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dezembro 2017 |

Revista Abinee

nº 92 | 9

para 14%, tributação dos fundos exclusivos).

Isso significa que o setor público continu-

ará a ter déficits primários elevados nos

próximos anos, o que mina a confiança do

setor privado.

Em 2017, foram observados movimentos

distintos entre os segmentos ligados ao

consumo e os de bens de capital. A que se

deveu este comportamento?

A alta do consumo foi responsável pela re-

cuperação, mas o investimento não reagiu

na mesma proporção, enquanto o setor de

bens de capital (especialmente elétricos)

apresentou queda. A redução da inflação,

certa queda no desemprego e no juro real

estão aumentando a massa real de salários

e devolvendo algum grau de confiança ao

consumidor.

Podemos esperar uma recuperação dos

investimentos para o próximo ano?

Não se deve esperar aumento significativo

do investimento em 2018, devido à fragili-

dade financeira das empresas, à existência

de ampla capacidade ociosa e à incerteza

política associada às eleições. Hoje o Brasil

investe apenas 15% do PIB, quando deveria

estar investindo acima de 20% para poder

crescer no médio prazo.

O que o setor produtivo pode esperar de

2018?

Em 2018, a indústria de transformação

deve crescer 3,5% e o setor eletroeletrôni-

co de 5% a 7%, puxado pela eletrônica de

consumo. No entanto, ainda estará longe

de recuperar os níveis de produção obser-

vados entre 2010 e 2013. O setor elétrico

ainda não mostra sinais de recuperação,

especialmente no segmento de bens de

capital, que depende dos investimentos

em produção de energia.

Celso Martone

“Não se deve

esperar aumento

significativo do

investimento em

2018, devido à

fragilidade financeira

das empresas”