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agosto 2015 |

Revista Abinee

nº 82 | 17

entrevista

alta intensidade tecnológica, ainda muito

abaixo na comparação com outros países

do mesmo porte que o nosso. Como po-

demos superar esta defasagem?

Acredito que as negociações em curso

com a União Europeia e o México podem

alavancar as exportações brasileiras de pro-

dutos de maior valor agregado. Eu ressalta-

ria, ainda, as negociações com o Peru e a

Colômbia para antecipar o cronograma de

desgravação, o que também contemplaria

produtos de maior intensidade tecnológica

e aumentaria inserção de produtos manufa-

turados brasileiros nesses mercados.

Por fim, penso que o já mencionado tra-

balho de convergência regulatória iniciado

com os Estados Unidos pode potencializar

o acesso de bens brasileiros de alto valor

agregado ao país. Trabalhamos para redu-

zir custos e diminuir o tempo para o cum-

primento de normas técnicas de acesso ao

mercado norte americano.

Neste aspecto, queremos resolver en-

traves como duplicidade na realização de

testes de laboratórios, dupla certificação

de produtos, entre outros procedimentos

que prejudicam o desempenho das expor-

tações brasileiras. Esta é uma ação que

pretendemos replicar no comércio com ou-

tros mercados estratégicos, como o México

e a União Europeia.

O processo de ajuste pelo qual o Brasil

está passando pode limitar a retomada da

capacidade da indústria de competir no

tanto no mercado interno como no inter-

nacional?

Sabemos que a indústria enfrenta pro-

blemas de competitividade que não são

recentes. Existem entraves relacionados ao

aumento de custos sistêmicos, tais como

déficit na provisão de infraestrutura, além

de disfuncionalidades no sistema tributário

e no ambiente regulatório. A emergência

da economia chinesa e a redução dos pre-

ços relativos para os produtos manufatura-

dos afetaram toda a indústria de transfor-

mação no mundo.

Depois da crise de 2008, o cenário eco-

nômico mundial ficou desfavorável para o

setor e o investimento produtivo sustentá-

vel de longo prazo foi seriamente afetado.

Além disso, tivemos a expansão da deman-

da interna que, com o câmbio apreciado, foi

bastante atendida pelas importações. Em

consequência, desde os anos 80, a indús-

tria brasileira perde participação no PIB.

Para se adaptar à nova realidade de

competição global, é necessário investir

em processos e projetos inovadores e bus-

car continuamente elevar a qualidade téc-

nica dos recursos humanos e da gestão de

negócios, tendo em vista ganhos de produ-

tividade, redução de custos, desperdícios,

e adoção de práticas sustentáveis de pro-

dução.

O governo federal está fazendo sua

parte. Os ajustes macroeconômicos estão

sendo feitos para dar mais previsibilidade à

economia e aumentar os níveis de confian-

ça dos consumidores e investidores. Assim,

juntamente com as medidas previstas no

Programa de Investimentos em Logística e

no Plano Nacional de Exportações, podere-

mos retomar o crescimento econômico.