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outubro 2015 |

Revista Abinee

nº 83 | 9

unitário do trabalho, que, segundo dados

da Firjan e CNI, cresceu 11,6%, entre 2010

e 2014, na indústria de transformação,

enquanto no setor eletroeletrônico atingiu

12,8%.

Neste contexto, retirar estímulos exis-

tentes, como a desoneração da folha e

a Lei do Bem, é justamente o caminho

para depreciar ainda mais a indústria no

país. Além disso, constantes mudanças

de regra no meio do jogo, como temos

observado, só contribuem para aumentar

a desconfiança, a insegurança e inibir o

apetite por investimentos.

Ao mesmo tempo, precisamos pensar

seriamente no que virá depois da crise.

Qualquer esforço de garantia de gover-

nabilidade não deve bastar em si mesmo,

mas deve servir para que, neste momento

de dificuldades, possamos discutir, para

valer, ações modernizadoras e estrutu-

rantes.

A paulatina recuperação da credibi-

lidade e da confiança na economia virá

das ações focadas para o momento e

da organização de uma estratégia maior,

com a proposição das reformas tributá-

ria, previdenciária, sindical, trabalhista,

das agências reguladoras, etc. Sabemos

que nada foi feito neste sentido em um

momento de bonança, mas, agora, em

situação dramática, esta pode ser nossa

garantia de futuro.

Se o Brasil quer sair desta situação e

partir para uma nova fase de desenvol-

vimento, precisa agir já, pois não será

possível, mais uma vez, perder o bonde

e se afastar do novo padrão produtivo

que surge, onde a tecnologia desenvolve

papel de extrema relevância.

Os desafios para a recuperação eco-

nômica do Brasil são imensos, mas, cer-

tamente, a melhor opção não é o corte na

carne alheia, especialmente da indústria

que é o setor que mais sangra.

encerrar 2015 representando apenas 9,0%

do PIB, enquanto, em 2004, correspondia

a 17,9% do PIB. Portanto, pode-se dizer que

a indústria de transformação encolheu à

metade nesse período.

Igualmente, é necessário mencionar os

custos tributários que oneram a produção

e impactam negativamente a competi-

tividade. A participação da indústria de

transformação no total arrecadado atingiu

31,2%, em 2014. Logo, cerca 1/3 de tudo

o que foi recolhido pelos Fiscos nos três

níveis de governo proveio da indústria.

Em comparação aos demais setores, a

indústria é mais tributada por ser mais

formalizada e concentrada e por com-

portar uma cadeia produtiva mais longa,

sofrendo a incidência de todas as figuras

tributárias.

Portanto, uma verdadeira revolução no

setor industrial brasileiro precisa ser feita.

O foco dessa transformação encaminha-

-se por ações que permitam o aumento

da produtividade, equacionando o custo

Márcio Shaffer

Humberto Barbato