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maio 2017 |

Revista Abinee

nº 90 | 19

C

om o objetivo de impulsionar o de-

senvolvimento do setor produtivo

brasileiro, o governo federal deve

apresentar ainda este ano a pro-

posta de Política para Desenvolvimento da

Manufatura Avançada.

O texto, que já foi objeto de Consulta

Pública, é fruto do estudo Perspectivas

de Especialistas Brasileiros sobre a Manu-

fatura Avançada no Brasil, realizado pelo

Ministério da Indústria, Comércio Exterior

e Serviços (MDIC), em conjunto com o Mi-

nistério da Ciência, Tecnologia, Inovações

e Comunicações (MCTIC). Após a consoli-

dação das contribuições, a proposta será

validada com os principais integrantes do

segmento.

"Temos que aproveitar esse momen-

to, pois esse tema possibilita uma série

de oportunidades para o setor industrial,

mas também riscos", afirma o secretário

de Inovação do MDIC, Marcos Vinícius de

Souza. Ele reconhece que a velocidade da

implementação de tecnologias voltadas à

manufatura avançada ao redor do mundo

demanda ações do governo.

Para o diretor da área de Automação da

Abinee

, Raul Victor Groszmann, a adoção

de novas tecnologias de produção tem que

ser uma decisão de negócio, mas cabe

ao governo brasileiro ajudar a criar um

ambiente propício a fim de que as empre-

sas se sintam compelidas a seguir nessa

direção. “Para que isso ocorra há diversas

ações que devem ser tomadas”, diz.

Segundo ele, o investimento em infraes-

trutura é fundamental. “Não há manufatura

avançada sem mobilidade, e esta, por sua

vez, necessita de comunicação”. Também

são necessários o desenvolvimento de

mão de obra qualificada e a desoneração

do investimento direcionado à aquisição de

novas tecnologias e equipamentos produ-

tivos.

Na avaliação de Groszmann, existe um

grande potencial a ser explorado no Bra-

sil no segmento de manufatura avançada.

Hoje, há indústrias no País que utilizam as

mais novas tecnologias, convivendo com

outras que ainda trabalham com “ilhas au-

tomatizadas”, sem tirar proveito da integra-

ção, seja horizontal, entre máquinas, seja

vertical, entre as demais áreas da empresa.

“O parque industrial brasileiro é rico e

diversificado. Nós temos os mais diversos

segmentos econômicos presentes, com

maior ou menor grau de agregação de va-

lor local”, diz.

Obstáculos dentro das empresas

• Tecnologia antiquada:

sistemas de TI

e automação mais antigos e fragmen-

tados podem impedir a implementação

de uma estratégia de manufatura inte-

ligente. Muitas fábricas usam equipa-

mentos de automação comprados há

mais de 20 anos.

• Desalinhamento corporativo:

Obter o

alinhamento organizacional e definir a

prioridade correta são fundamentais

para o sucesso de uma implementação

de manufatura inteligente.

• Escassez de talentos:

Quase um terço

das empresas apontam a falta de talen-

tos como seu maior desafio relaciona-

do a recursos de IoT.

• Percepção de falta de ROI (retorno so-

bre investimento):

Muitas companhias

ainda estão tentando compreender o

valor de negócio a ser concretizado

com o investimento em iniciativas da

Internet das Coisas e manufatura inte-

ligente.

• Segurança de dados:

A menos que

façam investimentos contínuos em sis-

temas de controle industrial seguros,

as empresas estão suscetíveis a riscos

desnecessários à medida que concre-

tizam as oportunidades apresentadas

pela manufatura inteligente.