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Revista Abinee

nº 90 | maio 2017

‘Empresas tradicionais

são mais resistentes às

novas tecnologias’

O que podemos entender como empresa

disruptiva e inovação disruptiva?

O primeiro acadêmico a falar sobre inovação

disruptiva foi Clayton Christensen, professor

de Harvard. Ele apontou dois tipos de inova-

ção. Um deles é gradual, como ocorre com

celulares e câmeras digitais. Você compra um

equipamento de dois megapixels, passa para

cinco, para dez e assim por diante. São ino-

vações incrementais que vão melhorando aos

poucos. No outro tipo ocorre uma mudança

drástica na tecnologia, que faz com que con-

sumidores que inicialmente não queriam esse

tipo de tecnologia passem a demandá-lo. Um

exemplo clássico é o carro elétrico. O consu-

midor parte do carro movido a combustível

para o carro movido a energia. Não há como

fazer uma alteração gradual. No caso dos

celulares, a única mudança disruptiva dos

últimos anos foi o smartphone, que fez com

que muitas pessoas deixassem de usar o com-

putador.

As tecnologias disruptivas podem ser con-

sideradas uma tendência inevitável?

As inovações ocorrem de forma muito diferen-

te de uma indústria para outra. As tecnologias

disruptivas, por definição, são muito poucas e

específicas de cada segmento: saúde, eletroele-

trônico, indústria automotiva etc. São mudan-

ças raras, que não vão acontecer a cada ano, a

cada dois, três quatro anos. Já o processo de

adoção dessas tecnologias disruptivas é muito

similar em todos os segmentos.

A forma tradicional de produção da indús-

tria está com os dias contados?

O grande desafio que eu vejo nas indústrias

tradicionais é que, quando aparece uma tecno-

logia mais inovadora, seja disruptiva ou não, as

empresas que mais rapidamente entendem e

adotam essas tecnologias não são as empresas

tradicionais, mas as menores, as novas e algu-

mas

startups

. Estas são mais motivadas a usar

novas tecnologias e a criar modelos de negócios

compatíveis com elas. Um exemplo é o Uber,

que lançou um modelo de negócio baseado no

pagamento antecipado que difere do modelo

tradicional. Já as empresas tradicionais são

mais resistentes às novas tecnologias e, mesmo

As companhias que mais rapidamente entendem a necessidade de inovações são as

que têm mais chances de sucesso. Quanto mais tempo uma empresa levar para mudar

mais dificuldades terá para fazer a mudança. A avaliação é de Thales Teixeira, Ph.D.

em marketing pela Universidade de Michigan e professor da Harvard Business School.

Em entrevista à Revista Abinee, Teixeira, que fará palestra no ABINEE TEC 2017, no dia

25 de julho, fala sobre inovação e tecnologias disruptivas.

entrevista