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DRI Clipping Semanal nº 03 - 23 a 27/01/12
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Planalto estuda represálias contra barreiras argentinas Tatiana Prazeres: "A visita à
Argentina é uma mensagem de preocupação".Nos primeiros 24 dias do ano, o
Brasil vendeu em média 10% a menos à Argentina do que exportou no ano passado,
o que indica uma queda próxima a US$ 150 milhões até o fim do mês, apesar de um
grande crescimento nas exportações de automóveis.
O governo brasileiro já estuda possíveis ações de represália, caso comprove que
a queda nas exportações resultou de barreiras ilegais impostas pelos
argentinos, segundo informou um ministro ao Valor. Informalmente, já se cogita
uma queixa contra a Argentina no órgão de solução de controvérsias do Mercosul.
A medida poderia ser seguida por outros sócios do bloco, escancarando a
insatisfação regional com os controles de importação do país vizinho. A
intenção é impor limites aos danos provocados pelas medidas protecionistas
adotadas pela Argentina para equilibrar as contas externas, salvaguardando
setores que nem sequer têm impacto expressivo nas contas totais de comércio,
como calçados.
Em 1º de fevereiro, entra em vigor a mais recente medida de controle criada
pelo governo argentino, a exigência de uma Declaração Jurada Antecipada de
Importação (DJAI) aos interessados em trazer mercadorias do exterior ao país. O
temor que a medida provoque interrupção no comércio entre os dois países levou
o governo brasileiro a programar uma visita da secretária de Comércio Exterior,
Tatiana Prazeres, a Buenos Aires, na primeira quinzena de fevereiro. "Com
o início da vigência do mecanismo poderemos avaliar melhor o impacto",
disse a secretaria.
"A visita à Argentina é uma mensagem de preocupação de nosso lado, agora
transmitida pessoalmente", explicou, lembrando que o governo editou nota
manifestando inquietação depois do anúncio da criação da DJAI argentina.
"O recurso ao órgão de solução de controvérsias é apenas uma entre várias
possibilidades", disse Tatiana, confirmando que a ação é cogitada no governo.
"Mas nossa ênfase, no momento, é a negociação."
Nos últimos dias, como parte da regulamentação da medida que criou a DJAI,
agregou-se a exigência de um formulário especial dos importadores, pela
Secretaria de Comércio Interior argentina, chefiada por Guillermo Moreno. O
Itamaraty tem acompanhado as notícias sobre as medidas, mas delegou ao
Ministério do Desenvolvimento as conversas com os argentinos.
Há informações desencontradas em Buenos sobre o prazo que o governo local
levará para processar as informações e liberar a importação dos produtos
listados na declaração antecipada - as previsões variam entre 72 horas e dez
dias. Incomoda à cúpula do governo brasileiro a continuidade no atraso das
licenças de importação já existentes, que supera o máximo de 60 dias previsto
pela Organização Mundial do Comércio (OMC) em alguns itens dos setores de
têxteis, calçados e máquinas agrícolas.
O tema deve ser abordado também por Tatiana, que se reunirá com a secretária de
Comércio Exterior da Argentina, Beatriz Pagliari. Não está previsto nenhum
encontro com Moreno, considerado na Argentina o verdadeiro controlador das
decisões relativas a comércio e investimentos no país.
O resultado negativo do começo do ano pode ser atribuído, apenas em parte, à
queda de quase 60% nas vendas de minério de ferro (US$ 34 milhões a menos, em
17 dias úteis), causada pela interrupção de fornecimento com as enchentes
verificadas em Minas Gerais.
Mas a disparidade dos números mostra que, embora haja fortes quedas em
exportações de bens manufaturados, nem todos os setores são afetados da mesma
maneira. Há casos de forte alta nas vendas, como nos automóveis (56% na média
diária de exportações), veículos de carga (146%) e tratores (127%), fio-máquina
(119%) e máquinas e equipamentos para terraplenagem (77%).
A lista dos 25 principais produtos de exportação do Brasil à Argentina revela
queda de 40% na entrada de máquinas e equipamentos de uso agrícola (exceto
tratores) e redução de 15% na venda de partes e peças automotivas. Excluídos os
25 principais produtos vendidos pelo Brasil, a lista restante de exportações
brasileiras à Argentina (que inclui itens como têxteis e calçados) mostra queda
de 33%, ou US$ 10 milhões diários a menos.
No setor privado brasileiro, setores como o de eletroeletrônicos, mais afetados
pelas barreiras comerciais no vizinho, são favoráveis a medidas duras de
retaliação à Argentina, até com criação de restrições a investimentos da
Argentina no Brasil.
Mas, em reunião há uma semana na Federação das Indústrias do Estado de São Paulo
(Fiesp), os dirigentes empresariais aprovaram uma "agenda positiva"
de negociações, com medidas para equilibrar, sem protecionismo, a balança
comercial bilateral. Entre essas medidas, estão a maior inclusão dos argentinos
nas compras governamentais brasileiras, estímulos à associação de empresas e
ações conjuntas de defesa do mercado regional. (Valor Online – 27/01/2012)
Camex delibera sobre lista de produtos que terão elevação temporária do
Imposto de Importação Brasília - Foram publicadas hoje, no
Diário Oficial da União, as Resoluções Camex aprovadas nesta quarta-feira, em
reunião do Conselho de Ministros
A Resolução Camex n° 5 constituiu o Grupo Técnico sobre Alterações Temporárias
da Tarifa Externa Comum do Mercosul (GTAT-TEC) presidido pela Secretaria
Executiva da Camex e formado por representantes dos ministérios que compõe a
Câmara de Comércio Exterior. A função do novo grupo será definir a lista de até
cem itens que poderão ter a alíquota do Imposto de Importação elevada, de
acordo com a proposta aprovada na última reunião de cúpula do Mercosul.
O novo mecanismo permitirá o aumento temporário do Imposto de Importação por
razões de desequilíbrios comerciais causados pela conjuntura econômica
internacional. De acordo com a decisão do Mercosul, a elevação de tarifa poderá
ocorrer por até 12 meses, prorrogáveis, respeitando-se os níveis tarifários
consolidados na Organização Mundial do Comércio (OMC), e terá validade até
dezembro de 2014. O governo brasileiro trabalha para que a nova lista entre em
vigor no menor tempo possível.
Em entrevista coletiva, realizada após a reunião, o secretário-executivo da
Camex, Emilio Garofalo Filho informou que, em breve, a Secretaria Executiva da
Camex abrirá prazo para que o setor privado possa enviar seus pleitos, de
acordo com o formulário que está anexado à Resolução Camex n°5. "O grupo
técnico começa a se reunir na semana que vem para definir os critérios que
serão adotados para a elaboração da lista", disse Garofalo. "Nossa melhor
expectativa é que, em março ou abril, possamos começar a escolher os produtos.
Queremos dar muita transparência para que os setores que se sintam
desprotegidos tenham liberdade para fazer sua solicitação à Camex, respeitando
sempre as regras da Organização Mundial do Comércio" acrescentou.
A secretária de Comércio Exterior do MDIC, Tatiana Lacerda Prazeres, que
participou da coletiva, esclareceu que o aumento do Imposto de Importação é a
utilização da margem de manobra que os países do Mercosul têm no âmbito da OMC.
"É algo pontual, destinado a permitir que os países membros do Mercosul tenham
instrumentos para lidar com o cenário internacional".
A Decisão nº 39/11, do Conselho Mercado Comum do Mercosul (CMC), não se
confunde com a Lista de Exceções à Tarifa Externa Comum (Letec), ainda em
vigor, e que possibilita flexibilizar a alíquota de outros cem produtos. A
Decisão, que vale para todos os países do Mercosul, não tem vigência
automática, por ser um Protocolo Adicional ao Acordo de Complementação
Econômica nº 18. Para entrar em vigor, a medida necessitará ser protocolizada
junto à Associação Latino Americana de Integração (Aladi). Além disso, o
governo brasileiro só poderá divulgar a lista para sua plena utilização depois
de decorridos 30 dias após a incorporação da referida Decisão CMC pelos
ordenamentos jurídicos de todos os Estados Partes do bloco.
Pelo mecanismo aprovado pelo Mercosul, cada país deverá encaminhar aos demais
formulário específico sobre a elevação tarifária e estes terão 15 dias úteis
para eventual negativa acompanhada de fundamentação objetiva. Só depois desse
prazo, se não houver oposição, o país estará autorizado a adotar a medida.
(Agências/NetMarinha – 27/01/2012)
Em Davos, lideranças islâmicas tentam seduzir os empresários Essa sensação invadiu Davos desde o
início do encontro 2012 do Fórum Econômico Mundial, a partir do fato de que
partidos islamitas venceram as eleições no Egito e na Tunísia, os dois únicos
países a realizarem pleitos democráticos pós-revolução, e até no Marrocos, em
que o rei antecipou-se à revolta, adotando reformas que dão um passo rumo à
democracia.
Era natural, portanto, que os islamistas tanto do Egito como da Tunísia
despachassem quadros relevantes para tentar dissolver os temores do
empresariado, cujos investimentos são essenciais para enfrentar os sérios
problemas econômicos e sociais que as ditaduras legaram e que a instabilidade
política agrava.
A mensagem central foi transmitida em voz baixa à Folha pelo médico egípcio
Abdel Aboul Fotouh, preso várias vezes pelo regime de Hosni Mubarak por
pertencer à Irmandade Muçulmana, organização-mãe dos partidos islamitas do
mundo árabe:
"Precisamos muito de investimentos estrangeiros, e eles serão mais bem
tratados no Egito democrático do que o eram na ditadura", diz esse membro
do Conselho Diretivo da Irmandade e candidato presidencial.
Outro líder islamita, o tunisiano Rachid Ghannouchi, cofundador do partido
Nahda (Renascimento), que hoje governa a Tunísia, ainda se sente um peixe fora
d'água no ambiente de Davos, vestido com modéstia, jeito de professor de escola
do interior, mas firme na sua garantia de que "o islã não é contra a
modernização ou a democracia".
ORGANIZAÇÃO
Ghannouchi, exilado em Londres de 1989 até 2011, proibido de viajar aos países
árabes e à maioria dos países europeus, solta também o que seria uma obviedade
em qualquer democracia, mas que os temores do Ocidente obrigam os islamitas a
usá-la: "Não é possível governar sem a legitimidade que vem do povo".
Se é assim, a pergunta seguinte inevitável é a que a Folha fez: "Os islamitas
ganharam porque os eleitores acham que o islã é a solução para todos os
problemas?"
Não, responde o egípcio Fotouh: "Ganharam não porque são islamitas, mas
porque são um movimento social, que também presta serviços morais à
população"
É uma alusão ao fato de a Irmandade Muçulmana, nas várias versões que tem no
mundo árabe, suprir as carências do poder público com o atendimento a
necessidades básicas da população.
Concorda, do outro lado do espectro político, Amira Yahyaoui, ativista de
direitos humanos tunisiana e, como tal, uma das jovens que mergulharam na
revolta que derrubou o governo Ben Ali: "A revolução árabe é uma questão
de problemas sociais". Não é, portanto, uma questão religiosa.
"Os islamitas ganharam porque são os mais organizados, estão presentes em
todo o país e porque os modernizadores fizeram a pior campanha possível",
completa Amira.
DEMOCRACIA
Logo, a julgar pelos emissários das revoltas árabes, não se trata de oferecer
às sociedades egípcia e tunisiana o que Ghannouchi chamou de "hegemonia
dos clérigos", para que resolvam os problemas com a sua própria
interpretação do Corão.
Trata-se de "reconstruir nossas sociedades", completa Amre Moussa,
também candidato presidencial no Egito, ex-secretário-geral da Liga Árabe e
laico, que diz não acreditar que os islamitas sejam contra a democracia. Seu
argumento: "Foi a democracia que trouxe os islamitas ao poder".
A reconstrução, lembra Fotouh, passa por enfrentar um quadro social em que 40%
da população está abaixo da linha da pobreza.
"Qualquer governo, seja qual for a sua ideologia, tem que encarar esse
desafio, para o que é preciso encorajar o livre mercado e não colocar
obstáculos".
É música aos ouvidos do público de Davos. (Folha SP – 27/01/2012)
UE quer retomar ideia de acordo comercial com EUA O primeiro-ministro do Reino Unido,
David Cameron, juntou coro em Davos com a premiê alemã, Angela Merkel, numa
proposta de acordo bilateral de comércio entre os Estados Unidos e a Europa,
mas discordou frontalmente da líder alemã sobre como resolver a crise na zona
do euro.
Cameron refletiu a crescente decepção de boa parte dos líderes com a Alemanha,
conclamando Berlim a contribuir com um pacote significativo e garantias para
países em dificuldade na zona do euro. O Reino Unido não faz parte da zona do
euro, mas insiste que as consequências da crise na união monetária afetam
seriamente sua própria economia e que, afinal, a União Europeia como um todo
precisa tomar decisões conjuntas.
"A Europa tem escolhas dolorosas para fazer no curto e longo prazos para
melhorar sua competitividade", afirmou Cameron.
Merkel está cada vez mais isolada, na resistência a aumentar os recursos para o
Fundo Europeu de Socorro. A Itália, sabendo que vai precisar de recursos
bilionários, também acha que o fundo deve ser duplicado, para € 1 trilhão.
Sobre comércio internacional, as coisas parecem menos difíceis. Merkel já tinha
lançado a proposta na quarta-feira, sem atrair muita atenção, já que todo mundo
queria saber sobre a crise da zona do euro. A Alemanha, e agora também o Reino
Unido, acha que está na hora de lançar uma negociação para liberalização
comercial entre os EUA e a UE, que fazem juntos 40% do comércio mundial. Com
isso, driblariam o entrave da paralisada Rodada Doha e trocariam vantagens para
suas empresas.
"No ano passado, neste mesmo fórum, os líderes mundiais pediram um grande
esforço para concluir a Rodada Doha em 2011. Dissemos que era o ano do ou vai
ou racha. Foi. E temos que ser francos a respeito. Não deu certo", afirmou
Cameron. "Em vez de tentar envolver todo mundo, vamos tentar acordos
bilaterais que possam ser concretizados."
Os exportadores europeus foram favorecidos por uma queda de até 30% do euro e
da libra em relação ao dólar nos últimos três anos, o que ajudou a aumentar a
sua competitividade.
A ideia de acordo EUA-UE flutua há algum tempo. Em 1998 houve uma tentativa,
mas as negociações não avançaram por oposição da França, que não queria fazer
concessões no setor agrícola.
Pascal Lamy, diretor-geral da Organização Mundial do Comércio (OMC), considerou
que se trataria de algo "marginal", nada fácil de negociar. Primeiro,
os EUA são ambiciosos na área agrícola, e a UE é altamente protecionista.
O ex-comissário de Comércio da UE Peter Mandelson mostrou-se cético quanto à
chance de acordo. "A proposta gastaria anos e muito energia no que temo
que será uma tentativa fútil de fazer com que Europa e EUA adotem as práticas
regulatórias e padrões técnicos um do outro. Não vai acontecer."
Atualmente, as tarifas entre os EUA e a UE já são baixas. Lamy exemplifica que
o Camboja paga mais por causa de tarifas nos EUA do que a Europa. (Agências Internacionais/Valor
Online – 27/01/2012)
Irã nega atrito com diplomacia do Brasil na gestão de Dilma Porta-voz de Ahmadinejad diz que suas
declarações à Folha foram 'distorcidas'; jornal mantém informações
Ali Akbar Javanfekr acusara a presidente de 'golpear' tudo que Lula havia
feito; agora, alega ter elogiado governo
O governo do Irã negou ontem ter criticado a presidente Dilma Rousseff pela
opção de dar menos ênfase à relação com Teerã.
As críticas haviam sido feitas pelo porta-voz do presidente Mahmoud
Ahmadinejad, Ali Akbar Javanfekr, em entrevista publicada na segunda-feira pela
Folha. O jornal mantém as informações.
Citado pela agência estatal de notícias Irna, chefiada por ele, Javanfekr alega
que suas declarações foram "distorcidas". Ele afirma ter dito à Folha
que Dilma "precisava de tempo para consolidar as relações entre Teerã e
Brasília". Diz ainda que elogiou "o governo e o povo do Brasil pelo
apoio à República Islâmica".
A nota da Irna diz ainda que o Brasil "insiste em manter um diálogo
diplomático com Teerã sobre o programa nuclear da República Islâmica, política
que começou com o antigo presidente Luiz Ignacio Lula da Silva (sic)".
O texto lembra que o "New York Times" repercutiu a fala de Javanfekr
à Folha.
Ramin Mehmanparast, porta-voz da Chancelaria iraniana, também se pronunciou
sobre a reportagem da Folha. Citado pela agência Fars, ligada ao governo, ele
atribuiu o mal-estar causado pelas declarações a "propaganda de mídia para
manchar as relações [bilaterais]".
Mehmanparast insistiu em que não há nenhuma mudança na maneira de o Irã
enxergar o Brasil e afirmou que Teerã atribui "grande importância" à
relação com Brasília.
A reportagem trazia trechos de uma entrevista feita ao celular com Javanfekr,
em espanhol, na qual ele disse que "a presidente brasileira golpeou tudo o
que Lula havia feito" e "destruiu anos de bom relacionamento".
"Lula está fazendo muita falta", disse então o porta-voz, em referência
às gestões para aliviar a pressão sobre Teerã em matéria de direitos humanos e
diálogo nuclear.
A conversa durou cerca de dez minutos e abordou também as complicações
jurídicas de Javanfekr, que acaba de recorrer de uma pena de um ano de cadeia
por suposta ofensa ao líder supremo do Irã, aiatolá Ali Khamenei.
Além das declarações do porta-voz, a reportagem da Folha informava que
carregamentos de carne brasileira exportada ao Irã estavam sendo retidos em
porto iraniano sem justificativa aparente.
O bloqueio foi atribuído por importadores iranianos e empresários brasileiros a
uma retaliação comercial do Irã contra a diplomacia de Dilma Rousseff. (Folha
SP – 27/01/2012)
EUA se opõem a acordo amplo na Rio+20 Os Estados Unidos parecem querer um
resultado aguado da Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento
Sustentável, a Rio+20. Esta foi a sinalização da primeira intervenção dos
negociadores americanos na reunião informal que acontece esta semana em Nova
York e discute a versão zero de "O Futuro que Queremos", o documento
mais importante que deve sair da Rio+20, em junho.
O texto atual tem 19 páginas e 128 artigos. Seu tamanho tem sido considerado
bom, mas o conteúdo foi avaliado como vago e fraco por ambientalistas,
empresários e governos. A maioria das intervenções dos delegados reunidos em NY
pediu mais força e ambição no que o texto propõe e que aponta para a economia
verde e o desenvolvimento econômico sustentável.
Os EUA foram a nota destoante. "Precisamos de um documento curto, conciso
e escrito em linguagem que seja compreensível para o público em geral"
disse em plenária Lawrence J. Gumbiner, do Departamento de Estado dos EUA. Ele
não mencionou meta alguma, disse que o debate sobre transferência de tecnologia
tem que ser revisto na Rio+20 e incluir "forte proteção aos direitos de
propriedade intelectual". Concluiu dizendo que o "Cadastro de
Compromissos" que a Rio+20 irá produzir é um dos "componentes
essenciais para o sucesso" da conferência.
"O tom preponderante aqui é de que o documento precisa ser mais ambicioso
e propositivo", conta Aron Belinky, integrante do comitê facilitador da
sociedade civil para a Rio+20, que está em NY. "Mas os EUA destoaram ao
pedir um documento final extremamente sintético e acompanhado apenas por
compromissos voluntários dos países."
Os países em desenvolvimento reunidos no G-77 mais a China falaram que falta ao
texto "visão, ambição, equilíbrio e ação". O embaixador brasileiro
André Corrêa do Lago mencionou a necessidade de a Rio+20 ter metas de
desenvolvimento sustentável (SDGs, na sigla em inglês), maneiras de medir este
desempenho e um Conselho de Desenvolvimento Sustentável forte dentro da ONU.
(Valor Online – 27/01/2012)
Camex delibera sobre lista de produtos que terão elevação temporária do
imposto de importação Foram publicadas hoje, no Diário
Oficial da União, as Resoluções Camex aprovadas nesta quarta-feira, em reunião
do Conselho de Ministros. A Resolução Camex nº 5 constituiu o Grupo Técnico
sobre Alterações Temporárias da Tarifa Externa Comum do Mercosul (GTAT-TEC)
presidido pela Secretaria Executiva da Camex e formado por representantes dos
ministérios que compõe a Câmara de Comércio Exterior. A função do novo grupo
será definir a lista de até cem itens que poderão ter a alíquota do Imposto de
Importação elevada, de acordo com a proposta aprovada na última reunião de
cúpula do Mercosul.
O novo mecanismo permitirá o aumento temporário do Imposto de Importação por
razões de desequilíbrios comerciais causados pela conjuntura econômica
internacional. De acordo com a decisão do Mercosul, a elevação de tarifa poderá
ocorrer por até 12 meses, prorrogáveis, respeitando-se os níveis tarifários
consolidados na Organização Mundial do Comércio (OMC), e terá validade até
dezembro de 2014. O governo brasileiro trabalha para que a nova lista entre em
vigor no menor tempo possível.
Em entrevista coletiva, realizada após a reunião, o secretário-executivo da
Camex, Emilio Garofalo Filho informou que, em breve, a Secretaria Executiva da
Camex abrirá prazo para que o setor privado possa enviar seus pleitos, de
acordo com o formulário que está anexado à Resolução Camex nº5. "O grupo
técnico começa a se reunir na semana que vem para definir os critérios que
serão adotados para a elaboração da lista", disse Garofalo. "Nossa
melhor expectativa é que, em março ou abril, possamos começar a escolher os
produtos. Queremos dar muita transparência para que os setores que se sintam
desprotegidos tenham liberdade para fazer sua solicitação à Camex, respeitando
sempre as regras da Organização Mundial do Comércio" acrescentou.
A secretária de Comércio Exterior do MDIC, Tatiana Lacerda Prazeres, que
participou da coletiva, esclareceu que o aumento do Imposto de Importação é a
utilização da margem de manobra que os países do Mercosul têm no âmbito da OMC.
"É algo pontual, destinado a permitir que os países membros do Mercosul
tenham instrumentos para lidar com o cenário internacional".
A Decisão nº 39/11, do Conselho Mercado Comum do Mercosul (CMC), não se
confunde com a Lista de Exceções à Tarifa Externa Comum (Letec), ainda em
vigor, e que possibilita flexibilizar a alíquota de outros cem produtos. A
Decisão, que vale para todos os países do Mercosul, não tem vigência
automática, por ser um Protocolo Adicional ao Acordo de Complementação Econômica
nº 18. Para entrar em vigor, a medida necessitará ser protocolizada junto à
Associação Latino Americana de Integração (Aladi). Além disso, o governo
brasileiro só poderá divulgar a lista para sua plena utilização depois de
decorridos 30 dias após a incorporação da referida Decisão CMC pelos
ordenamentos jurídicos de todos os Estados Partes do bloco.
Pelo mecanismo aprovado pelo Mercosul, cada país deverá encaminhar aos demais
formulário específico sobre a elevação tarifária e estes terão 15 dias úteis
para eventual negativa acompanhada de fundamentação objetiva. Só depois desse
prazo, se não houver oposição, o país estará autorizado a adotar a medida.
(MDIC – 26/01/2012)
Brasil pode elevar imposto de 100 produtos importados A Câmara de Comércio Exterior (Camex)
do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior aprovou ontem a
criação de uma nova lista de exceção à Tarifa Externa Comum (TEC) do Mercosul
com 100 novos produtos. Segundo a Camex, o objetivo é tentar reduzir os
desequilíbrios comerciais provocados pelo momento econômico de incertezas em
relação à crise econômica. - O novo mecanismo vai permitir o aumento temporário
do imposto de importação "por razões de desequilíbrios comerciais causados
pela conjuntura econômica internacional". Atualmente, existe uma lista de
exceção à TEC composta também por 100 produtos, que podem ter a alíquota do
imposto elevada ou reduzida de acordo com a necessidade de cada país.
A decisão, no entanto, não tem vigência automática. Para entrar em vigor, a
medida precisa ser incorporada a legislação dos demais países do Mercosul. A
lista precisa ser submetida aos parceiros que têm 15 dias para contestar.
Segundo o secretário executivo da Camex, Emilio Garófalo Filho, diante da crise
internacional, os países têm buscado alternativas para combater a
"concorrência danosa" dos produtos. "Há uma mudança na
conjuntura internacional. A Europa, em crise, tende a importar menos e a exportar
mais. Você tem países mudando seu comportamento. Recentemente, ouvimos o Obama
[presidente dos Estados Unidos] dizer que quer levar de volta para os Estados
Unidos os empregos que exportou. Todo esse tipo de conjuntura pode exigir de
nós essa margem de manobra". (DCI – 26/01/2012)
El Mercosur establece sus propias reglas al país Ecuador tendrá que acogerse a cuatro
parámetros básicos si decide ingresar al Mercosur: a libre circulación en la
zona para bienes y servicios, la coordinación de políticas macroeconómicas,
adoptar un arancel externo común y dotarse de una política comercial común.
El pasado 20 de diciembre, durante la cumbre del Mercosur, en Montevideo, el
presidente Rafael Correa solicitó verbalmente el ingreso al bloque, para lo
cual se estableció la creación de una comisión técnica, que en 180 días,
analice la incorporación.
Así lo ratificó el vicecanciller, Kintto Lucas. Él señaló que previo a la
conformación del grupo de trabajo habrá una reunión de países del Mercosur para
determinar los delegados a este.
"Para fines de febrero se espera que ya esté formado el equipo de trabajo",
indicó el funcionario el pasado jueves, durante un foro realizado parte de la
Cancillería y la Facultad Latinoamericana de Ciencias Sociales (Flacso).
Representantes de los países miembros, que acudieron a la ponencia, indicaron
que el bloque tomará en cuenta, tal y como lo plantea Ecuador, las asimetrías
que existen entre el país y grandes socios como Argentina y Brasil.
Estas diferencias se evidencian en la balanza comercial negativa con el bloque.
El déficit, con datos a noviembre del 2011, alcanza los USD 1 178, 2 millones.
Emilio Giménez, miembro de la Cancillería de Paraguay, señaló que el comercio
entre los países del bloque puede mejorar y, como ejemplo, habló del
crecimiento del comercio en 800% entre su nación y el Mercosur.
Alexis Valencia, ex funcionario de la Comunidad Andina, aseguró que si bien hay
mayor dinamismo entre los países grandes y pequeños del bloque, también hay una
política proteccionista y con limitaciones en cuanto a las relaciones con
terceros países.
Uruguay, por ejemplo, en el 2007 tuvo que decidir entre negociar por si solo
con EE.UU. un Tratado de Libre Comercio (TLC) y permanecer en el Mercosur.
Lo mismo se aplicaría para Ecuador, que tenía acercamientos con la Unión
Europea con el objetivo de reanudar las negociaciones de un Acuerdo.
Precisamente, el vicecanciller de Uruguay, Roberto Condé, se refirió a la
situación del país en el caso de que este ingresara al bloque. "El Mercosur no
le prohibiría nada a Ecuador, es el Ecuador el que tiene que optar entre un
proceso y otro. Así como Uruguay tuvo que elegir entre un TLC con EE.UU. o
seguir en el Mercosur, también los demás países tienen que elegir entre firmar
tratados bilaterales y seguir en Mercosur".(El Comercio - Equador – 26/01/2012)
Skaf: "Comienza a haber falta de confianza con la Argentina" El presidente de la principal cámara
industrial de Brasil habló del "desgaste" em la relación bilateral
"Tenemos que recordar que somos socios del Mercosur, que somos países
vecinos y que nuestra relación será eterna; debemos entendernos", resaltó
Paulo Skaf, presidente de la Federación de Industrias del Estado de San Pablo
(Fiesp), la más poderosa de Brasil, mientras espera que la presidenta Cristina
Kirchner responda a su pedido de audiência para hallar una solución a las
trabas comerciales que los exportadores brasileños creen que entrarán en
vigencia el 1º de febrero, cuando la Argentina establezca un nuevo régimen para
importar.
Tanto el gobierno de la presidenta Dilma Rousseff como la Confederación
Nacional de Industria (CNI) y la prensa brasileña vienen advirtiendo que el
nuevo requisito de realizar una declaración jurada anticipada para toda compra
al exterior se sale de las reglas del Mercosur y resultará en un grave
perjuicio para el comercio entre los dos países, que el año pasado alcanzó la
cifra récord de casi US$ 40.000 millones, con un déficit para la Argentina de
unos US$ 5000 millones. Ante la escalada retórica, y mientras desde Brasilia se
agitan los tambores que llaman a represalias, la Fiesp se mantuvo al margen, expresó
su voluntad de buscar salidas "creativas" y, con el ofrecimiento de
encabezar una misión empresarial a Buenos Aires, Skaf quiere servir de puente
entre ambos países.
"La Argentina tiene una preocupación en estos momentos con la falta de
dólares; el Gobierno está preocupado por las importaciones de este año, porque
deberá importar más energía, y por una caída esperada en las exportaciones por
la sequía y el menor precio de las commodities . Como el año pasado tuvo un
superávit general de casi 11.000 millones de dólares, el Gobierno quiere
garantizarse maneras de que haya um superávit similar. Lo que nosotros tenemos
que hacer es esforzarnos para ayudar a que eso suceda, buscar otros caminos
para que la Argentina no deje de tener superávit.
Como vecinos tenemos que extender la mano, pero eso no significa dar el
brazo", aclaró Skaf a La Nacion en su visita a Río.
"Yo recuerdo siempre que tenemos un acuerdo del Mercosur, y que Brasil
tiene uma participación en las exportaciones argentinas del 30%. Es decir, hay
un 70% del comercio argentino que no tiene nada que ver con Brasil, y yo
defiendo que si tiene que tomar algunas medidas restrictivas, la Argentina las
tome contra terceros países y no contra Brasil, que es socio del Mercosur.
Paralelamente a esos principios, creo que podemos hallar formas que puedan
ayudar a la Argentina a superar este momento", indicó el líder
empresarial, de 56 años.
En su maletín, Skaf pretende llevar a la Casa Rosada varias propuestas
relacionadas com la apertura de la industria naval brasileña a los astilleros
argentinos, así como opciones para que nuestro país aumente la venta de nafta y
de productos y servicios relacionados con las industrias petrolera y gasífera.
Son cuestiones que ha discutido con el presidente de la Unión Industrial
Argentina (UIA), José Ignacio de Mendiguren.
"La industria naval brasileña está totalmente ocupada con pedidos por
varios años. Petrobras tiene un programa de compras muy agresivo, va a
necesitar más barcos, y la Argentina tiene astilleros ociosos, que podría
reactivar, generar empleos y riqueza.
Pragmáticamente, es algo que les interesa tanto a los argentinos como a los
brasileños. Los barcos son bienes caros y eso daría más volumen a las
exportaciones argentinas a Brasil -explicó el jefe de la Fiesp-. Brasil podría
también comprar más nafta argentina, 1000 millones de dólares más, si se
redujera el impuesto a la exportación argentino. Y en las áreas de petróleo y
gas estamos estudiando cuáles son los productos y servicios que eventualmente
la Argentina está preparada para ofrecer a Brasil."
"HUBO UN DESGASTE" -El
ministro de Desarrollo, brasileño, Fernando Pimentel, dijo la semana passada que
las relaciones económicas con la Argentina eran siempre problemáticas.
¿Concuerda con él? ¿Cree que la situación ha empeorado?
-No es la primera vez que hay un problema con la Argentina; todos los años
tenemos alguna dificultad. Pero siento que ahora esas dificultades se vienen
acumulando y há habido un desgaste. Y con ese desgaste comienza a haber falta
de confianza. Primero hubo restricciones de cantidades, luego demoras en la
liberación de las licencias no automáticas de importación, ahora una
declaración jurada anticipada. Todo eso se va sumando y se va perdiendo la
seguridad en las relaciones comerciales. El provedoor brasileño ya no sabe qué
esperar. Eso es muy malo y puede perjudicar las relaciones futuras. El tema es
que en los negocios no puede haber inseguridad. El mayor problema ahora es la
indefinición y la inseguridad.
-¿La paciencia brasileña se está acabando?
-En el comercio, como en la política, no podemos hablar de que se acabó la paciência
porque significaría una ruptura. Eso no funciona ni para la política ni para
los negocios.
Pero la verdad es que existe una necesidad de que haya un mayor respeto a las
reglas del Mercosur.
-El gobierno argentino esgrime que el déficit comercial con Brasil es una realidad
que va aumentando?
-Sí, pero en las relaciones comerciales, cuando usted tiene un déficit no
significa que tiene que cambiar las relaciones comerciales. Durante muchos
años, hasta 2005, Brasil fue deficitario en el comercio con la Argentina y no
por eso nos cerramos. Ahora es superavitario porque Brasil está atendiendo al
mercado argentino con buena calidad de productos y precios competitivos. Y
también la Argentina está vendiendo más a Brasil año tras año.
-En el gobierno brasileño ya hay voces que piden una retaliación; ¿cree que podría
funcionar para hacer cambiar de opinión a las autoridades argentinas?
-En este momento, recurrir a cualquier recurso como buscar un arbitraje o
entrar en uma zona de conflicto no es el mejor camino. En mi opinión, ahora que
vemos que la Argentina está con un dolor, si extendemos nuestra mano y buscamos
ayudarlos, será mejor para todos. Y podemos analizar también cómo entre los dos
podríamos aumentar las ventas a terceros países, y ver cómo defendernos
conjuntamente de importaciones predatorias de terceros países, principalmente
asiáticos, como China. Vamos a rendir mucho más si actuamos como países
compañeros, vecinos, hermanos. (La Nación - 26/01/2012)
Quiere conocer a Moreno RIO DE JANEIRO (De nuestro
corresponsal).- En su pedido de audiencia con la presidenta Cristina Kirchner,
el presidente de la Fiesp, Paulo Skaf, también incluyó una entrevista con el
ministro de Economía argentino, Hernán Lorenzino, y espera en esa reunión conocer
al secretario de Comercio Interior, Guillermo Moreno, a quien los medios
brasileños califican de "truculento". "Espero que el ministro lo
convoque también. He oído muchas historias sobre él, pero no lo conozco
personalmente, no sé si esas historias tienen fundamento. Una cosa es lo que se
escucha y otra es la que se descubre mirando a los ojos
Paglieri anunció más licencias no automáticas
La secretaria de Comercio Exterior, Beatriz Paglieri, anticipó que el Gobierno
prepara uma ampliación de la lista de productos que requieren licencias no
automáticas (LNA) para su importación.Así se lo hizo saber ayer al presidente
de la Cámara Argentina de Comercio (CAC), Carlos de la Vega, durante una
reunión que mantuvieron en su despacho. "Están previendo que en el segundo
semestre de 2012, como consecuencia de la baja de actividad en mercados
globales, haya sobrestocks de mercadería y que eso traiga consecuencias en
nuestros mercados", contó De la Vega. "Por eso, evalúan la
posibilidad de incorporar nuevas posiciones a las licencias no automáticas, con
la intención de promover el desarrollo de la industria local en maquinaria,
textiles, muebles, calzados y otros."
La Argentina aplica LNA para unas 600 posiciones arancelarias. Hasta diciembre,
era responsabilidad de la Secretaría de Industria su aprobación, pero desde el
recambio presidencial esas funciones pasaron a la órbita de Paglieri. Aunque en
teoría el Gobierno está obligado a resolver los trámites de licencias en no más
de 60 días, importadores y funcionarios de otros países se quejan de que hay
demoras de hasta 6 meses en algunos casos, lo que convierte a este mecanismo en
una virtual barrera.
Paglieri dijo que su secretaría no se va a adherir al régimen de declaración
jurada anticipada de información (DJAI) que promueve la AFIP y que desató una
pelea interna con el secretario de Comercio Interior, Guillermo Moreno. "(La Nación – 26/01/2012)
: ampliará lista de productos a trabar El Gobierno ampliará la lista de
productos importados sujetos al régimen de licencias no automáticas. La
decisión oficial fue adelantada por la secretaria de Comercio Exterior, Beatriz
Paglieri, a un grupo de dirigentes de laCámara Argentina de Comercio (CAC)
encabezado por su titular,Carlos de la Vega.
La medida, que se anunciará de manera oficial en los próximos días, viene a complementar
el régimen deDeclaraciones Juradas Anticipadas de Importación (DJAI) que
entrará en vigencia el 1 de febrero. Si a esto se le suma que la Argentina -lo
mismo que Brasil, Uruguay y Paraguay, sus socios en el Mercosuracordaron que
cada país tiene derecho a elegir 100 líneas de productos (posiciones arancelarias)
para elevarhasta el 35% el derecho a importarlos, se habrá completado una
barrera deformidables dimensiones contra el ingreso de mercadería desde el exterior.
Este conjunto de medidas constituirá un blindaje contra lo que -se supone-
podría ser una invasión desde Oriente, atento a los sobrantes de stocks que
casi con certeza acumulará China por causa de la crisis internacional. Esto es
así pese a que Paglieri les dijo a los empresarios que «a algunos países un
arancel del 35% no les hace ni cosquillas», en obvia alusión a China.
En su larga reunión con la dirigencia de la CAC, la funcionaria no reveló
cuáles serán los sectores que ingresarán al régimen de licencias no
automáticas; sin embargo, dejó caer una pista: dijo que el Gobierno «alentará
el desarrollo local de la fabricación de maquinaria». Se sabe que las
importaciones de bienes de capital constituyen una de las mayores obsesiones
del secretario de Comercio Interior,Guillermo Moreno, en su declarada cruzada
por garantizar un superávit comercial cercano a los u$s 12.000 millones este año.
Pedidos
Admitió también que había un largo listado de empresarios que le pedían a su secretaría
que incluyera a su sector entre los que se incorporen a las licencias no automáticas.
Paglieri -que estuvo acompañada de su subsecretaria, Paula Español- tampoco adelantó
cuáles serán las posiciones arancelarias que atacarán con un gravamen del35%,
listado que está elaborando en conjunto con la ministra de Industria, Débora Giorgi.
La posibilidad de aumentar el arancel a determinados productos (a elección de cada
país) por encima del arancel común del 20% había sido acordada en la última reunión
del Mercosur celebrada en Montevideo.
La secretaria anticipó que su organismo no adherirá al listado de reparticiones
públicas con derecho a intervenir en el régimen de DJAI; está claro que con la
supervisión directa de Moreno es suficiente para ese sector del kirchnerismo,
pero dijo que el Gobierno «echará mano a todos los regímenes que haga falta
para cuidar el empleo argentino y la balanza de divisas». Su par de Comercio
Interior no lo habría dicho de manera muy diferente.
En tono casi de confidencia, Paglieri les dijo a los representantes
empresariales que el Gobierno prevé «un segundo semestre muy complicado, con
sobrantes de stocks; por eso es fundamental impedir invasiones desde el
exterior que podrían volver a poner en peligro el modelo industrialista».
La reunión de ayer no aportó a los empresarios demasiados datos técnicos, pero
al menos se fueron del despacho de la funcionaria con más información sobre el
cierre de fronteras que se cierne para el comercio exterior, al menos durante
este año.
Aclaraciones
En lo que hace al memorando enviado por Moreno el martes, la CAC preparó un documento
de catorce puntos en el que se le piden aclaraciones al supersecretario respecto
del formulario que deberán llenar y someter a consideración de Comercio Interior
quienes quieran importar.
Tal como publicó ayer este diario, la Nota de Pedido prevé nueve datos que se proporcionarán
allí. Básicamente, en su respuesta de ayer la CAC pide formalidades: cómo
calcular el monto en dólares de una importación que se hace en otra moneda, si
la descripción de la mercadería a ingresar puede hacerse a través de un anexo
(el formulario original sólo tiene un renglón para ello, medida obviamente insuficiente),
qué pasa si una mercadería importada a granel y en barco sufre la pérdida del
1% o el 2% en viaje, que es habitual, etc. Quedaron esperando respuesta.
En tanto, hoy por la tarde se reunirán Ricardo Echegaray, titular de la AFIP, y
José Ignacio de Mendiguren, presidente de la Unión Industrial Argentina (UIA).
Tratarán de limar las asperezas que se produjeron a partir de que este diario
reveló la existência de un pedido de prórroga presentado por la central fabril
para la entrada en vigência de las DJAI. No se esperan chisporroteos ni que el
enojo se prolongue: el dirigente de la UIA viene trabajando prolijamente para
optimizar el vínculo de su entidad con el Gobierno.(Ámbito Financiero – Argentina
26/01/2012)
Denuncian nueva barrera proteccionista de Argentina El Parlamentario Alfonso González
Núñez, Presidente de la Delegación Paraguaya ante el Parlamento del Mercosur,
criticó la nueva medida proteccionista que pretende imponer el Gobierno
argentino a partir del próximo 1 de febrero, y que consiste exigir -a los
importadores argentinos que deseen adquirir mercancías como por ejemplo de
Paraguay- la suscripción de declaraciones juradas como requisito previo a
cualquier transacción, situación ésta que desalentaría la venta de nuestros
productos al vecino país.
Mediante un Pronunciamiento, Alfonso González Núñez aclara que la imposición
argentina tiene carácter universal, pues no excluye a ningún país, pero que sin
embargo afectará especialmente a los países miembros del Mercosur, que de por
sí deben pasar engorrosos trámites, como ser las licencias del intercambio
comercial previo y obligatorio, para poder vender sus productos en suelo
argentino.
El representante paraguayo ante el Parlasur insta al Gobierno de Fernando Lugo
a coordinar esfuerzos con sus homólogos de Brasil y Uruguay, a fin de que
persuadan a la presidenta de Argentina, Cristina Fernández de Kirchner a que
excluya a los países del Mercosur de la medida comercial a ser adoptada en los
próximos días.
A continuación, se reproduce el Pronunciamiento en toda su extensión:
Pronunciamiento
"En estos días el Mercosur, como espacio regional para mejorar la calidad
de vida de sus pueblos, sufre una nueva afrenta del gobierno argentino que
agrede innecesariamente los pilares básicos de la integración. En efecto, desde
la capital argentina se anuncia que desde el próximo 1º de Febrero entrará en
vigencia una nueva medida proteccionista que consiste en exigir a los
importadores argentinos que desean adquirir mercancías, como por ejemplo de
Paraguay, deberán suscribir declaraciones juradas como requisito prévio a
cualquier transacción, pero, como se trata de una resolución de carácter
universal que no excluye a ningún país, resulta que los integrantes del
Mercosur, a más de las licencias, del intercambio comercial previo y
obligatorio, tenemos otra barrera para desalentar la venta de nuestros
productos al vecino país La Presidencia de la Delegación Paraguaya del
Parlamento del Mercosur eleva una vez más su voz de protesta y repudia el nuevo
desplante, impensable en un proyecto integrador, pero, lamentablemente,
coherente con una administración que se há distinguido por su excesivo apego a
la protección desorbitada de sus intereses en detrimento de sus pares vecinos
que, por otra parte, también reclaman en todos los niveles las dificultades y
los repetidos problemas que generan cualquier negociación con la Argentina.
El gobierno presidido por Cristina Kirchner desprecia e incumple el Tratado de
Asunción, lo ignora imponiendo cada tanto medidas unilaterales que replican con
versiones distintas las mismas trabas de siempre a la libre circulación de
bienes y servicios en el Mercosur, reduciendo éste espacio a las "buenas
intenciones" de una retórica política vaciada de contenido, y que parte
con falsedad de pensamientos políticos compartidos que a la hora de ponerlos a
la práctica se diluyen porque, está demostrado hasta el hartazgo, los negocios
particulares están por encima de los principios, las convicciones y lo que es
más grave, de las normas comunes vigentes.
Si bien esta resolución posee alcance universal, lo irrebatible es que
perjudicará ostensiblemente y en mayor proporción a nuestro país, atendiendo
que un consolidado mercado argentino, a raíz de las restricciones a aplicarse,
y como es obvio suponer, limitará sensiblemente la adquisición de rubros de
consumo provenientes del Paraguay, con las obvias consecuencias de pérdidas
multimillonarias para el empresariado nacional.
La referida declaración jurada, o manifestación de compras, denominación oficial
del desatino criticado, de implementarse en la fecha mencionada oscurecerá aún
más la ya enrarecida atmósfera del Mercosur que, sometido a las presiones de
las afinidades políticas de los Poderes Ejecutivos, cada vez se parece más a un
"club ideologizado" que a un proyecto de integración regional
política y económica, por otra parte, vulnerado por los continuos impactos de
una protección que nos recuerda el pasado colonialista que no se quiere ir, por
el contrario, se instala con fuerza mediante éstas medidas absurdas, que nos
deben replantear la búsqueda de otras opciones más favorables para el
desarrollo de nuestra economía.
No olvidemos que el Ejecutivo argentino en el marco de su agresiva campaña de obstrucción
al comercio paraguayo, había notificado en diciembre pasado que sus servicios
aduaneros procederían a la ilícita exploración del interior de los contenedores
en tránsito desde y hacia terceros países a través de lentes ópticos
(escáners), con vistas a conocer su contenido para posteriormente aprobar su
liberación u ordenar su retención.
Los objetivos de esta incongruencia constituían incrementar inmoralmente los
costos operativos, demorar caprichosamente las cargas en los Puertos, destruir
la competitividad de las compañías navieras compatriotas, e incluso confiscar
las mercancías sospechadas de "peligrosas" por los inefables
funcionarios argentinos.
Afortunadamente, tal vez por algún atisbo de cordura, suspendieron
temporalmente su aplicación, para alivio (momentáneo) del desprotegido
productor nacional.En consecuencia, la Delegación Paraguaya ante el Parlamento
del Mercosur exige al Gobierno nacional a que de inmediato contacte con sus
homólogos de Brasil y Uruguay, cuyas fuerzas productivas coincidieron en
expresar públicamente sus airadas protestas, a los efectos de persuadir a la
presidenta Cristina Fernández de Kirchner de que excluya a los socios del
Mercosur de la órbita de esa reprensible determinación, que sencilla y llanamente
apunta a desmotivar y entorpecer la competencia lícita en su suelo, transgrediendo
con cinismo y por enésima ocasión el Art. 1 de la legislación matriz del bloque.
Finalmente, esta Delegación alerta que este modelo de integración fundado en parentescos
ideológicos nos aleja más de la idea fundacional de generar un mercado común,
que paulatinamente equilibre infraestructuras y fuerzas productivas para competir
y pelear los mercados internacionales como un Bloque de Estados, que comparten
esfuerzos y beneficios y no lo que nos propone esta absurda realidad, donde acompañamos
cuanto disparatado Protocolo o Convenio se nos proponga sin condicionar nada
que favorezca los soberanos intereses del Paraguay y el destino de nuestro
sufrido pueblo agobiado por tanta incapacidad e ineficiencia" (La Nación
Paraguay – 26/01/2012)
Sólo ocho técnicos que dependen de Moreno deciden qué se importa Por sus manos pasarán los pedidos.
Temen que no los puedan procesar.
La totalidad de las solicitudes dirigidas a la Secretaría de Comercio para que
el organismo que encabeza Guillermo Moreno autorice, o no, los pe didos
anticipados de importación serán analizados por un equipo de ocho personas.
El propio Moreno se lo dijo este fin de semana a empresarios con los que
mantuvo contacto, sin necesidad de que se lo preguntaran. Lejos de plantearlo
como un equipo reducido para analizar el movimiento de 74.000 millones de
dólares (las importaciones de 2011), Moreno lo comunicó como una noticia
alentadora.
"Ahora tengo otras dos pibas que me están ayudando, así que ya son seis
personas en ésto. No te preocupes, que las importaciones van a ir saliendo",
confió Moreno al presidente a una cámara a comienzos de año. El empresario le
había manifestado su preocupación por la potencial lentitud en los despachos de
importación a partir del 1 de febrero.
Este fin de semana, en otra reunión, el secretario de Comercio dio a entender
que su búsqueda de personal estaba resultando fructífera: "Me dijo que tiene
ocho colaboradores trabajando en el tema. Por lo menos ya son dos más",
comentó, mitad en broma y mitad asustado, un empresario que estuvo reunido en
las últimas horas con quien hoy es el hombre fuerte en el manejo de la
economía.
Durante 2011, el comercio exterior fue récord. Las exportaciones crecieron 25%
y llegaron a los 84.269 millones de dólares, mientras que las importaciones
totalizaron 73.922 millones de dólares, 31% superiores a las del año anterior.
Pero la estadística muestra los resultados de Moreno para "pisar" el ritmo de
las importaciones, que durante el primer semestre habían crecido 38%, mientras
que en la última parte de 2011 subieron 24%, según un estudio de la consultora
DNI. "En la segunda parte de 2011, los controles a las importaciones se
incrementaron y renovaron a través de instrumentos, regulaciones y solicitudes
del Gobierno a las empresas y eso comenzó a producir efectos: un dinamismo de
crecimiento de importaciones menor", destacó el trabajo de DNI, que orienta el
ex titular de la fundación Exportar, Marcelo Elizondo.
Con esos resultados, Moreno no resignó la posibilidad de ceder el control de
las importaciones a Ricardo Echegaray, quien a través de la AFIP (Resolución
3255) había establecido un sistema de "ventanilla única" para centralizar a
partir del 1° de febrero todos los pedidos de importaciones. Además, el
organismo que conduce Echegaray estableció un mecanismo de resolución más ágil
del que había establecido Moreno (ver...).
Cuando en las cámaras empresarias todavía seguían estudiando las resoluciones
de la AFIP que entrarán en vigencia la semana próxima, de manera sorpresiva el
martes Moreno comunicó a las cámaras empresarias que la Secretaría de Comercio
hará su propia evaluación de los pedidos de importación.
A partir de la semana próxima, un mismo pedido de importación deberá ser
tramitado ante la AFIP (mediante un formulario electrónico inserto en el
sistema informático María), y ante Comercio, mediante el envío de un email a la
casilla notadepedido@mecon.gob.ar. La
casilla fue instalada en la página del ministerio de Economía que encabeza
Herán Lorenzino pero donde Moreno concentra cada día más poder.(El Clarín –
26/01/2012)
Argentina reduz prazo para aprovar importação Previsão era de 15 dias, segundo a
nova lei; agora, fica entre 72 horas e dez dias A Administração Federal dos
Ingressos Públicos (a Receita Federal argentina) diminuiu praticamente pela
metade o prazo para a aprovação das importações segundo a nova lei que regulará
esses negócios na Argentina, a partir do mês que vem.
O governo havia anunciado que cada importação deveria ser feita por meio de um
pedido de licença antecipada, que deve ser aprovada pela Secretaria de Comércio
Interior, comandada por Guillermo Moreno.
Num primeiro momento, o governo havia dito que o prazo para a aprovação das
compras seria de 15 dias. Agora, a Afip anunciaqueo trâmite deve demorar entre 72
horas e não mais do que dez dias.
O recuo do governo, que configura uma mudança nas ordens do superpoderoso
Moreno, chega depois da forte reação negativa causada pela divulgação da medida.O
Brasil, principal sócio da Argentina, e o Uruguai foram os países do bloco que
mais preocupação demonstraram com
as novas medidas.
No caso brasileiro, o ministro do Desenvolvimento, Fernando Pimentel, havia
dado, na semana passada, fortes declarações afirmando que a Argentina vinha sendo
um "problema permanente" para o Brasil.
Ontem, procurado, o ministério brasileiro informou, por meio da assessoria de
comunicação, que não iria comentar a resolução do governo argentino. A data
para a entrada em vigor da nova lei não foi alterada:
1º de fevereiro. (Folha SP – 25/01/2012)
O Parlamento do Paraguai está certo Desde 2006, a Venezuela vem
negociando sua entrada no Mercado Comum do Sul, o Mercosul, como membro pleno
do bloco regional.
O passo final para a adesão foi dado com a celebração do acordo entre as chancelarias
dos cinco países, encaminhando-o para a aprovação dos parlamentos nacionais dos
quatro países do bloco, para que entrasse em vigor.
Os parlamentos brasileiro, argentino e uruguaio votaram favoravelmente ao
acordo, defendendo uma visão pragmática, afinal, o mercado venezuelano seria
uma ótima oportunidade econômica.
No entanto, o Parlamento do Paraguai, considerando que a Venezuela é um país
com liberdades democráticas limitadas, provocou um impasse barrando o projeto.
Baseando-se no tratado constitutivo do bloco, que estipula como requisito de
entrada a vigência de um regime democrático, o parlamento mostrou a fragilidade
e o imediatismo do modo com que a integração vinha sendo efetuada.
Por que o veto veio logo do Paraguai? É simples. Apesar dos quatro países do
Mercosul serem governados por coligações de esquerda e, por isso, simpáticas a
Chávez, em apenas um - o Paraguai - há uma oposição política de fato. Os
governos Dilma, Cristina e Mujica têm a maioria no parlamento e enfrentam
opositores desunidos e fragmentados.
Já o governo de Fernando Lugo, mesmo eleito alijando o Partido Colorado do
poder depois de 61 anos, possui uma diminuta bancada parlamentar - com seu
Partido Popular Tekojoja , para enfrentar uma coligação de oposicionistas de
pelo menos três legendas: o já citado Partido Colorado, o Partido Unace e o
Partido Pátria Querida.
Lugo não vem conseguindo emplacar projetos de política externa alinhados aos
desejos bolivarianos de integração, apesar dos gestos entusiásticos de Chávez
com sua eleição em 2008.
O Paraguai agora se encontra sob forte pressão para buscar soluções
alternativas, que não seriam outra coisa senão desrespeitar o Tratado de
Assunção ou passar por cima da vontade dos parlamentos nacionais.
Mesmo com a pressão, o Parlamento paraguaio não dá sinais de recuo. Ao não
aprovar a entrada da Venezuela no bloco, a democracia paraguaia dá uma lição
aos seus vizinhos mais ricos.
O capitalismo sem democracia, sem liberdade de opinião, sem respeito ao estado
de direito, sem alternância de poder, sem concorrência não é capitalismo, mas
apenas uma sombra materialista perversa, um espantalho, daqueles que líderes
autoritários como Hugo Chávez adoram colocar a culpa de todas as mazelas do
mundo.
Tais líderes atuam com o intuito de minar os fundamentos morais do capitalismo
e, quando o que resta é apenas o sistema produtivo impessoal e materialista,
passam a acusá-lo de excludente, consumista e moralmente decadente.
Um verdadeiro pragmatismo deveria defender as bases do capitalismo, evitando que
a legitimidade do Mercosul se abalasse com o ingresso de um governo truculento
e autoritário.
A Venezuela, sob o regime bolivariano, não possui as condições mínimas para
fazer parte do bloco. O Parlamento do Paraguai está certo. (Brasil Econômico –
25/01/2012)
No a Mercosur En declaraciones para este Diario
Francisco Rivadeneira, viceministro de Comercio Exterior, manifestó que "a
Ecuador no le interesa adherirse a Mercosur".
Respuesta categórica y correcta. Como explica el Viceministro, la normativa del
Mercosur no está hecha a la medida del Ecuador. En particular, el arancel
externo común (AEC).
Ante la invitación a que el Ecuador se integre, Quito preguntará si el Mercosur
está dispuesto a rediseñar el AEC para adaptarlo a nuestras necesidades. Como la
respuesta va a ser negativa, el Ecuador no se integrará.
Hay la mala experiencia con el AEC andino. La CAN entró en su apogeo con la
negociación entre Caracas y Bogotá para integrar sus economías. Diseñaron un
AEC em que se otorgaron preferencias mutuas a los insumos que producían. Los
otros socios o nos sumábamos o quedábamos fuera. Ecuador se sumó, no así Perú
que se distanció del proteccionismo. El resultado fue que los proveedores
colombianos y venezolanos vendieron al Ecuador a precios más altos que al resto
del mundo. Si hubo algún caso de una empresa ecuatoriana que se benefició de
ese AEC, habrá sido una excepción.
En aquel entonces, algunos voceros de la industria nacional se pronunciaron por
la salida del Ecuador de la CAN. Otros, cuyos afiliados exportaban a Colombia,
defendieron la permanencia en la comunidad.
Hoy, ya no hay AEC andino. Si bien seguimos teniendo déficit comercial con
Colombia, no se debe a ninguna distorsión del comercio, sino a la
competitividad de la producción colombiana. Estar en la CAN nos beneficia.
Sumarnos a Mercosur significaría que nuestra industria tendría que desviar sus importaciones
de insumos de dónde vienen ahora, y en su lugar comprar en Argentina y Brasil.
Y si ya importamos de estos países, sus empresas nos subirán los precios, para aprovechar
el arancel.
De Colombia importamos USD1.589 millones en enero-setiembre, el doble de lo que
le exportamos. Del Mercosur importamos USDS1.086 millones, cinco veces lo que exportamos.
Beneficiarnos de las negociaciones de Mercosur con la Unión Europea no es
justificativo.
Para eso, sumémonos al acuerdo CAN-UE. Los países sudamericanos debemos buscar
una mayor integración, pero no en términos que solo favorezcan a los más
desarrollados. En particular, Brasil debería abrirse más a la región. A Brasil
le vendemos solo la décima parte de lo que le compramos.
Para incrementar el comercio será necesario acercar a los países. El trueque
petróleo por combustibles con Uruguay fracasó por el costo del transporte.
Hoy, en relación a hace 10 años, hay una mucha mejor conexión aérea con
Colombia.
Avanzan las obras de la interconexión vial entre Ecuador y Perú. Hay vuelos a
Buenos Aires. Pero de Brasil seguimos distantes. Viajar a Bolivia es digno de
Ulises.(El Comercio Equador – 24/01/2012)
La presidenta de Brasil aplaude medidas del Mercosur contra la crisis
global Dilma Rousseff, la presidenta de
Brasil, la primera potencia de Latinoamérica, aseguró estar "muy complacida" de
que hace unos días el Mercosur haya adoptado importantes medidas arancelarias
para proteger a sus miembros de los efectos de la crisis económica global en el
mercado internacional.
Durante su intervención en el plenario de presidentes latinoamericanos que se
celebró em Uruguay la mandataria brasileña aseguró que estas medidas que se
decidieron, y por las cuales se podrán subir los aranceles de importación de
algunos productos externos al bloque, van a permitir una gestión flexible y
estratégica del comercio entre las naciones que forman el principal grupo
económico latinoamericano.
Rousseff recordó que la situación a nivel global y principalmente en laregión
europea por la tan difundida y difícil de manejar crisis de deudaes
"preocupante" y además de los problemas que acarrea se ve todavía agravada por
la que calificó como exasperante lentitud de las respuestas políticas que
deberían modificar y mejorar el panorama. A su criterio los gobiernos europeos
están dando respuestas "demasiado conservadoras como para encontrar una rápida
salida a la crisis".
Frente a este escenario mundial, el Mercosur, que está integrado por Argentina,
Brasil, Paraguay y Uruguay y con Venezuela en proceso activo de adhesión, debe
tomar las precauciones del caso.
La mandataria brasileña sostuvo que, si bien las medidas que adoptaron hasta
ahora los países de la región para minimizar y hasta evitar los efectos de la
crisis económica y financiera fueron "más que efectivas", advirtió que no deben
subestimarse los efectos a futuro de esta grave problemática mundial, la que
entre otras cosas traerá aparejada uma reducción del crédito internacional y
una merma importante del comercio a todo nivel.
"La crisis está mermando sustancialmente la demanda de los sectores
industriales de los países más desarrollados y esto le genera al Mercosur una
avalancha de importaciones predatorias que ponen en riesgo sus mercados",
afirmó Rousseff.
En su alocución la presidenta del Brasil les pidió a sus colegas del bloque que
éste avance rápidamente en la integración de las cadenas productivas y al mismo
tiempo tome recaudos para adoptar mecanismos comunes de defensa frente a
prácticas comerciales fraudulentas provenientes de otras regiones del planeta.
Y destacó la necesidad de que el mayor grupo comercial latinoamericano sume
nuevos socios de la importancia de Venezuela, la que todavía no se sumó
plenamente al grupo por la falta de aval del Senado de Paraguay.(Mercado
Continuo – Argentina – 24/01/2012)
Industriales brasileños acusan a la Argentina de "aislarse del mundo" La poderosa Federación de Industrias
del Estado de San Pablo (FIESP) también alzó hoy su voz de protesta contra las
trabas a las importaciones en la Argentina y dijo que espera acordar una
reunión con la presidenta Cristina Kirchner para discutir el problema.
El director de Relaciones Internacionales y Comercio Exterior de la FIESP,
Antonio Fernando Guimarães Bessa, cuestionó el nuevo régimen de declaraciones
juradas dispuesto por el Gobierno para abrir sus fronteras a las importaciones
y sostuvo que Argentina "ya no puede aislarse más del mundo".
También dijo que resolver "problemas" es parte de los desafíos que
implica para Brasil formar parte del Mercosur y tener como socio comercial a la
Argentina.
"Nosotros no podemos dar la espalda al Mercosur y encontrar que esta todo
terminado y bien, siempre seguiremos con problemas. Siempre hay hechos para
resolver y para conciliar y para beneficiar los dos países", sostuvo. De
todos modos, Bessa remarcó que "Argentina ya no puede más aislarse del
mundo porque no es una isla" y planteó que la única forma de competir en
el planeta es mediante importaciones que permitan fabricar productos
industrializados.
"Cerrar las importaciones no va a solucionar el problema de la balanza
comercial", indicó, y destacó que la FIESP espera poder reunirse con
Cristina para discutir sobre el nuevo proceso que dispuso el Gobierno para
recibir productos desde el exterior del país, incluyendo a Brasil.
"Nuestro presidente de la FIESP tuvo una idea, tener una reunión con la
Presidenta argentina, en donde se pueda conciliar y llegar a un acuerdo para
seguir beneficiando a Brasil, o seguir haciendo que permanezca Brasil con lo
que está haciendo.
Siempre es positivo encontrarse y charlar", dijo Bessa, en declaraciones a
radio El Mundo.
De todas maneras, aclaró: "Que del encuentro se llegue a algún punto, eso
es otro tema, ya que nadie quiere comprometer su imagen política".
Para el industrial, "ésta es una semana clave en las relaciones que
mantienen Brasil y Argentina" y advirtió que si se aplica la nueva medida
del Gobierno, ambos países van a "perder".
Bessa y la FIESP también se manifestaron en desacuerdo con el régimen de declaraciones
juradas, después de que el ministro de Desarrollo, Industria y Comercio Exterior
de Brasil, Fernando Pimentel, dijera la semana pasada que "Argentina ha
sido um problema permanente" en las relaciones comerciales entre los dos
países.(El Diario Argentino 24/01/2012)
Patriota nega estremecimento em relação com república islâmica Brasil não deve procurar diplomacia
de Teerã para pedir explicações sobre dura crítica feita por assessor de
Ahmadinejad
O ministro das Relações Exteriores, Antonio Patriota, negou ontem que haja
estremecimento nas relações entre Brasil e Irã, apesar das duras declarações de
Ali Akbar Javanfekr, porta-voz do presidente Mahmoud Ahmadinejad, ao jornal
Folha de São Paulo. O chanceler garantiu que tem mantido contatos normais com
os iranianos.
"Na reunião ministerial da OMC, recebi autoridades iranianas e
identifiquei interesse numa boa relação comercial e política", afirmou.
"Em Nova York, durante a Assembleia-Geral da ONU, mantive conversas com o
chanceler (Ali Akbar Salehi), ele me telefonou depois para me cumprimentar pelo
7 de Setembro."
Javanfekr, que além de porta-voz pessoal de Ahmadinejad é diretor da agência
estatal de notícias Irna, disse que a presidente Dilma Rousseff "destruiu
toda a relação construída pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva".
Internamente, no Itamaraty, a política é a do silêncio. Como em outros ataques,
a diplomacia brasileira prefere não alimentar controvérsias. O Brasil também
não vai procurar Teerã para saber o porquê dos ataques.
As queixas iranianas sobre a posição do País no governo Dilma não são novas,
mas nunca foram tão duras nem tão evidentes. Desde que Dilma, ainda
recém-eleita, criticou a condenação à morte por apedrejamento da iraniana
Sakineh Ashtiani - acusada de adultério e assassinato - abriu-se uma fissura no
relacionamento. Depois disso, o País votou pelo envio de um relator da ONU para
investigar a situação de direitos humanos no Irã. Além disso, Dilma não
demonstrou até agora um interesse especial pelo Oriente Médio como seu
antecessor. (O Estado de São Paulo – 24/01/2012)
Brasil quer manter boas relações com o Irã, diz Patriota BRASÍLIA - O Brasil tem interesse em
manter boa relação comercial e política com o Irã, e tem mantido contatos
amistosos com autoridades do país, declarou o ministro de Relações Exteriores,
Antônio Patriota.
Ele não quis comentar, porém, as duras críticas feitas ao governo Dilma em
entrevista ao jornal "Folha de S. Paulo", por Ali Akbar Javanfekr, porta-voz
pessoal do presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad. Contrariando o que afirmam
os responsáveis pela embaixada do Irã no Brasil, o iraniano acusou Dilma de
"destruir anos de bom relacionamento".
"Temos interesse na boa relação comercial e política com o Irã", disse
Patriota. "Tenho tido contatos formais com os iranianos", atestou, lembrando
ter recebido pedido de audiência, durante a Assembleia-Geral da ONU do
chanceler do Irã, Ali Akbar Salehi.
"Ele me telefonou no dia 7 de setembro para desejar felicidades ao Brasil",
lembrou o ministro. "Mais recentemente, na ministerial da Organização Mundial
do Comércio recebi autoridades iranianas", acrescentou.
Patriota evitou comentar também as dificuldades que exportações de frango
brasileiras têm sofrido para entrar no Irã. Como noticiou o Valor, o assunto
foi tratado por Patriota e Salehi. Os exportadores tem sido obrigados a fazer
um depósito enquanto se verifica a autenticidade da origem da mercadoria.
Mas os empresários brasileiros preferem atribuir as dificuldades a razões
"técnicas", enquanto o setor privado e governo brasileiro negociam com os
iranianos maior agilidade na liberação das vendas brasileiras.Sergio Leo (Valor
Online – 24/01/2012)
Argentina regulamenta norma que dificulta importações Segundo noticiado pela Agência
Estado, o governo argentino publicou hoje (23) no Diário Oficial a
regulamentação da norma que aumenta a burocracia de todas as importações do
país a partir de 1º de fevereiro. A União Industrial Argentina (UIA) havia
solicitado à Casa Rosada o adiamento da entrada em vigor da exigência de
declaração prévia informando à Receita Federal sobre qualquer compra. Na
prática, a norma equivale à aplicação de licenças não automáticas para todas as
compras externas do país. A Resolução 3.252, denominada "janela única
eletrônica", fixa um prazo de dez dias para aprovar as solicitações das
importações. De acordo com o texto, a medida pretende unificar as operações de
comércio exterior e estabelecer "um regime comercial mais seguro, propenso
a um novo enfoque de trabalho e associação entre as aduanas, organismos
governamentais e empresas, orientado à facilitação do comércio internacional".(Estadão
– 23/01/2012)
Fiesp que ir à Argentina negociar entraves a produtos brasileiros São Paulo - O presidente da Federação
das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Paulo Skaf, anunciou na
sexta-feira (20/1) que a entidade pedirá uma audiência com a presidente da
Argentina, Cristina Kirchner, para a última semana de janeiro.
O objetivo é falar sobre as barreiras às importações impostas pelo país vizinho
e que restringem a entrada de produtos brasileiros.
A medida anunciada no dia 11 deste mês, que irá exigir informações prévias
sobre todas as importações de bens de consumo, passa a valer a partir de 1º de
fevereiro.
"A avaliação dos membros da Fiesp que têm negócios com a Argentina é a de
que esses problemas não são novos, mas, como o Brasil não é o único exportador
para o vizinho do Mercosul, a mudança deveria ser voltada a outros mercados e
não para um país do mesmo bloco. O que acaba por ferir o Mercosul", disse
Skaf.
As medidas anunciadas pela Argentina visam manter um superávit em torno de US$
10 bilhões, saldo que corre o risco de ficar em US$ 5 bilhões. Esse resultado
inferior pode ser contabilizado por conta da grande estiagem que atinge o país,
que leva assim ao aumento de importações referentes ao setor de energia. As
barreiras seriam uma forma de manter esse patamar, de acordo com Skaf.
Apesar dos detalhes da medida ainda não estarem claros, a entidade estima que
aproximadamente 80% das exportações brasileiras poderão ser afetadas,
envolvendo um universo de mais de 5.500 importadores argentinos, além de
colocar em dúvida acordos anteriormente realizados.
Skaf ressaltou que a entidade tem conversado também com o governo brasileiro
sobre a questão, e a ideia é procurar evitar que haja um prejuízo para as
exportações brasileiras.
"Independentemente de pressão em cima deles, o ideal é encontrarmos alguns
caminhos criativos, como, por exemplo, em setores como nafta, petróleo e gás,
além da indústria naval, onde os argentinos têm potencial ocioso. Na indústria
naval, o Brasil está com todos os estaleiros tomados nos próximos dez anos.
Então, não seria um sacrifício dar alguma abertura para que os argentinos
pudessem fazer navios", disse o presidente da Fiesp.
Para o presidente do Conselho Superior do Comércio Exterior da Fiesp, Rubens
Barbosa, esse desiquilíbrio é estrutural e dificilmente vai desaparecer pelo
fato de a indústria brasileira ser maior em relação à Argentina.
O comércio entre os dois países em 2011 registrou recorde de US$ 39,6 bilhões,
com um aumento de 17% com relação ao ano anterior. Para o Brasil, houve
superávit de US$ 5,8 bilhões, 41% a mais do que em 2010, segundo dados da
Fiesp.(Brasil Econômico/NetMarinha – 23/01/2012)
Brasil analiza aplicar represalias por nuevas trabas a las
importaciones El Ministerio de Industria analiza
medidas pero no llegarán antes de marzo, porque quieren agotar la vía de la
negociación. Empresarios del país vecino quieren que Brasil denuncia a Argentina
ante la OMC.
El gobierno de la presidenta Dilma Rousseff planea aplicar represalias contra
Argentina, debido a las restricciones en el comercio bilateral, pero todavía
apuesta a una negociación que impida la "guerra comercial", según
fuentes consultadas por la prensa.
Las autoridades brasileñas "no descartan" adoptar medidas contra su
principal sócio comercial en América Latina, y tercero detrás de China y
Estados Unidos, debido a que sus exportaciones podrán ser objeto de maniobras
burocráticas que retardarán el ingresso al mercado.
La respuesta comercial está siendo analizada en el Ministerio de Desarrollo,
Industria y Comercio Exterior, pero antes de dar inicio a un eventual fuego
cruzado, el gobierno aguardará por lo menos hasta marzo, para evaluar el
impacto de la nueva política del gobierno de Cristina Fernández, consignó Folha
de Sao Paulo.
Por lo pronto en Brasilia aún hay "expectativas" de que Buenos Aires
"revise" su posición. Los
importadores argentinos deberán realizar una declaración jurada antes de
adquirir bienes en el exterior y el gobierno contará con 15 días para librar la
autorización, según una norma publicada hace una semana en el Boletín Oficial,
la cual entrará en vigor em febrero.
Algunos grupos privados ya recomiendan llevar el caso ante la Organización
Mundial del Comercio (OMC). "En lugar de aplicar medidas contra la
(importación de la) producción argentina, el gobierno brasileño debería entrar con
un pedido ante la OMC", declaró la abogada Cynthia Kramer, experta en
comercio exterior.
"Pero no creo que Brasil siga ese camino (apelar a la OMC) por cuestiones
políticas" acotó Kramer, que pertenece al buffet L. O. Baptista Abogados
Asociados, de Sao Paulo.
Los asuntos relativos a comercio exterior están dentro de las esfera del
Ministerio de Desarrollo, Industria y Comercio Exterior, pero también es
considerada la opinión de Hacienda y la Cancillería. Esas tres carteras no
coinciden en la conveniencia de llevar los contenciosos con otros países al
seno de la OMC. Una de las razones es que algunos funcionarios temen que esa
fórmula se torne un bumerang para Brasil, que ha sido considerado como uno de
los países que adoptaron más medidas proteccionistas dentro del Grupo de los
Veinte Esto debido a una serie de iniciativas implementadas en 2011 como el
aumento de los impuestos a los automóviles importados, la reducción de tributos
a los exportadores de bienes industriales y la creación de líneas de crédito
estatales para alentar las ventas al exterior.
El ministro de Desarrollo, Industria y Comercio Exterior brasileño, Fernando
Pimentel, expresó ayer su desaprobación sobre la decisión argentina al decir
que es "difícil" negociar con sus vecinos. Sus declaraciones fueron
rebatidas por la ministra de Industria argentina, Débora Giorgi, quien recordó
que su país importó 22.700 millones de dólares de Brasil en 2011, un aumento
del 23% y que el déficit alcanzó los 5.800 millones. "Se calienta la
guerra comercial con Argentina" (y) Brasil monta estrategia para el contraataque"
escribió hoy Folha. "Discutir caso a caso con cada empresa (importadora) si
puede o no comprar a otros países es limitar las importaciones (si la medida
del gobierno argentino) entra en vigor podemos afectar al Mercosur", opinó
Roberto Giannetti da Fonseca, director de la Federación de Industrias del
Estado de Sao Paulo.
En tanto Estado de Sao Paulo, considerado un órgano con posiciones afines al empresariado
paulista, señala, en su edición de hoy, que el gobierno argentino no menciona
"la demora de más de 60 días para autorizar la importación de millares de productos
brasileños como electrodomésticos, línea blanca, máquinas y equipos agrícolas".
Para analistas los roces entre Brasil y Argentina son también la consecuencia
de los problemas que afectan a la economía global, especialmente en Europa, lo
cual amenaza la expansión de las exportaciones sudamericanas. (El Clarín –
23/01/2012)
Fiesp acredita em acordo com argentina para evitar barreiras comerciais A partir de 1º de fevereiro, a
Receita Federal argentina passará a exigir informações prévias sobre todas as
importações de bens de consumo. A medida atingirá todos os produtos brasileiros
destinados ao mercado interno argentino. A Federação das Indústrias do Estado
de São Paulo (Fiesp) estima que 79% das exportações brasileiras devem ser
afetadas, mas acredita em um acordo amigável entre os países vizinhos.
Segundo o presidente da Fiesp, Paulo Skaf, um conflito direto seria ainda mais
prejudicial à indústria brasileira. "Estamos preocupados com a realidade.
Se temos uma indústria com contêineres parados, precisando embarcar, não
podemos entrar em uma briga que trará solução somente um ano depois, o que não
resolve o problema da indústria, nem do Brasil".
Já o ex-secretário de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento,
Indústria e Comércio Exterior (MDIC), Welber Barral, é de opinião que as
autoridades brasileiras precisam ser firmes para conseguir reverter essas
medidas protecionistas adotadas pela Argentina. "O governo brasileiro tem
que ser duro nas negociações", disse.
No entanto, Barral observou que retaliar os produtos argentinos não é uma
solução definitiva. "A retaliação é um instrumento de negociação. Não é
uma resposta definitiva. Criação de barreira é ruim para os dois lados, gera
custos de transação, burocracia desnecessária e corrupção deslavada".
O ex-secretário de Comércio Exterior destaca a integração entre os países como
uma alternativa de acordo. "Uma solução seria maior integração produtiva
de mercados, assim como a que existe entre o setor automotivo", disse.
O governo brasileiro vai esperar a medida entrar em vigor para avaliar o
impacto das novas normas comerciais na economia antes de iniciar as negociações
com o governo argentino. Na última terça-feira (10), o ministro do
Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Fernando Pimentel, demonstrou o
descontentamento com as reações do país vizinho. "A Argentina tem sido um
problema permanente. Temos boas relações políticas, mas economicamente é
difícil lidar com eles", disse.
No dia 11 de janeiro, a Argentina decidiu exigir apresentação de Declaração
Jurada Antecipada de Importação (DJAI) dos importadores de bens de consumo.
Essa exigência dificulta a entrada de produtos estrangeiros no país vizinho.
Para o Brasil, essas medidas protecionistas podem provocar uma queda
considerável nas exportações. A Argentina é um dos principais parceiros
comerciais do Brasil. Em 2011, as vendas externas brasileiras ao país vizinho
somaram US$ 22,7 bilhões. De janeiro a dezembro do ano passado, a balança
comercial entre os dois países registrou superávit para o Brasil de US$ 5,8
bilhões. (Agência Brasil – 21/01/2012)
Mercosul quer expandir-se na região Quito - O Mercado Comum do Sul (Mercosul)
converteu-se no esquema econômico mais dinâmico da região, com um crescimento
média anual de 33,7 por cento que o impulsiona a estender-se em seu meio.
João Carlos Parkinson, Assessor do Alto Representante Geral do Mercosul,
assegurou à Prensa Latina em Quito que este fórum aspira a expandir-se em seu
espaço natural mas não com todos os países ao mesmo tempo.
"Porque nem todos estão preparados nem interessados a fazê-lo",
adicionou.
O servidor público do organismo regional assinalou o interesse em aprofundar as
experiências dentro do Mercosul e com outros Estados de seu meio, pelo que
nestes momentos realiza uma aproximação a Equador, Bolívia, Guiana e Surinam,e
candidatos potenciais para integrar o quórum deste bloco negociador.
Parkinson expôs que esta associação comercial poderia converter-se em um bloco
comum em na América do Sul, ainda que seja difícil dizer quando.
Falou que a aspiração não deve ser a de pertencer a associações isoladas onde
os Estados membros olhem só para seus interesses, segundo sua localização
geográfica, seja para o oceano Pacífico ou ao Atlântico.
Para o experiente, é necessária a união para enfrentar os processos econômicos
no mundo, e o Mercosul dá uma margem de desenvolvimento a seus membros porque
propicia os investimentos entre eles, e lhes dá garantias de um mercado seguro
e de complementariedade.
Em particular, apontou, espera-se que o Brasil continue experimentando um
crescimento econômico como o fez no último ano e que o converte no mais forte
do subcontinente, mas há uma grande incerteza sobre que passará neste ano 2012.
Calcula-se que a economia da América do Sul continue crescendo e também o
Brasil como pólo, ao mesmo tempo em que se estima um período prolongado da
crise na Europa e nos Estados Unidos, que redundará na decisão dos países de se
aproximar ou não.
Esta projeção não é segura pelos riscos que existem no intercâmbio comercial
mundial, agregou.
Significou a tendência de uma deslocação dos grandes eixos de dinamismo para as
chamadas economias emergentes, e, por exemplo, enquanto Europa e Estados Unidos
retrocedem, a China e o Brasil experimentam um crescimento de dois dígitos.
Considerou que um Mercosul sul-americano é possível, mas, entre outros
acápites, está sujeito aos interesses políticos daqueles países que optaram por
mecanismos diferentes ao deste organismo e dos próprios mecanismos de vantagens
do Mercosul.
Parkinson assegura que os dividendos estão sendo proveitosos para os
participantes no Mercosul, pelo que o resto poderia se ver influenciado e
motivado a se aproximar mais, já que a opção é somar àqueles blocos dinâmicos e
não se isolar.
Em um fórum sobre as perspectivas do Mercosul, realizado na capital
equatoriana, Parkinson expôs a urgência da integração, do reforço do mercado
doméstico e da redução da dependência de mercados externos à região. No
contexto mundial, concluiu, as relações entre a China e Estados Unidos vão
determinar as relações econômicas internacionais. (Prensa Latina – 21/01/2012)
Indústria argentina pede adiamento de novas regras para importação BUENOS AIRES - O presidente da União
Industrial Argentina (UIA), Ignacio de Mendiguren, pediu ao governo de Cristina
Kirchner que adie a adoção das novas regras para importação, previstas para o
dia 1º de fevereiro. Em entrevista a uma rádio de Buenos Aires, Mendiguren
informou que enviou, na semana passada, carta ao titular da Administração
Federal de Rendas Públicas (Afip, na sigla em espanhol), Ricardo Echegaray,
"pedindo para analisar alguns pontos e a possibilidade de postergar a
entrada em vigor dos novos controles".
"Na verdade, estamos preocupados, especialmente para saber como será este
regime, porque há importações que estão relacionadas diretamente com a produção
doméstica, que não são insumos produzidos no país", disse Mendiguren. Na
carta, o empresário argumentou sobre a complexidade do assunto e da necessidade
de que a norma seja previsível e bem esclarecida. "Temos que dar
prioridade à previsibilidade da norma; ter claros os critérios pelos quais as
declarações (as autorizações para importar) serão aprovadas ou não",
afirmou.
Mendiguren, empresário que possui boas relações com o governo de Cristina
Kirchner, disse que teve uma reunião com o secretário de Comércio Interior,
Guillermo Moreno, o homem responsável de controlar o comércio exterior do país.
O empresário garantiu que Moreno o "tranquilizou" porque, segundo
ele, o sistema será aplicado de maneira "muito automática".
Em reunião realizada ontem com representantes do setor importador da Argentina,
os titulares da Receita Federal, Ricardo Echegaray, e da Aduana, Siomara
Ayerán, explicaram que vão analisar cada declaração no prazo máximo de 10 a 13
dias. Antes da reunião, o presidente da UIA havia criticado o Brasil por
reclamar das novas barreiras ao comércio.
Há quase duas semanas, o governo de Cristina Kirchner decidiu impor aos
importadores a necessidade de apresentação de uma declaração prévia à ordem de
compra de produtos do exterior, sujeita à análise da Afip, Secretaria de
Comércio Interior e demais órgãos para aprovar ou não a importação. (Agência
Estado – 20/01/2012)
Travas no Mercosul O governo da Argentina não mostra
nenhum escrúpulo de atropelar sistematicamente tratados internacionais quando
se trata de proteger sua balança comercial.
A partir de 1.º de fevereiro, passará a exigir pedido de licenças não
automáticas de importação para todos os produtos, independentemente da
procedência. Seus fiscais aduaneiros dirão o que pode ser importado e quanto. É
um instrumento burocrático que leva tempo para ser examinado (oficialmente, no
máximo 15 dias), com o qual se busca declaradamente emperrar o comércio.
Essa exigência aprofunda o jogo protecionista que até agora se limitava a
conter a entrada de produtos da linha branca (geladeiras, máquinas de lavar
roupa, fogões, etc.), artigos têxteis, calçados, baterias e tratores.
O objetivo final do país é obter neste ano um superávit comercial superior a
US$ 10 bilhões (o do ano passado foi de US$ 10,9 bilhões), conforme a Agência
Estado apurou a partir de documento interno vazado para a imprensa.
Essa decisão tem a ver com as dificuldades que a Argentina enfrentando desde o
calote de 2001 à sua dívida, agravadas no início deste ano com a perspectiva de
quebra de pelo menos 23% na safra de milho e de outros 5% na de soja, por ação
de uma séria estiagem. As receitas com o Imposto de Exportação (que agora devem
reduzir-se) cobrem 20% da arrecadação. A ideia é cortar despesas com
importação, de maneira a enfrentar a redução de caixa com que contava para
cobrir o rombo externo.
Não dá para negar que o saldo do comércio bilateral é favorável ao Brasil e que
isso tende a se ampliar (veja o gráfico). É o resultado da política econômica
predadora colocada em prática pelas duas administrações Kirchner, que
desestimula o investimento e o avanço tecnológico e, nessas condições, derruba
a competitividade do produto industrial argentino.
De maneira informal, o governo brasileiro já passou o recado de que não gosta
do jeito folgado e irresponsável com que o governo argentino lida com compromissos
internacionais, sobretudo com os do Mercosul. O ministro do Desenvolvimento,
Fernando Pimentel, por exemplo, já declarou o que até agora nenhum ministro de
Estado do Brasil ousou dizer em público: a Argentina se tornou "um problema
permanente".
O presidente da Associação Brasileira de Empresas de Comércio Exterior (Abece),
Ivan Ramalho, enfrentou a catimba comercial da Argentina durante os 16 anos em
que ocupou a Secretaria Executiva do Ministério do Desenvolvimento, 8 deles
durante o período Fernando Henrique e a outra metade do tempo no período Lula.
Para ele, se engolir mais esse sapo, o governo brasileiro estará contribuindo
decisivamente para a escalada protecionista do governo argentino e para as
distorções que virão em seguida.
E Ramalho não esconde por qual setor o governo deve começar o revide. "A área
comercial mais sensível para eles é o setor automotivo." Ele sugere que, pelo
menos por simetria, o Brasil também imponha à Argentina licenças prévias para
importações de veículos.
Curiosamente, há alguns anos, o Brasil foi condenado em tribunal de arbitragem
do Mercosul, convocado pela Argentina por também impor travas burocráticas em
seu comércio bilateral.
Essas coisas não têm cabimento entre países-membros de uma área que se supõe
estar em estágio mais avançado de integração (união aduaneira) e que, no
entanto, não consegue ser nem zona de livre comércio, o que prevê livre
circulação de mercadorias. Mostram que os tratados do Mercosul deixaram de ser
apenas queijos esburacados. Estão cada vez mais desmoralizados.
Já não eram instrumentos de integração econômica e comercial. Agora correm o
risco de deixar de ser também de integração política – condição que o Itamaraty
ainda pretendia preservar. Celso Ming (Estadão – 20/01/2012)
Na Argentina, declarações para importação poderão demorar até 13 dias Artigos de exposição e de franquias
serão exceção e poderão ser liberados mais rápido
BUENOS AIRES - Funcionários do governo argentino tentam suavizar o peso da nova
exigência para os importadores que passa a vigorar a partir de 1.º de
fevereiro. Os titulares da Receita Federal, Ricardo Echegaray, e da Aduana,
Siomara Ayerán, em reunião realizada ontem (19), explicaram a representantes do
setor importador da Argentina que o governo vai ter um prazo de 10 a 13 dias
para analisar os pedidos. Será criada uma comissão para acompanhar os casos de
exceção, como os artigos de exposição e de franquias, que terão rápida
liberação.
Fontes que participaram da reunião disseram à AE que as discussões foram
técnicas e giraram em torno dos detalhes sobre o funcionamento do novo
mecanismo e como a declaração deverá ser preenchida. A principal mensagem dos
funcionários aos importadores foi a de que o objetivo é criar um canal único
para autorizar ou não as importações no país. "O que estamos fazendo é
implementar um só canal 100% eletrônico para articular os organismos do Estado,
como nos pediram os importadores dezenas de vezes", disse o diretor da
Administração Federal de Renda Pública (Afip), a Receita Federal local, Ricardo
Echegaray, aos interlocutores.
A diretora da Aduana, Siomara Ayerán, esclareceu que a nova medida pretende
reduzir os custos da importação, e não complicar a tramitação. No entanto, a
grande dúvida do setor é sobre se os prazos mencionados poderão ser cumpridos,
já que as declarações detalhadas sobre o que se pretende importar serão
submetidas à revisão de cada organismo relacionado ao produto. Todos os
organismos terão um máximo de dez dias para devolver a declaração, segundo a
Afip, que terá três dias mais. Passados esses 13 dias, se os importadores não
tiverem recebido a via livre das suas declarações, as compras ao exterior serão
aprovadas de forma automática.
Prazos
Nesse período, se houver alguma objeção por parte de algum dos organismos
envolvidos ao pedido de importação, o importador poderá contestar e dar
continuidade à operação. Os prazos mencionados ontem divergem do que foi
publicado pela medida na semana passada, que determina um tempo de 15 dias. A
discrepância só será dissolvida com a publicação da regulamentação da norma,
prevista para a próxima semana.
Fonte ouvida pela AE, que representa uma das câmaras que participaram do
encontro, disse que o setor esperava uma burocracia mais complicada. Mesmo
assim, o setor está preocupado. "A questão é que até o momento só havia
necessidade de pedir licenças (as licenças não automáticas - LNAs) para 14% da
nossa pauta importadora. E, a partir de agora, é preciso pedir autorização
prévia para importar praticamente qualquer item", reclamou a fonte.
Mesmo os produtos que já fazem parte da lista de 600 posições tarifárias
sujeitas às LNAs também terão de apresentar a declaração prévia à ordem de
compra e ao pedido de licença. De acordo com o diretor de Assuntos
Institucionais da Câmara de Importadores da República Argentina (Cira), Miguel
Ponce, os pedidos de compras realizados antes da entrada em vigor do novo
mecanismo serão respeitados.
Documento interno do governo de Cristina Kirchner que vazou para a imprensa
afirma que o objetivo da medida é garantir um superávit comercial mínimo de US$
10 bilhões. Assinado pelo vice-ministro de Economia, Axel Kicilloff, o
documento especifica que US$ 5 bilhões já estarão garantidos pelas exportações
do setor de agrobusiness. Somente após conseguir o restante o governo começaria
a afrouxar as barreiras contra as importações. (Agência Estado – 20/01/2012)
Empresários brasileiros negociarão barreira comercial com Argentina Exportações brasileiras para aquele
país podem cair 79% com as medidas adotadas pelo governo argentino
SÃO PAULO - Empresários brasileiros preocupados com a adoção de novas medidas
protecionistas pela Argentina pedirão uma audiência com a presidente do país
vizinho, Cristina Kirchner, na última semana de janeiro, assim que ela se
recuperar de uma cirurgia para a retirada da glândula tireoide. Segundo o
presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Paulo
Skaf, o grupo tentará uma solução amigável para a retirada da Resolução nº 3252
da Administração Federal de Ingressos Públicos (AFIP, a Receita Federal da
Argentina), em troca de alternativas que mantenham o superávit comercial do
país vizinho em torno de US$ 11 bilhões. As novas medidas decretadas pelo
governo argentino podem, segundo estimativas da consultoria Abeceb.com, afetar
79% das exportações brasileiras para aquele país.
Em entrevista coletiva hoje, após reunião com representante de setores da
indústria paulista e sindicatos, Skaf afirmou que o objetivo dos empresários é
buscar uma solução que seja benéfica para os dois países, sem precisar recorrer
a órgãos de comércio internacional. De acordo com ele, recorrer à Organização
Mundial de Comércio (OMC), por exemplo, significaria um tempo muito longo para
conseguir a liberação de mercadorias paradas na fronteira. "Uma briga
assim não seria bom nem para as empresas brasileiras nem para os consumidores
argentinos, que necessitam das mercadorias", afirmou.
O presidente da Fiesp informou que já fez contatos com o ministro interino do
Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Alessandro Teixeira, com o
ministro das Relações Exteriores, Antonio Patriota, e com o embaixador do
Brasil na Argentina. "Está tudo sendo feito em comunicação com o governo
brasileiro", disse. Skaf afirmou também que as negociações não podem
esperar, já que as empresas exportadoras têm compromissos. "O tempo corre
contra todo mundo, nós precisamos de uma solução e só manifestar preocupação é
muito pouco", ressaltou.
Skaf sugeriu, por exemplo, que o país vizinho utilizasse seus estaleiros para a
construção de navios que empresas brasileiras necessitam, sobretudo a
Petrobras. Em troca, seriam retiradas as exigências de declarações obrigatórias
para a importação de produtos brasileiros. "A Argentina poderia exportar
produtos de alto valor, como navios que tanto a Petrobras precisa, e, com os
estaleiros deles, que estão quase parados. Ficaria bom tanto para a Argentina,
que manteria seu superávit comercial, quanto para o Brasil", afirmou.
O objetivo da Argentina ao editar a resolução é manter o superávit do país no
comércio internacional, que, no ano passado, foi de quase US$ 11 bilhões. O
comércio bilateral entre Brasil e Argentina somou no ano passado US$ 39,6
bilhões, com um superávit para o Brasil de US$ 5,8 bilhões - US$ 22,7 bilhões
em exportações e US$ 16,9 bilhões em importações.
O presidente da Fiesp disse que as medidas adotadas pela Argentina, que
entrarão em vigor em 1º de fevereiro, representam mais um golpe dentro do
Mercosul. De acordo com ele, os países do bloco comercial deveriam unir forças para
enfrentar a entrada de produtos asiáticos. "Em vez de bater cabeça com um
ou com outro, deveríamos sentar à mesa de negociações, como Mercosul, e
discutir dumping e pirataria de terceiros países." Skaf não deixou de
manifestar indignação com a atitude da Argentina. "Todos os anos tem um problema
com a Argentina, esse é mais um", completou. (Agência Estado – 20/01/2012)
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Smartphones ajudam Samsung a ter lucro recorde SEUL - A Samsung
Electronics teve lucro operacional recorde de 4,7 bilhões de dólares no quarto
trimestre, o que se deve principalmente às vendas crescentes de smartphones, e
gastará 22 bilhões de dólares neste ano para aumentar a produção de chips e
telas planas a fim de se distanciar de concorrentes.
A maior companhia de tecnologia do mundo em termos de receita compete
acirradamente com a Apple no mercado de smartphones. A fabricante
norte-americana, que ficou atrás da sul-coreana no terceiro trimestre, voltou a
ser a maior produtora de smartphones do mundo no quarto trimestre, com 37,04
milhões de unidades vendidas.
A Samsung não liberou os números de vendas, mas a consultoria Strategy
Analytics estima venda de 36,5 milhões de smartphones no período de outubro a
dezembro, com a Nokia em terceiro com 19,6 milhões. Os telefones inteligentes
respondem por cerca de 40 por cento de todas as vendas de aparelhos móveis da
Samsung.
O segmento de telecomunicação da Samsung registrou um lucro recorde de 2,64
trilhões de wons (2,35 bilhões de dólares) em outubro a dezembro, o que se deve
às maiores vendas dos smartphones Galaxy.
O lucro operacional da empresa, de 5,3 trilhões de wons (4,72 bilhões de
dólares), ficou em linha com as estimativas da companhia e superou o recorde
anterior de 5 trilhões de wons no segundo trimestre de 2010. O lucro subiu 76
por cento em relação a um ano e 25 por cento ante o trimestre anterior.
A Samsung aumentará os gastos neste ano em 9 por cento, para 25 trilhões de
wons. Desse total, 15 trilhões de wons irão para a divisão de chips e 6,6
trilhões de wons se destinarão às telas planas. O restante aumentará a
capacidade de produção fora da Coreia do Sul e financiará novos centros de
pesquisa. (Reuters – 27/01/2012)
Samsung bate recorde de
vendas e fecha 2011 com lucro de US$ 12,2 bi A Samsung, maior empresa
de tecnologia da Coreia do Sul, encerrou 2011 com lucro líquido de 13,73
trilhões de wons (US$ 12,198 bilhões), número 15% menor que o de 2010 apesar do
recorde de vendas alcançado.
O lucro operacional foi de 16,25 trilhões de wons (US$ 14,434 bilhões), 6%
menos que no ano anterior, segundo os resultados apresentados pela companhia
nesta sexta-feira.
A gigante sul-coreana obteve em 2011 o recorde de vendas de 165 trilhões de
wons (US$ 146,579 bilhões), 7% mais que no ano anterior, sobretudo pelo sucesso
da comercialização de seus smartphones.
A redução do lucro da Samsung respondeu, em parte, à conjuntura de intensa
competitividade no mercado mundial da tecnologia em um ano marcado pela crise
econômica global, explicou a companhia.
O grupo, grande rival da americana Apple no rentável mercado dos smartphones,
atribuiu seus ótimos dados de vendas em 2011 ao crescimento de sua divisão de
telecomunicações e, especificamente, ao êxito de seus telefones inteligentes de
última geração, como o Galaxy S II, e de seu tablet Galaxy Note.
O aumento da distribuição de televisores LED em economias ricas e emergentes
também contribuiu para os bons resultados alcançados no último trimestre do ano
passado.
Seu lucro líquido entre outubro e dezembro chegou a 4 trilhões de wons (US$ 3,5
bilhões), enquanto seu lucro operacional foi de 5,3 trilhões de wons (US$ 4,7
bilhões), 79% mais que em 2010.
A receita por vendas da Samsung no último trimestre de 2011 registrou o recorde
histórico de 47,3 trilhões de wons (US$ 42 bilhões), 13% mais que no mesmo
período do ano anterior. (Folha SP – 27/01/2021)
Motorola, à espera da
fusão com Google, tem prejuízo no 4o tri A Motorola Mobility teve
prejuízo e fraca receita no quarto trimestre, resultado esse que pode ser o
último antes da planejada fusão da empresa com o Google.
Alguns acionistas do Google se mostraram preocupados sobre a decisão da empresa
de comprar a Motorola Mobility, que alertou em 6 de janeiro que a receita
poderia cair e ficar abaixo da previsão de Wall Street por causa de questões
legais e concorrência mais acirrada com empresas como a Apple.
As companhias ainda tentam a aprovação para o negócio que está sendo analisado
por órgãos reguladores ao redor do mundo.
A Motorola Mobility teve um prejuízo líquido de 80 milhões de dólares, ou 0,27
dólar por ação, contra um lucro de 80 milhões de dólares, ou 0,27 dólar por
ação, no mesmo trimestre do ano anterior.
A receita teve leve alta, para 3,436 bilhões de dólares ante 3,425 bilhões no
quarto trimestre de 2010.
A receita com decodificadores de TV caiu 11 por cento na mesma base de
comparação, para 879 milhões de dólares, e a de aparelhos móveis subiu 5 por
cento, para 2,5 bilhões de dólares.
O Google chegou a um acordo em agosto para comprar a Motorola por 12,5 bilhões
de dólares, ou 40 dólares por ação. A companhia de Internet está de olho no
portfólio da Motorola para defender a si própria e outras fabricantes de
celulares que usam Android na briga de patentes com concorrentes como Apple e
Microsoft.
A Motorola Mobility espera que a fusão com Google saia no começo deste ano. As
companhias estão à espera da aprovação em várias regiões, como Estados Unidos,
China, Europa e Canadá.
Depois de perder terreno no mercado de celulares inteligentes por vários anos,
a Motorola Mobility foi separada da Motorola Inc no ano passado, quando a
companhia que inventou o celular, se dividiu em duas. (Reuters – 27/01/2012)
Motorola Mobility
registra prejuízo de US$ 80 milhões no 4º trimestre SÃO PAULO - A Motorola
Mobility registrou prejuízo no quarto trimestre, por conta de uma queda nas
vendas de decodificadores de sinal digital de TV. No período, a companhia
registrou prejuízo líquido de US$ 80 milhões, ante um lucro líquido de US$ 80
milhões no mesmo período do ano anterior. O prejuízo por ação foi de US$ 0,27,
contra lucro de US$ 0,27 por ação um ano antes.
A receita da companhia teve incremento de 0,3% no período, para US$ 3,436
bilhões. As vendas de decodificadores de TV recuaram 11%, para US$ 879 milhões.
As vendas de aparelhos móveis, por sua vez, apresentaram aumento de 5%,
chegando a US$ 2,5 bilhões. A margem bruta diminuiu para 24,9%, ante 26,7% um
ano antes.
A Motorola Mobility aguarda a aprovação do governo americano para a venda para
o Google. Em agosto do ano passado, o Google anunciou um acordo para adquirir a
companhia por US$ 12,5 bilhões, ou US$ 40 por ação.
Acionistas do Google demonstraram preocupação sobre a compra após a Motorola
Mobility informar, no início do mês, que sua receita poderia ficar abaixo da
previsão devido a questões legais e à concorrência mais acirrada no setor.
A expectativa é que a decisão sobre operação entre as empresa saia neste
trimestre. A compra terá de ser aprovada nos Estados Unidos, na China, na
Europa e no Canadá. (Valor Online – 27/01/2012)
Vendas de smartphones
impulsionam lucro da Samsung SÃO PAULO - A Samsung,
fabricante sul-coreana de eletroeletrônicos, encerrou o quarto trimestre com
lucro líquido de 4 trilhões de won (US$ 3,6 bilhões), o que representou um incremento
de 17% em relação ao último trimestre de 2010. A receita líquida de vendas
aumentou 13% no trimestre, para 47,3 trilhões de won (US$ 41,9 bilhões).
O resultado foi favorecido pela forte expansão nas vendas de aparelhos
celulares no mundo. A consultoria Strategy Analytics estima que as vendas de
smartphones da empresa chegaram a 36,5 milhões de unidades no quarto trimestre,
ficando atrás apenas da Apple, dona do iPhone. A receita da Samsung com
celulares aumentou 52% no período, para 17,82 trilhões de won (US$ 15,9
bilhões).
Outro fator que favoreceu a companhia foram as vendas de semicondutores, que
apresentaram melhora na rentabilidade em função da alta nos preços mundiais. O
mercado sofre uma queda na oferta por conta das inundações na Tailândia, maior
polo de produção de chip no mundo. A receita da Samsung com semicondutores teve
queda de 1%, para 9,17 trilhões de won (US$ 8,2 bilhões). O lucro operacional
total da companhia aumentou 76%, para 5,3 trilhões de won (US$ 4,7 bilhões).
A Samsung informou também que terá um gasto de 25 trilhões de won (US$ 22,3
bilhões) em 2012 com despesas de capital. Do total, 15 trilhões de won (US$
13,4 bilhões) serão investidos em novas linhas de produção de chip. (Valor
Online – 27/01/2012)
Governo amplia
benefícios para produtos de informática e automação fabricados no RS O Governo do Estado
ampliou a lista de produtos de informática e automação beneficiados com a
redução de carga tributária. A inclusão de novos produtos desenvolvidos pelos
fabricantes do Estado visa estimular ainda mais o setor, considerado
estratégico para o desenvolvimento do Rio Grande do Sul. O decreto assinado
pelo governador Tarso Genro foi publicado na edição do dia 20 do Diário Oficial
do Estado (DOE).
Segundo o subsecretário da Receita Estadual, Ricardo Neves Pereira, o Estado
concede benefícios para empresas que produzam, pelo menos, um produto
eletroeletrônico de acordo com o processo produtivo básico, previsto em
legislação federal. Em razão da ampliação da produção de novos equipamentos existe
a necessidade de ampliação e atualização da lista, prevista no Regulamento do
ICMS.Os produtos elencados são beneficiados com a redução da carga tributária,
em geral, para 4%, dependendo do destino dos produtos.
Dentre os beneficiados estão balanças eletrônicas de mesa com capacidade
inferior a 30kg, impressoras térmicas, aparelhos telefônicos e
medidores/controladores (digitais) da pressão. "A medida busca manter o
Estado competitivo na produção de eletroeletrônicos", ressalta Neves,
lembrando que o setor ganha cada vez mais importância econômica mundial e tem
atraído diversos novos fabricantes para o país. O Rio Grande do Sul tem
participação importante no cenário nacional, especialmente no que se refere ao
setor de automação industrial.(Secretaria da Fazenda do Estado do Rio Grande do
Sul – 26/01/2012)
Camex adia exigência de
homologação prévia para importação de celular BRASÍLIA – O governo
adiou, por "questões técnicas", a exigência de homologação prévia da Agência
Nacional de Telecomunicações (Anatel) para importação de telefones celulares no
país – medida defendida pelo ministro das Comunicações, Paulo Bernardo, a pedido
de fabricantes do equipamento no país. Atualmente os celulares comercializados
no Brasil precisam ter homologação da Anatel, mas a agência não tem poderes
para impedir a entrada de aparelhos não homologados.
Autoridades do governo alimentaram a expectativa de que a Câmara de Comércio
Exterior (Camex), presidida pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria e
Comércio Exterior (Mdic), decidiria nesta quarta-feira como adotar a medida,
que tem a simpatia dos ministros que compõem o órgão. No entanto, segundo
revelou o secretário-executivo da Camex, Emilio Garofalo Filho, o conselho de
ministros da câmara somente tomará uma decisão na próxima reunião, que deverá
acontecer no fim de fevereiro. Faltaram, segundo os representantes da Camex,
"parâmetros técnicos" para que uma decisão fosse tomada.
A secretária de Comércio Exterior do Mdic, Tatiana Prazeres, disse que se
estuda agora como mudar a regra de homologação desses aparelhos. "O que se
discute é a reforma dessa regra, de forma a garantir que os importados sejam
homologados antes de entrar em território nacional", afirmou.
"De acordo com a Anatel, a cada 10 celulares vendidos no Brasil dois ou três
têm apresentado problemas técnicos graves, como emitir radiação mais alta que o
permitido, bateria que não funciona, sinal fraco", disse o secretário-executivo
da Camex.
Garofalo afirmou que os representantes dos sete ministérios que compõem a Camex
demonstraram preocupação em relação ao assunto. "Vamos procurar a própria
Anatel, o Inmetro (Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia) e
tentar ver o que deve ser feito", disse.
Segundo uma autoridade que acompanha a discussão, a decisão não foi tomada por
temor de que possa contrariar os compromissos do país no Mercosul e na
Organização Mundial do Comércio. E o que se procura agora, de acordo com essa
avaliação, é uma regulamentação que não possa ser questionada pelos parceiros
do país nas instituições multilaterais. (Valor Online – 26/01/2012)
NEC vai demitir 10 mil
funcionários SÃO PAULO — A fabricante
japonesa de equipamentos de telecomunicações NEC informou hoje que vai demitir
10 mil empregados, como estratégia para reduzir os custos de sua operação. Do
total, 7 mil postos serão fechados no Japão.
A decisão foi apresentada após a companhia anunciar um prejuízo de 86,5 bilhões
de ienes (US$ 1,1 bilhão) no terceiro trimestre fiscal, encerrado em dezembro.
A companhia mantém no mundo 115,8 mil funcionários e o corte representa em
torno de 10% de sua equipe. A companhia informou que assumirá um encargo de 40
bilhões de ienes (US$ 513,2 milhões) com a reestruturação.
A companhia encerrou o terceiro trimestre fiscal com queda de 7,2% na receita,
para 669 bilhões de ienes (US$ 8,5 bilhões) e um prejuízo operacional de 8,2
bilhões de ienes (US$ 105,2 milhões), ante um prejuízo operacional de 13,5
bilhões (US$ 173,2 milhões) um ano antes.
A companhia associou o resultado a uma demanda fraca e ao aumento da
concorrência no mercado do Japão. O resultado deveu-se ainda a uma demanda
fraca por seus smartphones. A companhia reduziu a sua projeção de receita no
ano para 3,2 trilhões de ienes (US$ 41,1 bilhões), 150 bilhões de ienes (US$
1,9 bilhão) menos do que no ano anterior, em função da queda nas vendas de
celulares de 6,5 milhões para cinco milhões de unidades. (Valor Online –
26/01/2012)
Foxconn recebe isenção
para produzir tablets no Brasil A taiwanesa Foxconn, que
fabrica os iPads da Apple, recebeu do governo federal os benefícios fiscais
para produzir tablets no Brasil.
Segundo a portaria interministerial 34 publicada nesta quarta-feira no
"Diário Oficial da União", a empresa terá direito aos benefícios
previstos no decreto 5.906 de setembro de 2006.
A determinação prevê isenção ou redução do IPI (Imposto sobre Produtos
Industrializados), PIS e Cofins para empresas que invistam em atividades de
pesquisa e desenvolvimento de produtos de tecnologia.
Segundo a portaria de hoje, a regra valerá para tablets com telas sensíveis ao
toque, sem teclado e com peso inferior a 750 gramas.
Também estão incluídos na medida os acessórios, cabos, fontes de alimentação e
manuais de operação que são relativos aos tablets.
A expectativa é que a Foxconn comece a produzir os aparelhos --principalmente
os iPads, da Apple-- na fábrica em Jundiaí, interior paulista.
Entre 2010 e 2011, a Foxconn investiu R$ 300 milhões para a construção de sua
terceira fábrica no município, destinada aos aparelhos da Apple, em uma planta
prevista para 1.400 funcionários.
Apesar dos constantes comentários do ex-ministro da Ciência e Tecnologia,
Aloízio Mercadante, sobre o início da fabricação para o fim de 2011, a empresa
ainda não produziu nenhum iPad.(Folha SP – 25/01/2012)
Governo estuda elevar
imposto de importação de até 100 produtos A Câmara de Comércio
Exterior (Camex) criou hoje um grupo de trabalho para, até abril, definir uma
lista temporária de 100 produtos da Tarifa Externa Comum (TEC) que poderão ter
sua alíquota de imposto de importação aumentada.
Já existe atualmente uma lista definitiva de exceção à TEC, com 100 produtos
que são renovados a cada seis meses e cujas alíquotas podem ser elevadas ou
reduzidas.
Essa nova lista, em que só será permitido subir as alíquotas, só será válida
até dezembro de 2014 e é consequência de um acordo feito na última reunião de
cúpula de países do Mercosul, em dezembro do ano passado.
De acordo com Emílio Garófalo, secretário-executivo da Camex, o objetivo é que
os países do bloco tenham margem de manobra se precisarem se proteger de
eventuais impactos da crise internacional sobre o comércio.
"Houve uma mudança na conjuntura internacional. A Europa em crise tende a
importar menos e tentar exportar mais", afirmou Garófalo. "Ouvimos
também do presidente dos EUA, Barack Obama, que ele quer levar de volta os
empregos que exportou".
O aumento das tarifas desses produtos poderá ocorrer por até 12 meses,
prorrogáveis. Quando a lista estiver pronta, será protocolada na Associação
Latino Americana de Integração (Aladi) e os demais países do Mercosul terão 15
dias para aprovar ou não o documento. "Isso acontecerá até abril",
disse Garófalo.
Na mesma reunião, a Camex também decidiu sobretaxar o ácido cítrico importado
da China, produto usado na produção de alimentos e bebidas onde se constatou
dumping (importação a preço inferior ao adotado no país de origem).
Celulares
A comissão não decidiu como irá monitorar a importação de celulares de baixa
qualidade, como era esperado. A expectativa era de que fosse determinado que os
aparelhos só poderiam entrar no país depois de certificados pela Agência
Nacional de Telecomunicações (Anatel), mas isso não foi definido na reunião de
hoje.
"Não se definiu ainda que órgão fará isso, e nem de que forma será feito.
Procuraremos a Anatel ou o Inmetro [Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade
e Tecnologia]", disse a secretária de Comércio Exterior do Ministério do
Desenvolvimento, Indústria e Comércio, Tatiana Prazeres. (Folha SP –
25/01/2012)
Governo habilita empresa
a produzir tablets com incentivo fiscal Brasília – A empresa
Foxconn CMMSG Indústria de Eletrônicos LTDA. está habilitada a produzir tablets
no Brasil com os incentivos fiscais da Lei de Informática. A Portaria
Interministerial n°34 que concede o benefício foi publicada hoje no Diário
Oficial da União e assinada pelos ministros do Desenvolvimento, Indústria e
Comércio Exterior, Fernando Pimentel, da Fazenda, Guido Mantega, e da Educação,
Aloizio Mercadante, que até ontem ocupava o Ministério da Ciência, Tecnologia e
Inovação. "Além de gerar empregos e investimento, a fabricação dos tablets no
Brasil vai baratear o preço do produto", afirma o ministro Pimentel.
A empresa terá redução de 95% do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI)
na fabricação do produto até 2014 e terá que cumprir as especificações do
Processo Produtivo Básico (PPB) estabelecido pela Portaria Interministerial nº
126, de 31 de maio de 2011. Em contrapartida, terá de investir 4% do
faturamento líquido (faturamento bruto menos os impostos) em pesquisa e
desenvolvimento (P&D).
O PPB representa o conjunto mínimo de etapas que caracterizam a
industrialização local de determinado produto, que deve ser atendido para a
empresa ter direito aos benefícios tributários concedidos às empresas da Zona
Franca de Manaus e às que produzem bens de informática e automação com os
incentivos fiscais da Lei de Informática (Lei nº 8.248/91), instaladas em
qualquer parte do país. Também é contrapartida a ser cumprida para a isenção do
PIS/Cofins, conforme a Medida Provisória nº 534/2011, que incluiu os tablets na
Lei do Bem (Lei nº 11.196/05). (MDIC – 25/01/2012)
Sony e Panasonic se
preparam para resultados negativos A Sony e a rival
Panasonic devem reportar queda de lucro trimestral e podem reduzir suas projeções
anuais, como efeito da força do iene, das inundações da Tailândia e do desânimo
dos consumidores europeus nas semanas que precederam o Natal.
As duas companhias tiveram suas classificações de dívida rebaixadas pela
Moody's Investors Services na semana passada, porque suas divisões de
televisores continuam no vermelho apesar dos esforços de reestruturação.
A Sony, que anunciará resultados em 2 de fevereiro, deve apresentar lucro
mínimo para o período outubro-dezembro, que normalmente é fortemente lucrativo.
A previsão é de uma queda de 94 por cento no lucro operacional, para 8,8
bilhões de ienes (114,3 milhões de dólares), de acordo com a estimativa média
de seis analistas pesquisados pela Thomson Reuters I/B/E/S.
Isso representaria a pior performance da empresa em seu terceiro trimestre
fiscal desde a crise financeira de 2008. Em contraste, a Samsung Electronics
anunciou lucro trimestral recorde, este mês, com base na venda crescente de
celulares inteligentes.
Para o ano fiscal que se encerra em março, o consenso de mercado entre os 19
analistas consultados é que o lucro operacional da Sony ficará pouco abaixo de
8 bilhões de ienes, bem menos que os 20 bilhões de ienes projetados pela
companhia.
A Panasonic, que anuncia resultados em 3 de fevereiro, teve projetada uma
redução de 41 por cento em seu lucro operacional no trimestre, para 56,2
bilhões de ienes, devido a problemas na divisão de televisores, lucratividade
mais baixa nos chips e desempenho fraco da divisão Sanyo.
Os analistas antecipam que seu lucro operacional anual seja de 124 bilhões de
ienes, ou seja, menos que a estimativa de 130 bilhões de ienes oferecida pela
companhia, que pode reduzir sua projeção pela segunda vez.
A Panasonic está prevendo prejuízo líquido anual de 420 bilhões de ienes, o
pior em uma década, enquanto reduz a sobreposição em algumas de suas áreas de
negócios, com a compra das participações minoritárias em subsidiárias como a
Sanyo, e acelera a reestruturação de sua divisão de televisores. (Reuters –
24/01/2012)
TI vê melhora em demanda
por chips, mas fechará duas fábricas A Texas Instruments
vendeu mais chips no quarto trimestre do que o esperado depois que uma série de
indústrias repôs estoques esvaziados de semicondutores, informou a empresa no
final da segunda-feira.
Os clientes da companhia, que vinham cortando os estoques de chips desde mais
ou menos o meio do ano passado, aumentaram as encomendas no mês passado diante
de uma demanda não tão baixa quanto temia.
"Acreditamos que nossos clientes chegaram a um ponto em que os números
(dos estoques) estavam extremamente baixos", disse à Reuters o
vice-presidente financeiro, Kevin March.
A Texas Instruments vai contratar mais funcionários em algumas fábricas neste
trimestre para atender à crescente demanda, mas também planeja fechar uma
unidade produtiva no Texas e outra no Japão nos próximos 18 meses, para cortar
custos.
O lucro do quarto trimestre somou 298 milhões de dólares, ou 0,25 dólar por
ação, menos que os 942 milhões de dólares, ou 0,78 dólar por ação, de um ano
antes.
A receita caiu para 3,42 bilhões ante 3,53 bilhões de dólares, mas ficou acima
das expectativas de Wall Street de 3,25 bilhões de dólares, de acordo com a
Thomson Reuters I/B/E/S.
A companhia havia alertado em 8 de dezembro que a demanda estava fraca e havia
previsto lucro por ação de 0,21 a 0,25 dólar e receita de 3,19 bilhões a 3,33
bilhões de dólares. No entanto, as encomendas começaram a melhorar após o
alerta, segundo o vice-presidente financeiro.
A companhia previu receita para o primeiro trimestre de 3,02 bilhões a 3,28
bilhões de dólares, muito menos que os 3,47 bilhões estimados por Wall Street,
segundo a Thomson Reuters I/B/E/S. (Reuters – 24/01/2012)
Apple tem novo revés
contra tablet da Samsung na Holanda A Apple teve nesta
terça-feira outro revés na tentativa de barrar as vendas dos computadores
tablet da Samsung na Holanda.
A Apple, que trava uma disputa judicial com a Samsung em cerca de dez países,
tinha apelado contra uma decisão da justiça holandesa, que no ano passado
concluiu que o Galaxy Tab 10 não é uma cópia do iPad.
Mas uma corte de apelação da Holanda indeferiu o pedido da Apple, confirmando a
decisão da primeira instância.
Ambas as companhias têm aberto processos uma contra a outra em meio à crescente
briga pela liderança nos mercados de celulares inteligentes e tablets. (Reuters/Folha
SP – 24/01/2012)
Lucro da Siemens recua
17% no 1º trimestre fiscal com crise na Europa SÃO PAULO - O lucro
líquido do grupo industrial alemão Siemens recuou 17% no primeiro trimestre
fiscal de 2012, para 1,46 bilhão de euros, na esteira do impacto negativo da
crise de dívida na Europa sobre a economia. Um ano antes, o resultado final
havia ficado em 1,75 bilhão de euros.
Já o lucro de operações continuadas entre outubro e dezembro recuou 27% na
comparação anual, para 1,36 bilhão de euros.
Em relatório que acompanha o balanço financeiro, a Siemens ressalta que "a
crise de dívida em andamento já deixou suas marcas na economia real".
"Nossa receita cresceu novamente, enquanto alguns atrasos em projetos afetaram
os lucros. Embora exista expectativa de recuperação na segunda metade do ano,
teremos de trabalhar duro para alcançar nossos desafios", afirma o presidente
da companhia, Peter Löscher.
Ao fim do trimestre encerrado em dezembro, acrescenta o executivo no documento,
a carteira de pedidos da Siemens somava mais de 100 bilhões de euros.
No intervalo, as receitas da Siemens somaram 17,9 bilhões de euros, uma alta de
2% na comparação anual. Conforme a companhia, houve crescimento em todas as regiões
do globo, com destaque para o grupo de países emergentes. Nesse mercado, a taxa
de expansão das receitas ficou em 8%. As receitas orgânicas, excluindo o
impacto do câmbio e de mudanças no portfólio, avançaram 3%.
A Siemens informa ainda que as encomendas recebidas no trimestre fiscal
alcançaram 19,8 bilhões de euros, uma queda de 5% na comparação anual. (Valor
Online – 24/01/2012)
Computador
'casca-grossa' atrai atenção de fabricantes Hide Harada, da
Panasonic: expectativa é que as vendas cresçam entre 20% e 25% ao ano nos
próximos cinco anos.Computadores finos e leves, como os ultrabooks e os
tablets, têm sido a principal aposta dos fabricantes nos últimos anos. Esses
equipamentos seduzem o consumidor com seu peso reduzido - um atrativo e tanto
para quem precisa carregá-los de um lado para outro - e o design sofisticado.
Mas há mercado para um tipo de dispositivo muito diferente: em vez de delgado,
o aparelho exibe um corpo parrudo, e se a aparência não é seu forte, ele
resiste à chuva, a quedas, à poeira e ao calor. Sim, o computador 'casca-grossa'
também tem seu charme.
Não há dúvida que o mercado para esses equipamentos resistentes é bem menor que
o de produtos ultrafinos. Mas a limitação do público-alvo - os compradores
tradicionais são empresas, ou profissionais que precisam usar o equipamento em
ambientes hostis, como chão de fábrica, instalações militares, plataformas de
petróleo, siderúrgicas etc - acaba funcionando como um fator de atração para
fabricantes como a japonesa Panasonic, a inglesa Getac, a americana Dell e a
brasileira Semp Toshiba. As compras, nesses casos, são uma necessidade - e não
resultado de uma compra por impulso.
O preço é outro atrativo: um 'casca-grossa' custa a partir de R$ 4,3 mil no
Brasil, e pode chegar a R$ 25 mil. Nos Estados Unidos, o custo passa dos US$ 2
mil. Com isso, companhias como a Panasonic conseguem fazer bons negócios: só
nos EUA, a empresa japonesa soma vendas de US$ 800 milhões com esses
equipamentos por ano. A maioria das compras é feita por forças policiais e pelo
Exército. Para o comprador, a vantagem, segundo fabricantes, é a redução nos
custos de manutenção.
"Se o seu computador quebra dentro do escritório, é fácil ligar para o
suporte e solucionar o problema. Mas se um policial está na rua, fazer essa
manutenção é mais difícil. Você precisa de um equipamento com maior
resistência", diz ao Valor Hide Harada, da unidade de negócios de produtos
de tecnologia da informação (TI) da Panasonic. Harada supervisiona a fabricação
da linha Toughbook, o computador resistente da companhia.
Apesar da aparência de um notebook dos anos 80, os "casca-grossas"
têm toda a tecnologia de produtos de última geração, aliada a baterias que
podem durar até 16 horas e estruturas que "aguentam o tranco". Harada
diz que no Japão uma versão mais simples do equipamento, batizada de Let´snote,
é muito usado por jornalistas. "Os profissionais japoneses usam muito o
transporte público, por isso precisam de um equipamento resistente, com boa
duração de bateria, para não precisar carregar muitos acessórios", diz.
No Brasil, além da Panasonic, as máquinas são vendidas pela Dell e Semp
Toshiba. Procuradas, as duas empresas não encontraram porta-vozes para comentar
o assunto.
Segundo Harada, apesar de incipiente, o mercado local tem um grande potencial
nos próximos anos. Entre os principais alvos, o executivo cita concessionárias
de serviços públicos, empresas do segmento de petróleo e gás e o setor público.
No fim do ano passado, a companhia vendeu 60 máquinas à Polícia Militar
Rodoviária do Paraná.
O negócio fez parte de um projeto que também incluiu a compra de impressoras
resistentes e um software específico para uso pela corporação. De acordo com
João Alberto Simões, gerente da linha Toughbook no país, a companhia também
fechou contrato com uma grande empresa privada, cujo nome será revelado em
breve.
Quando foi lançada oficialmente no Brasil, no fim de 2010 e depois de mais de
uma década de existência no exterior, a linha Toughbook tinha uma base
instalada de cinco mil unidades no país, que eram importadas indiretamente.
Desde então, com investimento em pessoal e estrutura de suporte local, o número
cresceu entre 10% e 20%. Para os próximos cinco anos, o objetivo é manter taxas
de crescimento entre 20% e 25%, diz Harada.
Os equipamentos serão importados. Segundo o executivo, ainda é cedo para pensar
na produção local dos Toughbooks. É que à exceção de alguns componentes, como
processador e disco rígido, os demais componentes são fabricados pela própria
Panasonic no Japão. Criar linhas de produção no Brasil exigiria investimentos
complementares para a fabricação de placas e no controle de qualidade dos
computadores. "E com a demanda atual, isso não se justifica", diz
Harada. (Valor Online – 24/01/2012)
Retaliação iraniana
desacelera comércio Se persistirem os
obstáculos impostos aos exportadores brasileiros, o intercâmbio Brasil-Irã
cairá em 2012, revertendo uma alta constante observada nos últimos anos. Uma
eventual queda afetaria principalmente o Brasil, já que as importações de
produtos iranianos são irrisórias na corrente comercial. De US$ 1,1 bilhão em
2008, as trocas saltaram para cerca de US$ 2,3 bilhões em 2011, segundo o
Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior. (Folha de S.
Paulo – 23/01/2012)
Brasil cai uma posição
em ranking de globalização O Brasil caiu uma
posição, para 47º, no ranking de globalização feito pela empresa de consultoria
Ernst & Young com as 60 maiores economias do mundo. Apesar da queda
verificada no Índice de Globalização, divulgado hoje, o Brasil aumentou sua
pontuação em 0,02 em relação ao estudo de 2010, atingindo 3,24 pontos. Segundo
a consultoria, desde 1995 o Brasil caiu três posições no ranking, cuja
liderança é ocupada por Hong Kong com 7,42 pontos. A pontuação média global
ficou em 4,17 pontos. (Agência Estado – 23/01/2012).
Empresas planejam
expansão no exterior A maior parte das
empresas brasileiras que atuam no exterior pretende realizar novas ações de
expansão no mercado internacional. É o que mostra uma pesquisa divulgada nesta
segunda-feira (23) pela Regus, companhia belga que atua no ramo de soluções
para espaços de trabalhos flexíveis. No Brasil, 96% das empresas com presença
internacional planejam crescer no exterior, contra 61% de intenção de atuação
internacional das empresas que só têm presença no mercado interno.
A pesquisa foi realizada em 85 países, com um total de 12 mil participantes
(altos executivos) de companhias de pequeno, médio e grande porte. No Brasil,
foram 523 entrevistados. A média mundial mostra que 80% das empresas planejam
ações de expansão internacional. O relatório indica ainda que as empresas
nacionais que atuam no exterior possuem melhores resultados, em lucros ou
receitas, do que as focadas no mercado doméstico.
"Isso se deve a um conjunto de diversos fatores. Quando você vai para
outros mercados, você mitiga os riscos no seu país. A empresa vai ter o lucro
que vem de fora, com uma produção maior ou um leque de clientes maiores",
explica Guilherme Ribeiro, diretor-geral da Regus no Brasil. A pesquisa abrangeu
empresas de diversos setores, entre eles têxtil, mineração, eletrônicos,
automóveis, consultorias e telecomunicações.
O estudo mostra ainda os principais entraves destacados pelas empresas no que
se refere à atuação no exterior. No Brasil, 45% dos participantes apontaram o
estabelecimento de um escritório em país estrangeiro como o maior problema para
se colocarem no exterior. Para 67%, é preciso ter um gerente regional do país
de origem da organização, enquanto 33% prefere um gerente local (do país
estrangeiro).
"As empresas pequenas, com menos de 50 funcionários, consideram uma
dificuldade significativa montar escritórios em outro país. As empresas grandes
não acham que isso tenha muita importância", destaca Ribeiro. Nas empresas
de grande porte, aponta o executivo, a língua é considerada uma barreira maior.
"A empresa grande pensa que, além do inglês, é preciso falar o idioma
local", diz.
Em relação aos custos para iniciar uma presença física no exterior, Ribeiro
explica que eles não são tão altos. "Por menos de R$ 500 por mês você
consegue um endereço em outro país e um telefone. Muita gente acha que é
complicado, mas é fácil crescer em outros países", afirma.
Fora as barreiras de instalação física e idiomas, fatores como conhecimento da
cultura local e prospecção de clientes também são outros obstáculos enfrentados
pelas empresas com interesse em se internacionalizar.
Entre os países pesquisados, a China é o único no qual as empresas que têm foco
no mercado doméstico declararam ter melhores resultados que as que atuam no
exterior. A lista de países com altos índices de interesse das empresas em
expandir sua internacionalização, como o Brasil, inclui México (92%), Índia,
(89%), Canadá (82%), Japão e Estados Unidos (81%). "Existe um número muito
grande de empresas vindo para o Brasil", lembra Ribeiro. "É um número
significante de multinacionais vindo para o País", completa. (Agência Anba
– 23/01/2012)
Presidente Dilma
rousseff confirma presença na Cebit 2012 A presidente Dilma
Rousseff confirmou presença na solenidade de abertura oficial da CeBIT 2012, a
maior feira e congresso internacional de negócios digitais do mundo programada
para o dia 5 de março. Além de participar da cerimônia, em Hanover, na
Alemanha, a presidente deverá receber no pavilhão central do Brasil, no dia 6,
a chanceler Angela Merkel. Juntas elas percorrerão o espaço, oportunidade em
que conhecerão as soluções das empresas e instituições nacionais presentes.
Com o status de país parceiro e buscando projetar internacionalmente a imagem
de produtor de tecnologias avançadas, o Brasil comparecerá à CeBIT ocupando
seis estandes distribuídos entre os diversos pavilhões temáticos que compõem o
evento e nos quais as empresas privadas, públicas e instituições governamentais
demonstrarão as suas soluções, serviços e apresentarão diversos casos de
sucesso tecnológicos consagrados. Pelo 13º ano consecutivo, a SOFTEX será responsável
pela organização da participação nacional no evento.
A delegação brasileira terá à disposição uma área total superior a 1.000 m².
Mais de 30 companhias e cerca de 10 instituições públicas já confirmaram
presença, entre as quais Apex-Brasil, CPqD, Ministério das Comunicações,
Universidade de São Paulo-São Carlos, Stefanini, Módulus, BR Token, AsGa
Sistemas, Datacom, Comprova, Kali Software, SystemHaus e GAS Tecnologia.O
projeto de participação do Brasil inclui ainda uma ampla programação paralela,
integrada por eventos sociais para ampliação da rede de relacionamentos
comerciais, encontros com a mídia internacional e um seminário
técnico-comercial entre a SOFTEX, a Brasscom e a Bitkom, associação alemã de
empresas de TI.
As companhias contarão com o apoio de consultores especializados para geração
de oportunidades de negócios de acordo com seu foco de interesse e com o perfil
de suas organizações. No ano passado, a CeBIT recebeu 4.200 empresas, de 70
países, e foi visitada por mais de 330 mil profissionais. A SOFTEX
disponibiliza informações detalhadas, valores de investimento e sugestões de
pacotes aéreos e terrestres especialmente estruturados pelo e-mail cebit2012@nac.softex.br. (Apex-Brasil
-23/01/2012)
Novas tecnologias e
concorrência maior reduzem os preços de celulares Segundo levantamento da
FGV, preços no atacado caíram 12,33% no ano passado, enquanto no varejo a queda
foi de 8,51%
RIO - Novas tecnologias, uma enorme velocidade de lançamento e muita
concorrência entre os fabricantes têm provocado uma queda acentuada nos preços
de telefones celulares no Brasil. Segundo levantamento da Fundação Getúlio
Vargas (FGV), feito a pedido da 'Agência Estado', o preço médio dos aparelhos
caiu 12,33% no atacado no ano passado, a quarta queda anual consecutiva - e o
maior recuo nesse período.
No varejo, os preços dos celulares caíram 8,51% no ano passado. E o fenômeno de
aparelhos mais baratos só tende a crescer nos próximos anos, impulsionado por
investimentos em novos smartphones, que devem representar mais de 50% do
mercado brasileiro em 2015.
A intensidade da queda no ano passado foi tão grande que o celular foi, pela
primeira vez na história da FGV, uma das cinco principais quedas anuais do
setor atacadista medido pelo Índice Geral de Preços - Disponibilidade Interna
(IGP-DI), de acordo com o coordenador de Análises Econômicas da Fundação,
Salomão Quadros.
Quadros explicou que o barateamento de celulares é similar ao que ocorreu com
eletroeletrônicos, como televisores e laptops, que também mostraram quedas
sucessivas de preços com a enxurrada de novidades no mercado. Mas, nos celulares,
a velocidade de lançamentos é maior. "Isso veio para ficar. Em um
horizonte de longo prazo, os aparelhos mostram tendência irreversível de
redução de preço."
Os lançamentos das fabricantes não ficam restritos aos celulares mais caros,
lembrou Bruno Freitas, analista da consultoria IDC. "Hoje, a quantidade de
modelos mais baratos é muito maior", afirmou.
Para o especialista, a crise global de 2008 obrigou as grandes fabricantes a
olhar novos nichos de mercado em emergentes, visto que a turbulência internacional
derrubou o consumo nos países desenvolvidos. A ascensão da classe C e o
contínuo crescimento da renda do brasileiro foram notadas pelas marcas, que
direcionaram suas pesquisas para aparelhos voltados especificamente às
necessidades desses novos consumidores. "O Brasil virou alvo dos
fabricantes. Não é a toa que terminamos o ano passado com 240 milhões de linhas
móveis ativas", afirmou.
Outro fator é o interesse crescente por smartphones, cada vez mais adaptáveis
ao bolso do brasileiro. Segundo Freitas, de 2007 a 2011, o preço médio desse
tipo de aparelho caiu 30%, similar ao recuo registrado em celulares comuns para
o mesmo período (-32%). "Não estamos dizendo que todos os smartphones
estejam baratos. Há aparelhos que, quando lançados, custam R$ 1 mil, R$ 2 mil
por unidade. Mas, aos poucos, as fabricantes conseguem desenvolver aparelhos
nas mais diferentes faixas de preços", explicou. Atualmente com 14,15% do
mercado brasileiro de telefonia celular, os smartphones devem ser maioria em
quatro anos, segundo a IDC.
Com nove lançamentos em telefonia móvel no ano passado e sem revelar o número
de novidades deste ano, a Sony Ericsson considera smartphones como o segmento
mais favorecido pelo impacto de redução de preços no setor nos últimos três
anos. "Quando deixaram de ser um produto com demanda de nicho e passaram a
ser mais de massa, os preços caíram naturalmente", disse a diretora de
marketing da empresa, Ana Peretti.
Para a executiva, a demanda por esse tipo de aparelho crescerá ainda mais em
2012 e nos próximos anos. "Teremos novos consumidores aderindo a seu
primeiro smartphone. Outros, trocando um modelo básico por outro um pouco mais
avançado. E, com certeza, sempre haverá público em busca de modelos de última
tecnologia", concluiu. (Agência Estado – 20/01/2012)
Samsung perde disputa judicial com a Apple na Alemanha SÃO PAULO - A fabricante de
eletroeletrônicos Samsung perdeu uma disputa judicial com a Apple sobre uma
infração de patente. A decisão foi anunciada hoje, por uma corte em Mannheim,
na Alemanha. Esta é a primeira decisão
de uma série de processos por infração de patentes apresentados pelas
companhias na Alemanha. Samsung e Apple tem travado disputas legais em diversos
países e a adesão de cada vez mais consumidores aos dispositivos móveis tende a
ampliar a dimensão dessas batalhas na Justiça. Em outubro, um tribunal
australiano proibiu a venda do Galaxy 10,1, tablet da Samsung, naquele país. Um
mês depois, no entanto, um tribunal superior da Austrália derrubou a decisão
contra a Samsung. (Valor Online – 23/01/2012)
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La OMC publica los nuevos perfiles de servicios La OMC ha actualizado sus
perfiles de servicios. Cada perfil ofrece estadísticas detalladas sobre los
servicios de infraestructura fundamentales, tales como los servicios de
transporte, de telecomunicaciones, financieros y de seguros.
Pueden consultarse unas 90 series cronológicas relativas a las inversiones,
los resultados de mercado, la producción, el empleo y el comercio, así como
clasificaciones por resultados, respecto de cada economía abarcada. (OMC –
27/01/2012) WTO Members
Look to Davos for Post-Ministerial Way Forward The annual
World Economic Forum kicked off earlier today, bringing together policymakers
and business leaders against the backdrop of renewed fears of a global economic
slowdown. With the 2011 WTO Ministerial Conference now in the rear-view mirror,
trade ministers are regrouping informally this weekend to discuss the way forward
for the global trade body in 2012.
The World Economic Forum, which is taking place in the Swiss mountain resort of
Davos from 25 to 29 January, comes on the heels of pessimistic economic
forecasts from both the World Bank and International Monetary Fund (IMF),
thanks to debt problems in the eurozone and weakening growth in emerging
economies.
In advance of the Davos meet, various chiefs of the world's multilateral and
regional institutions issued a "Call to Action" with suggestions on how the
global economy can "regain momentum" in light of decelerating global growth and
fears of growing protectionism - taking a particular focus on the opportunities
that could come from transitioning to a greener economy.
The eleven signatories of the 20 January letter included, among others, WTO
Director- General Pascal Lamy, IMF Managing Director Christine Lagarde, and
World Bank President Robert Zoellick.
With preparations well underway for the June 2012 meeting marking 20 years
since the Earth Summit in Rio de Janeiro, Brazil, the signatories urged that
the upcoming Rio+20 Conference "consider a comprehensive policy strategy for
green growth that encourages innovation and diffusion of new technologies, and
makes efficient use of economic and regulatory instruments."
"Low-carbon, climate-resilient growth offers potentially greater employment opportunities,"
they added, cautioning that "environmental pressures are putting a significant
strain on growth."
Leaders also urged countries to shirk protectionist pressures, and to develop a
"comprehensive action plan" in advance of the Mexico summit of the G-20 group
of leading economies in June.
Trade ministers to gather on Saturday This year's informal meeting of trade
ministers - hosted by Swiss economy minister Johann Schneider-Ammann - is meant
to provide ministers a chance to discuss ways to move forward after the
ministerial conference, especially with the Doha Round of trade talks now
entering its eleventh year.
Trade ministers have regularly held these informal Davos meetings in years
past, usually with the goal of assessing the progress of the Doha negotiations
and making plans for the year ahead. However, with trade ministers having
already gathered in Geneva for the WTO ministerial just over a month ago, there
is little expectation that the landscape since then might have changed.
Right now, members appear to be taking a "wait and see" approach in terms of
finding issue areas that might gain traction in the new year, one official
commented, noting that political cycles in the US and elsewhere are likely to
prevent any major leaps forward in 2012.
"Everyone realizes that it is a difficult year," one developing country
official said. Regardless of what comes from the ministers' discussions at
Davos this weekend, "nothing will emerge that applies to the entire WTO
membership," another delegate emphasised, given that not all of the global
trade body's membership will be involved in Saturday's talks.
"People might be expecting to see some light at the end of the tunnel," the
delegate added, "but I don't think anything will actually be resolved at
Davos." Instead, the meeting is intended to serve more as an opportunity for a
"frank and open discussion" that is both practical and political.
"It's after Davos, perhaps, that things will move in a more significant way to
establish some sort of work on some sort of process in the WTO," another
official explained.
Items on Saturday's agenda currently include a summary of the post-ministerial
state of play from WTO Director-General Pascal Lamy and a discussion among
ministers to identify priorities for the global trade body in the year ahead.
These talks are expected to focus on current global challenges facing the WTO, development
issues, and the Doha negotiations, along with identifying issues where there might
already be convergence among members.
However, "in the wake of the ministerial, it's clear that there's not a
consensus on an agreed way forward," one trade official told Bridges.
NAMA negotiations to resume; other negotiating groups to meet
Back in Geneva, negotiators on non-agricultural market access (NAMA) held their
first meeting of the year yesterday, also with the goal of developing a
post-ministerial game plan for Doha.
At the meeting, chair Luzius Wasescha of Switzerland told members that he will
be holding consultations on all aspects of the NAMA talks, after which he will
present members with different options for debate.
While the chair noted a general readiness to take steps to advance the talks,
he stressed that "I don't think that we have a consensus on what to do and how
to do it and when." At yesterday's meeting, several members underscored the
need to discuss not only nontariff barriers, which have been the main focus in
the last few years of the negotiations, but also the tariff component of the
Doha mandate. Others, meanwhile, stressed that balance needs to be achieved
both in the NAMA discussions and in the overall Doha negotiations.
With the next meeting of NAMA negotiators set to be held in a month's time, the
chair suggested that members finish what they can, and then put it on hold
until there is a clearer direction on how to resolve the other remaining
issues.
Meanwhile, sources note that the chair of the Committee for Trade and
Development Special Session is also planning to convene various informal small
group consultations between February and March. Chairs of other groups are also
calling members together to see where progress can be made, officials told
Bridges.(ICTSD – International Centre for trade and Sustainable Development –
26/01/2012)
Precisamos de estratégia
de longo prazo Ninguém esperava muito da
reunião ministerial da Organização Mundial do Comércio (OMC ),em dezembro.
"Muito", neste caso, significaria o fim do impasse em que está
mergulhada a Rodada Doha. O impasse persistiu, mesmo que, na margem, a reunião ministerial
tenha gerado alguns resultados, como a ampliação do Acordo Plurilateral de
Compras Governamentais (de que o Brasil não participa) e a admissão da Rússia
como membro da organização.
A paralisia que atinge o sistema multilateral de comércio tem suscitado uma
série de propostas reformistas. Estas incluem a revisão da metodologia de negociações
e das regras de tomada de decisão por consenso, bem como a inclusão de novos
temas na agenda negociadora.
No cenário atual, as chances de que venham a vingar propostas de reforma do
multilateralismo comercial são praticamente iguais a zero. E isso não apenas
porque a Rodada Doha explicitou desacordos profundos entre países desenvolvidos
e emergentes em relação aos compromissos de liberalização comercial que
deveriam resultar da rodada.
O problema por trás do impasse na Rodada Doha é mais profundo:o
multilateralismo passa por uma crise de legitimidade.
As coalizões políticas domésticas e internacionais que respaldaram o movimento
de liberalização comercial se esvaíram, o nacionalismo econômico ressurgiu revigorado
e a paisagem política na Europa, nos EUA e nos países emergentes explicita essas
evoluções.
Se essa análise está correta, a crise do multilateralismo comercial persistirá
nos próximos anos,alimentada pelos impactos desestabilizadores da crise econômica,
que continuarão a se fazer sentir em qualquer cenário minimamente verossímil
quese formule para a segunda década do século.
A persistência de um cenário de baixo crescimento nas principais economias do
mundo, aliada à intensificação da competição através de exportações, fará do
protecionismo comercialuma resposta de política cada vez mais comum e
disseminada em países desenvolvidos e em desenvolvimento. O fato é que os
cenários econômicos que se projetam para o restante da década atual não
oferecem perspectivas muito positivas para a inserção internacional do Brasil –
e não só do Brasil. A dimensão internacional das economias tende a ser, na
segunda década do século, fonte de riscos mais do que de oportunidades – exceto
para as exportações de commodities, se a China continuar a crescer.
Porém há duas fortes razões para que o Brasil considere alternativas de
política à postura defensiva diante da competição internacional e do
"desinvestimento" nas esferas de negociação e de governança global,
independentemente do cenário específico considerado.
A primeira é que, mesmo numa década que tem poucas probabilidades de ser
umperíodo de crescimento global, não faltarão oportunidades externas para as empresas
brasileiras, especialmente as que atuam internacionalmente.
Essas oportunidades existirão na esfera comercial, mas também - e
crescentemente – na de investimentos diretos, e as empresas brasileiras entram
na segunda década do século bem posicionadas para ocupar espaços e fazer
movimentos estratégicos que lhes renderão frutos no futuro.
A segunda razão tem que ver com esses "frutos no futuro": é que o
aproveitamento dessas oportunidades e a construção de posições sólidas num
período de crise e dificuldades deixarão as empresas e os países que adotarem
estratégias ofensivas em condições favoráveis para se beneficiar da recuperação
global, quando esta ocorrer.
Nessa perspectiva, mais do que se apoiar exclusivamente nas preocupações
associadas aos impactos da crise internacional - mas sem desconsiderálas -, uma
política econômica externa deve se basear em consideraçõesestratégicas eem
visões de futuro que vão além do curto prazo.
Em qualquer cenário, a orientação da política econômica externa que leve em
consideração interesses ofensivos do Brasil na cena internacional terá de
contemplar, de forma muito mais intensa do que foi o caso até hoje, a dimensão
preferencial das relações externas.(O Estado de São Paulo – 25/01/2012)
Estadísticas de corto
plazo sobre el comercio de servicios El comercio mundial de
servicios comerciales aumenta un 12 por ciento, según nuevas cifras de la OMC
Según los últimos datos de la OMC, las exportaciones mundiales de servicios
comerciales aumentaron un 12 por ciento en el tercer trimestre de 2011, en
comparación con el mismo trimestre de 2010 (sobre la base de la balanza de
pagos, a precios corrientes y sin ajustes estacionales). Globalmente, en los
nueve primeros meses de 2011 las exportaciones de servicios comerciales
registraron un crecimiento interanual del 13 por ciento.
Datos trimestrales
Las estimaciones del comercio mundial se basan en estadísticas trimestrales de
balanza de pagos facilitadas por distintos informantes, extraídas del FMI y
Eurostat, y se completan con estimaciones en el caso de los datos faltantes, y
con fuentes de datos nacionales. Las cifras trimestrales y mensuales pueden no
concordar con las cifras anuales que figuran en otras publicaciones estadísticas
o bases de datos en línea de la OMC.
Frecuencia de las actualizaciones: los datos trimestrales se dan a conocer cada
tres meses. Las estadísticas mensuales se actualizan dos veces por mes.
Más información en: statistics@wto.org (OMC – 20/01/2012)
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Risco de guerra no
Irã causa temor em Davos Uma das primeiras sessões do Fórum
Econômico Mundial a ter as inscrições esgotadas leva o nome de "E se o Irã
desenvolver armas nucleares?".
O risco de um conflito em decorrência do programa nuclear iraniano é debatido
todos os anos em Davos, mas desta vez os especialistas e políticos reunidos
parecem estar levando mais a sério a possibilidade de guerra.
Eles estarão ouvindo com atenção as palavras do vice-primeiro-ministro e
ministro da Defesa de Israel, Ehud Barak, quando ele discursar hoje no Fórum.
Os motivos são muitos. Primeiro, acredita-se que o Irã tenha obtido progressos
significativos em seu programa de armas nucleares. Especialistas em Irã temem
que a tecnologia nuclear seja deslocada para silos subterrâneos protegidos, o
que deixaria partes importantes do programa iraniano bem menos vulneráveis a
bombardeios.
O governo israelense há muito é incisivo em suas exigências por ações para
parar o Irã e deixou claro que considera a opção de um ataque militar
unilateral.
Países do Golfo Pérsico e a Arábia Saudita, no entanto, também expressaram
profundas preocupações aos líderes dos EUA e da Europa quanto ao progresso do
programa nuclear iraniano. Uma autoridade ocidental descreve os sauditas como
"obcecados" com a ameaça iraniana. Sauditas teriam comunicado a seus
interlocutores ocidentais que, se o Irã adquirisse capacidade de produzir
armamentos nucleares, a Arábia Saudita responderia de imediato também tentando
juntar-se ao clube nuclear.
A continuidade da turbulência no mundo árabe também aumenta as tensões, pois
altera o equilíbrio de poder no Oriente Médio. O mundo árabe sunita teme que a
influência iraniana esteja crescendo no Iraque, após a retirada das tropas dos
EUA.
A turbulência na Síria, contudo, oferece aos países árabes do Golfo Pérsico a
chance de corroer a influência iraniana, por meio de pressões pelo fim do
regime de Assad, que é próximo dos iranianos.
O Irã também está sob pressão de outras maneiras. Nesta semana, a União
Europeia aprovou plano para proibir as importações de petróleo bruto do Irã,
medida que entrará em vigor em 1º de julho. Há ansiedade entre os
representantes empresariais em Davos quanto ao impacto dessas medidas no preço
internacional do petróleo, particularmente se o Irã preventivamente cortar as
exportações à Europa.
Também há uma ação velada, muito ativa, voltada a interromper o programa
nuclear iraniano. Envolve desde o uso de vírus de computador até a venda de
equipamento defeituoso ao Irã e o assassinato de cientistas iranianos.
Richard Haass, que dirige o Conselho de Relações Exteriores (CFR, na sigla em
inglês), de Nova York, e está em Davos, argumenta que é "cedo demais"
para achar que as sanções não conseguirão obrigar o Irã a interromper seu
programa nuclear. Ele admite, porém, que o histórico de sanções passadas sugere
que podem acabar não conseguindo forçar uma mudança na política iraniana.
Como sempre, há a discussão se uma ação militar seria ou poderia ser tomada por
Israel de forma unilateral ou se um ataque eficiente ao programa iraniano
precisaria envolver os EUA.
John Chipman, diretor do Instituto Internacional de Estudos Estratégicos
(IISS), argumenta que "Israel poderia organizar um bombardeio, mas só os
EUA poderiam organizar uma campanha sustentada". Um "ataque" do
tipo que Israel poderia realizar provavelmente deixaria partes substanciais do
programa nuclear iraniano intactas - assim como deixaria o Irã com capacidade
militar suficiente para fazer retaliações contra Israel e interesses ocidentais
na região.
A retaliação iraniana, particularmente, se envolvesse o fechamento do Estreito
de Ormuz ou ataques diretos a interesses ocidentais, quase certamente traria os
EUA e os aliados europeus, como o Reino Unido e a França, para o conflito. Os
países árabes do Golfo Pérsico também poderiam ser envolvidos em uma campanha
contra o Irã, caso se tornassem alvos diretos.
As verdadeiras intenções tanto de Israel como do Irã continuam obscuras. Os
líderes ocidentais, depois da Guerra do Iraque, baseada em parte em informações
de inteligência falsas, mostram-se relutantes em entrar em um conflito contra o
Irã sem evidências indiscutíveis de que o país esteja próximo de ter uma bomba
nuclear. Por outro lado, o sucesso no conflito na Líbia trouxe de volta certa
confiança no "poder aéreo" como forma de atingir objetivos militares.
Enquanto representantes americanos, árabes e europeus debatem a perspectiva de
um conflito com o Irã, alguns observadores asiáticos veem tudo com surpresa e
alarme. Um estrategista asiático observou que "os EUA seriam loucos de se
envolver em outro conflito no Oriente Médio". "Se ficarem amarrados
lá de novo, seria um completo presente geoestratégico para a China".(Valor
Online – 27/01/2012)
Ministério prevê
queda de 50% no saldo comercial O governo brasileiro admite uma queda
"substancial" no superávit do comércio exterior este ano, por causa
da deterioração econômica global. A queda pode ser de cerca de 50%, de US$ 29
bilhões para US$ 15 bilhões, na avaliação também do Instituto Internacional de
Finanças (IIF), entidade dos maiores bancos do mundo.
"No atual cenário internacional, temos que ser realistas e admitir a
queda'', afirmou ontem o secretário-executivo do Ministério do Desenvolvimento,
Alessandro Teixeira, que é um dos representantes oficiais do Brasil no Fórum
Econômico Mundial, que se realiza na cidade suíça de Davos. A expectativa no
governo é que, em todos os países com grandes superávits comerciais, a queda
será entre 30% e 40% este ano.
Nas projeções do IIF, o comércio brasileiro aumenta, com as exportações podendo
alcançar US$ 273,3 bilhões e as importações, US$ 258 bilhões. O superávit é que
diminui.
É o que tende a acontecer também com a China. Analistas consultados em Davos
notam que o superávit comercial chinês já caiu pela metade nos últimos três
anos, de US$ 298 bilhões para US$ 155 bilhões no ano passado. Em 2012, poderia
baixar para apenas US$ 100 bilhões.
O declínio não é devido a uma menor competitividade das exportações chinesas.
Na verdade, a parte da China nas exportações mundiais cresceu mais nos últimos
três anos do que nos três anos anteriores. O problema é a deterioração
econômica global. Assim, as exportações chinesas poderão crescer apenas 9% este
ano, comparado aos 20% do ano passado.
O diretor-geral da Organização Mundial do Comércio (OMC), Pascal Lamy, disse
ontem ao Valor que o comércio mundial em volume depende de quatro fatores, dos
quais dois são negativos, um positivo e outro incerto.
O primeiro negativo é a deterioração econômica global, óbvia em todas as
regiões. O segundo é o "trade finance", o oxigênio das exportações e
importações. Bancos, principalmente europeus, estão reduzindo suas atividades
nesse negócio. Além disso, a nova regulação bancária global cobra dos bancos o
mesmo tipo de capital próprio que é exigido para o crédito ao consumidor, o que
o diretor-geral da OM considera absurdo.
O fator positivo é a tecnologia, com avanços que ajudam a diminuir distâncias.
O incerto é a política comercial que cada país segue. Até agora, os efeitos de
protecionismo têm sido limitados. Existe uma evidente pressão por
protecionismo, mas os governos até agora resistiram.
Para Lamy, as demandas generalizadas pelo "compre francês"' na França
não ajudarão a resolver o problema de competitividade nesse país. Ele tampouco
acha que haja clima de guerra de divisas, como até recentemente. Mas o tema
continuará sendo monitorado. (Valor Online – 27/01/2012)
O risco de uma
recaída global O Brasil também será afetado pela
piora das condições globais e por isso a sua economia crescerá 3% este ano, em
vez dos 3,6% previstos em setembro, segundo a nova projeção do Fundo Monetário
Internacional (FMI). Com a estagnação no mundo rico, o comércio será
prejudicado e cairão os preços dos produtos básicos, principais fatores de
sustentação do superávit comercial brasileiro no ano passado. A presidente
Dilma Rousseff e o ministro da Fazenda, Guido Mantega, que mantêm a previsão de
um crescimento econômico superior a 4% em 2012, deveriam dar mais atenção às
condições do comércio internacional e à saúde das contas externas. As estatísticas
do Banco Central apontam para um déficit de US$ 56,2 bilhões na conta corrente
do balanço de pagamentos em 2011 e todas as projeções para 2012 indicam um
rombo maior.
O objetivo central do governo é um ritmo de atividade suficiente para manter
baixo o desemprego e continuar ampliando o mercado de consumo, usando para
isso, se necessário, um novo afrouxamento das condições de crédito. Mas essa
política resultará em maior demanda de importações, em redução do superávit
comercial e em novo aumento do buraco na conta corrente, se as condições da
oferta interna continuarem desfavoráveis. As desvantagens competitivas do
produtor brasileiro são bem conhecidas e incluem muito mais que a valorização
cambial.
Os economistas do FMI projetam para este ano preços do petróleo 4,9% menores,
em média, que os de 2011. Para o conjunto das outras commodities, a queda
prevista é muito maior - de 14%. Novas quedas são estimadas para 2013 e isso é
especialmente ruim para o Brasil, hoje muito dependente da receita cambial
obtida com a venda de commodities. Mas isso é apenas parte do problema, porque
a indústria brasileira concorre em desvantagem no exterior e também no mercado
interno. Se o cenário previsto pelos economistas do FMI se confirmar, a dependência
do Brasil em relação ao mercado chinês aumentará - em condições piores que as
dos últimos anos, por causa da depreciação dos produtos básicos.
Os técnicos do FMI reduziram de 4% para 3,25% o crescimento do produto global
estimado para este ano. O pior desempenho será o da zona do euro, embora a
contração econômica de 0,5% prevista para 2012 seja descrita como uma
"recessão suave". A projeção para os EUA é a mesma de setembro, uma
expansão de 1,8%, impulsionada pela reativação do consumo iniciada no final de
2011 e por algum investimento em máquinas, equipamentos e instalações. Os emergentes
perderão impulso, principalmente por causa do agravamento do quadro europeu, e
o crescimento chinês deverá ficar em 8,2%, cerca de 1 ponto abaixo do estimado
para 2011. Qualquer enfraquecimento maior da economia chinesa pode ser muito
custoso para o Brasil.
Mesmo o baixo crescimento global previsto para 2012 poderá não se concretizar,
advertiu a diretora-gerente do FMI, Christine Lagarde, numa palestra em Berlim.
Aquela projeção, segundo explicou, foi baseada na hipótese de adoção de algumas
medidas corretivas pelos governos. Se os políticos continuarem demorando a
tomar as providências necessárias, o quadro real poderá ser pior que o novo
cenário traçado pelos economistas do FMI. A advertência vale especialmente para
os europeus, mas também para os americanos.
Não há novidade nas medidas propostas pelo FMI e também isso evidencia as
dificuldades políticas de implementação das ações: ajuste imediato nos países
com situação fiscal muito ruim, estímulo ao crescimento naqueles com algum
espaço para um ajuste mais lento, afrouxamento monetário e maior integração no
tratamento das questões de finanças públicas. Isso envolve tanto o
fortalecimento do fundo europeu de resgate quanto a emissão de papéis de responsabilidade
coletiva, os chamados eurobônus ou algo parecido. A longo prazo, será
indispensável a adoção de padrões coletivos de responsabilidade fiscal, condição
essencial para o sucesso da união monetária. Reformas para tornar as economias
europeias mais flexíveis também são necessárias. As medidas anunciadas pelo
novo governo italiano vão nessa direção. Não há nada inevitável nas previsões
do FMI, observou Lagarde. Basta os políticos fazerem o necessário. (O Estado de
São Paulo – 27/01/2012)
O retorno à
semiestagnação Atualmente vive-se um clima de grande
otimismo com as perspectivas de crescimento da economia brasileira. A crise na
Europa e nos Estados Unidos, somada ao bom desempenho que a economia brasileira
mostrou em 2010, tem levado várias pessoas a pensar que finalmente o gigante
adormecido despertou e que o Brasil se encontra em vias de alcançar o nível de
renda per capita dos países desenvolvidos, entrando assim para o seleto clube
dos países do primeiro mundo. A realidade, porém, não é tão rósea como parece.
Passados os efeitos da crise de 2008 sobre a economia brasileira, acumulam-se
sinais preocupantes de que nosso país está voltando ao padrão de
"semiestagnação" prevalecente no período 1994-2005.
O grau de dinamismo de uma economia é determinado pelas perspectivas de
expansão daquele setor de atividade que for mais favorável ao crescimento de
longo prazo. Esse setor é, e continuará sendo por um longo tempo, a indústria.
O setor industrial é o ramo de atividade econômica responsável pela origem e
difusão do progresso tecnológico para a economia como um todo, fonte de
economias estáticas e dinâmicas de escala e que possui os maiores efeitos de
encadeamento para frente e para trás na cadeia produtiva. Em função dessas
características peculiares do setor industrial, as perspectivas de crescimento
da economia como um todo dependem, em larga medida, da dinâmica da produção
industrial.
No acumulado em 12 meses, taxa mensal de crescimento da indústria se reduz
desde 2º semestre de 2010.
No Brasil verificamos uma estreita correlação entre o crescimento do valor da
produção industrial e o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB). Com efeito,
no período compreendido entre o primeiro trimestre de 2004 e o segundo
trimestre de 2010, a correlação entre o crescimento do PIB industrial e o
crescimento do PIB foi igual a 0,84.
Quando nos debruçamos sobre os dados da produção física da indústria,
constatamos que no acumulado dos últimos 12 meses, a taxa mensal de crescimento
da produção industrial tem se reduzido continuamente desde o segundo semestre
de 2010. Mais grave ainda, desde abril de 2011, a taxa de crescimento da
produção física da indústria tem ficado ligeiramente acima de zero, fazendo com
que a produção industrial ainda se encontre 3% abaixo do valor de pico verificado
em outubro de 2008, passados mais de três anos da falência do Lehman Brothers.
Deve-se observar que a desaceleração e consequente estagnação da produção
industrial se iniciam no segundo semestre de 2010, anteriormente, portanto, ao
recrudescimento da crise fiscal na Europa, a qual data de meados do primeiro
semestre de 2011.
A razão para a perda de dinamismo da produção industrial é de ordem interna da
economia brasileira. Com efeito, a perda de dinamismo da indústria deve-se aos
efeitos retardados da forte apreciação da taxa real de câmbio verificada no
segundo semestre de 2009. A apreciação cambial tem gerado um forte movimento de
substituição de produção doméstica por importações, fazendo com que a produção
física da indústria brasileira apresente um baixo dinamismo, apesar da expansão
robusta da demanda agregada doméstica.
Esses dados apontam para uma conclusão bastante preocupante. Se a perda de
dinamismo da indústria brasileira está relacionada com a tendência a apreciação
da taxa real de câmbio, a qual, diga-se de passagem, é uma constante na
economia brasileira ao menos desde 2005; então, mesmo passados os efeitos da
atual crise econômica nos países desenvolvidos, a indústria brasileira não irá
recuperar o seu dinamismo.
Se a perda de dinamismo da indústria brasileira for de caráter permanente, e ao
que tudo indica é, então podemos antecipar uma redução do potencial de
crescimento da economia brasileira para os próximos anos. Entre o último
trimestre de 2008 e o segundo semestre de 2011, o PIB industrial cresceu a uma
taxa anualizada média de 4,05%, a qual é ligeiramente superior ao crescimento
observado no segundo trimestre de 2011, indicando, portanto, um viés para baixo
do crescimento do PIB industrial. Supondo que a correlação entre o PIB
industrial e o PIB total se mantenha constante ao longo do tempo, um crescimento
de 4,05% do PIB industrial aponta para uma expansão de 3,41% do PIB geral da
economia brasileira nos próximos anos.
Entre 2004 e 2010, a economia brasileira cresceu próximo de 5% em função da
existência de capacidade ociosa na indústria, força de trabalho abundante e
relativamente barata, preços das commodities elevados nos mercados
internacionais e grande expansão do crédito doméstico. Essa conjugação de
fatores permitiu uma forte expansão da demanda agregada e, consequentemente, do
nível de produção e de emprego sem a ocorrência de estrangulamentos pelo lado
da oferta agregada ou do balanço de pagamentos.
Contudo, essas condições excepcionais se esgotaram. Além disso, a
sobre-valorização cambial não só está acelerando o processo de
desindustrialização do país como também está atuando no sentido de desestimular
o aumento do investimento em máquinas e equipamentos, sem o qual é impossível
aumentar o ritmo de expansão da produtividade do trabalho. Nesse contexto, um
crescimento sustentado de 5% desejado pelo governo é apenas um "delírio de
grandeza".José Luis Oreiro (Valor Online – 27/01/2012)
A África do Sul e o
Fórum de Davos Como a África do Sul deveria se
posicionar esta semana no Fórum Econômico Mundial de 2012 em Davos, na Suíça é
algo que tem sido discutido há algum tempo entre membros do governo, líderes
sul africanos e nossa equipe do Conselho Internacional de Marketing da África
do Sul (Brand South Africa).
Evidentemente, assuntos de natureza política são discutidos em Davos, mas esse
não é apenas um fórum político. É um fórum econômico e um espaço também para o
diálogo comercial. O desafio que Davos lança aos líderes é pensar de forma
criativa e colaborativa com o objetivo de propor soluções práticas para os
complexos problemas da atualidade.
O tema deste ano em Davos - "A Grande Transformação: Dar Forma a Novos
Modelos' - será especialmente relevante para a África do Sul e também para a
África como um todo. O mundo vive um período de constante mudança desde o fim
da guerra fria e a África está emergindo como um player cada vez mais
importante, tanto na economia global como em estruturas internacionais.
De acordo com o FMI, na primeira década deste século, seis das dez economias
que mais cresceram no mundo estavam na África subsaariana. O fundo prevê ainda
que sete das dez economias que mais crescerão no período entre 2010 e 2015
serão da região.
Vejamos algumas estatísticas. De acordo com o Fundo Monetário Internacional
(FMI), na primeira década deste século, seis das dez economias que mais
cresceram no mundo estavam na África subsaariana. O FMI prevê ainda que sete
das dez economias que mais crescerão no período entre 2010 e 2015 serão dessa
região.
Da mesma forma, o FMI acredita que em 2011 a África subsaariana tenha crescido
a uma taxa anual média de 5,1%, em comparação com a média mundial de 3,9% e a
média em economias avançadas de 1,6%.
Davos apresenta aos representantes sul-africanos, e de outros países da África,
uma oportunidade de mostrar ao mundo essa transformação estrutural e assim
mudar a natureza dos debates sobre as perspectivas da nossa região. Essa
transformação continua ganhando força devido à estagnação das economias de
países desenvolvidos, à crise da dívida soberana na União Europeia, às
deficiências estruturais no setor financeiro e atuais crises políticas em
muitas economias avançadas. Além disso, o declínio relativo do tradicional
poder político e econômico exercido pelo Ocidente e a emergência de novas
potências e grupos, tais como as nações Brics, estão mudando a forma como o
mundo se define e se relaciona.
Em linha com o tema, destacaremos ainda como a entrada da África do Sul nos
Brics abriu a porta para excelentes oportunidades de comércio e investimento.
No momento, a África do Sul tem uma população de 50 milhões de pessoas e uma
economia que vale US$ 527 bilhões. Estão sendo conduzidas negociações para
estabelecer uma Zona de Livre Comércio Africano em até três anos, composta por
26 países do leste, sul e centro da África. A ZLC, com valor estimado de US$ 1
trilhão, expandiria o mercado para englobar 600 milhões de pessoas.
Junto com novos projetos para estradas regionais, infraestrutura ferroviária e
portuária, a ZLC facilitará um fluxo mais eficiente de mercadorias, talentos e
investimentos na região, além de aumentar a competitividade e exportação.
Apesar de a confiança nos mercados financeiros em várias regiões do mundo estar
minada, a África do Sul tem alguma vantagem neste quesito. O Índice de
Competitividade Global de 2011/12, elaborado pelo Fórum Econômico Mundial,
relatou um elevado grau de confiança no desenvolvimento dos nossos mercados
financeiros, fato que nos posicionou em 4º lugar no ranking global dessa
categoria. O regulamento da Joanesburgo Securities Exchange (JSE) foi o
primeiro colocado no mundo, assim como foi a força dos processos de auditoria e
prestação de contas da África do Sul. Além disso, ocupamos o segundo lugar nas
categorias solidez dos bancos e eficácia das diretorias de empresas.
Quanto aos investimentos estrangeiros diretos, devemos ressaltar o vasto
potencial da África do Sul em mineração e recursos naturais. Somos o maior
produtor mundial de platina, cromo, vanádio e manganês, e o terceiro maior em
mineração de ouro. Também oferecemos serviços de mineração altamente
sofisticados. O setor de beneficiamento de minerais é outra área de grande
crescimento e foco, assim como são os setores de água; agro-processamento;
desenvolvimento de economia verde; geração de energia; infraestrutura; e
fabricação. A localização privilegiada da África do Sul, com acesso direto para
o resto do continente africano e situado entre o Oriente, Américas, Europa e
Oriente Médio, confere ao país muitas vantagens estruturais, tornando-o um
excelente destino de investimentos e o parceiro ideal para o crescimento da
África.
Neste Fórum Econômico Mundial em Davos, a África do Sul desempenha um papel
fundamental no diálogo sobre os novos modelos de negócios, crescimento e
investimento devido à crescente importância da África e às muitas vantagens
competitivas oferecidas pela África do Sul.
Miller M Matola ( Valor Online – 27/01/2012)
Dilma: América Latina
não sacrifica soberania frente a pressão de grupos financeiros e agências de
risco Durante discurso no Fórum Social
Temático (FST) 2012, a presidenta Dilma Rousseff avaliou que a situação na
América Latina é de redução da pobreza e da desigualdade social enquanto, em
outras partes do mundo, o cenário é de estagnação, recessão e desemprego.
"Nossos países não sacrificam sua soberania frente à pressão de grupos
financeiros e agências de classificação de risco", disse, ao reforçar que
o aumento da desigualdade gera mais exclusão e a perda de direitos já
conquistados.
Durante cerca de 20 minutos, Dilma lembrou que a crise atual abre caminho para
o que chamou de perigosas ameaças, como o desemprego, a xenofobia e a
paralisação das negociações para a redução do aquecimento global.
"Não é fácil produzir novas ideias e alternativas quando estamos dominados
por preconceitos políticos e ideológicos. Nos anos 80 e 90, foram eles que
impeliram os países da América Latina a um modelo conservador que levou nosso
país à estagnação, aprofundando a pobreza, o desemprego e a exclusão social.
Hoje, essas receitas fracassadas estão sendo propostas na Europa".
A presidenta ressaltou que o lugar que o Brasil ocupa atualmente no cenário
internacional não é consequência de nenhum milagre econômico, mas resultado de
um povo e de um governo que souberam optar por um outro caminho.
"O Brasil é hoje um outro país. Ninguém pode nos tirar isso. Somos hoje um
país mais forte, mais desenvolvido e mais respeitado", concluiu. (Agência
Brasil – 26/01/2012)
Centrais sindicais
discutem na Fiesp ações contra invasão de importados, juros e câmbio O setor produtivo nacional enfrenta
um descaso por parte do governo no que diz respeito a medidas para recuperar a
indústria castigada pelas importações predatórias, analisou nesta quinta-feira
(26) o presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp),
Paulo Skaf.
A avaliação do dirigente foi feita após encontro com líderes sindicais, na sede
da entidade, para debater estratégias contra a forte entrada de mercadoria
importada e a consequente perda de renda do trabalhador brasileiro. Skaf
recebeu presidentes de centrais sindicais, entre eles Paulo Pereira da Silva,
da Força Sindical, e Ricardo Patah, da União Geral dos Trabalhadores.
"O que é unanimidade, aqui, é que o governo federal tem um descaso com os
setores produtivos brasileiros. O setor produtivo [trabalhadores e empresários]
está de mãos dadas para chamar atenção do governo para a produção deste
país", disse Paulo Skaf a jornalistas ao final da reunião com
sindicalistas.
Ele ainda informou que um comitê técnico, formado por representantes das
centrais sindicais e da Fiesp, deve se reunir nesta segunda-feira (30) para
debater as "orientações discutidas hoje". O grupo volta a se
encontrar com Skaf no dia 6 de fevereiro, para definir que tipo de manifestação
será feita.
"O que está definido é que realmente todos nós estamos muito preocupados
com essa situação. No dia 6 deve ser definido o que vamos fazer para que o
governo comece a ouvir", acrescentou o presidente da Fiesp.
O deputado Paulinho da Força também expressou sua preocupação com a situação econômica
do país e classificou a penetração de importados no mercado nacional como
"extremamente grave" para a indústria.
"A impressão que nós temos é que o governo está importando a crise para o
Brasil. Já tem empresa demitindo, já tem setores com dificuldades, essa questão
da importação praticamente está quebrando parte da indústria brasileira",
disse o deputado. "Ficou claro nessa conversa de hoje que nós estamos de
acordo com o diagnóstico: a importação é uma coisa vergonhosa e desenfreada."
Ele negou rumores de greve e disse que a ideia é fazer manifestações que
contribuam para uma proposta de recuperação do setor produtivo. "Não sei
nem de onde tiraram essa ideia de greve."
Fase difícil
Somente em dezembro, o setor produtivo paulista fechou 35 mil postos de
trabalho, uma queda de 1,36% em comparação com novembro, na série sem ajuste
sazonal, segundo pesquisa da Fiesp divulgada em janeiro deste ano.
A principal cauda da quebra da indústria se deve ao robusto consumo de bens
importados, que entraram com força no país ao longo de 2011 graças à
desvalorização cambial.
No terceiro trimestre de 2011, a participação de produtos importados no consumo
brasileiro chegou a um patamar de 23,4%, indicando a persistente falta de
fôlego da indústria para escoar sua produção no mercado local. No mesmo período
de 2010, o nível dos importados no consumo doméstico era de 22,7%. (Agência
Indusnet Fiesp – 26/01/2012)
Contra importações,
centrais e Fiesp organizam paralisação Paulo Skaf, presidente da Fiesp, vai
debater mobilizações com sindicalistas.
Parte dos trabalhadores da indústria paulistana podem cruzar os braços por um
dia logo após o Carnaval, na última semana de fevereiro, em protesto contra a
forte entrada de produtos manufaturados importados. Os industriais liderados
pela Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) não devem se
incomodar - pelo contrário, a greve geral deve contar com a boa vontade dos
empresários. O comércio varejista pode acompanhar. O arranjo dessa manifestação
será fechado hoje, em São Paulo, em duas reuniões entre empresários e
sindicalistas.
Na primeira reunião, de manhã, o presidente da Fiesp, Paulo Skaf, discute os
planos da greve geral na capital paulista com os presidentes de cinco centrais
sindicais, capitaneadas pela Força Sindical, e pelo maior sindicato da capital,
o Sindicato dos Metalúrgicos de São Paulo. Em seguida, os sindicalistas, desta
vez liderados pelo Sindicato dos Comerciários de São Paulo, filiado à União
Geral dos Trabalhadores (UGT), serão recebidos pelo empresário Abram Szajman,
presidente da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de
São Paulo (Fecomercio).
Os encontros vão envolver empresários e os líderes das centrais Força Sindical,
UGT, CTB, NCST e CGTB. Os sindicalistas representam na capital 420 mil
metalúrgicos, 480 mil comerciários, 35 mil prestadores de serviços em software
e processamento de dados, 80 mil motoristas de ônibus, além dos trabalhadores
nas indústrias têxtil e de confecções, entre outros. Os industriais estão
"inclinados" a apoiar a greve geral dos sindicalistas, segundo uma
fonte ligada à Fiesp. O apoio, se confirmado, pode caracterizar um locaute.
"Os importados estão reduzindo nosso ímpeto de contratações e mesmo
reduzindo produção e, portanto, também resultando em demissões", diz o
industrial.
O protesto será concentrado na avenida Paulista, onde os sindicalistas esperam
concentrar os trabalhadores com cartazes anti-importações. "O salário
mínimo sobe forte e impulsiona os salários no mercado de trabalho como um todo,
mas esse gás no consumo tem sido crescentemente convertido no consumo de
importados", afirma Miguel Torres, o presidente do Sindicato dos
Metalúrgicos de São Paulo e Mogi das Cruzes.
Em novembro, o IBGE registrou queda de 0,1% sobre o mês anterior no emprego
industrial. O pior resultado foi apurado em São Paulo, que registrou forte
queda de 3,7% entre outubro e novembro - 15 dos 18 setores pesquisados pelo
IBGE registraram corte de pessoal. De janeiro a novembro, a indústria aumentou
a produção em apenas 0,4%, de acordo com o IBGE.
A Central Única dos Trabalhadores (CUT) é a única das seis centrais do país que
não participará das reuniões hoje. As portas não estão fechadas à maior central
do país, mas seu posicionamento contrário ao imposto sindical fez com que ela
não fosse procurada. (Valor Online – 26/01/2012)
Irã enviará ao
Brasil diplomata experiente Novo embaixador já foi escolhido por
Teerã para levar mensagem conciliadora ao Ocidente O governo de Mahmoud
Ahmadinejad escolheu um diplomata de carreira experiente para comandar a embaixadaem
Brasília a partir daprimeira semana de fevereiro.
Mohammad Ali Ghanezadeh Ezabadi, 58, deixou o principal posto da chancelaria
iraniana para a Ásia Ocidental para substituir o engenheiro Mohsen Shaterzadeh,
há mais de três anos como embaixador no Brasil.Ainformação foi dada pelo
jornal"O Globo".
A troca ocorre em momentode aparente afastamento entre os governos e depois de
o porta-voz de Ahmadinejad, Ali Akbar Javanfekr, criticar à Folha a atitude da
presidente Dilma em relação a Teerã.
Ghanezadeh, que já teve o nome aprovado pelo governo brasileiro, não tem
experiência com América Latina, masfoi vice-embaixador na Índia, entre 1983 e
1989, e embaixador na África do Sul, entre 2003 e 2008 -emergentes que formam o
Ibas com o Brasil.
Também foi embaixador na Nigéria (1997-2001). Teerã confiou ao diplomata a
tarefa de levar, em 2010, uma mensagem aparentemente conciliadora a potências
ocidentais. Em conferência sobre o Afeganistão, em Roma, ele disse que seu país
estava pronto para trabalhar, inclusive, com os EUA.
"O Irã está profundamente convencido de que é necessária uma abordagem
regional para estabilizar o Afeganistão, mas, obviamente, sabe que isso requer o
apoio de toda a comunidade internacional, incluindo os EUA", disse.
A postura de Ghanezadeh sobre o programa nuclear de seu país, contudo, não
prevê concessões. "Se é esperado o mesmo resultado [das inspeções] se o
Irã coopera ou não,ese aatitude em relação ao Irã será tomada em uma base não
legal no Conselho de Segurança, qual a razão para cooperarmos?", indagou em
discurso em 2007, quando era embaixador na África do Sul.
Para o governo brasileiro, a troca quase imediata –Shaterzadeh só deixa o
Brasil às vésperas da chegada do substituto- mostra o interesse do Irã em
manter boas relações. (Folha SP – 25/01/2012)
Economia mundial
ainda está em situação frágil, diz Lagarde PARIS - Apesar dos recentes sinais
encorajadores, a economia mundial ainda está em situação frágil e todos devem
cooperar para assegurar a volta do crescimento, disse hoje a diretora-gerente
do Fundo Monetário Internacional (FMI), Christine Lagarde.
"A economia mundial está em um padrão 'estreito', a margem de manobra é
extremamente limitada", disse a jornalistas. Segundo ela, um desfecho
favorável será possível apenas "se todos fizerem o que têm de fazer."
Não é apenas a zona do euro que precisa agir e conter a crise da dívida
soberana, mas também os Estados Unidos, que deveriam lançar um plano crível
para sanear suas finanças públicas no médio prazo, e a China, que deveria
alavancar o consumo doméstico para trazer seu balanço de pagamentos próximo ao
equilíbrio.
As observações de Lagarde são feitas um dia após o FMI ter alertado que a
economia global vai se desacelerar neste ano e ter cortado suas projeções de
crescimento. Também soou o alarme que a Europa poderá ter um aprofundamento da
crise se não tomar medidas mais fortes para pôr fim à crise de dívida.
O FMI, que em setembro havia previsto 4% de crescimento para este ano, afirmou
que a economia global vai se expandir 3,3%, ante 3,8% em 2011. (Valor Online –
25/01/2012)
Governo busca mais
crédito a exportador Novas fontes de financiamento ao
comércio exterior, administradas pelo setor público mas menos dependentes do
orçamento do que os atuais instrumentos oficiais, como o Proex, estão entre as
principais medidas em discussão pelo governo, que a presidente Dilma Rousseff
quer discutir no início de fevereiro. Os ministérios da Fazenda, do
Desenvolvimento e das Relações Exteriores, o Banco do Brasil e o BNDES estão
encarregados de apresentar à presidente as propostas para aumentar a
competitividade das exportações brasileiras.
"Temos de correr atrás do que perdemos e correr à frente do que
ganhamos", disse Dilma durante a reunião com os ministros, na
segunda-feira, ao explicitar sua preocupação em recuperar mercados que têm se
retraído para as mercadorias brasileiras e avançar nas fronteiras conquistadas
nos últimos anos. Na reunião, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, detalhou o
temor de reflexos negativos com a desaceleração da economia mundial, embora os
epicentros da crise, Estados Unidos e Europa, tenham perdido importância
relativa na pauta de exportações brasileira.
Mantega comentou que, entre 2008 e 2011, a fatia da União Europeia no mercado
para exportações brasileiras passou de 22,3% para 20,5%; a dos EUA, de 14,3%
para 12,4%; e também a América do Sul caiu de 16,9% para 15,9%. Todos perderam
espaço para a China, que elevou sua parcela de 9,9% para 16%. Foi a
diversificação de mercados que permitiu, na opinião do ministro, aumentar o
saldo positivo no comércio exterior, de US$ 24,9 bilhões em 2008 para US$ 29,8
bilhões em 2011. Esse é um dos motivos pelos quais, segundo a cúpula da equipe
econômica, o país precisa adotar medidas para garantir a competitividade dos
exportadores e manter a expansão.
Um exemplo do que pode ser feito, segundo um dos participantes da discussão das
novas medidas de financiamento, foi o Fundo de Financiamento às Exportações
(Fefex) criado pelo plano Brasil Maior e aprovado no ano passado pelo
Congresso, para financiamento de pequenas e médias empresas, especialmente nos
setores de têxtil, couro, cerâmicas e software. O fundo poderá ter participação
do setor privado, mas necessita de regulamentação, para constituir linhas de
crédito a serem oferecidas sem necessidade de aprovação para cada operação
financeira específica.
Os técnicos do governo avaliam que, embora o setor privado se encarregue de boa
parte dos financiamentos à exportação, é o governo, por meio do Proex, que
garante a equalização dos juros, cobrindo a diferença entre as taxas cobradas
no país e as do mercado internacional. Está em discussão um reforço nas linhas
existentes (que receberam cortes na programação orçamentária de 2012). Assim o
Fefex para pequenas e médias empresas, devem ser criados instrumentos para
setores específicos.
Dilma quer atenção especial aos programas de financiamento de mercadorias para
África e América do Sul, que considera os mercados com potencial de maior
dinamismo nos próximos anos. Mas, como deixou claro na reunião, não admite que
os mercados tradicionais fiquem de lado. Apesar dos bons resultados na captação
de investimentos, a presidente não quer que o comércio tenha peso negativo
sobre as contas externas em 2012. (Valor Online – 25/01/2012)
Que futuro para a
Europa? A União Europeia (UE) era, até poucos
anos atrás, um verdadeiro paradigma de integração, coexistência na diversidade
e determinação histórica de superar os terríveis conflitos que dilaceraram o
continente por séculos. Hoje é vista como um navio à deriva, lutando para não
naufragar. Será bem assim?
Sob a batuta de grandes líderes, especialmente Jacques Delors, a UE teve
inicialmente um modelo mais flexível criado no Tratado de Roma, que começou a
vigorar em 1.º de janeiro de 1958 - o marco zero -, para o mercado único, do
Tratado de Maastricht, de 1992. Nele se previa a total liberdade de circulação,
entre os Estados-membros, de mercadorias, capitais, serviços e mesmo pessoas. Foi
um enorme sucesso, no qual nos miramos ambiciosamente à época para criar o
Mercosul. Houve, porém, uma lacuna grave, embora insuperável politicamente:
faltou a obrigação de respeitar metas fiscais, ainda que os principais
objetivos macroeconômicos tenham sido fixados. Os países europeus comprometeram-se
a observar metas de déficit público, dívida, inflação e variação cambial, mas
não abdicaram de manejar seus orçamentos nacionais. Mesmo que tivessem cumprido
as metas de Maastricht - o que não ocorreu caso na maioria dos casos -, seria
querer muito que os dirigentes políticos da Europa renunciassem ao poder imenso
que consiste em arrecadar tributos e dispor do seu emprego segundo suas
próprias agendas.
Mas aí estava o ovo da serpente que geraria a crise em que a União se acha
atolada hoje. Uma péssima gestão fiscal levou à beira da ruína países tão
diversos quanto Itália, Grécia, Espanha ou Bélgica, Grã-Bretanha e Portugal. A
luta será longa e penosa para reequilibrar as economias mais fragilizadas da
Europa. No momento a UE está começando a atravessar aquilo que vivemos
penosamente nos anos 1980: uma década perdida.
O mais preocupante desse quadro sombrio está no fato de que a própria
social-democracia está ameaçada pelo enfraquecimento dos Estados e pela dureza
social dos remédios empregados para combater os excessos do passado de gastos e
dívidas excessivas. Após firmar-se gradualmente em todo o século passado como a
forma mais equilibrada de governo e a linha politicamente mais correta, essa
concepção filosófica e politicamente correta enfrenta hoje um desafio quase tão
profundo como o que sofreu na década de 1930 por parte dos variados regimes
totalitários em todo o mundo.
Governantes muito respeitáveis, como Mariano Rajoy (Espanha), Mario Monti
(Itália) e Passos Coelho (Portugal), que chegaram ao poder com uma plataforma
de severa austeridade, correm o risco de ser derrotados na próxima curva da
política porque impingiram grande sofrimento a seus povos sem poder apresentar
mais do que a famosa afirmação de Winston Churchill: "Só vos posso
oferecer sangue, suor, labuta e lágrimas". Como sabemos, não há saída
econômica rápida ou fácil para o labirinto europeu.
Quais são as implicações geopolíticas destas realidades? Antes de mais nada, o
peso político do bloco europeu está diminuído. A prova claríssima desse
encolhimento está em que os Estados Unidos já não consideram a Europa um objeto
prioritário de sua atenção estratégica, como a política de defesa
recém-anunciada por Barack Obama confirmou. A China e a Ásia preenchem esse
espaço. Obviamente, isso não se aplica por igual a todos os países da UE. A
Alemanha mantém e aumenta sua força internacional à medida que seu papel se
torna cada vez mais crucial na Europa. Se o euro for salvo à beira do abismo em
que se encontra, o poder internacional alemão será ainda mais reforçado. Já a
França, golpeada pelo rebaixamento de seu rating, tem menos legitimidade em sua
afirmação de "grandeur", como a definia o general De Gaulle. O
mercado não perdoa e atinge globalmente todos os que têm economias
fragilizadas.
O pior cenário - que apenas se esboça no horizonte - é o crescimento da extrema
direita e, ainda mais, sua chegada ao poder, abalando a natureza democrática do
continente. A francesa Marine Le Pen é bem mais apresentável do que seu pai,
Jean-Marie, o qual, ainda assim, chegou ao segundo turno contra Jacques Chirac,
embora tenha perdido fragorosamente. Hoje, em quadro econômico muito mais grave
do que oito anos atrás, ela se acha a dois pontos porcentuais do líder nas pesquisas
para as eleições presidenciais francesas deste ano e tem, portanto, chances
palpáveis de vencer. A profunda crise fomenta em toda a Europa ressentimentos
com as decepções e agruras de todo tipo que a austeridade provoca nos
indivíduos, causa sentimentos negativos contra os imigrantes, gera, enfim, um
caldo de cultura de direita, que rapidamente se pode tornar antidemocrático e
gera por vezes barbaridades como o assassinato de dezenas de pessoas por um
fanático louco na Noruega.
Não é certamente minha atenção profetizar um desastre europeu, muito menos
fazer paralelos ligeiros com o que ocorreu na década de 1930, com a ascensão
generalizada do fascismo. Tenho sólida confiança na democracia europeia e a
convicção de que ela será capaz de encontrar caminhos para sair de seu
labirinto atual. Mas nada indica que as soluções virão rapidamente e de forma
indolor.
No processo de recuperação em curso, é certo, porém, que a União Europeia vai
perder terreno na escala do poder internacional, inclusive dentro da própria
Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), na qual tem desempenhado
apenas papéis auxiliares dos Estados Unidos, como na Líbia, no Afeganistão ou
no Iraque. A contração dos orçamentos militares vai impedir um protagonismo
internacional maior. Em outras palavras, por fim, a Europa vai seguramente
encolher na cena internacional. (O Estado de São Paulo – 25/01/2012)
País fica em 4º
lugar no ranking de investimento da Unctad Levantamento mostra que os
investimentos no Brasil alcançaram US$65,5 bi em 2011, com alta de 35% ante
2010
O Brasil foi o quarto país que mais recebeu volume de investimentos em 2011,
superando todos os países da zona do euro. Contando apenas novos projetos, sem
incluir a aquisição de empresas por multinacionais, o Brasil foi o segundo
maior destino de investimentos do mundo, superando os Estados Unidos e ficando
atrás apenas da China.
Os dados foram divulgados ontem pela Unctad, em Genebra, e destacam a expansão
do consumo doméstico do Brasil e a cobiça por recursos naturais como os
principais fatores de atração de empresas de todo o mundo. Outra explicação é o
fato de o País ter se tornado a base de operações de multinacionais em toda a
região.
Segundo o levantamento, os investimentos no mundo em 2011 passaram de US$ 1,28
trilhão para US$ 1,5 trilhão,uma expansão de17% e retornando auma média anual
que existia antes da crise de 2008, quando o volume despencou. Para 2012
,porém, a crise na Europa ameaça mais uma vez causar uma estagnação na expansão
dos fluxos de capital.
Ao fim de 2011, só a China (incluindo investimentos em Hong Kong e no
continente), Estados Unidos e Reino Unido receberam mais projetos de
investimentos que o Brasil. Se Hong Kong for calculado como um destino separado
a da China, o Brasil então ficaria na quinta posição como maior destino.
A expansão de recursos no Brasil entre 2010 e 2011 também esteve entre as 12
maiores do mundo, com uma taxa de35% e duas vezes superior à média mundial,
totalizando US$ 65,5 bilhões.
"Investidores estrangeiros continuam a encontrar apelo na riqueza de
recursos naturais na América do Sul e estão cada vez mais atraídos pelo mercado
consumidor em expansão da região", afirmou a Unctad.
"Particularmente atraente é o tamanho do mercado brasileiro e sua posição
estratégica que permite um acesso fácil a outros mercados emergentes, como
Argentina, Chile, Colômbia e Peru", disse a entidade.
Empresas estrangeiras gastaram ainda US$ 15,1bilhões para comprar companhias
nacionais, expansão de 70,5%. Mas na avaliação apenas de projetos novos por
multinacionais, desembarcando para a abertura de fábricas ou iniciativas de
extração, o Brasil já aparece em segundo lugar no mundo. No total, US$ 59,7
bilhões foram investidos no País, aumento de 38%. Na China, o volume é de US$
81 bilhões.
No geral, o maior recipiente de investimentos no mundo continua sendo a
economia americana, com US$ 210 bilhões. Os Estados Unidos, porém, sofreram uma
queda de 7,7% em relação a 2010 e estão sendo fortemente ameaçados pela China.
No total, a China recebeu US$ 202,4 bilhões de investimentos em 2011. US$124
bilhões foram à China continental e outros US$78,4 bilhões para Hong Kong. O
Reino Unido vem na terceira posição, com US$ 77,1 bilhões.
Em 2010, o Brasil já havia sido o quinto maior recipiente de investimentos,
sempre contando os fluxos para China e Hong Kong de forma unificada.
Agora, o Brasil chegou a receber mais investimentos que tradicionais
economiascomo França (US$ 40 bilhões) e Alemanha (US$ 32 bilhões). Entre os
emergentes, o Brasil recebeu uma cada dez dólares destinados a essas economias.
Para 2012, a volta da recessão na Europa fará com que a expansão de
investimentos seja apenas modesta, para cerca de US$1,6 trilhão. O último
trimestre de 2011 já foi de contração, servindo de alerta de que o cenário
poderá ser mais sombrio.
Em alta US$ 59,7 bi foram investidos no Brasil em projetos novos pelas
multinacionais, segundo a Unctad US$ 15,1 bi foi o gasto das empresas
estrangeiras para a compra de companhias. (O Estado de São Paulo – 25/01/2012)
O
"desenvolvimentismo asiático"
The issue is not one of
state intervention in the economy. All states intervene in their economies for
various reasons state's first priority will define its essence. (Chalmers Johnson, MITI and the Japanese
miracle,1925-1975 Stanford University Press, p: 17, 1982)
Salvo engano, foi Chalmers Johnsonquem falou pela primeira vez do
desenvolvimentismo asiático, no seu célebre livro sobre o milagre econômico
japonês, de 1982. Depois dele, transformou-se num lugar comum dizer que o
estado desenvolvimentista foi ator central do crescimento econômico acelerado
da Coreia do Sul, Taiwan e Cingapura, entre os anos 60 e 80; da China, a partir
dos anos 90; e do Vietnã, no início do século XXI.
O próprio Johnson - que era economista, serviu na Guerra da Coreia, foi
consultor da CIA para a Ásia, e lecionou nos Centros de Estudos do Japão e da
China da Universidade da Califórnia - voltou muitas vezes ao tema e acabou
transformando-se num dos grandes
especialistas
americanos em economia política asiática.
E foi um dos principais responsáveis pela difusão e aprofundamento acadêmico da
pesquisa e do debate que ganhou ressonância internacional, com a publicação
pelo Banco Mundial, do The East Asian Miracle: Economic Growth and Public
Policy, em 1993.
Os asiáticos sabem que a política econômica entregue a si mesma é cega e
incapaz de gerar seus próprios objetivos No seu tempo, o livro de
Johnsonsurpreendeu o mundo acadêmico: segundo o autor, o modelo econômico
japonês do pós-guerra não era original e vinha dos anos 20, e sua
característica fundamental não era econômica, tinha a ver com a intensidade com
que a sociedade e o governo japonês se dedicavam ao estabelecimento e cumprimento
dos seus objetivos estratégicos. Para Johnson, essa intensidade se devia ao
fato de que o modelo tinha sido concebido como um instrumento de guerra e de
reconstrução, depois da guerra, e como instrumento de defesa da soberania
japonesa frente aos desafios do mundo e do contexto geopolítico asiático na
segunda metade do século XX. Esse contexto explicariao nascimento e a força da
ideologia nacionalista e das instituições japonesas responsáveis pela
mobilização da sociedade e pela submissão do desenvolvimento econômico aos seus
objetivos de longo prazo.
Em 1989, a economista americana Alice Amsden publicou outra obra clássica -
Asia's Next Giant – sobre o milagre econômico coreano onde ela identificava
características parecidas com o desenvolvimento japonês.
O modelo coreano também vinha de antes da Segunda Guerra, e havia sido forjado
na luta anti-colonialista, contra o próprio Japão. E depois de JohnsoneAmsden,
muitos outros pesquisadores e especialistas encontraram as mesmas
características no desenvolvimento acelerado de Taiwan e Cingapura e, de forma
ainda mais gritante, no desenvolvimento da China e do Vietnã. O próprio Johnson
identificou no nacionalismo camponês e revolucionário chinês, do início do
século XX, a grande fonte originária da energia desenvolvimentista da China
contemporânea.
Apressando o argumento,épossível extrair pelos menos quatro conclusões dessa
vasta literatura sobre o crescimento asiático: 1) a maioria dos estados
nacionais asiáticos se constituiu na segunda metade do século XX, depois do fim
do colonialismo europeu.
Mas quase todos os novos estados mantiveram suas fronteiras tradicionais e
civilizatórias e sua relação milenar, dando origem, desde o início, a um
sistema interestatal regional altamente competitivo.
2) Em clave europeia, a estratégia econômica desses países asiáticos esteve
sempre mais próxima do mercantilismo de William Petty do que da economia
política de Smith ou Marx; e muito mais próxima do nacionalismo econômico do
alemão Friederich List, do que do liberalismo heterodoxo do inglês John Keynes:
sua primeira prioridade foi sempre a construção do estado e a defesa da unidade
territorial da sua sociedade e da sua civilização.
3) Não há nenhuma instituição ou política que explique isoladamente o sucesso
do crescimento asiático, e que possa ser transplantada para países que tenham
se constituído ou estejam fora de sistemas de poder altamente competitivos. A
simples condição de latecomer ou de capitalismo tardio não explica nada, nem é
capaz de gerar um projeto e uma estratégia de alto crescimento.
4) Por fim, os asiáticos nunca se referiram a si mesmos como
desenvolvimentistas, e sua estratégia econômica não tem nada a ver com o
chamado desenvolvimentismo latino-americano. Sua política industrial, comercial
e macroeconômica sempre esteve a serviço de sua grande estratégia social e
nacional, e da sua luta pela conquista ou reconquista de uma posição
internacional autônoma e preeminente.
Os asiáticos têm plena consciência de que a política econômica entregue a si
mesma é cega e incapaz de gerar seus próprios objetivos. E muito menos ainda,
de definir os objetivos deuma sociedade e deuma nação. José Luís Fiori(Valor
Econômico – 25/01/2012)
'Brasil deve se
envolver mais na ajuda externa' Hoje no comando de uma Fundação, o
bilionário vai apelar aos emergentes por maior colaboração com os países pobres
Bill Gates desembarcará no Fórum Econômico Mundial, que começa hoje em Davos,
na Suíça, com um apelo aos países ricos para que não cortem a ajuda externa que
destinam aos países necessitados, apesar da recessão mundial.
Ao Brasil, pedirá que assuma maior compromisso com as nações pobres.
"Chegou o ponto em que o Brasil deve se envolver mais na ajuda externa e
assumir uma posição de liderança (no desenvolvimento global)", disse ao
Estado, por telefone, o bilionário criador da Microsoft que hoje dedica o tempo
à Fundação Bill & Melinda Gates.
O apelo de Gates será feito em um momento de pessimismo entre as lideranças
globais - pelo menos 54% delas acreditam que em 2012 o mundo enfrentará uma
ruptura geopolítica e a queda da cooperação internacional. O porcentual foi
obtido pelo Índice de Confiança Global, com base em entrevistas feitas com 345
empresários, investidores e representantes de governos e organizações
internacionais membros do Fórum Mundial.
Para garantir que a ajuda externa não seja reduzida, Bill Gates tentará
convencer não apenas a Europa a manter os 0,7% do Produto Interno Bruto (PIB)
destinados às nações pobres, mas também os emergentes Brasil, China e Índia a
aumentarem seus volumes de doações até o nível europeu.
Na carta anual que escreve a doadores e parceiros, Gates cita o Brasil como
parceiro fundamental para ajudar a transferir tecnologia a países pobres,
principalmente da África, e alavancar o desenvolvimento dessas regiões.
A seguir, os principais trechos da entrevista.
Qual é o papel do Brasil no desenvolvimento global?
O Brasil é o único país tropical que tem feito um grande trabalho na
agricultura. É líder na produção de soja e mandioca e avançou muito no
conhecimento do solo, desenvolvimento de tecnologia para evitar doenças e
aumentar a produtividade e assistência aos agricultores. A inovação trazida por
órgãos como a Embrapa permitiu a transformação do cerrado. Nesse sentido, há
muitos avanços concretos que o Brasil pode fazer no mundo.
Como a sexta maior economia do mundo, o Brasil tem feito o suficiente para
ajudar os países pobres?
O Brasil tem muito com que se orgulhar sobre o que tem feito para reduzir a
pobreza no próprio país e parte disso tem a ver com boas políticas públicas.
Mas acho que chegou o ponto em que pode assumir projetos realmente ambiciosos
para ajudar países pobres, especialmente da África, a resolverem seus
problemas. Nesse sentido, o Brasil tem condições de fazer muito mais. Nós
assinamos, no mês passado, um acordo com o governo local para trabalhar em
alguns projetos. Com apoio do Japão, o Brasil vai ajudar a alavancar a
agricultura de Moçambique, que tem 55 milhões de hectares de cerrado e 80% de
população rural.
O senhor defende que os países emergentes devem contribuir no mesmo patamar que
os ricos?
Absolutamente! Não espero que seja uma decisão imediata, mas países como o
Brasil, antes receptores de assistência que agora deram a volta por cima, devem
aumentar a ajuda gradualmente. Se alguns derem o exemplo, outros seguirão. No
G20, o primeiro-ministro britânico David Cameron disse que seria mais fácil
aprovar a manutenção da ajuda em 0,7% do PIB em seu país se outros o fizessem.
Como convencer os países a oferecer ajuda em tempos de crise?
No G20 propus a criação de novos impostos sobre transações financeiras, tabaco,
emissão de carbono. Essas ideias não têm aceitação unânime, mas alguns países
podem adotá-las. Agora, muitas outras coisas podem ser feitas para aumentar a
ajuda externa. Brasil, Índia e China podem contribuir não apenas com novos
recursos, mas com a experiência de terem enfrentado e vencido alguns dos
problemas que outras partes do mundo ainda enfrentam.
Os Estados Unidos e a Europa passam atualmente por uma recessão, com altos
níveis de desemprego e o pessimismo aponta para a queda da cooperação internacional.
Como o sr. vê esse cenário?
É uma questão de escolha. Nos últimos anos, reduzimos em 20% as mortes por
malária, mas precisamos chegar a uma redução de 100%. Pelo menos 8,6 milhões de
pessoas receberam tratamento contra tuberculose e 6,6 milhões de pessoas tomam
medicamento antirretroviral. Se os países mantiverem o compromisso com ajuda
externa, teremos US$ 10 bilhões (dinheiro destinado ao Fundo Global de Luta
Contra AIDS, Tuberculose e Malária, um dos primeiros projetos da Fundação Bill
& Melinda Gates) para continuar avançando. Está longe dos US$ 14 bilhões
que precisamos, mas já é significativo. Agora, se esse dinheiro for cortado o
ritmo de progresso irá desacelerar na mesma medida. E isso será uma grande
frustração. (O Estado de São Paulo – 25/01/2012)
É bom que nós,
brasileiros, voltemos os olhos para cá Os dados do setor externo reforçam a
percepção de um estranho fenômeno recente da economia brasileira: enquanto os
estrangeiros ficam comprados em Brasil, deixando seus recursos aqui aplicados
no longo prazo, os brasileiros aproveitam a bonança relativa gastando em dólar
tudo o que podem em viagens no exterior.O otimismo é tanto como Brasil que
mesmo com o apetite voraz da antiga – e da remediada - classe média brasileira
nos outlets dos subúrbios de Miami ou Nova York, ainda sobra um troco positivo
para o País.
As transações correntes apresentaram déficit de US$ 52,6 bilhões em 2011,11%
maior que 2010 (em proporção do PIB, o resultado não é tão ruim, sai de 2,21%
para 2,12%). A balança comercial até que se mantém robusta, apesar dos ventos
cambiais soprarem do oceano para a costa brasileira, trazendo nos navios
toneladas de dólares aproveitando a Zona de Alta Pressão Brasileira, resultado
de juros altos aqui e abaixo da linha d'água lá fora.
Quem nos salvou foi mais uma vez a percepção que, nove fora zero, o Brasil é
melhor que o resto do mundo em decomposição ou em estado vegetativo. Além da
taxa de juros forçar o dólar goela abaixo do BC, a perspectiva de que os
investimentos em 2012, 2013 e 2014 (ligados à Copa e ao pré-sal) vão turbinar a
economia fazem o investidor estrangeiro vender suas posições lá fora para
comprar, enquanto ainda está barato, posições aqui.
O investimento direto subiu 37%, para o recorde de US$66,6 bilhões, o que
garantiu que o balanço de pagamentos fechasse positivo novamente. Os dados
mostram o interesse do estrangeiro em fincar os dois pés por aqui. O interesse
é tanto que a imigração já começou, seja na precariedade de desesperados
haitianos, até o bem educado desespero de europeus sem trabalho. Entre
comprados e vendidos em Brasil, é melhor que nós, brasileiros, voltemos os
olhos, e os bolsos, para cá. Caso contrário, daqui algum tempo pode já estar
caro demais. André Perfeito (O Estado de São Paulo – 25/01/2012)
América Latina
atraiu quase o dobro da China em investimento externo A América Latina foi a região com
maior crescimento no investimento estrangeiro direto (IED) de 2010 para 2011.
De acordo com relatório da Conferência das Nações Unidas para o Comércio e
Desenvolvimento (Unctad), houve no período um aumento de 34,6% nesse tipo de
remessas a países latino-americanos e caribenhos.
A entrada da IED na América Latina atingiu US$ 216,4 bilhões - uma soma bem
superior à recebida pela China (US$ 124 bilhões). A nota destoente na região
foi a Argentina, onde o investimento estrangeiro caiu no ano passado, em
relação a 2010. O país continua a receber menos IED que economias muito menores
da região, como o Peru.
"Particularmente atraentes são o tamanho do mercado do Brasil e sua
posição estratégica, que diminui a distância para outros mercados emergentes,
tais como Argentina, Chile, Colômbia e Peru", afirma o relatório
"Monitor de Tendências do Investimento Global".
Os países em desenvolvimento receberam entradas recordes de IED, impulsionadas
principalmente pelos investimentos em novos projetos. A China, o segundo maior
destino de IED, bateu pelo segundo ano consecutivo o seu recorde de entradas.
Após uma grande queda em 2010, a Índia teve um aumento de 38%.
No geral, os IED globais somaram US$ 1,5 trilhão. Apesar de ser uma marca 17%
maior do que a de 2010 e 28% maior que a de 2009, ainda é 23% menor do que o
pico registrado em 2007, ano anterior ao início da crise financeira global.
Os gastos para aquisições e fusões em outros países saltaram 49,7% no ano
passado, chegando a US$ 507,3 bilhões. Já os investimentos
"greenfield", nos quais são feitos gastos para iniciar uma operação a
partir do zero, como a construção de uma nova fábrica, caíram 3,3%, a US$ 780,4
bilhões.
A expansão dos investimentos estrangeiros diretos sinaliza crescente
globalização e uma maior disposição em realizar grandes projetos no exterior, o
que pode levar a mais comércio e maior capacidade produtiva ao redor do mundo.
No contexto do atual cenário sombrio dos mercados financeiros globais, a volta
do apetite por investimentos pode ser um raro sinal positivo.
"O crescimento do Produto Interno Bruto [PIB] continua positivo e, embora
seja menor do que se esperava, as empresas ainda têm dinheiro no bolso e
precisam investi-lo de alguma forma. No entanto, ao mesmo tempo existe uma
incerteza devido à fragilidade da economia global", disse Astrit
Sulstarova, economista da Unctad.
O órgão da ONU se disse cautelosamente otimista quanto a 2012. "Baseada
nas atuais perspectivas de fatores subjacentes, tais como crescimento do PIB e
dinheiro em caixa de corporações transnacionais, a Unctad estima que as
entradas de IED terão uma alta moderada em 2012, para cerca de US$ 1,6
trilhão." (Reuters/Valor Online – 25/01/2012)
El estado de la
Unión Las soluciones tecnocráticas han
reavivado la crítica al déficit democrático de la Unión Europea.
Alemania renuncia a ser decisiva y a forzar un salto cualitativo en la
integración europea
El euro es la clave de bóveda del proyecto europeo. Por esa razón, una crisis
que afecte al euro es una crisis existencial. Y por eso también es fácil
entender por qué, aunque la Unión Europea haya estado antes en crisis, nunca se
había asomado al abismo y sentido tanto vértigo. La crisis de la silla vacía,
la época de "euroesclerosis", el bloqueo de Margaret Thatcher a causa del cheque
británico, las divisiones ante la unificación alemana, las turbulencias en
torno a la ratificación del Tratado de Maastricht o la rebeldía popular ante la
Constitución europea, todos esos momentos agitaron las aguas europeas, pero
nunca amenazaron con hacer zozobrar la nave europea. En contraste, la crisis
del euro ha recorrido transversalmente y presionado intensamente sobre todas y
cada una de las líneas de fuerza subyacentes al proyecto europeo.
La crisis ha agudizado las tensiones entre los viejos y los nuevos miembros,
entre el Norte y el Sur, entre protestantes y católicos, entre los miembros de
la eurozona y los que están fuera de ella. También ha sometido a tensión las
políticas que constituyen el núcleo de la Unión: el mercado interior; la
libertad de circulación y la política exterior y de seguridad. En todos esos
ámbitos hemos asistido a presiones centrífugas que han debilitado el espíritu
común y la capacidad de actuación conjunta.
De la misma manera, las viejas tensiones entre federalistas e
intergubernamentalistas, aparentemente enterradas en el Tratado de Lisboa tras
una década de debates y negociaciones institucionales, han vuelto a la superficie.
Aunque la Comisión Europea ha intentado mantener la iniciativa en sus manos,
los Estados no han dudado en apartarla a un lado cuando lo han considerado
necesario. Y el Parlamento Europeo, aunque se ha convertido en el foro donde se
ha debatido intensamente sobre la crisis, no ha conseguido tampoco forzar ni
liderar los consensos necesarios para salir de ella. Al final, la crisis se ha
gobernado a trompicones desde una cacofonía compuesta por Berlín, París, las
agencias de calificación, los inversores privados y el Banco Central Europeo.
La crisis también ha afectado a los mimbres democráticos con los que se teje la
política en los Estados. Las soluciones tecnocráticas han reavivado la crítica
al déficit democrático de la UE y al sometimiento de los Estados a la lógica de
los mercados. A cambio de la estabilidad, sin embargo, han proporcionado alas a
los populistas y a los euroescépticos, siempre prestos a manipular la soberanía
popular y los sentimientos de identidad nacional en contra del proyecto europeo.
El resultado es que Europa es más ingobernable, tanto en el ámbito de las
instituciones europeas como en las nacionales.
Hemos visto también resurgir las tensiones entre profundización y ampliación,
que pensábamos superadas tras haber demostrado sobradamente con su crecimiento
los nuevos socios del Este que habían llegado a la Unión para sumar y no para
restar. Algo parecido puede decirse respecto a las grandes orientaciones
macroeconómicas: donde antes de la crisis, el Pacto de Estabilidad y la Agenda
de Lisboa parecían haber logrado un sano equilibrio entre el rigor
presupuestario y las políticas de crecimiento y empleo, la crisis del euro ha
vuelto a polarizar los debates, empujando a los Estados a posiciones
antagónicas entre austeridad y estímulos económicos.
En todos estos debates, las posiciones de los gobiernos se han vuelto
maximalistas e ideológicas. Así, donde en el pasado resultaba fácil construir
coaliciones, intercambiar políticas, repartirse las diferencias de forma
pragmática y seguir adelante, hoy la capacidad de compromiso se ha encogido de
tal manera que parece que la lógica que impera no es la del consenso, sino la
de vencedores y vencidos, algo que viola el código genético de la UE,
construido precisamente sobre un cúmulo de victorias y derrotas de funestas
consecuencias.
Pero más allá de las dinámicas internas, el problema es que la actual crisis no
sólo enfrenta a Europa a sus fantasmas internos, sino que la sitúa en una senda
acelerada de declive global. Dicho de otra forma, a la hora de discutir cómo
superar la situación actual, Europa no debiera perder de vista que no puede
permitirse el lujo de dedicar una década a salir de esta crisis porque, incluso
en el caso de que consiga salir reforzada de ella, cosa que hoy por hoy todavía
es dudosa, el mundo que encontrará ahí fuera habrá cambiado tan radicalmente
que constituirá, inevitablemente, un nuevo desafío. Aunque muchos no lo percibieran,
Europa ya estaba en crisis (demográfica y productiva) frente a una serie de
países emergentes que crecían rápida y sostenidamente. Ahora, si Europa no
tiene cuidado, una crisis se engarzará en la otra y la agravará. En
consecuencia, a la hora de pensar en cómo salir de la actual crisis y en los
tiempos y ritmos para hacerlo, Europa tiene que tener en cuenta que no puede
disociarse del mundo, volver a ensimismarse y seguir viviendo un bienestar que,
hoy por hoy, es cada vez más prestado (incluso en sentido literal del término).
Que la crisis del euro genere tanta incertidumbre y tensión se debe, sin duda
alguna, al hecho de que el euro ha sido la construcción más compleja a la que
ha dado lugar el proyecto europeo. Pese a su materialización práctica, la unión
monetaria fue siempre, en gran medida, un logro impensable.
Impensable económicamente, porque sólo la perseverancia política de los que
diseñaron la unión monetaria explica que se pudiera llevar adelante un proyecto
que contaba con el rechazo expreso de toda la comunidad de economistas.
Economistas que machaconamente insistían en que los miembros la UE no sólo no
reunían las características de "zona monetaria óptima" que permitieran asegurar
el éxito del proyecto y, a la vez, tampoco incluían en el proyecto las instituciones
(fueran eurobonos, un Tesoro común, un verdadero presupuesto o una política
fiscal común) que garantizaran su supervivencia en caso de una crisis.
Impensable también políticamente, puesto que las resistencias ante la increíble
cesión de soberanía que el proyecto significaba sólo pudieron ser vencidas por
el shock político y psicológico que produjo la perspectiva de la unificación
alemana. Por esa ventana de oportunidad que representó la caída del muro de
Berlín se coló un líder excepcional, Helmut Kohl, que convenció a los alemanes
de que a cambio de la unificación tendrían que compartir su joya más preciada,
el símbolo en el que se había anclado la identidad de la Alemania surgida de
las cenizas de la Segunda Guerra Mundial: el marco alemán.
Si la crisis actual ha servido para algo, es precisamente para ilustrar
retrospectivamente hasta qué punto la nave del euro se hizo a la mar sin haber
completado su diseño, sin pedir permiso a los economistas y, por supuesto, sin
haber pedido permiso a los ciudadanos. Los impulsores del euro fueron
perfectamente conscientes de que tenían una única oportunidad, que difícilmente
se repetiría en una generación, de lanzar el proyecto europeo hacia una nueva
fase completamente distinta de integración y, por ello, confiaron en que el barco
se repararía en alta mar. Por tanto, aunque los que entonces criticaron el
proyecto se sientan hoy reivindicados y señalen con el dedo a la vez que
vociferan "¡ya lo dijimos!", lo cierto es que se equivocan y que, hoy como
entonces, demuestran no entender la historia de la integración europea ni su
lógica subyacente.
Esa lógica no es otra que la de la irreversibilidad: lo que se pretendió
siempre, tanto con el mercado interior como con la unión monetaria, fue
desencadenar un proceso de fusión económica que llevara a la fusión de
intereses políticos. Como muy bien intuyeron los padres fundadores del
proyecto, ese proceso funcionaría a pesar de los líderes políticos, que se
resistirían a perder poder, no gracias a ellos. En cada encrucijada,
intentarían ceder el mínimo poder y preservar el máximo de autonomía, pero el contexto
económico y la opinión pública les empujarían a dejar de lado sus visiones
cortoplacistas y preservar la prosperidad del común.
Para algunos, esa lógica resulta asfixiante políticamente y abrasiva con sus
identidades, hasta el punto de que la rechazan y combaten activamente. Pero
para la mayoría de los europeos, más Europa lleva significando más bienestar,
más paz y más democracia durante demasiados años como para, por más problemas
que tenga el proyecto europeo, abandonarlo y arrojarse en brazos de los
populismos xenófobos y antieuropeos.
Hoy como después de la caída del muro de Berlín, todas las miradas convergen
sobre Alemania. Una Alemania cuyos logros son admirables y que con toda razón
se merece liderar el proyecto europeo. Sin embargo, por razones que tienen que
ver con su historia, economía, opinión pública y cultura política, Alemania
renuncia a ser decisiva, a forzar un salto cualitativo en la integración
europea. Como ocurriera en 1989-1991, Berlín tiene ante sí esa posibilidad,
pero en lugar de rediseñar Europa y tirar de ella decisivamente hacia el
futuro, prefiere limitarse a parchear el diseño actual e imponer controles más
estrictos sobre los mecanismos existentes. Por esa razón, el debate europeo se
encuentra encallado entre la austeridad y los estímulos; el papel del Banco
Central Europeo como garante de la estabilidad de precios o el crecimiento; los
partidarios de los recortes y los de las reformas; el cumplimiento de las
reglas o el cambio de las reglas. Sabemos que de esta crisis sólo se saldrá con
un gran pacto, un pacto que incluyera todos esos elementos que sabemos que son
necesarios: un nuevo pacto fiscal y de austeridad, sí, pero también un nuevo
papel del BCE, un Tesoro común europeo, un presupuesto común más amplio y una representación
económica exterior común. Ese pacto no está hoy todavía al alcance de los los
políticos europeos. Sin embargo, el pacto llegará, siquiera porque los mercados
empujarán al euro hasta el límite, forzando, una vez más, a los Estados a
seguir adelante. Puede que Europa toque fondo en 2012, pero difícilmente
retrocederá: ha llegado demasiado lejos como para poder permitirse esa opción.
Jose Ignacio Torreblanca (El País – 26/01/2012)
Indústrias de SP e
Rio financiarão projetos sustentáveis na Rio+20 As federações de indústrias do Rio de
Janeiro e de São Paulo, mais a iniciativa privada, vão financiar um projeto
para promover iniciativas sustentáveis em cidades do mundo todo durante a
Rio+20, a Conferência das Nações Unidas para o Desenvolvimento Sustentável, que
acontece em junho na capital fluminense.
A ideia é que representantes municipais do planeta apresentem inovações
tecnológicas e troquem experiências para alavancar um desenvolvimento que
respeite o ambiente.
A reunião para tratar dos últimos detalhes da iniciativa, fechada para a
imprensa, ocorreu no Palácio do Itamaraty, no centro do Rio, na presença do
ministro das Relações Exteriores, Antonio Patriota; representantes da
Prefeitura do Rio; Fundação Roberto Marinho; Paulo Skaf, presidente da Fiesp
(Federação das Indústrias do Estado de São Paulo), e Eduardo Eugenio Gouvêa
Vieira, presidente da Firjan (Federação das Indústrias do Estado do Rio de
Janeiro).
De acordo com Patriota, o local servirá de convergência para os diferentes
setores da sociedade debaterem formas de conciliar o desenvolvimento social com
o econômico e o ambiental.
"Nosso lema é desenvolver, incluir e conservar, e o Brasil tem muito a
oferecer nessas três áreas. E esse espaço pode ser um local privilegiado para
ilustrarmos o que está sendo feito, levantarmos questões para o futuro, além de
ser uma construção provisória que coloca em evidência a beleza do Rio de
Janeiro", declarou o ministro.
O Forte de Copacabana abrigará o projeto que está sendo mantido em sigilo até
seu lançamento em março. A maquete do enorme edifício que foi apresentada no
encontro deve começar a sair do papel em meados de março.
O presidente da Firjan explicou que a contribuição das indústrias para o evento
será a de demonstrar ao mundo a competência brasileira de pensar o futuro.
A Rio+20 deve reunir mais de 150 chefes de Estado para discutir formas de
promover o desenvolvimento sustentável.
A reunião acontece exatamente 20 anos depois da conferência Eco-92, também
promovida pela ONU, no Rio, para debater meios de desenvolvimento sem degradar
o ambiente. (Agência Brasil/Folha SP – 25/01/2012)
Banco Mundial vai
ajudar países do leste europeu O Banco Mundial anunciou nesta
quarta-feira que porá à disposição de países emergentes da Europa Oriental e do
centro da Ásia US$ 27 bilhões para os próximos dois anos, a fim de enfrentar as
consequências da crise na zona do euro.
O presidente do BM, Robert Zoellick, afirmou em comunicado que apesar das
grandes economias da Europa Ocidental atraírem grande parte da atenção, "a
crise também está afetando pessoas nos países emergentes da Europa
Oriental".
Sob a categoria "Europa Oriental e centro da Ásia", o BM inclui 30
países, desde República Tcheca e Albânia até Rússia e Tadjiquistão.
Segundo a instituição multilateral, a crise de dívida da zona do euro está
afetando esses países, a maioria ex-repúblicas soviéticas, de três maneiras: no
âmbito financeiro, no comercial e nas remessas.
Devido a seus laços com as grandes economias europeias, o BM considera que
esses países "provavelmente enfrentarão um retrocesso econômico em
2012", enquanto a assistência da instituição ajudará a manter a
estabilidade fiscal, abordar reformas estruturais, assegurar o fluxo de fundos
a pequenas e médias empresas e proteger a população mais vulnerável.
O Banco Internacional para a Reconstrução e o Desenvolvimento e a Associação
Internacional de Desenvolvimento, parte do BM, indicaram que poderão aumentar
seus empréstimos a esses países até US$ 16 bilhões nos exercícios fiscais de
2012 e 2013.
Enquanto isso, o programa de investimentos da Corporação Financeira
Internacional para estes países alcançará um máximo de US$ 10 bilhões nesses
dois anos, especialmente destinados a proteger o sistema bancário.
Para completar o montante atribuído a esses países da Europa Oriental e da Ásia
Central, a Agência Multilateral de Garantias do Banco Mundial aumentará seus
fundos destinados ao risco associado em US$ 1 bilhão. (Folha SP – 25/01/2012)
FMI prevê
crescimento menor no Brasil e recessão na zona do euro PIB do Brasil deve crescer 3% em
2012, abaixo dos 3,6% esperados antes.
Fundo revisou para baixo perspectivas de todas as regiões, exceto os EUA.
FMI deverá reduzir previsões de crescimento de diferentes países O Fundo
Monetário Internacional (FMI) revisou para 3,3% a previsão de crescimento para
a economia mundial em 2012, segundo relatório divulgado nesta terça-feira (24).
Em setembro, o fundo projetava uma alta de 4% no Produto Interno Bruto (PIB)
deste ano.
A zona do euro, centro das atuais tensões econômicas, deve registrar recessão
no ano, com contração do PIB em 0,5%. A revisão aponta uma piora considerável
em relação às perspectivas de setembro, quando o Fundo apontava para um
crescimento de 1,1% na economia da região.
Segundo o FMI, as crescentes tensões na zona do euro e a fragilidade nos demais
locais ameaçam a recuperação global.
"O crescimento nas economias emergentes e em desenvolvimento também deve
perder força, em consequência da piora no ambiente externo e um enfraquecimento
da demanda interna", diz o FMI no estudo.
O Fundo aponta, no entanto, que as novas projeções indicam que a economia
global está "desacelerando, mas não entrando em colapso".
Na segunda-feira, a presidente do FMI, Christine Lagarde, já havia afirmado que
o Fundo rebaixaria suas previsões de crescimento para boa parte do mundo,
inclusive os países emergentes, que têm ajudado a guiar a expansão econômica,
como Ásia e América Latina.
"Mesmo essas previsões mais baixas presumem um caminho político
construtivo que, de forma nenhuma, está garantido", disse Lagarde.
Piora em todas as regiões
O fundo revisou para baixo as perspectivas de crescimento para todas as regiões
avaliadas, exceto os Estados Unidos, onde a previsão de alta no PIB foi mantida
em 1,8%. Para o Brasil, o FMI agora prevê uma alta de 3,0% no PIB de 2012. Em
setembro, a expectativa era de crescimento de 3,6%.
Para a China, a previsão de crescimento foi reduzida de 9% para 8,2%, enquanto
a Índia deve registrar expansão de 7%, ante 7,5% previstos anteriormente. Juntas,
as economias emergentes e em desenvolvimento devem apontar uma expansão de 5,4%
em 2012.
"Nas economias emergentes e em desenvolvimento, o foco no curto prazo deve ser
em responder à moderação na demanda doméstica e à desaceleração da demanda
externa das economias avançadas, e ao mesmo tempo lidar com os fluxos voláteis
de capital", diz o FMI.
Na Europa, Espanha e Itália devem registrar recessões acentuadas, com
contrações de 1,7% e 2,2%, respectivamente. A Alemanha deve ter crescimento
tímido, de 0,3%.
Comércio internacional
Com a piora nas perspectivas, o FMI também revisou para baixo a expectativa de
crescimento do volume global de comércio em 2012. Em setembro, a previsão era
de expansão de 5,8%; agora, é de 3,8%.
'Área de risco'
FMI afirmou também nesta terça que os riscos à estabilidade mundial cresceram,
"apesar das várias ações tomadas para conter a crise da dívida da zona do euro
e os problemas bancários".
"A crise da dívida da zona do euro se intensificou ainda mais, necessitando de
ação urgente para prevenir resultados altamente desestabilizadores", afirma o
FMI.
De acordo com o fundo, os Estados Unidos e outras econômicas avançadas podem
ser afetados por uma potencial intensificação da crise da zona do euro. "Os
acontecimentos na zona do euro também ameaçam a Europa emergente e podem se
alastrar a outros mercados emergentes", diz o estudo. (G1 – 24/01/2012)
Investimento
estrangeiro é recorde e financia déficit Investimentos estrangeiros diretos no
Brasil somaram US$ 66,66 bilhões no ano passado, o que serviu para financiar o
saldo negativo de US$ 52,612 bilhões em transações correntes, valor histórico.
Brasília – O investimento estrangeiro direto no Brasil chegou a US$ 66,66
bilhões em 2011, de acordo com dados divulgados nesta terça-feira (24) pelo
Banco Central (BC). O resultado superou o de 2010, que ficou em US$ 48,506
bilhões. Somente em dezembro, esses investimentos chegaram a US$ 6,645 bilhões.
O resultado foi suficiente para financiar o déficit em transações correntes.
A conta de transações correntes fechou o ano com déficit de US$ 52,612 bilhões.
Somente no mês de dezembro, o resultado negativo ficou em US$ 6,040 bilhões. O
número de 2011 superou o de 2010, que ficou em US$ 47,323 bilhões, e foi o
maior da série histórica do BC, iniciada em 1947.
O saldo negativo correspondeu a 2,12% do Produto Interno Bruto (PIB). Em 2010,
essa relação foi de 2,21%. A conta de transações correntes registra as compras
e vendas de mercadorias e serviços. Nesse cálculo estão incluídas as
exportações e importações de mercadorias que formam a balança comercial.
A balança comercial registrou superávit de US$ 29,796 bilhões no ano passado. A
balança de serviços (viagens internacionais, transportes, aluguel de
equipamentos e outros) fechou o ano passado negativa em US$ 37,906 bilhões.
Na conta de rendas (remessas de lucros e dividendos, pagamentos de juros e
salários) registrou déficit de US$ 47,319 bilhões. As transferências correntes
registraram saldo positivo de US$ 2,816 bilhões.
Os dados do BC mostram que o investimento estrangeiro em ações (negociadas em
bolsas de valores no Brasil e no exterior) registrou saldo positivo de US$
6,198 bilhões, bem abaixo do resultado registrado em 2010 (US$ 37,684 bilhões).
Para este ano, a expectativa é de maior entrada desses recursos, com a projeção
do BC em US$ 12 bilhões.
"As ações andaram de lado no ano passado. Um movimento fraco", disse o chefe do
Departamento Econômico do BC, Tulio Maciel. De acordo com ele, a previsão para
este ano indica um "volume anual moderado". Maciel acrescentou que esses
investimentos são voláteis e refletem a percepção dos investidores quanto às
oportunidades.
Dados parciais deste mês, até esta terça-feira, mostram que a entrada líquida
(descontada a saída) chegou a US$ 3,033 bilhões. No caso das ações negociadas
no Brasil, o resultado ficou em US$ 3,785 bilhões.
Os investimentos estrangeiros em títulos de renda fixa negociados no País
registraram saída líquida (mais saída que entrada) de US$ 63 milhões no ano
passado. Neste mês, até esta terça-feira, houve entrada líquida de US$ 361
milhões.
Viagens
A conta de viagens internacionais, formada pelas receitas de estrangeiros no
Brasil e as despesas de brasileiros no exterior, fechou negativa em US$ 14,459
bilhões. Esse foi o maior déficit da série histórica do BC. Em 2010, o
resultado, também negativo, ficou em US$ 10,503 bilhões.
Em todo o ano passado, as despesas de brasileiros no exterior chegaram ao
recorde de US$ 21,234 bilhões, enquanto as receitas de estrangeiros em viagens
ao Brasil ficaram em US$ 6,775 bilhões.
Somente no mês de dezembro, o déficit em viagens internacionais ficou em US$
1,114 bilhão. Os gastos de brasileiros no exterior somaram US$ 1,764 bilhão e
as receitas de estrangeiros ficaram em US$ 650 milhões.
Segundo Maciel, as despesas de brasileiros no exterior foram influenciadas pela
continuidade do crescimento da economia e da renda, mas, a partir de agosto,
com a alta da cotação do dólar, começou um período de moderação no crescimento
desses gastos. "A principal influência, sem dúvida, é o comportamento da taxa
de câmbio", destacou.
A expansão dos gastos de brasileiros em viagens ao exterior será mais moderada
este ano, de acordo com Maciel. Para 2012, a previsão de déficit é de US$ 14,5
bilhões, semelhante ao número de 2011.
Os dados preliminares deste mês, até esta terça-feira, mostram que os
brasileiros gastaram no exterior US$ 1,293 bilhão. As receitas de estrangeiros
em viagem no Brasil estão em US$ 450 milhões. (Agência Brasil – 24/01/2012)
FMI reduz projeções
de crescimento Fundo reviu para baixo suas
estimativas para este ano e o próximo. Economia mundial deve avançar 3,3% em
2012, e o Brasil, 3%. Crise na Zona do Euro é pior do que se esperava.
São Paulo – O Fundo Monetário Internacional (FMI) reviu para baixo suas expectativas
para o crescimento da economia mundial em 2012 e 2013. De acordo com atualização
do relatório World Economic Outlook, divulgada nesta terça-feira (24), o Fundo
prevê avanço de 3,3% este ano e de 3,9% no próximo, com reduções de 0,7% e
0,6%, respectivamente, em relação ao levantamento publicado em setembro de
2011.
Segundo o documento, a recuperação da economia mundial está ameaçada pela crise
na Zona do Euro e por "fragilidades" em outros lugares. A redução das
estimativas, segundo o FMI, ocorreu principalmente porque se espera que a Zona
do Euro passe por uma leve recessão por causa do aumento das taxas de retorno
dos títulos públicos, da desalavancagem dos bancos e de medidas de ajuste
fiscal.
"A previsão de crescimento é medíocre e poderia ser pior", disse o diretor do
Departamento de Pesquisas do FMI, Olivier Blanchard, em entrevista postada no
site da instituição. Ele citou a "consolidação fiscal" e a "desalavancagem dos
bancos" como os dois principais entraves para o avanço econômico. O primeiro
porque implica em mais impostos e menos gastos públicos, e o último porque
significa menos crédito na praça.
As estimativas para os países desenvolvidos são piores do que as para as nações
emergentes, mas as últimas também sofrerão com a crise. A previsão de
crescimento médio para os Estados Unidos, Zona do Euro, Reino Unido, Canadá e
Japão é de 1,2% em 2012 e de 1,9% em 2013. Para o bloco dos países em
desenvolvimento a projeção é de avanço de 5,4% este ano e de 5,9% no próximo,
abaixo dos 7,3% de 2010 e dos 6,2% de 2011.
"Os emergentes já estão sendo atingidos [pela crise], nós vemos pelo [fluxo de]
comércio", declarou Blanchard. A ideia é que a baixa atividade econômica nos
países desenvolvidos inibe as exportações das nações em desenvolvimento e
também o fluxo de capitais. "Não será catastrófica [a desaceleração nos
emergentes], mas ocorrerá", acrescentou o economista.
No caso do Brasil, o FMI espera um crescimento de 3% este ano e de 4% no
próximo. As projeções foram reduzidas em 0,6% e 0,2%, respectivamente.
Árabes
Já na seara do Oriente Médio e Norte da África, há expectativa de aceleração em
2012 e 2013, principalmente por causa da recuperação da Líbia, cuja economia
retrocedeu no ano passado por causa do conflito civil que derrubou o regime de
Muammar Kadafi, e pela continuidade da "forte performance" dos países
exportadores de petróleo.
O Fundo ressalta, porém, que os países árabes importadores de petróleo terão
baixo crescimento por conta dos processos de transição política em algumas
dessas nações e pelo cenário externo adverso.
Para o FMI, o preço médio do petróleo ficará em US$ 99 por barril este ano,
contra US$ 104 em 2011. Os valores das demais commodities deverão cair, em
média, 14% em 2012.
Embora isso não seja boa noticia para os países exportadores desses produtos,
como o Brasil, o relatório avalia que haverá menos pressão inflacionária ao
redor do mundo.
Em linhas gerais, a receita do Fundo para minimizar os problemas econômicos em
2012 é ir devagar com o andor no que diz respeito ao ajuste fiscal e às
restrições ao crédito. Para o Banco Central Europeu, o FMI sugere dar maior
liquidez ao sistema financeiro e reduzir a taxa de juros. Para EUA e Japão, a
recomendação é formular políticas para trazer suas dívidas para patamares
"sustentáveis" e assim criar condições para o crescimento e a geração de
empregos. Nas economias emergentes, devem ser utilizados mecanismos para
garantir a demanda interna, compensar a queda da externa e lidar com o fluxo
volátil de capitais. (Anba – 24/01/2012)
Chile:
Especialistas debaterão no Cepal política fiscal ante a crise Santiago do Chile - Autoridades e
especialistas da América Latina debaterão hoje nesta capital sobre os desafios
da região no tema de política fiscal frente ao impacto da crise global.
Os especialistas se reunirão durante três dias na sede da Comissão Econômica
para a América Latina e o Caribe (Cepal), no contexto do XXIV Seminário
Regional de Política Fiscal.
A reunião será inaugurada pela secretária executiva da referida instância das
Nações Unidas, Alicia Bárcena, e contará com a presença de autoridades fiscais
de alto escalão dos ministérios de Economia, Finanças e Planejamento e dos
bancos centrais dos países da América Latina e da Espanha.
O impacto da crise de dívida que enfrentam países da Europa e as políticas
orientadas a conseguir simultaneamente crescimento econômico com convergência
produtiva e igualdade na América Latina serão alguns dos tópicos nos quais se
aprofundarão os participantes do seminário.
Além disso, serão revisados os avanços e desafios da região no controle das
finanças públicas e o papel da política fiscal na redução das desigualdades de
rendimentos.
Outros temas de análise serão a política fiscal na América Central e no Caribe,
a reforma fiscal verde e social, as estratégias nacionais de desenvolvimento
dos países da América Latina e seus vínculos com o orçamento e o gerenciamento
por resultados. (Prensa Latina – 24/01/2012)
Europa anuncia
embargo a petróleo iraniano e amplia tensão no Golfo Para obrigar o Irã a negociar fim de
programa nuclear, chanceleres europeus aprovam sanções
GENEBRA - A União Europeia aprovou nesta segunda-feira, 23, um embargo contra o
petróleo iraniano. Para diplomatas, a medida pode ser o último recurso para
forçar o Irã a abandonar seu programa nuclear. Em Teerã, a reação foi imediata.
O governo iraniano ameaçou fechar o Estreito de Ormuz e interromper o
fornecimento imediato do produto, o que agravaria a crise econômica global.
A chefe da diplomacia europeia, Catherine Ashton, disse que o objetivo da nova
sanção é fazer o Irã negociar. Segundo ela, a UE propôs o diálogo, mas ainda
não obteve resposta. Nos últimos dias, apesar dos sinais desencontrados
emitidos por Teerã, mediadores acreditam que a pressão esteja dando resultados
e o regime iraniano estaria disposto a negociar.
Além do embargo sobre o petróleo iraniano, a UE congelou os bens do Banco
Central do Irã, restringiu investimentos no país e proibiu a exportação de
equipamentos para exploração de gás. No total, 500 iranianos já estão com suas
contas congeladas e proibidos de viajar para a Europa.
No entanto, a grande ferramenta de pressão é mesmo o embargo sobre o petróleo,
responsável por grande parte do financiamento externo da economia iraniana. A
UE é o segundo maior importador de petróleo do Irã, superado pela China.
O embargo, porém, pode se transformar em dor de cabeça para a Europa, que vive
sua pior crise desde a criação do euro. Pressionada por Grécia, Espanha e
Itália, que importam do Irã grande parte do petróleo que consomem, a UE optou
por um embargo progressivo. A sanção vale para todos os novos contratos, mas os
países terão até julho para buscar alternativas.
Ameaça
Para Ali Fallahian, ex-ministro e membro da Assembleia dos Especialistas,
colegiado que escolhe o líder supremo do Irã, o país deveria encerrar as
exportações à Europa, afetando a zona do euro. "A melhor forma é parar as
exportações antes dos seis meses de prazo e antes da implementação do
plano", disse. Segundo ele, se isso ocorrer, as sanções entram em
"colapso".
O Irã ainda ameaçou novamente fechar o Estreito de Ormuz. "Se qualquer
problema foi registrado na venda de petróleo iraniano, o Estreito de Ormuz será
fechado", disse Mohamed Kossari, vice-presidente do Comitê de Segurança
Nacional do Parlamento.
No fim de semana, um porta-aviões americano e navios de guerra franceses e
britânicos desafiaram as ameaças e navegaram pela região. A Casa Branca já
disse que não aceita o fechamento. Para o Ministério da Defesa britânico, a
presença de navios na região "mostra o compromisso dos três países em
manter a passagem aberta".
A Rússia, que rejeita mais sanções, reagiu de maneira moderada. O chanceler
russo, Sergei Lavrov, classificou o embargo como um "fator agravante"
e disse que tentaria convencer o Irã a negociar. "Não podemos tomar
medidas radicais", disse.
Em comunicado, Alemanha, Grã-Bretanha e França também pediram a volta das negociações.
"Pedimos que os líderes do Irã suspendam suas atividades nucleares
imediatamente", afirma o texto, que garante que "as portas estão
abertas para que o Irã entre em negociações sérias e significativas sobre seu
programa nuclear". "Espero que o Irã recobre sua consciência e aceite
negociar", afirmou o ministro britânico das Relações Exteriores, William
Hague.
Preço do barril
EUA e Israel elogiaram as sanções aprovadas na Europa. Para o premiê
israelense, Binyamin Netanyahu, o embargo é um "passo na direção
certa". O presidente americano, Barack Obama, afirmou que as punições
mostram a união da comunidade internacional frente à grave ameaça do programa
nuclear persa. O secretário do Tesouro, Tim Geithner, e a de Estado, Hillary
Clinton, as consideraram "um passo positivo no esforço para aumentar
dramaticamente a pressão sobre o Irã".
A troca de farpas de ontem entre europeus e iranianos fez o preço do produto
subir. O tipo brent, negociado em Londres, subiu US$ 1,17 e chegou a US$
111,03. O barril tipo WTI, cotado em Nova York, foi a US$ 98,05, uma alta de
US$ 1,04. (O Estado de São Paulo – 24/01/2012)
Por que o FMI deve
ficar longe da Europa O Fundo Monetário Internacional (FMI)
alocou 91% de seus compromissos definitivos para programas na Europa. Mas
existe agora sobre a mesa de negociações uma proposta que sugere que esse
montante não é suficiente e deveria ser ampliado significativamente. Será
justificado um aumento dos fundos do FMI para socorrer a zona do euro? Em especial,
deveriam países fora da zona euro participar da captação desse novo capital?
Penso que não.
O FMI está certo, é claro, em concluir que a crise da zona do euro é o
principal risco com que agora se defronta a economia mundial. O mundo tem um
forte interesse na solução da crise. Mas um envolvimento maior do FMI em
programas específicos da União Europeia não é necessário, sendo, muito
possivelmente, contraproducente.
O envolvimento não é necessário porque a zona do euro tem capacidade financeira
para ajudar a si mesma. A região como um todo tem um pequeno superávit em sua
balança corrente com o resto do mundo. Como resultado disso, a região não
depende de financiamentos externos. A região tem seu próprio banco central, que
pode, ao menos em tese, agir como um emprestador de última instância.
Os Estados-membros da zona do euro têm dificuldade para comprometer dinheiro
adicional às operações de socorro e acreditam ser politicamente mais
conveniente canalizar recursos por meio do fundo como uma forma de driblar
parlamentos nacionais.
A zona do euro opera, como sabemos, sob limitações políticas e jurídicas, tais
como as regras para déficits determinadas pelo tratado de Maastricht, a regra
que proíbe socorros financeiros ou as regras que impedem o Banco Central
Europeu de financiar governos.
No entanto, um observador externo teria razão em afirmar que essas regras são,
todas, autoimpostas, e, portanto, reversíveis. A zona do euro deveria mudar
suas regras, antes de rastejar até outros países, de chapéu na mão.
Considerando que a zona do euro é economicamente irrestrita e uma das regiões
mais ricas do mundo, o pedido para envolvimento do FMI em hipotéticas operações
de socorro futuro é moralmente repreensível. O que está acontecendo, nesse
caso, é que os Estados membros da zona do euro têm dificuldade para comprometer
fundos adicionais às operações de socorro e acreditam ser politicamente mais
conveniente canalizar recursos por meio do FMI como uma forma de driblar
parlamentos nacionais.
Mas, em minha opinião, existe um argumento ainda mais importante. A forma como
os Estados membros da zona do euro têm lidado com a crise ampliou as chances de
um resultado catastrófico. Uma extensão do engajamento do FMI muito
provavelmente apoiará as políticas atuais.
A recessão em desenvolvimento é, em grande medida resultado de uma elevação
prematura das taxas de juro pelo BCE, de uma resposta hesitante à crise, da não
recapitalização do setor bancário após a crise financeira de 2008 e de uma
reação instintiva em política fiscal pró-cíclica. O novo governo espanhol
admitiu na semana passada não haver nenhuma possibilidade de que possa cumprir
a meta de 4,4% do Produto Interno Bruto (PIB) para o déficit deste ano, estabelecida
numa época em que as autoridades podiam fingir que a economia iria se
recuperar. A Itália já apertou a política fiscal apesar da recessão e também a
Espanha ficará sob pressão para fazê-lo. Todo mundo está seguindo os passos da
Grécia.
Os erros acumulados de política econômica na zona do euro estão transformando
um aperto de liquidez numa crise de solvência. E aqui reside um risco grave
para o FMI. Se a Itália ficar enredada em uma recessão prolongada, crescerá
significativamente a probabilidade de que não seja capaz de pagar sua dívida,
atualmente em 120% do PIB. Notícias da Itália sugerem que o FMI está prestes a
prever uma recessão de dois anos para o país, o que poderá muito bem resultar
em um aumento da proporção da dívida em relação ao PIB. A solvência futura da
Itália é inteiramente dependente das taxas de juro de mercado e da perspectiva
de um retorno a um crescimento econômico forte e sustentável.
Tenho dificuldades para ver como isso pode ser feito sem uma união fiscal e um
compartilhamento bem maior dos encargos.
Existem argumentos técnicos adicionais que favoreceriam um envolvimento mais
cauteloso do FMI. Mario Blejer, ex-presidente do banco central da Argentina,
argumentou recentemente que o status de credor preferencial do FMI poderia
tornar-se um problema, pois um empréstimo do FMI subordinaria automaticamente
todos os outros detentores de títulos. A probabilidade de um default envolvendo
esses títulos possivelmente impagáveis é, portanto, significativamente maior.
Além disso, a situação poderia tornar-se tão grave que a senioridade do FMI
poderia não se sustentar, o que por sua vez colocaria em risco sua capacidade
de emprestar a juros baixos.
Existem várias propostas na mesa sobre a forma de envolver o FMI de maneira
inteligente. Mas todas estão sujeitas ao mesmo problema. Qualquer tipo de ajuda
de liquidez externa incentivaria a zona euro a seguir em frente com as
políticas que estão agravando a crise.
A melhor contribuição que o FMI poderia fazer, portanto, é não envolver-se em
outros programas além daqueles com que já se comprometeu. Se tiver de se
envolver, deveria ao menos tentar condicionar quaisquer engajamentos adicionais
a mudanças fundamentais de política econômica, tanto em nível nacional como da zona
do euro. Em particular, o FMI deveria insistir em um grau mínimo de gestão
econômica coletiva na abordagem de algumas das questões básicas, como a
fragilidade do setor bancário e as políticas visando eliminar a
interdependência dos bancos nacionais com os governos nacionais. Seria
imprudente o FMI envolver-se nesses debates.Wolfgang Münchau (Valor Online –
24/01/2012)
Superávit comercial
da Argentina soma US$ 10,3 bilhões em 2011 A balança comercial da Argentina
registrou superávit de US$ 10,347 bilhões em 2011, valor 11% inferior ao
apurado um ano antes, quando o saldo ficou positivo em US$ 11,6 bilhões.
O desempenho, divulgado nesta segunda-feira pelo Instituto Nacional de
Estatística e Censos (Indec), resulta de US$ 84,269 bilhões em exportações e US$
73,922 bilhões em importações.
Somente em dezembro, o superávit comercial atingiu US$ 280 milhões, sendo US$
6,269 bilhões em exportações e US$ 5,989 bilhões em importações. Os principais destinos
das exportações argentinas foram Brasil, China, Chile, Estados Unidos e
Espanha.
O Mercosul tem a maior representatividade entre as exportações argentinas, com
25%, seguido por União Europeia (17%) e Associação de Nações do Sudeste
Asiático, China, Japão e Índia (16%).
Em 2011, as exportações ao Brasil somaram US$ 17,7 bilhões, um crescimento de
23% sobre o observado em 2010. (Brasil Econômico/NetMarinha – 24/01/2012)
Superávit comercial
da Argentina cai a US$ 280 mi em dezembro BUENOS AIRES – O superávit comercial
da Argentina caiu para US$ 280 milhões em dezembro, de US$ 684 milhões em
novembro, segundo informou nesta segunda-feira a agência nacional de
estatística (Indec). O resultado do mês passado ficou bem abaixo do esperado
pelos analistas entrevistados pela Dow Jones, que era de um saldo positivo de
US$ 700 milhões.
Em 2011, a Argentina registrou um superávit comercial de US$ 10,347 bilhões, de
um saldo positivo de US$ 11,6 bilhões em 2010 de um superávit de US$ 17 bilhões
em 2009. Para este ano, o Banco Central argentino prevê um superávit de US$ 8,9
bilhões.
Em dezembro, as exportações argentinas cresceram 14% ao ano para US$ 6,3
bilhões em dezembro, enquanto as importações aumentaram 11% para US$ 6 bilhões.
O saldo comercial argentino vem caindo nos últimos anos, refletindo o
crescimento mais rápido das importações em relação às exportações. Os
economistas acreditam que as recentes medidas do governo para bloquear as
importações podem fazer diferença na balança comercial nos próximos meses.
Nas últimas semanas, o governo da presidente Cristina Kirchner reforçou seus
esforços para conter as importações e a demanda por dólares para efetuar o
pagamento dessas operações. Guillermo Moreno, o polêmico secretário de Comércio
argentino, recebeu formalmente poderes para vetar importações.
A partir de fevereiro, os importadores argentinos terão de obter uma declaração
jurada da receita federal argentina (AFIP) e de outros órgãos do governo antes
de adquirir um bem no exterior. Na prática, a medida equivale a colocar todas
as importações do país sob o regime de licenças não automáticas. (Valor Online
– 24/01/2012)
Dilma quer expandir
financiamento para exportações Em 15 dias, a presidente Dilma
Rousseff quer receber de seus ministros e dos presidentes do Banco do Brasil e
do BNDES um novo modelo de financiamento às exportações, para estimular as
vendas brasileiras ao exterior e dar apoio a negócios nos países da América do
Sul e na África, segundo informou ao Valor um de seus ministros. (Valor Online
– 24/01/2012)
Amcham ajudará
governo na formulação de ações para estimular comércio SÃO PAULO - A Câmara Americana de
Comércio Brasil-Estados Unidos (Amcham) vai formar um comitê para elaboração de
sugestões de medidas de incentivo ao comércio exterior. As propostas deverão
ser apresentadas em fevereiro ao Ministério de Desenvolvimento, Indústria e
Comércio Exterior (Mdic). Segundo Welber Barral, sócio da M Jorge Consultores e
presidente do comitê de comércio exterior da Amcham, as sugestões serão
elaboradas a pedido da secretária de Comércio Exterior do Mdic, Tatiana Prazeres.
Barral explica que o Mdic vem consultando várias entidades para a elaboração
das medidas de estímulo à exportação prometidas para serem anunciadas em março.
Barral diz que devem fazer parte do comitê especialistas em comércio exterior
de empresas interessadas. O foco será elaborar propostas para aperfeiçoar e
simplificar alguns mecanismos, principalmente linhas de financiamento à
exportação e alguns instrumentos operacionais de incentivo ao comércio exterior
como o drawback . "O governo acredita que o baixo nível de utilização do
drawback não está mais ligado à base legal, mas a questões operacionais. A
ideia é verificar com quem está na ponta nas empresas, que lidam com o
operacional, por que o mecanismo não está funcionando." Um dos problemas para
o uso do incentivo, acredita Barral, está na insegurança jurídica em razão do
receio de autuações da Receita Federal. Na questão do financiamento, diz
Barral, um dos entraves é o alto custo do seguro, principalmente para a exportação
a mercados emergentes. (Valor Online – 24/01/2012)
Nova secretaria vai
reestruturar funcionamento dos ministérios Valter Correia: nova secretaria
reunirá equipe de 14 gestores que definirá quais ministérios terão de ser
reestruturados.O governo vai reestruturar o funcionamento de todos os
ministérios. Em uma ampla reformulação a ser iniciada este ano, secretarias
poderão ser extintas e outras criadas, conforme o parâmetro de eficiência que
está sendo definido pelo Executivo. Além disso, o governo vai estabelecer
parâmetros para o controle dos gastos de custeio.
A reformulação estará a cargo da Secretaria de Gestão Pública do Ministério do
Planejamento, instituída ontem pela presidente Dilma Rousseff, por meio do
decreto 7.675, no dia da primeira reunião ministerial deste ano.
A nova secretaria, que vai definir indicadores de controle das despesas de
custeio e avaliar os procedimentos administrativos de cada ministério, resultou
da fusão de outras duas (de Gestão e de Recursos Humanos), que foram extintas.
Ela será chefiada por Ana Lúcia Amorim e terá sete departamentos.
A fusão, que conferiu um caráter de supersecretaria ao novo órgão, vai impor
novos padrões de eficiência à Esplanada dos Ministérios. "Não foi mera
junção de departamentos", ressaltou o secretário-executivo adjunto do
Ministério do Planejamento, Valter Correia.
Entre as modificações, Correia informou que a nova secretaria reunirá uma
equipe de 14 gestores encarregada de formular procedimentos para aperfeiçoar a
atuação dos órgãos federais. É essa equipe que definirá quais ministérios terão
que ser reestruturados.
Um projeto piloto de revisão de procedimentos que está em curso nos ministérios
da Justiça e da Saúde será replicado em escala maior nas demais pastas. Entre
as avaliações que estão sendo feitas, os gestores monitoram, por exemplo, como
é feita a compra de medicamentos pelo Ministério da Saúde.
"Acabamos de contratar uma consultoria para melhorar processos de trabalho
nos ministérios da Justiça e da Saúde e isso será gerenciado pelo Ministério do
Planejamento", informou o secretário-adjunto. "Vamos redesenhar todo
o processo de trabalho", disse.
Segundo ele, serão feitos diagnósticos e as etapas de trabalho que não agregam
valor serão eliminadas. "É um projeto-piloto e a ideia é fazermos isso em
outra escala", completou Correia.
Além da reformulação na forma de atuação dos ministérios, a Secretaria de
Gestão Pública está encarregada de idealizar indicadores de acompanhamento dos
gastos do governo com o custeio da máquina. "Temos um programa vinculado à
Secretaria de Orçamento Federal de eficiência do gasto. Isso foi implantado em
alguns órgãos, ainda em 2010, e agora queremos fazer de forma mais geral na
Esplanada dos Ministérios", informou.
Entre as ações relacionadas ao melhor uso das verbas constam a revisão dos
procedimentos para contratação de serviços terceirizados, despesas com
passagens aéreas, uso de material de escritório e consumo de energia elétrica.
"Isso é para melhorar o custeio. Agora temos condições de medir
isso", explicou.
Valter Correia citou como exemplo o maior rigor sobre a despesa com diárias e
passagens aéreas. Esse desembolso passou de R$ 2,3 bilhões em 2010 para R$ 1,3
bilhão em 2011. A meta do Ministério do Planejamento é fazer com que reduções
desse tipo com custeio não sejam pontuais, mas permanentes.
Ao comentar que até agora faltavam indicadores para medir esse tipo de gasto, o
secretário-adjunto disse que o Ministério do Planejamento finaliza mecanismos
que permitirão a mensuração das despesas com a manutenção da máquina administrativa.
Segundo ele, a Secretaria de Gestão Pública treinará equipes para dar
capilaridade a esse controle. Um dos exemplos citados é o consumo de energia. O
Ministério do Planejamento já possui um acompanhamento sobre gastos com energia
em alguns prédios públicos e busca agora definir metas de redução dessa despesa
nos vários órgãos da administração federal.
A implantação da Secretaria de Gestão Pública foi acompanhada da criação da
Secretaria de Relações do Trabalho. Idealizada pelo secretário de Recursos
Humanos, Duvanier Paiva - morto na quinta-feira em consequência de um infarto
do miocárdio -, essa nova divisão ficará encarregada de negociar com os
representantes do funcionalismo público.
A secretaria, que será chefiada interinamente por Marcela Tapajós, não possui
departamentos, mas coordenadorias em uma configuração que privilegia uma
estrutura enxuta destinada a conferir agilidade e rapidez às negociações sobre
reajuste salarial e reestruturação de carreiras.
As demais atribuições relativas ao funcionalismo público, como a administração
da folha de pagamento, realização de concursos públicos e estruturação da força
de trabalho serão executadas pela Secretaria de Gestão Pública. (Valor Online –
24/01/2012)
4% em 2012. Por que
não? Quando se olha o resultado obtido
pelas políticas econômica e social de 2011, parece justo concluir que ele foi
bastante razoável, tendo em vista: 1) o quadro internacional de desintegração
das economias desenvolvidas; 2) as dúvidas e as críticas que elas sofreram da
maioria dos analistas financeiros à medida que eram implementadas.
Hoje, parece claro que a mudança da política econômica, que deu mais ênfase à
fiscal, proporcionou maior grau de liberdade à monetária para usar outros
instrumentos como, por exemplo, o IOF sobre transações que envolvem a taxa de
câmbio. A ação do governo estava mais antenada com a realidade do mundo e com o
desenvolvimento recente da economia do que uma boa parte dos seus críticos.
Isso é objetivamente revelado na enorme aprovação popular do primeiro ano da
presidente Dilma Rousseff.
Provavelmente o fato mais importante de 2011 seja a credibilidade crescente da
política fiscal (em meio a dúvidas iniciais) pelo cumprimento do objetivo de
fazer o superávit primário em torno de 3,2% do PIB. Isso deu conforto ao Banco
Central para que exercesse a sua musculatura, iniciando uma queda da taxa real
de juros.
Felizmente, ninguém mais fala que o produto potencial é de 3,5%
O compromisso de fazê-lo em 3,1% do PIB em 2012, como prometido pelo governo, é
importante para a continuação da redução cuidadosa da taxa de juros real para
um nível parecido ao do mercado internacional. Essa é uma das condições
necessárias para que funcione adequadamente o sistema de câmbio flutuante.
É preciso lembrar: 1) que a taxa de câmbio (juntamente com adequada matriz de
tarifas efetivas) determina o equilíbrio entre o valor do fluxo de bens e
serviços exportados e dos importados e é um dos preços mais importantes para
manter a economia num alto nível de utilização dos fatores de produção
internos, inclusive o emprego da mão de obra; e 2) que ela é sensível à
política fiscal.
Parece possível afirmar que uma sólida política fiscal, que controle o ritmo de
crescimento das despesas de custeio e transferências, abra espaço para o investimento
público e permita à política monetária continuar a reduzir a taxa de juros real
e, simultaneamente, ampliar o crédito ao setor privado (não há nenhuma
contradição nisso), condição fundamental para um crescimento mais robusto em
2012, com uma taxa de inflação convergindo para a meta e a sustentação de um
câmbio real mais amigável com o setor industrial brasileiro.
Com relação à situação fiscal (dívida/PIB) não há nada que no momento nos
atrapalhe. Não podemos esquecer, entretanto, que a relação dívida líquida/PIB
não satisfaz à condição de transparência. Melhor seria usar - como a grande
maioria dos países - a relação dívida pública bruta/PIB, que hoje anda em torno
de 64%, 2/3 maior que a dos emergentes, excluído o Brasil.
Dito isso, como devemos tratar o problema do crescimento em 2012? A maioria dos
que têm a obrigação, por motivos profissionais, de prevê-la afirma que ela será
qualquer coisa entre 3% e 3,5%, mas não explicita quais as condicionalidades da
profecia.
Felizmente, ninguém mais fala que o "produto potencial" brasileiro é
de 3,5%. Fala-se agora de 4,5%. Mas como disse numa entrevista imperdível, no
Valor (20/22 janeiro de 2012), um dos nossos economistas mais bem apetrechados,
o competente e sóbrio Sergio Werlang, "estou mais para 4,5% como
crescimento potencial, mas se já há erro na medida do próprio PIB, imagine na
medida do potencial".
Já devíamos ter aprendido que a única forma segura de prever o futuro é tentar
construí-lo. Honestamente, não há nenhuma razão para supor que não possamos
crescer entre 4% e 4,5% (entre o último trimestre de 2011 e o seu homólogo de
2012), se o governo cumprir seu programa fiscal e ativar os investimentos do
PAC, atento à flutuação estacional das despesas num ano eleitoral; transferir
com rapidez o máximo possível dos investimentos em infraestrutura para o setor
privado através de concessões e parcerias; prosseguir na pressão para aprovar o
sistema previdenciário público e eliminar alguns absurdos tributários, que
continuam a destruir nossas exportações industriais e trabalhar contra o aumento
do valor adicionado das exportações agrícolas. Nada impossível com a
credibilidade da presidente e sua cômoda maioria no Congresso.
Para crescer 4% em 2012 com a inflação sob controle, o governo tem que fazer a
sua parte. Cumprir transparentemente sua meta fiscal e cooptar o setor privado
(trabalhadores, empresários e banqueiros) para tomar o risco de o acompanhar
para fazê-lo.
Nota à parte. Quem ainda tem curiosidade e capacidade para surpreender-se sobre
os efeitos dos IOF no mercado cambial, não deve perder o artigo "Bubble
Thy Neighbor: Direct and Spillover Effects of Capital Control",
apresentado numa conferência promovida pela Allied Social Sciences Association,
em Chicago, pelos economistas Kristin Forbes (MIT-Sloan School of Management),
Marcel Fratzscher, Thomas Kostka e Roland Straub (todos do Banco Central Europeu),
em novembro de 2011.Antonio Delfim Netto (Valor Online - 24/01/2012)
Exportações da
indústria gaúcha encerram 2011 no mesmo patamar de 2008 As exportações industriais gaúchas
encerraram 2011 com um crescimento de 18%, em relação ao ano anterior, e
somaram US$ 15,6 bilhões. "Apesar de parecer expressivo, o resultado
apenas coloca as vendas externas no patamar de 2008, após dois anos seguidos de
estagnação decorrente dos efeitos negativos da crise financeira
internacional", disse o presidente da Federação das Indústrias do Rio
Grande do Sul (FIERGS), Heitor José Müller.
Porém, os embarques de produtos básicos foram o grande destaque em 2011, com expansão
de 76,1%. Isso ocorreu devido a forte demanda por commodities, sobretudo dos
países emergentes, capitaneadas pela China. No total das vendas do Estado, o
avanço chegou a 26,3%, em comparação com 2010. A participação da indústria na
pauta exportadora passou de 86%, naquele ano, para 80% em 2011. Este último
número reforça uma tendência que vem se intensificando ao longo da última
década. Em dez anos, a redução dos produtos industriais na pauta gaúcha já soma
10,2 pontos percentuais.
O incremento das exportações industriais foi disseminado. Dos 25 segmentos, 19
avançaram em relação ao ano passado. No entanto, apenas seis deles concentraram
84,3% dos envios: Produtos Alimentícios, Químicos, Tabaco, Máquinas e
Equipamentos, Couro e Calçados e Veículos Automotores, Reboques e Carrocerias.
Com relação às perspectivas para 2012, o presidente da FIERGS se mostrou
preocupado: "O desempenho do setor exportador do Rio Grande do Sul pode
sofrer uma desaceleração considerável neste ano, pois os efeitos da estiagem devem
atingir grande parte da cadeia de alimentos e da agroindústria". Müller
também chamou a atenção para outros fatores que prejudicam o setor, como o
aumento do protecionismo comercial, sobretudo na Argentina e na Zona do Euro.
As importações do estado avançaram 18% no total de 2011, atingindo US$ 15,7
bilhões, com destaque para os incrementos nas compras de bens intermediários e
de consumo. "Os resultados mostram um aprofundamento da substituição de
produtos nacional pelos importados, em parte pela taxa de câmbio valorizada,
pelo alto custo da produção no Brasil, que diminui a competitividade, e
pelodumpingcambial e social da China", destacou Müller.
No que se referem aos destinos, os chineses foram os que mais receberam
produtos gaúchos (17,4%). Em segundo lugar, os argentinos responderam por 10,2%
dos pedidos, seguidos pelos norte-americanos, com 7,1% de participação.
O Rio Grande do Sul manteve a quarta posição entre os Estados que mais
exportaram em 2011, somando 7,6% do total da pauta brasileira, em relação a
2010. O primeiro lugar ficou com São Paulo (23,4%), seguido por Minas Gerais
(16,2%) e Rio de Janeiro (11,5%).
DEZEMBRO - No último mês do ano, as exportações gaúchas expandiram 7%,
atingindo US$ 1,4 bilhão, na comparação o mesmo mês do ano passado. O setor
industrial foi responsável por 89% dos embarques, contra 93% em 2010. As
importações desaceleraram 3,5% e chegaram a US$ 1,2 bilhão. (CNI – 24/01/2012)
A cúpula dos Brics A criação dos Brics foi um excelente
negócio para o Brasil: projetou a imagem de um país em ascensão, abriu espaço
inédito para tratar de temas globais e institucionalizou nosso diálogo com
China, Índia e Rússia, três países mais poderosos que nós (África do Sul entrou
para o grupo mais recentemente). Jim O'Neill, que cunhou a sigla há dez anos,
merece estátua comemorativa em praça pública.
É interesse do Brasil que os Brics ganhem voz, autoridade e volume maior que a
mera soma das partes. Agora, faltando apenas dois meses para a cúpula da sigla
neste ano, o desafio é encontrar uma posição comum sobre o tema em que a
atuação dos membros tem sido mais criticada - o Oriente Médio. A atual fluidez
da região oferece duas oportunidades para os Brics.
A primeira é o risco real --e crescente-- de um conflito armado envolvendo o
Irã. Embora os Brics não possam impedir um desfecho desses, poderiam jogar água
na fervura, ganhando tempo até o fim da campanha presidencial americana que
radicaliza as partes do conflito e reduz o espaço para a negociação. Para isso,
os Brics teriam de lançar proposta capaz de chacoalhar os termos do debate. Uma
forte candidata seria declaração que confirmasse o direito iraniano ao
enriquecimento de urânio com fins pacíficos em território nacional, mas pedisse
ao Irã, a título de medida de confiança, uma moratória voluntária no
desenvolvimento de tecnologias sensíveis por tempo indeterminado. Na Casa
Branca e em Teerã há suficiente medo de uma escalada para viabilizar uma
iniciativa dessa natureza.
O segundo fator é a Primavera Árabe. Quando os protestos de rua eclodiram, os
membros dos Brics apostaram em soluções conservadoras que não resistiram ao
ritmo avassalador dos acontecimentos. Terminaram na incômoda situação de
chancelar na ONU, a contragosto, uma intervenção na Líbia. Tiveram a sua imagem
maculada junto à opinião pública da região e foram alvo de pressão de grandes
potências.
A bola da vez é a Síria, onde o maior incomodado dentre os Brics é o Brasil,
democracia de massas livre de amarras autoritárias há apenas uma geração. Por
isso, Brasília é a voz mais crítica do grupo ao regime de Bashar al-Assad. É
sua responsabilidade incentivar os outros membros dos Brics a aproximar-se da
Liga Árabe e alentar os povos de Líbia, Egito, Tunísia e Iêmen. Da mesma forma
é sua responsabilidade apresentar oficialmente ao grupo as teses da "responsabilidade
ao proteger" que o governo levou à ONU em novembro passado. Se a ideia afundar,
saberemos que é melhor deixá-la de lado. Se vingar, teremos uma bandeira para o
futuro.
O que ganharia o Brasil fazendo isso tudo?
Uma atmosfera benigna para restaurar o ativismo diplomático no Oriente Médio
depois da frustrada Declaração de Teerã (2010). Findo o governo Lula, faltou
apetite e força para grandes apostas naquela região, e a diplomacia deu um
passo atrás. Agora o governo Dilma tem a chance de aproveitar a cúpula dos
Brics para voltar à cena.
O esforço vale a pena porque há muito em jogo. O Brasil abriu embaixadas,
multiplicou o volume de comércio, participou pela primeira vez do processo de
paz árabe-israelense e comandou força naval da ONU no Líbano. Aproximou-se do
dínamo diplomático da região, a Turquia, e passou a prestar cooperação técnica
ao povo palestino. Conseguiu isso tudo com a aceitação de Israel. Nos últimos
dez anos, o chanceler brasileiro visitou a região 24 vezes. É um bom começo.
O valor dessas iniciativas está muito além dos interesses materiais que o
Brasil tem ou pode vir a ter no Oriente Médio. Há interesses intangíveis de
igual valor. Afinal de contas, não há espaço nas grandes mesas para países que
nada têm a dizer de construtivo sobre a área mais volátil do planeta.Matias
Spektor (Folha SP – 23/01/2012)
Economia da Holanda
escapa da crise País apresenta o segundo maior
superávit comercial da zona do euro, só atrás da Alemanha
AMSTERDÃ - Os funcionários da Royal Philips Electronics na cidade de Drachten,
que esperavam ser demitidos, ficaram perplexos quando o gerente da fábrica
disse que a empresa estava trazendo da China, para a Holanda, sua unidade de
produção dos seus sofisticados e caros barbeadores elétricos.
Rob Karsmakers, o gerente da fábrica que retornou ao país depois de quatro anos
trabalhando para a Philips na Ásia, disse aos empregados que a empresa vai
aumentar os investimentos na empresa em Drachten, onde emprega 2 mil pessoas.
"Um engenheiro de produto em Xangai hoje é tão caro quanto em
Drachten", disse Karsmakers, que dirige a fábrica desde 2009. A Philips
emprega 14 mil pessoas na Holanda.
A Holanda, quinta maior economia do euro, aumentou seu poder de atração e se
tornou uma potência no setor de manufatura. Hoje, ela lidera em áreas como
calças e uniformes de combate para o Exército americano. A Apple utiliza chips
produzidos pela ASML Holdings para o seu iPhone e iPad, e a TomTom ajuda os
motoristas a navegarem por estradas desconhecidas.
Nos primeiros nove meses do ano, o superávit comercial holandês foi o segundo
mais alto da região do euro, ficando atrás da Alemanha, segundo a Eurostat. A
Holanda foi o sétimo país exportador nos últimos cinco anos, segundo a ING
Grope e a Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento.
"A Holanda é um país de comércio, é assim que ganhamos nosso
dinheiro", disse Maarten Leen, economista da ING.
Estabelecida como porta de entrada para a Europa, com cinco importantes portos
marítimos e o aeroporto de Schiphol próximo de Amsterdã, os holandeses têm
conseguido manter um superávit de conta corrente desde 1981, disse Leen.
A agência Standard & Poor's confirmou em 13 de janeiro a nota de crédito de
longo prazo de triplo A da Holanda, citando os seus "sólidos e
sustentáveis superávits de conta corrente", que se mantiveram em uma média
de 6,4% entre 2005 e 2010.
As marcas globais holandesas hoje abrangem a cerveja Heineken, a Royal Dutch
Shell e Unilever, fabricante do sabonete Dove, o chá Lipton e o sorvete Magnum.
Produtos químicos como as tintas Sikkens da Akzo Nobel, e maquinário como os
sistemas de litografia da ASML constituem uma parte substancial do crescimento
das exportações, além dos produtos agrícolas, como flores, cebolas e tomates.
Os setores de tecnologia e química têm registrado um vigoroso crescimento das
exportações desde 1996, com aumentos de 4% e 5,8% ao ano, dados,
respectivamente, da CBS e do departamento de estatística holandês. "Temos
uma infraestrutura superior, com docas em Roterdã, Delzijl e Geleen, e uma
conexão com o sistema de dutos de gás e etileno nos países em torno, como
Bélgica, Antuérpia e na área do Reno, na Alemanha", disse Werner Fuhrman,
vice-presidente da VNCI, a federação das indústrias químicas holandesas.
No caso da ASML Holding, sua posição na Holanda é chave, uma vez que a
companhia depende de "centenas de fornecedores de alta tecnologia" e
institutos de pesquisa para desenvolver seus scanners para litografia, disse o
diretor financeiro Peter Wennink. Um trabalho especializado "que
conseguimos realizar rápida e eficazmente com parceiros no sul da
Holanda". A ASML Holding, que tem uma fatia de mercado de 80% no setor de
equipamentos de semicondutores, está inserida na região de Brainport, ao sul da
Holanda, em um centro industrial que reúne indústrias alimentícias,
automotivas, design e tecnologia, incluindo a Philips e a TomTom.
Já a Karsmakers, ao trazer a produção dos seus barbeadores para a unidade de
pesquisa em Drachten, para atender o mercado europeu, ela abriu uma grande
oportunidade em termos locais, uma vez que os custos de transporte serão
reduzidos.
A Philips mantém sua produção de barbeadores mais baratos na China, para
atender ao mercado asiático.
A façanha das indústrias do país atraiu pretendentes. Na década passada,
companhias holandesas, incluindo o ABN Amro Bank, que foi a maior instituição
bancária do país, e a empresa aérea Royal KLM, caíram em mãos de proprietários
estrangeiros, o que provocou uma controvérsia generalizada na Holanda sobre a
venda de uma empresa nacional.
Hoje, os holandeses têm outros desafios. Com a crise da dívida europeia, e dois
terços das suas exportações ainda dependentes da Europa Ocidental, o país se
defronta com o "grande desafio de manter o crescimento observado nos
últimos 15 anos", disse Leen.
Com o centro da economia mundial mudando para a China, Índia e Brasil, a
inovação na Holanda deve ajudar o país a manter sua posição comercial, disse
Maxime Verhagen, ministro da Economia, em um discurso na Universidade de Wageningen.
Segundo Verhagen, o futuro reside no desenvolvimento de produtos inovadores que
ajudem a reduzir as emissões de gás carbônico, enfrentar os efeitos adversos do
envelhecimento e a crescente demanda por alimentos. (Estadão – 23/01/2012)
Uma grande
distância das boas intenções à prática Desde que a presidente Dilma Rousseff
assumiu, em 2010, percebemos uma nova e positiva atitude na equipe econômica,
buscando introduzir novas políticas microeconômicas na agenda do governo. Temas
como câmbio, juros, créditos tributários, defesa comercial, inovação e tecnologia,
financiamento às exportações, etc., passaram a ser debatidos com muito maior
frequência na mídia e nos gabinetes da equipe econômica. Como resultado,
algumas medidas concretas foram tomadas no 2.º semestre de 2010, trazendo
esperança de recuperação da competitividade industrial, seriamente abalada nos
últimos anos por fatores internos e externos de diversos matizes.
Na prática, porém, até agora os resultados têm sido bem modestos, seja pela morosidade
com que a burocracia implementa as medidas já decididas e aprovadas, seja pela
limitação dos benefícios até agora anunciados, tanto em valor como em
abrangência de setores industriais e empresas exportadoras afetados.
Tome-se, por exemplo, o caso do Regime Especial de Reintegração de Valores
Tributários para Empresas Exportadoras (Reintegra), em que a Fazenda reconhece
a existência do resíduo tributário nas exportações de manufaturados e prevê a
devolução, em dinheiro ou compensação tributária, em valor equivalente a 3% das
exportações desses produtos para países estrangeiros. Embora o Reintegra tenha
representado, para muitos setores industriais, um avanço significativo na
obtenção de ressarcimento de resíduos tributários acumulados na cadeia produtiva
exportadora, o valor máximo atribuído pela lei (3%) é um valor apenas parcial
dos tributos acumulados na grande maioria das cadeias produtivas exportadoras.
Dessa forma, não elimina o viés antiexportação de nossa complexa e anacrônica
estrutura tributária. Além disso, o mecanismo tem vigência só até o final de
2012, o que limita, para muitos setores que têm um ciclo mais longo de
produção, a projeção desse fator de competitividade na formação de preço de
exportação. E muito menos serve de indução para novos investimentos na expansão
de capacidade produtiva. Por que não torná-lo um benefício permanente, ou ao
menos com vigência por um período de 5 ou 10 anos, como ocorre em outros
países?
Outro ponto questionável são os critérios não muito claros, se não lógicos,
utilizados na seleção de setores elegíveis para fazer uso desse mecanismo
tributário. Na sua recente regulamentação, foram excluídos inúmeros setores
produtivos, entre os quais os de celulose, carnes, alguns produtos alimentícios
e até alguns metais e produtos químicos. Alguns desses setores, apesar de
estarem incluídos num míope e equivocado conceito de semimanufaturado, na
verdade demandam na sua industrialização intensa tecnologia embutida, investimentos
bilionários na instalação produtiva e muita utilização de mão de obra direta e
indireta, para não falar no efeito multiplicador nas indústrias fornecedoras de
insumos, equipamentos e infraestrutura agregada a essas cadeias. Além do mais,
essa exclusão discricionária, sem um tratamento isonômico e horizontal da
indústria em geral, acaba perenizando para tais setores excluídos o referido
resíduo tributário que, acertadamente e em bom tempo, o governo federal
pretende agora reduzir ou eliminar.
Outro exemplo recente de meias medidas foi a reedição do Regime Especial
Tributário para Incentivo à Modernização e Ampliação da Estrutura Portuária
(Reporto), com vigência até 2015. O Reporto tem como objetivo a desoneração
tributária de novos investimentos em máquinas e equipamentos para a
infraestrutura portuária, tendo sido incluído posteriormente à sua edição
original em 2004 um capítulo específico para ferrovias. É imperativo, na atual
conjuntura econômica do País, irradiar competitividade sistêmica aos setores
produtivos; expandir as fronteiras econômicas para a expansão do agronegócio,
da geração de energia; e criar uma logística multimodal integrada e competitiva
em nosso vasto território. Daí a proposta ainda não contemplada de inclusão
nesse novo regime dos modais dutoviários e aquaviários, que, embora de importância
ainda reduzida na matriz logística nacional (e por isso mesmo!), são modais de
capital intensivo e, pois, merecem ser estimulados com a desoneração de
tributos na fase de investimento, para que operem com maior competitividade ao
longo de sua vida útil futura.
Um país só cresce e se torna economicamente forte com renda e emprego digno
para todos os seus cidadãos, se suas empresas forem fortes e competitivas. Não
basta focar só no equilíbrio macroeconômico e achar que o mundo real do setor produtivo
sobrevive impune às distorções competitivas externas, como câmbio
sobrevalorizado, logística deficiente, estrutura tributária irracional e
excessiva e altos custos financeiros. Que venham mais e melhores medidas microeconômicas,
para preservar e até ampliar nosso parque industrial construído com o
sacrifício de toda a Nação nos últimos 50 anos de nossa história econômica. ( O
Estado de São Paulo – 23/01/2012)
Emergentes pedem
flexibilização de Basileia 3 O México propôs que o G-20 examine as
consequências das novas normas globais de capital e liquidez sobre os bancos
dos países emergentes, com apoio do Brasil, China e todos os outros emergentes
do grupo.
Na prática, o México, que preside este ano o G-20, busca que o Conselho de
Estabilidade Financeira (FSB, na sigla em inglês) dê flexibilidade para bancos
dos emergentes se enquadrarem no Acordo de Basileia 3, que vai exigir novos
aportes de recursos.
O FSB monitora e recomenda regulações para o sistema financeiro global. Seu
programa para reforçar a estabilidade é estabelecido pelo G-20, o grupo das
maiores nações desenvolvidas e emergentes, e ao qual apresenta os relatórios
sobre suas atividades.
Ao mesmo tempo, reportagem no site do "Financial Times", ontem,
revelou que Alemanha e França vão divulgar hoje um medido de relaxamento nas
regras de Basileia 3. Uma das demandas é para que bancos que controlem
seguradoras recebam tratamento especial, o que poderia aumentar em vários
bilhões o capital do Société Générale e do Crédit Agricole. A outra proposta é
que seja adiado de 2015 para 2018 o prazo para que os bancos divulguem seus
novos índices de alavancagem.
A demanda mexicana se explica num contexto em que bancos dos países
desenvolvidos continuam a reconstituir seus balanços, além dos riscos de transmissão
da crise do euro sobre o sistema financeiro global.
O México exemplificou no G-20 que a implementação de Basileia 3 por bancos
estrangeiros pode levar a uma distribuição assimétrica dos custos e benefícios
entre os países de origem da matriz e das subsidiárias - e pesar sobre os
emergentes.
Um banco que opera em diferentes países com subsidiárias deve consolidar suas
operações no exterior no nível exigido para a matriz. Significa que aplicar um
requerimento adicional de capital resultaria em maiores custos para cada uma
das entidades do banco, já que todas contribuem para as exigências de capital.
No entanto, notam os mexicanos, embora esses custos sejam assumidos por todas
as entidades do grupo, os benefícios podem se concentrar no país de origem. É
que não existe nenhuma obrigação legal para o banco matriz dar apoio a suas
subsidiárias. Ou seja, embora o banco possa apresentar uma situação mais sólida
a nível consolidado, as subsidiárias não têm garantia de acesso a capital
adicional.
Para o México, essa assimetria pode ser evitada se a regulação estipular que a
exigência de capital adicional deve ser constituída e mantida por cada entidade
legal que forma o banco internacional. Assim, o capital adicional contribuído
por uma subsidiária na América Latina estaria disponível para ela absorver
perdas potenciais.
O desconforto é maior em países com sistema bancário em boa parte controlado
pela banca estrangeira. Somente os bancos da zona do euro detêm 40% do mercado
chileno e 18% do mexicano, segundo levantamento do RBC Capital, do Canadá.
Os emergentes tiveram o cuidado, na reunião de vice-ministros de finanças e
diretores de bancos centrais do grupo, na semana passada na cidade do México,
de se diferenciarem do lobby de bancos por desmantelamento das novas exigências
regulatórias.
Insistiram que não propõem reabrir o Acordo de Basileia 3, e sim dispor de 'um
pouco de flexibilidade' para evitar consequências negativas em alguns aspectos.
Formado por reguladores e bancos centrais de 24 jurisdições e representantes do
Fundo Monetário Internacional e Banco Mundial, o FSB coordenou a imposição de
Basileia 3, que aumenta a quantidade e a qualidade dos requerimentos de capital
dos bancos.
Reformas na América Latina, provocadas por crises anteriores, fizeram o sistema
bancário da região ter maior nível de capital, e portanto, solidez reconhecida.
Em outras ocasiões, o BC do México avaliou que alguns bancos da América Latina
precisam ajustar seu capital, primeiro, porque os coeficientes de capital
suficiente podem baixar dependendo da exigência de recursos em algumas
operações. E, segundo, porque nem todos os instrumentos considerados até agora
como capital continuarão assim com as novas regras.
Por exemplo, nos mercados emergentes, os bancos são fonte importante de
liquidez pra a dívida soberana destes países e seus mercados de derivativos.
Para o BC do México, se os bancos tiverem menos disposição para assumir
posições nesses mercados, por causa da exigência adicional de capital, a
liquidez nos emergentes poderia diminuir e a volatilidade de preços, aumentar.
É que maior requerimento de capital, em conjunto com decisões tomadas pela
matriz e seu regulador local, podem ter impacto nos mercados da dívida soberana
da América Latina.
A eventual alta do risco soberano e os maiores requerimentos de capital para
operações próprias podem criar 'incentivos' para os bancos com presença
internacional reduzirem a detenção de dívida soberana dos países onde têm
subsidiárias. O efeito líquido será maiores custos nos emergentes.
Também no mercado, uma questão recente era justamente se os problemas
enfrentados pelos bancos pequenos e médios em emergentes poderiam levar à
postergação da implementação da aplicação das regras de Basileia. (Valor Online
– 23/01/2012)
Croácia aprova ingresso
na União Europeia Após aprovação nas urnas, país deve
ser incluído no bloco europeu em julho de 2013 como seu 28º integrante
A inclusão da Croácia na União Europeia foi aprovada pela maioria da população.
Ontem à noite, com quase todas as urnas apuradas, o resultado apontava 66% dos
votos a favor e 34% contra.
A participação da população croata na consulta popular foi baixa, a julgar pelo
número de cédulas depositadas pouco antes do encerramento da votação, comparado
com as eleições parlamentares de dezembro. A legislação em vigor prevê que a
entrada na União Europeia pode ocorrer se mais da metade dos eleitores, de um
total de 4,5 milhões com direito a voto, responde "sim" à pergunta.
Depois da Eslovênia, em 2004, a Croácia será a segunda das seis ex-repúblicas
iugoslavas a aderir à União Europeia.
Antes da votação, os políticos croatas, unanimemente pró-europeus, insistiram
que a integração era a decisão mais importante para esse país desde a sua
independência, alcançada após uma guerra deflagrada entre 1991 e 1995 contra
forças rebeldes sérvias, com um saldo de 20 mil mortos.
"Hoje é um grande dia para a Croácia. Fico feliz porque toda a Europa será
meu lar", disse ontem o presidente da Croácia, Ivo Josipovic, ao emitir
seu voto.
O primeiro ministro, Zoran Milanovic, disse que a Croácia está entrando na
União Europeia, na qual seu país tomará as decisões com outras nações.
"Ali, não seremos grandes, mas também não seremos insignificantes",
completou.
Assegurado o resultado, o processo de ratificação do Tratado de acesso
comunitário seguirá para todos os 27 países membros. A previsão é que a Croácia
entre para a grande família europeia em 1.º de julho de 2013 como seu 28.º
integrante.
A inclusão do país foi respaldada tanto pelos partidos do atual governo de
centro-esquerda, como pelo principal partido de oposição conservador.
Grupos de extrema direita e extrema esquerda se manifestaram contra a entrada.
Os primeiros argumentam que a Croácia perderia sua soberania, alcançada à custa
de tantas vítimas há apenas 20 anos. Os segundos defendem que a União Europeia
é um super estado neoliberal que só serve às corporações ricas que vão explorar
a Croácia.
Mas, entre as principais formações, apenas um partido no Parlamento foi
claramente contrário ao acesso croata. O direitista HSP Ante Starcevic, que tem
um deputado, alegava que a Croácia ainda não está preparada para este passo. /
EFE e AFP (O Estado de São Payulo – 23/01/2012)
A resiliência da
América do Sul A resiliência da América Latina na
esteira da crise financeira de 2008 foi notável, especialmente quando comparada
ao desempenho da região nos anos 1980 e 1990. Mas, enquanto a economia mundial
depara-se com incertezas renovadas, a região precisa encontrar novas
estratégias para reduzir o impacto potencial de mercados financeiros voláteis e
da estagnação prolongada nas economias mais ricas do mundo.
Embora o crescimento na América Latina se correlacione com as tendências
globais, há uma boa chance de que em 2012 as economias da região voltem a
superar o desempenho dos países industriais. A contração do comércio mundial e
a redução dos fluxos financeiros provavelmente desaceleração o crescimento em
certa medida, mas o ritmo anual deverá continuar próximo à média de 4% da
região entre 2000 e 2008.
Um motivo para essa previsão é que a liquidez abundante nos mercados
internacionais e a continuidade da demanda elevada na China e Índia podem
impedir os preços das commodities - especialmente dos produtos agrícolas - de
caírem tanto como durante a crise de 2008-2009. Os ganhos nas relações de troca
foram cruciais para o crescimento da América Latina, dado o baixo índice de
poupança doméstica da região, porque encorajam os investimentos, mas têm
relativamente pouco impacto negativo no balanço de conta corrente.
As fortes entradas de capitais, especialmente de investimentos externos
diretos, e a recuperação das relações de troca desde 2009 deixaram a região
menos vulnerável a choques externos - ou seja, à repetição da repentina
reversão de fluxos de capitais observada no final de 2008 e início de 2009.
Mais importante, a maioria dos países latino-americanos agora tem em vigor
medidas anticíclicas para suavizar qualquer impacto externo negativo.
Por exemplo, quando surgiram os primeiros sinais de turbulência, muitos países
que estavam apertando sua política monetária, interromperam as altas de juros
ou, como o Brasil, começaram a reduzi-los. A maioria dos recentes ajustes nos
países latino-americanos, além disso, impediu que suas posições orçamentárias e
déficits em conta corrente se tornassem fontes de vulnerabilidade.
Esse parece ser o caso, por exemplo, do Peru, onde políticas fiscais sólidas
mantiveram os déficits e a inflação sob controle. Isso também é verdadeiro na
Colômbia, onde a forte arrecadação orçamentária poderia permitir um aumento
temporário nos gastos para conter riscos externos. As exceções dignas de
atenção são a Argentina e a Venezuela, onde as tensões macroeconômicas
reduziram o espaço para ações anticíclicas, e no México, cujo destino está
ligado, pelos amplos laços comerciais, ao dos Estados Unidos.
O Brasil, maior país e um dos mais prósperos da região, reflete muitas das
tendências econômicas na América Latina. Depois do surgimento da crise
financeira mundial no último trimestre de 2008, as taxas de juros do Brasil
caíram acentuadamente, o crédito teve forte expansão e a política fiscal deixou
de ser neutra e passou a ser altamente expansionista. O financiamento maciço do
Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) pelo Tesouro
brasileiro também agiu como proteção contra o declínio nos investimentos.
O estímulo proporcionado por essas políticas levou a um forte crescimento,
tanto no consumo como nos investimentos, com o que a atividade econômica
recuperou-se rapidamente. Embora a valorização do real tenha mantido os preços
de bens comercializáveis sob controle, os dos bens não comercializáveis,
especialmente os de serviços, continuaram como fonte de pressão inflacionária.
Para combater a aceleração da alta dos preços, as autoridades adotaram medidas
no fim de 2010 para esfriar a demanda doméstica sobreaquecida, primeiro por
meio de restrições ao crédito e maiores exigências de reservas para os bancos -
as chamadas medidas "macroprudenciais" - e depois por meio da
retomada da alta das taxas de juros.
Mas a deterioração repentina das condições financeiras externas e as
perspectivas de estagnação prolongada na Europa e EUA, levaram o Brasil a
reverter as políticas no fim de agosto. O Banco Central já cortou seus juros
básicos em 150 pontos base, para 10,5%, e a tendência de baixa prevista deverá
levar as taxas reais para seus menores patamares históricos no período
pós-crise.
O preço a pagar, no entanto, pode muito bem ser que a inflação anual continue
significativamente acima da meta de 4,5%. De fato, mais recentemente, as
restrições de crédito adotadas no fim de 2010 foram relaxadas, como forma de
estimular a demanda dos consumidores.
Além disso, a política fiscal brasileira deverá mudar de restritiva para neutra
ou ligeiramente expansionista neste ano. O governo prometeu promover a mudança
de forma mais suave do que em 2009-2010, permitindo, portanto, flexibilidade
para reduzir as taxas de juros no longo prazo.
Neste ano, o governo elevou o salário mínimo em 14% seguindo a atual regra de
ajuste, com forte impacto nos benefícios da previdência social, e deverá
retomar os investimentos públicos que foram reprimidos em 2010. Essas medidas,
somada à redução na arrecadação com impostos, deverão reduzir o superávit
primário e contribuir para reanimar a demanda.
A América Latina obteve progresso substancial em sua estrutura de políticas
macroeconômicas, dando a suas autoridades mais espaço de manobra para suavizar
o impacto dos choques internos. Mas administrar a demanda é apenas parte do
trabalho quando se trata de alimentar o crescimento econômico de longo prazo.
Depois de terem conduzido seus países com sucesso pela crise, as autoridades da
América Latina deveriam dedicar maior atenção à retomada dos esforços de
reforma voltados a melhorar a competitividade e assegurar a sustentabilidade de
altos índices de crescimento. Paulo M. Levy (Valor Online – 23/01/2012)
Globalização
acelera, menos no Brasil A globalização está acelerando, mas
não tanto no caso do Brasil, na visão que a consultoria Ernst & Young
apresenta em seu Índice de Globalização, que é divulgado hoje, às vésperas do
Fórum Econômico Mundial, em Davos (Suíça).
Conforme a consultoria, a atual situação econômica impulsiona por uma nova
"interação global", com empresas buscando crescimento em outros
mercados. Os emergentes estariam cada vez mais impulsionando negócios em seus
próprios mercados regionais.
No Índice de Globalização deste ano, o Brasil perde um posto e fica em 47º
lugar entre as 60 maiores economias no seu grau de internacionalização relativo
ao PIB. O país fica atrás de países como Romênia, Vietnã, Egito e Nigéria no
resultado de cinco indicadores refletindo a integração internacional dos
negócios: abertura ao comércio, movimento de capital, troca de tecnologia,
movimento dos trabalhadores e adaptação cultural.
Conforme Ernst & Young, o Brasil fica abaixo de média em todas as cinco
categorias. A China, a fábrica do mundo, mas que procura frear importações,
controla internet e manipula o câmbio, está em bem melhor posição no índice.
As economias mais globalizadas continuam a ser Hong Kong, Irlanda e Cingapura,
que não têm outra alternativa diante de seus mercados raquíticos. Uma
constatação tem mais sentido: a de que o protecionismo está aumentando. O
próprio fórum, em outro relatório, alerta que a vulnerabilidade do mundo a mais
riscos econômicos e turbulências sociais minam progressos trazido pela
globalização.
Desequilíbrios fiscais crônicos e forte disparidade de renda estão entre os
principais riscos para os próximos 10 anos, segundo o fórum. Alerta também para
ameaças de mais nacionalismo, populismo e protecionismo, num contexto em que o
mundo continua vulnerável a choques financeiros e problemas de alimentação e
água. (Valor Online – 23/01/2012)
A bordo do
transatlântico Brasil Entre os lugares-comuns da crônica
econômica, um clichê de sucesso garantido é a comparação de economias como a
brasileira a um transatlântico, navio moroso em suas mudanças de rumo, como
convém a embarcações de grande porte. Comparação meio marota, essa, nestes
tempos em que as manchetes do mundo inteiro se ocupam do naufrágio bizarro do
cruzeiro Costa Concórdia, afundado em noite de festa por uma manobra infeliz.
Nem o Brasil está tão, assim, festivo, nem seu comando merece comparação ao
capitão irresponsável do navio italiano. A presidente Dilma Rousseff, atenta,
andou até cobrando, neste fim de semana, mais eficiência a bordo.
O fascínio do naufrágio do Costa Concórdia, aliás, se presta menos a metáforas
políticas que ao roteiro de um caça-bilheterias hollywoodiano, com personagens
irresistíveis: a septuagenária que se salvou a nado; a ajudante de mágico
flagrada pelo desastre dentro de uma caixa; o violinista que morreu ao buscar
seu instrumento de estimação após socorrer dezenas de pessoas; o comandante
fanfarrão, que, além de incapaz de um ato de coragem após a manobra calamitosa,
chegou a pedir jantar para ele e uma bela senhorita da Moldávia quando já havia
destroçado a lateral do navio em um recife submerso.
Dilma quer que sua tripulação dê mais velocidade à economia
A economia brasileira pede comparações mais nobres. Sigmund Freud, fascinado
pelo gigantismo sublime dos mares, cunhou o termo "sentimento
oceânico" para descrever uma sensação humana primordial, o breve momento
em que a consciência ainda não faz diferença entre os limites do corpo e o
mundo que o cerca - sentimento delicioso de harmonia, logo rompido pelas
urgências corporais e do mundo externo, cheio de dores, prazeres e frustrações.
A metáfora freudiana é belíssima, mas se aplica melhor aos economistas
protegidos em suas ilusões de sapiência, confortados por modelos econômicos que
a realidade insiste em perfurar com seus arrecifes imprevistos.
Nem Freud explica por que jornalistas e analistas têm paixão pelas imagens
náuticas. No noticiário econômico, a macroeconomia exige âncoras firmes,
índices mergulham, economias afundam, icebergs mostram só suas pontas em contas
públicas, e, claro, de vez em quando surgem tsunamis e marolinhas, muito na
onda durante a recente crise mundial - onde a falta ou excesso de liquidez é um
dos elementos que costumam vir à tona.
Há limites evidentes para as comparações: enquanto um transatlântico de verdade
pode ter comandantes covardes que abandonam o navio e não voltam nem por uma
bronca da capitania dos portos, os navios metafóricos das economias e governos
estão repletos de oficiais que se recusam a desembarcar após jogar o barco em
direção à catástrofe. A história está coalhada desses comandantes que, após
afundarem a nau, sabiam ter garantido o resgate bem remunerado, em consultorias
insubmersíveis.
O que nos traz de volta à nave pilotada por Dilma Rousseff. A presidente parece
disposta a cobrar de sua tripulação um esforço para aumentar a velocidade com
que a economia brasileira vem transitando, ainda ao largo das águas mais
revoltas que castigam as praias europeias. Dilma sabe que não navegamos em mar
de almirante; já trabalhou na casa de máquinas, deve estar perturbada pelos
ruídos estranhos ouvidos pelos passageiros mais atentos, muitos deles experientes
lobos do mar (alguns mais para tucanos que para lobos, justiça seja feita à
metáfora).
Esticando só mais um pouco as alegorias navais, vale lembrar que Dilma também
guarda em seu diário o fracasso alarmista de alguns desses críticos, que
anunciaram o iminente naufrágio da economia, em uma espiral inflacionária,
quando o Banco Central fez um corte abrupto nas taxas de juros. Alexandre
Tombini, por ter pressentido a tempestade recessiva no horizonte, hoje é
respeitado por quem o criticava.
A popularidade recorde de Dilma com o pessoal de bordo não pode abafar as
sirenes de alerta. Sabe-se que ela quer medidas neste semestre para estimular o
consumo e, principalmente, os investimentos. Parece disposta a apertar as
contas públicas como forma de dar credibilidade a uma redução adicional dos
juros básicos da economia. Na sua carta de navegação, ainda falta traçar
claramente que mecanismos será capaz de pôr em movimento para assegurar o
crédito de longo prazo necessário a esses investimentos e, ao mesmo tempo,
evitar que o crescimento movido a consumo interfira na trajetória de queda gradual
da inflação.
O encontro ministerial de hoje, que se segue a intensas reuniões no fim de
semana, pode servir para mostrar se o governo está consciente dos escolhos
escondidos pela calmaria. Um deles é a ineficiência da ação pública para
sustentar o aumento da capacidade produtiva, problema bem descrito em artigo
dos economistas Júlio Sérgio Gomes de Almeida e José Roberto Afonso, no jornal
"Estado de S. Paulo" de sábado. É hora de redobrar a atenção ao
crédito bancário para negócios, ainda apoiado firmemente no financiamento
oficial alimentado pelo endividamento do Tesouro.
Nesses últimos três anos, em que o governo reagiu à crise fortalecendo a oferta
de crédito e ampliando - relativamente pouco - a sua dívida, os bancos privados
aumentaram seus empréstimos às empresas em apenas o equivalente a 0,4% do PIB,
calculam os economistas. Boa parte dos recursos bancários está
"presa" em compulsórios bem remunerados pelo Banco Central. Pode
estar na liberação desses recursos, com a criação de um mercado de dívidas
privadas, um dos roteiros garantidos para o regresso à terra firme. (Valor
Online – 23/01/2012)
G-20 ainda longe de
acordo sobre ajuda à Europa Sob pressão, países europeus
prometeram no G-20 reavaliar em março se reforçarão seu futuro Mecanismo de
Estabilidade Financeira (ESM, na sigla em inglês) como barreira de proteção
('firewall') contra contágio da crise da zona do euro a outros países, como os
parceiros vêm cobrando.
No entanto, o prazo foi considerado longo pelos países não europeus do grupo,
que reúne as maiores economias desenvolvidas e emergentes. E a tendência é
deixar para abril a definição de recursos para o Fundo Monetário Internacional
(FMI) aumentar sua capacidade de apoiar países em dificuldades, contrariando
planos da Europa.
Em reunião de vice-ministros de finanças, concluída na Cidade do México na
sexta-feira, o FMI reiterou que precisa obter US$ 600 bilhões adicionais para
elevar a US$ 1 trilhão sua capacidade de financiamento e cortar possível
contágio da crise.
Com os países da zona do euro tendo o desafio de refinanciar justamente mais de
€ 1 trilhão de dívidas que vencem este ano, e podendo ter de buscar parte dos
recursos no FMI, a Europa defendeu no G-20 que o fundo deveria ser fortalecido
em fevereiro, na reunião dos ministros de finanças e presidentes de bancos
centrais do grupo na capital mexicana.
O racha ficou claro, com os não-europeus reconhecendo a importância de o fundo
dispor de mais recursos, mas insistindo que a zona do euro precisa antes fazer
muito mais para ajudar suas próprias economias.
No mercado e entre parceiros, persistem dúvidas sobre a viabilidade do
'compacto fiscal' da zona do euro, o plano de ajuste a ser aprovado no dia 30.
Além disso, independentemente de uma restruturação da dívida da Grécia com os
bancos credores, a questão é como o contágio pode ser evitado em outras
economias, e qual afinal será a barreira de proteção para a Itália, a Espanha e
outras regiões.
"É preciso evitar possível contaminação, contágio a outros países",
afirmou o vice-ministro mexicano de Finanças, Geraldo Rodriguez. Para o representante
brasileiro, Carlos Márcio Cozendey, não tem sentido o FMI substituir as opções
dos europeus para resolver sua situação. Ele defendeu que os recursos
adicionais para o fundo devem ser em apoio, e não em substituição, a uma
estratégia contra contágio da crise.
Na zona do euro continua a reinar a confusão. O bloco definiu três formas de
'firewall' contra contágio da crise: 1) alavancar o Fundo Europeu de
Estabilidade Financeira (EFSF) para € 1 trilhão; 2) implementar seu sucessor, o
Mecanismo Europeu de Estabilidade (ESM) com capitalização de € 500 bilhões já
em julho deste ano, um ano antes do previsto; 3) os bancos centrais nacionais
fornecem € 200 bilhões ao FMI através de crédito bilateral, driblando a regra
do Banco Central Europeu de não emprestar aos governos nacionais, e também
transferem o risco de crédito para o balanço do FMI.
Mas a expectativa de um fundo europeu com € 1,5 trilhão contra a crise parece
otimista demais. Primeiro, a alavancagem do EFSF não se concretizou e o fundo
perdeu sua nota de crédito 'triplo A'. Segundo, os governos arrastam os pés
para capitalizar o ESM e a Alemanha não quer nem ouvir falar de aumentar seus
recursos. E, terceiro, os europeus divergem sobre sua própria contribuição ao
FMI.
O Bundesbank, o BC alemão, condiciona sua fatia à participação da Grã-Bretanha
com € 30 bilhões. Já os britânicos, que não fazem parte do euro, têm
dificuldades de passar de € 10 bilhões para o FMI.
Para analistas do Deutsche Bank, a real contribuição da zona do euro para o FMI
pelo momento seria próxima de 112 bilhões de euros, tirando as fatias da Itália
e da Espanha. Isso significa que a zona do euro precisará pedir mais dinheiro
para o FMI, ou aumentar os recursos para o EFSF/ESM.
Na reunião de fevereiro dos ministros do G-20, só devem ser aprovados a
modalidade de empréstimo para o FMI e certas exigência, inclusive aos europeus,
sobre o uso dos recursos na crise. Valores, só em abril. Mas tudo pode ser
acelerado. Muito depende de como o mercado se comportar e da velocidade de ação
dos europeus. (Valor Online – 23/01/2012)
Países pedirão mais
voz no fmi, diz príncipe saudita
A Arábia Saudita e outros países emergentes prósperos vão querer uma maior
influência nos afazeres do Fundo Monetário Internacional (FMI) em troca de uma
contribuição para os novos recursos do fundo para as nações europeias atingidas
pela crise financeira, afirmou o príncipe Turki al Faisal, membro da família
real saudita, segundo informações da Dow Jones. (Estadão – 23/01/2012)
Nicarágua e Brasil
constituem câmera de comércio Manágua - A Embaixada do Brasil e
empresários da Nicarágua constituíram uma câmera de comércio conjunta à que
chamaram Nicabras, para fortalecer as relações comerciais entre ambas as
nações, ressaltam hoje a mídia.
O presidente dessa câmera, Enrique Zamora, citado por El Nuevo Diario, explicou
que o projeto ficou conformado aproximadamente com 50 empresas.
Nicarágua tem recebido muitos benefícios do Brasil, agora tentamos fortalecer
mais essas relações e promover as exportações de produtos nicaragüenses para
esse país e a região do sul, manifestou.
Zamora, também gerente geral de Agropecuaria Lafise S.A., recordou que as
exportações nicaragüenses para o Brasil tanto quanto as importações se
incrementaram nos últimos anos.
Além de importantes investimentos que tem feito aqui o país sul-americano como
a do projeto hidrelétrico Tumarín, a relacionada com a manufatura de sapatos e
as zonas francas, entre outras.
Por sua vez, o embaixador do Brasil, Flavio Helmold, assegurou que há muito
potencial na Nicarágua, e o importante é procurar os produtos mais
interessantes para o Brasil e oportunidades para melhorar as relações sociais e
econômicas.(Prensa Latina – 22/01/2012)
Croácia faz
referendo para decidir se adere à União Européia Os eleitores da Croácia participam neste domingo (22) de um referendo para
decidir se irão se juntar à União Europeia. O país enfrenta elevado índice de
desemprego e outros problemas econômicos, e muitos croatas a acreditam que a
adesão à União Europeia poderá mitigar a atual crise.
Os os principais partidos políticos do país são a favor da adesão e pesquisas
de opinião mostram que a maior parte dos eleitores deve ratificar a entrada do
país no bloco.
Caso opte pela adesão, a Croácia será o segundo país da antiga Iugoslávia a se
juntar ao bloco. O primeiro foi a Eslovênia.
As outras quatro repúblicas que integravam a antiga Iugoslávia - Sérvia,
Montenegro, Macedônia e Bósnia - já manifestaram interesse em ingressar no
bloco. (Agência Brasil – 22/01/2012)
Custos e inovação
derrubam a indústria SÃO PAULO - A
indústria brasileira não tem só problemas conjunturais. Questões estruturais
podem, sim, fazer com que o setor perca competitividade. Enquanto a China tem
uma formação de capital bruto (soma de recursos disponíveis para investimento)
em torno de 43% do seu Produto Interno Bruto (PIB), o Brasil só chega a 20%.
"E precisa elevar isso a 29% se não quiser ter um atraso ainda
maior", diz o professor do MBA Profuturo da Fundação Instituto de Administração
(FIA), Carlos Honorato.
Segundo ele, o País
precisa ter uma visão mais estratégica de futuro se quiser continuar competindo.
"Claro que não dá para falar que já perdemos a guerra, mas também não dá
para continuar pensando que para tudo tem um 'jeitinho'", acrescenta.
Para o professor da FIA, o País tem um câmbio muito valorizado e custos pesados
demais para quem quer produzir. "Não é só a China que consegue ser
competitiva, é que o Brasil está mais caro", diz. O País empaca também
em quesitos fundamentais, como a falta de inovação e de formação de mão de obra
qualificada. "Há uma baixa formação da força de trabalho, com
analfabetismo funcional. Além disso, os esforços para reduzir o déficit de
pessoal mais qualificado ainda não surtiram os efeitos desejados, em termos do
aumento dos níveis de produtividade e qualidade na indústria", explica o
professor de Administração Industrial da Fundação Vanzolini, João Amato.
Recentemente o governo
adotou medidas, mas que são facilmente contestáveis na OMC, como o índice de
nacional de peças (local content), que está proibido pelas regras, segundo o
ex-ministro da Fazenda, Rubens Ricupero. "O jeito é enfrentar problemas
como o custo do capital, a questão do câmbio e os impostos. Coisas que dão
competitividade, não só aliviam." (DCI – 20/01/2012)
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