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Revista Abinee

nº 89 | janeiro 2017

livre opinião

curso para a administração pública. Pode

também informar à montadora as con-

dições de uso e o desgaste das peças,

permitindo a predição de falhas e o agen-

damento antecipado de paradas para

reparo. De forma similar aos smartpho-

nes, o carro conectado poderá receber

atualizações de software para correção

de falhas ou ampliação de suas funções.

Foi precisamente o que fez a Tesla com

os modelos S vendidos de 2014 para cá,

que, em 2016, receberam o piloto auto-

mático (sem que precisem passar numa

concessionária para isso).

O produto inteligente e conectado tam-

bém provocará uma mudança importante

no valor dos bens manufaturados: con-

tinuaremos pagando pelo produto em si,

ou pelo que ele entrega? Uber e Airbnb

crescem exponencialmente sem possuir

um único ativo, e outras empresas explo-

ram modelos

pay per use

como bicicletas

e purificadores de água. Quem consome

o que estas empresas entregam consome

serviços. Produtos manufaturados, carros,

casas e quartos para aluguel, bicicletas e

purificadores de água são meios para que

a entrega dos serviços possam ocorrer, e

portanto, parte substituível e de menor va-

lor na cadeia de entrega do serviço.

Vejo, então, pelo menos quatro possí-

veis cenários para as empresas de produ-

tos manufaturados:

1. permanecerem como estão;

2. evoluírem para fabricar produtos

intensivos em software e conecta-

dos;

3. operarem serviços baseados em

produtos intensivos em software e

conectados;

4. fabricarem e operarem serviços

por meio de seus produtos inteli-

gentes e conectados.

A opção pelo cenário 1 não requer es-

forço, mas também não nos parece muito

robusta. Além de inviabilizar a partici-

pação da indústria no que será o maior

mercado dos próximos anos, irá deixá-la

vulnerável ao ataque de novos entrantes

ou das

incumbents

que evoluíram seus

produtos para o cenário 2.

A transição para o cenário 2 não será

sem dor. Ao contrário do que acontece

com a indústria de manufatura atual, pro-

dutos na IoT serão híbridos de hardware,

intensos em software e conectados. Para

fazer esta migração será necessário à in-

dústria adquirir novos conhecimentos, a

fim de ser capaz de desenhar, desenvol-

ver e manter produtos.

O cenário 3 é para quem quer deixar

de ser indústria. Por que não? Muitas em-

presas vão muito bem sem fabricar abso-

lutamente nada.

Ainda temos o cenário 4, que é o mais

difícil de todos. Nele, além de fazer toda a

mudança para atualizar sua capacidade de

concepção e desenvolvimento de produtos,

como no cenário 2, a indústria precisará de-

senvolver competências de uma empresa

de serviço, pois operar um serviço baseado

em produtos conectados significa saber

capturar dados continuamente do produto,

interpretá-los para evoluir continuamente,

além de entender e atender usuários na

prestação do serviço.

Não, não será fácil. Mas dependendo

do setor que a indústria se encontra, não

existem outras boas alternativas. Imaginem

se forem poucos os provedores de serviços

que necessitam do seu produto. Imagine-os

dominantes. Pois não só a maior parte do

valor capturado estará com o provedor do

serviço, como será ele quem irá determinar

os volumes de produção.

Executivo Chefe de Negócios - CESAR*

* O CESAR

(www.cesar.org.br)

promove a trans-

formação da indústria para era de produtos in-

tensivos em serviços através da visão POETAS.

IT

(www.cesar.org.br/poetas.it/visionstatement)

,

da requalificação de engenheiros e designers

(www.faculdadecesar.com.br)

e do redesenho

e reconstrução de produtos com sua unidade

EMBRAPII

(http://embrapii.org.br/cesar-3/)

.