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Portonave: Importações crescem 335%, enquanto exportações 36% em janeiro O ano começou com alta nas atividades da Portonave S/A – Terminais Portuários de Navegantes, que registrou um crescimento total de 175% em relação a janeiro de 2009. As importações, favorecidas pela manutenção do dólar baixo, tiveram um aumento de cerca de 335% sobre o mesmo período do ano passado. Transportados por 49 navios, ao todo 37.756 TEUs passaram pelo Terminal durante o último mês, registrando a quinta melhor movimentação desde o início das operações, em outubro de 2007, com uma média de 467 contêineres por navio.
O novo serviço ASIA, que iniciou no último dia 5, também deve impulsionar a movimentação da Portonave a partir de fevereiro, principalmente a importação. "Com a adição do ASIA aos nossos serviços, a expectativa é que as atividades do Terminal aumentem em 10%", prevê o diretor superintendente operacional, Renê Duarte. Os navios da nova rota fazem escala na China, Cingapura, Coréia do Sul, Japão e África do Sul.
Apesar do aumento, as importações de janeiro representaram apenas 28% das movimentações da Portonave contra 36% em exportações. Foram 5.456 contêineres carregados com artigos de fabricação nacional e 2.856 reefers, totalizando quase três mil a mais que o registrado em janeiro de 2009. (Net Marinha – 19/02/10) Brasil busca importadores para elevar saldo da balança O Brasil vai trabalhar este ano para conquistar um mercado importador, formado por diversos países, com potencial para elevar as vendas da balança comercial em até US$ 10 bilhões, principalmente na área de carnes. A informação é do ministro da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Reinhold Stephanes.
Segundo o ministro, os mercados em questão ainda envolvem impasses, a maioria de ordem sanitária e fitossanitária, mas ele afirma que as negociações estão avançadas e que as dificuldades poderão ser superadas neste ano pelas missões brasileiras. O Brasil também quer vender mais carne suína, soja (principalmente para o México), produtos lácteos e frutas.
Stephanes informou que, no ano passado, o agronegócio foi responsável por 42% das exportações brasileiras, o que é um recorde nos últimos 30 anos. Em 2009, houve aumento das quantidades de produtos brasileiros embarcadas para o exterior, embora tenha havido queda de preços de 9,8% em relação a 2008, em consequência da crise financeira internacional.
De acordo com o ministro, o Brasil vai enviar neste ano 19 missões comerciais a 25 países, com o objetivo de ampliar a pauta de exportações. "Estamos vendendo para 180 países, mas podemos ampliar mais ainda os mercados compradores", espera Stephanes.
Estão previstas ainda 12 missões que vão também percorrer diversos países, na área da promoção comercial, em conjunto com o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior.
O trabalho das missões é intensivo e permanente e, muitas vezes, pode durar até dez anos – disse o ministro.
Ele exemplificou que um questionário encaminhado ao Brasil pelo Japão, por exemplo, pesa 50 quilos de papel. "O trabalho é difícil, mas necessário para a expansão comercial". (Jornal do Brasil – 19/02/10) Fluxo cambial piora e saldo no ano cai para US$ 1,6 bi O fluxo de dólares para o Brasil voltou a ficar negativo na semana passada. A saída de dinheiro superou a entrada de recursos em US$ 1,4 bilhão.
Apesar dessa saída, nesse mesmo período, o dólar registrou queda em relação ao real. Para analistas, isso mostra que esse indicador não está sendo determinante para a definição do preço da moeda, que vem sendo influenciado, por exemplo, pela divulgação de dados econômicos internacionais.
O resultado da semana passada se deve ao desempenho do comércio exterior, que ficou negativo em US$ 2,1 bilhões. Na área financeira, houve entrada de US$ 670 milhões. No ano, o saldo caiu de US$ 3 bilhões para US$ 1,6 bilhão. (Folha de S. Paulo – 19/02/10) BNDES pode receber mais R$ 40 bi para financiar compra de máquinas O governo prepara nova injeção de recursos do Tesouro Nacional na renovação das linhas de crédito subsidiadas do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES)para compra e exportação de bens de capital. A ideia é de um reforço de R$ 30 bilhões a R$ 40 bilhões, o que dobrará os recursos disponíveis no Programa de Sustentação do Investimento (PSI), nome oficial da linha de crédito lançada no ano passado, em caráter de emergência, em meio à crise econômica.
Atendendo a uma solicitação do Ministério da Fazenda e do Tesouro, o BNDES enviou, no início do mês, um documento com as justificativas para elevar os recursos do programa. O principal argumento é que o PSI tem ajudado a elevar a taxa de investimento da indústria. De acordo com fonte do governo, já há uma corrente que defende a manutenção do programa até dezembro. Mas ainda há preocupação quanto ao custo fiscal do benefício.
Lançado em julho do ano passado, como instrumento de redução dos impactos negativos da crise sobre a produção industrial, o programa tinha prazo para terminar - 31 de dezembro do mesmo ano - e recebeu R$ 40 bilhões do Tesouro para equalizar as taxas subsidiadas dos empréstimos do BNDES. Ou seja, o BNDES baixou os juros para as indústrias comprarem equipamentos e máquinas e o Tesouro entraria com a parcela restante para igualar os juros à remuneração mínima, evitando prejuízos para o banco.
Com isso, o BNDES pôde reduzir à metade, para o tomador final, os juros para aquisição e exportação de bens de capital. No Finame, linha de crédito tradicional para a indústria, a taxa anual ficava em torno de 10% ao ano; no PSI, passou, em média, a 4,5% ao ano. A prorrogação até junho deste ano já havia sido decidida. No encerramento de 2009, o PSI aprovara projetos de R$ 37,1 bilhões, sendo 75% (R$ 28,1 bilhões) para o segmento de bens de capital.
Foi, segundo estimativas preliminares do banco, a iniciativa com melhor resposta dos setores que compram máquinas e equipamentos. Técnicos do BNDES já identificaram uma tendência de desconcentração dos recursos em relação às operações da linha Finame com o PSI, indicando que mais empresas estão tomando empréstimos para investir em máquinas e equipamentos.
No início do programa, os pedidos eram especificamente para troca de máquinas. Agora já são estão sendo identificados investimentos novos. A média diária de liberação da linha direta para bens de capital havia atingido R$ 154 milhões em setembro de 2008. Com a crise, caiu a R$ 61 milhões em julho de 2009, quando foi lançado o PSI. Em dezembro, alcançou R$ 182 milhões.
Outro dia ouvi de um grande fabricante de bens de capital que, na sua base de clientes, há muitas pequenas empresas que não estão apenas substituindo máquinas. Estão comprando equipamentos novos, disse ontem o presidente do BNDES, Luciano Coutinho, que não comentou uma possível prorrogação do programa.
O presidente do Sindicato da Micro e Pequena Indústria do Estado de São Paulo (Simpi), Joseph Couri, disse que os pequenos industriais aguardam a prorrogação do PSI para manter planos de investimentos. Segundo ele, a sugestão foi levada por ele e outros líderes de segmentos industriais à última reunião do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social, em dezembro. Ele acredita numa definição até a próxima reunião, em março. (O Estado de S. Paulo – 19/02/10) O pessimismo do mercado e o governo O último Relatório de Mercado divulgado pelo Banco Central (BC) apresentou previsões pessimistas, em particular para as contas externas. São opiniões de instituições financeiras, que podem errar, mas merecem atenção porque ditam suas operações.
Um ponto importante é a avaliação de crescimento constante da taxa de inflação para 2010, que era de 4,50% quatro semanas atrás e subiu para 4,60%, isto é, acima da meta. O interessante é que isso não afetou a previsão da Selic, que permanece em 11,05% para o fim do ano, dando a impressão de que o mercado não acredita numa política monetária muito ortodoxa num ano de eleição.
O que mais impressiona, na previsão do mercado, é o crescimento constante do déficit das transações correntes: na última edição do relatório se previam US$ 50,05 bilhões, enquanto quatro semanas antes a previsão era de US$ 45,5 bilhões. É muito superior à última previsão do BC (U$S 40 bilhões), que ainda prevê um saldo de US$ 15 bilhões para a balança comercial, quando o mercado o avalia em apenas US$ 10 bilhões.
O resultado da balança comercial afeta o das transações correntes, mas o impacto maior vem do déficit dos serviços, especialmente das remessas de lucros e dividendos.
O comércio exterior está evoluindo desfavoravelmente: até o dia 12 de fevereiro havia um fluxo comercial negativo, para o ano, de US$ 1,8 bilhão, compensado por um fluxo positivo financeiro de US$ 3,4 bilhões, cuja principal fonte reside na colocação de bônus no exterior e também nas entradas de capitais na Bolsa.
Em nossa opinião, o governo não deveria aceitar como uma fatalidade a queda do resultado da balança comercial, mas examinar quais medidas poderiam ser adotadas para aumentar as exportações e reduzir as importações.
No ano passado, os Investimentos Estrangeiros Diretos (IEDs) foram superiores ao déficit das transações correntes. Atualmente o mercado estima os IEDs em US$ 38 bilhões, menos do que os US$ 45 bilhões que o BC espera que ingressem no País.
O governo deveria estar preocupado com essas expectativas. Mas não parece, pois está apostando nas receitas do petróleo a partir de 2012. Trata-se de um raciocínio arriscado, porque não se sabe que preço o petróleo poderá ter daqui a dois anos nem se sabe qual o custo de produção das jazidas do pré-sal.
Melhor seria trabalhar para melhorar a balança comercial. (O Estado de S. Paulo – 19/02/10) BC estuda proposta para criar mercado de moedas no Brasil A implantação do projeto destinado a transformar São Paulo num centro financeiro internacional, chamado de Ômega, prevê a criação de um mercado de moedas no país, a liberalização do câmbio e a internacionalização do real. O projeto, que vem sendo elaborado pelo setor privado, seria implementado em cinco etapas, todas elas dependentes de decisões do governo. O Banco Central (BC) já estuda as propostas na área técnica, mas elas ainda não chegaram formalmente ao nível da diretoria.
As cinco etapas foram sugeridas ao governo pelas três entidades envolvidas na formulação da ideia - a BM&FBovespa, a Federação Brasileira de Bancos (Febraban) e a Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima). As entidades avaliam que, sem as mudanças propostas, o plano de criar um polo regional financeiro no Brasil, com aspirações globais, não funcionaria ou ficaria muito aquém do pretendido.
As três entidades envolvidas no projeto acreditam que, para que seja alcançada a conversibilidade do real, é essencial uma revisão completa do arcabouço regulatório brasileiro na área cambial. O objetivo é simplificar e amenizar procedimentos e restrições para tornar a regulação simétrica à dos países com os quais o Brasil tem fluxos de pagamentos.
Entre as sugestões feitas, está a possibilidade de que bancos estrangeiros abram contas exclusivas em instituições brasileiras autorizadas a operar com câmbio. Essa conta, denominada conta banco-correspondente, daria a instituições estrangeiras acesso ao mercado interbancário brasileiro de moeda.
Bancos internacionais seriam autorizados, por sua vez, a realizar diretamente, a partir do exterior, operações de conversão de moeda estrangeira em reais para seus clientes, utilizando contas em moeda brasileira que detivessem num banco correspondente brasileiro. Permitir que bancos estrangeiros acessem o mercado brasileiro interbancário de moeda é o primeiro passo, na avaliação dos técnicos envolvidos no projeto Ômega, para a internacionalização do real.
Uma fonte do governo concorda que, para o sucesso do projeto, será necessário criar, antes, um mercado de moeda no país. Hoje, as únicas moedas transacionadas são o próprio real e o dólar americano e, mesmo assim, esse mercado funciona com grandes restrições, por causa das crises de balanço de pagamentos vividas pelo país ao longo de sua história.
A crise global apresenta uma janela de oportunidade para o Brasil, disse uma fonte envolvida no projeto, acrescentando que pelo menos quatro capitais estão se mexendo, neste momento, para criar um centro de negócios de peso internacional - Moscou, Santiago, Xangai e Mumbai.
O projeto Ômega vem sendo elaborado há mais de um ano por um grupo de cerca de 150 pessoas. Para tocar o plano, a BM&FBovespa, a Febraban e a Anbima contrataram uma firma de consultoria americana - o Boston Consulting Group (BCG). Até o momento, mais de 60 pessoas já foram ouvidas sobre o projeto, inclusive, representantes de entidades governamentais, como o BC, o Ministério da Fazenda, o BNDES, a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) e a Prefeitura de São Paulo.
Um dos estudos do BCG, ao qual o Valor teve acesso, prevê que, se o projeto for implementado, em cinco anos haverá um boom no mercado de capitais brasileiro, que passaria a ser um dos maiores do planeta. Pelas estimativas, o mercado bancário cresceria algo entre 160% e 240%; o de ações avançaria entre 25% e 40%; o de derivativos, entre 45% e 75%; e o de gestão de recursos (asset management), entre 50% e 110%. A empresa americana acredita ainda que seriam gerados 2,4 milhões de empregos, dos quais, entre 150 mil e 200 mil apenas no setor financeiro.
Além das medidas de caráter regulatório dos mercados em questão, o Brasil precisaria, na avaliação do estudo, superar alguns entraves. No quesito imagem e governança, um dos problemas está no fato de o país ter uma imagem no exterior desalinhada com o posicionamento de um centro financeiro internacional. Além disso, a cooperação público-privada e a participação em fóruns internacionais desses centros hoje são modestas.
Na área de regulação cambial, o Brasil tem normas desfavoráveis. As operações, diz o estudo, são burocráticas e caras. Operações com câmbio só funcionam diretamente para quem transaciona com dólares. No item impostos, a estrutura tributária é considerada complexa e repleta de tributos de selo. A carga tributária é elevada, quando comparada a de outros centros internacionais.
No quesito que o BCG chama de ecossistema, a preocupação é que a segurança jurídica seja reforçada e que a burocracia em atividades locais e internacionais seja diminuída. Há uma preocupação também com a percepção, lá fora, com os níveis de corrupção e informalidade da economia brasileira.
No item talentos, o documento diz que o Brasil tem poucos profissionais com experiência internacional. Falta fluência em línguas estrangeiras e há escassez relativa de pessoal operacional qualificado. No item atratividade como base internacional de negócios, a lista de deficiências é um pouco maior. O estudo diz que o país tem uma infraestrutura de transportes deficiente. Além disso, os aeroportos têm baixa conectividade de voos internacionais. Há problemas de segurança pública e de trânsito e o custo de telecomunicação é alto.
O documento ressalta também os aspectos positivos do Brasil, que o tornam elegível para ter um centro financeiro internacional. O país, diz o BCG, tem uma economia robusta e com peso na América Latina. Tem um risco-país decrescente no longo prazo e um peso internacional no comércio de commodities. Além disso, já é um centro regional de multinacionais.
Na área de regulação, o Brasil possui um sistema prudente e conservador, além de maturidade e efetividade na autorregulação financeira. O sistema de pagamento está no nível das melhores práticas internacionais e as câmaras de liquidação, em níveis de excelência mundial. Os bancos nacionais, por sua vez, são grandes, sólidos e em crescimento. O mercado financeiro é desenvolvido e sofisticado. O estudo destaca ainda que há, no sistema financeiro, equilíbrio e competição entre instituições locais e internacionais.
Quanto ao mercado de capitais, o documento diz que o Brasil detém, na América Latina, a liderança no segmento de ações, além de ter um mercado desenvolvido de futuros e derivativos. Um ponto positivo também é contar com alta participação de investidores estrangeiros. O documento elogia, ainda, as universidades, que, teriam um alto nível de excelência acadêmica. Além disso, diz o estudo, o Brasil é um país de cultura aberta, receptiva, inclusiva e participativa.
Os formuladores do projeto Ômega acreditam que transformar o Brasil, e especialmente São Paulo, num centro financeiro internacional trará muitos benefícios econômicos para a região. Desenvolverá um centro de excelência geográfica e culturalmente mais próximo dos mercados locais e aumentará o grau de bancarização e a qualidade dos serviços; viabilizará projetos de desenvolvimento, trazendo capital e expertise (project finance, resseguros etc); fornecerá acesso a um mercado de capitais mais próximo e melhor adaptado às necessidades da região; apoiará comércio regional e mundial de commodities.
Para o Brasil, além dos ganhos já mencionados, o projeto reforçaria o papel do país como centro regional e internacional de negócios; incrementaria a posição competitiva internacional das multinacionais brasileiras; apoiaria o comércio exterior; reforçaria a posição do país como uma rede regional de multinacionais; fortaleceria e protegeria a indústria financeira nacional e outros setores estratégicos como o do agronegócio; desenvolveria a indústria de serviços profissionais de alto valor agregado, concentrando no país um pool de talentos, expertise e inteligência na região; impulsionaria o crescimento do PIB e do emprego. (Valor Econômico – 19/02/10) Dólar revoga lei da oferta e da procura A oscilação do dólar não obedece mais a lei da oferta e da procura. A moeda segue aqui a tendência internacional, independentemente de estar sobrando ou faltando dólar na praça. Dados sobre o fluxo cambial de fevereiro divulgados ontem pelo Banco Central mostram que na primeira semana do mês a reação da moeda a um superávit (sobra de dólares no interbancário) de US$ 1,92 bilhão foi de alta. Na semana seguinte, quando houve um déficit de U$ 1,39 bilhão, o preço da moeda recuou 1,69%. A falta de lógica não é privilégio das mesas de operações de câmbio dos bancos. O BC agiu em fevereiro também no sentido oposto ao normal. Na primeira semana, quando sobrou muita moeda, comprou apenas US$ 54 milhões. Na segunda, quando faltou, adquiriu US$ 203 milhões. No acumulado do mês, para um saldo positivo de US$ 526 milhões, o BC comprou US$ 257 milhões.
Como o excedente de moeda não vem sendo o responsável por um movimento de apreciação do real - condenável por outros setores do governo - o BC se sente confortável em reduzir suas intervenções. Em janeiro, a média diária de aquisições foi de US$ 89,9 milhões. Em fevereiro, não chega a US$ 26 milhões. A estratégia é deliberada. A redução ocorre porque já comprou muito (US$ 29,44 bilhões) desde que retornou a essa ponta do mercado, em 8 de maio do ano passado. E o enxugamento tem um custo fiscal pesado. E também porque induz os bancos privados a ampliarem suas posições compradas à vista. Estas passaram de US$ 2,66 bilhões no final de janeiro para US$ 2,93 bilhões no dia 12.
Ao trazer as instituições privadas para o seu lado - transformando-as em aliadas na tarefa de evitar quedas muito acentuadas do dólar -, o BC tira pressão da venda. A contraparte futura, a ausência de operações oficiais nos pregões de derivativos cambiais da BM&F, completa a asfixia das posições especulativas tradicionais, as que são fechadas visando a obtenção da Selic. O câmbio fica livre para flutuar primeiro ao sabor do vaivém da aversão global a risco. E, em segundo, em função de aspectos domésticos, como a possibilidade, em 2011, de o déficit em transações correntes não ser inteiramente coberto pelo investimento externo direto. E, do lado positivo, da atração de capitais de investimentos interessados em um emergente que não tem problemas de dívida como alguns países europeus. A ausência de sobressaltos especulativos faz com que o dólar oscile entre R$ 1,80 e R$ 1,85, favorecendo o planejamento dos exportadores.
O dólar caiu ontem 0,27%, cotado a R$ 1,8230, refletindo não só a distensão externa como também relatórios de instituições globais elogiosos ao Brasil. O risco-país, medido pelo JP Morgan, cedeu 2,38%, para 205 pontos-base. Vários indicadores americanos positivos ampliaram o apetite por ativos de risco, ações, commodities e petróleo.
O comportamento paradoxal não é exclusividade do mercado de câmbio. O pregão de juros futuros da BM&F também surta às vezes. Ontem, em reação a um Caged inesperadamente positivo - a criação em janeiro de 181,4 mil empregos formais, recorde histórico, para uma expectativa consensual do mercado de 115 mil -, uma clara indicação de que a economia pode estar crescendo acima das previsões oficiais, a curva não exibiu um comportamento uniforme. As taxas curtas subiram, e muito pouco, e as longas caíram. A taxa para a virada do ano subiu ligeiramente de 10,24% para 10,25% e o juro do swap de 360 dias avançou de 10,47% para 10,48%. Enquanto isso, as taxas com vencimento mais distante caíram em bloco. Para janeiro de 2013, o CDI cedeu de 11,99% para 11,92%. E não se pode atribuir a falta de consenso da curva à inflexão experimentada pelos índices de inflação. A desaceleração tanto do IPC FIPE quando do IPC-S já era esperada. A segunda quadrissemana do indicador da FIPE acusou alta de 1,09%, dentro da expectativa, ante 1,28% na primeira prévia. O IPC-S, também da segunda quadrissemana do mês, avançou 1,04%, abaixo tanto do anterior (1,33%) quanto do consenso do mercado (1,08%).
Na verdade, as instituições decidiram devolver os prêmios exagerados incorporados à parte longa da curva depois das evidências de que o BC não irá fazer todo o aperto monetário (equivalente a 3,5 pontos) incorporado à estrutura a termo de juros, sobretudo se Henrique Meirelles, de olho num terceiro mandato, permanecer na presidência. (Valor Econômico – 19/02/10) A baixa produtividade das firmas brasileiras Desde o fim do século passado entramos num novo ciclo da economia brasileira, com crescimento sustentado da renda das classes mais baixas. Esse fato, juntamente com a expansão do crédito, tem promovido um crescimento acelerado do consumo que, por sua vez, deverá provocar uma vigorosa expansão do PIB nos próximos anos. Entretanto, esse crescimento do consumo também poderá provocar aceleração inflacionária, obrigando o Banco Central a elevar os juros para evitá-la. Para impedir o recrudescimento da inflação, seria necessário um crescimento vigoroso da oferta de bens de consumo. Um meio de promover esse aumento seria pelo crescimento da produtividade das empresas brasileiras. Mas, será que há espaço para esse crescimento ocorrer? Como anda a produtividade das firmas brasileiras?
Na verdade, a produtividade das empresas brasileiras é muito baixa, quando comparada com firmas de países mais desenvolvidos. O gráfico mostra a produtividade do trabalho (em termos de receita por trabalhador) em alguns países do mundo, a partir de uma nova base de dados internacional de firmas (ORBIS). Ela mostra quanto cada trabalhador agrega para a receita (em dólar) das empresas nesses países. Podemos notar que existe uma diferença muito grande de produtividade entre os países chamados desenvolvidos, tais como o Reino Unido, EUA, Japão, França e Alemanha e países menos desenvolvidos como Colômbia, Brasil, Índia e China. Um trabalhador inglês, por exemplo, agrega em média cerca de três vezes mais receita para sua empresa do que o trabalhador brasileiro. Por que será que isso ocorre?
Há uma série de pesquisas mostrando que parte desse diferencial decorre de diferenças no nível de educação da população, no marco regulatório, na informalidade e no acesso ao crédito. Mas, uma série de artigos recentes, desenvolvidos principalmente pelos economistas britânicos Nicholas Bloom e John van Reenen, tem enfatizado outro aspecto, que ainda não tinha sido levado em conta: as práticas gerenciais. Segundo eles, uma parcela importante de produtividade entre os países está relacionada com diferenças na qualidade da gestão das empresas. Esses economistas desenvolveram uma técnica para medir a qualidade da gestão por meio de entrevistas com diretores de produção de empresas de diferentes países, sorteadas aleatoriamente entre todas as firmas industriais públicas e privadas que empregam entre 100 e 5 mil empregados. Nessas entrevistas, os pesquisadores (alunos de MBA) não sabem o nome das firmas e os diretores não sabem que estão sendo avaliados. Foram analisadas detalhadamente três grandes áreas de gestão: monitoramento de resultados, fixação e acompanhamento de metas e sistemas de incentivos. Já tratamos desse tema neste espaço, mas a novidade é que uma amostra de 559 firmas brasileiras foi incluída na pesquisa e seus resultados já foram tabulados.
E como se saíram as firmas brasileiras na foto? Muito mal. Entre os 17 países com empresas pesquisadas, as brasileiras estão em 13º lugar, à frente apenas das gregas, indianas e chinesas. Além disso, as empresas brasileiras vão mal em todos os quesitos, desde o monitoramento de resultados até o sistema de metas e a gestão de incentivos. As americanas foram as que obtiveram os melhores resultados em geral, seguidas pelas alemãs, japonesas, suecas e canadenses. Os autores da pesquisa mostram que essas diferenças no gerenciamento têm reflexo na produtividade e no crescimento das firmas. Fica claro, portanto, que esse é um dos fatores que explicam a baixa produtividade brasileira.
Mas, o que provoca diferenças tão grandes de práticas gerenciais entre as firmas de diferentes países? Nos Estados Unidos as empresas mal administradas não conseguem sobreviver porque a competição é muito grande. No Brasil, por outro lado, uma parcela grande de firmas mal geridas sobrevive graças a proteções tarifárias, monopólios ou subsídios governamentais. Além disso, a alta carga tributária e o baixo acesso ao crédito fazem com que o surgimento de novas empresas seja bem mais difícil por aqui, o que também diminui a concorrência.
As multinacionais têm boa gestão em qualquer país, ou seja, carregam as práticas gerenciais dos países de origem para os países de destino. As empresas familiares, especialmente as que apontam como presidente um membro da própria família, tendem a ter as piores práticas gerenciais. Um dos grandes problemas delas é a dificuldade de descentralizar as decisões. Em muitas empresas analisadas pelos autores, os donos tomam todas as decisões, mesmo as que envolvem pouco dinheiro. Assim, o crescimento fica restrito ao tempo disponível do proprietário. E, por fim, as pesquisas mostram que as empresas públicas são as que tem as piores práticas gerenciais.
Dessa forma, só com o aumento da competição, redução de tarifas de importação, redução da carga tributária, menor presença do Estado na economia e profissionalização da gestão, as firmas brasileiras conseguirão diminuir o diferencial de produtividade com relação às dos países desenvolvidos, o que permitirá que o país cresça com menos pressões inflacionárias. (Valor Econômico – 19/02/10) Chineses aproveitaram crise e câmbio para elevar preço de bens de consumo A crise econômica no ano passado não afetou a contínua tendência de alta nos preços médios de importação de bens de consumo chineses. O preço médio dos itens não duráveis subiu 8,8% em 2009 na comparação com o ano anterior. No mesmo período, o preço dos bens de consumo duráveis aumentou 2,59%.
No caso dos não duráveis, 2009 terminou com o preço médio anual mais alto desde 1992, ano em que o Brasil não chegou a importar US$ 10 milhões em bens chineses desse tipo. No ano passado, o valor total importado em não duráveis somou US$ 1,8 bilhão. Na categoria dos duráveis, o preço médio anual dos importados chineses foi o maior nos últimos dez anos, segundo dados da Fundação Centro de Estudos do Comércio Exterior (Funcex).
A comparação de preços e volume mostra que os preços seguraram a importação de bens de consumo chineses, pois o volume de não duráveis provenientes daquele país caiu 12,2% em 2009 em relação a 2008. Como a queda em volume foi muito superior ao aumento de preço, o valor final da importação desses bens caiu 4,36% - uma redução pequena, considerando o decréscimo de 20% no valor total comprado dos chineses no ano passado. Por outro lado, o valor total da importação de bens de consumo duráveis cresceu 1,66% em 2009. Em quantidade, ela caiu 0,92%, mas o valor aumentou puxado pelo preço médio, que ficou 2,56% mais alto.
Para José Augusto de Castro, vice-presidente da Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB), a elevação de preços é resultado do aumento de qualidade dos bens de consumo chineses, ao mesmo tempo em que aumentou o valor agregado do importado. A taxa de câmbio favorável à importação também propiciou o aumento de preços em dólar, diz ele. Chegamos a ter uma queda de demanda interna no primeiro semestre, mas isso logo se recuperou e o consumidor passou a pagar um preço mais alto, explica Castro. Isso também é possível, acredita, porque a margem na comercialização de bens de consumo importados da China é muito alta, o que faz o comprador brasileiro aceitar mais facilmente a elevação de preço.
Fernando Ribeiro, economista da Funcex, acredita que dois fenômenos diferentes explicam o aumento de preços nos bens de consumo. No caso dos não duráveis, diz, pode ter havido maior agregação de valor. Mas isso foi pequeno. A única explicação plausível para um aumento tão grande nos preços médios é o efeito do controle de preços de importação, diz, referindo-se à fiscalização nos preços declarados para os produtos no momento do desembaraço aduaneiro. Com o maior controle, houve correção dos preços ao longo dos últimos anos. Ele lembra que os produtos mais importantes na pauta de exportação de não duráveis da China para o Brasil são da área de vestuário e calçados, nos quais a agregação de valor tende a ser menor.
Já nos bens de consumo duráveis, onde estão os eletroeletrônicos e eletrodomésticos, houve uma influência grande da renovação para a compra de produtos de maior valor, com mais tecnologia, acredita Ribeiro. Nessa categoria houve um resultado de valor agregado maior nos preços. Ele lembra que o aumento de preços dos duráveis vindos da China não começou no ano passado. Na verdade, em 2009 a categoria apenas manteve uma elevação de preços que passou a despontar em 2007 e 2008. Havia uma tendência forte de aumento de preços de importados da China já no período pré-crise. (Valor Econômico – 19/02/10) Empresas recontratam nos Estados do Sul O ano começou com forte recuperação do emprego industrial em Santa Catarina e no Rio Grande do Sul. No ano passado, a indústria catarinense criou apenas 2,3 mil novos empregos no ano, enquanto a gaúcha cortou 1,7 mil empregos. Em janeiro, o saldo de novos empregos industriais superou a média nacional - alta de 1,05% e 1,2%, respectivamente - e na soma dos dois Estados, 14 mil operários recuperaram o emprego.
O setor metal-mecânico foi o maior responsável pela recuperação do emprego industrial em Santa Catarina. No Norte catarinense, as empresas sobrecarregaram as agências de seleção de recursos humanos atrás de candidatos. A RH Brasil, com escritório em Joinville, fez cerca de 850 contratações em janeiro, grande parte para vagas operacionais na indústria. Para dar conta, a empresa trabalha com horário estendido e tem feito plantão constante nos fins de semana. No Carnaval, as portas permaneceram abertas e foram atendidas cerca de 400 pessoas.
Em Jaraguá do Sul, a multinacional Weg mantém 600 vagas em aberto, apesar de ter contratado 662 profissionais desde que o ano começou. Com uma média de 90 contratações por semana, a fabricante de motores elétricos já encontra dificuldades para preencher as vagas nas unidades de Jaraguá e Guaramirim. São cerca de 15 mil trabalhadores na região. Em todo o mundo, a Weg tem cerca de 22 mil funcionários diretos.
O Sindicato Patronal das Indústrias Mecânicas de Joinville e Região (Sindimec) atesta a recuperação nos níveis de emprego no setor. Há procura de mão de obra no mercado. As empresas estão fazendo uma recontratação, diz Adejalmas Ghighi, diretor-financeiro do Sindimec. De acordo com ele, a retomada reflete a recuperação da economia no Brasil e no exterior, embora haja cautela por parte das indústrias para que não se forme uma bolha de aquecimento econômico.
A fundição Tupy também está ampliando o quadro de funcionários na unidade de Joinville. Em janeiro, foram 162 contratados e até o fim de fevereiro, outros 198 trabalhadores devem assinar contrato com a empresa. A fabricante de blocos de motores sentiu os efeitos da crise internacional na exportação. Desde outubro de 2009, com a retomada da demanda externa, as vendas para o exterior começaram a se recuperar. Em janeiro, a Tupy exportou US$ 20,1 milhões a partir de Santa Catarina, de acordo com a Secretaria de Comércio Exterior (Secex). O resultado foi 107% superior ao mês de janeiro de 2010. Cerca de 80% das contratações são direcionadas para as unidades que produzem blocos de motor, o principal produto de exportação da empresa.
No Rio Grande do Sul, os segmentos industriais com maior geração de empregos formais em janeiro foram o calçadista e o metal-mecânico, beneficiados principalmente pelo crescimento da demanda interna. No caso das fábricas de calçados, o mês passado encerrou com aumento líquido de 2,7 mil vagas. Já as indústrias metalúrgicas e mecânicas gaúchas, que juntas haviam fechado quase 3,1 mil postos no acumulado de 2009, tiveram agora um resultado positivo no mês de quase 2,1 mil empregos entre contratações e demissões.
No início de fevereiro, o diretor-executivo da Associação Brasileira das Indústrias de Calçados (Abicalçados), Heitor Klein, disse que a recuperação do nível de emprego no setor deve-se em grande parte à tarifa antidumping de US$ 12,47 por par de calçado importado da China, implantada em setembro do ano passado. Segundo a entidade, os produtos asiáticos estavam tomando espaço das empresas nacionais, mas a situação mudou depois da adoção da sobretaxa.
No acumulado de 12 meses até janeiro, as calçadistas gaúchas ainda ostentam um saldo negativo de quase 2,2 mil empregos, mas o número representa a metade das 4,3 mil vagas fechadas ao longo de 2009. E, segundo os empresários do setor, a tendência é de mais contratações nos próximos meses. A Dalponte, de calçados esportivos já anunciou que vai empregar 400 pessoas de fevereiro a junho devido à reativação da fábrica de Veranópolis, paralisada desde o início do ano passado.
Para as empresas metal-mecânicas, principalmente no segmento de bens de capital, o grande impulso para a retomada do emprego veio com a linha Finame PSI, do BNDES, com juros de 4,5% e 7% ao ano, fixos, para o financiamento de máquinas, equipamentos e veículos. Lançado no segundo semestre de 2009, o programa venceria em dezembro e antes de ser prorrogado para junho deste ano levou à antecipação de encomendas no setor, explicou o diretor da Associação Brasileira de Máquinas e Equipamentos (Abimaq) no Rio Grande do Sul, Mathias Elter.
O PSI tirou o segmento da inércia, afirmou o empresário. Segundo ele, o nível de emprego nos fabricantes de bens de capital no Estado chegou ao fundo do poço de janeiro a maio do ano passado e começou a melhorar a partir de então. Agora, além da linha especial do Finame, as indústrias contam com o crescimento mais acelerado da economia brasileira para sustentar a geração de postos de trabalho nos próximos meses, comentou Elter. (
Quase 17 mil empresas já importam da China O avanço da China no fornecimento de produtos diversos ao Brasil fez triplicar o número de grandes importadores do país asiático. Em 2005, apenas 12 empresas compravam mais de US$ 50 milhões dos chineses. No ano passado, a quantidade de compradores nessa faixa de valor subiu para 41 empresas. O perfil de quem mais importa da China também traz novidades. O topo da lista continua dominado pelas empresas de eletroeletrônicos e informática, mas começam a despontar como grandes clientes dos chineses as varejistas brasileiras.
De acordo com dados do Ministério do Desenvolvimento (MDIC), na faixa entre US$ 10 milhões e US$ 50 milhões, o volume de empresas que importam da China também triplicou - de 73 para 226. Além de aumentarem o valor comprado no país asiático, mais empresas passaram a se abastecer por lá. No total, 16,8 mil empresas compraram produtos chineses em 2009 - 135% mais em apenas quatro anos. No conjunto, o total de importadores cresceu 50% e passou de 22,6 mil empresas em 2005 para 34 mil no ano passado.
O aumento do número de grandes importadores da China é um reflexo da maior participação daquele país nas importações totais do Brasil. Em 2005, os chineses vendiam 7,3% do valor total importado pelos brasileiros. Hoje, essa fatia é de 12,5%. No mesmo período, a participação dos Estados Unidos caiu de 17,2% para 15,7%.
A elevação veio acompanhada de uma diversificação das empresas que aumentaram as compras feitas na China. Em 2005, as 12 empresas que mais compravam naquele país se dividiam entre tradings, fabricantes de eletroeletrônicos e siderúrgicas. As indústrias de tecnologia dominavam a lista, com oito fabricantes.
Em 2009, a lista das que importam mais de US$ 50 milhões da China ainda contava com boa participação das tradings e indústrias de tecnologia. Foram seis empresas especializadas em importação e exportação e 26 companhias de eletroeletrônicos, telecomunicações e informática. Com forte corte na produção em 2009, as siderúrgicas reduziram a importação de insumos chineses, principalmente carvão, e acabaram saindo dessa faixa de valor no ano passado. Elas deram lugar para empresas de outras áreas, como grupos varejistas, indústrias têxteis e empresas do setor químico.
A ST importações, por exemplo, é a importadora controlada da varejista Lojas Americanas, ao lado da B2W Companhia Global do Varejo, que reúne os sites Americanas, Submarino e Shoptime. A ST comprava da China entre US$ 1 milhão e US$ 10 milhões em 2005 e no ano passado ficou entre as que desembarcaram mais de US$ 50 milhões.
Outros grandes varejistas, como Carrefour, Companhia Brasileira de Distribuição - das marcas Pão de Açúcar e Extra - e Lojas Riachuelo, não chegaram a comprar mais de US$ 50 milhões, mas aumentaram o valor comprado dos chineses, segundo dados do MDIC. Em 2005 essas redes importavam da China entre US$ 1 milhão e US$ 10 milhões. No ano passado ficaram na faixa das empresas que trouxeram entre US$ 10 milhões e US$ 50 milhões daquele país asiático.
Ao mesmo tempo em que aumentaram o valor comprado dos chineses, algumas empresas também entraram na lista das 250 maiores importadoras do país. É o caso da fabricante de tecidos Adar e da trading Stile. Em 2009 as duas empresas se abasteceram em mais de US$ 50 milhões em produtos da China e também passaram a integrar a lista dos maiores importadores do país. Levando em conta todas as origens, a Adar comprou um total de US$ 100,58 milhões de fios e tecidos, e a Stile, US$ 84,4 milhões em mercadorias.
A paranaense Positivo Informática também ficou em 2009 entre as que importaram mais de US$ 50 milhões dos chineses. Em 2005, ela já estava entre as 250 maiores importadoras brasileiras, em 119 º lugar, com compras totais de US$ 73,37 milhões. No ano passado saltou para 51ª posição, com importação total de US$ 336,7 milhões.
José Augusto de Castro, vice-presidente da Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB), acredita que o número de grandes importadores da China cresceu no período em que a taxa cambial favoreceu as compras do exterior. O dólar baixou a partir de 2005 e tornou mais atraente as importações, que ficaram mais baratas em real, diz Castro. Ao mesmo tempo, o crescimento interno nos últimos anos elevou a demanda e os chineses aproveitaram a oportunidade.
Mesmo no ano passado, lembra Castro, em que a crise financeira bateu na economia real brasileira, a demanda interna continuou alta. Como evidência do aquecimento do mercado nacional, diz, o valor total importado em bens de consumo em 2009 caiu menos do que o de bens de capital e de intermediários na comparação com 2008.
Em relação à China não foi diferente. Enquanto o total das compras de produtos chineses desembarcados no Brasil caiu 20,6%, o de bens de consumo não duráveis recuou 4,36%, e os bens de consumo duráveis chegaram a apresentar pequena elevação de 1,64%. Os dados são da Fundação Centro de Estudos de Comércio Exterior (Funcex). O aumento na importação de bens de consumo duráveis ajuda a explicar o aumento nos valores importados pelos varejistas, além da própria importação de itens de maior valor agregado.
A compra de produtos de maior valor agregado, porém, não se restringe aos bens de consumo. A Adar, que tem fábrica em Três Lagoas, no Mato Grosso do Sul, importa seus principais insumos da Ásia. Cerca de 80% deles vêm da China. Em 2005, a indústria têxtil comprava entre US$ 10 milhões e US$ 50 milhões em fios e tecidos chineses. No ano passado, a empresa passou para a lista das que desembarcam acima de US$ 50 milhões por ano de produtos made in China.
Marcelo Camarozano, gestor administrativo da empresa, diz que a mudança de faixa de valor ocorreu porque a fabricante de tecidos vem aumentando o volume de importação a cada ano em função da própria elevação de produção, principalmente para o mercado interno. A empresa conseguiu terminar o ano passado com a mesma receita de vendas de 2008, mas aumentou em 10% o volume de importações da China. Segundo Camarozano, os desembarques também aumentaram em valor porque a empresa trouxe insumos de maior valor agregado. Houve uma mudança de 20% no mix de importações da China, com mais tecidos diferenciados, de gramatura mais alta ou com acabamento refinado, que tiveram preços mais altos, conta.
Para 2010, a expectativa é que as importações continuem aumentando. A China ainda deve continuar a ser o principal fornecedor da Adar nos próximos anos. A alteração de 20% no mix de insumos deve ser mantido e, além disso, a empresa planeja aumentar o volume de produção interna de 500 toneladas mensais de malhas em 2009 para 600 toneladas/mês até o fim de 2010. Estamos trabalhando com ganho de escala e produtos de maior valor agregado, seguindo tendências da moda. Camarozano explica que Taiwan e Índia começam a despontar como fornecedores, mas ainda não oferecem a mesma variedade e volume oferecidos pela China.
A mudança de nível de valor importado também está relacionada ao ganho de qualidade do produto chinês, diz o gestor. No começo havia muitos lotes com defeito, que vendíamos a empresas que aceitavam esse tipo de produto. Agora isso é muito raro. (Valor Econômico – 19/02/10) Sinal de recuperação As novas construções de moradias nos Estados Unidos registraram o maior patamar em seis meses e a produção industrial cresceu 0,9% em janeiro, sugerindo que a recuperação econômica está se firmando no país. Foi o suficiente para retirar o pessimismo das bolsas de valores (leia abaixo), que estavam em queda nos últimos dias por causa de dúvidas sobre a saúde econômica europeia. O início de novas construções aumentou 2,8%, para uma taxa anual ajustada de 591 mil unidades, revertendo a queda de dezembro, mostrou um relatório do Departamento de Comércio. Frente a janeiro de 2009, houve aumento de 21,1%, o maior desde abril de 2004. Analistas esperavam leitura de 580 mil unidades.
"É uma surpresa positiva de todos os lados e mostra que a demanda de modo geral aumentou. Saímos de um ciclo baseado em incentivos para um crescimento mais orgânico", disse Craig Peckham, estategista de ações na Jefferies & Co, em Nova York. Outro relatório, do Federal Reserve (Fed, o Banco Central norte americano), mostrou avanços nos setores manufatureiro, minerador e de serviços públicos. O uso da capacidade instalada subiu para 72,6%, ante 71,9% de um mês antes, mas ainda está 8 pontos percentuais abaixo da média vista de 1972 a 2009. No setor imobiliário, o início de construção de moradias por família aumentou 1,5%, para uma taxa anual de 484 mil unidades, após cair 3% em dezembro.
Letargia
Mesmo com as taxas de hipotecas perto do recorde de baixa, a demanda por empréstimos imobiliários(1) continua letárgica. As aplicações caíram 2,1%, enquanto o refinanciamento recuou 1,2%, informou a Associação de Bancos de Hipotecas. O início de construção de moradias teve um pico em janeiro de 2006, com ritmo anual de 2,273 milhões de unidades, e chegou ao fundo do poço com 479 mil unidades em abril passado. Os alvarás, que dão uma ideia da atividade futura na construção, caíram 4,9%, para 621 mil unidades, em janeiro, após terem subido em dezembro para o maior nível em 14 meses.
Um relatório do Departamento de Trabalho mostrou que os preços de importados(2) subiram 1,4% em janeiro. Já os dos exportados avançaram 0,8%.
1 - Início da crise
O superaquecimento do mercado imobiliário norte-americano, movido por baixas taxas de juros e boas condições de financiamento, foi o principal motivo para a explosão da crise mundial em 2008. Os bancos decidiram transformar os empréstimos hipotecários em papéis, que foram comercializados. Com o aumento da inadimplência, várias instituições quebraram, causando prejuízos a outras e provocando perdas generalizadas no mundo todo.
2 - Impulso do gás
Os preços de importados nos Estados Unidos aumentaram impulsionados pelo gás natural e outros combustíveis. O aumento seguiu a alta de 0,2% registrada em dezembro, que foi revista ante a leitura preliminar de estabilidade. Foi o sexto mês seguido de avanço. Analistas esperavam para os preços de importados alta de 0,9% e para os exportados, de 0,4%.
Forte alta de 2,17% na Bovespa
A Bovespa voltou do carnaval realinhando-se ao ganho acumulado pelas praças globais (veja quadro), o que levou seu principal índice ao pico em quatro semanas. Com um avanço de 2,17%, o Ibovespa chegou aos 67.284 pontos, a maior pontuação de fechamento desde 20 de janeiro. O giro financeiro somou R$ 7,36 bilhões, influenciado pelo exercício de contratos de índice futuro. "As bolsas estrangeiras já tinham tido um dia positivo ontem, tendência que continuou, dando um fôlego para a Bovespa", analisou Miguel Daoud, diretor da consultoria de investimentos Global Financial Advisor.
Em Wall Street, em Nova York, um misto de resultados corporativos e econômicos foi a receita de ganhos. Um deles apontou a alta de 2,8% do início de construção de moradias nos EUA em janeiro e o avanço de 0,9% na produção industrial do país.
A piora em algumas das projeções econômicas do Federal Reserve (o Banco Central americano, Fed) para a economia norte-americana, anunciada no fim da tarde, fez os mercados esboçarem uma reversão, movimento que não prevaleceu. Na Europa, o resultado trimestral acima das expectativas do BNP Paribas e a expectativas de um desfecho favorável para a crise da Grécia fizeram os pregões se animarem, com destaque para os desempenhos em Frankfurt (+1,01) e em Londres (+0,62%).
Na bolsa paulista, o avanço do Ibovespa foi comandado pelos papéis preferenciais da blue chip Vale, que subiram 3,6%. A leve alta do petróleo também deu sustentação à preferencial da Petrobras, que evoluiu 1,3%. A recomendação do Conselho da Cimpor para que os acionistas rejeitem a oferta pública de compra revisada da CSN por ao menos um terço da companhia portuguesa resultou em alta de 2,15% das ações da siderúrgica brasileira. Mas a líder de valorização do índice foi a AmBev, com um salto de 5,8%. Ações de empresas ligadas ao mercado doméstico, como varejistas e construtoras, também subiram em bloco.
Câmbio O dólar abriu ontem em queda frente ao real, atento ao cenário externo no azul. Os números melhores impulsionavam a moeda norte-americana ante outras divisas, entre elas o euro, que sofria pressão adicional de preocupações sobre a situação fiscal da Grécia. A divisa encerrou a quarta-feira cotada a R$ 1,833, com recuo de 0,2%.
No mercado
Desempenho das bolsas ontem Em %
São Paulo - 2,17
Nova York - 0,39
Frankfurt - 1,01
Londres - 0,62
Tóquio - 2,72 (Correio Braziliense – 18/02/10) Exportações do Brasil para a UE caem 29% A zona do euro fechou 2009 com superavit comercial de 22,3 bilhões, apesar da crise econômica mundial, puxada pelo bom desempenho da Alemanha. Mas na União Europeia como um todo o deficit acumulado entre os 27 países no comércio extrabloco foi de 105,5 bilhões no ano passado, segundo estimativas preliminares do Eurostat, órgão estatístico do bloco.
Os dados detalhados de janeiro a novembro, também apresentados ontem pelo órgão, mostram que o comércio da União Europeia caiu com todos os parceiros -exceto as exportações para a China, primeiro país a sair da crise, que tiveram avanço de 2%. Com a queda nas importações de commodities, o Brasil foi um dos parceiros mais afetados.
Com a recessão no bloco, as exportações brasileiras para a UE foram reduzidas em 29% nos primeiros 11 meses do ano, menos somente do que as de dois Estados petroleiros (as russas recuaram 38%, e as norueguesas, 30%). Já as exportações para o Brasil caíram 21% no período (atrás da Rússia, 39%, e da Turquia, 23%).
Países cuja pauta exportadora com a União Europeia se concentra em produtos manufaturados -sejam alimentos, químicos ou maquinário- foram menos abalados, caso da China e da Suíça.
As importações de commodities para a UE foram as mais impactadas no período, com queda de 40% sobre os primeiros 11 meses de 2008. Energia (leia-se petróleo e gás) também sofreram, recuando 38%.
Em dezembro, somente, a União Europeia registrou deficit de 2,5 bilhões com o resto do mundo na comparação com o mesmo mês do ano anterior, quando o buraco era de 11,3 bilhões.
Houve melhora de performance, no entanto, em relação a novembro, o que sinaliza que a saída da crise econômica global pode estar ganhando algum fôlego. Mais, porém, para os parceiros do que para a União Europeia: as exportações subiram 2%, e as importações, 0,5%, já levado em conta o ajuste sazonal.
Para os 16 países que usam o euro, a melhora foi mais aguda, de 3,1% nas exportações e de 1,7% nas importações. Dezembro trouxe um superavit de 4,4 bilhões contra o deficit de 1,8 bilhão em 2009.
Alemanha A Alemanha, maior exportadora do bloco (e até ser recentemente superada pela China, do mundo), outra vez puxou a balança, registrando superavit de 122,4 bilhões de janeiro a novembro, seguida pela Holanda ( 35,4 bilhões).
É um sinal lido positivamente pelo mercado, que espera agora para ver se o avanço das exportações se sustenta a ponto de manter a indústria do país produzindo e o PIB subindo, com ecos para todo o bloco. Dados divulgados na semana passada pelo Eurostat mostram que a Alemanha deixou de crescer no último trimestre.
Já os maiores deficit foram registrados pelo Reino Unido ( 85,7 bilhões), que começa a reverter sua retração econômica puxado principalmente pelo setor de serviços, pela França ( 49 bilhões) e a Espanha ( 45,5 bilhões). (Folhas de S. Paulo – 18/02/10) Brasil pode crescer sem problemas a 7% ao ano, diz Delfim A política cambial brasileira é um desastre, mas sua consequência mais imediata - o aumento do déficit em transações correntes - não assusta. O país pode crescer 7% ao ano com endividamento externo nos próximos cinco anos e, antes que se torne um problema, o déficit poderá ser resolvido com a entrada dos dólares oriundos das exportações do petróleo do pré-sal, que começarão a fluir a partir de 2015. O que assusta nesse cenário otimista de crescimento elevado são os efeitos do câmbio valorizado sobre a indústria nacional. Essa é a avaliação do economista Antônio Delfim Netto, professor emérito da Universidade de São Paulo (USP) e ex-ministro da Fazenda e do Planejamento.
O petróleo da camada do pré-sal, para Delfim, é a grande saída para evitar os dois entraves que sempre limitaram nosso crescimento: o déficit em conta corrente e a falta de energia. O pré-sal, no entanto, pode chegar atrasado. Graças ao câmbio valorizado, que, segundo ele, está destruindo o que tínhamos de mais precioso, que era uma indústria extremamente sofisticada e diversificada, a atividade industrial pode alcançar 2015 fragilizada.
Segundo Delfim, um dos conselheiros econômicos do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e sua equipe, o governo agiu de maneira razoavelmente correta. A estratégia de fundir e fortalecer grandes grupos nacionais em diferentes setores por meio de operações financiadas pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) é acertada, diz Delfim. Frequentemente ouvimos certas pessoas criticando essa estratégia com aquela história de que o Estado escolhe os vencedores. Fazem isso porque eles são perdedores, não foram escolhidos, como gostariam ser.
Delfim reconhece que os investimentos públicos melhoraram um pouco, mas critica outros gastos do governo federal, como os aumentos dados ao funcionalismo público. É muito mais fácil gastar em custeio que em investimento. Investimento dá trabalho. Precisa de projeto, administração. Custeio é uma alegria, distribui-se empregos, aumenta salário, algo que dá grande prestígio ao governo, diz. Para ele, é preciso aproveitar as eleições de outubro deste ano para conscientizar a sociedade de que existem limites físicos ao crescimento, que para ocorrer no longo prazo prescinde de um consumo menos acelerado no presente. A seguir, os principais trechos da entrevista de Delfim Netto:
Valor: A crise mundial acabou?
Antonio Delfim Netto : O pior passou, mas temos resquícios, embora isso não signifique uma crise em forma de W ou L. O nível de atividade na economia real está com um sentimento de entusiasmo, porque voltou a crescer, mas continua um resíduo no sistema financeiro. Agora, o equilíbrio fiscal de alguns países, que tinham razoável equilíbrio antes da crise, piorou demais por causa da ação anticíclica feita no ano passado. O problema mais importante hoje é o risco que se estabeleceu sobre o euro. No fundo, na minha opinião, nenhum daqueles países mais enrascados, como Grécia, Espanha, Portugal ou Itália vai quebrar. Eles vão ter de fazer um ajuste que vai depender da política de cada país, da qualidade de sua administração, mas todos têm um interesse medonho de permanecer no euro. A questão é que esses países já estavam quebrados há muito tempo, mas não era algo visível, porque eles se beneficiavam do euro, que reduziu as taxas de juros dos papéis desses países dramaticamente. Em lugar de aproveitar os juros baixos da moeda única para melhorar sua situação fiscal, reduzindo sua dívida, eles continuaram em situações dramáticas. No caso da Espanha, você tem país robusto, grande, com investimentos externos importantes, mas com uma taxa de desemprego gigantesca e de composição crítica, porque ocorre na faixa entre 20 e 30 anos de idade.
Valor: A situação fiscal dos países europeus é a grande preocupação deste 2010?
Delfim : Todo mundo sempre imaginou que a Europa fosse uma área monetária ótima. Agora está provado que não é possível ter uma área monetária ótima sem ter um governo, sem uma política fiscal ou uma política monetária. Esses países abdicaram de seus poderes. Lá os presidentes e primeiro-ministros são como os prefeitos de regiões dentro de um só país. Os presidentes da Grécia, da Espanha, da Itália são prefeitos para administrar saúde, educação. Essa área monetária ótima para a qual estão caminhando na comunidade europeia chegou num ponto crítico. Bateram no teto. Daqui para frente, precisarão instituir um controle muito maior da parte fiscal dos países membros. Agora é um problema sério.
Valor: Há um ano, havia certo consenso de que o Estado deveria ampliar gastos e incorrer em déficits fiscais, se preciso, para estimular a economia. Hoje, o debate se dá quanto à retirada desses estímulos. O cenário mudou rapidamente?
Delfim : Quando se está em processo recessivo é natural que se use a política fiscal para reduzir os efeitos negativos. Mas é natural que se use a política fiscal no sentido correto. Ninguém propõe aumento de custeio. O ideal seria que cada país tivesse um estoque de projetos de infraestrutura com taxas de retorno baixas - porque se fossem altas o setor privado os faria - que poderia ser rolado pelo Estado num momento de crise. Quando termina a crise, a situação fiscal volta para o equilíbrio. Só que é muito mais fácil gastar em custeio que em investimento. Investimento dá trabalho. Precisa de projeto, administração. Custeio é uma alegria, distribui-se empregos, aumenta salário, algo que dá grande prestígio ao governo.
Valor: É o que tem acontecido no Brasil?
Delfim : Em parte é, mas no caso brasileiro houve um aumento do investimento um pouquinho maior do que as pessoas dizem. É claro que tudo isso é medido em relação ao PIB e essas medidas são terrivelmente enganosas, porque quando se diz que a despesa de custeio do governo está constante em 5% do PIB, as pessoas esquecem que o PIB está crescendo, então se ela permanece constante significa que a despesa aumentou também. É um truque impressionístico.
Valor: O estímulo do consumo foi a estratégia correta?
Delfim : Claro, mas o nível de consumo não cresceu em relação ao PIB, permanecendo constante na casa dos 65% do PIB mesmo depois das medidas. Essa foi uma medida anticíclica de verdade, porque ela vai terminar. Aumento de funcionalismo público não é medida anticíclica.
Valor: Mas isso também não aconteceu?
Delfim : Aconteceu. Acho o governo Lula com muitas virtudes, mas não é uma coisa perfeita. Como todo governo, tem suas idiossincrasias, suas preferências. É um Estado onde o sindicalismo tem um poder muito maior do que tinha, apesar da participação dos sindicatos ter diminuído. O verdadeiro trabalhador teme o sindicato. Mas tudo isso são pequenas coisas dentro de um grande projeto. É uma ilusão tentar diminuir o governo Lula, como é uma ilusão tentar diminuir o governo Fernando Henrique, que cometeu seus erros. Desde 1988 o país foi encontrando seu caminho com um sistema político organizado. Talvez seja o único país subdesenvolvido que não tem nenhum problema maior.
Valor: O que o sr. achou da ação do Banco Central no período?
Delfim : O governo entrou na crise no dia 16 de setembro de 2008 um dia depois da falência do Lehman Brothers nos EUA. Por quê? Porque o sistema bancário brasileiro não poderia ficar em tom de deselegância com o resto do mundo. O sistema bancário do mundo parou, o sistema bancário brasileiro tinha de parar também. O Banco Central poderia ter agido mais rapidamente, mas também há justificativas para seu conservadorismo. O funcionário do BC é um homem temeroso, porque está vendo aqueles que fizeram o Proer, que com custo de 3% do PIB higienizou o sistema bancário brasileiro, respondendo a processos do Ministério Público, com bens indisponíveis e tudo o mais. Isso assusta o funcionário. Como é que ele vai tomar risco, se não tem proteção? Acho que isso torna a ação do BC sempre lenta e homeopática.
Valor: O sr. percebe uma ressureição do consenso acerca do Estado grande?
Delfim : É preciso separar as coisas. Estado balofo é um equívoco. A economia de mercado não é o sistema financeiro. A economia de mercado é o sistema produtivo, a economia real. Esse foi vítima, tendo sido encoleirado pelo sistema financeiro, que deveria ser servo do sistema produtivo. Foi uma farra em que todo mundo ganhou e é visível que esse sistema não pode continuar sem um controle eficaz das operações financeiras. Mas isso nada tem a ver com o sistema produtivo. O Estado produtor é uma tragédia, mas Estado indutor é fundamental. Não há desenvolvimento econômico no mundo que não tenha sido feito sem o apoio de um Estado indutor. A maior ilusão é pensar que o desenvolvimento inglês, na revolução industrial, não tinha o Estado por trás. Os americanos então nem se fala. Algumas pessoas imaginam que os EUA sempre foram liberais. Não tem nada disso.
Valor: O sr. vê gente no governo defendendo o Estado balofo?
Delfim : Honestamente, não. É preciso distinguir o partido do governo. O PT tem isso no sangue, não adianta ficar com ilusão. É o Estado que convém ao estamento sindical. Não acredito que algum dos dois candidatos do PT e do PSDB tenha uma ideia de Estado balofo. Os dois, acredito, defendem um Estado indutor forte, mas isso nada tem a ver com o Estado cheio de funcionário público fingindo que está trabalhando.
Valor: A oposição critica o governo Lula por, segundo entende, promover um retorno do Estado interventor. O que o sr. acha?
Delfim : Nenhum tijolo do Minha Casa, Minha Vida foi feito pelo Estado. Tudo tem participação do setor privado. Este é o efeito típico do Estado indutor. É uma crítica indevida. O absurdo seria o Estado fazer as usinas de Santo Antônio e Jirau, mas o Estado criar condições para essas usinas é algo fundamental. Acho que o governo tem agido de maneira razoavelmente correta. Frequentemente ouvimos certas pessoas criticando o governo com aquela história de que o Estado escolhe os vencedores. Fazem isso porque eles são perdedores, não foram escolhidos, como gostariam ser.
Valor: O cenário pós-2010 é de continuidade?
Delfim : O Brasil é o avant-garde do mundo. A situação brasileira melhorou muito mesmo, mas o Lula soube vender isso como ninguém, ele é um ótimo marqueteiro. É claro que os investidores estrangeiros enxergam o Brasil com muitos bons olhos e veem isso porque as perspectivas de crescimento são importantes e são reais.
Valor: O que o sr. mudaria?
Delfim : Estou velho demais para isso. Vejo o Brasil com grande otimismo. Temos todas as condições para engrenar um crescimento de 6% ou 7% ao ano. Com o crescimento populacional diminuindo, isso nos colocará numa situação muito interessante, com consciência ecológica e desenvolvimento dos combustíveis renováveis. O Brasil tem tudo para chegar na metade do século XXI como um país desenvolvido, democrático, um mercado interno com proporções extraordinárias e importante participação política no mundo. Não vejo nenhuma restrição. O pré-sal é uma garantia, que vai aparecer entre 2014 e 2015. Até lá o câmbio flutuante e as reservas que temos vão dar conta desse processo de endividamento nas transações correntes. Não vamos voltar a nos endividar nos níveis que nos endividamos no passado, quando ocorreram crises nos anos 80 e 90. Isso dá uma perspectiva nova para o nosso crescimento. O pré-sal é uma espécie de seguro contra os riscos do passado.
Valor: A aposta nesta década que se inicia deve ser o petróleo?
Delfim : O petróleo é século XX, temos de reservá-lo para seu uso mais nobre, que é a indústria química. O Brasil tem tudo para ser um participante extraordinário nisso. Sem o comércio exterior robusto, nenhuma indústria brasileira consegue a dimensão ótima. O comércio exterior é um complemento fundamental do mercado interno.
Valor: O que o sr. acha da queda na balança comercial, que sai de US$ 25 bilhões no ano passado para pouco acima de zero, como prevê o governo, neste ano?
Delfim : A política cambial brasileira é um desastre. É uma ilusão em um país pobre como o Brasil, cujo câmbio é um ativo financeiro manipulado por forças que ele não conhece, ficar defendendo a ideia de que é o mercado quem produz o equilíbrio cambial adequado. Essa ilusão é dirigida por esse mito do fundamentalismo mercadista de que a taxa de câmbio é um fenômeno natural, que intervir é um pecado capital, uma violação às leis divinas. O real valorizado está destruindo nossas cadeias produtivas. Isso está destruindo o que tínhamos de mais precioso, que era uma indústria extremamente sofisticada e diversificada. Nós temos que continuar insistindo na diversificação das exportações, no aperfeiçoamento dos ganhos de valor adicionado interno.
Valor: Como isso pode ser feito com câmbio valorizado?
Delfim: Fico espantado de ver as mesmas pessoas que diziam que o câmbio de R$ 1,60 era ruim, agora pedindo para o BC vender dólar a fim de evitar que a cotação alcance R$ 2,00. Sabe qual é a explicação disso? É que as mesmas experiências de derivativos tóxicos realizadas por empresas no período pré-crise estão sendo realizadas agora. Acho que o governo deveria explodi-los mesmo. Nós já fizemos o que podíamos fazer por eles. Daqui para frente é usar o regime iraquiano, que é a limpeza do sistema.
Valor: Das empresas que operam com derivativos de câmbio?
Delfim : O hedge é a coisa mais perfeita que existe. Mas quem usou hedge para especular com a cotação não pode continuar. Não tem nenhuma importância, o patrimônio está aí. Arranja-se um comprador, o BNDES dá um dinheiro, substitui-se a gestão e pronto, melhora.
Valor: A China, com seu câmbio desvalorizado praticamente fixo ao dólar, é um exemplo?
Delfim : Não, e, aliás, do jeito que está, se a China não fechar um acordo razoável de valorização de sua moeda veremos aumento do protecionismo e redução do movimento de capitais. Só um país descerebrado pode pensar que o yuan a moeda chinesa vai ser uma moeda internacional. Moeda é confiança. Quem confia no Partido Comunista chinês? Nem os comunistas confiam.
Valor: O que o sr. acha dos candidatos a presidente?
Delfim : A gente só vai julgar os candidatos com seus programas. A coisa mais fundamental é chamar a atenção dos eleitores para um debate novo. Há uns candidatos que chamo de vendedor de óleo de cobra, que era aquele sujeito do Velho Oeste que vendia uma solução para qualquer problema, de unha do pé encravada a tumor cerebral. Tem outros que vão vender as coisas possíveis. Temos de insistir em determinados assuntos. O eleitor precisa entender que existem sim limites físicos que não são manipuláveis por nenhum vendedor de óleo de cobra. Que crescimento rápido hoje exige menor consumo. Aumento do consumo hoje significa redução do crescimento amanhã. Portanto, por maior que seja o desejo de redistribuir e crescer, existe um limite físico para isso.
Valor: Algum candidato vai defender consumo menor?
Delfim : Essa é a tarefa da mídia. Não é o candidato que vai dizer isso - embora espere que digam. (Valor Econômico – 18/02/10) IED - mera aparência De todas as bandeiras ufanistas desfraldadas no Brasil no período recente, nenhuma se compara ao Investimento Estrangeiro Direto (IED), apresentado como prova da solidez de nosso fluxo cambial e da confiança da comunidade internacional no acerto de nossa política econômica. Diferentemente dos capitais voláteis - destinados às aplicações financeiras - sujeitos à debandada ao menor sinal de alteração da política econômica, aqui ou em outros países, o IED representaria um capital enraizado em nossa economia, por se destinar ao investimento em empresas. A euforia internacional com o novo milagre brasileiro - o primeiro foi na década de 70, lembram? - é tamanha que já se trata de deter a enxurrada de capitais mediante taxação.
Euforias devem ser analisadas, antes que a sensatez desapareça de vez. Vamos recuar um pouco no tempo, recordar as realizações de nossa política econômica, que tanto elevaram nosso conceito, e avaliar onde nos encontramos hoje.
Iniciemos pelo superávit primário, que garantia a segurança do pagamento dos juros sobre nossas dívidas, e desapareceu com as políticas anticíclicas adotadas pelo governo. O que ainda resta de superávit primário é fruto de manobras contábeis de exclusões e inclusões de PAC, Petrobras, Tesouro etc. Também tínhamos uma execução fiscal responsável, sustentada por sucessivos recordes da arrecadação tributária, que minguou pelas renúncias fiscais das políticas anticíclicas, além do crescimento explosivo de nossa dívida pública. Outra realização elogiada, o crescimento das reservas internacionais em dólares, tornou-se fonte de preocupação, uma vez que essa é a moeda que mais se deprecia no mundo, além de pagar juros próximos a zero, o que implica em elevado custo de carregamento, pelo diferencial com nosso elevado juro interno. Ainda outro trunfo, a geração de superávits na balança comercial, que impulsionava a renda interna, reduziu-se, e a participação do setor primário na pauta de exportações teve alta expressiva, significando um retrocesso de décadas.
Por último uma elevada taxa de juros real que garantia um nível de consumo adequado à taxa de crescimento do PIB. Mas o efeito-juros foi anulado pelas medidas anticíclicas, que introduziram uma política de crédito a taxas de juros subsidiadas, do Tesouro ao BNDES, e pela repolitização dos bancos estatais, que se tornaram instrumentos de políticas econômicas voluntariosas.
Percebe-se que as políticas anticíclicas, que supostamente transformaram o Brasil em um oásis no deserto da recessão mundial, são justamente aquelas que eliminaram os parâmetros que sustentaram o nosso elevado conceito. Portanto, os investidores estrangeiros deveriam estar ariscos, aguardando, para ver o que vai acontecer. Mas, aparentemente, não é isso o que nos mostra o volume de entrada do IED, que supõe um desempenho muito positivo. Os investidores estrangeiros estariam bancando o risco Brasil, com investimentos não financeiros.
Para entendermos se isso é uma realidade, ou mera aparência, cabe analisar o movimento do IED líquido (investimentos menos desinvestimentos) no período conhecido como nunca antes na história deste país e compará-lo ao movimento de remessa de lucros e dividendos, que é um critério universal de avaliação do grau de confiança do investidor estrangeiro em qualquer país. Afinal, antes de entrar com novos investimentos muito mais sentido faz reinvestir os lucros.
Mas antes uma ressalva se faz necessária. Na demonstração gráfica tratamos de corrigir o que nos parece um equívoco conceitual do Banco Central, qual seja a inclusão no IED dos empréstimos intercompanhia. Ora, empréstimos são inequivocamente um movimento financeiro, de aplicação em renda fixa. E tão sujeitos à volatilidade quanto qualquer aplicação em renda fixa ou variável. Portanto, consideramos apenas a rubrica IED - Participação no Capital.
No quadro, o que se observa são dois períodos distintos. O primeiro, que vai de 2003 a 2007, quando as remessas de lucros e dividendos consumiram uma média superior a 50% do IED - participação no capital, com um notável pico em 2006, quando consumiram 80,5%. Isso significou que a cada período de menos de 2 anos o IED - participação no capital era anulado, exigindo uma reposição. O segundo período, cobrindo 2008 e 2009, quando as remessas consumiram, na média, mais de 90% do IED - participação no capital !!!
Tal comportamento descaracteriza um movimento de investimento não financeiro. É essencialmente um movimento financeiro. O que está ocorrendo é que o BC classifica os capitais entrados como deve ser, por seu destinatário: indústria A, ou rede varejista B. O que é muito diferente de controlar o que a tesouraria dessas empresas faz com esses capitais. Os movimentos indicam que destinam-se, prioritariamente, à geração de lucros financeiros e não de lucros operacionais. Aí está embutida uma operação de arbitragem de juros além de um eventual ganho cambial pela expressiva valorização do real.
Pode-se dizer que o IED é mera aparência. É praticamente nulo, tanto em valor absoluto, como em participação no PIB. Quanto à confiança em nossos destinos, parece que os investidores estrangeiros estão ariscos mesmo. Resta a euforia. Bem, essa vai durar o tempo que durar a nossa bolha, que maior nunca se viu na história deste país. (Valor Econômico – 18/02/10) Produtividade cresce e dificulta expansão do emprego na indústria A recuperação da atividade industrial não está sendo acompanhada de criação de empregos na mesma proporção e velocidade. Ao contrário, a expansão da produção em boa parte é sustentada no aumento da produtividade dos trabalhadores no período de recuperação, somado ao esforço dos empregados que permaneceram no mercado.
Essa tendência aparece nas respostas de empresários entrevistados nos últimos dois meses em uma pesquisa da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp). De um total de 365 empresas consultadas, 76% disseram esperar aumento de produção no primeiro semestre deste ano e só 6% falam em queda. O otimismo não para aí: 81% pretendem realizar, este ano, investimentos capazes de aumentar em 15%, na média, a sua capacidade produtiva.
Em contrapartida, os empresários estão divididos em relação à contratação de novos empregados: 51% pretendem fazê-lo e 49% não têm planos de contratar. Em média, essas empresas têm expectativa de ampliar em 7,36% o seu quadro de pessoal no semestre.
O esforço sempre é o aumento de produtividade, diz o presidente da Fiesp, Paulo Skaf. Ninguém se preocupa dentro do mundo moderno em aumentar volume de produção a qualquer custo, é uma relação entre custo e benefícios e isso significa aumento de produtividade.
Simulação feita pela Fiesp indica que, projetado para o conjunto total das indústrias paulistas, a taxa de crescimento de postos de trabalho no semestre seria de 3,95%. O número corresponde a cerca de 90 mil novas vagas. É pouco se comparado com o estrago causado no emprego pela crise financeira mundial.
O impacto da crise no mercado de trabalho foi mais forte em São Paulo do que no resto do País. Entre outubro de 2008 e dezembro do ano passado, a indústria brasileira eliminou 334.434 mil postos de trabalho formais, de acordo com o Cadastro Geral de Empregados e desempregados (Caged) do Ministério do Trabalho e Emprego. Quase dois terços das demissões ocorreram no Estado de São Paulo, onde a indústria fechou 212.839 vagas.
A velocidade de criação de postos de trabalho em São Paulo é mais lenta. Enquanto a indústria nacional recuperou 10.865 empregos em 2009, a indústria paulista fechou 50.646 vagas. Até o início de 2011, vamos recuperar os empregos que existiam antes da crise, afirma Skaf. Enquanto em 2008 não sabíamos o que ia acontecer, e o crescimento econômico acabou ficando próximo de zero, este ano temos perspectiva de crescimento de 6%.
O economista Jose Pastore, especialista em relações do trabalho, avalia que as contratações da indústria vão crescer em relação a 2008, que é uma base de comparação ridícula. Além do processo de modernização e automação das fábricas, Pastore lembra que as exportações ainda estão longe de recuperar o terreno perdido com a retração global.
Estudo do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social, indica que a queda das exportações é responsável por 74,9% da retração da indústria nos seis meses seguintes à crise. Sem a queda na demanda externa, a produção industrial em outubro de 2009 teria praticamente retornado ao patamar pré-crise, afirma o banco.
Por mais que o mercado interno esteja bom, a indústria depende muito da exportação, observa Pastore. Nossas vendas externas caíram 40% no ano passado e não está havendo reação, exceto das commodities (matérias-primas), que emprega menos e paga salários mais baixos. O economista considera ilusório achar que a tecnologia causa desemprego: O emprego direto perdido é mais do compensado com vagas indiretas, especialmente no setor de serviços. (O Estado de S. Paulo – 17/02/10) A União Europeia, o Brasil e o futuro BRASIL E União Europeia (UE) celebram hoje, em Madri, a reunião do diálogo político acordado na associação estratégica europeia-brasileira, que, pela primeira vez, tem o formato de nível ministerial. Nesse encontro, ambas as partes repassarão os principais assuntos da agenda regional e global.
O diálogo com o governo do Brasil interessa especialmente à UE. Os anos de bom governo têm dado ao Brasil estabilidade política e progresso econômico e social, e, com isso, a possibilidade de valorizar o seu imenso potencial. A gestão do presidente Lula da Silva é hoje amplamente reconhecida tanto no âmbito interno quanto na esfera internacional.
O Brasil está jogando na primeira divisão da política mundial. É, já, um interlocutor imprescindível nos assuntos e diálogos que estão definindo a construção e o futuro do mundo: aquecimento global, meio ambiente, eficiência energética, governo econômico mundial, reforma das instituições financeiras internacionais, segurança e combate da delinquência internacional ou reforma das Nações Unidas. A União Europeia é igualmente ativa nesses temas e, por isso, uma relação estreita com Brasil resulta conveniente para ambos.
Conscientes dessa realidade, a UE e o Brasil deram um passo adiante com a assinatura em 2007, durante a presidência portuguesa da UE, do Acordo de Associação Estratégica que se completou com o Plano de Ação Conjunta, no Rio de Janeiro, em 2008.
Os diálogos criados no amparo desses documentos estão tecendo uma espessa rede de intercâmbios, que nos levam na direção de relações verdadeiramente estratégicas com muitas coincidências e com diferenças superáveis, como acontece em todas as relações próximas intensas.
A nos unir, uma história compartilhada e o fato de que muitos brasileiros têm raízes europeias, com intensos laços familiares e afetivos, o que faz com que a Europa siga sendo uma referência cultural, educativa e social.
Paralelamente, Brasil assombra os europeus com sua fartura e criatividade. A UE é o primeiro parceiro comercial, o maior investidor no Brasil, o primeiro parceiro para os projetos de cooperação técnica e o lugar preferido pelos estudantes e cientistas brasileiros para ampliar os seus estudos.
A presidência espanhola se propõe a reforçar a dimensão latino-americana e caribenha da política externa da UE em uma etapa em que, após a entrada em vigor do Tratado de Lisboa, esta adquirirá maior peso e eficácia.
Nesse empenho, o crescimento e a consolidação do Brasil no cenário regional são um dado central. Uma aproximação birregional tem que considerar as dimensões e o papel que o Brasil está jogando como gerador de prosperidade econômica, estabilizador político regional e catalisador de uma institucionalização genuinamente latino-americana, via iniciativas como a União das Nações Sul-Americanas e a sua rede de conselhos, ou a incipiente Organização dos Estados da América Latina e do Caribe.
Com Brasil e outros países que fazem parte do Mercosul, estamos trabalhando decididamente para retomar, o mais breve possível, as negociações para que, num futuro próximo, possa ser assinado um acordo de associação entre a UE e o Mercosul, criando um espaço de interação de mais de 800 milhões de pessoas.
Um acordo com essas características é não só um acordo econômico mas também uma autêntica associação baseada em valores comuns, com componentes-chave de cooperação educativa, científica, cultural, política etc. Esse tipo de acordo tem a vocação de desenvolver integralmente todas as partes por meio de um benefício mútuo, e essa é uma oportunidade que não queremos nem podemos deixar de aproveitar.
Em um marco mais amplo, temos em maio, como projeto próximo, a Cúpula União Europeia-América Latina e Caribe, em Madri. O Brasil fará sentir sua voz e sua presença nessa reunião, e isso será a chave para o futuro da associação birregional Europa-América Latina e Caribe.
A relação Brasil-UE tem um grande valor em si mesma, porém, além disso, uma de suas grandes potencialidades é a capacidade de catalisar a aproximação entre as duas regiões e propiciar, com isso, uma maior e melhor integração dentro dos conjuntos regionais na América Latina.
Brasil tem, evidentemente, um enfoque essencial da sua ação externa na própria região ibero-americana. A UE tem também uma importante dimensão ibero-americana há muito tempo na sua política externa. A coincidência de um vetor tão relevante na projeção externa brasileira e europeia é um elemento bastante enriquecedor para as nossas duas regiões que, sem dúvida, potenciará mais, se é cabível, a presença de Brasil na UE e a da UE no Brasil. (Folha de S. Paulo - 15/02/10) Japão reage no fim de 2009, mas PIB cai 5% O Produto Interno Bruto (PIB) do Japão em 2009 teve queda recorde de 5%, no pior desempenho desde a recessão da 2ª Guerra Mundial, segundo dados do governo japonês. No entanto, no último trimestre de 2009, o país mostrou reação ao crescer a uma taxa anualizada de 4,6%, acima das expectativas de analistas. O melhor desempenho ocorreu em razão de um reaquecimento das exportações que cresceram em dezembro pela primeira vez desde a quebra do Lehman Brothers, em 2008.
O PIB nominal do país em 2009 fechou em US$ 5,075 bilhões. Com o resultado, o Japão se manteve na posição de segunda maior economia mundial, atrás dos Estados Unidos. Mas a margem ficou mais apertada em relação à China, a terceira economia, cujo PIB nominal foi de US$ 4,9 bilhões no ano. O PIB chinês cresceu 8,7% em 2009. (O Estado de S. Paulo – 15/02/10) China leva tensão às bolsas Uma nova ofensiva chinesa para conter o aquecimento excessivo da economia ofuscou as atenções do mercado na mobilização europeia para salvar a Grécia, fato que havia levantado a Bovespa nas últimas quatro sessões. O Ibovespa ainda ensaiou uma reação no fim do pregão, mas não o suficiente para evitar um recuo de 0,41%, aos 65.854 pontos. Ainda assim, o principal índice acionário doméstico acumulou ganho de 4,9%.
Uma pane no sistema eletrônico da bolsa interrompeu as operações no mercado futuro nos primeiros 30 minutos de sessão. Embora as ações continuassem sendo transacionadas normalmente, os operadores perderam a referência, o que enxugou a liquidez dos contratos de índice. Por isso, o giro financeiro do pregão que antecede o feriado de carnaval foi de apenas R$ 5,47 bilhões, um dos menores do ano. A pane aconteceu justamente no dia em que a Bovespa anunciou que elevará sua participação de 1,8% para 5% na holding de bolsas CME, num investimento de US$ 620 milhões. No fim, a ação da BM&FBovespa caiu 2,1%, a R$ 12,04, sendo o maior peso do dia no índice.
No plano geral, a grande pressão sobre os negócios veio da China, que anunciou um novo aumento de 0,5 ponto percentual nos depósitos compulsórios (parte do dinheiro dos correntistas retido pelos bancos no Banco Central). O anúncio do segundo aumento neste ano desse instrumento de política monetária (usado para enxugar dinheiro do mercado) surpreendeu os mercados globais e desencadeou um processo de queda nas bolsas. Na Europa, a reação negativa foi generalizada: Frankfurt (-0,06%), Madri (-0,55%), Londres (-0,37) e Paris (-0,49%). Nos Estados Unidos, o índice Dow Jones da Bolsa de Nova York encerrou a sexta-feira com perdas de 0,44%. Embora os investidores já esperassem por uma nova elevação dos compulsórios pelo Banco Central chinês, poucos imaginavam que a decisão fosse ser tomada tão cedo, após uma primeira elevação no mês passado.
No Brasil, o peso no Ibovespa foi aliviado em parte por Petrobras, cuja ação preferencial subiu 1,3%, com investidores ainda reagindo ao anúncio de uma nova descoberta de petróleo na Bacia de Santos. Fora do índice, a Telebras tombou 20,8%, após a companhia postar comentários do ministro das Comunicações, Hélio Costa, de que ainda não há uma decisão sobre inclusão desta no Plano Nacional de Banda Larga. No mercado de câmbio, o dólar subiu 0,76%, para R$ 1,863.
O número
Ibovespa
Índice tomba 0,41%
e moeda americana sobe 0,76%, a R$ 1,863. (Correio Braziliense – 13/02/10) Apex traz investidores para a folia A Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex-Brasil) aproveitará o Carnaval para incentivar 150 empresários e formadores de opinião de 29 países a investir no Brasil. O Projeto Carnaval contará, inclusive, com um camarote para que os investidores estrangeiros assistam, nos dias 14 e 15 de fevereiro, ao desfile das escolas de samba do Rio de Janeiro na Marquês de Sapucaí.
No ano passado, fizemos algo parecido, só que em menor proporção, com apenas 100 visitantes de 22 países. O resultado foram US$ 10 milhões em investimentos.
Este ano, nossa expectativa é de, no mínimo, dobrar esses valores – disse o presidente da Apex-Brasil, Alessandro Teixeira. Ele explicou que esse é "um trabalho de sedução visando a trazer mais investimentos ao Brasil".
O mote do Carnaval é, segundo Teixeira, uma justificativa a mais para despertar o interesse dos investidores. "Isso ajuda a fazer com que eles decidam vir conhecer o Brasil.
Estando aqui, fica mais fácil convencê-los de que existem grandes oportunidades de investimentos em nosso país".
Segundo Teixeira, o projeto recebeu investimentos no valor de R$ 1 milhão. A iniciativa, que conta com a parceria do Instituto Brasileiro de Turismo (Embratur) e de entidades empresariais de diversos setores da economia, pretende intensificar o relacionamento entre empresários brasileiros e compradores internacionais.
Entre os dias que antecedem e sucedem o Carnaval estão previstas visitas a fábricas, lojas e pólos produtivos de diversos segmentos em Minas Gerais, São Paulo, no Paraná, em Santa Catarina, e no Rio Grande do Sul, além do Rio de Janeiro.
Nestes estados, os investidores conhecerão as experiências do empresariado brasileiro em áreas como produção publicitária, vinhos, equipamentos de panificação, frutas, indústria têxtil, instrumentos musicais, franquias, tecnologia da informação, torres de transmissão de energia e cosméticos.
Com a ajuda da Apex-Brasil, os visitantes conhecerão de perto as tendências da indústria e serão auxiliados na busca por parcerias, prospecção de negócios e identificação de fornecedores.
Segundo a agência, há um grupo polonês que visitará a Serra Gaúcha com interesse em investir nas vinícolas. Há ainda cinco empresários e dois investidores americanos interessados em fechar negócios com 58 empresas brasileiras da área de tecnologia da informação, com o apoio da Associação para Promoção da Excelência do Software Brasileiro (Softex). (Jornal do Brasil – 13/02/10) Problemas da Europa, oportunidades do Brasil Cinco países da Zona do Euro entraram no radar das agências de risco. Os países que formam o Gipsi (Grécia, Irlanda, Portugal, Espanha e Itália) apresentam indicadores macroeconômicos bastante preocupantes.
O déficit público em 2009 (diferença entre arrecadação e gastos do setor público), a dívida líquida do setor público no final do ano e o resultado anual em conta corrente de 2009 (balanço de todos os recursos em moeda estrangeira que entraram e saíram do país durante o ano, exceto o fluxo de capital em investimentos diretos e aplicações no mercado financeiro) destes países atingiram uma marca considerada limite. Além deste limite, o país começa a ser considerado de alto risco. Isto é: a possibilidade de dar calote na dívida externa passa a ser grande.
Para se ter uma ideia, a dívida líquida do Brasil em relação ao PIB (Produto Interno Bruto) gira em torno de 44%, enquanto a Grécia tem uma dívida de 82%, Portugal de 56%, e a Itália de 113%. O déficit público anual da Espanha, em relação ao PIB, é de 12,3%, da Grécia de 12,4%, e da Irlanda de 12,2%. O Brasil tem um déficit público de 3,2% do PIB.
Embora os Estados Unidos e o Japão – que apresentam dívida líquida do setor público de 65% do PIB e 104% do PIB e déficit público anual de 13,6% do PIB e 10,5% – apresentem números igualmente preocupantes, eles têm capacidade de honrar seus compromissos sem grandes dificuldades.
O Japão tem reservas que superam US$ 1 trilhão. Já os Estados Unidos têm enorme capacidade de financiamento internacional (todos aceitam comprar títulos do governo americano) e levam a vantagem de emitir dólares (moeda aceita internacionalmente).
Como os cinco países que estão na berlinda já não podem desvalorizar suas moedas (para aumentar suas exportações e reduzir as importações), para equacionar o problema será necessário implantar uma política fiscal rigorosa (aumentar os impostos e reduzir os gastos públicos).
Também será necessário recorrer à ajuda da França e da Alemanha (principais países da Zona do Euro). Esta situação freará o crescimento da economia europeia em 2010 e possivelmente em 2011.
Vários países do Leste Europeu e da Ásia, como Albânia, Bósnia, Bulgária, Croácia, Macedônia, Montenegro, Romênia, Servia, Armênia, BieloRússia, Geórgia e Moldávia, também estão em situação crítica.
Não podem, no entanto, gerar um efeito cascata na economia internacional.
O problema dos Gipsi é a primeira grande herança da crise financeira internacional do ano passado. Os países em desenvolvimento, que não estão em situação tão delicada, podem aproveitar a oportunidade para galgar posições na economia mundial.
Os próximos cinco anos serão decisivos para mudar suas posições econômicas. Para o Brasil, a situação é bastante favorável: nos próximos anos, a distância entre nós e os países desenvolvidos ficará cada vez menor.
As oportunidades aparecem para aqueles que se organizaram para aproveitá-las.
O Brasil fez boa parte da sua lição de casa e se preparou para aproveitar o momento. (Jornal do Brasil – 13/02/10) FMI sugere afrouxamento de metas de inflação Economistas do FMI desafiaram a ortodoxia econômica ontem ao sugerir que muitas das ferramentas de política econômica existentes antes da crise deveriam ser reformadas. Estudo interno da instituição, que traz entre seus co-autores seu economista-chefe, Olivier Blanchard, afirma que a crise econômica e financeira expôs falhas na estrutura básica de política econômica existente antes da crise.
As sugestões apresentadas incluem elevar as metas de inflação de 2% para 4% ao ano, de modo que a política monetária possa responder melhor aos choques; pagamentos automáticos de benefícios às famílias mais pobres caso o desemprego exceda um limite e intervenção cambial para as economias menores que dependam do comércio externo.
Blanchard, no entanto, reconhece que não existe ímpeto político em apoio a muitas dessas ideias. A sugestão de que as metas inflacionárias sejam elevadas a 4% fará com que dirigentes de bancos centrais engasguem no café da manhã, porque passaram suas carreiras conquistando a credibilidade de metas em torno dos 2%.
Blanchard disse que a ideia de elevar as metas inflacionárias não deveria ser vista como abstrusa. O economista reconheceu que inflação e taxas de juros mais altas, em tempos normais, acarretariam custos, mas que poderiam valer a pena, já que isso tornaria a política monetária mais efetiva em momentos de crise.
Além das metas inflacionárias mais altas, o estudo sugeria oferecer aos dirigentes de bancos centrais ferramentas regulatórias cíclicas, incluindo razões de capitalização bancárias que permitiriam alterar o nível de endividamento, limites nos empréstimos a fim de controlar a captação interna nos mercados hipotecários e requerimentos de margem que ofereceriam algum controle sobre as ações.
Os juros foram por décadas a única ferramenta dos bancos centrais. Alguns economistas sugeriram que elas fossem usadas de forma mais ativa para combater as tendências vigentes nos mercados de crédito, mas Blanchard rejeitou essa abordagem vigorosamente.
O estudo reconhece que a política fiscal se tornou uma ferramenta vital de estímulo à demanda durante a crise e diz que seu sucesso deveria ser formalizado com medidas como transferências temporárias dirigidas a domicílios de baixa renda ou liquidez restrita.
Muitos mercados deveriam deixar de dizer que simplesmente seguiram suas metas inflacionárias, quando políticas de estabilização de câmbio se mostram mais sensatas que sua retórica, afirmou. (Folha de S. Paulo – 13/02/10) Bolsa tenta evitar que bancos tragam mercado negro ao Brasil Além de viabilizar sua expansão global e acessar novos investidores, a BM&FBovespa busca atualizar sua tecnologia para sobreviver em um ambiente cada vez mais competitivo e oligopolizado. O maior pesadelo da Bolsa brasileira atende pelo nome de dark pool aposta no escuro, uma espécie de sistema paralelo de negociação de ativos dominado pelos maiores bancos e fundos do planeta para negociar com custos menores do que na Bolsa.
Esses investidores exigem preços diferenciados de negociação e questionam a necessidade de pagar caro para a Bolsa fechar negócios que poderiam fazer entre si, quase sem custos e burocracia.
Segundo o presidente da BM&F Bovespa, Edemir Pinto, a Bolsa desenhou uma proposta competitiva para absorver a demanda brasileira de dark pool, por meio de negociações com regras diferenciadas para grandes blocos de ações.
Ele lembra que os reguladores estão de olho nos dark pools por conta da falta de transparência nas negociações. Além de preço baixo, esse investidor pede uma dose de sigilo nas informações sobre as ordens colocadas -daí o nome dark pool.
O objetivo é impedir que os demais investidores consigam deduzir o volume de ações que será negociado. Isso porque, se um fundo de pensão decidir vender US$ 1 bilhão de uma única ação, poderá derrubar seu preço em poucos minutos.
Não estamos preocupados. É zero de preocupação. Na verdade, isso é uma oportunidade de negócio. Queremos trazer isso para cá, mas já melhorado. Vamos começar atendendo o que eles pedem, mas de uma forma diferenciada e dentro de um sistema completamente regulado e transparente. O grande lote, muitas vezes, pode ter dificuldade de ser colocado porque mexe com os preços. A ideia é trazer isso para a Bolsa.
Custos
Investidores internacionais afirmam que os custos de transação de ações no Brasil estão entre os mais altos do mundo. Contando impostos, chegariam a até 35 vezes mais do que nos Estados Unidos.
Carlos Kawal, diretor financeiro da Bolsa, afirma que os custos totais das transações para grandes investidores no Brasil não são incompatíveis com os internacionais. Ele disse que a Bolsa brasileira agrega no preço uma série de serviços, como de liquidação financeira, que nos EUA ficam fora do preço da transação.
No Brasil, esses sistemas alternativos dependem de regulamentação da CVM (Comissão de Valores Mobiliários), que afirma não ter nada em vista no momento. Dificilmente, porém, o Brasil conseguirá impedir a entrada dessas redes.
Na Ásia, o mercado acredita que os dark pools têm quase o mesmo volume de negócios das Bolsas locais. Os EUA têm 40 sistemas conhecidos de negociação alternativa.
Para impedir a entrada do dark pool no mercado brasileiro, a Bolsa domina sozinha o serviço de liquidação e de custódia de ações e de ativos no país. Por esse motivo, mesmo que os dark pools se instalem no país, terão de utilizar serviços que são feitos hoje pela CBLC (Câmara Brasileira de Liquidação e Custódia). (Folha de S. Paulo – 13/02/10) China volta a apertar crédito e afeta Bolsas Governo teme bolhas imobiliárias e acionárias; desaceleração na economia chinesa pode afetar as exportações brasileiras.
O Banco Popular da China decidiu elevar o depósito compulsório bancário em 0,5 ponto percentual a partir do dia 25. É a segunda vez no ano em que o banco central do país aumenta o compulsório, depois do 0,5 ponto percentual em janeiro.
Após o aumento anunciado ontem, os grandes bancos serão obrigados a manter 16,5% de seus depósitos em reserva.
A medida indica que o governo chinês ainda não conseguiu frear a expansão do crédito que foi a tônica do plano de estímulo à economia do ano passado, quando o PIB (Produto Interno Bruto) cresceu 8,7%, a maior alta entre as 20 maiores economias do mundo.
O anúncio afetou as Bolsas de Valores pelo mundo. A Bovespa recuou 0,41%, após quatro sessões consecutivas de alta. Na Europa, Londres recuou 0,37%, e Paris, 0,49%. Nos Estados Unidos, o Dow Jones recuou 0,44%. A Bolsa de Xangai subiu 1,1%, mas já estava fechada quando houve o anúncio.
Em 2009, os bancos estatais concederam 9,6 trilhões de yuans (R$ 2,4 trilhões, 85% do PIB brasileiro) em empréstimos, quase duas vezes e meia o total concedido em 2008 (o equivalente a R$ 1 trilhão).
A medida vem logo antes do feriado prolongado do Ano Novo Lunar da China, quando os mercados financeiros locais estarão fechados. As cooperativas de crédito rural e as pequenas empresas financeiras não serão afetadas pela decisão.
Uma freada no crescimento chinês -o governo teme bolhas imobiliárias e acionárias e hiperaquecimento- pode afetar as exportações do Brasil. Mais de 90% das vendas do país ao exterior são matérias-primas que alimentam a expansão chinesa, como ferro e derivados.
No ano passado, a China se tornou o maior mercado para as exportações brasileiras, com vendas de US$ 20,1 bilhões (o segundo mercado, os EUA, ficou com US$ 15 bilhões).
Após vários anos de deficit com os chineses, o Brasil teve superavit de US$ 4,2 bilhões -enquanto teve saldo negativo com os EUA, de US$ 5 bilhões.
Mas, por enquanto, o governo exibe números de que a recuperação da economia é forte, por isso é possível desacelerar. As exportações em janeiro subiram 21% em relação ao mesmo mês do ano passado, e as importações tiveram alta de 85,5% -boa parte delas alimenta a indústria exportadora chinesa em peças e insumos.
A maioria dos bancos em Hong Kong estima o crescimento do PIB chinês em 2010 entre 9,5% e 10%.
A mensagem é clara, a política responde a conter expectativas de mais inflação e o risco de bolhas imobiliárias e de investimentos, diz Jing Ulrich, diretora do JPMorgan em Hong Kong.
Inflação
A inflação dos preços ao consumidor em janeiro, de 1,5%, foi menor que a esperada, mas os preços ao produtor subiram 4,3% em relação a janeiro do mesmo ano. Preços de imóveis nas 70 maiores cidades do país subiram 9,5% em janeiro, depois de 1,3% em dezembro.
No mês passado, apesar do discurso governamental de desacelerar a concessão de crédito, foi emprestado 1,39 trilhão de yuans, mais que novembro e dezembro juntos, o que pediu a nova intervenção do Banco Popular da China.
O início do ano é uma época tradicional para a concessão de empréstimos no país, às vésperas do Ano Novo Chinês. Por não haver férias remuneradas, a semana do feriado prolongado, chamada de Festival da Primavera, é a oportunidade de centenas de milhões de chineses visitarem suas famílias, distribuírem presentes aos parentes e descansarem.
Em fevereiro, 2,5 bilhões de viagens são realizadas por conta do Ano Novo Chinês. (Folha de S. Paulo – 13/11/10) Apesar da crise, indústria exporta 22,9% da produção O resquício de crise mundial no ano passado não fez ainda com que diminuísse a importância das vendas ao exterior no volume de produção. Foi o que ficou claro no índice Firjan de Produção Exportada, que mede a proporção de exportações sobre o total da produção da indústria de transformação. Ele mostrou que 22,9% do volume produzido foi exportado. O número era de 22% em 2008.
Diversos segmentos ganharam mercado em meio à crise em relação a 2008, com suas exportações aumentando a participação mesmo diante de queda na produção, disse a Firjan.
Entre os produtos em que houve alta da participação das exportações estão metalurgia básica, celulose e papel, couros e calçados e alimentos. Já automóveis, máquinas e equipamentos, produtos de madeira e móveis diminuíram bastante a parcela da sua produção destinada ao mercado externo.
A boa notícia é que, em um ano ruim, o índice de exportações conseguiu ser mantido em vários setores, afirmou Luciana de Sá, diretora de Desenvolvimento Econômico da Firjan. (O Estado de S. Paulo – 13/02/10)
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