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Revista Abinee

nº 82 | agosto 2015

Por uma nova

postu

N

a última década, o Brasil deixou para segun-

do plano sua política de comércio exterior, re-

duzindo a quase zero os acordos internacio-

nais com outras nações. Neste período, fo-

ram firmados pelo Brasil apenas três acordos interna-

cionais (Egito, Israel e Autoridade Palestina), enquan-

to, no mundo, foram negociados 453 acordos, dos

quais cerca de 300 notificados na OMC. Contando

apenas com a boa maré das

commodities

, o país mi-

nou o fluxo internacional de manufaturados.

Um primeiro passo para um novo cenário parece

ter sido dado com a recente viagem da presidente

Dilma Rousseff aos EUA, da qual, em função da im-

portância do setor eletroeletrônico e da represen-

tatividade da

Abinee

, tive a oportunidade de acom-

panhar. Naqueles dias, participei da Cúpula Empre-

sarial Brasil-Estados Unidos, em Washington, bem

como de um encontro, em Nova Iorque, com a pre-

sidente, ocasião em que empresários brasileiros fa-

laram sobre os interesses de diversos setores no

mercado norte-americano.

A visita brasileira foi importante do ponto de vista

diplomático, após o episódio de 2013, quando Dilma

cancelou uma viagem aos EUA devido à revelação

de que havia sido espionada, junto a outras autori-

dades e empresas brasileiras, pela agência de inte-

ligência norte-americana, a NSA.

Além desta reaproximação política, a viagem tam-

bém representou uma sinalização positiva para as re-

lações comerciais entre os dois países, que parecem

estar entrando em um novo momento. Ou seja, o cli-

ma em relação aos EUA parece que está mudando.

Durante o evento, organizado pela US Cham-

ber of Commerce e CNI, foi destacado um com-

promisso sério da Secretaria de Comércio Ameri-

cano e do Ministro Armando Monteiro no sentido

do aprofundamento das relações comerciais en-

tre os dois países. Ficou claro que se respira outro

clima, e que Estados Unidos e Brasil iniciam uma

nova agenda, e que estão juntos, também, no de-

senvolvimento tecnológico. Na ocasião, represen-

tantes de diversos setores da indústria defende-

ram que se busque um acordo de livre co-

mércio entre as duas nações.

A presidente Dilma deixou claro - na reu-

nião de Nova Iorque - que a iniciativa privada

na relação com os norte-americanos deve ser

a protagonista, e terá papel fundamental para

uma maior aproximação com os EUA. Neste

sentido, creio que seja interessante que as

empresas do setor eletroeletrônico aprovei-

tem este momento para buscar parcerias vi-

sando ambas as direções do comércio.

Observamos que há, inclusive na própria

atividade de pesquisa, interesse para o IPD

Eletron - instituto de pesquisa e desenvolvi-

mento criado pela

Abinee

- estabelecer par-

ceiras com os norte-americanos como forma

de estimular a inovação no Brasil.

Analisando a balança comercial do setor

eletroeletrônico, podemos dizer que os EUA

já têm uma posição destacada, mas que, sem

sombra de dúvida, pode e deve ser ampliada.

De janeiro a junho deste ano, a corrente de

comércio entre Brasil e EUA somou US$ 2,5

bilhões. Deste montante, acompanhando o

problema estrutural da nossa balança, temos

uma relação deficitária com os americanos.

Nos seis primeiros meses deste ano, as im-

portações vindas daquele país atingiramUS$

1,9 bilhão e as exportações US$ 546 milhões.

No entanto, ao avaliar as nossas vendas

constatamos que o mercado norte-america-

no representou aproximadamente 19% das

exportações totais do setor eletroeletrôni-

co, sendo o segundo país de destino dos

nossos bens e equipamentos atrás apenas

da Argentina. Considerando os valores en-

volvidos em transações, os segmentos que

mais exportam para os EUA são os de Com-

ponentes, Equipamentos Industriais, Auto-

mação Industrial e GTD.

Portanto, precisamos, e temos espaço,

para ampliar as nossas exportações para

editorial

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Revista Abinee

nº 82 | agosto 2015