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Revista Abinee

março/2009

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Antonio Corrêa de Lacerda, diretor da área de economia da Abinee, é Doutor em

economia pela UNICAMP, economista-chefe da Siemens e professor-doutor da

PUC-SP. Foi presidente da Sobeet e do Cofecon e integra o Conselho Superior de

Economia da FIESP e o Conselho Temático de Política Econômica da CNI.

Antonio Corrêa de Lacerda

8. adotar medidas de preservação do mer-

cado interno, inibindo a concorrência

desleal de fornecedores externos, muitos

deles com uma clara estratégia de desova

de estoques, para isso muitas vezes com

práticas de

dumping

;

9. viabilizar pactos pela preservação do em-

prego e da renda, envolvendo as empresas

e trabalhadores, com a participação e me-

diação do governo, que pode oferecer e

exigir contrapartidas às medidas de alívio

dos problemas da crise;

10. o último, mas não menos importante pon-

to, é adotar como principal prioridade da

política macroeconômica o crescimento. É

preciso ter em conta que o desafio mais

urgente é combater a crise e seus efeitos.

Isso implica romper paradigmas e exige

que todos os atores da política econômi-

ca ajam coordenadamente para sustentar

o desafio do crescimento em meio à crise

global.

mente a medidas para melhorar a liquidez

e fortalecer a confiança no mercado;

4. desonerar tributos para incentivar o nível

de atividades e os investimentos produti-

vos. A chamada “perda de arrecadação”

decorrente de desonerações precisa ser re-

vista, porque se a recessão se instalar, to-

dos perdem, inclusive o governo, que terá

queda brusca de arrecadação;

5. ampliar os investimentos públicos, no

âmbito federal e estimular as esferas esta-

duais e municipais e as empresas estatais

a também fazê-lo, para fomentar toda a

cadeia produtiva envolvida e estimular

os investimentos privados. É muito im-

portante desobstruir entraves, inclusive

pendências ambientais e legais para acele-

rar a execução, especialmente de grandes

projetos. Eles são balizadores e multipli-

cadores do investimento em toda a eco-

nomia.

6. aprimorar a PDP (Política de Desenvol-

vimento Produtivo), para consolidar e

mesmo criar novas vantagens competiti-

vas setoriais, ampliando o grau de valor

agregado local. É preciso estimular as ati-

vidades geradoras de emprego e renda e, ao

mesmo tempo, as pouco demandadoras de

importações. É o caso, entre outras, da in-

fraestrutura, construção civil e indústrias

de “bens de salário”, como alimentícia,

vestuário e calçadista etc.

7. fomentar as exportações, estimuladas pela

desvalorização cambial. Apesar da retra-

ção da economia internacional, que vai

acirrar a competitividade, é plenamente

viável ampliar, mediante ações, o

market

share

brasileiro de apenas 1,2% das ex-

portações mundiais. É preciso ir além e

vencer a tendência ao protecionismo dos

demais países e estabelecer acordos comer-

ciais pontuais que ampliem nossas chan-

ces nos mercados.