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Revista Abinee

março/2009

4

em foco

ções da Organização Mundial de Comércio; 3º)

ampliar o Fórum de Estabilização Financeira de

Basiléia e instruí-lo a começar a efetiva regu-

lamentação do sistema financeiro mundial em

bases obrigatórias para todos.

Tal regulamentação teria de ser abrangente,

submetendo ao controle das autoridades todas

as entidades, sem exceção, que desempenham

funções financeiras, ainda que não sejam ban-

cos, tais como os bancos de investimentos, os

fundos hedge e operações financeiras de segu-

radoras como a AIG. As inovações de maior ris-

co – a securitização de dívidas e os derivativos

– deveriam obedecer a regras estritas e moda-

lidades como os

credit default swaps

, chama-

das por Warren Buffet de “armas financeiras de

destruição maciça” só poderiam ser toleradas

em circunstâncias raríssimas. Os princípios de

transparência e de ação anticíclica, os limites à

alavancagem financeira excessiva em relação

ao capital, permeariam toda a arquitetura nova.

Difícil, mas sem dúvida desejável seria a cria-

ção de uma Autoridade Internacional de Regu-

lamentação Financeira, com base no BIS e no

Fórum de Basiléia.

O programa esboçado não é demasiado am-

bicioso. Ao contrário, trata-se do mínimo dos

mínimos, se o G20 não quiser ser acusado de

se limitar à maquilagem do sistema. Se isso

ocorrer, pode-se estar certo de que o mundo

desperdiçou o poder da crise para catalisar uma

solução efetiva para os graves defeitos do atual

sistema internacional e, cedo ou tarde, teremos

outra crise, talvez mais grave.

Embaixador Rubens Ricupero, diretor da Facuda-

de de Economia da FAAP, foi secretário Geral da

UNCTAD, de 1995 a 2004

U

m novo Bretton Woods para recons-

truir a arquitetura financeira mundial

é necessário, mas altamente impro-

vável porque somente a destruição provo-

cada por uma guerra mundial ou uma crise

catastrófica seria capaz de vencer a inércia e

o conservantismo inerentes das instituições

financeiras. No fim de abril, em Londres, a

reunião do G20 começará a mostrar se a cri-

se atual terá esse poder.

Até a posse de Obama,

nem se podia sonhar com

tal hipótese. Mesmo ago-

ra, o governo americano

continua a se debater com

a possível insolvência de

bancos-gigantes, tatean-

do para encontrar solução

convincente. Nessas con-

dições, no momento em

que a crise se alastra pela

economia real da produ-

ção e emprego em todo o

mundo, haverá clima para

os dirigentes se voltarem para o que teria de

vir após a crise, isto é, a reconstrução? É como

num incêndio: enquanto o teatro pega fogo, o

desafio é apagar o incêndio, remover o entulho

e só depois reconstruir o teatro e encenar o es-

petáculo. Será diferente desta vez?

Na hipótese otimista de se fazer algo signi-

ficativo, as prioridades seriam três: 1º) coorde-

nar uma ação conjunta das maiores economias

(80% do PIB mundial) para evitar a depressão

e estimular a recuperação; 2º) assumir contra

o protecionismo um compromisso não apenas

declaratório, mas cobrável sob pena de san-

“O que espero do G20”

* Embaixador Rubens Ricupero

Foto: Isabela Martini