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Revista Abinee

março/2009

36

livre opinião

O

s mais vividos irão associar o títu-

lo acima com o homônimo de um

programa apresentado na década de

1980, na TV, pelo brilhante jorna-

lista Alexandre Machado, o mesmo que apre-

sentava, até há pouco, o Opinião Nacional,

lamentavelmente cancelado pela TV Cultura.

Ambos os programas tratavam com compe-

tência a discussão dos problemas brasileiros e

as alternativas. Uma prestação de serviços que

estimulava a cidadania.

Quase trinta anos já se passaram do pro-

grama original e estamos às voltas com o di-

lema de sair da crise. A diferença é que, não

há dúvida, que a economia brasileira detém

hoje condições muito melhores do que em fa-

ses anteriores. Isso não só no que se refere ao

aspecto fiscal, mas também quanto à saúde do

setor financeiro e das contas externas, além da

inflação e de muitos outros quesitos.

A questão é que, embora isso seja um

excelente ponto de partida, não garante

o crescimento. A economia mundial está

cada vez mais globalizada, o que significa

um bônus quando as coisas vão bem, mas

também um ônus quando desandam. Nos

dias de hoje não é possível a um país mini-

mamente integrado à economia internacio-

nal passar incólume á crise. No entanto, o

desempenho de cada um pode diferenciar-

se além dos “fundamentos” já comentados,

da qualidade e da eficácia do conjunto das

políticas econômicas adotadas.

O desempenho do nível de atividades da

economia dependerá fundamentalmente das

decisões e capacidade de implementação de

medidas para combater os efeitos do cenário

externo adverso, o que exige um conjunto de

ações coordenadas:

1. o primeiro ponto relevante é reduzir a taxa

básica de juros para ir além do gradualismo

e gerar um “choque” positivo de expecta-

tivas com um corte imediato de 3 pontos

percentuais. Ao contrário do que poderia

parecer, a manobra proposta implicaria

baixíssimo risco. A queda dos preços das

commodities

e produtos, em geral provo-

cada pela queda generalizada da demanda,

permite e exige ousadia nesse ponto.

2. reduzir o custo e estimular as operações

de crédito, inclusive spreads e taxas ao to-

mador final. Para isso, há que se utilizar

o poder dos bancos públicos, BNDES,

Banco do Brasil, CEF e bancos estaduais

para ampliar o crédito e financiamento

em condições mais favoráveis e estimular

a demanda, a produção e os investimen-

tos, além de estimular a competição entre

os bancos privados;

3. ampliar a liberação de depósitos compulsó-

rios que os bancos comerciais devem fazer

no Banco Central. Apesar de já terem sido

liberados quase R$ 100 bilhões no final

do ano passados, ainda há muita margem

e é importante que ela ocorra simultanea-

Va

mos sair da crise