Background Image
Table of Contents Table of Contents
Previous Page  9 / 36 Next Page
Information
Show Menu
Previous Page 9 / 36 Next Page
Page Background

agosto 2015 |

Revista Abinee

nº 82 | 9

a na política externa

se mostrado uma verdadeira camisa de força e tem

uma dimensão de mercado modesta para a expan-

são das nossas exportações, ainda mais com a de-

gradada situação econômica de países como Ar-

gentina e Venezuela, que geram o aumento de me-

didas protecionistas.

Além disso, com o fracasso da Rodada Doha da

OMC, em que o Brasil apostou todas as duas fichas,

há a necessidade de urgentemente se buscar alter-

nativas de acesso a mercados.

O fato é que necessitamos de uma rápida inte-

gração à corrente de comércio mundial. A nossa

reindustrialização só ocorrerá se houver a retoma-

da das exportações dos manufaturados, que hoje re-

presentam menos de 40% do total das exportações,

com forte tendência de queda. No caso do setor ele-

troeletrônico, as exportações que representavam

19,2% do faturamento em 2006, hoje, não passam

de 10%. Neste contexto, é fundamental, por exem-

plo, que o governo não adote medidas casuísticas

que venham a prejuízo das exportações de produtos

que, de longa data, já possuem espaço no mercado

internacional, e cujos fabricantes dependem das tro-

cas comerciais em condições de normalidade para

continuarem realizando seus negócios.

Ao mesmo tempo, o Brasil precisa fazer sua lição

de casa com celeridade, por um lado, diminuindo a

desconfiança dos investidores em relação às insta-

bilidades políticas e regulatórias, agravadas pelas

denúncias de corrupção generalizada, e, por outro,

apresentando medidas econômicas que favoreçam

o ambiente produtivo, e que possibilitem condições

para que nossas indústrias possam competir de igual

para igual no âmbito interno e externo.

Dessa forma, apesar de não ter nenhum acordo

ou documento assinado, esperamos que a visita bra-

sileira aos EUA seja o início de uma postura mais po-

sitiva e pragmática do comércio exterior brasileiro,

no sentido de buscar parcerias com mercados que

possam absorver nossos produtos, e que, também,

propiciem um intercâmbio comercial e tecnológico

de alto nível, reintegrando o país nas cadeias globais.

este mercado, principalmente, a partir desta

sinalização do governo brasileiro, demons-

trando que o Brasil recoloca os EUA na sua

agenda de comércio exterior com a priori-

dade que merece.

Tendo em vista o novo patamar do câm-

bio e com adição do Plano de Nacional de

Exportações, que vem no sentido de estimu-

lar a competitividade do produto brasileiro

no exterior e tem importância fundamental

principalmente em ummomento de restrição

do mercado interno, acreditamos que seja

indispensável uma postura mais pró ativa na

política comercial.

A visita aos EUA mostra que o governo

finalmente começou a perceber que é pre-

ciso trabalhar além da política sul-sul. Nos

últimos anos, nossas apostas na política ex-

terna se mostraram infrutíferas em termos

de negócios.

A participação do Brasil em acordos re-

gionais se restringe ao Mercosul, que tem

Eduardo Raia

Humberto Barbato

agosto 2015 |

Revista Abinee

nº 82 | 9