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maio 2017 |

Revista Abinee

nº 90 | 35

acordos bilaterais já em andamento, e

renegociar termos existentes. Este é o

caso do Nafta, que, a despeito da rela-

ção estremecida entre EUA e México,

passará por uma ampliação incorporan-

do novos temas que envolvem padrões

trabalhistas e ambientais, propriedade

intelectual, comércio digital entre outros.

Impactos no Brasil

Meirelles afirmou que a renegocia-

ção do Nafta traz oportunidades de

aproximação entre Brasil e México, mas

também desafios para investimentos

brasileiros que possuem uma estratégia

regional.

Sobre os investimentos privados nos

EUA, o executivo destacou que o Brasil

está bem posicionado em relação aos

seus concorrentes. Os ativos brasileiros

cresceram mais de 200% entre 2008 e

2014, além de ter o maior valor agregado

industrial entre os países emergentes. “A

narrativa de investimento brasileiro soa

como música para o governo norte-ame-

ricano”.

O diretor executivo da BIC destacou

que o órgão continuará seu trabalho de

apoio aos investimentos e exportações

brasileiras aos EUA, buscando ações de

facilitação do comércio, defesa comer-

cial e convergência regulatória.

O diretor da área de Relações Interna-

cionais da

Abinee

, Rubens Barbosa, um

dos idealizadores do BIC quando embai-

xador do Brasil em Washington, destacou

que o País deve se preparar para o novo

cenário internacional, que passa a priorizar

mais as relações bilaterais em detrimento

do multilateralismo. “Agora que o Brasil

começa a tentar sair do seu isolacionismo

e se integrar ao novo fluxo de comércio,

é preciso entender e discutir o que está

acontecendo no exterior”, afirmou. Barbo-

sa defendeu também a necessidade de se

buscar uma política industrial alinhada ao

contexto internacional.

Para o pre-

sidente

da

Abinee

, Hum-

berto Barbato,

as

empresas

precisam

estar

cientes dos novos

rumos da estratégia

comercial norte-americana

em função da importância da-

quele mercado na pauta expor-

tadora do setor eletroeletrônico.

Segundo ele, o BIC, do qual a

Abinee

é uma das mantenedoras,

é uma importante ferramenta para

apoiar as exportações brasileiras e as

discussões para o estabelecimento de

uma agenda positiva de comércio com

os norte-americanos. “É fundamental a

participação das empresas para a criação

desta agenda”, disse.

Segundo Mario Roberto Branco, as-

sessor de Comércio Exterior da

Abinee

, a

proposta de reforma tributária em análise

no Congresso norte-americano é alta-

mente preocupante para o Brasil, espe-

cialmente para o setor eletroeletrônico

brasileiro, que contempla muitas empre-

sas de capital originalmente estaduni-

dense. Ele ressaltou que, considerando

as observações de Meirelles, a reforma

proposta trata de forçar empresas norte-

-americanas a voltarem a produzir no ter-

ritório dos Estados Unidos e voltarem a

exportar a partir de lá. “Se bem sucedida,

esta medida poderá provocar a saída de

boa parte das plantas industriais do Bra-

sil e de outros países latino-americanos,

inclusive do México, com fortes reflexos

também sobre toda a cadeia de fornece-

dores desenvolvida no Brasil”.