO - Novas tecnologias, uma enorme velocidade de lançamento e muita concorrência entre os fabricantes têm provocado uma queda acentuada nos preços de telefones celulares no Brasil. Segundo levantamento da Fundação Getúlio Vargas (FGV), feito a pedido da 'Agência Estado', o preço médio dos aparelhos caiu 12,33% no atacado no ano passado, a quarta queda anual consecutiva - e o maior recuo nesse período.
No varejo, os preços dos celulares caíram 8,51% no ano passado. E o fenômeno de aparelhos mais baratos só tende a crescer nos próximos anos, impulsionado por investimentos em novos smartphones, que devem representar mais de 50% do mercado brasileiro em 2015.
A intensidade da queda no ano passado foi tão grande que o celular foi, pela primeira vez na história da FGV, uma das cinco principais quedas anuais do setor atacadista medido pelo Índice Geral de Preços - Disponibilidade Interna (IGP-DI), de acordo com o coordenador de Análises Econômicas da Fundação, Salomão Quadros.
Quadros explicou que o barateamento de celulares é similar ao que ocorreu com eletroeletrônicos, como televisores e laptops, que também mostraram quedas sucessivas de preços com a enxurrada de novidades no mercado. Mas, nos celulares, a velocidade de lançamentos é maior. "Isso veio para ficar. Em um horizonte de longo prazo, os aparelhos mostram tendência irreversível de redução de preço."
Os lançamentos das fabricantes não ficam restritos aos celulares mais caros, lembrou Bruno Freitas, analista da consultoria IDC. "Hoje, a quantidade de modelos mais baratos é muito maior", afirmou.
Para o especialista, a crise global de 2008 obrigou as grandes fabricantes a olhar novos nichos de mercado em emergentes, visto que a turbulência internacional derrubou o consumo nos países desenvolvidos. A ascensão da classe C e o contínuo crescimento da renda do brasileiro foram notadas pelas marcas, que direcionaram suas pesquisas para aparelhos voltados especificamente às necessidades desses novos consumidores. "O Brasil virou alvo dos fabricantes. Não é a toa que terminamos o ano passado com 240 milhões de linhas móveis ativas", afirmou.
Outro fator é o interesse crescente por smartphones, cada vez mais adaptáveis ao bolso do brasileiro. Segundo Freitas, de 2007 a 2011, o preço médio desse tipo de aparelho caiu 30%, similar ao recuo registrado em celulares comuns para o mesmo período (-32%). "Não estamos dizendo que todos os smartphones estejam baratos. Há aparelhos que, quando lançados, custam R$ 1 mil, R$ 2 mil por unidade. Mas, aos poucos, as fabricantes conseguem desenvolver aparelhos nas mais diferentes faixas de preços", explicou. Atualmente com 14,15% do mercado brasileiro de telefonia celular, os smartphones devem ser maioria em quatro anos, segundo a IDC.
Com nove lançamentos em telefonia móvel no ano passado e sem revelar o número de novidades deste ano, a Sony Ericsson considera smartphones como o segmento mais favorecido pelo impacto de redução de preços no setor nos últimos três anos. "Quando deixaram de ser um produto com demanda de nicho e passaram a ser mais de massa, os preços caíram naturalmente", disse a diretora de marketing da empresa, Ana Peretti.
Para a executiva, a demanda por esse tipo de aparelho crescerá ainda mais em 2012 e nos próximos anos. "Teremos novos consumidores aderindo a seu primeiro smartphone. Outros, trocando um modelo básico por outro um pouco mais avançado. E, com certeza, sempre haverá público em busca de modelos de última tecnologia", concluiu. (Agência Estado – 20/01/2012)

Samsung perde disputa judicial com a Apple na Alemanha
SÃO PAULO - A fabricante de eletroeletrônicos Samsung perdeu uma disputa judicial com a Apple sobre uma infração de patente. A decisão foi anunciada hoje, por uma corte em Mannheim, na Alemanha.
Esta é a primeira decisão de uma série de processos por infração de patentes apresentados pelas companhias na Alemanha. Samsung e Apple tem travado disputas legais em diversos países e a adesão de cada vez mais consumidores aos dispositivos móveis tende a ampliar a dimensão dessas batalhas na Justiça.
Em outubro, um tribunal australiano proibiu a venda do Galaxy 10,1, tablet da Samsung, naquele país. Um mês depois, no entanto, um tribunal superior da Austrália derrubou a decisão contra a Samsung. (Valor Online – 23/01/2012)


Acordos Produtos e Mercados OMC Outros

La OMC publica los nuevos perfiles de servicios
La OMC ha actualizado sus perfiles de servicios. Cada perfil ofrece estadísticas detalladas sobre los servicios de infraestructura fundamentales, tales como los servicios de transporte, de telecomunicaciones, financieros y de seguros.
 Pueden consultarse unas 90 series cronológicas relativas a las inversiones, los resultados de mercado, la producción, el empleo y el comercio, así como clasificaciones por resultados, respecto de cada economía abarcada. (OMC – 27/01/2012)

WTO Members Look to Davos for Post-Ministerial Way Forward
The annual World Economic Forum kicked off earlier today, bringing together policymakers and business leaders against the backdrop of renewed fears of a global economic slowdown. With the 2011 WTO Ministerial Conference now in the rear-view mirror, trade ministers are regrouping informally this weekend to discuss the way forward for the global trade body in 2012.
The World Economic Forum, which is taking place in the Swiss mountain resort of Davos from 25 to 29 January, comes on the heels of pessimistic economic forecasts from both the World Bank and International Monetary Fund (IMF), thanks to debt problems in the eurozone and weakening growth in emerging economies.
In advance of the Davos meet, various chiefs of the world's multilateral and regional institutions issued a "Call to Action" with suggestions on how the global economy can "regain momentum" in light of decelerating global growth and fears of growing protectionism - taking a particular focus on the opportunities that could come from transitioning to a greener economy.
The eleven signatories of the 20 January letter included, among others, WTO Director- General Pascal Lamy, IMF Managing Director Christine Lagarde, and World Bank President Robert Zoellick.
With preparations well underway for the June 2012 meeting marking 20 years since the Earth Summit in Rio de Janeiro, Brazil, the signatories urged that the upcoming Rio+20 Conference "consider a comprehensive policy strategy for green growth that encourages innovation and diffusion of new technologies, and makes efficient use of economic and regulatory instruments."
"Low-carbon, climate-resilient growth offers potentially greater employment opportunities," they added, cautioning that "environmental pressures are putting a significant strain on growth."
Leaders also urged countries to shirk protectionist pressures, and to develop a "comprehensive action plan" in advance of the Mexico summit of the G-20 group of leading economies in June.
Trade ministers to gather on Saturday This year's informal meeting of trade ministers - hosted by Swiss economy minister Johann Schneider-Ammann - is meant to provide ministers a chance to discuss ways to move forward after the ministerial conference, especially with the Doha Round of trade talks now entering its eleventh year.
Trade ministers have regularly held these informal Davos meetings in years past, usually with the goal of assessing the progress of the Doha negotiations and making plans for the year ahead. However, with trade ministers having already gathered in Geneva for the WTO ministerial just over a month ago, there is little expectation that the landscape since then might have changed.
Right now, members appear to be taking a "wait and see" approach in terms of finding issue areas that might gain traction in the new year, one official commented, noting that political cycles in the US and elsewhere are likely to prevent any major leaps forward in 2012.
"Everyone realizes that it is a difficult year," one developing country official said. Regardless of what comes from the ministers' discussions at Davos this weekend, "nothing will emerge that applies to the entire WTO membership," another delegate emphasised, given that not all of the global trade body's membership will be involved in Saturday's talks.
"People might be expecting to see some light at the end of the tunnel," the delegate added, "but I don't think anything will actually be resolved at Davos." Instead, the meeting is intended to serve more as an opportunity for a "frank and open discussion" that is both practical and political.
"It's after Davos, perhaps, that things will move in a more significant way to establish some sort of work on some sort of process in the WTO," another official explained.
Items on Saturday's agenda currently include a summary of the post-ministerial state of play from WTO Director-General Pascal Lamy and a discussion among ministers to identify priorities for the global trade body in the year ahead.
These talks are expected to focus on current global challenges facing the WTO, development issues, and the Doha negotiations, along with identifying issues where there might already be convergence among members.
However, "in the wake of the ministerial, it's clear that there's not a consensus on an agreed way forward," one trade official told Bridges.
NAMA negotiations to resume; other negotiating groups to meet
Back in Geneva, negotiators on non-agricultural market access (NAMA) held their first meeting of the year yesterday, also with the goal of developing a post-ministerial game plan for Doha.
At the meeting, chair Luzius Wasescha of Switzerland told members that he will be holding consultations on all aspects of the NAMA talks, after which he will present members with different options for debate.
While the chair noted a general readiness to take steps to advance the talks, he stressed that "I don't think that we have a consensus on what to do and how to do it and when." At yesterday's meeting, several members underscored the need to discuss not only nontariff barriers, which have been the main focus in the last few years of the negotiations, but also the tariff component of the Doha mandate. Others, meanwhile, stressed that balance needs to be achieved both in the NAMA discussions and in the overall Doha negotiations.
With the next meeting of NAMA negotiators set to be held in a month's time, the chair suggested that members finish what they can, and then put it on hold until there is a clearer direction on how to resolve the other remaining issues.
Meanwhile, sources note that the chair of the Committee for Trade and Development Special Session is also planning to convene various informal small group consultations between February and March. Chairs of other groups are also calling members together to see where progress can be made, officials told Bridges.(ICTSD – International Centre for trade and Sustainable Development – 26/01/2012)

Precisamos de estratégia de longo prazo
Ninguém esperava muito da reunião ministerial da Organização Mundial do Comércio (OMC ),em dezembro. "Muito", neste caso, significaria o fim do impasse em que está mergulhada a Rodada Doha. O impasse persistiu, mesmo que, na margem, a reunião ministerial tenha gerado alguns resultados, como a ampliação do Acordo Plurilateral de Compras Governamentais (de que o Brasil não participa) e a admissão da Rússia como membro da organização.
A paralisia que atinge o sistema multilateral de comércio tem suscitado uma série de propostas reformistas. Estas incluem a revisão da metodologia de negociações e das regras de tomada de decisão por consenso, bem como a inclusão de novos temas na agenda negociadora.
No cenário atual, as chances de que venham a vingar propostas de reforma do multilateralismo comercial são praticamente iguais a zero. E isso não apenas porque a Rodada Doha explicitou desacordos profundos entre países desenvolvidos e emergentes em relação aos compromissos de liberalização comercial que deveriam resultar da rodada.
O problema por trás do impasse na Rodada Doha é mais profundo:o multilateralismo passa por uma crise de legitimidade.
As coalizões políticas domésticas e internacionais que respaldaram o movimento de liberalização comercial se esvaíram, o nacionalismo econômico ressurgiu revigorado e a paisagem política na Europa, nos EUA e nos países emergentes explicita essas evoluções.
Se essa análise está correta, a crise do multilateralismo comercial persistirá nos próximos anos,alimentada pelos impactos desestabilizadores da crise econômica, que continuarão a se fazer sentir em qualquer cenário minimamente verossímil quese formule para a segunda década do século.
A persistência de um cenário de baixo crescimento nas principais economias do mundo, aliada à intensificação da competição através de exportações, fará do protecionismo comercialuma resposta de política cada vez mais comum e disseminada em países desenvolvidos e em desenvolvimento. O fato é que os cenários econômicos que se projetam para o restante da década atual não oferecem perspectivas muito positivas para a inserção internacional do Brasil – e não só do Brasil. A dimensão internacional das economias tende a ser, na segunda década do século, fonte de riscos mais do que de oportunidades – exceto para as exportações de commodities, se a China continuar a crescer.
Porém há duas fortes razões para que o Brasil considere alternativas de política à postura defensiva diante da competição internacional e do "desinvestimento" nas esferas de negociação e de governança global, independentemente do cenário específico considerado.
A primeira é que, mesmo numa década que tem poucas probabilidades de ser umperíodo de crescimento global, não faltarão oportunidades externas para as empresas brasileiras, especialmente as que atuam internacionalmente.
Essas oportunidades existirão na esfera comercial, mas também - e crescentemente – na de investimentos diretos, e as empresas brasileiras entram na segunda década do século bem posicionadas para ocupar espaços e fazer movimentos estratégicos que lhes renderão frutos no futuro.
A segunda razão tem que ver com esses "frutos no futuro": é que o aproveitamento dessas oportunidades e a construção de posições sólidas num período de crise e dificuldades deixarão as empresas e os países que adotarem estratégias ofensivas em condições favoráveis para se beneficiar da recuperação global, quando esta ocorrer.
Nessa perspectiva, mais do que se apoiar exclusivamente nas preocupações associadas aos impactos da crise internacional - mas sem desconsiderálas -, uma política econômica externa deve se basear em consideraçõesestratégicas eem visões de futuro que vão além do curto prazo.
Em qualquer cenário, a orientação da política econômica externa que leve em consideração interesses ofensivos do Brasil na cena internacional terá de contemplar, de forma muito mais intensa do que foi o caso até hoje, a dimensão preferencial das relações externas.(O Estado de São Paulo – 25/01/2012)

Estadísticas de corto plazo sobre el comercio de servicios
El comercio mundial de servicios comerciales aumenta un 12 por ciento, según nuevas cifras de la OMC
Según los últimos datos de la OMC, las exportaciones mundiales de servicios comerciales aumentaron un 12 por ciento en el tercer trimestre de 2011, en comparación con el mismo trimestre de 2010 (sobre la base de la balanza de pagos, a precios corrientes y sin ajustes estacionales). Globalmente, en los nueve primeros meses de 2011 las exportaciones de servicios comerciales registraron un crecimiento interanual del 13 por ciento.
Datos trimestrales
Las estimaciones del comercio mundial se basan en estadísticas trimestrales de balanza de pagos facilitadas por distintos informantes, extraídas del FMI y Eurostat, y se completan con estimaciones en el caso de los datos faltantes, y con fuentes de datos nacionales. Las cifras trimestrales y mensuales pueden no concordar con las cifras anuales que figuran en otras publicaciones estadísticas o bases de datos en línea de la OMC.
Frecuencia de las actualizaciones: los datos trimestrales se dan a conocer cada tres meses. Las estadísticas mensuales se actualizan dos veces por mes.
Más información en: statistics@wto.org  (OMC – 20/01/2012)
 
 
 


Acordos Produtos e Mercados OMC Outros

Risco de guerra no Irã causa temor em Davos
Uma das primeiras sessões do Fórum Econômico Mundial a ter as inscrições esgotadas leva o nome de "E se o Irã desenvolver armas nucleares?".
O risco de um conflito em decorrência do programa nuclear iraniano é debatido todos os anos em Davos, mas desta vez os especialistas e políticos reunidos parecem estar levando mais a sério a possibilidade de guerra.
Eles estarão ouvindo com atenção as palavras do vice-primeiro-ministro e ministro da Defesa de Israel, Ehud Barak, quando ele discursar hoje no Fórum.
Os motivos são muitos. Primeiro, acredita-se que o Irã tenha obtido progressos significativos em seu programa de armas nucleares. Especialistas em Irã temem que a tecnologia nuclear seja deslocada para silos subterrâneos protegidos, o que deixaria partes importantes do programa iraniano bem menos vulneráveis a bombardeios.
O governo israelense há muito é incisivo em suas exigências por ações para parar o Irã e deixou claro que considera a opção de um ataque militar unilateral.
Países do Golfo Pérsico e a Arábia Saudita, no entanto, também expressaram profundas preocupações aos líderes dos EUA e da Europa quanto ao progresso do programa nuclear iraniano. Uma autoridade ocidental descreve os sauditas como "obcecados" com a ameaça iraniana. Sauditas teriam comunicado a seus interlocutores ocidentais que, se o Irã adquirisse capacidade de produzir armamentos nucleares, a Arábia Saudita responderia de imediato também tentando juntar-se ao clube nuclear.
A continuidade da turbulência no mundo árabe também aumenta as tensões, pois altera o equilíbrio de poder no Oriente Médio. O mundo árabe sunita teme que a influência iraniana esteja crescendo no Iraque, após a retirada das tropas dos EUA.
A turbulência na Síria, contudo, oferece aos países árabes do Golfo Pérsico a chance de corroer a influência iraniana, por meio de pressões pelo fim do regime de Assad, que é próximo dos iranianos.
O Irã também está sob pressão de outras maneiras. Nesta semana, a União Europeia aprovou plano para proibir as importações de petróleo bruto do Irã, medida que entrará em vigor em 1º de julho. Há ansiedade entre os representantes empresariais em Davos quanto ao impacto dessas medidas no preço internacional do petróleo, particularmente se o Irã preventivamente cortar as exportações à Europa.
Também há uma ação velada, muito ativa, voltada a interromper o programa nuclear iraniano. Envolve desde o uso de vírus de computador até a venda de equipamento defeituoso ao Irã e o assassinato de cientistas iranianos.
Richard Haass, que dirige o Conselho de Relações Exteriores (CFR, na sigla em inglês), de Nova York, e está em Davos, argumenta que é "cedo demais" para achar que as sanções não conseguirão obrigar o Irã a interromper seu programa nuclear. Ele admite, porém, que o histórico de sanções passadas sugere que podem acabar não conseguindo forçar uma mudança na política iraniana.
Como sempre, há a discussão se uma ação militar seria ou poderia ser tomada por Israel de forma unilateral ou se um ataque eficiente ao programa iraniano precisaria envolver os EUA.
John Chipman, diretor do Instituto Internacional de Estudos Estratégicos (IISS), argumenta que "Israel poderia organizar um bombardeio, mas só os EUA poderiam organizar uma campanha sustentada". Um "ataque" do tipo que Israel poderia realizar provavelmente deixaria partes substanciais do programa nuclear iraniano intactas - assim como deixaria o Irã com capacidade militar suficiente para fazer retaliações contra Israel e interesses ocidentais na região.
A retaliação iraniana, particularmente, se envolvesse o fechamento do Estreito de Ormuz ou ataques diretos a interesses ocidentais, quase certamente traria os EUA e os aliados europeus, como o Reino Unido e a França, para o conflito. Os países árabes do Golfo Pérsico também poderiam ser envolvidos em uma campanha contra o Irã, caso se tornassem alvos diretos.
As verdadeiras intenções tanto de Israel como do Irã continuam obscuras. Os líderes ocidentais, depois da Guerra do Iraque, baseada em parte em informações de inteligência falsas, mostram-se relutantes em entrar em um conflito contra o Irã sem evidências indiscutíveis de que o país esteja próximo de ter uma bomba nuclear. Por outro lado, o sucesso no conflito na Líbia trouxe de volta certa confiança no "poder aéreo" como forma de atingir objetivos militares.
Enquanto representantes americanos, árabes e europeus debatem a perspectiva de um conflito com o Irã, alguns observadores asiáticos veem tudo com surpresa e alarme. Um estrategista asiático observou que "os EUA seriam loucos de se envolver em outro conflito no Oriente Médio". "Se ficarem amarrados lá de novo, seria um completo presente geoestratégico para a China".(Valor Online – 27/01/2012)

Ministério prevê queda de 50% no saldo comercial
O governo brasileiro admite uma queda "substancial" no superávit do comércio exterior este ano, por causa da deterioração econômica global. A queda pode ser de cerca de 50%, de US$ 29 bilhões para US$ 15 bilhões, na avaliação também do Instituto Internacional de Finanças (IIF), entidade dos maiores bancos do mundo.
"No atual cenário internacional, temos que ser realistas e admitir a queda'', afirmou ontem o secretário-executivo do Ministério do Desenvolvimento, Alessandro Teixeira, que é um dos representantes oficiais do Brasil no Fórum Econômico Mundial, que se realiza na cidade suíça de Davos. A expectativa no governo é que, em todos os países com grandes superávits comerciais, a queda será entre 30% e 40% este ano.
Nas projeções do IIF, o comércio brasileiro aumenta, com as exportações podendo alcançar US$ 273,3 bilhões e as importações, US$ 258 bilhões. O superávit é que diminui.
É o que tende a acontecer também com a China. Analistas consultados em Davos notam que o superávit comercial chinês já caiu pela metade nos últimos três anos, de US$ 298 bilhões para US$ 155 bilhões no ano passado. Em 2012, poderia baixar para apenas US$ 100 bilhões.
O declínio não é devido a uma menor competitividade das exportações chinesas. Na verdade, a parte da China nas exportações mundiais cresceu mais nos últimos três anos do que nos três anos anteriores. O problema é a deterioração econômica global. Assim, as exportações chinesas poderão crescer apenas 9% este ano, comparado aos 20% do ano passado.
O diretor-geral da Organização Mundial do Comércio (OMC), Pascal Lamy, disse ontem ao Valor que o comércio mundial em volume depende de quatro fatores, dos quais dois são negativos, um positivo e outro incerto.
O primeiro negativo é a deterioração econômica global, óbvia em todas as regiões. O segundo é o "trade finance", o oxigênio das exportações e importações. Bancos, principalmente europeus, estão reduzindo suas atividades nesse negócio. Além disso, a nova regulação bancária global cobra dos bancos o mesmo tipo de capital próprio que é exigido para o crédito ao consumidor, o que o diretor-geral da OM considera absurdo.
O fator positivo é a tecnologia, com avanços que ajudam a diminuir distâncias. O incerto é a política comercial que cada país segue. Até agora, os efeitos de protecionismo têm sido limitados. Existe uma evidente pressão por protecionismo, mas os governos até agora resistiram.
Para Lamy, as demandas generalizadas pelo "compre francês"' na França não ajudarão a resolver o problema de competitividade nesse país. Ele tampouco acha que haja clima de guerra de divisas, como até recentemente. Mas o tema continuará sendo monitorado. (Valor Online – 27/01/2012)

O risco de uma recaída global
O Brasil também será afetado pela piora das condições globais e por isso a sua economia crescerá 3% este ano, em vez dos 3,6% previstos em setembro, segundo a nova projeção do Fundo Monetário Internacional (FMI). Com a estagnação no mundo rico, o comércio será prejudicado e cairão os preços dos produtos básicos, principais fatores de sustentação do superávit comercial brasileiro no ano passado. A presidente Dilma Rousseff e o ministro da Fazenda, Guido Mantega, que mantêm a previsão de um crescimento econômico superior a 4% em 2012, deveriam dar mais atenção às condições do comércio internacional e à saúde das contas externas. As estatísticas do Banco Central apontam para um déficit de US$ 56,2 bilhões na conta corrente do balanço de pagamentos em 2011 e todas as projeções para 2012 indicam um rombo maior.
O objetivo central do governo é um ritmo de atividade suficiente para manter baixo o desemprego e continuar ampliando o mercado de consumo, usando para isso, se necessário, um novo afrouxamento das condições de crédito. Mas essa política resultará em maior demanda de importações, em redução do superávit comercial e em novo aumento do buraco na conta corrente, se as condições da oferta interna continuarem desfavoráveis. As desvantagens competitivas do produtor brasileiro são bem conhecidas e incluem muito mais que a valorização cambial.
Os economistas do FMI projetam para este ano preços do petróleo 4,9% menores, em média, que os de 2011. Para o conjunto das outras commodities, a queda prevista é muito maior - de 14%. Novas quedas são estimadas para 2013 e isso é especialmente ruim para o Brasil, hoje muito dependente da receita cambial obtida com a venda de commodities. Mas isso é apenas parte do problema, porque a indústria brasileira concorre em desvantagem no exterior e também no mercado interno. Se o cenário previsto pelos economistas do FMI se confirmar, a dependência do Brasil em relação ao mercado chinês aumentará - em condições piores que as dos últimos anos, por causa da depreciação dos produtos básicos.
Os técnicos do FMI reduziram de 4% para 3,25% o crescimento do produto global estimado para este ano. O pior desempenho será o da zona do euro, embora a contração econômica de 0,5% prevista para 2012 seja descrita como uma "recessão suave". A projeção para os EUA é a mesma de setembro, uma expansão de 1,8%, impulsionada pela reativação do consumo iniciada no final de 2011 e por algum investimento em máquinas, equipamentos e instalações. Os emergentes perderão impulso, principalmente por causa do agravamento do quadro europeu, e o crescimento chinês deverá ficar em 8,2%, cerca de 1 ponto abaixo do estimado para 2011. Qualquer enfraquecimento maior da economia chinesa pode ser muito custoso para o Brasil.
Mesmo o baixo crescimento global previsto para 2012 poderá não se concretizar, advertiu a diretora-gerente do FMI, Christine Lagarde, numa palestra em Berlim. Aquela projeção, segundo explicou, foi baseada na hipótese de adoção de algumas medidas corretivas pelos governos. Se os políticos continuarem demorando a tomar as providências necessárias, o quadro real poderá ser pior que o novo cenário traçado pelos economistas do FMI. A advertência vale especialmente para os europeus, mas também para os americanos.
Não há novidade nas medidas propostas pelo FMI e também isso evidencia as dificuldades políticas de implementação das ações: ajuste imediato nos países com situação fiscal muito ruim, estímulo ao crescimento naqueles com algum espaço para um ajuste mais lento, afrouxamento monetário e maior integração no tratamento das questões de finanças públicas. Isso envolve tanto o fortalecimento do fundo europeu de resgate quanto a emissão de papéis de responsabilidade coletiva, os chamados eurobônus ou algo parecido. A longo prazo, será indispensável a adoção de padrões coletivos de responsabilidade fiscal, condição essencial para o sucesso da união monetária. Reformas para tornar as economias europeias mais flexíveis também são necessárias. As medidas anunciadas pelo novo governo italiano vão nessa direção. Não há nada inevitável nas previsões do FMI, observou Lagarde. Basta os políticos fazerem o necessário. (O Estado de São Paulo – 27/01/2012)

O retorno à semiestagnação
Atualmente vive-se um clima de grande otimismo com as perspectivas de crescimento da economia brasileira. A crise na Europa e nos Estados Unidos, somada ao bom desempenho que a economia brasileira mostrou em 2010, tem levado várias pessoas a pensar que finalmente o gigante adormecido despertou e que o Brasil se encontra em vias de alcançar o nível de renda per capita dos países desenvolvidos, entrando assim para o seleto clube dos países do primeiro mundo. A realidade, porém, não é tão rósea como parece. Passados os efeitos da crise de 2008 sobre a economia brasileira, acumulam-se sinais preocupantes de que nosso país está voltando ao padrão de "semiestagnação" prevalecente no período 1994-2005.
O grau de dinamismo de uma economia é determinado pelas perspectivas de expansão daquele setor de atividade que for mais favorável ao crescimento de longo prazo. Esse setor é, e continuará sendo por um longo tempo, a indústria. O setor industrial é o ramo de atividade econômica responsável pela origem e difusão do progresso tecnológico para a economia como um todo, fonte de economias estáticas e dinâmicas de escala e que possui os maiores efeitos de encadeamento para frente e para trás na cadeia produtiva. Em função dessas características peculiares do setor industrial, as perspectivas de crescimento da economia como um todo dependem, em larga medida, da dinâmica da produção industrial.
No acumulado em 12 meses, taxa mensal de crescimento da indústria se reduz desde 2º semestre de 2010.
No Brasil verificamos uma estreita correlação entre o crescimento do valor da produção industrial e o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB). Com efeito, no período compreendido entre o primeiro trimestre de 2004 e o segundo trimestre de 2010, a correlação entre o crescimento do PIB industrial e o crescimento do PIB foi igual a 0,84.
Quando nos debruçamos sobre os dados da produção física da indústria, constatamos que no acumulado dos últimos 12 meses, a taxa mensal de crescimento da produção industrial tem se reduzido continuamente desde o segundo semestre de 2010. Mais grave ainda, desde abril de 2011, a taxa de crescimento da produção física da indústria tem ficado ligeiramente acima de zero, fazendo com que a produção industrial ainda se encontre 3% abaixo do valor de pico verificado em outubro de 2008, passados mais de três anos da falência do Lehman Brothers.
Deve-se observar que a desaceleração e consequente estagnação da produção industrial se iniciam no segundo semestre de 2010, anteriormente, portanto, ao recrudescimento da crise fiscal na Europa, a qual data de meados do primeiro semestre de 2011.
A razão para a perda de dinamismo da produção industrial é de ordem interna da economia brasileira. Com efeito, a perda de dinamismo da indústria deve-se aos efeitos retardados da forte apreciação da taxa real de câmbio verificada no segundo semestre de 2009. A apreciação cambial tem gerado um forte movimento de substituição de produção doméstica por importações, fazendo com que a produção física da indústria brasileira apresente um baixo dinamismo, apesar da expansão robusta da demanda agregada doméstica.
Esses dados apontam para uma conclusão bastante preocupante. Se a perda de dinamismo da indústria brasileira está relacionada com a tendência a apreciação da taxa real de câmbio, a qual, diga-se de passagem, é uma constante na economia brasileira ao menos desde 2005; então, mesmo passados os efeitos da atual crise econômica nos países desenvolvidos, a indústria brasileira não irá recuperar o seu dinamismo.
Se a perda de dinamismo da indústria brasileira for de caráter permanente, e ao que tudo indica é, então podemos antecipar uma redução do potencial de crescimento da economia brasileira para os próximos anos. Entre o último trimestre de 2008 e o segundo semestre de 2011, o PIB industrial cresceu a uma taxa anualizada média de 4,05%, a qual é ligeiramente superior ao crescimento observado no segundo trimestre de 2011, indicando, portanto, um viés para baixo do crescimento do PIB industrial. Supondo que a correlação entre o PIB industrial e o PIB total se mantenha constante ao longo do tempo, um crescimento de 4,05% do PIB industrial aponta para uma expansão de 3,41% do PIB geral da economia brasileira nos próximos anos.
Entre 2004 e 2010, a economia brasileira cresceu próximo de 5% em função da existência de capacidade ociosa na indústria, força de trabalho abundante e relativamente barata, preços das commodities elevados nos mercados internacionais e grande expansão do crédito doméstico. Essa conjugação de fatores permitiu uma forte expansão da demanda agregada e, consequentemente, do nível de produção e de emprego sem a ocorrência de estrangulamentos pelo lado da oferta agregada ou do balanço de pagamentos.
Contudo, essas condições excepcionais se esgotaram. Além disso, a sobre-valorização cambial não só está acelerando o processo de desindustrialização do país como também está atuando no sentido de desestimular o aumento do investimento em máquinas e equipamentos, sem o qual é impossível aumentar o ritmo de expansão da produtividade do trabalho. Nesse contexto, um crescimento sustentado de 5% desejado pelo governo é apenas um "delírio de grandeza".José Luis Oreiro (Valor Online – 27/01/2012)

A África do Sul e o Fórum de Davos
Como a África do Sul deveria se posicionar esta semana no Fórum Econômico Mundial de 2012 em Davos, na Suíça é algo que tem sido discutido há algum tempo entre membros do governo, líderes sul africanos e nossa equipe do Conselho Internacional de Marketing da África do Sul (Brand South Africa).
Evidentemente, assuntos de natureza política são discutidos em Davos, mas esse não é apenas um fórum político. É um fórum econômico e um espaço também para o diálogo comercial. O desafio que Davos lança aos líderes é pensar de forma criativa e colaborativa com o objetivo de propor soluções práticas para os complexos problemas da atualidade.
O tema deste ano em Davos - "A Grande Transformação: Dar Forma a Novos Modelos' - será especialmente relevante para a África do Sul e também para a África como um todo. O mundo vive um período de constante mudança desde o fim da guerra fria e a África está emergindo como um player cada vez mais importante, tanto na economia global como em estruturas internacionais.
De acordo com o FMI, na primeira década deste século, seis das dez economias que mais cresceram no mundo estavam na África subsaariana. O fundo prevê ainda que sete das dez economias que mais crescerão no período entre 2010 e 2015 serão da região.
Vejamos algumas estatísticas. De acordo com o Fundo Monetário Internacional (FMI), na primeira década deste século, seis das dez economias que mais cresceram no mundo estavam na África subsaariana. O FMI prevê ainda que sete das dez economias que mais crescerão no período entre 2010 e 2015 serão dessa região.
Da mesma forma, o FMI acredita que em 2011 a África subsaariana tenha crescido a uma taxa anual média de 5,1%, em comparação com a média mundial de 3,9% e a média em economias avançadas de 1,6%.
Davos apresenta aos representantes sul-africanos, e de outros países da África, uma oportunidade de mostrar ao mundo essa transformação estrutural e assim mudar a natureza dos debates sobre as perspectivas da nossa região. Essa transformação continua ganhando força devido à estagnação das economias de países desenvolvidos, à crise da dívida soberana na União Europeia, às deficiências estruturais no setor financeiro e atuais crises políticas em muitas economias avançadas. Além disso, o declínio relativo do tradicional poder político e econômico exercido pelo Ocidente e a emergência de novas potências e grupos, tais como as nações Brics, estão mudando a forma como o mundo se define e se relaciona.
Em linha com o tema, destacaremos ainda como a entrada da África do Sul nos Brics abriu a porta para excelentes oportunidades de comércio e investimento. No momento, a África do Sul tem uma população de 50 milhões de pessoas e uma economia que vale US$ 527 bilhões. Estão sendo conduzidas negociações para estabelecer uma Zona de Livre Comércio Africano em até três anos, composta por 26 países do leste, sul e centro da África. A ZLC, com valor estimado de US$ 1 trilhão, expandiria o mercado para englobar 600 milhões de pessoas.
Junto com novos projetos para estradas regionais, infraestrutura ferroviária e portuária, a ZLC facilitará um fluxo mais eficiente de mercadorias, talentos e investimentos na região, além de aumentar a competitividade e exportação.
Apesar de a confiança nos mercados financeiros em várias regiões do mundo estar minada, a África do Sul tem alguma vantagem neste quesito. O Índice de Competitividade Global de 2011/12, elaborado pelo Fórum Econômico Mundial, relatou um elevado grau de confiança no desenvolvimento dos nossos mercados financeiros, fato que nos posicionou em 4º lugar no ranking global dessa categoria. O regulamento da Joanesburgo Securities Exchange (JSE) foi o primeiro colocado no mundo, assim como foi a força dos processos de auditoria e prestação de contas da África do Sul. Além disso, ocupamos o segundo lugar nas categorias solidez dos bancos e eficácia das diretorias de empresas.
Quanto aos investimentos estrangeiros diretos, devemos ressaltar o vasto potencial da África do Sul em mineração e recursos naturais. Somos o maior produtor mundial de platina, cromo, vanádio e manganês, e o terceiro maior em mineração de ouro. Também oferecemos serviços de mineração altamente sofisticados. O setor de beneficiamento de minerais é outra área de grande crescimento e foco, assim como são os setores de água; agro-processamento; desenvolvimento de economia verde; geração de energia; infraestrutura; e fabricação. A localização privilegiada da África do Sul, com acesso direto para o resto do continente africano e situado entre o Oriente, Américas, Europa e Oriente Médio, confere ao país muitas vantagens estruturais, tornando-o um excelente destino de investimentos e o parceiro ideal para o crescimento da África.
Neste Fórum Econômico Mundial em Davos, a África do Sul desempenha um papel fundamental no diálogo sobre os novos modelos de negócios, crescimento e investimento devido à crescente importância da África e às muitas vantagens competitivas oferecidas pela África do Sul.
Miller M Matola ( Valor Online – 27/01/2012)

Dilma: América Latina não sacrifica soberania frente a pressão de grupos financeiros e agências de risco
Durante discurso no Fórum Social Temático (FST) 2012, a presidenta Dilma Rousseff avaliou que a situação na América Latina é de redução da pobreza e da desigualdade social enquanto, em outras partes do mundo, o cenário é de estagnação, recessão e desemprego.
"Nossos países não sacrificam sua soberania frente à pressão de grupos financeiros e agências de classificação de risco", disse, ao reforçar que o aumento da desigualdade gera mais exclusão e a perda de direitos já conquistados.
Durante cerca de 20 minutos, Dilma lembrou que a crise atual abre caminho para o que chamou de perigosas ameaças, como o desemprego, a xenofobia e a paralisação das negociações para a redução do aquecimento global.
"Não é fácil produzir novas ideias e alternativas quando estamos dominados por preconceitos políticos e ideológicos. Nos anos 80 e 90, foram eles que impeliram os países da América Latina a um modelo conservador que levou nosso país à estagnação, aprofundando a pobreza, o desemprego e a exclusão social. Hoje, essas receitas fracassadas estão sendo propostas na Europa".
A presidenta ressaltou que o lugar que o Brasil ocupa atualmente no cenário internacional não é consequência de nenhum milagre econômico, mas resultado de um povo e de um governo que souberam optar por um outro caminho.
"O Brasil é hoje um outro país. Ninguém pode nos tirar isso. Somos hoje um país mais forte, mais desenvolvido e mais respeitado", concluiu. (Agência Brasil – 26/01/2012)

Centrais sindicais discutem na Fiesp ações contra invasão de importados, juros e câmbio
O setor produtivo nacional enfrenta um descaso por parte do governo no que diz respeito a medidas para recuperar a indústria castigada pelas importações predatórias, analisou nesta quinta-feira (26) o presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Paulo Skaf.
A avaliação do dirigente foi feita após encontro com líderes sindicais, na sede da entidade, para debater estratégias contra a forte entrada de mercadoria importada e a consequente perda de renda do trabalhador brasileiro. Skaf recebeu presidentes de centrais sindicais, entre eles Paulo Pereira da Silva, da Força Sindical, e Ricardo Patah, da União Geral dos Trabalhadores.
"O que é unanimidade, aqui, é que o governo federal tem um descaso com os setores produtivos brasileiros. O setor produtivo [trabalhadores e empresários] está de mãos dadas para chamar atenção do governo para a produção deste país", disse Paulo Skaf a jornalistas ao final da reunião com sindicalistas.
Ele ainda informou que um comitê técnico, formado por representantes das centrais sindicais e da Fiesp, deve se reunir nesta segunda-feira (30) para debater as "orientações discutidas hoje". O grupo volta a se encontrar com Skaf no dia 6 de fevereiro, para definir que tipo de manifestação será feita.
"O que está definido é que realmente todos nós estamos muito preocupados com essa situação. No dia 6 deve ser definido o que vamos fazer para que o governo comece a ouvir", acrescentou o presidente da Fiesp.
O deputado Paulinho da Força também expressou sua preocupação com a situação econômica do país e classificou a penetração de importados no mercado nacional como "extremamente grave" para a indústria.
"A impressão que nós temos é que o governo está importando a crise para o Brasil. Já tem empresa demitindo, já tem setores com dificuldades, essa questão da importação praticamente está quebrando parte da indústria brasileira", disse o deputado. "Ficou claro nessa conversa de hoje que nós estamos de acordo com o diagnóstico: a importação é uma coisa vergonhosa e desenfreada."
Ele negou rumores de greve e disse que a ideia é fazer manifestações que contribuam para uma proposta de recuperação do setor produtivo. "Não sei nem de onde tiraram essa ideia de greve."
Fase difícil
Somente em dezembro, o setor produtivo paulista fechou 35 mil postos de trabalho, uma queda de 1,36% em comparação com novembro, na série sem ajuste sazonal, segundo pesquisa da Fiesp divulgada em janeiro deste ano.
A principal cauda da quebra da indústria se deve ao robusto consumo de bens importados, que entraram com força no país ao longo de 2011 graças à desvalorização cambial.
No terceiro trimestre de 2011, a participação de produtos importados no consumo brasileiro chegou a um patamar de 23,4%, indicando a persistente falta de fôlego da indústria para escoar sua produção no mercado local. No mesmo período de 2010, o nível dos importados no consumo doméstico era de 22,7%. (Agência Indusnet Fiesp – 26/01/2012)

Contra importações, centrais e Fiesp organizam paralisação
Paulo Skaf, presidente da Fiesp, vai debater mobilizações com sindicalistas.
Parte dos trabalhadores da indústria paulistana podem cruzar os braços por um dia logo após o Carnaval, na última semana de fevereiro, em protesto contra a forte entrada de produtos manufaturados importados. Os industriais liderados pela Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) não devem se incomodar - pelo contrário, a greve geral deve contar com a boa vontade dos empresários. O comércio varejista pode acompanhar. O arranjo dessa manifestação será fechado hoje, em São Paulo, em duas reuniões entre empresários e sindicalistas.
Na primeira reunião, de manhã, o presidente da Fiesp, Paulo Skaf, discute os planos da greve geral na capital paulista com os presidentes de cinco centrais sindicais, capitaneadas pela Força Sindical, e pelo maior sindicato da capital, o Sindicato dos Metalúrgicos de São Paulo. Em seguida, os sindicalistas, desta vez liderados pelo Sindicato dos Comerciários de São Paulo, filiado à União Geral dos Trabalhadores (UGT), serão recebidos pelo empresário Abram Szajman, presidente da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (Fecomercio).
Os encontros vão envolver empresários e os líderes das centrais Força Sindical, UGT, CTB, NCST e CGTB. Os sindicalistas representam na capital 420 mil metalúrgicos, 480 mil comerciários, 35 mil prestadores de serviços em software e processamento de dados, 80 mil motoristas de ônibus, além dos trabalhadores nas indústrias têxtil e de confecções, entre outros. Os industriais estão "inclinados" a apoiar a greve geral dos sindicalistas, segundo uma fonte ligada à Fiesp. O apoio, se confirmado, pode caracterizar um locaute. "Os importados estão reduzindo nosso ímpeto de contratações e mesmo reduzindo produção e, portanto, também resultando em demissões", diz o industrial.
O protesto será concentrado na avenida Paulista, onde os sindicalistas esperam concentrar os trabalhadores com cartazes anti-importações. "O salário mínimo sobe forte e impulsiona os salários no mercado de trabalho como um todo, mas esse gás no consumo tem sido crescentemente convertido no consumo de importados", afirma Miguel Torres, o presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de São Paulo e Mogi das Cruzes.
Em novembro, o IBGE registrou queda de 0,1% sobre o mês anterior no emprego industrial. O pior resultado foi apurado em São Paulo, que registrou forte queda de 3,7% entre outubro e novembro - 15 dos 18 setores pesquisados pelo IBGE registraram corte de pessoal. De janeiro a novembro, a indústria aumentou a produção em apenas 0,4%, de acordo com o IBGE.
A Central Única dos Trabalhadores (CUT) é a única das seis centrais do país que não participará das reuniões hoje. As portas não estão fechadas à maior central do país, mas seu posicionamento contrário ao imposto sindical fez com que ela não fosse procurada. (Valor Online – 26/01/2012)

Irã enviará ao Brasil diplomata experiente
Novo embaixador já foi escolhido por Teerã para levar mensagem conciliadora ao Ocidente O governo de Mahmoud Ahmadinejad escolheu um diplomata de carreira experiente para comandar a embaixadaem Brasília a partir daprimeira semana de fevereiro.
Mohammad Ali Ghanezadeh Ezabadi, 58, deixou o principal posto da chancelaria iraniana para a Ásia Ocidental para substituir o engenheiro Mohsen Shaterzadeh, há mais de três anos como embaixador no Brasil.Ainformação foi dada pelo jornal"O Globo".
A troca ocorre em momentode aparente afastamento entre os governos e depois de o porta-voz de Ahmadinejad, Ali Akbar Javanfekr, criticar à Folha a atitude da presidente Dilma em relação a Teerã.
Ghanezadeh, que já teve o nome aprovado pelo governo brasileiro, não tem experiência com América Latina, masfoi vice-embaixador na Índia, entre 1983 e 1989, e embaixador na África do Sul, entre 2003 e 2008 -emergentes que formam o Ibas com o Brasil.
Também foi embaixador na Nigéria (1997-2001). Teerã confiou ao diplomata a tarefa de levar, em 2010, uma mensagem aparentemente conciliadora a potências ocidentais. Em conferência sobre o Afeganistão, em Roma, ele disse que seu país estava pronto para trabalhar, inclusive, com os EUA.
"O Irã está profundamente convencido de que é necessária uma abordagem regional para estabilizar o Afeganistão, mas, obviamente, sabe que isso requer o apoio de toda a comunidade internacional, incluindo os EUA", disse.
A postura de Ghanezadeh sobre o programa nuclear de seu país, contudo, não prevê concessões. "Se é esperado o mesmo resultado [das inspeções] se o Irã coopera ou não,ese aatitude em relação ao Irã será tomada em uma base não legal no Conselho de Segurança, qual a razão para cooperarmos?", indagou em discurso em 2007, quando era embaixador na África do Sul.
Para o governo brasileiro, a troca quase imediata –Shaterzadeh só deixa o Brasil às vésperas da chegada do substituto- mostra o interesse do Irã em manter boas relações. (Folha SP – 25/01/2012)

Economia mundial ainda está em situação frágil, diz Lagarde
PARIS - Apesar dos recentes sinais encorajadores, a economia mundial ainda está em situação frágil e todos devem cooperar para assegurar a volta do crescimento, disse hoje a diretora-gerente do Fundo Monetário Internacional (FMI), Christine Lagarde.
"A economia mundial está em um padrão 'estreito', a margem de manobra é extremamente limitada", disse a jornalistas. Segundo ela, um desfecho favorável será possível apenas "se todos fizerem o que têm de fazer."
Não é apenas a zona do euro que precisa agir e conter a crise da dívida soberana, mas também os Estados Unidos, que deveriam lançar um plano crível para sanear suas finanças públicas no médio prazo, e a China, que deveria alavancar o consumo doméstico para trazer seu balanço de pagamentos próximo ao equilíbrio.
As observações de Lagarde são feitas um dia após o FMI ter alertado que a economia global vai se desacelerar neste ano e ter cortado suas projeções de crescimento. Também soou o alarme que a Europa poderá ter um aprofundamento da crise se não tomar medidas mais fortes para pôr fim à crise de dívida.
O FMI, que em setembro havia previsto 4% de crescimento para este ano, afirmou que a economia global vai se expandir 3,3%, ante 3,8% em 2011. (Valor Online – 25/01/2012)

Governo busca mais crédito a exportador
Novas fontes de financiamento ao comércio exterior, administradas pelo setor público mas menos dependentes do orçamento do que os atuais instrumentos oficiais, como o Proex, estão entre as principais medidas em discussão pelo governo, que a presidente Dilma Rousseff quer discutir no início de fevereiro. Os ministérios da Fazenda, do Desenvolvimento e das Relações Exteriores, o Banco do Brasil e o BNDES estão encarregados de apresentar à presidente as propostas para aumentar a competitividade das exportações brasileiras.
"Temos de correr atrás do que perdemos e correr à frente do que ganhamos", disse Dilma durante a reunião com os ministros, na segunda-feira, ao explicitar sua preocupação em recuperar mercados que têm se retraído para as mercadorias brasileiras e avançar nas fronteiras conquistadas nos últimos anos. Na reunião, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, detalhou o temor de reflexos negativos com a desaceleração da economia mundial, embora os epicentros da crise, Estados Unidos e Europa, tenham perdido importância relativa na pauta de exportações brasileira.
Mantega comentou que, entre 2008 e 2011, a fatia da União Europeia no mercado para exportações brasileiras passou de 22,3% para 20,5%; a dos EUA, de 14,3% para 12,4%; e também a América do Sul caiu de 16,9% para 15,9%. Todos perderam espaço para a China, que elevou sua parcela de 9,9% para 16%. Foi a diversificação de mercados que permitiu, na opinião do ministro, aumentar o saldo positivo no comércio exterior, de US$ 24,9 bilhões em 2008 para US$ 29,8 bilhões em 2011. Esse é um dos motivos pelos quais, segundo a cúpula da equipe econômica, o país precisa adotar medidas para garantir a competitividade dos exportadores e manter a expansão.
Um exemplo do que pode ser feito, segundo um dos participantes da discussão das novas medidas de financiamento, foi o Fundo de Financiamento às Exportações (Fefex) criado pelo plano Brasil Maior e aprovado no ano passado pelo Congresso, para financiamento de pequenas e médias empresas, especialmente nos setores de têxtil, couro, cerâmicas e software. O fundo poderá ter participação do setor privado, mas necessita de regulamentação, para constituir linhas de crédito a serem oferecidas sem necessidade de aprovação para cada operação financeira específica.
Os técnicos do governo avaliam que, embora o setor privado se encarregue de boa parte dos financiamentos à exportação, é o governo, por meio do Proex, que garante a equalização dos juros, cobrindo a diferença entre as taxas cobradas no país e as do mercado internacional. Está em discussão um reforço nas linhas existentes (que receberam cortes na programação orçamentária de 2012). Assim o Fefex para pequenas e médias empresas, devem ser criados instrumentos para setores específicos.
Dilma quer atenção especial aos programas de financiamento de mercadorias para África e América do Sul, que considera os mercados com potencial de maior dinamismo nos próximos anos. Mas, como deixou claro na reunião, não admite que os mercados tradicionais fiquem de lado. Apesar dos bons resultados na captação de investimentos, a presidente não quer que o comércio tenha peso negativo sobre as contas externas em 2012. (Valor Online – 25/01/2012)

Que futuro para a Europa?
A União Europeia (UE) era, até poucos anos atrás, um verdadeiro paradigma de integração, coexistência na diversidade e determinação histórica de superar os terríveis conflitos que dilaceraram o continente por séculos. Hoje é vista como um navio à deriva, lutando para não naufragar. Será bem assim?
Sob a batuta de grandes líderes, especialmente Jacques Delors, a UE teve inicialmente um modelo mais flexível criado no Tratado de Roma, que começou a vigorar em 1.º de janeiro de 1958 - o marco zero -, para o mercado único, do Tratado de Maastricht, de 1992. Nele se previa a total liberdade de circulação, entre os Estados-membros, de mercadorias, capitais, serviços e mesmo pessoas. Foi um enorme sucesso, no qual nos miramos ambiciosamente à época para criar o Mercosul. Houve, porém, uma lacuna grave, embora insuperável politicamente: faltou a obrigação de respeitar metas fiscais, ainda que os principais objetivos macroeconômicos tenham sido fixados. Os países europeus comprometeram-se a observar metas de déficit público, dívida, inflação e variação cambial, mas não abdicaram de manejar seus orçamentos nacionais. Mesmo que tivessem cumprido as metas de Maastricht - o que não ocorreu caso na maioria dos casos -, seria querer muito que os dirigentes políticos da Europa renunciassem ao poder imenso que consiste em arrecadar tributos e dispor do seu emprego segundo suas próprias agendas.
Mas aí estava o ovo da serpente que geraria a crise em que a União se acha atolada hoje. Uma péssima gestão fiscal levou à beira da ruína países tão diversos quanto Itália, Grécia, Espanha ou Bélgica, Grã-Bretanha e Portugal. A luta será longa e penosa para reequilibrar as economias mais fragilizadas da Europa. No momento a UE está começando a atravessar aquilo que vivemos penosamente nos anos 1980: uma década perdida.
O mais preocupante desse quadro sombrio está no fato de que a própria social-democracia está ameaçada pelo enfraquecimento dos Estados e pela dureza social dos remédios empregados para combater os excessos do passado de gastos e dívidas excessivas. Após firmar-se gradualmente em todo o século passado como a forma mais equilibrada de governo e a linha politicamente mais correta, essa concepção filosófica e politicamente correta enfrenta hoje um desafio quase tão profundo como o que sofreu na década de 1930 por parte dos variados regimes totalitários em todo o mundo.
Governantes muito respeitáveis, como Mariano Rajoy (Espanha), Mario Monti (Itália) e Passos Coelho (Portugal), que chegaram ao poder com uma plataforma de severa austeridade, correm o risco de ser derrotados na próxima curva da política porque impingiram grande sofrimento a seus povos sem poder apresentar mais do que a famosa afirmação de Winston Churchill: "Só vos posso oferecer sangue, suor, labuta e lágrimas". Como sabemos, não há saída econômica rápida ou fácil para o labirinto europeu.
Quais são as implicações geopolíticas destas realidades? Antes de mais nada, o peso político do bloco europeu está diminuído. A prova claríssima desse encolhimento está em que os Estados Unidos já não consideram a Europa um objeto prioritário de sua atenção estratégica, como a política de defesa recém-anunciada por Barack Obama confirmou. A China e a Ásia preenchem esse espaço. Obviamente, isso não se aplica por igual a todos os países da UE. A Alemanha mantém e aumenta sua força internacional à medida que seu papel se torna cada vez mais crucial na Europa. Se o euro for salvo à beira do abismo em que se encontra, o poder internacional alemão será ainda mais reforçado. Já a França, golpeada pelo rebaixamento de seu rating, tem menos legitimidade em sua afirmação de "grandeur", como a definia o general De Gaulle. O mercado não perdoa e atinge globalmente todos os que têm economias fragilizadas.
O pior cenário - que apenas se esboça no horizonte - é o crescimento da extrema direita e, ainda mais, sua chegada ao poder, abalando a natureza democrática do continente. A francesa Marine Le Pen é bem mais apresentável do que seu pai, Jean-Marie, o qual, ainda assim, chegou ao segundo turno contra Jacques Chirac, embora tenha perdido fragorosamente. Hoje, em quadro econômico muito mais grave do que oito anos atrás, ela se acha a dois pontos porcentuais do líder nas pesquisas para as eleições presidenciais francesas deste ano e tem, portanto, chances palpáveis de vencer. A profunda crise fomenta em toda a Europa ressentimentos com as decepções e agruras de todo tipo que a austeridade provoca nos indivíduos, causa sentimentos negativos contra os imigrantes, gera, enfim, um caldo de cultura de direita, que rapidamente se pode tornar antidemocrático e gera por vezes barbaridades como o assassinato de dezenas de pessoas por um fanático louco na Noruega.
Não é certamente minha atenção profetizar um desastre europeu, muito menos fazer paralelos ligeiros com o que ocorreu na década de 1930, com a ascensão generalizada do fascismo. Tenho sólida confiança na democracia europeia e a convicção de que ela será capaz de encontrar caminhos para sair de seu labirinto atual. Mas nada indica que as soluções virão rapidamente e de forma indolor.
No processo de recuperação em curso, é certo, porém, que a União Europeia vai perder terreno na escala do poder internacional, inclusive dentro da própria Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), na qual tem desempenhado apenas papéis auxiliares dos Estados Unidos, como na Líbia, no Afeganistão ou no Iraque. A contração dos orçamentos militares vai impedir um protagonismo internacional maior. Em outras palavras, por fim, a Europa vai seguramente encolher na cena internacional. (O Estado de São Paulo – 25/01/2012)

País fica em 4º lugar no ranking de investimento da Unctad
Levantamento mostra que os investimentos no Brasil alcançaram US$65,5 bi em 2011, com alta de 35% ante 2010
O Brasil foi o quarto país que mais recebeu volume de investimentos em 2011, superando todos os países da zona do euro. Contando apenas novos projetos, sem incluir a aquisição de empresas por multinacionais, o Brasil foi o segundo maior destino de investimentos do mundo, superando os Estados Unidos e ficando atrás apenas da China.
Os dados foram divulgados ontem pela Unctad, em Genebra, e destacam a expansão do consumo doméstico do Brasil e a cobiça por recursos naturais como os principais fatores de atração de empresas de todo o mundo. Outra explicação é o fato de o País ter se tornado a base de operações de multinacionais em toda a região.
Segundo o levantamento, os investimentos no mundo em 2011 passaram de US$ 1,28 trilhão para US$ 1,5 trilhão,uma expansão de17% e retornando auma média anual que existia antes da crise de 2008, quando o volume despencou. Para 2012 ,porém, a crise na Europa ameaça mais uma vez causar uma estagnação na expansão dos fluxos de capital.
Ao fim de 2011, só a China (incluindo investimentos em Hong Kong e no continente), Estados Unidos e Reino Unido receberam mais projetos de investimentos que o Brasil. Se Hong Kong for calculado como um destino separado a da China, o Brasil então ficaria na quinta posição como maior destino.
A expansão de recursos no Brasil entre 2010 e 2011 também esteve entre as 12 maiores do mundo, com uma taxa de35% e duas vezes superior à média mundial, totalizando US$ 65,5 bilhões.
"Investidores estrangeiros continuam a encontrar apelo na riqueza de recursos naturais na América do Sul e estão cada vez mais atraídos pelo mercado consumidor em expansão da região", afirmou a Unctad.
"Particularmente atraente é o tamanho do mercado brasileiro e sua posição estratégica que permite um acesso fácil a outros mercados emergentes, como Argentina, Chile, Colômbia e Peru", disse a entidade.
Empresas estrangeiras gastaram ainda US$ 15,1bilhões para comprar companhias nacionais, expansão de 70,5%. Mas na avaliação apenas de projetos novos por multinacionais, desembarcando para a abertura de fábricas ou iniciativas de extração, o Brasil já aparece em segundo lugar no mundo. No total, US$ 59,7 bilhões foram investidos no País, aumento de 38%. Na China, o volume é de US$ 81 bilhões.
No geral, o maior recipiente de investimentos no mundo continua sendo a economia americana, com US$ 210 bilhões. Os Estados Unidos, porém, sofreram uma queda de 7,7% em relação a 2010 e estão sendo fortemente ameaçados pela China. No total, a China recebeu US$ 202,4 bilhões de investimentos em 2011. US$124 bilhões foram à China continental e outros US$78,4 bilhões para Hong Kong. O Reino Unido vem na terceira posição, com US$ 77,1 bilhões.
Em 2010, o Brasil já havia sido o quinto maior recipiente de investimentos, sempre contando os fluxos para China e Hong Kong de forma unificada.
Agora, o Brasil chegou a receber mais investimentos que tradicionais economiascomo França (US$ 40 bilhões) e Alemanha (US$ 32 bilhões). Entre os emergentes, o Brasil recebeu uma cada dez dólares destinados a essas economias. Para 2012, a volta da recessão na Europa fará com que a expansão de investimentos seja apenas modesta, para cerca de US$1,6 trilhão. O último trimestre de 2011 já foi de contração, servindo de alerta de que o cenário poderá ser mais sombrio.
Em alta US$ 59,7 bi foram investidos no Brasil em projetos novos pelas multinacionais, segundo a Unctad US$ 15,1 bi foi o gasto das empresas estrangeiras para a compra de companhias. (O Estado de São Paulo – 25/01/2012)

O "desenvolvimentismo asiático"
The issue is not one of state intervention in the economy. All states intervene in their economies for various reasons state's first priority will define its essence. (Chalmers Johnson, MITI and the Japanese miracle,1925-1975 Stanford University Press, p: 17, 1982)
Salvo engano, foi Chalmers Johnsonquem falou pela primeira vez do desenvolvimentismo asiático, no seu célebre livro sobre o milagre econômico japonês, de 1982. Depois dele, transformou-se num lugar comum dizer que o estado desenvolvimentista foi ator central do crescimento econômico acelerado da Coreia do Sul, Taiwan e Cingapura, entre os anos 60 e 80; da China, a partir dos anos 90; e do Vietnã, no início do século XXI.
O próprio Johnson - que era economista, serviu na Guerra da Coreia, foi consultor da CIA para a Ásia, e lecionou nos Centros de Estudos do Japão e da China da Universidade da Califórnia - voltou muitas vezes ao tema e acabou transformando-se num dos grandes

especialistas americanos em economia política asiática.
E foi um dos principais responsáveis pela difusão e aprofundamento acadêmico da pesquisa e do debate que ganhou ressonância internacional, com a publicação pelo Banco Mundial, do The East Asian Miracle: Economic Growth and Public Policy, em 1993.
Os asiáticos sabem que a política econômica entregue a si mesma é cega e incapaz de gerar seus próprios objetivos No seu tempo, o livro de Johnsonsurpreendeu o mundo acadêmico: segundo o autor, o modelo econômico japonês do pós-guerra não era original e vinha dos anos 20, e sua característica fundamental não era econômica, tinha a ver com a intensidade com que a sociedade e o governo japonês se dedicavam ao estabelecimento e cumprimento dos seus objetivos estratégicos. Para Johnson, essa intensidade se devia ao fato de que o modelo tinha sido concebido como um instrumento de guerra e de reconstrução, depois da guerra, e como instrumento de defesa da soberania japonesa frente aos desafios do mundo e do contexto geopolítico asiático na segunda metade do século XX. Esse contexto explicariao nascimento e a força da ideologia nacionalista e das instituições japonesas responsáveis pela mobilização da sociedade e pela submissão do desenvolvimento econômico aos seus objetivos de longo prazo.
Em 1989, a economista americana Alice Amsden publicou outra obra clássica - Asia's Next Giant – sobre o milagre econômico coreano onde ela identificava características parecidas com o desenvolvimento japonês.
O modelo coreano também vinha de antes da Segunda Guerra, e havia sido forjado na luta anti-colonialista, contra o próprio Japão. E depois de  JohnsoneAmsden, muitos outros pesquisadores e especialistas encontraram as mesmas características no desenvolvimento acelerado de Taiwan e Cingapura e, de forma ainda mais gritante, no desenvolvimento da China e do Vietnã. O próprio Johnson identificou no nacionalismo camponês e revolucionário chinês, do início do século XX, a grande fonte originária da energia desenvolvimentista da China contemporânea.
Apressando o argumento,épossível extrair pelos menos quatro conclusões dessa vasta literatura sobre o  crescimento asiático: 1) a maioria dos estados nacionais asiáticos se constituiu na segunda metade do século XX, depois do fim do colonialismo europeu.
Mas quase todos os novos estados mantiveram suas fronteiras tradicionais e civilizatórias e sua relação milenar, dando origem, desde o início, a um sistema interestatal regional altamente competitivo.
2) Em clave europeia, a estratégia econômica desses países asiáticos esteve sempre mais próxima do mercantilismo de William Petty do que da economia política de Smith ou Marx; e muito mais próxima do nacionalismo econômico do alemão Friederich List, do que do liberalismo heterodoxo do inglês John Keynes: sua primeira prioridade foi sempre a construção do estado e a defesa da unidade territorial da sua sociedade e da sua civilização.
3) Não há nenhuma instituição ou política que explique isoladamente o sucesso do crescimento asiático, e que possa ser transplantada para países que tenham se constituído ou estejam fora de sistemas de poder altamente competitivos. A simples condição de latecomer ou de capitalismo tardio não explica nada, nem é capaz de gerar um projeto e uma estratégia de alto crescimento.
4) Por fim, os asiáticos nunca se referiram a si mesmos como desenvolvimentistas, e sua estratégia econômica não tem nada a ver com o chamado desenvolvimentismo latino-americano. Sua política industrial, comercial e macroeconômica sempre esteve a serviço de sua grande estratégia social e nacional, e da sua luta pela conquista ou reconquista de uma posição internacional autônoma e preeminente.
Os asiáticos têm plena consciência de que a política econômica entregue a si mesma é cega e incapaz de gerar seus próprios objetivos. E muito menos ainda, de definir os objetivos deuma sociedade e deuma nação. José Luís Fiori(Valor Econômico – 25/01/2012)

'Brasil deve se envolver mais na ajuda externa'
Hoje no comando de uma Fundação, o bilionário vai apelar aos emergentes por maior colaboração com os países pobres
Bill Gates desembarcará no Fórum Econômico Mundial, que começa hoje em Davos, na Suíça, com um apelo aos países ricos para que não cortem a ajuda externa que destinam aos países necessitados, apesar da recessão mundial.
Ao Brasil, pedirá que assuma maior compromisso com as nações pobres. "Chegou o ponto em que o Brasil deve se envolver mais na ajuda externa e assumir uma posição de liderança (no desenvolvimento global)", disse ao Estado, por telefone, o bilionário criador da Microsoft que hoje dedica o tempo à Fundação Bill & Melinda Gates.
O apelo de Gates será feito em um momento de pessimismo entre as lideranças globais - pelo menos 54% delas acreditam que em 2012 o mundo enfrentará uma ruptura geopolítica e a queda da cooperação internacional. O porcentual foi obtido pelo Índice de Confiança Global, com base em entrevistas feitas com 345 empresários, investidores e representantes de governos e organizações internacionais membros do Fórum Mundial.
Para garantir que a ajuda externa não seja reduzida, Bill Gates tentará convencer não apenas a Europa a manter os 0,7% do Produto Interno Bruto (PIB) destinados às nações pobres, mas também os emergentes Brasil, China e Índia a aumentarem seus volumes de doações até o nível europeu.
Na carta anual que escreve a doadores e parceiros, Gates cita o Brasil como parceiro fundamental para ajudar a transferir tecnologia a países pobres, principalmente da África, e alavancar o desenvolvimento dessas regiões.
A seguir, os principais trechos da entrevista.
Qual é o papel do Brasil no desenvolvimento global?
O Brasil é o único país tropical que tem feito um grande trabalho na agricultura. É líder na produção de soja e mandioca e avançou muito no conhecimento do solo, desenvolvimento de tecnologia para evitar doenças e aumentar a produtividade e assistência aos agricultores. A inovação trazida por órgãos como a Embrapa permitiu a transformação do cerrado. Nesse sentido, há muitos avanços concretos que o Brasil pode fazer no mundo.
Como a sexta maior economia do mundo, o Brasil tem feito o suficiente para ajudar os países pobres?
O Brasil tem muito com que se orgulhar sobre o que tem feito para reduzir a pobreza no próprio país e parte disso tem a ver com boas políticas públicas. Mas acho que chegou o ponto em que pode assumir projetos realmente ambiciosos para ajudar países pobres, especialmente da África, a resolverem seus problemas. Nesse sentido, o Brasil tem condições de fazer muito mais. Nós assinamos, no mês passado, um acordo com o governo local para trabalhar em alguns projetos. Com apoio do Japão, o Brasil vai ajudar a alavancar a agricultura de Moçambique, que tem 55 milhões de hectares de cerrado e 80% de população rural.
O senhor defende que os países emergentes devem contribuir no mesmo patamar que os ricos?
Absolutamente! Não espero que seja uma decisão imediata, mas países como o Brasil, antes receptores de assistência que agora deram a volta por cima, devem aumentar a ajuda gradualmente. Se alguns derem o exemplo, outros seguirão. No G20, o primeiro-ministro britânico David Cameron disse que seria mais fácil aprovar a manutenção da ajuda em 0,7% do PIB em seu país se outros o fizessem.
Como convencer os países a oferecer ajuda em tempos de crise?
No G20 propus a criação de novos impostos sobre transações financeiras, tabaco, emissão de carbono. Essas ideias não têm aceitação unânime, mas alguns países podem adotá-las. Agora, muitas outras coisas podem ser feitas para aumentar a ajuda externa. Brasil, Índia e China podem contribuir não apenas com novos recursos, mas com a experiência de terem enfrentado e vencido alguns dos problemas que outras partes do mundo ainda enfrentam.
Os Estados Unidos e a Europa passam atualmente por uma recessão, com altos níveis de desemprego e o pessimismo aponta para a queda da cooperação internacional. Como o sr. vê esse cenário?
É uma questão de escolha. Nos últimos anos, reduzimos em 20% as mortes por malária, mas precisamos chegar a uma redução de 100%. Pelo menos 8,6 milhões de pessoas receberam tratamento contra tuberculose e 6,6 milhões de pessoas tomam medicamento antirretroviral. Se os países mantiverem o compromisso com ajuda externa, teremos US$ 10 bilhões (dinheiro destinado ao Fundo Global de Luta Contra AIDS, Tuberculose e Malária, um dos primeiros projetos da Fundação Bill & Melinda Gates) para continuar avançando. Está longe dos US$ 14 bilhões que precisamos, mas já é significativo. Agora, se esse dinheiro for cortado o ritmo de progresso irá desacelerar na mesma medida. E isso será uma grande frustração. (O Estado de São Paulo – 25/01/2012)

É bom que nós, brasileiros, voltemos os olhos para cá
Os dados do setor externo reforçam a percepção de um estranho fenômeno recente da economia brasileira: enquanto os estrangeiros ficam comprados em Brasil, deixando seus recursos aqui aplicados no longo prazo, os brasileiros aproveitam a bonança relativa gastando em dólar tudo o que podem em viagens no exterior.O otimismo é tanto como Brasil que mesmo com o apetite voraz da antiga – e da remediada - classe média brasileira nos outlets dos subúrbios de Miami ou Nova York, ainda sobra um troco positivo para o País.
As transações correntes apresentaram déficit de US$ 52,6 bilhões em 2011,11% maior que 2010 (em proporção do PIB, o resultado não é tão ruim, sai de 2,21% para 2,12%). A balança comercial até que se mantém robusta, apesar dos ventos cambiais soprarem do oceano para a costa brasileira, trazendo nos navios toneladas de dólares aproveitando a Zona de Alta Pressão Brasileira, resultado de juros altos aqui e abaixo da linha d'água lá fora.
Quem nos salvou foi mais uma vez a percepção que, nove fora zero, o Brasil é melhor que o resto do mundo em decomposição ou em estado vegetativo. Além da taxa de juros forçar o dólar goela abaixo do BC, a perspectiva de que os investimentos em 2012, 2013 e 2014 (ligados à Copa e ao pré-sal) vão turbinar a economia fazem o investidor estrangeiro vender suas posições lá fora para comprar, enquanto ainda está barato, posições aqui.
O investimento direto subiu 37%, para o recorde de US$66,6 bilhões, o que garantiu que o balanço de pagamentos fechasse positivo novamente. Os dados mostram o interesse do estrangeiro em fincar os dois pés por aqui. O interesse é tanto que a imigração já começou, seja na precariedade de desesperados haitianos, até o bem educado desespero de europeus sem trabalho. Entre comprados e vendidos em Brasil, é melhor que nós, brasileiros, voltemos os olhos, e os bolsos, para cá. Caso contrário, daqui algum tempo pode já estar caro demais. André Perfeito (O Estado de São Paulo – 25/01/2012)

América Latina atraiu quase o dobro da China em investimento externo
A América Latina foi a região com maior crescimento no investimento estrangeiro direto (IED) de 2010 para 2011. De acordo com relatório da Conferência das Nações Unidas para o Comércio e Desenvolvimento (Unctad), houve no período um aumento de 34,6% nesse tipo de remessas a países latino-americanos e caribenhos.
A entrada da IED na América Latina atingiu US$ 216,4 bilhões - uma soma bem superior à recebida pela China (US$ 124 bilhões). A nota destoente na região foi a Argentina, onde o investimento estrangeiro caiu no ano passado, em relação a 2010. O país continua a receber menos IED que economias muito menores da região, como o Peru.
"Particularmente atraentes são o tamanho do mercado do Brasil e sua posição estratégica, que diminui a distância para outros mercados emergentes, tais como Argentina, Chile, Colômbia e Peru", afirma o relatório "Monitor de Tendências do Investimento Global".
Os países em desenvolvimento receberam entradas recordes de IED, impulsionadas principalmente pelos investimentos em novos projetos. A China, o segundo maior destino de IED, bateu pelo segundo ano consecutivo o seu recorde de entradas. Após uma grande queda em 2010, a Índia teve um aumento de 38%.
No geral, os IED globais somaram US$ 1,5 trilhão. Apesar de ser uma marca 17% maior do que a de 2010 e 28% maior que a de 2009, ainda é 23% menor do que o pico registrado em 2007, ano anterior ao início da crise financeira global.
Os gastos para aquisições e fusões em outros países saltaram 49,7% no ano passado, chegando a US$ 507,3 bilhões. Já os investimentos "greenfield", nos quais são feitos gastos para iniciar uma operação a partir do zero, como a construção de uma nova fábrica, caíram 3,3%, a US$ 780,4 bilhões.
A expansão dos investimentos estrangeiros diretos sinaliza crescente globalização e uma maior disposição em realizar grandes projetos no exterior, o que pode levar a mais comércio e maior capacidade produtiva ao redor do mundo. No contexto do atual cenário sombrio dos mercados financeiros globais, a volta do apetite por investimentos pode ser um raro sinal positivo.
"O crescimento do Produto Interno Bruto [PIB] continua positivo e, embora seja menor do que se esperava, as empresas ainda têm dinheiro no bolso e precisam investi-lo de alguma forma. No entanto, ao mesmo tempo existe uma incerteza devido à fragilidade da economia global", disse Astrit Sulstarova, economista da Unctad.
O órgão da ONU se disse cautelosamente otimista quanto a 2012. "Baseada nas atuais perspectivas de fatores subjacentes, tais como crescimento do PIB e dinheiro em caixa de corporações transnacionais, a Unctad estima que as entradas de IED terão uma alta moderada em 2012, para cerca de US$ 1,6 trilhão." (Reuters/Valor Online – 25/01/2012)

El estado de la Unión
Las soluciones tecnocráticas han reavivado la crítica al déficit democrático de la Unión Europea.
Alemania renuncia a ser decisiva y a forzar un salto cualitativo en la integración europea
El euro es la clave de bóveda del proyecto europeo. Por esa razón, una crisis que afecte al euro es una crisis existencial. Y por eso también es fácil entender por qué, aunque la Unión Europea haya estado antes en crisis, nunca se había asomado al abismo y sentido tanto vértigo. La crisis de la silla vacía, la época de "euroesclerosis", el bloqueo de Margaret Thatcher a causa del cheque británico, las divisiones ante la unificación alemana, las turbulencias en torno a la ratificación del Tratado de Maastricht o la rebeldía popular ante la Constitución europea, todos esos momentos agitaron las aguas europeas, pero nunca amenazaron con hacer zozobrar la nave europea. En contraste, la crisis del euro ha recorrido transversalmente y presionado intensamente sobre todas y cada una de las líneas de fuerza subyacentes al proyecto europeo.
La crisis ha agudizado las tensiones entre los viejos y los nuevos miembros, entre el Norte y el Sur, entre protestantes y católicos, entre los miembros de la eurozona y los que están fuera de ella. También ha sometido a tensión las políticas que constituyen el núcleo de la Unión: el mercado interior; la libertad de circulación y la política exterior y de seguridad. En todos esos ámbitos hemos asistido a presiones centrífugas que han debilitado el espíritu común y la capacidad de actuación conjunta.
De la misma manera, las viejas tensiones entre federalistas e intergubernamentalistas, aparentemente enterradas en el Tratado de Lisboa tras una década de debates y negociaciones institucionales, han vuelto a la superficie. Aunque la Comisión Europea ha intentado mantener la iniciativa en sus manos, los Estados no han dudado en apartarla a un lado cuando lo han considerado necesario. Y el Parlamento Europeo, aunque se ha convertido en el foro donde se ha debatido intensamente sobre la crisis, no ha conseguido tampoco forzar ni liderar los consensos necesarios para salir de ella. Al final, la crisis se ha gobernado a trompicones desde una cacofonía compuesta por Berlín, París, las agencias de calificación, los inversores privados y el Banco Central Europeo.
La crisis también ha afectado a los mimbres democráticos con los que se teje la política en los Estados. Las soluciones tecnocráticas han reavivado la crítica al déficit democrático de la UE y al sometimiento de los Estados a la lógica de los mercados. A cambio de la estabilidad, sin embargo, han proporcionado alas a los populistas y a los euroescépticos, siempre prestos a manipular la soberanía popular y los sentimientos de identidad nacional en contra del proyecto europeo. El resultado es que Europa es más ingobernable, tanto en el ámbito de las instituciones europeas como en las nacionales.
Hemos visto también resurgir las tensiones entre profundización y ampliación, que pensábamos superadas tras haber demostrado sobradamente con su crecimiento los nuevos socios del Este que habían llegado a la Unión para sumar y no para restar. Algo parecido puede decirse respecto a las grandes orientaciones macroeconómicas: donde antes de la crisis, el Pacto de Estabilidad y la Agenda de Lisboa parecían haber logrado un sano equilibrio entre el rigor presupuestario y las políticas de crecimiento y empleo, la crisis del euro ha vuelto a polarizar los debates, empujando a los Estados a posiciones antagónicas entre austeridad y estímulos económicos.
En todos estos debates, las posiciones de los gobiernos se han vuelto maximalistas e ideológicas. Así, donde en el pasado resultaba fácil construir coaliciones, intercambiar políticas, repartirse las diferencias de forma pragmática y seguir adelante, hoy la capacidad de compromiso se ha encogido de tal manera que parece que la lógica que impera no es la del consenso, sino la de vencedores y vencidos, algo que viola el código genético de la UE, construido precisamente sobre un cúmulo de victorias y derrotas de funestas consecuencias.
Pero más allá de las dinámicas internas, el problema es que la actual crisis no sólo enfrenta a Europa a sus fantasmas internos, sino que la sitúa en una senda acelerada de declive global. Dicho de otra forma, a la hora de discutir cómo superar la situación actual, Europa no debiera perder de vista que no puede permitirse el lujo de dedicar una década a salir de esta crisis porque, incluso en el caso de que consiga salir reforzada de ella, cosa que hoy por hoy todavía es dudosa, el mundo que encontrará ahí fuera habrá cambiado tan radicalmente que constituirá, inevitablemente, un nuevo desafío. Aunque muchos no lo percibieran, Europa ya estaba en crisis (demográfica y productiva) frente a una serie de países emergentes que crecían rápida y sostenidamente. Ahora, si Europa no tiene cuidado, una crisis se engarzará en la otra y la agravará. En consecuencia, a la hora de pensar en cómo salir de la actual crisis y en los tiempos y ritmos para hacerlo, Europa tiene que tener en cuenta que no puede disociarse del mundo, volver a ensimismarse y seguir viviendo un bienestar que, hoy por hoy, es cada vez más prestado (incluso en sentido literal del término).
Que la crisis del euro genere tanta incertidumbre y tensión se debe, sin duda alguna, al hecho de que el euro ha sido la construcción más compleja a la que ha dado lugar el proyecto europeo. Pese a su materialización práctica, la unión monetaria fue siempre, en gran medida, un logro impensable.
Impensable económicamente, porque sólo la perseverancia política de los que diseñaron la unión monetaria explica que se pudiera llevar adelante un proyecto que contaba con el rechazo expreso de toda la comunidad de economistas. Economistas que machaconamente insistían en que los miembros la UE no sólo no reunían las características de "zona monetaria óptima" que permitieran asegurar el éxito del proyecto y, a la vez, tampoco incluían en el proyecto las instituciones (fueran eurobonos, un Tesoro común, un verdadero presupuesto o una política fiscal común) que garantizaran su supervivencia en caso de una crisis.
Impensable también políticamente, puesto que las resistencias ante la increíble cesión de soberanía que el proyecto significaba sólo pudieron ser vencidas por el shock político y psicológico que produjo la perspectiva de la unificación alemana. Por esa ventana de oportunidad que representó la caída del muro de Berlín se coló un líder excepcional, Helmut Kohl, que convenció a los alemanes de que a cambio de la unificación tendrían que compartir su joya más preciada, el símbolo en el que se había anclado la identidad de la Alemania surgida de las cenizas de la Segunda Guerra Mundial: el marco alemán.
Si la crisis actual ha servido para algo, es precisamente para ilustrar retrospectivamente hasta qué punto la nave del euro se hizo a la mar sin haber completado su diseño, sin pedir permiso a los economistas y, por supuesto, sin haber pedido permiso a los ciudadanos. Los impulsores del euro fueron perfectamente conscientes de que tenían una única oportunidad, que difícilmente se repetiría en una generación, de lanzar el proyecto europeo hacia una nueva fase completamente distinta de integración y, por ello, confiaron en que el barco se repararía en alta mar. Por tanto, aunque los que entonces criticaron el proyecto se sientan hoy reivindicados y señalen con el dedo a la vez que vociferan "¡ya lo dijimos!", lo cierto es que se equivocan y que, hoy como entonces, demuestran no entender la historia de la integración europea ni su lógica subyacente.
Esa lógica no es otra que la de la irreversibilidad: lo que se pretendió siempre, tanto con el mercado interior como con la unión monetaria, fue desencadenar un proceso de fusión económica que llevara a la fusión de intereses políticos. Como muy bien intuyeron los padres fundadores del proyecto, ese proceso funcionaría a pesar de los líderes políticos, que se resistirían a perder poder, no gracias a ellos. En cada encrucijada, intentarían ceder el mínimo poder y preservar el máximo de autonomía, pero el contexto económico y la opinión pública les empujarían a dejar de lado sus visiones cortoplacistas y preservar la prosperidad del común.
Para algunos, esa lógica resulta asfixiante políticamente y abrasiva con sus identidades, hasta el punto de que la rechazan y combaten activamente. Pero para la mayoría de los europeos, más Europa lleva significando más bienestar, más paz y más democracia durante demasiados años como para, por más problemas que tenga el proyecto europeo, abandonarlo y arrojarse en brazos de los populismos xenófobos y antieuropeos.
Hoy como después de la caída del muro de Berlín, todas las miradas convergen sobre Alemania. Una Alemania cuyos logros son admirables y que con toda razón se merece liderar el proyecto europeo. Sin embargo, por razones que tienen que ver con su historia, economía, opinión pública y cultura política, Alemania renuncia a ser decisiva, a forzar un salto cualitativo en la integración europea. Como ocurriera en 1989-1991, Berlín tiene ante sí esa posibilidad, pero en lugar de rediseñar Europa y tirar de ella decisivamente hacia el futuro, prefiere limitarse a parchear el diseño actual e imponer controles más estrictos sobre los mecanismos existentes. Por esa razón, el debate europeo se encuentra encallado entre la austeridad y los estímulos; el papel del Banco Central Europeo como garante de la estabilidad de precios o el crecimiento; los partidarios de los recortes y los de las reformas; el cumplimiento de las reglas o el cambio de las reglas. Sabemos que de esta crisis sólo se saldrá con un gran pacto, un pacto que incluyera todos esos elementos que sabemos que son necesarios: un nuevo pacto fiscal y de austeridad, sí, pero también un nuevo papel del BCE, un Tesoro común europeo, un presupuesto común más amplio y una representación económica exterior común. Ese pacto no está hoy todavía al alcance de los los políticos europeos. Sin embargo, el pacto llegará, siquiera porque los mercados empujarán al euro hasta el límite, forzando, una vez más, a los Estados a seguir adelante. Puede que Europa toque fondo en 2012, pero difícilmente retrocederá: ha llegado demasiado lejos como para poder permitirse esa opción. Jose Ignacio Torreblanca (El País – 26/01/2012)

Indústrias de SP e Rio financiarão projetos sustentáveis na Rio+20
As federações de indústrias do Rio de Janeiro e de São Paulo, mais a iniciativa privada, vão financiar um projeto para promover iniciativas sustentáveis em cidades do mundo todo durante a Rio+20, a Conferência das Nações Unidas para o Desenvolvimento Sustentável, que acontece em junho na capital fluminense.
A ideia é que representantes municipais do planeta apresentem inovações tecnológicas e troquem experiências para alavancar um desenvolvimento que respeite o ambiente.
A reunião para tratar dos últimos detalhes da iniciativa, fechada para a imprensa, ocorreu no Palácio do Itamaraty, no centro do Rio, na presença do ministro das Relações Exteriores, Antonio Patriota; representantes da Prefeitura do Rio; Fundação Roberto Marinho; Paulo Skaf, presidente da Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo), e Eduardo Eugenio Gouvêa Vieira, presidente da Firjan (Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro).
De acordo com Patriota, o local servirá de convergência para os diferentes setores da sociedade debaterem formas de conciliar o desenvolvimento social com o econômico e o ambiental.
"Nosso lema é desenvolver, incluir e conservar, e o Brasil tem muito a oferecer nessas três áreas. E esse espaço pode ser um local privilegiado para ilustrarmos o que está sendo feito, levantarmos questões para o futuro, além de ser uma construção provisória que coloca em evidência a beleza do Rio de Janeiro", declarou o ministro.
O Forte de Copacabana abrigará o projeto que está sendo mantido em sigilo até seu lançamento em março. A maquete do enorme edifício que foi apresentada no encontro deve começar a sair do papel em meados de março.
O presidente da Firjan explicou que a contribuição das indústrias para o evento será a de demonstrar ao mundo a competência brasileira de pensar o futuro.
A Rio+20 deve reunir mais de 150 chefes de Estado para discutir formas de promover o desenvolvimento sustentável.
A reunião acontece exatamente 20 anos depois da conferência Eco-92, também promovida pela ONU, no Rio, para debater meios de desenvolvimento sem degradar o ambiente. (Agência Brasil/Folha SP – 25/01/2012)

Banco Mundial vai ajudar países do leste europeu
O Banco Mundial anunciou nesta quarta-feira que porá à disposição de países emergentes da Europa Oriental e do centro da Ásia US$ 27 bilhões para os próximos dois anos, a fim de enfrentar as consequências da crise na zona do euro.
O presidente do BM, Robert Zoellick, afirmou em comunicado que apesar das grandes economias da Europa Ocidental atraírem grande parte da atenção, "a crise também está afetando pessoas nos países emergentes da Europa Oriental".
Sob a categoria "Europa Oriental e centro da Ásia", o BM inclui 30 países, desde República Tcheca e Albânia até Rússia e Tadjiquistão.
Segundo a instituição multilateral, a crise de dívida da zona do euro está afetando esses países, a maioria ex-repúblicas soviéticas, de três maneiras: no âmbito financeiro, no comercial e nas remessas.
Devido a seus laços com as grandes economias europeias, o BM considera que esses países "provavelmente enfrentarão um retrocesso econômico em 2012", enquanto a assistência da instituição ajudará a manter a estabilidade fiscal, abordar reformas estruturais, assegurar o fluxo de fundos a pequenas e médias empresas e proteger a população mais vulnerável.
O Banco Internacional para a Reconstrução e o Desenvolvimento e a Associação Internacional de Desenvolvimento, parte do BM, indicaram que poderão aumentar seus empréstimos a esses países até US$ 16 bilhões nos exercícios fiscais de 2012 e 2013.
Enquanto isso, o programa de investimentos da Corporação Financeira Internacional para estes países alcançará um máximo de US$ 10 bilhões nesses dois anos, especialmente destinados a proteger o sistema bancário.
Para completar o montante atribuído a esses países da Europa Oriental e da Ásia Central, a Agência Multilateral de Garantias do Banco Mundial aumentará seus fundos destinados ao risco associado em US$ 1 bilhão. (Folha SP – 25/01/2012)

FMI prevê crescimento menor no Brasil e recessão na zona do euro
PIB do Brasil deve crescer 3% em 2012, abaixo dos 3,6% esperados antes.
Fundo revisou para baixo perspectivas de todas as regiões, exceto os EUA.
FMI deverá reduzir previsões de crescimento de diferentes países O Fundo Monetário Internacional (FMI) revisou para 3,3% a previsão de crescimento para a economia mundial em 2012, segundo relatório divulgado nesta terça-feira (24). Em setembro, o fundo projetava uma alta de 4% no Produto Interno Bruto (PIB) deste ano.
 A zona do euro, centro das atuais tensões econômicas, deve registrar recessão no ano, com contração do PIB em 0,5%. A revisão aponta uma piora considerável em relação às perspectivas de setembro, quando o Fundo apontava para um crescimento de 1,1% na economia da região.
Segundo o FMI, as crescentes tensões na zona do euro e a fragilidade nos demais locais ameaçam a recuperação global.
 "O crescimento nas economias emergentes e em desenvolvimento também deve perder força, em consequência da piora no ambiente externo e um enfraquecimento da demanda interna", diz o FMI no estudo.
O Fundo aponta, no entanto, que as novas projeções indicam que a economia global está "desacelerando, mas não entrando em colapso".
Na segunda-feira, a presidente do FMI, Christine Lagarde, já havia afirmado que o Fundo rebaixaria suas previsões de crescimento para boa parte do mundo, inclusive os países emergentes, que têm ajudado a guiar a expansão econômica, como Ásia e América Latina.
"Mesmo essas previsões mais baixas presumem um caminho político construtivo que, de forma nenhuma, está garantido", disse Lagarde.
Piora em todas as regiões
O fundo revisou para baixo as perspectivas de crescimento para todas as regiões avaliadas, exceto os Estados Unidos, onde a previsão de alta no PIB foi mantida em 1,8%. Para o Brasil, o FMI agora prevê uma alta de 3,0% no PIB de 2012. Em setembro, a expectativa era de crescimento de 3,6%.
Para a China, a previsão de crescimento foi reduzida de 9% para 8,2%, enquanto a Índia deve registrar expansão de 7%, ante 7,5% previstos anteriormente. Juntas, as economias emergentes e em desenvolvimento devem apontar uma expansão de 5,4% em 2012.
"Nas economias emergentes e em desenvolvimento, o foco no curto prazo deve ser em responder à moderação na demanda doméstica e à desaceleração da demanda externa das economias avançadas, e ao mesmo tempo lidar com os fluxos voláteis de capital", diz o FMI.
Na Europa, Espanha e Itália devem registrar recessões acentuadas, com contrações de 1,7% e 2,2%, respectivamente. A Alemanha deve ter crescimento tímido, de 0,3%.
Comércio internacional
Com a piora nas perspectivas, o FMI também revisou para baixo a expectativa de crescimento do volume global de comércio em 2012. Em setembro, a previsão era de expansão de 5,8%; agora, é de 3,8%.
'Área de risco'
FMI afirmou também nesta terça que os riscos à estabilidade mundial cresceram, "apesar das várias ações tomadas para conter a crise da dívida da zona do euro e os problemas bancários".
"A crise da dívida da zona do euro se intensificou ainda mais, necessitando de ação urgente para prevenir resultados altamente desestabilizadores", afirma o FMI.
De acordo com o fundo, os Estados Unidos e outras econômicas avançadas podem ser afetados por uma potencial intensificação da crise da zona do euro. "Os acontecimentos na zona do euro também ameaçam a Europa emergente e podem se alastrar a outros mercados emergentes", diz o estudo. (G1 – 24/01/2012)

Investimento estrangeiro é recorde e financia déficit
Investimentos estrangeiros diretos no Brasil somaram US$ 66,66 bilhões no ano passado, o que serviu para financiar o saldo negativo de US$ 52,612 bilhões em transações correntes, valor histórico.
Brasília – O investimento estrangeiro direto no Brasil chegou a US$ 66,66 bilhões em 2011, de acordo com dados divulgados nesta terça-feira (24) pelo Banco Central (BC). O resultado superou o de 2010, que ficou em US$ 48,506 bilhões. Somente em dezembro, esses investimentos chegaram a US$ 6,645 bilhões. O resultado foi suficiente para financiar o déficit em transações correntes.
A conta de transações correntes fechou o ano com déficit de US$ 52,612 bilhões. Somente no mês de dezembro, o resultado negativo ficou em US$ 6,040 bilhões. O número de 2011 superou o de 2010, que ficou em US$ 47,323 bilhões, e foi o maior da série histórica do BC, iniciada em 1947.
O saldo negativo correspondeu a 2,12% do Produto Interno Bruto (PIB). Em 2010, essa relação foi de 2,21%. A conta de transações correntes registra as compras e vendas de mercadorias e serviços. Nesse cálculo estão incluídas as exportações e importações de mercadorias que formam a balança comercial.
A balança comercial registrou superávit de US$ 29,796 bilhões no ano passado. A balança de serviços (viagens internacionais, transportes, aluguel de equipamentos e outros) fechou o ano passado negativa em US$ 37,906 bilhões.
Na conta de rendas (remessas de lucros e dividendos, pagamentos de juros e salários) registrou déficit de US$ 47,319 bilhões. As transferências correntes registraram saldo positivo de US$ 2,816 bilhões.
Os dados do BC mostram que o investimento estrangeiro em ações (negociadas em bolsas de valores no Brasil e no exterior) registrou saldo positivo de US$ 6,198 bilhões, bem abaixo do resultado registrado em 2010 (US$ 37,684 bilhões). Para este ano, a expectativa é de maior entrada desses recursos, com a projeção do BC em US$ 12 bilhões.
"As ações andaram de lado no ano passado. Um movimento fraco", disse o chefe do Departamento Econômico do BC, Tulio Maciel. De acordo com ele, a previsão para este ano indica um "volume anual moderado". Maciel acrescentou que esses investimentos são voláteis e refletem a percepção dos investidores quanto às oportunidades.
Dados parciais deste mês, até esta terça-feira, mostram que a entrada líquida (descontada a saída) chegou a US$ 3,033 bilhões. No caso das ações negociadas no Brasil, o resultado ficou em US$ 3,785 bilhões.
Os investimentos estrangeiros em títulos de renda fixa negociados no País registraram saída líquida (mais saída que entrada) de US$ 63 milhões no ano passado. Neste mês, até esta terça-feira, houve entrada líquida de US$ 361 milhões.
Viagens
A conta de viagens internacionais, formada pelas receitas de estrangeiros no Brasil e as despesas de brasileiros no exterior, fechou negativa em US$ 14,459 bilhões. Esse foi o maior déficit da série histórica do BC. Em 2010, o resultado, também negativo, ficou em US$ 10,503 bilhões.
Em todo o ano passado, as despesas de brasileiros no exterior chegaram ao recorde de US$ 21,234 bilhões, enquanto as receitas de estrangeiros em viagens ao Brasil ficaram em US$ 6,775 bilhões.
Somente no mês de dezembro, o déficit em viagens internacionais ficou em US$ 1,114 bilhão. Os gastos de brasileiros no exterior somaram US$ 1,764 bilhão e as receitas de estrangeiros ficaram em US$ 650 milhões.
Segundo Maciel, as despesas de brasileiros no exterior foram influenciadas pela continuidade do crescimento da economia e da renda, mas, a partir de agosto, com a alta da cotação do dólar, começou um período de moderação no crescimento desses gastos. "A principal influência, sem dúvida, é o comportamento da taxa de câmbio", destacou.
A expansão dos gastos de brasileiros em viagens ao exterior será mais moderada este ano, de acordo com Maciel. Para 2012, a previsão de déficit é de US$ 14,5 bilhões, semelhante ao número de 2011.
Os dados preliminares deste mês, até esta terça-feira, mostram que os brasileiros gastaram no exterior US$ 1,293 bilhão. As receitas de estrangeiros em viagem no Brasil estão em US$ 450 milhões. (Agência Brasil – 24/01/2012)

FMI reduz projeções de crescimento
Fundo reviu para baixo suas estimativas para este ano e o próximo. Economia mundial deve avançar 3,3% em 2012, e o Brasil, 3%. Crise na Zona do Euro é pior do que se esperava.
São Paulo – O Fundo Monetário Internacional (FMI) reviu para baixo suas expectativas para o crescimento da economia mundial em 2012 e 2013. De acordo com atualização do relatório World Economic Outlook, divulgada nesta terça-feira (24), o Fundo prevê avanço de 3,3% este ano e de 3,9% no próximo, com reduções de 0,7% e 0,6%, respectivamente, em relação ao levantamento publicado em setembro de 2011.
Segundo o documento, a recuperação da economia mundial está ameaçada pela crise na Zona do Euro e por "fragilidades" em outros lugares. A redução das estimativas, segundo o FMI, ocorreu principalmente porque se espera que a Zona do Euro passe por uma leve recessão por causa do aumento das taxas de retorno dos títulos públicos, da desalavancagem dos bancos e de medidas de ajuste fiscal.
"A previsão de crescimento é medíocre e poderia ser pior", disse o diretor do Departamento de Pesquisas do FMI, Olivier Blanchard, em entrevista postada no site da instituição. Ele citou a "consolidação fiscal" e a "desalavancagem dos bancos" como os dois principais entraves para o avanço econômico. O primeiro porque implica em mais impostos e menos gastos públicos, e o último porque significa menos crédito na praça.
As estimativas para os países desenvolvidos são piores do que as para as nações emergentes, mas as últimas também sofrerão com a crise. A previsão de crescimento médio para os Estados Unidos, Zona do Euro, Reino Unido, Canadá e Japão é de 1,2% em 2012 e de 1,9% em 2013. Para o bloco dos países em desenvolvimento a projeção é de avanço de 5,4% este ano e de 5,9% no próximo, abaixo dos 7,3% de 2010 e dos 6,2% de 2011.
"Os emergentes já estão sendo atingidos [pela crise], nós vemos pelo [fluxo de] comércio", declarou Blanchard. A ideia é que a baixa atividade econômica nos países desenvolvidos inibe as exportações das nações em desenvolvimento e também o fluxo de capitais. "Não será catastrófica [a desaceleração nos emergentes], mas ocorrerá", acrescentou o economista.
No caso do Brasil, o FMI espera um crescimento de 3% este ano e de 4% no próximo. As projeções foram reduzidas em 0,6% e 0,2%, respectivamente.
Árabes
Já na seara do Oriente Médio e Norte da África, há expectativa de aceleração em 2012 e 2013, principalmente por causa da recuperação da Líbia, cuja economia retrocedeu no ano passado por causa do conflito civil que derrubou o regime de Muammar Kadafi, e pela continuidade da "forte performance" dos países exportadores de petróleo.
O Fundo ressalta, porém, que os países árabes importadores de petróleo terão baixo crescimento por conta dos processos de transição política em algumas dessas nações e pelo cenário externo adverso.
Para o FMI, o preço médio do petróleo ficará em US$ 99 por barril este ano, contra US$ 104 em 2011. Os valores das demais commodities deverão cair, em média, 14% em 2012.
Embora isso não seja boa noticia para os países exportadores desses produtos, como o Brasil, o relatório avalia que haverá menos pressão inflacionária ao redor do mundo.
Em linhas gerais, a receita do Fundo para minimizar os problemas econômicos em 2012 é ir devagar com o andor no que diz respeito ao ajuste fiscal e às restrições ao crédito. Para o Banco Central Europeu, o FMI sugere dar maior liquidez ao sistema financeiro e reduzir a taxa de juros. Para EUA e Japão, a recomendação é formular políticas para trazer suas dívidas para patamares "sustentáveis" e assim criar condições para o crescimento e a geração de empregos. Nas economias emergentes, devem ser utilizados mecanismos para garantir a demanda interna, compensar a queda da externa e lidar com o fluxo volátil de capitais. (Anba – 24/01/2012)

Chile: Especialistas debaterão no Cepal política fiscal ante a crise
Santiago do Chile - Autoridades e especialistas da América Latina debaterão hoje nesta capital sobre os desafios da região no tema de política fiscal frente ao impacto da crise global.
  Os especialistas se reunirão durante três dias na sede da Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (Cepal), no contexto do XXIV Seminário Regional de Política Fiscal.
A reunião será inaugurada pela secretária executiva da referida instância das Nações Unidas, Alicia Bárcena, e contará com a presença de autoridades fiscais de alto escalão dos ministérios de Economia, Finanças e Planejamento e dos bancos centrais dos países da América Latina e da Espanha.
O impacto da crise de dívida que enfrentam países da Europa e as políticas orientadas a conseguir simultaneamente crescimento econômico com convergência produtiva e igualdade na América Latina serão alguns dos tópicos nos quais se aprofundarão os participantes do seminário.
Além disso, serão revisados os avanços e desafios da região no controle das finanças públicas e o papel da política fiscal na redução das desigualdades de rendimentos.
Outros temas de análise serão a política fiscal na América Central e no Caribe, a reforma fiscal verde e social, as estratégias nacionais de desenvolvimento dos países da América Latina e seus vínculos com o orçamento e o gerenciamento por resultados. (Prensa Latina – 24/01/2012)

Europa anuncia embargo a petróleo iraniano e amplia tensão no Golfo
Para obrigar o Irã a negociar fim de programa nuclear, chanceleres europeus aprovam sanções
GENEBRA - A União Europeia aprovou nesta segunda-feira, 23, um embargo contra o petróleo iraniano. Para diplomatas, a medida pode ser o último recurso para forçar o Irã a abandonar seu programa nuclear. Em Teerã, a reação foi imediata. O governo iraniano ameaçou fechar o Estreito de Ormuz e interromper o fornecimento imediato do produto, o que agravaria a crise econômica global.
A chefe da diplomacia europeia, Catherine Ashton, disse que o objetivo da nova sanção é fazer o Irã negociar. Segundo ela, a UE propôs o diálogo, mas ainda não obteve resposta. Nos últimos dias, apesar dos sinais desencontrados emitidos por Teerã, mediadores acreditam que a pressão esteja dando resultados e o regime iraniano estaria disposto a negociar.
Além do embargo sobre o petróleo iraniano, a UE congelou os bens do Banco Central do Irã, restringiu investimentos no país e proibiu a exportação de equipamentos para exploração de gás. No total, 500 iranianos já estão com suas contas congeladas e proibidos de viajar para a Europa.
No entanto, a grande ferramenta de pressão é mesmo o embargo sobre o petróleo, responsável por grande parte do financiamento externo da economia iraniana. A UE é o segundo maior importador de petróleo do Irã, superado pela China.
O embargo, porém, pode se transformar em dor de cabeça para a Europa, que vive sua pior crise desde a criação do euro. Pressionada por Grécia, Espanha e Itália, que importam do Irã grande parte do petróleo que consomem, a UE optou por um embargo progressivo. A sanção vale para todos os novos contratos, mas os países terão até julho para buscar alternativas.
Ameaça
Para Ali Fallahian, ex-ministro e membro da Assembleia dos Especialistas, colegiado que escolhe o líder supremo do Irã, o país deveria encerrar as exportações à Europa, afetando a zona do euro. "A melhor forma é parar as exportações antes dos seis meses de prazo e antes da implementação do plano", disse. Segundo ele, se isso ocorrer, as sanções entram em "colapso".
O Irã ainda ameaçou novamente fechar o Estreito de Ormuz. "Se qualquer problema foi registrado na venda de petróleo iraniano, o Estreito de Ormuz será fechado", disse Mohamed Kossari, vice-presidente do Comitê de Segurança Nacional do Parlamento.
No fim de semana, um porta-aviões americano e navios de guerra franceses e britânicos desafiaram as ameaças e navegaram pela região. A Casa Branca já disse que não aceita o fechamento. Para o Ministério da Defesa britânico, a presença de navios na região "mostra o compromisso dos três países em manter a passagem aberta".
A Rússia, que rejeita mais sanções, reagiu de maneira moderada. O chanceler russo, Sergei Lavrov, classificou o embargo como um "fator agravante" e disse que tentaria convencer o Irã a negociar. "Não podemos tomar medidas radicais", disse.
Em comunicado, Alemanha, Grã-Bretanha e França também pediram a volta das negociações. "Pedimos que os líderes do Irã suspendam suas atividades nucleares imediatamente", afirma o texto, que garante que "as portas estão abertas para que o Irã entre em negociações sérias e significativas sobre seu programa nuclear". "Espero que o Irã recobre sua consciência e aceite negociar", afirmou o ministro britânico das Relações Exteriores, William Hague.
Preço do barril
EUA e Israel elogiaram as sanções aprovadas na Europa. Para o premiê israelense, Binyamin Netanyahu, o embargo é um "passo na direção certa". O presidente americano, Barack Obama, afirmou que as punições mostram a união da comunidade internacional frente à grave ameaça do programa nuclear persa. O secretário do Tesouro, Tim Geithner, e a de Estado, Hillary Clinton, as consideraram "um passo positivo no esforço para aumentar dramaticamente a pressão sobre o Irã".
A troca de farpas de ontem entre europeus e iranianos fez o preço do produto subir. O tipo brent, negociado em Londres, subiu US$ 1,17 e chegou a US$ 111,03. O barril tipo WTI, cotado em Nova York, foi a US$ 98,05, uma alta de US$ 1,04. (O Estado de São Paulo – 24/01/2012)

Por que o FMI deve ficar longe da Europa
O Fundo Monetário Internacional (FMI) alocou 91% de seus compromissos definitivos para programas na Europa. Mas existe agora sobre a mesa de negociações uma proposta que sugere que esse montante não é suficiente e deveria ser ampliado significativamente. Será justificado um aumento dos fundos do FMI para socorrer a zona do euro? Em especial, deveriam países fora da zona euro participar da captação desse novo capital? Penso que não.
O FMI está certo, é claro, em concluir que a crise da zona do euro é o principal risco com que agora se defronta a economia mundial. O mundo tem um forte interesse na solução da crise. Mas um envolvimento maior do FMI em programas específicos da União Europeia não é necessário, sendo, muito possivelmente, contraproducente.
O envolvimento não é necessário porque a zona do euro tem capacidade financeira para ajudar a si mesma. A região como um todo tem um pequeno superávit em sua balança corrente com o resto do mundo. Como resultado disso, a região não depende de financiamentos externos. A região tem seu próprio banco central, que pode, ao menos em tese, agir como um emprestador de última instância.
Os Estados-membros da zona do euro têm dificuldade para comprometer dinheiro adicional às operações de socorro e acreditam ser politicamente mais conveniente canalizar recursos por meio do fundo como uma forma de driblar parlamentos nacionais.
A zona do euro opera, como sabemos, sob limitações políticas e jurídicas, tais como as regras para déficits determinadas pelo tratado de Maastricht, a regra que proíbe socorros financeiros ou as regras que impedem o Banco Central Europeu de financiar governos.
No entanto, um observador externo teria razão em afirmar que essas regras são, todas, autoimpostas, e, portanto, reversíveis. A zona do euro deveria mudar suas regras, antes de rastejar até outros países, de chapéu na mão.
Considerando que a zona do euro é economicamente irrestrita e uma das regiões mais ricas do mundo, o pedido para envolvimento do FMI em hipotéticas operações de socorro futuro é moralmente repreensível. O que está acontecendo, nesse caso, é que os Estados membros da zona do euro têm dificuldade para comprometer fundos adicionais às operações de socorro e acreditam ser politicamente mais conveniente canalizar recursos por meio do FMI como uma forma de driblar parlamentos nacionais.
Mas, em minha opinião, existe um argumento ainda mais importante. A forma como os Estados membros da zona do euro têm lidado com a crise ampliou as chances de um resultado catastrófico. Uma extensão do engajamento do FMI muito provavelmente apoiará as políticas atuais.
A recessão em desenvolvimento é, em grande medida resultado de uma elevação prematura das taxas de juro pelo BCE, de uma resposta hesitante à crise, da não recapitalização do setor bancário após a crise financeira de 2008 e de uma reação instintiva em política fiscal pró-cíclica. O novo governo espanhol admitiu na semana passada não haver nenhuma possibilidade de que possa cumprir a meta de 4,4% do Produto Interno Bruto (PIB) para o déficit deste ano, estabelecida numa época em que as autoridades podiam fingir que a economia iria se recuperar. A Itália já apertou a política fiscal apesar da recessão e também a Espanha ficará sob pressão para fazê-lo. Todo mundo está seguindo os passos da Grécia.
Os erros acumulados de política econômica na zona do euro estão transformando um aperto de liquidez numa crise de solvência. E aqui reside um risco grave para o FMI. Se a Itália ficar enredada em uma recessão prolongada, crescerá significativamente a probabilidade de que não seja capaz de pagar sua dívida, atualmente em 120% do PIB. Notícias da Itália sugerem que o FMI está prestes a prever uma recessão de dois anos para o país, o que poderá muito bem resultar em um aumento da proporção da dívida em relação ao PIB. A solvência futura da Itália é inteiramente dependente das taxas de juro de mercado e da perspectiva de um retorno a um crescimento econômico forte e sustentável.
Tenho dificuldades para ver como isso pode ser feito sem uma união fiscal e um compartilhamento bem maior dos encargos.
Existem argumentos técnicos adicionais que favoreceriam um envolvimento mais cauteloso do FMI. Mario Blejer, ex-presidente do banco central da Argentina, argumentou recentemente que o status de credor preferencial do FMI poderia tornar-se um problema, pois um empréstimo do FMI subordinaria automaticamente todos os outros detentores de títulos. A probabilidade de um default envolvendo esses títulos possivelmente impagáveis é, portanto, significativamente maior. Além disso, a situação poderia tornar-se tão grave que a senioridade do FMI poderia não se sustentar, o que por sua vez colocaria em risco sua capacidade de emprestar a juros baixos.
Existem várias propostas na mesa sobre a forma de envolver o FMI de maneira inteligente. Mas todas estão sujeitas ao mesmo problema. Qualquer tipo de ajuda de liquidez externa incentivaria a zona euro a seguir em frente com as políticas que estão agravando a crise.
A melhor contribuição que o FMI poderia fazer, portanto, é não envolver-se em outros programas além daqueles com que já se comprometeu. Se tiver de se envolver, deveria ao menos tentar condicionar quaisquer engajamentos adicionais a mudanças fundamentais de política econômica, tanto em nível nacional como da zona do euro. Em particular, o FMI deveria insistir em um grau mínimo de gestão econômica coletiva na abordagem de algumas das questões básicas, como a fragilidade do setor bancário e as políticas visando eliminar a interdependência dos bancos nacionais com os governos nacionais. Seria imprudente o FMI envolver-se nesses debates.Wolfgang Münchau (Valor Online – 24/01/2012)

Superávit comercial da Argentina soma US$ 10,3 bilhões em 2011
A balança comercial da Argentina registrou superávit de US$ 10,347 bilhões em 2011, valor 11% inferior ao apurado um ano antes, quando o saldo ficou positivo em US$ 11,6 bilhões.
O desempenho, divulgado nesta segunda-feira pelo Instituto Nacional de Estatística e Censos (Indec), resulta de US$ 84,269 bilhões em exportações e US$ 73,922 bilhões em importações.
Somente em dezembro, o superávit comercial atingiu US$ 280 milhões, sendo US$ 6,269 bilhões em exportações e US$ 5,989 bilhões em importações.

Os principais destinos das exportações argentinas foram Brasil, China, Chile, Estados Unidos e Espanha.
O Mercosul tem a maior representatividade entre as exportações argentinas, com 25%, seguido por União Europeia (17%) e Associação de Nações do Sudeste Asiático, China, Japão e Índia (16%).
Em 2011, as exportações ao Brasil somaram US$ 17,7 bilhões, um crescimento de 23% sobre o observado em 2010. (Brasil Econômico/NetMarinha – 24/01/2012)

Superávit comercial da Argentina cai a US$ 280 mi em dezembro
BUENOS AIRES – O superávit comercial da Argentina caiu para US$ 280 milhões em dezembro, de US$ 684 milhões em novembro, segundo informou nesta segunda-feira a agência nacional de estatística (Indec). O resultado do mês passado ficou bem abaixo do esperado pelos analistas entrevistados pela Dow Jones, que era de um saldo positivo de US$ 700 milhões.
Em 2011, a Argentina registrou um superávit comercial de US$ 10,347 bilhões, de um saldo positivo de US$ 11,6 bilhões em 2010 de um superávit de US$ 17 bilhões em 2009. Para este ano, o Banco Central argentino prevê um superávit de US$ 8,9 bilhões.
Em dezembro, as exportações argentinas cresceram 14% ao ano para US$ 6,3 bilhões em dezembro, enquanto as importações aumentaram 11% para US$ 6 bilhões.
O saldo comercial argentino vem caindo nos últimos anos, refletindo o crescimento mais rápido das importações em relação às exportações. Os economistas acreditam que as recentes medidas do governo para bloquear as importações podem fazer diferença na balança comercial nos próximos meses.
Nas últimas semanas, o governo da presidente Cristina Kirchner reforçou seus esforços para conter as importações e a demanda por dólares para efetuar o pagamento dessas operações. Guillermo Moreno, o polêmico secretário de Comércio argentino, recebeu formalmente poderes para vetar importações.
A partir de fevereiro, os importadores argentinos terão de obter uma declaração jurada da receita federal argentina (AFIP) e de outros órgãos do governo antes de adquirir um bem no exterior. Na prática, a medida equivale a colocar todas as importações do país sob o regime de licenças não automáticas. (Valor Online – 24/01/2012)

Dilma quer expandir financiamento para exportações
Em 15 dias, a presidente Dilma Rousseff quer receber de seus ministros e dos presidentes do Banco do Brasil e do BNDES um novo modelo de financiamento às exportações, para estimular as vendas brasileiras ao exterior e dar apoio a negócios nos países da América do Sul e na África, segundo informou ao Valor um de seus ministros. (Valor Online – 24/01/2012)

Amcham ajudará governo na formulação de ações para estimular comércio
SÃO PAULO - A Câmara Americana de Comércio Brasil-Estados Unidos (Amcham) vai formar um comitê para elaboração de sugestões de medidas de incentivo ao comércio exterior. As propostas deverão ser apresentadas em fevereiro ao Ministério de Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (Mdic). Segundo Welber Barral, sócio da M Jorge Consultores e presidente do comitê de comércio exterior da Amcham, as sugestões serão elaboradas a pedido da secretária de Comércio Exterior do Mdic, Tatiana Prazeres. Barral explica que o  Mdic vem consultando várias entidades para a elaboração das medidas de estímulo à exportação prometidas para serem anunciadas em março.
Barral diz que devem fazer parte do comitê especialistas em comércio exterior de empresas interessadas. O foco será elaborar propostas para aperfeiçoar e simplificar alguns mecanismos, principalmente linhas de financiamento à exportação e alguns instrumentos operacionais de incentivo ao comércio exterior como o drawback .  "O governo acredita que o baixo nível de utilização do drawback não está mais ligado à base legal, mas a questões operacionais.  A ideia é verificar com quem está na ponta nas empresas, que lidam com o operacional,  por que o mecanismo não está funcionando." Um dos problemas para o uso do incentivo, acredita Barral, está na insegurança jurídica em razão do receio de autuações da Receita Federal. Na questão do financiamento, diz Barral, um dos entraves é o alto custo do seguro, principalmente  para a exportação a mercados emergentes. (Valor Online – 24/01/2012)

Nova secretaria vai reestruturar funcionamento dos ministérios
Valter Correia: nova secretaria reunirá equipe de 14 gestores que definirá quais ministérios terão de ser reestruturados.O governo vai reestruturar o funcionamento de todos os ministérios. Em uma ampla reformulação a ser iniciada este ano, secretarias poderão ser extintas e outras criadas, conforme o parâmetro de eficiência que está sendo definido pelo Executivo. Além disso, o governo vai estabelecer parâmetros para o controle dos gastos de custeio.
A reformulação estará a cargo da Secretaria de Gestão Pública do Ministério do Planejamento, instituída ontem pela presidente Dilma Rousseff, por meio do decreto 7.675, no dia da primeira reunião ministerial deste ano.
A nova secretaria, que vai definir indicadores de controle das despesas de custeio e avaliar os procedimentos administrativos de cada ministério, resultou da fusão de outras duas (de Gestão e de Recursos Humanos), que foram extintas. Ela será chefiada por Ana Lúcia Amorim e terá sete departamentos.
A fusão, que conferiu um caráter de supersecretaria ao novo órgão, vai impor novos padrões de eficiência à Esplanada dos Ministérios. "Não foi mera junção de departamentos", ressaltou o secretário-executivo adjunto do Ministério do Planejamento, Valter Correia.
Entre as modificações, Correia informou que a nova secretaria reunirá uma equipe de 14 gestores encarregada de formular procedimentos para aperfeiçoar a atuação dos órgãos federais. É essa equipe que definirá quais ministérios terão que ser reestruturados.
Um projeto piloto de revisão de procedimentos que está em curso nos ministérios da Justiça e da Saúde será replicado em escala maior nas demais pastas. Entre as avaliações que estão sendo feitas, os gestores monitoram, por exemplo, como é feita a compra de medicamentos pelo Ministério da Saúde.
"Acabamos de contratar uma consultoria para melhorar processos de trabalho nos ministérios da Justiça e da Saúde e isso será gerenciado pelo Ministério do Planejamento", informou o secretário-adjunto. "Vamos redesenhar todo o processo de trabalho", disse.
Segundo ele, serão feitos diagnósticos e as etapas de trabalho que não agregam valor serão eliminadas. "É um projeto-piloto e a ideia é fazermos isso em outra escala", completou Correia.
Além da reformulação na forma de atuação dos ministérios, a Secretaria de Gestão Pública está encarregada de idealizar indicadores de acompanhamento dos gastos do governo com o custeio da máquina. "Temos um programa vinculado à Secretaria de Orçamento Federal de eficiência do gasto. Isso foi implantado em alguns órgãos, ainda em 2010, e agora queremos fazer de forma mais geral na Esplanada dos Ministérios", informou.
Entre as ações relacionadas ao melhor uso das verbas constam a revisão dos procedimentos para contratação de serviços terceirizados, despesas com passagens aéreas, uso de material de escritório e consumo de energia elétrica. "Isso é para melhorar o custeio. Agora temos condições de medir isso", explicou.
Valter Correia citou como exemplo o maior rigor sobre a despesa com diárias e passagens aéreas. Esse desembolso passou de R$ 2,3 bilhões em 2010 para R$ 1,3 bilhão em 2011. A meta do Ministério do Planejamento é fazer com que reduções desse tipo com custeio não sejam pontuais, mas permanentes.
Ao comentar que até agora faltavam indicadores para medir esse tipo de gasto, o secretário-adjunto disse que o Ministério do Planejamento finaliza mecanismos que permitirão a mensuração das despesas com a manutenção da máquina administrativa.
Segundo ele, a Secretaria de Gestão Pública treinará equipes para dar capilaridade a esse controle. Um dos exemplos citados é o consumo de energia. O Ministério do Planejamento já possui um acompanhamento sobre gastos com energia em alguns prédios públicos e busca agora definir metas de redução dessa despesa nos vários órgãos da administração federal.
A implantação da Secretaria de Gestão Pública foi acompanhada da criação da Secretaria de Relações do Trabalho. Idealizada pelo secretário de Recursos Humanos, Duvanier Paiva - morto na quinta-feira em consequência de um infarto do miocárdio -, essa nova divisão ficará encarregada de negociar com os representantes do funcionalismo público.
A secretaria, que será chefiada interinamente por Marcela Tapajós, não possui departamentos, mas coordenadorias em uma configuração que privilegia uma estrutura enxuta destinada a conferir agilidade e rapidez às negociações sobre reajuste salarial e reestruturação de carreiras.
As demais atribuições relativas ao funcionalismo público, como a administração da folha de pagamento, realização de concursos públicos e estruturação da força de trabalho serão executadas pela Secretaria de Gestão Pública. (Valor Online – 24/01/2012)

4% em 2012. Por que não?
Quando se olha o resultado obtido pelas políticas econômica e social de 2011, parece justo concluir que ele foi bastante razoável, tendo em vista: 1) o quadro internacional de desintegração das economias desenvolvidas; 2) as dúvidas e as críticas que elas sofreram da maioria dos analistas financeiros à medida que eram implementadas.
Hoje, parece claro que a mudança da política econômica, que deu mais ênfase à fiscal, proporcionou maior grau de liberdade à monetária para usar outros instrumentos como, por exemplo, o IOF sobre transações que envolvem a taxa de câmbio. A ação do governo estava mais antenada com a realidade do mundo e com o desenvolvimento recente da economia do que uma boa parte dos seus críticos. Isso é objetivamente revelado na enorme aprovação popular do primeiro ano da presidente Dilma Rousseff.
Provavelmente o fato mais importante de 2011 seja a credibilidade crescente da política fiscal (em meio a dúvidas iniciais) pelo cumprimento do objetivo de fazer o superávit primário em torno de 3,2% do PIB. Isso deu conforto ao Banco Central para que exercesse a sua musculatura, iniciando uma queda da taxa real de juros.
Felizmente, ninguém mais fala que o produto potencial é de 3,5%
O compromisso de fazê-lo em 3,1% do PIB em 2012, como prometido pelo governo, é importante para a continuação da redução cuidadosa da taxa de juros real para um nível parecido ao do mercado internacional. Essa é uma das condições necessárias para que funcione adequadamente o sistema de câmbio flutuante.
É preciso lembrar: 1) que a taxa de câmbio (juntamente com adequada matriz de tarifas efetivas) determina o equilíbrio entre o valor do fluxo de bens e serviços exportados e dos importados e é um dos preços mais importantes para manter a economia num alto nível de utilização dos fatores de produção internos, inclusive o emprego da mão de obra; e 2) que ela é sensível à política fiscal.
Parece possível afirmar que uma sólida política fiscal, que controle o ritmo de crescimento das despesas de custeio e transferências, abra espaço para o investimento público e permita à política monetária continuar a reduzir a taxa de juros real e, simultaneamente, ampliar o crédito ao setor privado (não há nenhuma contradição nisso), condição fundamental para um crescimento mais robusto em 2012, com uma taxa de inflação convergindo para a meta e a sustentação de um câmbio real mais amigável com o setor industrial brasileiro.
Com relação à situação fiscal (dívida/PIB) não há nada que no momento nos atrapalhe. Não podemos esquecer, entretanto, que a relação dívida líquida/PIB não satisfaz à condição de transparência. Melhor seria usar - como a grande maioria dos países - a relação dívida pública bruta/PIB, que hoje anda em torno de 64%, 2/3 maior que a dos emergentes, excluído o Brasil.
Dito isso, como devemos tratar o problema do crescimento em 2012? A maioria dos que têm a obrigação, por motivos profissionais, de prevê-la afirma que ela será qualquer coisa entre 3% e 3,5%, mas não explicita quais as condicionalidades da profecia.
Felizmente, ninguém mais fala que o "produto potencial" brasileiro é de 3,5%. Fala-se agora de 4,5%. Mas como disse numa entrevista imperdível, no Valor (20/22 janeiro de 2012), um dos nossos economistas mais bem apetrechados, o competente e sóbrio Sergio Werlang, "estou mais para 4,5% como crescimento potencial, mas se já há erro na medida do próprio PIB, imagine na medida do potencial".
Já devíamos ter aprendido que a única forma segura de prever o futuro é tentar construí-lo. Honestamente, não há nenhuma razão para supor que não possamos crescer entre 4% e 4,5% (entre o último trimestre de 2011 e o seu homólogo de 2012), se o governo cumprir seu programa fiscal e ativar os investimentos do PAC, atento à flutuação estacional das despesas num ano eleitoral; transferir com rapidez o máximo possível dos investimentos em infraestrutura para o setor privado através de concessões e parcerias; prosseguir na pressão para aprovar o sistema previdenciário público e eliminar alguns absurdos tributários, que continuam a destruir nossas exportações industriais e trabalhar contra o aumento do valor adicionado das exportações agrícolas. Nada impossível com a credibilidade da presidente e sua cômoda maioria no Congresso.
Para crescer 4% em 2012 com a inflação sob controle, o governo tem que fazer a sua parte. Cumprir transparentemente sua meta fiscal e cooptar o setor privado (trabalhadores, empresários e banqueiros) para tomar o risco de o acompanhar para fazê-lo.
Nota à parte. Quem ainda tem curiosidade e capacidade para surpreender-se sobre os efeitos dos IOF no mercado cambial, não deve perder o artigo "Bubble Thy Neighbor: Direct and Spillover Effects of Capital Control", apresentado numa conferência promovida pela Allied Social Sciences Association, em Chicago, pelos economistas Kristin Forbes (MIT-Sloan School of Management), Marcel Fratzscher, Thomas Kostka e Roland Straub (todos do Banco Central Europeu), em novembro de 2011.Antonio Delfim Netto (Valor Online - 24/01/2012)

Exportações da indústria gaúcha encerram 2011 no mesmo patamar de 2008
As exportações industriais gaúchas encerraram 2011 com um crescimento de 18%, em relação ao ano anterior, e somaram US$ 15,6 bilhões. "Apesar de parecer expressivo, o resultado apenas coloca as vendas externas no patamar de 2008, após dois anos seguidos de estagnação decorrente dos efeitos negativos da crise financeira internacional", disse o presidente da Federação das Indústrias do Rio Grande do Sul (FIERGS), Heitor José Müller.
Porém, os embarques de produtos básicos foram o grande destaque em 2011, com expansão de 76,1%. Isso ocorreu devido a forte demanda por commodities, sobretudo dos países emergentes, capitaneadas pela China. No total das vendas do Estado, o avanço chegou a 26,3%, em comparação com 2010. A participação da indústria na pauta exportadora passou de 86%, naquele ano, para 80% em 2011. Este último número reforça uma tendência que vem se intensificando ao longo da última década. Em dez anos, a redução dos produtos industriais na pauta gaúcha já soma 10,2 pontos percentuais.
O incremento das exportações industriais foi disseminado. Dos 25 segmentos, 19 avançaram em relação ao ano passado. No entanto, apenas seis deles concentraram 84,3% dos envios: Produtos Alimentícios, Químicos, Tabaco, Máquinas e Equipamentos, Couro e Calçados e Veículos Automotores, Reboques e Carrocerias.
Com relação às perspectivas para 2012, o presidente da FIERGS se mostrou preocupado: "O desempenho do setor exportador do Rio Grande do Sul pode sofrer uma desaceleração considerável neste ano, pois os efeitos da estiagem devem atingir grande parte da cadeia de alimentos e da agroindústria". Müller também chamou a atenção para outros fatores que prejudicam o setor, como o aumento do protecionismo comercial, sobretudo na Argentina e na Zona do Euro.
As importações do estado avançaram 18% no total de 2011, atingindo US$ 15,7 bilhões, com destaque para os incrementos nas compras de bens intermediários e de consumo. "Os resultados mostram um aprofundamento da substituição de produtos nacional pelos importados, em parte pela taxa de câmbio valorizada, pelo alto custo da produção no Brasil, que diminui a competitividade, e pelodumpingcambial e social da China", destacou Müller.
No que se referem aos destinos, os chineses foram os que mais receberam produtos gaúchos (17,4%). Em segundo lugar, os argentinos responderam por 10,2% dos pedidos, seguidos pelos norte-americanos, com 7,1% de participação.
O Rio Grande do Sul manteve a quarta posição entre os Estados que mais exportaram em 2011, somando 7,6% do total da pauta brasileira, em relação a 2010. O primeiro lugar ficou com São Paulo (23,4%), seguido por Minas Gerais (16,2%) e Rio de Janeiro (11,5%).
DEZEMBRO - No último mês do ano, as exportações gaúchas expandiram 7%, atingindo US$ 1,4 bilhão, na comparação o mesmo mês do ano passado. O setor industrial foi responsável por 89% dos embarques, contra 93% em 2010. As importações desaceleraram 3,5% e chegaram a US$ 1,2 bilhão. (CNI – 24/01/2012)

A cúpula dos Brics
A criação dos Brics foi um excelente negócio para o Brasil: projetou a imagem de um país em ascensão, abriu espaço inédito para tratar de temas globais e institucionalizou nosso diálogo com China, Índia e Rússia, três países mais poderosos que nós (África do Sul entrou para o grupo mais recentemente). Jim O'Neill, que cunhou a sigla há dez anos, merece estátua comemorativa em praça pública.
É interesse do Brasil que os Brics ganhem voz, autoridade e volume maior que a mera soma das partes. Agora, faltando apenas dois meses para a cúpula da sigla neste ano, o desafio é encontrar uma posição comum sobre o tema em que a atuação dos membros tem sido mais criticada - o Oriente Médio. A atual fluidez da região oferece duas oportunidades para os Brics.
A primeira é o risco real --e crescente-- de um conflito armado envolvendo o Irã. Embora os Brics não possam impedir um desfecho desses, poderiam jogar água na fervura, ganhando tempo até o fim da campanha presidencial americana que radicaliza as partes do conflito e reduz o espaço para a negociação. Para isso, os Brics teriam de lançar proposta capaz de chacoalhar os termos do debate. Uma forte candidata seria declaração que confirmasse o direito iraniano ao enriquecimento de urânio com fins pacíficos em território nacional, mas pedisse ao Irã, a título de medida de confiança, uma moratória voluntária no desenvolvimento de tecnologias sensíveis por tempo indeterminado. Na Casa Branca e em Teerã há suficiente medo de uma escalada para viabilizar uma iniciativa dessa natureza.
O segundo fator é a Primavera Árabe. Quando os protestos de rua eclodiram, os membros dos Brics apostaram em soluções conservadoras que não resistiram ao ritmo avassalador dos acontecimentos. Terminaram na incômoda situação de chancelar na ONU, a contragosto, uma intervenção na Líbia. Tiveram a sua imagem maculada junto à opinião pública da região e foram alvo de pressão de grandes potências.
A bola da vez é a Síria, onde o maior incomodado dentre os Brics é o Brasil, democracia de massas livre de amarras autoritárias há apenas uma geração. Por isso, Brasília é a voz mais crítica do grupo ao regime de Bashar al-Assad. É sua responsabilidade incentivar os outros membros dos Brics a aproximar-se da Liga Árabe e alentar os povos de Líbia, Egito, Tunísia e Iêmen. Da mesma forma é sua responsabilidade apresentar oficialmente ao grupo as teses da "responsabilidade ao proteger" que o governo levou à ONU em novembro passado. Se a ideia afundar, saberemos que é melhor deixá-la de lado. Se vingar, teremos uma bandeira para o futuro.
O que ganharia o Brasil fazendo isso tudo?
Uma atmosfera benigna para restaurar o ativismo diplomático no Oriente Médio depois da frustrada Declaração de Teerã (2010). Findo o governo Lula, faltou apetite e força para grandes apostas naquela região, e a diplomacia deu um passo atrás. Agora o governo Dilma tem a chance de aproveitar a cúpula dos Brics para voltar à cena.
O esforço vale a pena porque há muito em jogo. O Brasil abriu embaixadas, multiplicou o volume de comércio, participou pela primeira vez do processo de paz árabe-israelense e comandou força naval da ONU no Líbano. Aproximou-se do dínamo diplomático da região, a Turquia, e passou a prestar cooperação técnica ao povo palestino. Conseguiu isso tudo com a aceitação de Israel. Nos últimos dez anos, o chanceler brasileiro visitou a região 24 vezes. É um bom começo.
O valor dessas iniciativas está muito além dos interesses materiais que o Brasil tem ou pode vir a ter no Oriente Médio. Há interesses intangíveis de igual valor. Afinal de contas, não há espaço nas grandes mesas para países que nada têm a dizer de construtivo sobre a área mais volátil do planeta.Matias Spektor (Folha SP – 23/01/2012)

Economia da Holanda escapa da crise
País apresenta o segundo maior superávit comercial da zona do euro, só atrás da Alemanha
AMSTERDÃ - Os funcionários da Royal Philips Electronics na cidade de Drachten, que esperavam ser demitidos, ficaram perplexos quando o gerente da fábrica disse que a empresa estava trazendo da China, para a Holanda, sua unidade de produção dos seus sofisticados e caros barbeadores elétricos.
Rob Karsmakers, o gerente da fábrica que retornou ao país depois de quatro anos trabalhando para a Philips na Ásia, disse aos empregados que a empresa vai aumentar os investimentos na empresa em Drachten, onde emprega 2 mil pessoas. "Um engenheiro de produto em Xangai hoje é tão caro quanto em Drachten", disse Karsmakers, que dirige a fábrica desde 2009. A Philips emprega 14 mil pessoas na Holanda.
A Holanda, quinta maior economia do euro, aumentou seu poder de atração e se tornou uma potência no setor de manufatura. Hoje, ela lidera em áreas como calças e uniformes de combate para o Exército americano. A Apple utiliza chips produzidos pela ASML Holdings para o seu iPhone e iPad, e a TomTom ajuda os motoristas a navegarem por estradas desconhecidas.
Nos primeiros nove meses do ano, o superávit comercial holandês foi o segundo mais alto da região do euro, ficando atrás da Alemanha, segundo a Eurostat. A Holanda foi o sétimo país exportador nos últimos cinco anos, segundo a ING Grope e a Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento. "A Holanda é um país de comércio, é assim que ganhamos nosso dinheiro", disse Maarten Leen, economista da ING.
Estabelecida como porta de entrada para a Europa, com cinco importantes portos marítimos e o aeroporto de Schiphol próximo de Amsterdã, os holandeses têm conseguido manter um superávit de conta corrente desde 1981, disse Leen.
A agência Standard & Poor's confirmou em 13 de janeiro a nota de crédito de longo prazo de triplo A da Holanda, citando os seus "sólidos e sustentáveis superávits de conta corrente", que se mantiveram em uma média de 6,4% entre 2005 e 2010.
As marcas globais holandesas hoje abrangem a cerveja Heineken, a Royal Dutch Shell e Unilever, fabricante do sabonete Dove, o chá Lipton e o sorvete Magnum. Produtos químicos como as tintas Sikkens da Akzo Nobel, e maquinário como os sistemas de litografia da ASML constituem uma parte substancial do crescimento das exportações, além dos produtos agrícolas, como flores, cebolas e tomates.
Os setores de tecnologia e química têm registrado um vigoroso crescimento das exportações desde 1996, com aumentos de 4% e 5,8% ao ano, dados, respectivamente, da CBS e do departamento de estatística holandês. "Temos uma infraestrutura superior, com docas em Roterdã, Delzijl e Geleen, e uma conexão com o sistema de dutos de gás e etileno nos países em torno, como Bélgica, Antuérpia e na área do Reno, na Alemanha", disse Werner Fuhrman, vice-presidente da VNCI, a federação das indústrias químicas holandesas.
No caso da ASML Holding, sua posição na Holanda é chave, uma vez que a companhia depende de "centenas de fornecedores de alta tecnologia" e institutos de pesquisa para desenvolver seus scanners para litografia, disse o diretor financeiro Peter Wennink. Um trabalho especializado "que conseguimos realizar rápida e eficazmente com parceiros no sul da Holanda". A ASML Holding, que tem uma fatia de mercado de 80% no setor de equipamentos de semicondutores, está inserida na região de Brainport, ao sul da Holanda, em um centro industrial que reúne indústrias alimentícias, automotivas, design e tecnologia, incluindo a Philips e a TomTom.
Já a Karsmakers, ao trazer a produção dos seus barbeadores para a unidade de pesquisa em Drachten, para atender o mercado europeu, ela abriu uma grande oportunidade em termos locais, uma vez que os custos de transporte serão reduzidos.
A Philips mantém sua produção de barbeadores mais baratos na China, para atender ao mercado asiático.
A façanha das indústrias do país atraiu pretendentes. Na década passada, companhias holandesas, incluindo o ABN Amro Bank, que foi a maior instituição bancária do país, e a empresa aérea Royal KLM, caíram em mãos de proprietários estrangeiros, o que provocou uma controvérsia generalizada na Holanda sobre a venda de uma empresa nacional.
Hoje, os holandeses têm outros desafios. Com a crise da dívida europeia, e dois terços das suas exportações ainda dependentes da Europa Ocidental, o país se defronta com o "grande desafio de manter o crescimento observado nos últimos 15 anos", disse Leen.
Com o centro da economia mundial mudando para a China, Índia e Brasil, a inovação na Holanda deve ajudar o país a manter sua posição comercial, disse Maxime Verhagen, ministro da Economia, em um discurso na Universidade de Wageningen.
Segundo Verhagen, o futuro reside no desenvolvimento de produtos inovadores que ajudem a reduzir as emissões de gás carbônico, enfrentar os efeitos adversos do envelhecimento e a crescente demanda por alimentos. (Estadão – 23/01/2012)

Uma grande distância das boas intenções à prática
Desde que a presidente Dilma Rousseff assumiu, em 2010, percebemos uma nova e positiva atitude na equipe econômica, buscando introduzir novas políticas microeconômicas na agenda do governo. Temas como câmbio, juros, créditos tributários, defesa comercial, inovação e tecnologia, financiamento às exportações, etc., passaram a ser debatidos com muito maior frequência na mídia e nos gabinetes da equipe econômica. Como resultado, algumas medidas concretas foram tomadas no 2.º semestre de 2010, trazendo esperança de recuperação da competitividade industrial, seriamente abalada nos últimos anos por fatores internos e externos de diversos matizes.
Na prática, porém, até agora os resultados têm sido bem modestos, seja pela morosidade com que a burocracia implementa as medidas já decididas e aprovadas, seja pela limitação dos benefícios até agora anunciados, tanto em valor como em abrangência de setores industriais e empresas exportadoras afetados.
Tome-se, por exemplo, o caso do Regime Especial de Reintegração de Valores Tributários para Empresas Exportadoras (Reintegra), em que a Fazenda reconhece a existência do resíduo tributário nas exportações de manufaturados e prevê a devolução, em dinheiro ou compensação tributária, em valor equivalente a 3% das exportações desses produtos para países estrangeiros. Embora o Reintegra tenha representado, para muitos setores industriais, um avanço significativo na obtenção de ressarcimento de resíduos tributários acumulados na cadeia produtiva exportadora, o valor máximo atribuído pela lei (3%) é um valor apenas parcial dos tributos acumulados na grande maioria das cadeias produtivas exportadoras. Dessa forma, não elimina o viés antiexportação de nossa complexa e anacrônica estrutura tributária. Além disso, o mecanismo tem vigência só até o final de 2012, o que limita, para muitos setores que têm um ciclo mais longo de produção, a projeção desse fator de competitividade na formação de preço de exportação. E muito menos serve de indução para novos investimentos na expansão de capacidade produtiva. Por que não torná-lo um benefício permanente, ou ao menos com vigência por um período de 5 ou 10 anos, como ocorre em outros países?
Outro ponto questionável são os critérios não muito claros, se não lógicos, utilizados na seleção de setores elegíveis para fazer uso desse mecanismo tributário. Na sua recente regulamentação, foram excluídos inúmeros setores produtivos, entre os quais os de celulose, carnes, alguns produtos alimentícios e até alguns metais e produtos químicos. Alguns desses setores, apesar de estarem incluídos num míope e equivocado conceito de semimanufaturado, na verdade demandam na sua industrialização intensa tecnologia embutida, investimentos bilionários na instalação produtiva e muita utilização de mão de obra direta e indireta, para não falar no efeito multiplicador nas indústrias fornecedoras de insumos, equipamentos e infraestrutura agregada a essas cadeias. Além do mais, essa exclusão discricionária, sem um tratamento isonômico e horizontal da indústria em geral, acaba perenizando para tais setores excluídos o referido resíduo tributário que, acertadamente e em bom tempo, o governo federal pretende agora reduzir ou eliminar.
Outro exemplo recente de meias medidas foi a reedição do Regime Especial Tributário para Incentivo à Modernização e Ampliação da Estrutura Portuária (Reporto), com vigência até 2015. O Reporto tem como objetivo a desoneração tributária de novos investimentos em máquinas e equipamentos para a infraestrutura portuária, tendo sido incluído posteriormente à sua edição original em 2004 um capítulo específico para ferrovias. É imperativo, na atual conjuntura econômica do País, irradiar competitividade sistêmica aos setores produtivos; expandir as fronteiras econômicas para a expansão do agronegócio, da geração de energia; e criar uma logística multimodal integrada e competitiva em nosso vasto território. Daí a proposta ainda não contemplada de inclusão nesse novo regime dos modais dutoviários e aquaviários, que, embora de importância ainda reduzida na matriz logística nacional (e por isso mesmo!), são modais de capital intensivo e, pois, merecem ser estimulados com a desoneração de tributos na fase de investimento, para que operem com maior competitividade ao longo de sua vida útil futura.
Um país só cresce e se torna economicamente forte com renda e emprego digno para todos os seus cidadãos, se suas empresas forem fortes e competitivas. Não basta focar só no equilíbrio macroeconômico e achar que o mundo real do setor produtivo sobrevive impune às distorções competitivas externas, como câmbio sobrevalorizado, logística deficiente, estrutura tributária irracional e excessiva e altos custos financeiros. Que venham mais e melhores medidas microeconômicas, para preservar e até ampliar nosso parque industrial construído com o sacrifício de toda a Nação nos últimos 50 anos de nossa história econômica. ( O Estado de São Paulo – 23/01/2012)

Emergentes pedem flexibilização de Basileia 3
O México propôs que o G-20 examine as consequências das novas normas globais de capital e liquidez sobre os bancos dos países emergentes, com apoio do Brasil, China e todos os outros emergentes do grupo.
Na prática, o México, que preside este ano o G-20, busca que o Conselho de Estabilidade Financeira (FSB, na sigla em inglês) dê flexibilidade para bancos dos emergentes se enquadrarem no Acordo de Basileia 3, que vai exigir novos aportes de recursos.
O FSB monitora e recomenda regulações para o sistema financeiro global. Seu programa para reforçar a estabilidade é estabelecido pelo G-20, o grupo das maiores nações desenvolvidas e emergentes, e ao qual apresenta os relatórios sobre suas atividades.
Ao mesmo tempo, reportagem no site do "Financial Times", ontem, revelou que Alemanha e França vão divulgar hoje um medido de relaxamento nas regras de Basileia 3. Uma das demandas é para que bancos que controlem seguradoras recebam tratamento especial, o que poderia aumentar em vários bilhões o capital do Société Générale e do Crédit Agricole. A outra proposta é que seja adiado de 2015 para 2018 o prazo para que os bancos divulguem seus novos índices de alavancagem.
A demanda mexicana se explica num contexto em que bancos dos países desenvolvidos continuam a reconstituir seus balanços, além dos riscos de transmissão da crise do euro sobre o sistema financeiro global.
O México exemplificou no G-20 que a implementação de Basileia 3 por bancos estrangeiros pode levar a uma distribuição assimétrica dos custos e benefícios entre os países de origem da matriz e das subsidiárias - e pesar sobre os emergentes.
Um banco que opera em diferentes países com subsidiárias deve consolidar suas operações no exterior no nível exigido para a matriz. Significa que aplicar um requerimento adicional de capital resultaria em maiores custos para cada uma das entidades do banco, já que todas contribuem para as exigências de capital.
No entanto, notam os mexicanos, embora esses custos sejam assumidos por todas as entidades do grupo, os benefícios podem se concentrar no país de origem. É que não existe nenhuma obrigação legal para o banco matriz dar apoio a suas subsidiárias. Ou seja, embora o banco possa apresentar uma situação mais sólida a nível consolidado, as subsidiárias não têm garantia de acesso a capital adicional.
Para o México, essa assimetria pode ser evitada se a regulação estipular que a exigência de capital adicional deve ser constituída e mantida por cada entidade legal que forma o banco internacional. Assim, o capital adicional contribuído por uma subsidiária na América Latina estaria disponível para ela absorver perdas potenciais.
O desconforto é maior em países com sistema bancário em boa parte controlado pela banca estrangeira. Somente os bancos da zona do euro detêm 40% do mercado chileno e 18% do mexicano, segundo levantamento do RBC Capital, do Canadá.
Os emergentes tiveram o cuidado, na reunião de vice-ministros de finanças e diretores de bancos centrais do grupo, na semana passada na cidade do México, de se diferenciarem do lobby de bancos por desmantelamento das novas exigências regulatórias.
Insistiram que não propõem reabrir o Acordo de Basileia 3, e sim dispor de 'um pouco de flexibilidade' para evitar consequências negativas em alguns aspectos.
Formado por reguladores e bancos centrais de 24 jurisdições e representantes do Fundo Monetário Internacional e Banco Mundial, o FSB coordenou a imposição de Basileia 3, que aumenta a quantidade e a qualidade dos requerimentos de capital dos bancos.
Reformas na América Latina, provocadas por crises anteriores, fizeram o sistema bancário da região ter maior nível de capital, e portanto, solidez reconhecida.
Em outras ocasiões, o BC do México avaliou que alguns bancos da América Latina precisam ajustar seu capital, primeiro, porque os coeficientes de capital suficiente podem baixar dependendo da exigência de recursos em algumas operações. E, segundo, porque nem todos os instrumentos considerados até agora como capital continuarão assim com as novas regras.
Por exemplo, nos mercados emergentes, os bancos são fonte importante de liquidez pra a dívida soberana destes países e seus mercados de derivativos. Para o BC do México, se os bancos tiverem menos disposição para assumir posições nesses mercados, por causa da exigência adicional de capital, a liquidez nos emergentes poderia diminuir e a volatilidade de preços, aumentar.
É que maior requerimento de capital, em conjunto com decisões tomadas pela matriz e seu regulador local, podem ter impacto nos mercados da dívida soberana da América Latina.
A eventual alta do risco soberano e os maiores requerimentos de capital para operações próprias podem criar 'incentivos' para os bancos com presença internacional reduzirem a detenção de dívida soberana dos países onde têm subsidiárias. O efeito líquido será maiores custos nos emergentes.
Também no mercado, uma questão recente era justamente se os problemas enfrentados pelos bancos pequenos e médios em emergentes poderiam levar à postergação da implementação da aplicação das regras de Basileia. (Valor Online – 23/01/2012)

Croácia aprova ingresso na União Europeia
Após aprovação nas urnas, país deve ser incluído no bloco europeu em julho de 2013 como seu 28º integrante
A inclusão da Croácia na União Europeia foi aprovada pela maioria da população. Ontem à noite, com quase todas as urnas apuradas, o resultado apontava 66% dos votos a favor e 34% contra.
A participação da população croata na consulta popular foi baixa, a julgar pelo número de cédulas depositadas pouco antes do encerramento da votação, comparado com as eleições parlamentares de dezembro. A legislação em vigor prevê que a entrada na União Europeia pode ocorrer se mais da metade dos eleitores, de um total de 4,5 milhões com direito a voto, responde "sim" à pergunta.
Depois da Eslovênia, em 2004, a Croácia será a segunda das seis ex-repúblicas iugoslavas a aderir à União Europeia.
Antes da votação, os políticos croatas, unanimemente pró-europeus, insistiram que a integração era a decisão mais importante para esse país desde a sua independência, alcançada após uma guerra deflagrada entre 1991 e 1995 contra forças rebeldes sérvias, com um saldo de 20 mil mortos.
"Hoje é um grande dia para a Croácia. Fico feliz porque toda a Europa será meu lar", disse ontem o presidente da Croácia, Ivo Josipovic, ao emitir seu voto.
O primeiro ministro, Zoran Milanovic, disse que a Croácia está entrando na União Europeia, na qual seu país tomará as decisões com outras nações. "Ali, não seremos grandes, mas também não seremos insignificantes", completou.
Assegurado o resultado, o processo de ratificação do Tratado de acesso comunitário seguirá para todos os 27 países membros. A previsão é que a Croácia entre para a grande família europeia em 1.º de julho de 2013 como seu 28.º integrante.
A inclusão do país foi respaldada tanto pelos partidos do atual governo de centro-esquerda, como pelo principal partido de oposição conservador.
Grupos de extrema direita e extrema esquerda se manifestaram contra a entrada. Os primeiros argumentam que a Croácia perderia sua soberania, alcançada à custa de tantas vítimas há apenas 20 anos. Os segundos defendem que a União Europeia é um super estado neoliberal que só serve às corporações ricas que vão explorar a Croácia.
Mas, entre as principais formações, apenas um partido no Parlamento foi claramente contrário ao acesso croata. O direitista HSP Ante Starcevic, que tem um deputado, alegava que a Croácia ainda não está preparada para este passo. / EFE e AFP (O Estado de São Payulo – 23/01/2012)

A resiliência da América do Sul
A resiliência da América Latina na esteira da crise financeira de 2008 foi notável, especialmente quando comparada ao desempenho da região nos anos 1980 e 1990. Mas, enquanto a economia mundial depara-se com incertezas renovadas, a região precisa encontrar novas estratégias para reduzir o impacto potencial de mercados financeiros voláteis e da estagnação prolongada nas economias mais ricas do mundo.
Embora o crescimento na América Latina se correlacione com as tendências globais, há uma boa chance de que em 2012 as economias da região voltem a superar o desempenho dos países industriais. A contração do comércio mundial e a redução dos fluxos financeiros provavelmente desaceleração o crescimento em certa medida, mas o ritmo anual deverá continuar próximo à média de 4% da região entre 2000 e 2008.
Um motivo para essa previsão é que a liquidez abundante nos mercados internacionais e a continuidade da demanda elevada na China e Índia podem impedir os preços das commodities - especialmente dos produtos agrícolas - de caírem tanto como durante a crise de 2008-2009. Os ganhos nas relações de troca foram cruciais para o crescimento da América Latina, dado o baixo índice de poupança doméstica da região, porque encorajam os investimentos, mas têm relativamente pouco impacto negativo no balanço de conta corrente.
As fortes entradas de capitais, especialmente de investimentos externos diretos, e a recuperação das relações de troca desde 2009 deixaram a região menos vulnerável a choques externos - ou seja, à repetição da repentina reversão de fluxos de capitais observada no final de 2008 e início de 2009. Mais importante, a maioria dos países latino-americanos agora tem em vigor medidas anticíclicas para suavizar qualquer impacto externo negativo.
Por exemplo, quando surgiram os primeiros sinais de turbulência, muitos países que estavam apertando sua política monetária, interromperam as altas de juros ou, como o Brasil, começaram a reduzi-los. A maioria dos recentes ajustes nos países latino-americanos, além disso, impediu que suas posições orçamentárias e déficits em conta corrente se tornassem fontes de vulnerabilidade.
Esse parece ser o caso, por exemplo, do Peru, onde políticas fiscais sólidas mantiveram os déficits e a inflação sob controle. Isso também é verdadeiro na Colômbia, onde a forte arrecadação orçamentária poderia permitir um aumento temporário nos gastos para conter riscos externos. As exceções dignas de atenção são a Argentina e a Venezuela, onde as tensões macroeconômicas reduziram o espaço para ações anticíclicas, e no México, cujo destino está ligado, pelos amplos laços comerciais, ao dos Estados Unidos.
O Brasil, maior país e um dos mais prósperos da região, reflete muitas das tendências econômicas na América Latina. Depois do surgimento da crise financeira mundial no último trimestre de 2008, as taxas de juros do Brasil caíram acentuadamente, o crédito teve forte expansão e a política fiscal deixou de ser neutra e passou a ser altamente expansionista. O financiamento maciço do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) pelo Tesouro brasileiro também agiu como proteção contra o declínio nos investimentos.
O estímulo proporcionado por essas políticas levou a um forte crescimento, tanto no consumo como nos investimentos, com o que a atividade econômica recuperou-se rapidamente. Embora a valorização do real tenha mantido os preços de bens comercializáveis sob controle, os dos bens não comercializáveis, especialmente os de serviços, continuaram como fonte de pressão inflacionária. Para combater a aceleração da alta dos preços, as autoridades adotaram medidas no fim de 2010 para esfriar a demanda doméstica sobreaquecida, primeiro por meio de restrições ao crédito e maiores exigências de reservas para os bancos - as chamadas medidas "macroprudenciais" - e depois por meio da retomada da alta das taxas de juros.
Mas a deterioração repentina das condições financeiras externas e as perspectivas de estagnação prolongada na Europa e EUA, levaram o Brasil a reverter as políticas no fim de agosto. O Banco Central já cortou seus juros básicos em 150 pontos base, para 10,5%, e a tendência de baixa prevista deverá levar as taxas reais para seus menores patamares históricos no período pós-crise.
O preço a pagar, no entanto, pode muito bem ser que a inflação anual continue significativamente acima da meta de 4,5%. De fato, mais recentemente, as restrições de crédito adotadas no fim de 2010 foram relaxadas, como forma de estimular a demanda dos consumidores.
Além disso, a política fiscal brasileira deverá mudar de restritiva para neutra ou ligeiramente expansionista neste ano. O governo prometeu promover a mudança de forma mais suave do que em 2009-2010, permitindo, portanto, flexibilidade para reduzir as taxas de juros no longo prazo.
Neste ano, o governo elevou o salário mínimo em 14% seguindo a atual regra de ajuste, com forte impacto nos benefícios da previdência social, e deverá retomar os investimentos públicos que foram reprimidos em 2010. Essas medidas, somada à redução na arrecadação com impostos, deverão reduzir o superávit primário e contribuir para reanimar a demanda.
A América Latina obteve progresso substancial em sua estrutura de políticas macroeconômicas, dando a suas autoridades mais espaço de manobra para suavizar o impacto dos choques internos. Mas administrar a demanda é apenas parte do trabalho quando se trata de alimentar o crescimento econômico de longo prazo. Depois de terem conduzido seus países com sucesso pela crise, as autoridades da América Latina deveriam dedicar maior atenção à retomada dos esforços de reforma voltados a melhorar a competitividade e assegurar a sustentabilidade de altos índices de crescimento. Paulo M. Levy (Valor Online – 23/01/2012)

Globalização acelera, menos no Brasil
A globalização está acelerando, mas não tanto no caso do Brasil, na visão que a consultoria Ernst & Young apresenta em seu Índice de Globalização, que é divulgado hoje, às vésperas do Fórum Econômico Mundial, em Davos (Suíça).
Conforme a consultoria, a atual situação econômica impulsiona por uma nova "interação global", com empresas buscando crescimento em outros mercados. Os emergentes estariam cada vez mais impulsionando negócios em seus próprios mercados regionais.
No Índice de Globalização deste ano, o Brasil perde um posto e fica em 47º lugar entre as 60 maiores economias no seu grau de internacionalização relativo ao PIB. O país fica atrás de países como Romênia, Vietnã, Egito e Nigéria no resultado de cinco indicadores refletindo a integração internacional dos negócios: abertura ao comércio, movimento de capital, troca de tecnologia, movimento dos trabalhadores e adaptação cultural.
Conforme Ernst & Young, o Brasil fica abaixo de média em todas as cinco categorias. A China, a fábrica do mundo, mas que procura frear importações, controla internet e manipula o câmbio, está em bem melhor posição no índice.
As economias mais globalizadas continuam a ser Hong Kong, Irlanda e Cingapura, que não têm outra alternativa diante de seus mercados raquíticos. Uma constatação tem mais sentido: a de que o protecionismo está aumentando. O próprio fórum, em outro relatório, alerta que a vulnerabilidade do mundo a mais riscos econômicos e turbulências sociais minam progressos trazido pela globalização.
Desequilíbrios fiscais crônicos e forte disparidade de renda estão entre os principais riscos para os próximos 10 anos, segundo o fórum. Alerta também para ameaças de mais nacionalismo, populismo e protecionismo, num contexto em que o mundo continua vulnerável a choques financeiros e problemas de alimentação e água. (Valor Online – 23/01/2012)

A bordo do transatlântico Brasil
Entre os lugares-comuns da crônica econômica, um clichê de sucesso garantido é a comparação de economias como a brasileira a um transatlântico, navio moroso em suas mudanças de rumo, como convém a embarcações de grande porte. Comparação meio marota, essa, nestes tempos em que as manchetes do mundo inteiro se ocupam do naufrágio bizarro do cruzeiro Costa Concórdia, afundado em noite de festa por uma manobra infeliz. Nem o Brasil está tão, assim, festivo, nem seu comando merece comparação ao capitão irresponsável do navio italiano. A presidente Dilma Rousseff, atenta, andou até cobrando, neste fim de semana, mais eficiência a bordo.
O fascínio do naufrágio do Costa Concórdia, aliás, se presta menos a metáforas políticas que ao roteiro de um caça-bilheterias hollywoodiano, com personagens irresistíveis: a septuagenária que se salvou a nado; a ajudante de mágico flagrada pelo desastre dentro de uma caixa; o violinista que morreu ao buscar seu instrumento de estimação após socorrer dezenas de pessoas; o comandante fanfarrão, que, além de incapaz de um ato de coragem após a manobra calamitosa, chegou a pedir jantar para ele e uma bela senhorita da Moldávia quando já havia destroçado a lateral do navio em um recife submerso.
Dilma quer que sua tripulação dê mais velocidade à economia
A economia brasileira pede comparações mais nobres. Sigmund Freud, fascinado pelo gigantismo sublime dos mares, cunhou o termo "sentimento oceânico" para descrever uma sensação humana primordial, o breve momento em que a consciência ainda não faz diferença entre os limites do corpo e o mundo que o cerca - sentimento delicioso de harmonia, logo rompido pelas urgências corporais e do mundo externo, cheio de dores, prazeres e frustrações. A metáfora freudiana é belíssima, mas se aplica melhor aos economistas protegidos em suas ilusões de sapiência, confortados por modelos econômicos que a realidade insiste em perfurar com seus arrecifes imprevistos.
Nem Freud explica por que jornalistas e analistas têm paixão pelas imagens náuticas. No noticiário econômico, a macroeconomia exige âncoras firmes, índices mergulham, economias afundam, icebergs mostram só suas pontas em contas públicas, e, claro, de vez em quando surgem tsunamis e marolinhas, muito na onda durante a recente crise mundial - onde a falta ou excesso de liquidez é um dos elementos que costumam vir à tona.
Há limites evidentes para as comparações: enquanto um transatlântico de verdade pode ter comandantes covardes que abandonam o navio e não voltam nem por uma bronca da capitania dos portos, os navios metafóricos das economias e governos estão repletos de oficiais que se recusam a desembarcar após jogar o barco em direção à catástrofe. A história está coalhada desses comandantes que, após afundarem a nau, sabiam ter garantido o resgate bem remunerado, em consultorias insubmersíveis.
O que nos traz de volta à nave pilotada por Dilma Rousseff. A presidente parece disposta a cobrar de sua tripulação um esforço para aumentar a velocidade com que a economia brasileira vem transitando, ainda ao largo das águas mais revoltas que castigam as praias europeias. Dilma sabe que não navegamos em mar de almirante; já trabalhou na casa de máquinas, deve estar perturbada pelos ruídos estranhos ouvidos pelos passageiros mais atentos, muitos deles experientes lobos do mar (alguns mais para tucanos que para lobos, justiça seja feita à metáfora).
Esticando só mais um pouco as alegorias navais, vale lembrar que Dilma também guarda em seu diário o fracasso alarmista de alguns desses críticos, que anunciaram o iminente naufrágio da economia, em uma espiral inflacionária, quando o Banco Central fez um corte abrupto nas taxas de juros. Alexandre Tombini, por ter pressentido a tempestade recessiva no horizonte, hoje é respeitado por quem o criticava.
A popularidade recorde de Dilma com o pessoal de bordo não pode abafar as sirenes de alerta. Sabe-se que ela quer medidas neste semestre para estimular o consumo e, principalmente, os investimentos. Parece disposta a apertar as contas públicas como forma de dar credibilidade a uma redução adicional dos juros básicos da economia. Na sua carta de navegação, ainda falta traçar claramente que mecanismos será capaz de pôr em movimento para assegurar o crédito de longo prazo necessário a esses investimentos e, ao mesmo tempo, evitar que o crescimento movido a consumo interfira na trajetória de queda gradual da inflação.
O encontro ministerial de hoje, que se segue a intensas reuniões no fim de semana, pode servir para mostrar se o governo está consciente dos escolhos escondidos pela calmaria. Um deles é a ineficiência da ação pública para sustentar o aumento da capacidade produtiva, problema bem descrito em artigo dos economistas Júlio Sérgio Gomes de Almeida e José Roberto Afonso, no jornal "Estado de S. Paulo" de sábado. É hora de redobrar a atenção ao crédito bancário para negócios, ainda apoiado firmemente no financiamento oficial alimentado pelo endividamento do Tesouro.
Nesses últimos três anos, em que o governo reagiu à crise fortalecendo a oferta de crédito e ampliando - relativamente pouco - a sua dívida, os bancos privados aumentaram seus empréstimos às empresas em apenas o equivalente a 0,4% do PIB, calculam os economistas. Boa parte dos recursos bancários está "presa" em compulsórios bem remunerados pelo Banco Central. Pode estar na liberação desses recursos, com a criação de um mercado de dívidas privadas, um dos roteiros garantidos para o regresso à terra firme. (Valor Online – 23/01/2012)

G-20 ainda longe de acordo sobre ajuda à Europa
Sob pressão, países europeus prometeram no G-20 reavaliar em março se reforçarão seu futuro Mecanismo de Estabilidade Financeira (ESM, na sigla em inglês) como barreira de proteção ('firewall') contra contágio da crise da zona do euro a outros países, como os parceiros vêm cobrando.
No entanto, o prazo foi considerado longo pelos países não europeus do grupo, que reúne as maiores economias desenvolvidas e emergentes. E a tendência é deixar para abril a definição de recursos para o Fundo Monetário Internacional (FMI) aumentar sua capacidade de apoiar países em dificuldades, contrariando planos da Europa.
Em reunião de vice-ministros de finanças, concluída na Cidade do México na sexta-feira, o FMI reiterou que precisa obter US$ 600 bilhões adicionais para elevar a US$ 1 trilhão sua capacidade de financiamento e cortar possível contágio da crise.
Com os países da zona do euro tendo o desafio de refinanciar justamente mais de € 1 trilhão de dívidas que vencem este ano, e podendo ter de buscar parte dos recursos no FMI, a Europa defendeu no G-20 que o fundo deveria ser fortalecido em fevereiro, na reunião dos ministros de finanças e presidentes de bancos centrais do grupo na capital mexicana.
O racha ficou claro, com os não-europeus reconhecendo a importância de o fundo dispor de mais recursos, mas insistindo que a zona do euro precisa antes fazer muito mais para ajudar suas próprias economias.
No mercado e entre parceiros, persistem dúvidas sobre a viabilidade do 'compacto fiscal' da zona do euro, o plano de ajuste a ser aprovado no dia 30. Além disso, independentemente de uma restruturação da dívida da Grécia com os bancos credores, a questão é como o contágio pode ser evitado em outras economias, e qual afinal será a barreira de proteção para a Itália, a Espanha e outras regiões.
"É preciso evitar possível contaminação, contágio a outros países", afirmou o vice-ministro mexicano de Finanças, Geraldo Rodriguez. Para o representante brasileiro, Carlos Márcio Cozendey, não tem sentido o FMI substituir as opções dos europeus para resolver sua situação. Ele defendeu que os recursos adicionais para o fundo devem ser em apoio, e não em substituição, a uma estratégia contra contágio da crise.
Na zona do euro continua a reinar a confusão. O bloco definiu três formas de 'firewall' contra contágio da crise: 1) alavancar o Fundo Europeu de Estabilidade Financeira (EFSF) para € 1 trilhão; 2) implementar seu sucessor, o Mecanismo Europeu de Estabilidade (ESM) com capitalização de € 500 bilhões já em julho deste ano, um ano antes do previsto; 3) os bancos centrais nacionais fornecem € 200 bilhões ao FMI através de crédito bilateral, driblando a regra do Banco Central Europeu de não emprestar aos governos nacionais, e também transferem o risco de crédito para o balanço do FMI.
Mas a expectativa de um fundo europeu com € 1,5 trilhão contra a crise parece otimista demais. Primeiro, a alavancagem do EFSF não se concretizou e o fundo perdeu sua nota de crédito 'triplo A'. Segundo, os governos arrastam os pés para capitalizar o ESM e a Alemanha não quer nem ouvir falar de aumentar seus recursos. E, terceiro, os europeus divergem sobre sua própria contribuição ao FMI.
O Bundesbank, o BC alemão, condiciona sua fatia à participação da Grã-Bretanha com € 30 bilhões. Já os britânicos, que não fazem parte do euro, têm dificuldades de passar de € 10 bilhões para o FMI.
Para analistas do Deutsche Bank, a real contribuição da zona do euro para o FMI pelo momento seria próxima de 112 bilhões de euros, tirando as fatias da Itália e da Espanha. Isso significa que a zona do euro precisará pedir mais dinheiro para o FMI, ou aumentar os recursos para o EFSF/ESM.
Na reunião de fevereiro dos ministros do G-20, só devem ser aprovados a modalidade de empréstimo para o FMI e certas exigência, inclusive aos europeus, sobre o uso dos recursos na crise. Valores, só em abril. Mas tudo pode ser acelerado. Muito depende de como o mercado se comportar e da velocidade de ação dos europeus. (Valor Online – 23/01/2012)

Países pedirão mais voz no fmi, diz príncipe saudita
A Arábia Saudita e outros países emergentes prósperos vão querer uma maior influência nos afazeres do Fundo Monetário Internacional (FMI) em troca de uma contribuição para os novos recursos do fundo para as nações europeias atingidas pela crise financeira, afirmou o príncipe Turki al Faisal, membro da família real saudita, segundo informações da Dow Jones. (Estadão – 23/01/2012)

Nicarágua e Brasil constituem câmera de comércio
Manágua - A Embaixada do Brasil e empresários da Nicarágua constituíram uma câmera de comércio conjunta à que chamaram Nicabras, para fortalecer as relações comerciais entre ambas as nações, ressaltam hoje a mídia.
O presidente dessa câmera, Enrique Zamora, citado por El Nuevo Diario, explicou que o projeto ficou conformado aproximadamente com 50 empresas.
Nicarágua tem recebido muitos benefícios do Brasil, agora tentamos fortalecer mais essas relações e promover as exportações de produtos nicaragüenses para esse país e a região do sul, manifestou.
Zamora, também gerente geral de Agropecuaria Lafise S.A., recordou que as exportações nicaragüenses para o Brasil tanto quanto as importações se incrementaram nos últimos anos.
Além de importantes investimentos que tem feito aqui o país sul-americano como a do projeto hidrelétrico Tumarín, a relacionada com a manufatura de sapatos e as zonas francas, entre outras.
Por sua vez, o embaixador do Brasil, Flavio Helmold, assegurou que há muito potencial na Nicarágua, e o importante é procurar os produtos mais interessantes para o Brasil e oportunidades para melhorar as relações sociais e econômicas.(Prensa Latina – 22/01/2012)

Croácia faz referendo para decidir se adere à União Européia
Os eleitores da Croácia participam neste domingo (22) de um referendo para decidir se irão se juntar à União Europeia. O país enfrenta elevado índice de desemprego e outros problemas econômicos, e muitos croatas a acreditam que a adesão à União Europeia poderá mitigar a atual crise.
Os os principais partidos políticos do país são a favor da adesão e pesquisas de opinião mostram que a maior parte dos eleitores deve ratificar a entrada do país no bloco.
Caso opte pela adesão, a Croácia será o segundo país da antiga Iugoslávia a se juntar ao bloco. O primeiro foi a Eslovênia.
As outras quatro repúblicas que integravam a antiga Iugoslávia - Sérvia, Montenegro, Macedônia e Bósnia - já manifestaram interesse em ingressar no bloco. (Agência Brasil – 22/01/2012)

Custos e inovação derrubam a indústria
SÃO PAULO - A indústria brasileira não tem só problemas conjunturais. Questões estruturais podem, sim, fazer com que o setor perca competitividade. Enquanto a China tem uma formação de capital bruto (soma de recursos disponíveis para investimento) em torno de 43% do seu Produto Interno Bruto (PIB), o Brasil só chega a 20%. "E precisa elevar isso a 29% se não quiser ter um atraso ainda maior", diz o professor do MBA Profuturo da Fundação Instituto de Administração (FIA), Carlos Honorato.

Segundo ele, o País precisa ter uma visão mais estratégica de futuro se quiser continuar competindo. "Claro que não dá para falar que já perdemos a guerra, mas também não dá para continuar pensando que para tudo tem um 'jeitinho'", acrescenta.  Para o professor da FIA, o País tem um câmbio muito valorizado e custos pesados demais para quem quer produzir.  "Não é só a China que consegue ser competitiva, é que o Brasil  está mais caro", diz.

O País empaca também em quesitos fundamentais, como a falta de inovação e de formação de mão de obra qualificada. "Há uma baixa formação da força de trabalho, com analfabetismo funcional. Além disso, os esforços para reduzir o déficit de pessoal mais qualificado ainda não surtiram os efeitos desejados, em termos do aumento dos níveis de produtividade e qualidade na indústria", explica o professor de Administração Industrial da Fundação Vanzolini, João Amato.

Recentemente o governo adotou medidas, mas que são facilmente contestáveis na OMC, como o índice de nacional de peças (local content), que está proibido pelas regras, segundo o ex-ministro da Fazenda, Rubens Ricupero. "O jeito é enfrentar problemas como o custo do capital, a questão do câmbio e os impostos. Coisas que dão competitividade,  não só aliviam." (DCI – 20/01/2012)


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