Table of Contents Table of Contents
Previous Page  6 / 40 Next Page
Information
Show Menu
Previous Page 6 / 40 Next Page
Page Background

Revista Abinee

março/2009

6

em foco

Brasil enfrentava ajudavam a mostrar que,

àquela época, era importante manter a casa

em ordem, mas não suficiente. “O sistema

financeiro mundial tem defeitos graves, dos

quais nenhum país consegue fugir”, alertava.

Alguns pontos do seu discurso poderiam

ser perfeitamente aplicados à atual crise

mundial. Naquela oportunidade, o econo-

mista destacava que as expectativas, ou até

mesmo os preconceitos dos investidores se

tornavam fundamentos econômicos. “Nes-

te quadro, a psicologia de mercado se torna

crucial”, dizia.

Segundo o economista, o medo da perda

de credibilidade num país podia produzir uma

crise econômica que justifique tal perda - que

países podem ser vulneráveis ao que os eco-

nomistas chamam de ‘ataques especulativos

auto-realizáveis’. “Embora muitos economis-

tas, como eu, não acreditassem na importân-

cia de tais crises auto-realizáveis, a experiên-

cia dos anos 90 tornou esta ameaça muito

real”, enfatizou.

Durante a exposição, Krugman afirmou que

parecia inteiramente possível que o Brasil pu-

desse - se tivesse coragem - reduzir as taxas

de juros sem uma drástica queda na moeda.

“Isto poderia estabelecer um ciclo virtuoso”,

disse na ocasião.

O

economista norte-americano Paul

Krugman, prêmio Nobel de Economia

deste ano, esteve no Brasil em 11 de

maio de 1999, como palestrante convidado do

Fórum AbineeTec daquele ano.

Com 46 anos então, Krugman, professor

do Instituto de Tecnologia de Massachusetts,

já se sobressaía na cena acadêmica americana

e começava a ser alçado como o mais brilhan-

te e influente economista vivo, desde John

Maynard Keynes.

Na época, ele foi o único analista a pre-

ver a crise asiática e a explicar os problemas

da Rússia que ocasionaram reflexos mundiais,

atingindo o Brasil.

Durante o AbineeTec’99, Krugman afirmou

que aquele era um momento difícil para o Bra-

sil. Há apenas um ano, a nação estava cheia de

otimismo: a inflação estava sob controle, a re-

forma econômica tinha finalmente começado

de forma ampla, e os investidores estrangei-

ros começaram a falar do Brasil como futura

potência econômica.

A razão para o otimismo brasileiro era a

mesma em relação aos demais países em de-

senvolvimento: as possibilidades imensas cria-

das pela força da globalização, pela transfe-

rência de tecnologia e capital de países com

salários baixos, por novas perspectivas de

crescimento fortalecido pelo comércio inter-

nacional.

Mas, veio a terrível crise, que afetou de

forma negativa a credibilidade da nação.

Com a crise na Rússia, alguns fundos hed-

ge que estavam investindo no Brasil apro-

veitando as elevadas taxas de juros, foram

forçados a vender quando perderam dinheiro

em outros lugares.

Para Paul Krugman, os problemas que o

Memória

Paul Krugman na Abinee