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8 |

Revista Abinee

nº 83 | outubro 2015

Chega de cortar

na

carne alheia

A

cada dia temos sido obrigados

a lidar com uma nova surpresa

desagradável nas ações do go-

verno em busca do reequilíbrio

de suas contas.

Fica evidente que a via encontrada

pela equipe econômica é o aumento da

arrecadação, ao invés da racionalização

dos gastos e despesas de uma máquina

pública inchada, que não cabemais no PIB.

Como que transferindo o problema, as

medidas adotadas sacrificam as empresas

e a população com o peso de mais e mais

impostos.

A situação já chegou ao insuportável, e

o grito de basta pode ser ouvido na Cam-

panha “Não Vou Pagar o Pato”, contra o

aumento de impostos, liderada pela Fiesp

- ao lado entidades empresariais como a

Abinee

- e que tem mobilizado diferentes

setores da sociedade civil organizada.

No atual pacote do governo, além de

providências de caráter horizontal, que

prejudicam a atividade produtiva como um

todo, o setor eletroeletrônico foi particular-

mente surpreendido com a MP 690, que

propõe o fim da isenção do PIS/Cofins nas

vendas ao varejo de produtos eletrônicos.

Esta proposta acaba com o importante

programa de inclusão digital, contido na Lei

doBem, e possibilita o aumento domercado

cinza, o que, ao final, diferente do que pensa

ogoverno, provocaráquedadearrecadação.

Sobre isso, temos nos desdobrado para ex-

plicar, e até mesmo impedir, que a medida

seja levada adiante no Congresso.

O que o governo precisa entender é

que a estratégia de superação da crise

não pode se limitar a medidas conjuntu-

rais ou de curto prazo. Para fugir da crise,

entendemos que o primeiro e essencial

procedimento consiste na busca de uma

concertação política, que supere a atual

fragilidade nas relações entre os poderes

estabelecidos, que, ora provoca inércia,

ora provoca ações desencontradas e des-

cabidas. Ou seja, a bússola da economia

segue desorientada em razão das intem-

péries políticas que a fazem girar sem que

se consiga definir um rumo correto.

Um segundo aspecto para a superação

da crise tem que ser o fortalecimento da

posição do setor industrial no cenário eco-

nômico nacional e internacional. Em outras

palavras, a situação crítica que acolheu a

indústria de transformação brasileira na

última década extravasou para os demais

setores da economia e nos levou à atual

situação.

Embora a desvalorização cambial -

bolha especulativa à parte - estimule as

exportações, levaremos algum tempo para

que os bens manufaturados voltem a figu-

rar como protagonistas desse processo. A

negligente política cambial dos últimos dez

anos - ao que tanto alertamos - promoveu

a desindustrialização do país, ceifando

elos da cadeia produtiva e inibindo a ação

dos empresários em direção a uma pauta

exportadora.

Análise recente feita pela CNI mostrou

que a indústria de transformação deverá

editorial