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maio 2017 |

Revista Abinee

nº 90 | 7

quando resolvem adotá-las, resistem em mudar

seus modelos de negócios. Esse é o grande risco.

Não mudar o modelo de negócio e perder a li-

derança rapidamente para uma empresamenor.

Um exemplo clássico de empresa que perdeu

oportunidade de mudar é o da Kodak. A câ-

mera digital foi inventada pelos pesquisadores

da empresa, mas ela resistiu porque seu mo-

delo de negócios era o de vender filmes muito

lucrativos. Assim, a Kodak não viu na câmera

digital um negócio lucrativo e acabou perdendo

o bonde, perdendo a oportunidade para outras

empresas, como Sony, Canon e Nikon. Depois

disso, nunca mais conseguiu se recuperar.

Há exemplos de empresas que mudaram e

com isso conquistaram novos clientes?

Quando uma empresa fica muito tempo sem

agir e sem mudar seu modelo de negócios, fica

cada vez mais difícil fazer a mudança e recupe-

rar o nível de antes. É o que chamamos de inér-

cia. Algumas empresas perdem o bonde, mas

depois corrigem esse caminho e se recuperam.

Inicialmente, por exemplo, a Microsoft descar-

tou a internet, como já foi declarado publica-

mente pelo próprio Bill Gates. Na ocasião, ele

considerou a internet incompatível com o mo-

delo da empresa que era o de produzir softwares

– Windows e Office - para vender em estabele-

cimentos comerciais. Depois, Gates reconheceu

que a internet era uma tecnologia disruptiva e

investiu bastante nela. Hoje, a Microsoft é um

dos grandes

players

nesse mercado.

De que maneira a inovação pode ser apli-

cada aos processos produtivos e ao B2B?

Considero que a inovação em processos seja

ainda mais importante que a inovação em

produtos. Primeiro porque, se você investe

na inovação do processo, você tem o resto da

vida para captar o valor investido dado que

processos importantes para uma empresa são

repetidos frequentemente, gerando ganhos de

eficiência que se acumulam ao longo do tem-

po. Segundo porque essa é uma inovação que

fica dentro da empresa, sendo, portanto, difícil

de ser copiada pelos competidores. E terceiro

porque a inovação em processos ajuda não

apenas hoje, mas no futuro, pois rende frutos

mais espalhados e de longo prazo. Já as ino-

vações em B2B tem aparecido de forma muito

forte em empresas como GE, Siemens e, inclu-

sive em empresas brasileiras, como a Braskem.

Como está o País em relação ao ambiente

global? Ainda temos muito a aprender?

É difícil mencionar um país que esteja bem

em todos os setores industriais. Qualquer país

tem setores que estão na frente e outros que

estão atrás. Estados Unidos, por exemplo, está

na frente em tecnologia, mas atrás em saúde

pública. Já o Brasil, está muito à frente no agro-

negócio e em mineração, mas atrás em outros.

No que diz respeito a serviços bancários, o

País já esteve muito atrás e depois investiu

em inovação cada vez mais forte. Hoje o setor

bancário brasileiro é muito inovador e estão

surgindo

startups

commuita tecnologia e qua-

lidade mundial. Uma parcela do setor eletroe-

letrônico brasileiro ainda está defasada e pode

avançar à medida que compete com empresas

americanas, europeias e chinesas.

Thales Teixeira