Table of Contents Table of Contents
Previous Page  38 / 40 Next Page
Information
Show Menu
Previous Page 38 / 40 Next Page
Page Background

Revista Abinee

março/2009

38

S

uperação! Esta é a palavra que melhor

define a necessidade de empresas dos

mais variados setores e tamanhos nes-

tes tempos de turbulência. Diversas políticas

e recursos foram mobilizados em prol de

grandes corporações. As operações globais de

salvamento envolveram cifras consideráveis,

profissionais dos mais respeitados currículos

forneceram rumos considerados salvadores.

No entanto, a realidade é que neste ambien-

te de recursos financeiros e profissionais es-

cassos, empresas de pequeno e médio portes enfrentam

desafios desproporcionais para obter apoio na superação

do momento atual e sair do outro lado do túnel devida-

mente fortalecidas.

Por tudo isso, antes de contar com a graça dos bem-

intencionados, as empresas de pequeno e médio portes

devem, de uma vez por todas, contar com elas mesmas,

com sua própria capacidade de superação. Mas como an-

dar sozinhas e com as próprias pernas se esta crise, de pro-

porções jamais vistas, está sugando grandes e portentosos?

A resposta pode ser considerada simplista ou otimista, de-

pendendo dos olhos, mas a aplicação efetiva de práticas

de boa gestão e governança corporativa é um caminho

efetivo para se evitar ou mesmo solucionar muitos dos

desafios que as empresas deste segmento estão enfrentan-

do. Não é segredo que boa parte das empresas brasileiras

de pequeno e médio portes nasceu da postura empreen-

dedora de seu dono ou de seus sócios. E muitas delas sur-

faram na onda do crescimento em razão do tino e empe-

nho de seus fundadores e, também, e não raro, por causa

do mercado naturalmente aquecido. Agora, com ventos

soprando na direção contrária, mexendo com a natura-

lidade do mercado, o tino empreendedor nem sempre é

suficiente para manter a empresa em cima da onda. Faz-se

necessário nesta hora, nem que seja somente para consu-

mo interno, ter uma visão ampla e imparcial do próprio

negócio. Porém, dependendo da vontade e necessidade, é

extremamente vantajoso manter a transparência do negó-

cio para o mercado externo. Esta visão ampla e transpa-

rente se consegue com a aplicação efetiva de práticas de

governança corporativa, fazendo parte da

cultura da empresa, transformando a ma-

neira com que o dono ou sócios se relacio-

nam com o negócio. Mas e eu, como faço?

É uma reação natural do empresário achar

que conceitos como governança corporativa

ou sustentabilidade são sofisticados demais,

distantes da realidade do seu negócio. Como

ele mesmo comenta: essas coisas são para os

outros. Em parte o empresário até tem ra-

zão. Os investimentos necessários para obter

uma estrutura formalizada em funcionamento podem ser

elevados, o retorno do serviço, em muitos casos, não é

instantâneo, e a própria manutenção também necessita de

um custo permanente. No entanto, a boa notícia é que é

absolutamente viável, haja vista o número de consultorias

contratadas por empresas de pequeno e médio portes. So-

bre o custo, ele pode variar sim. Dá para implantar mé-

todos de governança corporativa a um preço que cabe no

bolso e, ao mesmo tempo, conseguir benefícios concretos

em um curto espaço de tempo.

E por falar em benefícios... Eles são claros e impor-

tantes em qualquer setor. Com uma visão mais ampla de

seu próprio negócio, o dono ou sócio tem condições de

ver e, muitas vezes, antecipar e corrigir qualquer tipo de

distorção para conduzir sua empresa de forma mais segu-

ra. Conseguindo dar transparência ao negócio, o dono

ou sócios criam condições mais favoráveis, conseguem

parcerias, empréstimos bancários, investimentos exter-

nos e até mesmo a venda do negócio. Ainda na linha de

desmistificação da governança corporativa, cabe ressaltar

que, ao contrário do que muitos pensam e afirmam, equi-

vocadamente, não foi o sistema de governança corpora-

tiva que falhou e deixou na berlinda algumas grandes

empresas do País. Em meio a uma crise de proporções

dantescas, não é possível colocar a culpa em um único

fator, ainda mais na prática da governança corporativa.

Está comprovado que as empresas que souberam aprovei-

tar as metodologias de um sistema de gestão foram capa-

zes de evitar prejuízos e reagir às mudanças do oscilante

mercado financeiro.

Governança corporativa

também para PMEs

Bruno Schmidt, sócio da Diagono Gestão & Governança

Empresa Parceira da Central de Serviços

Abinee

/

Sinaees

-SP