Table of Contents Table of Contents
Previous Page  13 / 40 Next Page
Information
Show Menu
Previous Page 13 / 40 Next Page
Page Background

Revista Abinee

março/2009

13

Segundo Cláudio Adilson, com exceção da

Rússia, os países do grupo conhecido como

BRIC, terão desempenho abaixo do que vi-

nham apresentando, mas ainda positivo. No

caso do Brasil, ele prevê crescimento do PIB

para 2009 de 1,5%.

Neste momento, os fundamentos econô-

micos de cada país terão papel essencial para

o enfrentamento dos impactos da crise. Com

o equilíbrio da política monetária, fiscal e

cambial, o Brasil pode superar as dificulda-

des e sair da crise, fortalecido.

Além disso, a retomada da confiança do

consumidor é outro fator importante para

um país como o Brasil, que vinha, até então,

se aproveitando do mercado interno, dinâmi-

co, diversificado e bastante amplo. O aumen-

to do salário mínimo, nesse momento, é um

fator, por exemplo, que deve estimular o cres-

cimento doméstico. “Se recuperadas as con-

dições do crédito, novo estímulo estaria sen-

do injetado na economia, garantindo renda e

emprego”, afirma o economista da MCM.

Arsenal de medidas

Para reverter essa situação que deve per-

sistir, principalmente, durante todo este pri-

meiro semestre, a

Abinee

entende que o go-

verno deve adotar um verdadeiro arsenal de

medidas que permita a reversão das expec-

tativas e, portanto, o retorno da confiança

do mercado.

O carro-chefe desta postura é o controle

de gastos públicos desnecessários, que dimi-

nuem o poder de compra do Estado e a am-

pliação dos investimentos em infraestrutura,

tão importantes para o país.

O economista Cláudio Adilson Gonçalez

critica o aumento de gastos públicos realiza-

dos antes da crise que, neste momento de di-

minuição de arrecadação, pode prejudicar a

capacidade de investimento do governo no

crescimento econômico.

No curto prazo - diz

- o Banco Central deve

persistir com novas redu-

ções da taxa Selic, já que

o país ainda tem uma taxa

básica de 12,75% ao ano, a

maior do mundo. Para ele, di-

ferente de outras crises enfrentadas

pelo Brasil, não existe riscos de au-

mento de inflação desta vez.

“O Brasil está seguro em relação

a isso e há espaço para a redução da

taxa Selic. O Banco Central não precisa ter

medo”, observa. Em sua projeção, os juros

podem chegar a 9% que a inflação não pas-

sará de 4%.

Cláudio Adilson insiste, também, na ne-

cessidade de se recuperar o crédito, um dos

principais canais de transmissão da crise no

país. “Hoje, o crédito está caro, curto e res-

tritivo e entre as medidas para reverter este

quadro estão: aprovação pelo governo do ca-

dastro positivo, IOF zerado e os compulsó-

rios reduzidos”, destaca.

Adicionalmente, a

Abinee

defende a ne-

cessidade de que a autoridade monetária pres-

sione os bancos estatais, Banco do Brasil e

Caixa Econômica Federal, a diminuírem o

spread

bancário, provocando, via competi-

ção, a redução das aviltantes taxas praticadas

no mercado financeiro.

Além disso, a

Abinee

acredita que a crise

abre uma oportunidade para o país melhorar

o ambiente institucional por meio de uma

regulação adequada, menor carga tributária

sobre produção, investimento e exportações e

maior estímulo à formalização do trabalho.

2008: Dois anos em um

Conforme sinalizavam os especialistas,

a crise financeira se alastrou pelo setor pro-

dutivo da economia brasileira já em 2008,

mais precisamente, nos dois últimos meses