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Revista Abinee

março/2009

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to afetados pela crise, já que as operadoras

possuem produtos em estoque e não estão

realizando novas compras. Entretanto, na

parte do fornecimento para infraestrutura,

as empresas ainda não registraram grandes

impactos ocasionados pela crise. “Esta área

possui uma morosidade e leva mais tempo

tanto para entrar, quanto para sair de uma

crise”, observa.

Mesma opinião tem o vice-presidente da

Abinee

e diretor da Área de Telecomunica-

ções, Paulo Castelo Branco, que, por conta

disso, ressalta a necessidade de disponibiliza-

ção de novas tecnologias como a definição

das frequências de 2,5 e 3,5 Ghz. “Isto possi-

bilitará novos contratos para as empresas no

segundo semestre deste ano”, completa.

O mundo em recessão

O crescimento econômico mundial está se-

riamente comprometido em 2009 e será in-

sípido em 2010. Previsões de organismos in-

ternacionais apontam para a estagnação. Em

sua última revisão de cenário, o FMI estimou

o mísero crescimento de 0,5% para o mundo

em 2009.

Os reflexos da crise mundial estão pre-

sentes nas 27 nações européias, todas tecni-

camente em recessão desde o terceiro trimes-

tre do ano passado. O produto interno bruto

(PIB) da região encolheu por dois trimestres

consecutivos, registrando queda de 0,2%, no

terceiro, e de 1,5%, no quarto trimestre de

2008. “Esta é uma crise de proporções gigan-

tescas, a pior do pós-guerra e que representa

uma ruptura”, define o economista e dire-

tor da MCM Consultores, Cláudio Adilson

Gonçalez.

Dados mais recentes mostram também

que a economia japonesa sofreu no último

trimestre do ano passado a sua pior contração

desde 1974. O PIB japonês despencou 12,7%

em relação ao quarto trimestre de 2007, sen-

do que o país vem apresentando retração des-

de o segundo trimestre de 2008.

Para Cláudio Adilson, não há dúvida de

que a economia mundial encontra-se em

um quadro recessivo generalizado. “A reces-

são é igual a uma virose e, apesar das ações

dos governos dos países, não tem como evi-

tá-la. As ações podem apenas diminuir ou

amenizar o impacto”, diz. Segundo ele, os

indicadores dão um forte indicativo que o

mau desempenho dos países continuará até

o meio do ano.

Representado pelo binômio Estados Uni-

dos-China, o motor do crescimento mun-

dial emperrou. O primeiro, mergulhado no

emaranhado de títulos podres, gerados pelo

financiamento hipotecário, e o segundo,

preso, por reflexo, à sua forte dependência

exportadora para o continente americano.

De concreto, sabe-se que os EUA continu-

am afundando - mesmo depois de repetidos

pacotes de estímulo aprovado pelo congresso

- e que a China está longe de repetir a excep-

cional performance dos últimos anos, quando

cresceu a dois dígitos. Previsões sinalizam ex-

pansão chinesa próxima de 7%, neste ano.

matéria de capa

Cláudio Adilson Gonçalez