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Efeitos no Brasil
As incertezas relacionadas à crise financeira mundial devem levar à suspensão de decisões de novos investimentos no Brasil por um período, mas com manutenção dos que já estão em execução, prevê o coordenador do Grupo de Análise e Previsões do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) Marcelo Nonnenberg. "Esperamos que as decisões de novos investimentos sejam suspensas até o cenário ficar mais claro", afirmou. "Ainda não se descortina o fim da crise", disse o economista, na divulgação da Carta de Conjuntura Ipea de setembro.
Segundo Nonnenberg, o primeiro efeito da crise está sendo no câmbio. "Vamos ter efeito de desaceleração da economia", disse. Ele argumentou que tanto a desaceleração da economia mundial quanto a redução dos preços das commodities devem ter impacto negativo sobre as exportações brasileiras. No entanto, não houve até agora efeito sobre as exportações e Nonnenberg avalia que só a partir do ano que vem esses efeitos serão sentidos, inclusive em função de contratos já firmados com preços fixados para a exportação de commodities.
"Outro efeito que está aparecendo é a interrupção dos fluxos internacionais de crédito", comentou. Ele lembrou que as empresas estrangeiras remeteram mais lucros e dividendos para o exterior e saíram investimentos da Bolsa de Valores de São Paulo.(Correio Braziliense – 26/09/08) Mantega: PIB do Brasil pode crescer 4,5% em 2009
RIO - A economia do Brasil deverá crescer 4,5% em 2009, superando o crescimento mundial médio estimado em 2,5% a 3%, com base nos fundamentos macroeconômicos saudáveis e na continuidade do consumo e dos investimentos do País, disse o ministro da Fazenda, Guido Mantega, em entrevista a jornalistas estrangeiros no Rio de Janeiro.
"Em 2009, o mundo estará dividido em dois grupos; um, dos países que deram uma forte resposta à crise no crédito e outro, com uma resposta fraca", afirmou Mantega. "O Brasil será um dos mais fortes países." O ministro afirmou que a crise de crédito global não terminará com a adoção do pacote de ajuda ao mercado financeiro pelo Congresso dos EUA. "A crise vai durar enquanto existirem ativos ruins."
No entanto, o ministro opinou que o aperto no crédito deve ser "menos agudo" em 2009. Ele destacou que muitos bancos europeus ainda não revelaram toda a extensão de seus ativos ruins. "No Brasil, podemos retomar o forte crescimento novamente em 2010, embora isso ainda dependa em parte da velocidade com que os ativos ruins serão identificados no sistema mundial de crédito".
Mantega disse que o governo brasileiro está mantendo sua projeção de crescimento econômico de 5% a 5,5% para 2008. As informações são da agência Dow Jones. (O Estado de S. Paulo – 25/09/08) BB admite dificuldade para crédito externo
O presidente do Banco do Brasil, Antônio Lima Neto, admitiu que os bancos enfrentam maior dificuldade obter crédito externo com a crise internacional, mas assegurou que o BB vai continuar renovando as linhas de financiamento de comércio exterior. Segundo ele, não há "luz vermelha" para as linhas do BB e a situação está sobre controle.
"No que diz respeito às linhas externas para financiamento de comércio exterior, existe estreitamento de prazo e cotação de lotes menores do que vínhamos cotando, mas está sob controle. Não temos nada de luz amarela, de luz vermelha." Lima Neto comentou ainda as medidas adotadas ontem pelo Banco Central para prover liquidez ao mercado, observando que, no caso do BB, elas terão efeito "residual".
O presidente do BB disse que a instituição continua atendendo à necessidade das empresas. Ele evitou, porém, fazer previsões sobre quando as linhas externas se normalizarão. "Estamos dependendo da captação lá fora. O momento - vocês hão de convir - é de uma situação bastante difícil, mas o BB continua atendendo. Nós somos líderes no financiamento do comércio exterior e, a princípio, neste momento, dá para atender, mas vamos continuar observando e renovando as linhas", disse ele, que se reuniu ontem com o ministro da Fazenda, Guido Mantega.
Segundo Lima Neto, não está difícil administrar a situação de maior restrição de crédito, porque o banco tem boa base de captação no País, e é a maior instituição financeira do País em crédito e depósitos. "A liquidez interna para o BB está extremamente tranqüila. O comércio exterior tem esse fato, que independe de nós, mas o Banco do Brasil administra muito bem a situação, e temos conseguido atender", acrescentou.
Segundo o presidente do BB, as linhas domésticas estão "perfeitas". Na avaliação de Lima Neto, a elevação das taxas de financiamento é "natural". Ele disse, no entanto, que essa alta "não pode ser caracterizada como forte, dado o estreitamento de prazo e o esgotamento das linhas".
Lima Neto comentou também a agressividade dos grandes bancos, que estão oferecendo rentabilidade mais alta para aplicações em CDB e disse que o importante, nesse mercado, é uma boa rede de captação. "A captação de varejo tem-nos ajudado, é do negócio tradicional do Banco do Brasil. Nós temos conseguido transitar muito também nesse aspecto."
O executivo também informou que as negociações para a aquisição da Nossa Caixa ainda não estão fechadas. " Permanecemos em conversas e negociações."(O Estado de S. Paulo – 25/09/08) União Européia define acordo para imigração seletiva
Pacto proposto regulamenta a escolha de imigrantes de acordo com necessidade trabalhista dos países
BRUXELAS - O Conselho de Ministros da União Européia (UE) fechou nesta quinta-feira, 25, um acordo no pacto sobre a imigração e asilo, que busca limitar a chegada de imigrantes ao estritamente necessário para o mercado de trabalho. O acordo, que será aprovado formalmente pela cúpula de líderes da UE em 15 e 16 de outubro, opta por uma imigração seletiva, controlada de acordo com as necessidades trabalhistas e a capacidade de integração do país de amparada, e com firmeza total contra os imigrantes ilegais e sem regularizações maciças.
O texto, apoiado de forma unânime pelos 27 países da UE, busca dar um novo impulso para uma política comum de imigração e asilo que leve em conta o interesse coletivo da UE, ao considerar "imprescindível" que cada Estado-membro leve em conta o resto do bloco ao aprovar suas políticas no assunto. O pacto, um dos principais objetivos da Presidência francesa da UE deste semestre, tem cinco pontos básicos: organizar a imigração legal de acordo com as necessidades e a capacidade de amparada, combater a imigração ilegal e expulsar os irregulares, fortalecer os controles fronteiriços, aumentar a cooperação com os países de origem e melhorar o sistema de asilo.
"A União Européia não dispõe de meios para receber dignamente todos os emigrantes que esperam encontrar uma vida melhor", indica o pacto. Por isso, indica que a gestão da imigração na UE deve levar em conta a situação do mercado de trabalho, assim como os recursos disponíveis em matéria de alojamento, saúde e educação.
Cada país do bloco determinará as condições de admissão a seu território e fixará o número de imigrantes que pode receber, em função das necessidades do mercado de trabalho. O pacto afirma que os países da UE promoverão a integração dos imigrantes, buscando o equilíbrio entre seus direitos (acesso à educação, ao trabalho e aos serviços públicos e sociais) e deveres (respeito às leis do país de amparada), com medidas específicas para facilitar a aprendizagem da língua e o acesso ao emprego.
Além disso, defenderá o respeito da identidade dos países do bloco e da própria UE, assim como de seus valores fundamentais (como direitos humanos, liberdade de opinião, tolerância, igualdade entre homens e mulheres e escolarização obrigatória das crianças). Também impulsionará a admissão de trabalhadores qualificados e favorecerá a imigração temporária, para evitar a fuga de cérebros.
No entanto, os mecanismos de reagrupamento familiar levarão em conta os recursos e condições de residência, assim como o conhecimento do idioma do país de amparada. Os imigrantes em situação irregular terão que deixar o território da União Européia e as regularizações serão feitas caso a caso. Para conseguir as repatriações, haverá a tentativa de estabelecer acordos de readmissão com os países de origem, com os quais também será reforçada a cooperação para combater o tráfico de pessoas.
Além disso, no início de 2012, no máximo, serão implantados os vistos com informação biométrica, e até esta data também terá que estar funcionando um registro eletrônico de saídas e entradas na UE. O pacto estabelece também que sejam reforçados o papel e os recursos da Frontex, a agência européia de controle de fronteiras.(O Estado de S. Paulo – 25/09/08) Exportadores não conseguem renovar ACCs
grande maioria das empresas exportadoras brasileiras não tem conseguido renovar as operações de Antecipação de Contrato de Câmbio (ACC) feitas nos últimos 180 dias e agora vencendo. Alegando falta de liquidez, provocada pela crise financeira internacional, os bancos estrangeiros têm deixado de emprestar dólares ou euros para os bancos brasileiros repassarem o equivalente em reais às exportadoras. Sem esse crédito que é usado para o capital de giro, as empresas não têm como financiar a produção das exportações futuras.
"Isso é que nem um conta-gotas: a cada dia afeta mais empresas, agravando a situação", diz Roberto Giannetti da Fonseca, diretor do Departamento de Relações Internacionais e Comércio Exterior da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp).
Os ACCs são a modalidades de financiamento a exportações mais difundidas no mercado. Eles respondem historicamente por mais da metade do volume de câmbio contratado. O exportador recebe antecipação, parcial ou total, em moeda nacional do valor equivalente à quantia em moeda estrangeira comprada a termo pelo banco, descontada a uma taxa de juros internacional à qual é somado o spread que embute o risco da operação. Essa antecipação de recursos representa importante incentivo à exportação, na medida em que dá meios ao exportador para custear o processo de industrialização e de comercialização a taxas inferiores às do mercado doméstico.
"Se ficarmos três meses sem ACCs, a conseqüência será gravíssima nas exportações brasileiras", ressalta Giannetti da Fonseca. Segundo ele, a taxa dessas operações, que antes era de 3% a 4% ao ano, hoje está em 9% a 11%, e só para empresas que oferecem baixíssimo risco de crédito.
Para resolver o problema, a Fiesp propôs na terça-feira ao Banco Central (BC) usar US$ 20 bilhões das reservas internacionais do País (hoje em mais de US$ 200 bilhões), para que os bancos brasileiros com agências no exterior tenham capacidade de reemprestar aos exportadores. "Isso não representa nenhum risco, pois o BC vai estar correndo o risco dos bancos, risco que hoje ele já tem de forma sistêmica."(O estado de S. Paulo – 25/09/08) Remessa e importação elevam projeção para o déficit externo
Graças ao aumento nas remessas de lucros ao exterior e ao crescimento das importações, o Banco Central elevou de US$ 25 bilhões para US$ 28,8 bilhões sua projeção para o déficit em transações correntes deste ano. O indicador contabiliza todas as negociações de bens e serviços do Brasil com outros países.
Até agosto, o saldo acumulado estava negativo em US$ 20,6 bilhões. Confirmada a estimativa do BC, será o primeiro déficit externo do país desde 2002. Para 2009, espera-se déficit maior -de US$ 33,1 bilhões.
O BC foi surpreendido tanto pela balança comercial quanto pelo volume de dinheiro enviado para fora do país por multinacionais instaladas no Brasil. Em 2007, quando fez pela primeira vez as projeções para as contas externas em 2008, a instituição estimava que as remessas de lucros fossem ficar em US$ 16,8 bilhões. Ontem, essa previsão foi revista pela quarta vez, para US$ 33 bilhões.
"Vários setores estão remetendo para cobrir resultados negativos de suas matrizes", diz o chefe do Departamento Econômico do BC, Altamir Lopes, ao se referir às remessas feitas neste ano por bancos e montadoras de veículos. Juntos, esses setores enviaram US$ 6,5 bilhões ao exterior entre janeiro e agosto (mais 45% em relação a igual período de 2007).
Já o superávit da balança comercial, que no ano passado era estimado em US$ 34 bilhões, deve ficar agora em US$ 25 bilhões, de acordo com nova previsão. Isso porque as importações, em vez de crescerem 16% como previsto no final de 2007, devem crescer 43% neste ano.
Em 2009, a situação deve se agravar devido à queda ainda maior no superávit comercial, que, segundo o BC, deve ficar em US$ 17 bilhões, o que explica boa parte do aumento do déficit em transações correntes para US$ 33,1 bilhões.
Além disso, em 2009 é esperado volume maior de vencimentos da dívida externa, cujas parcelas a serem pagas somam US$ 28 bilhões (US$ 25,7 bilhões neste ano), já considerados os compromissos tanto do governo como do setor privado.
Por outro lado, o economista Antônio Corrêa de Lacerda, professor da PUC-SP, ressalta que também há fatores positivos a serem considerados nessa análise. Um deles é a própria desaceleração da economia brasileira esperada para o ano que vem, reflexo tanto do desaquecimento da economia mundial como dos recentes aumentos da taxa Selic.
Essa desaceleração, diz Lacerda, ajuda a conter as importações e impede um aumento maior do déficit em transações correntes. "O risco é o BC errar a mão nos juros, o que poderia levar a uma queda muito mais forte no nível de atividade."(Folha de S. Paulo – 24/09/08) Governo prevê desaceleração das exportações globais em 2009
Enquanto a maior parte do governo espera reflexos quase imperceptíveis da crise norte-americana no Brasil, o secretário de Comércio Exterior, Welber Barral, avaliou ontem que "ninguém sairá incólume" da turbulência e que as exportações de todo o mundo tendem a arrefecer em 2009.
"Ninguém sairá incólume de uma crise como essa, de outro lado haverá uma desaceleração das exportações mundiais", assinalou Barral.
Na terceira revisão da meta de exportações deste ano, o governo elevou ontem a estimativa de US$ 190 bilhões para US$ 202 bilhões. Em novembro passado, a primeira meta divulgada foi de US$ 172 bilhões.
A nova meta, que o mercado espera ver superada com folga, representa alta de 25,7% nas exportações em relação ao ano passado, quando o Brasil vendeu US$ 160,65 bilhões em produtos ao exterior.
Segundo a OMC (Organização Mundial do Comércio), as exportações mundiais cresceram 5,5% no ano passado em relação a 2006. Se confirmada a previsão do governo, as exportações brasileiras terão crescido mais do que as vendas de todos os países desenvolvidos e chegam a superar até mesmo as da China.
O governo espera que as exportações reduzam, até o fim do ano, o ritmo de alta de 27,7% -registrado de janeiro a agosto- para 22,2%. Nesse cenário, as exportações de 2008 serão US$ 41,35 bilhões superiores ao ano passado, alta de 25,7%.
Segundo Barral, o ajuste no câmbio leva "de 90 dias a 120 dias" para afetar as exportações e espera que o dólar mais caro ajude a competitividade da indústria brasileira no ano que vem. Já o analista Francisco Pessoa, da LCA Consultores, estima exportações de US$ 208 bilhões neste ano.
Commodities
Ao traçar a nova meta de exportações, a equipe do Ministério do Desenvolvimento partiu da premissa de que as commodities vão continuar em alta neste ano.
Barral refutou a tese de que os preços vêm caindo e disse que, na verdade, as cotações estacionaram em patamares superiores aos do ano passado. Analisando os preços de exportação de 25 produtos, é possível verificar que todos apresentaram aumento, exceto o suco de laranja congelado.
Para Mateus Zanela, da CNA (Confederação Nacional da Agricultura e Pecuária), "os preços das commodities agrícolas vão continuar elevados" no ano que vem.
Em relação à meta de exportações para 2009, Barral disse que é cedo para previsões.(Folha de S. Paulo – 24/09/08) Na ONU, Lula critica mercados e Bush
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva pediu ontem, na abertura da 63ª Assembléia Geral da ONU, maior participação de órgãos multilaterais na regulação dos mercados financeiros. Ele fez críticas ao que chamou de "anarquia especulativa" e ao breve comentário sobre a crise feita pelo presidente dos EUA, George W. Bush, o segundo líder a discursar.
"Eu lamentei, porque eu imaginei que o presidente Bush, na última aparição dele nas Nações Unidas, (...) falaria um pouco da crise econômica, ou seja, o que o governo americano pretende fazer", disse.
"Mas ele fez a opção por voltar a falar de terrorismo e eu, obviamente, como sou defensor da liberdade dos povos e da soberania dos discursos dos presidentes, eu fui obrigado, então, a ficar quieto. Eu esperava que ele fosse falar da crise econômica, que eu acho que era a coisa mais importante neste momento, que ele pudesse citar a dificuldade que está encontrando na Rodada Doha, mas de qualquer forma, gente, cada um faz o seu pronunciamento."
Discursando logo após a fala de abertura do secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, Lula criticou a desregulamentação do mercado financeiro e pediu mais autoridade para organismos econômicos supranacionais (como o Banco Mundial) "para coibir a anarquia especulativa", já que, para ele, "a ausência de regras favorece aventureiros e oportunistas, em prejuízo das verdadeiras empresas e dos trabalhadores".
"A euforia dos especuladores transformou-se em angústia dos povos após a sucessão de naufrágios financeiros que ameaçam a economia mundial.
As indispensáveis intervenções do Estado, contrariando os fundamentalistas do mercado, mostram que é chegada a hora da política. Somente a ação determinada dos governantes, em especial naqueles países que estão no centro da crise, será capaz de combater a desordem nas finanças internacionais", afirmou o presidente.
Lula usou o pedido de esforços conjuntos no combate à especulação desenfreada para defender maior cooperação entre os países, para que se encontrem soluções para outras crises mundiais, como a energética e a ambiental. Ele também voltou a defender a ampliação do Conselho de Segurança da ONU, o álcool de cana-de-açúcar, a Rodada Doha e o estreitamento entre nações do hemisfério Sul em parcerias e acordos que não necessariamente envolvam os países desenvolvidos do Norte.
Imigração
Suas críticas mais contundentes, entretanto, foram sobre a política mundial de imigração. O presidente não citou nominalmente a Diretiva de Retorno, lei aprovada pela União Européia em junho que estabelece punições mais rígidas a imigrantes ilegais, mas se referia a ela.
"O Muro de Berlim caiu. Sua queda foi entendida como a possibilidade de construir um mundo de paz, livre dos estigmas da Guerra Fria. Mas é triste constatar que outros muros foram se construindo. E com enorme velocidade. Muitos dos que pregam a livre circulação de mercadorias e capitais são os mesmos que impedem a livre circulação de homens e mulheres, com argumentos nacionalistas -e até racistas- que nos fazem evocar -temerosos- tempos que pensávamos superados."(Folha de S. Paulo – 24/09/08) Importar é o que importa?
Há 30 anos o slogan "exportar é o que importa" sintetizava o objetivo de nosso comércio exterior e a própria política industrial brasileira, ao estabelecer como prioridade a inserção do País no comércio mundial via exportação de bens e serviços brasileiros.
A importação era, então, apenas um instrumento necessário para complementar a produção nacional, deixando para a exportação o papel de fomentar o crescimento da competitividade por meio de ganhos de escala e do aumento da qualidade e do conteúdo tecnológico dos produtos brasileiros, condições necessárias para atender a mercados mais exigentes e sofisticados.
Trinta anos depois, parece que o slogan foi invertido não só porque a inserção foi principalmente financeira, mas também porque o avanço tecnológico aparentemente passou a ser responsabilidade da importação. É o que se deduz ao ouvirmos de autoridades do governo e de boa parte dos comentaristas econômicos frases do tipo: a redução do saldo da balança comercial é, em boa parte, "culpa" do aumento da importação de máquinas - seguida do corolário. No fundo, isso é bom porque significa que o País está investindo muito e modernizando seu parque industrial.
A repetição dessas "pérolas", desde o governo FHC, sem contestação, transforma em verdades convenientes afirmações que não resistem a uma análise da balança comercial brasileira.
Comparando o primeiro semestre de 2008 ante 2007, os números mostram que a importação de bens de capital (US$ 16,3 bilhões) cresceu abaixo da média dos demais setores (46,4% e a média foi de 51,8%).
Se excluirmos da conta de bens de capital aqueles destinados ao consumo e nos concentrarmos nas máquinas e equipamentos de produção, o quadro muda bastante. A participação de máquinas na importação total cai de 20% para 12,5%. O volume importado se reduz a US$ 10 bilhões, o mesmo patamar das importações de bens de consumo e bem abaixo da conta petróleo e combustíveis (US$ 14,6 bilhões) - aliás, que fim levou nossa auto-suficiência? -, itens que certamente não ajudam a modernizar o País.
Vale ressaltar que as importações de máquinas não dimensionam, quando tomadas isoladamente, o investimento produtivo. Para tanto, o que interessa é o "consumo aparente" de bens de capital, ou seja, o volume de máquinas novas, importadas ou nacionais que vem ampliar o parque produtivo brasileiro.
Os números do consumo aparente dos últimos dez anos mostram uma saudável tendência de crescimento que esperamos não seja abortada pela política de aumento de juros do Banco Central (BC). Mas ainda não são satisfatórios, pois representam apenas 3,3% do PIB e 20% da Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF).
Seria desejável que sua fatia fosse cerca de 30% da FBCF, que por sua vez deveria responder por mais de 25% do PIB para permitir ao País um crescimento sustentado superior a 5% ao ano. Isso significa que a participação dos bens de capital no PIB deveria ser da ordem de 7% a 8%, muito longe dos atuais 3,3% já atingidos em 2001 e 2002. Logo, não são certamente as importações de máquinas as responsáveis pela forte redução do saldo da balança comercial.
Vamos deixar claro que essas importações são bem-vindas sempre que complementarem a produção nacional, e não vierem substituir a produção local apenas por questões de preços distorcidos por um câmbio irreal, como ocorre hoje com a maioria dos bens de capital importados, pois, neste caso, elas não aumentam os investimentos, mas apenas substituem a produção nacional. Na hipótese desejável de chegarmos mais perto da situação de nossos concorrentes internacionais e virmos a dobrar o consumo aparente de máquinas e equipamentos - e se este aumento for feito principalmente por meio das importações diante da falta de isonomia competitiva com os produtos importados -, aí, sim, teremos bons motivos para nos preocuparmos com a balança comercial.
Segundo dados do próprio governo, a deterioração do saldo da balança comercial é generalizada na indústria de transformação, principalmente nos setores de alta e média intensidades tecnológicas.
A responsabilização da importação de máquinas por esta situação é uma tentativa inconsistente de encobrir as conseqüências da política de juros altos e da exagerada valorização do real. Se o jogo é achar culpados, os gastos do governo e principalmente o BC são candidatos muito mais fortes que a indústria nacional.(O Estado de S. Paulo – 24/09/08) MDIC eleva projeção de exportação para US$ 202 bi
Mesmo com um cenário de retração da economia mundial, o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior aumentou ontem de US$ 190 bilhões para US$ 202 bilhões a previsão de exportações para 2008. Foi a terceira revisão desde o anúncio da meta inicial, de US$ 172 bilhões. Se alcançada a meta, as vendas externas irão crescer 25,7% este ano. O Ministério do Desenvolvimento projetou uma média mensal de US$ 17,79 bilhões de exportações entre setembro e dezembro.
O secretário de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Welber Barral, disse que a valorização do dólar frente ao real nas últimas semanas não foi considerada no novo cálculo. A meta leva em conta o comportamento dos preços das commodities e os contratos de exportação já assinados. "O dólar dará mais competitividade aos produtos brasileiros, mas o seu efeito não deve ser sentido no curto prazo", previu Barral. Para ele, o efeito deve ser mais rápido nas importações, que são desestimuladas, principalmente, na compra de serviços no exterior, como o turismo.
Barral avaliou que os preços das commodities continuarão acima dos praticados em 2007 e se manterão estáveis nos próximos meses. Para o secretário, há muito exagero nas avaliações de que os preços estão despencando. Ele atribui a queda nos preços nas últimas semanas à saída de capital especulativo de fundos de commodities.
"Mesmo depois de desinflada a bolha, os preços ainda estão muito mais elevados do que em 2007. Isso ocorre por causa do aumento da demanda", avaliou o secretário, lembrando que alguns alimentos como carne bovina e óleo de soja continuam com tendência de alta. Barral disse que não espera nova queda substancial nos preços das commodities. O Ministério espera ainda aumento das exportações de aeronaves, de telefones celulares, tratores e caminhões e dos embarques de petróleo.
O vice-presidente da Associação de Comércio Exterior (AEB), José Augusto de Castro, afirmou que a nova previsão é bastante viável. Segundo ele, para atingi-la, as vendas externas devem ter uma média diária de US$ 780 milhões até o fim do ano, abaixo da média atual de US$ 930 milhões. A projeção de exportações da AEB para 2008 é de US$ 197 bilhões. O economista chefe da MB Associados, Sérgio Vale, disse que o governo foi conservador. A consultoria também revisou ontem a sua projeção e a elevou para US$ 207,3 bilhões.
Barral disse que 2008 foi um ano "surpreendente" para as vendas externas. Segundo ele, o Ministério projetava, no fim de 2007, uma queda nas exportações para os Estados Unidos, o que não ocorreu. Ao contrário, em 2008, subiram 14%, de janeiro a agosto, em relação a igual período de 2007. O secretário comentou que não houve queda nas vendas brasileiras para nenhum mercado este ano. As exportações cresceram 68% para a China, 35% para a Argentina e 25,8% para a União Européia.(O Estado de S. Paulo – 24/09/08) Meta de exportação vai a US$ 202 bi
Surpreendido pela resistência dos altos preços de commodities como carne, ferro-gusa e óleo de soja, o governo, pela quarta vez neste ano, alterou ontem a meta de exportações de 2008, de US$ 190 bilhões para US$ 202 bilhões, quase 26% acima do resultado de 2007. "Há muito exagero quando se fala que estão despencando os preços das commodities", comentou o secretário de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Welber Barral, ao anunciar oficialmente a nova meta. A maioria dos produtos básicos com importância no comércio externo está com preços acima dos níveis de 2007. Ruy Baron/Valor
A nova meta reflete, principalmente, os altos preços dos produtos básicos e, em menor medida, o aumento no volume das exportações de produtos como o minério de ferro. Barral disse que as estimativas do ministério ainda não levam em conta a recente valorização do dólar em relação ao real, que torna os custos dos exportadores menores, em moeda estrangeira, e aumenta a competitividade das exportações. Ele comentou ser cedo para fazer previsões em relação a 2009, ou sobre o comportamento futuro do dólar que, segundo admitiu, pode voltar a patamares inferiores a R$ 1,70, como em meados do ano.
Segundo Barral, o bom desempenho das exportações de aeronaves, telefones celulares e tratores e caminhões também pesou na decisão de ampliar a meta de exportações. As vendas de aeronaves da Embraer passaram de 166 para 200 unidades neste ano, as exportações de tratores e caminhões aumentaram 15% em volume, até agosto, e, após cair 32% de 2006 para 2007, o volume de celulares exportados cresceu 7%, principalmente para os países da América Latina, para onde vão os aparelhos com tecnologia 3G.
"É uma meta totalmente factível", comentou o secretário-executivo da Associação Brasileira de Exportadores (AEB), José Augusto de Castro. As exportações já somam US$ 130,8 bilhões até agosto, e, para chegar à nova meta, será necessário manter uma média diária de exportações de US$ 780 milhões, calcula o economista. "Em setembro, a média já está acima de US$ 900 milhões, o que garante a realização da meta com alguma folga."
Para o governo a queda nos preços das commodities desde o início do ano é reflexo principalmente do "estouro da bolha" especulativa nos mercados de commodities. "Mesmo depois de desinflados, os preços estão bem maiores do que estavam no ano passado", notou Barral. A maior variação foi registrada nos preços da carne bovina, 101% acima, em setembro, do que no mesmo mês de 2007. O ferro-gusa está com preço 91% maior, o óleo de soja em bruto, 73,3%. O único produto a ter queda de preço, entre 25 principais commodities exportadas, foi o suco de laranja, que caiu 13,6%.
"É a demanda de 700 milhões de pessoas passando ao mercado consumidor", comentou Barral. O otimismo em relação às exportações reflete o êxito da estratégia de diversificação de mercados consumidores dos produtos brasileiros, comemorou o secretário, ao divulgar os dados deste ano sobre crescimento de vendas para a China (68%), Europa Oriental (48%) e África (35%). As vendas para a União Européia vêm crescendo 25,5%. "A demanda, principalmente de alimentos, deve manter o patamar", prevê o secretário.
"Isoladamente, o número é muito bom, mas o Brasil, pelo tamanho da sua economia, tem potencial para exportar bem mais", comenta José Augusto de Castro. Entre as dez maiores economias do mundo, o Brasil é a única que não está também entre os dez maiores exportadores.(Valor Econômico – 24/09/08) O Brasil e a turbulência global
O agravamento da crise oriunda do mercado subprime norte-americano traz à tona o debate sobre os possíveis impactos na economia brasileira. Não sem razão. Primeiro, porque, com a economia cada vez mais globalizada, o efeito contágio entre os mercados se amplia; segundo, porque, em nossa experiência histórica, sempre que havia uma turbulência internacional isso diretamente implicava instabilidade e um freio no crescimento do Brasil, com a chamada restrição externa ao crescimento.
Vale uma primeira consideração a respeito da profundidade e extensão dessa crise. Ninguém sabe ao certo até que ponto a turbulência pode chegar, porque isso depende de vários fatores: qual o sucesso das medidas adotadas pelos governos e bancos centrais, como reagem empresários, consumidores e investidores, entre outras variáveis. A economia não vive só de fatores concretos e objetivos, mas também de aspectos subjetivos e comportamentais - as expectativas.
A economia norte-americana goza do privilégio de ser emissora exclusiva do dólar, ainda a moeda de referência internacional, que concentra cerca de 75% de todas as transações mundiais e em torno de 65% das reservas cambiais dos bancos centrais dos demais países, estimadas em US$ 7 trilhões. A despeito da crise, o dólar e os títulos emitidos pelo Tesouro norte-americano seguem exercendo o papel de refúgio para as aplicações. Isso significa um importante trunfo para a recuperação da crise norte-americana. Outro fator importante é a extraordinária capacidade de inovação das empresas e do mercado financeiro daquele país, o que também poderá amenizar e encurtar a instabilidade, dependendo ainda dos fatores já apontados.
No entanto, até lá, devem mesmo prevalecer a volatilidade dos mercados, o encurtamento e encarecimento do crédito e suas conseqüências sobre bancos e empresas, afetando a economia real. O crescimento dos países emergentes, embora em ritmo menor do que nos anos recentes, deve também contribuir para amenizar os impactos negativos advindos das economias centrais.
Para o Brasil, a grande mudança estrutural veio da substancial diminuição da dependência do petróleo. Isso se deveu a um bem-sucedido programa de ampliação da produção de petróleo, assim como a mudança na matriz energética, com a incorporação do etanol e de outras energias renováveis. Nossa dependência de importação de petróleo, que era de 90% do consumo interno nos dois choques da década de 70, foi reduzida a apenas 5% nos tempos atuais.
Outra mudança veio da diversificação dos destinos de exportações. O Brasil ainda exporta pouco pelo seu porte e depende excessivamente de commodities. No entanto, um fator positivo é que houve uma significativa diversificação de destinos das exportações. Apenas 15% se destinam aos EUA, enquanto 25% vão para a Europa, 20% para a América Latina e 15% para a Ásia, destacando os principais. Bem ao contrário do México, que dirige 90% das vendas externas para o mercado norte-americano.
Nas contas externas brasileiras houve uma melhora expressiva, o que diminuiu nossa vulnerabilidade. Nesse ponto, os anos de superávit em conta corrente - aliás, em má hora revertido, o conforto de US$ 207 bilhões de reservas e a relativamente pequena dívida externa pública representam defesas importantes. No lado fiscal, a dívida interna, além de ter sido reduzida dos 57% para 41% do PIB, nos últimos sete anos, também teve zerada a sua parcela de títulos cambiais, que sempre implicaram ônus em períodos passados de instabilidade cambial.
Feitas essas ressalvas, o efeito da crise se dará, como já ocorre, no mercado de capitais, com a reprecificação de ativos e nos fluxos de capitais. O crédito ficará mais escasso, assim como as exportações serão afetadas pela queda da demanda e dos preços internacionais das commodities. Os 6% de crescimento do PIB no primeiro semestre inevitavelmente serão reduzidos, embora não se espere uma parada brusca, mas uma diminuição de ritmo. Sem esquecer que a qualidade da gestão e a calibragem da política macroeconômica também serão determinantes, ainda mais em mares turbulentos...(O Estado de São Paulo – 23/09/08) Superávit de US$ 839 milhões
A balança comercial da terceira semana de setembro (dias 15 a 19) registrou um superávit de US$ 839 milhões. No período, as exportações somaram US$ 4,355 bilhões (média diária de US$ 871 milhões) e as importações totalizaram US$ 3,516 bilhões (média diária de US$ 703,2 milhões). Com o resultado, até a sexta-feira da semana passada (dia 19), o superávit acumulado no mês atingiu US$ 2,391 bilhões e, no ano, US$ 19,298 bilhões. O superávit da terceira semana de setembro é 102,6% maior que o apurado no mesmo período de 2007, quando atingiu US$ 414 milhões. Mas na comparação com a semana anterior (de 8 a 12 de setembro), quando o saldo foi de US$ 1,257 bilhão o superávit da terceira semana é 33,25% menor. (Correio Braziliense – 23/09/08) Superávit de setembro já supera US$ 2 bi
A balança comercial brasileira registrou exportações de US$ 4,355 bilhões e importações de US$ 3,516 bilhões na terceira semana de setembro. A diferença entre os valores resultou em um superávit de US$ 839 milhões. Segundo o Ministério do Desenvolvimento, com esse resultado, o superávit acumulado no mês chegou a US$ 2,391 bilhões. O saldo é 12,9% menor que o superávit registrado em todo o mês de setembro do ano passado na comparação da média diária. Em relação à média de agosto, houve um aumento de 47,5%. No mês, a média diária das exportações caiu 0,9% em relação a agosto e subiu 25% em relação ao mesmo período de 2007.(Jornal do Brasil – 23/09/08) Balança: terceira semana tem superávit de us$ 839 mi
A balança comercial registrou exportações de US$ 4,355 bilhões e importações de US$ 3,516 bilhões na terceira semana de setembro, com um superávit de US$ 839 milhões.
Segundo o Ministério do Desenvolvimento, o superávit acumulado no mês é de US$ 2,391 bilhões, 12,9% menor que o de setembro de 2007. No ano, o saldo é de US$ 19,298 bilhões, 34,3% menor que o saldo médio diário do mesmo período em 2007.(Folha de S. Paulo – 23/09/08) Balanço
US$ 839 milhões foi o superávit comercial na terceira semana de setembro. As exportações de matéria-prima subiram 50,5%, semifaturados, 37,8% e manufaturados, 5,6%.
US$ 2,39 bilhões é o saldo da balança acumulado no mês, até agora. No acumulado do ano, o superávit está em US$ 19,3 bilhões com média diária de
US$ 689,7 bilhões
SETOR ELÉTRICO
Crise deve atrasar abertura de capital
O presidente da Associação Brasileira de Concessionárias de Energia Elétrica, Evandro Coura, disse ontem que a turbulência no setor financeiro deverá adiar em dois ou três anos os planos de novas aberturas de capital no setor elétrico. "A liquidez internacional deverá ser menor, mas deverá voltar em pouco tempo." Ele disse que eventual escalada do dólar pode afetar investimentos na construção de usinas termoelétricas, que usam mais componentes importados. No entanto, segundo Coura, tudo leva a crer que a forte intervenção do governo americano conseguirá estancar a crise, antes que ela chegue com força ao Brasil.(O Estado de S. Paulo – 23/09/08) Bolsas na Ásia e na Europa caem com indefinição nos EUA
As principais bolsas da Ásia fecharam em queda nesta terça-feira em meio a incertezas sobre a aprovação do plano do governo americano para socorrer o mercado financeiro.
As bolsas européias seguiram a tendência de queda, abrindo em baixa nesta terça-feira. O índice FTSE, da bolsa de Londres, recuava 1,59 % às 9h30 (5h30, hora de Brasília).
Em Paris, o Cac 40 acumulava perdas de 1,37% e em Frankfurt, o índice DAX caía 0,57%.
A tendência negativa na Ásia foi sentida da Austrália à Índia e afetou centros financeiros importantes como Hong Kong e Cingapura.
Em Sydney, o índice de todas as ações ordinárias (AORD) encerrou o pregão em menos 1,83%, enquanto que o Hang Seng de Hong Kong concluiu o dia em menos 3,87%. O SSE Composite de Xangai registrou perdas de 1,56%.
Próximo do fechamento, o Straits Times de Cingapura operava em queda de 2,3%.
Por volta do meio-dia do horário local (3h30 de Brasília), o Sensex de Mumbai marcava 1,39% no negativo.
As bolsas do Japão estão fechadas por causa de um feriado nacional.
Tendência
A tendência negativa na Ásia acompanha o mau desempenho do mercado americano na segunda-feira, quando o índice Dow Jones fechou em baixa de 3,3%, revertendo a alta observada na sexta-feira.
Nos últimos dias o setor financeiro dos Estados Unidos testemunhou grande tumulto e oscilações vertiginosas com a quebra de grandes bancos e reações contraditórias de cautela e euforia entre os investidores.
Na véspera do fim de semana os índices de Nova York subiram em forte escalada, porém, voltaram a tombar na segunda-feira, quando os investidores fugiram das ações e foram se refugiar em commodities, consideradas mais "sólidas" em tempos de incerteza.
Petróleo, ouro e outros metais tiveram grande procura na segunda-feira, que registrou a maior alta no preço do petróleo em um único dia.
O barril com entrega para outubro encerrou o pregão em US$ 120,92, um salto de US$ 16,37 em relação ao valor registrado no fechamento na sexta.
Ansiedade
Agora os mercados aguardam com ansiedade pelos desdobramentos políticos do plano de socorro ao sistema financeiro anunciado pelo secretário do Tesouro, Henry Paulson, e os líderes do Congresso americano na semana passada.
O pacote de auxílio prevê mais de US$ 700 bilhões ao mercado financeiro.
Entretanto, há muita expectativa sobre se os democratas e republicanos conseguirão entrar em harmonia para aprovar o plano em meio a fortes criticas de que as medidas seriam um "desperdício" do dinheiro dos contribuintes americanos.
A Casa Branca pediu aos congressistas que prontamente aprovem a legislação necessária à efetivação do plano.
O presidente George W. Bush disse que não agir logo teria "largas conseqüências", mas ainda não está claro quanto tempo será necessário para realizar o plano.
Vozes mais alarmistas sugerem que um fracasso em auxiliar o mercado americano resultará no colapso de todo o sistema financeiro mundial.
Líderes de todo mundo aguardam com ansiedade o discurso que o presidente Bush fará nesta terça-feira durante a abertura do encontro da Assembléia Geral da ONU.
Segundo o analista de economia da BBC Andrew Walker, Bush deve abordar a atual turbulência dos mercados diante de "uma audiência internacional muito preocupada com a crise financeira americana".
Ainda nesta terça-feira, o Secretário do Tesouro, Henry Paulson, e o presidente do Banco Central Americano, o FED, Ben Bernanke, se apresentarão perante o comitê do Senado que lida com a situação dos bancos para explicar as implicações do plano e discutir soluções para a crise. (BBC – 23/09/08) Brasil espera a normalização do crédito
A equipe econômica do presidente Lula espera que o pacote de US$ 700 bilhões do governo dos Estados de Unidos normalize a concessão de linhas de créditos externas a empresas brasileiras, que ficou paralisada na semana passada.
Esse bloqueio de crédito externo foi, até agora, o principal efeito sobre a economia brasileira da crise que atinge o sistema financeiro norte-americano, com quebra de instituições e seguradoras.
A normalização vai depender, na avaliação da equipe econômica, de uma rápida aprovação do pacote de socorro de US$ 700 bilhões do Tesouro americano para salvar as instituições financeiras atingidas pela crise do crédito.
A expectativa é que o Congresso dos Estados Unidos aprove as medidas nessa semana, apesar das críticas de membros do Partido Democrata, maioria no parlamento.
Até a normalização, o Banco Central deve manter leilões de dólares, como o realizado na última sexta-feira, de US$ 500 milhões, sempre que o mercado cambial se mostrar pressionado diante da falta de moeda para atender exportadores e importadores.
Além disso, os ministérios da Fazenda e do Planejamento querem fechar o mais rápido possível um plano de aumento de capital do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social), que passaria a suprir as necessidades de financiamento das empresas brasileiras durante a crise financeira mundial.
No Planejamento, técnicos estão estudando cortes em despesas de custeio para direcionar essa economia extra ao BNDES. Na Fazenda, eles estão mapeando a situação das linhas de crédito externas e checando de quanto as empresas brasileiras necessitariam nesse momento até a normalização do mercado.
Esse plano seria colocado em prática caso o mercado de crédito externo se mantenha bloqueado nas próximas semanas. Isso, porém, é visto como improvável, depois do pacote anunciado pelo presidente dos EUA, George Bush.
A situação das linhas de crédito externas preocupa o presidente Lula, que na semana passada discutiu o tema com seus principais assessores em reunião no Palácio do Planalto. Ele determinou a sua equipe a montagem de um plano de emergência para solucionar o problema, que pode afetar o comércio externo brasileiro.
Em conversas com seus conselheiros econômicos, Lula foi alertado de que a tendência da crise era se agravar e que o governo deveria tomar medidas, entre elas cortes de gastos de custeio para liberar recursos para investimentos.
A principal preocupação do presidente, hoje, é que a crise venha a abortar o ciclo de crescimento econômico do país. Daí sua orientação para a elaboração de medidas destinadas a fortalecer o caixa do BNDES nessa crise.
Além disso, Lula tem pressionado o Banco Central a reduzir o ritmo do processo de alta das taxas de juros. Em sua avaliação, diante da desaceleração econômica mundial e da queda da inflação, não faz sentido manter elevações de 0,75 ponto percentual.(Folha de S. Paulo – 22/09/08) Bolsas de Ásia fecham em alta; na Europa, ações caem
Os mercados financeiros da Ásia fecharam em forte alta nesta segunda-feira, repercutindo os anúncios feitos pelo governo americano no final de semana de auxílio às instituições financeiras com problema.
Já na Europa, os mercados abriram em queda nesta segunda-feira, chegaram a operar em alta, mas voltaram a ter leve queda no fim da manhã. Segundo alguns analistas, o mercado ainda espera mais detalhes sobre o pacote americano.
Às 12h36 (8h36 no horário de Brasília), o índice FTSE, da bolsa de Londres, operava em queda de 0,24%, a 5.298,55 pontos. O DAX, de Frankfurt, caía 0,28% (6.171,99) e o CAC, de Paris, caía 0,17% (4.317,49).
Na Ásia, os mercados financeiros tiveram alta nesta segunda-feira, ainda repercutindo em parte as notícias de sexta-feira nos Estados Unidos, já que devido ao fuso horário os mercados eles estavam fechados quando parte do pacote de resgate foi anunciado.
O índice Nikkei, do Japão, subiu 1,4%, fechando a 12.090,59 pontos. O índice Hang Seng subiu 1,6%, fechando a 19.632,20 pontos.
Na China, o índice da bolsa de Xangai disparou 7,8%, após notícias de que o governo chinês também vai agir diante da crise.
Status de bancos
Os mercados de todo o mundo tiveram fortes perdas no começo da semana passada, depois que um grande banco americano faliu e outras instituições revelaram que estavam em condições difíceis.
Para conter a crise, o governo americano comprou parte de uma grande seguradora e anunciou um pacote de auxílio a instituições financeiras com problemas e os mercados começaram a se recuperar no final da semana.
Nesta segunda-feira, dois grandes bancos de investimento que também estão com problemas – o Morgan Stanley e o Goldman Sachs – anunciaram que estão mudando de status legal para poderem receber depósitos de seus investidores.
A medida ajudaria os dois bancos a levantarem fundos e facilitaria o seu acesso a recursos do Federal Reserve, o banco central americano.
O Congresso americano agora discute um plano elaborado pelo Tesouro dos Estados Unidos para criar um fundo especial, que comprará "dívidas podres" de instituições financeiras. (BBC – 22/09/08) Efeito em dezembro
A redução do crédito para os exportadores, em conseqüência do agravamento da crise internacional, só terá efeito sobre as vendas externas do país a partir de dezembro, segundo avalia o vice-presidente da Associação de comércio exterior do Brasil (AEB), José Augusto de Castro. Segundo ele, caso as restrições ao crédito já previstas por instituições como Bradesco e Banco do Brasil sejam confirmadas, poderá ocorrer um "forte impacto? no comércio exterior brasileiro.
De acordo com Castro, o setor mais afetado deverá ser o de bens de capital, que está liderando, junto com automóveis, a produção industrial no país. "As linhas são indispensáveis, sem crédito não há operações exportadoras, fica muito difícil para a maior parte das empresas trabalhar com capital próprio", afirmou Castro. Ele acredita que as dificuldades geradas às exportações com a crise, como restrição a crédito e queda na demanda internacional, poderão levar a um déficit na balança comercial brasileira no ano que vem.
Quinta-feira, o diretor responsável pela área de comércio exterior do Banco do Brasil, Nilo José Panazzolo, disse que a redução de liquidez no mercado externo deverá fazer com que a instituição não atinja a meta de US$ 14 bilhões em operações de crédito ao comércio exterior em 2008. Segundo ele, já houve aumento no custo de captação, que está sendo repassado às empresas. Ainda ontem, o vice-presidente do Bradesco, Norberto Barbeado disse acreditar que o aumento de taxas de financiamento vai atingir todas as operações de crédito e exemplificou que o Adiantamento de Contrato de Câmbio (ACC, usado pelos exportadores), cujo prazo vai de dois a três anos, deve ter o prazo reduzido para 180 dias.
Outra medida do governo, a entrada em vigor do drawback verde-amarelo (isenção de tributos federais para compra de insumos e produtos intermediários nacionais usados na fabricação de produtos para exportação), prevista para o início de outubro, deverá contribuir para que a Embraer eleve o número de fornecedores locais nos próximos anos. Atualmente, fabricantes locais respondem por menos de 5% das compras da empresa.(Correio Brasziliense – 20/09/08)
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